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REABILITAÇÃO DE LESÃO NO LIGAMENTO CRUZADO


ANTERIOR NA PRÁTICA ESPORTIVA: MÉTODOS MAIS
UTILIZADOS
REHABILITATION OF ANTERIOR CRUCIATE LIGAMENT
INJURY ON SPORTS PRACTICE: MOST USED METHODS

Igor Tavares da Silva Miguel¹, Douglas da Costa Sena de Oliveira¹, Sidnei Durans do Nascimento¹, Evandro
Campos de Oliveira¹, Perla dos Santos Lima², Marcos Roberto Vieira Rodrigues¹, Rodrigo Pires Araújo¹,
Karina Marques da Silva¹, Lucas Martins Ferreira³, Suelen Pinheiro Oliveira¹, Evandro Luiz Corrêa Ruffo
Júnior¹.

Orientadores: Prof. Sandro de Santana Andrade; Prof. Wallace de Mello.

...................................................
¹Graduando em Educação Física – Bacharelado no Centro Universitário Celso Lisboa (UCL), ²Graduando
em Educação Física – Licenciatura no Centro Universitário Celso Lisboa (UCL), ³Graduando em Biologia –
Bacharelado no Centro Universitário Celso Lisboa (UCL)

Resumo encontrado diferentes protocolos, avanços na

Introdução: O joelho é uma das articulações mais reabilitação ao longo dos anos, protocolos

complexas no corpo humano, sendo muito exposta acelerados. O tratamento de início visa ser mais

a lesões, uma das mais frequentes lesões é o conservador, evoluindo conforme a resposta do

rompimento do ligamento cruzado anterior. paciente, respeitando sempre a individualidade de

Objetivo: O presente estudo teve como objetivo cada um. Também foi analisado métodos que

analisar os métodos mais utilizados em protocolos visam na prevenção desta lesão nos atletas

de lesão no rompimento do ligamento cruzado profissionais, com exercícios que aproximam o

anterior (LCA) na prática esportiva. Materiais e atleta de seu gestual motor na prática esportiva.

métodos: Foi utilizado uma pesquisa de campo Conclusão final: Os resultados demonstraram que

feita pelos próprios autores que formulou um não há um protocolo definitivo para lesão de LCA,

questionário para coleta de dados em 4 instituições porém literaturas demonstraram que nos objetivos

e uma revisão de literatura sobre reabilitação de ao longo da reabilitação são praticamente os

lesão no LCA. Discussão: No presente estudo foi mesmos utilizados pelos profissionais. Foi
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verificado também um grande avanço na Key-words: Anterior cruciate ligament, protocol,


rehabilitation.
reabilitação, proporcionando protocolos acelerados
que trazem benefícios e são cada vez mais
utilizados.
Palavras-chave: Ligamento cruzado anterior,
protocolo, reabilitação.

Abstract
Introduction: the knee is one of the most complex
joints of the human body, being exposed to injuries
very frequently, one of the most frequents injury is
the rupture of the anterior cruciate ligament. Objec-
tive: the objective of this was an analyze about
what are the most common methods on protocols
of rupture of the anterior cruciate ligament (ACL)
on sports practice. Materials and methods: a field
research, developed by the authors, was carried out
and starting from this a form as also developed to
collect data about 4 institutions. A literature review
about rehabilitation of the anterior cruciate liga-
ment (ACL) injury. Discussion: In the present
study we found different protocols, advances in re-
habilitation over the years, accelerated protocols.
The initial treatment aims to be more conservative,
evolving according to the patient's response, al-
ways respecting the individuality of each one. We
also analyzed methods that aim to prevent this in-
jury in professional athletes, with exercises that
bring the athlete closer to his gestural motor in
sports practice. Conclusion: the results showed
there’s no definitive protocol for ACL injury, but
literatures also showed that the goals on rehabilita-
tion are likely the same that have been used by pro-
fessionals. It was verified a big advance on rehabil-
itation, providing accelerated protocols that bring
benefits and are most used.
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Sumário
1. Introdução ........................................................................................ 4
2. Materiais e métodos ......................................................................... 4
3. Cirurgia ............................................................................................. 4
3.1. Procedimento ................................................................................ 5
4. Protocolos ......................................................................................... 5
4.1. Protocolo de Campos (2010) ........................................................ 5
4.2. Protocolo de Thiele et al. (2009) ................................................... 5
4.3. Protocolos de reabilitação segundo PEREIRA, KRYCH e
EITZEN. .............................................................................................. 6
4.4. Protocolo de reabilitação, de acordo com a Proposta de
representação Gráfica do Arco de Movimento Ativo do Joelho
Durante Processo de Reabilitação Pós Cirurgia da Reconstrução do
Ligamento Cruzado Anterior segundo Jorge e Pacheco, 2008. ............ 7
4.5. Protocolo de reabilitação em joelhos com reconstrução do lca com
terço central do tendão patelar ou com tendões quádruplos dos
músculos semitendíneo e grácil, segundo Palla e Perli, 2008. ............. 8
5. Revisão de literatura...................................................................... 11
5.1. Tratamentos terapêuticos............................................................. 12
6. Questionário ........................................................................... 16
6.1. Métodos ...................................................................................... 16
6.2. Materiais ..................................................................................... 17
7. Discussão ...................................................................................... 17
Conclusão ............................................................................................ 18
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sendo dependente também dos procedimentos


1. Introdução utilizados no pós-operatório do paciente.
Existem diversos protocolos, inclusive com
tratamentos mais acelerado que tem sido cada vez
Os atletas profissionais sempre estão expostos ao
mais utilizado. Porém, é importante respeitar a
limite, ou em algumas modalidades, acima do seu
individualidade de cada paciente, observando o
limite e por esse motivo estão sempre sujeitos a
grau da lesão, nível de atividade esportiva, a idade
lesões. As lesões que requerem cirurgia e, a
do paciente e a sua disponibilidade para o
reabilitação desses atletas necessitam de um
tratamento de reabilitação para montar o periódico
programa diferenciado, pois na maioria das vezes o
de procedimentos a serem realizados.
intuito é fazer com que este atleta volte o quanto
mais rápido a realizar a sua atividade e com uma
performance semelhante à anterior a lesão 2. Materiais e métodos
(ARLIANI et. al. 2012).
O joelho é a maior articulação do corpo humano e Foi utilizado neste estudo uma pesquisa de campo
está exposto a traumas de forma frequente. É feita pelos próprios autores com profissionais
suportado por músculos, ligamentos, meniscos e fisioterapeutas e preparadores físicos das
tendões. Dentre as suas estruturas há o ligamento instituições Club de Regatas Vasco da Gama,
cruzado anterior (LCA) que é formado por tecido Botafogo de Futebol e Regatas, Tijuca Tênis Clube
conjuntivo e encontra-se no interior do joelho, tem e Centro Universitário Celso Lisboa, onde foi
funções de rotação e impedir a anteriorização da formulado um questionário sobre a reabilitação de
tíbia em relação ao fêmur. Existem três formas lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) e
principais de se romper o ligamento cruzado juntamente foi realizado uma revisão de literatura
anterior: hiperextensão, quando o joelho enverga com artigos científicos de protocolos de
muito para trás; trauma em varo quando ocorre reabilitação de LCA, onde foram utilizados
uma curvatura para o lado e o valgo com rotação protocolos de artigos publicados entre os anos de
externa e flexão quando o joelho enverga para 2008 a 2016.
frente.
A cirurgia de reconstrução do LCA visa tornar a 3. Cirurgia
articulação o mais normal possível do seu estado
anterior a lesão, como obter amplitude de A cirurgia em atletas é necessária, pois é
movimento, movimentação e estabilidade. importante uma recuperação mais rápida para que
Os protocolos de reabilitação têm sofrido grandes o mesmo possa voltar a suas práticas esportivas.
avanços ao longo dos anos e o sucesso de uma Pelo fato do ligamento não se regenerar, há a
reconstrução de LCA vai além do ato cirúrgico, necessidade de refazê-lo no procedimento
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cirúrgico; essa reconstrução acontece com os ganho de arco de movimento passivo de 0 a 90º. Na
tendões semitendíneo, grácil dobrados e o tendão segunda etapa consistirá, durante o período de 15 a
patelar com fragmentos ósseos, retirados do 30 dias, na realização de exercícios isotônicos sem
próprio paciente. carga. Na fase de 30 a 45 dias, serão realizados
exercícios isotônicos sem carga com amplitude
3.1. Procedimento completa. De 45 a 90 dias a carga será total, porém
sem imobilizador e realizando exercícios de
A cirurgia para reconstruir o ligamento cruzado hidroterapia, natação e bicicleta ergonômica sem
anterior é realizada por uma incisão na pele e a carga. Durante a etapa de 90 a 180 dias o paciente
inserção de um artroscópio. A cirurgia artroscópica já poderá fazer natação, musculação com
é menos invasiva. Os benefícios das técnicas exercícios de cadeia cinética fechada para
menos invasivas incluem: menos dores decorrentes quadríceps e aberta para ísquiostibiais, step e
da cirurgia, menor permanência no hospital e esteira para caminhada. E antes da última etapa,
menores tempos de recuperação. durante os 180 a 240 dias o tratamento consistirá
em musculação, esteira para corrida, ginástica
A reconstrução do LCA não costuma ser realizada
livre, step e exercícios de propriocepção. Sendo
imediatamente. Espera-se a cessação da inflamação
que após os 240 dias continua o tratamento com
e o retorno dos movimentos antes da cirurgia. A
musculação e está livre para retorno ao
realização muito precoce da reconstrução do LCA
condicionamento físico para o esporte desejável
aumenta o risco de artrofibrose ou formação de
caso sinta confiança e segurança.
cicatriz na articulação, o que traz o risco de perda
de movimentos do joelho.
4.2. Protocolo de Thiele et al. (2009)

4. Protocolos Os objetivos do tratamento na primeira semana


consistem em controlar o edema, a dor e chegar a
uma amplitude de movimento de 90º, adotando as
No estudo de Pimenta et al. (2012) foram citados
condutas de crioterapia, exercícios de amplitude de
vários protocolos de reabilitação para reconstrução
movimento passiva e ativa para flexão e
do LCA, todos eles demonstraram a importância da
hiperextensão, mobilização da patela,
utilização do treinamento resistido no tratamento
flexo/extensão tornozelo ativa, contração
recuperativo no pós-operatório das lesões de LCA.
isométrica do quadríceps, exercícios de controle do
quadríceps, mini agachamentos, heel prop
4.1. Protocolo de Campos (2010)
extension e marcha com 2 muletas. Já no 1º mês os
objetivos serão de amplitude de movimento de 0º a
Os primeiros cuidados serão durante 0 a 15 dias
120º, com atividades limitadas, prevenir o derrame
após a cirurgia com exercícios isométricos com
articular e padrão de marcha deverá ser normal
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trabalhando na 2ª semana propriocepção na bola, et. al. 2012). Logo após evolui-se para exercícios
elevação da perna com peso, bicicleta, treino de de elevação da perna estendida tanto excêntrico
marcha e alongamentos e na terceira semana quanto isométrico, pois eles têm mostrado bastante
progredir o tratamento com propriocepção em eficaz no ganho de força na musculatura do
apoio monopodal, exercícios de extensão terminal quadríceps, uma das musculaturas que mais sofrem
em cadeia cinética aberta (CCA) e em cadeia perda de força e volume muscular no procedimento
cinética fechada (CCF). Entre a 5ª e 8ª semanas a cirúrgico. O paciente, neste tipo de protocolo, irá
mobilidade deverá ser igual ao membro oposto, o começar a pisar no solo de forma gradativa sem
controle de derrame deverá ser mantido e deverá ter forçar o joelho e evitando assim os movimentos de
a recuperação da força muscular com flexão e valgo, para que não coloque em risco o
propriocepção em apoio monopodal, exercícios em enxerto, em fase de remodelamento. No segundo
CCA e CCF. Com 2 meses de tratamento mês de tratamento começam os exercícios de ganho
intensifica-se os exercícios de força e de força muscular e controle motor, alongamentos
alongamentos, inicia-se trote e linha reta e com gerais e retirada das muletas, treinamento de
mudança de direção e exercícios com bola. No 3º marcha e cargas progressivas nos exercícios
mês deve recuperar a força muscular e melhorar a isométricos (PEREIRA, et. al. 2012).
propriocepção com o início de musculação e No 3º e 4º mês o objetivo é incentivar o ganho
intensificando exercícios proprioceptivos e do muscular e propriocepção, exercícios de cadeia
esporte praticado. No 4º e último mês o déficit de cinética fechada (CCF) como “leg press”, mesa
força deverá ser mínimo e já pode fazer o retorno flexora, “stepper” e mantem-se os exercícios
progressivo ao esporte. isométricos. Após o 4º mês inicia-se os treinos de
impacto também de forma gradativa, corrida em
4.3. Protocolos de reabilitação segundo esteira ou pista. A partir do 6º mês começam os
PEREIRA, KRYCH e EITZEN. treinos de manutenção com exercícios aeróbicos e
localizados. Os protocolos comuns têm um tempo
Nos protocolos comuns de tratamentos para este médio de até 9 meses para que o paciente retorne
tipo de cirurgia inicia-se com o uso de órtese de as atividades diárias ou práticas esportivas
joelho, para mantê-lo em extensão, e porque o (PEREIRA, et. al. 2012)
processo inflamatório e a cicatrização do enxerto Diferente dos outros protocolos, a fase de
não sejam comprometidos. O paciente fazendo uso reabilitação inicia-se no primeiro dia após a
da órtese aguarda em casa sem poder realizar cirurgia, com realização da fase de analgesia, com
descarga de peso na perna. Após duas semanas recurso eletrofototerápicos como a estimulação
inicia-se o tratamento fisioterapêutico, tratando o elétrica transcultânea (TENS), diminuição do
processo inflamatório instalado no joelho, ganho de edema com crioterapia, exercícios isométricos de
amplitude de movimento (ADM), permitindo quadríceps e isquiostibiais e estimulação elétrica
transferências e marcha com muletas (PEREIRA, funcional (FES) de quadríceps e manter ADM de
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extensão a 0º com alongamentos de isquiotibiais cardiovascular e respiratória, trabalhos de potência


(KRYCH, et. al. 2015) muscular uni podal e bi podal e realizar exercícios
Ainda na 1º semana os objetivos são controlar o específicos do esporte praticado de maneira
derrame articular e o edema, controle da dor e gradativa (EITZEN, et. al. 2010).
aumento da ADM de flexão para 90º, através de
exercícios passivos e ativos de flexão e 4.4. Protocolo de reabilitação, de acordo com a
hiperextensão, mobilização de patela, ganho de Proposta de representação Gráfica do Arco de
força de quadríceps com contração isométrica, Movimento Ativo do Joelho Durante Processo
exercícios de flexão e extensão de tornozelo para de Reabilitação Pós Cirurgia da Reconstrução
ativação da musculatura do tríceps sural. do Ligamento Cruzado Anterior segundo Jorge
A 2º semana tem um foco maior no fortalecimento e Pacheco, 2008.
muscular, com exercícios ativos-assistidos de
extensão (90º para 0º do joelho) com o atleta Fase 1 (1-4 semanas)
sentado, evolução do treino de marchas de uma
muleta, para sem (EITZEN, et. al. 2010). Objetivo: Redução de edema - ganho de ADM:
Entre a 3º e 4º semana do tratamento, continua-se extensão total, flexão 110º - Ganho de tônus -
com o treino de marcha, agora sem o auxílio das permitir transferências - marcha com muletas.
muletas, treino de propriocepção bi podal e uni
podal, e mantem-se o fortalecimento muscular. Eletroterapia: Ultra som pulsátil - Lase He-Ne -
Inicia-se o treino aeróbico leve na bicicleta sem corrente russa - Tens (se necessário).
carga, visando a melhora cardiovascular do
mesmo, além alongamentos de cadeia anterior e Exercícios: mobilização articular: deslizamentos
posterior, trabalhos de fortalecimento na piscina posteriores da tíbia sobre o fêmur – mobilização
(hidroterapia) (EITZEN, et. al. 2010). articular da patela - mobilização cicatricial - ADM
Do 1º ao 3º mês intensifica os exercícios de força passivo: extensão do joelho em supino (rolo sob o
respeitando os limites do atleta, o ganho de flexão tornozelo) - ADM passivo: extensão do joelho em
do joelho e alongamento da musculatura, pronação com perna para fora da cama -
exercícios de CCF de intensidade leve a moderada, Alongamentos: quadríceps, adutores, TFL,
trotes em linha reta, logo após adicionasse ísquiostibiais, Gastrocnêmios e solear - isometria
mudanças de direção em velocidade lenta e quadríceps - isometria ísquios tibiais - ADM ativo
fortalecimento unilateral (com apoio unilateral para com skate deslizamentos - Contra resistidos do
tríceps sural), mesa flexora, adutora e abdutora quadril - Contra resistidos do tornozelo. Marcha
(EITZEN, et. al. 2010). com muletas (órtese) - Transferência de peso
Do 4º ao 6º o atleta irá realizar trotes rápidos em (órtese) - Subir e descer degraus 5cm unipodal
linha reta e com mudanças de direção, exercícios (órtese).
pliométricos, intensificar a capacidade física,
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Fase 2 (5-8 semanas)


Eletroterapia: Corrente russa.
Objetivo: Ganho de ADM: flexão 135º -
Hipertrofia – Propriocepção - Autocontrole da dor Exercícios: Continuar exercícios da fase 1 2 e 3
- Marcha com órtese. conforme necessário - Atividades pliométricas,
gestual desportivo.
Eletroterapia: Corrente Russa - TENS (se
necessário). 4.5. Protocolo de reabilitação em joelhos com
reconstrução do lca com terço central do tendão
Exercícios: Continuar exercícios da fase 1 patelar ou com tendões quádruplos dos
conforme necessário. Subir e descer degraus 15cm músculos semitendíneo e grácil, segundo Palla e
unipodal (órtese) - Agachamentos 0º-90º (órtese) - Perli, 2008.
Cadeira extensora (90º- 52 30º) - Contra resistidos
do quadril - Contra resistidos do tornozelo -
Bicicleta estacionária (órtese) - Marcha (órtese) Pré-operatório
Exercícios de equilibrio (órtese).
Antes da cirurgia o paciente deve ser orientado
Fase 3 (9-16 semanas) quanto aos procedimentos fisioterapêuticos que
serão realizados no pós-operatório e os cuidados e
Objetivo: Ganho de ADM máxima – Hipertrofia – orientações que devem ser tomados com relação ao
Propriocepção- Iniciar treinamento desportivo - dreno, a dor e ao edema.
Corrida com órtese.
Pós-operatório
Eletroterapia: Corrente russa.
1° dia
Exercícios: Continuar exercícios da fase 1 e 2
conforme necessário - Contra resistidos joelho em Analgesia (crioterapia durante 20' de 2 em 2 horas;
cadeia fechada (0º-90º) - Trote na cama elástica TENS).
(órtese) - Salto unipodal na cama elástica (órtese) -
Iniciar corrida (órtese) (conforme liberação Diminuição do edema (crioterapia; exercícios
médica) – Propriocepção - Gestual desportivo. metabólicos e isométricos de quadríceps);
estimular contração muscular (exercícios
Fase 4 (17 + semanas) isométricos de quadríceps, isquiotibiais e
estimulação elétrica do quadríceps (FES).
Objetivo: Hipertrofia - Força igual bilateral -
Retomar as AVDs com segurança e confiança.
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Manter ADM de extensão a O ° (alongamento de Fortalecimento muscular (exercícios ativo-


isquiotibiais). Estimular a mobilização articular assistidos de extensão (90 a 45°) do joelho na
(mobilização patelar; CPM de O a 30 graus. posição sentada com MMII pendentes, ativos livres
de flexão (0 a 90) do joelho em decúbito ventral e
2° dia adutores do quadril em decúbito lateral com a perna
estendida se tolerado).
Manter objetivos e condutas anteriores.
Treino de marcha sem muletas e descarga de peso
Aumentar a amplitude de flexão de 0 à 90'. (correção das alterações da marcha e abandono dos
auxiliares).
Adequar marcha (após retirada do dreno, treino de
marcha com descarga progressiva de peso, com 2° semana
auxílio de muleta respeitando a dor do paciente).
Manter objetivos e condutas anteriores.
Evitar a deambulação excessiva.
Fortalecimento de quadríceps e isquiotibiais em
3° dia CCF (mini-agachamentos de CI' a 30“).
Fortalecimento de tríceps sural (resistência manual
Manter objetivos e condutas anteriores. ou elástica).

Fortalecimento muscular: exercícios ativos livres Prevenir aderências cicatriciais (massagem


para o membro operado (elevação da perna transversa).
estendida (SLR) em decúbito dorsal (flexores de
quadril) e lateral (abdutores de quadril). Se ao final da segunda semana o paciente não
apresentar sinais flogísticos pode-se dispensar o
uso de muletas.
Alongamento de quadríceps a favor da gravidade.
3° semana
Na alta hospitalar orientar o paciente quanto à
realização domiciliar dos exercícios citados Manter objetivos e condutas anteriores.
anteriormente.
Aumentar a mobilidade do joelho (bicicleta
4° ao 7° dia estacionária sem carga com assento alto,
Manter objetivos e condutas anteriores. diminuindo progressivamente a altura do mesmo,
pedalando para frente e para trás).
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Aumentar a ADM de flexão até 110 (exercícios de


alongamento para o quadríceps em decúbito Manter objetivos e condutas anteriores.
ventral).
Fortalecimento e resistência muscular (exercícios
Fortalecimento muscular (exercícios com carga de resistência progressiva para toda a musculatura
progressiva para os flexores, adutores, abdutores e do membro inferior incluindo leg press (de 0' a
extensores do quadril (SLR), flexores de joelho e 60"), agachamento (0' a 30') e mesa extensora (90'
tríceps sural). a 45°).

Hidroterapia para auxiliar o ganho de ADM, força Propriocepção (exercícios proprioceptivos grau I).
muscular (FM) e treino de marcha se o processo de 56 3° mês
cicatrização já estiver concluído. Manter objetivos e condutas anteriores.

Retorno às atividades de vida diária e prática. Fortalecimento muscular unilateral (exercícios


com apoio unipodal para tríceps sural em pé, leg
1° mês press, mesa extensora, flexora, adutora e abdutora).

Manter objetivos e condutas anteriores. Propriocepção (exercícios proprioceptivos grau lI).

Aumentar a ADM de flexão de joelho além de Aumentar a capacidade física, cardiovascular e


130"(exercícios de alongamento para quadríceps). respiratória (iniciar trotes na esteira).

Fortalecimento muscular (aumentar a carga dos 4° mês


exercícios anteriores, iniciar exercícios isotônicos
para quadríceps em CCA (90 a 45°) e resistidos Manter objetivos e condutas anteriores.
para flexores de joelho na ADM completa). Intensificar o fortalecimento e resistência
muscular.
Aumentar a ADM, força e resistência muscular
(bicicleta estacionária com carga gradual e Condicionamento físico, cardiovascular,
progressiva). respiratório, mudança de direção, aceleração e
desaceleração).
Adequar a marcha e aumentar o condicionamento
físico (caminhadas na esteira aumentando 5° mês
progressivamente a velocidade evitando trotes) e
iniciar corridas dentro da água e natação.
2° mês
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Intensificar o trabalho de força (exercícios de fixação disponíveis, têm possibilitado uma


excêntricos de quadríceps de 45° a 90 de flexão de reabilitação mais rápida e segura. No entanto,
joelho). sabemos que o programa de reabilitação ideal
Propriocepção (exercícios proprioceptivos de grau permanece controverso (FONSECA, 1992).
III). Os protocolos de reabilitação acelerada têm papel
importante na velocidade e segurança em que o
Trabalhar potência muscular (exercícios atleta irá retornar ao esporte, além de não se ter
pliométricos). estudos indicando alterações nos enxertos quando
utilizado. O tempo de retorno ao esporte reduzido,
Retorno gradativo as atividades recreacionais e/ou o custo mais baixo, ganho mais rápido da ADM,
esportivas sem contato. melhora da força e reequilíbrio muscular fazem
com que o protocolo de reabilitação acelerado se
6° mês torne cada vez mais utilizados em atletas
profissionais (GRINSVEN, et. al. 2010).
Manter objetivos e condutas anteriores. No âmbito da reabilitação existem muitas
discussões a respeito do protocolo utilizado na
Propriocepção (intensificar os exercícios reabilitação pós-operatório do ligamento cruzado
proprioceptivos de grau III). anterior. Embora não haja um protocolo definitivo
para a reabilitação da reconstrução do LCA a
Intensificar o trabalho de potência muscular maioria dos autores preconiza os mesmos
(exercícios pliométricos passando de apoio bipodal princípios, que são: iniciar mobilização e apoio
para unipodal). precocemente, utilizar precocemente técnicas de
controle de edema, evitar estresse excessivo no
Condicionamento físico e coordenação (treino do enxerto (evitar exercícios em Cadeia Cinética
gesto esportivo específico); retorno às atividades Aberta (CCA) que aumentam o estresse), iniciar
esportivas de contato; precocemente exercícios de reforço muscular de
isquiotibiais para promover estabilização dinâmica
Alta do tratamento ambulatorial e diminuir a tensão no enxerto, incorporar
exercícios em Cadeia Cinética Fechada (CCF),
5. Revisão de literatura iniciar precocemente o recrutamento do
quadríceps, realizar treinamento proprioceptivo e
reeducação neuromuscular, treinar o gesto
O desenvolvimento e difusão de técnicas
esportivo e realizar treinamento muscular
cirúrgicas mais eficientes com a utilização de
(HEBERT, 2003).
enxertos mais resistentes, identificação mais
As metas da reabilitação irão depender
precisa dos pontos de isometria e os atuais métodos
basicamente das necessidades de cada paciente que
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serão ditadas pelo grau da lesão ou pelos objetivos


e expectativas deste indivíduo quanto a sua As duas formas mais reconhecidas de eletroterapia
atividade futura. Com relação aos protocolos de são a estimulação elétrica nervosa trans-cutânea
tratamento, é importante que os fisioterapeutas (TENS) e a eletroestimulação neuromuscular
tenham em mente que a velocidade de evolução dos (EENM). O uso da TENS altera a sensação
mesmos dependerá de cada paciente. Assim, um dolorosa pela sobrecarga na estimulação dos
paciente com evolução mais rápida poderá ter seu nervos sensitivos. A EENM utiliza a corrente
protocolo mais acelerado, respeitando, é claro o elétrica para estimular a contração muscular. O
processo de ligamentização do enxerto e, alívio da dor pela TENS ocorre através de dois
inversamente, um paciente que apresentar, por mecanismos em relação à freqüência. A corrente de
exemplo, sinais de falha do enxerto, dificuldade 40 alta frequência diminui a consciência do
para controle da dor ou derrame articular, deve ter estímulo doloroso pela inundação de diferentes
sua evolução no tratamento realizado de forma caminhos sensoriais pela corrente elétrica
mais lenta (BONFIM, 2000) bloqueando a propagação dos impulsos dolorosos.
Inicialmente deverão ser utilizadas muletas A corrente de baixa frequência provavelmente
para que não haja sustentação de peso excessivo estimula a liberação de opiáceos endógenos,
precocemente, pois resultaria no aumento do levando a uma real diminuição da percepção
derrame, retardo da evolução da ADM e no dolorosa. A efetividade da TENS é difícil de ser
recrutamento do quadríceps. A mobilização avaliada, pois a dor é uma queixa subjetiva e a
precoce (podendo ser iniciada logo que a dor percepção do alívio da dor varia independente do
permitir) é essencial para ajudar a prevenir a fibrose tipo de tratamento. Alguns estudos do uso da TENS
articular, nutrir a cartilagem e dar início a um mostraram menor necessidade no uso de narcóticos
estresse controlado, o qual ajudará a alinhar as no pós-operatório para alívio da dor. A utilização
fibras colágenas, proporcionando uma cicatriz da TENS nas lesões do joelho é indicada para alívio
flexível e resistente, capaz de promover o retorno de dores agudas ou crônicas que dificultem a
do movimento anormal. O alongamento ajudará a progressão do programa de reabilitação. A EENM
reduzir a incidência de dor, permitindo maior tem sido investigada a respeito do seu efeito de
facilidade no recrutamento do quadríceps. A aumentar a força de músculos normais para
reabilitação progredirá com fortalecimento do melhorar o condicionamento atlético, porém os
quadríceps e ísquiotibiais (LIMA E GUIMARÃES, benefícios reais ainda não foram demonstrados. A
1999). EENM é efetiva em músculos anormais ou
imobilizados. Estes benefícios tendem a ser de vida

5.1. Tratamentos terapêuticos curta, sugerindo que eles ocorrem pela melhora na
reeducação neuromuscular que ocorre logo após a

Eletroterapia lesão. As indicações para o uso da EENM após


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lesão ou cirurgia do joelho são limitadas às fases terapêuticos) visando facilitar a execução dos
iniciais de reabilitação (FUCHS, 2001). exercícios. Individualmente cada modalidade
possibilita a obtenção dos seguintes efeitos:
Crioterapia crioterapia - redução da dor, do edema, do
metabolismo tecidual, diminuição do espasmo
A crioterapia é a aplicação terapêutica de qualquer muscular e a possibilidade da execução de
substância ao corpo que resulta em remoção do exercícios ativos livres de dor. A cinesioterapia
calor corporal, diminuindo assim, a temperatura possibilita a recuperação da mobilidade,
dos tecidos. Por ser um recurso de baixo custo, de flexibilidade, força, resistência e retorno à função.
fácil acesso e por apresentar efeitos quase sempre A associação destas modalidades favorece a
benéficos, é utilizado também pela medicina realização precoce dos exercícios terapêuticos,
popular. A dor pode ser aliviada após terapia com permite execução de movimentos livres de dor e
frio, embora não seja bem elucidado seu por conseqüência aceleram o tratamento
mecanismo de ação. Algumas teorias tentam fisioterapêutico (PEREIRA e cols, 2008).
explicar esse efeito de analgesia proporcionada
pelo gelo baseados nos efeitos fisiológicos obtidos Cinesioterapia
com as aplicações de frio como vasoconstrição
local; metabolismo local diminuído (baixando A cinesioterapia é o uso de exercícios ou
demanda de O2 ); redução do metabolismo movimentos como forma de tratamento, com base
articular e da atividade enzimática; diminuição da no princípio de que um órgão ou sistema se adapta
velocidade de condução nervosa; aumento do aos estresses aos quais são submetidos (SECCO,
limiar de dor; liberação de endorfinas; diminuição 1999). O exercício é a modalidade terapêutica mais
da atividade dos fusos musculares; aumento da utilizada no campo da fisioterapia, prescrito no
viscosidade muscular; diminuição de força tratamento da maioria das incapacidades físicas.
muscular. Como na prática clínica, a crioterapia é Um organismo ou tecido que não é solicitado,
um recurso bastante empregado no tratamento e descondiciona-se e perde a capacidade que antes
alívio da dor e da inflamação, apresentando uma possuía, cabendo à fisioterapia envolver a
melhora significante do quadro clínico (ARAGÃO aplicação e o ajuste de treinamento, quanto ao tipo
e cols, 2008). Na fisioterapia traumato-ortopédica e quantidade, para que se obtenha como resultado a
e desportiva, é comum a associação de adaptação desejada sem lesão (BATTISTELLA e
modalidades terapêuticas para otimizar os SHINZATO, 1995).
resultados do tratamento. Um exemplo é a
realização de exercícios imediatamente após a Exercícios Isométricos
aplicação de gelo nas áreas lesionadas. É a
crioterapia (resfriamento tecidual com fins A fisioterapia dispõe de vários tipos de exercícios
terapêuticos) associada à cinesioterapia (exercícios musculares para a reabilitação de seus pacientes,
14

um deles é a atividade isométrica. O exercício dispensam equipamentos especiais; podem ser


isométrico é uma forma de exercício que ocorre realizados durante breves períodos de tempo,
quando um músculo se contrai sem uma mudança (MALONE, MCPOIL e NITZ, 2000).
apreciável no comprimento do músculo ou sem
movimento articular visível. Embora não seja feito Exercícios isotônicos
trabalho articular, uma grande quantidade de tensão
e força resultante é produzida pelo músculo. Os O termo isotônico significa tensão igual ou
exercícios isométricos têm a vantagem de ser fácil constante. O exercício resistido isotônico é uma
de realizar para a maior parte dos músculos, forma dinâmica de exercício executado contra a
requerendo pouco tempo e apresentado pouca resistência à medida que o músculo se encurta ou
sensibilidade muscular. Por serem estáticos, esses alonga na amplitude de movimento existente. Com
exercícios são úteis quando o movimento articular o exercício isotônico pode-se desenvolver força
é doloroso ou contraindicado (KISNER E COLBY, dinâmica, resistência muscular à fadiga e potência.
1998). Entretanto, há algum questionamento, sobre Com o exercício isotônico, o comprimento real do
a transferência de força isométrica para uma músculo modifica-se quando este produz ou resiste
situação dinâmica, e sabe-se que o ganho de força a uma mudança no ângulo articular. No exercício
ocorre principalmente no ângulo no qual o isotônico puro a resistência permanece constante,
exercício foi realizado. Contudo, os autores acima enquanto a velocidade do movimento é
dizem que estes exercícios são de grande valor, inversamente proporcional à carga. Esta forma de
pois são capazes de fortalecer um músculo sem a exercício é realizada com pesos, e máquinas com
necessidade de movimento articular, propriedade pesos. Os exercícios isotônicos resistidos podem
extremamente útil em patologias articulares. ser realizados concêntrica e excentricamente, ou
Também sendo favorável, em condições que ambos. Isso significa que a resistência pode ser
exigem imobilização como, por exemplo, durante o aplicada em um músculo à medida que ele se
tratamento de fraturas (BATTISTELLA E encurta ou se alonga. A maioria dos programas
SHINZATO, 1995). Os exercícios isométricos são isotônicos resistidos envolve uma combinação de
usados na fase inicial da reabilitação sem perigo de exercícios concêntricos e excêntricos, dependendo
aumentar a irritação da articulação, visto que esta das necessidades fundamentais do paciente e da
se mantém imóvel. Suas vantagens são: aumentam força muscular (KISNER e COLBY, 1998).
a força muscular estática; contribuem para evitar a
atrofia; ajudam a diminuir o edema (os músculos Exercícios Pliométricos
funcionam como bomba que colaboram na
remoção do líquido); previnem a dissociação Os exercícios pliométricos são usados no
nervosa graças às contrações musculares, as quais treinamento de atletas para desenvolver força
estimulam o sistema mecanorreceptor de tecido explosiva, melhorar a reatividade muscular através
vizinhos; podem ser realizados em qualquer lugar; da facilitação do reflexo miotático e da
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dessenssibilização dos OTGs e melhorar a estacionária dos movimentos (sentido de posição


coordenação intra e extra-articular. Analisando os dos membros) e a de movimentação dos membros
efeitos desses exercícios, acredita-se que estes (cinestesia). De um modo geral, cada pessoa é
podem ser benéficos na prevenção de lesões e capaz de saber a posição de cada parte do seu corpo
também na reabilitação, principalmente de atletas. em relação a todas as SALTO IMPULSÃO
Exercícios com carga médio-lateral são ideais para QUEDA outras partes, e se elas estão se movendo
entorses da cápsula medial e lateral, complexo ou estão paradas. Diversos receptores que se
ligamentar do joelho, lesões musculares no abdutor localizam nos músculos, tendões, cápsula articular
e adutor de quadril e inversores e eversores do e ligamentos ajudam na detecção da angulação e do
tornozelo; a carga rotacional é usada no tratamento movimento articular. Exemplos de receptores são:
de lesões de ligamentos cruzados, menisco e fusos neuromusculares, corpúsculos de Paccini,
cápsula e a carga de absorção nas lesões terminações de Ruffini e o órgão tendinoso de
musculares, de cartilagem e principalmente, Golgi. Para detectar a angulação média dos
tendões. Exercícios pliométricos combinam força e movimentos, acredita-se que os fusos
velocidade, produzindo movimentos de explosão neuromusculares sejam os mais importantes
muscular, freqüentemente seguidos por um rápido (ELLENBECKER, 2002). A reeducação
movimento contrário, melhorando força, proprioceptiva do joelho é uma atividade da
flexibilidade e agilidade. Exemplos utilizados na reabilitação que visa desenvolver e/ou melhorar a
reabilitação do joelho incluem saltar, andar, correr, proteção articular por intermédio de
mudança brusca de direção e treinos específicos condicionamento e treinamento reflexivo. O
para cada esporte. Quando estes exercícios são objetivo da reeducação proprioceptiva em clientes
realizados com confiança, o paciente poderá que sofreram lesões de LCA é desenvolver
retornar à sua atividade completa. É contraindicado habilidade, agilidade e confiança por meio do
o uso de exercícios pliométricos em pós- aumento da velocidade da resposta de defesa e da
operatórios imediatos, presença de inflamação estabilidade articular. No caso de lesão de LCA,
aguda, dor, edema ou derrame articular (ROSSI e devem-se fortalecer, preferencialmente, os
BRANDALIZE, 2007). isquiotibiais, sem, contudo, deixar de exercitar o
quadríceps, adutores e abdutores. O treinamento
Exercícios Proprioceptivos proprioceptivo visa desenvolver a autonomia ao
indivíduo, consciência de postura, do movimento e
A propriocepção é a percepção da posição das mudanças no equilíbrio, conhecimento da
(propriocepção estática) e do movimento posição do peso e da resistência dos objetos em
(propriocepção dinâmica) de cada articulação do relação ao corpo. Os exercícios proprioceptivos
corpo, incluindo direção, amplitude e velocidade estabelecem o equilíbrio dinâmico da articulação
sem o uso da visão. Existem duas sub-modalidades do joelho (PAIVA e cols, 2007).
de propriocepção: a sensação de posição
16

Exercícios de Cadeia Cinética Fechada O atleta ao realizar todos as etapas da reabilitação,


sem pular nenhuma, sem haver pressão para o
Os benefícios desta abordagem terapêutica podem retorno rápido ao esporte. Segundo os profissionais
ser: interdependência do movimento articular; a incidência para que o atleta tenha novamente este
recrutamento das contrações musculares que são tipo de lesão de forma precoce seria de média para
predominantemente excêntricas, com estabilização baixa.
muscular dinâmica na forma de contração; maiores
forças compressivas articulares que resultem em 6.1. Métodos
menor cisalhamento; estabilização proporcionada
pela congruência articular; e propriocepção Os princípios básicos de reabilitação citado pelos
aprimorada em virtude do maior número de profissionais incluem no início um trabalho mais
mecanorreceptores estimulados; grandes conservador, pelo fato do atleta não poder realizar
resistências e baixas forças de aceleração; movimentos bruscos e é utilizado o protocolo
exercícios funcionais; aprimoramento da PRICE que inclui proteção, elevação, compressão
capacidade do sistema nervoso em recrutar grupos e gelo; também utiliza-se equipamentos os
de músculos para trabalharem em conjunto; exercícios isométricos para um ganho de força
estímulo do ciclo de alongamento e encurtamento; muscular fazendo com que o atleta ganhe uma
aumento da capacidade de funcionamento; e maior amplitude de movimento (ADM), para que
diminuição das forças sobre a articulação no pós-operatório não tenha uma articulação muito
femoropatelar. Há, ainda, uma diminuição da restrita e a musculatura tão fraca, preparando-o
translação tibial e diminuição da tensão no LCA, assim para a cirurgia. Usa-se liberação miofascial e
sem contar a ativação muscular em múltiplos exercícios de mobilidade, visando obter amplitude
grupos musculares, tanto distal quanto de movimento e tornar a articulação funcional
proximalmente à articulação em movimento; novamente. No pós-operatório há trabalho
controle postural, compressão articular e conjunto do fisioterapeuta e preparador físico e o
congruência; e estabilização interna por meio de trabalho já pode ser iniciado no primeiro dia pós-
ação muscular (FRANÇA, 2007). Na figura o8 cirúrgico. Claro, sem dar muito estimulo pelo fato
observa-se o aparelho legg press. de o ligamento ainda estar fraco, porém é realizado
trabalhos mais conservadores onde há também uma
readaptação articular.
6. Questionário
Com o procedimento realizado no pré-operatório o
atleta já terá uma maior amplitude de movimento,
Foi verificado ao analisar este questionário os
uma articulação não tão restrita e uma musculatura
seguintes aspectos sobre a reabilitação de lesão no
mais fortalecida, podendo também ser utilizado
LCA:
eletroterapia e laser para acelerar a cicatrização e
de acordo com a evolução do atleta aplica-se cada
17

vez mais um treino mais dinâmico, com exercícios


de propriocepção, cadeia cinética aberta e fechada, Foi encontrado no presente estudo, diferentes
exercícios ativos livres, matérias de equilíbrio e métodos utilizados em protocolos utilizados por
alongamentos. profissionais na reabilitação de lesão no ligamento
Em fase mais evoluída o atleta passa a realizar mais cruzado anterior na prática esportiva, mas também
exercícios proprioceptivos e pliométricos, visando foi analisado intercessões nos métodos utilizados
repetir o gestual motor que irá realizar durante a pelos profissionais.
prática esportiva. (Obs: Durante toda a reabilitação Avanços de técnicas cirúrgicas e na reabilitação
apenas inclui os exercícios, não tirando da tem possibilitado um retorno mais rápido ao
periodização os exercícios anteriormente ditos). esporte e protocolos acelerados mostram eficiência
Há também para a prevenção dessas lesões nos quanto ao retorno e segurança do atleta para o
clubes, onde é enfatizada a biomecânica do atleta e retorno as atividades esportivas, porém as
a preparação física, onde o preparador realiza literaturas sobre estes procedimentos é escassa e há
trabalhos com o atleta aproximando-o dos controvérsias, mas com os benefícios que os
fundamentos realizados na atividade esportiva do mesmos tem demonstrado como custo benefício,
mesmo e também fortalecimento todo o retorno mais rápido, ganho mais rápido de
grupamento muscular da coxa e não apenas um, amplitude de movimento (ADM), melhora da
para que evite esse tipo de lesão. Em uma das forma e reequilíbrio muscular, faz com que estes
instituições foi citado o uso de uma avaliação métodos sejam cada vez mais utilizados em atletas
visando a prevenção denominada Functional profissionais.
Movement Screen (FMS), uma avaliação funcional O desenvolvimento nos procedimentos de
onde é possível analisar algum desvio, lateralmente reabilitação e o retorno ao esporte, irá depender de
ou uma possível instabilidade no joelho. como o atleta reagirá durante o procedimento, grau
da lesão e expectativa do mesmo quanto a sua
6.2. Materiais atividade futura. Os profissionais atuantes na
reabilitação devem ter conhecimento dos
Os materiais usados na reabilitação de lesão no exercícios aplicados e que cada paciente reage de
LCA relatados pelos profissionais foram: bosu; uma forma especifica ao tratamento, desta forma o
disco; thera band; foam roller; kinesis; elástico; profissional poderá avançar ou retardar o
neuroestimulação elétrica transcutânea (TENS); tratamento de acordo com a evolução do atleta e
stickers; caneleiras; cama elástica; bola suíça; respeitando a ligamentização do enxerto,
giroplano; pesos livres; leg press; normatec; globus principalmente no início evitando exercícios de
e miofibrólise. cadeia cinética aberta, onde gera um maior estresse.
Pode-se notar que assim como estudo realizado por

7. Discussão HEBERT (2003), mostra que nos protocolos por


mais que não haja um definitivo, nota-se que nos
18

objetivos de cada um há os mesmos princípios, são protocolos acelerados mesmo que sem muitas
eles: iniciar mobilização e apoio precocemente, literaturas que comprovem tal eficiência vem sendo
utilizar precocemente técnicas de controle de cada vez mais usados em profissionais pelos
edema, evitar estresse excessivo no enxerto (evitar benefícios que demonstram e tendem a evoluir cada
exercícios em Cadeia Cinética Aberta (CCA) que vez mais. Os profissionais fisioterapeutas e
aumentam o estresse), iniciar precocemente preparadores físicos atuam de forma conjunta na
exercícios de reforço muscular de isquiotibiais para reabilitação do atleta, sendo importante os mesmos
promover estabilização dinâmica e diminuir a terem conhecimento de que a evolução da
tensão no enxerto, incorporar exercícios em Cadeia reabilitação dependerá de cada indivíduo
Cinética Fechada (CCF), iniciar precocemente o especifico, respeitando sempre os limites de
recrutamento do quadríceps, realizar treinamento estresse que realizará no local da cirurgia para não
proprioceptivo e reeducação neuromuscular, prejudicar a evolução da reabilitação, sendo
treinar o gesto esportivo e realizar treinamento também responsabilidade do atleta que tem de
muscular. Também segundo um estudo realizado cumprir os periódicos da reabilitação como
por PLAPLER (1955) já se dizia que – “A estabelecer o profissional, desta forma não há
reabilitação deve seguir alguns passos, consistindo, como dizer o tempo específico de retorno ao
em linhas gerais, na proteção das estruturas lesadas, esporte.
na manutenção do condicionamento Também há métodos que tentam evitar que ocorra
cardiorrespiratório, ganho completo da amplitude este tipo de lesão, incluindo exercícios que
de movimentos, prevenção da atrofia muscular, aproximam o atleta de seu gestual motor realizado
manutenção da função proprioceptiva, melhora da na atividade esportiva do mesmo, porém não há
força muscular e do endurance, retorno à agilidade como prever se o atleta terá ou não a lesão.
para diferentes atividades, e, finalmente, retorno às
atividades laborarias e ao esporte.” Bibliografia

1. MONTEIRO, C. R. Protocolo de
Conclusão reabilitação em pós-cirúrgico do
ligamento cruzado anterior. 2008. 75 f.
De acordo com os resultados analisados nos Trabalho de conclusão de curso
estudos, pode-se concluir que não há um protocolo (Monografia) – Curso de Fisioterapia,
definitivo para a reabilitação de lesão no ligamento Universidade Veiga de Almeida, Rio de
cruzado anterior, porém os objetivos principais Janeiro, Rio de Janeiro. 2018.
usados nos protocolos pelos profissionais são
basicamente os mesmos. Notou-se também que
2. TAVARES, Carla. Reabilitação pós
com os avanços de conhecimento sobre
reconstrução do Ligamento Cruzado
reabilitação, equipamentos avançados, os
19

Anterior. (entre 2013 e 2017). 11 f. 6. THIELE, Edilson et al. Protocolo de


Trabalho de conclusão de curso (Tese) – reabilitação acelerada após reconstrução de
Instituto de Ciências Biomédicas Abel ligamento cruzado anterior - dados
Salazar – Universidade do Porto, Porto, normativos. Rev. Col. Bras.
(entre 2013 e 2017). Cir. vol.36 no.6 Rio de
Janeiro Nov./Dec. 2009.
3. SANTOS, T. H. M. Protocolos de
tratamento fisioterapêutico no pós 7. LIZZI, Luciano et al. Exercícios de
operatório de reconstrução do contração isométrica para recuperação
ligamento cruzado anterior em atletas pós-operatória do ligamento cruzado
profissionais: revisão de literatura. anterior. Revista Digital. Buenos Aires,
Científica FacMais, Volume. VII, Número Año 16, Nº 160, Septiembre de 2011.
3, Goiânia – GO, Ano 2016/2º Semestre.
8. PEREIRA, W. S.; SOUZA, A. L.
4. LIMA, C. S. Comparação entre dois V. Benefícios da cadeia cinética fechada
protocolos de reabilitação após na reabilitação de pacientes com lesão
reconstrução do ligamento cruzado do ligamento cruzado anterior. Corpus
anterior através da análise et Scientia, v. 8, n. 1, p., jun., 2012.
biomecânica. 2006. 197 f. Trabalho de
conclusão de curso (Tese) – Escola de 9. RODRIGUES, A. L. P. et al. A
Educação Física e Esporte, utilização do treinamento resistido na
Universidade de São Paulo – USP, São recuperação de lesões de rompimento do
Paulo, 2006. ligamento cruzado anterior. Revista
Digital. Buenos Aires, Año 19, Nº 195,

5. ARLIANI, G. G et al. Lesão do agosto de 2014.

ligamento cruzado anterior: tratamento


e reabilitação. Perspectivas e tendências 10. BRITO, João et al. Prevenção de lesões
atuais. Rev. bras. ortop. vol.47 no.2 São do ligamento cruzado anterior em
Paulo Mar./Apr. 2012. futebolistas. Rev. Bras. Med.
Esporte vol.15 no.1, Niterói jan./fev. 2009
.

11. PEREIRA, Maitê et al. Tratamento


fisioterapêutico após reconstrução do
20

ligamento cruzado anterior. 2010. 4 f.


Trabalho realizado na faculdade Anglo-
Americano – FAA – Foz do Iguaçu,
Paraná, Brasil, 2010.