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Teste formativo de Português sobre Camões lírico- 10º ano

A
Lê atentamente o poema seguinte:

Tanto de meu estado me acho incerto,


que em vivo ardor tremendo estou de frio;
sem causa, juntamente choro e rio,
o mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto, um desconcerto;


da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando;


nu’a hora acho mil anos, e é jeito
que em mil anos não posso achar u’ hora.

Se me pergunta alguém por que assi ando,


respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora.
CAMÕES, Luís de

Apresenta, de forma completa e bem estruturada, as respostas aos itens que se seguem.

1. Descreve o modo como o sujeito poético se apresenta a si mesmo.


1.1. Transcreve o nome que, na segunda quadra, sintetiza a situação psicológica em que se
encontra e explicita o seu sentido, atendendo, nomeadamente, à sua formação.

2. Identifica três versos das duas quadras em que seja concretizada a ideia expressa no primeiro
verso.
2.1. Justifica a escolha de cada um desses versos.

3. Interpreta os versos: “nu’a hora acho mil anos, e é de jeito/ que em mil anos não posso achar
u’hora” (vv. 10-11).

4. Num soneto, os versos finais exprimem, frequentemente, uma ideia fundamental para se perceber
o sentido global do poema.
4.1. Comenta a importância deste aspeto no caso particular do soneto em análise.

5. Estabelece a correspondência entre os elementos das três colunas, de modo a sintetizar o valor
expressivo das figuras de estilo utilizadas ao longo do poema.

A. A metáfora, usada 1. no verso 9, a. apresenta de forma simétrica as ações


opostas do sujeito poético, resultantes
B. O paradoxo, 2. no verso 6, do seu estado de alma.
usado b. inverte a ordem das marcas associadas
3. no último verso, à passagem do tempo para evidenciar a
C. O quiasmo, usado perceção psicológica por parte do poeta.
4. nos versos 7 e 8, c. intensifica os efeitos contraditórios do
D. A hipérbole, amor sobre o sujeito poético.
usada 5. nos versos 10 e d. identifica e interpela a entidade
11, responsável pelo “desconcerto” do

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poeta.
E. O paralelismo 6. na primeira e. expressa o espaço psicológico em que o
sintático, usado estrofe, sujeito poético se sente.
f. aproxima as reações físicas do eu lírico
F. A apóstrofe, de elementos naturais, realçando a sua
usada força.

BOM TRABALHO!!!
A PROFESSORA: Lucinda Cunha

PROPOSTA DE CORREÇÃO:

Ficha e proposta de correção retiradas do manual “Viagens, Literatura Portuguesa, 10º ano” (p. 280):

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1. O sujeito poético encontra-se num “estado incerto”, oscilando entre a alegria e a tristeza (vv. 3 e 6)
provocadas pelo amor que sente pela “Senhora” a quem se dirige.

1.1. O poeta sente-se em “desconcerto”, ou seja, sem harmonia ou ordem nas suas emoções, num
turbilhão sentimental.

2 e 2.1. Resposta pessoal. Qualquer um dos restantes versos das quadras (vv. 2-8) pode confirmar a
afirmação inicial do sujeito poético. Em todos se concretiza a incerteza que sente, pois descreve-se a
partir de sentimentos e atitudes aparentemente contrários.

3. Os versos remetem para a conceção psicológica do tempo sentida pelo sujeito poético na sua
relação com a amada. O seu desejo de estar na sua presença fá-lo sentir que uma hora dura “mil
anos”.

4.1. O último terceto do soneto apresenta a justificação para o estado de alma do sujeito poético,
descrito nas estrofes. Desse modo, é fundamental para a compreensão do poema, em que o poeta
desenvolve o tema dos efeitos do amor provocados pela sua interlocutora, também só identificada na
última estrofe.

5. A-2-f; B-6-c; C-5-b; D-1-e; E-4-a; F-3-d.

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