Você está na página 1de 5

Problemas de Aprendizagem: diagnóstico e tratamento

Profª Merie Bitar Moukachar

Atividade Avaliativa 1 – 2020/01

Nomes alunos do grupo:

ANDREA SERRO

CINTIA BASÍLIO

DEBORAH EVELLYN

ELAINE DE SOUZA

LÍCIA

RISALVA COELHO

Para este exercício em grupo, vocês continuarão refletindo com os colegas sobre o filme
assistido e os efeitos psicológicos produzidos a partir do ocorrido. Além disso, para
elaborar as respostas abaixo, vocês poderão/deverão consultar textos da internet com
críticas sobre o filme, textos acadêmicos que discutam o filme propriamente dito, ou
textos que discutam aspectos que vocês destacam como relevantes no filme.

1. Escolham três personagens do filme e discutam os mesmos teoricamente, as


suas reações e seus comportamentos no percurso da história relatada. Antes,
assinalem abaixo os três personagens escolhidos por vocês:

□ o professor, Lucas;

□ a diretora, Grethe;

□ a menina Klara;

□ as professoras da escola;

□ os pais das outras crianças na escola;

□ o consultor “psicólogo” a quem a escola recorreu para avaliar o caso;

□ os moradores da pequena cidade;


□ o pai de Klara, amigo de infância de Lucas;

□ a mãe de Klara em função da sua reação;

□ o filho do professor, Matheus;

□ ou ainda, outro personagem qualquer que vocês queiram discutir (explicitem aqui).

Lucas era professor em uma escola infantil e havia recentemente se divorciado,


encontrando-se em divergência com a ex-esposa pela guarda de seu filho, Marcus.
Bem relacionado, mantinha laços afetivos com todos os membros da pequena
comunidade em que vivia. Simpático e agradável ele é um encanto para todos. Klara,
uma menina de oito anos confunde seus sentimentos pelo professor e tenta beijar-
lhe, o homem pacientemente explica que isso só se faz entre "mamães e papais" anos
resolve repetir à diretora da escolinha uma frase que ouviu dos irmãos.

A transferência é, antes de tudo, transferir sentidos e representações,


e que no contexto escolar, de acordo com Santos, (2009) ganha vida
na relação professor-aluno, reeditando, no presente, os impulsos e
fantasias marcados nos primeiros anos de vida, a partir das relações
parentais e fraternais que foram determinantes para o sujeito na sua
constituição. Na escola, portanto, o professor, a exemplo do analista,
e independentemente de sua ação, pode despertar afetos no aluno
para além daquilo a que ele próprio tem noção conscientemente. O
mesmo pode acontecer ao professor, por parte do aluno. Porque esse
fenômeno pode se estabelecer nesses dois sentidos - numa via de
mão única - (transferência e contratransferência).

Klara confessou à diretora da escola, Grethe, que “odiava Lucas; ele era feio e idiota;
tinha um pipi; seu pipi apontava para cima como uma vara”. Tal construção acerca
do órgão masculino surgiu para Klara a partir de uma das cenas iniciais em que
alguns garotos mostram para ela uma foto de uma mulher diante de um pênis ereto, o
que nos sugere o encontro de Klara com uma cena sexual para a qual não possuía
ainda recursos psíquicos para simbolizar. Seu relato provocou em Grethe uma
suspeita acerca da conduta de Lucas. A diretora, Grethe, deveria estar altamente
preparada para lidar com qualquer tipo de ocorrência na escola, mas sua inabilidade
e falta de trato em lidar com situações extremas e que atacam a dignidade humana
que ela aceita a mentira com o simples argumento de que crianças não mentem. Ao
ouvir a garotinha, antes de tomar providências mais sérias e avisar os pais, tenta
averiguar a veracidade da declaração de Klara. Para isso, chama um psicólogo para
conversar com a garota. Esta conversa é um perfeito exemplo de como não se
entrevistar uma criança com suspeita de ter sido abusada. O primeiro grande
equívoco é partir do pressuposto que houve o abuso.

2. Descrevam como vocês conduziriam o caso, se fossem psicólogas(os), naquela


escola de educação infantil, onde teria ocorrido este suposto abuso sexual.
QUEM OUVIRIAM? (Família, crianças da escola, Klara, professor e
professores, os outros pais...)? COMO ABORDARIAM as pessoas que
gostariam de ouvir? (Individualmente, coletivamente, em pequenos grupos...)?
Em quais teorias e conceitos se fundamentariam teoricamente.
R – Como conduziríamos o caso.

Diante da queixa da diretora, chamaríamos primeiro a criança para conversar e faríamos


perguntas abertas (do tipo "como tal coisa aconteceu?" ou "descreva como foi aquele dia"),
que não conduzam a criança à resposta "desejada". Respeitaríamos o ritmo de discurso da
Karla (vítima) e não emitiríamos julgamentos sobre o que foi sendo relatado. Ficaríamos
atentas para a comunicação não verbal, para a tonalidade emocional e para a postura,
aceitando possíveis incoerências, lacunas de informação e contradições no discurso da
criança. Além disso, deve-se cuidar para não contaminar os dados fornecidos pela vítima,
criando falsas memórias a partir de nossas próprias experiências. Utilizaríamos outras
técnicas, como desenhos e atividades lúdicas em geral, para ajudar no processo de
investigação. Sem descartar a possibilidade de erro, ou seja, de que a pessoa acusada seja
inocente, não pode ser descartada. Nunca. Isto não significa desacreditar a vítima, mas
entender que as pessoas em geral, e especialmente crianças, podem fantasiar situações.

Heilbrun (2001 conforme citado em Heilbrun et al., 2003)


organizou princípios que orientam a avaliação forense de
saúde mental, distribuídos nas seguintes etapas: preparação,
coleta de dados, interpretação dos dados e comunicação.
Entre esses princípios, o autor preconiza que o profissional
não tome parte em perícias nas quais sua imparcialidade
seja improvável, não se permita desempenhar o papel de
terapeuta juntamente com o de perito, leve em consideração
múltiplas fontes de dados, obtenha informações históricas
pertinentes relativas ao periciado, garanta a ausência de
distrações e demais influências no ambiente de avaliação e
registre seus achados de forma detalhada e completa.
Após a conversa com a criança, munidas de informações e detalhes, conversaríamos com a
diretora. As perguntas feitas a ela seria inicialmente “como ela descreveria o comportamento
do Lucas antes do ocorrido, quais eram suas referências profissionais para ser admitido na
Escola”, para então adentrarmos em perguntas abertas sobre o dia. Pediríamos que ela nos
relatasse como foi feita a declaração da Karla pra ela, pedindo por diversas vezes em
momentos diferentes do diálogo que ela contasse detalhe da conversa que a ela e a Karla
tivera. É necessária que se atente para o maior número possível de elementos disponíveis,
como a coleta do relato da situação vivenciada, a análise das repercussões físicas e
psicológicas, registros escolares, entre outros, a fim de que se obtenham conclusões confiáveis
com relação às situações relatadas. É importante considerar se a situação descrita é condizente
com experiências narradas por outras vítimas, se o afeto é correspondente ao conteúdo da
verbalização, se o estilo de exposição se modifica quando o assunto específico da situação
abusiva é introduzido e se há evidências de treinamento, indução, sugestão ou alguma
motivação para aquela denúncia.

A perícia psicológica abrange a entrevista, a seleção, a aplicação e o


levantamento de testes e de fatos da vida referentes ao passado e ao
presente do sujeito e do episódio ocorrido, de acordo com as
necessidades e questões levantadas em cada processo. Exige do
psicólogo, portanto, a capacidade de integrar as informações obtidas
a partir de diferentes fontes em um relatório coerente e consistente.
Convém ressaltar que os instrumentos empregados pelo psicólogo
devem obedecer à determinação do órgão máximo profissional, o
Conselho Federal de Psicologia (Rodrigues, 2004).

Por último, conversaríamos com o professor Lucas. Inicialmente, perguntaríamos como e


porque escolheu a profissão de professor de crianças. Procuraríamos saber como anda seu
relacionamento com o filho, ex esposa e atual namorada. Em seguida, faríamos perguntas a
respeito de seu relacionamento com os alunos; o nível de intimidade se há toque corporal, se
os leva ao banheiro, e após as necessidades fisiológicas se é ele que os limpos. Também,
investigaríamos o nível de carinho dedicado a criança, se os beijam, abraçam, acariciam seus
cabelos, para que entendêssemos o que deu margem a possível fantasia da criança, ou se há
mais que um carinho de professor. Pediríamos pra ele relatar e compararíamos com os
depoimentos já resgatados.
A investigação em forma de diálogo com todos os envolvidos teriam três encontros, com
curto espaço de tempo, para possíveis contradições e verificação da postura corporal dos
investigados.

A perícia psicológica realizada em casos de abuso sexual de crianças


e adolescentes deve incluir entrevistas com os responsáveis e com a
vítima (Friedrich, 2001). Uma possibilidade é realizar alguma dessas
entrevistas conjuntamente, com vistas à observação da dinâmica
familiar (Rovinski, 2007). Nesses casos, o psicólogo adquire um
papel de julgador, devendo atentar para o grau de incongruência
entre as necessidades da criança e as habilidades parentais
despendidas (Rovinski, 2007). O psicólogo destaca e analisa os
aspectos psicológicos das pessoas envolvidas, ocultos por trás das
relações processuais. O principal objetivo da perícia psicológica é
auxiliar o juiz na tomada de uma decisão, garantindo,
consequentemente, os direitos e o bem-estar da criança e/ou
adolescente (Silva, 2003).

Referências:

RIBEIRO, Márden de Pádua. Contribuição da psicanálise para a educação: a transferência na


relação professor/aluno. Psicol. educ.,  São Paulo ,  n. 39, p. 23-30, dez.  2014 .   Disponível
em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-
69752014000200003&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  18  abr.  2020.

SCHAEFER, Luiziana Souto; ROSSETTO, Silvana; KRISTENSEN, Christian Haag. Perícia


psicológica no abuso sexual de crianças e adolescentes. Psic.: Teor. e Pesq.,  Brasília ,  v.
28, n. 2, p. 227-234,  June  2012 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0102-37722012000200011&lng=en&nrm=iso>. access on  18  Apr. 
2020.  https://doi.org/10.1590/S0102-37722012000200011.