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INSTITUTO SUPERIOR DE CONTABILIDADE E AUDITORIA DE

MOCAMBIQUE

DISCIPLINA DE CONTABILIDADE BASICA

1. INTRODUÇÃO A CONTABILIDADE

Para compreender o significado da Contabilidade, há que referir a noção da Empresa –


como conjunto organizado de meios materiais, financeiros e humanos, e que tem por
objectivo a produção de bens e serviços. As empresas são constituídas sem horizonte
temporal definido, contudo tem à semelhança das outras organizações um ciclo de vida
limitado que pode ser dividido em três fases, a saber:
 Fase institucional, em que se decide a sua criação, através da obtenção e
combinação de recursos necessários para sua entrada em funcionamento;
 Fase de funcionamento ou de execução, na qual se desenvolve todo o processo
de produção de bens e serviços com vista a obtenção de certos resultados;
 Fase da liquidação na qual se procede à extinção da empresa.

A fase de execução é a mais longa na vida da empresa e está dividida em intervalos de


tempo, coincidentes com os anos civis, designados por períodos administrativos, no fim
dos quais se apuram resultados, se elabora o balanço, se discute sobre a actuação da
direcção, se aprovam contas, entre outras actividades. Refira-se que a parte de gestão
correspondente a cada período administrativo, denomina-se por exercício económico.
A empresa e a célula básica da actividade económica1. No desenvolvimento da sua
actividade económica, a empresa estabelece relações viradas para os aspectos internos e
outras para o exterior, traduzidas em fluxos de bens e serviços, correspondendo a fluxos
reais (os que espelham-se nas compras, produção e vendas) e fluxos monetários
financeiros (visualizados por pagamentos e recebimentos de valores monetários).

1.1. Definição da Contabilidade

1
Actividae economica é toda aquela que lutando contra a escassez de bens e serviços, visa a satisfação
da necessidade mediante um custo.
De acordo com a multiplicidade do entendimento dos autores que lidam com a matéria
contabilística, encontramos varias definições da Contabilidade, umas com maior
abrangência elementos e outras menos abrangentes.
Perreira (1980) apresenta uma definição mais consensual que inclui o objecto e
objectivo da contabilidade.
Segundo Perreira (1980:23) “a Contabilidade é uma ciência de natureza económica cujo
objecto é a realidade económica passada, presente e futura, de qualquer entidade pública
ou privada, analisada em termos quantitativos e por métodos específico com o fim de
obter informações económico-financeiras indispensáveis à gestão dessa entidade,
nomeadamente ao conhecimento da situação patrimonial e dos resultados obtidos e ao
planeamento e controle da sua actividade”.

1.2. Objecto, Objectivos e Finalidade da Contabilidade


Objecto de estudo
O objecto de estudo da Contabilidade é a realidade económica passada, presente e futura
de qualquer entidade pública ou privada. Ou seja, o Património2 das entidades.

Objectivos da Contabilidade
Produzir informações úteis a gestão para tomada de decisões, designadamente,
elaboração do Balanço e Demonstração dos resultados. Ou seja, produzir as
demonstrações financeiras que sirvam de suporte para a tomada de decisões pelos
gestores das organizações.

Finalidade da Contabilidade
 Servir de suporte na tomada de decisões, isto é, a obtenção de informações úteis
para todos os interessados para ter uma visão racional na tomada de decisão.
 Controlar o património das entidades (entidade é qualquer pessoa física ou
jurídica detentora de um património)
Ou seja, As finalidades fundamentais da contabilidade referem-se à orientação da
administração das empresas no exercício de suas funções. Portanto, a Contabilidade é o
Controle e o Planeamento de toda e qualquer entidade socioeconómica.

2Conjunto de valores (bens, direitos e obrigações) pertencentes a uma determinada unidade económica sob uma
gestão orientada para o alcance de certos objectivos.
Controle – administração através das informações contabilísticas, via relatórios para
certificar de que a organização esta agindo em conformidade com os planos e políticas
determinados.

Planeamento – a informação contabilística pode ser um forte suporte para o


planeamento e, mas ainda, quando estabelecendo padrões, toma claras situações futuras.

1.3 Informação Contabilística


As informações podem ser internas e Externas.
Internas – respeitantes a operações com o ambiente interno da empresa
(administradores, directores, chefes de Secções etc.)
Externas – respeitante a operações com o ambiente externo da empresa (clientes,
fornecedores, Estado, a Banca etc.)

Requisitos ou Características da Informação Contabilística


Para que uma informação seja considerada de utilidade contabilística, deve reunir os
seguintes requisitos:
 Relevância – as informações devem fornecer um elemento de resposta a uma
questão. Uma informação tem a qualidade de relevância quando influencia a s
decisões económicas dos utilizadores ajudando-os a avaliar acontecimentos
passados, presentes ou futuros.
 Oportunidade ou actualidade – a informação deve ser fornecida no momento.
 Economicidade – o custo da informação não deve ser superior à vantagem que
ela proporciona.
 Objectividade – a informação deve conduzir as pessoas aos mesmos resultados.
 Verificabiliadde – a informação deve ser aquela que seria obtida por indivíduos
que trabalhassem independentes uns dos outros.

Utentes da Informação Contabilística ou Interessados


As informações contabilísticas, servem para tomada de várias decisões empresariais. Os
principais interessados são:
 Investidores, Sócios ou Proprietários – interessa-lhes conhecer ou acompanhar a
evolução dos seus investimentos de modo a assegurarem o retorno dos valores
alocados à organização, bem como tomar decisões sobre futuros investimentos.
Estão também interessados pela informação contabilística para avaliar a
capacidade da entidade em pagar dividendos.
 Os Gestores e Administradores – para o planeamento e controle dos seus
objectivos e metas, para melhor tomarem as decisões na gestão das unidades
económicas.
 O Estado – pelo facto de a maior porção dos rendimentos do Estado provir de
impostos, interessa-lhe para melhor calcula-lo e para várias análises estatísticas,
bem como para a elaboração dos planos macroeconómicos.
 Credores ou Fornecedores – estão interessados na segurança financeira das
empresas como garantia da recuperação dos valores em divida, residindo aqui o
factor credibilidade.
 Trabalhadores – pela segurança dos seus postos de trabalho e das restantes
condições de trabalho e salariais.
 Clientes – como forma de garantia da continuação de prestação de melhores
serviços. Ex Bancos.
 Público em Geral (empregadores, sindicatos…) – O público esta interessado em
conhecer as tendências e desenvolvimento das entidades.
1.4 Evolução Histórica da Contabilidade
Períodos Designaçã Limites Nomes e livros Características
o notáveis
Empírico --- …até 1494 --- Registo simplista e incompleto de dados da
realidade observada.
Luca Pacioli (italiano) Registo das operações como meio de prova
Legalista “ Summa de aritmética, e conhecimento da situação da empresa
1494 a
geometria, proportion como garantia dos credores – princípio das
1920
et proporcionalita” partidas dobradas.
Eugene Schmalenbach Conhecimento da realidade económica
Económica (alemão): “o balaço passada, presente e futura, para obtenção
1920 a
Científico dinâmico – 1919. das informações indispensáveis a uma
1950
consciente tomada de decisões.
Richard Mattessich Elaboração dos princípios contabilísticos,
(canadiano) formalizando as suas proposições,
“Accounting and submetendo-as a tratamento lógico e
Formalista analytical methods – matemático com maior potencialidade
measurement and explicativa e produtiva.
De 1950 a projection of income - Investigação operacional (métodos da
… and wealth in the análise cientifica orientado para a
Micro and macro optimização de decisões) com auxílio da
economy – 1964.” informática e de outras ferramentas.
- Axiomas
- Definições
- Teoremas
- Requisitos (da informação contabilistica).
Fonte:HUGO(2002:3)

1.5 Divisões Da Contabilidade


Há semelhança do que acontece em todas outras ciências, também no tronco comum da
contabilidade podemos contemplar vários ramos disciplinares. O tronco comum é
constituído pela Contabilidade geral que compreende os conceitos básicos, as regras e
os princípios contabilísticos (teoria da contabilidade) e as formas de representação que
são as regras de funcionamento ou seja a escrituração propriamente dita (que
corresponde à técnica contabilística geral).

TEORIA DA CONTABILIDADE
CONTABILIDADE GERAL
TECNICA CONTABILISTICA GERAL

As ramificações do tronco comum em seu conjunto correspondem à aplicação da


contabilidade geral (teoria e técnica) às unidades económicas de variada natureza,
dimensão e objectivos, com distinta necessidade de informação.
Assim podemos distinguir a contabilidade aplicada às unidades económicas privadas
(empresas famílias e outros organismos), às unidades económicas públicas ( Estado,
Autarquias e organismos autónomos) e ao respectivo conjunto (nação).
Pela contabilidade aplicada podemos ter a Contabilidade Pública ou Privada. São
divisões da contabilidade privada a contabilidade financeira, contabilidade de custos ou
analítica, contabilidade bancária, contabilidade orçamental, contabilidade agrícola, entre
outras. Pela contabilidade aplicada as unidades económicas públicas resulta a
contabilidade pública e ou nacional
Interessa por enquanto centrarmo-nos no estudo da contabilidade aplicada as unidades
económicas privadas, concretamente às empresas.

Contabilidade da empresa
Na contabilidade da empresa podemos distinguir :
 A contabilidade das relações com o exterior( contabilidade financeira);
 A contabilidade do movimento interno ou da produção (contabilidade de custo
ou analítica);
 Contabilidade de controlo e planeamento (contabilidade orçamental
 etc.
Divisões da contabilidade
Contabilidade
Financeira
Contabilidade De
Custos Ou Analítica
TEORIA DE EMPRESA De Produção
CONTABILIDADE

CONTABILIDADE APLICADA
CONTABILIDADE Contabilidade
CONTABILIDADE GERAL

PRIVADA
GERAL Bancária
CONTABILIDADE

Contabilidade
Orçamenta
FAMILIA Contabilidade
Agrícola
CONTABILIDADE PESSOAS
PÚBLICA COLECTIVAS
PÚBLICAS
Contabilidade
(Estado ,
Administrativa
TECNICA Autarquias,
CONTABILISTICA Organismos
Autónomos)
CONTABILIDADE Contabilidade da Nação+
NACIONAL Contabilidade Privada+Contabilidade
Pública
Fonte:PERREIRA(1980:25)

Contabilidade Geral – também designada por Extrema ou financeira, compreende os


conceitos básicos, as regras de funcionamento e os princípios contabilísticos (teoria da
Contabilidade) e as formas de representação, isto é, a escrituração propriamente dita
(técnica contabilística).
Contabilidade Aplicada (Especial ou Especifica) – também designada por interna,
compreende a aplicação da contabilidade geral a unidades económicas, abrande diversas
relações complementares que podem contribuir para uma gestão mais esclarecida e
eficaz.
A Contabilidade aplicada constitui uma aplicação da Contabilidade Geral, às unidades
económicas de variada natureza, podendo distinguir:
Contabilidade Privada – a usada às unidades privadas (familiares, empresas e outros
organismos).
Contabilidade Publica – a usada a unidades económicas públicas (estado e autarquias).
A Contabilidade Nacional – ao respectivo conjunto. Respeita as informações inerentes
ao produto, rendimento e despesas. É também designado por Macro contabilidade. É
relativa a unidades económicas complexas (regiões, nação...)

Na Contabilidade empresarial, temos a diferenciar:


Contabilidade Financeira – que visa ao conhecimento da situação patrimonial
(Balanço) e o redito global (mapa de demonstração de resultados).
Contabilidade Interna ou de Custos – que abrange diversas relações complementares
que podem contribuir para gestão eficaz e esclarecida.
Contabilidade Bancária e a de Seguros a que se aplica as instituições bancárias ou
financeiras e as empresas seguradoras ou de seguros respectivamente.
Refira-se que as Contabilidades Domésticas e públicas são também conhecidas por
contabilidade administrativa.

1.6 Documentos Contabilísticos


As operações contabilísticas relativas à gestão do património de uma unidade
económica são registadas em documentos apropriados, sendo que cada registo
contabilístico deve estar fundamentado por documento de suporte adequado, nos termos
da legislação comercial e fiscal em vigor e susceptível de ser apresentado quando
solicitado. Os documentos são pois a base de todo registo contabilístico, sem os quais o
mesmo não se poderá processar.
Entre os documentos pode-se distinguir os de movimentos interno e os de movimento
externo, ambos designados os documentos primários, são eles: recibos, cheques, factura,
letra comercial e livrança, guias de remessa, nota de débito, nota de crédito, ficha de
stock.
Na escrituração contabilística importa referir os livros de contabilidade os quais
classificam-se em dois grupos, a saber:

Livros obrigatórios e livros facultativos.


Segundo o código comercial em vigor são obrigatórios, aqueles livros que a lei enumera
como indispensáveis à qualquer comerciante, também designados por livros selados, e
são eles: o Diário, o Razão, o livro de inventário e Balanços e o Copiador, actas da
Assembleia geral e outros indicados pela lei.

Os livros facultativos, são os que utilizam normalmente como auxiliares de registo. A


sua utilização depende da natureza, características e dimensão das empresas ou das
operações que efectuam. Servem para completar, desenvolver e controlar o que se
escritura nos livros obrigatórios. São usualmente denominados por livros auxiliares.
Destes podemos apontar: balancetes do Razão geral, razões auxiliares, diários auxiliares
( Caixa, Compras, Vendas, entre outros), balancetes dos razões auxiliares.

1.7 Princípios Contabilísticos (PCGA’S)

 Princípio da Continuidade - “A empresa opera continuamente, com duração


ilimitada. Desta forma, entende-se que a empresa não tem intenção nem
necessidade de entrar em liquidação ou de reduzir significativamente o volume
das suas operações”

 Princípio da Consistência - “Considera-se que a empresa não altera as suas


políticas contabilísticas de um exercício para o outro. Se o fizer, e a alteração
tiver efeitos materialmente relevantes, esta deve ser referida no anexo”.

 Princípio da Especialização do exercício - “Os proveitos e os custos são


reconhecidos quando obtidos ou incorridos, independentemente do seu
recebimento ou pagamento, devendo inclui-los nas demonstrações financeiras
dos períodos a que respeitam”.

 Princípio do Custo Histórico - “Os registos contabilísticos devem basear-se em


custos de aquisição ou de produção, quer a custos nominais, quer a custos
constantes.”

 Princípio da prudência - “Significa que é possível integrar nas contas um grau de


precaução ao fazer as estimativas exigidas em condições de incerteza sem,
contudo, permitir a criação de reservas ocultas, provisões excessivas ou a
deliberada quantificação de activos e proveitos por defeito ou de passivos e
custos por excesso.”

 Isto é, quando não existe certeza acerca do valor dum bem ou evento
mercadorias, obrigação, receita, despesas etc.) deve ser aplicado este princípio, o
que significa que devem constar nas demonstrações financeiras pelos seus
valores aproximados, não devendo ser exagerados.

 Princípio da substância sobre a forma - “As operações devem ser contabilizadas


atendendo à sua substância e à realidade financeira e não apenas à sua forma
legal”.

 Princípio da Materialidade - “ As demonstrações financeiras devem evidenciar


todos os elementos que sejam relevantes e que possam afectar avaliações ou
decisões pelos utentes interessados.”

1.8 Funções Da Contabilidade


 Função Histórica: esta função permite visualizar a história numérica duma
empresa
 Função estatística: permite a visualização da situação da empresa e de seus
negócios através das representações quantitativas dos movimentos
contabilísticos.
 Função económica: permite conhecer e estudar a influência dos valores e
direitos sobre a situação da empresa e alocar recursos convenientes para que
sejam favoráveis.
 Função gestão: fornece dados que permitem a tomada de decisões sobre o
património.
 Função jurídica: demonstra justificando os direitos e obrigações que assistem ao
comerciante em relação ao seu património perante terceiros.
 Função fiscal: permite visualizar e conhecer os direitos do estado sobre os
resultados da empresa ou sobre diversas actividades que a mesma desenvolve.

1.9 A Contabilidade Em Moçambique e Sua Normalização


Hoje a Contabilidade em Moçambique regulada pelo Decreto nº70/2009 de 22 de
Dezembro que aprova o Sistema de Contabilidade para o Sector Empresarial em
Moçambique (SCE) baseado em Normas Internacionais de Relato Financeiro e introduz
ajustamentos no Plano Geral de Contabilidade (PGC) aprovado pelo Decreto nº36/2006
de 25 de Julho, que vinha vigorando desde 2006 até Dezembro de 2010 e
obrigatoriamente aplicável durante a sua vigência a toda as unidades económicas com a
excepção das que exerçam actividades nos ramos bancários ou de seguros,

O Sistema de Contabilidade para o Sector Empresarial em Moçambique(SCE) integra


dois planos contabilísticos, a saber: o Plano Geral de Contabilidade para Empresas de
Grande e Média Dimensão, também designado por PGC-NIRF3 e o Plano de
Contabilidade para as Pequenas abreviadamente designado por PGC-PE.
O PGC NIRF compreende entre outros conteúdos:
Quadro Conceptual,
 As Normas de Contabilidade e de Relato Financeiro
 Os Códigos de Contas
 Modelos de Demonstrações Financeiras
 Glossário de termos e expressões
 Tabela de correspondência com as NIRF,
Por seu turno o PGC-PE compreende fundamentalmente
 as Bases, conceitos e princípios contabilísticos
 A mensuração dos elementos das Demonstrações Financeiras

3 Normas Internacionais de Relato Financeiro


 O Quadro e Código de Contas
 Os Modelos de Demonstrações Financeiras e o Conteúdo e Movimentação de
Algumas Contas.
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MOCAMBIQUE

DISCIPLINA DE CONTABILIDADE BASICA


2. PATRIMÓNIO
2. 1 Definição de conceitos
Qualquer unidade económica para o seu funcionamento necessita de um património, ou
seja determinado conjunto de elementos sob sua gestão, podendo ser equipamentos,
dinheiro, edifício, transporte, mercadorias, mesas, computadores, entre outros. Entende-
se que o património de um comerciante é o conjunto de valores utilizados por esse
comerciante na sua actividade comercial. No entanto, os valores pertencentes a esse
comerciante mas não afectos àquela actividade não devem ser considerados património
comercial. Serão seu património, não na qualidade de comerciante mas sim como
pessoa jurídica, livre da actividade comercial.

Segundo Borges e at all(2000:25)4 o Património “o conjunto de valores sujeitos e


afectos a determinado fim””.
Por sua vez Perreira(1980:30) e Hugo(2002:16) entendem o património como sendo “o
conjunto de valores pertencentes a determinada unidade económica e administrado com
certo objectivo”.

Então podemos afirmar seguramente que o património é o conjunto bens, direitos e


obrigações susceptíveis de expressão pecuniária ou seja avaliados monetariamente,
pertencentes a determinada unidade económica e afectos a uma gestão com o fim de
obter determinados objectivos”.

Bens, tudo aquilo que é capaz de satisfazer as necessidades. Os bens podem ser
económicos ou livres. Diz-se económicos aqueles que possuem valor económico
incorporado e são susceptíveis de avaliação económica, e diz-se bens livres aos que
apesar de satisfazer necessidades, isto é possuir valor de uso, não são susceptíveis de
avaliação económica. ex. O ar que respiramos.
Os bens económicos são os que tem relevância para o nosso estudo, e eles dividem –se
em bens matérias e bens imateriais ou seja corpóreos e incorpóreos.

4
Citando o Professor Gonçalves da Silva - Contabiliadae Geral, volume 1
São bens materiais, os tangíveis, os objectos que a empresa tem para o uso, troca ou
consumo, ex. armários, mercadorias ou material de limpeza.
Bens imateriais são todos os intangíveis, correspondem a determinados gastos que pela
sua natureza fazem parte do património. Ex. O direito de uso de uma determinada
patente ou marca, com ou sem exclusividade.
Direitos
São direitos, todos os valores que a empresa tem de receber de terceiros.
Ex. Divida de um cliente
Dinheiro no banco (juros bancários),
Obrigações, refere a todos os valores que a empresa tem de pagar de terceiros.
Ex. uma divida a pagar a electricidade pelo consumo de energia, divida por aluguer ou
renda a pagar, salários a pagar aos trabalhadores.

2.2 Classificação Do Património


De acordo com o tipo da unidade económica que detém a posse de determinado
conjunto de bens, direitos e obrigações, o património pode ser individual, social e
nacional. Assim se a unidade económica for um indivíduo, o património será individual;
Se for uma sociedade o património será social e se for de uma nação, o património
designar-se-á de património Nacional
O Património Nacional compreende o património público e o património privado. O
património individual compreende os Patrimónios Comercial e Particular.

2.3 Características Dos Elementos Patrimoniais


Os elementos de uma determinada unidade económica formam um conjunto
heterogéneo, contudo existem algumas características que os tornam comuns,
designadamente:
 Susceptibilidade de expressão pecuniária
 Pertencer a mesma unidade económica
 Administrados com certos objectivos.
2.4 Composição e Valor Do Património
Quando nos referimos a composição do património estamos a falar da natureza dos
elementos patrimoniais e à sua extensão (valor) que constituem o património e da
proporção em que os mesmos se apresentam.
Empresas com diferentes objectivos ou de diferentes áreas de actividades não tem a
mesma composição patrimonial, embora possa haver um e outro elemento construtivo
com a mesma natureza.
Por exemplo, Numa empresa agrícola de produção de milho podemos encontrar pelo
menos os seguintes elementos: Dinheiro; dividas; charruas, fertilizantes, tractores, etc.
Já os mesmos elementos não os podemos encontrar numa unidade industrial como por
exemplo a Companhia Industrial da Matola, cujos elementos patrimoniais se constituem
de: Moageiras, Maquinas a vapor etc.
Mas podemos encontrar elementos que são comuns aos do primeiro conjunto, como:
Dividas, dinheiro, etc.
Segundo Borges e outros (2000:27)5 ,entende por valor do património “a quantia que
seria preciso dar para o obter, isto é, para receber em troca todo o activo ficando ao
mesmo tempo com o encargo de pagar todo o passivo”

Valor do Património
Sendo o activo um conjunto de valores positivos e o passivo um conjunto de valores
negativos, o valor do património corresponde à soma algébrica destas duas classes isto é
a soma algébrica de todos os valores Activos e Passivos. ‫״‬O valor do património
corresponde à diferença entre a quantia que representa a soma de todos os valores
activos e a que representa a soma de todos valores passivos"6.
Simbolizando o Activo por A e o Passivo por P, temos: Valor do património = A-P
A expressão numérica do valor do património designa-se por Situação Líquida, Capital
Próprio ou Património Líquido (SL) SL=A-P

2.5 Massas Patrimoniais


Massas Gerais
Os elementos patrimoniais podem ser reunidos em grupos que desempenham a mesma
função económica ou financeira, constituindo verdadeiras massas patrimoniais, a saber:
Activo, Passivo e Situação Líquida.
Nos elementos patrimoniais teremos de distinguir sempre dois grandes grupos
antagónicos, a designadamente:

5
Citando o Professor Gonçalves da Silva
6
Professor Gonçalves da Silva –Contabilidade Geral, Vol.1 citado por BORGES(2000:27)
O dos valores positivos, constituído pelos bens e direitos, correspondendo ao que se
possui e ao que se tem por receber, respectivamente. Este grupo é designado por
Activo7, e o grupo dos valores negativos, constituído pelas obrigações ou
responsabilidades a cumprir ou seja conjuntos de valores a pagar. Este grupo designa-se
Passivo8.

Tendo em nosso poder os valores patrimoniais activos e passivos discriminados,


facilmente podemos calcular o valor do património.

Massas Parciais Do Activo, Do Passivo e Da Situação Líquida


As massas gerais do activo, passivo e situação líquida ainda se podem dividir em
subgrupos formando massas parciais de acordo com a função específica que
desempenham na unidade económica.

Massas Parciais do Activo


Dispondo os elementos activos por ordem decrescente de liquibilidade, isto é, por
ordem decrescente de liquibilidade com que se podem obter os meios
monetários(dinheiro) temos:
MASSAS PARCIAIS DO ACTIVO
MASSAS PARCIAIS ELEMENTOS
Disponibilidade Dinheiro no cofre e no banco
Créditos a curto prazo Dividas a receber num prazo até 1 ano, acréscimos e
diferimentos
Créditos a médio e longos prazos Dividas a receber no prazo superior a 1 ano
Inventários e Activos Biológicos Mercadorias, matérias-primas, activos biológicos e
(Existenciais) embalagens comerciais
Imobilizações (financeiras e não Investimentos financeiros e não ronceiros
financeiras)

Massas Parciais do Passivo


Ordenando os elementos passivos por ordem crescente de prazos de exigibilidade temos
MASSA PARCIAIS DO PASSIVO
MASSAS PARCIAIS ELEMENTOS

7 “Activo é todo recurso controlado pela entidade como resultado de acontecimentos passados do qual se
espera que fluam benefícios económicos futuros para a empresa”. Vide PGC –NIRF e DA COSTA ,
Carlos Baptista e Gabriel Correia Alves(2008), Contabilidade Financeira,Editora Rei dos Rei, 7ªediçao,
2008, Pag.142
8
“Passivo é uma obrigação presente com a origem em acontecimentos passados , cuja liquidação se
espera que resulte para a entidade num fluxo de saída de recursos que incorporam benefícios
económicos”. Vide , Fremework, PGC –NIRF e DA COSTA , Carlos Baptista e Gabriel Correia
Alves(2008), Contabilidade Financeira,Editora Rei dos Rei, 7ªediçao, 2008, Pag.145
Débitos a curto prazo Dívidas a pagar no prazo de 1 ano
Débitos a médio e longo prazos Dívidas a pagar em prazos superior de 1
ano

Massas parciais da Situação Líquida


A situação líquida pode apresentar-se desdobrada em várias parcelas. Como já sabemos,
a situação líquida é constituída pela soma algébrica de duas parcelas:
 O valor que o(s) proprietário(s) alocou(ram) na unidade económica inicialmente
ao exercício da respectiva actividade ou seja o seu capital inicial. Esta parcela é
determinada pela diferença entre o activo e o passivo iniciais. e poder-se-á
designar por situação líquida inicial: SLi = Ai - Pi
 O valor correspondente a soma algébrica dos resultados (lucros e prejuízos) que
obtidos desde o inicio até ao momento considerado não foram retirados ou
distribuídos até a data. Esta parcela determinada pela diferença entre a situação
no momento considerado, ou seja, a situação líquida final e a situação líquida
inicial, poder-se-á designar por situação líquida adquirida. SLa = SLf- Sli

Ora, atendendo ao princípio de especialização de exercício (critério temporal) também a


situação líquida adquirida será constituída por duas parcelas distintas:
Situação liquida adquirida em exercícios anteriores e não distribuída, ou seja retida na
unidade económica a qual se poderá designar por situação líquida retida. SLr

A situação líquida adquirida no próprio exercício em curso ou ora terminado cuja


aplicação não poderia ter sido ou ainda não foi decidida.
Sla=SLr + Sli
Concluindo teríamos a situação líquida final igual ao somatório das situações líquidas
inicial, retida e em exercício.
SLf = SLi +SLr + SLe
SLf – Situação líquida final
SLi – Situação Líquida inicial
SLr – Situação líquida retida
Sle – Situação líquida em exercício

Dispondo os elementos abstractos da situação líquida pela ordem da sua formação


histórica, teremos as seguintes massas parciais:
Situação Líquida
Massas parciais Elementos patrimoniais
Inicial Valor inicial do património
Retida Resultados anteriores não distribuídos
Adquirida no próprio exercício Resultado do próprio exercício

Conclusões:
 { Bens, direitos, obrigações } = conjunto dos elementos patrimoniais da empresa
 { Bens, direitos, obrigações } = Conjunto das massas patrimoniais gerais
 {Disponibilidades, créditos a curto prazo, existências, créditos a médio e longo prazos }
= Massas parciais do activo
 { Débitos a curto prazo e Débitos a médio e longo prazos } = conjunto das massas
parciais do passivo
 { Situação liquida inicial, Situação líquida retida, situação líquida em exercício e
Situação líquida final } = conjunto das massas parciais da situação líquida

As Massas Dos Elementos Patrimoniais À Luz Do Sistema Contabilidade Para O


Sector Empresarial Em Moçambique
As noções de massas gerais e de massas parciais já estudadas são extremamente
importantes e úteis para compreender a terminologia utilizada no Plano Geral de
Contabilidade aprovado pelo Decreto nº70/2009 de 22 de Dezembro que aprova o
Sistema de contabilidade para o sector empresarial em Moçambique - SCE. Convém
desde já familiarizarmos com as definições usadas no domínio da contabilidade. Assim,
no que respeita ao activo temos os seguintes grandes subgrupos:
Activo:
 Meios financeiros
 Inventários e Activos Biológicos
 Investimento de Capital
 Contas a Receber
Passivo: Contas a Pagar
Situação Liquida: Capital Próprio ou Valor do património

2.6 Equação Fundamental De Contabilidade


Agora que já sabemos classificar o activo, passivo e fundos próprios, vejamos a equação
fundamental da contabilidade que é a seguinte: A = P +SL
Vamos desenvolver esta equação considerando as seguintes situações:
Se A > P ; A= P+Sla SLa - Situação liquida activa
Se A = P ; A= P SLa - Situação liquida nula
Se A < P; A= P+SLp SLa - Situação liquida passiva

Equação Geral da Contabilidade


A +SLp = P +Sla
Embora simples essa equação é fundamental para se aprender a contabilidade. Na
realidade, ela diz respeito aos reflexos que as transacções ocorridas provocam na
situação económica financeira da empresa.
Se uma empresa compra uma máquina a prazo, essa transacção tem reflexos em duas
componentes básicas em contabilidade:
A posse da máquina que é um activo, vem aumentar o valor total do activo da empresa
mas ao mesmo tempo, a compra que foi a prazo a empresa representa uma divida
contraída (a obrigação de pagar a máquina), o que vem aumentar o total do passivo.

2.7 Factos Patrimoniais


A actividade corrente desenvolvida pelas empresas podem origina variações
patrimoniais, que podem ser motivadas por duas espécies de acontecimentos, podendo
ser normais e ou voluntários e acontecimentos extraordinários ou involuntários.

São acontecimentos normais ou voluntários aqueles que resultam das operações


realizadas voluntariamente pela empresa, tais como: compras, vendas, pagamentos,
recebimentos, empréstimos, etc.
São acontecimentos extraordinários ou involuntários os independentes às vontades da
empresa, designadamente: roubos, incêndios, entre outros.

Tanto umas como outras constituem factos patrimoniais. Deste modo podemos aferir
que os factos patrimoniais estão associados a tudo aquilo que implica variações no
património.
O trabalho da contabilidade consiste na observação, classificação, registo e controlo
destes factos patrimoniais.

Classificação
Os factos patrimoniais classificam-se em: Factos Permutativos ou qualitativos e factos
Modificativos ou quantitativos.
Um facto diz-se permutativo quando provoca alterações na composição do património,
mas não no seu valor, e é modificativo quando implica além da variação patrimonial
uma alteração no seu valor.
Os primeiros são os mais frequentes podendo se apresentar, por exemplo como: compra
de mercadorias, pagamento de uma dívida, aquisição de um edifício, saque sobre um
cliente.

Os segundos implicam uma alteração na situação líquida, estarão neste caso todas as
operações que originam um lucro ou um prejuízo para a empresa. Ex. Venda de
mercadorias com lucro. Venda de um bem por um preço superior ou inferior ao
representado no património.

Esquematizando
Factos patrimoniais
Permutativos Modificativos
Alterações no património Só a composição Composição e valor

Quadro resumo da classificação dos factos patrimoniais


Permutação no activo
Permutativo ou
Permutação no passivo
compensativo
Aumento do activo e passivo
ou qualitativo
Diminuição do activo e passivo
Aumento do passivo
Diminuitivo
Factos Modificativo Diminuição do activo
patrimoniais ou Quantitativo Aumento do passivo
Aumentativo
Diminuição do activo
Diminutivo
Permutação no activo
Mistos ou Aumentativo
compostos Diminutivo
Permutação no passivo
Aumentativo

2.8 Estrutura Económica E Financeira


O Activo constituído por Bens e direitos representa a estrutura económica da unidade
económica, ou seja, a aplicação dos recursos financeiros (ou dos fundos) para atingir os
objectivos a que se propõe.
O Passivo e a situação Líquida representam a estrutura financeira da unidade, isto é, a
origem dos recursos financeiros (ou dos fundos). Quanto à origem devemos considerar
os Fundos próprios situação liquida) e os Fundos alheios (credores – passivo).
INSTITUTO SUPERIOR DE CONTABILIDADE E AUDITORIA DE
MOCAMBIQUE

3. CONTA
3.1 Noção
O património de uma empresa é constituído por uma grande e complexo número de
elementos de natureza diferente. Contudo esses elementos podem ser mensuráveis, ou
seja, expressos numa unidade de valor comum. O que quer dizer que os diferentes
elementos (matérias, ou objectos), possibilitando a sua comensurabilidade ou seja, a
comparação entre si. Um televisor e um livro apresentam-se com características
diferentes mas graças a sua quantificação podem facilmente ser comparáveis.

Segundo Borges at all (2000), consoante a natureza ou função que desempenham na


empresa, os valores patrimoniais podem se agrupar em classes com características
comuns.

Hugo(2003) afirma que os elementos das massas patrimoniais podem ser agrupadas em
diversos subconjuntos com determinadas características comuns e específicas, de acordo
com a sua natureza e/ou a função que desempenham na empresa.

Segundo Pereira (1978), “um conjunto de elementos patrimoniais com determinadas


características comuns e específicas”.
Exemplo:
 Dívidas a receber originadas pela venda a prazo de existências9;
 Dívidas a pagar originadas pela compra a prazo de existências.

3.2. Elementos Constituintes Da Conta


Numa conta há que considerar como partes constitutivas
 Titulo (denominação própria) e
 Valor ( extensão) .
Título: é a expressão( palavra) por que se designa a conta. Deve ser escolhido de tal
forma que revele imediatamente a natureza dos elementos que a compõem. Tem como

9 Existências – bens que se destinam à venda ou consumo, sem ou com qualquer transformação de natureza
industrial.
finalidade identificar a conta e distingui-la de todas as outras, pelo que será fixo e
imutável.
O título é o nome da conta inclui além da palavra nominativa um código composto por
conjunto de números ou dígitos que a identificam.
 Exemplo: uma empresa vocacionada a venda de equipamento informático e
acessórios possui Computadores portáteis e de mesa, impressoras, scanner,
monitores teclados, flashes como bens destinados a venda, portanto mercadorias.
Assim este grupo de bens destinados a venda chamaremos de mercadorias e a
conta será 2.2 Mercadorias.

Extensão – é o valor de uma conta (expresso em unidades monetárias). Podemos assim,


dizer que é o valor total, em dinheiro, dos elementos que compõem uma determinada
conta.
Exemplo
:Mercadorias.........................................................................................20.000,00Mt

O valor de uma conta é essencialmente variável, pois a sua extensão inicial aumenta ou
diminui em função das operações dos factos patrimoniais.

3.3 Requisitos Da Conta


A conta constitui a base de toda escrituração contabilística, dado que é a parte dela que
se desenvolve todo trabalho contabilístico. Como tal, para que o trabalho se processe
com fundamento e regularidade, ela deve obedecer a requisitos próprios, que são
essencialmente:
 A Homogeneidade - Na conta, devem ser integrados apenas elementos com
características comuns e específicas; por exemplo a divida de um cliente á
empresa, nunca poderá ser registada numa conta que não indique uma divida de
um cliente a receber, ou seja, a conta em que aquela for registada deve incluir
apenas os elementos que possuam a mesma característica: valor que a empresa
tem direito a receber.

 A Integralidade - Todos os elementos que reúnem uma determinada


característica específica devem ser agrupadas na conta, por exemplo a conta
mercadorias, deverá incluir todos os tipos de mercadorias transaccionadas pela
empresa assim como as suas variações.

Em suma, a conta deve ser "homogénea " e "integral" dado que só poderá admitir
movimentos ligados com a respectiva classe de valores, não excluído qualquer deles.

3.4 Classificação Das Contas


Quanto a natureza
Contas singulares ou elementares – são aquelas que não se decompõem noutras contas,
isto é, não se encontram subdivididas noutras contas.
Exemplo: Conta 1.1 Caixa
Contas colectivas ou contas mãe – são aquelas que pela reunião de várias subcontas da
mesma natureza mas de menor grau, se encontram subdivididas noutras contas
designadas contas divisionárias ou subcontas, ou ainda contas filhas.

1.2.1 Depósitos à ordem;


Exemplo: Conta 1.2 Banco 1.2.2 Depósitos com pré-aviso;
1.2.3 Depósitos a prazo.

Contas divisionárias ou subcontas – são aquelas que resultam da decomposição das


contas colectivas, ou seja, aquelas que nascem das contas colectivas e são denominadas
contas filhas.
Ex: Contas 1.2.1 Depósitos à ordem; 1.2.2 Depósitos com pré-aviso; 1.2.3 Depósitos a
prazo.

Contas Subsidiárias – são do mesmo grau que a conta principal, onde são registados os
factos patrimoniais durante o período e no final, os saldos são transferidos para as
respectivas contas principais.
Segundo Perreira (1980:107), contas subsidiárias são todas aquelas contas cuja extensão
se transfere periodicamente para outra conta, dita principal.

Exemplos: As contas das Classes 6 Gastos e Perdas e 7 Rendimentos e Ganhos são


subsidiarias das contas de Resultados pois transferem os seus saldos no final do período
para as contas principais da Classe 8 Resultados, para se apurarem resultados do
exercício.

Quanto ao grau
 Contas do 1º grau – são contas de maior generalidade (singulares e colectivas) e
no geral, apresentam dois dígitos.
Exemplos: Conta 1.1 Caixa; Conta 1.2 Banco; 4.4 Estado
 Contas do 2º grau – são decomposições das contas do 1º grau e usualmente,
apresentam três dígitos.
Exemplos: Conta 1.2.1 Depósitos à ordem; 4.4.1 Imposto Sobre o Rendimento

 Contas do 3º grau – são decomposições das contas do 2º grau e comummente


apresentam quatro dígitos.
Exemplo: Conta 4.4.1.1 Estimativa do Imposto;

3.5 Representação gráfica da conta

Geralmente a conta é representada por meio de um dispositivo que tem a forma de um


“T”. Sobre o traço horizontal indica-se o título da conta podendo-se distinguir-se um
lado esquerdo e um lado direito.

Em esquema, temos:

Deve – D Título da conta C – Haver


Secção do débito ou deve Secção do crédito ou haver
Saldo credor (Sc) Saldo devedor (Sd)

O lado esquerdo é designado de Débito ou Deve e o lado direito de Crédito ou Haver 10.
Os valores registados no débito denominam-se débitos e os registados no crédito
denominam-se créditos. Assim,

10Os termos Debito ou Deve e Crédito ou Haver provem de um processo onomatológico ligado à historia
da contabilidade, na fase em que as contas representavam exclusivamente as pessoas dos devedores e dos
credores. Sendo que as variaçoes aumentativas de uma pessoa devedora , constituiam o seu dédito(
aumentando o débito de um devedor, ele deve mais) e as diminutivas o seu crédito, tal como as variaçoes
aumentativas da conta de uma pessoa credora(aumentando o crédito de um credor, ele tem haver mais e
as diminutivas constituem o seu débito. Borges at all(2000:48)
 Debitar uma conta – é inscrever qualquer importância na secção ou no lado do
débito ou do DEVE.
 Creditar uma conta - é inscrever qualquer importância na secção do crédito ou
HAVER.
 Saldo de uma conta – é a diferença entre o débito e o crédito da mesma, podendo
ser devedor, credor ou nulo.

Os saldos das contas podem adoptar 3 (três) características diferentes, a saber:


 Saldo devedor – quando o débito é maior em relação ao crédito (D>C)
 Saldo credor – quando o crédito é maior em relação ao débito (D<C)
 Saldo nulo – quando o débito é igual ao crédito (D=C)

D 1.2 Bancos C D 1.2 Bancos C D 1.2 Bancos


C
15.000,00 8.000,00 10.000,00 15.000,00 10.000,00
10.000,00
Sd= 7.000,00 Sc=5.000,00
Saldo devedor Saldo credor Saldo nulo

O saldo da conta corresponde à sua extensão, ou valor num determinado momento


 Fechar ou balancear uma conta – é o acto contabilístico que consiste em
evidenciar (destacar ou determinar) o saldo dessa conta na coluna de menor
valor.
Uma conta fechada apresenta: o seu saldo, os valores totais de crédito e de débito (que
devem ser iguais) sublinhados por duas linhas.

Exemplo
D 1.2 Bancos C D 4.2 Fornecedores D 1.2 Bancos
C
25.000,00 18.000,00 10.000,00 15.000,00 15.000,00
15.000,00
Sd= 7.000,00 Sc=5.000,00 15.000,00
15.000,00
15.000,00 15.000,00 15.000,00 15.000,00

 Reabrir uma conta – consiste em inscrever a importância do saldo na coluna ou


secção dos débitos (se o saldo da conta fechada for devedor) ou na coluna dos
créditos (se o saldo da conta fechada for credor).
Para tal, deve-se antepor ao valor da conta, o sinal Si que significa Saldo inicial com
que a conta iniciou as actividades de respectivo período.
Exemplo:
D 1.2 Bancos C D 4.2 Fornecedores C
Si) 7.000,00 Si) 5.000,00

3.6 Regras De Movimentação Das Contas


A movimentação das contas segue o Principio das partidas dobradas. segundo este
princípio, “Todo débito de uma conta origina o crédito noutra ou noutras contas e vice-
versa, isto é cada facto patrimonial determina um registo de duas ou mais contas, de
modo que ao valor de cada débito(ou débitos) corresponda sempre um crédito (ou
créditos) de igual valor”11.

Este princípio desenrola-se, em termos práticos, sobre as diferentes contas, regulando


assim o comportamento geral da dinâmica patrimonial.
Em termos gerais, as regras de movimentação de contas são vistas em grupo de classes,
o que significa que todas as contas de uma determinada classe tendem a ter o mesmo
comportamento quando movimentadas:
 As contas do Activo (classe I, II e III e IV12) debitam-se pelo valor ou extensão
inicial e pelos aumentos e, creditam-se pelas diminuições
 As contas do Passivo (classe IV13) creditam-se pelo valor inicial e pelos
aumentos e, debitam-se pelas diminuições.
 As contas de Capital próprio (classe V) creditam-se pelo valor inicial e pelos
aumentos e, debitam-se pelas diminuições – movimentam-se como as contas do
Passivo.
 As contas de Gastos e Perdas (classe VI) debitam-se pelo valor inicial e pelos
aumentos e, creditam-se pelas diminuições – movimentam-se como as contas do
Activo.

11 Vide Borges obra citada pag.59.


12
excluindo as contas a pagar, nos termos do PGC NIRF.
13
Excluindo as contas a receber, àluz do PGC-NIRF.
 As contas de Rendimentos e Ganhos (classe VII) creditam-se pelo valor inicial e
pelos aumentos e, debitam-se pelas diminuições – movimentam-se como as
contas do Passivo.
 As contas de Resultado (classe VIII) debitam-se pelos Gastos e perdas e
creditam-se pelos Rendimentos e ganhos..

Esquematicamente teríamos:
D Classes I, II, III, IV e VI C D Classes IV, V e VII C D
Classe VIII C
valor inicial Diminuições Diminuições valor inicial Gastos e
Perdas Rendimentos e Ganhos
aumentos aumentos Prejuízos Lucros

3.7 Variações das contas


Qualquer facto patrimonial implica sempre a variação de duas ou mais contas,
originando uma íntima conexão das contas. Daí que, pode se dizer que:
A variação de uma conta é sempre equilibrada pela variação de uma ou de outras contas,
ou por outras, qualquer débito ou crédito de uma conta, corresponde a um crédito ou
débito de uma outra, de igual valor.
Esse fenómeno designa-se de Princípio de partidas dobradas ou duplas. Segundo este
princípio, "todo o facto patrimonial implica variações em duas contas, variações de
igual valor, mas de efeito contrário".

As variações da conta podem ser: Simples e Complexas.


Diz-se Simples, quando variam apenas duas contas.
Exemplos: Quando compramos um veiculo a prazo, no valor de 15.000,00MT
A conta 2.1 Compras - aumenta a sua extensão em mais 15.000,00MT
A conta 4.2 Fornecedores - aumenta a sua extensão em 15.000,00MT
Total de Débito = Total de Crédito

São complexas quando variam mais de duas contas.


Exemplos: Quando compramos mercadorias a pronto pagamento no valor de
10.000,00MT com 5% de desconto.
A conta 2.1 Compras - aumenta sua extensão em 10.000,00MT (Debita)
A conta 1.1 Caixa - reduz a sua extensão em 9.500,00MT (Credita)
A conta 7.8.5. Descontos de pronto pagamento obtidos – aumenta sua extensão em
500,00MT (Credita)
Total de débitos = Total de Créditos

Nas variações das contas, os factos patrimoniais qualitativos ou permutativo, implicam


variações em contas do Activo e/ou do Passivo, enquanto que os factos patrimoniais
quantitativos ou modificativos, implicam variações em contas do Activo e/ou do
Passivo bem como nas contas da Situação Líquida, pois alteram o valor do património.

Registo das variações das Contas


As contas estão sujeitas a movimentos e transformações e, essas variações podem ser
positivas (sinal +) e negativas (sinal -).