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AUGUSTA E RESPEITÁVEL LOJA SIMBÓLICA ALETHEIA – N° 4406

JURISDICIONADA AO GRANDE ORIENTE DE SÃO PAULO


FEDERADA AO GRANDE ORIENTE DO BRASIL
RITO ADONHIRAMITA

A FORMAÇÃO DO MAÇOM
Ir Wallace Lima, 33°
ARLS Aletheia, 4406

1. A Maçonaria, seu sistema peculiar de ensino e o que se espera do Maçom

A Maçonaria estimula o homem a conhecer a si mesmo e a evoluir moral, cultural e


espiritualmente, eliminando seus defeitos e falhas, potencializando suas qualidades e virtudes,
de modo a poder contribuir efetivamente, na prática, com o progresso da Humanidade.

O incentivo ou o estímulo ao autoaprimoramento se dá através de um sistema de ensino


peculiar, ilustrado por símbolos e velado por alegorias. Por ser peculiar, não estamos
acostumados a ele e por isso temos, geralmente, grande dificuldade em entendê-lo e
aproveitá-lo na sua totalidade.

A forma tradicional de ensino secular e religioso se dá através do método da catequese:


as instituições nos impõem as suas verdades. A Maçonaria, ao contrário, nos expõe a símbolos
e alegorias para que nós mesmos descubramos nossas próprias verdades através da
pesquisa, do estudo e da reflexão.

Não só as entidades religiosas, mas também as instituições de ensino de um modo geral,


tentam lapidar o homem. A Maçonaria induz o homem a se autolapidar. Essa é a grande
diferença.

Por esse método, os símbolos e alegorias que nos são apresentados ao longo de nossa
caminhada maçônica devem ser por nós compreendidos como veículos que nos instigam a
aperfeiçoar, por vontade própria, nossas virtudes morais, adquirir cultura e desenvolver nossa
espiritualidade.

Pelo método de ensino maçônico não há professores e alunos. Também não há


imposição de dogmas, cabendo unicamente ao Maçom a tarefa de ser guia e mestre de si
mesmo em seu eterno aprendizado.

Por ser a Maçonaria uma escola iniciática, o Maçom primeiro recebe o Grau e depois
estuda e aprende sobre ele.

O Maçom é exposto a símbolos e alegorias durante as sessões. Depois, o


desenvolvimento rumo à “iluminação” ocorre com a pesquisa, estudo e reflexão individual sobre
os temas que despertaram seu interesse. É impossível ao Maçom progredir sem estudar
detidamente cada grau por que passa. Não basta estar presente em Loja, sentir-se “revigorado
com a egrégora”, como sói dizer, e depois ir para casa esperar a próxima Sessão. É preciso
que o Maçom pesquise em diversas fontes, estude, reflita e tente aplicar em sua vida o
conteúdo dos Graus, para que obtenha verdadeiro progresso.

O que se espera do Maçom ao colar cada grau durante sua caminhada na Maçonaria é
que progrida moral, cultural e espiritualmente. Existem diferenças que precisam ser respeitadas
em relação a cada indivíduo que são: a velocidade com que se dá este desenvolvimento e o
nível final de desenvolvimento atingido. Estes podem variar conforme a capacidade de
aprendizado de cada um, o tempo dedicado ao estudo, à reflexão e à prática do que se
aprende. Mas o gradativo desenvolvimento pessoal com vistas à sua aplicação prática na
sociedade é, em última análise, o único motivo de se fazer parte da Maçonaria, e não a colação
pura e simples de graus.

Capacitar os homens a se “autolapidarem” – a verdadeira


missão da Maçonaria – não é simplesmente ensinar os homens
sobre moral, política, sociologia ou qualquer outra ciência, mas
ensinar-lhes antes de tudo a aprender sozinhos, ensinar-lhes que
eles precisam aprender a aprender, ou seja, a se autoaprimorar
com o objetivo de poderem ser assentados com perfeição, como
pedras bem esquadrejadas e polidas, no edifício social em
construção.

Por isso as alegorias maçônicas se referem à construção


do Templo de Salomão. Enquanto Aprendizes, somos exortados
a trabalhar em nós mesmos como se fôssemos uma “pedra
bruta”, tal como os aprendizes desbastavam as pedras logo que
retiradas das pedreiras de Salomão para que elas pudessem ser
perfeitamente encaixadas no Templo sem o uso de ferramentas
– uma das exigências de Deus era de que as ferramentas não
deveriam perturbar o silêncio daquele local sagrado.

A “pedra bruta” a ser desbastada, segundo o sistema da Maçonaria, é cada um de nós, e


fazemos isso estudando, aprendendo, livres de dogmas e nos aperfeiçoando moral e
espiritualmente com as ferramentas fornecidas pela Maçonaria. Importante observar que a
Maçonaria se preocupa com o desenvolvimento do indivíduo. Assim, por esta visão, cada
Maçom cuidaria apenas do seu próprio desenvolvimento moral, cultural e espiritual e não do de
seu Irmão, pois a pedra bruta a ser lapidada é cada um de nós. Esse sistema é muito diferente
do que estamos acostumados, onde os erros são procurados sempre nos outros e a forma
correta de postura ou visão ou o dogma são impostos através de instruções claras.

Pelo método de ensino maçônico não há professores e alunos; todos são alunos e
professores de si mesmos. O máximo que podemos admitir em termos de interferência no
desenvolvimento de nossos Irmãos, se quisermos agir maçonicamente, é expor a nossa
opinião unicamente a quem nos perguntar, tomando o cuidado de salientar que se trata apenas
de nossa opinião, de nossa visão pessoal e não de uma verdade absoluta.

Caberá a cada um buscar, perceber e formar sua própria opinião acerca de como agir, e
de como interpretar o mundo.

2. Razões para a exigência de conhecimentos mínimos na concessão de graus


O conhecimento é a base da evolução do homem proposta pela Maçonaria. O
conhecimento de si mesmo, aliado ao conhecimento externo disponível é o que amplia os
domínios da consciência e capacita o homem a pensar e a agir livremente.

Só podemos dar a alguém aquilo que possuímos. Se quisermos contribuir com algum
movimento pró-mudança, dentro ou fora da Ordem, agindo na sociedade para combater o que
nos aflige hoje, ou na Maçonaria corrigindo o rumo que a vem levando ao gradual
desaparecimento, precisamos ter com o que contribuir.

O conhecimento é representado na Maçonaria como a luz, já a falta de conhecimento


é a escuridão da alma. Assim, incentivar o aprendizado de temas maçônicos para obtenção de
Mestres com espírito de liderança, aptos ao exercício da cidadania, como homens
verdadeiramente livres, é mais do que um objetivo educacional a ser atingido, é a obrigação de
uma Loja Maçônica.

Uma Loja Maçônica não deve conceder graus sem considerar o nível de
desenvolvimento atingido pelos postulantes no grau precedente, pois se estes não atingirem a
evolução mínima necessária, não serão agentes de transformação, nem de si mesmos, nem da
sociedade.

A tarefa de definir os rumos da Ordem cabe aos Mestres que, estando em pleno gozo
de seus direitos maçônicos, ocupam cargos na administração das Lojas e das Potências. Mas,
para que levem a bom termo esta complexa missão, é necessário que tenham adquirido nos
graus precedentes sólidos conhecimentos sobre a origem histórica e os objetivos da instituição
que pretendem dirigir, sob pena de, por desconhecimento, afastarem-na de seus verdadeiros
propósitos.

Pessoas desqualificadas em cargos de liderança em Lojas e Potências maçônicas, por


sua falta de capacitação e de conhecimento dos objetivos da Instituição que administram,
podem diminuir o poder de atração e manutenção de pessoas com real potencial de
autoaperfeiçoamento e que poderiam intervir de forma efetiva nos problemas enfrentados hoje
pela sociedade.

3. Objetivos do incentivo aos estudos

 Valorizar a Maçonaria como instituição prestante ao desenvolvimento humano;

 Incentivar os obreiros ao estudo e à pesquisa para que possam compreender melhor a


instituição de que fazem parte, sua origem, princípios e finalidades;

 Incentivar o autoaprendizado e a formação do intelecto através dos estudos e atividades


dirigidos;

 Formar Mestres Maçons capacitados para o exercício de suas funções dentro e fora da
Loja;

 Evitar a apresentação e discussão de temas em Loja não relacionados ao grau;

 Possibilitar a divulgação das pesquisas, trabalhos e experiências produzidos.

4. Estudos maçônicos – uma sequência lógica


O sistema maçônico de aprendizado fornece uma estrutura muito rica e bem
elaborada, que nos induz, de forma direcionada, à pesquisa, ao estudo e à reflexão sobre
temas específicos, em uma ordenação sequencial lógica, que completará a nossa formação
moral, cultural e espiritual, servindo de fonte de consulta permanente. É muito importante
ressaltar que, mesmo os estudos que não envolverem os chamados “segredos” de graus
superiores, não devem ser sugeridos nem apresentados aos Aprendizes, se não estiverem
relacionados aos objetivos de estudos do grau.

Estudar temas adiantados, ou que não tenham relação com o escopo


de estudos do grau, só irá atrapalhar o Aprendiz, pois ele deixará de se
dedicar ao que importa neste momento de sua formação para se envolver
com temas que não estão relacionados. Isso poderá deixar uma lacuna em
sua formação, muitas vezes nunca mais preenchida. Por isso, torna-se
importante entendermos de que temas trata o grau de Aprendiz.

5. A necessidade de um programa de estudos

Nosso Ritual não deixa dúvidas: na página 119 estabelece a


obrigatoriedade, evidenciada pela palavra “deve”, de que o Quarto de Hora
de Instrução obedeça a um “programa previamente preparado”. A instrução
dos Aprendizes merece e precisa de um plano de estudos definido. Não pode
ser deixada ao acaso e ser dada à esmo, de acordo com a “inspiração” do
momento.

Por isso a Aletheia desenvolveu um plano de estudos para cada grau,


para que os estudos e os trabalhos apresentados em Loja façam parte de
uma lógica que concorra para a boa formação de seus Obreiros.

6. De que trata o grau de Aprendiz

DESENVOLVIMENTO MORAL
O Aprendiz, simbolicamente dominado pela matéria, dedica-se ao trabalho no campo
moral, desbastando a si próprio como sendo uma “pedra bruta”, tentando se libertar de seus
vícios e paixões. O Companheiro, que simbolicamente já aprendeu a submeter suas paixões
no grau de Aprendiz, passa a dedicar-se ao seu desenvolvimento intelectual e cultural, com
um vislumbre de temas que usará mais tarde, como Mestre, para trabalhar em seu
aperfeiçoamento espiritual, completando assim as 3 fases do simbolismo e atingindo o estágio
que se espera de um Maçom. O grau de Aprendiz é então, por natureza, uma escola de
formação moral. Esse tema deve sempre permear os estudos de um Maçom neste grau.

ORIGENS DA MAÇONARIA
No campo histórico o Grau de Aprendiz preocupa-se em responder à questão “de onde
viemos”. Assim, dedica-se o Aprendiz ao estudo histórico dos primórdios da Ordem, sua
relação com as guildas de pedreiros medievais, com os Cavaleiros Templários, com o antigo
Egito, etc. Já a fim de responder “quem somos”, o Companheiro por sua vez, aplica-se no
estudo da história da Maçonaria Moderna, de 1717 até o presente. Mais tarde, como Mestre,
irá se preocupar com os rumos da Maçonaria para tentar desvendar o enigma “para onde
vamos”.

RITO, RITUALÍSTICA, COBRIDOR


O Aprendiz precisa estudar também a história do Rito que sua Loja pratica; aspectos
básicos para sua participação nas Sessões, como a circulação ritualística, os sinais, a postura
correta, o momento de falar, etc. Precisa conseguir identificar os cargos, os graus e as
distinções maçônicas dos membros do quadro e dos visitantes, bem como conhecer o cobridor
do grau.

OUTROS RITOS
É importante que o Maçom conheça outros Ritos além daquele praticado em sua Loja. No
futuro, como Mestre, irá recepcionar os Irmãos visitantes e o conhecimento prévio sobre os
demais Ritos o irá ajudar nesta tarefa. É inadmissível que um Mestre Maçom, ao ver chegar um
Irmão visitante em sua Loja, não reconheça e respeite o Rito praticado pelo visitante, bem
como as diferenças existentes.

No âmbito do Grande Oriente do Brasil, são praticados um total de sete Ritos maçônicos:

 Rito Adonhiramita
 Rito Brasileiro
 Rito Escocês Antigo e Aceito
 Rito Escocês Retificado
 Rito Moderno
 Rito Schröder
 Rito de York
7. CONCLUSÃO

Em síntese, a Maçonaria estimula o homem a conhecer a si


mesmo, a evoluir moral, cultural, cívica e espiritualmente,
eliminando seus defeitos e falhas, potencializando suas
qualidades e virtudes, de modo a poder contribuir efetivamente,
na prática, com o progresso da Humanidade.

Através de sua escalada pelos diversos Graus, o Maçom


transforma-se gradual e simbolicamente de Pedra Bruta em
Pedra Cúbica, tornando-se pronto para ser utilizado na
construção do Templo social ideal.

O propósito da Maçonaria não visa somente a elevação


moral, cultural e espiritual de seus membros: tem o claro objetivo
de tornar o Maçom um elemento útil à sociedade.

O enfoque e o objetivo da Maçonaria ao desenvolver o


Maçom é capacitá-lo para se tornar não só um formador de opiniões, mas também um agente
de mudanças. Aquele que lutará pelo bem comum, pelo desenvolvimento e pelo progresso da
Humanidade.

O aprendiz Maçom deve se esforçar por explorar o máximo possível das amplas
implicações deste Grau, que consideramos basilar.

É preciso ressaltar sempre que os Maçons não devem se perder em absurdas


investigações e em estéreis utopias: para o verdadeiro Maçom, todo estudo deve ter um fim
efetivamente prático e construtivo, todo Ideal um valor vital e operativo que deve realizar-se
com sua aplicação.
Esse esforço em se aprimorar moralmente para poder melhor aplicar e realizar o
Ideal Maçônico na vida prática é a característica e o objeto fundamental da preparação
Maçom.

Ir Wallace Lima, 33°


ARLS Aletheia, 4406
Jul/2018

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