Você está na página 1de 20

lOMoAR cPSD| 476422

lOMoAR cPSD| 4764

Cirurgia em odontopediatria

Cirurgia

A cirurgia é uma modalidade de terapêutica que tem como diferencial o fato de ser praticada por atividade
manual e com o auxílio de instrumentos apropriados que, por meio de manobras cruentas, permitem a obtenção
da solução de continuidade dos tecidos e, dessa forma, a atuação direta na causa determinante do seu uso.
A cirurgia incorporada à Odontologia segue, igualmente, os preceitos básicos feitos a essa terapêutica, sofrendo
algumas variações que lhes são próprias e que advêm das peculiaridades das estruturas anatômicas e dos órgãos
que se situam onde ela é praticada.
Visando a uma objetividade didática, têm-se como da alçada odontológica dois tipos distintos de cirurgias
chamadas oral menor, ou bucodentoalveolar e bucomaxilofacial. A cirurgia bucodentoalveolar é a que pode ser
feita por todos os cirurgiões-dentistas, considerando-se suficientes os conhecimentos e as habilidades
psicomotoras adquiridas durante o desdobramento de um curso de graduação adequado. A cirurgia
bucomaxilofacial requer mais conhecimentos, é restrita ao especialista e, portanto, não comporta ser abordada
em um compêndio direcionado à Odontopediatria.
Sempre que se decidir por uma cirurgia, esta decisão deve ser comunicada aos pais da criança, dandolhes
informações sobre o trabalho que será feito, explicando o porquê e as possíveis complicações. Acredita-se,
ainda, que a autorização dos pais deve ser feita por escrito, só após essa etapa procedendo a cirurgia.
Procedimentos
• Cruentos
• Invasivos
• Técnica cirúrgica atraumática
• Consiste, de forma simplista, na aplicação da técnica operatória mais adequada à resolução do
quadro clínico do paciente, fazendo-se o uso correto dos instrumentos com respeito integral aos
ditames da técnica cirúrgica. Para a observação desse princípio, é imprescindível desenvolver a
habilidade psicomotora no uso do instrumental; ter conhecimento de algumas variáveis de técnica,
tornando possível selecionar aquela que seja a mais vantajosa; ter amplo conhecimento da anatomia
regional; ter condições de manter e recompor as funções fisiológicas básicas, entre outras.
• Medidas pré-operatórias
• Permitem adequar o paciente ao ato operatório – obtenção da oportunidade cirúrgica – bem
como, com base na técnica cirúrgica selecionada, determinar o padrão cirúrgico – hospitalar ou
ambulatorial – e todos os demais recursos que a tornem viável. Também inclui aqui a necessidade de
medicação pré-operatória (profilaxia antibiótica).
• Medidas pós-operatórias
• Por meio delas, podem-se obter as melhores condições para que a recuperação do paciente e a
evolução para a cura da ferida cirúrgica ocorram da melhor forma possível. Para quase todas as
cirurgias bucais menores, essas medidas são rotineiras como aquelas que visam ao controle da dor e à
redução na intensidade da inflamação traumática, e aquelas que contribuem para a hemostasia regional,
visando, também, à obtenção de um coágulo sanguíneo estabilizado, um dos fatores que favorecem o
reparo tecidual.
• Pelos grandes benefícios que acarretam ao paciente, é realmente importante observar os
ditames dos princípios citados, possibilitando que, com o passar do tempo e com a experiência
adquirida, venham a se incorporar naturalmente no raciocínio normal de quem efetua, em qualquer
nível, a terapêutica cirúrgica.

Eliminação
• Focos
• Corpos estranhos
• Alterações de desenvolvimento (em odontopediatria precisamos saber fazer esse tipo de
diagnóstico)

 Necessidade x Oportunidade

Necessidade
Etiologia;
Grau de comprometimento anatomofuncional;
É imprescindível estar baseado em radiografias adequadas – até mesmo como proteção ao aspecto médico-
legal – que permitam observar:
– o grau de integridade radicular do dente decíduo
– o grau de intimidade do dente decíduo com o dente permanente a ele justaposto
– o estágio de rizólise do dente decíduo
– o estágio evolutivo da rizogênese do dente permanente
– a existência de doença óssea regional
Vantagens para saúde;
Seqüela.

Oportunidade
Saúde local;
Saúde sistêmica;
Estado psicológico do paciente.

lOMoAR cPSD| 476

 Planejamento cirúrgico

Diagnóstico;
Oportunidade cirúrgica;
Momento transoperatório.

Sempre ter todos os materiais na mesa, organizados. Ainda mais que a criança é
temperamental, então ela pode a qualquer momento não colaborar com o tratamento. Para
cirurgia tem que vim com instrumentais esterilizados e organizados.

Objetivo

Fornecer informações importantes para a capacitação profissional na execução das técnicas


cirúrgicas considerando as particularidades do paciente infantil.

Tópicos

1. Diagnóstico cirúrgico
1.1. Anamnese
1.2. Exame clínico
1.3. Exames complementares

2. Indicações e contra-indicações da Cirurgia em Odontopediatria

3. Pré-operatório cirúrgico
3.1. Biossegurança
3.2. Instrumental
3.3. Preparo psicológico
3.4. Anestesia local

4. Transoperatório cirúrgico Técnicas cirúrgicas

5. Pós-operatório cirúrgico
5.1. Terapêutica medicamentosa
5.2. Recomendações aos pais
5.3. Tratamento

Diagnóstico

“a arte ou o ato de identificar uma doença a partir de seus sinais e


sintomas” Duarte e cols., 2003

“a arte de distinguir uma doença de outra”

DIAGNÓSTICO
1.1. Anamnese

a)História médica
b) História odontológica
c) Comportamento psicológico
lOMoAR cPSD

d) Antecedentes hereditários
e) Hábitos

Entrevista (participação da criança) – Por exemplo: o pai relata, mas se a criança quiser
manifestar devemos deixar ela falar também. Estimule que a criança fale se for um caso de
trauma a criança vai relatar de outra forma. A partir dos 5/6 anos a criança já sabe contar.

Interação dentista-criança-pais

a) História médica
Passada Atual

Doenças sistêmicas - cardiopatias, diabetes. Temos que procurar saber o histórico familiar,
para não correr o risco de ter um imprevisto durante o atendimento.
Fármacos – saber se a criança toma algum medicamento, pois o medicamento que será
prescrito pode haver interação medicamentosa com medicamento que a criança toma.
Comportamento
Contato com o pediatra – As vezes é necessário entrar em contato com o pediatra para
saber se o momento oportuno para realizar a cirurgia. Isso é muito comum.

b) História odontológica
Objetivo dos pais “Porque trouxe a criança ao dentista?”
Comportamento da criança
“Já foi ao dentista alguma vez” – experiência pregressa, a criança varia muito de
humor. Um dia ela está bem, no outro não. Em casos que não são urgência
podemos postergar.

c) Comportamento
psicológico Criança
Temperamento
Experiências passadas Pais

Educação
Medo
d) Antecedentes hereditários
Diabetes
Cardiopatias
Distúrbios hemorrágicos – Se a criança apresentar um distúrbio ou o histórico
família, pode ser que eu não consiga cessar o sangramento.
Doenças psíquicas
e) Hábitos
Higiênicos
Alimentares
O pós operatório é muito dependente da higiene do paciente, se fazemos uma cirurgia em
uma criança que está cheia de biofilme a chance de infecção é grande. Porque
depois da cirurgia com a mucosa aberta se houver o acumulo de alimente o vai piorar a
condição da criança. Então é sempre importante frisar a escovação do paciente em todas
as clínicas, nós observamos uma melhora nas crianças ao longo das clínicas.

1.2. Exame clínico


Inspeção
Palpação
Percussão* Se for feito a percussão pode causar dor. Não é muito comum fazer, se for a
um dente que estamos suspeitando de anquilose – dente em infraoclusão; nós
executamos a percussão porque nesses casos escutamos um som oco, devido à ausência
do espaço do LP parece que estamos batendo direto no osso. Auscultação

a) Geral
Estatura
Movimentos
Linguagem - podemos observar que criança tem dificuldade de falar alguns sons como p,
b e depois no exame intra bucal observamos que ela tem o freio lingual curto.
Mãos
Pele
Observar desde o momento que a criança chega no consultório, senta cadeira...
Na região perioral se for observado um ressecamento pode ser um indicativo que a
criança tem o hábito de passar a língua ao redor, isso pode refletir alguma questão
psicologica também.

b) Extrabucal
Cabeça
Olhos
Ouvidos
Nariz
Pescoço
ATM

Presença de gengivite estomatite herpética tanto no nariz quanto na boca... são duas
condições diferentes. Só para mostra para vocês é importante verificar todas as
alterações possíveis.

c) Intrabucal

Aqui é um caso de mucócele em região de lábio inferior.

Verificar tecidos moles, aqui é o freio teto labial persistente que pode causar diastemas. Aqui o
freio labial inferior causando diastemas e recessão gengival. E o lingual. Todas as alterações
devem ser observamos no exame intrabucal.
lOMoAR cPSD| 4764228

Caso clínico: dor no elemento dentário 53, fizemos a radiografia. Dentre os dentes a criança
possuía esse era o único hígido, os outros apresentavam acúmulo de biofilme, cárie.
Entretanto a criança tinha dor na região do 53, o exame radiográfico não apresentava
nenhuma perda óssea onde poderíamos suspeitar de fistula. Nós fechamos o diagnóstico de
um caso de miíase, que ocorre quando a mosca pousa e bota seus ovos, dentro da cavidade
bucal ocorre o desenvolvimento da larva. A mãe relatou que a criança sentia dor, e que
quando ela olhava a boca da criança havia um potinho preto que depois sumia. A família
era moradora da área rural, brincava muito em área aberta. Nós observamos que havia uma
cavidade onde a mãe relatou vê o ponto preto.

Aqui, um caso de cisto hemorrágico que é o cisto de erupção, para removê-lo é necessário
realizar ulectomia.

Então no exame intrabucal podemos encontrar diversas situações. Aqui observamos cárie
precoce da infância, porque essa criança deve ter um 6/7 anos.

O que vocês observam aqui: raiz residual que é um indicativo de cirurgia. Nesse caso o 11
estava erupcionando, porém o 51 ainda não esfoliou. Isso alterou o trajeto de erupção
do dente 11.

Aqui um caso de ausência do 11 e 21, considerando a sequencia de erupção está correto?


Não devido a presença de um supranumerário foi atrapalhado a erupção do 11 e do 21. É
muito comum encontra o mésio dens intra-ósseo e impactado.

É comum também encontra no arco inferior a erupção dos incisivos permanentes e retenção
prolongada de seus decíduos. Ai o dente permanente irrupciona por língual, uma vez que a
criança tem um crescimento vertical e horizontal depois esses incisivos vstibularizam.

Um caso de alveólise: é quando o dente está bem cariado, associado a uma presença de lesão
de furca. Os molares decíduos estão mais associados a uma lesão de furca do que uma lesão
no ápice. Então nesse caso, provavelmente esse molar tinha uma lesão de furca e houve uma
reabsorção da tábua óssea e ai já uma expansão das raízes dos dentes de cima, já uma perda
de estrutura do rebordo alveolar (reabsorção do rebordo).

1.3. Exames complementares

Ao não ser que o dente esteja com muita mobilidade, com o dente preso só a gengiva, exceto
esses casos em todos os outros nós temos que fazer o exame radiográfico. Além disso, nesses
casos utilizamos apenas o anestésico tópico. Para aplicar o anestésico tópico, temos que secar
bem a mucosa, deixar o sugador em boca, aplicar o anestésico e deixar ele agir por 2 min. Se
não secar bem, o tópico dilui e o tópico pode anestesiar a garganta da criança.

a) Radiográficos

1.3. Exames Complementares

a) Radiográficos

 Periapicais
lOMoAR cPSD| 4764228

Lâmina dura
Lesões periapicais
Cripta óssea
Relação com germe
Grau rizólise do decíduo – pode ocorrer do dente ter uma reabsorção patológica
Rizogênese do permanente
Também é necessário observar o tratamento endodôntico. Se tratamento
está satisfatório ou não.
O que vocês estão avaliando de alteração nessa radiográfica – presença de cárie,
alteração periapical. A criança dessa foto tem um 7/8 anos, e vai ter uma perda
precoce do segundo molar decíduo, porque o normal é ele esfoliar com 11 anos. Teria
que extrair esse dente, porque se o dente permanente tiver contato com direto com
essa infecção ele pode ter um hipoplasia, ele pode vim com alguma alteração do
desenvolvimento. Dessa forma, devemos colocar um mantenedor de espaço, para
manter espaço e também é necessário recuperar espaço pois já houver perda de
contato com o dente adjacente.

 Oclusal
Localização de supranumerários e/ou lesões
Nessa radiografia vemos a presença de um mesiodens. A radiografia oclusal
pode complementar a técnica de clark, para saber se o dente está mais próximo
da vestibular ou palatina.

 Panorâmica

Visualização completa do complexo maxilo-mandibular
Fraturas, cistos e tumores

Nessa radiografia observamos uma área radiolúcida em mandíbula, imagem
sugestiva de um cisto.

Nesse caso clínico observamos um caso com sobremordida, vemos a presença do 11
e 12 mas que o 21 e 22 ainda não erupcionou. Então o paciente tem em boca os
decíduos. Quando fazemos o exame radiográfico verificamos que há presença de um
supranumerário atrapalhando a erupção do 21 e 22.

b) Laboratoriais

• Hemograma

• Coagulograma

• Biópsia de lesões –paciente com lesões

• Outros: de acordo com alterações relatadas na anamnese e/ou informações fornecidas


pelo médico pediatra

Em caso de paciente especiais deve-se solicitar coagulograma e hemograma.


lOMoAR cPSD| 4764228

2. Indicações e contra-indicações da Cirurgia em Odontopediatria

2.1. Indicações

a) Grandes destruições coronárias sem possibilidade de restauração

Nesse caso clínico a destruição coronário é tão grande, que nem conseguimos fazer o pino e
a coroa de acetado.

b) Comprometimento pulpar com rompimento da cripta óssea do germe do permanente

Nesse caso que já rompeu a cripta e só tem um terço de raiz, a raiz já reabsorveu
formando um bisel, uma vez que a raiz do molar reabsorve de dentro para fora dessa
forma não pode ser feito o tratamento endodôntico, a raiz não pode ser instrumentada.

Reabsorção externa devido a cárie – indicativo de exodontia.

c) Trepanação da região de furca

Durante o tratamento endodôntico pode ocorrer que na hora da abertura é comum o aluno
trepanar. Quando for regularizar as paredes é comum usar a ponta inativa para não
trepanar o assoalho. Se trepanar é necessário extrair, mesmo que a criança tenha 04 anos e
a idade para ocorrer a perda desse dente seja de 07 anos.

d) Alveólise

Nesse caso, o dente decíduo já estava associado a uma lesão de furca/periapical e essa lesão
era tão extensa a ponto de reabsorver o osso alveolar e expor a raiz do decíduo e o germe
do permanente.

f) Anquilose

Características: ausência do espaço do LP e assim temos o cemento se “ligando” a lâmina dura,


infraoclusão uma vez que dente não possui o LP esse não consegue erupcionar até o plano
oclusal. Tem um risco de extrair o germe desse dente, junto com ele durante a cirurgia.

g) Retenção prolongada de dente decíduo

Quando o tem 2/3 da raiz formada do dente permanente, estágio 8 de nolla,


consideramos que o decíduo se presente na cavidade bucal tem retenção prolongada. Ou
seja, o decíduo não esfoliou de forma natural.

h) Supranumerários
Nesse caso qual seria a hipótese de diagnóstico de vocês para ausência desse central?
Trauma, agenesia, impactação devido a um dente supranumerário. Quando ocorre um
trauma no decíduo onde se tem avulsão do central ou não pode ser que o germe do
permanente não forme, ou se tenha o desvio na direção de erupção desse dente.
Nesses casos se faz necessário verificar a necessidade cirúrgica.
i) Freio teto labial persistente
Qual a diferença entre essas fotos? Na fase do patinho feio se tem a presença dos
diastemas, uma vez que o canino ainda não erupcionou, entretanto os incisivos já.
A coroa do canino encosta na raiz do lateral levando a isso. A medida que acontece
a erupção do canino se tem a autocorreção dos diastemas.
Nesse caso não sabe-se se haverá o fechamento pois há muito espaço e é observado
isquemia do freio quando tracionamos o lábio superior. A gente aguardaria a erupção
canino para verificar se há o fechamento e depois faria o procedimento cirúrgico.
É comum que os pais têm diastemas quando a criança tem devido ao freio teto
labial persistente.

j) Freio lingual curto


Para verificarmos se a criança apresenta freio lingual curto temos que solicitar que a
criança coloque a língua para fora, ela não consegue, pois a língua dobra, e também
que ela não consegue colocar a língua na papila incisiva.
Em São Paulo estava executando na maternidade a cirurgia de freio lingual curto,
quando ele tem dificuldade de se alimentar. O indicado é realizar quando a criança
tem uma alteração na fonação, alimentação. A cirurgia pode ocorrer mais precoce
do que a frenectomia labial.

k) Cisto/hematoma de erupção
Verificamos a coloração azulada devido a presença de sangue (cisto
hemorrágico), causa bastante sensibilidade dolorosa na criança.
Em casos de uma lesão maior devemos esperar a lesão diminuir para fazer a
ulectomia.

2.2. Contraindicações

Estomatite herpética – Está relacionada com a imunidade baixa

Discrasias sanguíneas (hemofilia) – parecer do hematologista

Doenças cardíacas congênitas, renais crônicas ou agudas (antibióticos)

Dentes com abcessos dento-alveolares (1° deve medicar o paciente; antibiótico pré e pós-
operatório) Não pode ser feito a cirurgia no mesmo dia, pois pode haver um risco maior
de infecção bacteriana, o anestésico não faz o efeito necessário. Nesse casos tem que
fazer medicação pre e poso p.

Infecções orgânicas agudas da infância (possibilidade de infecção secundária)

Tumores malignos (o traumatismo estimula a velocidade de evolução e infiltração de tumores)


– cirurgião bucomaxilo que faz a cirurgia.

Diabetes, parecer do médico, uso de antibióticos (cicatrização mais lenta)

Em alguns casos se faz necessário parecer médico quando for realizar cirurgia.
3. Pré-operatório cirúrgico

3.1. Biossegurança

Desinfecção

Superfícies (álcool 70%)


Anti-sepsia - das mãos e extrabucal
Mãos e região peribucal (CLX 0,12%)
Intrabucal (CLX 0,12% - 1 min)
Esterilização – autoclave
Instrumental, campos e luvas

Montagem do equipo com rolopack, sugador cirúrgico, utilizar jaleco e campo cirurgico
descartável. Não precisa deixar a criança com o campo, porque dependendo da criança pode
assusta-la.

Sempre é necessário autorização dos pais previamente à cirurgia.

3.2. Instrumental

• Mesa cirúrgica – sempre organizada com todas as opções de instrumentais. Normalmente a


gente não cureta, apenas em caso de lesão. Cureta com muito cuidado, pq vocês cureta a
cripta do decíduo. A curetagem não é raspando o osso. Campo cirúrgico deve ficar em cima
da mesa tampando os instrumentais.

 Fórceps infantil

nº 150 (molares superiores)

nº 151 (molares inferiores)

nº 1 (incisivos e caninos)

nº 65 (raízes de dentes superiores)

nº 69 (raízes de dentes inferiores)

 Alavancas infantil

Seldin reto e curvo – para raiz radiculares utilizamos alavancas, pois o fórceps não consegue
segurar.

Precisa ter tesoura, pinça, sindesmótomo, cureta, seringa;

Sutura: Na maioria das vezes sim, casos de dentes com bastante mobilidade não, porque o
dente permanente já vai irupcionar, em todos os outros casos suturo. Mas tem profissional
que só aproxima as bordas e não sutura.
3.3. Preparo psicológico

•Anamnese (experiência anterior)

• Intervenções mais simples (indolor)

• Planejamento

• Comunicação

Devemos utilizar bastante o lúdico durante o atendimento de criança.

3.4. Anestesia local

Anestésico tópico

Anestesia superficialmente a mucosa onde será aplicada a injeção anestésica, sendo


efetiva por somente 2 a 3mm de profundidade.

Explicar a diferença entre dor e pressão (movimentos). Deve secar bem a mucosa, deixar o
sugador em boca para que a criança não engula o anestésico e aplica.

Sempre utilizar com vasoconstritor. Ter um bom posicionamento, nunca deixar a seringa
visível.

Durante um procedimento cirúrgico se a criança “surtar” após o descolamento é necessário


fazer contenção física. Durante a movimentação acontece da criança ficar mais incomodada.
Curetagem e sutura
Deve-se curetar sempre que, após a exodontia, se constatar a presença intra-alveolar de lesão
patológica, passível de ser removida por curetagem.
O exame radiográfico correto, antes da extração de dente decíduo, permite ao cirurgião-
dentista avaliar o posicionamento do sucessor permanente, bem como a presença de lesão
patológica. Se houver lesão, esta deverá ser totalmente removida por cuidadosa curetagem em
virtude da presença do sucessor permanente.
Atenção especial deve ser dada nesse momento para não deixar resíduos de um processo
patológico que possa vir a evoluir ou atuar como um foco residual.
Uma dúvida comum aos que se iniciam na prática de extração de dentes decíduos é a
necessidade ou não de sutura após a retirada do dente.

4. Transoperatório cirúrgico

a) Exodontia de dentes decíduos

• Procedimento simples e frequente

* Atenção:
Rizólise do decíduo
Proximidade com o germe do permanente
Rizogênese do permanente

Condições do tecido ósseo de suporte

O osso alveolar da criança é mais poroso devido a formação do dente permanente.

Se a criança perde um dente decíduo a gente realiza o reimplante do dente? Não, nunca é
feito reimplante de dente decíduo. Se reimplantar o dente a chance de lesionar o germe
permanente é muito grande. Durante a cirurgia devemos lembrar que tem o germe do
permanente, dependendo da força que fazemos podemos lesionar o permanente.

 Indicações:

Retenção prolongada – ausência de reabsorção radicular, agenesia do


permanente* Raiz residual – cárie ou trauma

Anquilose – infra-oclusão, “soldados” ao osso adjacente


Dentes não irrompidos – inclusos ou impactados

 Técnica:
Anestesia local

Divulsão da mucosa gengival
Luxação e extração
Curetagem, se necessário
 Irrigação
Sutura, se necessário

 Fórceps específicos – para conseguir segurar o dente decíduo e impedir que ele
cause um trauma no dente permanente.

Luxação e expansão
 Movimentos firmes
 Dentes unirradiculares: pendular e de rotação
Dentes multiradiculares: pendular e/ou de lateralidade

 Movimentos suaves
Evitar dilacerações teciduais
Evita temor da criança
* Evitar o uso do fórceps:
Possibilidade de lesão do dente permanente – uma vez que a raiz do germe decíduo
abraça o germe do permanente.
Ausência de coroa suficiente

Caso de retenção prolongada: Aqui temos o germe do permanente com 2/3 radicular
formado. Faz anestesia tópica, infiltrativa, lembra no superior sempre complementar
por palatina... nesse caso eu anestesio a vestibular, anestesio da papila vestibular
para anestesiar no palato para que quando for fazer a anestesia palatina o paciente
sinta menor dor. Descolamento, remoção do dente, irrigação, manobra de chompret,
sutura.
Nesse caso onde a raiz ta bem curta vocês fariam infiltrativa em mandibular ou faria a
alveolar inferior? A gente nunca faz infiltrativa em criançam nós sempre fazemos a
alveolar inferior porque a infiltrativa não é eficaz. Depois anestesiamos ao redor do
dente. Cuidado ao apoiar a alavanca próximo ao dente adjacente, porque pode
acabar adiantando o processo de rizólise de dente. O dente decíduo nunca pode ser
utilizado que apoio para a alavanca.

Elevadores dentários
• Alavanca
Luxar
Expandir a cortical vestibular
Remover raízes fraturada ou seccionadas para facilitar a cirurgia
* Atenção: possibilidade de lesão dos dentes adjacentes e permanentes
não irrompidos.

 Dente anquilosado
infra-oclusão
recoberto por osso*

raiz dentária em continuidade com osso alveolar (ausência de lâmina dura),
sem mobilidade**

 TÉCNICA
 Fórceps
Remoção tecido ósseo adjacente (broca n° 8)*

Dissecção em bloco: não se consegue diferenciar o que é raiz e o que é osso
 (controle radiográfico)**
• Odontosecção
Dentes anquilosados
** Atenção: possibilidade de avulsão do sucessor permanente que se encontra entre
as raízes dos molares decíduos
• Osteotomia dentes
anquilosados
dentes não-irrompidos
• Combinação das técnicas – ondotosecção + osteotomia, se for necessário. Nem
sempre dente anquilosado precisa de osteotomia, mas sempre precisa de
odontosecção. Se for utilizado o fórceps semp odontosecção a chance de extrair o
germe do dente permanente é muito grande. Com a odontosecção conseguimos
extrair uma raiz de cada vez.
Nesse caso foi feito retalho triangular, odontosecção e as raízes foram removidas
separadamente.
A gente não indica a extração precoce de dentes anquilosado. O protocolo é colocar o
dente em oclusão para estimular o processo de rizólise e depois mais pra frente se não
esfoliar normalmente fazemos a cirurgia para extração. É preferível manter o dente
até a idade dele erupcionar do que extrai-lo precocemente e ter que colocar um
mantenedor de espaço na criança que necessita de vários ajustes ao longo do tempo e
adaptação da criança ao uso desse.
Caso de dente completamente submerso: precisou fazer osteotomia da parede
vestibular, depois odontosecção, remoção de cada uma das porções
separadamente, irrigação e sutura.
Posso colocar um caso clínico na prova de dente anquilosado em uma criança de 07
anos na prova e perguntar qual é a melhor conduta. E depois perguntar a técnica de
extração. Para dentes completamente submersos é necessário osteotomia, pode
colocar a prova osteotomia se necessário. Nesse caso é necessário sutura, pois o
dente permanente vai levar um tempo para erupcionar ainda.
 Dentes não irrompidos
 Dentes inclusos: não existe bloqueio ao seu irrompimento.

 Dentes impactados: se houver obstáculo interposto entre o dente e a superfície dos
 tecidos.
O dente pode está incluso e impactado.

**Atenção: Não é implícita a necessidade de remover os dentes não irrompidos. A sua


permanência deve ser periodicamente avaliada por meio de exames clínico e radiográfico.

INDICAÇÕES:
dente relacionado à presença de cisto ou tumor
odontogênico manifestação de repetidas reações locais
inflamatórias interferência no tratamento ortodôntico danos
aos tecidos periodontal/mineral
previamente ao tratameto de irradiação – tratamento de algum tumor que levou a
uma paralização do processo de erupção do dente. dente com lesão de cárie ou
reabsorção interna

TÉCNICA CIRÚRGICA

Anestesia local - tópica + local


Incisão
Divulsão da mucosa gengival
Osteotomia do rebordo justaposto ao colo
Secção, se necessário
Extração
Curetagem, se necessário - se estiver associado a lesão
Irrigação
Sutura

Caso de um cisto associado a um dente – foi feita cirurgia e remoção, também foi feito a
remoção do cisto. É difícil vê um dente decíduo associado a uma lesão de cisto.

b) Supranumerários

• Originado por hiperatividade da lâmina dentária

• Raros na dentição decídua, mas frequentes na mista

• 90 a 98% na maxila (linha mediana – mésiodentes)

INDICAÇÕES CIRÚRGICAS:
Impede o irrompimento do permanente
Sedia um cisto dentígero
Associado a anomalias de posição (diastema e rotação)
Se não tiver associado a essas condições pode ser feito o acompanhamento.

*Importante: planejamento cirúrgico - realizar técnica de Clark para vê o posicionamento do


dente.
Aqui um caso de dente supranumerário onde os centrais se vestibularizaram e os laterais
lingualizaram. Esse dente tem a forma de conóide que é um supranumerário comum. Aqui foi
feito a técnica de clark, se o dente supranumerário deslocar junto com o feixe ele está por
palatina, se ele permanecer ele está por vestibular.

Rizôgenese completa dos dentes adjacentes – evita rompimento do feixe vásculonervoso


Determinar a posição real do dente: radiografias oclusal, lateral da face e técnica de Clark –
auxilia na escolha da técnica cirúrgica adequada para preservar a integridade das estruturas
anatômicas e dos dentes adjacentes

Urgência: cisto dentígero

TÉCNICA CIRÚRGICA (localização por vestibular)


Antissepsia intra e extrabucal
Anestesia tópica da região
Anestesia infiltrativa no fundo do sulco, por mesial e por distal da posição do dente, bem como
na mucosa palatina
Traçado incisional nas papilas interdentais ou na mucosa gengival: dependendo da altura, em
relação ao longo eixo do dente permanente em que o supranumerário se localiza Divulsão
dos tecidos moles com espátula de Freer
Osteotomia com cinzel (goiva), aplicado manualmente, em torno da porção dentária mais
proeminente no vestíbulo: obtenção de via desimpedida para a avulsão com o uso de
elevadores dentais
Regularização da loja óssea, curetagem e sutura.

TÉCNICA CIRÚRGICA (localização por palatino)

Anestesia infiltrativa em toda a extensão da mucosa compreendida entre os primeiros


molares, de ambos os lados;
Traçado incisional nas papilas interdentais: permitindo a divulsão de toda a mucosa
palatina, de molar a molar;
Osteotomia com cinzel e martelo ou com instrumento rotatório cuidadosamente aplicado
e com resfriamento contínuo: inicialmente na região que julga-se encontrar a coroa
dentária (RX), a estrutura mais volumosa do dente;
Liberada a coroa dentária, uso de elevadores para avulsão do dentes.

Essas cirurgias são encaminhadas ao cirurgião bucomaxilo, mas o odontopediatra acompanha o


atendimento. Tem paciente que tem fazer essas cirurgias em ambiente hospitalar.

Caso: Anestesia, inquisição, remoção – uso da alavanca, irrigação, sutura. Em alguns casos é
necessário parceria do ortodontista, se houver perda de espaço.

Caso: dente localizado por palatina – técnica de clark. Incisão, descolamento, osteotomia,
alavanca bandeira, fórceps, irrigação, sutura.
c) Ulectomia

Remoção do capuz mucoso que recobre os dentes não erupcionados – incisão elíptica que
expõe toda superfície do dente que precisa irromper, para garantir que a gengiva não vai
cicatrizar e fechar.

**Ulotomia: apenas incisão do capuz mucoso. Nós não costumamos fazer por que as vezes
o dente não vai ter força suficiente para erupcionar em relação ao tempo de cicatrização.

INDICAÇÕES:
Fibrose gengival – medicamentos ou traumas constantes
Cisto de erupção – cisto dentígero extra-ósseo, quadro inflamatório (doloroso e
incômodo), drenagem do fluido
Dentes parcialmente irrompidos – penetração subgengival de microorganismos e indutos
alimentares, pericoronarite

TÉCNICA CIRÚRGICA:

Anestesia local infiltrativa na região a ser incisada – nesse caso não precisa fazer a alveolar
inferior, pode ser utilizado apena a local.
Incisão circunferencial da mucosa gengival
Divulsão desta mucosa
Exposição da face incisal ou oclusal
Regularização tecidual
Irrigação
Hemostasia por compressão

*** Não precisa de sutura. Se suturar você perde todo o procedimento que você fez, você
lesiona o dente permanente.

Caso de cisto de eupção – uma lesão grande, arroxeada. Primeiro se faz a punção da lesão.
Aguardaria para depois fazer o procedimento cirúrgico. Ao diminuir o tamanho da lesão e
quando a gengiva está mais saudável consegue-se obter melhor visualização da região que
precisa ser incisada.

d) Frenectomia labial

•Remoção cirúrgica do freio labial atípico, reposicionandoo mais apicalmente


• Recém-nascido: freio labial superior se estende até a papila incisiva
• Crescimento do rebordo alveolar, irrompimento dentário: nova inserção no vestíbulo bucal

Caso clínico: dente mais paralelos, diferentemente daqueles casos que estava na fase
do patinho feio. Isquemia do freio com o tracionamento do lábio superior.

INDICAÇÕES:
Freio largo, em leque ou fibroso, com inserção baixa (Freio Teto Labial Persistente) ´consegue
verificar um isquemia
Freio – inserção baixa – diastema interincisal – paralelismo do longo eixo e falta
de coalescência da rafe palatina.
CARACTERÍSTICAS

Inserção baixa: margem gengival ou papila palatina


Isquemia quando o freio é tracionado
Diastema interincisal mediano

Momento ideal para indicação da frenectomia labial – aguarda a erupção dos laterais, dos
caninos, não pode fazer a cirurgia antes. Precisa saber se haverá o fechamento ou não. (ela
falou isso mas difere do que está escrito no slide (abaixo))

Após o irrompimento dos incisivos centrais permanentes, mas antes dos incisivos laterais;
Antes do irrompimento dos caninos permanentes;
Raramente indicado na dentição decídua;

TÉCNICA CIRÚRGICA:

Anestesia local infiltrativa no fundo de sulco, próximo ao freio, mas sem deformá-lo,
bilateralmente - nunca anestesiar o freio em si, porque ele deforma ai perde a noção do que
precisa ser removido.
Incisão ao longo da brida convergindo para a porção inferior
Desinserção da mucosa inserida (tec. fibroso) - fazer a abertura de todo o freio que está preso
com a pinça hemostática para descolar o freio, utilizar a tesoura para fazer o corte Exérese do
freio
Irrigação
Sutura – utilizamos o cimento cirúrgico de uma semana para outra.

Caso: anestesia de ambos os lados, incisão com bisturi, utilização da pinça para poder abrir,
remoção do freio e sutura.

Caso de freio lingual inferior causando um pouco de retração gengival – anestesia de ambos os
lados, incisçao, divulsão – abertura com a pinça, remoção, sutura.

e) Frenectomia lingual

• Remoção cirúrgica do freio lingual

INDICAÇÕES:

Criança não coloca ápice lingual na papila palatina.


Não pronuncia tê, dê, nê ... ( tem dificuldade de pronunciar essas silabas)
Dificuldade na higiene bucal.
Interferência no crescimento normal da mandíbula. (tem dificuldade de realizar amamentação)

 Momento ideal para indicação da frenectomia labial

Alfabetização - no momento da alfabetização a criança começa a pronunciar a palavras de


forma correta.
Tratamento multidisciplinar avaliação conjunta com fonoaudiólogo
CARACTERÍSTICAS

Incapacidade de posicionar a língua no palato

TÉCNICA CIRÚRGICA:

Anestesia do nervo lingual, bilateralmente


Transfixação lingual com fio de sutura (imobilização) – ou utiliza a gaze para segurar a língua.
Apreensão do freio com pinça Kelly ou tentacânula
Exérese do freio com tesoura ou bisturi na sua porção mediana
Divulsão com tesoura ponta romba Sutura

Caso: anestesia bilateral, segurou a língua, utilizou a pinça para direcionar o corte e com a
tesoura fez o corte, utiliza a pinça para divulsionar o freio, remove o freio e por fim sutura.

Caso: foi utilizado a tetacânula que ajuda a direcionar certinho aonde tem que fazer a incisão.
Faz a abertura, remove e sutura.

São cirurgias bem doloridas. Pedir a criança para evitar de conversar, alimentar com alimentos
pastosos e dá um atestado de 5 dias.

5. Pós-operatório cirúrgico

5.1. Terapêutica medicamentosa

 Soluções (gotas) e/ou suspensões


Analgesia - em cirurgia que vai ter dó a gente prescreve. Exodontia comum só passa se
houver dó
Paracetamol (200 mg/mL) - 1 gota/Kg – 6/6 h
Dipirona Sódica (500 mg/mL) –
  Antibiótico
- em casos de dentes associados com lesão, abcesso (pré op) e profilaxia antibiótica.

Amoxicilina 250 mg - 30 mg/Kg/dia – 8/8 h – 7 DIAS

Alérgicos
Claritromicina 250 mg - 15mg/kg/dia - 12/12h – 7 dias

Clindamicina (injetável 300 mg) - 40mg/kg/dia - 6/6h – 7dias

5.2. Recomendações aos pais – melhor se forem entregues escritas.

Dieta líquida-pastosa fria/morna


Higienização adequada
Sem esforço físico - atestado
Medicação
Hemorragia – deixa o contato com a mãe para elas falarem com vocês, no outro dia é
bom entrar em contato com os pais.
lOMoAR cPSD| 4764228

Em caso de perda precoce é necessário colocar o mantenedor de espaço. Em caso de


anquilose, deve colocar o dente em oclusão por meio da coroa, colocar o passo a passo
da remoção e por fim se necessário o mantenedor de espaço

5.3. Tratamento

Você também pode gostar