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Resumo do Artigo : Diabetes Melito tipo 1 autoimune: aspectos imunológicos. Almeida de Sousa,
Aucirlei & Caetano Albernaz, Alessandro & Sobrinho, Hermínio. Universitas: Ciências da Saúde v.
14, n. 1 (2016) – UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Disponível em
https://www.doi:10.5102/ucs.v14i1.3406

O diabetes mellitus do tipo 1 (DM1) se manifesta clinicamente quando restam cerca de 20% das
células beta pancreáticas ativamente funcionais, ou seja 80% comprometido. Isto significa que todo
organismo depende somente destes 20% de células betas exercerem a função de secreção da
insulina. Em condições fisiológicas a insulina atua de maneira coordenada regulando o
metabolismo, compreendendo diferentes reações orgânicas. Com o pâncreas comprometido esta
secreção hormonal é insuficiente para a suprir toda carência orgânica do indivíduo, perfazendo e
elevando as possíveis associações patogênicas desta síndrome metabólica. O DM1 abrange todas
as formas de diabetes em que ocorre primariamente a destruição das células-beta pancreáticas
produtoras de insulina. As destruições das células beta pancreáticas causadas pelo
desenvolvimento de respostas imunes, apresentam infiltrados nas células betas, células estas que
compõe maioria da celularidade tissular das ilhotas de Langerhans no pâncreas. O diagnóstico
laboratorial requer exames de sangue e avaliam a presença de anticorpos que são: ICA, IAAs, GAD
e IA-2.

Já foi observado que genes associados ou não a outras doenças auto-imunes estão presentes em
pacientes com o Diabetes mellitus tipo 1 autoimune: HLA, DR3-DQ2, DR3-DQ4, DR3-DQ5, DR4-
DQ8, MIC A, PTPN22, CTLA4…Ao longo deste texto, mencionarei mais sobre os estas associações
genéticas. Esta resposta auto-imune culmina com a destruição das células betas do pâncreas. A
destruição contínua das células betas gera escassez na produção de insulina e caracteriza o tipo 1
da Diabetes mellitus. Em indivíduos geneticamente passíveis, estima-se que (uma das hipóteses
seja) essa reação auto-imune ocorra na medula óssea (MO) no processo de seleção tímica. Por um
descuido, algumas células T auto reativas, passam para a corrente circulatória e são liberados para
os órgãos linfoides periféricos (secundários), responsáveis pela resposta imune ativando a reação
Ac-Ag.

As células do sistema imune inato reconhecem agentes patogênicos e moléculas non-self em


primeira instância (neutrófilos, macrófagos e células dendriticas). Os neutrófilos possuem funções
efetoras como a fagocitose e a quimiotaxia; Os macrófagos são fagócitos tissulares, produzem
citocinas, quimiocinas e fatores mediadores de inflamação, secretam IFN-y (Interferons-gama). As
células dendríticas atuam na captura, processamento, apresentam Ag (antígenos) para os linfócitos
T e conseguem modular a resposta dos linfócitos B e NK (Natural Killer). A ativação da resposta
imune com a apresentação de antígenos para células dendríticas e macrófagos que reconhecem e
processam auto antígenos provenientes da destruição das células; os PAMP's (padrões
moleculares associados a patógenos) atuam no reconhecimento de classes patogênicas de
microorganismos e produzem resposta imune inflamatória, os toll-likes fazem parte dos PAMP's e
provocam a cascata liberando citocinas e mediadores pró-inflamatório. Estas células do sistema
imune inato quando atuantes no pâncreas por resposta auto-imune produzem citocinas acarretando
a apoptose das células beta pancreáticas aumentando a infiltração de células linfocíticas do tipo T
que são específicas para antígenos protéicos das células betas pancreáticas presentes nas
proteínas de superfícies celulares (glicoproteínas, compostas por aminoácidos) diferenciado o self

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do non-self (próprio do não-próprio), apresentando antígenos (Ag's) específicos no sistema imune
adaptativo. As células do sistema imune adaptativo são ativadas por desenvolvimento de respostas
específicas contra auto-antígenos das células betas pancreáticas pela insulite, uma inflamação que
provoca a destruição destas células que produzem a insulina. Estando suprimidas pela insulite e
impedidas de exercer as funções de secreção hormonal, eleva-se a taxa de glicose já que o
metabolismo é inexistente desse energético construtor para as atividades fisiológicas,
caracterizando assim a DM1 auto-imune adaptativa. Na insulite, ocorre as reações inflamatórias e
secreção de citoquinas, interleucina 1 (IL-1), interferon-gama (IFN-y) e fator de necrose tumoral alfa
(TNF-a), culminando com a apoptose das células-beta chamada imunidade celular.

Outras associações, por exemplo, são possíveis infecções, respostas auto-imune contra Ag próprio
pancreáticos, linfócitos auto-reativos pancreáticos ocorrendo o reconhecimento apoptóticos,
liberação de corpos extracelulares denominado cariólise (fragmentação final do material genético),
sendo assim reconhecidos e detidos por macrófagos e células dendríticas (DCs) os quais são
apresentados para os linfócitos B (produção de Ac na imunidade humoral) e T sendo ativados (as
moléculas de reconhecimento ficam aderidas na membrana dos linfócitos), gerando resposta auto-
imune reação anticorpo antígeno Ac-Ag.

Os autores do artigo descreveram a metodologia estabelecida para reunir informações acerca das
associações genéticas como causa da DM1. Utilizando recursos digitais por meio da internet,
consultaram bancos de dados: MedLine e Scielo, os quais dispõem de vasta coleção de artigos e
periódicos científicos. Com intuito de relevar o resultado da pesquisa correlacionando com o
assunto pretendido, indicaram os seguintes DeCS (Descritores em Ciências da Saúde): Diabetes
mellitus (DM), tipo 1, autoimunidade, auto anticorpos e células beta. E ainda houve delimitação
entre o período de publicação para 1990-2014.

Além da metodologia, destacou-se a epidemiologia da DM1, exemplificando sua ocorrência. Com


os dados publicados em 2007 pela "Associação Americana de Diabetes", a ADA (São Francisco,
Ca, EUA), os autores verificaram que a porcentagem da propagação da DM do tipo 1, estava na
faixa de 5 a 10% alusivos aos caso da DM do tipo 1 vinculados como epidemiologia da
imunomediação de graus variados e sucessiva destruição celular beta.

Existem quatro classificação etiológica da DM1: “DM1A Imunomediada”, "DM1B Idiopática", "DM1
Fulminante", "DM1 Duplo". Vou começar expondo resumidamente as 3 últimas classificações
etiológicas da DM1, pois a primeira classificação etiológica a “DM1A Imunomediada” é o tema
central do artigo e será relatada mais adiante. A segunda classificação etiológica do DM1 é
intitulado "DM1B Idiopática", sem uma única causa definida. A terceira classificação não tem causa
etiológica auto-imune e é denominada "DM1 Fulminante" A quarta classificação etiológica conforme
o artigo é o "DM1 Duplo", com conexão etiológica entre autoimunidade e a resistência insulinica.

A “DM1A Imunomediada” se faz abrupta quando está elencada em crianças e adolescentes com
seu desenvolvimento rápido e acentuado. Já a “DM1A Imunomediada” com instalação silenciosa e
compassada, é característico em adultos. Em adultos com a DM1 imunomediada, as células betas
das ilhotas pancreáticas ano a ano são atacadas e destruídas seletivamente pelo reconhecimento
auto-reativo, fomentando as irregularidades metabólicas peculiares a esta patologia. Este primeiro
tipo "DM1A Imunomediada" é definido pelo tipo de mecanismo predominante (imunomediado).
Os genes do MHC (complexo maior de histocompatibilidade) atribuem maior risco relativo para
evoluir a DM1A, o gene do HLA no cromossomo 6p211.3 (locus IDDM1), sendo decisório
geneticamente por 40% ou mais da associação familiar desta patologia. Em genética o lugar

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específico no qual um gene segmento de DNA se localiza no cromossomo é denominado locos e o
conjunto de locos se diz loci, alguns loci são relacionados a 10% de predisposição ao DM1, a
frequências repetidas do gene da insulina (IDDM2) em conjunto com o Ag citotóxico do linfócito T
CTLA4 e o PTPN22 (sigla da proteína tirosina fosfatase, expressas em linfócitos T CD4+ e CD8+)
que regula a função das células T é frequentemente associada a várias doenças auto-imunes
incluindo a DM1.

O DM1A, Diabetes mellitus tipo 1 Autoimune é constantemente relacionado com patologias


autoimune tireoidiana, por exemplo a doença autoimune Tireoidite de Hashimoto no qual organismo
fabrica anticorpos contra as células da tireoide. A DM1 também é frequentemente associada com a
Doença celíaca (que é a intolerância ao glúten), associada com a Doença de Addison (na qual há
insuficiência de produção hormonal das glândulas adrenais) e associada a várias outras doenças
auto-imunes, caracterizadas por auto-anticorpos órgãos-específicos, relacionados com os mesmos
determinantes genéticos. Para diagnóstico de prevenção esses Ac são úteis na detecção de auto-
imunidade órgão-específica antes do aparecimento da doença clínica.

A evolução da DM1 nos adultos (como já mencionado anteriormente) é um processo lento que fica
anos numa fase pré-clínica. A presença de hiperglicemia e a cetose acentuada já é a manifestação

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sintomática da doença e em exames detectam a presença de marcadores como ICAS (Ac anti-
ilhota), IAAS (anti-insulina), GAD-65 (ácido glutâmico descarboxilados) e IA2/ 1A2B (tirosina
fosfatases).

A análise especializada sobre a causa do desenvolvimento sobre uma doença é intitulada


etiopatogenia, ou seja, os autores do artigo também destacaram os fatores desencadeantes que
levam a doença na DM1. A etiopatogenia auto-imune esplanada foram: vírus de Coxsackie, um
enterovírus infectantes em pâncreas pele (exantemas) olhos e os respiratórias cérebro coração; o
citomegalovírus (β-herpes-vírus); retrovírus rubéola (provoca infecções e lesões no pâncreas),
toxinas, pesticidas, nitratos, alguns alimentos e deficiência de vitamina D. A vitamina D (vitamina do
sol) tem ação imunomoduladora: estimula a fagocitose e a morte de bactérias e diminui a capaci
dade de apresentação de Ag pelas células dendríticas e a produção de citocinas, protegendo as
células beta pancreáticas.

A evolutiva da DM1 tem 4 estágios: 1) estágio pré-autoimunidade dirigida para as células beta
como a diminuição aguda e progressiva da resposta insulínica a glicose intravenosa ou oral; 2)
estágio de início do diabetes clínico; 3) transitórias e 4) estágio de diabetes associada a
complicações agudas crônicas tal como a retinopatia e a nefropatia e vasculopatia, seguida de
óbito.

O quadro histopatológico, isto é as células que compõem o pâncreas: são células mononucleares
no infiltrado inflamatório com a maioria de linfócitos T, com insólitas células betas ou inexistência
delas nas ilhotas de Langerhans. No pâncreas além das células beta que produzem o hormônio
insulina, temos outras células nas ilhotas que são secretores de hormônios: glucagon,
somatostatina e polipeptídeos pancreáticos. Mas como a maioria das células presentes nas ilhotas,
são do tipo betas, havendo a destruição dessas células as ilhotas acabam atrofiadas.

Pesquisando um pouco mais sobre a destruição das células beta, encontrei outro artigo
mencionando a destruição também de células alfa no “DM1 Fulminante” (com mais detalhes): o
tempo da duração dos sintomas de diabetes é muito curto, com início preponderante na vida adulta,
valores elevados de enzima pancreática sérica, infiltração linfocítica no pâncreas exócrino,
destruição das células-alfa e beta das ilhotas pancreáticas, precedência freqüente de sintomas
gripais, dependência permanente da insulina exógena, auto anticorpos anti-ilhotas pancreáticas
negativos, predominância do sexo masculino entre outros fatores. Em mulheres, a gestação
também é fator de risco para o "DM1 Fulminante".

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Conclusão e referencias arquivo 2

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