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Passados poucos dias da posse de Jair Bolsonaro, os

brasileiros continuam assistindo ao mais deprimente anti-


espetáculo da democracia. Setores que estufavam o peito
para declamar em prosa e verso uma tal democracia,
tornaram-se péssimos e enciumados perdedores. Daqueles
que deixariam para trás as pirraças voluntariosas de
infantes em tenra idade.
Assim, partidos marxistas e seus fiéis aliados no Brasil –
vindos da imprensa em geral -, passaram em coro a entoar a
cantilena do fim do mundo, da truculência inexistente e de
uma ditadura ilusória. Em voz uníssona, o que passamos a
acompanhar foi um choramingo infantiloide e de quem
nada aprendeu com a mudança do rumo político, nos
últimos anos, no país.
Obviamente que, para os partidos radicais da nossa
atrasada esquerda, nada mais natural do que o esperneio
de quem luta para manter viva a sua embolorada e
fraudulenta narrativa. Mas com relação à caquética mídia,
pensávamos que, talvez, algum bom senso bateria às portas
do descrédito. Em vão.
A começar pelas terríveis denúncias de, praticamente,
“maus-tratos”, quando da posse presidencial. Como se sabe,
foi preciso montar um esquema de segurança ímpar, já que
o histórico do então candidato, e hoje presidente, deixava
claro que há um risco considerável de atentarem novamente
contra a sua vida. O episódio do atentado do qual foi vítima
Jair Bolsonaro foi solenemente ignorado e vimos uma patota
mimada esbravejando pelo direito de curtir seu lanchinho
“Mac Feliz” e de usar o playground de suas estórias lúdicas
em tempo de realidade. Felizmente, com o advento da
internet e das indefectíveis transmissões em tempo real, nas
redes sociais, ficou fácil perceber que tudo não passou de
um, digamos, descontentamento com a perda de certos
privilégios sevados pela camarilha do tucanato-lulopetista.
A imprensa desempenha papel importantíssimo na
investigação, fiscalização e no confronto dos homens
públicos. Sua liberdade de ação é absolutamente primordial
para a democracia. Já a imprensa do Brasil, terra das
jabuticabas, em representação considerável, torce contra a
democracia, faz tudo para que a vontade do povo seja
desconsiderada, ignorada. O que se espera dela é a
informação, fatos e não ações em bloco de cunho
meramente panfletário e/ou partidário. Ela estava muito
mal-acostumada, pois, há décadas, regia soberana, regada a
muito dinheiro público, e, sem quaisquer óbices, fazia sua
propaganda ideológica. Propaganda esta que, sem dúvida
alguma, colocou-nos no estágio atual do nosso atraso.
Uma imprensa que, com o passar dos anos, recusou-se a
enxergar a natureza conservadora do povo brasileiro e os
anseios de uma nação. Uma imprensa que se trancou no
cinema de suas próprias fantasias.
Coincidentemente, tivemos ciência de que milionários
contratos privilegiaram jornalistas do “jet set” Global. Uma
montanha de dinheiro queimada com palestras de temas
duvidosos, pagas com o dinheiro dos pobres brasileiros, e
que, certamente, em nada contribuíram para que o país
avançasse um milímetro sequer. Aliás, dinheiro público não
deveria ser usado para tais propósitos, afinal, somos um
país que nem ao menos uma elementar rede de esgoto
oferece aos seus habitantes. Contratos feitos com jornalistas
que, descaradamente, opõem-se a qualquer tipo de
mudança, e que fazem o possível para deixar claro e
evidente que o Brasil necessário é o Brasil socialista. Aquele
pensamento de 50, 60 anos atrás, desconsiderando o
retumbante fracasso da utopia cafona do marxismo.
Desprezam fatos, índices econômicos vergonhosos, milhões
de cadáveres e crimes, agarrando-se a uma narrativa
capenga, capaz de hipnotizar apenas os olhos de seus pares
e partidários camaradas.
A voz de comando é atacar todo e qualquer indivíduo que
tenha uma outra visão de mundo e que queira tirar o mofo
ideológico que infestou o Brasil. Não somente o presidente,
mas todos os seus colaboradores viraram alvos móveis dos
nossos ativistas, muito bem pagos, diga-se de passagem,
disfarçados de jornalistas. Surgiu uma verdadeira força-
tarefa para boicotar o novo governo e apoiar os planos dos
derrotados. Fazem de uma mosca um elefante. Concentram-
se destemperadamente em falas miúdas, metáforas,
argumentos enviesados, tudo para convencer seus
desconfiados leitores de que o Brasil está à deriva e
comandado por perigosos agentes. Uma simples brincadeira
pode ser pinçada de um vídeo qualquer, a qual se
transforma em um novo “escândalo nacional”, digno de uma
encenação de crianças de seis anos.
Montou-se um verdadeiro pelotão de fuzilamento (cuidado,
metáfora!) de ideias difusas. A todo instante, publicam
matérias que parecem ter saído de revistas de fofocas e
sites de intrigas mexicanas. O jornalismo do país tornou-se,
lamentavelmente, uma mistura de revista em quadrinhos
sem graça com um panfleto da ex-Guerra Fria – em que o
inimigo imaginário está prestes a destruir o esplendor da
nossa democracia e pujança desenvolvimentista
conquistada a duras penas com o sangue e suor dos nossos
heróis das redações nacionais. A torpeza ganhou contornos
de “Contos da Candinha”, tamanho o rebaixamento de uma
classe. Classe que passou a se autopromover, auto-elogiar e
se portar de forma incompatível com aquilo que mais
bradava: a luta pela democracia.
Paradoxalmente, quem mostra a fúria dos leões na defesa
da ideologia que lhes move se diz “atacado” após a mais
reles crítica ou mesmo pela confecção de um perfil satírico
nas redes sociais. Uma sensibilidade que não combina com
suas implacáveis investidas para destruir a reputação de
seus desafetos ideológicos. Querem continuar com o
monopólio dos ataques e, de preferência, sem quaisquer
interferências externas, um misto de soberba e a certeza da
impunidade no julgamento do mau jornalismo.
O veneno não anda produzindo efeitos satisfatórios. O Brasil
acordou e sabe de que lado a mídia está. Sabe que ela se
tornou um partido descarado, capaz de vestir as cores da
sua revolução incompleta. E como tal está disposta a
defender os interesses da autoridade central. Esteja ela na
cela de uma certa prisão, no naufrágio do inferno cubano ou
no ignorado genocídio da vizinha Venezuela. Não interessa!
A palavra de ordem é atacar, desmerecer, criar factoides,
ridicularizar e posar de vanguardista na terra dos mais de 60
mil homicídios anuais e do progresso que nunca se atreveu
a chegar.
O vale-tudo vale contra todos. A realeza dos pasquins que
perdeu – completamente – o poder de influenciar opiniões e
ditar comportamentos não poupa ataques vis e
direcionados àqueles que a destronaram. Tal qual fez, de
forma deselegante e desarrazoada, a jornalista Lúcia
Guimarães, diretamente do conforto e da segurança
‘ianque-trumpista’, que atacou o site Senso Incomum, como
se isso fosse fazer alguma diferença para seus leitores e
colunistas (como esta que agora vos escreve). Mostrando,
assim, que não pode perder a oportunidade de se fazer
ainda mais decadente e resistente aos novos ventos que
sopram no país.
A realidade é dura, cruel e costuma castigar os teimosos que
insistem em negá-la. Não haverá autocrítica, nem tampouco
haverá mudança de postura! Morrerão todos juntos (olha a
figura de linguagem aí de novo), de mãos dadas, no
ostracismo do descrédito profissional – ninguém soltará a
mãozinha de ninguém – numa resistência de tolos
decrépitos, que, de tanto clamarem pelo futuro e mudanças,
não conseguiram perceber que ele finalmente chegou, pelo
menos no Brasil da informação, e que hoje existem dois
reinos distintos: o Reino da Realidade e a Bolha Míope do
Champanhe Real.
Quem viver verá.