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Conceitos básicos

sexta-feira, 9 de março de 2018 14:43

❖ Espaço
❖ Região
❖ Território
❖ Paisagem
❖ Lugar
❖ Meios geográficos (Milton Santos)

❖ Espaço
➢ atualmente, é um conceito central
➢ dificuldade de definição apriorística
➢ para a Geografia tradicional
▪ não é um conceito de grande importância
▪ preterido por outros conceitos como região ou paisagem, com escopo mais
definido
▪ espaço vital (Ratzel): mais ligado à ideia de território do que de espaço
• espaço transforma-se, por meio da política, em conceito chave da geografia
(Iná Elias de Castro)
➢ para a Geografia quantitativa
▪ espaço é o conceito central
▪ importante para a construção dos modelos e para a capacidade de generalização
▪ adoção de uma racionalidade econômica fundada na minimização dos custos e
maximização dos lucros ou da satisfação (Iná Elias de Castro)
▪ percepção do espaço como uma planície isotrópica
• planície: espaço é morfologicamente igual
• isotrópica: espaço homogêneo
• espaço é reduzido às dimensões mínimas (localização e distância), para
determinar sua influência sobre o comportamento
➢ para Geografia crítica
▪ valorização do conteúdo social do espaço
▪ Milton Santos: “o espaço é uma forma-conteúdo, um conjunto indissociável de
sistemas de objetos e sistemas de ações”
• o espaço é a soma da estrutura morfológica, das formas, com a interação da
sociedade com essas formas
• espaço = paisagem + uso
• não é transtemporal: o uso pode mudar
▪ duas dimensões
• morfológica: forma/objetos
• social: conteúdo/ações
▪ espaço é, simultaneamente, contingente e contingência
▪ espaço é o locus da reprodução das relações sociais de produção (Iná Elias de
Castro)
▪ formação socioespacial: uma sociedade só se torna concreta através de seu espaço,
do espaço que ela produz e, ao mesmo tempo, o espaço só é inteligível através da
sociedade (Iná Elias de Castro)
➢ para a Geografia humanista
▪ noção de “espaço vivido”
▪ valorização da experiência subjetiva
▪ retorno ao subjetivismo
➢ as práticas espaciais (Iná Elias de Castro)
▪ conjunto de ações espacialmente localizadas que impactam diretamente sobre o
espaço
▪ seletividade: no processo de organização do espaço, o homem age seletivamente
▪ fragmentação-remembramento: diferentes formas de controle sobre o espaço, com
dimensão política

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dimensão política
▪ antecipação: localização de uma atividade em dado local antes que condições
favoráveis tenham sido desfeitas
▪ marginalização: o valor atribuído a um dado lugar pode variar ao longo do tempo
▪ reprodução da região produtora: no processo de valorização produtiva do espaço, é
necessário que se viabilize a reprodução das condições de produção
❖ Região
➢ um recorte do espaço
➢ princípio da diferenciação espacial
▪ só é possível dividir o espaço porque existem diferenças
➢ para a Geografia tradicional
▪ está no centro do debate das relações entre sociedade e natureza
• debate tem origens na obra de Ritter
• determinismo geográfico: natureza como elemento explicativo em relação à
sociedade
• possibilismo: cada grupo social estabelece uma relação única com seu meio;
natureza não é determinante
▪ região natural
• herança da geologia
• relação com o determinismo geográfico
• sociedade condicionada pelo ambiente
• divisão segue características naturais
• estabilidade
• ex: domínios morfoclimáticos e biomas no Brasil
▪ região geográfica
• matriz francesa de Vidal de La Blache
• relação com o possibilismo
 ruptura com determinismo
• natureza como limitador, mas não como explicação
• região definida a partir dos gêneros de vida
• caráter único da região - porque é definida pelo gênero de vida
• descrição como método geográfico
• herança na geografia escolar
▪ região é um conceito “autoevidente”
• trabalho do geógrafo é somente reconhecer ou descrever a região
➢ para a Geografia quantitativa
▪ região como classe de área
• não é autoevidente
▪ região homogênea
➢ para a Geografia crítica
▪ permanece o método, mudam os critérios
▪ princípio do desenvolvimento desigual e combinado
▪ divisão do trabalho
➢ para a Geografia humanista
▪ resgate do princípio da particularidade
• possibilismo
▪ identidades regionais e regionalismo
▪ região define um código social comum que tem uma base territorial (Iná Elias de
Castro)
❖ Território
➢ matriz ratzeliana
▪ nascimento da geografia política
▪ somente Estados são valorizados como atores
➢ território
▪ espaço definido a partir de uma relação de poder ou de uma dimensão identitária
➢ territorialidade
▪ relação entre os agentes sociais, políticos e econômicos, interferindo na gestão do

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▪ relação entre os agentes sociais, políticos e econômicos, interferindo na gestão do
espaço
➢ relação território/Estado
▪ limite espacial do exercício do poder de um Estado
▪ fonte de recursos de poder
▪ identidades nacionais são limitadas por e têm origem em determinado território
➢ renovação da geografia política e da geopolítica
▪ segunda metade do século XX
▪ começa a romper com o excepcionalismo estatal
▪ novas escalas de poder, novas lógicas territoriais
• territórios descontínuos
 territórios em rede
 territórios intermitentes
▪ território e identidade
• territorialização
• desterritorialização
• reterritorialização
❖ Paisagem
➢ certa extensão de terra
➢ dimensão sensorial
➢ perspectiva visual
➢ para a Geografia tradicional
▪ paisagem natural
▪ ausência do elemento humano
▪ o surgimento da “Landschaftkunde” na Alemanha
• começa a incorporar o elemento humano
• ação humana como modeladora da paisagem
▪ Carl Sauer e a Geografia cultural
• cultura como elemento modelador da paisagem
➢ para a Geografia quantitativa
▪ é um conceito irrelevante
➢ para a Geografia crítica
▪ paisagem como dimensão morfológica do espaço
• formas espaciais
▪ Milton Santos
• “o espaço é uma acumulação desigual de tempos”
• ritmo de produção do espaço e de transformação é diferente em cada época
▪ paisagem como testemunho da acumulação de tempos
➢ para a Geografia humanista
▪ reemergência da Geografia cultural
▪ formas materiais como manifestação de cultura
▪ paisagem cultural: sistemas de significação
• formas e símbolos
❖ Lugar
➢ princípio da singularidade
▪ uma parte do espaço que possui algum elemento que o singulariza diante de todo
o resto
➢ Milton Santos
▪ “lugar como escala de resistência”
• contraposição à ideia de globalização homogeneizadora
• lugar associado à escala local
▪ “guerra dos lugares”
• discussão ligada à guerra fiscal
• lugares procuram mostrar sua singularidade para receber investimentos
➢ “não lugar” (placelessness/non-lieu)
▪ década de 1990
▪ supermodernidade: acentuação de valores associados à modernidade

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▪ supermodernidade: acentuação de valores associados à modernidade
(funcionalização, racionalização)
▪ partes do espaço são tão estritamente funcionais que não é possível atribuir
qualquer subjetividade
❖ Meios geográficos (Milton Santos)
➢ meio natural
▪ existem técnicas, mas há uma grande influência da natureza
▪ técnicas não estão territorializadas
▪ condição natural é decisiva
• subordinação das técnicas ao quadro natural
➢ meio técnico
▪ espaço mecanizado
▪ engenhos inauguram o meio técnico no Brasil
▪ ferrovias do café no Brasil: meio técnico de mecanização incompleta
• não integra o território, integra partes
▪ técnicas começam a se territorializar
▪ prolongamentos do território: próteses (M. Santos)
➢ meio técnico científico informacional (MTCI)
▪ após a II GM
▪ no Brasil, após a década de 1970
▪ espaço geográfico cada vez mais artificial
▪ intencionalidade da ciência
▪ não é homogeneidade nem simetria
▪ cara geográfica da globalização (M. Santos)

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História do pensamento geográfico
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❖ Nascimento da geografia moderna


❖ Geografia tradicional
❖ Geografia racionalista
❖ Geografia quantitativa
❖ Geografia crítica
❖ Geografia humanista

❖ Campos de tradição
➢ descrição/particularismo
➢ explicação/generalismo
❖ Nascimento da geografia moderna
➢ fim do século XVIII/início do século XIX
➢ surgiu com dois prussianos
➢ síntese dos dois campos de tradição
➢ Alexander Von Humboldt (1769-1859)
▪ "Relato da viagem às terras equinociais do novo mundo" (1807)
▪ "Cosmos - esboço de uma física do mundo" (1845/1862)
• reunir todo o conhecimento disponível sobre as ciências naturais
▪ "empirismo raciocinado": intuição a partir da observação (ACR Moraes)
▪ esforço de síntese
• “espírito enciclopedista”
▪ marco na história do pensamento científico em geral
➢ Carl Ritter (1779-1859)
▪ "A ciência da terra em relação com a natureza e a história da humanidade"
(1816/1859)
• pretendia reunir todo o conhecimento disponível sobre todos os lugares
conhecidos
▪ cátedra em Berlim
▪ bases do determinismo geográfico
▪ "Geografia Comparada" (ACR Moraes)
• "sistema natural": área delimitada dotada de uma individualidade
• Geografia deveria estudar os arranjos individuais e compará-los
➢ Antonio Carlos Robert de Moraes (Pequena história crítica)
▪ sistematização do conhecimento geográfico só vai ocorrer no início do século XIX:
pensar a Geografia como um conhecimento autônomo demandava um certo número
de condições históricas
• conhecimento efetivo da extensão territorial do planeta
• existência de um repositório de informações sobre variados lugares da Terra
• aprimoramento das técnicas cartográficas
❖ Geografia Tradicional
➢ a partir de meados do século XIX
➢ processo de institucionalização
▪ na Alemanha
• contexto: unificação
• reconhecimento do território
• identidade nacional
• influência do pensamento de Ritter
• não existe, inicialmente, objetivo expansionista de colonialismo tardio
➢ Friedrich Ratzel (1844-1904)
▪ "Antropogeografia" (1882/1891)
▪ "Geografia política" (1897)
▪ foi um instrumento poderoso de legitimação dos desígnios expansionistas do Estado
alemão recém constituído (ACR Moraes)

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alemão recém constituído (ACR Moraes)
▪ espaço vital (ACR Moraes)
• o território representa as condições de trabalho e existência de uma sociedade
• a perda de território seria a maior prova de decadência de uma sociedade
• o progresso implicaria a necessidade de aumentar o território, de conquistar
novas áreas
▪ determinismo geográfico
• relação de causa e efeito
• natureza como causa e sociedade como efeito
➢ Paul Vidal de La Blache (1845-1918)
▪ "Tableau de la géographie de France" (1903)
▪ Geografia francesa desenvolveu-se com o apoio do Estado francês -> a Guerra Franco-
Prussiana havia colocado a necessidade de pensar o espaço, de fazer uma Geografia
que deslegitimasse a alemã e que, ao mesmo tempo, fornecesse fundamentos para o
expansionismo francês (ACR Moraes)
▪ criticou Ratzel: condenou a vinculação entre o pensamento geográfico e a defesa de
interesses políticos imediatos, alegando a "necessária neutralidade do discurso
científico"; não quer dizer que Vidal não veiculasse uma legitimação ideológica dos
interesses franceses, apenas que era mais dissimulada (ACR Moraes)
▪ gênero de vida
• cada grupo social desenvolve um relacionamento próprio com a natureza
▪ possibilismo
• natureza passou a ser vista como possibilidades para a ação humana (ACR
Moraes)
▪ geografia regional
❖ Geografia Racionalista (ACR Moraes)
➢ menor carga empirista
➢ privilegiou um pouco mais o raciocínio dedutivo
➢ EUA
➢ Alfred Hettner
▪ busca de um terceiro caminho para a análise geográfica, que não fosse o do
Determinismo e o do Possibilismo
▪ Geografia seria o estudo das formas de inter-relação dos elementos no espaço
terrestre
➢ Richard Hartshorne
▪ deixou de procurar um objeto da Geografia, entendendo-a como um "ponto de vista";
a Geografia seria um estudo da "variação de áreas"
▪ conceitos básicos: área (construída idealmente pelo pesquisador, a partir da
observação dos dados escolhidos) e integração (a análise deveria buscar a integração
do maior número possível de fenômenos inter-relacionados)
▪ articulou a Geografia Geral e a Regional, diferenciando-as pelo nível de profundidade
de suas colocações
❖ Geografia Quantitativa
➢ a partir de meados do século XX
➢ surge nos EUA
➢ critica a geografia tradicional → ausência de um estatuto científico
▪ não tem como criar hipóteses
➢ importância da modelagem matemática
▪ modelos espaciais: localização e distância
▪ consumidores são racionais
➢ influência do pensamento econômico liberal
➢ momento histórico: urbanização, industrialização e expansão de capital (Manual)
❖ Geografia Crítica
➢ a partir da década de 1970
➢ duas grandes linhas de crítica: teórico-metodológicas e político-ideológicas
▪ geografia tradicional: método descritivo; determinismo
▪ geografia quantitativa: modelos matemáticos são insuficientes
➢ Yves Lacoste

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➢ Yves Lacoste
▪ "A geografia serve antes de tudo para fazer a guerra"
➢ Milton Santos
➢ valorização do conteúdo social do espaço
➢ incorporação de um discurso político: não se quer fazer neutra
➢ coloca a Geografia como instrumento de dominação da burguesia (ACR Moraes)
❖ Geografia Humanista
➢ a partir da década de 1970
➢ duas linhas de crítica: economicismo excessivo e objetivismo excessivo
▪ geografia quantitativa: modelos econômicos
▪ geografia crítica: reducionismo à luta de classes
➢ valorização da subjetividade na relação com o espaço
➢ dimensão cultural
➢ relações de pertencimento
➢ "topofilia/topofobia"

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Geopolítica clássica
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❖ Matriz inicial
○ Friedrich Ratzel (1844-1904)
○ Rudolph Kjellen (1864-1922)
❖ Poder terrestre
○ Halford Mackinder (1861-1947)
○ Karl Haushofer (1869-1946)
❖ Poder marítimo
○ Alfred Mahan (1840-1914)
○ Nicolas Spykman (1893-1943)

❖ Matriz inicial
➢ Friedrich Ratzel (1844-1904)
▪ viagem aos EUA (1874-75)
• papel dos migrantes na ocupação do território
• destino manifesto
 direito de expansão territorial
 mobilidade de fronteira
▪ determinismo
• natureza como elemento de determinação em relação a sociedade
▪ Geografia política: uma geografia do Estado, do comércio e da guerra (1897)
• valorização da dimensão territorial do poder
• território é uma condição para o poder do Estado, para o Estado ser uma
potência
• Estado como organismo
 Estado orgânico
 precisa de uma base para se nutrir e crescer -> território
 expansionismo extraeuropeu: buscar recursos de poder na Europa seria
mais difícil -> vários Estados fortes
• simbiose Estado/solo
 Ratzel raramente usa o termo território
 solo = território
 território vai fornecer os recursos para que o Estado possa se desenvolver
 fornece recursos de poder
• o espaço vital (lebensraum)
 conceito popularizado durante o nazismo (Haushofer)
 espaço mínimo necessário para que o Estado possa crescer e se
desenvolver em todo o seu potencial
 se o Estado não for capaz de garantir o espaço vital, ele irá definhar e
morrer
 Estados mais desenvolvidos precisam de mais espaço vital
 mobilidade de fronteiras
 fronteiras devem se expandir para o Estado conseguir mais recursos, para
conseguir continuar crescendo
▪ as leis de crescimento dos Estados
• 1) as dimensões do Estado crescem com a sua cultura
 cultura = civilização
 países mais avançados precisam de mais espaço
 base para discurso civilizatório europeu e para a conquista de colônias na
África
• 2) o crescimento do Estado segue outras manifestações do crescimento dos
povos, que devem, necessariamente, preceder o crescimento do Estado
 crescimento do Estado = expansão territorial = expansão política
 expansão política é precedida das expansões apolíticas

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 expansão política é precedida das expansões apolíticas
 expansões apolíticas: produção, comércio, ideias
• 3) o crescimento do Estado se processa pela anexação dos membros menores
ao agregado. Ao mesmo tempo, a relação entre a população e a terra torna-se
continuamente mais próxima
 anexação de outros Estados
 deve-se construir a relação entre a população e o território
 mera anexação: "conglomerados frouxos", insustentáveis a longo prazo
• 4) as fronteiras são o órgão periférico do Estado, o suporte e a fortificação do
seu crescimento, e participam de todas as transformações do organismo do
Estado
 fronteira é a "pele" do Estado
 crescimento do Estado depende da mobilidade das fronteiras
• 5) no seu crescimento, o Estado esforça-se pela delimitação de posições
politicamente valiosas
 áreas ricas em recursos de poder
 expansão territorial traduz-se como a busca de mais recursos
• 6) os primeiros estímulos ao crescimento espacial dos Estados vêm-lhes do
exterior
 contato com organismos estatais mais desenvolvidos serve de estímulo
para o crescimento do Estado
• 7) a tendência geral para a anexação e fusão territoriais transmite-se de Estado
para Estado, e cresce continuamente de intensidade
 tendência é sempre buscar mais espaço
➢ Rudolph Kjellen (1864-1922)
▪ aluno de Ratzel
▪ surgimento do termo geopolítica
• "As grandes potências" (1905)
▪ sistematização da obra de Ratzel
▪ "a geopolítica é o estudo do Estado como organismo geográfico ou fenômeno
espacial"
▪ cinco dimensões do poder do Estado
• demopolítica: povos/raça/demografia
 dimensão relacionada à população
 tamanho/composição da população
 população como recurso de poder (elemento quantitativo)
 influência do racismo científico (elemento qualitativo)
• sociopolítica: estrutura da sociedade
• cratopolítica: forma de governo
 democracia seria a melhor forma de governo na construção de uma
potência
• ecopolítica: economia
 produção e comércio
• geopolítica: território
 topopolítica: posição
➢ onde o território se encontra
➢ controle de passagens estratégicas
 fisiopolítica: sítio
➢ quadro natural do território
➢ recursos naturais
➢ relevo
➢ proteção natural do território
 morfopolítica: forma
➢ caiu em desuso
➢ desenho do território no mapa
➢ heranças ratzelianas
▪ 1) o determinismo geográfico

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▪ 1) o determinismo geográfico
▪ 2) o excepcionalismo estatal
• Estado como unidade política básica do sistema internacional, cujo atributo
principal é o poder
• poder como capacidade de uma unidade política fazer com que outras se
comportem de acordo com seus interesses
• emergência das hipóteses geoestratégicas de poder mundial
❖ Poder terrestre
➢ o poder deriva das grandes extensões com abundância de recursos
▪ diretamente relacionado com a ideia de espaço vital
➢ Sir Halford Mackinder (1861-1947)
▪ defesa do pensamento político e estratégico na geografia inglesa
▪ "causalidade geográfica"
• determinismo geográfico (Ratzel)
▪ 1904: "The geographical pivot of History"
• virada para o século XX: o fim da "era colombiana"
 era colombiana: predomínio do poder marítimo
 a grande vantagem do poder marítimo era a capacidade de mobilidade
 ferrovias tornam o deslocamento terrestre mais rápido
• "core area" na massa eurasiana, inacessível por mar
 área rica em recursos de poder
 imune ao poder marítimo
 área pivô

• periferia geopolítica: fora da massa eurasiana; Américas, Oceania e África;


crescente insular externo
• massa eurasiana: ilha mundial
 dividida em
➢ crescente marginal interno: margeia o que é o grande centro de
poder
➢ área pivô
• recursos de poder da área pivô
 extensão
 recursos naturais
➢ autossuficiência de recursos básicos para bancar um processo de
industrialização e de poder hegemônico
➢ carvão (de alta qualidade)
➢ minério de ferro
➢ gás natural
➢ cobre
➢ petróleo
 fortaleza natural
➢ relevo
➢ mares gelados do Ártico

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➢ mares gelados do Ártico
 integração
➢ área dominada por estepes (relevo suave)
➢ facilidade na construção de ferrovias
• se surgisse uma grande potência na área pivô, seria capaz de conter o poder
inglês (marítimo) e se expandir pela massa eurasiana
 Inglaterra deve evitar que alguém seja capaz de estabelecer uma
hegemonia na área pivô
 preocupação com a Rússia
▪ 1919: Democratic Ideals and Reality
• preocupação com uma possível coligação entre Rússia e Alemanha, que
dominaria a área pivô
• área pivô passa a ser chamada de heartland
• mudanças da "Ilha Mundial"
 crescente externo: satélites
 África subsaariana: southern heartland
➢ abundância de recursos
 novas áreas centrais
➢ mar báltico
➢ baixo e médio Danúbio
➢ mar negro
➢ Ásia menor
➢ Armênia
➢ Pérsia
➢ Tibete
➢ Mongólia

• a chave do poder na Eurásia estaria no Leste Europeu


• "quem domina a Europa Oriental domina o heartland, quem domina o
heartland, domina a Ilha Mundial, quem domina a Ilha Mundial, domina o
mundo"
• cordão sanitário: evitar a formação de um poder hegemônico
 Polônia
 Tcheco-Eslováquia
 Hungria
 Iugoslávia
 Bulgária
 Romênia
 Grécia
 Estados Bálticos
 Finlândia
▪ 1943: "The round world and the winning of peace"
• necessidade de revisão das hipóteses anteriores
• transformações das estratégias de conflito
 avanço dos ataques à distância, do poder aéreo

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 heartland perde a condição de fortaleza
• emergência dos EUA como potência
• nova divisão geopolítica
 o Midland Ocean e o Heartland como centros
➢ Midland Ocean: Atlântico norte; liga o heartland aos EUA
➢ Karl Haushofer (1869-1946)
▪ "Escola de Munique" ou "Círculo de Munique"
▪ início da separação entre geografia política e geopolítica
• geopolítica: aproximação do pensamento militar
▪ "geopolítica é o fundamento científico da arte da ação política na luta de vida e
morte entre os organismos estatais pelo espaço vital"
▪ hipótese das pan-regiões

• princípio da autarquia
 controlar no território tudo que se precisa para o desenvolvimento
 dá liberdade de conflitos
 quanto menos depender dos outros, melhor
• pan-americana: EUA
• pan-Rússia: Rússia
 cercada pela Alemanha e pelo Japão
 Alemanha nunca deveria tentar se projetar em direção à Rússia
• euráfrica: Alemanha
• zona de coprosperidade asiática: Japão
• pan-região inglesa: fragmentada
 fala apenas em uma parte da obra
 pela própria natureza do Império britânico
• geraria uma situação de equilíbrio de poder
❖ Poder marítimo
➢ Alfred Mahan (1840-1914)
▪ profeta do imperialismo americano e evangelista do poder marítimo
▪ poder marítimo = poder naval + frota mercante
▪ correlação entre poder marítimo e grandeza nacional
▪ contraposição à "marcha para oeste"
• expansão territorial não deve ser um fim em si mesma
▪ 1890: "The influence of sea power upon history"
• condições do poder marítimo
 1) posição
➢ acesso ao mar
➢ controle das áreas estratégicas
➢ considera território insular mais vantajoso: saída para todos os lados
 2) configuração física
➢ desenho da linha de costa
➢ atracadouros

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➢ atracadouros
➢ áreas protegidas
 3) extensão do território e densidade da população
➢ recursos disponíveis para construção de uma marinha forte
➢ contexto: transição para as “marinhas de aço”
➢ importância dos recursos naturais para isso
 4) caráter nacional
➢ predisposição de um povo de se voltar para os mares
 5) caráter de governo
▪ Roosevelt coloca em prática as ideias de Mahan: política do Big Stick
• grande salto da Marinha americana
▪ EUA como potência nas Américas depende do controle do Caribe ("Mediterrâneo
americano")
• mar de integração das Américas
▪ necessidade de controle do Canal do Panamá
• conectar a vantagem bicosteira
• se alguma outra potência controlar a passagem, a distância a ser percorrida
deve ser muito maior para ligar as duas costas
▪ requisitos necessários ao poderio estratégico
• transporte
 mobilidade
• colônias
 potencializa a capacidade de defesa ativa
• capacidade de defesa ativa
 expandir o poder de defesa
 bases para fora do território
 manter os conflitos próximos ao território do inimigo e longe do seu
próprio território
 mares não são barreiras, são portas de entrada
 defesa ativa = se antecipar e criar condições de defesa
➢ Nicolas Spykman (1893-1943)
▪ "teoria do Rimland"
• Rimland: crescente marginal interno de Mackinder
• "who controls the Rimland rules Eurasia; who rules Eurasia controls the
destinies of the world"
▪ teoria intervencionista
• não expansionista, mas para defesa
• melhor forma de se defender é estender as linhas de defesa para mais perto do
inimigo
• bases marítimas
▪ é importante conter as saídas do heartland para o mar
• contenção da Rússia no acesso aos mares quentes

▪ Heartland
▪ Rimland

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▪ Rimland
▪ Novo Mundo
• novo polo de poder
• Américas
• América do Sul é importante para a defesa dos EUA
▪ Ilhas e continentes offshore
• África e Oceania
• periferia geopolítica
▪ EUA X Rússia
• questão é cercar ou ser cercado
• se os EUA não controlarem o Rimland, poderá ser cercado pela Rússia pelos
dois lados de seu território
• defende o intervencionismo (projeção) dos EUA na massa eurasiana

• projeção azimutal: evidencia a proximidade entre EUA e Rússia


▪ política de segurança norte-americana
• 1) assegurar o equilíbrio de poder na Eurásia para evitar que se estabeleça um
centro de poder excessivamente influente na Europa e no extremo oriente
• 2) manter uma situação de indiscutível hegemonia no hemisfério ocidental
• 3) impedir o controle do Rimland pelos comunistas

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Geopolítica - crise da tradicional e novos temas
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❖ Crise da geopolítica
❖ Resgates
❖ Geoeconomia
❖ O fim do Estado
❖ Revalorização da geopolítica
❖ Logística como tema geopolítico
❖ Recursos naturais: nova fisiopolítica

❖ Crise da geopolítica
➢ pós II GM
➢ associação com o expansionismo nazista
➢ hipóteses tradicionais não dão conta do novo cenário internacional
➢ desenvolvimento de novas tecnologias e estratégias de conflito
❖ Resgates
➢ década de 1950 - a geografia política nos EUA (Bowman, Hartshorne, Whittlesey)
➢ década de 1960 - a "Hérodote" e a "geopolítica crítica"
▪ "Hérodote": revista de geografia e geopolítica; principal nome é Yves Lacoste
➢ década de 1970 - Henry Kissinger
➢ década de 1980 - conservadorismo nos EUA
➢ novos temas ao final do século XX (Iná Elias de Castro)
▪ ponto forte: enfocando a lógica especial, permite à disciplina incorporar novos temas
▪ ponto fraco: diversidade de temas dificulta a construção de um corpus temático
coerente
❖ Geoeconomia
➢ Edward Luttwak (1942)
▪ EUA
▪ 1990: "da geopolítica à geoeconomia"
• "a lógica da guerra está subsumida à gramática do comércio"
• conflitos cada vez menos seriam por territórios → disputas econômicas
• conflitos econômicos envolvem menos o Estado → disputas empresariais
• competição
 conquista de mercados
 cadeias de valor
 novas tecnologias
➢ Pascal Lorot (1960)
▪ Introduction à la géoéconomie - 1999
• "a geoeconomia analisa as estratégias de ordem econômica, notadamente
comerciais, decididas pelos Estados no quadro de sua política externa"
• papel dos Estados
 proteger a economia nacional
 conquista de tecnologias
 conquista de mercados
➢ Lester Thurow (1938)
▪ Head to Head - 1992
• "o confronto agora deixou de ser militar para se tornar econômico (...) Em
última análise, os confrontos militares representam um desperdício de
recursos "
• não chega a usar o termo geoeconomia
• ciclos hegemônicos
 século XIX - Inglaterra
 século XX - EUA
 século XXI - Japão, Europa e EUA
➢ multipolarização econômica

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➢ multipolarização econômica
❖ O fim do Estado
➢ mundo operando em redes de longo alcance
➢ fim do espaço
➢ fim das fronteiras/porosidade
➢ fim da soberania
➢ toda rede tem uma base territorial
▪ fluxos e nós
▪ nenhuma rede paira totalmente no ar
➢ fluxos tolerados X fluxos indesejados
▪ Estados tentam conter os fluxos indesejados
❖ Revalorização da geopolítica
➢ novas lógicas
➢ novos temas
❖ Logística como tema geopolítico
➢ alcance cada vez maior das redes
▪ valoriza princípios de geopolítica
➢ controle de áreas estratégicas para a circulação
▪ dutos na Eurásia
• disputas energéticas
• Europa ainda tem certo grau de dependência do gás russo
• Rússia é dependente economicamente do escoamento de gás para a Europa
• projeto Nabuco (não foi implementado)
 tentativa de fazer a Europa ocidental receber gás diretamente da Ásia
central e do Golfo Pérsico, para reduzir a dependência russa
 precisaria passar pela Turquia
• países bálticos dependem completamente do gás russo
• novos dutos russos na Turquia (Turkish stream)
 fecha todas as passagens a leste da Europa para novos fornecedores
• investimentos europeus em fontes alternativas de energia → Rússia volta-se
para a China
▪ nova rota da seda
• China
• rotas marítima e terrestre
• projeção chinesa em direção ao oeste

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▪ Canal da Nicarágua
• investimentos chineses
• alternativa ao Canal do Panamá
• custo muito alto
• risco ambiental
• propiciaria anel global marítimo chinês
➢ valorização dos territórios
▪ B. Becker: novos heartlands
• novas áreas de recursos que antes não eram valorizados
▪ Ártico
• aumento do degelo
• potencial de novas rotas marítimas
• disputa entre Rússia (passagem nordeste) e Canadá (passagem noroeste)
pelas rotas
• encurta caminho para Ásia
• 2017: China comprou parte de um porto russo na entrada para a Rota do
Norte (Arkhangelsk)
 cooperação entre China e Rússia

➢ geopolítica pode ser entendida como um jogo de redução de dependência


❖ Recursos naturais: nova fisiopolítica
➢ novas fontes - os "novos heartlands"
▪ B. Becker: novos heartlands
• novas áreas de recursos que antes não eram valorizados
▪ áreas subexploradas
▪ fundos marinhos
• hidrocarbonetos
 Brasil é um ator importante
• recursos minerais
 manganês, ferro, níquel, cobre, lítio, molibdênio, zircônio, terras raras,
nióbio, cobalto, zinco, chumbo, bário, prata, ouro, antimônio, cádmio,
gálio, germânio, selênio, estanho, platina, titânio
• esforço por territorialização

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 mar territorial (12 milhas): soberania
 zona econômica exclusiva (200 milhas): exploração de recursos de água e
de fundo marinho
 plataforma continental: forma de território marinho que é a continuidade
do relevo terrestre
➢ se um Estado comprovar que a plataforma ultrapassa as 200
milhas, poderá colocar um pleito junto à ONU e estendê-la, até o
limite de 350 milhas
➢ garante exclusividade de exploração de fundo
• Mar do Sul da China
 ilhotas
 serve também para defesa
 algumas reservas de gás e de petróleo já estão sendo exploradas
 hidrato de metano (preso no gelo)
➢ grande potencial energético (maior que das outras fontes)
➢ ainda não tem viabilidade econômica
➢ Japão (no Mar do Leste) e China na linha de frente da exploração
• disputa por ilhotas: podem ampliar o mar territorial e a ZEE
 China X Japão
• Ártico
 grande potencial de hidrocarbonetos no fundo marinho
 regulado pelo Direito do Mar
 Conselho do Ártico
➢ Canadá, Dinamarca, EUA, Finlândia, Islândia, Noruega, Rússia e
Suécia
➢ observadores: França, Alemanha, Holanda, Polônia, Espanha, Reino
Unido, China, Índia, Japão
➢ participação de organizações que representam os povos indígenas
➢ tentativa de “regular” a exploração sustentável de recursos
➢ foro político
 Cordilheira Lomonosov: estratégica
➢ atravessa o Círculo Polar Ártico
➢ potencialmente conectada à plataforma continental russa
➢ Rússia foi o primeiro país do mundo (2001) a colocar um pleito para
aumento da plataforma continental
▪ estudo foi inconclusivo (2007)
➢ em 2014, Dinamarca colocou um pleito dizendo que a cordilheira
está ligada à Groenlândia
➢ Canadá também já colocou pleito
• Mar da China
 disputas por ilhotas
 reservas de petróleo e gás
• Amazônia Azul
 Brasil apresentou pleito em 2004 para expansão da plataforma
continental
 pleito foi parcialmente aceito
 investimentos em defesa
 cooperação da Marinha com países do Atlântico Sul
➢ novos recursos
▪ Polanyi: mercadorias fictícias
• não nascem como mercadorias, mas são mercantilizados
• mercado do ar, da água, da vida
▪ Amazônia Verde
• recursos não tradicionais: água, biodiversidade
▪ disputas por água
• água virtual
 valorização dentro da cadeia produtiva

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 valorização dentro da cadeia produtiva
 ver Energia BR e fontes de energia - Recursos hídricos
• hidropolítica
• questões de regulação
 não existe uma regulação internacional para o uso da água como recurso
hídrico em bacias transfronteiriças
 existem alguns tratados bilaterais
• Himalaia
 Índia X China
 represas
 risco de desabastecimento e pressão hídrica em países muito populosos
 Glaciar de Siachen em disputa
➢ um dos formadores da bacia do Indo (principal bacia do Paquistão)
• Nilo
 Egito e Sudão controlam maior parte da água da Bacia do Nilo
➢ tratados coloniais - 1929 (Egito) e 1959 (Sudão)
 assimetria de capacidade militar manteve a situação inalterada por muito
tempo
 em 1999, Iniciativa da Bacia do Nilo
 em 2010, acordo quadro para negociação das águas da Bacia - assinado
por 10 países; Egito e Sudão não assinaram
 Etiópia é a maior origem dos afluentes do Nilo (80%)
 Etiópia, com apoio chinês, quer construir represas e hidrelétricas
 Egito se dispôs a renegociar a situação
 investimentos chineses no Sudão, na Etiópia, em Uganda, no Burundi e na
República Democrática do Congo
• Bacias da Ásia Central
 formadoras do Mar de Aral
 canais e barragens construídos pelos países tiram água
• Israel-Palestina
 Israel empreende uma política de controle das nascentes de água
 Colinas de Golã: formação da Bacia do rio Jordão
 aquíferos: Gaza, costeiro, ocidental, oriental; controlados por Israel
(maior capacidade de bombeamento)
▪ patrimônio genético e biodiversidade
• países megadiversos
 EUA, México, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Brasil, República
Democrática do Congo, África do Sul, Madagascar, Índia, China, Filipinas,
Indonésia, Malásia, Austrália, Papua Nova Guiné
• patrimônio genético passa a ser visto como um recurso estratégico
• 2010: Protocolo de Nagoya

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População - conceitos
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:32

❖ Armadilha demográfica
➢ segura natalidade por mais tempo após a queda da mortalidade
➢ urbanização precária mantém benefício econômico de se ter muitos filhos
➢ atrasa entrada na fase 3
❖ Fadiga demográfica
➢ urbanização tende a aumentar crescimento populacional
➢ antes da queda da natalidade, mortalidade aumenta
▪ devido à precariedade do crescimento urbano
➢ “retorno” à fase 1
❖ Inverno demográfico
➢ ou cruz russa
➢ fase 5 do modelo
➢ aumento da pressão de dependência

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População
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:31

❖ Transição demográfica - Thompson


○ fase 1: sociedades pré-modernas ou pré-industriais
○ fase 2: explosão demográfica
○ fase 3: transição
○ fase 4: sociedades pós-industriais ou equilíbrio
○ fase 5: declínio (não prevista por Thompson)
❖ População mundo
❖ Janela demográfica
❖ Envelhecimento
❖ Estímulo à imigração
❖ Políticas natalistas
❖ Políticas de controle da natalidade
○ China
○ Índia
❖ Transição demográfica brasileira

❖ Crescimento populacional
➢ crescimento natural
▪ diferença entre natalidade e mortalidade
➢ saldo migratório
▪ entrada e saída de população em um dado território
❖ Transição demográfica - Thompson
➢ modelo criado em 1929
➢ não leva em conta migrações
➢ fase 1: sociedades pré-modernas ou pré-industriais
▪ fase mais longa
▪ alta natalidade
• sem planejamento familiar
• alta mortalidade infantil
 muitos filhos, para que alguns sobrevivam
• potencial econômico dos filhos
▪ alta mortalidade
• fome
• ausência de saneamento
• ausência de cuidados com a saúde
▪ padrão de crescimento
• relativamente estável
• taxa geométrica ≤ 1% ao ano
• tempo para dobrar: ~100 anos
▪ estrutura da pirâmide
• triangular côncava
 base larga, em função da natalidade alta
• queda abrupta entre faixas etárias
• baixa expectativa de vida

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➢ fase 2: explosão demográfica
▪ alta natalidade
• herança da fase anterior (padrão cultural)
• Europa e EUA no pós-II GM (baby boomers)
▪ mortalidade em queda
• melhoria das condições de saúde e higiene
• melhoria na produção agrícola
• acesso a educação
▪ urbanização
▪ industrialização
▪ padrão de crescimento
• acelerado
• taxa geométrica ≥ 2%
• tempo para dobrar: ~25 anos
▪ estrutura da pirâmide
• triangular
• aumento em todas as faixas
• aumento da razão de dependência jovem

➢ fase 3: transição
▪ natalidade em queda
• custo de vida
 perda do benefício econômico de ter muitos filhos
• contracepção
• mudança de padrões culturais
 entrada da mulher no mercado de trabalho
▪ mortalidade estabilizando baixa
• mais melhorias das condições de vida
▪ padrão de crescimento

Página 22 de GEO
▪ padrão de crescimento
• ritmo em queda
• taxa geométrica: 1 a 2%
• tempo para dobrar: ~65 anos
▪ estrutura da pirâmide
• colunar
• redução da base
• forte crescimento proporcional da PEA no final da fase
▪ passagem para a fase 4 corresponde à janela demográfica

➢ fase 4: sociedades pós-industriais ou equilíbrio


▪ natalidade estabilizando baixa
• fecundidade próxima à reposição
 reposição: 2,1 filhos
▪ mortalidade baixa
• patamar estável
• piso normal (por volta de 10%)
▪ padrão de crescimento
• tendência à estabilidade populacional
• taxa geométrica ≤ 1%
 tende a zero
• tempo para dobrar: -
▪ estrutura da pirâmide
• inversão suave
• envelhecimento
• expectativa de vida feminina é maior
• início do aumento da dependência de idosos

➢ fase 5: declínio (não prevista por Thompson)


▪ inverno demográfico/cruz russa
▪ geralmente países de alto IDH e alto nível de renda

Página 23 de GEO
▪ geralmente países de alto IDH e alto nível de renda
▪ natalidade não parou de cair
• mudança profunda dos padrões
▪ mortalidade superior à natalidade
• leve incremento
• não é necessariamente resultado do envelhecimento
 por causa da redução da população total
▪ padrão de crescimento
• decréscimo natural
• taxa geométrica ≤ 0%
• tempo para dobrar: -
▪ estrutura da pirâmide
• inversão mais forte
• envelhecimento acentuado
• alta pressão de dependência

❖ População mundo
➢ tendência de forte queda da taxa de crescimento populacional em todo o mundo
▪ maioria abaixo da média mundial
• exceções: África e Oceania
• África: taxa de fecundidade 4,7
• Oceania é afetada pela migração
❖ Janela demográfica
➢ menor razão de dependência possível
➢ RD = PII/PIA
▪ RD: razão de dependência
▪ PII: população em idade inativa (0-14; 65+)
▪ PIA: população em idade ativa (15-64)
➢ se
▪ RD = 90% -> muitas crianças
▪ RD = 48% -> bônus
▪ RD = 100% -> muitos idosos
❖ Envelhecimento
➢ grande desafio em todo o mundo no século XXI
▪ Gérard-François Dumont
➢ preocupação com a força de trabalho
➢ aumenta a pressão de dependência de idosos
▪ pior que a de jovens → jovens serão a força de trabalho no futuro
➢ problema horizontal: tende a alargar o topo da pirâmide
➢ problema vertical: idades sobem até o topo da pirâmide

Página 24 de GEO
➢ problema vertical: idades sobem até o topo da pirâmide
➢ redução da competitividade
▪ redução da PIA
➢ mudança nos padrões de consumo
▪ população mais velha consome menos bens e mais serviços
▪ geralmente, serviços intensivos em trabalho
• enfermeiros, cuidadores, etc
➢ depressão de natalidade
▪ Europa Ocidental
• rural sofre mais com o envelhecimento
• no espaço urbano, tem entrada migratória, que minimiza o envelhecimento
• Portugal: fecundidade de 1,36 (até menos durante a crise)
▪ Japão
▪ Coreia do Sul
▪ Canadá
• tem programas migratórios
▪ Austrália
• tem programas migratórios
• tem política natalista
▪ paradoxo demográfico-econômico
• quem pode bancar mais filhos é quem tem menos filhos
➢ China
▪ maior população do mundo
▪ grande risco de envelhecimento
▪ filho único
• relaxamento da política
➢ Leste Europeu
▪ natalidade baixa
▪ emigração
▪ dados de fecundidade menores que os da Europa Ocidental
❖ Rússia
➢ fase 5 do modelo
▪ cruz russa
▪ inverno demográfico
➢ grave crise de fecundidade
▪ a partir dos anos 1990
➢ envelhecimento populacional
➢ saldo migratório negativo
▪ geralmente, população em idade ativa
➢ alta mortalidade de jovens
▪ queda da expectativa de vida
▪ violência
▪ alcoolismo
❖ EUA
➢ envelhecimento não é um grande problema
▪ grande fluxo migratório
• entram na idade ativa
• contribuem para a fecundidade
➢ fecundidade está pouco abaixo da reposição
❖ Índia
➢ maior janela demográfica
▪ envelhecimento demoraria mais para chegar
❖ Japão
➢ estímulo à imigração nos anos 1990
➢ expectativa de vida muito alta
❖ Estímulo à imigração
➢ migrantes geralmente entram no meio da pirâmide (população em idade ativa)

Página 25 de GEO
➢ migrantes geralmente entram no meio da pirâmide (população em idade ativa)
➢ se legalizados, irão contribuir para a previdência
➢ podem contribuir para o aumento da fecundidade
➢ desafios
▪ tendência de fechamento
▪ custo político
❖ Políticas natalistas
➢ geram maior custo de dependência jovem
➢ não têm garantia de sucesso
➢ incentivos
▪ bônus por nascimento
▪ licenças mais longas por nascimento
• tanto para os pais quanto para as mães
▪ pagamentos mensais
▪ estruturas de acolhimento
▪ descontos para famílias numerosas
▪ redução de impostos
➢ Reino Unido
▪ não tem política natalista (fertilidade considerada satisfatória)
▪ migrantes ajudam a puxar a fertilidade para cima
➢ França
▪ fertilidade é considerada satisfatória (políticas para manter)
▪ conseguiu subir a fertilidade, mas não se pode afirmar que foi pelo sucesso das
políticas natalistas
▪ mesmo tendo subido, não chegou à taxa de reposição (2,1) - máximo foi 2,03
▪ incremento de natalidade foi observado entre a população mais pobre, de origem
migrante
▪ 2018: já não é mais a campeã de natalidade
• crise de 2008 e redução dos apoios estatais
• fecundidade voltou a cair
➢ Alemanha
▪ país que mais gasta com políticas natalistas no mundo (3% do PIB)
▪ sem resultado
▪ é o país que mais recebe migrantes na Europa, mas previsão ainda é de declínio
populacional
▪ 2019: previsão de que a faixa de dependência de idosos vai superar a faixa de
dependência de jovens
❖ Políticas de controle de natalidade
➢ China
▪ antecedentes
• gigante populacional
• estímulo à natalidade pós-1949
• "de todas as coisas do mundo, a população é a mais preciosa" - Mao Tse Tung
• geografia política da época: população é recurso de poder (Ratzel)
• explosão demográfica sobre uma população que já era muito grande
▪ problemas de abastecimento nas décadas de 1950 e 1960
• dispara a mortalidade
▪ o Grande Salto Adiante (1958)
• queda absoluta de população
• alteração da estrutura produtiva
• crise de abastecimento
▪ década de 1970
• wan-xi-shao
 casamento tardio + espaçamento entre nascimentos + poucos filhos
 política de caráter preventivo e educacional
 convencimento da população de valores demográficos
 estímulo ao controle

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 estímulo ao controle
 maior queda da fecundidade chinesa se dá antes da política do filho
único
• população do grande pico de crescimento (1960s) estava chegando à idade
ativa – necessidade de radicalizar
 interromper onda de nascimentos que viria
▪ Política Nacional de Controle de Natalidade (1979)
• cotas anuais para número de nascimentos em cada região
• incentivos e sanções
 licenças parentais longas
 crédito subsidiado
 multas
 perda do Hukou
➢ registro que dá acesso a infraestrutura social
• exceções
 minorias étnicas
➢ não é totalmente liberado
➢ evitar o desaparecimento da minoria
 pais com algum tipo de deficiência
➢ se dependerem dos filhos
 catástrofes naturais (ex: terremoto em Sichuan - 2008)
 gêmeos
• efeitos colaterais
 infanticídio feminino
 desproporção na razão de gênero
 tráfico de mulheres
 envelhecimento precoce
➢ em razão da baixa fecundidade e da alta expectativa de vida
➢ antecipa o fechamento da janela demográfica
 aumenta a pressão de dependência
➢ 4 avós, 2 pais e só uma criança
 clivagem social
➢ algumas pessoas podem pagar para ter o segundo filho, driblando a
política
• flexibilizações de correção
 áreas rurais (década de 1990)
➢ permite um segundo filho, caso o primeiro seja uma menina
➢ forma de evitar o infanticídio feminino
 casal formado por dois filhos únicos (2007)
➢ poderiam ter até dois filhos
 casal com pelo menos um componente filho único (2014)
 todos podem ter até dois filhos (2015)
➢ não é um fim do controle de natalidade
➢ deve ser submetido às cotas regionais
➢ ceticismo sobre a efetividade
➢ não quer retomar o crescimento, quer aproximar a fecundidade da
taxa de reposição
➢ mudança de comportamento foi profunda
➢ Índia
▪ parte de uma base populacional muito grande
▪ 1951: primeiro programa governamental de controle entre países em
desenvolvimento
• poucos resultados
• Estado indiano tinha pouco controle sobre a vida privada das pessoas
▪ 1976: Política Nacional de População
• 1ª fase - década de 1970: políticas rígidas
 limitação estrita

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 limitação estrita
 abortos forçados
 políticas mal sucedidas
 muitos nascimentos não eram registrados
• 2ª fase - década de 1980/início da década de 1990: políticas
flexíveis/preventivas/educativas
 tentar convencer a população a ter menos filhos
 funcionou, mas não muito
 dificuldade do alcance do Estado persistiu
• 3ª fase - a partir da metade da década de 1990: descentralização
 mais sucesso nas políticas de natalidade
 estados têm autonomia para gerir as políticas de controle
 suporte internacional
 queda mais acentuada na natalidade indiana
❖ Transição demográfica brasileira

➢ até década de 1920


▪ crescimento forte → saldo migratório
• principal destinação: áreas rurais
▪ fase 1 de transição demográfica
➢ década de 1940

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➢ década de 1940
▪ início da fase 2
▪ redução do papel do saldo migratório e aceleração do crescimento natural
• 1930s (Vargas): limitação da migração – cotas
• crescimento natural ainda não é suficiente para compensar
▪ explosão demográfica vai até o final da década de 1960
• forte relação com a urbanização
▪ queda da mortalidade principalmente nas áreas urbanas
➢ década de 1970
▪ início da fase 3
▪ início da queda mais acentuada da fecundidade
➢ atualmente
▪ passagem para fase 4
▪ quadro futuro de envelhecimento
• projeção de envelhecimento até metade do século
• fecundidade (2010): 1,86
• taxas de reposição por região (2010)

• razão de dependência é maior nas regiões em que a fecundidade ainda está


acima de reposição – Norte e Nordeste
• maior taxa de dependência de idosos: Sudeste e Sul, mas Centro-Sul ainda não
é uma região envelhecida – está na janela
• tendência é de continuidade da queda
 só está acima da reposição no Norte (2,11)

▪ janela demográfica
• até a década de 1970, razão de dependência foi puxada pela dependência

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• até a década de 1970, razão de dependência foi puxada pela dependência
jovem
 durante a janela demográfica, vão compor a população ativa
• 2010-2020: menor taxa de dependência registrada
 queda da dependência de jovens
 dependência de idosos ainda não é o suficiente para compensar a
redução dos jovens
 auge da janela demográfica
• para melhor aproveitar a janela: investimentos em educação e em
qualificação
• países centrais tiveram vantagem: viveram suas janelas em um bom momento
internacional, em um momento de crescimento, na era de ouro do capitalismo
• saldo migratório positivo pode atrasar o fechamento da janela demográfica
• projeções: deve durar até a década de 2040
• ápice populacional: 2048
 Nordeste é a região que mais vai perder população antes disso - saldo
migratório negativo
 estados de fronteira agropecuária devem ser os últimos a perder
população (depois da média nacional) - Acre, Amazonas, Roraima, Amapá,
Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul

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Migrações
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:32

❖ Motivação econômica
❖ Fluxos Sul-Norte
❖ Fluxos Sul-Sul
❖ Fluxos Norte-Sul
❖ Fluxos Norte-Norte
❖ Impactos na origem
❖ Impactos no destino
❖ Migrações forçadas
○ migrações recentes e rotas para Europa
❖ Brasil - migrações internas
❖ Brasil - migrações internacionais

❖ 3% da população mundial vive fora de seu país de origem


❖ Motivação econômica
➢ teorias liberais
▪ inspiradas na teoria do trabalho
▪ atração e repulsão
▪ migração é uma decisão individual
➢ perspectiva marxista
▪ motivações podem ser diferentes, mas todas as migrações são forçadas
▪ migrações econômicas são forçadas
• pessoa é forçada a migrar, para suprir às necessidades do capital
• difusão desigual dos meios de produção
▪ migrantes econômicos não contam com nenhum tipo de proteção
• diferentemente dos migrantes forçados (refugiados)
➢ especializações regionais
▪ certos grupos costumam ter o mesmo destino migratório
➢ fator de proximidade
▪ maior capacidade explicativa das especializações regionais
▪ custo é um obstáculo migratório
▪ migrante econômico não costuma ter alta qualificação
▪ grande parte dos migrantes é irregular
➢ redes
▪ migrantes de uma determinada origem atraem pessoas da mesma origem
▪ redes de solidariedade migratória
▪ bairros étnicos
▪ movimento ponto a ponto
▪ facilita integração no território de destino
▪ circulação de informação
➢ geralmente migrantes homens e jovens
❖ Fluxos Sul-Norte
➢ muito numeroso
➢ característico do século XX
▪ principalmente depois da II GM
➢ reversão da lógica tradicional das migrações
▪ antes eram Norte-Norte e Norte-Sul
• europeus → EUA, Brasil
➢ EUA: maior receptor migratório
▪ migrantes sempre foram vistos como um problema
▪ latino-americanos são maioria
▪ Bacia do Pacífico: 2ª maior origem
▪ asiáticos: maior qualificação média nos EUA entre os migrantes
▪ africanos: pouca participação nos migrantes, mas alta qualificação
➢ principais fluxos

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➢ principais fluxos
▪ latino-americanos → EUA
▪ africanos → Europa
▪ Europa Oriental → Europa Ocidental
▪ Ásia → Europa Ocidental, EUA, Oceania
➢ continua sendo importante
▪ mesmo com o surgimento de mais oportunidades de trabalho nos periféricos
▪ a renda esperada continua sendo maior no Norte
• terciário pode ser menos especializado, mas paga melhor
▪ disparidade da renda permanece
▪ fluxo de trabalho > fluxo da renda
❖ Fluxos Sul-Sul
➢ peso semelhante ao fluxo Sul-Norte
➢ hoje, é a que mais cresce
➢ migrações forçadas
▪ 85% é de movimentos Sul-Sul
▪ proximidade tem peso maior nas migrações forçadas
➢ migrações econômicas de forte proximidade
➢ receptores regionais
▪ África do Sul
• receptor emergente
• África subsaariana
▪ Oriente Médio
• receptores tradicionais: economias do petróleo
• diáspora indiana
▪ Brasil
• nos últimos anos, passou a polarizar atração da Argentina
• receptor emergente
• forte crescimento econômico começou a atrair migrantes
• bolivianos, colombianos, paraguaios, ...
▪ Argentina
• grande receptor sul-americano
▪ Tigres Asiáticos
❖ Fluxos Norte-Sul
➢ retornos
▪ migrante que volta ao país de origem
▪ EUA → México
• relacionado à crise de 2008
• queda da entrada de mexicanos
• indianos e chineses superaram os mexicanos como migrantes nos EUA
 em estoque, mexicanos ainda são em maior número
▪ EUA → Brasil
▪ Alemanha → Turquia
➢ fluxos de primeira etapa
▪ estão migrando pela primeira vez
▪ muito relacionado com a crise
▪ geralmente jovens
▪ Portugal → Brasil, Moçambique, Angola
• crescimento natural já era baixo, mas era compensado pelo saldo migratório
• a partir de 2011, saldo migratório torna-se negativo → retornados e
migrantes de primeira etapa
• perda populacional acentuada
▪ Espanha → América Latina
➢ fluxos de segunda etapa
▪ foram fluxos Sul-Norte
▪ quando voltam, não voltam, necessariamente para o país de origem
▪ EUA → África do Sul

Página 32 de GEO
▪ EUA → África do Sul
▪ EUA → México
❖ Fluxos Norte-Norte
➢ são importantes principalmente dentro da Europa (fluxo intra-europeu)
▪ região do mundo que tem mais pessoas que vivem fora de seus países de origem
▪ grande parte dentro da própria Europa
▪ maior grupo extrarregional presente na Europa é de asiáticos
❖ Impactos na origem
➢ remessas de migrantes
▪ Índia e China recebem muitas remessas
▪ difícil mensurar
➢ risco de armadilha econômica
▪ perda de população jovem
▪ dificuldade para reter população jovem no futuro
➢ fuga de cérebros
▪ casos extremos
• EUA: recebem muitos pesquisadores e saem poucos
• Índia: recebem poucos pesquisadores e saem muitos
▪ país não consegue reverter o investimento em pesquisadores em benefícios para o
país
❖ Impactos no destino
➢ atenuação do envelhecimento
➢ alta contribuição econômica
▪ estimula a economia
▪ impacto positivo da regularização do imigrante
• impostos
• emprego
➢ pressão de dependência baixa
▪ entram na faixa da idade ativa
➢ impacto étnico e cultural
❖ Migrações forçadas
➢ tendência de aumento nos últimos anos
▪ agravamento dos conflitos na Síria
• padrão das migrações forçadas se altera a partir de 2011
▪ manutenção de um número alto de refugiados do Afeganistão, Somália e Sudão
• situações de longa duração
• Afeganistão foi o maior emissor por 30 anos
▪ crescimento no Sudão do Sul
➢ ACNUR - 4 categorias de migrantes forçados
▪ refugiados
• Convenção de 1951: "toda a pessoa que, em razão de fundados temores de
perseguição devido a sua raça, religião, nacionalidade, associação a
determinado grupo social ou opinião política, encontra-se fora de seu país de
origem e que, por causa dos ditos temores, não pode ou não quer fazer uso da
proteção desse país ou, não tendo uma nacionalidade e estando fora do país
em que residia como resultado daqueles eventos, não pode ou, em razão
daqueles temores, não quer regressar ao mesmo"
• ainda não são reconhecidos refugiados ambientais
• Palestina
 como não é reconhecida como um Estado por toda a comunidade
internacional, não pode receber a proteção do ACNUR
 UNRWA
▪ demandantes de asilo
▪ apátridas
▪ deslocados internos
• não chega a sair do país
• não tem a proteção da Convenção de 1951

Página 33 de GEO
• não tem a proteção da Convenção de 1951
• maior parte das migrações forçadas
• contam com a assistência do ACNUR
➢ diferenças em relação às migrações econômicas
▪ fatores de repulsão pesam mais
▪ idade
• mais jovens que migrações econômicas
• maioria de crianças
▪ gênero
• maior participação feminina que nas migrações econômicas
• homens em idade ativa tendem a se envolver mais nos conflitos
▪ concentração Sul-Sul
• distância menor
➢ hotspots
▪ Afeganistão
• maior emissor desde a década de 1980
• ultrapassado pela Síria em 2014
▪ Iraque
• redução progressiva
• desestabilização da Síria
▪ Síria
• começou a aparecer na lista de 2012
• era o maior receptor de refugiados iraquianos
• conflitos contra Assad na própria Síria
• emergência do EI na região entre Síria e Iraque
• em 2014, aparece como maior emissor
▪ Sudão do Sul
• começa a crescer na metade de 2013
▪ Vietnã
• China é um importante receptor
• muitos saíram na época da Guerra do Vietnã
▪ Myanmar
• importante crescimento a partir de ago/2017
➢ grandes receptores
▪ Paquistão
• tradicionalmente, maior receptor
• Afeganistão
• ultrapassado pela Turquia em 2014 (Síria)
▪ Líbano
• aparece como segundo receptor na metade de 2014
• antes não aparecia na lista
• Síria
▪ Turquia
• Síria
• quarto receptor na metade de 2014
• maior receptor no final de 2014 → saturação do entorno da Síria
➢ deslocados internos
▪ grandes emissores de refugiados também possuem muitos deslocados internos
➢ migrações recentes e rotas para Europa
▪ disparada da mobilidade forçada a partir de 2011
• aumento da Síria
• manutenção de emissores anteriores (principalmente Afeganistão e Somália)
• surgimento de novos emissores africanos (Sudão do Sul, Eritreia, Nigéria)
▪ mudança das rotas em 2015
• saturação dos principais destinos (Líbano e Turquia)
 em 2015, muitos deslocados internos se tornam refugiados

Página 34 de GEO
 em 2015, muitos deslocados internos se tornam refugiados
• migrações de segunda etapa – Europa
 step migration
▪ novas rotas: Mediterrâneo Oriental e Bálcãs Ocidentais
• rota dos Bálcãs está subordinada à do Mediterrâneo
• Grécia (via Mediterrâneo) → outros países (via Bálcãs)
• até 2014, principal rota era Mediterrâneo central
▪ reações de fechamento
• controles de fronteira dentro de Schengen
• aumento do tempo para agrupamento familiar
• fracasso da perspectiva receptiva
 regulamento de Dublin estabelecia que responsabilidade era do 1º país
de entrada
• Alemanha liderou esforço para liberar peso sobre países mais pressionados –
cotas de realocação
• atentados (França e Alemanha) mudam opinião pública
▪ acordo UE-Turquia
• vigor em 20/03/2016
• resposta comunitária
• “migrantes irregulares” seriam mandados para a Turquia
• evitar que migrantes chegassem à Europa - funcionou
• combate à abertura de novas rotas cabe à Turquia
▪ efetividade da contenção no mar Egeu – aumento das mortes
• retomada no Mediterrâneo central
• ACNUR: risco do uso de países africanos para usar nova rota
• empoderamento dos traficantes de refugiados
• rotas mais longas e mais arriscadas
➢ relatório Global Trends 2016
▪ aumento do retorno de refugiados
• principalmente Afeganistão
 principalmente os que estavam no Paquistão – governo paquistanês
retirou alguns apoios
• sírios não conseguem retornar, apesar das dificuldades na Turquia
▪ redução da chegada de refugiados na Europa
• acordo com a Turquia
▪ Uganda como receptor
• Sudão do Sul – passou a ser o maior emissor africano
▪ aumento da recepção na Alemanha
• refugiados que chegaram em 2015, mas tiveram status de refugiado
reconhecido em 2016
▪ reforço da lógica de proximidade
• 2015: maior distanciamento da origem
➢ mid-year trends 2017
▪ tendência de aumento dos refugiados
▪ Síria continua como maior emissor
• com aumento do número de refugiados
• diminuição do ritmo - explicado pelo já alto número de refugiados
▪ Afeganistão como segundo emissor
▪ Sudão do Sul como terceiro emissor
• maior emissor africano
▪ Colômbia não aparece mais entre os maiores emissores
• lista de maiores emissores dominada pela Ásia e pela África
▪ Myanmar
• maior fluxo foi no segundo semestre de 2017 - ainda não aparece no
relatório
• refugiados rohingya

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• refugiados rohingya
• Bangladesh como importante receptor
• maior campo de refugiados do mundo em Kutupalong
• situação de risco com o início das monções
• jul/2018: ACNUDH pediu ao CSNU que encaminhe o país ao TPI
▪ Turquia continua como maior receptor
• aumentou na mesma proporção da saída de sírios
• impacto do acordo Turquia-UE não travou a saída de sírios; apenas segurou
os refugiados na Turquia
▪ Paquistão como segundo receptor
▪ Uganda como terceiro receptor
• ultrapassou o Líbano
▪ Alemanha
• único receptor do Norte na lista
▪ destino-origem

❖ Brasil – migrações internas


➢ migrações rural-urbano: o êxodo rural
▪ modernização da agricultura
▪ urbanização
▪ industrialização
▪ mais importante no século XX
• principalmente a partir da década de 1930
▪ movimento intrarregional
▪ atração das cidades
• crescimento
• industrialização
• maior integração do mercado de trabalho nacional
• capacidade de absorção de mão de obra
▪ repulsão do campo
• modernização agrícola
• liberação de mão de obra rural
▪ hoje é um movimento pouco importante
➢ fluxos urbano-urbano
▪ migrações metropolitanas

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▪ migrações metropolitanas
• grandes metrópoles
• principalmente sudeste
• mais importante: anos 1950-1980
▪ fluxos para as cidades médias
• a partir dos anos 1980
• passam a crescer mais que as metrópoles em média
• desconcentração produtiva
▪ fluxos de retorno
• nordestinos no sudeste
• retornos de primeira e de segunda gerações
• saturação das metrópoles
➢ rural-rural: a diáspora gaúcha e o avanço da fronteira agrícola
▪ pouco importante numericamente
▪ do sul para a fronteira agrícola
➢ urbano-rural: fluxos pontuais
▪ muito pouco significativo numericamente
▪ qualidade de vida
▪ agronegócio
❖ Brasil – migrações internacionais
➢ é um ator limitado nos sistemas migratórios
➢ padrão contemporâneo de migrações circulares
➢ durante maior tempo da história, foi receptor de migrantes
▪ maior estoque acumulado: portugueses
➢ aumento da emissão a partir dos anos 1980
➢ saldo migratório negativo
▪ mas próximo ao equilíbrio
➢ principais destinos de brasileiros no exterior
▪ EUA
• grande fluxo de retorno depois da crise de 2008
• maior destino
▪ Paraguai
• segundo maior destino
• brasiguaios
• expansão da fronteira agrícola brasileira
• disponibilidade fundiária
▪ Japão
• estímulos japoneses à imigração
▪ Reino Unido
• maior receptor de brasileiros na Europa
▪ Espanha
▪ Portugal
▪ Alemanha
▪ Itália
▪ França
➢ principais origens de estrangeiros no Brasil
▪ dificuldade de mensurar
• muitos deles são ilegais
▪ América do Sul: bolivianos, paraguaios, peruanos
• maior entrada
• Brasil ultrapassou a Argentina como maior receptor regional
▪ Ásia: China, Coreia do Sul
▪ África: Angola, Moçambique, Senegal
▪ Europa: Portugal, Espanha
▪ movimentos forçados: Síria, Haiti, Venezuela

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Urbanização - conceitos
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:32

❖ Milton Santos
❖ Rede urbana
❖ Megacidade
❖ Metrópole
❖ Cidade global
❖ Cidade metropolitana
❖ Megalópole
❖ Gentrificação
❖ Urban spraw
❖ Segregação espacial
❖ Favelização
❖ Periferização
❖ Resiliência urbana e sustentabilidade

❖ Milton Santos
➢ país central
▪ primário → secundário → terciário
➢ país periférico
▪ primário → terciário
▪ urbanização terciária
▪ é mais o campo que repulsa que a cidade que atrai
▪ favela: territorialização da pobreza
▪ urbanização com anomalia
• cidades crescem mais que suportam
▪ não é o caso do Brasil → relação com a indústria
➢ desmetropolização
▪ não é encolhimento da metrópole
▪ crescimento das cidades médias
▪ geralmente ligada à desconcentração produtiva
▪ não dá para falar de desmetropolização no Norte e no Nordeste
➢ involução metropolitana
▪ metrópoles continuam crescendo, mas é mais um inchaço que um crescimento
▪ cidades grandes atraem trabalhadores menos qualificados
▪ deterioração qualitativa (parte da economia mais dinâmica vai para o interior)
❖ Rede urbana
➢ conjunto de cidades que têm interação, integração
❖ Megacidade
➢ mais de 10 milhões de habitantes (no aglomerado)
➢ critério quantitativo
➢ pode incluir mais de uma cidade
▪ conurbação
➢ capacidade de concentração do urbano
➢ 2014: 28 no mundo
▪ Los Angeles, Nova York, Paris, Londres, Moscou, Istambul, Tóquio, Osaka, Seul, Rio
de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires, Cidade do México, Lagos, Cairo, Kinshasa
➢ grande presença de cidades da AL e da África → macrocefalia
❖ Metrópole
➢ cidade importante capaz de polarizar extensa área
➢ critério qualitativo e não quantitativo
❖ Cidade global
➢ critério qualitativo
➢ Saskia Sassen (1990s)
▪ emergência do debate sobre as cidades globais e suas funções
▪ "A cidade global: Nova York, Londres e Tóquio" (1991)

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▪ "A cidade global: Nova York, Londres e Tóquio" (1991)
• não é a primeira vez que o termo é utilizado
• mas começa a pautar o debate
▪ expansão dos modelos reticulares em uma geografia pós-fordista
• foco nas redes
 uma crítica é que se preocupou pouco com o impacto da globalização
na organização interna das cidades
• para as redes funcionarem, elas precisam de nós com grande capacidade
de projeção de relações
▪ funções de comando das redes
• alcance espacial
• comando se localiza nas cidades de mais alta hierarquia na rede urbana
• disponibilidade de infraestrutura
 logística - circulação
 comunicação - informacional
• acúmulo de relações
 relações históricas
• oferta de serviços de alta especialização
➢ faz a conexão entre a economia local e a economia global
➢ área de influência tem projeção internacional
➢ centros de comando das redes econômicas
➢ economias locais mais relevantes
➢ mais nos países centrais
➢ relação com concentração de renda urbana
▪ concentram atividades de maior valor
▪ drenam cada vez mais renda
➢ aumento das cidades globais na Ásia
▪ efeito China
➢ resultado de movimentos simultâneos de dispersão e concentração
▪ dispersão
• alcance espacial das redes
▪ concentração
• comando das redes
• comando é exercido por um número cada vez menor de nós nas redes
❖ Região metropolitana
➢ metrópole + cidades vizinhas
➢ no Brasil: criadas pelos estados (CF/88)
❖ Megalópole
➢ metrópoles com intenso fluxo entre si
➢ dispersão de mancha urbana
➢ maior alcance da rede
➢ mais em países centrais
▪ existem mais metrópoles
❖ Gentrificação
➢ revalorização de áreas centrais
➢ especulação imobiliária
➢ expulsa populações mais pobres dessas áreas
➢ mudança do padrão de renda de ocupação
❖ Urban spraw
➢ crescimento horizontal das cidades
➢ autossegregação
➢ urbanização informal
▪ periferização
▪ autoconstrução
➢ dificuldade para planejamento urbano
▪ mobilidade
▪ infraestrutura (eletricidade, água, esgoto)

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▪ infraestrutura (eletricidade, água, esgoto)
❖ Segregação espacial
➢ em países centrais e periféricos
➢ aumento nas últimas duas décadas
➢ autossegregação
▪ população de renda média-alta saindo da mancha urbana
▪ suburbanização
➢ segregação induzida
▪ população de renda mais baixa empurrada para fora das áreas centrais
▪ periferização
▪ favelização/aglomerados subnormais
▪ gentrificação
➢ atores envolvidos
▪ Estado
▪ mercado imobiliário
▪ mobilidade intraurbana
❖ Favelização
➢ UN Habitat: parâmetros para habitações “normais”
▪ acesso a água
▪ acesso a saneamento
▪ habitação durável
• localização
• permanência da estrutura
▪ densidade da ocupação
▪ segurança de posse
➢ aglomerados subnormais (nomenclatura do IBGE)
➢ queda proporcional mundial
▪ em todas as regiões
▪ exceto
• Oceania (estável)
• Ásia Ocidental (aumento) – contexto pós 11/09, guerra ao terror,
Primavera Árabe
➢ em termos absolutos, ainda é um problema persistente
❖ Periferização
➢ aumento da desigualdade no urbano
➢ disparidades de renda como elemento de segregação espacial
➢ manifestação da segregação induzida
➢ limitação de acesso à infraestrutura
➢ custo e desgaste associado à mobilidade
➢ estigmatização social
▪ rótulos sociais aplicados espacialmente
➢ armadilha de pobreza
▪ retroalimenta a desigualdade
➢ Marcelo Lopes de Sousa: esgarçamento do tecido sócio-político-espacial
➢ Henri Lefebvre: direito à cidade
➢ atenuação
▪ políticas habitacionais
• políticas de crédito são seletivas, não funcionam totalmente
• população de mais baixa renda não tem acesso ao sistema formal de
crédito
▪ planejamento de um sistema de transporte que funcione
• com fluidez
• sem custo proibitivo
▪ difusão de subcentros funcionais
• evitar concentração das funções no centro
▪ importância dos espaços públicos
• aumenta segurança

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• aumenta segurança
• pontos de convergência
• precisam ser abertos e acessíveis
▪ resulta na redução de tensões sociais
❖ Resiliência urbana e sustentabilidade
➢ organização do urbano para redução de impactos
▪ maior densidade urbana gera maior risco de impactos
➢ urbano foi incorporado na agenda do desenvolvimento sustentável em 1987
(Brundtland)
➢ ODS 11: “tornar as cidades e assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e
sustentáveis”
➢ sustentabilidade
▪ gestão de resíduos
▪ infraestrutura
▪ eficiência na mobilidade
• menor emissão de GEE
• menor consumo energético
➢ resiliência
▪ papel das políticas habitacionais
▪ capacidade de resposta a eventos extremos
▪ mudança de concepção no planejamento urbano
• integração com o ambiente e não competição
• drenagem x impermeabilização do solo
• canalização de rios

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Urbanização mundial
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:32

❖ Características gerais
❖ Ásia
❖ África
❖ América do Norte
❖ AL e Caribe
❖ Europa
❖ Oceania

❖ Características gerais
➢ aumento da população urbana com ritmo superior ao da população rural
➢ mundo se tornou predominantemente urbano em 2008
▪ hoje, aproximadamente 55%
▪ predomínio do urbano é um fenômeno recente
▪ acentuação do crescimento urbano a partir da segunda metade do século XX
▪ aceleração no século XXI
▪ população rural: desaceleração e estabilização
• em alguns países, ainda cresce
➢ forte tendência de crescimento do urbano e de estagnação do rural
➢ a partir da década de 1980, África e Ásia dominam o crescimento urbano
▪ maiores taxas de crescimento, não totais
➢ disparidades regionais
▪ regiões de urbanização consolidada
• América do Norte
• AL e Caribe
• Europa
• Oceania
▪ regiões de urbanização emergente
• África
• Ásia
• curvas mais acentuadas de projeção futura
➢ projeção de crescimento urbano 2014-2030: 0,71%
➢ projeção de crescimento urbano 2030-2050: 0,5%
➢ Índia, China e Nigéria respondem por 1/3 do ritmo de crescimento 2014-2050
➢ mecanismos de urbanização e projeções futuras
▪ aumento da urbanização terciária
• antes, urbanização costumava estar ligada à industrialização
• áreas de urbanização consolidada tendem a diminuir o peso do industrial em sua
base econômica
• em áreas de urbanização emergente, não há boom industrial ligado à
urbanização - maior peso da repulsão rural que da atração urbana
▪ dispersão de atividades industriais de baixo valor
• dispersão pós-fordista
• maior parte do crescimento urbano projetado está ligado a atividades de renda
mais baixa
• renda urbana mais baixa
▪ formação de grandes aglomerações
• megacidades
• faixa de cidades acima de 10 milhões de habitantes foi a que mais cresceu e é a
que tem maior projeção de crescimento
• representa, em 2014, 6,3% das cidades; em 2030, 8,7%
• deve ser considerado o efeito Índia e China - grandes populações
• oportunidades de renda tendem a se concentrar em poucas partes do território
• redes urbanas concentradas

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• redes urbanas concentradas
• principalmente em países periféricos
▪ ampliação das desigualdades urbanas
• World Cities Report (2016)
• pressão de custo de habitação
• grande peso de atividades de renda mais baixa
❖ Ásia
➢ população 47,5% urbana
➢ processo mais recente
➢ 1960s: depressão da taxa de urbanização
▪ ruralização do Grande Salto Adiante da China
➢ China: majoritariamente urbana em 2012
➢ patamar atual superior ao africano
▪ Índia: tendência de forte aumento de urbanização
• projeção para urbana na metade do século XXI
• políticas de longa duração de retenção em área rural
➢ tendência de favelização
➢ participação na população urbana mundial começa a estabilizar em 2013-2014
➢ projeção de crescimento urbano 2014-2030: 1,06%
➢ projeção de crescimento urbano 2030-2050: 0,65%
❖ África
➢ população 43% urbana
➢ menor grau de urbanização
➢ processo mais recente
➢ maior projeção futura
➢ tendência de favelização
➢ projeção de crescimento urbano 2014-2030: 1,02%
➢ projeção de crescimento urbano 2030-2050: 0,86%
❖ América do Norte
➢ população 81,5% urbana
➢ mais alto grau de urbanização
➢ ritmo mais lento desde a década de 1970
➢ impacto das mudanças agrícolas nos EUA
▪ modernização
• êxodo rural
▪ crescimento das cidades médias que serviam de apoio para o rural
➢ impacto das migrações
➢ projeção de crescimento urbano 2014-2030: 0,21%
➢ projeção de crescimento urbano 2030-2050: 0,19%
❖ AL e Caribe
➢ população 79,5% urbana
▪ segunda região mais urbanizada do planeta
➢ aceleração a partir do meio do século XX
▪ curva acentuada a partir da década de 1950
• industrialização
➢ urbanização mais rápida que a da América do Norte
➢ impacto dos países mais populosos
▪ ainda existem países com população urbana muito baixa
• alguns predominantemente rurais na América Central e no Caribe
▪ Brasil, Argentina, México, Venezuela contribuem para puxar a média para cima
➢ arrefecimento
➢ projeção de crescimento urbano 2014-2030: 0,27%
➢ projeção de crescimento urbano 2030-2050: 0,19%
❖ Europa
➢ população 73,4% urbana
▪ existe projeção de crescimento
• crescimento natural limitado

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• crescimento natural limitado
• migração
➢ patamar intermediário
➢ envolve Europa ocidental e oriental
▪ Europa oriental puxa o indicador para baixo
➢ urbanização mais lenta e mais organizada
▪ rede urbana mais pulverizada
➢ influência da PAC
▪ manutenção do modelo agrícola de pequenas e médias propriedades
▪ fixa população na área rural
▪ existe modernização, mas o modelo de produção é diferente
➢ projeção afetada pela imigração
▪ projeção mostra crescimento da população urbana
▪ imigrantes vão para a cidade
▪ tendência de envelhecimento no rural
➢ projeção de crescimento urbano 2014-2030: 0,2%
➢ projeção de crescimento urbano 2030-2050: 0,31%
❖ Oceania
➢ população 70,8% urbana
➢ relativa estabilidade
➢ peso populacional desigual
➢ peso imigratório não é tão forte
➢ estabilidade urbana da Nova Zelândia e da Austrália
▪ processo de urbanização mais antigo
▪ já se chegou quase ao limite dessa urbanização
➢ projeção de crescimento urbano 2014-2030: 0,05%
➢ projeção de crescimento urbano 2030-2050: 0,15%
➢ projeções são de pouca mudança
▪ é difícil que as micronações insulares passem por uma revolução na urbanização

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Urbanização e industrialização brasileira
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:32

❖ Arquipélago (até 1930)


❖ Industrialização concentrada (1930s-1960s)
❖ Desconcentração relativa (1960s-1990s)
❖ Inserção passiva/desintegração competitiva (1990s-2010s)
❖ Rede urbana brasileira - histórico
❖ Década de 1970
❖ Década de 1980
❖ Urbanização brasileira no século XX/XXI
❖ Censos (urbano X rural)
❖ Definição de urbano
❖ Regiões de influência das cidades

❖ Dinâmica regional e industrial brasileira: 4 fases


❖ Arquipélago (até 1930)
➢ Celso Furtado: 5 ilhas
▪ centro cafeeiro
▪ nordeste algodoeiro/açucareiro
▪ Bahia (açúcar, fumo, cacau)
▪ Sul (charque)
▪ Amazonas (borracha)
➢ baixo grau de integração territorial
➢ bases primário-exportadoras dispersas
➢ dinâmica comandada pela economia externa
➢ economias fechadas/complexos rurais
▪ complexos rurais: Graziano
• cadeia produtiva que funciona praticamente no mesmo espaço
• quase autossuficiente
▪ complexo cafeeiro: mecanização incompleta do território
• Milton Santos
• ferrovia não ligava todo o país
➢ indústria pré-1930
▪ censo industrial de 1907
• 60% têxtil
• 15% alimentícia
• forte concentração no Rio de Janeiro
▪ baixo valor
▪ sem planejamento
▪ baixa integração reforça a concentração
❖ Industrialização concentrada (1930s-1960s)
➢ Era Vargas
▪ planejamento estatal
▪ implantação da infraestrutura e dos setores de base
• CSN (1942)
• CVRD (1942)
▪ regulação do mercado de trabalho
• trabalhismo varguista
• estabilização do mercado de trabalho
▪ nacional-desenvolvimentismo
• modelo se esgota nos anos 1980
➢ JK
▪ incentivo à industrialização
▪ tripé
• capital estatal: setor de base/bens de produção

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• capital estatal: setor de base/bens de produção
• capital privado nacional: bens de consumo não duráveis
• capital privado estrangeiro: bens de produção/bens de consumo duráveis
▪ integração territorial
• superação do arquipélago
• Plano Rodoviário Nacional
• obs: opção por rodovias é anterior
• Brasília: meta-síntese → integração
➢ produção industrial em 1970
▪ sudeste - 81%
▪ sul - 12%
▪ nordeste - 5,7%
▪ centro-oeste - 0,8%
▪ norte - 0,7%
▪ estado de São Paulo - 58%
▪ Região Metropolitana de São Paulo - 44%
➢ crescimento da indústria não é acompanhado pelo crescimento da integração
➢ lógica de economias de aglomeração
❖ Desconcentração relativa (1960s-1990s)
➢ valor da produção industrial (1970/1990)
▪ sudeste - 81%/69%
▪ sul - 12%/17,4%
• ganho absoluto
▪ nordeste - 5,7%/8,4%
▪ centro-oeste - 0,8%/1,8%
▪ norte - 0,7%/3,1%
▪ estado de São Paulo - 58%/49%
▪ Região Metropolitana de São Paulo - 44%/28%
➢ fatores de desconcentração
▪ formação de deseconomias de aglomeração
• saturação em concentrações metropolitanas
• aumento do custo produtivo
• dificuldade de circulação
• tendência de afastamento
▪ papel do Estado
• superintendências de desenvolvimento regional
• SUDENE (1959)
• SUDAM (1966)
• SUDESUL (1967)
• SUDECO (1967)
• SUFRAMA (1967)
▪ esgotamento do modelo de “desenvolvimento para dentro”
▪ demanda por recursos específicos
• indústria mineral
• agroindústria
▪ maior integração territorial
• melhoria das condições de circulação
• possibilidade de afastamento dos mercados
➢ polígono de aglomeração industrial
❖ Inserção passiva/desintegração competitiva (1990s-2010s)
➢ valor da produção industrial (1990/2010)
▪ sudeste - 69%/60,3%
▪ sul - 17%/21%
• posição estratégica em relação aos principais mercados do Mercosul
▪ nordeste - 8,4%/9,3%
• mercados com potencial de crescimento
• posição estratégica: exportação

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• posição estratégica: exportação
• atração de indústrias intensivas em mão de obra
▪ centro-oeste - 1,8%/4,7%
• agronegócio
▪ norte - 3,1%/4,8%
• Zona Franca de Manaus
• projetos minerais (respeita lógica natural → matéria prima)
▪ estado de SP - 44%
▪ região metropolitana de SP - 22%
➢ mudanças no papel do Estado
▪ indutor da desconcentração
▪ esgotamento do modelo desenvolvimentista
▪ abertura da economia
▪ privatizações
➢ desintegração competitiva
▪ guerra fiscal/guerra dos lugares
• desacelera desconcentração nos anos 1990
▪ diferenças de capacidade de atração
• desconcentração não pode ficar restrita aos incentivos fiscais
• infraestrutura, mão de obra
➢ pós-2007: aceleração da desconcentração
▪ PAC
▪ novos investimentos em infraestrutura
❖ Rede urbana brasileira – histórico
❖ Rede urbana colonial
➢ poucos centros
➢ pequeno alcance
➢ primeira rede urbana: Recôncavo baiano
➢ funções do urbano colonial
▪ administrativa
• poder concentrado no espaço urbano
▪ geopolítica
• vilas em lugares estratégicos, como litoral e bacias de rios
❖ Rede urbana da mineração
➢ distinta
▪ quantitativamente
• cidades da mineração
• cidades de pouso
 ao longo das trilhas de trocas
• distância da rede
 aumento do alcance
 necessidade de escoamento da produção
▪ qualitativamente
• maior estratificação
 economia urbana não é necessariamente dependente da agrária
 maior divisão social do trabalho
 maiores possibilidades de inserção de trabalho
 imigração de mão de obra livre
❖ Década de 1970
➢ 1973: primeira definição de regiões metropolitanas
▪ pelo governo federal
▪ RJ, SP, BH, Curitiba, POA, Fortaleza, Recife, Salvador, Belém
➢ reconhecimento da metropolização e da conturbação
➢ planejamento conjunto
➢ busca de soluções comuns e integradas
▪ busca de maior equilíbrio na rede
❖ Década de 1980

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❖ Década de 1980
➢ continuidade de crescimento metropolitano
➢ tendência à desmetropolização
▪ não é encolhimento da metrópole
▪ crescimento das cidades médias
▪ fenômeno regionalmente diferenciado
• centro-oeste - avanço da urbanização
 Brasília
 complexos agroindustriais
 segunda região mais urbanizada no Brasil
• sul
 agricultura familiar - fixa população rural
• nordeste
 região menos urbanizada do Brasil
 maior número de propriedades de agricultura familiar
➢ involução metropolitana
❖ Urbanização brasileira no século XX/XXI
➢ aceleração
▪ em 50 anos, a população urbana cresceu mais de 150 milhões de habitantes
▪ maior aceleração: 1940s
▪ ganhos absolutos e relativos
➢ concentração
▪ mais de 40% da população vive em RMs (8% dos municípios brasileiros)
▪ macrocefalia
➢ dispersão da rede urbana
▪ maiores relações dentro da rede
• REGIC
▪ maior alcance da rede urbana
• espraiamento para outras regiões
➢ desigual
▪ distribuição e apropriação desigual dos benefícios da urbanização
▪ 2010
• SE: 92,9%
• S: 84,9%
• CO: 88,8%
• N: 73,5%
 maior peso do Amazonas e do Pará
• NE: 73,1%
❖ Censos (urbano X rural)
➢ 1872
▪ população total: 9.930.478
▪ população urbana estimada: cerca de 8%
▪ 3 cidades acima de 100.000 habitantes
• Rio de Janeiro: 274.000
• Salvador: 129.000
• Recife: 116.000
▪ acima de 50.000
• Belém 61.000
▪ São Paulo: 31.000
➢ 1900
▪ população total: 17.438.434
▪ população urbana: 9,4%
▪ 4 cidades acima de 100.000 habitantes
• Rio de Janeiro: 691.000
• São Paulo: 239.000
• Salvador: 205.000
• Recife: 113.000

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• Recife: 113.000
▪ Belém: 96.000
➢ 1920
▪ população total: 30.635.605
▪ população urbana: 10,7%
▪ início da metropolização
➢ predominantemente urbano: 1960s
➢ a partir de 1980, há perda absoluta da população rural
➢ por regiões

▪ Norte
• aumento urbano 1940-50s: ciclo da borracha na II GM
• redução urbano 1960-70s (ditadura): colonização dirigida direciona
população para o rural
▪ Centro-Oeste
• segunda região mais urbanizada (desde censo de 1970)
• Brasília e Goiânia puxam urbanização
• depois, importância dos CAIs
▪ Nordeste
• menos urbanizada desde sempre
• resultado do processo de ocupação fundiária – pecuária e pequenas
propriedades no interior
▪ Sul
• alta urbanização
• mas possui importante população rural – pequenas propriedades
▪ Sudeste
• mais urbanizada desde sempre
• sempre acima da média nacional
• concentração econômica
BR Urbano Rural
1872 6% 94%
1900 10% 90%
1930 30% 70%
1960 45% 55%
1970 55% 45%
2010 84,4% 15,6%
❖ Definição de urbano
➢ CF/88 passa para os municípios a competência de estabelecer o que é urbano ou rural
▪ distorce dados
▪ prefeituras querem que a proporção urbana seja maior, para cobrar IPTU
➢ método: critérios político-administrativos
▪ embasamento na “Lei Geográfica” de 1938

Página 49 de GEO
▪ embasamento na “Lei Geográfica” de 1938
• primeira vez em que é conferido ao município a capacidade de definir o que
é urbano
• preocupação com o planejamento
• contexto: institucionalização do planejamento territorial no Brasil
 ex: criação do IBGE
• cidade = área urbana do distrito sede do município
• outras áreas urbanas são chamadas de vilas
▪ municípios devem seguir certos parâmetros
• último: Estatuto da Cidade (2001)
• municípios devem dar uma contrapartida para poder considerar uma área
como perímetro urbano
▪ perímetro urbano não precisa ser contínuo
▪ dimensão fiscal
• perímetro urbano: cobrança de IPTU (arrecadado pelo município)
• perímetro rural: cobrança de ITR (arrecadado pela União)
• justifica a cobrança das contrapartidas
▪ crítica quantitativa
• possibilidade de manipulação dos dados
 principalmente por municípios menores
 aumento da área urbana pode implicar aumento significativo da
arrecadação
▪ grau de urbanização é superestimado
▪ rural é definido por exclusão
• crítica: pressupõe que não existem relações entre rural e urbano
➢ crítica qualitativa
▪ limitação funcional da maior parte do urbano
▪ muitos municípios apresentam pouca oferta de funções urbanas
▪ maior parte das áreas urbanas estão na base da hierarquia urbana do REGIC
• centro local (80% dos municípios brasileiros)
• sem a “vantagem do urbano”
➢ criação de novos municípios
▪ parada desde 2000s
• necessidade de lei federal para que isso possa acontecer
▪ estados têm interesse em criar novos municípios
• aumenta repasse do Fundo de Participação dos Municípios
▪ mai/2018: projeto de lei em regime de urgência para criação de municípios
• projeto já foi vetado 2 vezes pela Dilma
• Nordeste seria a região onde seria criado o maior número de novos
municípios
• muitos desses municípios dependem de recursos públicos para funcionar
 mais de metade do valor adicionado bruto ligado ao setor público
• fica o questionamento sobre a viabilidade dos novos municípios
➢ proposta do IBGE (2017)
▪ cruzamento de variáveis
▪ aproximar Brasil de variáveis usadas por outros países
• facilita comparação
▪ critérios
• densidade populacional
• população
• proximidade e relações na rede
 medida por tempo
 considera os modais de transporte disponíveis
▪ estimativa de que população urbana cairia para 76%
• hoje é 84,35%
❖ Regiões de influência das cidades
➢ mostra as ligações entre as cidades

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➢ mostra as ligações entre as cidades
➢ define a hierarquia da rede urbana
➢ Norte
▪ relações seguem a hidrografia
▪ padrão dendrítico de formação da rede urbana
▪ eixo principal: Manaus-Belém
▪ população deve percorrer maiores distâncias em busca de atividades do terciário
➢ Centro-Oeste
▪ rede urbana pouco densa
▪ população deve percorrer maiores distâncias em busca de atividades do terciário
❖ Metrópoles
➢ Grande Metrópole Nacional
▪ São Paulo
• projeta sua rede por todo o território nacional
➢ Metrópoles Nacionais
▪ Rio de Janeiro
▪ Brasília
➢ Metrópoles
▪ Porto Alegre
▪ Curitiba
▪ Belo Horizonte
▪ Goiânia
▪ Recife
▪ Salvador
▪ Fortaleza
▪ Manaus
▪ Belém
➢ obs: Região Metropolitana
▪ criada pelos estados (CF/88)
▪ 1998: Região Integrada de Desenvolvimento Econômico (RIDE)
• RM que engloba mais de uma unidade da federação
• criação federal
• DF e entorno
• Petrolina e Juazeiro
• Teresina
❖ Capital regional
➢ 70 centros
▪ também se relacionam com o estrato superior da rede urbana
➢ capacidade de gestão no nível imediatamente inferior ao das metrópoles
➢ área de influência de âmbito regional
➢ destino, para um conjunto de atividades, por grande número de municípios
➢ este nível também tem 3 subdivisões
▪ capital regional A: 11 cidades, com medianas de 955 mil habitantes e 487
relacionamentos
▪ capital regional B: 20 cidades, com medianas de 435 mil habitantes e 406
relacionamentos
▪ capital regional C: 39 cidades, com medianas de 250 mil habitantes e 162
relacionamentos
❖ Centro sub-regional
➢ 169 centros
➢ atividades de gestão menos complexas
➢ área de atuação mais reduzida
➢ relacionamentos com centros externos a sua própria rede dão-se, em geral, apenas com
as 3 metrópoles nacionais
➢ presença mais adensada nas áreas de maior ocupação do Nordeste e do Centro-Sul
➢ presença mais esparsa nas regiões Norte e Centro-Oeste
➢ subdivididas em grupos
▪ centro sub-regional A: constituído por 85 cidades, com medianas de 95 mil

Página 51 de GEO
▪ centro sub-regional A: constituído por 85 cidades, com medianas de 95 mil
habitantes e 112 relacionamentos
▪ centro sub-regional B: constituído por 79 cidades, com medianas de 71 mil
habitantes e 71 relacionamentos
❖ Centro de zona
➢ 556 cidades de menor porte
➢ atuação restrita a sua área imediata
➢ funções de gestão elementares
➢ subdivide-se em
▪ centro de zona A: 192 cidades, com medianas de 45 mil habitantes e 49
relacionamentos
▪ centro de zona B: 364 cidades, com medianas de 23 mil habitantes e 16
relacionamentos
❖ Centro local
➢ as demais 4.473 cidades
➢ centralidade e atuação não extrapolam os limites do seu município
➢ população dominantemente inferior a 10 mil habitantes (mediana de 8.133 habitantes)

Página 52 de GEO
Energia BR e fontes de energia
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:33

❖ Hidrocarbonetos
❖ Petróleo
❖ Gás natural
❖ Amazônia Azul
❖ Carvão mineral
❖ Reservas não convencionais
❖ Etanol
❖ Recursos minerais
❖ Recursos hídricos
❖ Recursos florestais
❖ Matriz energética brasileira
❖ Não renováveis
❖ Renováveis
❖ Uso de energia

❖ Hidrocarbonetos
➢ petróleo
➢ gás natural
➢ carvão mineral
➢ relação com as bacias sedimentares
▪ deposição de sedimentos
➢ grande potencial ao longo do litoral
❖ Petróleo
➢ início da produção comercial: década de 1930
➢ CNP (1938)
➢ 1938: Lobato
▪ Recôncavo baiano
▪ primeira reserva descoberta
➢ 1941: Candeias – Bacia do Recôncavo
▪ bacia terrestre
➢ 1953: Petrobrás
➢ década de 1960
▪ dificuldade de ampliação da produção
▪ relatório Link (1963)
• baixo potencial nas bacias terrestres
• duas possibilidades
 investimento em processamento
➢ refinamento
➢ opção mais conservadora
 investimento em produção offshore
▪ 1968: Campo de Guaricema (Bacia de Alagoas/Sergipe)
• offshore
• tecnologia ainda era cara e incipiente
• início da exploração na plataforma continental
• reservas limitadas
➢ década de 1970
▪ Bacia de Campos
• hoje, mais ou menos 80% de todo o petróleo produzido no Brasil
• Campo de Garoupa – 1974
 contexto do primeiro choque do petróleo
• Campo de Enchova – 1977
▪ consagra a opção do projeto offshore
➢ década de 1980

Página 53 de GEO
➢ década de 1980
▪ campos gigantes na Bacia de Campos
• Albacora – 1984
• Marlim – 1985
▪ meta atingida de 500 mil barris/dia
▪ Bacias de Santos e Espírito Santo
▪ produção na Amazônia
➢ pré-sal
▪ descoberta em 2005
▪ confirmação em 2007
▪ exploração a partir de 2009
• primeiro campo: Tupi (Santos)
▪ quantidade/qualidade
• muito petróleo, de excelente qualidade
• uma das maiores reservas nacionais
• mais leve
▪ custo produtivo
• alto
• longe do litoral (custo horizontal)
• muito profundo (custo vertical)
▪ bacias de Santos, Campos e Espírito Santo

❖ Gás natural
➢ em geral, associado às reservas de petróleo
➢ introdução na matriz a partir da década de 1940
➢ crescimento na década de 1970
➢ consolidação a partir dos anos 1990
▪ 1998: GASBOL
➢ grandes reservas nos anos 2000
▪ principalmente Campos e Santos
▪ maior poder de barganha ao negociar com a Bolívia
▪ redução da dependência externa
➢ necessidade de melhoria da logística
➢ viabilidade está ligada à existência de dutos
➢ reservas terrestres

Página 54 de GEO
➢ reservas terrestres
▪ são significativas
▪ Campo de Urucu/AM – Bacia do Solimões
• abastecimento de Manaus
• possibilidade de expansão
• gasoduto Coari-Manaus
▪ Bacia do Parnaíba
• descoberta em 2010
• alto potencial – “meia Bolívia de gás no Maranhão”
• potencial subaproveitado - pouca capacidade de escoamento
• gasoduto Meio-Norte como solução
 expansão ainda não está sendo executada
❖ Amazônia Azul
➢ motivada por Montego Bay
➢ projeto já estava em andamento quando foi descoberto o pré-sal
❖ Carvão mineral
➢ Bacia do Paraná
➢ reservas limitadas
➢ baixo teor de carbono
▪ qualidade ruim
❖ Reservas não convencionais
➢ xisto
▪ Brasil é o 10º lugar em reservas
▪ Bacia do Paraná
▪ Bacia do Parecis (MT)
▪ Bacia do São Francisco
▪ Bacia do Recôncavo
▪ Bacia do Parnaíba
❖ Etanol
➢ etanol da cana é um dos que apresenta maior aproveitamento energético
▪ críticas: desmatamento e deslocamento da produção de alimentos
• Brasil já demonstrou a sustentabilidade do etanol brasileiro
➢ maiores produtores mundiais: EUA e Brasil
➢ segunda geração: etanol celulose
▪ em um primeiro momento, Brasil se mostrou contrário à substituição do etanol de
primeira geração (cana) por ele
▪ mais avançado
▪ pode ser produzido a partir de uma gama mais ampla de matérias primas
• qualquer uma que tenha celulose
▪ no Brasil, produzido a partir dos resíduos da cana
• não pode ser aproveitado para alimentação (açúcar)
• evita o avanço da fronteira agrícola
• usa toda a cana
➢ Brasil tem exportado tecnologia de produção de etanol de primeira geração para países
africanos
➢ RenovaBio
▪ programa em discussão no Congresso
▪ indução do alastramento da produção de etanol avançado no país
▪ destaque para transportes públicos
▪ reduzir impacto da mobilidade urbana sobre as emissões de GEE
▪ tentativa de induzir a mudança do padrão produtivo e do padrão de consumo
❖ Recursos minerais
➢ formações cristalinas
▪ consolidação do material magmático
➢ quadrilátero ferrífero (MG)
▪ metais preciosos no período colonial
▪ nacionalização na década de 1930

Página 55 de GEO
▪ nacionalização na década de 1930
• código de mineração
▪ Vale do Rio Doce (1942)
▪ estratégia exportadora na década de 1960
• ferrovia Vitória-Minas
• porto de Tubarão-ES
➢ Carajás (PA)
▪ descoberta final da década de 1960
▪ início da exploração CVRD/US Steel
▪ Projeto Grande Carajás
▪ disparada exportação
▪ reprodução do modelo do Quadrilátero
• EF Carajás
• terminal da Ponta da Madeira/MA
• energia: Tucuruí
➢ Serra do navio (AP)
▪ exploração de manganês
▪ concessão a partir de 1954
• uma das áreas de concessão mais antigas
▪ escoamento ferroviário – EF Santana
▪ Company Town
▪ esgotamento década de 1990
➢ Vale do Trombetas (PA)
▪ exploração de bauxita
▪ complexo do alumínio da Vale
▪ logística ferroviária + hidroviária
▪ impacto sobre terras indígenas
➢ outras áreas na Amazônia
▪ cassiterita em Rondônia
▪ metais preciosos em Roraima
▪ metais preciosos no Amapá
➢ Maciço do Urucum (MS)
▪ reservas de ferro e manganês
▪ dificuldade logística
▪ impacto sobre o pantanal
➢ urânio
▪ 5ª maior reserva comprovada do mundo
▪ maiores reservas no Nordeste
• Caetité/Santa Quitéria
▪ alto potencial de ampliação
• só foi feita sondagem em 30% do território
• principalmente na Amazônia
➢ nióbio
▪ maior reserva global
▪ aplicações de alto valor
▪ controvérsia de preço
➢ impactos
▪ erosão do solo
▪ contaminação: água/solo
▪ processamento
• poluição do ar
• carvão vegetal
❖ Recursos hídricos
➢ Brasil é o maior detentor de recursos hídricos em superfície e em subsuperfície
➢ água virtual
▪ quantidade de água investida na cadeia produtiva para se chegar ao produto
▪ pecuária bovina é uma das que mais consume água na cadeia

Página 56 de GEO
▪ pecuária bovina é uma das que mais consume água na cadeia
• considera toda a cadeia, desde a alimentação, pastagem, até o abate
▪ Brasil é um exportador líquido de água virtual
➢ grandes desafios
▪ distribuição
• 73% da água superficial se encontram na Bacia do Amazonas, que
corresponde a 4% da população
• desequilíbrio entre água disponível e concentração de população
▪ saneamento
▪ desperdício
• ao longo das redes de distribuição
▪ desmatamento nas áreas de manaciais
➢ maiores usos
▪ agropecuária
• sobreconsumo
• irrigação – técnicas pouco eficientes
• 67% do consumo total de água é para irrigação
• maior vazão retirada: bacia do Paraná, Atlântico Sul e São Francisco (nessa
ordem)
• irrigação de pastagem é pouco usada no Brasil - pecuária extensiva
▪ industrial
▪ doméstico
➢ maior contaminação
▪ doméstico
• baixo alcance da rede de saneamento
• nem todo esgoto que é coletado é tratado
▪ industrial
▪ agropecuária
• Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos
➢ desperdício
▪ precariedade das redes de abastecimento
▪ perda ao longo da rede
➢ Bacia Amazônica
▪ drena 20% dos recursos superficiais
➢ Bacia do Paraná
▪ maior vazão de retirada
▪ grande peso da irrigação, uso industrial e doméstico
➢ recursos subsuperficiais
▪ Brasil é o maior detentor no planeta
▪ aquífero Guarani
• não é o maior do mundo
• é o mais extenso, mas não o maior em volume de água
• Bacia do Paraná
• gestão compartilhada
▪ aquífero Alter do Chão
• maior reserva de água do mundo
• parte do SAGA
▪ SAGA
• Alter do Chão
• Içá
• Solimões
• outros aquíferos
➢ transposição do rio São Francisco
▪ maior projeto que envolve recursos hídricos no Brasil
▪ primeira ideia de transposição é da década de 1980 (Figueiredo/Andreazza)
• impossibilitada pela década perdida (crise)
▪ existe, também, um projeto de revitalização

Página 57 de GEO
▪ existe, também, um projeto de revitalização
• mais atrasado que a transposição
• saneamento
• resíduos sólidos
• dragagem
 assoreamento reduz o talvegue do rio
• recuperação de vegetação ciliar
• recuperação de nascentes
▪ transposição não é desvio de curso
▪ captação de água e transferência para as bacias intermitentes
• disponibilidade de água o ano inteiro
• perenização de bacias
▪ dois eixos
• Leste: PE/PB
• Norte: PE/PB/RN/CE
▪ polêmicas
• impactos ambientais
 pressão de ocupação
 risco de assoreamento
 potencial de desertificação (corrida fundiária)
 mistura flora e fauna das bacias diferentes
 EIA/RIMA feito às pressas
• pouca atenção dada às potenciais transformações socioeconômicas regionais
• projeto é muito caro
 necessidade de superação de importantes desníveis
• preocupação dos estados a jusante
❖ Recursos florestais
➢ extrativismo madeireiro
➢ carvão vegetal para processamento mineral
▪ Brasil é responsável por 20% do consumo mundial de carvão vegetal
▪ consumo absoluto reduziu na matriz energética
➢ expansão da fronteira agropecuária
➢ impactos
▪ erosão de solo
• importância da recuperação para aumentar área de pastagens sem aumentar
desmatamento
▪ perda de biodiversidade
▪ recursos hídricos e circulação atmosférica
• “rios voadores”
• papel da floresta no regime de chuvas do centro-sul
▪ emissões – alteração do uso da terra
• maior emissão de carbono é devido à alteração do uso da terra
▪ conflitos fundiários
❖ Matriz energética brasileira
➢ boa participação de renováveis, mas ainda é majoritariamente não renovável
➢ baixa emissão de carbono per capita
Tipo de energia Brasil Mundo
Petróleo 37,4% 35%
Biomassa 31,1% 10,5%
Hidráulica 14,9% 2,2%
Carvão 6% 25,3%
❖ Não renováveis
➢ 2013: 59%
▪ petróleo e derivados: 39,3%
▪ gás natural: 12,8%

Página 58 de GEO
▪ gás natural: 12,8%
➢ 2014: 60,6%
▪ petróleo e derivados: 39,4%
▪ gás natural: 13,5%
➢ 2015: não renováveis caíram (58,8%)
▪ crise econômica
▪ petróleo e derivados: 37,3%
▪ gás natural subiu (13,7%)
• estava substituindo a queda da hidráulica
➢ 2016: 56,5%
▪ contínua queda das não renováveis
▪ petróleo e derivados: 36,5%
▪ gás natural caiu 13,2% (foi para 12,3%)
➢ 2017: 56,8%
▪ petróleo: 36,2%
▪ crescimento do gás natural (12,9%)
• geração termoelétrica - substituto da hidráulica
▪ em termos absolutos, não renováveis cresceram mais que renováveis
➢ petróleo como fonte principal
▪ consumo acima da média mundial
• apesar de o consumo de não renováveis estar abaixo da média mundial
• matriz de transporte pouco eficiente e altamente dependente de petróleo
➢ crescimento do gás
▪ dobrou em pouco menos de uma década
▪ papel como fonte complementar
• oscilações das renováveis
▪ menos poluente que as demais fontes de hidrocarbonetos
➢ fontes não convencionais
▪ xisto
• risco de contaminação de água de subsuperfície
▪ areias betuminosas
➢ carvão mineral
▪ reservas limitadas
▪ baixo teor de carbono
▪ consumo muito inferior à média mundial
▪ não há expectativa de crescimento
➢ urânio
▪ reservas de urânio
▪ tecnologia de enriquecimento
• Brasil domina, ainda que em pequena escala
▪ ampliação em suspenso
• pós-Fukushima
▪ uso global restrito
❖ Renováveis
➢ participação cresceu, continuamente, até o balanço de 2009
➢ 2009: 47,3%
▪ aumento dos derivados de cana
▪ retomada do programa de etanol combustível
➢ 2010-2014: retração contínua
▪ desestímulos ao setor sucroalcooleiro
▪ queda dos reservatórios de água na região centro-sul
➢ 2013: 41%
▪ biomassa de cana: 16,1%
▪ hidráulica: 12,5%
➢ 2014: 39,4% (ponto mais baixo)
▪ biomassa de cana: 15,7%
▪ hidráulica: 11,5%
➢ 2015: 41,2%

Página 59 de GEO
➢ 2015: 41,2%
▪ biomassa de cana: 16,9%
▪ hidráulica: 11,3%
▪ ganho absoluto de participação
• principalmente cana e eólica
▪ hidráulica ainda teve queda
➢ 2016: 43,5%
▪ biomassa de cana: 17,5%
▪ hidráulica: 12,6%
▪ crescimento absoluto
▪ eólica cresceu 54,9%
➢ 2017: 43,2%
▪ avanço do gás natural foi compensado pela eólica, biomassa de cana e biodiesel
▪ biomassa de cana: 17,4%
▪ hidráulica: 11,9%
▪ eólica cresceu 26% e solar cresceu 870% (mas ainda é pouco em termos absolutos)
• ritmo de crescimento da eólica diminuiu - é mais fácil ter um aumento
expressivo sobre um parque pequeno
▪ etanol recuou
▪ biodiesel cresceu 11,8%
• não é um cenário otimista
• ligado ao aumento do diesel - mistura de biodiesel no diesel é obrigatória
desde 2008
➢ biomassa de cana
▪ desde 2007, principal fonte renovável – ultrapassou hidráulica
▪ a partir de 2010: queda
• cai pela relação açúcar x álcool
• perde competitividade em relação à gasolina
• leve recuperação a partir de 2013/14
▪ II PND: alternativas energéticas
• produção offshore
 Bacia de Campos
• processamento
 reduzir importação de derivados
• Angra
• Itaipu
▪ ProÁlcool (1975) – 4 fases
• acúmulo de tecnologia (1975/79)
 decidir a matéria prima que seria usada
➢ cana
▪ melhor balanço energético
 tecnologia para aumentar a produtividade da lavoura
 aumentar produtividade do processamento
 1979: lançado o primeiro carro a álcool no Brasil
• expansão (1980/89)
 venda de veículos à álcool
 recordes de produção de cana
 final dos anos 1980
➢ maior produção de álcool reduz a produção de açúcar
➢ Brasil é um dos maiores exportadores de açúcar
➢ aumenta o preço internacional do açúcar
➢ desloca a produção interna para produção de açúcar
➢ queda da produção de álcool
➢ aumento do preço do álcool, em um contexto de queda do preço
do petróleo
➢ começou a faltar álcool
➢ crise de credibilidade

Página 60 de GEO
➢ crise de credibilidade
• retração (1990/2002)
 governo Collor retira os incentivos à produção de álcool
• recuperação (2003/...)
 carros flex
 projeto de commoditização do etanol
➢ não deu certo
 motivação ambiental
➢ biodiesel
▪ 2003: lançamento de um programa para o setor
▪ crescimento é muito lento
▪ 2017: 8% de biodiesel no diesel
▪ não chega nem perto do uso do etanol
▪ maior parte do biodiesel produzida no Brasil depende de soja
➢ hidráulica
▪ investimentos a partir de meados do século XX
• Dutra: Plano SALTE
 complexo de Paulo Afonso
 complexo de Furnas
▪ concentração no Centro-Sul
• Bacia do Paraná
 maior potencial aproveitado no Brasil
• Itaipu (1973)
 inaugurada em 1984
• coincide com a maior parte do consumo
▪ projetos fracassados na Amazônia
• década de 1970
• grande potencial
• usinas de baixa geração
• relação desfavorável entre área alagada e energia gerada
• tecnologia disponível na época era desfavorável à baixa declividade do relevo
▪ novo ciclo amazônico
• principalmente a partir de 2007 (PAC)
• Plano Nacional de Energia
• nova tecnologia, que aproveita melhor o volume de água que o relevo
 turbinas em fio d’água
• Belo Monte
 pouco impacto ambiental
 grande impacto social
➢ eólica
▪ queda no preço das usinas
• crise de 2008
▪ crescimento relativo expressivo no Brasil
▪ 4ª maior fonte de energia elétrica no Brasil
▪ fonte que mais cresceu no período 2015-2016
▪ grande potencial
• RS
• Nordeste
➢ solar
▪ potencial pouco aproveitado pelo alto custo
❖ Uso de energia
➢ BEN 2017
▪ indústrias 33%
▪ transportes 32,4%
▪ setor energético 10,3%
▪ residências 9,7%
▪ serviços 4,9%

Página 61 de GEO
▪ serviços 4,9%
▪ agropecuária 4%

Página 62 de GEO
Energia mundo
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:33

❖ Características gerais
❖ Petróleo
❖ Fontes alternativas
❖ Gás natural
❖ Energia nuclear
❖ Biomassa
❖ Energia eólica
❖ Energia solar
❖ China

❖ Características gerais
➢ uso de não renováveis é predominante: +/- 90%
➢ grande peso do carvão
❖ Fatores que influenciam a definição das matrizes energéticas dos países
➢ naturais
▪ maior ou menor disponibilidade de recursos de subsolo
▪ clima
▪ extensão territorial
▪ relevo
➢ econômicos
▪ disponibilidade de recursos para investimentos em fontes de maior custo
▪ necessidade energética
➢ geopolíticos
▪ controle de determinadas fontes de energia
▪ independência energética
▪ soberania e segurança energética
➢ sociais
▪ movimentos ambientalistas influenciam o uso de determinadas fontes
➢ científicos
▪ capacidade tecnológica
❖ Petróleo
➢ maiores reservas
▪ Arábia Saudita
▪ Canadá
• areias betuminosas
• redução do peso das importações dos EUA de petróleo do Oriente Médio
▪ Irã
▪ Iraque
▪ Kwait
▪ Venezuela
▪ OPEP: 72,6% das reservas mundiais
❖ Fontes alternativas
➢ xisto
▪ potencial energético descoberto há mais tempo, mas técnica de extração é recente
➢ areias betuminosas
▪ grande potencial no Canadá
➢ redução do poder geopolítico do Oriente Médio
➢ resistência de movimentos ambientalistas
▪ receio do fracking
➢ Europa
▪ grandes fontes no Leste Europeu
▪ grande parte dos países da Europa Ocidental aplicou moratória ou banimento na
exploração
❖ Gás natural

Página 63 de GEO
❖ Gás natural
➢ Rússia detém +/- 25% das reservas mundiais
❖ Energia nuclear
➢ 6 a 8% da matriz mundial
❖ Biomassa
➢ geralmente em países de grande extensão territorial
▪ não precisa deslocar produção agrícola de alimentos
➢ maiores produtores
▪ EUA
• maior área plantada
▪ Brasil
• maior produtividade
❖ Energia eólica
➢ renovável que mais cresceu no período 2011-2016
➢ custo de produção caiu 23%
❖ Energia solar
➢ renovável com maior previsão de crescimento no período 2017-2021
➢ custo de produção caiu 73%
❖ China
➢ maior consumidor energético no planeta
➢ responsável pela maior emissão de GEE
➢ país que mais investe em fontes renováveis
➢ maior capacidade eólica instalada

Página 64 de GEO
Logística
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:33

❖ Brasil X Mundo
❖ Modais de transporte
❖ Categorias de rodovias
❖ Histórico
❖ 2000s
○ Plano Nacional de Logística e Transportes (2007)
○ Programa de Investimento em Logística (2012)
❖ Novo Plano Nacional de Logística
❖ Conexões bi-oceânicas
❖ Projetos no mundo
○ nova Rota da Seda (2013)
○ corredor logístico de Nacala

❖ Forte relação com planejamento territorial


❖ Brasil X mundo

❖ Modais de transporte
➢ ideal é a multimodalidade
➢ custo de deslocamento
▪ quanto menor o custo de deslocamento, maior o custo de instalação
▪ duto < hidrovia < ferrovia < rodovia < aerovia
➢ aquaviário
Vantagens Desvantagens
Baixo custo de operacionalização Alto custo de implantação
Grande capacidade de carga Baixa flexibilidade
Baixo consumo de energia Dependência climática; impactos ambientais
➢ ferroviário
Vantagens Desvantagens
Baixo custo de operacionalização Alto custo de implantação
Grande capacidade de carga Baixa flexibilidade
Possibilidades de uso de várias fontes energéticas Dificuldade de implantação (relevo)
➢ rodoviário

Página 65 de GEO
➢ rodoviário
Vantagens Desvantagens
Baixo custo e rápida implantação Alto custo de operacionalização (derivados de
petróleo)
Grande flexibilidade Baixa capacidade de carga
Complementa a atividade da indústria Congestionamentos
automobilística
➢ aéreo
Vantagens Desvantagens
Segurança Alto custo de implantação e de operacionalização
Velocidade Baixa flexibilidade
Acessibilidade/alcance Dependência climática
➢ conteineirização
▪ fluidez
▪ permite integração de modais
❖ Categorias de rodovias
➢ radiais – BR 0xx
➢ longitudinais – BR 1xx
➢ transversais – BR 2xx
➢ diagonais – BR 3xx
➢ ligação – BR 4xx
❖ Histórico
➢ primeira malha viária mais densa apenas no século XIX
▪ ferrovias do café
• meio técnico no Brasil
• Milton Santos: mecanização incompleta do território
 não havia a intenção de integrar o território
▪ 1854: ferrovia Mauá
• primeira ferrovia
• marco simbólico
• pouco impacto logístico (14,5 km)
▪ expansão cafeeira leva à expansão da rede ferroviária
▪ malha ferroviária é voltada para mercado externo
• poucas conexões horizontais – baixa conexão interna
▪ crise do café = crise do investimento ferroviário
➢ cabotagem
▪ navegação costeira
▪ linhas de longo curso
❖ Década de 1930
➢ expansão do rodoviarismo
➢ início da preocupação efetiva a respeito da integração nacional
➢ Plano Geral de Viação Nacional – 1934
▪ influência geopolítica
• interiorização da malha viária
▪ navegação interior
▪ vazios territoriais como risco à soberania
▪ conexão entre projetos ferroviários e hidroviários
▪ alto custo
▪ não chegou a ser implantado completamente
➢ DNER – 1937
▪ estradas de rodagem
▪ rodovia é mais barata e mais rápida de ser implementada
▪ opção rodoviarista brasileira começa com Vargas, não com JK
➢ DNEF – 1941

Página 66 de GEO
➢ DNEF – 1941
▪ estradas de ferro
➢ concorrência entre modais
▪ planejamento do DNER previa estradas nos mesmos lugares em que o plano de 1934
previa ferrovias
➢ privilégio das rodovias nos novos investimentos
❖ JK
➢ 1956: Plano Rodoviário Nacional
▪ meta rodoviária estava no Plano de Metas
➢ 1957: Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA
▪ estatização de ferrovias já existentes
• redução de danos
• empresas privadas estavam quebradas e devendo ao governo
▪ não existe aumento dos investimentos em ferrovias
➢ opção pelo rodoviarismo
▪ indústria automobilística
• ISI
• incentivo à entrada de investimento estrangeiro
▪ custo de implantação
▪ tempo de implantação
▪ flexibilidade
• relevo
❖ Período militar
➢ Doutrina de Segurança Nacional
▪ Golbery
▪ integração
▪ segurança
➢ rodovias como base para a colonização dos “anecúmenos”
▪ rodovias são eixos contínuos de ocupação
➢ destaque: ampliação da malha rodoviária na Amazônia
▪ não foi concretizado tudo o que havia sido planejado
▪ ainda bem: evitou maior degradação
▪ rodovia como base de ocupação e ocupação como base de segurança
➢ crescimento rodoviário muito forte
❖ 1980s
➢ acúmulo do déficit de infraestrutura de transportes
➢ ainda existem áreas do território pouco integradas
➢ déficit de complementaridade da malha
▪ investimento quase que somente em rodovias
➢ degradação da malha rodoviária
▪ transporte de cargas pesadas
❖ 1990s
➢ desestatização da RFFSA
▪ recuperação de eixos degradados
▪ sem aumento da malha
➢ privatização de rodovias
▪ não havia capital para investimento público
▪ investimento privado entra em um nível menor que o esperado
➢ ampliação do déficit viário
❖ 2000s
➢ Plano Nacional de Logística e Transportes (2007)
▪ 2005: base dos dados
▪ admite equívoco no modal rodoviário
• grande dimensão do território
• economia gira em torno de commodities (baixo valor, grande volume)
▪ planejamento para transporte de carga
▪ alcançar matriz mais equilibrada

Página 67 de GEO

➢ investimentos rodoviários
▪ setor que tinha previsão de receber mais investimentos do PAC 1
• recuperação
• mesmo com previsão de redução da participação do modal na matriz
▪ não tem como simplesmente parar de investir em rodovias
▪ recuperação da malha
▪ duplicação de trechos saturados
• ampliar capacidade de passagem
▪ anéis metropolitanos
• contornar a área urbana
• evitar redução de velocidade e maior gasto de tempo
• reduz custo energético
• evita saturar mancha urbana
▪ ampliação nas áreas menos densas
➢ investimentos ferroviários
▪ eixos estratégicos para o escoamento da produção
▪ Norte-Sul
• sentido vertical
• conexão com uma malha ferroviária já existente (SP)
• encontra com Ferrovia Carajás
• conexão até porto no Maranhão (Itaqui)
• base para outras conexões transversais
• passa por região de importante produção agropecuária (GO e Matopiba)

Página 68 de GEO

▪ Ferronorte
• em etapas
• conexão SP-Cuiabá: quase pronto
• passa por região de importante produção agropecuária
• conexão Cuiabá-Porto Velho: prevista
• conexão Cuiabá-Santarém: prevista
• Porto Velho e Santarém são portos fluviais
• conexão com hidrovia do Tapajós
• eixos multimodais

▪ Nova Transnordestina
• integração com polos portuários (Suape)

Página 69 de GEO
• integração com polos portuários (Suape)

▪ FIOL
• integração transversal
• ligação com a Norte-Sul
• saída portuária em Ilhéus

➢ investimentos aquaviários
▪ hidrovia do Madeira
• conexão com ferrovia Madeira-Mamoré
• conexão com BR-364

Página 70 de GEO
▪ hidrovia do Tapajós-Teles Pires
• conexão com BR-163
• conexão com Transamazônica

▪ hidrovia do Tocantins
• eclusa de Tucuruí

▪ hidrovia Tietê-Paraná
• um dos investimentos hidroviários mais antigos (1990s)
• desníveis de relevo – necessidade de eclusas
• hidrovia do Mercosul – contorna Itaipu por rodovias

Página 71 de GEO

▪ hidrovia Paraguai-Paraná
➢ Programa de Investimento em Logística (2012)
▪ ferrovias já assumem maior parte dos investimentos

❖ Novo Plano Nacional de Logística (2018)


➢ aprovado em jul/2018

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➢ aprovado em jul/2018
➢ distribuição modal em 2015
▪ rodoviário: 65%
• plano de 2007 apontava que, em 2005, a participação do rodoviário era 58%
• percentual é calculado por tonelagem de carga, não por valor
• aumento explicado por
 divergência metodológica
 aumento da área de lavoura brasileira (20%) - maior parte da produção
agropecuária é transportada por rodovias
▪ ferroviário: 15%
• 79% da carga transportada em ferrovias é minério de ferro
• 4% soja
• 3% açúcar
• 2% milho
• PNL prevê investimentos para adequação e ampliação da malha já existente
• novos eixos ferroviários
 FIOL - uma parte (Ilhéus-Caetité)
 Ferrogrão - Sinop/MT-Miritituba/PA
 Norte-Sul - Porto Nacional/TO-Estrela D'Oeste/SP
▪ hidroviário: 5%
• situação mais equilibrada
• 30% minérios
• 24% oleaginosas
• 12% combustíveis e óleos
• 9% cereais
• 6% contêineres
• 20% outros produtos
▪ cabotagem: 11%
• 75% é combustíveis e óleos
 produção e processamento concentrados no SE
• 10%: minérios
• 8% contêineres
▪ dutoviário: 4%
▪ aeroviário: menos de 1%
❖ Conexões bi-oceânicas
➢ ligação rodoviária no Sul
▪ permite saída ao porto de Coquimbo (Chile)

➢ corredor ferroviário Paranaguá-Antofagasta


▪ Paranaguá é importante porto para soja
▪ Pacífico: China

Página 73 de GEO

➢ eixo interoceânico central


▪ rodovia

➢ corredor ferroviário bi-oceânico

Página 74 de GEO

➢ rodovia Trans-oceânica
▪ Acre-Pacífico
▪ já está pronta

Página 75 de GEO

➢ ferrovia bi-oceânica Peru-Brasil


▪ investimento chinês

❖ Projetos no mundo
➢ nova Rota da Seda (2013)
▪ projeto chinês
▪ Vietnã-Veneza
▪ rotas marítima e terrestre
▪ financiamento pelo Fundo da Rota da Seda (2014)
• inicial: US$ 400 bi da China
• AIIB
• NBD BRICS (perspectiva – sem prazo)
• Banco de Desenvolvimento da China
• linhas de crédito em bancos privados

Página 76 de GEO
➢ potencial passagem pelo istmo de Kra
▪ alternativa para a dependência chinesa de saída por Singapura

➢ canal da Nicarágua
▪ projeto chinês, mas ainda muito indefinido
➢ corredor logístico de Nacala
▪ ferrovia
▪ passa pela Zâmbia (cobre)
▪ cruza Malawi
▪ capacidade de induzir desenvolvimento
▪ abastecimento do mercado asiático
▪ investimento da Vale
• maior investimento externo recebido pelo Moçambique na história

Página 77 de GEO
Página 78 de GEO
Ordenamento territorial
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:33

❖ Formação do território brasileiro


○ 3 vertentes
❖ O corpo da pátria (Magnoli)
❖ Amazônia
❖ Vargas
❖ JK
○ superação do arquipélago
❖ DSN e período militar
○ "integrar para não entregar"
❖ 1980s: hiato do planejamento
❖ 1988: Planos Plurianuais
❖ 1990s: reconstrução do modelo de planejamento
❖ 2000s: modelo híbrido
❖ Pensamento geopolítico brasileiro
❖ Projeto Amazônia Azul
❖ Divisões oficiais (IBGE)
❖ Frente pioneira
❖ Faixa de fronteira
❖ Mudanças na estrutura federativa
❖ Proposta de divisão de Roberto Lobato Correa (1989)
❖ Divisão regional de Milton Santos (2000s)
○ Região concentrada (Sul + Sudeste)B

❖ Formação do território brasileiro


➢ mito da Ilha Brasil
➢ 3 vertentes
➢ fachada litorânea e eixos de interiorização
▪ implantação da canavicultura
• consolidação nas várzeas litorâneas do Nordeste
• condições ambientais favoráveis: clima e solo massapê
• 1ª base econômica não extrativista
• 1ª base de ocupação
• 1ª centralidade
• 1º eixo de interiorização da ocupação: São Francisco
 rio dos currais
 pecuária é primeira grande atividade com capacidade de interiorização
▪ mineração
• deslocamento da centralidade para o sudeste
• nova base econômica
• consolidação da interiorização
• infraestrutura: obriga conexão interior-litoral
• adensamento da rede de cidades
▪ café
• consolidação da centralidade do sudeste e da interiorização da ocupação
➢ Bacia do Prata
▪ 1680: Colônia do Santíssimo Sacramento
▪ fundação de vilas e cidades
• 1752 - Porto dos Casais
▪ colonização dirigida
• açorianos
▪ estâncias pecuaristas
• doação de terras a militares
• grande matriz de formação da estrutura fundiária no sul

Página 79 de GEO
• grande matriz de formação da estrutura fundiária no sul
▪ século XIX
• continuidade da colonização dirigida
• 1824: início da colonização alemã (vales fluviais)
• 1870: imigração italiana (serras)
➢ Bacia do Amazonas
▪ processo menos complicado que o da Bacia do Prata
▪ 1616: Forte do Presépio/Belém
▪ 1669: Manaus
▪ ciclos da borracha
• 1º ciclo - 1870/1910
 forte afluxo migratório
➢ primeiro grande fluxo migratório interno livre
 Belle Époque Amazônia
• 2º ciclo - 1942/1945
 esforço de guerra
 soldados da borracha
❖ O corpo da pátria (Magnoli)
➢ Império é o grande período de horogênese
▪ delimitação estrutural de uma linha de fronteira
▪ 30% das fronteiras estabelecidas originaram-se de guerras
▪ ênfase nas fronteiras platinas
➢ período nacional (era de Rio Branco)
▪ mais da metade das fronteiras estabelecidas originaram-se de arbitramento
▪ ênfase nas fronteiras amazônicas
❖ Amazônia
➢ formação territorial (1616-1930)
▪ Amazônia dos rios
➢ planejamento territorial (1930-1985)
▪ início do planejamento: 1930-1966
▪ auge da produção do espaço amazônico pelo Estado: 1966-1985
• 1966: criação da SUDAM
➢ transição do modelo (1985-...)
▪ fronteira socioambiental: 1985-1996
▪ incógnita do heartland: 1996-...
• 1996: primeiro PPA (FHC)
❖ Vargas
➢ integração nacional começa a ser valorizada
➢ conquista da heartland (Magnoli)
➢ preocupação em garantir a soberania
➢ necessidade de institucionalização
▪ órgãos destinados a pensar o planejamento territorial
▪ Conselho Nacional de Estatística (1936)
▪ Conselho Nacional de Geografia (1937)
▪ IBGE (1938)
• uniu os dois anteriores
➢ 1938: divisão regional
▪ princípio adotado: posição geográfica
▪ não era uma regionalização oficial

Página 80 de GEO

➢ marcha para oeste (1938)


▪ “vazios territoriais”
▪ reconhecimento da ocupação histórica litorânea
▪ Goiânia
• década de 1940
• deveria representar avanço e modernidade
▪ colônias agrícolas
• fixar população
• primeira é no MS
▪ expansão da produção agrícola
• não se concretizou
• modelo se baseava em agricultura familiar – subsistência
• foi mais importante para fixação de população que para produção
• dificuldade logística para transporte
▪ princípios soberanistas
• risco de perda territorial
▪ expedições
• exemplo: Xingu
• desbravamento
• estradas
• cabos de telégrafo
➢ criação de territórios federais em 1943
▪ Ponta Porã, Iguaçu, Amapá, Rio Branco, Guaporé, Fernando de Noronha
• Ponta Porã e Iguaçu extintos em 1945
▪ na faixa de fronteira
▪ no contexto da IIGM
➢ SPVEA (1953) e integração amazônica
▪ plano de valorização econômica da Amazônia
▪ Amazônia legal
❖ JK
➢ superação do arquipélago
➢ infraestrutura rodoviarista
➢ SUDENE
▪ primeira superintendência de desenvolvimento regional

Página 81 de GEO
▪ primeira superintendência de desenvolvimento regional
▪ Celso Furtado
▪ resposta cepalina
➢ Brasília
▪ integração/interiorização
• estrutura logística
▪ modernidade
➢ forte urbanização
➢ industrialização
▪ Plano de Metas
❖ DSN e período militar
➢ DSN como valor máximo dentro do planejamento
▪ 1952: Golbery publica "Conjuntura política nacional, o poder executivo e a
geopolítica"
▪ segurança nacional deve condicionar todo e qualquer planejamento
➢ influência do pensamento de Golbery do Couto e Silva
▪ Golbery: egresso da ESG
▪ 1957: aspectos da geopolítica do Brasil
• (vazio territorial) “atrai de todos os quadrantes os ventos desenfreados da
cobiça [...] (o que exige um) planejamento cuidadoso [...] integrando-o na
comunidade nacional e valorizando a sua grande expressão física”
➢ “integrar para não entregar”
▪ preocupação soberanista
▪ ocupação de áreas de baixa densidade
➢ ênfase na Amazônia
▪ Plano de Integração Nacional
▪ assume papel mais relevante no planejamento territorial
▪ fronteira de recursos
▪ Boulding: “lógica de economia de fronteira”
➢ rodovias federais na Amazônia/padrão estrada-terra firme
▪ grande expansão da fronteira agropecuária
➢ Transamazônica (BR-230)
➢ colônias agrícolas – “homens sem terra para terras sem homens”
❖ 1980s: hiato do planejamento
➢ III PND (Figueiredo)
➢ PNDR (Sarney)
➢ baixa capacidade de investimento
▪ década perdida
➢ déficit de infraestrutura
▪ degradação da malha ferroviária
▪ aumenta o custo de circulação
➢ 1988: Planos Plurianuais
▪ 4 anos de duração
▪ lógica de continuidade do planejamento
❖ 1990s: reconstrução do modelo de planejamento
➢ planejamento desenvolvimentista era insustentável após a crise dos anos 1980
➢ FHC
▪ papel do setor privado
• capacidade de investimento do Estado não tinha se recuperado ainda
▪ Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento
• novo recorte de planejamento
 antes, recorte era baseado nas regiões
• corredores de exportação
• com base no potencial competitivo
• preocupação com a circulação
• superintendências de desenvolvimento regional são extintas
• influencia o planejamento da IIRSA

Página 82 de GEO
• influencia o planejamento da IIRSA
➢ 1996-1999: Brasil em Ação
▪ 42 projetos
▪ reduzir custos na economia
▪ propiciar o aumento da competitividade do setor produtivo
▪ melhorar a qualidade de vida da população
▪ grande preocupação era gerar as condições para atração de capital privado
➢ 2000-2003: Avança Brasil – “os desafios para o próximo século”
▪ gestão do Estado
▪ meio ambiente
▪ informação e conhecimento
▪ emprego e renda
▪ consolidação dos ENIDs
▪ não correu como o esperado
• em alguns setores, deu certo
• desvalorização do real
• racionamento de energia
• contexto internacional desfavorável limita a entrada de investimento
❖ 2000s: modelo híbrido
➢ híbrido
▪ mantém participação do capital privado
▪ esforço de recuperação do papel do Estado
➢ 2004-2007: Brasil para todos
▪ crescimento sustentável
▪ emprego
▪ inclusão social
▪ permanece a contenção de gastos, então não podia ser muito amplo
➢ 2007: PAC (Plano de Aceleração do Crescimento)
▪ não é um PPA
▪ PAC 1: 2007-2010
▪ infraestrutura
• logística e de transportes
• social e urbana
• energética
▪ retomada do modelo e da simbologia desenvolvimentista
▪ recriação das superintendências regionais
• SUDAM
• SUDENE
➢ Plano Amazônia Sustentável (2008)
▪ arco da ocupação consolidada: maior desmatamento
• ações mais econômicas
▪ amazônia central: maiores polêmicas
• ações econômicas e de preservação
❖ Pensamento geopolítico brasileiro
➢ existe um pensamento geopolítico desde 1920s
➢ estruturado somente a partir de Vargas (conquista do Oeste)
➢ Everardo Backheuser
▪ papel na internalização do pensamento de Ratzel (espaço vital)
▪ advoga necessidade de integração
▪ necessidade de interiorização da capital
▪ equilíbrio territorial para segurança
➢ Mario Travassos
▪ Projeção Continental do Brasil (1935)
▪ heartland sul-americano: Bolívia
• triângulo estratégico
• conexão dos 4 compartimentos geográficos da América do Sul
• acesso a duas grandes bacias (Amazonas e Prata)

Página 83 de GEO
• acesso a duas grandes bacias (Amazonas e Prata)
▪ influência sobra a Marcha para o Oeste
• aproximar da Bolívia
• Argentina estava expandindo sua malha ferroviária nessa direção
• visão soberanista
➢ Golbery
▪ Amazônia como grande fundo territorial
▪ hileia amazônica
▪ vazio territorial
• preocupação com baixa ocupação é herdada de Travassos
▪ ESG
▪ integração viária
▪ colonização dirigida
▪ integração subordinada à segurança
▪ fechamento de fronteiras
• tamponamento eficaz das fronteiras
➢ Meira Matos
▪ também no período da ditadura
▪ necessidade de integração na região amazônica
• vertebração
• geopolítica pan-amazônica
▪ não deixa de ser uma visão de segurança
• isoladamente, Brasil não conseguiria cuidar da Amazônia
▪ proteger de ameaças externas
▪ forte conexão com o TCA
➢ Estratégia Nacional de Defesa (2008/2012)
▪ importância do Atlântico Sul e das bacias do Amazonas e do Paraguai
▪ Amazônia é uma prioridade de defesa
• defesa da soberania
• projeto de desenvolvimento sustentável
• monitoramento/controle, mobilidade, presença
❖ Projeto Amazônia Azul
➢ motivado por Montego Bay
➢ projeto em andamento em 1989
➢ Comissão Interministerial de Recursos Marinhos e Comissão de Levantamento da
Plataforma Continental
➢ pleito colocado em 2004
▪ resposta em 2007

Página 84 de GEO

▪ partes vermelhas: inconclusivas


▪ 2015: Brasil recoloca o pleito em relação à Margem Continental Sul
▪ 2017: Brasil recoloca o pleito para a parte Norte
➢ extensão comparável com a da Amazônia Verde
➢ recursos de fundo marinho
➢ existe também vertente de defesa e segurança
➢ SisGAAz
➢ Operação Amazônia Azul
▪ Marinha
▪ anual
❖ Divisões oficiais (IBGE)
➢ IBGE foi criado em 1938
➢ área integral dos estados da federação fica dentro de uma das macrorregiões
➢ 1942: primeira regionalização oficial

Página 85 de GEO

▪ dificuldade de aplicação da região geográfica francesa


• processo de formação do território era muito diferente
• baixa densidade em boa parte do território
▪ adoção das regiões naturais
• não significa uma perspectiva determinista
• regiões naturais são mais estáveis ao longo do tempo
▪ identidades regionais
➢ proposta em 1967 (Pedro Geiger)
▪ objetivo também era de superar o arquipélago
▪ não chega a entrar em vigor
▪ reconhecimento da nova dinâmica do território
• complexos geoeconômicos
▪ não reconhece os limites estaduais

➢ 1969
▪ critério econômico
▪ dinâmica centro-periferia
• no arquipélago, não existia essa lógica
• superação do arquipélago
▪ Sudeste
• centro

Página 86 de GEO
• centro
• SP no Sudeste - comprova ideia de centro-periferia
▪ Centro-Oeste e Sul
• periferias integradas
• dinâmica econômica fortemente relacionada à do Sudeste
▪ Nordeste
• periferia deprimida
• menor integração às cadeias de produção
▪ Norte
• fronteira
• área para onde se expandir

❖ Frente pioneira
➢ Pierre Monbeig
▪ veio para o Brasil na década de 1940
▪ importante para o desenvolvimento da disciplina no país
➢ abertura de novas áreas
➢ expansão da lavoura comercial
➢ incorporação de novas áreas
❖ Faixa de fronteira
➢ antes, fronteira como peça fundamental da defesa nacional
➢ hoje, predomina visão integracionista
▪ desenvolvimentismo
▪ 2009: programa de desenvolvimento da faixa de fronteira (PDFF)
• interministerial - MRE e MD
• reduzir porosidade das fronteiras
• arranjos produtivos
▪ Plano estratégico de fronteiras (2011)
• atualizado em 2016: Programa de Proteção Integrada de Fronteiras
• Operação Ágata (2011)
 coordenada pelo Brasil
 cooperação
 permanente
 coibir delitos transfronteiriços
➢ nova agenda de segurança
▪ 3 vertentes de trabalho
• diplomacia
 políticas de cooperação
 Estado se territorializando na região
• defesa
 cooperação entre as FAs
 faixa de fronteira
• segurança
 maior coordenação entre as polícias

Página 87 de GEO
 maior coordenação entre as polícias
 inibição de crimes transfronteiriços
▪ inclui desenvolvimento
• mais ampla que a própria segurança
▪ entorno estratégico brasileiro - Estratégia Nacional de Defesa
• América do Sul
• Atlântico Sul
• costa leste africana
• Antártida
➢ histórico
▪ Lei de Terras (1850): 10 léguas a partir do limite internacional
▪ Constituição de 1934
▪ Constituição de 1937
▪ Constituição de 1946
▪ Lei 6.634 (1979): 150 km de largura
➢ classificação
▪ Arco Norte
▪ Arco Central
▪ Arco Sul: mais adensado
➢ Foz do Iguaçu: maior cidade na faixa de fronteira
➢ nível de interação na fronteira
▪ margem
▪ zona tampão
• tentativa de bloquear ou reduzir os contatos
▪ zona pioneira
• área de contato das atividades que avançam com porções menos integradas
do território
• geralmente, existem conflitos
▪ frente
▪ capilar
▪ sináptica
• mais fluida
• maiores contatos
➢ Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas: 27 arranjos fronteiriços
❖ Mudanças na estrutura federativa
➢ Constituição de 1946
▪ extinção dos Territórios Federais de Ponta-Porã e Iguaçu
➢ 1959
▪ mudança de denominação de Território Federal de Guaporé para Território Federal
de Rondônia (lei de 17/02/1956)
➢ 1960
▪ transferência da capital federal para Brasília
▪ criação do Estado da Guanabara (lei de 21/04/1960)
➢ 1962
▪ elevação do Território Federal do Acre para estado (15/06/1962)
▪ mudança de denominação de Território Federal de Rio Branco para Território
Federal de Roraima (lei de 13/12/1962)
➢ 1974
▪ fusão dos estados da Guanabara e Rio de Janeiro (lei de 01/07/1974)
➢ 1977
▪ criação do Estado de Mato Grosso do Sul (lei de 11/10/1977)
➢ 1981
▪ elevação do Território de Roraima a estado (lei complementar nº 41 de 22/12/1981)
➢ Constituição de 1988
▪ criação do estado de Tocantins
▪ elevação dos Territórios Federais de Roraima e Amapá a estados
▪ extinção do Território Federal de Fernando de Noronha e anexação ao estado de

Página 88 de GEO
▪ extinção do Território Federal de Fernando de Noronha e anexação ao estado de
Pernambuco
• passa a distrito de Pernambuco pela Constituição Estadual de 1989
❖ Proposta de divisão de Roberto Lobato Correa (1989)

➢ Centro-Sul
▪ região econômica e politicamente mais dinâmica do país
▪ concentra os principais centros de gestão econômica e política
▪ concentra as sedes sociais das grandes corporações privadas vinculadas à produção,
distribuição e circulação, bem como a sede das empresas estatais
▪ concentra a produção industrial do país
▪ região mais urbanizada do país
▪ densa rede de circulação
• principais portos e aeroportos
• ampla rede rodoferroviária
• modernos meios de comunicação
▪ principal área agropecuária do país
• a mais afetada pela modernização da agricultura
▪ principal área de mobilidade demográfica, intra e inter-regional
▪ grandes contrastes sociais
▪ 70% da população nacional
➢ Nordeste
▪ subordinada economicamente ao Centro-Sul
▪ setor agropecuário tem perdido gradativamente seu destaque
▪ região de perda demográfica
• primeiro momento: Centro-Sul
• pós-1970: Amazônia
▪ graves contrastes sociais
➢ Amazônia
▪ presença ainda marcante dos elementos naturais
• apropriação indevida dos recursos naturais
• fronteira do capital na atualidade
▪ ocupação humana escassa
• áreas do litoral e de certos rios
▪ investimentos pontuais de capital
• política de integração ao mercado do Centro-Sul (principalmente rodovias)

Página 89 de GEO
• política de integração ao mercado do Centro-Sul (principalmente rodovias)
▪ extrativismo animal, vegetal e mineral
▪ polo petroquímico da Petrobrás
▪ Zona Franca de Manaus
❖ Divisão regional de Milton Santos (2000s)
➢ Região Concentrada (Sul + Sudeste)
▪ implantação do MTCI mais consolidada
• próteses consolidadas no território
▪ comando
▪ atividades de alto valor
➢ Centro-Oeste
▪ ocupação periférica recente
▪ MTCI implantado diretamente sobre um meio natural
▪ poucas rugosidades
▪ reincorpora Tocantins
• maiores vínculos e fluxos
➢ Nordeste
▪ periferia de ocupação antiga
▪ economia mais alicerçada no trabalho que no capital
▪ MTCI em poucas manchas
➢ Amazônia
▪ fronteira
▪ enclaves de MTCI
▪ convívio de fluxos lentos e rápidos

Página 90 de GEO
Geografia econômica
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:33

❖ David Harvey
❖ Fordismo
❖ Transição
❖ Pós-fordismo
❖ DIT clássica
❖ Nova DIT
❖ Globalização - termos
❖ Globalização - origens
❖ Múltiplas globalizações
❖ Processos de fragmentação
❖ Milton Santos e globalização
❖ Arrighi - economia de transbordamento

❖ David Harvey
➢ crítica à ortodoxia marxista
▪ percepção sobre o sentido e as consequências das crises na economia
capitalista
➢ marxistas ortodoxos
▪ crises fazem parte do sistema capitalista
▪ consequência seria a superação do sistema
➢ perspectiva da regulação (Harvey)
▪ existe uma tendência a uma sucessão de crises sistêmicas, mas a continuidade
das crises não leva a uma superação do sistema
▪ a cada crise, o sistema se reestrutura de uma nova maneira com base em uma
combinação entre um regime de acumulação e um modo de regulação
❖ Fordismo
➢ desde o início do século XX
▪ 1909: início da linha de montagem do Ford T
▪ 1914: jornada de trabalho de 5 dólares (Ford)
• para Harvey, esse é o marco
• aumento da capacidade de consumo
➢ acumulação rígida
▪ baixa capacidade de adaptação para as novas condições de mercado
➢ organização da produção
▪ produção em série/padronizada/standardizada
• baixa variabilidade da produção
▪ produção em massa
• multiplicação da capacidade produtiva com menores custos
▪ imensas plantas produtivas
• cadeia produtiva se encontra em um mesmo espaço
▪ tempo ocioso caro
• grande contingente de mão de obra
• alto investimento em bens de capital
• grandes estoques de matéria-prima
➢ organização do trabalho
▪ linha de produção
▪ influência do taylorismo
• racionalização da produção
▪ fragmentação do trabalho
• decisão
• concepção
• execução
▪ redução da execução a tarefas mínimas

Página 91 de GEO
▪ redução da execução a tarefas mínimas
• execução é racionalizada
• tempo da produção fabril é um tempo técnico
• aumenta produtividade
• reduz custo da produção
➢ organização dos trabalhadores
▪ produção em massa exige consumo em massa
▪ alto nível de organização/sindicalização
• concentração espacial dos trabalhadores facilita a sindicalização
▪ capacidade de demanda/conquista de direitos
➢ organização do mercado
▪ necessidade de escoamento da produção em massa
▪ peso do mercado interno
• produção em grande quantidade, mas com baixa capacidade de
circulação
• necessidade de vender em lugares próximos
▪ massificação da capacidade de consumo
• maior renda do trabalho
➢ modo de regulação
▪ Estado keynesiano
• garantia da renda do trabalho
• fordismo é ligado ao keynesianismo, mas é cronologicamente anterior
▪ direitos sociais
▪ combinação no período pós-guerra à década de 1970: "anos de ouro"
➢ organização do espaço: concentração
▪ pouco desenvolvimento dos transportes
• alto custo de circulação
▪ nas unidades produtivas
• concentração espacial
• grandes plantas
• concentração das etapas de produção
 inclusive concepção
• fragmentação do trabalho
 acelera produção
 fragmentado, mas espacialmente junto
▪ na rede urbana/nos territórios
• concentrações produtivas
• aglomerações metropolitanas
• pressão dos fatores de localização
 disponibilidade de matéria prima
 energia
 mercado consumidor
• economias de aglomeração
▪ na escala global
• divisão territorial do trabalho clássica
• número relativamente pequeno de países industrializados
➢ fordismo periférico
▪ fábrica é fordista, consumo não
▪ produção qualificada e engenharia ficam no exterior
▪ Harvey: onde a produção podia ser padronizada, mostrou-se difícil parar o seu
movimento de aproveitar-se da força de trabalho mal remunerada do Terceiro
Mundo
❖ Transição (Harvey)
➢ indícios de problemas sérios no fordismo já em meados dos anos 1960
▪ recuperação da Europa e do Japão, com mercados internos saturados e
necessidade de mercados de exportação para os excedentes
▪ deslocamento de trabalhadores da manufatura

Página 92 de GEO
▪ deslocamento de trabalhadores da manufatura
▪ queda da produtividade e da lucratividade corporativas depois de 1966
▪ problema fiscal e aceleração da inflação nos EUA
▪ competição internacional se intensificou
➢ 1969-73: política monetária frouxa dos EUA e da Inglaterra
▪ excesso de fundos
▪ forte inflação
➢ a crise do fordismo pode ser interpretada, até certo ponto, como o esgotamento das
opções para lidar com o problema da superacumulação
❖ Pós-fordismo
➢ a partir da década de 1970
➢ acumulação flexível
➢ relação com o processo de globalização
➢ organização da produção
▪ produção customizada
• variabilidade da produção
• variação da oferta é um estímulo à aceleração do tempo de giro do
produto
• demanda maior capacidade técnica
▪ "just in time"
• estoques mínimos
• oferta do produto pode ser alterada mais facilmente
• resposta rápida à demanda
▪ inovações geram picos de acumulação
▪ plantas produtivas menores
• escala de produção é mais dependente de tempo que de massificação
▪ produção reticular
• produção em redes
➢ organização do trabalho
▪ relações flexíveis
• empregos temporários
• terceirização
• subcontratações
• é importante reter a concepção e a decisão → o que realmente gera
valor
▪ automação
➢ organização dos trabalhadores
▪ enfraquecimento sindical
▪ dificuldades de organização
• dispersão espacial da execução
• fragmentação das relações do trabalho
▪ perdas de direitos
➢ organização do mercado
▪ papel do mercado externo
• queda do custo logístico
• mercados globais
• perda em escala local (queda da renda do trabalho) compensada por
maior alcance do mercado
▪ ganho de escala de consumo
▪ plataformas de exportação
• produção em condições de alta competitividade para o mercado externo
➢ modo de regulação
▪ neoliberalismo
▪ redução de custos
▪ competitividade global
➢ organização do espaço: desconcentração
▪ containerização

Página 93 de GEO
▪ containerização
• 1966: primeiro navio (Rotterdam)
• possibilita circulação
▪ nas unidades produtivas
• unidades menores
• produção reticular
• cadeias globais de valor
▪ na rede urbana/nos territórios
• espraiamento da cadeia
• crescimento de centros intermediários
• formação de polos especializados
• deseconomias de aglomeração
 desconcentração industrial
 saturação
▪ na escala global
• espraiamento da produção
 execução
• divisão territorial do trabalho complexificada
▪ concentração é somente da decisão e da concepção
❖ DIT clássica
➢ deterioração dos termos de troca
➢ para superar a deterioração dos termos de troca: substituição de importações

❖ Nova DIT
➢ periferia da divisão clássica passa a fazer parte da semiperiferia
▪ após se industrializar
➢ setores com certo nível de obsolescência vão do centro para a semiperiferia
➢ terciarização
➢ desindustrialização dos países centrais
➢ maior importância da logística
➢ Manuel Castells – 4 posições diferentes na economia global
▪ produtores de alto valor
• trabalho informacional
▪ produtores de grande volume
• trabalho de mais baixo custo
▪ produtores de matérias primas
• recursos naturais
▪ produtores redundantes
• trabalho desvalorizado
▪ posições não coincidem com países → organizações em redes e fluxos

Página 94 de GEO
❖ Globalização – termos
➢ internacionalização: fim do século XIX
▪ referência escalar
▪ processos e dinâmicas para além da escala nacional
▪ expansão territorial/colonialismo
• Estado atuando para além de seu próprio território
▪ atuação de empresas em vários territórios
➢ mundialização: década de 1950
▪ caráter mais econômico do processo
▪ atuação empresarial em escala cada vez mais ampla
➢ universalização: década de 1970
▪ grandes transformações técnicas
▪ universalização da técnica
▪ universal = hegemônico, global
➢ globalização: década de 1980
▪ termo de utilização ampla, porém recente
▪ não fica preso a um único campo temático
▪ grande mudança global que acaba por afetar todos os aspectos possíveis
▪ polissemia
❖ Globalização – origens
➢ grandes navegações
▪ imagem global do mundo
▪ expansão das redes comerciais
▪ expansão "civilizacional"
• globalização de valores políticos
• ocidentalização do mundo
➢ 1ª revolução industrial
▪ universalização da técnica
➢ 2ª revolução industrial
▪ avanços de transportes e comunicações
• capacidade de circulação
▪ unificação do tempo
• sistema internacional de data e hora
➢ pós 2ª GM
▪ organizações internacionais
▪ conflitos mundiais
• primeiros eventos realmente globais
• inauguram percepção do global
➢ 3ª revolução industrial
▪ avanços nas comunicações
▪ avanços nos transportes

Página 95 de GEO
▪ avanços nos transportes
• container
• permite estrutura de comércio efetivamente global
▪ redes globais
➢ pós Guerra Fria
▪ hegemonia capitalista
▪ expansão de valores políticos
• democracias ocidentais como valores máximos a serem alcançados
❖ Múltiplas globalizações
➢ finanças e capitais
▪ desregulamentação de mercados
▪ mobilidade internacional do capital
▪ dólar como moeda global
▪ aumentos dos fluxos de capitais
➢ mercados e estratégias
▪ integração de negócios na escala internacional
• redes produtivas
▪ investimentos em pesquisa e desenvolvimento
▪ alianças estratégicas/blocos regionais
▪ terciarização
• secundário perde participação
• concepção e decisão
▪ aumento dos fluxos de mercadorias e de pessoas
• tendência de aumento da renda do trabalho esperada
➢ tecnologia e conhecimento
▪ telecomunicações e informática/redes
▪ circulação acelerada dos dados
▪ integração de grupos de pesquisa internacionais
• pesquisa em rede
▪ aumento dos fluxos de informações e de pessoas
➢ modos de vida/padrões de consumo/cultural
▪ difusão de modos de vida hegemônicos
• american way of life
▪ difusão de padrões de consumo
▪ inglês como língua mundial
▪ aumento dos fluxos de bens culturais
▪ aumento dos fluxos de informações e de pessoas
➢ capacidades reguladoras e governanças
▪ papel restrito dos governos nacionais
▪ novos papéis dos Estados e das fronteiras
▪ nova geração de regras e instituições de governança global
▪ aumento de restrições a fluxos indesejados
• prova que não existe o "fim do Estado"
➢ possível unificação política do mundo
▪ proliferação de regimes democráticos
▪ tendência à integração em um sistema político e econômico global
▪ presença de organizações supranacionais
➢ percepções e consciência
▪ supressão das distâncias
▪ alargamento dos períodos de tempo
▪ novas relações local-global
▪ processo sociocultural centrado nos avanços técnicos
❖ Processos de fragmentação
➢ fragmentação: par dialético da globalização
Fragmentação inclusiva ou Fragmentação excludente ou
integradora desintegradora
Dinâmicas Inerente ao processo de Produto da globalização

Página 96 de GEO
Dinâmicas Inerente ao processo de Produto da globalização
Gerais globalização ("fragmentar para
melhor globalizar" ou "dividir para
acumular")
Flexibilização do processo Desemprego estrutural
produtivo "Inclusão precária
Terceirização Etnocídio/desculturação
Trabalho temporário Perda de cidadania (refugiados
Contratos precários políticos)
Resistência progressista: Resistência conservadora:
movimentos sociais movimentos fundamentalistas,
neonacionalismos
Dinâmicas Mais zonal: divisões e/ou Redes/circuitos ilegais da economia
Geográfica agrupamentos regionais (em nível Aglomerados de exclusão (campos
s econômico e/ou cultural) e de refugiados e controle de
territoriais (em nível político) em migrantes)
diferentes escalas Novos muros fronteiriços de
contenção de grupos subalternizados
Exclusão territorial por precarização
das condições ambientais (depósitos
de lixo tóxico, áreas de acidentes
nucleares, etc)
Mais reticular: fluxos de rápida
des-relocalização de capital,
mercadorias, força de trabalho
"Novos regionalismos"
econômicos
Mercados comuns/blocos
mundiais de poder
Regiões de "conhecimento
intensivo" e fluxos
transfronteiriços altamente
seletivos
Deslocalização e circularidade
espacial do aparato produtivo e da
captação de força de trabalho
Paraísos financeiros
Resistência progressista: criação Resistência conservadora: controle
de redes antiglobalização com nacionalista de fluxos de diversas
ocupações de espaços públicos; ordens pelo fortalecimento das
criação de territórios autônomos fronteiras; guetos étnico-religiosos
tradicionalistas
❖ Milton Santos e globalização
➢ globalização como fábula
▪ discurso ideológico sobre o processo de globalização
▪ integração/unificação/inclusão
▪ mundo cada vez mais próximo/acessível
▪ "Aldeia Global"
➢ globalização como perversidade
▪ processo seletivo/excludente
▪ limitações econômicas para o acesso às condições técnicas
▪ possibilidade de integração global ≠ efetiva integração global
▪ uma rede global não é totalmente global
➢ globalização como possibilidade
▪ irreversibilidade técnica

Página 97 de GEO
▪ irreversibilidade técnica
• não é possível, nem desejável
▪ reversibilidade política
• “uma outra globalização”
▪ ganho de escala para as demandas sociais
❖ Arrighi – economia de transbordamento

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Espaço rural - Brasil
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:33

❖ Características gerais
❖ Vantagens comparativas
❖ José Graziano da Silva
○ decomposição do complexo rural (1850-1890)
○ auge do complexo cafeeiro paulista (1890-1930)
○ integração dos mercados (1930-1960)
○ consolidação e expansão do CAI (1960-...)
❖ Modernização agrícola
❖ Estrutura fundiária
○ FHC: primeiro governo com uma política de reforma agrária
○ pecuária ocupa mais terra que agricultura
❖ Avanço da agropecuária atual
❖ Distribuição da produção
❖ Soja
❖ Cana
❖ Pecuária
❖ MATOPIBA

❖ Brasil – características gerais


➢ modelo híbrido
➢ fraca participação no PIB
▪ cadeia agroindustrial é mais importante que a produção agropecuária
▪ grande peso da exportação agropecuária
➢ mecanização, intensividade e mão de obra
▪ depende do que esteja sendo cultivado e onde esteja sendo cultivado
▪ marca a característica híbrida
▪ mecanização não é igualmente distribuída
➢ estrutura fundiária concentrada
➢ tem segurança alimentar (FAO)
❖ Brasil – vantagens comparativas
➢ dimensão territorial
➢ clima
▪ ausência de invernos rigorosos
▪ diversidade climática
▪ fruticultura no semiárido
➢ recursos hídricos
▪ 12% da água doce superficial do mundo
➢ topografia plana
➢ solo não é vantagem
▪ maioria não é de intensa fertilidade
▪ muita chuva = lixiviação
❖ José Graziano da Silva
➢ modernização da agricultura no Brasil
▪ complexo rural → complexo cafeeiro paulista → complexo agroindustrial
▪ transformação da base técnica do modelo produtivo
▪ complexo cafeeiro paulista: modelo de transição
➢ decomposição do complexo rural (1850/1890)
▪ engenho de açúcar
▪ fazenda de café (até o Vale do Paraíba)
▪ economia fechada
• cadeia produtiva inclui desde a produção até o produto final
▪ incipiente divisão do trabalho
▪ D1 interno assentado em bases artesanais
• D1 = departamento de bens de produção

Página 99 de GEO
• D1 = departamento de bens de produção
• pré-industrial
▪ apenas um produto de valor comercial no circuito produtivo
• preço bom – deslocamento de esforços para produção
• preço ruim – deslocamento de esforços para subsistência
▪ praticamente só há mercado externo
• problemas de integração
▪ mão de obra escrava é um ponto fundamental do complexo agroindustrial
➢ auge do complexo cafeeiro paulista (1890/1930)
▪ modelo de transição
▪ modelo de colonato – formação de mercado
• permite que os colonos tenham pequenos cultivos para subsistência
• geração de excedentes, que começam a drenar para dentro do território
• quebra a estrutura insular do complexo agroindustrial
▪ demanda urbana
• transportes
• máquinas e equipamentos
• insumos
▪ ampliação da divisão social do trabalho
▪ quebra da estrutura autárquica
• demandas produtivas externas à estrutura produtiva
➢ integração dos mercados (1930/1960)
▪ década de 1930: industrialização e crescimento da urbanização
▪ necessidade de expansão da produção agrícola
• ampliação da oferta interna
▪ expansão horizontal + expansão vertical
• início do processo de expansão da fronteira agropecuária
• estímulo à ocupação do Oeste (PR) → soja e milho
• ganho de produtividade → tecnologia (Revolução Verde)
▪ 1940/50: importação de insumos e maquinário
• “pacotes tecnológicos”
▪ Plano de Metas: internalização da produção de insumos
▪ 1960: internalização da produção do maquinário
➢ consolidação e expansão do CAI (1960...)
▪ indústria para agricultura → produção agropecuária → indústria de processamento
▪ cadeia só está completa no território brasileiro a partir da década de 1960
▪ 1973: EMBRAPA
▪ 1974: PRODECER
• Brasil-Japão
• pesquisas para produção de soja no Centro-Oeste
▪ papel da tecnologia: redução do tempo
▪ integração vertical
• controle de mais de um elo da cadeia pelo mesmo agente
• usa, comparativamente, menos mão de obra
▪ integração horizontal
• elos formalmente autônomos, mas há certa subordinação
• usa, comparativamente, mais mão de obra
▪ não elimina agricultura familiar
• parte dela pode ser integrada ao CAI (horizontal)
• responde por uma parcela do mercado não atendida pelo CAI
(abastecimento de gêneros alimentícios)
• Nordeste
• Sul → maior variedade e maior mecanização
• Norte → subsistência
▪ relação com o crescimento das cidades médias
• CAI reconecta rural e urbano
• cidades de apoio ao CAI

Página 100 de GEO


• cidades de apoio ao CAI
▪ CAI se concentra mais em gênero de exportação

❖ Modernização agrícola
➢ meados do século XX
➢ alteração nas relações de produção
▪ necessidade de ampliação da oferta
• contexto de crescente industrialização e urbanização
• expansão vertical - ganhos de produtividade
 expansão horizontal veio antes
• transformação da base técnica
▪ contexto da revolução verde
• pós II GM
• ampliação da oferta de gêneros agrícolas em escala global
• preocupação com a reconstrução da guerra e o crescimento populacional
• discurso neomalthusiano
▪ importação de tecnologia
• tecnologia agrícola deriva, em boa parte, do avanço do setor químico
durante a guerra
• com financiamento público
▪ processo de internalização
• início 1960s
• substituição de importações
• principalmente fertilizantes e defensivos
• maquinário agrícola
• não significa desenvolvimento de tecnologia própria - empresas estrangeiras
produzindo no Brasil
▪ concentração da atividade produtiva
▪ estruturação e expansão dos CAIs
• papel importante da soja
• demanda externa
▪ estrutura de mercado
• agricultura familiar não desaparece - atende 70% do mercado interno
• soja é responsável por 1/3 da produção
• grande peso das exportações
➢ usos da terra
▪ ocupação do território
• pecuária tem peso maior que lavoura
▪ avanço da fronteira
• Sul
• Centro-Oeste
• Amazônia
• Matopiba
▪ concentração fundiária
• agricultura moderna tende a ampliar a concentração que já existia
• sem reforma agrária
• modernização conservadora
▪ conflitos fundiários

Página 101 de GEO


▪ conflitos fundiários
▪ impactos ambientais
• desmatamento
• recursos hídricos
• perda de biodiversidade
• emissões
➢ relações entre rural e urbano
▪ CAI como MTCI
• CAI tem grande dependência de informação
▪ demandas urbanas
• informação
• mão de obra
• insumos
• financiamento
• processamento
▪ urbano é essencial para a estrutura do CAI
▪ impacto da renda agropecuária no meio urbano
• demandas do CAI são de alto valor
• setores de maior renda localizam-se nas cidades
▪ papel na desmetropolização
• crescimento das cidades médias
▪ urbanização do Centro-Oeste
➢ logística
▪ CAI garante escala de produção capaz de compensar os custos logísticos elevados
nas áreas de avanço da fronteira
❖ Estrutura fundiária
➢ Lei de Terras (1850)
▪ acesso à terra só pode se dar via compra
▪ política fundiária restritiva
▪ consolidação da estrutura concentrada
➢ a partir da década de 1940
▪ expansão horizontal: incorporação de novas terras
▪ colônias agrícolas
▪ redução da área média
• não significa distribuição fundiária
➢ a partir da década de 1950
▪ intensificação da demanda por reforma agrária
▪ Ligas Camponesas
➢ 30/11/1964 – Estatuto da terra
▪ função social da terra/definição vaga desde a Constituição de 1946
▪ categorias de propriedade rural que cumprem a função social: 2 categorias, por
dimensões, a partir do módulo rural
▪ módulo rural: > 2/ < 120 ha
• “a área que, explorada pelo agricultor e sua família, absorva toda a força de
trabalho (quatro adultos), garantindo-lhes a subsistência e o progresso social”
• 2 ha: atividades hortigranjeiras em regime ecologicamente favorável
• 120 ha: exploração de atividade florestal em regiões distantes dos grandes
centros urbanos
▪ minifúndio: menor que o módulo rural
• não cumpre a função social da terra
• pode ser desapropriado
• por definição, é inviável
▪ latifúndio por dimensão: > 600 módulos rurais
• não cumpre a função social
• pode desapropriar pelo menos uma parte (indenização e aceitação)
▪ latifúndio por inexploração
• não cumpre a função social

Página 102 de GEO


• não cumpre a função social
• entre 1 e 600 módulos, com aproveitamento abaixo de 70% da área
aproveitável
• pode ser desapropriado
▪ empresa rural
• cumpre a função social da terra
• categoria ideal
• associada à modernização
▪ objetivo é trazer o controle da demanda por reforma agrária para o controle do
Estado
➢ 1970 – criação do INCRA
▪ ausência de reforma agrária durante o período militar
▪ define os módulos do Estatuto da Terra
▪ é feita colonização
• reforma agrária: distribuição de propriedades antes particulares
• colonização: distribuição de terras públicas
➢ forte tendência de concentração fundiária até a década de 1980
▪ modernização
• aumento da concentração nas áreas já consolidadas (Sul e Sudeste)
▪ avanço da fronteira para o Cerrado
• principalmente soja
• modelo de grandes propriedades
➢ redemocratização
▪ durante a ditadura, questão agrária se concentrou nas pastorais da terra
• massacre das lideranças camponesas
• desmonte dos movimentos
▪ Sarney: Plano de Reforma Agrária (1985)
• projeto ambicioso, mas não executado
• Ministério da Reforma e Desenvolvimento Agrário – primeiro ministro era
ligado à pastoral da terra
• questão agrária consegue se reinserir e trazer uma visão progressista
➢ FHC: primeiro governo com uma política de reforma agrária
▪ efetivamente executada
▪ primeiro governo a conceder crédito para agricultura familiar

▪ governo FHC tem mais famílias assentadas


▪ governo Lula tem maior área de assentamentos
▪ dificuldades
• acesso a crédito para pequenos produtores – volume e burocracia

Página 103 de GEO


• acesso a crédito para pequenos produtores – volume e burocracia
• pouco acesso a assistência técnica
➢ relação dimensão/área dos estabelecimentos
▪ até 10 ha – 50% do número de estabelecimentos/2% da área
▪ 10 a 100 ha – 40%/18%
▪ 100 a 1000 ha – 9%/35%
▪ mais de 1000 ha – 1%/45%
➢ pecuária ocupa mais terra que agricultura
▪ Brasil ocupa menos de metade do território com agropecuária
• metade da área das propriedades destinada à pecuária
• um terço das propriedades é de matas e florestas → área de proteção
permanente e reserva legal
▪ não precisa desmatar para aumentar a lavoura → pode ocupar espaço da pecuária
• necessidade de pecuária intensiva
▪ pastagem: 73% da área ocupada / 20,7% do valor da produção
▪ lavoura: 27 % da área ocupada / 77,1% do valor da produção
➢ Censo Agropecuário 2017
▪ queda no número de estabelecimentos
▪ aumento da área dos estabelecimentos
• aumento maior nos estabelecimentos de maiores dimensões
• expansão em direção às áreas de fronteira
▪ diminuição do número dos estabelecimentos menores
• êxodo rural associado a pobreza
▪ reforço da concentração da estrutura fundiária
▪ houve aumento das áreas de floresta
• mas com aumento simultâneo do desmatamento
• explicado pela incorporação de novas áreas
• nas novas áreas de fronteira, são incorporadas novas terras, mas deve ser
mantido o percentual de reserva legal
• aumenta, ao mesmo tempo, o desmatamento (permitido) e as áreas de
floresta (reserva legal)
▪ maior incorporação de área deu-se no Norte
• principalmente Pará
❖ Avanço da agropecuária atual
➢ antes: frentes pioneiras eram pequenas propriedades
➢ expansão da fronteira agrícola
➢ risco ambiental
➢ agricultura comercial
➢ grandes propriedades
➢ especulação fundiária
➢ avanço sobre
▪ terras públicas
▪ unidades de conservação
▪ terras indígenas
➢ estrutura logística é um desafio
▪ em áreas já consolidadas, degradação das vias
▪ em áreas de expansão, poucas estruturas eficientes de transporte
❖ Distribuição da produção
➢ algodão
▪ MT 54,6% da produção nacional
▪ avança cada vez mais pelo cerrado
▪ cultura de alternância (junto com soja e milho, geralmente)
▪ BA 27,1%
• principalmente no oeste (MAPITOBA)
▪ GO 6%
▪ MS 5,1%
▪ MA 2,2%

Página 104 de GEO


▪ MA 2,2%
▪ MG 2%
➢ arroz
▪ RS 68,7%
• vales fluviais
▪ SC 8,7%
▪ MT 4,2%
▪ TO 4,2%
▪ MA 4,1%
▪ PA 1,7%
▪ pequenas e médias propriedades
▪ consumo interno é alto
▪ Brasil não é autossuficiente → importa da Ásia
➢ café
▪ Brasil é o maior exportador mundial
• mas o processamento é feito fora
▪ MG 60,8%
• produção em altitude
▪ ES 17,1%
▪ SP 11,3%
• expansão da cana tirou o espaço do café
▪ BA 4,3%
• expansão do ES
• sul da Bahia
▪ RO 3%
• migrantes paranaenses
▪ PR 2,1%
➢ cana de açúcar
▪ principal cultivo em volume
▪ SP 56,5%
• crise do café
▪ MG 9,3%
▪ GO 9%
▪ PR 6,3%
• crise do café
▪ MS 5,5%
▪ AL 3,7%
▪ centro-sul/cerrado
➢ feijão
▪ PR 23,4%
▪ MG 19,5%
▪ GO 10,2%
▪ MT 9,7%
▪ BA 7,9%
▪ SP 7,5%
▪ peso muito grande na agricultura familiar
▪ Brasil importa feijão
▪ mostra a importância da agricultura familiar para a segurança alimentar
➢ laranja
▪ SP 74,2%
▪ BA 5,7%
▪ PR 5,6%
▪ MG 5,1%
▪ SE 3,6%
▪ RS 2,2%
▪ Brasil é um grande exportador de suco de laranja
➢ mandioca
PA 21,5%

Página 105 de GEO


mandioca
▪ PA 21,5%
▪ PR 17,5%
▪ BA 5,4%
▪ MA 4,4%
▪ SP 6,2%
▪ RS 8,6%
▪ distribuição mais ampla
➢ milho
▪ MT 25,1%
▪ PR 21,6%
▪ GO 9,6%
▪ MS 9,4%
▪ MG 9,3%
▪ RS 6,8%
▪ acaba seguindo o padrão da soja
▪ alternância com a soja
➢ soja
▪ MT 28,7%
▪ PR 19,5%
▪ RS 15,6%
▪ GO 10,9%
▪ MS 7,1%
▪ MG 4,1%
▪ é a própria imagem da expansão horizontal no Brasil
▪ crescimento se deve mais ao crescimento vertical
➢ trigo
▪ RS 58,4%
• alternância com a soja
▪ PR 33,1%
▪ SC 4,4%
▪ MG 2,1%
▪ SP 1,5%
▪ GO 0,3%
❖ Soja
➢ importância da soja
▪ principal cultivo em valor
▪ principal commodity agrícola
▪ presente em todas as regiões
• até 1960s/70s: somente sul
➢ expansão
▪ 1970s
▪ fator geopolítico
• ocupação dos “vazios”
• Golbery: integrar para não entregar
• movimento induzido: colônias agrícolas
▪ fator tecnológico
• Embrapa
 correção do solo
• CAIs: soja é fundamental para a expansão dos CAIs
 expansão vertical
▪ fator econômico
• impacto dos choque do petróleo e necessidade de divisas
• 1970s: soja substitui café como grande commodity agrícola
➢ PRODECER
▪ começa como um programa nacional
▪ cooperação com Japão
➢ mercado mundial

Página 106 de GEO


➢ mercado mundial
▪ EUA é principal produtor
▪ BR é o segundo maior produtor
• 3º: Argentina
• 4º: Paraguai
 brasiguaios
▪ quando Brasil começou a expansão, EUA já dominavam o mercado
▪ Brasil é o maior exportador
❖ Cana
➢ primeira base econômica não extrativista do território
▪ século XVI
▪ representa a inauguração de um meio técnico no território brasileiro
➢ permanência como uma das principais culturas comerciais do país
▪ em 2016, segundo maior produto no total do valor da produção
• terceiro cultivo em área (soja em 1º, milho em 2º)
• maior quantidade produzida em toneladas
▪ maior produtor mundial de açúcar
• Índia em 2º e UE em 3º
▪ maior exportador mundial de açúcar
• grande distância dos demais
• Tailândia em 2º e Austrália em 3º
➢ transformações técnicas
▪ do meio técnico ao meio técnico-científico-informacional
▪ implantação de objetos técnicos no território (Milton Santos)
• próteses no território
• engenhos
▪ modelo do complexo rural (Graziano)
• modelo de longa duração na agricultura brasileira
• economias fechadas
• cadeias produtivas quase autossuficientes
• base técnica mais precária
• produção mais intensiva em trabalho - trabalho escravo
▪ ocupação da fachada litorânea
• base não extrativista
• massapê nas várzeas litorâneas do Nordeste
• mostra que ainda há um grau de subordinação ao meio natural
• interiorização da pecuária, principalmente pelos rios
▪ definição da primeira centralidade no território (Bertha Becker)
▪ cana como meio técnico-científico
• incorporação de tecnologia
• transformação do modelo de processamento no final do século XIX
• racionalização da técnica
• efeito da 2ª revolução industrial
• usinas
• aumento da produtividade
• incorporação do elo "à jusante" - processamento
▪ I GM
• reduz concorrência do açúcar de beterraba
• açúcar brasileiro consegue voltar a entrar no mercado europeu
▪ criação do Instituto do Álcool e do Açúcar (1933)
• estímulo ao setor canavicultor
• estratégias para manutenção de preço
• consolidação do Brasil como produtor e exportador relevante
• no plano interno, contribui para o início da transição para o Centro-Sul
 garantia de preços estimula cultura
 café em crise nos anos 1930

Página 107 de GEO


 café em crise nos anos 1930
▪ crescimento da produção em SP
• lavoura mais competitiva e mais produtiva que a do Nordeste
• no contexto de II GM, há aumento da produção no Centro-Sul, para atender
o mercado interno - navegação de cabotagem prejudicada
• 1955: SP ultrapassa PE como maior produtor - Nordeste continua sendo
predominante
▪ cana como meio técnico-científico-informacional
• expansão do modelo dos CAIs
• incorporação do elo "à montante"
• difusão é mais acentuada no Centro-Sul - aumenta o ganho de produtividade
em comparação com o Nordeste
▪ impacto do Pro-Álcool
• primeiro grande boom da canavicultura ligado ao etanol
• crise do programa nos anos 1990 significa mais uma travada que uma
retração da lavoura
• uma das razões para a crise do álcool era o alto preço do açúcar
• leve queda da produção no meio da década de 1990 - extinção do IAA
(Collor)
• mas alto preço do açúcar colabora para retomada
▪ crescimento da produção no entorno de SP
• concentração do processamento
• estímulo à produção pelo Pro-Álcool satura SP e expande a produção para o
entorno
• disparidade de produtividade em relação ao Nordeste
▪ novo boom nos anos 2000
• pós-2003
• participação do Nordeste continua encolhendo
• em 2016, SP com 57% da produção
 GO, MG, MS na sequência, com menos de 10% cada
• expansão da cana pelo Cerrado
 preocupação de que poderia empurrar a pecuária e outras culturas para
a Amazônica
 rendimento da cana na Amazônia não é bom - pouco competitivo
• eficiência é, em parte, subsidiada
❖ Pecuária
➢ bovinos
▪ produção extensiva
• baixo custo da terra – principalmente nas fronteiras de expansão
• modelo intensivo poderia liberar área para lavoura
▪ Sudeste, Sul e Nordeste
• mais estável
• áreas de ocupação mais antiga
▪ grande ritmo de crescimento no Centro-Oeste e no Norte
▪ atualmente, Centro-Oeste responde pela maioria do efetivo bovino
▪ Norte: segundo maior efetivo do país
• Pará é o estado com maior crescimento relativo do efetivo bovino
• preocupação com desmatamento amazônico
▪ Centro-Oeste: 33,6%
▪ Norte: 21,1%
▪ Sudeste: 18,6%
▪ Nordeste: 13,7%
▪ Sul: 13%
▪ MT 13,4%
▪ MG 11,4%
• maioria para produção leiteira
▪ GO 10,2%

Página 108 de GEO


▪ GO 10,2%
➢ suínos
▪ Sul 49,3%
▪ Sudeste 17,2%
▪ Centro-oeste 15,7%
▪ Nordeste 14,4%
▪ Norte 3,4%
▪ PR 17,7%
▪ SC 16,8%
• oeste catarinense é responsável pela maioria das exportações
▪ RS 14,7%
▪ MG 12,5%
➢ galináceos
▪ Brasil é o segundo maior produtor e o maior exportador
▪ Sul 45,4%
▪ Sudeste 27,6%
▪ Nordeste 11,9%
▪ Centro-Oeste 101,4%
▪ Norte 3,7%
▪ PR 24,3%
▪ SP 15%
▪ SC 10,9%
▪ RS 10,2%
▪ mais dependente de ração → grande importância do crescimento da soja
❖ MATOPIBA
➢ transição da Caatinga em direção ao Cerrado
➢ expansão do modelo produtivo do Centro-Oeste
➢ soja, milho, algodão
➢ alto custo logístico
▪ maioria de rodovias
▪ projetos de ferrovias
➢ 2016: Agência de Desenvolvimento

Página 109 de GEO


Espaço rural - mundo
sexta-feira, 9 de março de 2018 21:39

❖ Estrutura agrária
❖ Revolução verde
❖ Modelo farmer nos EUA
❖ Europa
❖ África: land rush

❖ Estrutura agrária
➢ países centrais
▪ fraca participação no PIB
▪ forte mecanização
▪ predomínio de estabelecimentos intensivos
• tecnologia
▪ mão de obra pouco numerosa e bem qualificada
▪ estrutura fundiária equilibrada
▪ agricultura de excedentes
• EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia → dimensão espacial X demanda
• atende o mercado interno e exporta o excedente
• cultivos especializados
• CAI
▪ mixed farming
• Europa Ocidental
• policultura associada à pecuária
• subsídios
• valorização da soberania alimentar
➢ países periféricos
▪ forte participação no PIB
▪ fraca mecanização
▪ predomínio de estabelecimentos extensivos
▪ mão de obra muito numerosa e pouco qualificada
▪ estrutura fundiária concentrada
▪ subsistência/itinerante
• África e AL
• pequenos proprietários descapitalizados
• baixa produtividade
▪ plantation
• latifúndio/monocultura
• mercado externo
• AL, África e Ásia
• geralmente não tem segurança ou soberania alimentar
▪ rizicultura inundada/jardinagem
• Ásia das Monções
• pequena propriedade
• técnicas tradicionais (sem tecnologias modernas)
• alta produtividade por área
❖ Revolução Verde
➢ década de 1950
➢ relação com o desenvolvimento do setor químico durante a II GM
▪ com o fim da guerra, empresas precisavam de mercados
➢ evolução tecnológica
➢ diminui a oscilação da oferta agrícola
➢ novas atividades de produção de insumos ligados à agricultura
➢ em alguns países, levou a concentração fundiária
▪ Brasil
➢ aumento dos impactos ambientais

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➢ aumento dos impactos ambientais
➢ aumento do consumo energético das atividades agrícolas
➢ degradação do solo
❖ Modelo farmer nos EUA
➢ base original no Homestead Act
▪ projeto territorial distributivo
➢ pequenas e médias propriedades
▪ força de trabalho familiar
➢ impacto da crise de 1929
▪ estoque de terras são tomados pelos bancos
▪ não resulta imediatamente em concentração, mas cria as bases
➢ impacto da revolução verde
▪ aproximação do modelo brasileiro e do modelo americano
▪ modernização
▪ concentração de capital
▪ aumento de produtividade
▪ fagocitose de áreas menores
➢ tendência de concentração fundiária/”corporate farms”
▪ queda do número de estabelecimentos
▪ aumento da área média
▪ corporate farms: similar ao CAI no Brasil
❖ Europa
➢ área média: 16,6 ha
▪ bem menor que no Brasil e nos EUA
▪ pouca disponibilidade de espaço nos Estados nacionais
➢ Política Agrícola Comum – PAC
▪ 3 pilares
• 1) unificação do mercado comunitário e garantia de preços mínimos
• 2) preferência de compra para produtos comunitários
• 3) fixação de tarifas comuns para importações de extracomunitários
▪ é a política comunitária mais cara: oposição interna
▪ justificativas
• segurança alimentar
 parcialmente válida
 não existe diferenciação entre os produtos que recebem os subsídios
• impacto cultural/identitário
 algumas áreas tem uma agricultura tradicional
 mudaria a paisagem
❖ África: land rush
➢ início dos anos 2000: cerca de 4 milhões de hectares por ano em grandes aquisições
➢ a partir de 2009: 40 a 60 milhões de hectares
➢ virada do século XXI: África como grande fronteira agropecuária do mundo
▪ boa relação produtividade-valor produtivo
▪ terras baratas
➢ maiores alvos
▪ Sudão do Sul
▪ Papua Nova Guiné
▪ Indonésia
▪ DRC
▪ Moçambique
▪ Sudão
▪ Libéria
▪ Serra Leoa
▪ Madagascar
➢ maiores investidores
▪ EUA
▪ Malásia
▪ Emirados Árabes

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▪ Emirados Árabes
▪ Reino Unido
▪ Cingapura
▪ China
▪ Arábia Saudita
▪ Hong Kong
▪ Índia
➢ principais atores e motivações
▪ segurança alimentar
• grandes consumidores
• restrições territoriais
▪ investidores
• grandes exportadores
• especulação fundiária
▪ usos não alimentares
• matérias primas
• biocombustíveis
• mercado de carbono
➢ ONGs e uma nova “Revolução Verde”
▪ ganho de produtividade oriundo da participação dos países na África levaria ao desenvolvimento da
região
▪ Fundação Bill e Melinda Gates + Fundação Rockfeller = AGRA (Alliance for a Green Revolution in Africa)
➢ impactos
▪ segurança alimentar X soberania alimentar
• ganho de produtividade é voltado à exportação
• não contribui nem para a segurança, nem para a soberania
▪ deslocamentos
▪ modelo de enclaves
• isolamento territorial
▪ degradação ambiental
▪ água virtual
• disputa por água

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Geografia física
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:33

❖ Clima
❖ Massas de ar
❖ Regimes climáticos brasileiros
❖ Relevo
❖ Classificações do relevo brasileiro
❖ Estrutura geológica
❖ Hidrografia
❖ Domínios morfoclimáticos
❖ Biomas

❖ Clima
➢ tempo X clima
▪ tempo: condições atmosféricas momentâneas
▪ clima: condições constantes ao longo dos anos; comportamento esperado (média)
➢ elementos descritivos
▪ temperatura
▪ pressão
▪ umidade
▪ precipitação
➢ fatores explicativos do clima
▪ latitude
• temperatura
• sazonalidade
▪ altitude
• temperatura
▪ maritimidade/continentalidade
• maior proximidade do mar significa menor amplitude térmica
▪ correntes marítimas
• temperatura
• umidade
▪ massas de ar
• temperatura
• umidade
❖ Massas de ar
➢ equatorial atlântica: quente e úmida
➢ equatorial continental: quente e úmida
▪ evapotranspiração
▪ maior bacia hidrográfica do mundo (Amazônica)
▪ vegetação fechada e latifoliada
➢ tropical atlântica: quente e úmida
➢ tropical continental: quente e seca
➢ polar atlântica: fria e úmida
➢ inverno: mPa + mTa
➢ verão: MEC

Página 113 de GEO


verão: MEC

❖ Regimes climáticos brasileiros


➢ equatorial
▪ maior parte da Amazônia
▪ pouca variação térmica e de pluviometria
▪ temperaturas elevadas: médias térmicas entre 25°C e 28°C
▪ chuvas abundantes e bem distribuídas
• pluviometria > 2000 mm, podendo chegar a 3500 mm
• predominância de chuvas de convexão
▪ baixa amplitude térmica anual: < 3°C
▪ área climática dominada pela MEC
➢ tropical típico
▪ duas estações bem diferenciadas
• verão chuvoso
• inverno seco → nenhuma massa úmida consegue atingir
▪ média térmica: 21° C

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▪ média térmica: 21° C
▪ amplitude aproximada: 7° C
▪ pluviosidade: > 1000 mm, médias por volta de 1500 mm
➢ tropical semiárido
▪ temperaturas mais elevadas
▪ estação chuvosa mais curta e irregular
• relevo perde importância relativa
• massa que poderia levar umidade para a caatinga (região de alta pressão) é a mesma que garante o
regime de chuvas de parte do cerrado (região de baixa pressão)
▪ média térmica 26 a 27° C
▪ amplitude térmica até 9°C
▪ pluviosidade: média de 750mm/limites de 300 mm a 1000 mm
➢ tropical litorâneo
▪ não há estação seca
▪ inverno úmido pela ação da mPa
• chuvas frontais
▪ pluviosidade média por volta dos 2000mm
▪ amplitude térmica mais baixa, por volta dos 4-5°C
➢ tropical de altitude
▪ médias térmicas mais baixas: 18°C a 21°C
▪ no inverno, a atuação da mPa pode causar geadas
▪ pluviometria varia pouco em relação ao tropical típico
▪ amplitude térmica mais baixa
➢ subtropical
▪ estações do ano mais definidas
▪ chuvas bem distribuídas – pluviosidade por volta dos 1200mm
• sem estação seca
▪ temperaturas mais baixas: média térmica 18°C
▪ grande amplitude: 10°C
❖ Relevo
➢ fatores de formação do relevo
▪ endógenos/internos – construção
• dobramentos/falhamentos – orogênese
• vulcanismo
• abalos sísmicos
▪ exógenos/externos – modelagem
• vento
• chuva
• rios
• mar
• gelo
• variação de temperatura
• intemperismo físico
 processo mecânico
 resultados mais abruptos
 predomina em áreas mais secas
• intemperismo químico
 alteração da estrutura química
 predomina em áreas de maior umidade
 resultados mais suaves
❖ Classificações do relevo brasileiro
➢ relevo brasileiro
▪ estruturalmente antigo/morfologicamente suavizado
▪ dobramentos muito antigos – atuação intensa do intemperismo químico
▪ altitudes modestas
• nenhum ponto acima de 3000m
• 99% do território até 1200m
➢ Aziz Ab’Saber – 1962
▪ planícies

Página 115 de GEO


▪ planícies
• terras baixas costeiras
• Amazônia
• pantanal
▪ planaltos
• das Guianas
• central
• Maranhão-Piauí
• nordestino
• leste e sudeste
• meridional
• uruguaio-sul-riograndense
➢ Jurandyr Ross – 1991
▪ 6 planícies
▪ 11 planaltos
▪ 11 depressões
• absolutas (não existem no Brasil)
• relativas (interplanálticas)
➢ RADAM – 1975
▪ mapeamento da Amazônia
▪ depois, é estendido a todo o país
▪ primeira vez que se faz cobertura completa do território brasileiro
❖ Estrutura geológica
➢ escudos cristalinos
▪ resultado da formação da crosta terrestre
▪ jazidas minerais
➢ bacias sedimentares
▪ muitas bacias sedimentares coincidem com as bacias hidrográficas
▪ podem ser continentais ou marítimas
▪ hidrocarbonetos
❖ Hidrografia
➢ intimamente ligada ao relevo
➢ drenagem
➢ bacias hidrográficas
▪ Amazonas
▪ Tocantins
▪ Parnaíba
▪ São Francisco
▪ Paraíba do Sul
▪ Paraná
▪ Paraguai
▪ Uruguai
➢ regiões hidrográficas
▪ Amazonas
▪ Tocantins-Araguaia
▪ Atlântico NE Ocidental
▪ Parnaíba
▪ Atlântico NE Oriental
▪ São Francisco
▪ Atlântico Leste
▪ Atlântico Sudeste
▪ Paraná
▪ Paraguai
▪ Uruguai
▪ Atlântico Sul
❖ Domínios morfoclimáticos
➢ regionalização baseada em características naturais
➢ Amazônico
▪ terras baixas florestadas equatoriais

Página 116 de GEO


▪ terras baixas florestadas equatoriais
▪ regime climático
• equatorial
• quente
• úmido
• baixa sazonalidade
▪ vegetação
• floresta amazônica
• floresta latifoliada equatorial
• variação ambiental
• mata de igapó – permanentemente alagada
• mata de várzea – periodicamente alagada
• mata de terra firme – sem alagamento
 árvores de maior porte
▪ hidrografia
• Bacia Amazônica
• grande volume
• baixa variação altimétrica
• padrão dendrítico
▪ relevo
• planícies
• terraços pleistocênicos
 várzea de um período geológico anterior
• planaltos
• depressões
 interplanálticas
▪ solo
• latossolos/profundos
• pobres em nutrientes
• lixiviação
 chuva
• serapilheira
• ciclagem de nutrientes
 deposição contínua de matéria orgânica
 retroalimentação do sistema florestal
➢ Mares de morros
▪ áreas mamelonares tropical-atlânticas florestadas
▪ regime climático
• tropical úmido/litorâneo/atlântico
• sem estação seca
• menor amplitude térmica
▪ vegetação
• Mata Atlântica
• floresta latifoliada tropical-úmida de encostas
• formação úmida
• densa
• grande variabilidade/alta biodiversidade relativa
▪ hidrografia
• bacias planálticas
• influência do relevo
• bacias mais curtas
 proximidade do litoral
 algumas correm para o interior e não para o mar
▪ relevo
• planície litorânea
• relevo mamelonar
• serras
• planaltos

Página 117 de GEO


• planaltos
▪ solo
• latossolos
• lixiviação
• ciclagem de nutrientes
➢ Caatinga
▪ depressões intermontanas e interplanálticas semi-áridas do Nordeste
▪ regime climático
• tropical semi-árido
• baixa pluviometria
▪ vegetação
• caatinga
• vegetação adaptada à seca prolongada
• xerófitas
• arbustos retorcidos
• árvores predominantemente caducifólias
▪ hidrografia
• rios intermitentes
• canais rasos
• baixa capacidade de vazão
▪ relevo
• planaltos
• serras
• depressões
▪ solo
• rasos
• arenosos
• pouco drenados
 pouco lixiviado
➢ Cerrado
▪ chapadões tropicais-interiores com cerrado e mata galeria
▪ segundo maior domínio
▪ regime climático
• tropical típico/continental/interior
• sazonalidade bem definida
▪ vegetação
• campos limpos
 formação basicamente herbácea
• campos sujos
 começa a apresentar formações arbustivas
• campos cerrados
 arbustos apresentam porte maior
• cerradão
 presença arbórea mais significativa
• mata galeria
 próximo aos canais fluviais
• umidade é o grande fator explicativo da variação
▪ hidrografia
• bacias planálticas
• “berço das águas” – bacias tem nascentes no cerrado
 Araguaia-Tocantins
 São Francisco
 Paraguai-Paraná
▪ relevo
• planaltos/chapadas
• serras
• depressões
▪ solo

Página 118 de GEO


▪ solo
• latossolo
• profundo/relação com as raízes
 águas subsuperficiais
 permite a sobrevivência durante as queimadas
• ácido/laterização
 presença de minerais metálicos
➢ Araucárias
▪ planaltos subtropicais com araucárias
▪ regime climático
• subtropical úmido
• temperaturas mais baixas
• maior amplitude
▪ vegetação
• mata de araucárias
• floresta acicufoliada
• menor diversidade
• condicionantes: umidade e frio
• manchas também nas serras do sudeste
▪ hidrografia
• bacias planálticas
• menor influência na formação de bacias
▪ relevo
• planalto meridional
▪ solo
• terra roxa
• boa fertilidade
• derrames basálticos
➢ Campos/pradarias
▪ coxilhas subtropicais com pradarias mistas
▪ regime climático
• subtropical úmido
• maior amplitude
▪ vegetação
• campos
• predominantemente herbáceas
• pastagens naturais
• em função do solo, não da umidade
▪ relevo
• coxilhas
• encostas muito suaves
▪ solo
• transição com latossolos e terra roxa
• extensões de solo arenoso
➢ áreas de transição
▪ agreste: Mares de morros → Caatinga
▪ mata dos cocais: Amazônia → Caatinga
▪ Pantanal
• não faz transição entre dois domínios
• paisagem de exceção
• não é domínio, mas é bioma
❖ Biomas
➢ vegetação como critério predominante
➢ não há faixas de transição
➢ Amazônia
➢ Caatinga
➢ Cerrado
➢ Pantanal

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➢ Pantanal
▪ paisagem de exceção
▪ clima: tropical típico
▪ vegetação: sistema complexo
▪ relevo: planície
▪ hidrografia: Bacia do Paraguai
▪ solo: latossolos/acúmulo de matéria orgânica nas áreas de cheia
➢ Mata atlântica
▪ incorpora mata de araucárias
➢ Pampa

Página 120 de GEO


Impactos ambientais
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:33

❖ Amazônia
❖ Cerrado
❖ Caatinga
❖ Araucárias
❖ Pampas
❖ Mata Atlântica
❖ Pantanal
❖ Emissões de GEE

❖ Amazônia
➢ maior fundo territorial brasileiro
➢ última grande fronteira continental do território brasileiro
➢ desmatamento

▪ perda de cerca de 20% da área original


▪ maior parte desde a década de 1970
• planejamento territorial
• colonização dirigida
• abertura de rodovias
▪ aceleração a partir da década de 1990
• fronteira agropecuária
• auge em 1995
• queda a partir de 1996: aumento da reserva legal
▪ seletivo: extração madeireira
• responde por uma parte menor do desmatamento
▪ generalizado: abertura de novas áreas
• pastagem e lavoura
▪ avanço da agropecuária
• responde pela maior parte do desmatamento
• mais para pastagem (aproximadamente 70%) que para lavoura
▪ relação com eixos viários
• padrão de desmatamento está fortemente ligado com o padrão rodoviário
• necessidade de circulação logística
• “arco do fogo”

Página 121 de GEO


• “arco do fogo”
 segundo Bertha Becker, deveria ser abandonada essa perspectiva, para
adoção de “eixos de desmatamento”
 arco passa a ideia de um avanço homogêneo do desmatamento
 eixos permitem detalhamento
▪ eixos de desmatamento
• rodovias são eixos de ocupação contínua
• Cuiabá-Porto Velho
 pecuária
 soja (mais importante)
 BR-364
• Amazonas-Acre
 prolongamento da BR-364
 ocupação de Rio Branco
 saída em direção ao Peru (rodovia transoceânica)
• norte do MT-Pará
 BR-163 (Cuiabá-Santarém)
 possibilidade de encontrar com a BR-230 (transamazônica)
• Belém-Brasília
 BR-010
• Manaus-Boa Vista
 BR-174
• ocupação histórica ao longo da bacia amazônica
▪ tendência de queda a partir de 2004 (PPCDAm)
• 2004: segundo maior pico de desmatamento registrado
• redução sustentável do desmatamento
• ideia de uma resposta rápida ao desmatamento
• FUNCIONOU
 continuidade
 diversidade temática
• queda contínua do desmatamento
 reduziu em mais de 80% o desmatamento
• fases/eixos temáticos
 ordenamento fundiário e territorial – 2004
 monitoramento e controle ambiental – 2009
 fomento às atividades produtivas sustentáveis – 2012
 instrumentos econômicos e normativos – 2016
▪ Plano Amazônia Sustentável (2008)
• conjunto de diretrizes para o desenvolvimento da Amazônia
• não é uma agenda de projetos
 não prevê projetos
 não tem prazo
• formalmente, adoção de um modelo de desenvolvimento sustentável
• eixos temáticos
 ordenamento territorial e gestão ambiental
 produção sustentável com inovação e competitividade
 infraestrutura para o desenvolvimento
 inclusão social e cidadania
▪ retomada do desmatamento a partir de 2012
• aumentos seguidos em 2015 e 2016
• princípio de queda em 2017
 dados de monitoramento paralelo, com metodologia diferente
 período chuvoso durou mais tempo
 queda do preço da carne
• maior redução das emissões brasileiras tinha sido em mudança do uso da terra
 retorno do desmatamento torna mais difícil a manutenção da queda das

Página 122 de GEO


 retorno do desmatamento torna mais difícil a manutenção da queda das
emissões
• risco de ampliar crises hídricas
 pode afetar regime de chuvas do Cerrado (região de formação de várias
bacias)
 rios aéreos
▪ respostas possíveis
• transformar a pecuária em mais intensiva
 evitar avanço do desmatamento
 Plano ABC (2010)
➢ agricultura de baixa emissão de carbono
• INDC (Acordo de Paris)
 fim do desmatamento ilegal na Amazônia
 restauração e reflorestamento de 12 milhões de hectares
 recuperação de pastagens degradadas em 15 milhões de hectares
 integração lavoura-pecuária-floresta em 5 milhões de hectares
▪ perda de biodiversidade
• Brasil é o maior detentor de biodiversidade absoluta do planeta
• B. Becker: biodiversidade é uma oportunidade de rever a inserção internacional
brasileira
• projetos de flexibilização de UCs
• são importantes instrumentos de contenção
 metas de Aichi – Nagoya (2010)
• não ratificação de Nagoya
▪ emissões de GEE
• queimadas
• absorção de carbono
• setor energético emite mais CO2 que o desmatamento (desde 2009)
 desmatamento = mudança do uso da terra
▪ interrupção da ciclagem de nutrientes
• floresta depende da ciclagem de nutrientes
• retroalimentação
▪ forte degradação do solo
• camada mais rica é a mais superficial → primeira a sofrer com o desmatamento
• desmatar uma nova área sai mais barato que recuperar o solo
➢ mineração
▪ desmatamento
• menor que o da pecuária
▪ erosão do solo
▪ contaminação do solo
▪ contaminação da água
• produtos químicos
• resíduos
▪ produção de carvão vegetal
• para processamento mineral
➢ construção de hidrelétricas
▪ risco de desmatamento
▪ deslocamento populacional
▪ fio d’água: menor área alagada
▪ usinas em plataforma
• ainda não saiu do papel
• depois, destrói os acessos à usina
• evitar ocupação contínua
➢ incógnita do heartland (B. Becker)
▪ incógnita: é preciso escolher o que fazer com a Amazônia
▪ heartland ecológico

Página 123 de GEO


heartland ecológico
• biodiversidade
• dimensão da floresta
• recursos hídricos (Amazônia brasileira: 8% da água doce superficial do mundo)
▪ recursos naturais como base do desenvolvimento
▪ vetor tecno-industrial (modelo de desenvolvimento tradicional, de alto impacto) X
vetor tecno-ecológico
• tecno-industrial inviabiliza a transição para um eventual modelo de
desenvolvimento sustentável
• tecno-industrial: fronteira de recursos (Kenneth Boulding); padrão estrada-
solo-terra firme
• tecno-ecológico: deve ser capaz de conter o tecno-industrial
• um vetor inviabiliza o outro
▪ grande preocupação com a geopolítica da Amazônia
• último grande fundo territorial brasileiro
• racionalização do aproveitamento dos recursos
• é preciso definir qual modelo de desenvolvimento será adotado para a
Amazônia
▪ para Bertha Becker
• Brasil deveria adotar um modelo de sustentabilidade, com base em
preocupações geopolíticas
• recursos naturais são uma fonte de poder
• recursos não só como uma fonte de matéria prima
• atividades sustentáveis, biotecnologia, bioengenharia, etc
❖ Cerrado
➢ desmatamento
▪ superior a 50%
• negligência histórica
• mais devastado que a Amazônia
▪ degradação superior a 70%
▪ avanço da fronteira agropecuária desde a década de 1960
• transbordamento do Sul
• Mapitoba era uma das regiões mais preservadas
▪ desmatamento tem mais relação com pecuária que com agricultura
▪ queimadas induzidas
▪ hotspot de biodiversidade
▪ carvão vegetal
➢ importante para o equilíbrio hídrico
▪ região de formação de vários rios
➢ agricultura moderna
▪ propagação de pragas/uso de defensivos
• destruição da biodiversidade
• Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos
▪ desgaste do solo/fertilizantes
▪ contaminação solo
• agrotóxicos
▪ contaminação água
• água subsuperficial pode ser contaminada por defensivos
• água superficial
▪ contaminação ar
• dispersão aérea de agrotóxicos
▪ posição da FAO: esse modelo, derivado da revolução verde, não é sustentável
➢ reserva legal
▪ 20% no Cerrado
▪ 35% no que for na Amazônia Legal
❖ Caatinga
➢ desmatamento
▪ cerca de 50%

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▪ cerca de 50%
▪ padrão pouco definido
▪ pequena agricultura e pecuária
• interiorização do Nordeste
▪ produção de lenha
• energia doméstica
▪ carvão vegetal
• disponibilidade de matéria prima e de mão de obra
➢ riscos relacionados ao solo
▪ desertificação
• arenização + déficit hídrico
• já acontece, com risco de expansão
• única área no Brasil com risco de desertificação
 pela definição da Convenção contra Desertificação (Rio-92)
▪ salinização
• manejo inadequado de irrigação
❖ Araucárias
➢ maior perda proporcional
➢ restam 3 a 5% de área original
➢ causas
▪ colonização dirigida
• lavoura e pecuária
• construção de casas coloniais
▪ cafeicultura
• terra roxa
▪ indústrias de celulose e moveleira
▪ lenha
▪ agricultura moderna
❖ Pampas
➢ perda de 50% no bioma/20% nas áreas de gramíneas
➢ impactos da pecuária
➢ substituição por lavouras
➢ risco de arenização
▪ exposição do solo
▪ compactação pecuária
• solo menos poroso
• menor capacidade de drenagem da água
❖ Mata Atlântica
➢ maior perda total
➢ 5 a 7% de remanescentes
➢ ocupação litorânea
➢ canavicultura
➢ cafeicultura
➢ pecuária
➢ lenha
➢ agricultura moderna
➢ 70% da população / 80% do PIB
❖ Pantanal
➢ bioma mais preservado
➢ cerca de 85% de área original
➢ relação com relevo/hidrografia
➢ impactos da pecuária
➢ impactos do entorno
▪ Cerrado
❖ Emissões de GEE
➢ emissões líquidas

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• dados oficiais
• agropecuária e energia são os maiores emissores líquidos
• mudança do uso da terra e florestas
 pico em 2004, depois começa a cair
 queda em decorrência da redução do desmatamento na Amazônia
▪ contam o que cada setor absorveu de carbono
▪ nas emissões líquidas (usadas oficialmente), energia é o maior emissor
▪ nas emissões brutas, mudança de uso da terra continua sendo o principal emissor –
desmatamento
➢ dados extra-oficiais

• dados do Observatório do Clima (não oficiais)


• trabalha com emissões brutas
• uso da terra como maior emissor – pico de desmatamento em 2016
• queda do setor energético: queda da demanda e aumento das renováveis
➢ houve redução das emissões nos últimos anos
▪ dados oficiais
▪ principalmente devido à redução do desmatamento
➢ energia
➢ tratamento de resíduos
▪ menor setor de emissões
➢ mudança de uso da terra e florestas
▪ desmatamento
▪ deixa de ser o principal setor de emissões em 2009

Página 126 de GEO


▪ deixa de ser o principal setor de emissões em 2009
▪ único setor que caiu nos últimos anos
➢ processos industriais
➢ agropecuária
▪ não inclui desmatamento
▪ principal contribuição é do rebanho (fermentação entérica)
▪ maquinário usado nos CAIs é contabilizado na energia
➢ principal bioma emissor: Mata Atlântica
▪ avanço da agropecuária – MATOPIBA
▪ pouca absorção

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Legislação ambiental brasileira
sexta-feira, 9 de março de 2018 20:33

❖ Políticas isoladas (1930-1970)


❖ Soberanismo intransigente (1970s)
❖ Mudança de postura (1980-1990)
❖ Políticas efetivas (1990-...)

❖ Políticas isoladas (1930-1970)


➢ fomento à exploração dos recursos naturais
➢ desbravamento do território
➢ políticas sanitárias
➢ não há gestão integrada nacional
➢ praticamente nenhuma interação com o debate ambiental internacional
➢ Códigos de água e mineração (1934)
▪ água como bem público e de uso comum
▪ gestão estatal
➢ Código florestal (1934)
▪ florestas como bem público
▪ lenha ainda tinha importância energética
➢ Parque Nacional de Itatiaia (1937)
▪ primeiro parque brasileiro
▪ não é a primeira unidade de preservação
• Acre (1911)
➢ Código florestal (1965)
▪ áreas de preservação permanente
▪ reserva legal
▪ reconhecimento da importância da mata ciliar
➢ Código de caça e pesca (1967)
❖ Soberanismo intransigente (1970s)
➢ contexto: Conferência de Estocolmo
➢ posição brasileira
▪ responsabilização dos países mais ricos
▪ negação do “controlismo” demográfico
▪ soberanismo
▪ percepção internacional negativa
➢ Secretaria do Meio Ambiente (1973)
▪ resposta retórica a Estocolmo
▪ alcance restrito
▪ política corretiva
▪ oposição entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental
▪ órgão pouco efetivo
❖ Mudança de postura (1980-1990)
➢ 1981: Lei 6938 – PNMA, Sisnama, Conama
▪ visão claramente ambientalista
▪ preservação
• mais radical que conservação
• preservar áreas específicas (não dá para preservar tudo)
▪ “a preservação ambiental propícia à vida, visando assegurar, no país, condições para o
desenvolvimento socioeconômico, os interesses da segurança nacional e a proteção da
dignidade da vida humana”
▪ primeiro indício de mudança
➢ Amazônia atrai atenção internacional
▪ “Amazônia, pulmão do mundo”
• ideia equivocada
➢ deixar de ser intransigente para continuar sendo soberanista
➢ renovação de credenciais

Página 128 de GEO


➢ renovação de credenciais
➢ avaliação prévia de impactos ambientais
▪ sistema EIA/RIMA
• resolução CONAMA 1986/decreto presidencial 1990
• política ambiental preventiva
➢ Constituição de 1988
▪ primeira que traz um capítulo sobre meio ambiente
• biomas não florestais (pampas, cerrado e caatinga) não são incluídos no
patrimônio natural
▪ bem de uso comum do povo
▪ influência do texto do relatório Brundtland
▪ previsão de crimes ambientais
• regulamentada em 1998, com a Lei de Crimes Ambientais
➢ IBAMA (1989) – SEMA + IBDF + SUDEPE + SUDHEVEA
▪ busca de gestão mais eficiente
▪ centralização
❖ Políticas efetivas (1990-...)
➢ Ministério do Meio Ambiente (1992)
➢ 1992: Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – Rio de
Janeiro
▪ postura cooperativa
▪ Brasil se apresenta como país ambientalmente responsável
➢ “Código Amazônico” (1996)
▪ altera área de reserva legal na Amazônia Legal – 80%
▪ 1995: pico histórico de desmatamento
➢ Lei de Recursos Hídricos (1997)
▪ atribui valor econômico à água
▪ hierarquização do uso das águas
• em situações de escassez, prioridade é uso humano e animais
▪ bacia hidrográfica é a unidade territorial de gestão
▪ gestão da água é descentralizada
• comitês de cada bacia → poder público + sociedade civil
➢ Lei de Crimes Ambientais (1998)
▪ regulamenta as previsões constitucionais
▪ lei avançada e dura
▪ reconhecimento internacional
➢ Sistema Nacional de Unidades de Conservação (2000)
▪ incorporação da noção de desenvolvimento sustentável
• unidades de proteção integral + unidades de uso sustentável
▪ proteção integral: uso indireto/preservação
• mais sensíveis
▪ uso sustentável: uso direto/conservação
• novidade
• plano de manejo sustentável
• valor estratégico dos recursos naturais
• área de proteção ambiental (APA)
➢ Política nacional sobre biodiversidade (2002)
▪ conhecimento da biodiversidade
▪ conservação da biodiversidade
▪ uso sustentável dos componentes da biodiversidade
▪ acompanhamento, avaliação, prevenção e mitigação dos impactos sobre a
biodiversidade
▪ acesso aos recursos genéticos e aos conhecimentos tradicionais da biodiversidade
▪ repartição dos benefícios
▪ educação e sensibilização pública
▪ fortalecimento jurídico e institucional para a gestão da biodiversidade
➢ PPCDAm – fase 1 (2004)

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➢ PPCDAm – fase 1 (2004)
▪ novo pico de desmatamento
▪ 1) ordenamento fundiário e territorial (2004/2008)
▪ 2) monitoramento e controle (2009/2011)
▪ 3) fomento às atividades produtivas sustentáveis (2012/2015)
▪ bem sucedido
• apesar de alguns pequenos aumentos em alguns anos
• 2012: mínimo de desmatamento
➢ Lei de Biossegurança (2005)
▪ CTNBio
➢ ICMBio (2007)
➢ Plano Amazônia Sustentável (2008)
▪ perspectiva conservacionista, não preservacionista
▪ divisão em 3 áreas
• Amazônia Ocidental
 mais preservada
 sem intervenção no curto prazo
• Amazônia Central
 prioridade
 área que sofre a maior pressão do avanço das atividades
• Arco do Povoamento Adensado
 mais desmatada
 objetivo é aumento da produtividade (diminui a pressão para o
desmatamento de outras áreas)
 manutenção das atividades presentes
 contenção das atividades nessa região
 ajuste: buscar redução de impactos
▪ ordenamento territorial e gestão ambiental
▪ produção sustentável com inovação e competitividade
• atrair atividades de mais alto valor
• traz atores de dependem da floresta em pé X degradação da agropecuária
• oportunidade de rever inserção na divisão internacional do trabalho
▪ infraestrutura para o desenvolvimento
▪ integração logística privilegiando ferrovias e hidrovias
• geram menos impactos que rodovias
• rodovia é um eixo de ocupação contínua
• ferrovias e hidrovias não tem ocupação ao longo de todo o eixo, só nos portos e
terminais
• contradição: PAC (2007) previa abertura de novos eixos rodoviários
▪ inclusão social e cidadania
• maior capacidade de geração de renda regional
➢ Lei Nacional sobre Mudanças do Clima (2009)
▪ metas voluntárias de redução das emissões (36,1 a 38,9%)
▪ recuperação de pastagens degradadas
▪ integração lavoura-pecuária-floresta
▪ Plano ABC (2010)
➢ Lei nacional sobre resíduos sólidos (2010)
▪ objetivos
• destinação adequada
• redução de resíduos e reciclagem
• divisão de responsabilidades
▪ metas não foram cumpridas
• acabar com lixões até 2014 - apenas 2000 municípios cumpriram
• em contexto de eleições, governo federal não quis se indispor com os municípios
➢ PPCerrado (2010) e PPCaatinga (2011)
▪ biomas muito negligenciados pela política brasileira
▪ monitoramento por satélite

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▪ monitoramento por satélite
▪ PPCerrado foi bem sucedido
• 2016: redução do desmatamento em torno de 40% em relação a base 2010
➢ esforços de liderança
▪ redução das emissões
▪ fontes renováveis de energia
▪ aumento das áreas de conservação
▪ defesa do patrimônio genético
➢ descolamento entre discurso e prática
▪ dificuldade de avançar em alguns pontos
➢ indefinição quanto ao modelo de desenvolvimento
➢ novo código florestal (2012)
▪ princípio da ocupação consolidada
• base da anistia
▪ revisão de APPs e RLs
• encurtamento das áreas fluvais
• incorpora APPs dentro das RLs
• reduziu APP de 50% para 35% no Cerrado
▪ recomposição de Planos de Recuperação Ambiental
• passam a ser elaborados pelos estados
▪ pequenas propriedades
▪ CAR
• cadastro ambiental rural
▪ anistia do desmatamento ilegal
• até 2008
• base no princípio da ocupação consolidada
➢ Lei de Biodiversidade (2015)
▪ anistia
▪ lei brasileira é mais desfavorável aos povos tradicionais que Nagoya
▪ descompassos com Nagoya
• governo havia argumentado que a lei seria um passo importante para a
ratificação
• não na prática
• repartição de benefícios prevista na lei contraria alguns dispositivos de Nagoya

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