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INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE GAZA

DIVISÃO DE ECONOMIA E GESTÃO

Macroeconomia
ANO LECTIVO DE 2017

Introdução à Macroeconomia

Docente: Moisés Nhanombe


Aulas de Introdução à Macroeconomia -
ISPG - 20178 - Nhanombe
Introdução
Macroeconomia vs Microeconomia

A Macroeconomia estuda o comportamento da


economia como um todo, examinando as forças que
afectam o conjunto das empresas, dos consumidores
e dos trabalhadores ao mesmo tempo.
Contrasta com a Microeconomia que estuda os
preços, as quantidades e os mercados
individualmente.

ESEG Macroeconomia
por Moisés Nhanombe
O Nascimento da Macroeconomia
John Maynard Keynes. Grande depressão dos anos 1930

A teoria Macroeconómica teve início com John Maynard Keynes


(1883-1946), um génio multifacetado reconhecido nos campos
da matemática, da filosofia e da literatura.
A sua grande contribuição foi exposta no seu livro Teoria Geral
do Emprego, do Juro e do Dinheiro (1936) onde argumentou
que as políticas governamentais - orçamental e monetária -
podem influenciar o produto e assim reduzir o desemprego e
encurtar as recessões económicas.
As suas teorias foram aplicadas com sucesso a seguir à grande
depressão dos anos 1930 e ainda hoje influenciam economistas
e políticos de todo o mundo.
ESEG Macroeconomia
por Moisés Nhanombe
Temas centrais da Macroeconomia

Temas centrais da Macroeconomia


Ciclos económicos

As flutuações de curto prazo do produto, do


emprego e dos preços são denominadas por ciclos
económicos

Crescimento económico

As tendências de longo prazo no produto e nos


níveis de vida são conhecidas por crescimento
económico

ESEG Macroeconomia
por Moisés Nhanombe
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Objectivos da Macroeconomia
woweerr ftrrrrrebruto / PIB nominal e real / PIB
Produto Interno Bruto (PIB)
derrpotencial
O PIB é a quantificação do valor de mercado de todos os bens
e serviços finais – pão, cerveja, automóveis, espectáculos,
viagens, etc. – produzidos num país no período de um ano.
O PIB nominal é medido com preços correntes de mercado.
O PIB real é calculado com preços constantes – calcula-se o
número de automóveis e multiplica-se pelo preço dos
automóveis num dado ano base (p.e. ano 2000).
PIB potencial
O PIB potencial representa o nível sustentado máximo de
produto que a uma economia pode gerar. Quando o produto
cresce acima do produto potencial a inflação dos preços tende a
aumentar, enquanto que um produto abaixo do potencial
conduz a um desemprego elevado.
ESEG Macroeconomia por Moisés Nhanombe
 Objectivos da Macroeconomia
(Emprego/Desemprfego)
De todos os indicadores macroeconómicos, o emprego e o
desemprego são dos mais directamente sentidos pelas pessoas. Em
termos macroeconómicos os objectivos são os de emprego elevado
que é a contrapartida de desemprego reduzido.
A taxa de desemprego é a percentagem da população activa que
está desempregada.
A população activa inclui todas as pessoas empregadas e todas as
que estão desempregadas à procura de emprego. Exclui portanto
todos os que não estão empregados e que não procuram emprego.
A taxa de desemprego reflecte o estado do ciclo económico:
quando o produto se reduz, a procura de trabalhadores diminui e a
taxa de desemprego aumenta.
Objectivos da Macroeconomia (Estabilidade de
preços/IPC/Taxa de Inflação)
Estabilidade dos preços / IPC / Taxa de inflação
O terceiro objectivo macroeconómico é a manutenção da
estabilidade dos preços. Isto significa que o nível geral dos
preços não se altera ou está a crescer muito lentamente.
Para registar os preços os estatísticos oficiais constroem índices
de preços dos quais o Índice de Preços no Consumidor
(IPC) é o mais importante.
O IPC quantifica o preço médio de um conjunto de bens e
serviços (designado por cabaz) comprados pelos consumidores.
A taxa de inflação é a variação percentual do IPC de um ano
para o outro.

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Metas de Política Macroeconómica

 Alto nível de emprego;


 Estabilidade de preços;
 Distribuição de renda socialmente justa;
 Crescimento económico.

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Metas de Política Macroeconómica
Alto nível de emprego
 Anos 30;

 John Maynard Keynes

Estabilidade de Preços
 Define-se inflação como um aumento contínuo e
generalizado no nível geral de preços.
 Por que a inflação é um problema?

 Acarreta distorções sobre a distribuição de renda e


expectativas da sociedade.

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Distribuição Eqüitativa da Renda

 Desigualdade e Crescimento.
A “Teoria do Bolo” - Aumenta-se a parte dos
lucros e da poupança dos mais ricos na renda
nacional.
 Crescimento Económico
Se existe desemprego e capacidade ociosa
então o governo pode aumentar o produto
nacional por meio de políticas económicas que
estimulem a actividade produtiva.
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Instrumentos de Política Macroeconómica

 Política Fiscal;
Refere-se a todos os instrumentos de que o
governo dispõe para a arrecadação de tributos
(política tributária) e controle de suas despesas
(política de gastos).
 Política Monetária;

 Refere-se a actuação do governo sobre a oferta


de moeda e as taxas de juros.
 Objectivo: o controle da inflação
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 Instrumentos:
 Controle do volume das emissões de
moeda.
 Depósitos compulsórios: percentual sobre
os depósitos à vista que os bancos
comerciais são obrigados a depositar no
Banco Central.
 Redesconto: liberação de recursos pelo
Banco Central aos bancos comerciais para
um eventual socorro.
 Operações com Mercado Aberto (Open
Market): compra e venda de títulos públicos
ou obrigações pelo governo.
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 Política Cambial;
 Refere-se ao controle do governo sobre a taxa
de câmbio.
 Taxa de câmbio fixa.

 Taxa de câmbio flexível ou flutuante

 Política Comercial;

Diz respeito aos instrumentos de incentivo às


exportações e/ou estímulo/desestímulo às
importações. (Livre comércio X Protecionismo).
 Política de Rendas.

 Controle de preços e salários

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Contabilidade Nacional
• Agentes económicos: classificados por sector institucional, de
acordo com o seu comportamento económico, isto é:
 as funções económicas que desempenham
 e as fontes de recursos de que dispõem

Sectores residentes: centro de interesse no território económico nacional

• Variáveis fluxo: medidas num determinado intervalo de tempo

• Variáveis stock: medidas num dado momento do tempo

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Sectores institucionais Função Principal Recursos Principais
Remuneração do Trabalho,
rendimentos de priopriedade,
FAMÍLIAS Consumidor transferências efectuadas por
outros sectores

Produzir bens e serviços Receitas provenientes da


EMPRESAS mercantis não financeiros venda da produção
Produzir serviços não Pagamentos obrigatórios
mercantis para a colectividade efectuados por outros sectores
ESTADO e efectuar operações de : Impostos directos (IRPS,
redistribuição do rendimento IRPC, etc) e indirectos (IVA, s/
e da riqueza nacional a produção, s/ a importação)
Realizar operações de Juros e ooutros recebimentos
INSTITUIÇÕES
intermediação financeira de serviços prestados
FINANCEIRAS (comissões)
Não é caracterizado por uma função ou recursos
principais, agrupa as unidades não residentes que
RESTO DO MUNDO
efectuam operações com sectores instituicionais
residents.
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Contabilidade Nacional

Representação simplificada, agregada e


quantificada das operações económicas
efectuadas por múltiplos agentes económicos,
num país, durante um determinado período de
tempo
Funções – ajuda a fornecer evidência empírica no sentido de:
verificar/validar a teoria económica
• definir políticas económicas e avaliar a sua eficácia
• estabelecer comparações entre diferentes economias
• O PIB é a medida básica da Contabilidade Nacional

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Circuito Económico
Famílias +
Empresas Empresas

RI Sector Privado RLE + Transf.


Impostos Ind. líq. Corr. Líq.
Subsídios (Ti)

 VABramos Resto do
Estado Impostos Dir. +
(T = Ti + Td) Mundo
Cont.Seg.Soc.
(T-G = Sg) líq. Transf. (Td) Rend.
Disponível
C+I+G+
Sector Privado
Sg
+X-Q Consumo
 DI Público (G)
Exportações (X) Consumo Poupança (Sp)
Privado (C)
C+I+G-Q
Resto do Intermediação
Mundo C+I Financeira
(X-Q) C+I+G
(Sp-I)
Importações (Q) Investimento (I)

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PIB: Ópticas de Cálculo
(1) Óptica da produção:
Valor dos bens e serviços finais criados dentro do
território nacional, avaliados a preços de mercado,
durante um dado período
PIBpm = VABramos + Impostos indirectos
líquidos de subsídios (sobre produtos e
importação)

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• (2) Óptica da despesa
Conjunto das utilizações de bens e serviços finais
realizadas no território nacional, avaliados a preços de
mercado, durante um dado período
PIBpm = C + I + G + X – Q
(3) Óptica do rendimento
Valor do conjunto dos rendimentos brutos gerados no
território económico nacional pelos sectores
institucionais, avaliados a preços de mercado, durante um
dado periodo
PIBpm = Remun + EBE +( Ti)Impostos indirectos
líquidos de subsídios (sobre produção, produtos e
importação) Aulas de Introdução à Macroeconomia -
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O PRODUTO PELAS 3 ÓPTICAS (Resumo)

1. ÓPTICA DA PRODUÇÃO (Σ VA = Σ Vendas - CI)


Contributo de cada ramo de actividade para o valor do
produto final (tipo de bens e serviços produzidos na
economia – ramo de actividade)

2. ÓPTICA DO RENDIMENTO (Σ S + R + J + L)
Forma como os rendimentos gerados no processo
produtivo são distribuídos pelos diferentes factores de
produção (trabalho e capital).

3. ÓPTICA DA DESPESA (Σ C + G + I + X - M)
Utilização que é dada aos bens produzidos (consumo –
privado e público, investimento e exportação)

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NACIONAL
(CRITÉRIO DA
RESIDÊNCIA)

- SRRM PRODUTO + SRRM

INTERNO
(CRITÉRIO DA
TERRITORIALIDADE)

cf
(CUSTO DE
FACTORES)

+ Ti - Z PRODUTO - Ti +Z

pm
(PREÇOS DE
MERCADO)

LÍQUIDO

+ Amort. PRODUTO - Amort.

BRUTO

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Produção
- Consumos Intermédios (CI)
= Valor Acrescentado Bruto (VAB)
+ Impostos Indirectos - Subsídios à Produção (Ti – Z)
= PRODUTO INTERNO BRUTO (PIBpm)
+ Rendimentos primários recebidos do RM
- Rendimentos primários pagos ao RM
= PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNBpm)

Remunerações
+ Excedente Bruto de Exploração (R+J+L)
= RENDIMENTO INTERNO BRUTO (PIBcf)
+ Impostos Indirectos - Subsídios à Produção (Ti – Z)
+ Rendimentos primários recebidos do RM
- Rendimentos primários pagos ao RM
= PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNBpm)

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= RENDIMENTO INTERNO BRUTO (PIBcf)
- Amortizações
+ Transferências Internas
+ Transferências Externas
= RENDIMENTO PESSOAL
- Impostos Directos
- Contribuições para a Segurança Social
= RENDIMENTO DISPONÍVEL DOS PARTICULARES

= RENDIMENTO DISPONÍVEL DOS PARTICULARES


Consumo Privado
Poupança das Famílias

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CONSUMO PRIVADO
+ CONSUMO PÚBLICO
+ INVESTIMENTO
FBCF (INVESTIMENTO EM BENS DE PRODUÇÃO DURADOUROS)

Δ STOCKS

+ EXPORTAÇÕES
- IMPORTAÇÕES
= DESPESA INTERNA (PIBpm)

Consumo Privado
+ Consumo Público
+ Investimento
= PROCURA INTERNA
+ Exportações
= PROCURA GLOBAL
- Importações
= DESPESA INTERNA (PIBpm)

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ÓPTICA DA ÓPTICA DO ÓPTICA DA
PRODUÇÃO RENDIMENTO DESPESA

Σ VAB cf Remunerações Consumo


Privado
+ EBE
+ Consumo
Público

PIBcf RI + Investimento
+ Exportações
+ (Ti – Z) + (Ti – Z)
- Importações

PIBpm DI

+ SRRM + SRRM + SRRM

PNBpm RN DN

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Produto real e nominal

 O PIB pode aumentar de um ano para o outro


A economia produziu maiores quantidades de bens e serviços
ou
Esses bens e serviços foram vendidos a preços mais elevados.

 Como separar os dois efeitos?

PIB real (reflete as quantidades de b&s finais produzidos)

Deflator do PIB (preços “médios” dos b&s finais produzidos)


PIB real e Preços do PIB

 Enquanto que o PIB nominal utiliza os preços do ano corrente para


calcular o valor dos bens e serviços produzidos nesse ano,

 O PIB real utiliza os preços de um dado ano no passado (ano-base)


para avaliar a produção corrente

 Também se chama PIB a preços de ano-base.


 Ex.: O PIB em 2012 a preços de 2000 represente qual
seria o PIB em 2012 se os preços fossem os de 2000.
 Deflator do PIB: Medida do nível de preços na economia
(PIB nominal / PIB real) × 100

Variação % PIB nom. = Variação % PIB real + Variação % Deflator


Taxa de Inflação
Medição do Custo de Vida

 Índice de Preços no Consumidor mede o custo total dos


bens e serviços adquiridos por um consumidor típico

 Como é calculado?
 Qual o cabaz de consumo do consumidor típico
moçambicano?
 Comparação com o Deflator do PIB
Rendimento Disponível
 O cálculo do RD da economia passa pela adição
ao rendimento nacional das transferências
correntes líquida (TCL).
 O rendimento disponível bruto será assim:
 RDB = RNB + TCL

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Poupança
 Do rendimento disponível, o que não é consumido
é poupado, logo, a poupança bruta de uma
economia (SB) será a diferença entre o seu
rendimento disponível (RDB) e as despesas de
consumo final (CF), verificadas no período em
causa, já referidas atrás:SB = RDB – CF.

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Capacidade/Necessidade de
Financiamento da Economia
 A poupança da economia e as transferências íquidas de
capital (TLK), vão financiar o investimento na economia
(I).
 São transferências de capital: os impostos de capital, as
ajudas ao investimento e outras transferências (heranças,
por exemplo).
 Assim, a capacidade/necessidade de financiamento da
economia é-nos dada pela equação:
 I – (SB + TLK).
 Se I – (SB + TLK)>0 Necessidade de Financiamento
 Se I – (SB + TLK). Aulas de Introdução
Capacidade
à Macroeconomia -
de financiamento
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Saldo Externo Corrente e Necessidade/Capacidade de
Financiamento do Resto do Mundo

 Quando medimos a actividade de uma economia


consideramos também fluxos representativos das
suas relações com o resto do mundo
 O saldo externo corrente representa a diferença
entre os fluxos correntes para e do resto do mundo,
considerando como fluxos correntes: os fluxos de
bens e serviços, ou importações e exportações; as
remunerações dos factores produtivos, ou
rendimentos primários; os impostos e subsídios aos
produtos e à produção; e as transferências correntes
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