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Aula 1 - Linguagem Coloquial e Norma Culta

Você sabia que é por meio da Língua


Portuguesa que nos apropriamos do
mundo ao nosso redor e de tudo aquilo
que nos faz mover a vida?

Por exemplo, por meio dela, você adquiriu sua bagagem intelectual no decorrer de sua vida acadêmica e, neste momento,
consegue compreender esta aula.

Agora que você chegou à Universidade, queremos ajudá-lo no que diz respeito a algumas questões relativas ao uso desse
nosso maior patrimônio cultural: a Língua Portuguesa.

Esta disciplina será muito importante para que, daqui em diante, você utilize a língua em situações comunicativas que
exigem um pouco mais de cuidado, de monitoramento e de formalidade.

Emprego da língua

Uma das funções da universidade é prepará-lo para o mercado de trabalho. Você, inclusive, já deve ter imaginado como
seria atuar fora do ambiente acadêmico – quem sabe em uma grande empresa?

Mas e se você tiver de escrever um texto simples, tal como um breve relatório? Será que você colocará todas as vírgulas em
seus devidos lugares?

E quanto à crase? Você saberá empregá-la corretamente?

Não se sinta menosprezado se não souber fazê-lo. Afinal, a disciplina de Língua Portuguesa está aqui exatamente para
auxiliá-lo a compreender um pouco melhor os usos formais da língua.

Para iniciar esse estudo, vamos aprender alguns conceitos importantes.

Tipos de linguagem

Antes de estudarmos os usos de verbos, os sinais de pontuação etc.,


precisamos entender alguns conceitos importantes. Para começar:
Só podemos afirmar que vivemos em sociedade porque nos comunicamos,
certo? Todo e qualquer ato comunicativo se dá por meio do uso de alguma
linguagem.

Existem dois tipos de linguagens: a verbal e a não verbal.


Então, a linguagem verbal é aquela que se vale de palavras – sejam estas
faladas, sejam estas escritas. Nesse caso, o código utilizado para manter a
comunicação é a própria língua (portuguesa, inglesa, francesa etc.). Logo, o
diálogo no WhatsApp e o bate papo são exemplos de linguagem verbal.

Já a linguagem não verbal é aquela que utiliza outros códigos diferentes da


língua. Essa linguagem pode se manifestar por meio das cores, dos gestos, de
um olhar, da música etc. No exemplo do semáforo, a comunicação ocorre
através das cores e, no caso da orquestra, através da música instrumental.

Antes de dar continuidade a seus estudos, assista a este vídeo, que utiliza
cenas do filme O negociador, no qual um dos personagens fala da relevância
da linguagem não verbal.
Como você viu, o policial detectou a mentira do personagem acusado ao analisar não sua fala – linguagem verbal –, mas seu
olhar e suas expressões corporais e faciais.

Esses gestos “dizem” muito – às vezes, mais que diversas palavras proferidas.

Nesse caso, saber interpretar a linguagem não verbal é muito importante!

Agora que você já conheceu os diferentes tipos de linguagem, vamos nos ater àquele que, de fato, é de nosso interesse: a
linguagem verbal – no nosso caso, a Língua Portuguesa.
A partir de agora, você vai conhecer algumas regras para falar e escrever de forma adequada, isto é, de acordo com os
contextos de uso do idioma.

A propósito: adequação é uma palavra que deve fazer parte do nosso dia a dia.

Para exemplificar, analise as falas deste personagem em


situações cotidianas distintas...
Mas que tipo de linguagem os ambientes formal e
informal envolvem: a escrita, a fala?
Como você percebeu, a Língua Portuguesa foi utilizada em ambas as
situações, mas o registro não foi o mesmo. O personagem adequou sua fala ao
ambiente em que se encontrava: mais ou menos formal.

Você sabe a diferença entre ambiente formal e


informal? Vamos descobrir?
Imagine-se em uma entrevista de emprego. Se o entrevistador lhe perguntar
sobre sua disponibilidade de tempo para desempenhar suas funções, o mais
adequado para a ocasião será responder:

1. Disponho de tempo integral para assumir o cargo.

2. Qualquer hora é hora. É só chamar que tô dentro!


Agora, imagine-se em um restaurante, em um bate-papo com um(a) amigo(a).
Se ele(a) lhe fizer uma pergunta sobre as novidades que você tem para contar,
o mais adequado para a ocasião será responder:

1. Atualmente, em termos de inovação em minha vida, estou fadada à


monotonia.

2. Nada de novo. Continuo seguindo a mesma vidinha de sempre.


O ambiente formal é aquele em que usamos a norma culta da língua, cujo registro segue o que está prescrito na gramática
normativa. Trata-se de um padrão de linguagem adequado a situações como uma entrevista de emprego, uma reunião de
trabalho ou mesmo uma palestra em um congresso. Já o ambiente informal é aquele em que usamos a linguagem coloquial,
que dispensa formalidade. Trata-se da linguagem do cotidiano, adequada a situações como uma conversa entre amigos, uma
festa, um bilhete que deixamos para nossa família na porta da geladeira ou mesmo uma troca de mensagens nas redes
sociais.

Como você percebeu, utilizamos determinado tipo de


linguagem de acordo com a ocasião em que nos
encontramos.
Isso significa que o emprego dos diferentes registros da
língua depende de seus contextos de uso.
Por exemplo, suponha que você trabalhe em uma empresa multinacional. Falar com seu chefe imediato (1) – aquele com
quem tem algum nível de intimidade – não é o mesmo que falar com o diretor da companhia (2), certo?

Para cada situação, provavelmente, você usará um vocabulário distinto, conforme podemos observar nos diálogos ao lado.

Variação linguística
A expressão linguística pode se realizar em diferentes modalidades: a escrita e a fala. Mas existem
algumas diferenças entre elas.
Na língua falada, há entre falante e ouvinte trocas sucessivas e simultâneas, o que não ocorre na língua escrita,
na qual a comunicação acontece, geralmente, na ausência de um dos participantes.

Além disso, na fala, as marcas de planejamento do texto costumam não aparecer, porque sua produção e
execução se dão ao mesmo tempo. Justamente por isso, a linguagem oral é marcada por pausas, interrupções,
retomadas, correções etc., o que não observamos na escrita, porque o texto se apresenta acabado, e há um
tempo para sua elaboração.

Mas o que isso quer dizer?


Em outras palavras, que a língua varia de acordo com o lugar, com a situação
comunicativa ou, até mesmo, com nosso interlocutor – a pessoa com quem
falamos ou a quem escrevemos. Isso é o que chamamos de VARIAÇÃO
LINGUÍSTICA.

variação linguística corresponde a diferentes realizações de uma mesma


língua. Ela pode ser:
regional
Podemos citar as diferenças entre o falar:

Carioca: Caraca! Esse curso é muito maneiro.


Cearense: Êta que esse curso é bem arretado!
Mineiro: Nossinhora! Esse curso é bom demais da conta, sô!

ATENÇÃO!
NÃO podemos dizer que determinada região do país fale “o português mais
correto”. Tal afirmação é falsa, pois o que há são variações da Língua
Portuguesa. A pronúncia do cearense ou do carioca, por exemplo, não é errada
ou certa, mas, simplesmente, o modo de articular os sons daquela comunidade
linguística.

De registro Analise as situações a seguir:

1) Estácio informa: Já estão abertas as inscrições para o curso de Graduação


em Letras - Licenciatura em Língua Portuguesa. Fique atento às datas de
ingresso e não perca o período de matrícula nas disciplinas.

2) Vocês leram na web, pessoal? Para quem quer ser letrado e dar aula de
português ou de literatura, a hora é essa. A gente precisa se inscrever na
Estácio. Os dias de inscrição e de matrícula nas disciplinas estão lá. Vamos?

Comentário
Nesse caso, a mesma informação foi transmitida a partir de duas modalidades
da língua – a escrita e a falada – e através de registros distintos – o formal e o
informal.
Social

O uso de determinado vocabulário marca os grupos sociais e as comunidades


linguísticas.

Você se lembra do “surfista-executivo” que apresentamos anteriormente?


Como vimos, sua fala e sua roupa não estavam adequadas ao ambiente em
que se encontrava: a praia.

Para se inserir nesse grupo específico e validar-se nesse meio de forma


decisiva, ele deveria não apenas vestir um figurino típico mas também adaptar
o uso da língua.

Associada à vestimenta, a fala mais apropriada à situação seria:

Que onda cabulosa, cara! E aí? Bora pegar agora ou


depois?
As mudanças linguísticas sobre as quais discutimos até agora começam na
fala – como você pode observar no diálogo ao lado –, passam para a escrita e
chegam ao sistema da língua. Por exemplo, até hoje, a expressão “a gente” –
sobre a qual nos deteremos mais adiante – ainda é rejeitada pela gramática
normativa. Entretanto, usamos o termo “conforme” como conjunção sem nos
darmos conta de que se trata de uma forma verbal que ampliou sua função na
língua e passou a essa classificação de conjunção.

Exemplo: Conforme ele disse, chegaremos lá na hora.

Mas todas as formas em variação passam para um uso


mais formal da língua?
Não! Como a linguagem é utilizada por pessoas, haverá tanta variação quanto
suas necessidades comunicativas. Essas problemáticas aparecem na escrita
acadêmica quando consideramos as variações linguísticas e a adequação. Mas
e quanto às gírias? Como evitá-las em ambientes formais? Assista ao vídeo a
seguir e entenda melhor a questão da adequação vocabular.

Norma culta
Quando pensamos em variação linguística, referimo-nos a todos os exemplos
que acabamos de ver. No entanto, independente das diferenças citadas, há
uma variedade da língua considerada de prestígio e que deve ser utilizada em
determinadas situações comunicativas: a norma culta.
É aquela formada por um conjunto de estruturas concebidas como
corretas, que podem ser usadas tanto para falar quanto para escrever.
Trata-se da chamada variante padrão. Essa norma é tão valorizada
socialmente que, quando estão em um ambiente mais formal, os
indivíduos com alto nível de escolaridade procuram monitorar sua fala.
Vamos entender melhor essa questão...

Em sua opinião, que frase está CORRETA?


A gente vai até lá para conferir de perto.

Nós vamos até lá para conferir de perto.

GABARITO
As duas formas estão corretas, mas há uma diferença entre elas: a primeira é
coloquial, e a segunda segue a gramática normativa.

Forma marcada da língua


Vamos entender, agora, como a norma de prestígio
funciona.
Como vimos anteriormente, uma das formas em variação no português brasileiro contempla a oposição das
estruturas a gente x nós.
A ideia básica é de que a expressão A GENTE pode ser usada em ambientes informais e o pronome
pessoal do caso reto NÓS – prescrito pela gramática normativa –, em ambientes formais.
No entanto, precisamos considerar que, quando usada, a forma “a gente” deve ser acompanhada do verbo na
3ª pessoa do singular: a gente vai.
Lembra-se daquela variação social sobre a qual conversamos? Ela nos mostra que há pessoas, falantes de uma
variedade da língua chamada de não padrão, que dizem “a gente vamos”.
Mas qual é o problema desse uso?
Isso é o que chamamos de forma marcada, e usá-la permite que aqueles que nos ouvem nos definam como parte
de um grupo com baixo nível de escolaridade.
Por exemplo, quando uma emissora de televisão quer delimitar, linguisticamente, uma personagem desse tipo, introduz, em
sua fala, algumas marcas.

É comum, por exemplo, que essa personagem diga:

“Falano” em lugar de “falando” – suprimindo o “d” do


gerúndio;
“Eu vou TE falar pra você” em lugar de “Eu vou falar para
você”;
“Ni mim” em lugar de “em mim”;“Eu tavo” em lugar de
“eu estava”;
“Pá nóis” em lugar de “para nós”.
Observe que, embora as formas “nós tá nos ponto” ou “nós tá atrasado” envolvam o uso do pronome pessoal “nós”, a
ausência da conjugação adequada – de acordo com a norma culta – na cena anterior marca a fala do personagem Afeganistão
do mesmo modo.

Por isso, em se tratando de variação linguística, é importante considerarmos nosso papel social.


Imagine que um professor universitário entra em sala de aula e diz a seus alunos acerca de um encontro com a
coordenadora...

Fala x escrita
A norma culta deve ser utilizada tanto na fala quanto na escrita. Mas será que essas modalidades da língua
possuem as mesmas características?

Certamente, NÃO! Precisamos ter CUIDADO para não levar para a escrita aspectos da fala.

Analise a manchete ao lado.

Nela, observamos um erro ortográfico – resultado, provavelmente, da influência da oralidade.

Esse equívoco pode ter sido cometido porque, em várias regiões do Brasil, costuma-se não pronunciar o R final
em verbos no infinitivo, conforme explicamos quando tratamos do regionalismo.

Mesmo que utilizemos a norma culta para falar e para escrever, fala e escrita
são modalidades diferentes de uma mesma língua.

Não escrevemos como falamos nem falamos como escrevemos, certo?

Embora passemos boa parte do tempo diante do computador – seja nas redes
sociais, seja trabalhando e estudando –, no final, utilizamos mais a fala do que
a escrita.

Vamos entender, então, a diversidade entre tais modalidades linguísticas.

Nunca escrevemos ou lemos tanto devido à internet: podemos nos comunicar via SMS e WhatsApp, através de posts nas
redes sociais etc. Mas essa escrita e essa leitura excessivas apresentam alguma qualidade em termos de padrões linguísticos?
O que dizer das abreviaturas que conferem agilidade no ambiente da web?

A tendência a abreviações é muito grande pela necessidade de comunicação rápida, mas, como um caso de variação
linguística, essas formas abreviadas devem se restringir a tais ambientes em que são requeridas. Por isso, é importante
conhecer conceitos como adequação ao ambiente, formalidade, informalidade e variação.

Quando nos familiarizamos com tais noções, compreendemos que não há nada de errado no uso do “internetês”, desde que
ele se restrinja aos ambientes em que é adequado. Como mais um exemplo de variação linguística, esse tipo de linguagem é
mais apropriado a certos contextos do que a outros.

Diante de tudo o que já estudamos até o momento, não há como negar: vivemos em uma sociedade que dá um alto valor a
quem escreve.

Na verdade, a escrita é muito importante em nossas complexas relações sociais e práticas culturais. Isso quer dizer que o
comportamento do homem – principalmente urbano – é regulado pela escrita.
Se pensarmos na esfera pública, por exemplo, vamos nos deparar com ofícios, requerimentos, memorandos etc.: todos esses
documentos têm de ser escritos com extremo rigor linguístico, com base na norma culta da língua, porque os contextos em
que circulam exigem esse padrão. Mas nós, brasileiros, ainda temos dificuldade de seguir tais regras da Língua Portuguesa
por não atentarmos para a diversidade sobre a qual discutimos entre fala e escrita.

De acordo com Silva (2007):


“Todos se queixam de que português é difícil. O brasileiro
é chorão? Não me parece que possa ser definida como
chorona uma nacionalidade marcada pelo carnaval, pelo
humor e pelo riso purificador com os quais suporta males
seculares. A queixa pode ser assim resumida: a língua
falada é uma, mas a língua escrita é outra.”

Com base em Koch e Elias (2009, p. 16), podemos estabelecer algumas diferenças entre as modalidades FALA e ESCRITA.
Vejamos:

Isso significa que, quando falamos, planejamos menos do que quando escrevemos. Além disso, a fala nos permite deixar
informações mais implícitas, em função do contexto que está ali, diante dos falantes, o que não ocorre na escrita. Por isso, a
escrita deve ser mais elaborada, planejada e explícita.

Norma-padrão X Coloquialismo
Agora que você já entendeu a diversidade entre fala e escrita, vamos nos ater
às diferenças entre os registros coloquial e culto da língua. Alguns fenômenos
são típicos da escrita e merecem um pouco mais de cuidado por parte de quem
escreve – principalmente em ambientes de maior formalidade. Vamos analisar
o quadro ao lado e identificar tais aspectos.
ONDE x AONDE
Quando há, na oração, um verbo que indica movimento – como o verbo
IR, por exemplo –, o correto é usar AONDE. Mas, se a pergunta fosse
feita com o verbo ESTAR, o correto seria: Onde você está? Sabe por
quê? Simples! O verbo ESTAR não indica movimento. Outra dúvida
bastante frequente na hora de escrever diz respeito ao uso de HÁ e A. Mas
saná-la é algo bem simples! Veja...

HÁ = flexão do verbo HAVER, que pode ser usada no


sentido de:

Se o verbo HAVER já indica tempo passado, não há necessidade de dizer, por exemplo, “HÁ dez minutos atrás” ou “HÁ
anos atrás”, pois isso é classificado como PLEONASMO, ou seja, repetição desnecessária de ideias. Basta afirmar “HÁ dez
minutos” ou “HÁ dez anos”.
Usamos A nas seguintes situações:
Usamos A nas seguintes situações:

Se “Daqui há pouco” indica futuro, houve um equívoco na escrita com o


verbo HAVER. O correto seria: “Daqui a pouco”.

MAU X MAL
Para não se equivocar quanto ao uso de MAU e MAL, lembre-se:

MAL é o oposto de BEM.


MAU é o oposto de BOM.
Partir desse conhecimento para evitar enganos é válido, mas podemos
compreender os motivos do emprego de cada termo em determinadas
sentenças.

Vamos entender melhor...


Atenção
A palavra MAL também pode ser um substantivo

Exemplo: Este é um mal necessário.Mas, nesse caso, haverá sempre um determinante qualquer – como o artigo indefinido
UM.

Além disso, considerando tal substantivação – acompanhada de um artigo definido ou indefinido –, o mesmo vocábulo pode
variar em número.

Exemplo: Os males da vida são muitos.

MENOS X MENAS
Por fim, para acabar com suas dúvidas – e de muitos – quanto ao uso de alguns termos, de antemão, lembre-se:

MENOS é um advérbio, ou seja, uma palavra que exprime uma


circunstância – nesse caso, de quantidade ou intensidade. E, como já
vimos, advérbios são invariáveis!

Língua Portuguesa / Aula 2 – Verbo

Tipos de gramática
Há várias formas de definirmos gramática, mas vamos apresentar aqui somente duas classificações. São elas:
Gramática internalizada
É o conjunto de regras que a criança internaliza durante o processo de aquisição da linguagem.

Por que, por exemplo, uma criança fala “Eu já fazi” no lugar de “Eu já fiz”?

Simples: porque ela ainda não conhece as exceções à regra de manutenção do radical do verbo nas conjugações.

“Eu já bebi” e “Eu já comi”, seguindo os radicais dos


Se a criança diz 

verbos BEBER e COMER, respectivamente, acrescidos de um [i] final, ela dirá “Eu

já fazi” (FAZER).
Isso significa que ela criou uma regra em que [i] seria uma forma de expressar o passado.

Gramática normativa

Muitos associam esta expressão à imagem de um livro – seja impresso, seja virtual.

Mas será que devemos interpretar a gramática


normativa somente dessa forma?
A gramática normativa é um conjunto de regras gramaticais que estabelece um padrão de linguagem, cujo emprego deve se
adequar aos contextos formais de uso da língua.

Na verdade, essa gramática indica a formalidade de uso da língua.

Essa prescrição é baseada no fato de que, de acordo com a norma-padrão, a


regência do verbo GOSTAR exige a preposição “de”.

Exemplo: Eu gosto disso.
O estudo da gramática de uma língua divide-se em quatro partes, quais
sejam:
Fonologia – que trata dos fonemas
Morfologia – que trata das classes das palavras
Sintaxe – que trata das funções e das relações das palavras nas
sentenças,
Semântica – que trata dos significados das palavras

Sintaxe
Para que possamos comunicar nossas ideias, os enunciados da língua
devem aparecer em determinada ordem e estabelecer uma relação
coerente entre si. Em outras palavras, nosso discurso precisa ser
organizado com base em uma estrutura sintática que nos permita formar
frases claras e objetivas.
Ordem direta – sujeito + verbo + objeto

ipos de frase
A FRASE é um enunciado que possui sentido completo. Há dois tipos de frase:

Frase nominal
Aquela que não apresenta verbo.

Frase verbal
Também chamada de oração, trata-se daquela que possui verbo.

De agora em diante, vamos conversar um pouco mais


sobre o verbo.

Modo e tempos verbais


Como vimos, o VERBO  é a unidade que significa ação ou processo organizado para expressar o modo, o tempo, a pessoa e
o número.

Modo
Tempo

Número
As formas verbais podem se apresentar no singular ou no plural. No caso do diálogo, elas aparecem somente no singular.
Vejamos: “Acertei”, “estudei”, “soubesse”, “tinha estudado”, “podia”, “está”, “melhorará”, “aprovará”.

Pessoas do Discurso
Os pronomes de tratamento “você(s)”, “senhor(a)” e “senhores(as)”, que fazem referência à 2ª pessoa, mas que se
manifestam, formalmente, na 3ª, conjugam-se nesta última. A tabela a seguir apresenta essa conjugação:

Transitividade verbal
A partir deste momento, vamos tratar de outra característica dos verbos: a
transitividade.

A transitividade indica se o verbo necessita ou não de complemento. O


significado do verbo pode precisar ser completado por uma estrutura, ou
seja, transitar até seu complemento. Quer ver um exemplo? Veja a seguir:
Você pode não conhecer o nome técnico do fenômeno linguístico que envolve o caso apresentado, mas, provavelmente,
você sabe que “quem precisa” precisa DE ALGO. Essa noção já faz parte de nosso conhecimento enciclopédico sobre a
Língua Portuguesa. Por isso, se tal verbo não for acrescido de uma sequência de ideias que torne seu significado completo,
não o entenderemos por si só.
Você observou que, na história, Paulo disse a João que comprou “um carro”?

Assim como PRECISAR, o verbo COMPRAR também exige complemento. A diferença entre eles baseia-se


no fato de que COMPRAR não exige complemento preposicionado, mas PRECISAR requer o uso da preposição. Por
isso, esse verbo é transitivo indireto – classificação sobre a qual discutiremos adiante.
Na verdade, usamos as preposições o tempo todo – como você pode observar nos diálogos abaixo –, mas não
nos damos conta disso. A preposição é a palavra que tem a função de relacionar termos ou orações.

Quanto à transitividade, os verbos podem ser:

Regência verbal
Em uma visão bem tradicional, a regência verbal é o estudo da relação de dependência entre os verbos e seus complementos.
Lidamos o tempo todo com verbos que precisam ou não de complemento: é tão normal que não nos damos conta disso.
Agora, parando para refletir, você já pensou que usar ou não uma preposição pode alterar o significado de um verbo?  Por
exemplo, considere que um juiz diga as frases a seguir:

Eu assisto
o jogo.
Nesta frase, temos o sentido de “prestar assistência, ajudar, socorrer”: usa-se sem preposição.
Eu assisto
ao jogo.
Já nesta, temos o sentido de “ver, presenciar” e, nesse caso, a preposição é obrigatória.''

Observe os significados do verbo assistir em relação a sua regência:

Atividade
4. (Conc. Escrivão de Polícia) Assinale a alternativa em que o significado do verbo apontado entre parênteses
NÃO corresponde à sua regência:

a) Com sua postura séria, o diretor assistia todos os funcionários dos departamentos da empresa. (ajudar)

b) No grande auditório, o público assistiu às apresentações da Orquestra Experimental. (ver)

c) Esta é uma medida que assiste aos moradores da Vila Olímpia. (caber)

d) Estudantes brasileiros assistem na Europa durante um ano. (observar)

GABARITO
Resposta correta: alternativa d
Letra (a). O verbo ASSISTIR é transitivo direto, ou seja, possui complemento
sem preposição quando significa 'prestar assistência' ou  'ajudar.

Letra (b). O verbo ASSISTIR é transitivo indireto com o significado de


presenciar, ver.

Letra (c). O verbo ASSISTIR é transitivo indireto, ou seja, possui complemento


com preposição quando significa' caber'.

Letra (d). O verbo ASSISTIR é intransitivo com o significado de morar, residir


('na Europa' é adjunto adverbial de lugar). Assim, seguindo o que se prescreve
deveríamos ter como significado MORAR.

ui, há o uso de:

NA = preposição EM + artigo A
Embora vejamos a preposição “em” regendo o verbo “pisar”, sob o olhar
normativo, existe um problema na sentença. A prescrição indica que o
adequado seria:

Não pise a grama.


Tim Maia canta:

[...] Pensei até em me mudar, lugar qualquer que não


exista o pensamento em você [...]
Mas a norma prescreve “lugar qualquer em que não exista”.
E nas campanhas publicitárias? Veja o que aconteceu na campanha da
Mercedes Benz de 2011:

A propaganda destaca:

Mercedes-Benz: A marca que todo mundo confia.


No entanto, o verbo “confiar” é regido pela preposição EM. Logo, a frase
deveria ser escrita desta forma:
Mercedes-Benz: A marca EM que todo mundo confia.
O verbo “lembrar” possui duas regências. Sendo assim, ele pode ser:
• Transitivo direto – lembrar algo;
• Transitivo indireto – lembrar-se de algo.
Nesta tirinha, há um problema quanto à colocação pronominal. Vejamos:

• “Se lembra de” → linguagem coloquial;


• “Lembra-se de” → norma-padrão prescrita pela gramática.

Embora isso aconteça, a regência do verbo está correta, pois, em sua fala, a
esposa usa a preposição “de” associada à partícula “se”.

Assim como o verbo “lembrar”, o verbo “esquecer” possui duas regências.


Sendo assim, ele pode ser:
• Transitivo direto – esquecer algo;
• Transitivo indireto – esquecer-se de algo.
Nesta tirinha, a regência do verbo está incorreta, pois a menina usa a
preposição “de” SEM a partícula “se”. A prescrição indica que o correto é:

Minha mãe se esqueceu de comprar seu presente...


O verbo “preferir” tem o sentido de “escolher” e possui dois objetos. São eles:
 Objeto direto, sem preposição – aquilo que escolhemos;
 Objeto indireto, com preposição “a” – aquilo que deixamos em segundo
plano.
Nesta tirinha, então, a sentença deveria ter sido redigida da seguinte forma:

Eu prefiro pizza a cachorro quente.


6. (FGV – SP) Assinale a alternativa em que há ERRO de regência verbal:

Os padres das capelas que mais dependiam do dinheiro desfizeram-se em elogios à garota.

As admoestações que insisti em fazer ao rábula acabaram por não produzir efeito algum.

Nem sempre, o imigrante, em cujas faces se refletia a angústia que lhe ia na alma, tinha como resolver a situação.

Era uma noite calma que as pessoas gostavam, nem fria nem quente demais.

Nem sempre, o migrante, cujas faces refletiam a angústia que lhe ia na alma, tinha como resolver a situação.

GABARITO
O verbo GOSTAR é regido pela preposição DE. Embora o apagamento da preposição nesse tipo de oração aconteça com
frequência na fala de indivíduos considerados cultos, a gramática normativa nos prescreve o uso da preposição DE:
Era uma noite calma DE que as pessoas gostavam, nem fria nem quente demais.

Há, ainda, uma terceira possibilidade, considerada como forma marcada por ser utilizada por indivíduos de menor
escolaridade:

Era uma noite calma que as pessoas gostavam DELA, nem fria nem quente demais.

7. (UFSCar - SP) Assinale a alternativa CORRETA quanto à regência verbal:

a) A peça que assistimos foi muito boa.

b) Estes são os livros que precisamos.

c) Esse foi um ponto que todos se esqueceram.

d) Guimarães Rosa é o escritor que mais aprecio.

e) O ideal que aspiramos é conhecido por todos.

GABARITO
a) A peça a que assistimos foi muito boa.(O verbo “assistir” é regido pela preposição “a”.)

b) Estes são os livros de que precisamos.(O verbo “precisar” é regido pela preposição “de”.)

c) Esse foi um ponto de que todos se esqueceram.(O verbo “esquecer”, quando pronominal, é regido por preposição.)

d) O verbo “apreciar” é transitivo direto. Logo, não é regido por preposição.

e) O ideal a que aspiramos é conhecido por todos. O verbo “aspirar” é regido pela preposição “a”.

Regência nominal
Assim como acontece com os verbos, os nomes também podem ser transitivos, ou seja, podem necessitar de complementos
para que apresentem significação completa.

Observe a transitividade dos nomes a seguir:

Uso das preposições: casos especiais


Em SILVA (2003), há diversos casos interessantes acerca do uso das preposições. Escolhemos apenas alguns para discutir
nesta aula.

Conheça alguns desses casos especiais do uso das preposições.


 1. A EXPRESSÃO CORRETA É EM NÍVEL
Exemplo: Essa questão será resolvida  em nível federal.
Lembramos que a expressão “a nível de” é um modismo a ser  evitado.
 2. DELE OU DE ELE?

O segredo é o verbo no INFINITIVO. Só podemos usar DE ELE quando houver esse verbo.
Exemplo: Fizemos a surpresa antes  de ele chegar ao curso.
Essa regra também se aplica em outros casos, tais como:

PREPOSIÇÃO + ARTIGO:
Exemplo: As contratações cessaram depois  de a polícia ter descoberto todo o golpe.
PREPOSIÇÃO + PRONOME DEMONSTRATIVO:
Exemplo: O médico comprou o equipamento, apesar  de essa empresa não garantir a troca.
 3. A FORMA PRESCRITA É TEM DE.
Embora o uso da forma “tem que” esteja consagrado e muitos autores considerem as duas formas aceitáveis,
devemos utilizar, preferencialmente, a forma “tem de”.

Exemplo: A família  tem de pagar todas as dívidas.


 4. PARA MIM OU PARA EU?
Devemos observar que:

a) “Eu” é um pronome pessoal do caso reto e exerce a função de sujeito;

b) “Mim” é um pronome pessoal oblíquo tônico, NUNCA exerce a função de sujeito e, obrigatoriamente, deve ser
a
usado com preposição: “  mim”, “ de mim”, “entre mim”, “para mim”, “por mim” etc.
Exemplos
Ana trouxe o livro PARA EU ler. (= sujeito)
Ana trouxe o livro para MIM. (= não é sujeito)

No primeiro caso, há duas orações:

“Ana trouxe o livro” = oração principal


“para EU ler” = oração reduzida de infinitivo (= para que eu lesse)

Nesse caso, devemos usar o pronome pessoal do caso reto (EU), porque este exerce a função de sujeito do verbo
infinitivo (LER).

Em síntese, a diferença entre PARA MIM e PARA EU está na presença ou não de um verbo (sempre no infinitivo)
após o pronome.

Portanto, sempre que houver um verbo no infinitivo, devemos usar os pronomes pessoais retos. Isso ocorrerá com
qualquer preposição.

Exemplos

Minha irmã saiu da festa antes  DE MIM.


Ela voltou para o escritório antes DE EU chegar.
Nossos professores fizeram isso POR MIM.
Mariana fez isso POR EU estar cansada.

Observe, no entanto, a mudança no significado trazida pelo uso da vírgula:

PARA EU sair de casa, foi preciso organizar minhas finanças.


PARA MIM, vender meu primeiro imóvel foi uma grande conquista.
Na primeira frase, o pronome pessoal reto (EU) é o sujeito do infinitivo (SAIR).

Já na segunda frase, a vírgula indica que PARA MIM está deslocado. Nesse caso, devemos usar o pronome oblíquo
(MIM), pois este não é o sujeito do verbo VENDER.

 5. NÃO HÁ NADA ENTRE EU E VOCÊ OU


ENTRE MIM E VOCÊ?
Como explicamos anteriormente, “Eu” é pronome pessoal do caso reto e só pode ser usado na função de sujeito:

Com verbo no infinitivo – Não há nada ENTRE EU sair e você ficar em casa;


Sem verbo no infinitivo – Não há nada ENTRE MIM E VOCÊ.

 6. A QUEM
Quando o substantivo que antecede o pronome relativo é pessoa, podemos usar o pronome “quem”.

Exemplo: Aquele é o professor  A QUEM enviei o trabalho.


 7. DE QUE, DE QUEM OU DO QUAL?
Estes são os processos DE QUE  (ou  DOS QUAIS) o escritório dispõe.
(= o escritório dispõe DOS PROCESSOS)
Estes são os advogados  DE QUEM DOS QUAIS o escritório dispõe.
 ou 
(= a empresa dispõe DOS ADVOGADOS)
ATENÇÃO!
O pronome relativo QUAL deve ser usado sempre que vier antecedido de preposição que não seja monossílaba
(“após”, “contra”, “desde”, “entre”, “para”, “perante”, “sobre” etc.).

Exemplos

SOBRE O QUAL falei ontem.


Este é o livro 
Esta é a ocasião PARA A QUAL eles se prepararam tanto.

 8. CUJO
O pronome relativo “cujo” deve ser usado sempre que houver ideia de posse.

Exemplos:

DE CUJO
Ali está o cozinheiro   bolo ninguém  gostou.
A preposição “de” é exigência do verbo “gostar”.
vEste é o autor  A CUJA  obra eu me referi.
A preposição “a” é regida pelo verbo “referir”.
Aquele é o filósofo COM CUJAS  ideias eu não  concordo.
A preposição “com” é regida pelo verbo “concordar”.
Veja a revista  EM CUJAS  páginas li sobre aquela nova dieta.
(= eu li sobre aquela nova dieta NAS PÁGINAS)
CUJA
Encontrei na livraria o romancista   obra foi premiada.
(= A OBRA foi premiada -> sem preposição)
ATENÇÃO!
Não usamos artigo definido entre o pronome “cujo” e o substantivo.
Exemplo: Na próxima rua, temos a universidade CUJO aluno inventou o novo chip.

 9. PRONOMES RELATIVOS
Os pronomes relativos aparecem precedidos de preposição quando os verbos que acompanham são regidos por
preposições.

Exemplos
Compro sempre naquela loja os doces  DE QUE eu gosto tanto.
O mecânico  A QUEM eu chamei mais cedo já chegou.
Dr. Jorge é o médico EM QUEM meus avós tanto confiam.

 10. PRONOME QUE


O pronome “que” pode aparecer:

Com ou sem preposição – quando substituir coisa;

Sem preposição – quando substituir pessoa (equivale a QUEM);

Exemplos
Os refrigerantes QUE compramos acabaram rápido.
Os refrigerantes DE QUE precisávamos para a festa não chegaram.
As senhoras QUE cumprimentamos eram muito simpáticas.
As senhoras A QUEM convidamos para a festa não vieram.

Língua Portuguesa / Aula 3 – Concordância

Mas o que é concordância?


Segue anexa as atas de registro de preço.
GABARITO
Seguem anexas as atas de registro de preço.

Todas as decisões tratadas na reunião e assinadas pelo chefe foi


seguido.
GABARITO
Todas as decisões tratadas na reunião e assinadas pelo chefe foram
seguidas.

Um pouco de teoria

A Língua Portuguesa é bastante flexível no que diz respeito à posição


dos elementos na frase. Observe os seguintes exemplos:

A) As duas alunas inteligentes já começaram a estudar para a prova de


amanhã.

B) Já começaram a estudar para a prova de amanhã as duas alunas


inteligentes.

C) Para a prova de amanhã, já começaram a estudar as duas alunas


inteligentes.

No exemplo (a), a frase está na ordem direta, ou seja, na ordem padrão


da língua
Parece que não existe mais pessoas interessadas neste
assunto.
Esse tipo de erro, geralmente, devido à inversão dos elementos na frase, como
vemos em:

Não veio à aula de matemática do turno da manhã ontem


os nossos melhores alunos.
colocando a frase na ordem direta. Isso é importante para verificar a
concordância do VERBO com o SUJEITO.
No caso dos exemplos em questão, o correto seria:

Parece que mais pessoas interessadas neste assunto


não existem.
Não vieram à aula de matemática do turno da manhã
ontem os nossos melhores alunos.
Não quer dizer que a ordem inversa não deva ser usada,
mas, se você a escolher, poderá correr o risco de se
enganar quanto à concordância.
Ao menos na hora da revisão, procure utilizar a ordem
direta.

 Para testar seus conhecimentos e verificar se entendeu a diferença entre ordem direta e inversa da língua,
coloque as frases a seguir na ordem direta, ajustando a concordância, quando necessário:

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante.

GABARITO
As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um
povo heroico.

Os dois irmãos, na hora do jantar, sem o menor constrangimento, comeu


antes de lavar as mãos.

GABARITO
Os dois irmãos comeram antes de lavar as mãos na hora do jantar, sem
o menor constrangimento.

úvidas frequentes de concordância verbal


Para evitar equívocos de concordância verbal, existe uma regra geral que deve
ser sempre considerada:

O verbo concorda com o núcleo do


sujeito a que se refere em número –
singular ou plural – e em pessoa – 1ª, 2ª
ou 3ª.
Palavra principal que compõe o sujeito da oração – aquela que rege a
concordância. Geralmente, esse vocábulo é um substantivo, mas também pode
ser um pronome.

Veremos agora nove casos comuns apresentados por


Sautchuk (2011) de erros cometidos nesse sentido.

1) Sujeito colocado depois do verbo


Quando o sujeito aparece posposto ao verbo – isto é, depois dele –, costuma-se cometer o erro mencionado no início da aula.

2) Em frases em que o sujeito é muito extenso ou em


que o núcleo do sujeito está distante do verbo, também
se cometem alguns erros.
Você já deve ter percebido que, às vezes, o sujeito é tão longo que perdemos o
fio da meada não só quanto ao sentido da sentença como também quanto à
gramática.

3) Contaminação do verbo com a palavra mais


próxima, sem concordar com o núcleo do sujeito
de fato

4) Muito CUIDADO com a concordância que


envolve um pronome: O, OS, A, AS
Corrija as frases a seguir, quando necessário:

Foi ao cinema Luiza e suas primas.

GABARITO
Foram ao cinema Luiza e suas primas.

Nunca antes na história da humanidade, foi tão comentada as ideias desse autor.

GABARITO
Nunca antes na história da humanidade, foram tão comentadas as ideias desse autor.

O problema apontado pelas pessoas em todas as reuniões foram resolvidos imediatamente.

O problema apontado pelas pessoas em todas as reuniões foi resolvido imediatamente.

5) Núcleos ligados pela conjunção OU


Quando aparecem nas sentenças núcleos ligados pela conjunção “ou”, devemos considerar duas situações – aquelas em que:
6- Uso de expressões específicas
Vamos, agora, aos casos de concordância a partir de usos de expressões
específicas. São elas:

Corrija as frases a seguir, quando necessário:

A maioria dos entrevistados reprovam a administração municipal.

ABARITO
A frase está correta. Há duas possibilidades de escrevê-la: A maioria dos entrevistados reprova/reprovam a
administração municipal.

Ou você ou eu teremos de resolver o problema.

GABARITO
A frase está correta, se a ideia é de inclusão. Mas, se for de exclusão, o verbo ficará no singular: Ou você ou eu terá de
resolver o problema.

Mais de um aluno tiraram boa nota.

GABARITO
A frase está incorreta. O correto é: Mais de um aluno tirou boa nota.

O professor foi um dos que não aprovou aquele aluno.

ABARITO
A frase está correta. Há duas possibilidades de escrevê-la: O professor foi um dos que
não aprovou/aprovaram aquele aluno.
7) Pronomes relativos QUE e QUEM
Veja, agora, como ocorre a concordância quando o sujeito é formado pelos seguintes pronomes relativos:

8) Verbos impessoais
Alguns casos de concordância com verbos impessoais são alvo de dúvidas por
parte de muitos brasileiros. Aqueles que não podem ser flexionados em outras
pessoas, mas sempre permanecem na 3ª pessoa do singular, pois não
possuem sujeito. Você conhece esses verbos?

São eles:

HAVER - Este verbo não varia quanto apresenta os seguintes sentidos:

“Tempo decorrido”
Exemplos
Não nos vemos há muito tempo.
Havia cinco anos que planejávamos essa viagem.
Não os vejo há três meses.

“Existir”
Exemplos
Havia 10 alunos na sala.
FAZER - Este verbo não varia quando indica tempo.

Exemplos
Faz muitos anos que não nos vemos.
Faz dois anos que viajamos à Espanha.

CHOVER, GEAR –

Estes verbos, que indicam fenômenos da natureza, não variam e formam


orações sem sujeito.

Exemplos
Chove muito lá fora.
Chovia muito quando chegamos ao aeroporto.
ATENÇÃO!

Quando usados em sentido figurado, os verbos que exprimem fenômenos


da natureza DEIXAM de ser impessoais.

Exemplos: Choviam lágrimas de seus olhos. (Sentido metafórico)


9) Partícula SE
Veja, agora, como ocorre a concordância de verbos acompanhados da partícula SE:

Partícula apassivadora SE

Neste caso (SE + VERBO TRANSITIVO DIRETO), o verbo normalmente concorda com o sujeito,
porque a partícula SE torna a frase passiva, ou seja, o sujeito é quem sofre a ação do verbo.
Exemplos
Vende-se casa nova. - Casa nova é vendida.
Vendem-se casas novas. - Casas novas são vendidas.

 o verbo “fazer” deveria concordar com o sujeito da frase (“hospitais”). O


correto é:

Não se fazem hospitais com Copa do Mundo.


Hospitais não são feitos com Copa do Mundo.
Índice de indeterminação do sujeito
A partícula SE tem a função de indeterminar o sujeito da oração quando
aparece acompanhada dos seguintes verbos:

 Corrija as frases a seguir, quando necessário:

Aluga-se apartamento.

GABARITO
A frase está correta. Se o sujeito fosse “apartamentos”, o verbo ficaria no plural: Alugam-se apartamentos.

Nesta competição, não existe titulares ou reservas.

GABARITO
A frase está incorreta. O correto é: Nesta competição, não existem titulares ou reservas.

Já faziam anos que não nos víamos.

GABARITO
A frase está incorreta. O correto é: Já fazia anos que não nos víamos.

10) Verbo SER


Seguindo a relação sintática que se estabelece entre o sujeito e o verbo, o mais comum é que o verbo SER concorde com o
sujeito.

Exemplos
Ele era muito feliz.
Eles eram muito felizes.
No entanto, esse verbo adéqua-se à flexão do predicativo quando:
Quando usamos um verbo de ligação, completamos o sentido da frase com um
predicativo do sujeito, como em:

A menina é/anda/permanece triste.

A palavra “triste” completa o sentido do sujeito “A menina”, e o verbo de ligação


funciona como uma ponte de sentido entre o sujeito e sua característica: o
predicativo, que, na maioria das vezes, é um adjetivo.

De acordo com Sautchuk (2011, p. 221), um texto sem concordância


nominal pode impressionar, de forma negativa, o leitor ou ouvinte. Vamos
analisar, agora, algumas dúvidas frequentes no que diz respeito a esse
tipo de concordância.

egras especiais
Além do princípio básico apresentado anteriormente quanto à concordância nominal, temos de considerar algumas regras
especiais importantes em nosso dia a dia, que envolvem o uso dos seguintes termos:

ANEXO, APENSO, INCLUSO,


JUNTO, SEPARADO

Todas estas palavras são adjetivos e concordam em gênero e número com o


substantivo ao qual se referem.

Exemplos

Seguem anexas às cartas as contas de telefone.


Anexo ao e-mail coloquei o arquivo de que você precisava.
Está incluso ao processo seu pedido.
Elas estão separadas há muito tempo.
As planilhas de custo estão apensas aos documentos.

A expressão EM ANEXO é invariável


Para saber mais sobre esse uso, leia os seguintes textos:

Em anexo, anexo ou anexa: qual é o certo?;


Anexo, em anexo ou no anexo? É só escolher.

É BOM, É NECESSÁRIO, É PROIBIDO

Estas expressões concordarão, obrigatoriamente, com o substantivo a que se


referem quando este for precedido de artigo. Caso contrário, elas serão
invariáveis.

Exemplos

É necessário ter paciência.
A paciência é necessária ao homem.

Analise, agora, as frases a seguir retiradas de placas que podem ser encontradas,
facilmente, pelas ruas:

O que há de errado com elas?


Reflita um pouco antes de saber a resposta...

Em ambos os casos, há erro de concordância nominal, enfatizado pelo uso do


artigo definido “a”. O correto, então, seria:

Proibida a entrada de pessoas não autorizadas.


Proibida a entrada de pessoas estranhas nesta área.
O(S) MAIS POSSÍVEL(IS) e
O(S) MENOS POSSÍVEL(IS)

Quando empregar uma destas formas, basta ficar atento ao artigo:

Se ele estiver no singular, o adjetivo “possível” também ficará no singular;


Se ele estiver no plural, o adjetivo “possível” também ficará no plural.

Exemplos

Deixou o filho o mais pobre possível.


Deixou os parentes os mais pobres possíveis.

MESMO

Depois de um pronome reto


Neste caso, a palavra concorda com o pronome ou com a pessoa a quem se
refere, reforçando a expressão.

Exemplos

Ela mesma disse isso.
Eles mesmos fizeram a pesquisa.

= DE FATO ou REALMENTE
Neste caso, a palavra NÃO varia.

Exemplos

Ela disse isso mesmo? Ela disse isso de fato?


Eles fizeram mesmo a pesquisa.
Eles fizeram realmente a pesquisa.

O(S) MESMO(S), A(S) MESMA(S)


NÃO use estas expressões para substituir pronome ou substantivo!
Exemplos

O professor preparou a prova, e “o mesmo” vai aplicá-la.

Correção: O professor preparou a prova, e ele mesmo vai aplicá-la.

Para testar seus conhecimentos quanto ao que estudamos sobre concordância,


faça os exercícios a seguir propostos por Sautchuk (2011, p. 220-221).

Corrija os erros de concordância:

Supõe-se que, com a presença do bombeiro, as pessoas fiquem mais seguras


e aguardem, com tranquilidade, que eles a ajudem.

GABARITO
Supõe-se que, com a presença do bombeiro, as pessoas fiquem mais seguras e aguardem, com tranquilidade, que
eles as ajudem. (“pessoas” - “as”)

Sua justificativa a respeito dos elevados preços se baseiam na alta do dólar. Então, solicitamos que nos seja fornecido uma
relação com itens que estejam mais em conta.

GABARITO
Sua justificativa a respeito dos elevados preços se baseia na alta do dólar. Então, solicitamos que nos
seja fornecida uma relação com itens que estejam mais em conta. (Sujeito = “Sua justificativa” - verbo no singular;
“uma relação” - “fornecida”)

Foi solicitado junto à gerente de vendas a substituição das cortinas do escritório.

GABARITO
Foi solicitada junto à gerente de vendas a substituição das cortinas do escritório. (O que “foi solicitado”? Resposta: “a
substituição” - concordância no feminino: “solicitada”)

Por vezes, o inconformismo de pacientes ou de familiares levam a atitudes menos cordiais para com os médicos.

GABARITO
Por vezes, o inconformismo de pacientes ou de familiares leva a
atitudes menos cordiais para com os médicos. (Sujeito = “o
inconformismo de pacientes ou de familiares” - verbo no singular)
a) Os professores precisam voltar a ocupar lugar de destaque na
sociedade, pois são aqueles que realmente a constroem.
Sujeito = “Os professores”
b) Seu avô os ama.
Sujeito = “Seu avô”

c) São roupas velhas que não têm mais valor para quem as compra.
Sujeito = “quem”
d) Todas aquelas pessoas o perseguiam pela rua abaixo.
Sujeito = “Todas aquelas pessoas”
AULA 4 - Aula 4 - Alguns sinais de pontuação: O uso da vírgula

Chamado de fóssil vivo, [o] animal é um dos


mamíferos mais antigos da Terra.
Como houve uma quebra do padrão frasal  (S + V + O) , podemos pontuar a frase dessa maneira.
Observe, agora, nos exemplos fornecidos por Silva (2012a), a importância da vírgula e a relação de seu uso com o padrão
frasal:

1 - O presidente compareceu à reunião, acompanhado


da secretária, do diretor e do coordenador.

Nesse caso, o presidente foi à reunião com três pessoas.

2 - O presidente compareceu à reunião, acompanhado


da secretária do diretor e do coordenador.

Já nesse caso, o presidente foi à reunião só com duas pessoas: a secretária do


diretor
e o coordenador. O diretor não foi, e a secretária não é funcionária do presidente.

De uma forma simples, você já aprendeu, portanto,


quando não deve e quando deve usar a vírgula.
Vamos, então, fazer uma atividade?
Atividade
1 - Veja se você consegue adivinhar “A charada das três irmãs” no poema a seguir:
Se consultar a razão
digo que amo SOLEDADE
Não Lia cuja bondade
ser humano não teria
Não aspiro à mão de Iria
que não tem pouca beldade
Como você percebeu, o texto poético não foi pontuado propositalmente. Essa será sua tarefa! Afinal, de acordo com a
pontuação, o eu lírico, indeciso, pode amar de quatro maneiras diferentes.

Como essa é uma marca do texto escrito, não se esqueça de que se relaciona a aspectos sintáticos e, portanto, ao padrão
frasal.

Tente, então, pontuar o poema de modo que o eu lírico:

a) Confesse seu amor por Soledade.


b) Confesse seu amor por Iria.
c) Confesse seu amor por Lia.
d) Hesite entre as três irmãs.

ABARITO
a) Se consultar a razão,
digo que amo SOLEDADE.
Não Lia, cuja bondade
ser humano não teria.
Não aspiro à mão de Iria,
que não tem pouca beldade.
b) Se consultar a razão,
digo que amo Soledade?
Não! Lia, cuja bondade
ser humano não teria?
Não! Aspiro à mão de IRIA,
que não tem pouca beldade.
c) Se consultar a razão,
digo que amo Soledade?
Não! LIA, cuja bondade
ser humano não teria.
Não aspiro à mão de Iria,
que não tem pouca beldade.
d) Se consultar a razão,
digo que amo Soledade?
Não! LIA, cuja bondade
ser humano não teria.
Não aspiro à mão de Iria,
que não tem pouca beldade.

Usos da vírgula
Veja, agora, alguns casos em que devemos usar a vírgula:
 ENUMERAÇÕES
Analise o exemplo a seguir:

Cléo Pires, Fábio Jr. e mais aparecem em 1º trailer


de ‘Qualquer gato vira-lata 2’

Você sabe por que há vírgula entre “Cléo Pires” e “Fábio Júnior”?
Simples: porque sempre devemos usá-la para separar elementos listados.

Fonte: https://goo.gl/7gaxZi. Acesso em: 24 jun. 2015. Terra//Jornal do Brasil.

 APOSTOS EXPLICATIVOS
A vírgula deve ser usada para separar explicações que estão no meio da frase – aquelas que interrompem o
pensamento, chamadas de apostos explicativos (termos ou expressões que se referem a um substantivo para ampliar
seu significado. Esse tipo de aposto pode ser retirado da frase sem causar prejuízo a sua significação como um
todo).

O trecho a seguir, retirado de uma notícia, apresenta exemplos dessa particularidade da língua:

A nova princesa da Inglaterra, filha da duquesa de


Cambridge, Kate Middleton, e do príncipe
William, nasceu às 8h 34m deste sábado (2) em
Londres (4h 34m) de Brasília, segundo o Palácio de
Kensington, sua residência oficial. A menina e a
mãe passam bem

Nesse caso, os apostos explicativos – “filha da Duquesa de Cambridge’” e “Kate Middleton” – devem ficar entre
vírgulas.

Fonte: https://goo.gl/j88GU0. Acesso em: 24 jun. 2015.

 ADJUNTO ADVERBIAL ANTECIPADO
A vírgula deve ser usada para separar o lugar, o tempo ou o modo que vier no início da frase – aquilo a que
chamamos de adjunto adverbial antecipado, como mostra o exemplo a seguir:
De janeiro a abril deste ano, foram 286 mil casos
confirmados e 74 mortes.TO, PE, AL, SE, BA, RR
e MT tiveram alta em total de casos, diz governo.
Fonte: https://goo.gl/BKfgA1. Acesso em: 24 jun. 2015.

 VOCATIVO E ANACOLUTO
Como tratamos do padrão frasal, aproveite a dica: se há vocativo na sentença, devemos usar a vírgula. O mesmo
vale para os anacolutos (figuras de linguagem que representam quebras de padrão frasal.  Exemplo: Saúde,
quem não precisa dela?).

O primeiro balão do diálogo apresenta um exemplo de vocativo. Veja:

Observe, agora, a importância da vírgula nos dois exemplos a seguir fornecidos por Silva (2012b):

 INCISOS EXPLICATIVOS, RETIFICATIVOS


OU CONTINUATIVOS
Analise o exemplo a seguir:

Em 1943, já eram 36 os navios mercantes


brasileiros afundados por submarinos alemães
perto da costa catarinense durante a Segunda
Guerra Mundial. Aliás, um desses submarinos, o
U-513, foi recentemente localizado pelo velejador
Vilfredo Schurmann.

Como explicar o uso da vírgula em: “Aliás, um desses submarinos [...]”? Esse emprego se justifica porque a vírgula
separa incisos explicativos, retificativos ou continuativos. São alguns deles: ou melhor, isto é, a saber, ou antes,
digo, por assim dizer, por isso, além disso.

Fonte: https://goo.gl/h5EO5Y. Acesso em: 24 jun. 2015.

 SUPRESSÃO DO VERBO
A vírgula também pode ser usada para marcar a supressão do verbo.

Exemplos:
Você traz o café e eu, o pão. (trago)
Ele não nos entende nem nós, a ele. (entendemos)

 ISOLAMENTO DE DATAS
A vírgula deve ser usada para separar o nome da localidade nas datas, como mostra o exemplo a seguir:

Após o tumulto causado pela paralisação por duas


horas das linhas 1 e 2 do Metrô, nesta terça-feira,
(23/07/2014), o presidente da Rio Eventos, da
Prefeitura do Rio, Leonardo Maciel, declarou ao
Bom Dia Rio desta quarta-feira, que a quebra do
metrô causa um impacto ruim na cidade, no
entanto, “é uma limitação de infraestrutura que a
gente tem na cidade”.
Fonte: https://goo.gl/u7eBzD. Acesso em: 24 jun. 2015.

Período simples e composto

Agora, vamos aprender a empregar a vírgula a partir da classificação das


orações
(frases que possuem verbo).

Na Língua Portuguesa, existem orações mais simples e mais complexas.


Vejamos alguns exemplos:

Eu gosto de ler.
Período simples (um verbo)
Eu gosto de ler porque me ajuda a dormir.
Período composto (dois verbos)

Orações coordenadas
São aquelas sintaticamente equivalentes, que não mantêm, entre si, uma
relação gramatical.

Você percebeu que as orações não


dependem uma da outra para fazer
sentido?
A norma padrão da Língua Portuguesa classifica essas orações como orações
independentes ou coordenadas.

Há dois tipos de orações coordenadas, quais sejam:


Vejamos um exemplo:

A vírgula deve ser usada para separar as orações coordenadas assindéticas – como as destacadas na tirinha.

Atenção!
Há, ainda, a oração que chamamos de intercalada ou interferente – aquela que representa um comentário do autor do texto,
como podemos observar no exemplo a seguir, já apresentado anteriormente:

De janeiro a abril deste ano, foram 286 mil casos


confirmados e 74 mortes.TO, PE, AL, SE, BA, RR e
MT tiveram alta em total de casos, diz governo.

Essas orações independem da estrutura sintática do período.


Usamos vírgulas para separá-las, mas também é possível empregar o travessão
duplo.
as orações coordenadas sindéticas são aquelas que apresentam conjunção.
Entre outras classificações, elas podem ser:

Adversativas
Atente para o uso da vírgula no seguinte trecho:
Compro muitos livros pela internet, mas nada substitui
a livraria, onde você pode procurar novidades nas
estantes, não nos “sites”, onde jazem escondidas em
profundos sepulcros.

Fonte: http://deonisio.blogspot.com.br. Acesso em: 24 jun. 2015.

Sempre usamos vírgulas antes de conjunções adversativas – mas, porém, contudo, todavia, entretanto. Se o trecho tivesse
sido redigido com a conjunção adversativa deslocada, a conjunção deveria aparecer entre vírgulas. Veja:

Compro muitos livros pela internet; nada substitui, no


entanto, livraria, onde pode procurar novidades nas
estantes, não nos “sites”, onde jazem escondidas em
profundos sepulcros.

Fonte: http://deonisio.blogspot.com.br.

Conclusivas
Sempre usamos vírgula antes de conjunções conclusivas – logo, portanto, por isso, por conseguinte. Veja um exemplo:

Ele estudou bastante, portanto será aprovado.


Além disso, a mesma regra anterior vale para a conjunção conclusiva deslocada, que deve aparecer entre vírgulas. Veja:

Ele estudou bastante, será, portanto, aprovado.

Atenção!
A conjunção POIS com valor conclusivo deve ficar entre vírgulas.
Exemplo:
Ele sempre se dedicou à empresa, será, pois, promovido.
(=portanto)
Já a conjunção POIS com valor explicativo ou causal pode ou não vir antecedida de vírgula.

Exemplo:
Ele deverá ser promovido, pois se dedica à empresa.
(=porque)
Vamos entender, adiante, como funciona o uso da vírgula quando
empregamos a conjunção E nas sentenças.
Conjunção E
Geralmente, não usamos vírgula com a conjunção E. No entanto, há algumas exceções. Como mostra Silva (2013), devemos
empregá-la:

Vamos, agora, às orações subordinadas.


Orações subordinadas adverbiais
As orações subordinadas adverbiais são aquelas que exercem a função de adjunto adverbial.
A vírgula PODE ser usada para separar a oração principal da subordinada adverbial – causal, concessiva, condicional, final,
temporal.

A  vírgula não seria necessária nesse caso se a ordem do período fosse a


seguinte:

O sonho do oprimido é ser o opressor quando a


educação não é libertadora.
Orações subordinadas adjetivas
As orações subordinadas adjetivas são aquelas que possuem valor e função de
adjetivo.

De acordo com a gramática normativa, na oração subordinada adjetiva:

Analise os exemplos fornecidos por Silva (2012b):


Os funcionários, que se dedicaram à empresa, devem
ganhar mais.
(Entre vírgulas → Oração explicativa = “Todos se dedicaram e serão aumentados”.)
Os funcionários que se dedicaram à empresa devem
ganhar mais.
(Sem vírgula → Oração restritiva = “Só os que se dedicaram devem ser aumentados”.)

Atividade
1 – Leia a frase a seguir:

Gostaríamos, filho amado, que você se comportasse melhor.


Nesse caso, podemos afirmar que as vírgulas:

a) Não deveriam ser utilizadas.

b) Isolam o aposto “filho amado”.

c) Isolam o vocativo “filho amado”.

d) Isolam um adjunto adverbial deslocado.


2 - Entre os períodos a seguir, assinale aquele que apresenta pontuação CORRETA:

a) Quando as crianças chegarem, a aula vai começar.

b) Quando as crianças chegarem a aula vai começar.

c) Quando as crianças chegarem a aula vai, começar.

d) Quando, as crianças, chegarem a aula vai começar.

1 – Leia o trecho a seguir:

Todo mundo precisa ler, mas os escritores devem ler. Sobretudo os livros certos.
Se um livro é muito chato, e você pena para ultrapassar o primeiro e o segundo
capítulo, deixe-o de lado e comece outro, sem a menor culpa. O enfretamento e a
absorção de um livro são coisas extremamente subjetivas.
Fonte: FERRAZ, G. G. As ligações de outros escritores. Revista Língua Portuguesa, n. 28, mar. 2008.

Nesse texto, o uso da vírgula isola:

a) Um vocativo.
b) Uma enumeração aberta.

c) Um adjetivo adverbial deslocado.

d) Uma oração coordenada adversativa

1 – Leia o trecho a seguir:

Essa admoestação, com poucas variações de estilo, infesta nossos edifícios. Se


chamassem um redator qualificado, as frases não destoariam tanto da clareza,
da concisão, da coesão, enfim, do modo mais bonito que o brasileiro tem para se
expressar. Não foi chamado porque, no Brasil, em que se tratando de inscrições
e avisos públicos, a Língua Portuguesa é sempre a primeira vítima.
Fonte: SILVA, Deonísio da. Antes de entrar no elevador. In:______. A língua nossa de cada dia. São Paulo: Novo Século,
2007. p .46.

O uso da expressão “no Brasil”, entre vírgulas, é justificado porque:

a) Isola palavras explicativas.

b) Ressalta a circunstância de lugar.

c) Separa termos de ordem inversa.

d) Indica a supressão de uma palavra.

Ponto e vírgula
Bechara (2000, p. 611) afirma que o ponto e vírgula serve de intermediário entre o ponto final e a vírgula.

“[...] representa uma pausa mais forte que


a vírgula e menos que o ponto”.
O emprego do ponto e vírgula depende do contexto, mas há algumas regras básicas para seu uso. Vejamos algumas delas
(MUNDO, 2007):
Neste caso, pode haver, antes do sujeito desse verbo, uma pausa representada pelo ponto e vírgula ou pelo ponto simples.

Exemplo: O general não temia o que lhe podia acontecer; os soldados, sempre. (temiam)

Quando optamos por colocar estes conectivos entre vírgulas – em posição não inicial na oração –, o ponto e vírgula é uma
ótima opção para marcar a pausa entre as orações.

Exemplo: Jonas tem muito dinheiro; não pode, porém, desfrutar suas vantagens.

Geralmente, observamos este caso em textos jurídicos – leis, artigos, decretos etc. – e em livros didáticos.
Usamos o ponto e vírgula principalmente se os elementos enumerados forem relativamente extensos e
numerosos. Veja o exemplo a seguir, em que cada elemento que faz parte da enumeração é um período
composto, ou seja, um período com mais de uma oração:

“Havia vários fatores que corroboravam sua personalidade violenta: morava


em uma região
muito violenta, na qual tiros e facadas eram algo comum; nunca
teve acesso à escola e à boa informação, por não desfrutar as
condições econômicas básicas para isso; era espancado pelo pai
quando tinha seis anos de idade; etc.”.

Aula 5 - Noções de Ortografia

Quando nos referimos à acentuação de uma palavra, significa que vamos


marcar determinada sílaba tônica com um acento – seja este agudo (´), seja
circunflexo (^). A sílaba tônica é aquela pronunciada com mais intensidade.

Mas, para entendermos um pouco as regras de acentuação, será necessário


verificarmos que, na Língua Portuguesa, há somente três posições para a
sílaba tônica.

São elas:

Última sílaba
café, papel, também;
Penúltima sílaba
janela, mesa, salário;
Antepenúltima sílaba
paralelepípedo, xícara, pássaro.

Na Língua Portuguesa, há regras simples de acentuação, que se baseiam na tonicidade das sílabas nas palavras. Vejamos
quais são essas regras de acordo com a posição da sílaba tônica nos vocábulos.

Antepenúltima sílaba
Todas as palavras cuja sílaba tônica é a antepenúltima são acentuadas.

Observe, no exemplo ao lado, que o autor da placa NÃO seguiu essa regra.

A palavra “única” é proparoxítona.


Por isso, leva acento.

Última sílaba
Quando a sílaba tônica for a última e a palavra terminar em -a, -e, -o e -em, seguidos ou não de -s, o vocábulo será
acentuado.

Exemplos:
cajá, café, cipó, também.
A menina da foto ao lado ficou famosa porque corrigiu um erro de acentuação no letreiro de entrada de sua cidade.

A sílaba tônica do substantivo “Guará” é a última. Como a palavra termina em -a, deve receber acento gráfico.

Atenção!
Leia a reportagem na íntegra: Pichação do bem – estudante corrige erro em letreiro de cidade no DF.

PenÚltima sílaba
Em português, o grupo de palavras cuja sílaba tônica é a penúltima é muito grande. Por isso, há muito mais regras para a
acentuação de paroxítonas.

Acentuamos aquelas que NÃO terminam em -a, -e, -o, -em e seus plurais – exatamente o oposto do que vimos
anteriormente.
Exemplos:
Sabia x sabiá;
Maio x maiô;
Atlas;
Atrás;
Xale;
Chalé;
Mentem;
Mantém.

Mas isso serve para todos os casos?


O vocábulo “gaúcho” não foi acentuado nessa placa, mas leva acento. Você sabe por quê? Apesar de ser uma palavra
paroxítona terminada em -o, esta é uma exceção da Língua Portuguesa: o “u” tônico forma um hiato e está sozinho na sílaba
(ga – ú – cho). Por isso, o termo requer acentuação.

As palavras paroxítonas cujas vogais tônicas “i” e “u” são precedidas de ditongo decrescente NÃO são acentuadas.

Exemplos: feiura, baiuca.


Já que quanto mais usamos uma palavra, mais dominamos sua grafia, vamos refletir um pouco a respeito dos usos da
língua. 

rase
Vamos tratar, agora, de um assunto que muito assombra aqueles que desejam
escrever adequadamente, de acordo com a norma padrão da Língua
Portuguesa: a crase (`).
Esse sinal é o resultado da união de duas vogais idênticas:

Prepopsição A mais artigo A

Tal união é marcada por aquilo que chamamos de acento grave – e não de
crase.

O uso do acento indicativo de crase é mais importante do que possa parecer,


pois nos auxilia na depreensão correta dos sentidos de uma frase.

Como você viu, usamos a crase antes de substantivo feminino e depois de


palavra que exige a preposição “a” em seu complemento.

Como saber se há preposição na frase

Substituindo o feminino pelo masculino. Se usar o ao, usa crase.

Veja, agora, alguns exemplos importantes quanto ao uso da crase apresentados por Piacentini (2014):

Anexar
Na segunda aula desta disciplina, você estudou a regência de alguns verbos e nomes.

Analise os exemplos a seguir com o verbo “anexar”:


Favor, anexar à folha o mapa estatístico.
Favor, anexar a folha ao mapa estatístico.
Esse verbo é bitransitivo e tem o sentido de “juntar, incorporar” um objeto ou alguém a outro.

Logo, necessita de um complemento direto (sem preposição) e um indireto (com preposição).

Na primeira frase, o mapa deve ser unido à folha. Já na segunda, solicita-se o oposto: a folha tem de fazer parte do mapa.

Sugerir
O verbo “sugerir” pode ter duas regências: sugerimos algo a alguém – com dois complementos (direto e indireto) – ou,
simplesmente, sugerimos algo. Analise os exemplos a seguir: 

Sugeriu à diretoria a concentração de esforços nas fábricas e no campo.


Sugeriu a diretoria que concentrássemos esforços nas fábricas e no campo.
Na primeira frase, a sugestão é dada à diretoria. Disso resulta o uso da crase. Lembra-se da regra de substituição da palavra
do gênero feminino para o masculino? Se mudarmos “diretoria” por “donos”, teremos: 

Sugeriu aos donos a concentração de esforços nas fábricas e no campo.


Nesse caso, há, portanto, acento indicativo de crase. Já na segunda frase, “a diretoria” é o sujeito da oração principal, e a
sugestão é dada por ela. Se colocarmos a frase na ordem direta, teremos:

A diretoria sugeriu que concentrássemos esforços nas fábricas e no campo.

Veja, agora, alguns exemplos importantes quanto ao uso da crase apresentados por Piacentini (2014):

Anexar
Na segunda aula desta disciplina, você estudou a regência de alguns verbos e nomes.

Analise os exemplos a seguir com o verbo “anexar”:

Favor, anexar à folha o mapa estatístico.


Favor, anexar a folha ao mapa estatístico.
Esse verbo é bitransitivo e tem o sentido de “juntar, incorporar” um objeto ou alguém a outro.

Logo, necessita de um complemento direto (sem preposição) e um indireto (com preposição).

Na primeira frase, o mapa deve ser unido à folha. Já na segunda, solicita-se o oposto: a folha tem de fazer parte do mapa.

Sugerir
O verbo “sugerir” pode ter duas regências: sugerimos algo a alguém – com dois complementos (direto e indireto) – ou,
simplesmente, sugerimos algo. Analise os exemplos a seguir: 
Sugeriu à diretoria a concentração de esforços nas fábricas e no campo.
Sugeriu a diretoria que concentrássemos esforços nas fábricas e no campo.
Na primeira frase, a sugestão é dada à diretoria. Disso resulta o uso da crase. Lembra-se da regra de substituição da palavra
do gênero feminino para o masculino? Se mudarmos “diretoria” por “donos”, teremos: 

Sugeriu aos donos a concentração de esforços nas fábricas e no campo.


Nesse caso, há, portanto, acento indicativo de crase. Já na segunda frase, “a diretoria” é o sujeito da oração principal, e a
sugestão é dada por ela. Se colocarmos a frase na ordem direta, teremos:

A diretoria sugeriu que concentrássemos esforços nas fábricas e no campo.

Assinale, entre as frases a seguir, aquelas cujo emprego do sinal indicativo de crase está CORRETO:

Devemos obedecer a sinalização.

Devemos obedecer à sinalização.

Devemos respeitar às pessoas mais velhas.

Devemos respeitar as pessoas mais velhas.

Vendeu à vista.

Vendeu a vista.

Eu vou à Brasília e a Bahia na semana que vem.

Eu vou a Brasília e à Bahia na semana que vem.

Ela se referiu à Claudia.

Ela se referiu a Claudia.

Ela se veste à moda de 1980.

Ela se veste a moda de 1980.


Ele saiu as 10h.

Ele saiu às 10h.

A reunião será das 14h às 17h.

A reunião será das 14h as 17h.

Internetês
Agora, vamos retomar um assunto sobre o qual discutimos, brevemente, na primeira aula: a linguagem
utilizada no ambiente virtual.
Todos nós sabemos que, hoje, a internet já se constitui como ferramenta indispensável em nossas vidas. Prova
disso é que, neste momento, você está cursando uma disciplina on-line, certo?

As novas necessidades comunicativas permitem a criação de gêneros textuais típicos da web – como, por
exemplo, o e-mail e o bate-papo. E, em muitos desses tipos de texto, é comum o uso de uma linguagem
peculiar: o internetês. Esse termo normalmente é utilizado para designar uma maneira de escrever pela
internet, usando abreviações que favorecem a economia linguística.
Em alguns momentos, as situações de comunicação em rede – que exigem uma troca
mais imediata – colaboram para a formação de um texto próximo da oralidade.

Entretanto, CUIDADO para não confundir os ambientes formais e informais! Na


internet, também há ocasiões em que precisamos usar a norma culta.
Certamente, ao comunicar-se com um diretor ou gerente de sua empresa por e-mail, por
exemplo, você não escreverá algo do tipo:. Koé, blz?
Como você já sabe:

É necessário adequar a língua a seu contexto


de uso!
O fato de o texto ser veiculado pela rede mundial de computadores não significa que,
em qualquer situação, podemos utilizar o internetês.

Precisamos conhecer bem a Língua Portuguesa, de modo que sejamos capazes de


empregá-la de forma adequada, a partir da formalidade ou informalidade. Veja, a seguir,
algumas dicas para não se equivocar quanto à ortografia.

Ortografia
Listamos, aqui, alguns termos e algumas expressões em português que muitos empregam de maneira equivocada. Veja como
é possível fugir de erros simples:

 POR ISSO
Esta locução explicativa deve SEMPRE ser grafada separadamente.

Exemplo: Fomos à festa.  Por isso, conseguimos comer o bolo.


 DE REPENTE
Esta expressão também deve SEMPRE ser grafada separadamente.

Exemplo: Chegamos cedo e,  de repente, apareceu o chefe.


 PORQUÊS
Existem vários porquês na Língua Portuguesa. Saiba em que casos devemos usar cada um deles:

POR QUE = pronome interrogativo no início da pergunta


Exemplo: Por que ela não veio à festa?
POR QUE = pelo(a) qual
Exemplo: A estrada por que passamos era escura e deserta.
POR QUÊ = pronome interrogativo no final da pergunta
Exemplo: Ela não veio à festa. Você sabe por quê?
PORQUE = pois
Exemplo: Ela não veio à festa, porque não tinha uma roupa adequada.
PORQUÊ (substantivo) = motivo, razão
Exemplo: O namorado de Maria sabe o porquê de tudo.

 EMINENTE X IMINENTE
Podemos diferenciar estas duas palavras a partir de seu significado. Observe:

EMINENTE = elevado, nobre


IMINENTE = próximo, imediato
Exemplos:
• O eminente líder apresentou suas ideias.
• Perigo iminente!

 MAS X MAIS
Podemos diferenciar estas duas palavras a partir de seu significado. Observe:

MAIS = ideia de quantidade


MAS = ideia de oposição (porém, contudo, entretanto, todavia)
Exemplo:
Você sempre gasta  mais do que deve, mas consegue juntar dinheiro mesmo assim.
 ASCENDER X ACENDER
Podemos diferenciar estas duas palavras a partir de seu significado. Observe:

ASCENDER = subir
ACENDER = pôr fogo, incendiar
Exemplos:
ascendeu a R$ 20 milhões.
• O débito da empresa 
• O mordomo acendeu a lareira para a madame.

 AFIM X A FIM
Podemos diferenciar estas duas palavras a partir de seu significado. Observe:

AFIM = semelhante
A FIM = finalidade
Exemplos:
• Os irmãos possuem temperamentos  afins.
• Estamos aqui, a fim de estudar.
Novo Acordo Ortográfico

Você sabe quais são as novas regras de


ortografia da Língua Portuguesa?
Essas regras estão presentes no Novo Acordo Ortográfico – fruto de um documento assinado por representantes dos
países falantes de português, com o intuito de unificar a ortografia da língua.

Os responsáveis por essa reforma pretendiam que pudéssemos construir um sistema ortográfico comum, mas não
houve alterações na gramática da língua.

Veja, na tabela, algumas mudanças originadas desse Novo Acordo.

Aula 6 - Frase, oração e parágrafo


Quando queremos comunicar nossas ideias, precisamos ser coerentes em
todos os ambientes – sejam estes formais ou não.

Imagine que você recebeu a seguinte mensagem pelo celular:

Já sabemos que usar as abreviações do internetês pode facilitar o envio da


mensagem.

Mas CUIDADO: em alguns casos, esse uso é capaz de prejudicar a


comunicação.

Cabe a nós identificarmos em que momento é possível nos valermos dessa


economia da linguagem. Afinal:

Haverá coerência se conseguirmos dar sentido ao texto – falado ou


escrito.

Agora que você já entendeu a noção de coerência,


vamos conversar, a seguir, sobre coesão.
Atenção
Veja alguns casos de incoerência:

Comprei um carro jovem. → “jovem” = adjetivo inadequado para o substantivo “carro”


Ela é viúva, mas o marido dela ainda não morreu. -> falta de conhecimento do significado da palavra “viúva”.

Coesão
Antes de começarmos nossa discussão sobre a noção de coesão (um fenômeno que acontece dentro do texto, pois envolve
processos que relacionam seus elementos e organizam a sequência textual – como vimos nessa notícia.), leia a reportagem:

Príncipe William, Kate e filhos deixam palácio e seguem


para casa de campo.
Você percebeu, através dos destaques em negrito no
texto da reportagem, as estratégias usadas pelo redator
para evitar repetições no texto?
ejamos alguns termos que substituíram palavras e expressões:

“Príncipe William e sua mulher”


→ “seus”, “casal”;
“Princesa Charlotte” → “que”,
“princesa”, “menina”, “sua”,
“nova princesa”, “criança”;
“Rainha Elizabeth II” → “que”.

Esses são os chamados mecanismos


coesivos.
Conheça, a seguir, os tipos de coesão.
Há dois tipos de coesão: a referencial e a sequencial.

Coesão referencial

Como vimos, a coesão referencial é utilizada quando retomamos aquilo de que falamos – o referente – através de
mecanismos gramaticais importantes.

Um deles é a omissão de palavras ou elipse. Veja o exemplo a seguir:

A menina saiu cedo de casa e (a menina) foi para o


trabalho.

Nesse caso, o sujeito “a menina” pode ser omitido na segunda oração.

Outro mecanismo de coesão referencial é a substituição de palavras, que pode ser feita através do uso de:

SINÔNIMOS
Os sinônimos são aquelas palavras que possuem significado semelhante ao de outros vocábulos e que
podem substituí-los sem prejuízo de sentido..

Exemplos
1. O automóvel estacionado na rampa para deficientes
deverá ser retirado. Caso contrário, o carro será
rebocado.
Nesse caso, o termo “automóvel” pode ser substituído por “carro” ou “veículo”.

A testemunha faltou com a verdade diante do juiz. (=


mentiu)
O Brasil sofre com a falta de água. (= crise hídrica)

Nesse caso, o uso do eufemismo (figura de linguagem que se caracteriza por


suavizar algumas expressões) em destaque é uma forma de sinonímia que nos
remete aos termos e às expressões entre parênteses.

Atenção

O fato de uma palavra ser sinônimo de outra não significa que possa
substituí-la em qualquer contexto. Veja um exemplo:

O menino é alto. ≠ O menino é elevado.


Nesse caso, os adjetivos “alto” e “elevado” não se equivalem, certo?

Veja alguns significados da palavra alto:

(latim altus, -a, -um) Adjetivo

1. 1. Que tem maior altura que a ordinária. ≠ BAIXO


2. 2. Elevado.
3. 3. Excessivo.
4. 4. Erguido.
5. 5. Adiantado, tardio (ex.: altas horas).
6. 6. Mais antigo. = REMOTO
7. 7. Situado mais ao norte (ex.: Beira Alta).
8. 8. Situado mais para o nascente (ex.: Alto Douro).
9. 9. [...]
EXPRESSÕES EQUIVALENTES
Como vimos no texto anterior sobre o príncipe William e sua família, para evitar a repetição de palavras,
podemos substituí-las por vocábulos ou expressões equivalentes.

 “O rei Roberto Carlos comemorou a chegada


dos seus 74 anos na noite deste sábado com um
show em São Paulo. O cantor, que faz
aniversário neste domingo, fez um concerto no
Allianz Parque, o estádio do Palmeiras, com
direito a bolo no palco e a queima de fogos. [...]”.
Fonte: O DIA Online. Publicação: 19 abr. 2015. Disponível em:
<http://odia.ig.com.br/diversao/celebridades/2015-04-19/roberto-carlos-comemora-aniversario-de-74-
anos-com-show.html> Acesso em: 1 jul. 2015.

 HIPÔNIMOS E HIPERÔNIMOS
hipônimos e hiperônimos estão relacionados aos significados das palavras.
Os 
HIPÔNIMOS: Do grego hyponymon: hypo = debaixo, inferior + onymon =
nome.
HIPERÔNIMOS: Do grego hyperonymon: hyper = acima, sobre
+ onymon = nome.

Veja o exemplo a seguir:

Aquele Chevette está estacionado na rampa para deficientes.


O carro será rebocado.

Nesse caso, “O carro” é hiperônimo de “Aquele Chevette”, porque a marca está dentro do grupo maior
de automóveis. “Aquele Chevette”, por sua vez, é hipônimo de “O carro”.

Sendo assim, temos:

Hiperônimos Hipônimos

gato, cachorro, boi,


ANIMAL urso

maçã, laranja,
FRUTA banana, uva

gripe, pneumonia,
DOENÇA dengue, sarampo

 PRONOMES

 Também podemos substituir as palavras por pronomes, como no exemplo a seguir:

O aluno ficou com dúvidas sobre o conceito.


Ele pediu uma nova explicação ao professor.
 NUMERAIS
Outro recurso utilizado para as substituições de vocábulos são os numerais. Veja o exemplo a seguir:
dois avisos:
O mural indica 
o primeiro refere-se à matrícula
O segundo, (refere-se) à formatura

Nesse caso, há, inclusive, coesão referencial por elipse da forma verbal “refere-se”. Você notou?

“Tenho uma grande amiga (1) chamada Ana. Ela (2) gosta muito de banana, maçã, laranja etc. Para comer banana, maçã e
laranja sempre fresquinhas, Ø (3) caminha duas vezes por semana até o mercado mais próximo. Quando vai lá, minha amiga
(1) aproveita e compra beterraba, cenoura e chuchu, porque Ø (3) gosta muito de beterraba, cenoura e chuchu”.

(1) = Substituição por expressão equivalente


(2) = Substituição por uso de pronome
(3) = Elipse

b) Reescreva o trecho utilizando hiperônimos.

GABARITO
“Tenho uma grande amiga chamada Ana. Ela gosta muito de banana,
maçã, laranja etc. Para comer essas frutas sempre fresquinhas, caminha
duas vezes por semana até o mercado mais próximo. Quando vai lá,
minha amiga aproveita e compra beterraba, cenoura e chuchu, porque
gosta muito de legumes”.

Leia o parágrafo a seguir e reescreva-o utilizando mecanismos de coesão


referencial por substituição:

“Hoje em dia, o número de crianças que usa


computadores, tablets e celulares é enorme.
Computadores, tablets e celulares ficam mais baratos a
cada dia, o que amplia o acesso a computadores, tablets
e celulares”.

GABARITO
“Hoje em dia, o número de pessoas que usa computadores, tablets e celulares é enorme. Esses eletrônicos ficam mais baratos
a cada dia, o que amplia o acesso de aos aparelhos”.

Coesão sequencial
Como vimos, enquanto na coesão referencial, fazemos menção a termos dentro do texto, na sequencial, usamos mecanismos
que possibilitam o desenvolvimento da sequência textual.

Alguns desses mecanismos que auxiliam a continuidade do texto são as expressões temporais – aquelas que permitem a
progressão da informação.

Veja os exemplos a seguir:


Antes, ele acreditava que não tinha jeito.
Agora, ele está mais esperançoso.
Pela organização do tempo, “antes”
acontece primeiro e “agora”, depois.

O aluno sentou na cadeira, pegou a caneta


e começou a prova.
Nesta sequência, há uma ordem de ações.

Antes de ganhar o campeonato, o


time havia se preparado por duas semanas.
Se o termo “antes” – que indica período
passado – foi utilizado, o tempo verbal
subsequente precisa estar no pretérito.

Atividades
3 - Leia o trecho a seguir:

“Existem dialetos que evidenciam o nível social ao qual  pertence um indivíduo. Os dialetos mais prestigiados

e
são das classes mais elevadas,   o da elite é tomado não mais como dialeto, e sim como a própria ‘língua’. A
discriminação do dialeto das classes populares é geralmente baseada no conceito de que essa classe, por não

e
dominar a norma-padrão de prestígio   usar seus próprios métodos para a realização da linguagem, ‘corrompe’
a língua com esses ‘erros’. No entanto, as transformações que vão acontecendo na língua se devem, também, à

elite que absorve alguns termos de dialetos de classes mais baixas, provocando uma mudança linguística,  e,
e
aí, o ‘erro’ já não é mais erro...  , nesse caso, não se diz que a elite ‘corrompe’ a língua”.
Fonte: FERREIRA, A. C. F. As variações da língua. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 1999.
Disponível em: <http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/v00003.htm>. Acesso em: 1 jul. 2015.

Neste parágrafo, os operadores argumentativos destacados introduzem:

a) Um conclusão.

b) Uma finalidade.

c) Uma redefinição.

d) Uma soma de argumentos.


e) Um argumento que leva a uma conclusão contrária.

4 - Leia o fragmento de texto a seguir:

Se
“Essa admoestação, com poucas variações de estilo, infesta nossos edifícios.   chamassem um redator
qualificado, as frases não destoariam tanto da clareza, da concisão, da coesão, enfim, do modo mais bonito que
o brasileiro tem para se expressar. Não foi chamado porque, no Brasil, em se tratando de inscrições e avisos
públicos, a Língua Portuguesa é sempre a primeira vítima”.

Fonte: SILVA, D. da. Antes de entrar no elevador. In: ______. A língua nossa de cada dia. São Paulo: Novo
Século, 2007. p. 46.

Neste parágrafo, o operador argumentativo destacado introduz:

a) Uma finalidade.

b) O desenvolvimento de uma ideia.

c) Uma condição para que algo aconteça.

d) Uma confirmação do que foi dito antes.

e) Um argumento que leva a uma conclusão contrária.

5 - Leia o fragmento de texto a seguir:

“Ouro, incenso e mirra, esses foram os três presentes que os MAGOS levaram ao Menino Jesus. Os magos não

mas
eram três e não eram reis. E provavelmente jamais existiram,   têm nomes: Baltasar, Gaspar, Melquior.
Suas fisionomias lembram as três etnias da Humanidade conhecidas na época em que a lenda se
formou. Trazidos de Constantinopla para Milão no século V, seus restos mortais ali ficaram até 1.164, quando
foram levados para a Alemanha. Hoje, repousam em um dos altares da catedral de Colônia. Mas de quem são
aqueles ossos, se eles nunca existiram?”.

Fonte: SILVA, D. da. A lenda dos três reis magos. In: ______. A língua nossa de cada dia. Osasco: Novo
Século, 2007.

Neste parágrafo, o operador argumentativo destacado introduz:

a) Uma finalidade.

b) O desenvolvimento de uma ideia.

c) Uma condição para que algo aconteça.

d) Uma confirmação do que foi dito antes.

e) Um argumento que leva a uma conclusão contrária.


6 - Leia o fragmento de texto a seguir:

“Não é novidade que o assunto ‘meio ambiente’ veio para ficar em todas as esferas da nossa vida. [Expressões] como

‘responsabilidade ambiental’, ‘desenvolvimento sustentável’, ‘ecologicamente correto’, na verdade , já nos


soam familiares há algum tempo, mas, com tanta informação circulando por aí, fica difícil entender precisamente o que
significa cada um deles, ainda mais porque, vira e mexe, surge um novo conceito que passa a ficar em evidência”.
Fonte: RODRIGUES, T. Editorial Faça parte. Aquecimento Global, ano 1, n. 7, nov. 2008.

Neste parágrafo, o operador argumentativo destacado introduz:

Explica a ordem dos fatos.

Expressa uma generalização.

Atua na continuidade do texto.

Introduz o desenvolvimento de uma ideia.

Liga termos que representam a soma de argumentos.

Coesão e coerência
Como vimos, quando escrevemos um texto, procuramos conduzir nossas ideias de forma coerente, de modo que quem as
leia entenda nossa escrita.

Mas será que isso sempre acontece?


Para descobrir, analise a propaganda a seguir:

Como você percebeu, o texto publicitário inicia-se com a conjunção explicativa “porque”.

Em sua opinião, essa escolha tornou o anúncio incoerente?

A resposta é: NÃO! Sabe por quê?


Porque esse conectivo se relaciona com todas as imagens apresentadas na propaganda, que foi veiculada na mídia através de
um comercial.

Aqui, a união das linguagens verbal e não verbal e nosso conhecimento de mundo permitem que estabeleçamos sentido para
esse texto – ainda que ele seja introduzido por uma conjunção.

Veja, a seguir, outros exemplos da relação entre coesão e coerência no texto.

Se já aprendemos diversos mecanismos coesivos, escrever com coerência é


tarefa fácil, certo? Bem, nem sempre.
Vejamos o motivo através do seguinte exemplo:

Embora ele tenha estudado muito, foi


aprovado no concurso.
Nesta sentença, foi usado o articulador concessivo “Embora” – aquele que
expressa ideias contraditórias. Mas será que, nesse caso, era esse tipo de
ideia que se queria exprimir? Se o indivíduo estudou muito, é natural que seja
aprovado, não é mesmo?

Então, onde está o erro?


Simples: deixamos de considerar que as expressões com as quais ligamos as
ideias estabelecem significados, conduzem o sentido das mensagens. Logo, o
correto seria:

Embora ele tenha estudado muito, NÃO foi aprovado no


concurso.
Atenção
Não podemos utilizar um elemento qualquer para conectar as informações.

Como vimos, a coerência é responsável pela construção do significado do texto. Por isso, quando falta algo, não
conseguimos perceber a sequência linguística como um texto, certo?

Vamos analisar um exemplo proposto por Koch e Travaglia (2001, p. 15):

“João vai à padaria. A padaria é feita de tijolos. Os


tijolos são caríssimos. Os mísseis também são
caríssimos. Os mísseis são lançados no espaço. De
acordo com a teoria da relatividade, o espaço é curvo.
A geometria rimaniana dá conta desse fenômeno”.
Fonte: REVISTA Língua Portuguesa, n. 16, 2009
Você sentiu alguma dificuldade de entender esse texto? Provavelmente, sim. Apesar de conter recursos coesivos, esse
fragmento é incoerente, pois não conseguimos estabelecer sentido para ele.

Isso significa que:


Um texto pode apresentar mecanismos de coesão e,
ainda assim, não possuir coerência.
Mas será que o contrário é possível? Um texto sem mecanismos coesivos pode ser coerente?

Vejamos...

Analise o diálogo apresentado por Koch e Travaglia


(2001, p. 24):
O texto é formado apenas por um grupo de palavras e não possui relações sintáticas. Nesse caso, ele pode fazer sentido e ser
coerente?

Se você conhece o contexto da situação, sim. Aqui, Camila entendeu que houve um pedido para que ela atendesse ao
telefone e informou que estava no banho.

Logo, é possível que um texto sem mecanismos coesivos


seja coerente.

COERÊNCIA = sentido do texto;


COESÃO = organização das ideias no texto através de mecanismos
7 - Leia o período a seguir:

Ela comprou muitos vestidos na nova loja, mas não


comprou nenhuma roupa.
Este enunciado apresenta problemas de:

a) Coesão, porque não há elos coesivos suficientes.

b) Coerência, porque há uma contradição entre as orações.

c) Coesão, porque a palavra “roupa” substituiu a palavra “vestidos”.

d) Coerência, porque a conjunção “mas” deveria ser substituída por “no entanto”.

8 - Em um texto coerente, é INCORRETO afirmar que:


a) Os fatos devem estar relacionados diretamente e explicitamente.

b) Não devem surgir elementos que contradigam aquilo que já foi apresentado.

c) É preciso acrescentar novas informações ao que já foi produzido, mostrando a progressão do conteúdo.

d) As informações não precisam, necessariamente, estar relacionadas, porque o que vale é o conhecimento de mundo.

9 - Leia um trecho da letra de uma canção:

Amor e sexo
Composição: Rita Lee e Roberto de Carvalho

Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte

Amor é pensamento
Teorema
Amor é novela
Sexo é cinema

Sexo é imaginação
Fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia [...]

Como a coerência é construída por meio do texto, ou seja, não é algo dado no próprio texto, assinale a opção que MELHOR
analisa este trecho:

a) O título da canção nada acrescenta à questão da coerência textual.

b) A coerência do texto baseia-se na lista de frases que definem “sexo” e “amor”.

c) A coesão do texto justifica-se pela relação entre o título da canção e as frases afirmativas.

d) O texto não possui coerência, porque apresenta apenas uma sequência de frases afirmativas.

Cuidados com o emprego da língua


Agora, conheça algumas estruturas que podem afetar a coesão e a coerência de seu texto:

AO INVÉS DE X EM VEZ DE
“Ao invés de” = ao contrário
“Em vez de” = em lugar de

Exemplos:
Ao invés de sair do lugar, a pessoa entrou no recinto.
Em vez de sair do lugar, a pessoa entrou no recinto.
(CORRETO - ideias opostas)
Em vez de ir ao cinema, fui à festa.
(CORRETO - ideia de substituição)
Ao invés de ir ao cinema, fui à festa.
(INCORRETO - ideias opostas)
 MUITAS VEZES X MUITAS DAS VEZES
A expressão correta é “muitas vezes”.

Exemplos:
Muitas vezes, somos obrigados a aceitar meias verdades.

 A PRINCÍPIO X EM PRINCÍPIO
“A princípio” = inicialmente, em um primeiro momento
“Em princípio” = em tese, teoricamente”.

Exemplos:
A princípio, vamos aguardar o retorno dos professores para, depois, retomar as aulas.
Em princípio, todos os alunos terão direito a uma chance de melhorar seu desempenho na prova.
 MESMO X IGUAL
“Mesmo” = um só
“Igual” = outro

Exemplos:
Estou com o mesmo problema do ano passado.
(= um só problema que se repete)

Estou com um problema igual ao do ano passado.


(= outro problema com as mesmas características)

 TER X HAVER
“Ter” = indica posse
“Haver” = com sentido de “existir” - verbo impessoal, aquele que não admite sujeito e que não sofre flexão de
plural.

Exemplos:
Eu tenho dois cachorros.
(= os cachorros têm um dono)
Há dois cachorros na sala.
(= os cachorros estão em determinado ambiente)
Para saber mais sobre o assunto, leia o texto Ter e haver: emprego.

 TODO X TODO O
“Todo” = qualquer
“Todo o” = inteiro

Exemplos:
Ele é capaz de fazer todo trabalho.
(= qualquer trabalho)
Ele é capaz de fazer todo o trabalho.
(= o trabalho inteiro)
 AO CONTRÁRIO DE X DIFERENTEMENTE
“Ao contrário” = ideias opostas
“Diferentemente” = ideias distintas

Exemplos:
Ao contrário de entrar à esquerda, o motorista resolveu entrar à direita.

Diferentemente do que eu disse, sairei cedo hoje.

 Aula 7 - Estratégias para uma boa leitura

Quem lê e escreve com desenvoltura é reconhecido


na sociedade e, muitas vezes, ascende socialmente.
Aumento do vocabulário

Dificilmente, um grande executivo alcança essa


posição profissional sem uma boa carga de leitura e
a partir de uma escrita “pobre” em termos de
padrão linguístico.

Por isso, é importante alimentarmos nosso


conhecimento de mundo para que possamos
ampliar nosso vocabulário. Esse conhecimento de
mundo é o saber que adquirimos ao longo da vida
nas mais diversas situações cotidianas: em
conversas, leituras, observações etc. Uma dica é
investir na literatura, lendo textos de bons autores.
Isso não significa que todos devem ler Camões,
tudo bem? Mas é interessante conhecer de tudo
um pouco. Afinal:

Formação de palavras
Em algum momento de sua vida acadêmica, você deve ter ouvido que muitas
palavras são formadas a partir de um RADICAL, ou seja, de uma RAIZ.
Isso significa que podemos acrescentar prefixos e sufixos a esse radical,
formando vocábulos novos.

De acordo com Garcia (1997):

“Se o estudante lembra ainda do processo de formação das


palavras, pode ter seu vocabulário extraordinariamente
aumentado. Conhecido o significado básico de certo radical e dos
afixos mais comuns, ser-lhe-á possível, em muitos casos pelo
menos, reconhecer pelo sentido um número às vezes bastante
considerável de vocábulos novos, sem necessidade de recorrer ao
dicionário.

Seja, por exemplo, o radical loqui (i) e sua variante loc (u), que
significa ‘falar’. Juntando-se-lhes prefixos e sufixos – e mesmo
outros radicais –, formam-se derivados e compostos facilmente
identificáveis, visto ser conhecido seu núcleo significativo.  

Obtém-se, assim, cerca de 20 palavras novas: locução, locutor,


loquaz, loquacidade, locutório, loquela, alocução, elocução,
elóquio, eloquência, circunlóquio, colóquio, antelóquio,
prolóquio, grandíloquo, grandiloquente, magniloquente”.
O que isso quer dizer? Vejamos...
Vocabulário
Todos nós sabemos que a Língua Portuguesa possui um vocabulário bem extenso. Por isso, é impossível conhecer todas as
palavras e todos os seus significados. Provavelmente, você não conhece alguns termos citados anteriormente por Garcia
(1997), certo?  Mas basta sabermos o significado do radical e dos afixos (prefixos e sufixos) desses novos vocábulos para
conseguirmos, pelo menos, depreender seu sentido.

Atividade
1 – Identifique o sentido de casa um dos verbos a seguir – derivados do verbo “pôr”:

a) Antepor
b) Pospor
c) Contrapor
d) Repor
e) Transpor

a) pôr antes
b) pôr depois
c) pôr em posição contrária
d) pôr novamente
e) pôr além

Tipos de vocabulário
Você sabe quais são os tipos de vocabulário de que a Língua Portuguesa dispõe?

Garcia (1997) afirma que há quatro tipos – aqueles referentes à (ao):

 Língua falada ou coloquial;


 Língua escrita;
 Leitura;
 Simples contato.

Atividade
1 – Leia o texto Notícia nova é de graça, notícia velha custa caro. Sobre ele, é CORRETO afirmar
que:

a) A internet apresenta notícias com a mesma rapidez de outras mídias.

b) As notícias veiculadas no jornal são consideradas novas em virtude da rapidez da comunicação.

c) A diferença entre vários meios de comunicação está na velocidade da informação e no custo para o cidadão.
d) Comparadas às notícias veiculadas no jornal, aquelas disponibilizadas na internet são sempre mais rápidas e precisas.
GABARITO
O que dá sentido ao texto é a oposição entre nova x velha e de graça x caro, pois a tendência é que se prefira algo novo e de
graça.

2 – Leia o fragmento a seguir:

Combate ao alcoolismo
“O álcool, além de sua ação nociva sobre a saúde física e mental, é uma das
principais causas de morte ou de mutilações nos acidentes de trabalho e de
trânsito. Assaltos, sequestros, crimes e violência são muitas vezes
cometidos sob influência de bebidas alcoólicas, associadas aos tóxicos. O
alcoolismo traz para o ser humano a degradação e a miséria; para a
sociedade, a perturbação da ordem, a dissolução dos costumes”.

Fonte: ROCHA, P. Os agentes da morte. Porto Alegre: Metrópole, 1980.

No texto acima, compreende-se que o álcool:

a) Contribui para a socialização.

b) É uma bebida gostosa e saudável.

c) É uma droga eficiente para a saúde.

d) Causa danos à saúde física e mental.


GABARITO
A escolha das palavras promove o viés negativo do álcool. Temos a expressão “além de” que soma as informações “nociva,
causa de morte, sequestros” etc.

3 - Leia o fragmento de texto a seguir:

Melhor não tê-los


“O texto de Mônica Montone deveria ser discutido nos lares, nas escolas e
até instituições de saúde. Estamos assistindo, em todas as classes sociais, a
uma proliferação de gestantes irresponsáveis e de crianças que são jogadas
no mundo, como ela bem descreveu, com a malfadada missão de fazer a
mamãe crescer”.

Fonte: LCO. Revista O Globo, Rio de Janeiro, Jul. 2008. p. 46

A utilização do adjetivo MALFADADA, no texto, contribui para mostrar que o autor da carta, em relação ao assunto
abordado, está:

a) Descrente

b) Insistente

c) Desprendido

d) Comprometido
GABARITO
O termo malfadada, por ser um adjetivo, já mostra a opinião do autor em relação ao termo missão, o que demonstra seu
engajamento em relação ao tema do texto.

4 - Leia a propaganda a seguir:

Nossos clientes nunca voltam para reclamar.


(SINAF seguros)

Disponível em: http://leiapublicidade.com/blog/?p=140. Acesso em: 15 Jul. 2015.

Esta mensagem de uma empresa de seguros de vida tem um teor:

a) Cômico

b) Formal

c) Popular

d) Sentimental
GABARITO
O conhecimento de mundo de que a SINAF é uma seguradora que vende seguros de vida nos permite perceber que não
haverá mesmo como o cliente reclamar, pois já morreu, o que provoca o efeito de humor.

Parágrafo e tópico frasal

Como vimos ao longo desta aula, quando lemos ou


escrevemos, estamos em contato com ideias
principais ou acessórias, ou seja, com temas e
subtemas que vão se entrelaçando para formar o
texto.

Na próxima aula, verificaremos como as frases se


organizam a partir dessas ideias, mas, agora,
precisamos estudar a noção de tópico frasal. Vamos
lá?

De modo geral, os textos são organizados em


parágrafos.

Você sabe o que é um parágrafo e


para que ele serve?

Vejamos...
A noção de parágrafo é, antes de tudo, visual. Isso significa que:

Escrever um parágrafo é organizar o olhar do leitor


quanto à disposição das informações no texto.
Exatamente por isso, criou-se o conceito de tópico frasal ou ideia núcleo.

De acordo com Garcia (1997), o parágrafo-padrão é composto por:


Atividade
5 - Identifique, nos parágrafos a seguir, o tópico frasal, o desenvolvimento e a conclusão (se houver):

a) “Candy Camera e Retrica são dois aplicativos de edição de fotografia disponíveis para Android e iOS bons e bem
populares. Com recursos bem parecidos, eles bombam nos celulares por aí, mas qual deles é de fato o que tem mais efeitos,
faz melhores montagens e é mais fácil de usar? Confira o comparativo e veja com qual deles você terá a melhor
experiência.”

Fonte: DÂMASO, L. Candy Camera ou Retrica: qual é o melhor app para editar fotos? Publicação: 26 maio 2015. Rede
Globo: Techtudo – A Tecnologia Descomplicada. Disponível em: . Acesso em: 6 jul. 2015.

Tópico frasal = ideia principal

GABARITO
“Candy Camera e Retrica são dois aplicativos de edição de fotografia disponíveis para Android e iOS bons e bem populares.

Desenvolvimento = ideia secundária

GABARITO
Com recursos bem parecidos, eles bombam nos celulares por aí, mas qual deles é de fato o que tem mais efeitos, faz
melhores montagens e é mais fácil de usar? Confira o comparativo e veja com qual deles você terá a melhor experiência.”

Conclusão = ideia secundária

GABARITO
Neste caso, não há conclusão.

b) “O texto da reforma política está previsto para ser votado nesta terça-feira (26) na Câmara dos Deputados. A proposta vai
diretamente ao plenário, depois que líderes partidários decidiram, nesta segunda (25), não votar o texto na comissão especial
que analisou o tema na Casa.”

Fonte: G1: O PORTAL de notícias da Globo. Política. Câmara dos Deputados deve começar a votar reforma política nesta
terça. Publicação: 26 maio 2015. Disponível em: . Acesso em: 6 jul. 2015.

Tópico frasal = ideia principal

GABARITO
O texto da reforma política está previsto para ser votado nesta terça-feira (26) na Câmara dos Deputados

Desenvolvimento = ideia secundária

GABARITO
A proposta vai diretamente ao plenário, depois que líderes partidários decidiram, nesta segunda (25), não votar o texto na
comissão especial que analisou o tema na Casa.

Conclusão = ideia secundária

GABARITO
Neste caso, não há conclusão.

c) “Em todos os aspectos da vida, fazer-se entender, ou seja, comunicar-se com o outro de maneira inteligível, é importante.
Isso acontece nas relações entre amigos, familiares e, também, no campo profissional. Em qualquer emprego, por exemplo,
os funcionários são constantemente cobrados para conversar com o chefe. E, por sua vez, o chefe precisa transmitir suas
ideias de maneira clara e eficiente aos subordinados, fazer apresentação para outros executivos, apresentar um projeto ou
produto. Enfim, a capacidade de comunicação de todos está sempre sendo posta à prova.”

Fonte: LETTERINO Santoro – Educação Corporativa em Comunicação. Comunicação é fundamental. Disponível em: .
Acesso em: 6 jul. 2015.

Tópico frasal = ideia principal


GABARITO
Em todos os aspectos da vida, fazer-se entender, ou seja, comunicar-se com o outro de maneira inteligível, é importante.

Desenvolvimento = ideia secundária

GABARITO
Isso acontece nas relações entre amigos, familiares e, também, no campo profissional. Em qualquer emprego, por exemplo,
os funcionários são constantemente cobrados para conversar com o chefe. E, por sua vez, o chefe precisa transmitir suas
ideias de maneira clara e eficiente aos subordinados, fazer apresentação para outros executivos, apresentar um projeto ou
produto.

Conclusão = ideia secundária

GABARITO
Enfim, a capacidade de comunicação de todos está sempre sendo posta à prova.”

Tipos de tópico frasal


Conheça, agora, os tipos mais comuns de tópico frasal:


DECLARAÇÃO INICIAL
Quando afirmamos ou negamos algo sobre determinado tema, realizamos uma  declaração.
Exemplo

“A violência foi banalizada pelos meios de comunicação . O discurso da


mídia tornou comuns as ações de bandidos, uma vez que investiu no tema para ganhar audiência. Nunca se viram
tantos programas de TV cujo conteúdo é a violência.”

 DEFINIÇÃO
Quando delimitamos o significado de algo, realizamos uma  definição . Trata-se de um bom recurso didático
que serve para vários tipos de texto, mas que é encontrado, usualmente, em textos dissertativos/informativos.
Exemplo

“O jornal é um meio de comunicação periódico constituído por


notícias, reportagens, crônicas, entrevistas, anúncios e outro
tipo de informação de interesse público. Os jornais brasileiros
são famosos no mundo todo por sua estrutura e qualidade . Nossos
cronistas são respeitados, bem como nossos anunciantes.”

 DIVISÃO
O parágrafo pode ser iniciado por  divisão de assunto, o que indica como o tema será desenvolvido. Esse
recurso serve para vários tipos de texto.

Exemplo

“As informações tomam dois caminhos para atingir o receptor:


o jornal impresso e a televisão. Entretanto, sabemos que a TV, atualmente, é mais popular,
haja vista seu grande alcance e apelo às classes populares.”

 INTERROGAÇÃO
Quando quer aguçar a curiosidade do leitor sobre o tratamento dado a determinado tema no texto, o autor realiza
uma  pergunta interrogação. Esse recurso serve para vários tipos de texto, mas é encontrado,
 ou 
usualmente, em textos argumentativos.

Exemplo

“O crescente uso da internet provocará o fim do jornal


impresso? Eis a questão que nos faz refletir a respeito da leitura dos jornais. Em países como os Estados
Unidos, vários impressos já deixaram de circular ou se tornaram 100% on-line.”

 ALUSÃO/CITAÇÃO
Neste caso, o autor faz referência a um fato histórico, às palavras de outra pessoa, usa um exemplo, uma lenda ou,
até mesmo, uma piada, com o objetivo de prender a atenção do leitor. Esse recurso serve para vários tipos de texto.

Exemplo

“Conta a tradição que comer manga e, em seguida, tomar leite


tem como resultado morte certa. Entretanto, não há estudos científicos suficientes para
comprovar tal tese do crivo popular.”

Alguns usos importantes da língua


Para finalizar esta aula, atente para alguns usos da língua que são alvo de
dúvidas por parte dos falantes:

AO MEU VER x A MEU VER


A expressão correta é:

“a meu ver” = do meu ponto de vista

Exemplo

A meu ver, todos os recursos foram necessários.


“Ao meu ver” NÃO existe!

NA RUA x À RUA

Os termos “sito”, “situado”, “residente” pedem preposição “em”, e NÃO


preposição “a”.

Exemplos

A empresa possui sede na Rua Carlos Pinto.


A empresa UNITAS, sito/situada na Rua Carlos Pinto, está em reforma.
Ele é residente na Rua Carlos Pinto.

VERBO “ADEQUAR”

Apesar de alguns estudiosos aceitarem a conjugação completa do verbo


“adequar”, de acordo com tradição gramatical, trata-se de um verbo
defectivo, que é aquele que não pode ser flexionado em todas as pessoas
verbais. Considerando essa vertente teórica tradicional, temos:

Exemplos

O referido móvel não se adéqua ao ambiente. (forma verbal equivocada)


O referido móvel não é adequado/apropriado ao ambiente. (forma verbal
aceita)

FACE AO x EM FACE DE

A expressão correta é:“em face de” = diante de, perante, defronte

Exemplos

Em face do novo decreto, não poderemos mais agir assim.


Em face de tal fato, acredito não haver problemas.

RATIFICAR x RETIFICAR

Não se confunda com estas expressões:   

“ratificar” = confirmar;
“retificar” = corrigir.

Exemplos

Liguei para o gerente, a fim de ratificar a informação do saldo.


Como ela estava errada, resolveu retificar a informação.

HAJA VISTO x HAJA VISTA

A expressão correta é:

“haja vista” = uma vez que, por conta de

Exemplo

A reunião foi remarcada para semana que vem, haja vista as obras na sala.
“Haja visto” NÃO existe!

AO ENCONTRO DE x DE ENCONTRO A

Não se confunda com estas expressões:

“ao encontro de” = situação favorável, conformidade de ideias;


 “de encontro a” = ideia contrária, de confronto.

Exemplos

“Não se procura amor o amor vem ao encontro de cada um de nós”.


Não posso ajudar! Minhas ideias vão de encontro às suas.

 Aula 8 - Estratégias para uma boa escrita


Ordem direta como estratégia de clareza

Como vimos, usar a ordem direta é um ótimo recurso para tornar o texto claro e
compreensível.

Você se lembra do padrão sobre o qual


conversamos na aula 2?
Identificamos que, em Língua Portuguesa, a ordem preferencial é a seguinte:

SUJEITO (S) + VERBO


(V) +
OBJETO (O)
Considerando os padrões de escrita, seus parágrafos se mantêm, de forma
geral, na ordem direta – à exceção dos adjuntos adverbiais deslocados
“Durante décadas” e “em relação ao ovo”.

Mas por que usar essa estratégia é tão importante? Vejamos...

Ordem indireta ou inversa


Sautchuk (2011, p. 21) afirma que:

“Se você estiver lendo uma frase que comece por qualquer
termo que não seja sujeito, repare como você vai lendo,
lendo e fica à espera de que algo na frase apareça para
funcionar como o tal sujeito, isto é, para funcionar como o
ponto de apoio”.
Isso acontece mesmo, não é verdade? Para ilustrar, a autora apresenta os seguintes exemplos:

No começo da noite, com as janelas fechadas, sem um único som na sala,


entre móveis cobertos de pó.
No primeiro caso, a frase parece estar incompleta. Falta algo para organizar
nosso pensamento, certo? De acordo com Sautchuk (2011), aguardamos o
sujeito para que o padrão SVC (Sujeito + Verbo + Complemento) se
estabeleça.

No começo da noite, com as janelas fechadas, sem um único som na sala,


entre móveis cobertos de pó, um estranho vulto aparece.

Já no segundo caso, a frase está mais completa e conseguimos compreendê-


la melhor, embora o sujeito apareça no final. Aqui, identificamos a
ordem indireta.

Veja, a seguir, mais exemplos da ordem inversa na escrita.


Quando invertemos a ordem das sentenças em um texto, mudamos o foco de quem nos ouve. Isso aconteceu na reportagem
que analisamos anteriormente. 

Amor eterno pelo colesterol

Durante décadas, alimentos como o ovo foram tratados ora


como vilões, ora como mocinhos. Pesquisas recentes
põem fim a essa gangorra – a mais conhecida (e
condenada) das gorduras não faz mal quando é levada ao
organismo por meio da alimentação.

Vamos retomar a primeira frase da notícia:

1. “Durante décadas, alimentos como o ovo foram tratados ora como vilões, ora como mocinhos.” (ORDEM INDIRETA)

2. “Alimentos como o ovo foram tratados ora como vilões, ora como mocinhos, durante décadas.” (ORDEM DIRETA)

No primeiro caso, o foco é o tempo. Por isso, o complemento – o objeto direto – aparece destacado, o que muda a forma
como interpretamos a frase.

Já no segundo caso, quando realizamos a inversão da ordem da frase original, o foco passa a ser o tratamento dado ao
alimento. Usar a ordem direta expressa a ideia central da frase, a parte principal do sentido que queremos dar ao que
afirmamos.
Já não é o caso, tomando emprestado o mais conhecido
verso do Soneto de Fidelidade, de Vinícius de Moraes, de
um amor que seja infinito enquanto dure, posto que é
chama. Em relação ao ovo, o amor agora é eterno,
incondicional, irrecorrível.

Agora, vamos retomar o segundo parágrafo da reportagem:

“Já não é o caso, tomando emprestado o mais conhecido verso do Soneto de Fidelidade, de Vinícius de
Moraes, de um amor que seja infinito enquanto dure, posto que é chama.”
Aqui, as ideias principais estão expressas em negrito, e as acessórias aparecem em itálico e entre vírgulas.

Vamos a mais um exemplo?

Leia, agora, o trecho de outra


reportagem:

Bolos caseiros (de ouro?) podem render até R$ 80


mil por mês
Responsáveis por propiciar boas sensações de nostalgia das tardes na
casa da vovó, os bolos caseiros são encontrados cada vez com mais
frequência nas ruas de São Paulo. Com receitas simples, eles se tornaram
febre não só entre os consumidores mas também entre empresários que
desejam abrir uma franquia. O investimento inicial pode variar de R$ 100
mil a R$ 250 mil, e o faturamento mensal, de R$ 35 mil a R$ 80 mil. [...]

Fonte: TERRA – Notícias, esportes, coberturas ao vivo, diversão e estilo de vida. Publicação: 22 maio 2015. Acesso
em: 8 jul. 2015.

Você percebeu que as duas quebras na ordem direta foram intencionais? Nos dois casos, o foco recai nos aspectos positivos
de nostalgia e praticidade.

Antes de continuarmos nosso estudo, vamos fazer, a seguir, um exercício.

Atividade
1 - Coloque as frases abaixo na ordem direta:

a) De forma tranquila, a menina trouxe o bolo.



GABARITO
 A menina trouxe o bolo de forma tranquila.

 b) As crianças, de forma bem simples, as barracas construíram.


 GABARITO
 As crianças construíram as barracas de forma bem simples.

 c) As bicicletas, no horário de maior trânsito, as ciclovias têm tomado.


 GABARITO
 As bicicletas têm tomado as ciclovias no horário de maior trânsito.

 d) O pedestre se dá mal porque correr precisa para não ser atropelado.


 GABARITO
 O pedestre se dá mal porque precisa correr para não ser atropelado.

 e) Diferentes das crianças do passado, são as crianças de hoje.


 GABARITO
 As crianças de hoje são diferentes das crianças do passado.

Ideias acessórias ou suplementares


Como já sabemos, a ordem preferencial de uma sentença é:
Mas será que devemos nos prender a ela? Como podemos
ampliar nosso texto?
Vejamos...

Analise, a seguir, uma crônica de Rubem Braga:

A tartaruga
Moradores de Copacabana, comprai vossos peixes na Peixaria Bolívar, Rua Bolívar, 70, de propriedade do Sr. Francisco
Mandarino. Porque eis que ele é um homem de bem.

O caso foi que lhe mandaram uma tartaruga de cerca de cento e cinquenta quilos, dois
metros e (dizem)
duzentos anos, a qual ele expôs em sua peixaria durante três dias e não quis
vender; e levou até a praia, e a soltou no mar.
Havia um poeta dormindo dentro do comerciante, e ele reverenciou a vida e a liberdade na imagem de uma tartaruga. [...]

Disponível em: <http://contobrasileiro.com.br/?p=2155>. Acesso em: 9 jul. 2015.

Como você pôde observar, o segundo parágrafo apresentou algumas informações que, ao serem suprimidas no primeiro,
prejudicaram o efeito que o autor quis provocar.

Diante dessa constatação, concluímos:


Quebrar o padrão frasal com ideias suplementares
pode ser muito importante
para que o autor expresse EXATAMENTE o que
deseja.
Sautchuk (2011, p. 26) nos apresenta quatro posições possíveis a serem
ocupadas por uma ideia acessória. São elas:
Vamos fazer uma atividade!
Uma dessas posições ocupadas pela ideia suplementar é considerada menos adequada. Você saberia dizer
qual delas? Em caso positivo, justifique sua resposta.

GABARITO
A posição de número 3 é a menos adequada para as ideias acessórias.
Como você percebeu pelo exemplo, essa posição quebra a relação entre
o verbo “precisar” e seu complemento “de ajuda”, e acaba por afetar a
clareza da frase. Por isso, devemos evitá-la.

Ordem: substantivo x adjetivo


Como vimos, na Língua Portuguesa, é comum
usarmos a ordem direta de colocação. Nesse
caso, o sujeito antecede o verbo e o verbo
antecede os complementos.

Seguindo esse raciocínio, o substantivo costuma


aparecer antes do adjetivo, certo? O adjetivo é
aquele que é colocado de lado, subordinado.
Mas isso não significa que NUNCA poderemos
mudar essa ordem. Se o fizermos, o sentido da
sentença é que será alterado.
Vejamos alguns exemplos.
 EXEMPLO 1
Leia as seguintes frases:

1. Ela tem cabelos negros.


2. Ela tem negros cabelos.

No segundo caso, ao antepor o adjetivo “negros” ao substantivo “cabelos”, a cor se torna mais importante que o
cabelo em si. Isso acontece por uma questão de processamento: nosso foco recai sobre aquilo que ouvimos
primeiro.

Embora essa anteposição seja um recurso de estilo, como vimos na aula 7, há uma série de estruturas que, em
função dela, perdem a força expressiva e se tornam clichês, como é o caso de “um grave acidente”, “uma vã
esperança” etc.

 EXEMPLO 2
O que você pensaria se alguém dissesse:

Nosso  velho amigo ainda mora naquela casa da esquina.


O uso do adjetivo “velho” indica idade ou afeto? Nesse caso, como a qualidade antecede o nome, prevalece a ideia
de afeto, o que demonstra certa intenção na sentença.

 EXEMPLO 3
Uma curiosidade em relação à ordem diz respeito aos pronomes indefinidos que se antepõem aos substantivos.
Quando pospostos, eles podem perder o significado original.

Exemplos

Certo dia ≠ Dia certo


Todo dia ≠ Dia todo

Já os pronomes possessivos que se colocam após os substantivos criam belos efeitos expressivos.

Exemplo: Quando a luz dos  olhos meus [...] (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
Causas da ambiguidade
Como vimos, a ambiguidade traz problemas à interpretação. Há dois tipos de
ambiguidade:
Causas da ambiguidade
Vamos conhecer, agora, algumas causas da ambiguidade?
Carneiro (2001 apud MONNERAT, 2004) apresenta algumas possíveis causas da ambiguidade estrutural, quais sejam:

A difícil distinção entre agente e paciente


1 Exemplo: A demissão do ministro causou impacto.

O mau uso da coordenação


2 Exemplo: Pedro e Maria vão desquitar-se.

A má colocação de palavras
3 Exemplo: A professora deixou a turma entusiasmada.

O mau uso de pronomes relativos, geralmente


4 com dois antecedentes expressos
Exemplo: Encontrei a menina e o primo de que lhe falei.

A não distinção entre pronome relativo e


5 conjunção integrante
Exemplo: O jogador falou com a secretária que mora perto daqui.
A indefinição de complementos
6 Exemplo: O pai quer o casamento logo, mas a filha não quer.

O mau uso das formas nominais


7 Exemplo: O advogado encontrou o réu entrando no tribunal.

O mau uso dos possessivos


8 Exemplo: Elas viram sua casa.

Atividade
Agora, vamos praticar! Identifique as possíveis ambiguidades das seguintes frases:

1. Ana comeu a torta em uma padaria que era muito gostosa.

GABARITO
Quem era gostosa: a torta ou a padaria?

2. A cantora deixou a multidão entusiasmada.

GABARITO
Quem ficou entusiasmada: a multidão ou a cantora?

3. Vi Ana ontem correndo para o trabalho.

GABARITO
Quem estava correndo: eu ou Ana?

4. O cachorro do meu namorado sumiu ontem.

GABARITO
Quem sumiu: o namorado ou o cachorro que era do namorado?

5. O gatinho da minha irmã enterrou o passarinho que encontrou no quintal.

GABARITO
O gatinho enterrou um passarinho qualquer ou aquele que encontrou no quintal?

6. Gostamos muito das fotos daquele rapaz.

GABARITO
Gostamos das fotos do rapaz ou daquelas que ele tirou?
7. Tenho um livro para entregar ao editor que me deixa preocupado.

GABARITO
Qual é a razão da preocupação: o livro ou a compra do editor?

8. Conheci uma professora de arte grega.

GABARITO
A professora é grega ou ensina arte grega?

9. Meu irmão comprou o carro rápido.

GABARITO
O carro é rápido (= veloz) ou a compra foi feita de forma rápida?

10. A demissão do gerente surpreendeu a todos.

GABARITO
O gerente foi demitido ou demitiu alguém?

Usos da língua
Para finalizar esta aula, listamos, aqui, alguns termos da Língua Portuguesa
que, quando usados de forma inadequada, podem comprometer seu texto. São
eles:

ALTERNATIVA

A palavra “alternativa” é formada pelo seguinte elemento: alter = “outro”.

Por essa razão, a expressão “outra alternativa” não é coerente. O correto é:

Eu não tenho alternativa.

EVENTUAL x POSSÍVEL

“Eventualmente” = o que acontece de vez em quando


“Possivelmente” = o que pode ou deve acontecer

Exemplos

Sairemos cedo hoje eventualmente. (= isso não é comum)


Sairemos cedo hoje possivelmente. (isso pode acontecer)

INDEPENDENTE x INDEPENDENTEMENTE

“Independente” = adjetivo
“Independentemente” = advérbio

Exemplos

O Brasil é um país independente.
Sairemos cedo, independentemente de ele ter chegado.

 Aula 9 - Problemas de escrita

Equívocos na escrita
Personificação do texto
Provavelmente, você já deve ter lido algo como: “ O texto fala que...”.

Essa construção é inadequada, uma vez


que o texto não é uma pessoa.
Logo, ele não fala, não comenta, não
diz, e sim:

• Aponta para um fato;


• Sugere ou insinua algo;
• Leva-nos a compreender uma situação;
• Indica posicionamentos etc.

Uso da expressão “no texto” como sujeito


Não podemos usar a expressão “no texto” como sujeito da oração, como em:
No texto aborda o tema da
acentuação.
Afinal, essa expressão contém a seguinte contração:

Sua união com o substantivo “texto” transforma tal elemento lexical em um adjunto adverbial deslocado, que aparece,
geralmente, no início da frase e vem precedido de vírgula.

Exemplo
verificamos que...
entendemos que...
o autor advoga
No que...
texto, pressupõe-se que...
Para que “texto” seja sujeito da oração, é preciso retirar a preposição do sintagma e a vírgula posterior a ele. Sendo assim,
teremos: 

O texto aponta para o problema da saúde pública.

O texto sugere que o país se una em prol da melhoria na


educação.

Conheça, a seguir, alguns termos e expressões com os


quais podemos nos confundir na escrita.
Cuidados com usos da língua
Ao escrever um texto, atente para os seguintes termos e expressões:

TÃO POUCO X TAMPOUCO


A palavra “tampouco” possui valor negativo. Veja:

TAMPOUCO - advérbio = “também não”.

Exemplo 1

Por isso, não podemos usar outro vocábulo de negação antes dela,
como “não” ou “nem”.

Quem não compreende um olhar tampouco entenderá uma longa


explicação.
Mário Quintana

Exemplo 2

Já a expressão “tão pouco” possui o sentido de “muito pouco”.

Veja como ela é formada: TÃO POUCO = TÃO (advérbio de


intensidade) + POUCO (pronome indefinido)

Sabemos tão pouco do que estamos a fazer neste mundo, que eu


me pergunto a mim próprio se a própria dúvida não está em
dúvida.
Lord Byron

 REGISTRAR X INFORMAR
Exemplo
Estes dois verbos são muito utilizados na escrita cotidiana, mas a forma “registrar que” não é aceita pela norma
culta com o mesmo sentido de “informar que”. No lugar daquela, devemos optar por “avisar”, “comunicar” etc.
Disponível em: < https://public-dm2306.files.1drv.com/ >. Acesso em: 13 jul. 2015.

 CERCA DE X ACERCA DE X HÁ CERCA


DE
Não confunda estas expressões:

CERCA DE = “mais ou menos”, “aproximadamente”;


ACERCA DE = “sobre”, “a respeito de”;
HÁ CERCA DE = “faz mais ou menos”, “existem”.

Exemplo 1

Alagoano de 14 anos cria aplicativo e fatura cerca


de R$ 100 mil por mês.
Fonte: G1 – O PORTAL de Notícias da Globo.
Alagoano de 14 anos cria aplicativo e fatura cerca de R$ 100 mil por mês. Alagoas: TV Gazeta.
Publicação: 26 maio 2015. Acesso em: 13 jul. 2015.

Exemplo 2

Prezados senhores,

Em complementação a nosso último encontro acerca dos novos


preços, solicitamos o envio da planilha de custos.

Atenciosamente,
André. P. Lima Filho.

Exemplo 3

Em Lisboa, há cerca de 500 alunos em escolas que


deixaram de ter telefones.
Fonte: VIANA, C. Em Lisboa, há cerca de 500 alunos em escolas que deixaram de ter telefones. Portugal:
Público.
Publicação: 14 maio 2015. Acesso em: 13 jul. 2015

 APELAR A X APELAR PARA


A preposição correta para o verbo “apelar” é “para”. Não se “apela a alguém”, mas sim “para alguém”.

Exemplo

“- Na sexta-feira, eu não tinha um time para montar. No sábado de


manhã, Diego Souza pediu para não treinar, porque estava mal, e
foi um momento de superação.  Apelamos para o elenco, e eles
responderam bem, como Neto Moura e Régis. Trabalhar com um
grupo assim me dá orgulho, porque, no dia que não der
taticamente, eles vão buscar no braço.”

Fonte: EXPRESSO MT – A notícia em primeira mão. Esportes. Eduardo Baptista exalta dedicação do Sport
na vitória após semana difícil.
Publicação: 25 maio 2015. Acesso em: 13 jul. 2015.

Entretanto, em linguagem jurídica, podemos “apelar de”, com o


sentido de “recorrer por apelação”.

Exemplo

O advogado apelou  da sentença.

 PREÇO CARO X PREÇO ALTO


O preço só pode ser “alto” ou “baixo”, nunca “caro” ou “barato” – atribuições relativas ao produto.

Exemplo 1

Disponível em: <http://www.zahar.com.br/>. Acesso em: 13 jul. 2015.

Exemplo 2
Os produtos da loja X são caros.
Os produtos da loja X possuem preços altos.

 CUSTEI PARA X CUSTOU-ME


Na linguagem cotidiana, é comum as pessoas usarem frases do tipo:

A garota custou a entender a explicação.


Mas, quando possui o sentido de “ser custoso, difícil”, o verbo “custar” só pode ser empregado em 3ª pessoa.

Exemplo

Falta de lógica e erros de sintaxe


Como vimos ao longo da aula, escrever é uma tarefa bem difícil, porque há a possibilidade de nos equivocarmos com o uso
de termos e de expressões que, geralmente, causam certa confusão – como os já mencionados

Além disso, no momento da escrita, também é possível cometer erros de


sintaxe e outros muito comuns que ferem a lógica textual.

Vamos conhecer alguns deles.


Queísmo
O uso excessivo da partícula “que” prejudica a leitura do texto.

Exemplo:

O fato de que a mulher que seja bonita tenha de


entender os erros dos outros e perdoá-los não
parece que seja correto.

Você percebeu como essa frase ficou extensa demais e


um tanto confusa?
O ideal é utilizar períodos mais curtos, sem a necessidade de muitos conectivos, tais como o “que”.
Interrupções
Analise o seguinte exemplo:

Sustentabilidade, na minha
opinião,
é preservar o meio ambiente.
Se você não for uma autoridade no assunto, não é recomendável utilizar expressões como “ na minha opinião”,
“acho que”, “penso que” etc.

Expressões cristalizadas e clichês


Na escrita, devemos evitar expressões que, de tão consagradas por seu uso, acabaram se tornando cristalizadas ou,
até mesmo, desnecessárias, pois isso contribui para que o texto seja pobre e comum. Mas, às vezes, o clichê pode ser uma
estratégia de marketing, tal como ocorre com a expressão “cabe no seu bolso”, 

Truísmo
O uso de truísmo ou verdades evidentes torna nosso texto pobre, pois essas questões já são conhecidas por todos, ou seja,
fazem parte do senso comum.

Exemplo
Todos os homens são mortais.
São Paulo: o maior centro industrial da América Latina.
Pelé é considerado o rei do futebol.
A criança de hoje será o adulto de amanhã.
Os idosos são pessoas que viveram mais que os jovens.

Gerundismo
Entre os problemas citados pelos estudiosos acerca do uso da Língua Portuguesa, está o gerundismo – alvo, aliás, de muita
polêmica.
omo você percebeu, aqui, o gerúndio foi utilizado para descrever uma cena que
se desenvolve enquanto a música é cantada, ou seja, algo que está
acontecendo naquele momento.

Essa procissão é mostrada por meio de uma série de verbos na forma simples
do
gerúndio: passando, arrastando, cantando, escutando, penando, espe
rando.
Tal uso corresponde àquele prescrito pelas gramáticas: o que indica uma ação
progressiva, um processo prolongado.

O gerúndio também pode ser usado quando tratamos de uma ação concomitante a outra.

Exemplo:

Sempre cozinho ouvindo música.


Mas, como vimos no vídeo anterior, o problema em relação a esse tempo verbal reside no uso frequente de sua forma
composta:

Sob o ponto de vista da gramática normativa, a frase a seguir está correta:

Vou estar cozinhando na hora da


festa.
Afinal, aqui, o verbo indica uma ação que ocorrerá no momento de outra.

Entretanto, quando não queremos comunicar a ideia de eventos simultâneos, devemos evitar o gerúndio e o famoso
fenômeno que deriva de seu uso inadequado: o gerundismo.
A oração em destaque enfatiza uma ação específica, pontual, que vai acontecer a partir de agora, do momento de fala. Nesse
caso, sua duração NÃO é a preocupação dominante, e o uso do infinitivo representa garantia de seu cumprimento. 
Por isso, esse uso do gerúndio é inapropriado, porque perdemos a referência da ação em si, o que torna um evento que
deveria ser preciso em uma situação em curso.

Neologismos
Vamos conhecer, agora, os neologismos.
Trata-se de palavras novas, criadas pelo falante ou herdadas de outra língua.

Um exemplo é o verbo “deletar”, que vem do inglês


“delete”, mas com adaptações ao sistema lexical
português, ou seja, às regras gramaticais da Língua
Portuguesa.
.[ Como se trata de um verbo, ele deve ter as características

formais dessa classe de palavras. Disso resulta sua


terminação referente à primeira conjugação: DELETAR.

Jargões
Vamos conhecer, agora, os jargões.

Trata-se de uma linguagem técnica, própria de determinada área de atuação. Por exemplo, há jargões das áreas jurídica,
médica etc. Cada uma possui um vocabulário específico.

Temos de evitar o uso de jargões em situações que não sejam


exclusivas daquele campo de atividade profissional. Isso também vale
para o texto escrito: não podemos exagerar nos jargões se o texto vai
ser lido por pessoas de qualquer área do conhecimento.

 Aula 10 - Estratégias para uma boa escrita

Ato de leitura
Desde o início desta disciplina, vimos que a leitura é muito importante para enriquecer nosso conhecimento em Língua
Portuguesa.

Mas o ato de ler envolve que aspectos?


LER = Decodificar Informação Visual (IV) +
Informação não Visual (InV)

De acordo com Fulgêncio e Liberato (1998):

É, portanto, através da leitura que estabelecemos relações


de sentido entre os textos. 
Vamos relembrar, a seguir, os tipos de linguagem que podemos interpretar a partir de uma leitura mais profunda.

Informação visual e informação não - visual


Ao longo de nossas aulas, constatamos que não nos comunicamos apenas por palavras.

Afinal, um texto pode ser:

Essas linguagens são capazes, por exemplo, de se unir em um texto publicitário e de aprofundar a ideia divulgada.

Os sinais de trânsito são exemplos de textos ou unidades de significação em que prevalece a linguagem não verbal.

Como sabemos, eles precisam ser interpretados apenas com base nas cores que apresentam.
Imagine se as pessoas não soubessem fazer uma leitura correta de seus significados?

Seria difícil manter a segurança no trânsito, não é


mesmo?
Veja, a seguir, outros exemplos em que a construção semântica só é possível a partir do conhecimento de certas
informações.

Conhecimento enciclopédico
 O significado da palavra “devassa”;
 Quem é a artista que participa dela e o que representa para a sociedade.
Você percebeu quanto conhecimento enciclopédico é preciso acionar para compreender, de fato, um texto como esse?

E quanto às sequências textuais que nos remetem a implícitos, ou seja, a questões que não aparecem expressas claramente no
conteúdo escrito?

Trataremos desse assunto adiante...

Conotação X Denotação
o usar a expressão “vira a página”, a propaganda conseguiu criar um
interessante efeito de sentido entre os seguintes atos: “Mudar de página”
– atitude física, literal (sentido denotativo);“Mudar a vida de alguém” –
atitude mais subjetiva (sentido conotativo).
Esta propaganda foi utilizada para apresentar um novo modelo das sandálias Havaianas. O uso da expressão “ pezinho
na praia”, em sentido figurado ou conotativo, permite ao leitor interpretar o texto dentro do contexto em que foi
empregado: a ideia inovadora desse produto é proporcionar mobilidade ao consumidor.

Atenção
A conotação é responsável pela existência das metáforas e da polissemia, que é a característica das palavras que possuem a
mesma origem e apresentam mais de um significado.

Exemplos:

Fulano é um gato. (= bonito)


Há um gato na luz. (= furto de energia elétrica)
Vamos ver, agora, como a conotação pode ser explorada em uma canção. Para isso, leia a letra da música de Marisa
Monte: Gentileza.
O que você entende dos seguintes trechos:

Atividade
1 - Classifique os termos sublinhados nas sentenças a seguir, indicando se foram usados em sentido conotativo ou
denotativo:

a) Ele sempre foi meu braço direito.

Conotação

Denotação

b) O braço dele ficou machucado.

Conotação

Denotação

c) Ela queimou a mão na porta do forno.

Conotação

Denotação

d) Ela tem uma ótima mão para doces!

Conotação

Denotação

e) Você iluminou meu dia!

Conotação

Denotação

f) A lâmpada não iluminou bem a sala.

Conotação
Denotação

2 - Já sabemos que um texto é um conjunto de palavras que formam um sentido. Podemos classificá-lo em dois grandes
grupos: os textos literários e não literários. Você sabe diferenciá-los? Leia os textos a seguir e descubra de que tipo é cada
um: Não se esqueça de justificar sua resposta!

GABARITO
Esse texto  é considerado literário, pois apresenta linguagem subjetiva e se destina ao entretenimento, à arte, à ficção.

Texto 2 - A
importância da água.
GABARITO
Já esse texto  é considerado não literário, pois apresenta linguagem objetiva e tem uma função utilitária, ou seja, informar
sobre um fato específico: a água, seus benefícios e os problemas que sua falta pode ocasionar.

Figuras de linguagem
Vamos conhecer, agora, algumas figuras de linguagem e entender sua importância como recursos de escrita:

Hipérbole
De acordo com Lima (1998, p. 503), como um tipo de metáfora, a hipérbole é a figura de linguagem que apresenta uma
expressão intencionalmente exagerada com o intuito de realçar uma ideia,

Elipse
De acordo com Cunha e Cintra (2008, p. 619), a elipse é a omissão de um ou
mais termos em uma oração, que podem ser identificados com facilidade.

Metáfora
Figura de linguagem que se baseia na alteração do sentido de uma palavra ou
expressão pelo acréscimo de um segundo significado.

Metonímia

Figura de linguagem que apresenta uma relação de proximidade entre dois termos.

Veja o seguinte exemplo:

Red Bull Te dá asas.


Neste caso, o que, teoricamente, “dá asas” a alguém é o líquido contido na lata.

Zeugma
Tipo de elipse em que há omissão de um termo já mencionado anteriormente.

Veja o seguinte exemplo:

Nestlé faz o melhor chocolate e dá receitas.

Neste caso, o nome da marca “Nestlé” foi ocultado:

Nestlé faz o melhor chocolate e (Nestlé) dá receitas.

Pleonasmo
De acordo com Lima (1998, p. 511), o pleonasmo “é o emprego de palavras
desnecessárias ao sentido”.

Já está implícito que a “opinião” é algo pessoal, não é mesmo?

Portanto, neste caso, não é necessário redigir a frase dessa forma. Basta constar: “Na minha opinião...”.

Nos exemplos a seguir, o pleonasmo é estilístico, pois realça uma ideia:

Vi, claramente visto, o lumo vivo.


(Luís de Camões)

E rir meu riso.


(Vinícius de Moraes)

Exemplos
Veja outros exemplos de pleonasmo:

 “Subir para cima”;


 “Entrar para dentro”;
 “Fato real/verídico/acontecido”;
 “Elo de ligação”;
 “Hemorragia de sangue”;
 “Consenso geral”;
 “Evidência concreta”;
 “Surpresas inesperadas”;
 “Planejamento antecipado”.

Eufemismo
Figura de linguagem que utiliza uma expressão menos agressiva para comunicar uma ideia desagradável.

Neste caso, em lugar de usar a palavra “morte” ou “morrer”, a propaganda optou pela oração “perdendo um cliente atrás do
outro”.

Silepse
Do grego syllepsis, que significa “ação de reunir, de tomar em conjunto”. Trata-se de uma figura de linguagem que
exprime uma concordância psicológica, ou seja, aquela que se relaciona à ideia de um termo, e não à forma gramatical que
aparece na frase. Há três tipos de silepse:
Atividade
Para finalizar esta disciplina, vamos fazer um exercício! Identifique as figuras de linguagem que predominam nas frases a
seguir.

1 - Eu sei que ele tem 599 defeitos, mas eu o amo mesmo assim.

2 - Aquela música tocou meu coração.

3 - A procissão de São Jorge saiu do Centro do Rio e andaram por todas as ruas até a catedral.

4 - Ana estava atrasada e preferiu ir direto à faculdade.

5 - Encontrei o pessoal do futebol e estão bem.

6 - Estava muito calor e tomei toda a garrafa de água.

7 - Todos sabem que ele fez fortuna por meios ilícitos.


8 - Saímos cedo porque queríamos parar no shopping.

9 - Temos evidências concretas de que ele é o culpado.

GABARITO
1. Hipérbole
2. Metáfora
3. Silepse de número
4. Zeugma
5. Silepse de número
6. Metonímia
7. Eufemismo
8. Elipse
9. Pleonasmo