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Tarefa 1: Estética

Nome: Clayton Cesar de Oliveira Borges


Matrícula: 188300045
Curso: Filosofia
e-mail: prof.claytonborges@gmail.com
Tutor: Icaro Souza Farias
Polo: Votorantim

Conforme sugere a professora Cláudia Drucker no livro didático desta disciplina,


“em certo sentido, a Estética é bem diferente da Filosofia da arte” (DRUCKER, 2009.
p. 21). Na mesma perspectiva, Ariano Suassuna em seu manual de Iniciação à
Estética nos diz que “a Estética é [...] uma espécie de reformulação da Filosofia
inteira em relação à Beleza e à Arte” (SUASSUNA, 2013, p. 15). Levando esse
posicionamento em consideração, esclareça a distinção possível entre a filosofia da
arte e a estética.

Como se sabe, somente a partir de Platão e Aristóteles passa-se a ter uma


preocupação com a Arte, ou melhor, uma Filosofia da Arte – que busca uma definição
acerca do que seria a Arte. Preocupa-se ainda com a classificação da arte: a partir de
quais órgãos dos sentidos tal obra pode ser apreendida; se é antiga ou moderna; se foi
criada por uma ou mais pessoas. Em tais classificações podem-se distinguir, ainda, as
belas-artes, definidas como imitação ou mimese (em grego: mímesis), e também as
“artes” entendidas como ofícios como téchne (plural: téchnai). Tal definição de arte marca
o começo da Filosofia.
A Estética, para alguns, tem pontos em comum com a Filosofia da Arte, podendo
até mesmo ser considerada uma espécie de subtipo desta. Para outros, entretanto, a
Estética é bem diferente da Filosofia da arte, uma vez que a Estética diz respeito a um
modo de filosofar que consiste em analisar nossas representações acerca de um dado
objeto tomado como arte, e não o objeto em si. É principalmente a apreciação do belo que
ela descreve. Tais representações das coisas podem variar substancialmente, daí a
preocupação dos filósofos. Nesse sentido, a distinção leibniziana entre a clareza e a

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distinção de uma representação foi relevante:
as representações sensíveis podem não ser distintas, mas podem ser claras. Tal distinção
elaborada por Leibniz é utilizada por Alexander Baumgarten, que afirma que o
discernimento busca, diante de uma representação de um objeto singular, as suas
“marcas distintivas”, retendo-as e usando-as para distingui-lo de outros objetos. Tal
representação não advém do sensível, mas é um conceito e, portanto, demanda
organização, classificação e definição.
Mas isso não é tudo. Alexander Baumgarten afirma que aquilo que os sentidos nos
trazem é indistinto, entretanto, as representações sensíveis não precisam ser obscuras,
tendo em vista que é possível considerá-las no que elas têm de específico. É dessa
perspectiva que Baumgarten criou uma disciplina dedicada ao estudo do conhecimento
apenas sensível, intitulada Estética – que passa a ser entendida como o estudo das
relações entre as representações sensíveis e seu efeito sobre o sujeito dessas
representações. Em outros termos, recusa-se aqui um conceito de beleza “pitagórico”,
isto é, um tipo de padrão geométrico e supostamente objetivo de beleza, com regras
fixadas de antemão, uma vez que a perfeição de uma obra baseada no conhecimento
sensitivo – quer seja um discurso, quer seja um poema ou uma pintura etc. – consiste em
sua capacidade de estimular representações sensíveis variadas e vívidas.
Importa ressalvar que a recusa a certo padrão de beleza que prevaleceu até o
Renascimento possibilitou o surgimento tanto de um novo tipo de arte quanto de um novo
tipo de Filosofia. Tal ideal desponta, sobretudo, na esteira de Kant – que entende a arte
como a ocasião de despertar representações não conceituais de um tipo especial: as que
despertam o sentimento do belo. Depreende-se disso que:

Depois de Baumgarten e, principalmente, de Kant, qualidades


objetivamente mensuráveis pelo intelecto (como simetria, proporção e
unidade) deixam de ser garantias de que a beleza também será percebida
com elas. Só se sabe ao certo se a beleza está presente em algum objeto
se ele despertar um tipo especial de prazer, o prazer no belo. Belo é o que
produz um prazer que está acima do prazer puramente sensorial, mas
abaixo do intelecto e do sentimento racional da aprovação moral
(DRUCKER, 2009, p. 25).

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Referências

DRUCKER, C. P. Estética. Florianópolis: Filosofia/ EAD/ UFSC, 2009.

SUASSUNA, A. Iniciação à estética [recurso eletrônico]. 1. ed. Rio de Janeiro: Jose


Olympio, 2013.

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