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A Escrita: Surgimento e Evolução

O desafio do educador é organizar as atividades de sala de aula a partir dos


estudos e pesquisas atuais na área da linguagem, possibilitando uma
aprendizagem da língua oral e escrita de acordo com as características da
época que está vivendo (FERNANDES, 2008).

Há conhecimento de que o homem passou a fazer os seus registros há


milhares de anos e que foi na antiga Mesopotâmia, localizada no Oriente Médio
e considerada o berço das civilizações.

O sistema de escrita mais antigo de que se tem registro foi criado na Suméria,
aproximadamente 4.000 anos a.C., em que foram encontradas peças feitas de
argila com sinais que são chamados de pictográficos, ou seja, sinais que são
baseados em desenhos que representam coisas reais.

Não foram apenas os sumérios que desenvolveram um sistema de escrita; os


egípcios, bem próximos à época dos sumérios, também criaram seu sistema,
conhecido como hieróglifo.

Meios de escritas sendo desenvolvidos de acordo com a necessidade do povo


em se comunicar

Sistemas de escrita:

Sistema logogrífico – È um sistema que representa uma palavra ex $;@

Sistema ideográfico – É um sistema que representa ideia ex placa de transito

Sistema silábico- representado na combinação de sons de consoantes e


vogais, que formam uma sílaba.

Sistema alfabético – É um sistema que conhecemos e utilizamos no Brasil.


Nesse sistema, cada letra corresponde a um som individual.

Sistema Braile- utilizado por deficientes visuais, no qual a leitura é feita por
pontos em relevo, que representam as letras;

A Língua Portuguesa

A Língua Portuguesa originou-se do Latim, mas, como toda Língua, sofreu


influência dos povos e foi modificando-se em cada região em que era imposta.
Alfabetização e Letramento
Métodos de alfabetização

Antiguidade e se prolonga até a Idade Média- soletração

séculos XVI e XVIII até a década de 1960- Sintético e analítico

1980- Psicogênese da língua escrita

Atualmente - reinvenção da Alfabetização

Outro ponto importante revelado pelo INAF são os níveis de alfabetismo, que
são divididos em quatro:

1. Analfabetos: não são capazes de realizar nem mesmo tarefas simples em


relação à leitura;

2. Alfabetizados rudimentares: conseguem identificar pequenas informações


em textos curtos e também leem e escrevem números que utilizam no
cotidiano;

3. Alfabetizados básicos: têm capacidade de leitura e compreendem textos


de média extensão, leem números e resolvem operações simples e têm noção
de proporcionalidade;

4. Alfabetizados plenos: conseguem ler textos longos, analisam, interpretam,


relacionam, fazem inferências e diferenciam fato de opinião. Resolvem
problemas com porcentagem, proporções e cálculos; também conseguem
interpretar tabelas, mapas e gráficos.

O significado para o “Letramento”, ou seja, é “o resultado da ação de aprender


a ler e a escrever.”

Alfabetização e o Letramento não são temas que irão ser estudados e


utilizados separadamente. Eles precisam “caminhar” juntos, mas a
compreensão dos conceitos de cada termo precisa estar claro.
Métodos de Alfabetização

Os métodos podem ser divididos em sintéticos e analíticos:

Os métodos sintéticos são definidos por iniciarem o ensino pelos elementos


menores, por exemplo, a letra, o fonema ou a sílaba. Assim, partem da unidade
mínima para chegar ao todo. SÂO: Alfabetico/fônico/sibalico

Já os métodos analíticos iniciam das partes maiores para as menores, ou


seja, da palavra ou texto, e depois passam para as sílabas e letras.SÃO:
Apalavriação/global/sentenciação

Na Alfabetização, o método que utilizamos é muito importante para auxiliar em


todo o processo, mas não podemos ficar “presos” aos métodos e esquecer-se
de outros pontos significativos para o desenvolvimento da aprendizagem do
aluno. Esses outros pontos, que são fundamentais para o progresso do
educando são:

· Reconhecer e utilizar os conhecimentos prévios do aluno;

· Observar e acompanhar a aprendizagem do aluno;

· Observar e identificar o progresso do aluno;

· Proporcionar atividades que abordam situações comunicativas;

· Incentivar e aplicar a leitura em sala de aula;

· Proporcionar os variados gêneros textuais para o aluno.

A “Sondagem” da escrita é exatamente uma maneira de observar e investigar


sobre a escrita da criança, permitindo ao professor atuar no processo de ensino
e aprendizagem de forma eficaz, ou seja, mediando, de acordo com as
dificuldades da criança.

O educando, por sua vez, precisa compreender esses dois pontos por meio
das hipóteses linguísticas, que são os estudos feitos por Emília Ferreiro e Ana
Teberosky, que nos auxiliam no entendimento em relação sobre como a
criança compreende a escrita.

As hipóteses podem ser definidas em quatro níveis ou fases:


· Pré-silábico; (a ausência de relação entre a escrita e os sons da fala/
misturar letras ou as chamadas pseudoletras, os rabiscos/não consegue
diferenciar numero e letra)

· Silábico; (já consegue estabelecer as relações entre o som e as letras/O


silábico pode ser dividido em: silábico com valor e silábico sem valor. Silábico
sem valor tende a estabelecer correspondência sistemática entre a quantidade
de letras utilizadas e a quantidade de sílabas que se deseja escrever, sem o
valor sonoro correspondente. No silábico com valor, as letras utilizadas
pertencem realmente, em todas as ocasiões, à sílaba que se tenta representar.

· Silábico-alfabético; a criança utiliza dois níveis, o silábico e o alfabético, ao


mesmo tempo. Esse momento é o que chamamos de transição. Nesse nível, a
criança começa a acrescentar letras em algumas sílabas, como, por exemplo,
ditar a palavra CAVALO; a criança poderá escrever da seguinte maneira:
CAViO ou também KVALO. A escrita irá variar porque dependerá do
conhecimento linguístico de cada criança.

· Alfabético. Nessa fase, ela já consegue ler e representa graficamente as


palavras e pequenas frases.

Nesse nível, as escritas são construídas com base em uma correspondência


entre fonemas (sons) e grafemas (letras).

A leitura no processo de alfabetização e letramento

A construção da linguagem oral da criança está vinculada ao contato com as


falas dos adultos. Nesse processo, as crianças fazem uso de tentativas,
brincadeiras e interações que realizam com os adultos e, dessa maneira, aos
poucos, vão construindo sua linguagem oral de forma gradativa.

Agora, qual a importância da leitura?

A leitura é essencial para o bom desenvolvimento da aprendizagem da escrita.


Ela enriquece, fortalece a compreensão e o entendimento dos códigos
linguísticos.

A leitura é um processo complexo, em que o leitor precisa realizar um trabalho


ativo no ato de ler porque irá construir o significado do texto. Essa construção
se dá pelo que o leitor está buscando em relação ao texto; também se leva em
consideração o conhecimento prévio sobre o assunto que é tratado no texto; as
informações sobre o autor colaboram na construção dos sentidos que o leitor
busca e a própria linguagem trazida pelo texto que será lido.

Na realidade, não existe idade ideal para o aprendizado da leitura. O que leva a
criança a ler é a participação nas atividades de leitura e escrita, e também é
importante fazer com ela tenha acesso a vários materiais impressos, como:
revistas, livros, jornais, gibis, embalagens etc.

E o que são hipóteses de leitura?

As hipóteses de leitura são as concepções ou ideias que as crianças têm


referentes ao que está escrito e do que se pode ler, é o que consideramos
natureza conceitual. Portanto, a criança irá se desenvolver ou irá fazer suas
hipóteses de leitura a partir daquilo que for apresentado para ela

O que são estratégias de leitura?

São os recursos utilizados tanto por leitores iniciantes quanto por leitores
fluentes para compreender o texto, ou seja, dar sentido ao que está sendo lido.

os quatro estratégias:

antecipação, seleção, inferência e verificação e segundo Maria Fernandes


(2008), as estratégias de leitura podem ser definidas como:

- antecipação: hipóteses que tornam possível prever o que ainda está por vir
com base nas informações explícitas e suposições (...);

- seleção: ações que permitem que o leitor se atenha apenas ao que é útil para
a compreensão, desprezando itens irrelevantes (...);

- inferência: permite captar o que não está dito no texto de forma explícita. É o
complemento que o leitor fornece ao texto a partir de seus conhecimentos
prévios (...);

- verificação: torna possível confirmar ou não as expectativas levantadas,


controlando a eficácia das demais estratégias. Essa checagem é inerente à
leitura e leva o leitor a repensar as hipóteses levantadas, retomar partes
anteriores e fazer as devidas correções (FERNANDES, 2008, p. 65-6).

O professor tem por obrigação proporcionar essas variadas condições de


ensino e aprendizagem para seu aluno, possibilitando-o desenvolver suas
capacidades e habilidades, tanto de leitura como de escrita

A escrita no processo de alfabetização

Não podemos deixar de pensar que a escrita é um dos objetivos mais


importantes da Alfabetização, juntamente, é claro com a leitura, e não podemos
desvincular uma da outra. Segundo Cagliari, a escrita tem como objetivo
principal permitir a leitura. E a leitura nada mais é do que a interpretação da
escrita, ou seja, consiste na tradução dos símbolos escritos na fala.

O primeiro é que muitas crianças não terão esse conhecimento, ou melhor, só


terão esse contato com os materiais impressos por meio do que é dado para
elas na Escola. E o segundo ponto, é mostrar para o aluno e fazer com que ele
possa descobrir “o aspecto funcional da comunicação escrita”, fazendo com
que ele tenha curiosidade, levando-o a refletir sobre a escrita e, assim, ele irá
aprender sobre o significado da escrita.

Pré-silábico

A criança, nessa fase, registra as chamadas garatujas, desenhos que não têm
uma definição tão clara. Aos poucos, ela passa a fazer desenhos com traços
mais definidos, mas não fáceis de decifrar. No nível pré-silábico, temos a
ausência de relação entre a escrita e os sons da fala.
Silábico

Nesse nível, a criança já consegue estabelecer as relações entre o som e as


letras; então, quer representar cada letra por um símbolo e vai utilizar também
letras, pseudoletras e números.
Silábico-alfabético

Transição. Nesse nível, a criança começa a acrescentar letras em algumas sílabas

Alfabético

É o nível no qual se pode dizer que a criança já está compreendendo o sistema


linguístico e como ele se organiza. Nessa fase, ela já consegue ler e
representar graficamente palavras e pequenas frases.

Inicia-se com o contato com a leitura, com a interpretação e com a escrita


espontânea dos alunos, preocupando-se em proporcionar para eles situações
reais de comunicação.

O professor tem o papel de transmitir, mediar, orientar e fazer as intervenções


necessárias no processo de aprendizagem, mas será o aluno que irá receber
as diversas informações e transformá-las em conhecimento.
Exemplo de atividades

Carta enigmática a criança terá contato com as imagens e também com a


escrita. Isso facilita para a criança as relações que fará para o entendimento do
texto.

Outro tipo de atividade que pode ser feita com crianças que ainda não sabem
escrever é contar histórias. Assim, pode-se pedir para as crianças contarem
as histórias e o professor faz a transcrição. Além de fazer os registros, pode-se
armazenar as histórias para que as crianças possam observar e fazer as
relações entre elas e, principalmente, relacionar o texto oral com o escrito.

A escrita espontânea é essencial e não deve ser deixada de lado nessa fase de
desenvolvimento da aprendizagem da escrita da criança, que precisa ser algo prazeroso, ou
seja, a brincadeira precisa fazer parte do processo. D

E o que é um ambiente alfabetizador?

ler quanto a escrever. Fazer com que a sala de aula se torne um ambiente alfabetizador
dependerá muito do professor porque sem dúvida ele precisa de muita dedicação, criatividade
e inovação na construção desse ambiente. Algo importante é que os materiais estejam sempre
ao alcance das crianças. O educador tem um papel fundamental de tornar suas aulas
desafiadoras e interessantes
A alfabetização e jovens e adultos

no ano de 1967, surge o MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização). O


objetivo do MOBRAL era mais funcional, os adultos adquiriam tecnicamente os
processos de leitura, escrita e cálculo. Já nos anos 1970, a Educação de
Jovens e Adultos foi instaurada como Ensino Supletivo e assim passou a fazer
parte da Legislação brasileira.

Mas é em 1988 que a Educação de Jovens e Adultos passa a ter o direito


garantido à educação básica e a ser gratuita. Mais tarde, temos, com a LDB
9394/96, a mudança da nomenclatura, que passa de Ensino Supletivo para
EJA e com o Parecer CEB/CNE 11/2000 que se baseou na Resolução do CNE
de Diretrizes Curriculares.

A grande parte dos alunos da EJA são homens e mulheres trabalhadoras,


pobres, desempregados, moradores de periferias, normalmente pessoas com
condições sociais e culturais precárias em relação a outras pessoas da
Sociedade.

O método que Paulo Freire propunha é exatamente utilizar palavras que fazem
parte do vocabulário dos alunos, as chamadas Palavras Geradoras. Elas
precisam ter um significado, um sentido na vida dos educandos, ou seja, o
aluno faz uso delas no meio em que vive.

Outro ponto importante que Freire abordava em seu método era a valorização
da cultura do aluno. É o que ele chamou de Temas Geradores, em que o
educador e o educando trocam experiências, aprendem juntos com o
conhecimento um do outro. Isso faz com que as aulas sejam mais dinâmicas,
envolventes e despertam o interesse dos alunos

Como é o Método Paulo Freire?

O método tem três etapas ou momentos e cinco fases de aplicação

1ª Etapa: Investigação Temática: nessa etapa, o professor, com os alunos,


busca o seu universo vocabular e também a comunidade onde vivem;

2ª Etapa: Tematização: nesse momento, procuram-se os temas geradores e


as palavras geradoras e se faz uma seleção;
3ª Etapa: Problematização: nessa etapa, é papel do professor desafiar o aluno
a superar sua visão, que primeiramente é ingênua, e fazer com que ele passe a
ter uma visão crítica, ou seja, tenha uma postura consciente

Depois que é feita a investigação de conhecimento do que o aluno traz em sua


“bagagem”, é importante lembrar que a seleção das palavras geradoras deve
seguir alguns critérios:

a) Elas devem necessariamente estar inseridas no contexto social dos


educandos.

b) Elas devem ter um teor pragmático, ou melhor, as palavras devem abrigar


uma pluralidade de engajamento numa dada realidade social, cultural, política
etc...

c) Elas devem ser selecionadas de maneira que sua sequência englobe todos
os fonemas da língua, para que com seu estudo sejam trabalhadas todas as
dificuldades fonéticas.

A aplicação é proposta em cinco fases:

1ª Fase: levantamento do universo vocabular dos grupos com quem se


trabalhará. Essa fase se constitui num importante momento de pesquisa e
conhecimento do grupo, aproximando educador e educando numa seleção
mais informal e, portanto mais carregada de sentimentos e emoções. É
igualmente importante para o contato mais aproximado com a linguagem, com
os falares típicos do povo.

2ª Fase: escolha das palavras selecionadas do universo vocabular


pesquisado. Como já afirmamos anteriormente, esta escolha deverá ser feita
sob os critérios: a) da riqueza fonética; b) das dificuldades; c) do teor
pragmático da palavra, ou seja, na pluralidade de engajamento da palavra
numa dada realidade social, cultural, política etc...

3ª Fase: criação de situações existenciais típicas do grupo com quem se vai


trabalhar. São situações desafiadoras, codificadas e carregadas de elementos
que serão descodificados pelo grupo com a mediação do educador. São
situações locais que discutidas abrem perspectivas para análise de problemas
regionais e nacionais.

4ª Fase: elaboração de fichas-roteiro que auxiliem os coordenadores de debate


no seu trabalho. São fichas que deverão servir como subsídios, mas sem uma
prescrição rígida a seguir.

5ª Fase: elaboração de fichas com a decomposição das famílias fonéticas


correspondentes aos vocábulos geradores. Esse material poderá ser
confeccionado na forma de slides, stripp-filmes (fotogramas) ou cartazes.

Portanto, Paulo Freire fez com que todos os profissionais da área da Educação
pudessem pensar na Alfabetização de Jovens e Adultos de forma diferenciada,
pensar em uma alfabetização libertadora, preocupada em conscientizar os
educandos sobre sua realidade para que eles se tornem autores de sua própria
história