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GUIA DE PROPAGAÇÃO DE ÁRVORES


E ARBUSTOS RIBEIRINHOS
Um Contributo para o Restauro de Rios na Região Mediterrânica

Editores

María Aránzazu Prada and Daniel Arizpe


CIEFBanc de Llavors Forestals
Conselleria de Medio Ambiente, Agua, Urbanismo y Vivienda, Generalitat Valenciana
Avenida Comarques del País Valencià 114
46930 Quart de Poblet, Valencia, España
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© 2009 IS A Press
© textos, ilustrações e figuras: os autores

Título original: GUIA DE PROPAGAÇ Ã O DE Á RVORES E ARBUSTOS RIBEIRINHOS


Um Contributo para o Restauro de Rios na Região Mediterrânica

Ilustrações: Faustino Díez


A não ser especificação em contrário
Emilio Laguna
Clematis flammula, Coriaria myrtifolia, Dorycnium rectum,
Flueggea tinctoria, Lonicera implexa
María Aránzazu Prada
Liquidambar orientalis, Myrtus communis, Populus orientalis,
Salix amplexicaulis, Salix pedicellata e capa

Figuras: Gabriel SegarraMoragues


Salix plates

ISBN: 9789728669416
Depósito Legal: 321134 /10
V38782

Design e Layout: Essência  ROFFdesign (http://essencia.roff/pt)


Impressão: Eurodois
Revisão e Tradução da edição portuguesa: Carla Faria, Maria Helena Almeida, Antório Correia, Ana Mendes, André Fabião

Agradecimentos a António Albuquerque, a Patrícia Gonzalez e a António Ramos Gomes pelo contributo prestado na edição portuguesa
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Prefácio

Os rios terão sido possivelmente dos habitats mais A edição deste guia de propagação de espécies ri
intensamente modificados pelo homem, facto que beirinhas pretende afirmarse como uma ferramenta
tive a oportunidade de constatar nas várias visitas que ajude a solucionar esta situação e a estimular a
que fiz a zonas ripárias portuguesas à procura de um produção de plantas a partir de material de prove
rouxinol bravo ou de um guardarios. Esta situação niência local. A equipa do Banco de Sementes Flo
desencadeou em mim a vontade de dar um pequeno restais da Comunidade Valenciana contribuiu de
contributo, na recuperação destes ambientes degra forma decisiva para que este guia se tornasse reali
dados para a natureza e para o homem, e em suma, dade. Ao esforço e ao trabalho rigoroso uniuse a
contribuir para a preservação da biodiversidade. larga experiência deste Centro na gestão de germo
plasma e no seu uso eficaz a curto prazo, além do
Esta preocupação começou a tomar forma ao entrar valor do trabalho desenvolvido na conservação a
em contacto com o mundo da restauração ecológica longo prazo, um legado para as gerações futuras.
de rios no Instituto Superior de Agronomia, da Uni
versidade Técnica de Lisboa. Este acontecimento A equipa que produziu este guia deixa uma contri
levoume a lançar um projecto que permitisse esta buição significativa para que os conhecimentos
belecer um grupo de trabalho com outras institui científicos e técnicos apresentados, obtidos a partir
ções europeias, que partilhassem da mesma da experiência adquirida ao longo do tempo ou re
preocupação. Apresentado em Abril de 2003 e apro sultantes de uma selecção rigorosa de ampla biblio
vado no final desse mesmo ano, o Projecto Ripidu grafia, possam ser, agora, utilizados pelas empresas
rable foi estruturado com o objectivo de criar um e instituições que pretendam produzir plantas para
fórum de comunicação e de colaboração entre os a grande ambição que é efectuar uma adequada re
responsáveis da gestão e da restauração de áreas ri cuperação dos ecossistemas ripários.
beirinhas e as instituições académicas e de investi
gação com experiência nestes habitats. Este grupo Segundo a Directiva Quadro da Água, em 2015, os
poderia partilhar as problemáticas detectadas, o rios deverão estar incluídos na categoria de bom
saber existente que contribuísse para a sua solução estado ecológico, de acordo com as condições de
e as ferramentas específicas que poderiam ser dis referência. É nosso profundo desejo que este guia
ponibilizadas à sociedade, através da implementa possa contribuir para que essa situação seja reali
ção de casos práticos. zada dentro dos períodos previstos e com a quali
dade que a natureza merece: a produção de plantas
Um dos aspectos que mais chamou a minha atenção, de qualidade com a salvaguarda do património ge
foi a enorme dificuldade que as instituições e as em nético das espécies.
presas, que se dedicam à recuperação de ecossiste
mas ripários, têm na obtenção de plantas adequadas Um enorme agradecimento para os autores deste
para este fim. As empresas que comercializam as guia que, através dos seus textos, partilharam a sua
plantas não dispõem geralmente de material de re experiência e os seus conhecimentos com todos nós.
produção apropriado para efectuar estas interven Os editores, Arantxa Prada e Daniel Arizpe, merecem
ções, tanto do ponto de vista da sua qualidade um particular agradecimento pelo empenho colo
externa como da sua adaptabilidade. Por tal, a solu cado neste projecto e pela perseverança demons
ção terá passado, inevitavelmente, por adquirir plan trada ao trazerem este livro à luz do dia.
tas originárias de outros países, e em muitos casos,
variedades seleccionadas com fins ornamentais ou Ana Mendes
produtivos. Coordenadora do Projecto Ripidurable
5 Prefácio
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Colaboradores

Neus Albert Jose Luis García Caballero


CIEFBanc de Llavors Forestals, Área de Gestión de Re Junta de Castilla y León, Servicio Territorial de Medio
cursos Forestales y Conservación Ambiental, Conselle Ambiente  León, Avenida Reyes Leoneses 145ºC
ria de Medio Ambiente, Agua, Urbanismo y Vivienda, (Edificio Europa), 24071 León, Espanha
Generalitat Valenciana, Avenida Comarques del País Va
lencià 114, 46930 Quart de Poblet, Valencia, Espanha Pablo Jiménez
Universidade Técnica de Lisboa, Instituto Superior de
Maria Helena Almeida Agronomia, Centro de Estudos Florestais, Tapada da
Universidade Técnica de Lisboa, Instituto Superior de Ajuda, 1349017 Lisboa, Portugal
Agronomia, Centro de Estudos Florestais, Tapada da
Ajuda, 1349017 Lisboa, Portugal Fernando Martínez Sierra
Junta de Castilla y León, Servicio Territorial de Medio
José Vicente Andrés Ambiente  León, Avenida Reyes Leoneses 145ºC
Avenida Salvador Allende 75, esc. 14, 4ºD, 50015 (Edificio Europa), 24071 León, Espanha
Zaragoza, Espanha
Eduardo PérezLahorga
Juan Añíbarro Área de Gestión de Recursos Forestales y Conserva
Viveros Fuenteamarga SL, polígono 7, parcela 18, ción Ambiental, Conselleria de Medio Ambiente,
47260 Cabezón de Pisuerga, Valladolid, Espanha Agua, Urbanismo y Vivienda, Generalitat Valenciana,
Calle Francisco Cubells 7, 46011 Valencia, Espanha
Daniel Arizpe
CIEFBanc de Llavors Forestals, Área de Gestión de Re Mari Carme Picher
cursos Forestales y Conservación Ambiental, Conselle CIEFBanc de Llavors Forestals, Área de Gestión de Re
ria de Medio Ambiente, Agua, Urbanismo y Vivienda, cursos Forestales y Conservación Ambiental, Conselle
Generalitat Valenciana, Avenida Comarques del País Va ria de Medio Ambiente, Agua, Urbanismo y Vivienda,
lencià 114, 46930 Quart de Poblet, Valencia, Espanha Generalitat Valenciana, Avenida Comarques del País Va
lencià 114, 46930 Quart de Poblet, Valencia, Espanha
Antonio del Campo
Dep. Ingeniería Hidráulica y Medio Ambiente, Escuela María Aránzazu Prada
Técnica Superior de Ingenieros Agrónomos, Univer CIEFBanc de Llavors Forestals, Área de Gestión de
sidad Politécnica de Valencia, Camí de Vera s/n, Recursos Forestales y Conservación Ambiental, Con
46002 Valencia, Espanha selleria de Medio Ambiente, Agua, Urbanismo y Vi
vienda, Generalitat Valenciana, Avenida Comarques
Esperanza Campos del País Valencià 114, 46930 Quart de Poblet,
CIEFBanc de Llavors Forestals, Área de Gestión de Re Valencia, Espanha
cursos Forestales y Conservación Ambiental, Conselle
ria de Medio Ambiente, Agua, Urbanismo y Vivienda, Jesús Rueda
Generalitat Valenciana, Avenida Comarques del País Va Junta de Castilla y León, Dirección General del Medio
lencià 114, 46930 Quart de Poblet, Valencia, Espanha Natural, Calle Rigoberto Cortejoso 14, 47071 Valla
dolid, Espanha
Carla Faria
Universidade Técnica de Lisboa, Instituto Superior de Pilar Ventimilla
Agronomia, Centro de Estudos Florestais, Tapada da CIEFBanc de Llavors Forestals, Área de Gestión de
Ajuda, 1349017 Lisboa, Portugal Recursos Forestales y Conservación Ambiental, Con
selleria de Medio Ambiente, Agua, Urbanismo y Vi
Cándido Gálvez vienda, Generalitat Valenciana, Avenida Comarques
Semillas Silvestres S.L., Carretera de Santa María de del País Valencià 114, 46930 Quart de Poblet,
Trasierra km 2, 14012 Córdoba, Espanha Valencia, Espanha
7 Colaboradores
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Índice

11 Introdução 147 Anexos


149 Variação e adaptação
17 Fichas das espécies (Helena Almeida, Carla Faria)
(M. Aránzazu Prada, Daniel Arizpe, Juan Añíbarro, Jesús
Rueda, Neus Albert, Esperanza Campos, Mari Picher, Pilar 152 Manipulação de sementes
Ventimilla, Cándido Gálvez, Carla Faria, Pablo Jiménez) (M. Aránzazu Prada)

19 Conteúdo das Fichas das Espécies 158 Produção em viveiro


22 Alnus glutinosa (L.) Gaertn. (Antonio del Campo)
27 Arbutus unedo L.
30 Celtis australis L. 162 Estacaria
33 Cercis siliquastrum L. (Daniel Arizpe, M. Aránzazu Prada)
36 Clematis flammula L. y C. vitalba L.
40 Coriaria myrtifolia L. 165 Parques de plantasmãe
(José Luis García Caballero,
43 Cornus sanguinea L. Fernando Martínez Sierra, Jesús Rueda)
46 Crataegus monogyna Jacq.
50 Dorycnium rectum (L.) Ser. 169 Certificado padrão
53 Flueggea tinctoria (L.) G.L. Webster (M. Aránzazu Prada)
55 Frangula alnus Mill.
59 Fraxinus angustifolia Vahl. 171 Passaporte fitossanitário
63 Hedera sp. (Eduardo PérezLahorga)
67 Humulus lupulus L.
70 Laurus nobilis L.
172 Populus sp. (características de identificação)
(José Vicente Andrés, M. Aránzazu Prada)
73 Ligustrum vulgare L.
76 Liquidambar orientalis Mill. 174 Salix sp. (distribuição e características de
79 Lonicera etrusca G. Santi y L. implexa Aiton identificação)
83 Myrtus communis L. (José Vicente Andrés, M. Aránzazu Prada)
87 Nerium oleander L.
90 Pistacia lentiscus L. 190 Tamarix sp. (distribuição e características de
94 Platanus orientalis L. identificação)
(José Vicente Andrés, M. Aránzazu Prada)
97 Populus alba L.
101 Populus nigra L. 195 Glossário
105 Populus tremula L.
109 Prunus mahaleb L.
113 Prunus spinosa L.
116 Rubus ulmifolius sp.
119 Salix sp.
124 Sambucus nigra L.
127 Tamarix sp.
130 Ulmus minor Mill.
135 Viburnum tinus L.
138 Vitex agnuscastus L.
141 Vitis vinifera subsp. sylvestris (C.C. Gmelin) Hegi
9 Índice
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Introdução

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Introdução

Os sistemas fluviais da região mediterrânica, com a ção de indivíduos que aumentem a base genética
sua dinâmica particular e com condições ambien das populações, particularmente quando estas so
tais menos extremas que as dos sistemas circun freram uma diminuição no número de efectivos ou
dantes, albergam um mosaico de habitats de grande uma redução nas taxas de fluxo genético por razões
biodiversidade e são uma via de migração de muitas antropogénicas, ou quando no passado se fez um
espécies de flora e fauna; além de desempenharem uso inadequado dos materiais florestais de reprodu
um papel fundamental na vida do homem que apro ção, especialmente nas espécies que se propagam
veita os seus recursos e os utiliza como espaço de por via vegetativa. Apesar disso, deve ser enfatizado
ócio. que numa fase posterior a este tipo de intervenções,
será o próprio rio, a longo prazo, que vai modelar a
A vegetação ripária possui um elevado interesse estrutura e a dinâmica da vegetação ripária.
ecológico devido à função que desempenha em nu
merosos processos relacionados com a qualidade do Em qualquer caso, a produção de materiais de re
meio físico e com os ciclos de vida das espécies da produção a serem utilizados na requalificação das
fauna aquática e terrestre próprias dos sistemas flu ribeiras deve respeitar a sustentabilidade das novas
viais, interligando diferentes habitats e melhorando populações, sem causar efeitos negativos nos recur
a qualidade dos sistemas adjacentes, tanto terres sos genéticos já existentes. Este objectivo é conse
tres como aquáticos como da costa marítima. guido, em primeiro lugar, mediante a adequada
selecção das espécies a produzir fomentando dentro
Na Região Mediterrânica os sistemas ripários têm do possível as espécies autóctones, já que não se
sofrido muitas alterações por acção do homem, já trata de plantações de produção, através da utiliza
que os seus leitos e ribeiras foram transformados em ção de material de origem local. Além disso, devese
terrenos de uso agrícola e, mais recentemente, em procurar utilizar material de reprodução com uma
solo urbano; o homem também regularizou os cau base genética o mais ampla possível, em função dos
dais, a canalização de alguns troços destruíram a in recursos disponíveis, para promover a adaptabilidade
terligação entre os cursos de água e as planícies das novas populações. Devese evitar em particular
aluviais, e as águas superficiais e subterrâneas estão a introdução de espécies com carácter invasor, al
sobreexploradas. Estas alterações têm afectado di gumas já naturalizadas em cursos de água da Re
recta ou indirectamente a vegetação natural ripá gião Mediterrânica, ou outras espécies que podem
ria, reduzindo a sua biodiversidade, fragmentando hidridar com as espécies locais.
as populações e, em casos extremos, fazendoa de
saparecer completamente em grandes extensões dos Este guia foi concebido como uma ferramenta de
rios. apoio aos viveiristas e às pessoas que, sem serem es
pecialistas, lidam com a actividade de produção de
O restauro dos ecossistemas fluviais através da re plantas de espécies ribeirinhas destinadas à utiliza
cuperação do sistema hídrico natural apresentase ção em actividades de restauração hidrológicas. Dis
como uma tarefa inadiável devido à sua deteriora ponibilizamse dados úteis para a produção de
ção generalizada. Entre estas intervenções pode ser sementes, partes de plantas e plantas de um con
necessário efectuar plantações como forma de re junto de espécies arbóreas, arbustivas e lianas po
cuperação da vegetação ripária no curto prazo. Ou tencialmente utilizadas nos sistemas ripários da
tros objectivos específicos podem passar pelo região mediterrânica. Foi incluída informação rela
enriquecimento da composição florística ou pela in tiva a espécies dominantes nesses sistemas desta re
trodução de espécies que poderão ter desaparecido gião, espécies interessantes a propagar pela sua
devido a pressões antropogénicas ou que desempe interacção com a fauna e espécies tradicionalmente
nhem um papel fundamental nas interacções utilizadas em restauros hidrológicos. Incluíramse
plantaanimal. Além disso, podese tentar criar um algumas espécies que não são específicas de siste
coberto arbóreo que compita e elimine as espécies mas de ribeira mas que são próprias dos matos e
invasoras. Também pode ser recomendada a planta bosques mediterrânicos, mas que encontram nestes
13 Introdução
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ambientes condições propícias para o seu desenvol Queremos agradecer a Christine Fournaraki (Medi
vimento, particularmente em zonas com uma aridez terranean Agronomic Institute of Chania, Grécia),
marcada. Isabel Montávez (Intersemillas SA, Espanha), Fabio
Gorian (CFSCentro Nazionale per lo Studio e la
A informação colhida foi estruturada em fichas, nas Conservazione della Biodiversità Forestale, Itália),
quais se incluem dados relevantes para a produção Despina Paitaridou (Ministry of Rural Development
dos materiais de reprodução, desde a sua colheita and Food, Grécia), Jesús Martínez e Sisco Bosch
até à sua conservação, sobre as características físi (Banco de Semillas Forestales da Generalitat Va
cas das sementes e sobre os métodos mais adequa lenciana, Espanha), Ana Santos e Filipa Pais (Câ
dos para a obtenção das plantas, seja pela via mara Municipal de MontemoroNovo, Portugal),
seminal seja pela via vegetativa. Também se dispo José Luis García Caballero (Junta de Castilla y León,
nibiliza informação geral sobre a espécie: a sua Espanha) e Valeria Tomaselli (CNR Istituto di Ge
distribuição geográfica, a sua ecologia, as caracte netica Vegetale, Itália) pela contribuição com va
rísticas relevantes utilizadas na sua classificação ta liosos dados incluídos nas fichas; a Francisco
xonómica e a sua biologia reprodutiva. Nas fichas Sánchez Saorín, Miguel Cánovas e Manuel Balsa
incluíramse outros dados considerados de interesse lobre (Región de Murcia, Espanha), Pedro Sánchez
para uma melhor gestão do material de reprodução; Gómez (Universidad de Murcia, Espanha), Begoña
particularmente, e quando possível, disponibiliza Abellanas (Universidad de Córdoba, Espanha) e Isa
se alguma informação sobre a variabilidade intra bel Butler (Universidad de Huelva, Espanha) pela
específica e sua implicação na colheita e no uso dos sua ajuda na obtenção de material gráfico de sal
materiais com o objectivo de promover a conserva gueiros. O nosso agradecimento para Esther Tor
ção dos recursos genéticos. tosa, Jesús Rueda e para Ana Puertes pela revisão
e correcção linguística do texto original, em caste
Nos anexos apresentamse alguns temas específicos lhano.
directamente relacionados com a produção e uso dos
materiais florestais de reprodução, como é a variabi Também queremos agradecer a Antoni Marzo por
lidade genética intraespecífica e a sua importância ternos dado a oportunidade de participar no pro
na adaptabilidade das populações, os aspectos prá jecto Ripidurabe e a todos os colegas do Banc de
ticos da produção e conservação das sementes e par Llavors Forestals da Generalitat Valenciana que, di
tes de plantas e a regulamentação europeia a aplicar recta ou indirectamente, nos apoiaram nesta mis
na produção, mobilidade e comercialização de algu são, particularmente a Raquel de Miguel e Gloria
mas espécies incluídas neste guia. Ortiz. Queremos expressar um agradecimento espe
cial a Esther Tortosa, já que sem o seu entusiasmo e
Assim, também como anexo, incluemse tabelas e profissionalismo teria sido impossível levar este tra
figuras que têm como objectivo facilitar a identifi balho a bom termo.
cação das espécies dos géneros Populus, Tamarix e
Salix que podem ser encontradas na região medi Finalmente, queremos expressar o nosso carinho,
terrânica europeia. Considerouse útil incluir um agradecimento e satisfação a todos os colegas do
glossário com os termos científicos e técnicos que Ripidurable por terem partilhado conhecimentos e
aparecem neste guia e de uso pouco frequente no informação e por terem proporcionado um am
âmbito a que este se dirige. biente caloroso desde o início do projecto, com o
desejo de continuarmos a colaborar no futuro em
Esperamos que este guia resulte num manual útil projectos relacionados com a conservação da bio
para o produtor de plantas e que contribua para a diversidade.
conservação e melhoria do estado dos nossos siste
mas ripários mediterrânicos como parte do nosso
património natural e cultural. Os editores
Introdução 14
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(“...
Pai
dígame o que
fizeram ao rio
que já não canta.
Desliza
como um barbo morto
debaixo de um palmo
de espuma branca.

Pai
o rio já não é o rio.
Pai
antes que venha o Verão
esconda tudo o que está vivo
...”). “...
Pare
digueume què
li han fet al riu
que ja no canta.
Rellisca
com un barb
mort sota un pam
d’escuma blanca.

Pare
que el riu ja no és el riu.
Pare
abans que torni l’estiu
amagui tot el que és viu.
...”

Joan Manuel Serrat


(Pare)
15 Introduçao
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2
Fichas
das Espécies

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Conteúdo das Fichas das Espécies


Foi elaborada uma ficha descritiva para cada taxon, es com as quais podem confundirse com facilidade, em
truturada de forma a facilitar o acesso rápido à infor particular se forem simpátricos. Tornase impossível
mação. Incluemse, além do nome científico, os nomes evitar a terminologia botânica na descrição das espé
vulgares em diferentes idiomas. cies; o seu significado pode ser consultado no glossá
rio incluido no final do livro.

Distribuição e Ecologia Para uma descrição mais detalhada das espécies,


O mapa disponibilizado mostra a distribuição do taxon podem ser consultadas obras de referência como a
na Europa e em países asiáticos e africanos da bacia Flora Europaea ou outras floras de carácter nacional ou
mediterrânica, tomando com referência base as carto regional.
grafias disponibilizadas por Bolòs e Vigo (1989), Charco
(2001), Hultén e Fries (1986) e o Atlas da Flora Euro
peia, assim como também a base de dados online “Pro Biologia reprodutiva
grama Anthos”. A distribuição natural de algumas São indicados de uma forma esquemática os dados
espécies muito difundidas pelo Homem é difícil de pre mais relevantes relativamente à fenologia da reprodu
cisar; por tal, os mapas apresentados para Cercis sili ção e aos sistemas de reprodução do taxon, como causa
quastrum, Laurus nobilis, Platanus orientalis, Salix determinante na configuração genética das popula
fragilis ou Vitis vinifera subsp. sylvestris devem ser con ções. Esta informação é de grande importância na de
siderados apenas como orientadores. lineação de uma correcta estratégia de colheita de
materiais de reprodução, assim como também na cria
O mapeamento das tamargueiras com distribuição no ção de novas populações e na sua posterior gestão.
leste mediterrânico teve como base a monografia do
género de Baum (1978), completada nalguns casos com Os períodos de floração e maturação dos frutos indi
informação obtida noutras obras, como Boratyński et cados são necessariamente muito amplos já que se pro
al. (1992), Pignatti (1982) e Zohary (1972). Estes mapas duzem importantes variações interanuais e entre áreas
devem ser considerados apenas como uma aproxima de distribuição, em particular nas espécies com uma
ção grosseira devido à falta de informação precisa ampla distribuição que se desenvolvem em condições
sobre a corologia destas espécies em alguns países do climáticas diversas.
leste europeu.
São referenciados os principais agentes polinizadores
A distribuição geral do taxon indicase de modo esque e de dispersão, embora em muitos casos seja possível a
mático, sendo mencionadas as regiões onde está pre existência de outras alternativas responsáveis pelo
sente, de acordo com a divisão estabelecida por fluxo genético. Esta situação é muito comum em es
Brummitt (2001) e independentemente da sua abundân pécies ribeirinhas, nas quais a água pode actuar como
cia. Também são referenciados os países da bacia medi um agente dispersor secundário.
terrânica com áreas de clima mediterrânico nas quais a
espécie está presente. Esta informação foi basicamente
obtida a partir de duas bases de dados online: a base de Variação e Hibridação
dados extraída da versão digital da Flora Europaea, para São disponibilizadas observações de carácter taxonó
a distribuição europeia; e da “Germplasm Resources In mico como a existência de subespécies ou a referen
formation Network” (GRIN) para o resto do mundo. ciação da existência de variedades e de híbridos
naturais. Para algumas espécies também são disponi
A ecologia da espécie é indicada de uma forma bilizados resultados de estudos genéticos, como forma
resumida e simples, para facilitar a sua interpretação. de promover uma melhoria na manipulação dos mate
riais de reprodução, e consequentemente na conserva
19 Conteúdo das Fichas das Espécies

ção dos recursos genéticos.


Características de identificação
Disponibilizase informação de uma forma concisa
sobre as características mais importantes a considerar Propagação seminal
no reconhecimento da espécie. São referenciadas as di É indicada a tolerância à dessecação, aspecto que con
ferenças que as permitem distinguir de outras espécies diciona em grande medida o tratamento a que um lote
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de sementes pode ser submetido. É incluida informação minação. Também são dadas orientações sobre o vo
prática sobre a apanha, manipulação e conservação das lume dos contentores e do número de anos necessá
sementes. É também indicada, de uma forma concisa, rios para a obtenção de plantas com um sistema
a sequência de limpeza a adoptar, de acordo com as radicular bem desenvolvido, que suporte o transplante
possibilidades de procedimentos descritos no anexo re e seja capaz de penetrar no solo rapidamente após a
ferente à manipulação de sementes. As condições de plantação. Os contentores recomendados nas fichas
conservação recomendadas: temperatura (T), conteúdo devem ter um sistema que impeça o enrolamento das
de humidade (CH) e tipo de embalagem, são as con raízes; relativamente aos vasos de maior tamanho (3,5
vencionais na manutenção dos materiais a curto ou a litros), recomendase que estes tenham uma base em
médio prazo, segundo o tipo de sementes. rede e que se mantenham elevados relativamente ao
nível do solo para facilitar o transplante das raízes. O
São indicados os tratamentos utilizados mais comuns número de anos de produção é indicado da seguinte
e que se mostraram serem os mais efectivos a estimu forma: 1/0 = 1 ano de produção; 2/0 = 2 anos de pro
lar a germinação. Os períodos de duração dos mesmos dução; 1/1= 1 ano de produção em contentor de 300
são orientadores, dado que podem variar em função da cm3 + 1 ano de produção em vaso de 3,5 l. Não se re
proveniência das sementes. Contudo, deve ser mencio comenda a utilização de plantas com mais de dois anos,
nado que algumas das espécies incluídas neste guia evitandose que superem em todos os casos 150 cm de
têm sementes de difícil germinação, mesmo que sub altura. De uma forma aproximada, é indicado o período
metidas a um tratamento prévio. de emergência, que variará segundo o lote, o tipo de
produção, a localização do viveiro e as condições cli
Considerouse interessante disponibilizar informação máticas do ano.
sobre as condições óptimas para a germinação das se
mentes, que podem ser obtidas se houver disponibili Nalgumas espécies são indicados alguns dados relati
dade de câmaras que possibilitem o controlo de certos vos à sua produção em raiz nua (densidade de semen
factores ambientais. É indicada a temperatura óptima, teira, dimensões), embora esta técnica de produção
que pode ser variável num período de 24 horas (por tradicional tenha sido substituída pela produção em
exemplo, 30/20 ºC), ou contínua (20 ºC). As sementes de contentores que permite ampliar o período de planta
algumas espécies germinam bem sob diferentes condi ção no campo. As dimensões indicadas para as plantas
ções de temperatura, que são indicadas como alterna de raiz nua (perímetro do caule e altura total) são va
tivas possíveis. No caso de temperaturas alternadas, a lores máximos.
temperatura mais baixa pode manterse durante 16
horas e a mais alta durante as 8 horas restantes. As
sementes de muitas espécies podem germinar tanto Propagação vegetativa
com luz como no escuro. No entanto, é recomendável É disponibilizada informação sobre a propagação ve
a aplicação de um fotoperíodo de pelo menos 8 horas getativa das espécies por estacaria. Esta técnica é a
diárias, o que normalmente coincide com o ciclo de mais utilizada na produção de plantas para restaura
temperatura mais alta no caso de temperaturas alter ções e florestações de Tamarix, Salix, Populus e de al
nadas. Nalgumas espécies, a luz estimula a germina gumas outras espécies lianóides. A produção de plantas
ção; neste caso, esta necessidade é expressamente das restantes espécies incluídas neste guia fazse nor
mencionada. malmente pela via seminal e não pela vegetativa; pelo
que a informação relativa à sua multiplicação vegeta
Deve ser enfatizado que os dados disponibilizados são tiva tem, na maioria dos casos, um carácter experi
orientadores, já que podem variar significativamente mental ou surge no âmbito da produção de cultivares
em função da qualidade da manipulação, limpeza e das ornamentais.
condições de conservação, além das características
próprias de cada lote de sementes, que dependem dos É indicado o tipo de material mais adequado: a parte do
genótipos colhidos, da proveniência e das condições ramo ou vara que manifesta ter uma maior facilidade
climáticas de cada ano. em enraizar; o número de entrenós ou o tamanho que
Conteúdo das Fichas das Espécies 20

as estacas devem ter; e a melhor época para a sua co


lheita. Disponibilizamse dados relativos à concentra
Produção em viveiro ção de ácido indolbutírico na sua forma de sal solúvel
Na produção massiva de plantas em viveiro, é indicado em água (KAIB), com um tempo de imersão de 1 a 5
o período mais adequado para a sementeira e se são minutos imediatamente antes da estaca ser colocada
necessários tratamentos prévios para estimular a ger no substrato. Estas concentrações devem ser conside
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radas como orientadoras e como ponto de partida para uso se justifique na produção de plantas para restau
ajustar um protocolo de enraizamento. Seguindo as in rações hidrológicas. No entanto é adicionada biblio
dicações de Mac Cárthaig e Spethmann (2000), as es grafia relacionada que permitirá aprofundar este tema.
pécies foram divididas em quatro grupos relativamente
à facilidade na formação de raízes: aquelas que não
necessitam de tratamento, aquelas que necessitam Bibliografia
apenas deste para acelerar o processo (< 0,5%), aque Para facilitar a leitura, evitouse incluir no texto a bi
las que têm uma dificuldade mediana (0,5%) e aquelas bliografia básica consultada de forma sistemática para
que são muito difíceis de propagar (1%). a descrição de espécies e taxa intraespecíficos. Da
mesma forma, evitouse a inclusão das referências às
Para a produção de plantas através da propagação ve obras de carácter geral das quais foram extraídos os
getativa, recomendase a utilização do mesmo tipo de dados das tabelas de propagação. Todas estas referên
contentor indicado na tabela de produção em viveiro cias são mencionadas na bibliografia, sob o título de
para plantas obtidas a partir de sementes. “Bibliografia geral”. Outros estudos que disponibiliza
ram informação complementar sobre diferentes aspec
Não faz parte dos objectivos deste guia disponibilizar tos, a maioria destes publicados em revistas, são
informação precisa sobre a produção de plantas utili citados expressamente no texto, e são incluídos como
zando a micropropagação. Este tipo de técnica é rela bibliografia específica, para que os leitores possam
tivamente complexa e onerosa e não parece que o seu aprofundar o tema se assim o desejarem.

Bibliografia

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21 Conteúdo das Fichas das Espécies
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Alnus glutinosa
EN: black alder, common alder Betulaceae
EL: σκλήθρα, κλήθρα

(L.) Gaertn.
ES: aliso, alno
FR: aulne glutineux, aulne noir
IT: ontano nero
PT: amieiro

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen também climas mais quentes. Cresce em solos argilo
tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste e Centro sos, limoargilosos, arenosos ou aluviais, requerendo
da Ásia, Sibéria, Norte de África. humidade permanente. Apesar de se desenvolver em
solos de pH variável, prefere os solos ácidos e neutros.
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa Os nódulos das suas raízes, em simbiose com bactérias,
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e Sicí são fixadores efectivos de azoto atmosférico, possibi
lia), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, Albânia, litando a ocupação de solos pobres. Encontrase em
Grécia, Turquia, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos. margens de rios, nas bases dos vales, em bosques mis
tos de caducifólias, áreas inundáveis e margens húmi
O amieiro desenvolvese em climas temperados a fres das, em indivíduos dispersos ou formando pequenas
cos, se tiver disponibilidade hídrica suficiente suporta populações.

Características de identificação
Alnus glutinosa é uma árvore caducifólia de tamanho as folhas são normalmente glabras mas podem apre
médio que não ultrapassa os 25 m de altura, com uma sentar conjuntos de pêlos nas axilas das nervuras. O
casca fendilhada de cor castanho escura. Distingue diâmetro do pedúnculo da infrutescência é menor na A.
se da espécie Alnus cordata, originária da Albânia, glutinosa (0,51 mm) do que na A. cordata (23 mm).
Córsega e Itália pela forma das folhas. Na primeira são Também se pode distinguir da Alnus incana, com uma
obovadas a suborbiculares, raramente elípticas, obtusas área de distribuição que engloba o centro, nordeste e
ou retusas, duplamente dentadas, enquanto que na se norte da Europa, porque esta tem folhas acuminadas,
gunda, as folhas são suborbiculares a cordiformes, ge puberulentas ou tomentosas pelo menos enquanto são
ralmente agudas e serruladas. Em ambas as espécies, jovens, além de ter infrutescências sésseis.
Alnus glutinosa 22
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Biologia Reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

monoecia amentilhos masculinos anemófila infrutescência de Setembro


pêndulos, amentilhos auto lenhificada, negra, a Novembro
■ ■ ■ ■ ■

femininos erectos incompatibilidade persistente depois ■ dispersão


■ de Fevereiro a Junho, da deiscência pelo vento


antes do desenvolvimento ■ 1025 x 712 mm

das folhas

Na Alnus glutinosa parecem manifestarse dois siste provem do próprio indivíduo ocorre com menor ex
mas de incompatibilidade no processo de polinização: pressividade; quando não há competição, em indivíduos
quando existe pólen disponível pertencente a indiví isolados, a fertilização dos óvulos é difícil (Steiner e
duos vizinhos, a fertilização ocorrida com pólen que Gregorius, 1999).

Variação e Hibridação
A espécie Alnus glutinosa pode ser polinizada por Alnus pulacional elevados, Gömöry e Paule (2002) obtiveram
cordata. No entanto, verificaramse apenas híbridos um padrão genético espacial nas populações de
naturais (A. x elliptica) na Córsega (Prat et al., 1992). O amieiro, causado provavelmente pela dispersão limi
seu cruzamento com Alnus incana (A. x pubescens tada das sementes, originando uma maior proximidade
Tausch) pode ser frequente nas zonas em que ambas as da descendência relativamente aos seus progenitores.
espécies convivem. Este híbrido apresenta amentilhos
femininos com pedúnculos curtos e folhas com uma A estruturação geográfica da variação genética desta
combinação de características das espécies que lhe espécie torna recomendável o uso das populações lo
deram origem. cais, como fonte de material de reprodução a usar nos
projectos de restauração; além disso, considerase
A distribuição típica da espécie, em populações isola aconselhável promover a variabilibidade genética das
das de pequeno tamanho numa área de distribuição novas populações, colhendo material de um número
alargada, permitiu a observação de diferenças muito alargado de indivíduos de diferentes áreas dentro de
marcadas entre proveniências e indivíduos relativa uma mesma região de proveniência (Kajba e Grač an,
mente a características quantitativas ou de importân 2003), procurando também que o material colhido per
cia adaptativa (Weisgerber, 1974; DeWald e Steiner, tença a indivíduos de uma mesma população separados
1986; Krstinič , 1994; Baliuckas et al., 1999). Estudos por dezenas de metros.
efectuados utilizando marcadores moleculares permi
tiram definir uma estruturação geográfica da variação A existência de uma variação genética alargada para
genética observada (King e Ferris, 2000). A nível local, características de interesse produtivo, deve ser apro
foi estimada uma baixa variação genética dentro das veitada no estabelecimento de programas de melho
populações devido a endogamia (Kajba e Grač an, ramento, pelo que foram seleccionados genótipos
2003), que poderia terse acentuado pelo facto do considerados superiores para as características consi
amieiro ser uma espécie que rebenta por toiça muito deradas e instalados em pomares de sementes (Krstinič
facilmente, particularmente nas idades mais jovens. e Kajba, 1991)
Apesar de terem obtido níveis de diversidade intrapo
23 Alnus glutinosa
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Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Setembro metodologia utilizada 12 g Temp.: 5 ºC a 4 ºC


a Novembro em frutos deiscentes Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

■ apanha manual a partir ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


do solo, uso de escalada fruto: 30260 g hermeticamente


ou uso de ferramentas ■ pureza: 4190% fechado
de longo alcance

O amieiro produz sementes todos os anos, embora verdes necessitam de vários meses de maturação após
ocorra frutificação com maior abundância em cada pe a colheita para haver germinação (McVean, 1953). O
ríodo de 23 anos. A frutificação é muito influenciada peso baixo das sementes de amieiro dificulta a elimi
pelas condições climáticas ocorridas na Primavera, nação das sementes vazias. Se a abertura dos frutos
assim como também pelas condições do Verão do ano ocorrer numa estufa, a temperatura de 35ºC não deve
anterior, época durante a qual teve lugar a iniciação ser superada para que as sementes não percam a via
floral (Suszka et al., 1994). bilidade.

A colheita ocorre quando os primeiros frutos come


çam a abrir. As sementes obtidas a partir de frutos

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

frescas: sem tratamento 30 / 20 ºC; 25 ºC 3070%


desidratadas: estratificação em frio
■ ■ ■

(38 semanas)

A qualidade dos lotes de sementes e a capacidade ger


minativa podem ser muito baixas devido à dificuldade
em separar as sementes viáveis das vazias.

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono ou início da Primavera, raiz nua: 1020 g/m2; perímetro na primeira Primavera,
sem tratamento; ou na Primavera, do caule até 46 cm ou altura completase em 35 semanas
■ ■ ■

com tratamento total até 100150 cm


■ alvéolo florestal 300 cm : 1/0
3

■ vaso 3,5 l: 1/1

A produção em alvéolo florestal ou em vaso permite a tação (Berry e Torrey, 1985), obtendose plantas com
inoculação das plantulas com a actinobacteria Frankia, um melhor desenvolvimento (Simon et al., 1985).
assegurando a existência de nódulos antes da sua plan
Alnus glutinosa 24
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Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
– Tamanho de auxinas

lenhosa, de talão basal 25 cm Inverno 0,5%


semilenhosa terminal 10 cm Verão 0,5  1%

No caso de se utilizar ortetos adultos, recomendase a A capacidade de rebentação da raiz e, como conse
aplicação de tratamentos de rejuvenescimento para quência a possibilidade de propagação desta espécie
aumentar a percentagem de enraizamento, embora os mediante a utilização de estacas de raiz não foi pro
resultados sejam muito condicionados pela idade da vada ainda. Alguns autores (McVean, 1953; Krstinič ,
plantamãe (Krstinič , 1994; Martin e Guillot, 1982; 1994) sugerem que o amieiro tem esta capacidade,
Psota, 1987). Existe também uma grande variação clo ainda que não seja muito frequente. Fayle (1996) põe
nal na capacidade de enraizamento (Good et al., 1978). esta possibilidade em dúvida, dado que este comporta
Kruger (1982) obteve elevadas percentagens de enrai mento nunca foi confirmado em trabalhos de campo.
zamento, sobrevivência e a formação de raízes de
muito boa qualidade utilizando estacas lenhosas do Existem diversas referências a ensaios de propagação in
tipo talão. As estacas são produzidas normalmente em vitro que apresentam bons resultados (Garton et al.,
contentores florestais, com sistema de rega do tipo ne 1981; Lall et al., 2005; Perinet e Tremblay, 1987; Verg
bulização (Martin e Guillot, 1982). naud et al., 1987).

Bibliografia
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Alnus glutinosa 26
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:58 AM Página27

Arbutus
Ericaceae EN: strawberry tree
EL: κουμαριά

unedo L.
ES: madroño
FR: arbousier
IT: corbezzolo
PT: medronheiro

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da abundante em solos siliciosos, mas também aparece em
Europa, Oeste da Ásia, Norte de África substratos calcários. Tem a capacidade de rebentar por
toiça após um fogo ou corte.
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa
nha (incl. Baleares), França (incl. Córsega), Itália (incl. O medronheiro desenvolvese em bosques de Quercus
Sardenha e Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Albâ spp. e de Pinus spp. ou em matos altos em mistura com
nia, Grécia (incl. Creta), Chipre, Turquia, Líbano, Tunísia, outras espécies típicas do maquis mediterrânico. Em
Argélia, Marrocos bora não seja uma espécie própria da vegetação ripá
ria, a necessidade que esta tem de vegetar em solos
Esta espécie tipicamente mediterrânica prefere solos tendencialmente frescos e a sua interacção com os ani
tendencialmente frescos e não suporta frios intensos e mais possibilita a extensão do seu uso a zonas de tran
prolongados. Nas zonas mais baixas e quentes da sua sição entre a vegetação ripícola e a climatófila.
área de distribuição, prefere as ensombradas. É mais

Características de identificação
O medronheiro é um arbusto ou pequena árvore que em pequenas escamas; os seus ramos mais jovens são
pode atingir 4 a 7 m de altura. As suas folhas são al com frequência glandulosos e setosos; floresce no Ou
ternas e lanceoladas. Diferenciase do Arbutus an tono; e os frutos apresentam papilas cónicas. Enquanto
drachne, com o qual pode partilhar território na área que o A. andrachne tem uma casca de cor laranja e
oriental da sua distribuição, no seguinte: tem uma avermelhada brilhante, que se desprende em forma de
casca fissurada de cor acastanhada, que se desprende papirus e floresce na Primavera.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

monoicia flores brancas, entomófila baga globosa, de Outubro a Dezembro


agrupadas vermelha dispersão
■ ■ ■ ■ ■

em panículas ou alaranjada por vertebrados


■ de Outubro a Dezembro ■ 2025 mm frugívoros


27 Arbutus unedo
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Variação e Hibridação
A formação de híbridos entre A. unedo e A. andrachne ramos jovens. Da mesma forma, também é possível
(A. x andrachnoides Lint.) pode ser frequente em áreas reconhecer o A. × androsterilis Salas, Acebes & Arco,
onde habitam ambas as espécies. Resulta um híbrido híbrido com A. canariensis (Salas Pascual et al., 1993)
fértil que tem uma casca com a coloração mais exube em resultado de simpatria artificial.
rante da A. andrachne e alguns pêlos glandulosos nos

Propagação seminal

Obtenção e conservação das sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Outubro metodologia para 23 g Temp.: 4 ºC


a Dezembro frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

■ colheita manual ■ g semente / kg ■ recipiente


a partir do solo fruto: 614 g hermeticamente


■ pureza: 7097% fechado

O medronheiro apresenta uma grande variação inter intensidade e duração de seca estival (Chiarucci et al.,
anual na produção dos frutos (Herrera, 1988), a quan 1993).
tidade e a qualidade da semente é muito afectada pela

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ estratificação no frio (412 semanas) ■ 15 a 20 ºC ■ 8099%

As sementes de medronho germinam bem sem trata


mento, mas convém efectuar uma estratificação no frio
para acelerar e homogeneizar a emergência.

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento; alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 na primeira Primavera,
ou Primavera, com tratamento vaso 3,5 l: 1/1 completase em 34 semanas
■ ■ ■

As plântulas de medronho são muito delicadas, pelo


que nesta fase deverá evitarse a sua exposição a gea
das e a surtos de calor.
Arbutus unedo 28
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Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época Concentração
– Tamanho de colheita de auxinas
■ semilenhosa terminal 2 Junho 1%

Os resultados obtidos com a propagação vegetativa de estacas enraizadas parece ser nula. O momento mais
medronheiro são muito irregulares. Não se consegui adequado para se fazer a colheita do material é no final
ram obter percentagens de enraizamento superiores a do período de crescimento; uma vez passado esse
50% (Crobeddu e Pignatti, 2005; Pignatti e Crobeddu, momento, a capacidade de formar raízes diminui em
2005). Segundo Pignatti e Crobeddu (2005), é funda 1020% (Cervelli, 2005).
mental utilizar material obtido em plantasmãe jovens,
previamente submetidas a repetidas podas para esti O medronheiro propagase com êxito por cultura in
mular uma rebentação vigorosa; no caso de não se uti vitro (Giordani et al., 2005; Mereti et al., 2002; Morini
lizar este tipo de material a probabilidade de obter e Fiaschi, 2000; Rodrigues, 2001).

Bibliografia
Bibliografia geral
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29 Arbutus unedo
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:58 AM Página30

Celtis
EN: European hackberry, Ulmaceae
European nettletree

australis L.
EL: μελικουκιά
ES: almez
FR: micocoulier
IT: bagolaro
PT: lódãobastardo, ginjinhadorei

Distribuição Ecológica
Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da limites exactos da sua área de distribuição natural.
Europa, Oeste da Ásia, Norte de África Surge muitas vezes associado à actividade agrope
cuária, junto a habitações rurais, a canais de irrigação
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa e nas bordaduras de áreas de cultivo.
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e
Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, Distribuise de uma forma espontânea em árvores iso
Albânia, Grécia, Chipre, Turquia, Síria, Líbano, Tunísia, ladas, em pequenos bosquetes puros ou em mistura
Argélia, Marrocos com outras folhosas, em bosques, barrancos e encostas
rochosas e sombrias, em ambientes semiáridos e sub
Devido às suas múltiplas utilizações, o lodãobastardo húmidos. Prefere os solos frescos, soltos e pedregosos
foi amplamente cultivado desde a antiguidade na zona e élhe indiferente o tipo de pH do solo. Rebenta de
mediterrânica, pelo que se torna difícil estabelecer os toiça ou de raiz após corte ou passagem de um fogo.

Características de identificação
Esta espécie caracterizase por ser uma árvore caduci timo é um arbusto ou pequena árvore que não ultra
fólia que pode atingir 30 m de altura, com casca acin passa os 6 m, com endocarpo com quatro cristas e com
zentada e lisa. As folhas são marcadamente serradas, folhas que têm um comprimento inferior ao dobro da
arredondadas a cordadas na base, normalmente são largura. As diferenças morfológicas relativamente ao
duas a três vezes mais compridas do que largas. Os fru Celtis caucasica, cuja distribuição ocorre na Bulgária,
tos são globosos, com endocarpo muito reticulado e ru na área correspondente à antiga Jugoslávia e no oeste
goso. da Ásia, são menos evidentes, já que esta última espé
cie também atinge um porte arbóreo, embora as folhas
Distinguese do Celtis tournefortii, com distribuição no tenham a forma de cunha na base e o fruto tenha uma
sul da Europa, desde a Sicília à Crimeia, porque este úl cor castanhoamarelada após maturação.
Celtis australis 30
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:58 AM Página31

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

andromonoicia flores pequenas anemófila drupa esférica, desde Outubro,


e inconspícuas, de cor negra podem permanecer
■ ■ ■ ■ ■

geralmente ■ 812 mm na árvore até ao


solitárias final do Inverno
■ de Março a Maio ■ dispersão por

vertebrados
frugívoros

Variação e Hibridação
Não existe informação sobre variação intraespecífica
e hibridação para este taxon.

Propagação seminal

Obtenção e conservação das sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

desde Novembro até ao metodologia utilizada 100260 g Temp.: 4 ºC


fim do Inverno em frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

■ colheita por escalada, ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


com uso de ferramentas fruto: 320400 g hermeticamente


de longo alcance ou por ■ pureza: 95100% fechado
varejo dos ramos

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ estratificação em frio (8–12 semanas) ■ 20 / 10 ºC ■ 4096%

O lodãobastardo apresenta dormência, requerendo


uma estratificação em frio.

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento ou na raiz nua: perímetro do caule na primeira Primavera


Primavera, com tratamento até 46 cm ou altura total até
■ ■ ■

100150 cm
■ alvéolo florestal 300 cm : 1/0
3

■ vaso 3,5 l: 1/1


31 Celtis australis
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:58 AM Página32

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
– Tamanho de auxinas

lenhosa basal ou intermédia 20 cm Janeiro a Março 0,5  1%


semilenhosa basal ou intermédia 10 cm Julho 0,5  1%

É conveniente efectuar podas de rejuvenescimento nas de acordo com as experiências efectuadas por Puri e
plantasmãe (Butola e Uniyal, 2005; Puri e Shamet, Shamet (1988), a concentração de ácido indolbutírico
1988). O tratamento com auxinas com elevadas con pode ser reduzida para 0,01%, se o período do trata
centrações é indispensável para garantir resultados su mento for aumentado para 24 horas.
periores a 50% (Shamet e Naveen, 2005). No entanto,

Bibliografia
Bibliografia geral
Tutin TG (1993) Celtis L. In: Tutin TG et al. (eds) Flora Euro
Catalán G (1991) Semillas de árboles y arbustos forestales. paea. Vol 1. 2nd edn. Cambridge University Press, Cambridge
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Bibliografia específica
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beri e arbusti della flora mediterranea ANPA, Roma
Celtis australis 32
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:58 AM Página33

Cercis
Fabaceae EN: Judas tree, lovetree
EL: κουτσουπιά

siliquastrum L.
ES: árbol del amor, árbol de Judas
FR: arbre de Judée, gainier
IT: albero di Giuda, siliquastro
PT: olaia, árvoredeJudas

Distribuição Ecológica
Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da A olaia cresce normalmente em encostas áridas ou
Europa, Oeste da Ásia ao longo das margens dos rios, em solos de natureza
calcária, ainda que possa tolerar solos de natureza mo
Distribuição na região mediterrânica: França, Itália deradamente ácida. Não suporta períodos de frio pro
(incl. Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montene longado.
gro, Albânia, Grécia (incl. Creta), Turquia, Síria, Líbano,
Palestina

Caraterísticas de identificação
Cercis siliquastrum é uma árvore caducifólia, de 5 a 10 fundida com outros Cercis como a C. canadensis ou a
m de altura, com tronco de casca lisa. As folhas são C. chinensis que são utilizados com fins ornamentais, a
simples, alternas, orbiculares e cordiformes na base. As primeira tem folhas com ápice agudo, na segunda as
flores são de cor rosada ou púrpura e saem directa folhas são profundamente acuminadas na base.
mente do tronco e dos ramos. Pode ser facilmente con

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores rosadopúrpuras, entomófila vagem avermelhada em Julho,


agrupadas em rácimos autocompatível a castanho escuro permanecendo
■ ■ ■ ■ ■

que saem directamente ■ 60100 mm de na árvore vários


dos ramos comprimento meses


■ de Março a Maio, antes ■ dispersão por

do desenvolvimento das gravidade


folhas

A análise das proteínas de reserva obtidas em lotes de menos de 5% de fecundação cruzada (González e Hen
sementes de diferentes árvores indicou que na olaia a riquesGil, 1994).
33 Cercis siliquastrum

polinização é principalmente autogâmica, havendo


bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:58 AM Página34

Variação e Hibridação
A subespécie C. siliquastrum subsp. hebecarpa (Bornm.) pedicelos e vagens não glabros.
Yalt., existente na Asia Menor e Irão, apresenta cálice,

Propagação seminal

Obtenção e propagação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

desde o final do metodologia utilizada 2035 g Temp.: 4 ºC


Verão em frutos deiscentes Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

■ colheita manual a ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


partir do solo ou por fruto: 300450 g hermeticamente


varejo dos ramos ■ pureza: 9598% fechado

As vagens podem ser colhidas em qualquer momento, haver abertura, é conveniente efectuar a colheita o
sempre que tenham uma coloração mais escura e as mais cedo possível, para evitar perdas na produção oca
sementes tenham uma cor castanha. Apesar destas po sionadas por ataques de insectos.
derem permanecer na árvore durante vários meses sem

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

escarificação mecânica 30 / 20 ºC 7090%


escarificação mecânica +
■ ■ ■

estratificação em frio (412 semanas)


■ imersão em água a ferver (1 minuto)

■ imersão em água inicialmente a 80 ºC

deixando arrefecer durante 24 h


■ escarificação com ácido sulfúrico

concentrado (3060 minutos)

As sementes da olaia apresentam dormência devido ao cação de ácido giberélico pode romper a dormência em
endosperma e ao tegumento impermeável (Riggio Be sementes previamente embebidas, mas uma estratifi
vilacqua et al., 1985, 1988) e necessitam de escarifica cação durante 16 semanas a 4 ºC tem um efeito mais
ção e estratificação em frio para poderem germinar. A eficiente (Gebre e Karam, 2004), além disso a sua apli
duração da escarificação com ácido deve ser definida cação pode ter consequências negativas no desenvol
em ensaios prévios, para cada lote de sementes. A apli vimento posterior da plântula (Rascio et al., 1998).

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Primavera, com tratamento raiz nua: perímetro do caule até 46 cm na mesma Primavera,
ou altura total até 100150 cm 24 semanas depois
■ ■ ■

■ alvéolo florestal 300 cm : 1/0 da sementeira


3
Cercis siliquastrum 34

■ vaso 3,5 l: 1/1


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Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheia Concentração
– Tamanho de auxinas

■ semilenhosa terminal 23 Verão (Julho) 1%

A olaia não se propaga facilmente por estacaria. A zona A micropropagação da olaia foi testada com algum
da copa da qual se obtêm as estacas e a época de co êxito com a utilização de gomos axilares (Bignami,
lheita influenciam significativamente o êxito do pro 1984).
cesso de enraizamento (Karam e Gebre, 2004).

Bibliografia
Bibliografia geral Gebre GH, Karam NS (2004) Germination of Cercis siliquas
trum seeds in response ti gibberellic acid and stratification
Ball PW (1968) Cercis L. In: Tutin TG et al. (eds). Flora Euro Seed Science and Technology 32:255260
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Riggio Bevilacqua L, Roti Michelozzi G, Serrato Valenti G
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America. Dioscorides Press, Portland seeds. Seed Science and Technology 13:175182

Riggio Bevilacqua L, Profumo P, Gastaldo P, Barella P (1988)


Bibliografia específica Cytochemical study on the dormancyimposing endosperm of
Cercis siliquastrum. Annals of Botany 61:561565
Bignami C (1984) Prove di micropropagazione di Cercis sili
quastrum L.. Informatore Agrario 40:103105
35 Cercis siliquastrum
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:58 AM Página36

Clematis vitalba L.
EN: clematis, traveller’sjoy Ranunculaceae
EL: κληματίς

Clematis flammula L.
ES: clemátide
FR: clématite
IT: clematide
PT: clematis

Clematis vitalba L.
Clematis flammula L.

Distribuição e Ecologia
C. vitalba: Sardenha, Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Mon
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen tenegro, Albânia, Grécia (incl. Creta), Turquia, Chipre,
tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste da Ásia, Síria, Líbano, Israel, Líbia,Tunísia, Argélia, Marrocos
Norte de África
A Clematis vitalba e a C. flammula podem fazer parte
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa das trepadoras que integram a vegetação ripária. A C.
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e vitalba necessita de maiores níveis de humidade, sendo
Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, Al frequente em bosques de folhosas e em áreas de matos
bânia, Grécia, Turquia, Síria, Líbano, Argélia constituídos por arbustos e pequenas espinhosas e ca
ducifólios em ambientes eurosiberianos, embora tam
bém se encontre em zonas sombrias e frescas da região
C. flammula: mediterrânica. A C. flammula é uma espécie mais ter
Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da mófila cuja distribuição restringese ao litoral medi
Europa, Cáucaso, Oeste da Ásia, Norte de África terrânico, encontrandose também em sebes, matos e
bosques, em zonas abertas e ensolaradas.
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa
C. vitalba. C. flammula 36

nha (incl. Baleares), França (incl. Córsega), Itália (incl.


bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:58 AM Página37

Características de identificação
A Clematis vitalba e a C. flammula são lianas de folha Além destas duas espécies, na região mediterrânica
caducifólia, com caule lenhoso pelo menos na parte in existem com menor frequência outras Clematis trepa
ferior, ao nível do solo. A primeira espécie diferenciase doras, como a C. viticella L. e a C. campaniflora Brot.
por ter folhas 1penatissectas, com foliolos ovados, cor que têm flores de cor violeta, esta última está res
diformeovados ou ovallanceolados, enquanto que na tringida ao centro e oeste da Península Ibérica; ou a
C. flammula, as folhas são na sua maioria bipenatissec Clematis cirrhosa L., com flores isoladas ou em grupos
tas, às vezes tripenatissectas, com folíolos ovais, lan com duas a quatro e com as bractéolas soldadas for
ceolados ou lineares. Na C. flammula, as peças do mando um invólucro debaixo da flor.
perianto são brancas e glabras na face interna, sendo as
da C. vitalba de uma cor brancoesverdeada e pubes
centes em ambas as faces.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores agrupadas em entomófila aquénio com um de Setembro a


cachos paniculiformes estilete comprido Novembro
■ ■ ■ ■ ■

■ de Maio a Agosto, às plumoso, persistente ■ dispersão pelo

vezes mais tarde ■ 23 mm (comprimento vento


do estilete: até 3,5 cm
na C. flammula; até
5,5 cm na C. vitalba)

Variação e Hibridação
Não existe informação sobre variação intraespecífica
e hibridação para estes taxa.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Outubro a fricção para 57 g C. flammula Temp.: 4 ºC


Dezembro eliminação do estilete (aquénios) Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

■ colheita manual plumoso ■ 13 g C. vitalba ■ recipiente hermeticamente


a partir do solo ■ pureza: 99100% (aquénios) fechado

As sementes não se costumam extrair dos aquénios.


37 C. vitalba. C. flammula
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página38

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

extracção manual das sementes ou 20 / 10 ºC; 20 ºC 6595%


escarificação mecânica + estratificação
■ ■ ■

em frio (8–24 semanas)

As sementes de Clematis apresentam uma dormência talba (Bungard et al., 1997). A estratificação em frio
morfofisiológica e necessitam de uma estratificação pode ser substituída pela aplicação de temperaturas
em frio para germinar. A estratificação em frio por um alternadas de 5 ºC (12 horas) e de 15 ºC (12 horas) em
período de 8 a 12 semanas parece ser adequada para câmara de germinação (Vinkler et al., 2004).
estimular a germinação das sementes de Clematis vi

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono ou início da Primavera, alvéolo florestal 300 cm3: na primeira Primavera


sem tratamento; ou Primavera, 1/0 ou 2/0 e pode completarse no
■ ■ ■

com tratamento Outono seguinte

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
– Tamanho de auxinas

semilenhosa indiferente 12 Verão sem ou < 0,5%


ou herbácea

No género Clematis, a estacaria realizase no Verão cancem os gomos é muito menor que no método con
com material formado na Primavera do mesmo ano. vencional; no entanto, tem a desvantagem de ocupar
Recomendase a utilização de estacas herbáceas com mais espaço e de se obter menos material por cada
um par de folhas. Münster (2000) recomenda fazer um plantamãe (Gunn, 2005). Kreen et al. (2002) reco
corte nos 2 cm inferiores da estaca que permita deixar mendam a utilização de perlite como substrato e a uti
à vista o câmbio, para acelerar a formação de raízes. lização de uma rega por nebulosidade durante o
Podese retirar uma das folhas para libertar espaço e período de enraizamento.
evitar infecções com fungos do género Botrytis. Outra
forma de propagação é o chamado “método japonês”, O enraizamento das microestacas obtidas mediante
que utiliza também estacas com um gomo mas são propagação in vitro parece ser mais eficaz que o trata
mais compridas e vigorosas, já que os cortes efectuam mento tradicional utilizando estacas herbáceas (Kreen
se nos entrenós imediatamente superior e inferior. et al., 2002).
Neste método, a probabilidade de que os fungos al
C. vitalba. C. flammula 38
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página39

Bibliografia
Bibliografia geral Bibliografia específica

Fernández Carvajal MC (1986) Clematis L. In: Castroviejo S et Bungard RA, Daly GT, McNeil DL, Jones AV, Morton JD
al. (eds). Flora Ibérica. Vol 1. CSIC, Madrid. (1997) Clematis vitalba in a New Zealand native forest rem
nant: does seed germination explain distribution? New
Mac Cárthaigh D, Spethmann (Hrsg.) W (2000) Krüssmanns Zealand Journal of Botany 35:525534
Gehölzvermehrung. Parey Buchverlag, Berlin
Gunn S (2005) Clematis from cuttings. Plantsman 4:8183
Strid A (1967) Clematis L. In: Stris A, Tan K (eds.) Flora Helle
nica. Vol 2. ARG Gantner Verlag KG, Ruggell Kreen S, Svensson M, Rumpunen K (2002) Rooting of Clema
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Tutin TG and Akeroyd JR (1993) Clematis L. In: Tutin TG et al. entia Horticulturae 96:351357
(eds). Flora Europaea. Vol 1. 2nd edition. Cambridge University
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W (eds) Krüssmans Gehölzvermehrung. Parey/Blackwell Wis
Young JA, Young CG (1992) Seeds of woody plants in North senschaftsverlag, Berlin
America. Dioscorides Press, Portland
Vinkler I, Muller C, Gama A (2004) Germination de la Cléma
tite (Clematis vitalba L.) et perspectives de maîtrese préven
tive au forêt. Revue Forestière Française 56:275286

39 C. vitalba. C. flammula
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página40

Coriaria
EN: coriaria Coriariaceae
EL: βυρσοδεψική η μυρτόφυλλος,

myrtifolia L.
κοριάρια η μυρτόφυλλη
ES: emborrachacabras, garapalo
FR: corroyère, redoul
IT: coriaria, sommacco provenzale
PT: coriaria

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da de substrato, é uma espécie de luz ou de meia sombra.
Europa, Norte de África Encontrase na região mediterrânica desde o litoral até
às zonas montanhosas, nas margens de linhas de água,
Distribuição na região mediterrânica: Espanha (incl. barrancos, matos densos e sebes húmidas. Possui um
Baleares), França, Itália, Argélia, Marrocos forte sistema radicular em simbiose com bactérias que
lhe permitem a fixação de azoto atmosférico, pelo que
A Coriaria myrtifolia é uma espécie que necessita de podem vegetar em terrenos pobres em nutrientes.
solos moderadamente húmidos, é indiferente ao tipo

Características de identificação
Esta espécie é um arbusto semicaducifólio que pode al forma como pela sua cor, embora seja muito tóxico
cançar 1 a 2 m de altura, com folhas opostas, simples, para o homem.
inteiras. O seu fruto é muito apelativo, não só pela sua

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

andromonoicia flores esverdeadas, anemófila aquénio negro, rodeado de Julho


agrupadas em autocompatível por estrutura carnuda a Setembro
■ ■ ■ ■ ■

cachos em forma de quilha, ■ dispersão por


■ de Março a Junho inicialmente avermelhadas, vertebrados


negras quando maduros frugívoros
■ uns 4 mm

Apesar de haver autocompatibilidade nesta espécie, o 1995). Desta forma, os frutos colhidos numa planta
cruzamento entre indivíduos é favorecido porque num mãe tendem a resultar da polinização de diferentes
mesmo indivíduo (ou planta) as flores masculinas apa indivíduos.
Coriaria myrtifolia 40

recem antes das hermafroditas (Thompson e Gornall,


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Variação e Hibridação
Coriaria é o único género dentro das Coriariaceae, fa disjunta (Yokoyama et al., 2000), sendo a C. myrtifolia
mília com uma distribuição mundial marcadamente a única espécie presente na Europa.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

desde os finais do metodologia utilizada 1113 g Temp.: 4 ºC


Verão ao princípio em frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

do Outono ■ peso das sementes / kg ■ recipiente hermeticamente


■ colheita manual fruto: 1034 g fechado


a partir do solo ■ pureza: 99100%

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

escarificação mecânica + imersão 25 / 20 ºC 8099%


numa solução de ácido giberélico luz
■ ■ ■

a 550 ppm (4 dias) + estratificação


em frio (4 semanas)

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Primavera, com tratamento alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 ainda durante a Primavera e
vaso 3,5 l: 1/1 completase num a dois meses
■ ■ ■

Num contexto de produção massiva em viveiro é pos inoculação com microorganismos fixadores de azoto
sível reduzir o tratamento a uma escarificação mecâ melhora consideravelmente o desenvolvimento das
nica e a uma sementeira no Outono ou mais cedo na plantas (MartínezSánchez et al., 1997; Cañizo et al.,
Primavera, embora a germinação possa ser lenta. A 1978).
41 Coriaria myrtifolia
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página42

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

■ semilenhosa basal ou intermédia 10  15 cm Outono  Inverno sem ou < 0,5%

Na propagação vegetativa de Coriaria myrtifolia ob cumprir estas condições, recomendase que o mate
têmse melhores resultados quando se utilizam esta rial seja colhido no princípio da Primavera, quando a
cas semilenhosas colhidas na época de paragem de temperatura ambiente começar a aumentar. Melgares
crescimento vegetativo (OutonoInverno); o enraiza de Aguilar et al., (2005) obtiveram taxas de sobrevi
mento nesta época do ano deve fazerse em ambiente vência de 85% em estacas colhidas na Primavera, em
protegido, mantendose uma temperatura de 20 ºC oposição a uma taxa de 100%, obtida com material
(Melgares de Aguilar et al., 2005). Se não for possível colhido no Outono.

Bibliografia
Bibliografia geral
Melgares de Aguilar J, González D, Navarro A, Bañón S, Gar
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de Ciências Hortícolas Vol 1:457461. Asociación Portugesa
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50:4044 14:11–19
Coriaria myrtifolia
42
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página43

Cornus
Cornaceae EN: common dogwood
EL: αγριοκρανιά

sanguinea L.
ES: cornejo
FR: cornouiller sanguin
IT: corniolo
PT: sanguinho legítimo

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen O sanguinho legítimo é uma espécie que necessita de
tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste de Ásia um clima fresco, daí que na região mediterrânica se re
fugie em lugares sombrios, encostas declivosas, mar
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa gens de rios e matos espinhosos húmidos. Em ambientes
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e Si mais húmidos, surge associado às bordaduras e clarei
cília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, ras de bosques e a matos caducifólios. Requer solos re
Albânia, Grécia, Turquia lativamente ricos em nutrientes e cresce em substratos
com pH variado. Suporta sem problemas os materiais
calcários e desenvolvese bem em solos pesados.

Características de identificação
A Cornus sanguinea é um arbusto caducifólio, de 1,5 a senvolvimento das folhas, ao contrário do que acon
6 m de altura, com raminhos avermelhados e folhas tece com a Cornus mas, espécie amplamente distribuída
opostas, ovadas ou elípticas, inteiras. As flores, com pé no oeste da Ásia e na Europa, que apresenta flores de
talas de cor branca ou creme, aparecem depois do de cor amarela ou esverdeada.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores brancas, entomófila drupa globosa, de Julho a Outubro


agrupadas em grandes negra dispersão por
■ ■ ■ ■ ■

inflorescências do tipo ■ 58 mm vertebrados


corimbo frugívoros
■ de Abril a Julho, às

vezes também no
Outono
43 Cornus sanguinea
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página44

Variação e Hibridação
Existem duas subespécies: C. sanguinea subsp. san pécie tipo são fundamentalmente em forma de pêlos
guinea e C. sanguinea subsp. australis; esta última, com simples, mais ou menos crespos, enquanto que na
distribuição no Sudeste da Europa e Sudoeste da Ásia. subsp. australis, os pêlos são naviculares e têm uma
A distinção entre ambas baseiase no tipo de indu orientação paralela à das nervuras.
mento na página inferior da folhas, no caso da subes

Propagação seminal
Obtenção e conservação de sementes
Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

desde Agosto até ao metodologia utilizada 3055 g


princípio do Outono em frutos carnudos Temp.: 4 ºC
■ ■ ■

Humidade: 48%

■ colheita manual a ■ peso das sementes / kg


■ recipiente

partir do solo fruto: 172317 g


■ pureza: 100%
hermeticamente
fechado

Na produção seminal da Cornus sanguinea ocorrem va caso de ocorrer uma elevada mortalidade de flores, por
riações anuais assim como variações entre populações, exemplo em resultado de herbivorismo, a proporção de
mas em geral a proporção de frutos face à quantidade frutos abortados é menor (Guitián et al., 1996). A co
de flores produzida é muito baixa, resultado de suces lheita dos frutos deve ser efectuada assim que estes
sivos insucessos nas diferentes etapas do seu desen estejam maduros, para reduzir as perdas ocasionadas
volvimento (Krüsi e Debussche, 1988). No entanto, no pelos pássaros.

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

estratificação quente (8 semanas) 30 / 20 ºC; 20 / 10 ºC


+ estratificação em frio (812 semanas) luz 8096%
■ ■

■ escarificação com ácido sulfúrico


concentrado (120 minutos) + estratificação


no frio (12 semanas)

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de propagação Emergência

Outono, sem tratamento ou alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 na primeira Primavera
Primavera, com tratamento ■ vaso 3,5 l: 1/1 e podese completar na segunda
■ ■ ■

Primavera
Cornus sanguinea 44
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página45

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

■ lenhosa indiferente 20 cm Inverno sem

A Cornus sanguinea propagase vegetativamente com A propagação in vitro foi experimentada com outras es
muita facilidade, utilizandose material lenhoso colhido pécies do género Cornus (Edson et al., 1994; Kaveriappa
no Inverno. Não é necessário aplicar hormonas, embora et al., 1997).
a sua utilização contribua para uma maior homoge
neidade na resposta.

Bibliografia
Bibliografia geral Bibliografia específica

Ball PW (1968) Cornus L. In: Tutin TG et al. (eds). Flora Euro Edson JL, Wenny DL, LeegeBrusven A (1994) Micropropaga
paea. Vol 2. Cambridge University Press, Cambridge tion of Pacific dogwood. HortScience 29:13551356

Catalán G (1991) Semillas de árboles y arbustos forestales. Guitián J, Guitián P, Navarro L (1996) Fruit set, fruit reduc
Ministerio de Agricultura Pesca y Alimentación. ICONA, Ma tion, and the fruiting strategy of Cornus sanguinea (Cor
drid naceae). American Journal of Botany 83:744748

Mac Cárthaigh D, Spethmann (Hrsg.) W (2000) Krüssmanns Kaveriappa KM, Phillips LM, Trigiano RN (1997) Micropropa
Gehölzvermehrung. Parey Buchverlag, Berlin gation of flowering dogwood (Cornus florida) from seedlings.
Plant Cell Reports 16:485489
Nieto Feliner G (1997) Cornus L. In: Castroviejo S et al. (eds).
Flora Ibérica. Vol 8. CSIC, Madrid Krüsi BO, Debussche M (1988) The fate of flowers and fruits
of Cornus sanguinea L. in three contrasting Mediterranean ha
Piotto B, Di Noi A (eds.) (2001) Propagazione per seme di al bitats. Oecologia 74:592599
beri e arbusti della flora mediterranea ANPA, Roma

Young JA, Young CG (1992) Seeds of woody plants in North


America. Dioscorides Press, Portland

45 Cornus sanguinea
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página46

Crataegus
EN: hawthorn, white thorn Rosaceae
EL: τρικουκκιά, μουρτζιά

monogyna Jacq.
ES: espino albar, majuelo
FR: aubépine, noble épine
IT: biancospino, marucca bianca
PT: pilriteiro, espinheiroalvar

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen tenegro, Albânia, Grécia (incl. Creta), Chipre,Turquia,
tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste da Ásia, Síria, Líbano, Israel, Tunísia, Argélia, Marrocos
Norte de África
Esta espécie apresenta uma grande amplitude ecoló
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa gica. Encontrase nas bordaduras e clareiras de bos
nha (incl. Baleares), França (incl. Córsega), Itália (incl. ques caducifólios, assim como em matos espinhosos
Sardenha e Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Mon caducifólios, restringindose nas regiões mais áridas às
ribeiras e ambientes sombrios.

Características de identificação
O pilriteiro é um arbusto ou pequena árvore espinhosa das suas folhas ou pela pilosidade de diferentes estru
até 5(10) m, com espinhos de 7 a 20 mm. Existe uma turas. As folhas do C. monogyna têm lóbulos inteiros
grande variação de tamanho e forma das folhas dentro ou poucos dentes agudos e as estípulas são inteiras; no
de um mesmo indivíduo, tendo um limbo desde pro C. laevigata as folhas têm lóbulos serrilhados e estípu
fundamente lobado a inteiro. O género Crataegus, las serradas. Também se diferencia do C. heldreichii, do
como outras rosáceas, tem uma grande complexidade C. azarolus e do C. pycnoloba, espécies com distribuição
taxonómica. restringida à zona mediterrânica oriental, cujos ramos
jovens, folhas, pedicelos e receptáculo são tomentosos,
Distinguese das outras espécies do mesmo género, lanosos ou seríceos, enquanto que na C. monogyna são
com distribuição na Europa mediterrânica, pela forma glabros ou com pêlos rectos e abertos.
Crataegus monogyna 46
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página47

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores brancas ou entomófila drupa vermelha de Agosto a


brancorosadas, agrupadas autocompatível 610 mm Novembro
■ ■ ■ ■ ■

em corimbos em número ■ dispersão por


■ ■

de 4 a 11 vertebrados
■ de Março a Junho frugívoros

Variação e Hibridação
A complexidade do género Crataegus é resultado de bastante baixa e sem qualquer estruturação espacial,
poliploidia (Talent e Dickinson, 2005), de hibridação, de devido possivelmente à eficiência na dispersão dos fru
introgressão e de apogamia. Segundo vários autores, tos pelos animais (Fineschi et al., 2005). Segundo estes
a Crataegus monogyna inclui um complexo e variado resultados, poderseia colher e misturar material de
número de plantas, diferenciandose numerosas sub indivíduos provenientes de populações distantes, mas
espécies ou variedades, tendo em conta as caracterís por precaução recomendase que o processo de co
ticas qualitativas ou quantitativas relativas às folhas, lheita seja mantido dentro dos limites de uma mesma
flores ou frutos. Já se descreveram híbridos naturais de região de proveniência, área de produção de semente
C. monogyna com C. azarolus e com C. laevigata. A in ou unidade ecológica. Esta medida conservadora é sus
trogressão com esta última espécie parece confirmar tentada pelos resultados obtidos em reflorestações com
se num estudo efectuado com a utilização de técnicas material de diferentes origens em condições ecológi
moleculares (Fineschi et al., 2005). cas distintas, tendo a proveniência local demonstrado
uma melhor adaptação ao clima e maior resistência às
A diversidade genética entre e dentro das populações, doenças (Jones et al., 2001).
estimada mediante técnicas moleculares, parece ser

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

desde o final do metodologia utilizada 55180 g Temp.: 4 ºC (23 anos)


Verão até ao princípio em frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

do Outono ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ colheita manual a fruto: 150230 g hermeticamente


partir do solo ■ pureza: 99100% fechado

Nesta espécie parece existir uma elevada tendência A colheita dos frutos no final do Verão, quando ficam
para ocorrer o aborto dos frutos, particularmente no com uma cor avermelhada mas sem que a maturação
início do período de desenvolvimento dos mesmos, em tenha sido completada, pode encurtar o processo de
bora este fenómeno seja variável entre indivíduos (Gui germinação das sementes.
tián et al., 1992). Devese evitar concentrar a colheita
do material apenas nos indivíduos mais produtivos,
procurandose que a contribuição dos diferentes indi
47 Crataegus monogyna

víduos seja equilibrada.


bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página48

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

estratificação quente (416 semanas) + 30 / 20 ºC 70100%


estratificação em frio (12 36 semanas)
■ ■ ■

■ escarificação mecânica + estratificação

em frio (48 ou mais semanas)


■ escarificação com ácido sulfúrico

concentrado (30120 minutos) +


estratificação em frio (48 ou mais semanas)
■ escarificação mecânica ou química

+ estratificação quente (412 semanas)


+ estratificação em frio (1220 semanas)

As sementes de pilriteiro manifestam uma profunda ficação mecânica quer a uma estratificação em frio
dormência do embrião, além disso a elevada espessura para facilitar a germinação.
e dureza do seu tegumento obriga quer a uma escari

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

finais de Verão, sem tratamento, alvéolo florestal 79 meses depois da sementeira
imediatamente depois da colheita, 300 cm3: 1/0 de Verão e pode completarse na
■ ■ ■

com sementes de frutos não ■ vaso 3,5 l: 1/1 Primavera seguinte


completamente maduros; ou na ■ 2 meses depois da sementeira de

Primavera, com tratamento Primavera; pode completarse na


segunda Primavera

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

lenhosa basal ou intermédia 15 cm Inverno 1%


semilenhosa basal ou intermédia 10 cm Verão 0,5%

■ de raiz 58 cm Inverno sem


A propagação vegetativa de Crataegus não é uma prá bém é possível propagar esta espécie com algum êxito
tica comum; no entanto, é possível utilizar esta técnica a partir de estacas de raiz; com este método, Göttsche
com resultados aceitáveis. Para a obtenção de estacas (1978) obteve uma sobrevivência de 30%, colocando
lenhosas é necessário colher material em plantasmãe verticalmente o material, ou seja deixando uma parte
vigorosas que tenham sido submetidas previamente a sem enterrar, numa mistura de turfa e areia (1:1).
uma poda severa de rejuvenescimento (Mac Cárthaig
e Spethman, 2000). Crobeddu e Pignati (2005) obti A propagação in vitro de Crataegus monogyna é possí
veram 76% de enraizamento utilizando estacas se vel e oferece melhores resultados que a propagação
milenhosas obtidas em Julho em plantasmãe rejuve vegetativa convencional. Wawrosch et al. (2007) utili
nescidas e produzindoas com uma temperatura basal zaram gomos axilares, colhidos no Inverno, como ma
Crataegus monogyna 48

superior a 20ºC sob uma rega por nebulosidade. Tam terial base.
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página49

Bibliografia
Bibliografia geral Fineschi S, Salvini D, Turchini D, Pastorelli R, Vendramin GG
(2005) Crataegus monogyna Jacq. and C. laevigata (Poir.) DC.
Amaral Franco J do (1968). Crataegus L. In: Tutin TG et al. (Rosaceae, Maloideae) display low level of genetic diversity
(eds). Flora Europaea. Vol 2. Cambridge University Press, Cam assessed by chloroplast markers. Plants Systematic and Evo
bridge lution 250:187196

Catalán G (1991) Semillas de árboles y arbustos forestales. Göttsche D (1978) Vermehrung einheimischer Straucharten
Ministerio de Agricultura Pesca y Alimentación. ICONA, Ma durch Wurzelschnittlinge. Forstarchiv 49:3336
drid
Guitián J, Sánchez JM, Guitián P (1992) Niveles de fructifi
Mac Cárthaigh D, Spethmann (Hrsg.) W (2000) Krüssmanns cación en Crataegus monogyna Jacq., Prunus mahaleb L. y
Gehölzvermehrung. Parey Buchverlag, Berlin Prunus spinosa L. (Rosaceae). Anales del Jardín Botánico de
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Muñoz Garmendia F, Navarro C (eds). Flora Ibérica. Vol 6. CSIC, Jones AT, Hayes MJ, Sackville Hamilton NR (2001) The effect
Madrid of provenance on the performance of Crataegus monogyna in
hedges. Journal of Applied Ecology 38:952–962
Piotto B, Di Noi A (eds.) (2001) Propagazione per seme di al
beri e arbusti della flora mediterranea ANPA, Roma Mac Cárthaigh D, Spethmann (eds) W (2000) Krüssmanns
Gehölzvermehrung. Parey Buchverlag, Berlin
Young JA, Young CG (1992) Seeds of woody plants in North
America. Dioscorides Press, Portland Talent N, Dickinson TA ( 2005) Polyploidy in Crataegus and
Mespilus (Rosaceae, Maloideae): evolutionary inferences from
flow cytometry of nuclear DNA amounts. Canadian Journal of
Bibliografia específica Botany 83:12681304

Crobeddu S, Pignatti G (2005) Propagazione per talea di specie Wawrosch C, Prinz S, Soleiman Y, Kopp B (2007) Clonal prop
mediterranee prove di substrato. Sherwood Foreste ed Alberi agation of Crataegus monogyna Jacq. (Lindm.). Planta Medica
Oggi 114:2731 73:1013

49 Crataegus monogyna
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página50

Dorycnium
EN: greater badassi Leguminosae
EL: μελιγκάρια

rectum (L.) Ser.


ES: unciana
FR: dorycnie dréssé
IT: trifoglino palustre
PT: ervamatapulgas

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da Forma parte de comunidades de herbáceas altas e de
Europa, Oeste da Ásia, Norte de África juncais das margens de cursos de água na região me
diterrânica. Prefere substratos de natureza básica. Esta
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa espécie é fixadora de azoto atmosférico.
nha (incl. Baleares), França (incl. Córsega), Itália (incl.
Sardenha e Sicília), Albânia, Grécia (incl. Creta), Tur
quia, Síria, Líbano, Israel, Tunísia, Argélia, Marrocos

Características de identificação
Planta herbácea perene, às vezes lenhosa na base, não distribuição na zona mediterrânica, estão associadas a
é espinhosa, pode alcançar 30 a 200 cm de altura. As matagais e pastagens secos, interiores ou costeiros.
folhas são compostas por 5 folíolos, os dois basais Morfologicamente, a D. rectum distinguese porque o
são ovados e agudos e os três restantes obovadoes ráquis das folhas tem mais do que 3,5 mm de compri
patulados, mucronados. Outras espécies deste género mento, enquanto que nas outras três espécies é menor
(D. pentaphyllum, D. hirsutum e D. gracile), com ampla ou não existe.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores brancorosadas, entomófila vagem mais ou menos de Julho


agrupadas em cilíndrica, de cor púr a Setembro
■ ■ ■ ■ ■

glomérulos, em pura ou púrpuraacas ■ dispersão por

número de 18 a 40 tanhada explosão


■ de Maio a Setembro ■ 1020 mm de

comprimento
Dorycnium rectum 50
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página51

Variação e Hibridação
Não existe informação sobre variação intraespecífica
e hibridação para este taxon.

Propagação seminal
Não foi encontrada informação relacionada com a pro cujas sementes são maiores, pelo que o peso das se
dução de sementes desta espécie. Como referência, dis mentes de D. rectum será tendencialmente mais baixo.
ponibilizamse dados relativos à Dorycnium hirsutum,

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Julho a Agosto metodologia utilizada 46 g (D. hirsutum) Temp.: 4 ºC


colheita manual a em frutos deiscentes Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

partir do solo ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ ■

fruto: 163 445 g hermeticamente


(D. hirsutum) fechado
■ pureza: 8599%

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

escarificação com ácido sulfúrico 20 ºC 8098% (D. hirsutum)


concentrado (1520 minutos)
■ ■ ■

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

■ Primavera, com tratamento ■ alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 ou 2/0 ■ ainda na mesma Primavera

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

■ semilenhosa terminal 10 cm Abril 0,5  1%

Os resultados obtidos por Frangi e Nicola (2004) em taphyllum e de D hirsutum foram obtidas a partir da
ensaios de estacaria de Dorycnium hirsutum sugerem zona apical dos ramos e foram tratadas com hormo
que a melhor época de colheita do material é na Pri nas, estes autores recomendam também a protecção
mavera, no mês de Abril. Alegre et al., (1998) obtiveram do material das baixas temperaturas nocturnas prima
os melhores resultados quando as estacas de D. pen veris.
51 Dorycnium rectum
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página52

Bibliografia
Bibliografia geral Bibliografia específica

Ball PW (1968) Dorycnium Miller. In: Tutin TG et al. (eds). Flora Alegre J, Toledo JL, Martinez A, Mora O, Andres EF (1998)
Europaea. Vol 2. Cambridge University Press, Cambridge Rooting ability of Dorycnium spp. under different conditions.
Scientia Horticulturae 76:123129
Díaz Lifante Z (2000) Dorycnium Mill. In: Talavera S et al. (eds).
Flora Ibérica. Vol 7(II). CISC, Madrid Frangi P, Nicola S (2004) Studio della propagazione per talea
di specie mediterranee di interesse ornamentale. Italus Hortus
11:191193
Dorycnium rectum 52
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página53

Flueggea tinctoria
Euphorbiaceae EN: tamujo
EL: 

(L.) G.L. Webster


ES: tamujo
FR: 
IT: 
PT: tamujo

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste da Europa O tamujo desenvolvese em leitos e barrancos secos,
frequentemente associado ao Nerium oleander. É uma
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa espécie que prefere solos de reacção ácida, bem dre
nha nados.

Características de identificação
A Flueggea tinctoria é um arbusto espinhoso de folha lhas são alternas, simples, obovadas, obtusas ou emar
caduca, muito ramificado desde a base, que pode ter ginadas e glabras.
até 2 m. Os ramos são de cor vermelho escuro e as fo

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

dioicia flores esverdeadas, solitárias anemófila cápsula com de Maio


ou agrupadas em fascículos; três lóbulos a Junho
■ ■ ■ ■ ■

flores masculinas ■ 3.54 mm ■ dispersão por

erectopatentes; flores gravidade


femininas pêndulas
■ de Janeiro a Abril

Variação e Hibridação
Não existe informação sobre variação intraespecífica
e hibridação para este taxon.
53 Flueggea tinctoria
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página54

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Maio a Junho metodologia utilizada em 4g Temp.: 4 ºC


colheita manual a frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

partir do solo ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ ■

fruto: 54 g hermeticamente
■ pureza: 98% fechado

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ não necessita de tratamentos ■ 20 ºC ■ 95%

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono ou Primavera alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 2 ou 3 semanas depois


vaso 3,5 l: 1/1 da sementeira
■ ■ ■

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

■ lenhosa indiferente 20 cm Inverno sim

Bibliografia
Bibliografia geral Gálvez A, Navarro RM (2001) Manual para la identificación y
reproducción de semillas de especies vegetales autóctonas de
Benedí C (1997) Flueggea Willd. In: Castroviejo S et al. (eds). Andalucía. Vol II. Consejería de Medio Ambiente, Junta de An
Flora Ibérica. Vol 8. CSIC, Madrid dalucía, Sevilla
Flueggea tinctoria 54
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 8:59 AM Página55

Frangula
Rhamnaceae EN: alder buckthorn
EL: βουρβουλιά

alnus Mill.
ES: arraclán
FR: bourdaine
IT: frangola
PT: sanguinhodaágua

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen Esta espécie necessita de solos frescos e húmidos, pre
tro, Norte e Este de Europa, Cáucaso, Oeste e Centro ferindo os de reaccão ácida, mas também suporta cal
de Ásia, Sibéria, China, Norte de África cários. Distribuise de forma dispersa em bosques
húmidos, margens de cursos de água e barrancos hú
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa midos em ambiente eurosiberiano, aparecendo na re
nha, França (incl. Córsega), Itália, Croácia, BósniaHer gião mediterrânica em zonas ripárias se as condições
zegovina, Montenegro, Albânia, Grécia, Turquia, Tunísia, forem suficientemente húmidas. Em Portugal, a exis
Argélia, Marrocos tência desta espécie estendese também ao Algarve.

Características de identidicação
A Frangula alnus é um arbusto ou pequena árvore, com (Scop.) Schur, arbusto endémico da zona mediterrânica
folhas caducas, ovaloblongas e ápice agudo, cujo porte oriental, que atinge apenas 80 cm de altura.
de 4 a 5 m permite distinguila da Frangula rupestris

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores brancoesverdeadas, entomófila drupa globosa, de Junho


agrupadas em cimeiras auto vermelho escura a Outubro
■ ■ ■ ■ ■

nas axilas das folhas incompatível ■ com cerca de ■ dispersão por


■ de Março a Julho 7 mm vertebrados


frugívoros

Apesar das aves frugívoras constituírem a principal diterrânica, onde as zonas ribeirinhas constituem um
forma de dispersão das sementes, esta também pode habitat adequado para o Alnus glutinosa (Hampe,
ser efectuada pela água, nomeadamente na região me 2004).
55 Frangula alnus
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:00 AM Página56

Variação e Hibridação
Distinguemse várias subespécies de Frangula alnus, ção genética ao longo da área de distribuição da espé
entre estas, duas desenvolvemse em países mediter cie, distinguindose três grupos (Iberia, Anatolia e Eu
rânicos. Uma delas é o F. alnus subsp. baetica (Rever ropa temperada) em resultado da sua história evolutiva.
chon & Willk.) Rivas Goday ex Devesa, com distribuição Estimase uma grande diferenciação genética entre as
limitada ao sul de Espanha e norte de Marrocos, de populações mediterrânicas marginais, incluindo entre
maior porte que a subespécie tipo e com folhas de populações próximas, sendo a variação intrapopula
grande tamanho (514 x 25,5 cm). A outra subespécie, cional baixa, tudo isto é devido a um fluxo genético li
a F. alnus subsp. pontica (Boiss.) Davis & Yalt.,é um ar mitado entre as populações destas áreas. Este padrão
busto ou pequena árvore endémico de Anatolia, com de variação genética sugere a necessidade de haver
folhas oblongolanceoladas e com raminhos jovens precaução na movimentação dos materiais de repro
glabros, em vez das folhas obovadoelípticas e os ra dução desta espécie, localizando a colheita o mais pos
minhos jovens pubescentes da subespécie tipo. sível nas populações locais, particularmente se as
intervenções de restauração forem feitas nas zonas
Estudos levados a cabo mediante técnicas moleculares com presença de subespécies endémicas.
(Hampe et al., 2003) mostram uma grande diferencia

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Agosto a Novembro metodologia utilizada 1627 g Temp.: 4 ºC


colheita manual a partir do em frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

solo ou com ferramentas ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ ■

de longo alcance fruto: 90150 g hermeticamente


■ pureza: 98100 g fechado

Na região mediterrânica, com populações pequenas ou devem ser tidos em conta quando se deseja colher e
indivíduos mais ou menos isolados, a produção de fru produzir material de reprodução desta espécie.
tos é reduzida, não só por haver uma limitação de pólen
(Medan, 1994; Hampe 2005) mas também devido a É conveniente efectuar a colheita cerca de duas sema
factores climáticos, particularmente a secura, que ori nas antes da completa maturação dos frutos, para evi
ginam uma importante variação ao longo dos anos na tar que sejam colhidos por pássaros.
produção de fruto (Hampe, 2005). Estes aspectos

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

estratificação em frio (8 semanas) 30 / 20 ºC 7094%


luz
■ ■ ■


Frangula alnus 56
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Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento ou na raiz nua: 50 g/m2; perímetro do na primeira Primavera


Primavera, com tratamento caule até 46 cm ou altura total
■ ■ ■

até 80100 cm
■ alvéolo florestal 300 cm : 1/0
3

■ vaso 3,5 l: 1/1

Segundo Gálvez e Navarro (2001), as sementes de F. em frio e podem ser semeadas directamente, germi
alnus subsp. baetica não necessitam de estratificação nando na Primavera seguinte.

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

■ semilenhosa basal ou intermédia 2  3 / 5  10 cm Verão 0,5%

Se a plantamãe for jovem, a obtenção das estacas Graves, 2005). Existem algumas referências relativas à
pode fazerse aproveitando a vara por inteiro, no en propagação de outras espécies da família Rhamnaceae,
tanto as que são retiradas das partes basal e intermé com estacas lenhosas, utilizando material colhido no
dia formam raízes mais fortes. Quando se utiliza Inverno, da zona basal ou intermédia dos ramos, com
material adulto, as estacas terminais manifestam uma aplicação de hormonas (Bañón et al., 2003; Dirr e Heu
diminuição notável na sua capacidade regenerativa ser, 2006).
(Graves, 2002). Um tratamento com ácido indolbutírico
em forma de talco a 0,3  0,8% melhora consideravel A regeneração in vitro de F. alnus foi realizada com
mente os resultados. Recomendase a utilização de êxito a partir de gomos axilares (Bignami, 1983) e em
vermiculite e de uma rega por nebulosidade (Sharma e briões excisados (Kovacevic e Grubisic, 2005).

Bibliografia
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57 Frangula alnus
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Frangula alnus 58
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Fraxinus
Oleaceae EN: narrowleaved ash
EL: νερόφραξος

angustifolia Vahl.
ES: fresno de hoja estrecha
FR: frêne oxyphylle
IT: frassino meridionale
PT: freixodefolhasestreitas

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen zonas altas das margens ocasionalmente inundáveis
tro e Este da Europa, Cáucaso, Oeste da Ásia, Norte de durante curtos períodos de tempo, em contacto com a
África vegetação climatófila. Às vezes encontrase nas zonas
da base de vales com toalha freática elevada ou em
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa bosques frescos e sombrios. Forma povoamentos puros
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e Si ou surge em mistura com outras espécies arbóreas.
cília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, Nalguns pontos da sua distribuição oriental também
Albânia, Grécia, Turquia, Tunísia, Argélia, Marrocos cresce em zonas planas húmidas de água doce. É uma
espécie que manifesta uma certa indiferença ao subs
Na região mediterrânica, o Fraxinus angustifolia de trato, embora prefira solos descarbonatados com tex
senvolvese em bosques de ribeira, normalmente nas tura arenosa.

Características de identificação
Fraxinus angustifolia é uma árvore com 15 a 20 m de terística distinta pode ser também o facto da F. angus
altura. As folhas são caducas, formadas por (3)5 a tifolia apresentar um número menor de flores (ou fru
13(15) foliolos lanceolados, dentados. Tem gomos de tos) por inflorescência (15 a 20 versus 50 a 150). A F.
cor parda, característica que o diferencia do Fraxinus angustifolia suporta melhor os solos com tendência
excelsior (freixo), espécie com gomos terminais negros. para o encharcamento que o F. excelsior e é mais ter
Outra característica diferenciadora é o tipo de inflo mófilo que este.
rescência: em racimo na F. angustifolia e em panícula
no F. excelsior. A F. angustifolia apresenta normalmente F. angustifolia distinguese facilmente do Fraxinus
um número menor de folíolos por folha e de menor ta ornus, porque as flores desta espécie têm as pétalas
manho. Além disso, na F. angustifolia, os dentes dos fo brancas e agrupamse em vistosas inflorescências ter
líolos, em número igual ou menor ao das nervuras minais. O F. ornus normalmente não faz parte da vege
laterais, estão arqueados para fora; na F. excelsior, os tação ripária, dado que cresce em encostas ensolaradas
dentes são em número maior ao das nervuras laterais, em bosques de coníferas, de folhosas ou em formações
direccionandose para o ápice do folíolo. Outra carac mistas.
59 Fraxinus angustifolia
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Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

andromonoicia flores inconspícuas, anemófila sâmara com ala de Setembro a


agrupadas em cachos distal Outubro
■ ■ ■ ■ ■

■ de Fevereiro a Maio, antes ■ 2040 mm ■ dispersão pelo

do desenvolvimento das de comprimento vento


folhas

Variação e Hibridação
Reconhecemse três subespécies em função da forma assim como também híbridos de F. angustifolia com F.
das sâmaras e do número de folíolos, cada uma delas excelsior nas zonas de contacto destas espécies (Fer
com uma distribuição geográfica bastante definida: nándezManjares et al., 2006; Gerard et al, 2006).
spp. angustifolia no oeste da zona mediterrânica, a spp.
oxycarpa (Bieb. ex Willd.) Franco & Rocha Alfonso no Estudos genéticos realizados com esta espécie (Fraxi
leste da Europa central e sul da Europa desde o nor gen, 2005) estimam elevados níveis de fluxo genético
deste de Espanha até ao leste e spp. syriaca (Boiss.) via pólen entre povoamentos e uma elevada variação
Yalt. na Turquia e desde o leste até ao Irão. Esta dife dentro destes, consequência da forma como se efectua
renciação seguindo uma estruturação geográfica, seria a polinização nesta espécie. Estes resultados sugerem
também apoiada por estudos fitogeográficos já reali a possibilidade de considerar como unidade de colheita
zados, utilizando técnicas moleculares (Heuertz et al., de um lote, uma área mais ou menos extensa que in
2006). No entanto, há que considerar que existem for clua vários povoamentos.
mas intermédias entre estes taxa (Fraxigen, 2005),

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

desde Outubro metodologia utilizada 40100 g (sâmaras) Temp.: 4 ºC


colheita manual desde com frutos que se Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

o solo, utilização de semeiem directamente ■ recipiente


■ ■

ferramentas de longo ■ pureza: 9099% hermeticamente


alcance ou varejamento fechado
da copa

Existe uma importante variação anual na produção de temperaturas desde a sua colheita até ao seu proces
frutos, havendo anos em que esta é praticamente ine samento, já que estas podem começar a fermentar
xistente. Além disso, a proporção de frutos com se (Piotto e Piccini, 2000). As sâmaras tratadas, prontas
mentes vazias é muito alta, devido à predação e ao para germinar, podem ser conservadas a 3 ºC durante
aborto das sementes. um ano, depois de terem sido sujeitas a uma estratifi
cação quente durante 15 dias, a uma estratificação no
As sâmaras colhemse no Outono, quando ficam acas frio durante outros 15 dias e a uma secagem até ser
tanhadas. Devese evitar expor as sementes a elevadas obtido um teor em humidade de 9,5% (Piotto, 1997).
Fraxinus angustifolia 60
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Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

estratificação em frio (616 semanas) 25 / 4 ºC 5080%


estratificação quente (4 semanas) +
■ ■ ■

estratificação em frio (48 semanas)


As sementes de Fraxinus angustifolia apresentam uma serem submetidas a uma temperatura constante ou
dormência fisiológica e necessitam de uma flutuação com pouca variação, pode estar a induzirse uma dor
de temperatura para germinar. No caso das sâmaras mência secundária (Piotto, 1994).

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento ou início raiz nua: 200250 g/m2; perímetro na primeira Primavera,
da Primavera, com tratamento do caule até 68 cm ou altura total 23 semanas depois da
■ ■ ■

até 100150 cm sementeira de Primavera


■ alvéolo florestal 300 cm : 1/0
3

■ vaso 3,5 l: 1/1

Propagação vegetativa
Fraxinus angustifolia não forma raízes a partir de es Parrón et al., 1994; Tonon et al., 2001a; Tonon et al.,
tacas, pelo que este tipo de propagação vegetativa não 2001b).
é viável. No entanto, podese propagar in vitro (Pérez

Bibliografia
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Fraxinus angustifolia 62
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Hedera sp.
Araliaceae EN: common ivy
EL: κισσός
ES: hiedra
FR: lierre
IT: edera
PT: hera

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen Para a hera é indiferente a natureza do substrato e
tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste da Ásia, pode crescer tanto em terrenos encharcados como em
Macaronésia muito secos, no entanto, prefere os solos húmidos e
férteis. Encontrase em bosques, matagais húmidos, em
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa rochas e barrancos sombrios, sendo muito comum em
nha (incl. Baleares), França (incl. Córsega), Itália (incl. bosques de ribeira mediterrânicos.
Sardenha e Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Mon
tenegro, Albânia, Grécia (incl. Creta), Chipre, Turquia,
Síria, Líbano, Israel, Egipto, Líbia, Tunísia, Argélia, Mar
rocos

Características de identificação
Esta espécie é uma planta trepadora perene que pode nas linhas de água é mais comum a H. hibernica, fora
alcançar até 30 m de altura. As folhas são alternas e destas encontrarseá a H. maderensis spp. iberica. Não
polimórficas: geralmente, as dos ramos estéreis são é fácil distinguir todas as espécies referenciadas, e há
cordiformes ou palmadas com 3 a 5 lóbulos; enquanto indivíduos com características intermédias. A forma de
que as dos ramos floríferos são inteiras ou subinteiras, diferenciar estas espécies baseiase nas características
elípticas, ovadas ou do tipo romboidal. Em geral, de dos tricomas das folhas.
signase por hera não só a Hedera helix L., mas também
a H. hibernica (G. Kirchn.) Bean, a H. maderensis K. Koch A Hedera helix é uma espécie diplóide e a H. hibernica
ex A. Rutherf, e outras espécies com área de distribui é tetraploide (Vargas et al., 1999).
ção mais ou menos definida. Em Portugal Continental,
63 Hedera
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Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores verdeamareladas, entomófila baga de Novembro


agrupadas em umbelas autoincompatível subglobosa, a Junho
■ ■ ■ ■ ■

■ de Julho a Dezembro negra ■ dispersão por


■ 79 mm vertebrados
frugívoros

Embora a dispersão possa ocorrer a partir de Novembro intensidade ser antecipada para o período de Janeiro a
até Junho, verificase uma maior intensidade no con Fevereiro se tiver sido um ano com um Inverno frio.
sumo dos frutos entre Abril e Maio, podendo essa maior (Metcalfe, 2005).

Variação e Hibridação
A complexidade taxonómica observada a nível inter riação geográfica para os diferentes tipos encontrados
específico tem também lugar a nível intraespecífico. (Grivet e Petit, 2002). Como resultado, recomendase a
Assim, conhecemse várias subespécies específicas de necessidade de uma certa prudência na movimentação
diferentes áreas geográficas, em número variado se dos materiais de reprodução, fazendoo apenas a uma
gundo vários autores. Estudos genéticos efectuados escala regional. Esta medida será benéfica para poten
com marcadores moleculares identificam a área medi ciar o uso da espécie nativa de cada território, já que a
terrânica ocidental como a zona de maior diversidade sua identificação será problemática para os que não
genética da espécie, observandose um padrão de va forem especialistas.

Propagação seminal
Não se dispõe de muita informação sobre a propagação ser propagada vegetativamente.
sexual da hera devido à facilidade com que esta pode

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA (provavelmente)
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

desde o Outono até à metodologia utilizada 1935 g Temp.: 01 ºC


Primavera em frutos carnudos Humidade: 5560%
■ ■ ■ ■

■ colheita manual a partir ■ peso das sementes / kg para frutos


do solo ou com fruto: (dados não ■ recipiente

ferramentas de longo encontrados) hermeticamente


alcance ■ pureza: 8090% fechado

A hera é uma espécie de meia sombra ou de sombra, no recta do fruto seja uma prática habitual nos viveiros.
entanto os exemplares que se encontram em zonas Devese evitar que os frutos percam humidade durante
ensolaradas vão ser aqueles que florescem e frutificam. o seu armazenamento. Os lotes podem ser conservados
É aconselhável a remoção da polpa já que contém ini durante 3 a 4 meses num lugar húmido.
bidores da germinação, mesmo que a sementeira di
Hedera 64
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Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ estratificação em frio (4 semanas) ■ 29 / 6 ºC ■ 6570%

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento ou alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 ou 2/0 na primeira Primavera,
Primavera, com tratamento 14 semanas depois da
■ ■ ■

sementeira de Primavera

Recomendase que a sua produção seja feita a meia temperaturas altas e a radiação intensa reduzem o
sombra com temperaturas à volta dos 20ºC, já que as crescimento (Mortensen e Larsen, 1989).

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

■ semilenhosa basal ou intermédia 12 Verão sem ou < 0,5%

A propagação vegetativa é o método mais utilizado na Larsen, 1989). As melhores estacas obtêmse dos en
produção de plantas de hera. A sua multiplicação é re trenós situados nas fracções média e inferior dos ramos
lativamente fácil, embora a utilização de material jovem (Poulsen e Andersen, 1980). Também é possível propa
seja aconselhável já que os tecidos adultos não formam gar vegetativamente utilizando pecíolos, dos quais é eli
raízes e não reagem ao tratamento com auxinas (Ge minada a lâmina foliar (Geneve et al., 1988).
neve, 1991; Geneve et al., 1988). Como as estacas com
entrenós mais compridos formam mais e melhores raí As heras podemse propagar in vitro utilizando seg
zes, é conveniente colher material de plantasmãe si mentos de ramos não lenhificados. Podese obter mais
tuadas em zonas ensombradas, que tendem a formar microestacas por amostra se o gomo apical dos ramos
rebentos com entrenós mais distanciados e menos le for eliminado (Aljuboory et al., 1991; Auderset et al.,
nhificados que as que recebem sol directo (Mortensen e 1996; Awad e Banks, 1981; Banks 1979).

Bibliografia
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Hedera 66
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:00 AM Página67

Humulus
Cannabaceae EN: common hop
EL: λυκίσκος

lupulus L.
ES: lúpulo
FR: houblon
IT: luppolo
PT: engatadeira

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen cília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, Albâ
tro, Norte e Este de Europa, Cáucaso, Oeste, Centro e nia, Grécia, Turquia
Este da Ásia, Sibéria, China, Este e Oeste do Canadá,
Nordeste, CentroNorte, Noroeste, Sudeste, Centro A engatadeira encontrase em zonas temperadas e
Sul e Sudoeste dos Estados Unidos da América, México frias, em ambientes húmidos e frescos e em bosques de
ribeira em clima mediterrânico. Desenvolvese em
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa substratos húmidos, ocasionalmente inundáveis, de
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e Si reacção básica a ligeiramente ácida.

Características de identificação
Humulus lupulus é a única espécie de engatadeira euro tação, e que pode alcançar 510 m de altura. Apresenta
peia e é uma planta rizomatosa com caule anual lianóide folhas geralmente opostas, amplamente ovadocorda
provido de tricomas que utiliza como forma de susten das com 3 a 5 lóbulos profundamente dentados.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

dioicia flores verdeamareladas, anemófila aquénio globoso, de Setembro


inflorescências envolvido por a Outubro
■ ■ ■ ■ ■

masculinas em panículas, bráctea amarelada ■ dispersão pelo

inflorescências femininas ■ uns 3 x 2,5 mm vento


formando espigas curtas,
solitárias ou em grupos
■ de Maio a Agosto
67 Humulus lupulus
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Variação e Hibridação
Segundo Small (1978) as distintas variedades de enga marcadores moleculares sugerem a existência de dois
tadeira são identificáveis tendo em conta as caracte grandes tipos, o europeu e o asiáticonorteamericano,
rísticas morfológicas quantitativas e qualitativas das estando possivelmente a China no centro da origem do
folhas, assim como considerando a sua distribuição género (Murakami et al., 2006). Além disso, o tipo eu
geográfica. As populações europeias incluíamse pra ropeu parece mostrar uma baixa variabilidade genética
ticamente na sua maioria dentro da H. lupulus var. comparado com o tipo norteamericano, fruto prova
lupulus. Estudos filogenéticos posteriores utilizando velmente de uma expansão rápida e recente.

Propagação seminal
A engatadeira não é normalmente propagada sexual representativa de sementes e à sua baixa viabilidade.
mente devido à dificuldade de colher uma quantidade

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Setembro a Outubro metodologia utilizada em 2.8 3.5 g Temp.: 4 ºC


colheita manual a partir frutos deiscentes Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

do solo ou com ferramen ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ ■

tas de longo alcance fruto: (dados não encon hermeticamente


trados) fechado
■ pureza: 95%

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ estratificação em frio (510 semanas) ■ 25 / 15 ºC (8 / 16 h) ■ 95%

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento ou alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 na Primavera, 3 a 4 semanas
Primavera, com tratamento ou 2/0 depois da sementeira
■ ■ ■

As sementes devem cobrirse ligeiramente no momento quenos (volume inferior a 7075 cm3). As plântulas
da sementeira. As plântulas são muito delicadas e sus podem ser depois repicadas para contentores de cres
ceptíveis de sofrer danos provocados por geadas ou cimento, com volumes maiores.
surtos de calor. Podese semear em contentores pe
Humulus lupulus 68
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:00 AM Página69

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

herbácea indiferente 2 Primavera  Verão sem ou < 0,5%


de rizomas 10 cm Inverno sem

Normalmente, a engatadeira propagase utilizando ri recomenda a utilização de estacas com dois entrenós e
zomas e também estacas herbáceas (Buzi, 2000). Esta deixar as folhas do entrenó superior para manter a ac
espécie produz rizomas muito compridos dos quais se tividade fotossintética da estaca e promover o trans
pode obter material abundante para a sua propagação. porte de carbohidratos à zona basal. Os dias compridos
O material obtémse no final do período vegetativo, (16 h de luz) e uma boa iluminação ajudam a produzir
cortamse os rizomas em fracções que se enterram ho mais e melhores raízes (Howard e Sykes, 1966).
rizontalmente na areia. Logo que as estacas rebentam,
transferemse para contentor. A capacidade de enrai A propagação in vitro é possível, no entanto existem
zamento a partir de estacas de material caulinar tam diferenças significativas na resposta dos indivíduos face
bém é fácil, ainda que fortemente dependente do clone. à utilização deste método. Por ser uma planta de
A utilização de hormonas acelera e ajuda a homoge grande interesse agrícola existem diversos protocolos
neizar o enraizamento (Howard, 1967). A estacaria de de propagação massiva através da micropropagação
verão deve realizarse sob rega por nebulização, utili (Fortes e Pais, 2000; Gurriarán et al., 1999; Roy et al.,
zando material da zona média do ramo. Howard (1965) 2001; Smykalova et al., 2001).

Bibliografia
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69 Humulus lupulus

vitro micropropagation and regeneration of Humulus lupulus on


low sugar, starchGelrite media. Biologia Plantarum 44:712
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:00 AM Página70

Laurus
EN: bay tree Lauraceae
EL: δάφνη

nobilis L.
ES: laurel
FR: laurier sauce
IT: alloro
PT: loureiro

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da O loureiro é uma espécie que se desenvolve em am
Europa, Oeste da Ásia, Norte de África bientes de clima suave e com uma certa humidade mas
é sensível ao frio, pelo que é frequente nas zonas cos
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa teiras. Cresce disperso em bosques húmidos, barrancos
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e sombrios e fundos de vales, em formações ripícolas e
Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, Al mais raramente, formando povoamentos puros ou do
bânia, Grécia (incl. Creta), Chipre, Turquia, Síria, Líbano, minando em ambientes costeiros, particularmente hú
Israel, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos midos.

É difícil determinar se as populações são autóctones,


pelo facto do loureiro ter sido uma espécie amplamente
cultivada na zona Mediterrânica.

Características de identificação
O Laurus nobilis é uma árvore ou pequena árvore de L. azorica (Seub.) Franco, espécie com distribuição na
folha perene, que pode atingir 5 a 10 m de altura. Os Macaronésia e no Norte de África, porque esta última
ramos jovens são glabros e as folhas oblongolanceo tem as folhas pouco pelosas na página inferior en
ladas, glabras, coriáceas e aromáticas. Distinguese do quanto que os ramos jovens são densamente pelosos.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

dioicia flores verdeamareladas entomófila baga de Setembro


ou esbranquiçadas, ovóideglobosa, a Outubro
■ ■ ■ ■ ■

agrupadas em umbelas, negra ■ dispersão por

em número de 4 a 6 ■ 1015 mm vertebrados


■ de Fevereiro a Maio frugívoros
Laurus nobilis 70
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:00 AM Página71

Variação e Hibridação
Não existe informação sobre variação intraespecífica
e hibridação para este taxon.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: RECALCITRANTE
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Setembro a Outubro metodologia utilizada 8301000 g Temp.: 01 ºC


colheita manual a partir do em frutos carnudos Humidade: 5560%
■ ■ ■ ■

solo ou com ferramentas ■ peso das sementes / kg ■ recipiente aberto


■ ■

de longo alcance fruto: (dados não


encontrados)
■ pureza: 98%

As sementes de loureiro podem ser conservadas du minação (Takos, 2001; Tilki, 2004; Sari et al., 2006). No
rante 48 meses a 0 ºC, e devem ser tratadas como re entanto, é possível semear os frutos directamente. Esta
calcitrantes (Konstantinidou et al., 2007), pelo que prática, habitual em viveiros, permite reduzir a manipu
deverá evitarse a sua dessecação durante as fases de lação e a conservação dos lotes a apenas 2 a 4 meses,
limpeza e conservação. É recomendável eliminar a prevenindose a perda de humidade dos frutos durante
polpa dos frutos dado que esta contem inibidores à ger este período.

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

estratificação em frio (4–12 semanas) 20 ºC 5070%


luz
■ ■ ■

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento ou na alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 na primeira Primavera,
Primavera, com tratamento vaso 3,5 l: 1/1 completase em 23 meses
■ ■ ■


71 Laurus nobilis
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:00 AM Página72

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

■ semilenhosa basal ou intermédia 2 / 5  10 cm Agosto a Setembro 0,5%

O loureiro é uma espécie cuja propagação por estaca Outra opção pode ser obter material rejuvenescido, com
ria é difícil (Raviv et al., 1983; Viola et al., 2004). A ca maior facilidade para emitir raízes, mediante estiola
pacidade de produção de raízes adventícias é muito mento das plantasmãe.
variável entre indivíduos. Os melhores resultados
obtêmse colhendo o material no verão, a partir de O loureiro também pode ser propagado por mergulhia,
plantasmãe em fase juvenil e com copa abundante embora seja um método pouco prático quando se de
(Piccioni et al., 1996). Raviv e Putievsky (1984) reco seja produzir uma grande quantidade de plantas.
mendam que o enraizamento se processe em cama
quente e sob uma rega por nebulosidade, utilizando A propagação in vitro do loureiro foi ensaiada com
uma mistura de turfa e perlite (1:1) como substrato. êxito a partir de gomos axilares (Souayah et al., 2002).

Bibliografia
Bibliografia geral
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Laurus nobilis 72
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:00 AM Página73

Ligustrum
Oleaceae EN: common privet
EL: αγριομυρτιά

vulgare L.
ES: aligustre
FR: troène commun
IT: ligustro
PT: alfenheiro

Distribuição e Ecologia
Distribuição e Ecologia O alfenheiro suporta climas frios e continentais mas
com verões quentes. Esta espécie ocorre através de in
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen divíduos dispersos em matagais espinhosos, barrancos,
tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste da Ásia, clareiras de bosques e margens de rios. Prefere solos
Norte de África calcários, de textura argilosa ou limosa, com alguma
humidade.
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa
nha, França, Itália, Croácia, BósniaHerzegovina, Mon
tenegro, Albânia, Grécia, Turquia, Marrocos

Características de identificação
O Ligustrum vulgare é um arbusto de 1 a 5 m de altura, não autóctones como ornamentais, cujo uso deverá ser
normalmente de folha caduca, embora num clima evitado nas restaurações, como o Ligustrum lucidum
suave possa manter as folhas. As folhas são opostas, Aiton, uma pequena árvore, e o Ligustrum ovalifolium
elípticolanceoladas a oblongolanceoladas. Na Europa Hassk., um arbusto, espécies perenes originárias do
tem havido uma grande expansão de outras espécies leste da Ásia.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores brancas, entomófila baga globosa, de Setembro a


agrupadas em negra Outubro, persistem
■ ■ ■ ■ ■

panículas terminais ■ 68 mm na árvore durante


■ de Maio a Julho o Inverno
■ dispersão por

vertebrados
frugívoros
73 Ligustrum vulgare
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:01 AM Página74

Variação e Hibridação
Nesta espécie observaramse diferenças entre indiví a variabilidade genética dos lotes de sementes, pelo
duos relativamente ao número de frutos produzidos, ao que deverá colherse um número similar de frutos e de
tamanho destes e ao número de sementes por fruto sementes por indivíduo.
(Obeso e Grubb, 1993). Estas diferenças podem afectar

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Setembro a Dezembro metodologia utilizada 825 g Temp.: 4 ºC


colheita manual em frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

a partir do solo ou ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ ■

com ferramentas de fruto: 66290 g hermeticamente


longo alcance ■ pureza: 90100% fechado

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ estratificação em frio (812 semanas) ■ 20 / 10 ºC ■ 7496%

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono sem tratamento, raiz nua: 50 g/m2; perímetro do na primeira Primavera


ou início da Primavera, caule até 46 cm ou altura total
■ ■ ■

com tratamento até 80100 cm


■ alvéolo florestal 300 cm : 1/0
3

■ vaso 3,5 l: 1/1

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

lenhosa indiferente 20 cm Inverno sem ou < 0,5%


semilenhosa basal 10 cm Julho a Setembro sem ou < 0,5%

O alfenheiro reproduzse facilmente por propagação ve no final do Verão, já que a capacidade de enraizamento
getativa. É conveniente efectuar a estacaria directa do material colhido a partir de Outubro diminui rapida
mente em contentor no final do inverno, para prevenir mente. Possivelmente, o alfenheiro pode ser propagado
danos provocados por geadas. Hansen e Kristiansen utilizando estacas de raiz, dado que é uma espécie que
Ligustrum vulgare 74

(2000) recomendam a colheita de material semilenhoso é capaz de produzir naturalmente rebentação de raiz.
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:01 AM Página75

Bibliografia
Bibliografia geral Bibliografia específica

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Piotto B, Di Noi A (eds.) (2001) Propagazione per seme di al


beri e arbusti della flora mediterranea ANPA, Roma

Young JA, Young CG (1992) Seeds of woody plants in North


America. Dioscorides Press, Portland

75 Ligustrum vulgare
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:01 AM Página76

Liquidambar
EN: oriental sweet gum Altiginaceae
EL: υγραδάμπαρη

orientalis Mill.
ES: liquidámbar oriental
FR: liquidambar oriental, copalme d’orient
IT: liquidambar orientale
PT: liquidâmbaroriental

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Oeste da Ásia O liquidâmbaroriental cresce em encostas secas e
zonas húmidas, como ambientes de ribeira, zonas pan
Distribuição na região mediterrânica: Grécia (Ilha de tanosas e fundos de vales. Os melhores crescimentos
Rodes), Turquia ocorrem em substratos profundos, húmidos e ricos em
nutrientes.

Características de identificação
O Liquidambar orientalis é uma árvore de folha caduca cipais da página inferior. Geralmente, os lóbulos têm
que pode alcançar 3035 m de altura. As folhas são uns lóbulos secundários, característica que facilita a
palmatifendidas com 5 lóbulos, margem finamente diferenciação desta espécie de L. styraciflua, espécie
sinuadodentado ou serrada, glabras ou raramente americana difundida amplamente como ornamental.
apresentam tufos de pêlos na base das nervuras prin

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

monoicia flores pequenas, agrupadas entomófila cápsulas agrupadas de Novembro


em inflorescências helicoidalmente em a Dezembro
■ ■ ■ ■ ■

globosas, inflorescências infrutescência ■ dispersão

masculinas em racimos lenhificada, em pelo vento


terminais, inflorescências número de 25 a 30
femininas solitárias ■ infrutescência

■ de Março a Maio 2,53 cm

Variação e Hibridação
Liquidambar orientalis 76

Distinguemse duas variedades: L. orientalis var. orien los das folhas não estão divididos, enquanto que na pri
talis e L. orientalis var. integriloba; na última, os lóbu meira estão. Além disso, distinguemse dois tipos mor
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:01 AM Página77

fológicos relacionados com a capacidade de produzir Esta espécie tem uma maior proximidade morfológica
bálsamo: as árvores que produzem óleo são mais pe e genética com o L. styraciflua L. do que com os liqui
quenas, têm ramos mais compridos e as escamas da dambares do leste da Ásia (Hoey e Parks, 1991; Ickert
casca são maiores do que as que não produzem (Alan Bond et al., 2005; IckertBond e Wen, 2006), podendo
e Kaya, 2003). Parecem existir algumas diferenças de hibridar com o taxon americano dando lugar a indiví
adaptação ao frio entre populações localizadas a duos com um maior número de sementes por fruto
menos de 400 m de altitude (liquidâmbar de planície) (Santamour, 1972).
e as de altitudes superiores (liquidâmbar de montanha)
(Alan e Kaya, 2003).

Propagação seminal
O Liquidambar orientalis produzse normalmente por de sementes por fruto seja muito semelhante em
semente; no entanto, não se obtiveram dados relativos ambas as espécies, o comprimento das mesmas é maior
à sua produção, devido possivelmente à sua distri na espécie oriental (IckertBond et al., 2005), daí que os
buição restrita e ao seu uso muito localizado. Como valores a obter para o rendimento por quilo de frutos e
orientação, disponibilizamse valores relativos ao Li para o peso de 1000 sementes serão superiores aos va
quidambar styraciflua. No entanto, embora o número lores referenciados.

Obtenção e conservaçao de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Novembro a Dezembro metodologia utilizada 47 g (L. styraciflua) Temp.: 4 ºC


apanha com escalada ou em frutos deiscentes Humidade: 1015%
■ ■ ■ ■

com ferramentas de ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ ■

longo alcance fruto: 3090 g hermeticamente


(L. styraciflua) fechado
■ pureza: 9095% (L. styraciflua)

O liquidâmbaroriental produz frutos anualmente, em As infrutescências são colhidas quando a sua cor verde
bora as colheitas sejam abundantes a cada três anos perde intensidade e começam a ficar amareladas.
(Alan e Kaya, 2003).

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ estratificação em frio (4–6 semanas) ■ 30 / 20 ºC ■ 5070% (L. styraciflua)

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento ou raiz nua: 100 g/m2 na primeira Primavera


Primavera, com tratamento
■ ■ ■
77 Liquidambar orientalis

As sementes são muito sensíveis à desidratação no mo


mento da germinação, pelo que o substrato deve man
terse húmido.
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Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

■ semilenhosa basal ou intermédia 23 Verão 1%

Não existem dados relativos à propagação vegetativa A propagação in vitro apresentase como uma alterna
de Liquidambar orientalis, mas sim de L. styraciflua e de tiva mais eficaz. Erdag e Emek (2005) conseguiram
L. formosana, espécies com interesse comercial. Ambas regenerar indivíduos adultos de liquidâmbaroriental a
as espécies podem ser propagadas vegetativamente partir de gomos axilares. Há várias referências sobre a
através de estacas semilenhosas embora com dificul micropropagação das espécies americana e asiática de
dade, obtendose percentagens de sobrevivência sem liquidâmbar (Brand, 1990; Brand e Lineberger, 1991;
pre inferiores a 60%, em condições óptimas (He et al., Durkovich et al., 2005).
2004; Sutter e Barker, 1985).

Bibliografia
Bibliografia geral Durkovic J, Pichler V, Lux A (2005) Micropropagation with a
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drid Erdag B, Emek Y (2005) In vitro adventitious shoot regenera
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Mac Cárthaigh D, Spethmann (Hrsg.) W (2000) Krüssmanns ences 5:805808
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Liquidambar orientalis 78
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:01 AM Página79

Lonicera etrusca G. Santi


Caprifoliaceae EN: honeysuckle
EL: αγιόκλημα

Lonicera implexa Aiton


ES: madreselva
FR: chèvrefeuille
IT: caprifoglio
PT: madressilva
Lonicera etrusca
Lonicera implexa

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da nha (incl. Baleares), França (incl. Córsega), Itália (incl.
Europa, Oeste da Ásia, Norte de África Sardenha, Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Mon
tenegro, Albânia, Grécia, Tunísia, Argélia, Marrocos
Lonicera etrusca
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa As Lonicera etrusca e L. implexa são madressilvas ter
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e Si mófilas com ampla distribuição na região mediterrâ
cília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, nica europeia. Outras madressilvas que requerem
Albânia, Grécia (incl. Creta), Chipre, Turquia, Síria, Lí ambientes mais frescos, como a L. periclymenum, tam
bano, Israel, Tunísia, Argélia, Marrocos bém podem formar parte do estrato lianóide da vege
tação de ribeira em ambientes mediterrânicos. Todas
Lonicera implexa elas crescem também em sebes, matagais e bosques
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa abertos, com um certo grau de humidade.
79 L. etrusca - L. implexa
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:01 AM Página80

Características de identificação
As duas espécies são trepadoras lenhosas, com folhas L. splendida Boiss., endemismo espanhol de folha perene,
opostocruzadas, com um par de folhas distais (ime cujas flores apresentam estilete e estames mais compri
diatas à inflorescência) adunadas, e com flores que se dos. Outra trepadora similar, própria de climas mais fres
agrupam em glomérulos terminais. A L. implexa é pe cos, é a L. caprifolium L. que apresenta inflorescências
rene, de folha muito coriácea e inflorescência séssil, sésseis com folhas distais adunadas; pode ser distinguida
enquanto que a L. etrusca é caducifólia, com inflores facilmente no inverno porque é de folha caduca.
cência pedunculada, às vezes acompanhada por outros
dois glomérulos laterais. Não se recomenda a utilização da L. japonica em in
tervenções de restauração, esta é uma espécie asiática
As espécies referenciadas distinguemse facilmente da L. amplamente utilizada em jardinagem e considerada in
periclymenum porque as folhas superiores desta última vasora, apresentando flores em grupos de duas sobre
apresentam um pecíolo curto. A L. implexa, com 2 a 9 pedúnculos axilares, inicialmente brancas e depois
flores por inflorescência, não deve ser confundida com a amarelas, e com frutos azuis.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores tubulares, entomófila baga avermelhada de Setembro a


brancoamareladas, 48 mm Outubro, às vezes
■ ■ ■ ■ ■

frequentemente mais tarde


com tons arroxeados ■ dispersão por

■ de Maio a Agosto vertebrados


frugívoros

Variação e Hibridação
Não existe informação sobre variação intraespecífica
e hibridação para estes taxa.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Setembro a Outubro metodologia utilizada 711 g (L. etrusca); Temp.: 0 ºC a 4 ºC


colheita manual a partir em frutos carnudos 1114 g (L. implexa) Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

do solo ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ ■

fruto: 3076 g (L. hermeticamente


etrusca); 118157 g fechado
(L. implexa)
■ pureza: 9599%

A madressilva pode sofrer grandes perdas de produção colheita dos frutos de madressilva deve efectuarse no
L. etrusca - L. implexa 80

de sementes devido a ataques de piolhos, podendo momento da sua maturação, para evitar perdas oca
haver uma grande variação anual (Jordano, 1990). A sionadas pelos pássaros.
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Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

escarificação mecânica 20 / 10 ºC; 20 ºC 7097%


escarificação com ácido sulfúrico
■ ■ ■

concentrado (1020 minutos)


Embora nas espécies de Lonicera se recomende a apli espécies mediterrânicas parecem ter uma dormência as
cação de uma estratificação em frio (412 semanas), de sociada ao tegumento, pelo que será suficiente fazer
vido à dormência manifestada pelo embrião, estas duas uma escarificação para que as sementes germinem.

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento ou na alvéolo florestal 300 cm3: na primeira Primavera, 58
Primavera, com tratamento 1/0 ou 2/0 semanas depois da sementeira
■ ■ ■

de Primavera

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

herbácea basal ou intermédia 12 Verão sem ou < 0,5%


lenhosa basal ou intermédia 10 cm Inverno sem ou < 0,5%

■ de raiz 10 cm Inverno sem ou < 0,5%


Existe abundante informação sobre a propagação ve plantasmãe. É conveniente utilizar rega por nebulosi
getativa das madressilvas, já que o género Lonicera dade e material proveniente da parte média e basal dos
apresenta diversas espécies e híbridos seleccionados de ramos ou varas (Podkopaev, 1987). Também é possível
interesse ornamental que são propagados quase exclu efectuar a estacaria com material lenhoso (Albrecht e
sivamente por este método. No entanto, não se encon Schulze, 1980) e de raiz (Götsche, 1978), embora sejam
tra muita informação específica sobre a L. implexa e a métodos menos utilizados.
L etrusca. A propagação das madressilvas efectuase
normalmente utilizando estacas verdes colhidas no Existem diversos ensaios de propagação in vitro com
verão. A melhor época para colheita ocorre a partir de outras espécies do género Lonicera, dos quais se podem
Junho (Cabot et al., 2002), já que não se obtêm bons re obter referências para a propagação das espécies tra
sultados com material obtido na Primavera. Reco tadas neste guia (Kahru, 2003; Boonnour et al., 1988;
mendase que a propagação seja efectuada com Georges et al., 1993).
material rejuvenescido, resultante de ciclos de poda nas

Bibliografia
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L. etrusca - L. implexa 82
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Myrtus
Myrtaceae EN: myrtle, common myrtle
EL: μυρτιά

communis L.
ES: mirto
FR: myrte
IT: mirto
PT: murta

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da A murta é uma espécie termófila, típica do maquis me
Europa, Oeste da Ásia, Norte de África, Macaronésia diterrânico com influência litoral. Prefere os solos não
compactados com disponibilidade hídrica, daí encon
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa trarse com frequência nas margens dos rios, em fun
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e dos de vales e áreas sombrias. Aparece com mais
Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, Al frequência em solos de reacção ácida. Rebenta vigoro
bânia, Grécia (incl. Creta), Chipre, Turquia, Síria, Líbano, samente de toiça após corte ou passagem dum fogo.
Israel, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos

Características de identificação
A Myrtus communis é um arbusto de folha perene,
muito aromático, com folhas opostas e cruzadas,
ovadolanceoladas, agudas, atenuadas na base.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores brancas, entomófila baga elipsoidal de Outubro


agrupadas em autocompatível a subglobosa, a Janeiro
■ ■ ■ ■ ■

panículas negroazulada, ■ dispersão por


■ de Maio a Agosto, raras vezes branca vertebrados


às vezes também quase creme frugívoros
no Outono ■ 610 mm
83 Myrtus communis
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Variação e Hibridação
Estudos genéticos efectuados com isoenzimas mostram Alguns autores referenciam a subsp. tarentina, que
uma elevada variação dentro das populações, assim apresenta folhas de menor tamanho. É possível que
como também entre populações distantes (Messaoud esta subespécie se trate de uma variedade domesti
et al., 2006). cada, amplamente cultivada no passado em resultado
das múltiplas aplicações da espécie.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

finais do Outono metodologia utilizada 27 g Temp.: 4 ºC


colheita manual a partir em frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

do solo ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ ■

fruto: 30125 g hermeticamente


■ pureza: 98100% fechado

Existe uma grande variabilidade individual na produ importantes (Cani, 1996; Traveset et al., 2001; Mulas e
ção de frutos, assim como também variações anuais Fadda, 2004).

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ estratificação em frio (38 semanas) ■ 20 ºC ■ 8098%

As sementes de murta não necessitam de tratamentos; parecem existir diferenças significativas na capacidade
no entanto podese proceder à sua estratificação em germinativa das sementes dos indivíduos com fruto
frio para homogeneizar e acelerar a germinação. Não azulado ou com fruto branco (Traveset et al., 2001).

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 na primeira Primavera
ou na Primavera, com ou sem vaso 3,5 l: 1/1 e completase em 3 meses
■ ■ ■

tratamento

As plântulas de murta são muito sensíveis ao frio.


Myrtus communis 84
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Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

semilenhosa basal ou intermédia 23 Verão 0,5%


lenhosa basal ou intermédia 15 cm Inverno 0,5%

Existe informação abundante sobre a propagação da perlite (1:1) (De Vita e Lauro, 2004). A murta mostra
murta, devido ao interesse crescente nesta espécie de uma variação individual muito alta na capacidade de
vido aos seus óleos medicinais. Obtiveramse resulta enraizamento (Cervelli, 2001; Mulas e Cani, 1996). A
dos muito bons utilizando estacas semilenhosas fase de aclimatação do material enraizado é extrema
colhidas em Julho ou Agosto de plantasmãe rejuve mente delicada nesta espécie; é nesta fase que ocorrem
nescidas, tendose alcançado 90% de enraizamento as maiores perdas de produção (Frau et al., 2001; Milia
(Pignati e Crobeddu, 2005). A estacaria de verão re et al., 1996).
quere a aplicação de rega por nebulosidade (Cervelli,
2005; Scortichini, 1986). Klein et al. (2000) recomen A murta regenerase satisfatoriamente a partir de
dam colher o material em Novembro ou Dezembro, pro gomos axilares (Khosh Khui et al., 1984; Nobre, 1994;
duzindoas em condições controladas a 20 ºC com Ruffoni et al., 2003) e de meristemas (Frau et al., 2001;
aplicação de calor basal, será sob estas condições que Morini et al., 2002). Além disso, nas plantas obtidas por
se obtêm os melhores resultados (70%). Nesta espécie cultura in vitro temse conseguido reduzir a proporção
foi usado como substrato uma mistura de palha, turfa de perdas durante a fase de aclimatação para apenas
e fibra de coco (Crobeddu e Pignati, 2005) ou turfa e 3% (Hatzilazarou et al., 2003).

Bibliografia
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85 Myrtus communis

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Myrtus communis 86
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:01 AM Página87

Nerium
Apocynaceae EN: oleander
EL: πικροδάφνη

oleander L.
ES: adelfa
FR: laurierrose
IT: oleandro
PT: loendro

Distribuição e Ecologia
Distribuição geral: Sudoeste e Sudeste da Europa, O loendro é uma espécie heliófila que necessita de um
Oeste da Ásia, Península Arábica, Subcontinente In clima temperado, suportando bem inundações assim
diano, China, Norte, Oeste tropical e Nordeste tropical como períodos prolongados de seca. Na região medi
de África terrânica encontrase associada a cursos de água tem
porários e permanentes, a sua presença domina muitas
Região mediterrânica: Portugal, Espanha (incl. Balea vezes a paisagem.
res), França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e Si
cília), Croácia, Albânia, Grécia (incl. Creta), Chipre,
Turquia, Siria, Líbano, Israel, Líbia, Tunísia, Argélia, Mar
rocos

Características de identificação
O loendro é um arbusto de folha persistente, que pode com a nervura central esbranquiçada e muito marcada,
alcançar 46 m de altura. As folhas são lanceoladas, coriáceas e glabras.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores rosadas, entomófila fruto bifolículo de Dezembro


agrupadas autocompatível fusiforme deiscente a Março
■ ■ ■ ■ ■

em corimbos ■ 816 cm de ■ dispersão pelo


■ de Março a Outubro comprimento vento


87 Nerium oleander
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Variação e Hibridação
Ocasionalmente, tornase difícil saber se uma popula e com flores muito aromáticas são introduções de va
ção foi introduzida ou não, dado que o loendro é uma riedades cultivadas, provenientes da área de distribui
espécie amplamente cultivada e que se adapta com fa ção oriental da espécie, no século XVII, já que os
cilidade. Existem muitas variedades comerciais com fenótipos mediterrânicos têm flores simples e sem
flores de diferentes tamanhos, cores e formas, que se aroma. O uso de material asiático deverá evitarse nas
propagam por via vegetativa para uso ornamental. restaurações que se efectuem no meio mediterrânico,
Pagen (1988) sugere que os exemplares de flor dobrada devendose utilizar material da proveniência local.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Janeiro a Fevereiro metodologia utilizada 24 g Temp.: 4 ºC


colheita manual a partir em frutos deiscentes Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

do solo ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ ■

fruto: 68121 g hermeticamente


■ pureza: 9099% fechado
Apesar de haverem problemas de polinização, esta es existem variações na produção de sementes entre in
pécie produz um grande número de sementes por divíduos (Herrera, 1991). Recomendase que aquando
planta em resultado da formação de um grande nú da apanha da semente, seja respeitado o maior equilí
mero de flores por indivíduo e de sementes por fruto. brio possível na contribuição materna através da quan
Este comportamento permite que se possa colher tidade colhida e que esta seja efectuada num grande
grande quantidade de sementes por indivíduo. Deve ser número de indivíduos, para aumentar a variabilidade
também referenciado que, além das flutuações anuais, genética do lote de sementes.

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ sem tratamento ■ 20 ºC ■ 8897%

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Primavera, sem tratamento alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 710 dias depois da sementeira
■ vaso 3,5 l: 1/1
■ ■ ■

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

lenhosa basal ou intermédia 1520 cm DezembroFevereiro sem ou < 0,5%


semilenhosa terminal 12 JulhoAgosto sem ou < 0,5%
Nerium oleander 88


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Nos viveiros de plantas ornamentais, o loendro pro estacas requer condições controladas, sendo funda
pagase normalmente por estacaria. Alguns autores mental a aplicação de aquecimento basal (Jiménez,
obtêm melhores resultados com material lenhificado 1978; Ochoa et al., 2004). Nas estacas semilenhosas
colhido durante o Inverno do que com material colhido deixamse duas a três folhas no nó superior, estas fo
no Verão (Jiménez, 1978; Kose e Kostak, 2000; Patil e lhas podem ser cortadas a metade para reduzir a su
Shirol, 1991). Outros estudos pelo contrário, recomen perfície de transpiração (Standardi e Mariani, 1994). A
dam fazer estacaria a partir da Primavera com material estacaria de Verão devese realizar sob rega por nebu
novo, desaconselhando fazêlo no inverno (GarcíaEs losidade e num substrato que permita uma boa drena
paña, 1998; Ochoa et al., 2004; Standardi e Mariani, gem (GarcíaEspaña, 1998; Ochoa et al., 2003).
1994). Tanto num período como no outro, obtiveramse
resultados superiores a 90%. No loendro, os tratamen A propagação in vitro praticase com êxito a partir de
tos com auxinas não melhoram a taxa de enraizamento folhas (Santos et al., 1994), obtendose taxas de acli
e inclusivé podem provocar um efeito negativo (Jimé matação na ordem dos 90% (Roncasaglia et al., 2002).
nez, 1978; Pal et al., 1988; Patil e Shirol, 1991; Rocha Hatzilazarou et al., (2003) estabeleceram ensaios de
et al., 2004). As estacas lenhosas devem ter 1 a 2 cm de enraizamento ex vitro utilizando miniestacas.
diâmetro e as folhas devem ser retiradas. Este tipo de

Bibliografia
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89 Nerium oleander
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:01 AM Página90

Pistacia
EN: mastic tree Anacardiaceae
EL: σχίνος

lentiscus L.
ES: lentisco
FR: lentisque
IT: lentisco
PT: aroeira

Distribuição e Ecologia
Distribuição geral: Sudoeste e Sudeste da Europa, Albânia, Grécia (incl. Creta), Chipre, Turquia, Síria, Lí
Oeste da Ásia, Norte de África, Macaronésia bano, Israel, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos

Região mediterrânica: Portugal, Espanha (incl. Balea A aroeira desenvolvese em todo o tipo de substrato; é
res), França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e Si uma especie termófila muito abundante em garrigues
cília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, e bosques abertos, em enclaves não excessivamente
secos. Rebenta de toiça.

Características de identificação
Pistacia lentiscus é um arbusto de folha perene, de 1 a na região Mediterrânica e Médio Oriente (P. atlantica,
3 m de altura; às vezes forma uma pequena árvore com P. palaestina, P. terebinthus e P. khinjuk), já que é a
porte até 6 m. As folhas apresentam 2 a 12 folíolos única de folha perene, formando inclusive um grupo à
opostos, oblongolanceolados ou elípticos com o rá parte das outras quatro espécies segundo caracteriza
quis da folha alado. A aroeira diferenciase facilmente ção efectuada mediante técnicas moleculares (Gola
de outras espécies do mesmo género com distribuição Goldhirsh et al., 2004).

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

dioicia flores pequenas anemófila drupa globosa, de Outubro


avermelhadas ou negra a Dezembro
■ ■ ■ ■ ■

amareladas, ■ 47 mm ■ dispersão por

agrupadas em vertebrados
racemos frugívoros
■ de Março a Maio
Pistacia lentiscus 90
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Variação e Hibridação
A aroeira pode ser distinguida do híbrido semicaducifó ou as sementes não são viáveis (Werner et al., 2001;
lio que forma com a P. therebintus (P. x saportae Burnat.) MontserratMartí e PérezRontomé, 2002).
por técnicas moleculares, este apresenta frutos de maior
tamanho e a asa do ráquis das folhas mais estreita; nal Como medida de precaução, é recomendável a utilização
gumas ocasiões as diferenças não são muito marcadas, da proveniência local nas restaurações de habitats, dado
dificultando a identificação (Werner et al., 2001). No en que já se observaram diferenças genéticas entre distin
tanto, parece que o híbrido tem tendência para produzir tas proveniências com a utilização de técnicas molecu
muito poucos frutos, e se tal acontece, estes estão vazios lares (Werner et al., 2002; Barazani et al., 2003).

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Outubro a Novembro metodologia utilizada 1025 g Temp.: 4 ºC


colheita manual em frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ ■

fruto: 60325 g hermeticamente


■ pureza: 98100% fechado

Esta espécie produz uma grande quantidade de flores e no primeiro caso (Verdú e GarcíaFayos, 2002). Parale
frutos, mas o número de frutos com semente viável é lamente, a produção de frutos com semente é muito
muito baixo, não só porque uma proporção considerá variável entre plantas dentro de uma mesma população
vel de flores não formam fruto mas também pelo facto (MartínezPalle e Aronne, 2000; Verdú e GarcíaFayos,
de uma grande quantidade destes não conter semente 2002). Estimase também, que há uma flutuação bia
(MartínezPalle e Aronne, 2000). Devese evitar a co nual na produção de frutos, assim como também na
lheita dos frutos de cor branca ou avermelhada na proporção de frutos sem semente ou com semente não
época de maturação, já que este é um indicador seguro viável, podendo inclusivé perderse a produção. Obser
de ter ocorrido aborto do embrião ou partenocarpia vouse que uma proporção equilibrada de indivíduos
(Jordano, 1988; 1989). Pelo contrario, devese colher de ambos os sexos e em densidades superiores a uma
as drupas de cor negra, dado que a proporção de se centena de pés por hectare, favorecem a obtenção de
mentes viáveis neste tipo de frutos é sempre maior que boas colheitas (Verdú e GarcíaFayos, 1998).

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ escarificação mecânica suave ■ 20 ºC ■ 7595%

Embora não seja imprescindível, a escarificação mecâ


nica reduz e homogeneíza o tempo de emergência.

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento ou alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 na Primavera, 2 a 4 semanas
91 Pistacia lentiscus

Primavera, com ou sem tratamento vaso 3,5 l: 1/1


■ ■ ■


bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:02 AM Página92

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

lenhosa terminal 10 cm Inverno 1%


semilenhosa terminal 10 cm Verão 1%

A aroeira, tal como outras espécies do género Pistacia, mês de Julho é melhor que o mês de Abril, já que no
não se propaga facilmente por estacaria (Joley e Opitz, verão obtiveram resultados próximos dos 80%. Reco
1971). No entanto, se se quiser utilizar este método, o mendase que o enraizamento ocorra sob rega por ne
material deve ser obtido em plantasmãe rejuvenesci bulização, com aquecimento basal, utilizando substrato
das (Isfendiyaroglu, 2000; Pignati e Crobeddu, 2005; de turfa e perlite (1:1) (Crobeddu e Pignati, 2005).
Viola et al., 2004). A época de colheita do material é
um factor determinante no êxito da estacaria, embora A propagação in vitro da aroeira e de outras espécies do
o momento óptimo varie consoante os autores. Assim, género Pistacia foi praticada com êxito (Barghchi e Al
Isfendiyaroglu (2000) e Viola et al. (2004) recomendam derson, 1983; Fascella et al., 2004; Gatti et al., 2004;
colher em Janeiro e Fevereiro respectivamente, tendo o Onay, 2000). Este método pode ser uma alternativa à
segundo autor obtido resultados superiores a 75%; en multiplicação da espécie por estacaria, se o objectivo
quanto que Pignati e Crobeddu (2005) estimam que o for propagala pela via vegetativa.

Bibliografia
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93 Pistacia lentiscus
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:02 AM Página94

Platanus
EN: oriental plane tree Platanaceae
EL: πλάτανος η ανατολική

orientalis L.
ES: plátano oriental
FR: platane d’Orient
IT: platano orientale
PT: plátanooriental

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudeste da Europa, Oeste O plátano oriental cresce em bosques húmidos, fundos
da Ásia de vales e em zonas ripárias.

Distribuição na região mediterrânica: Itália (incl. Sicí


lia), Montenegro, Albânia, Grécia (incl. Creta), Chipre,
Turquia, Síria, Líbano, Israel

Características de identificação
O Platanus orientalis é uma árvore caducifólia que pítulos femininos agrupamse normalmente num nú
pode alcançar 30 m de altura, com ritidoma que se mero de 3 a 6 com um pedúnculo comprido. Os frutos
desprende em placas. As folhas apresentam 3  5 ló têm o ápice mais ou menos piramidal ou em forma de
bulos, mais compridos do que largos, dentados. Os ca cunha larga.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

monoicia flores pequenas, anemófila aquénios de Outubro


agrupadas em claviformes em a Novembro,
■ ■ ■ ■ ■

capítulos infrutescência persistindo na


■ de Março a Maio globosa árvore até à
Primavera
seguinte
■ dispersão pelo

vento
Platanus orientalis 94
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:02 AM Página95

Variação e Hibridação
O Platanus acerifolia (Aiton) Willd. é muito comum na mais largos que a espécie oriental e infrutescências em
Europa ocidental como espécie ornamental, sendo nor grupos de duas. Os resultados de análises efectuadas
malmente denominado por plátano, apresenta folhas com técnicas moleculares confirmam a sua origem hí
com características intermédias entre o P. orientalis L. brida, possivelmente actuando o P. orientalis como pro
e o P. occidentalis L., tem lóbulos menos profundos e genitor feminino (Besnard et al., 2002).

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

desde o final do Verão até metodologia utilizada 24 g Temp.: 7 ºC a 4 ºC


ao Inverno em frutos deiscentes Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

■ apanha manual a partir ■ peso das sementes / ■ recipiente


do solo com uso de kg fruto: 500600 g hermeticamente


ferramentas de longo (P. occidentalis) fechado
alcance ou colheita do ■ pureza: 85%

material caído no solo

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ estratificação no frio (612 semanas) ■ 20 ºC a 25 ºC ■ 3040%

As sementes do plátano oriental não necessitam de tra frio pode acelerar e homogeneizar a emergência.
tamento para germinar, no entanto a estratificação no

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Inverno, sem tratamento ou na raiz nua; perímetro do caule na Primavera e completase


Primavera, com tratamento até 810 cm num mês
■ ■ ■
95 Platanus orientalis
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:02 AM Página96

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

lenhosa basal 25 cm DezembroJaneiro sem


semilenhosa basal 10 cm Agosto sem

Devese obter estacas a partir da zona basal quando o no verão (3060%). A estacaria efectuada no inverno
orteto ou pémãe é um exemplar adulto (Nahal e necessita de condições controladas (Grolli et al., 2005;
Rahme, 1990; Vlachov, 1988), quando este é jovem, a Nahal e Rahme, 1990; Vlachov, 1988). O tratamento
zona da vara utilizada para obter as estacas não pa com auxinas pode ter efeitos negativos, sobretudo se
rece influenciar muito a capacidade de enraizamento. for combinado com aquecimento basal (Grolli et al.,
As podas de rejuvenescimento melhoram consideravel 2005; Panetsos et al., 1994; Vlachov, 1988).
mente os resultados (Vlachov, 1988). Para propagar in
divíduos adultos, Arene et al. (2001) recomendam a A micropropagação de P. orientalis parece possível já
utilização de material com dois anos ou estacas lenho que o P. acerifolia já foi multiplicado in vitro (Grolli et
sas do tipo talão, nas quais se faz o corte superior logo al., 2004; Liu y Bao, 2003). Além disso, o P. orientalis foi
acima do primeiro gomo. Segundo Vlachov (1998) regenerado satisfatoriamente a partir de gomos laten
obtêmse melhores resultados com estacas lenhosas no tes (Arene et al., 2001) ou de calos formados a partir de
inverno (80100%) do que com material semilenhoso segmentos de folhas (Qiang et al., 2003).

Bibliografia
Bibliografia geral Grolli PR, Morini S, Loreti F (2004) The micropropagation of
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Platanus orientalis 96
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:02 AM Página97

Populus
Salicaceae EN: abele, white poplar
EL: λεύκη η λεύκη

alba L.
ES: álamo blanco, chopo blanco
FR: peuplier blanc, peuplier d’Hollande
IT: pioppo bianco, gattice
PT: álamobranco, choupobranco

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen O choupo branco é uma espécie heliófila que se desen
tro e Este da Europa, Cáucaso, Oeste e Centro da Ásia, volve em substratos neutros ou básicos, podendo tole
Sibéria, China, Norte de África rar solos pesados e com uma certa salinidade. Ocorre
em povoamentos densos ou por indivíduos mais ou
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa menos dispersos, em zonas baixas de margens de ri
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e Si beiras, ocasionalmente inundadas. Em ambientes fres
cília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, cos esta espécie pode formar aglomerados de choupos
Albânia, Grécia (incl. Creta), Turquia, Líbia, Tunísia, Ar mistos juntamente com Populus nigra, embora em cli
gélia, Marrocos mas costeiros ou mais quentes tornase dominante por
ser mais termófila.

Características de identificação
As características que permitem diferenciar o P. alba
do P. tremula e do seu híbrido espontâneo (P. x canes
cens Sm.) estão nos Anexos em forma de tabela.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

dioicia flores inconspícuas, anemófila cápsula de Março a


agrupadas em oblongocónica Junho
■ ■ ■ ■ ■

amentilhos pêndulos com 4 mm dispersão pelo


de Fevereiro a Abril, vento
■ ■

antes do

desenvolvimento
das folhas
97 Populus alba
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Variação e Hibridação
O choupo branco é uma espécie muito utilizada como gem, evitando uma possível transferência de materiais
ornamental, tanto pela sua plasticidade como pela par entre bacias.
ticular beleza do seu ritidoma branco. O P. alba cv.
‘Roumi’, conhecido normalmente como “bolleana”, tem A enorme facilidade de rebentação de raiz demonstrada
sido muito difundido devido à sua ramificação uni pelo choupo branco, poderá ter determinado que as
forme desde a base e pelo porte piramidal. O uso des suas populações manifestem uma baixa variação ge
tes cultivares deveriam restringirse apenas aos nética, como foi comprovada com marcadores nalgu
espaços verdes em áreas urbanas e não serem utiliza mas populações da Sardenha, que mostram um
dos nas plantações das zonas ribeirinhas. reduzido número de genótipos com uma tendência para
uma agrupação espacial (Zappelli et al., 2005); tam
Estudos preliminares em populações espanholas de Po bém se observou esta agrupação clonal em populações
pulus alba, utilizando técnicas moleculares, mostram espanholas (S. GonzálezMartínez, com. pessoal). Este
uma clara estruturação geográfica da variação gené autor, recomenda que quando se colher material vege
tica por bacias hidrográficas (S. GonzálezMartínez, co tativo desta espécie, se deixe uma distância de vários
municação pessoal.). Por tal recomendase a restrição metros entre ortetos ou entre grupos de rebentos de
do uso dos materiais de reprodução à sua bacia de ori raiz e que tendencialmente se colha pouco material de
cada exemplar ou grupo de exemplares.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Março a Junho metodologia 0,10,6 g Temp.: 18 ºC


com ferramentas de longo utilizada em frutos Humidade: 68%
■ ■ ■ ■

alcance ou material caído deiscentes ■ recipiente


■ ■

naturalmente ■ pureza: 4050% hermeticamente


no solo fechado

A colheita deve realizarse quando as cápsulas come a uma semana, dado que as sementes perdem rapida
çam a abrirse, sendo necessário efectuar um controlo mente a sua viabilidade se forem mantidas à tempera
frequente no campo, dado que as sementes são disper tura e humidade ambientes. É possível conservar as
sadas pelo vento num curto período de tempo. A ma sementes, mantendo um teor de humidade de 58%
nutenção dos amentilhos frutíferos à temperatura durante dois anos, num recipiente fechado hermetica
ambiente durante 35 dias permite a abertura total das mente a 45 ºC; para um período superior recomenda
cápsulas e a queda das sementes. Não é necessário eli se a manutenção destas a temperaturas abaixo de 0 ºC.
minar os penachos de pêlos que cobrem as sementes, As sementes que foram conservadas durante um pe
embora a sua eliminação facilite a manipulação. A se ríodo alargado devem voltar a ser hidratadas de uma
paração pode efectuarse por crivagem em malha fina, forma lenta (por exemplo com ar húmido), já que
aplicandose ar comprimido. Os processos de limpeza e podem sofrer danos se houver uma embebição muito
de conservação devem efectuarse num período inferior rápida.

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ sem tratamento ■ 20 ºC a 25 ºC ■ 8595%


Populus alba 98
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Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Primavera, sem tratamento, raiz nua: aproximadamente 1224 h depois da sementeira


imediatamente depois da 3.000 sementes/m2; perímetro
■ ■ ■

colheita do caule até 68 cm ou altura


total até 100150 cm
■ alvéolo florestal 300 cm : 1/0
3

■ vaso 3,5 l: 1/1

Não se deve cobrir as sementes, nem pressionálas contentor, podem semearse em alvéolos pequenos (vo
sobre o substrato no momento da sementeira. As plân lume inferior a 7075 cm3). Logo que as plântulas esti
tulas são muito delicadas e susceptíveis à seca durante verem bem enraizadas, estas podem ser retiradas e
o primeiro mês. Quando as plantas se produzem em transplantadas para os contentores de crescimento.

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

lenhosa basal 10  15 cm FevereiroMarço sem ou 0,5%


de raiz 5  10 cm início da Primavera sem

O êxito obtido na propagação de choupo branco com copa ou de rebentos ladrões. As estacas devem ter
utilização de estacaria depende em grande parte do or entre 8 e 20 mm de diâmetro (Phipps e Netzer, 1981;
teto. Assim, se for utilizado um número elevado de clo Sabatti et al., 2001).
nes, é previsível que se venha a obter uma percentagem
relativamente elevada de insucesso (Sekawin, 1975). Outro método de propagação possível resulta da faci
No caso de se trabalhar com material retirado de indi lidade natural desta espécie em rebentar de raiz. Podem
víduos de difícil enraizamento, os resultados podem ser obterse plantas directamente a partir de segmentos
melhorados utilizando algumas das seguintes vias: cor de raiz ou então aproveitar os rebentos tenros que
tar as estacas logo abaixo de um nó; submergir a parte abrolham a partir destes e utilizalos como material
basal das estacas em água, mantendose a tempera caulinar para estacaria.
tura a 16ºC e escuridão total até que surjam as primei
ras raízes (Phipps et al., 1983); efectuar a estacaria com A propagação in vitro é possível, tendo sido realizada
aquecimento basal a 20ºC; ou colher o material de pés com êxito a partir de amentilhos (Bueno et al., 1992,
mãe estabelecidas para esse fim. Em qualquer dos casos 2001), segmentos de caule (Sellmer et al., 1989) ou
devese utilizar material vigoroso da parte baixa da gemas axilares (Bagnaresi e Minotta, 1982).

Bibliografia
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Populus alba 100
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:02 AM Página101

Populus
Salicaceae EN: black poplar
EL: λεύκη η μαύρη

nigra L.
ES: chopo
FR: peuplier noir
IT: pioppo nero
PT: choupo negro

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen O choupo negro é uma espécie heliófila, pioneira nos
tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste e Centro bosques ripícolas, que prefere substratos de reacção
da Ásia, Sibéria, Norte de África básica a neutra e que não suporta o encharcamento
durante períodos muito prolongados. A sua distribui
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa ção fazse através de indivíduos isolados ou formando
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e Si pequenos povoamentos ao longo das margens dos rios.
cília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro,
Albânia, Grécia, Turquia, Tunísia, Argélia, Marrocos

Características de identificação
O P. nigra pode confundirse facilmente com genótipos se uma tabela com as características que permitem
resultantes da sua hibridação com o P. deltoides, e que diferenciar ambas as espécies e o seu híbrido (P. x ca
são extensamente cultivados. Nos anexos apresenta nadensis).

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

dioicia flores inconspícuas, anemófila cápsula elipsoidal de Março a


agrupadas em 79 mm Junho
■ ■ ■ ■ ■

amentilhos dispersão pelo


pêndulos vento

de Fevereiro a Abril,
antes do

desenvolvimento
das folhas
101 Populus nigra
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:02 AM Página102

Variação e Hibridação
Estão identificadas três subespecies: o P. nigra subsp. O estudo da variação espacial da diversidade genética
nigra, com distribuição no centro e leste da Europa, que parece indicar não haver grandes diferenças entre re
se caracteriza por ter raminhos e folhas glabras; o P. giões, mas sim entre populações de uma mesma re
nigra subsp. betulifolia (Pursh), do oeste europeu, tem gião (Legionnet e Lefèvre 1996); estas diferenças entre
raminhos e folhas jovens pubescentes e as folhas dos populações próximas parecem indicar um fluxo gené
braquiblastos sem prolongamento do tipo cauda; e o P. tico limitado (Legionnet e Lefèvre, 1996; Imbert e Le
nigra subsp. caudina, próprio da região Mediterrânica, fèvre, 2003; Pospíšková e Šálková, 2006), apesar da
com os raminhos e as folhas jovens com pêlos curtos e dispersão do pólen e das sementes desta espécie ser
ásperos e com folhas caudadas nos braquiblastos. efectuada pelo vento. No entanto, os maiores níveis
de diversidade parecem verificarse ao nível da popu
Distinguemse várias variedades de choupo, algumas lação, incluindo em populações pouco extensas, já que
delas possivelmente resultantes de clones de cultivo; é a forma de propagação predominante é a via seminal
o caso do P. nigra var. italica Münchh, variedade de em comparação com a vegetativa (Arens et al., 1998;
porte fastigiado que pode ter tido origem num ou vá Pospíšková e Šálková, 2006). Tendo em conta os resul
rios genótipos masculinos, muito expandida na Europa tados dos estudos genéticos, uma área de colheita
desde o século XVIII. Deverá evitarse o uso deste ma de sementes poderia incluir populações e indivíduos
terial com origem incerta a favor de subespécies e ge dispersos, entre os quais não existam barreiras topo
nótipos autóctones. gráficas importantes que possam reduzir o fluxo de
pólen.
Embora nalgumas populações, o risco de retrocruza
mento de Populus nigra com clones comerciais de P. x Háde ter em conta que esta espécie também se re
canadensis pareça ser bastante baixo devido a diferen produz naturalmente pela via vegetativa, pelo que
ças na fenologia (Gebhardt et al., 2001; Fossati et al., pode haver rametos dum mesmo clone com maior ou
2003), com outras populações terseá observado uma menor proximidade espacial dentro de um povoa
sobreposição na fenologia floral (Vander Broeck et al., mento ou inclusive distanciados entre si vários quiló
2003). A possibilidade de ocorrer uma introgressão de metros. O nível de ocorrência deste tipo de reprodução
híbridos euroamericanos com a espécie autóctone vegetativa natural parece ser muito variável (Legion
comprovouse em diferentes populações com a aplica net et al. 1997; Arens et al., 1998; Barsoum et al.,
ção de técnicas moleculares (Vanden Broeck et al., 2004; 2004), dependendo da história das perturbações a uma
Pospíšková e Šálková, 2006), sendo particularmente vul escala espacial pequena, dos recursos disponíveis em
neráveis as populações de pequena dimensão isoladas termos de quantidade de árvores e da sua idade, daí
de P. nigra que se encontram rodeadas de plantações que se torne difícil estabelecer recomendações ade
comerciais mais ou menos extensas (Vanden Broeck et quadas que assegurem a recolha de clones diferentes.
al., 2005). Também é possível a introgressão de genes de Neste caso deveremos recorrer a uma caracterização
P. trichocarpa (Lefèvre et al., 2002). A apanha de se com marcadores moleculares, que permita diferenciar
mentes neste tipo de situações deverá ser evitada a genótipos e assegurar uma certa variação genética
favor da multiplicação vegetativa, de forma a assegurar através da utilização de uma mistura de clones em
a identidade taxonómica do material propagado e fa proporções equilibradas.
vorecer o uso e a conservação da espécie autóctone.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Março a Junho metodologia 0.91 g Temp.: 18 ºC


uso de ferramentas de utilizado em frutos
■ ■ ■

Humidade: 68%

longo alcance ou apanha deiscentes


■ recipiente

Populus nigra 102

de material caído no solo ■ pureza: 4050%


hermeticamente fechado
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:02 AM Página103

A colheita deve realizarse quando as cápsulas come de conservação devem efectuarse num período inferior
çam a abrir, sendo necessário efectuar um controlo fre a uma semana, dado que as sementes perdem rapida
quente no campo, dado que as sementes são dispersadas mente a sua viabilidade se forem mantidas à tempera
pelo vento num curto período de tempo. tura e humidade ambientes. É possível conservar as
sementes, mantendo um teor de humidade de 58% du
A manutenção dos amentilhos frutíferos à temperatura rante dois anos, num recipiente fechado hermeticamente
ambiente durante 35 dias permite a abertura total das a 45 ºC; para um período superior recomendase a ma
cápsulas e a queda das sementes. Não é necessário eli nutenção destas a temperaturas abaixo de 0 ºC. As se
minar os penachos de pêlos que cobrem as sementes, mentes que foram conservadas durante um período
embora a sua eliminação facilite a manipulação. A se alargado devem voltar a ser hidratadas lentamente (por
paração pode efectuarse por crivagem em malha fina, exemplo com ar húmido), já que podem sofrer danos se
aplicandose ar comprimido. Os processos de limpeza e houver uma embebição muito rápida.

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ sem tratamento ■ 20 ºC a 25 ºC ■ 8595%

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Primavera, sem tratamento, raiz nua: perímetro do caule 1224 h depois da sementeira
imediatamente depois da apanha até 68 cm ou altura total até
■ ■ ■

100150 cm
■ alvéolo florestal 300 cm : 1/0
3

■ vaso 3,5 l: 1/1

Não se deve cobrir as sementes, nem pressionálas contentor, podem semearse em alvéolos pequenos (vo
sobre o substrato no momento da sementeira. As plân lume inferior a 7075 cm3). Logo que as plântulas esti
tulas são muito delicadas e susceptíveis à seca durante verem bem enraizadas, estas podem ser retiradas e
o primeiro mês. Quando as plantas se produzem em transplantadas para os contentores de crescimento.

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas
■ lenhosa indiferente 20  30 cm Fevereiro sem

O Populus nigra propagase muito facilmente por es ções ou ramos com 1 ano e com 12 a 20 mm de diâ
tacaria (Dagenbach, 1997). O êxito no enraizamento é metro (Holzberg, 1999).
possível obter em material colhido praticamente du
rante todo o ano, embora as estacas lenhosas sejam as A regeneração in vitro desta espécie também é possível
que garantem maior sucesso (Blake e Atkinson, 1986; e tem tido sucesso com a utilização de gomos axilares e
Gunes, 2000). É aconselhável a utilização de rebenta apicais ou de segmentos de caule (Kapusta e Skibinska,
1985; Naujoks e Wuhlisch, 2004; Noël et al., 2002).
103 Populus nigra
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:02 AM Página104

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Populus nigra 104
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:02 AM Página105

Populus
Salicaceae EN: European aspen
EL: λεύκη η τρέμουσα

tremula L.
ES: álamo temblón
FR: peuplier tremble
IT: pioppo tremolo
PT: choupotremedor

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen sistema radicular superficial desenvolvese em solos
tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste e Centro pouco profundos mas com humidade. Geralmente, as
da Ásia, Sibéria, Mongólia, China, Norte de África populações do P. tremula não são muito extensas.
Podese encontrar como espécie pioneira em zonas
Distribuição na região mediterrânica: Espanha, França abertas e sem arvoredo, ou em bosques de coníferas,
(incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha), Croácia, Bósnia de folhosas ou ainda em formações mistas. Na região
Herzegovina, Montenegro, Albânia, Grécia, Turquia, mediterrânica está associada a solos com disponibili
Síria, Líbano, Argélia dade hídrica de origem freática, como encostas, fun
dos de vales e margens de cursos de água onde se pode
O choupo tremedor é uma espécie pioneira que se de misturar com elementos ripícolas. Pode ser uma espé
senvolve numa grande diversidade de situações climá cie muito interessante a considerar nos projectos de
ticas e em solos férteis, preferencialmente neutros, restauração hidrológicos nas zonas mediterrânicas de
embora tolere substratos de reacção básica. Por ter um montanha.

Características de identificação
As características que permitem diferenciar esta espé
cie do Populus alba e do seu híbrido P. x canescens
podem ser consultados na tabela incluída nos Anexos.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

dioicia flores inconspícuas, anemófila cápsula ovoide, de Abril a


agrupadas em amentilhos granulosa Junho
■ ■ ■ ■ ■

pêndulos ■ 34 mm ■ dispersão

■ de Fevereiro a Abril, antes do pelo vento


desenvolvimento das folhas
105 Populus tremula
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Variação e Hibridação
P. tremula é uma espécie com uma grande capacidade sexo dos ortetos e propagar tanto do sexo feminino
de rebentação pela raiz, pelo que, dentro dum povoa como do masculino, gerindo as novas plantações de
mento, alguns indivíduos podem ser exemplares perten modo a promover a regeneração por semente.
centes a um mesmo genótipo, facto que foi confirmado
por diferentes estudos genéticos. Além disso, parece que O P. tremula hibridase de forma natural com P. alba,
há uma tendência para a agregação na distribuição es dando lugar ao P x canescens (Aiton) Sm., havendo uma
pacial dos clones (Suvanto e LatvaKarjanma, 2005; introgressão unidirecional, funcionando o choupo tre
LatvaKarjanma, 2006). No entanto, tem havido uma medor como progenitor masculino (Lexer et al., 2005).
grande variação genética entre populações relativa O P. x canescens cresce nas margens dos rios e em bar
mente próximas (Grade Serra et al., 2003). Para aumen rancos, partilhando o habitat com o P. alba ou em
tar a variabilidade genética dos lotes de material de ambientes mais frescos, a altitudes superiores. A mor
reprodução, é aconselhável que este seja recolhido em fologia é muito variável em função do grau de retro
várias populações mais ou menos próximas, e dentro cruzamento, existindo uma graduação nos indivíduos,
destas, em indivíduos distanciados entre si ou naqueles com características mais próximas do P. alba ou do P.
que tenham diferentes formas de folhas, uma vez que tremula. A dificuldade de identificação pode ser solu
esta parece ser uma característica que constitui um bom cionada através da utilização de marcadores molecu
instrumento de discriminação entre os genótipos (Lopez lares (Fossati et al., 2004). O P. x canescens é uma
de Heredia et al., 2004). No caso de se colher material espécie dióica e as suas sementes apresentam uma via
para propagação vegetativa, deve ser tido em conta o bilidade muito baixa.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Abril a Junho metodologia 0.060.16 g Temp.: 20ºC a 18 ºC


uso de ferramentas de utilizada em frutos Humidade: 68%
■ ■ ■ ■

longo alcance ou apanha deiscentes ■ recipiente


■ ■

do material caído no solo ■ pureza: 4050% hermeticamente


fechado

O padrão mais comum dentro dos povoamentos de P. paração pode efectuarse por crivagem em malha fina,
tremula é haver um desequilíbrio na proporção de sexos aplicandose ar comprimido. Os processos de limpeza e
(Worrell, 1995; Worrell et al., 1999); esta situação pode de conservação devem efectuarse num período inferior
fazer com que a produção de sementes seja escassa. a uma semana, dado que as sementes perdem rapida
mente a sua viabilidade se forem mantidas à tempera
A colheita deve realizarse quando as cápsulas come tura e humidade ambientes. É possível conservar as
çam a abrir, sendo necessário efectuar um controlo sementes, mantendo um teor de humidade de 58%
frequente no campo, dado que as sementes são disper durante dois anos, num recipiente fechado hermetica
sadas pelo vento num curto período de tempo. mente a 45 ºC; para um período superior recomenda
se a manutenção destas a 20ºC (Simak, 1982). As se
A manutenção dos amentos frutíferos à temperatura mentes que foram conservadas durante um período
ambiente durante 35 dias permite a abertura total das alargado devem voltar a ser hidratadas lentamente (por
cápsulas e a queda das sementes. Não é necessário eli exemplo com ar húmido), já que podem sofrer danos
minar os penachos de pêlos que cobrem as sementes, se houver uma embebição muito rápida.
embora a sua eliminação facilite a manipulação. A se
Populus tremula 106
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Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ sem tratamento ■ 20 ºC a 25 ºC ■ 9095%

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Primavera, sem tratamento, raiz nua: perímetro do caule 1224 h depois da sementeira
imediatamente depois da apanha até 68 cm ou altura total
■ ■ ■

até 100150 cm
■ alvéolo florestal 300 cm : 1/0
3

■ vaso 3,5 l: 1/1

Não se deve cobrir as sementes, nem pressionálas contentor, podem semearse em alvéolos pequenos (vo
sobre o substrato no momento da sementeira. As plân lume inferior a 7075 cm3). Logo que as plântulas esti
tulas são muito delicadas e susceptíveis à seca durante verem bem enraizadas, estas podem ser retiradas e
o primeiro mês. Quando as plantas se produzem em transplantadas para os contentores de crescimento.

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

de raiz 40 cm Inverno sem


herbácea 2 Primavera ou Verão 0,5%

O choupo tremedor e os seus híbridos são de difícil pro dual. Posteriormente, são repicadas para camas previa
pagação por estacaria caulinar, porque os órgãos aé mente preparadas no solo ou, de preferência, para con
reos não induzem primórdios radiculares (Blake e tentores (Lunas, 2003; Trees for life, 2004). Haapala et
Atkinson, 1986; Wyckoff e Zasada, 2003). al. (2004) propôs a propagação por estacas herbáceas
com aproximadamente 23 mm de diâmetro, obtidas a
O método mais usado para propagar vegetativamente partir de plantasmãe rejuvenescidas através de cul
este choupo é a estacaria com material radicular. Du tura in vitro e enraizadas em contentores florestais, sob
rante o inverno, as estacas de raízes são enterradas ho condições de elevada humidade.
rizontalmente em caixas com areia molhada. Logo que
os rebentamentos tiverem cerca de 5 cm de compri Ahuja (1983) desenvolveu um método que permite uma
mento, são cortados e tratados com ácido indolbutí micropropagação rápida de Populus tremula. A cultura
rico em pó, sendo colocados posteriormente num iniciase com gomos apicais ou axilares num meio com
substrato constituído por turfa e vermiculite (1:1), citocininas. Posteriormente, as microestacas são en
usandose um sistema de protecção em túnel, com rega raizados num meio com auxinas ou directamente no
por nebulosidade. Depois de formadas as raízes, as substrato sob condições controladas, esta segunda
plantas são sujeitas a um processo de aclimatação gra opção permite reduzir drasticamente os custos.
107 Populus tremula
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Bibliografia
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Populus tremula 108
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:02 AM Página109

Prunus
Rosaceae EN: mahaleb cherry, Saint Lucie cherry
EL: αγριοκέρασο αχαλέμπιο; κεράσι

mahaleb L.
μικρόκαρπο
ES: cerezo de Santa Lucía, cerecino
FR: bois de SainteLucie, cerisier de
SainteLucie
IT: ciliegio di Santa Lucia, ciliegio canino
PT: cerejeiradeSanta Lúcia,
cerejeiramahaleb

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen A cerejeiradeSantaLúcia prefere substratos calcá
tro e Este da Europa, Cáucaso, Oeste e Centro da Ásia, rios, de reacção básica a neutra e ambientes húmidos
Norte de África e frescos. Encontrase distribuído em indivíduos isola
dos ou formando pequenos grupos em matos espinho
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa sos, clareiras de bosques húmidos, margens de rios e
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sicília), Croácia, barrancos, em ravinas e encostas rochosas sombrias.
BósniaHerzegovina, Montenegro, Albânia, Grécia, Tur
quia, Líbano, Marrocos

Características de identificação
A Prunus mahaleb é um arbusto caducifólio, pode atin comprimento, com página superior glabra e a inferior
gir 2,5 m, embora nalgumas ocasiões possa alcançar glabra ou ligeiramente pubescente. As flores, com ová
maiores alturas. As folhas são largamente ovadas ou rio glabro, estão reunidas em grupos de 3 a 11 em in
subcordiformes, às vezes suborbiculares, até 7 cm de florescências em racemos corimbiformes, curtas.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

ginodioicia flores brancas, entomófila drupa negra, de Junho a


agrupadas em cimeiras lustrosa Setembro
■ ■ ■ ■ ■

racemiformes, curtas, ■ 610 mm ■ dispersão por

corimbiformes vertebrados
■ de Maio a Junho frugívoros
109 Prunus mahaleb
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Variação e Hibridação
Os indivíduos que são funcionalmente do sexo femi origina um certo padrão de distribuição espacial do
nino parecem ter mais vantagens do que os hermafro fluxo genético, o que terá dado lugar a uma estrutura
ditas relativamente a características associadas à ção genética ao nível da população ou entre popula
fertilidade, têm tendência a produzir maior quantidade ções próximas geograficamente (García et al., 2007).
de frutos e sementes mais pesadas, tal facto poderá ser No caso particular das sementes, a distância de migra
justificado pelos maiores níveis de polinização cruzada, ção das sementes é variável em função da espécie fru
particularmente nos anos favoráveis à produção de fru gívora responsável pela sua dispersão (Jordano et al.,
tos (Jordano, 1993). Além disso, a sua descendência é 2007), no entanto a sua movimentação a curta distân
geneticamente mais variável devido à ausência de cia do pémãe parece ser o padrão mais frequente
autofertilização e devido à contribuição de um maior (Godoy e Jordano, 2001).
número de progenitores masculinos na polinização, es
pecialmente em indivíduos mais ou menos isolados e Devido aos factores já referenciados, é aconselhável
em populações de menor densidade (Garcia et al., que a colheita dos frutos não se concentre apenas nos
2005). O número de frutos produzidos varia em função indivíduos maiores, mas sim que se colha de um grande
do genótipo e do tamanho da planta. número de indivíduos, tentando respeitar uma certa
distância entre estes, incidindo particularmente nos in
Os estudos genéticos mostram que há uma eficiente divíduos funcionalmente femininos. Além disso, é acon
dispersão de sementes por animais frugívoros, que con selhável efectuar colheitas que incluam material
tribui para a manutenção de elevados níveis de diver originário de diferentes populações mais ou menos pró
sidade genética dentro das populações (Jordano e ximas mas que pertençam à mesma região de prove
Godoy, 2000). Além disso, parece que o comportamento niência, garantindose assim a obtenção de um lote
não aleatório dos agentes polinizadores e dispersores, com uma certa variação genética.

Propagação seminal

Obtenção e propagação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Julho a Agosto metodologia utilizada 4893 g Temp.: 5 ºC a 4 ºC


apanha manual a partir em frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

do solo ou varejo da copa ■ peso das sementes / ■ recipiente


■ ■

kg fruto: 130265 g hermeticamente


■ pureza: 100% fechado

Os frutos devem estar bem maduros no momento da


colheita, mas não deve ser demasiado adiada a fim de
evitar perdas resultantes da acção dos pássaros.
Prunus mahaleb 110
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:02 AM Página111

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

estratificação em frio (816 semanas) 21 / 16 ºC 4089%


luz
■ ■ ■

As sementes da cerejeiradeSantaLúcia, tal como as um sistema de estratificação por sucessão de fases frias
dos outros Prunus, possuem embriões com dormência, e quentes, tal como acontece na natureza. Os trata
necessitando por tal de uma estratificação em frio pro mentos óptimos são longos, já que duram entre 24 e
longada. Estes podem entrar numa nova dormência 28 semanas, são também sugeridos tratamentos mais
(dormência secundária) se esta fase for interrompida curtos, embora possam não ser adequados para todos
por um fluxo de ar seco à temperatura ambiente (Bas os lotes de sementes (2 semanas a 25 ºC + 2 semanas
kin e Baskin, 1998) ou por temperaturas mais elevadas. a 3 ºC + 2 semanas a 25 ºC + 12 a 16 semanas a 3 ºC).
No entanto, a indução de uma dormência secundária Seeley e Damavandy (1985) estimam que a estratifica
através do aumento da temperatura é utilizado em Pru ção em frio a 4 ºC durante 100 dias é o tratamento óp
nus avium para obtenção de melhores taxas de germi timo para quebrar a dormência.
nação. Suszka et al. (1994) aconselham a aplicação de

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

finais de Inverno ou princípio alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 finais de Primavera
de Primavera, com tratamento vaso 3,5 l: 1/1 e pode completarse
■ ■ ■

na segunda Primavera

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas
semilenhosa apical ou 12 JulhoAgosto 0,5  1%
intermédiol

Embora seja difícil propagar a cerejeiradeSantaLúcia tratamento das plantasmãe com giberelinas para ob
por estacaria, alguns genótipos seleccionados multipli tenção de material rejuvenescido.
camse habitualmente por esta via, para serem usados
como portaenxertos de variedades de Prunus avium. A propagação in vitro é o método utilizado a nível co
Recomendase a colocação das estacas, com 10 cm de mercial na produção de plantas de Prunus mahaleb
comprimento, em substrato de perlite ou numa mistura para serem usados como portaenxertos. Para iniciar a
de turfa com perlite sob um sistema de rega por nebu produção utilizamse meristemas dos rebentos obtidos
losidade (Bush, 1978; Vlasic, 1972) e a aplicação de no início do abrolhamento (Dradi et al.,1996; Saponari
hormonas, indispensáveis para a formação de raízes (Li et al., 1999).
pecki e Selwa, 1978). Ford et al. (2002) recomendam o
111 Prunus mahaleb
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:03 AM Página112

Bibliografia
Bibliografia geral García C, Jordano P, Godoy JA (2007) Contemporary pollen and
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Prunus mahaleb 112
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:03 AM Página113

Prunus
Rosaceae EN: blackthorn, sloe
EL: τσαπουρνιά, προύμνη η

spinosa L.
ακανθώδης
ES: endrino, espino negro
FR: pruneiller, épine noire
IT: prugnolo, pruno selvatico
PT: abrunheirobravo, ameixeira

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen tenegro, Albânia, Grécia, Turquia, Líbia, Tunísia, Argélia,
tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste da Ásia, Marrocos
Norte de África
O abrunheirobravo cresce em matos espinhosos, orlas
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa e clareiras de bosques, ribeiras e à borda dos caminhos,
nha (incl. Baleares), França (incl. Córsega), Itália (incl. em solos de constituição variável. Prefere substratos de
Sardenha e Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Mon reacção básica a ligeiramente ácida.

Características de identificação
O P. spinosa é um arbusto de 1 a 3 metros, ocasional tes ou pubescentes na página superior e mais ou menos
mente pode chegar aos 6 m, caducifólio, espinhoso, pubescentes na inferior. As flores são solitárias, às vezes
com ramificação tortuosa e abundante, e com casca em fascículos com 2 a 3, têm pétalas de cor branca, às
negra. As folhas são obovadas, oblongolanceoladas ou vezes com raios vermelhos. Os pedicelos são glabros ou
quase elípticas, até 4 cm de comprimento, glabrescen puberulentos, mais curtos que os frutos maduros.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores brancas, entomófila drupa subglobosa ou de Setembro


solitárias ou em autoincompatível ovóide, azul escuro a Dezembro
■ ■ ■ ■ ■

grupos de 2 ou 3 ou negrovioleta, ■ dispersão por


■ de (Janeiro) Fevereiro pruinosa vertebrados


a Maio, antes ou ao ■ 720 mm frugívoros
mesmo tempo que as
folhas
113 Prunus spinosa
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:03 AM Página114

Variação e Hibridação
A Prunus spinosa é uma espécie alotetraplóide, possivel Estudos efectuados utilizando técnicas moleculares
mente resultante do cruzamento do Prunus cerasifera mostram que a variação entre populações de P. spinosa
com outra espécie desconhecida (ReyndersAloisi e Grel é relativamente baixa se for comparada com outras es
let 1994), muito variável morfológica e geneticamente pécies lenhosas, e sem nenhuma estruturação espacial,
(Mohanty et al., 2000). Esta variação parece resultar do devido possivelmente a uma rápida e fácil dispersão
facto de na P. spinosa aparentemente não ocorrer apo da espécie por animais. No entanto, parece que as po
mixia e também do seu sistema reprodutivo estar exclu pulações meridionais possíveis refúgios durante as
sivamente baseado na existência de polinização (Guitian glaciações tendem a mostrar maiores níveis de diversi
et al, 1993). Paralelamente, esta espécie parece ser auto dade, apresentando variantes genéticas particulares
incompatível, necessitando que haja polinização cruzada (Mohanty et al., 2002). Este facto torna desejável que
para ocorrer a produção de frutos (Yeboah Gyan e Woo seja mantido algum cuidado na movimentação dos ma
dell, 1987). Cruzase com a P. insititia dando lugar a hí teriais de propagação entre zonas, pelo que se reco
bridos (P x fruticans Weihe) difíceis de reconhecer. menda a utilização de material de proveniência local.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

desde o final do metodologia utilizada 89250 g Temp.: 5 ºC a 4 ºC


Verão até ao Outono em frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

■ apanha manual ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


no solo fruto: 84160 g hermeticamente


■ pureza: 100% fechado

No abrunheiro bravo parece ser frequente o aborto dos al., 1992). Devese evitar concentrar a apanha do ma
frutos nas primeiras fases de desenvolvimento, numa terial apenas nos indivíduos mais produtivos.
proporção variável segundo os indivíduos (Guitián et

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

estratificação em frio (1224 semanas) 18 ºC a 22 ºC 7090%


estratificação quente (24 semanas) +
■ ■ ■

estratificação no frio (418 semanas)


As sementes de abrunheiro, tal como as dos outros Pru aconselham a aplicação de um sistema de estratificação
nus, possuem embriões com dormência, necessitando por por sucessão de fases frias e quentes, tal como acontece
tal de uma estratificação em frio prolongada. Estes na natureza. Os tratamentos óptimos são prolongados, já
podem entrar numa nova dormência (dormência secun que duram entre 24 e 28 semanas, são também sugeri
dária) se esta fase for interrompida por um fluxo de ar dos tratamentos mais curtos, embora possam não ser
seco à temperatura ambiente (Baskin e Baskin, 1998) ou adequados para todos os lotes de sementes (2 semanas
por temperaturas mais elevadas. No entanto, a indução a 25 ºC + 2 semanas a 3 ºC + 2 semanas a 25 ºC + 12 a
de uma dormência secundária através do aumento da 16 semanas a 3 ºC). Seeley e Damavandy (1985) esti
temperatura é utilizado em Prunus avium para obtenção mam que a estratificação em frio a 4 ºC durante 100 dias
de melhores taxas de germinação. Suszka et al. (1994) é o tratamento óptimo para quebrar a dormência.
Prunus spinosa 114
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:03 AM Página115

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

finais de Inverno ou princípio alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 finais de Primavera e pode completarse
da Primavera, com tratamento vaso 3,5 l: 1/1 na segunda Primavera
■ ■ ■

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas
■ lenhosa basal ou intermédia 10  15 cm Inverno 0.5  1%

O abrunheirobravo propagase normalmente por semente; Existem experiências de propagação in vitro de híbridos
mas por vezes multiplicase vegetativamente, utilizando desta espécie com outros Prunus, utilizados como porta
se estacas lenhosas obtidas a partir de plantasmãe con enxertos de ameixeiras e de pessegueiros (Battistini e
duzidas especialmente para esse fim. A utilização de Paoli, 2002; Krizan et al., 2007).
material colhido em exemplares silvestres resulta numa
grande variação nos resultados obtidos (Ruiz, 1989).

Bibliografia
Bibliografia geral Prunus spinosa L. (Rosaceae). Anales del Jardín Botánico de
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fordshire, England. Functional Ecology 1:261268
115 Prunus spinosa

Guitián J, Sánchez JM, Guitián P (1992) Niveles de fructifi


cación en Crataegus monogyna Jacq., Prunus mahaleb L. y
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:03 AM Página116

Rubus ulmifolius
EN: elmleaf blackberry Rosaceae
EL: βάτος

Schott.
ES: zarzamora
FR: ronce (commune)
IT: rovo
PT: silva

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen A silva cresce em clareiras e orlas de bosques, em matos
tro, Norte e Este da Europa, Oeste da Ásia, Norte de húmidos, em sebes, nas bordas de caminhos e de cam
África, Macaronésia pos de cultivo, em barrancos e margens de rios. É indi
ferente ao tipo de substrato e prefere um clima
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa temperado quente. Esta espécie ocorre maioritaria
nha (incl. Baleares), França (incl. Córsega), Itália (incl. mente a sul do Tejo; a norte, também aparece, mas pre
Sardenha e Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Mon valecem outras espécies de Rubus cuja identificação
tenegro, Albânia, Grécia (incl. Creta), Turquia, Tunísia, está ainda em curso.
Argélia, Marrocos

Características de identificação
A Rubus ulmifolius é um arbusto espinhoso, semicadu neares e face superior dos pecíolos sulcada apenas na
cifólio. É uma das poucas espécies europeias do género metade basal; pétalas lisas, de cor rosada, às vezes
que se reproduz sexualmente e é diplóide. Algumas das brancas. Produz drupas de cor negra brilhante, em
características de identificação são: turiões de cor vio abundância. No entanto, é uma espécie bastante poli
leta escura, com revestimento do tipo ceroso; folhas mórfica, particularmente nas características como a
alternas, compostas por 5 folíolos, branco tomentosas forma da folha, a ramificação da inflorescência ou a
na página inferior (com pêlos estrelados); estípulas li cor das pétalas.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores rosadas, entomófila polidrupa negra, de Agosto


às vezes brancas, brilhante a Novembro
■ ■ ■ ■ ■

agrupadas em com 10 mm ■ dispersão por

inflorescências vertebrados

de Maio a Agosto frugívoros


Rubus ulmifolius 116


bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:03 AM Página117

Variação e Hibridação
Às vezes, é difícil identificar as espécies do género tanto pela sua plasticidade fenotípica como pela sua
Rubus. Com a designação de Rubus sp. consideramse facilidade para dar origem a híbridos pouco estáveis.
numerosos taxa devido ao seu grande polimorfismo,

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

desde o final do Verão metodologia utilizada 23 g Temp.: 4 ºC


até ao Outono em frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

■ apanha manual a partir ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


do solo fruto: 255 g hermeticamente


■ pureza: 6098% fechado

Existem grandes diferenças entre indivíduos e no pró tos, desde frutos grandes com poucas sementes, a fru
prio indivíduo relativamente às características dos fru tos pequenos com muitas sementes (Jordano, 1982).

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

estratificação em frio (1216 semanas) 30 / 15 ºC; 25 / 10 ºC 65%


estratificação quente (812 semanas) + luz (12 h/dia)
■ ■ ■

estratificação em frio (812 semanas)


■ ■

As sementes da silva germinam com dificuldade devido sulfúrico concentrado. No entanto, Campbell et al.
ao seu tegumento espesso. Noutras espécies de Rubus (1988) obtiveram os melhores resultados, efectuando
obtiveramse bons resultados efectuando uma escari a escarificação manualmente ou tratando as sementes
ficação prévia a uma estratificação no frio. Moore et com uma solução de Hipoclorito de sódio a 15% du
al. (1994) e Peacock e Hummer (1996) utilizaram ácido rante 18 horas.

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Primavera, com tratamento alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 1 a 3 meses


ou 2/0
■ ■ ■

■ vaso de 3,5 l: 1/1


117 Rubus ulmifolius
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Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas
de raiz 40 cm Primavera sem
semilenhosa basal ou intermédia 12 JunhoAgosto 0,5%

Na maioria das espécies do género Rubus, a forma de recurso a rega por nebulosidade e em substrato poroso.
propagação mais comum é feita com estacas de raiz. A Também é possível, mas não muito comum, utilizar es
obtenção de estacas semilenhosas pode ocorrer a par tacas lenhosas (Zimmerman et al., 1980).
tir de plantasmãe ou de rebentos obtidos de estacas
de raiz. No caso de se utilizar plantasmãe, as estacas Existem diversos ensaios de propagação in vitro com o
devem resultar de rebentos caulinares curtos já que são género Rubus. A regeneração fazse a partir de meris
mais vigorosos e formam melhores raízes do que as ob temas (Bromme e Zimmerman, 1978; Ferradini et al.,
tidas a partir de ramos mais compridos (Busby e Hi 1997) ou a partir de folhas (Graham et al., 1997; Jun et
melrick, 1999). A estacaria deve ser efectuada com al., 2006).

Bibliografia
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Rubus ulmifolius 118
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:03 AM Página119

Salix
Salicaceae EN: willow, osier
EL: ιτιά

sp.
ES: sauce, mimbre
FR: saule
IT: salice
PT: salgueiro, borrazeira
Salix alba L.

Distribuição e Ecologia
Os salgueiros mais comuns na região mediterrânica eu os S. purpurea, S. salviifolia e S. pedicellata, sendo estas
ropeia são espécies que se encontram em zonas ripárias duas últimas espécies as mais termófilas, com distri
e áreas húmidas, em solos muito variados. Suportam buição estritamente mediterrânica. Os salgueiros cres
bem as flutuações do nível da água pelo que tendem a cem em solos de reacção básica a neutra; no entanto
manterse de forma permanente nas margens das li algumas espécies mostram claras preferências, como a
nhas de água; comportamse como pioneiras devido à calcícola S. eleagnos, ou a apetência da S. salviifolia
facilidade em propagaremse vegetativamente e à sua por substratos ácidos, e a preferencia dos S. fragilis e S.
capacidade de enraizamento depois de terem sido su purpurea por solos de reacção neutra. O S. atrocinerea
jeitos a cheias intensas e periódicas. Entre as espécies evita os solos salinos, enquanto que o S. alba tolera
incluídas, o S. fragilis e o S. triandra estão presentes na uma certa salinidade.
região mediterrânica, mas são mais frequentes nas A distribuição das espécies de salgueiro que ocorrem
zonas mais frescas da sua área de distribuição. O S. na região Mediterrânica Europeia é apresentada num
atrocinerea e o S. eleagnos são espécies com tendên anexo.
cia a desenvolveremse em condições mais frescas que

Características de identificação
Os salgueiros são árvores ou arbustos com folhas al peito às estruturas vegetativas, o que pode complicar a
ternas, raramente opostas, caducas e com pecíolo identificação em indivíduos jovens ou fora da época de
curto. Os gomos de inverno são cobertos por uma única floração. As características que permitem diferenciar
escama. Existem grandes variações morfológicas ao as espécies ripícolas, com distribuição na região medi
nível intraespecífico, particularmente no que diz res terrânica, podem ser consultadas nos anexos.
119 Salix
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Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Poinização Frutificação Maturação

dioicia flores agrupadas em entomófila cápsula de Março a


amentilhos e anemófila 24 mm Junho, um a dois
■ ■ ■ ■ ■

■ de Janeiro a Março, de meses depois


Fevereiro a Abril, de Março a da floração


Maio (considerar os períodos ■ dispersão pelo

das mais termófilas para as vento


menos)

Embora as flores dos salgueiros produzam néctar, foi sociada possivelmente a características morfológicas
demonstrado que podem também ser polinizadas pelo específicas dos amentilhos e das flores femininas (Kar
vento. A possibilidade da polinização ocorrer pela via renberg et al, 2002)
anemófila parece ser muito variável entre espécies, as

Variação e Hibridação
Dentro do género Salix, a dioicia, a variação morfoló Outro exemplo da variabilidade dos salgueiros é o re
gica ao nível da espécie e a relativa frequência com que conhecimento da existência de subespécies nos Salix
ocorre hibridação natural, dando inclusivé origem a alba, S. triandra e S. purpurea.
descendência fértil, fazendo com que em muitas oca
siões seja de grande complexidade estabelecer limites Algumas espécies foram muito difundidas no passado
taxonómicos e classificar um individuo em função da pelo homem, devido à sua utilização em cestaria e é
espécie. Assim, o S. amplexicaulis é uma espécie muito possível que se tenham naturalizado em muitas zonas
próxima do S. purpurea, e apenas se diferencia deste da Europa; podia ser o caso de algumas populações de
por diferenças morfológicas nas folhas. O Salix atroci Salix fragilis e de S. triandra. Existem numerosas varie
nerea é uma espécie muito variável morfologicamente dades ornamentais, e inclusivé híbridos resultantes de
que pode hibridarse com os salgueiros de climas mais cruzamentos artificiais entre espécies (Newsholme,
frescos, como o S. aurita ou o S. caprea, ou com a sua 1992). Além disso, na região mediterrânica foram in
variante, o S. cinerea L., nas zonas de contacto e do troduzidos outros taxa, quer como ornamentais (o mais
qual se distingue pela coloração avermelhada dos pêlos comum, S. babylonica), quer para cestaria (S. viminalis
das suas folhas. O S. purpurea hibridase frequente L., S. eriocephala Michx.). Não se recomenda a utiliza
mente com o S. viminalis e com o S. salviifolia, poderá ção deste tipo de materiais em projectos de revegeta
acontecer também com o S. pedicellata nalguma área ção e de restauração.
da sua distribuição. Outra situação complexa é o caso
de S. x rubens, espécie que inclui os híbridos resultan Apesar dos salgueiros se reproduzirem facilmente pela
tes do cruzamento de Salix alba e de Salix fragilis, na via vegetativa, o vento pode ser também um meio de
qual parecem diferenciarse geneticamente dois gru dispersão, e secundariamente a água através das inun
pos, cada um deles similar a uma das duas espécies pa dações primaveris, pelo que é expectável uma certa va
rentais, que podem corresponder ou não com as riação intrapopulacional e um fluxo genético entre as
classificações efectuadas tendo em conta característi populações. Consequentemente, no momento da co
cas morfológicas (Triest et al., 2000; De Cock et al., lheita de frutos ou estacas de populações próximas não
2003). Apesar desta possibilidade de hibridação, a si seria necessário identificalas como lotes diferentes.
milaridade genética com uma ou com outras espécies No entanto, terseá que considerar que as populações
seria a consequência de uma baixa afinidade genómica podem ser menos variáveis em bacias cujo regime na
entre as espécies parentais, o que levaria a um baixo tural dos caudais foi alterado, ao deixar de se promo
potencial de recombinação, prevenindo a sua intro ver a regeneração vegetativa das populações que
gressão (Barcaccia et al., 2003). ocorreria em consequência das inundações fora de
época (Basroum, 2002), o que aumenta o isolamento
genético destas populações devido a uma redução do
fluxo genético entre estas (Lascoux et al, 1996).
Salix 120
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Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Março a Junho, variável metodologia 0,060,08 g (S. alba), Temp.: 18 ºC


segundo a espécie e o local utilizada em frutos 0,14 (S. fragilis) Humidade: 68%
■ ■ ■ ■

■ apanha manual a partir do deiscentes ■ recipiente


solo ou com ferramentas ■ pureza: 6070% hermeticamente


de longo alcance fechado

A apanha deve realizarse quando as cápsulas amadu sos de limpeza e de conservação devem efectuarse
recem e ficam com uma cor pardoamarelada e os pe num período inferior a uma semana, dado que as se
nachos de pêlos das sementes começam a aparecer, é mentes perdem rapidamente a sua viabilidade se forem
necessário um controlo frequente no campo, já que as mantidas à temperatura e humidade ambientes. No
sementes são dispersadas pelo vento num período de caso de não serem utilizadas imediatamente, as se
tempo muito curto. Depois dos frutos serem apanhados, mentes podem ser conservadas em recipientes hermé
deixamse secar à temperatura ambiente durante 1 ou ticos a 4 ºC durante um mês; para conserválas durante
2 dias para que ocorra a sua abertura. Não é necessá mais tempo (35 anos), o seu teor de humidade terá
rio eliminar os penachos de pêlos que cobrem as se que ser controlado e serem mantidas em recipientes
mentes, ainda que possam ser separados por crivagem herméticos abaixo de 0 ºC (Maroder et al., 2000).
numa malha fina, aplicando ar comprimido. Os proces

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ sem tratamento ■ 20 ºC a 25 ºC ■ 9095%

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Primavera, sem tratamento, raiz nua: perímetro do 1224 h depois da sementeira


imediatamente depois da apanha caule até 68 cm ou altura
■ ■ ■

total até 100150 cm


■ alvéolo florestal 300 cm : 1/0
3

■ vaso 3,5 l: 1/1

Não se deve cobrir as sementes, nem pressionálas contentor, podem semearse em alvéolos pequenos (vo
sobre o substrato no momento da sementeira. As plân lume inferior a 7075 cm3). Logo que as plântulas esti
tulas são muito delicadas e susceptíveis à seca durante verem bem enraizadas, estas podem ser retiradas e
o primeiro mês. Quando as plantas se produzem em transplantadas para os contentores de crescimento.
121 Salix
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Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas
■ lenhosa indiferente 30  50 cm Dezembro a Março sem

Os salgueiros específicos de zonas ripárias são geral espécies que enraízam com facilidade é possível utili
mente de fácil propagação vegetativa. Chmelar (1974) zar miniestacas (8–13 mm de diâmetro e 8 cm de
estabelece dois grupos de salgueiros de acordo com a comprimento) e pôlas a enraizar directamente no al
forma de enraizamento: o tipo mais comum é aquele véolo florestal (Dumroese et al., 2003; Mathers, 2003).
cujas raízes se formam difusamente ao longo de prati Também é viável fazer estacas de material semilenhoso
camente todo o caule, como ocorre nos S. alba, S. pur no verão em condições de elevada humidade relativa
purea ou S. eleagnos, e o grupo que só forma raízes na (Newsholme, 1992).
base, como no S. atrocinerea (Vieitez e Peña, 1968). Nos
salgueiros é possível utilizar material com mais de um Existem múltiplas experiências de micropropagação
ano e com diâmetros superiores aos 20 mm. O material com o género Salix. A regeneração é possível a partir de
pode ser armazenado durante dois meses a –4 ºC sem meristemas (Chung y Carrasco, 2001) ou gomos axila
inconvenientes (Chmelar, 1974; Volk et al., 2004). Nas res (Bergmann et al., 1985).

Bibliografia
Bibliografia geral molecular markers and estimation of linkage phases support
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123 Salix
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:03 AM Página124

Sambucus
EN: common elder Caprifoliaceae
EL: κουφοξυλιά

nigra L.
ES: saúco
FR: sureau noir
IT: sambuco
PT: sabugueiro

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen nhosos de folha caduca; e em ambientes mediterrâni
tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste da Ásia, cos, surge na base dos vales em zonas distantes de
Norte de África, Macaronésia áreas ripícolas ou associados a cursos de água perma
nentes. É indiferente à natureza mineral do substrato,
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa requerendo solos soltos e húmidos, crescendo bem em
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e Si solos eutróficos e perturbados. Pode rebentar de toiça.
cília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, A área de distribuição natural da espécie é difícil de
Albânia, Grécia, Turquia, Tunísia, Argélia, Marrocos definir devido ao facto do sabugueiro ter sido ampla
mente cultivado por causa dos seus frutos.
O Sambucus nigra ocorre de uma forma dispersa nos li
mites de bosques húmidos, associado a matos espi

Características de identificação
O sabugueiro é um arbusto ou pequena árvore de folha com margem serrada. Diferenciase facilmente do Sam
caduca que pode alcançar 10 m de altura. A medula dos bucus racemosa porque neste o fruto é de cor vermelha
ramos é larga, branca e esponjosa. As folhas são opos e as suas inflorescências são do tipo racemo, com flo
tas, compostas por 3 a 9 folíolos elípticos, ovado ou res de cor verde mas pequenas, além de que este último
ovadolanceolados, geralmente assimétricos na base, e necessita de climas mais frescos e húmidos.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores pequenas, entomófila drupa globosa, negra de Agosto


brancas ou cremes, 68 mm a Setembro
■ ■ ■ ■ ■

agrupadas em ■ dispersão por


corimbos vertebrados
■ de Abril a Julho frugívoros
Sambucus nigra 124
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Variação e Hibridação
Não existe informação sobre variação intraespecifica
e hibridação para este taxon.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Agosto a Outubro metodologia utilizada 23 g Temp.: 4 ºC


apanha manual a partir em frutos carnudos Humidade: 48%
■ ■ ■ ■

do solo ou com ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ ■

ferramentas de longo fruto: 35110 g hermeticamente


alcance ■ pureza: 9899% fechado

O sabugueiro costuma frutificar de forma abundante com semente viável é variável entre indivíduos, dado
todos os anos; contudo, a produção pode ser baixa nos que pode ocorrer simultaneamente partenocarpia (for
anos com condições climáticas adversas ou nos indiví mação do fruto sem fecundação) e aborto do embrião
duos que crescem ensombrados. A proporção de frutos (Bolli, 1994; Atkinson e Atkinson, 2002).

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

estratificação quente (612 semanas) 30 / 15 ºC; 20 / 10 ºC 4585%


+ estratificação em frio (12 semanas) luz (14 h/dia)
■ ■ ■

■ estratificação em frio (12 semanas)


+ congelação (1 dia)

As sementes de sabugueiro manifestam uma dormên em frio para que a semente germine. A fase de estrati
cia morfológica e fisiológica; no momento da matu ficação quente pode ser substituída pela aplicação de
ração dos frutos, o embrião não está totalmente uma solução de ácido giberélico a uma concentração
desenvolvido e necessita dum período de estratificação de 1.000 mg/l (Hidayati et al., 2000).
quente para alongar e dum período de estratificação

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

início de Outono, sem tratamento alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 na primeira Primavera
ou Primavera, com tratamento vaso 3,5 l: 1/1 e pode completarse na segunda
■ ■ ■

Primavera

125 Sambucus nigra
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Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

semilenhosa indiferente 10 cm AbrilSetembro sem


lenhosa, com basal 15 cm Inverno sem

talão

O sabugueiro propagase muito facilmente por estaca utilização de rega por nebulosidade (Gupta, 1994). No
ria, inclusivé a partir de indivíduos adultos (Good e Bel caso de ser utilizado material lenhoso, as estacas
lis, 1978; Legind e Kaak, 2002). As estacas semilenhosas devem ser cortadas com talão para que a medula es
podemse obter praticamente de toda a planta, embora ponjosa não fique desprotegida na base (Legind e Kaak,
a colheita deva acontecer antes de ocorrer a lenhifica 2002).
ção dos rebentos e a consequente formação da medula
esponjosa (Sandrap, 2000). É conveniente deixar as fo A regeneração in vitro do sabugueiro é possível, utili
lhas no entrenó superior já que melhora a qualidade da zandose segmentos nodais (Brassard et al., 2004).
planta obtida (Ventrella et al., 1998). Recomendase a

Bibliografia
Bibliografia geral AgriFood Canada/ Horticulture Research and Development
Centre. (online URL http://www.cshs.ca/brassard/200407Mi
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Sambucus nigra 126
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Tamarix
Tamaricaceae EN: saltcedar, tamarisk
EL: αρμυρίκι

sp.
ES: taray
FR: tamaris
IT: tamerice
PT: tamargueira
Tamarix gallica L.

Distribuição e Ecologia
As tamargueiras são espécies próprias de climas áridos lagoas com água doce ou salobra, interiores e costeiros.
e semiáridos, mas que requerem humidade no solo As T. canariensis, T. africana, T. tetranda e T. smyrnensis
temporariamente proveniente de água superficial ou suportam relativamente bem o frio, daí a sua distribui
da toalha freática. Encontramse em ribeiras com dife ção ocorrer em climas mais continentais.
rentes regimes hídricos, desde cursos de água perma
nente até temporários, em depressões húmidas e areias A distribuição das espécies de tamargueira que ocorrem
nas zonas litorais, distribuindose os indivíduos isola na região Mediterrânica Europeia é apresentada num
damente ou dando lugar a formações contínuas em anexo. Os mapas relativos às tamargueiras do leste da
função da disponibilidade da água. A Tamarix boveana, zona mediterrânica devem ser considerados como uma
a T. canariensis e a T. dalmatica toleram muito bem a aproximação devido à falta de informação fidedigna
salinidade e podem encontrarse à volta de lagos ou sobre a sua distribuição.

Características de identificação
As tamargueiras são arbustos muito ramificados com florais não serve como única característica de identifi
folhas pequenas, escamiformes com limbo agudo, e cação já que pode ser inconstante.
com glândulas secretoras de sal. A taxonomia deste gé
nero é bastante complexa em resultado dos seus ele A dificuldade de classificar os indivíduos de determi
mentos terem poucas características externas que os nadas espécies tendo em conta as características mor
permitam distinguir e que sejam de fácil visualização. fológicas, o que acontece entre a Tamarix gallica e a T.
Normalmente, os traços que se usam na identificação canariensis, é corroborada por técnicas moleculares.
estão relacionadas com a morfologia das suas flores Assim, Gaskin e Schaal (2003) não conseguiram distin
pequenas, particularmente com o androceu e com as guir estas espécies utilizando tais técnicas, possivel
brácteas que sustentam as flores (ver tabela das ca mente em resultado de serem o mesmo taxon ou
racterísticas de identificação, nos Anexos), daí que seja porque as espécies se intercruzaram. Também se torna
difícil classificar os indivíduos por espécie, especial difícil distinguir morfologicamente estas duas espécies
mente se estes não estiverem na época de floração. das formas estivais de T. africana (Baum, 1978).

As inflorescências de Tamarix podem formarse nos Algumas espécies deste género que são de origem asiá
ramos do ano (inflorescência estival) ou em cresci tica como a T. ramosissima, que pode ser confundida
mentos de anos anteriores (inflorescência invernal); no com a T. smyrnensis (Baum, 1978), cultivamse como
entanto, esta característica não pode ser usada como ornamentais, e não deveriam ser utilizadas na restau
forma de identificação, já que existe uma grande in ração de áreas, dado que podem hibridarse com as au
fluência das condições climáticas tanto do sítio como tóctones; na verdade, existem já indícios de haver
do ano. As flores podem ser tetrâmeras ou pentâme hibridação entre a espécie mencionada com a T. cana
127 Tamarix

ras; no entanto, nalgumas espécies o número de peças riensis ou com a T. gallica (Gaskin e Schaal, 2003).
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Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores brancas ou entomófila cápsula de Maio a


rosadas, agrupadas de 2 a 8 mm Agosto, algumas
■ ■ ■ ■ ■

em racemos espécies também


■ de Março a Junho, no Outono


nalgumas espécies ■ dispersão pelo

às vezes também vento


no Outono

Variação e Hibridação
Não existe informação sobre variação intraespecífica
e hibridação em populações naturais das espécies de
Tamarix consideradas.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Maio a Aosto, metodologia utilizada 0,031 g (T. gallica) Temp.: 18 ºC


às vezes no Outono em frutos deiscentes recipiente
■ ■ ■ ■

■ apanha manual a partir hermeticamente


do solo fechado

Utilizar a propagação sexual na produção de plantas pequenas, de difícil manipulação, pelo que não é ne
de tamargueira não é habitual, dado que estas se re cessário separálas das cápsulas abertas. Se forem
produzem facilmente pela via vegetativa. A apanha mantidas à temperatura ambiente, as sementes per
deve realizarse quando as cápsulas amadurecem; dem rapidamente a viabilidade, mas podem ser con
sendo depois colocadas em bandejas para permitir que servadas durante 1 ou 2 anos se forem mantidas a
os frutos se abram completamente. As sementes são temperaturas baixas, abaixo dos 0 ºC.

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

sem tratamento 20 ºC a 25 ºC 8090%


luz
■ ■ ■


Tamarix 128
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Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Primavera, sem tratamento, raiz nua: perímetro do caule até 24 h depois da sementeira
imediatamente depois 46 cm ou altura total até 100
■ ■ ■

da apanha 150 cm
■ alvéolo florestal 300 cm : 1/0
3

■ vaso 3,5 l: 1/1

O crescimento inicial das plântulas é muito lento, o podem ser semeadas num contentor pequeno (volume
substrato deve manterse sempre húmido durante o inferior a 7075 cm3). Logo que as plântulas estiverem
desenvolvimento inicial destas; quando estas estiverem bem enraizadas, estas podem ser retiradas e transplan
bem desenvolvidas, podem suportar secas severas. tadas para os contentores de crescimento.
Quando as plantas são produzidas em contentor,

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas
■ lenhosa indiferente 20  30 cm Inverno sem

É possível usar miniestacas (8–13 mm de diâmetro e


8 cm de comprimento) directamente em alvéolos flo
restais.

Bibliografia
Bibliografia geral Piotto B, Di Noi A (eds.) (2001) Propagazione per seme di al
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Bibliografia específica
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129 Tamarix
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:03 AM Página130

Ulmus
EN: common elm, field elm Ulmaceae
EL: φτελιά, καραγάτσι

minor Mill.
ES: olmo común, álamo negro
FR: orme champêtre, ormeau
IT: olmo campestre, olmo comune
PT: negrilho, ulmeiro

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen O ulmeiro é um elemento típico dos bosques ribeirinhos
tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste da Ásia, mediterrânicos, onde forma povoamentos ou distribui
Norte de África se de uma forma dispersa nas áreas com nível freático
mais profundo ou com menor disponibilidade hídrica
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa durante o verão, próximo da vegetação climatófila. Pre
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e fere solos frescos, profundos e ricos em calcário.
Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, É comum vêlo cultivado, nas bordas dos caminhos,
Albânia, Grécia (incl. Creta), Turquia, Chipre, Líbia, Tu canais de rega ou associados a construções rurais.
nísia, Argélia, Marrocos

Características de identificação
Árvore caducifólia que pode alcançar um grande porte no terço superior da sâmara. Não deve ser confundido
(2530 m). As folhas são ovadolanceoladas a suborbi com o ulmeiro asiático, Ulmus pumila, muito difundido
culares, com ápice muito agudo e assimétricas na base, em jardinagem pela sua resistência à grafiose. As folhas
com o lóbulo basal mais curto que o pecíolo e a mar desta última espécie são muito pouco assimétricas e a
gem irregularmente dentada. As sementes situamse sua margem apresenta dentes simples.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

androdioicia flores inconspícuas, anemófila sâmara de Março


agrupadas em glomérulos autoincompatível até 20 x 17 mm a Abril
■ ■ ■ ■ ■

■ de Fevereiro a Abril, antes do ■ dispersão pelo


■ ■

desenvolvimento das folhas vento

O Ulmus minor reproduzse naturalmente por semente dade de frutos vazios, em consequência da ausência de
e por rebentação de raiz; os genótipos com flores fe polinização mas também do aborto das sementes
mininas estéreis tendem a formar uma grande quanti (LópezAlmansa e Gil, 2003).
Ulmus minor 130
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Variação e Hibridação
O Ulmus minor Miller (emend. Richens sensu latissimo) de diferentes latitudes e altitudes para características
apresenta uma grande variação morfológica (Richens, de importância adaptativa, como a fenologia (Ghelar
1983), levando alguns autores a distinguir vários taxa dini et al., 2006). As análises efectuadas com técnicas
(Melville, 1975). Entre eles, o U. minor var. vulgaris moleculares em populações espanholas supostamente
(Aiton) Richens, aceite por alguns autores como Ulmus naturais, não formadas por exemplares do clone não
procera Salisb., diferenciase do Ulmus minor var. minor autóctone da variedade vulgaris já mencionado, mos
porque as suas folhas são ásperas na página superior, tram uma certa variação genética e consequentemente
com dentes largos e pecíolo curto e áspero, enquanto a existência de mecanismos de propagação sexual na
que a variedade tipo caracterizase por ter folhas lisas, dinâmica destas populações (FuentesUtrilla, com.pess).
lustrosas, com pecíolo comprido e glabrescente. Outro
taxon próximo é o Ulmus canescens Melville (=Ulmus A grafiose, doença transmitida por vários escolitídeos,
minor subsp. canescens (Melville) Bowicz & Ziel.), com arrasou numerosas populações e indivíduos em toda a
distribuição no centro e este da região Mediterrânica, área de distribuição da espécie, originando o desapa
que apresenta os raminhos e a página inferior das fo recimento da maioria dos ulmeiros adultos, e perma
lhas densamente pubescentes. Existem numerosas for necendo as populações na forma de rebentos jovens,
mas intermédias entre variedades, assim como também que morrem depois de alcançado um certo tamanho. A
híbridos com Ulmus glabra (U x holandica Mill.) ou isto se junta a secular destruição das suas populações,
Ulmus pumila, muitas vezes com fortes introgressões e por ocuparem áreas ribeirinhas particularmente férteis
retrocruzamentos, o que dificulta a identificação. para a agricultura. Em resultado do que foi referen
ciado, a conservação desta espécie é considerada como
Esta espécie foi muito difundida no passado, daí que prioritária em vários países europeus.
em muitas ocasiões se torne difícil determinar se são
populações autóctones ou naturalizadas. Alguns auto Existem já no mercado alguns híbridos de Ulmus minor
res duvidam do seu carácter nativo nalgumas áreas se com espécies asiáticas e americanas resistentes à gra
tentrionais da sua distribuição actual (Richens e Jeffers, fiose, assim como também alguns genótipos desta es
1985). Por outro lado, estudos efectuados com técnicas pécie que terão demonstrado ser resistentes em
moleculares parecem confirmar a propagação massiva diferentes programas de selecção. Ensaiouse com êxito
em Espanha e na GrãBretanha de um clone estéril da a transformação genética de genótipos da variedade
variedade vulgaris, de crescimento muito rápido mas vulgaris, cuja resistência à grafiose tem vindo a ser
particularmente sensível à grafiose. Esta expansão po avaliada (Gartland et al, 2005).
derá ter ocorrido em resultado dos romanos utilizarem
exemplares deste clone como suporte na cultura da O uso desta espécie em restaurações e florestações
vinha (Gil et al., 2004). Também há evidencias de que pode ser controversa, pelo que há que ter uma série de
tanto o Ulmus plotii Druce (= U. minor Mill. var. lockii precauções. A primeira delas é a de que o material que
(Druce) Richens) como o Ulmus angustifolia (Weston) está a ser utilizado esteja livre da doença; em segundo
Weston (= U. minor Mill. subsp. angustifolia (Weston) lugar, que as novas plantações não venham a compro
Stace) são variedades disseminadas na GrãBretanha meter a sobrevivência e características das possíveis
pela sua singularidade relativamente a determinadas populações naturais que possam estar na proximidade
características morfológicas e serem de fácil propaga da zona de actuação. Assim, e de acordo com os co
ção vegetativa (Coleman et al., 2000; Hollingsworth e nhecimentos actuais, fazemse as seguintes recomen
Armstrong, dados não publicados  citados em Cole dações com o objectivo de promover a conservação da
man et al., 2000). espécie:

Apesar do ulmeiro ter sido utilizado de forma intensiva, utilizar, sempre que for possível, materiais provenien
de acordo com os resultados obtidos utilizando técni tes de populações ou de exemplares considerados
cas moleculares, este mostra ter um padrão geográfico autóctones, localizados em bosques ribeirinhos, e
da variação genética. Este padrão é possivelmente o re que não tenham sintomas de grafiose. No entanto, a
flexo de eventos históricos naturais relacionados com utilização de materiais que não foram testados mas
diferentes refúgios durante as glaciações, vias de mi aparentemente sãos, não é nunca garantia de resis
gração e isolamento genético (Collin et al., 2002). Esta tência;
diferenciação geográfica também se vê reflectida no evitar o uso do clone da variedade vulgaris susceptível
comportamento diferenciado dos clones provenientes à grafiose, massivamente propagado desde a anti
131 Ulmus minor
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guidade em alguns países e zonas vitivinícolas; deve quando se suspeita que os indivíduos, devido à sua
ser fomentado o uso de outras variedades. Se a iden homogeneidade fenotípica, podem ser um mesmo
tificação genética não for possível, a produção de genótipo;
sementes pode ser uma característica diferenciadora, devido à existência de variedades com distribuição lo
já que o clone susceptível mencionado é estéril; calizada em certas áreas e à obtenção de um certo
eleger a via vegetativa em vez da propagação por se padrão geográfico na variação genética desta espé
mente quando existem exemplares de U. pumila ou cie, é recomendável não efectuar transferências de
híbridos desta espécie nas proximidades da zona de material a grandes distancias;
apanha, já que o U. minor pode sofrer introgressão da a utilização de materiais geneticamente modificados
espécie asiática; deverá ser ponderado em função da sua esterilidade
quando não existe outra opção senão colher em popu ou do seu comportamento invasor;
lações com indivíduos com sintomas de grafiose, por último, se existirem populações em bom estado sa
devese tentar apanhar sementes, já que o material nitário nas proximidades da zona a ser restaurada,
vegetativo poderá estar infectado; estimular o estabelecimento de outras populações
fomentar a variação genética dos lotes, dando prefe novas poderia ter um impacto negativo, funcionando
rência à colheita em poucos indivíduos por popula eventualmente como “ponte” entre populações
ção mas em muitas populações, particularmente doentes e sãs.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

de Abril a Maio metodologia utilizada 68 g (sâmara) Temp.: 13 ºC a 0 ºC


com ferramentas em frutos que se CH: 27%
■ ■ ■ ■

de longo alcance semeiam directamente ■ recipiente


■ ■

ou agitando a copa ■ pureza: 8598% hermeticamente


fechado
As sementes do ulmeiro perdem rapidamente a viabili ambientes. Em lotes pequenos, as sementes cheias
dade se forem mantidas à temperatura e humidade podem ser separadas das vazias, por controlo visual.

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

■ sem tratamento ■ 20 ºC ■ 1050%

Na germinação das sementes em condições controla


das, podese eliminar manualmente a asa das sâmaras.
Ulmus minor 132
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Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Primavera, sem tratamento, raiz nua: 40 g/m2; perímetro do 1 a 2 semanas depois


imediatamente depois da apanha caule até 68 cm ou altura total da sementeira
■ ■ ■

até 100150 cm
■ alvéolo florestal 300 cm : 1/0
3

■ vaso 3,5 l: 1/1

Quando as plantas se produzem em contentor, podem enraizadas, estas podem ser retiradas e transplantadas
ser semeadas em contentores pequenos (volume infe para os contentores de crescimento.
rior a 7075 cm3). Logo que as plântulas estiverem bem

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

de raiz 5  8 cm início da Primavera sem


semilenhosa basal ou intermédia 10  15 cm JunhoJulho 0,5%

O ulmeiro propagase muito facilmente através de seg Devido aos danos provocados nas populações naturais
mentos de raiz, e com certa facilidade quando se utili pela grafiose, a propagação in vitro é um método pro
zam estacas semilenhosas (Kobert, 1979). As estacas missor na regeneração e conservação de exemplares
de raiz não devem ter um diâmetro superior a 15 mm. autóctones. Nos últimos anos, desenvolveramse di
As estacas semilenhosas devem enraizarse em am versos ensaios de regeneração a partir de cotilédones
biente com elevada humidade relativa já que as folhas (Corredoira et al., 2002), folhas (Conde et al., 2004; Do
de ulmeiro são especialmente sensíveis à dessecação rion et al., 2004) ou segmentos de entrenós (Diez e Gil,
(Mittempergher et al., 1992). O material lenhoso co 2004; Dorion et al., 1993).
lhido no inverno e estabelecido com aquecimento basal
chega a formar raízes, mas apresenta taxas de sobre
vivência muito baixas na fase de aclimatação (Bartolini
et al., 1997; Griffin e Schroeder, 2004).

Bibliografia
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133 Ulmus minor
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Ulmus minor 134
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Viburnum
Caprifoliaceae EN: laurustinus
EL: άγρια δάφνη

tinus L.
ES: durillo
FR: lauriertin, viornetin
IT: lentaggine
PT: folhado

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da em matos altos em terrenos frescos com alguma dis
Europa, Cáucaso, Oeste da Ásia, Macaronésia ponibilidade hídrica e em bosques mediterrânicos mas
húmidos. É indiferente à natureza litológica do subs
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa trato, embora prefira solos ricos e soltos. O folhado não
nha (incl. Baleares), França (incl. Córsega), Itália (incl. é um taxon próprio de ambientes ripícolas, no entanto
Sardenha e Sicília), Croácia, Albânia, Grécia, Turquia, a sua utilização deve ser tida em conta, tanto pela sua
Líbano, Israel, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos interacção com a fauna como pelas suas necessidades
de humidade, plantandose na zona de transição entre
Este arbusto termófilo é típico de áreas com azinheira a vegetação ripária e a climatófila.
e pinhais mediterrânicos, mas também pode aparecer

Características de identificação
O Viburnum tinus é um arbusto de folha perene que tada e muito pelosas no primeiro caso, e palmatiloba
não supera os 34 m de altura. Diferenciase facil das no segundo. Além disso, o V. opulus apresenta fru
mente de outras espécies de distribuição europeia, si tos de cor vermelho vivo quando maduros. As
tuadas em diferentes secções dentro do Género, por diferenças entre os V. tinus, V. lantana e V. opulus tam
características relacionados com as folhas. Assim, as bém foram obtidas com o uso de marcadores molecu
folhas do V. tinus são inteiras, de cor verde brilhante e lares em estudos filogenéticos (Donoghue et al., 2004;
persistentes, enquanto que os V. lantana e V. opulus, Winkworth e Donoghue, 2005). O V. tinus é a mais ter
ambos caducifólios, têm as folhas com margem den mófila das três espécies.
135 Viburnum tinus
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Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores brancas, entomófila drupa oval, azul de Agosto a


agrupadas em autocompatível escura ou negra Setembro, podem
■ ■ ■ ■ ■

cimeiras ■ 58 mm de permanecer na


corimbiformes comprimento planta até ao


ântese de Novembro Inverno
a Junho, flores ■ dispersão por

imaturas todo o ano vertebrados


frugívoros

Variação e Hibridação
São conhecidas três subespécies: Viburnum tinus subsp. e Açores respectivamente, e o Viburnum tinus L. subsp.
rigidum (Vent.) P. Silva e Viburnum tinus subsp. sub tinus L. no resto da área de distribuição.
cordatum (Trel.) P.Silva, com distribuição nas Canárias

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação
Outono metodologia utilizada 3980 g Temp.: 0 ºC a 4 ºC
apanha manual a partir

em frutos carnudos Humidade: 48%


■ ■ ■

do solo

■ peso das sementes / kg ■ recipiente


fruto: 355650 g hermeticamente


■ pureza: 9598% fechado

Esta espécie apresenta variações anuais na produção A eliminação da polpa é necessária para permitir a ger
de frutos, com uma colheita mais abundante em cada minação das sementes de Viburnum tinus.
3 anos (Herrera, 1998).

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

estratificação quente (812 semanas) 30 / 20 ºC 4060%


+ estratificação em frio (812 semanas) luz
■ ■ ■

As sementes de Viburnum tinus são difíceis de fazer cação de temperaturas alternadas na câmara de ger
germinar. Apresentam uma ligeira dormência morfoló minação, em que a temperatura mais baixa será infe
gicafisiológica e grande lentidão no processo de ger rior a 15 ºC (GarciaFayos, 2001). Um regime diário de
minação, e requerem temperaturas cíclicas, como temperaturas de 20 ºC / 10 ºC (luz/escuridão) durante
ocorre na natureza (Karlsson et al., 2005). No trata 5060 semanas, em sementes que não foram tratadas
mento convencional de dupla estratificação calorfrio, previamente, parece adequado para reduzir a dormên
a estratificação em frio pode ser substituída pela apli cia e estimular a germinação (Karlsson et al., 2005).
Viburnum tinus 136
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Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

princípios de Outono, sem alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 na primeira Primavera, lenta
tratamento ou Primavera, vaso 3,5 l: 1/1 e irregular, pode completarse
■ ■ ■

com tratamento na segunda Primavera


Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

■ semilenhosa terminal 34 Maio a Setembro 0,5%

É possível efectuar estacaria de folhado durante prati de aquecimento basal (Giroux et al., 1999). As taxas de
camente todo o ano, no entanto recomendase que esta enraizamento podem ser superiores a 80%, embora
seja realizada quando a planta não está em floração devese esperar uma elevada variação individual se for
(Cervelli, 2005; Lamb e Kelly, 1988). A aplicação de tra utilizado um número elevado de clones (Cervelli, 2005;
tamentos de rejuvenescimento nas plantasmãe acelera Piccioni et al., 1996; Pignatti e Crobeddu, 2005).
e homogeneíza o enraizamento das estacas (Pignatti e
Crobeddu, 2005). A estacaria funciona melhor sob uma A micropropagação de V. tinus foi praticada com êxito
rega por nebulosidade e, no caso de ser necessário de por Nobre et al., (2000) a partir de segmentos dos en
vido às condições climáticas, recomendase a aplicação trenós de plantas jovens.

Bibliografia
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137 Viburnum tinus

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Vitex
EN: vitex, chastetree Verbenaceae
EL: λυγαριά, λυγιά

agnuscastus L.
ES: sauzgatillo, agnocasto
FR: gattilier, arbre au poivre
IT: agnocasto, lagano, aino
PT: agnocasto, árvore da castidade

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste e Este É uma espécie termófila que cresce dispersa em sal
da Europa, Cáucaso, Oeste e Centro da Ásia, Norte de gueirais ou em manchas de loendros nas margens de
África rios ou em leitos de cursos de água temporários, dando
origem em certas ocasiões a formações mais ou menos
Distribuição na região mediterrânica: Espanha (incl. puras muito densas. Embora seja uma espécie tipica
Baleares), França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha mente mediterrânica, não se encontra em áreas parti
e Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, cularmente secas já que requere uma certa humidade
Albânia, Grécia (incl. Creta), Chipre, Turquia, Síria, Lí ambiental. Prefere solos bem drenados e não tolera
bano, Israel, Tunísia, Argélia, Marrocos concentrações muito elevadas de sais. Esta espécie já
foi referenciada pontualmente no território português,
na zona do Algarve.

Características de identificação
A árvore da castidade é um arbusto ou pequena árvore natural na Europa. Apresenta folhas opostas, peciola
de folha caduca, que não deve superar os 4  5 m de al das e palmaticomposta com 57 folíolos linearlan
tura. É a única especie do género que cresce de forma ceolados.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

hermafrodita flores azuladas, entomófila drupa globosa, de Outubro


raramente brancas, negra a Dezembro
■ ■ ■ ■ ■

agrupadas em ■ 34 mm ■ dispersão por

cimeiras sobrepostas vertebrados


formando uma frugívoros
panícula comprida
■ de Junho a Setembro
Vitex agnus-castus 138
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Variação e Hibridação
Não existe informação sobre variação intraespecífica
e hibridação para este taxon.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

Outono metodologia utilizada 713 g Temp.: 4 ºC


apanha manual a partir em frutos secos Humidade: 48%

■ ■ ■

■ recipiente
do solo indeiscentes

■ peso das sementes / kg hermeticamente


fruto: 750 g fechado
■ pureza: 80%

Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

estratificação em frio (12 semanas) 30 / 20 ºC 6070%


luz
■ ■ ■

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento ou na alvéolo florestal 300 cm3: na primeira Primavera


Primavera, com tratamento 1/0 ou 2/0
■ ■ ■

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

lenhosa indiferente 15 cm Inverno sem ou < 0,5%


milenhosa indiferente 23 Verão sem ou < 0,5%

A árvore da castidade propagase facilmente por esta Economou et al. (2000) e Varma et al. (1991) regene
caria com material colhido tanto no Inverno como no raram exemplares desta espécie através da propagação
Verão (Dirr e Heuser, 2006; Mac Carthaig e Spethmann, in vitro de gomos axilares.
2000).
139 Vitex agnus-castus
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:04 AM Página140

Bibliografia
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Vitex agnus-castus 140
bio_1-145.qxp:guia 5/26/09 9:04 AM Página141

Vitis vinifera subsp.


Vitaceae EN: wild vine
EL: αμπέλι, κλήμα

sylvestris (C.C.Gmel) Hegi


ES: parra borde, vid salvaje
FR: lambrusque, vigne sauvage
IT: vite selvática
PT: labrusca, videira brava

Distribuição e Ecologia
Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen bânia, Grécia, Turquia, Síria, Líbano, Israel, Tunísia, Ar
tro e Este da Europa, Cáucaso, Oeste e Centro da Ásia, gélia, Marrocos
Norte de África
Espécie tipicamente mediterrânica que se encontra em
Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa solos frescos, de preferência trepando por árvores e ar
nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e bustos em matas junto a linhas de água. Também se
Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, Al encontra em bosques de folhosas e colonizando roche
dos e taludes em climas mais húmidos.

Características de identificação
A videira brava é uma planta lenhosa trepadora de fundamente lobada nos indivíduos masculinos. É nor
folha caduca que pode alcançar os 30 m de altura. Nas malmente um taxon dióico; embora possam ocorrer
cepas velhas, a casca desprendese em largas tiras. A casos de exemplares com flores hermafroditas (Failla
morfologia das folhas, muito variável dentro da mesma et al., 1992), esta característica diferenciao dos culti
planta, é normalmente palmatilobada, sendo mais pro vares que apresentam flores hermafroditas.

Biologia reprodutiva
Expressão sexual Floração Polinização Frutificação Maturação

dioicia flores esverdeadas, entomófila baga globosa ou de Setembro a


agrupadas em elipsoidal, vermelha Novembro
■ ■ ■ ■ ■

panículas ou negra ■ dispersão por

■ de Abril a Junho ■ 58 mm vertebrados


frugívoros
141 Vitis vinifera
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Variação e Hibridação
A determinação precisa da área de distribuição desta A existência de diferenças genéticas entre regiões re
espécie é complexa, já que a sua domesticação terá tido comenda prudência aquando da colheita e do uso dos
lugar no período de 2500 a 2000 AC. Os estudos ar materiais de reprodução, devendo utilizarse a prove
queobotânicos parecem demonstrar que a intervenção niência local sempre que possível. Esta prudência deve
humana na vida silvestre terá ocorrido de forma inde ser reforçada pela existência de adaptações ao frio e à
pendente, tanto no leste como no oeste da sua suposta secura (Sefc et al., 2003), desaconselhandose a intro
área de distribuição natural (Nuñez e Walker, 1989), o dução de cultivares provenientes de climas diferentes.
que implicaria a sua naturalização em ambas as regiões.
Esta hipótese terá sido confirmada pelo estudo compa A videira brava pode considerarse uma espécie amea
rado de material proveniente de diferentes pontos da çada desde meados do século XIX, pela introdução de
área de distribuição, utilizandose técnicas molecula algumas doenças, entre elas a filoxera, além da des
res, que mostram diferenças genéticas entre as popu truição constante do seu habitat (Arnold et al., 1998;
lações orientais e ocidentais (Imazio et al., 2003; López et al., 2004). Actualmente, tornase difícil en
ArroyoGarcía et al., 2006), possivelmente por terem a contrar populações puras de V. vinifera subsp. sylvestris,
sua origem em diferentes rotas de colonização após as já que em muitas ocasiões se trata de misturas de in
glaciações (Imazio et al., 2003). Além disso, o estudo de divíduos selvagens, cultivares, variedades de portaen
cultivares locais de vinha provenientes de diferentes re xertos de espécies americanas e de híbridos entre eles
giões europeias, com técnicas moleculares, estabelece (Sefc et al., 2003). O nível de ameaça é particularmente
ram uma correlação entre a distância genética e a acentuado nalgumas populações naturais que mostram
distribuição geográfica, o que leva a pensar que a do uma baixa variação genética, fruto possivelmente da
mesticação da videira terseá efectuado principal destruição do seu habitat e da redução do número de
mente in situ, utilizando fundamentalmente exemplares indivíduos (Imazio et al., 2003). Na verdade, em geral,
selvagens autóctones (Sefc et al., 2003; ArroyoGarcía as populações desta espécie não superam os dez indi
et al., 2006). Mesmo no caso de essas cultivares terem víduos, e nalguns casos são constituídas apenas por in
sido introduzidas, terão sofrido uma forte introgressão divíduos do mesmo sexo (Arnold et al., 1998). Por tal,
das proveniências selvagens locais (Sefc et al., 2003). poderia ser interessante o seu uso nas restaurações hi
De uma forma ou de outra, as folhas fossilizadas de vi drológicas, de forma a reverter a tendência de isola
deira brava encontradas no sudeste da França, que mento reprodutivo das populações, diminuindo o nível
datam aproximadamente de 6900 AC (Roiron et al., de descontinuidade entre estas.
2004), são uma evidência da ocorrência natural da es
pécie na sua área de distribuição ocidental.

Propagação seminal

Obtenção e conservação de sementes


Tolerância à dessecação: ORTODOXA
Apanha Limpeza Peso de 1.000 sementes Conservação

Outono metodologia utilizada 31 g Temp.: 4 ºC


apanha manual a em frutos carnudos Humidade: 8%
■ ■ ■ ■

partir do solo ou com ■ peso das sementes / kg ■ recipiente


■ ■

ferramentas de longo fruto: (dados não hermeticamente


alcance encontrados) fechado
■ pureza: (dados não

encontrados)
Vitis vinifera 142
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Germinação em condições controladas

Tratamentos prégerminativos Condições Germinação  Viabilidade

estratificação em frio (812 semanas) 30 / 20 ºC; 30 / 15 ºC; 25 ºC (dados não encontrados)


luz
■ ■ ■

O período de estratificação em frio pode ser reduzido se giberélico a 1.000 ppm, durante 24 horas (Ellis et al.,
as sementes forem tratadas com uma solução de ácido 1983).

Produção em viveiro

Época de sementeira Modalidade de produção Emergência

Outono, sem tratamento ou na alvéolo florestal 300 cm3: 1/0 (dados não encontrados)
Primavera, com tratamento ou 2/0
■ ■ ■

Propagação vegetativa
Tipo de estaca Posição no caule Nº de entrenós – Época de colheita Concentração
 Tamanho de auxinas

■ lenhosa basal ou intermédia 20  30 cm DezembroJaneiro < 0,1%

A forma tradicional de multiplicar a videira brava é e preparação no mês de Fevereiro. Esta técnica consiste
feita através de material caulinar lenhoso colhido nor em escolher os gomos laterais mais desenvolvidos e
malmente entre Dezembro e Janeiro. O material é efectuar um corte transversal nos entrenós superior e
armazenado temporariamente e as estacas são prepa inferior a uma distância de 1,5 a 2 cm do gomo. No
radas na Primavera, quando as temperaturas começam caule, no lado contrário à do gomo fazse um corte
a aumentar (Muñoz e Villalobos, 1976), após uma pre longitudinal em bisel de cima a abaixo. Recomenda
via hidratação durante uma noite (Alley e Christensen, se que as estacas sejam tratadas com ácido indolbutí
1974; Balo e Balo, 1968). Os efeitos das hormonas de rico a 1%. As estacas enterramse com uma certa
enraizamento variam muito entre indivíduos e nalguns inclinação deixando que apenas o gomo esteja acima
casos podem causar, inclusive, efeitos negativos (Alley, do substrato. Fazse a estacaria em caixas com uma
1979). Também é possível propagar a videira no Verão, mistura de turfa e areia. A videira brava pode ser tam
utilizando estacas semilenhosas com um a dois entre bém propagada por mergulhia.
nós (Muñoz e Valenzuela, 1978; Stefanini e Iacono,
1998; Thomas e Schiefelbein, 2004). Mac Cárthaig e A metodologia de propagação in vitro da videira está
Spethmann (2000) recomendam a utilização de esta muito desenvolvida. Podemse utilizar segmentos de
caria de gomos. O material é colhido nos finais de No caule com um gomo lateral (Mhatre et al., 2000; Singh
vembro, sendo armazenado até ao seu processamento et al., 2004).
143 Vitis vinifera
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3
Anexos

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Variação
e adaptação

Materiais de reprodução e adaptabilidade


As árvores possuem sistemas hereditários semelhantes tantes sendo determinante na adaptabilidade destas
aos dos outros organismos vivos. A variação que ob (Zobel e Talbert 1984; MüllerStarck, 1991)
servamos quer entre as espécies (interespecífica) quer
dentro destas (intraespecífica), resulta de duas cau Com frequência, a qualidade genética dos materiais
sas fundamentais: a imposta pelo ambiente, reconhe florestais de reprodução é descurada quer nas acções
cida pelo Homem há muito tempo, constituindo a base de restauro dos ecossistemas florestais, quer nas dos
das práticas florestais; a outra resulta da constituição ecossistemas ribeirinhos, utilizandose sementes ou
genética dos indivíduos e é frequentemente ignorada. plantas mais baratas independentemente da área de
No entanto, esta fonte de variação é de tal modo pre origem. Práticas que são particularmente desajustadas
ponderante que, pode afirmarse ser impossível encon se tivermos em conta as alterações climáticas globais
trar duas árvores iguais. ocorridas nos últimas décadas na região mediterrânica,
onde se verificou um agravamento das condições am
As florestas desenvolvemse em ambientes muito he bientais com uma tendência para a subida da tempe
terogéneos, espacial e temporalmente, reflectindo na ratura, a redução significativa da precipitação na
generalidade uma elevada variabilidade genética, quer Primavera e um aumento da variação interanual da
geográfica (entre populações) quer localmente (dentro precipitação de Inverno. Aliás, a prática tem demons
das populações). É esta variabilidade e a capacidade de trado que a utilização de plantas adaptadas ao local
a transmitir à sua descendência que assegura uma evo é um dos factores que influencia favoravelmente o
lução contínua das espécies e das populações (Mor sucesso da regeneração e a evolução das novas popu
genstern, 1996). Dos vários níveis de variação genética lações, permitindo que o crescimento e o desenvolvi
que podem ser considerados entre árvores, o corres mento decorra de uma forma dinâmica em interacção
pondente à origem geográfica é um dos mais impor com o ambiente.

Factores que condicionam a variabilidade genética


A evolução de um bosque ribeirinho não depende só do ocorra uma inadaptação dos indivíduos às condições
seu património genético e do ambiente em que se en ambientais (Wright, 1976; Zobel e Talbert, 1984).
contra, é também influenciada pela acção do homem. A
fragmentação destes ecossistemas é uma das principais Na figura 1, as subpopulações A’ e A’’ resultaram de
e mais frequentes acções antropogénicas, promovendo uma fragmentação ténue da população A; o fluxo de
a alteração das condições locais e o isolamento de po genes entre elas não foi quebrado, pelo que a sua dife
pulações arbóreas. A consequente redução na área ocu renciação genética é menor do que entre as subpopu
pada pelas populações locais, o aumento no isolamento lações B’ e B’’, apresentadas na figura 2, que resultaram
espacial das populações remanescentes e a redução do da fragmentação abrupta de uma população ripária ini
número de indivíduos reprodutores por unidade de área, cial, B, nas quais o fluxo de genes foi muito limitado
podem afectar os processos genéticos, como o fluxo de pela distância geográfica que as separa. Neste caso, a
pólen, frutos e sementes, os cruzamentos e a eficiência diferenciação genética será tanto maior quanto maior
da selecção natural, factores que determinam a impor for a distância entre as respectivas subpopulações. O
tância e a distribuição da diversidade genética nas es efeito da distância pode ser atenuado pelo curso de
pécies (Young, 1995). A viabilidade destas populações água, ao proporcionar uma via de transferência de se
pode assim ficar comprometida, em consequência da mentes, de frutos e até de partes de plantas. Por outro
perturbação do processo reprodutivo e da redução da lado, a pequena dimensão da subpopulação B’’ irá
sua adaptabilidade, a qual se encontra muitas vezes li afectar directamente o número efectivo de indivíduos
gada à perda de variabilidade genética. que participam no processo reprodutivo (Ne).Se o fluxo
de genes não for suficiente, a população B’’ tende a so
A evolução das populações depende também do fluxo frer uma redução drástica na sua variabilidade em re
de genes, através da migração de polén ou de semen sultado da perda aleatória de genes (deriva genética),
tes, atenuando o efeito da selecção e condicionando o que poderá vir a acentuarse nas gerações futuras de
tamanho efectivo das populações (Ne). Quando as po vido à depressão por consanguinidade. Estes 2 factores,
149 Variação e adaptação

pulações são muito pequenas e o fluxo de genes é re deriva e consanguinidade, poderão induzir uma menor
duzido ou nulo, pode suceder que, por acção do acaso, adaptabilidade da subpopulação B’’.
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Figura 1 Fragmentação sofrida pela população original A, originando duas subpopulações


A’ e A’’ com dimensões similares, a uma distância geográfica que permite o fluxo de genes.

Figura 2 Fragmentação sofrida pela população original B, originando duas subpopu


lações B’ e B’’, uma delas muito reduzida, separadas por uma distância considerável.

A estrutura espacial destas populações acentua a fra pagam vegetativamente, em que um conjunto de ár
Variação e adaptação 150

gilidade dos bosques ribeirinhos, particularmente no vores próximas podem pertencer todos ao mesmo ge
caso das espécies dióicas ou das espécies que se pro nótipo.
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Qualidade genética dos materiais de reprodução


A delimitação de regiões de proveniência tem sido um A obtenção de material de reprodução num número
procedimento que permite a caracterização dos mate alargado de progenitores tornase fundamental para
riais de reprodução, com o objectivo de promover a sua garantir que a base genética seja alargada. No caso das
adequação às condições das áreas a regenerar, este sis espécies que se propagam vegetativamente, a utiliza
tema foi adoptado para um grande número de espécies ção de um número reduzido de clones que se caracte
florestais. Esta delimitação baseiase em parâmetros rizam por elevadas taxas de enraizamento, pode
ambientais e genéticos que permitem a identificação constituir uma prática economicamente e funcional
das populações melhor adaptadas para cada local; ba mente muito interessante, mas com consequências im
seandose na obtenção de conhecimentos adquiridos a previsíveis na adaptabilidade das novas populações. A
partir de ensaios e estudos que decorrem há muitas dé identificação de áreas onde as espécies estão repre
cadas para algumas espécies. Todavia, desconhecese a sentadas por um número significativo de indivíduos,
variabilidade genética e a adaptabilidade da maioria com bons desenvolvimentos e em bom estado sanitá
das espécies arbóreas ribeirinhas, pelo que não foram rio, é um objectivo fundamental, já que estas popula
ainda delimitadas regiões de proveniência específicas ções poderão ser potenciais áreas de colheita de
para estas. Paralelamente, a limitada disponibilização material.
de plantas pelos viveiristas locais e regionais a um
preço superior relativamente a outros mercados, é um Os meios financeiros que têm vindo a ser disponibili
dos factores que tem promovido a utilização de plan zados aos proprietários florestais para a arborização,
tas de origem desadequada nas acções de requalifica através de iniciativas das entidades regionais, nacio
ção das áreas ribeirinhas. nais ou comunitárias, bem como o esforço desenvol
vido pela Administração Pública no processo de
Uma dúvida que se coloca frequentemente é definir certificação dos materiais florestais de reprodução, são
qual o número mínimo de indivíduos necessário factores que têm contribuído para uma maior respon
aquando da colheita de material de propagação, que sabilização e exigência na qualidade das sementes e
garanta uma variabilidade genética suficiente nas das plantas comercializadas. A directiva comunitária
novas populações; Eriksson et al. (1995) indicam que 1999/105/CE reconhece a importância da qualidade
50 indivíduos, sem parentesco, são suficientes para genética dos materiais florestais de reprodução na es
capturar as variantes genéticas mais frequentes numa tabilidade, adaptação, resistência e produção das flo
população, e que presumivelmente apresentam vanta restas. No entanto, a concretização destas normas
gens adaptativas face a outras variantes menos fre implica, no curto prazo, uma adequada gestão das
quentes. A recolha dos materiais de reprodução deve áreas de produção dos materiais florestais de reprodu
ser realizada em indivíduos afastados entre si, que na ção, passando por um maior domínio das técnicas de
prática pode corresponder a uma distância de 50 a 100 manipulação e de propagação, de forma a responder às
m para minimizar eventuais situações de parentesco. necessidades do mercado.

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151 Variação e adaptação
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Manipulação
de sementes

Obtenção e conservação de sementes


Uma das fases que condiciona a qualidade dos mate rência de danos mecânicos e a degradação fisiológica
riais de reprodução e, por consequência, o êxito na durante a sua manipulação e conservação.
etapa de produção das plantas, é o tratamento a que
estes são sujeitos desde a sua colheita até à sua con Depois de colhidos, os materiais devem ser transporta
servação para um uso posterior. Os frutos e as semen dos o mais rapidamente possível para as instalações
tes devem ser manipulados com cuidado, dado que se onde vão ser processados, evitandose o calor directo e
trata de material vivo e por tal, perecível; os danos cau os danos mecânicos, mantendose sempre a sua eti
sados podem ser irreversíveis e, na maioria dos casos, quetação de forma a assegurar a correcta identifica
irão diminuir a sua qualidade. A qualidade de um lote ção dos lotes. As sementes e frutos são transportados
depende de factores inerentes ao material em causa, em embalagens como sacos de papel ou de algodão ou
dificilmente controláveis pelo homem, mas também é ainda em sacos de serapilheira ou de plástico, no caso
resultante de outros factores controláveis como a pre de grandes quantidades.
sença de microrganismos, o ataque de insectos, a ocor


colheita


armazenamento provisório


processamento dos frutos
limpeza e armazenamento

 
processamento das sementes


testes


embalagem

 
armazenamento testes periódicos


conservação

 
tratamentos prégerminativos
produção de plantas

sementeira

Figure 3 – Sequência de actividades desde a apanha até à sementeira

A obtenção e a conservação de sementes implicam uma Um dos aspectos mais importantes a ter em conta é o
Manipulação de sementes 152

série de processos em sequência (Figura 3), nos quais grau de tolerância das sementes à dessecação. Existe
será necessária a aplicação de diferentes metodologias, um grupo de espécies cujas sementes se denominam re
assim como o controlo das condições ambientais, va calcitrantes porque perdem a viabilidade se o seu teor
riáveis em função do tipo de fruto e de semente. em humidade descer abaixo de um limite relativamente
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elevado, e que é variável segundo a espécie (Quercus, vadas a baixas temperaturas durante muitos anos. Deve
Aesculus, Castanea, Corylus ou as sementes de um nú assinalarse que existem excepções e comportamentos
mero considerável de taxa tropicais). Em oposição, intermédios, que são considerados num grupo denomi
temos as sementes denominadas por ortodoxas que to nado como sementes semiortodoxas, nas quais se in
leram um processo de dessecação que faça descer o seu cluem as de Juglans, Caria, Fagus e algumas espécies
teor de humidade abaixo dos 10% e podem ser conser ripícolas como Populus, Salix e Ulmus.

Armazenamento provisório
Assim que o material colhido é trazido para as instala tendo que haver um cuidado especial na manutenção
ções onde vai ser processado, as operações devem ini da humidade, evitando ou controlando a proliferação
ciarse logo que possível. Deve procederse à pesagem de fungos. Em geral, também é conveniente reduzir o
e a uma avaliação visual prévia para detectar a pre tempo de armazenamento dos frutos carnudos, preve
sença de fungos e de insectos, que permita decidir nindo e minimizando as perdas de humidade e simul
quais as medidas prioritárias a considerar na manipu taneamente evitando a sua fermentação. As espécies
lação do lote. com frutos secos e sementes recalcitrantes toleram um
processo de secagem mais gradual; em determinados
Nesta fase, e particularmente no caso de poderem de casos é conveniente proceder previamente a um pe
correr alguns dias antes de se iniciar a limpeza do ma ríodo de arejamento para permitir a maturação das se
terial, este deve ser mantido à sombra, num local fresco mentes (Fraxinus angustifolia, F. excelsior), ou para
ou numa câmara de frio. No caso das sementes recal permitir uma secagem prévia dos frutos antes de estes
citrantes, este período deve ser o mais curto possível serem abertos com a utilização do calor.

Extracção e limpeza
O material colhido deve ser sempre sujeito a uma lim As sementes das espécies arbóreas e arbustivas que são
peza, para retirar as impurezas que surgem. As tarefas normalmente utilizadas em florestações em zonas me
de extracção e de limpeza das sementes são trabalho diterrânicas podem ser agrupadas em quatro grandes
sas, mais numas espécies do que noutras, e particular tipos, que permitem estabelecer protocolos comuns de
mente quando não se dispõe de meios mecanizados extracção e de limpeza (Figura 4):
específicos para este tipo de operações.
 sementes que não necessitam de ser extraídas dos
Do ponto de vista prático, os métodos a aplicar para a frutos (Acer, Fraxinus, Quercus, Ulmus)
obtenção de um lote de sementes com qualidade ex  sementes em cápsulas e frutos secos indeiscentes
terna adequada dependem muito das características (Cistus, Colutea)
morfológicas e do tamanho dos frutos e sementes. A  sementes em pinhas e frutos deiscentes (Pinaceae,
sequência no processamento e nos métodos empregues Cupressus, Tetraclinis, muitas Fabaceae, Alnus, Atri
para cada espécie devem ter como regra a eficácia na plex, Betula, Carpinus, Carya, Casuarina, Eucalyptus,
separação, ou seja, a eliminação das impurezas sem Fagus, Liquidambar, Platanus, Populus, Tilia)
perda de sementes viáveis e a minimização dos traba  sementes em estróbilos carnudos (Caprifoliaceae,
lhos de limpeza para reduzir a ocorrência de danos e Rosaceae, Rhamnaceae, Oleaceae, Juniperus, Taxus,
diminuir custos. Cornus, Ribes)

Limpeza inicial
Quando o material colhido é constituído por frutos que bém separadas e recolhidas as sementes que se terão li
153 Manipulação de sementes

devem ser processados para extracção das sementes, bertado durante o transporte e no armazenamento pro
devese proceder a uma limpeza prévia com flutuação visório do lote, o que pode acontecer com as pinhas e
em água, crivação manual ou mecânica para eliminar com os frutos deiscentes.
resíduos vegetais e outras impurezas. Devem ser tam
Manipulação de sementes 154
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5/26/09

frutos secos indeiscentos frutos que podem ser pinhas e


frutos carnudos
e sementes em cápsulas semeados directamente frutos secos deiscentes
8:51 AM

maceração secagem dos frutos secagem dos frutos abertura dos frutos
(excepto recalcitrantes) (no frio: ortodoxas e
recalcitrantes
com aquecimento: algumas
ortodoxas)
 retirar a polpa

quebra dos frutos
Página154


limpeza
(recalcitrantes) extracção de sementes
  
limpeza limpeza

peneirado  soprado
 
peneirado
 filtração limpeza
 soprado flutuação
filtração  flutuação
lavagem
 lavagem secagem final
    
extracção peneirado  soprado
asa a seco
extracção asa
 em água
secagem
  secagem
peneirado  soprado
  
 peneirado  soprado  flutuação

extracção
 secagem final
(recalcitrantes: apenas asa a seco secagem
 secagem final
 
superficialmente)

  peneirado  soprado

Figura 4 – Sequências sugeridas na manipulação das sementes (consoante os lotes,


alguns passos podem ser ignorados; a secagem final pode não ser necessária se hou secagem final
ver sementeira ou estratificação imediata)

(recalcitrantes: apenas
superficialmente)
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Abertura dos frutos


Nalguns casos não é necessário extrair as sementes dos de extracção devem ser evitadas temperaturas supe
frutos, porque podem ser semeados directamente. No riores a 3040ºC, assim como devem ser evitadas as flu
entanto, na maioria das espécies a extracção é obriga tuações no teor de humidade das sementes. Por outro
tória já que o próprio fruto pode constituir um impedi lado, os materiais colhidos devem ser protegidos da
mento físico à germinação, porque podem existir chuva, e no caso de serem expostos ao sol, as semen
inibidores à germinação ou para evitar apodrecimen tes devem ser retiradas à medida que se vão soltando
tos no caso de frutos carnudos. dos frutos. A utilização de tabuleiros em rede que re
tenham os frutos e permitam a queda das sementes
A abertura dos frutos pode fazerse manualmente com para um outro recipiente, podem facilitar as tarefas
a quebra da casca, com a ajuda de pinças, martelos de posteriores de limpeza. Os frutos com uma abertura ex
borracha ou outros utensílios pontiagudos, este método plosiva, como é o caso de algumas leguminosas, devem
é trabalhoso e deve ser utilizado apenas em lotes de di ser cobertos com estruturas que evitem a sua dispersão.
mensão reduzida. A ruptura mecânica efectuase com Nalguns casos é necessária a agitação posterior do ma
trituradoras de diferentes formatos ou outro tipo de ins terial para permitir a extracção das sementes que terão
trumentos mecânicos, alguns deles são utensílios culi permanecido nos frutos abertos; este processo pode ser
nários, como picadoras, batedeiras ou liquidificadoras, efectuado manualmente ou pela utilização de tambo
que podem ser adaptados a este tipo de processos. res giratórios, de tamanho variável consoante o volume
de material que está a ser processado.
As pinhas e frutos deiscentes podem ser abertos com
secagem e abertura natural, se forem espalhados numa A casca e a polpa dos frutos carnudos podem extrair
camada fina, sob coberto ou ao sol. Com algumas es se por fricção manual numa peneira ou num saco, com
pécies pode ser utilizado um sistema de ar quente for uma prévia maceração em água, podendo adicionar
çado ou estufas com controlo de humidade e de se areia para aumentar o atrito durante o processo de
temperatura. Apesar das espécies mediterrânicas esta fricção; também se pode utilizar instrumentos mecani
rem adaptadas a suportar o calor, durante o processo zados do tipo betoneira ou batedora.

Limpeza
Durante esta etapa eliminamse os restos dos frutos, As ferramentas mais simples são as peneiras ou crivos
as sementes infectadas, as sementes com danos e va manuais, que se usam normalmente em série, combi
zias, outro tipo de lixo e nalgumas espécies, as asas. nando diferentes tamanhos de malha. Para determina
Esta prática permite a redução do tamanho do lote e a das espécies tornase mais prático efectuar a limpeza
obtenção de lotes mais homogéneos, com a qual se op por flutuação ou utilizando água em pressão num sis
timizam as amostras, aumentandose a fiabilidade dos tema de crivos. Nas instalações em que se processam
testes, além de facilitar a sementeira. muitos lotes, ou de maiores dimensões, utilizase ma
quinaria especificamente desenhada para o efeito,
Os métodos de limpeza baseiamse em características como crivos rotativos ou vibradores, ventiladores, aspi
externas e em propriedades físicas que diferenciam as radores, escarificadores, cilindros dentados ou mesas
sementes das impurezas, como o tamanho, o compri densimétricas.
mento, a forma, a cor, a densidade, a textura e a velo
cidade de queda. Existem muitos métodos de limpeza, Em determinadas espécies é necessário proceder à eli
baseados na avaliação visual, o material peneirado ou minação das asas das sementes (Pinus, Abies). Noutras
crivado, soprado, separado por flutuação, com a utili espécies não é necessário extrailas, embora tal possa
zação de diferentes equipamentos, manuais ou meca acontecer quando queremos diminuir o volume do lote,
nizados, adaptados a pequenos e grandes volumes e a é o caso de Fraxinus, Ulmus, Liquidambar ou Acer. Exis
diferentes tipos de sementes. Esses equipamentos tem vários métodos para tirar as asas, desde os mais
podem ser utilizados isoladamente ou, como é mais simples, esfregando as sementes em sacos de tela, até
155 Manipulação de sementes

comum, em combinação de forma a melhorar a quali aos mais mecanizados, utilizandose escarificadores ou
dade do lote ao longo do processo de limpeza. recipientes giratórios, nomeadamente no caso de lotes
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grandes, permitindo a extracção da asa em seco ou com tuação em água, as sementes devem ser submetidas a
humidade. um período de secagem curto e suave antes de se con
tinuar a sua manipulação. É recomendável limpar os
Depois de qualquer processo que implique humidifica crivos e as máquinas depois dos lotes terem sido pro
ção, como a extracção da polpa ou a separação por flu cessados.

Secagem
O teor de humidade que as sementes mantêm ao longo 20ºC e com uma humidade relativa entre os 15% e os
do processo de conservação é de grande importância, 25%. Nestas condições, as sementes de um grande nú
por condicionar a sua longevidade. As sementes recal mero de espécies obtêm um teor em humidade ade
citrantes devem ser secas de uma forma breve, sendo quado para o seu armazenamento. Quando se trabalha
espalhadas num sítio fresco, para eliminar o excesso de com lotes pequenos de sementes, podem utilizarse câ
água na sua superfície. Se não existirem instalações maras de secagem pequenas com sílicagel, que se vai
apropriadas, as sementes ortodoxas podem ser secas renovando à medida que muda de cor. As sementes
ao ar num sítio fresco e ensombrado. Em qualquer dos devem ser espalhadas em camadas finas em bandejas
casos, não se recomenda a exposição ao sol directo ou que permitam a circulação do ar. Os limites de seca
ao ar quente ou o recurso a um sistema de aqueci gem convencionais em sementes ortodoxas oscilam
mento. Se se dispõe de uma câmara de secagem, esta entre os 5 e os 10%, às vezes 15%, no teor de humi
deve manterse a uma temperatura entre os 15 e os dade a atingir.

Avaliação
É conveniente efectuar a avaliação dos lotes de semen noção de qual o rendimento a esperar na fase de pro
tes para saber se o seu teor de humidade é o adequado dução das plantas. No caso de não se dispor das condi
para o processo de conservação, assim como também ções necessárias, existem laboratórios oficiais que
estimar a sua qualidade exterior determinando a capa prestam esse tipo de serviços. Para efectuar a amostra
cidade germinativa ou viabilidade, pureza e tamanho gem e testar um lote, convém seguir protocolos norma
das sementes. Estes resultados são necessários para lizados que permitam comparar os resultados obtidos
fundamentar a decisão do lote ser eliminado, ser sujeito com outros lotes; os mais utilizados na Europa são os
a um novo processo de limpeza ou de ser prontamente estipulados pelas “International Rules for Seed Testing”
conservado. Os resultados obtidos darão também a da International Seed Testing Association (ISTA).

Conservação
Da mesma forma que acontecia na secagem, as condi raturas entre os 3 e 0ºC para as espécies de clima tem
ções de conservação dependem da tolerância das se perado; desta forma, a viabilidade das sementes pode
mentes à dessecação. As sementes recalcitrantes prolongarse durante 1 a 2 anos.
conservamse em recipientes porosos, como sacos de
serapilheira, juta ou de malha plastificada ou em reci Quando a humidade do local de armazenamento não é
pientes de plástico com furos que permitam as trocas controlável, as sementes ortodoxas devem ser conser
gasosas. Podese misturar com materiais inertes, como vadas em recipientes herméticos, de metal, de plástico
turfa, fibra de coco, serradura ou vermiculite, que man ou em vidro. Se não se dispõe de instalações apropria
tenham um teor de humidade similar ao das sementes. das, convém guardar os recipientes num sítio fresco e
Em condições ambientais não controladas, convém hu seco, protegido da luz solar. No caso de se dispor de
Manipulação de sementes 156

medecer as sementes com frequência, para evitar que câmaras, a temperatura adequada para conservação é
estas percam rapidamente a viabilidade. Em ambien de 45ºC, nalgumas espécies pode ir até 4ºC. Para uma
tes controlados, estas sementes devem manterse com conservação a longo prazo, o material de um grande
humidade relativa entre os 85 e os 90% e com tempe número de espécies deve ser conservado a 18ºC.
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Tratamentos prégerminativos
Há muitas espécies cujas sementes germinam com fa das sementes. Este método é utilizado também para
cilidade se forem submetidas a condições de tempera aumentar a permeabilidade da casca das sementes;
tura e de humidade adequadas. A sementeira em estratificação fria e quente – a estratificação no frio
viveiro na época adequada ou em câmara de germina requere a manutenção das sementes em condições
ção, sob condições controladas, deve ser precedida por de humidade, a uma temperatura entre os 2ºC e os
uma imersão em água durante 24 a 48h, se a semente 5ºC, num ambiente que permita um certo areja
estiver desidratada. Este procedimento é suficiente para mento. As sementes são hidratadas durante 2448
obter elevados rendimentos se esse lote tiver uma ele horas e são espalhadas em camadas de substrato
vada percentagem de sementes viáveis. No entanto, inerte húmido (turfa, areia, vermiculite, etc). Os re
existe um elevado número de espécies cujas sementes cipientes devem ser cobertos para evitar a perda de
apresentam dormências e requerem tratamentos pré humidade, mas assegurandose que há um areja
vios para conseguirem germinar. Os métodos mais mento adequado e que é atingida a temperatura re
comuns utilizados para quebrar dormências, são apre querida durante o período desejado. Também se pode
sentados a seguir: efectuar uma estratificação sem substrato, colo
cando as sementes húmidas em sacos de plástico,
escarificação mecânica – este método é utilizado em placas de petri ou outro tipo de recipientes, que de
sementes com casca (tegumento) impermeável, para verão ser abertos periodicamente para serem areja
permitir a entrada de água. Tratase de provocar cor dos. No entanto, a estratificação neste tipo de
tes ou um efeito abrasivo na casca, utilizandose fer recipientes deve ser efectuada com cuidados adicio
ramentas manuais como lixas, pequenos alicates, nais, prevenindo a dessecação das sementes e tam
bisturis ou escarificadores mecânicos. Esta interven bém a proliferação de fungos, particularmente
ção quer manual quer mecânica terá sempre que ser quando o período de tratamento é muito prolongado.
ajustada de forma a impedir que o embrião seja Esta estratificação em frio permite em muitos casos
afectado; quebrar a dormência resultante de causas fisiológi
escarificação química – as sementes são imersas em cas. Quando as sementes apresentam dormência
ácido sulfúrico concentrado (95%) à temperatura morfológica, o que pode acontecer em espécies com
ambiente (18 a 27ºC). O período do tratamento de embrião imaturo ou no momento da maturação do
penderá do grau de impermeabilidade das sementes, fruto, pode ser conveniente a realização de um pe
variável segundo a espécie, do lote e do tratamento ríodo de estratificação quente, previamente à fria,
a que foram submetidas durante a sua manipulação. para estimular o desenvolvimento do embrião. A es
Se as sementes a tratar foram conservadas numa câ tratificação efectuase também em ambiente hú
mara, é conveniente deixar que estas atinjam a tem mido, a uma temperatura que não ultrapasse os
peratura ambiente antes de serem tratadas com 3035ºC; normalmente é suficiente aplicar uma tem
ácido. Depois da imersão no ácido, as sementes peratura de 1520ºC;
devem ser lavadas cuidadosamente com água abun aplicação de hormonas e de outros compostos quí
dante e corrente durante 510 minutos. Com este micos – nalguns casos é necessário utilizar hormo
tratamento também se pretende permeabilizar a nas, como o ácido giberélico (GA3) ou o etileno
casca da semente à entrada de água; (C2H4), assim como outras substâncias que afectem
imersão em água – as sementes são imersas num positivamente e estimulem a germinação. Este tipo
banho de água, com uma temperatura inicial de 80ºC de substâncias deve ser utilizado em concentrações
a 100ºC, que se deixa arrefecer gradualmente. O vo adequadas e durante períodos de tempo que não
lume de água utilizado deve ser entre 2 a 10 vezes o sejam nocivos para as sementes.
157 Manipulação de sementes
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Produção
em viveiro

Modelo de produção em viveiro


Geralmente, cada viveiro desenvolve um sistema de pro as condições ambientais, os contentores, os substratos,
dução próprio que resulta da sua experiência, impli a fertilização, a rega e o controlo de pragas e doenças
cando que possam ocorrer distintos modelos de (Brissette et al., 1991; Landis et al., 1989, 1990a, 1990b,
produção para uma mesma espécie em função do vi 1992, 1995, 1998; Peñuelas e Ocaña, 1996).
veiro onde esta está a ser produzida, sendo estes, às
vezes, muito diferentes entre si. Embora este facto seja O modelo de produção de uma espécie, grupo de espé
inevitável, dado que cada viveiro tem particularidades cies ou planta de um tipo em particular consiste na de
próprias, também é necessário que os modelos distintos finição prévia de um grupo de características ou classes
convirjam para um produto final relativamente uni que devem ser cumpridas por um conjunto de variá
forme e de acordo com as exigências de qualidade da veis, proporcionando uma descrição detalhada de cada
planta para um fim concreto. Para o efeito, o viveirista um delas, assim como do desenvolvimento da planta
deve saber a influência que as distintas variáveis de pro ao longo da produção (Landis et al., 1998). Estas ca
dução têm sobre o desenvolvimento e na qualidade final racterísticas devem ser incluídas numa calendarização
da espécie em causa. Neste capítulo vão ser referencia ou planificação geral da produção, que numa versão
das as principais variáveis de produção em viveiro e a mais simples, será um esquema com as condições que
sua relação directa com o desenvolvimento das plantas. terão que ser mantidas e das operações que têm que
ser realizadas no viveiro, desde a sementeira até à saída
A caracterização do modelo de produção em viveiro re da planta (Brissette et al., 1991). O período de produ
sulta da consideração individual de cada uma das variá ção dividese segundo as diferentes fases de desenvol
veis que, no seu conjunto, o integram. As variáveis, ou vimento da planta em viveiro, que normalmente
mais correctamente, os grupos de variáveis estabelecidos restringese a três: fase de germinação e/ou estabele
para definir a produção da planta em contentor são: o cimento, fase de crescimento activo (ou rápido) e fase
material florestal de reprodução (sementes, estacas,…), de atempamento.

Condições ambientais
As condições ambientais a regular em viveiro são a tem de produção e o calendário de produção. Os tipos de
peratura, a humidade e a luz (o CO2 também pode ser infraestruturas mais comuns utilizados no controlo
controlado). A temperatura do substrato influencia a ab dos factores climáticos são as estufas e as estruturas de
sorção da água, a transpiração e a assimilação dos nu ensombramento. A disponibilização de sombra possi
trientes essenciais. Por outro lado, a temperatura am bilita uma diminuição no nível de radiação (previne
biente (e a sua variação diurna ou termoperíodo) afecta eventuais queimaduras foliares), uma redução da tem
os processos metabólicos como a fotossíntese, a respi peratura do ar e das folhas (favorecendo a fotossín
ração e os processos biofísicos como a transpiração (Lan tese), a redução da temperatura do substrato (com
dis et al., 1992). Também considerada de interesse, é a consequente diminuição das necessidades em rega) e
intensidade da luz (necessária para estimular a fotossín uma alteração da relação parte aérea/ parte radicular
tese e prolongar o crescimento activo), assim como a sua que pode causar desequilíbrios morfológicos (Svenson,
duração (muito relacionada com a indução da dormên 2000). Algumas espécies podem ser produzidas sem ne
cia) e a sua qualidade (distintos comprimentos de onda cessidade de ensombramento enquanto que outras pre
activam funções distintas na planta) (Landis et al., 1992). cisam de uma certa protecção (sobretudo nas fases
iniciais da produção) para evitar possíveis danos no
As condições climáticas da zona onde se estabelece o aparelho fotossintético.
Viveiro terão uma influência determinante sobre o tipo

Contentores
A estrutura de suporte do substrato ou o contentor é lume, altura, diâmetro e forma) e a sua densidade (nú
Produção em viveiro 158

uma das variáveis com efeitos mais evidentes sobre a mero de alvéolos por unidade de superfície) são dois
produção das plantas. O tamanho do contentor (vo factores básicos que controlam o crescimento da planta
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em viveiro, assim como a resposta desta após a plan trato, especialmente na capacidade de retenção da
tação (Landis et al., 1990a). Contentores com menores água deste (Ansorena, 1994). O contentor tem também
densidades permitem controlar melhor o equilíbrio um papel decisivo a desempenhar na prevenção de
entre a parte aérea e a parte radicular da planta, evi malformações radiculares pela presença de um sistema
tando a tendência para um estiolamento em algumas de antienrolamento, no favorecimento de uma boa
espécies. Outro aspecto importante a considerar no poda aérea e ter uma profundidade suficiente para as
contentor é a sua influência nas propriedades do subs espécies de enraizamento mais profundo.

Substrato
O substrato disponibiliza água, ar, nutrientes e suporte características estão bem referenciadas na bibliografia
físico à planta e condiciona a aplicação de outras va (Burés, 1997).
riáveis tão importantes como a rega e a fertilização
(Landis et al., 1990a). É devido ao papel que desempe Embora dependa das necessidades de produção, as pro
nha, que este é considerado como o principal factor a priedades de um substrato ideal podem ser resumidas
condicionar o êxito da produção de plantas em con da seguinte forma: pH ligeiramente ácido (5,56,5); alta
tentor (Ansorena, 1994). Em geral, a composição dos capacidade de troca catiónica; baixa fertilidade inicial
substratos, utilizados tanto na horticultura como nas (necessitando da adição de fertilizantes); equilíbrio
plantas florestais, são constituídos essencialmente por adequado do tamanho dos poros (macroporos e micro
turfa, à qual é adicionada algum outro componente poros); e estar livre de pragas (meio estéril) (Landis et
para arejamento como a perlite ou vermiculite (Fon al., 1990a). A porosidade para arejamento (que depende
teno, 1993; Burés, 1997). Além destes componentes, dos macroporos) é considerada a propriedade mais im
nos viveiros podem ser utilizados casca de pinho, areia, portante de um substrato de produção ou de um meio
litonite, terra vegetal ou mulch, cujas propriedades e de crescimento (Bernier e Gonzalez, 1995).

Rega
Ao contrário do factor de produção anterior, a rega não terando a disponibilidade de outros nutrientes para as
é uma variável fixa, é um factor a considerar na gestão plantas. O principal factor a considerar na água de rega
diária de um viveiro. O volume reduzido dos contento é a sua alcalinidade, porque vai afectar o pH do subs
res, a dificuldade de rehidratar os substratos normal trato. Carbonatos e bicarbonatos fazem aumentar o pH
mente utilizados, a influência na nutrição das plantas e da solução ao longo do tempo devido à sua capacidade
nas propriedades do substrato fazem da rega uma das de neutralização dos iões H+.
variáveis mais importantes e delicadas em todo o pro
cesso de produção do viveiro (Landis et al., 1989). Os A quantidade de água de rega depende de dois aspec
principais aspectos a considerar relativamente a esta tos bem diferenciados: a frequência de rega e os volu
variável são dois, a qualidade de água utilizada e a mes disponibilizados em cada rega. Ambas as variáveis
quantidade de água utilizada. Ambas são condiciona estão directamente relacionadas entre si e dependem
das pela fase de desenvolvimento da produção, devendo da estação do ano (evaporação e transpiração) e da
adequarse às exigências da planta em cada momento. fase de produção (Landis et al., 1989). A repetida ex
posição do substrato a regas intensas, seguidas de pe
A qualidade da água pode variar com a sua origem, mas ríodos não menos intensos de secura, afectam
a utilização de água com boas propriedades qualitati consideravelmente a disponibilidade da água e do oxi
vas na rega, é um requisito essencial na produção de génio às raízes existentes no substrato, factor que é
plantas de alta qualidade (Will e Faust, 1999). Os prin crucial para o crescimento e desenvolvimento da planta
cipais parâmetros a considerar na qualidade da água (Heiskanen, 1993; Miller e Timmer, 1994; Timmer e Mil
são a salinidade, o pH, a dureza e a presença de ma ler, 1991). O controlo da rega pode ser efectuado me
cronutrientes e de micronutrientes. Todos estes parâ diante avaliação visual e táctil do substrato, TDR ou
metros podem afectar directamente o crescimento das gravimetria. A dificuldade de controlar esta variável
159 Produção em viveiro

plantas, criando toxicidade (provocada por Na+, Cl, B e pode levar o viveirista a regar em excesso, o que implica
metais pesados) e deficiências; ou indirectamente, al uma perda de eficiência (Karam e Niemiera, 1994).
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Fertilização
A adição de nutrientes à planta ou fertilização é uma As aplicações de adubos de libertação lenta são mais
das práticas culturais mais importantes de todo o pro eficientes que a fertirrega, em resultado de haver uma
cesso de produção. Esta variável permite, juntamente menor perda por lixiviação (Broschat, 1995), assim
com a rega, manipular a quantidade e a qualidade do como pelo menor efeito que têm sobre a salinidade. To
crescimento, podendo ser acelerado ou atrasado, alte davia, durante o início do processo produtivo o adubo
rar também a composição nutritiva dos tecidos, com de libertação lenta pode originar uma libertação rela
efeitos sobre o nível de reservas, a capacidade de en tivamente alta que não é aproveitada pela planta, ocor
raizamento, a resistência ao stress hídrico, ao frio e às rendo o fenómeno oposto no final da produção
doenças. (Cabrera, 1997). Em consequência, a combinação da
utilização de fertilizantes de libertação controlada com
A adição de nutrientes realizase mediante a imple fertirrega é um procedimento muito recomendado por
mentação de um programa de fertilização cujas carac numerosos autores (Rey, 1997; Eymar et al., 2000). O
terísticas básicas são (Oliet, 1998): o tipo e composição pH é considerado como o factor que mais interfere na
do fertilizante, a forma de aplicação (rega, incorporação, disponibilização dos nutrientes às plantas, ainda que
etc.), a proporção relativa de nutrientes e o regime de em substratos orgânicos com baixa fertilidade, uma
aplicação do fertilizante (periódico, constante ou expo adição adequada de nutrientes permita um desenvolvi
nencial) (Landis et al., 1989). Na prática, a proporção mento adequado da planta num intervalo amplo de pH
relativa dos nutrientes deve manterse através de con (Whitcomb, 1988). A disponibilidade de fósforo pode
centrações determinadas na solução base, que vai variar ser limitada num pH alcalino na presença de cálcio e
em função da fase de crescimento da planta (Ingestad, magnésio devido à formação de fosfatos insolúveis (Ed
1979; Landis et al., 1989; Van den Driessche, 1991). wards, 1985).

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rráneos. Ministerio Medio Ambiente  Fondo Social Europeo,
ValsaínEl Serranillo

161 Produção em viveiro


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Estacaria

Propagação vegetativa por estacaria


A utilização da propagação vegetativa como metodo caso, e sendo esta a forma de propagação utilizada,
logia de produção de plantas destinadas a intervenções devese prestar especial atenção às espécies dióicas e
de restauro de áreas naturais deve ser considerada com produzir material de ambos os sexos com o objectivo de
precaução, devido ao risco de reduzir sem critério a va manter o equilíbrio entre indivíduos masculinos e fe
riabilidade genética das novas populações. No entanto, mininos.
a propagação vegetativa pode ser uma alternativa in
teressante para certos taxa, como as salicáceas, com O aspecto mais determinante na propagação por esta
semente de manipulação delicada, ou nos casos em que caria é a correcta formação de raízes adventícias.
há uma baixa produção de sementes viáveis, como su Tratase de um processo complexo no qual entram em
cede muitas vezes com o Ulmus minor, ou simples jogo diversos factores, de cuja combinação dependerá
mente para determinados taxa, esta é a forma mais o êxito do processo de enraizamento e a sobrevivência
barata de produzir plantas. das novas plantas. O desempenho da espécie, a apti
dão genética do indivíduo, as condições fisiológicas da
A estacaria é um método utilizado muito frequente plantamãe, o tipo de estaca e a sua posição na planta,
mente na produção massiva de plantas de muitas es o momento de obtenção do material e os tratamentos
pécies ribeirinhas, aproveitandose a aptidão destas a que é submetido e as condições de enraizamento são
para este tipo de propagação, em resultado da neces os principais factores que se devem ter em conta (Hart
sidade de solos com conteúdo de humidade elevado e mann e Kester, 1987; Mac Cárthaig e Spethmann,
da sua adaptação às inundações periódicas. Em todo 2000).

Tipos de estacas
De forma muito simplificada podem ser diferenciados dade. As estacas de maço incluem na sua base um
três tipos de estacas aéreas: segmento do lenho velho do ramo onde se inseriam
(normalmente, em forma de cruz), enquanto que as
estacas herbáceas: em plantas lenhosas, estacas obti estacas de talão incluem na sua base uma pequena
das de ramos ou ápices flexíveis, embora não lenhi porção do lenho velho, em forma de talão como o
ficados (normalmente entre os meses de Maio e seu nome indica.
Junho ou Julho). Em geral, este tipo de estacas en
raíza rapidamente, no entanto devese prevenir que É de referenciar a facilidade de multiplicação de algu
haja dessecação durante todo o processo; mas espécies utilizando segmentos de raiz. Este tipo de
material pode ser utilizado em espécies que rebentam
estacas semilenhosas: estacas parcialmente lenhifica de raiz de forma natural, como o Populus tremula ou o
das, rígidas, obtidas a partir do crescimento anual Ulmus minor. Contudo, esta forma de propagação tem
em plantas lenhosas no período de actividade vege uma limitação que se deve à maior dificuldade em
tativa (em geral desde meados de Julho até princí obter segmentos de raiz do que estacas de material
pios do Outono); aéreo, além de não ser possível extrair uma grande
quantidade de material de um mesmo indivíduo.
estacas lenhosas: estacas lenhificadas, obtidas a par
tir do crescimento do ano anterior em plantas le A propagação de algumas espécies pode ocorrer pela
nhosas em repouso (finais do Outono, Inverno ou utilização de mais do que um tipo de estacas, apesar de
princípio da Primavera). Existem três tipos de estacas ser necessário acautelar a existência de instalações
lenhosas, as convencionais, as estacas de maço e as adequadas, dado que as estacas colhidas na Primavera
de talão. Estes dois últimos tipos são utilizados na ou no Verão são mais delicadas e requerem um am
propagação de espécies que enraízam com dificul biente com humidade e temperatura controladas.
Estacaria 162
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Topofisis e ciclofisis
O material colhido em plantasmãe no estado juvenil ramos superiores. Por outro lado, tem que se ter em
apresenta normalmente maior facilidade na formação conta que este comportamento variável em função da
de raízes, comparativamente com o que é colhido em posição e do grau de hierarquia dos ramos na copa per
exemplares adultos. Por sua vez, nos indivíduos adultos, siste durante um tempo no material obtido a partir des
as estacas obtidas dos ramos mais baixos apresentam tes – fenómeno denominado por topofisis.
maior facilidade para enraizar do que as dos ramos su
periores (Mac Cárthaig e Spethmann, 2000). Este com Por isso, para assegurar o êxito da estacaria, nas
portamento diferenciado é devido ao fenómeno plantasmãe em que predominam tecidos com idade
denominado por ciclofisis, que consiste na perda de ca fisiológica adulta devem ocorrer tratamentos de reju
racterísticas juvenis, como a capacidade de formar raí venescimento. A forma mais comum de rejuvenesci
zes adventícias, que os tecidos sofrem à medida que mento obtémse com recurso a uma poda severa,
nas suas células vai ocorrendo um maior número de di embora também existam outras vias, como a estacaria
visões. Assim, os ramos inferiores de uma árvore pro em série ou provocando o estiolamento do material por
vêm de tecidos com uma idade fisiológica mais jovem, escurecimento, entre outras (Davis e Hartmann, 1988;
apesar de cronologicamente serem mais velhos que os Howard et al., 1988).

Preparação das estacas


As estacas devem ser obtidas em plantas sãs e vigoro numa mistura de lixívia e água (1:9) e assim evitar a
sas, evitando sempre que possível os ramos ou reben transmissão de doenças. Recomendase a realização de
tos que apresentem gomos florais ou flores, se tal não um corte em bisel na base da estaca; desta forma au
for possível, estes devem ser eliminados. O material co mentase a superfície de tecido com potencial para
lhido deve ser mantido sempre num ambiente fresco e emitir raízes e facilitase a inserção da estaca no subs
húmido, em particular no caso de se tratar de estacas trato. É conveniente realizar um corte recto na parte
herbáceas ou semilenhosas dado que são muito sus superior das estacas obtidas da parte media e basal das
ceptíveis à dessecação. No caso dos ramos ou varas não varas, dado que estas não vão ter um gomo apical, as
serem imediatamente processados, estes devem ser ar segurandose assim a correcta orientação das estacas
mazenados em sacos de plástico e conservados a bai aquando da inserção no substrato.
xas temperaturas (14 ºC).
Nas estacas com folhas, são eliminadas as que estão
Para obter as estacas, devem ser utilizadas tesouras de posicionadas na metade ou no terço basal para evitar
poda ou navalhas afiadas que possibilitem a obtenção um excesso de perda de agua por transpiração; assim
de cortes limpos. É conveniente esterilizar as ferra como, é cortada metade das folhas remanescentes no
mentas, mergulhandoas com frequência em álcool ou caso destas serem muito grandes.

Tratamento com hormonas


A aplicação de hormonas tem como objetivo promover utiliza a forma líquida, o período de imersão das esta
ou acelerar a produção de raízes ou melhorar a sua cas dependerá da concentração da solução.
qualidade. A hormona mais utilizada é o ácido indol
butírico em pó ou em solução. No caso de ser utilizada A preparação de hormonas utilizada deve estar livre de
a primeira forma, devese sacudir ligeiramente as es resíduos, pelo que é conveniente realizar as soluções
tacas para eliminar o excesso de hormona. Quando se imediatamente antes do seu uso e não reutilizar a so
lução remanescente.
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Condições para o enraizamento


As condições mais adequadas para estimular a forma Em todos os casos o substrato deve ser estéril, com bom
ção de raízes variam segundo o tipo de estaca. As es arejamento e baixa fertilidade. As estacas são enterra
tacas semilenhosas e herbáceas são mantidas num dos até um terço ou até metade do seu comprimento.
túnel com elevada humidade relativa, com sistema de É conveniente efectuar regas periódicas, mantendo
nebulosidade, com aquecimento basal a uma tempera se o substrato sempre húmido mas evitando enchar
tura de aproximadamente 20 ºC, utilizandose um camento, deve ser também evitado sol directo.
substrato que permita um bom arejamento das raízes,
como por exemplo uma mistura de turfa e de perlite, A estacaria com segmentos de raiz varia segundo as
numa proporção de 1:1 (Hartmann e Kester, 1987). As espécies; nalgumas as estacas enterramse horizontal
estacas lenhosas, na maioria dos casos, são plantadas mente no substrato e noutras colocamse como se fos
directamente em contentores com substrato de produ sem estacas aéreas.
ção. No entanto, as espécies mais difíceis de enraizar
requerem também aquecimento basal.

Aclimatação
Um dos processos mais delicados da propagação vege ria ter sido efectuada em tabuleiros, em caixas ou em
tativa com estacaria é a fase de aclimatação. Depois alvéolos de menor dimensão, as plantas devem ser mu
do material estar enraizado, a sua passagem para con dadas para contentores de tamanho adequado para
dições de temperatura e humidade mais exigentes deve possibilitar um melhor desenvolvimento.
efectuarse de uma forma gradual. No caso da estaca

Bibliografia
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Estacaria 164
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Parques de
plantasmãe

Planeamento e Gestão de Parques de plantasmãe


Os parques de plantasmãe são plantações destinadas modelos de produção que diferem deste, principal
à produção de estacas que se utilizam na propagação mente em aspectos relativos ao tipo de maquinaria e
vegetativa de clones. Estas estacas obtêmse a partir alfaias utilizadas nas operações de produção. Em qual
dos rebentos das toiças, denominados por varas. quer caso, os princípios aqui apresentados são aplicá
veis a todos os outros modelos. Igualmente, o modelo
Neste anexo descrevemse as bases para a instalação e pode ser transposto para a produção de materiais de
para a manutenção de um modelo de parque de pés outras espécies em cuja reprodução se utilize a via ve
mãe com o objectivo de produção de materiais de re getativa, como é o caso do género Tamarix.
produção de clones do género Populus. Existem outros

Planeamento
As condições do terreno devem ser idênticas às que são O período de produção activa aconselhado para um
necessárias no estabelecimento de um viveiro de pro parque é de 2 a 4 anos. A renovação anual de todas as
dução de plantas florestais. toiças é mais dispendiosa, sem trazer vantagens adi
cionais. Por outro lado, quanto maior for a idade das
A dimensão do campo depende da produção que se es toiças, maiores serão as dificuldades e os custos do pro
pera obter, e esta, por sua vez, é função da espécie ou cesso de arranque destas.
do clone que se pretende produzir e das condições de
produção aplicadas. Para evitar o esgotamento do solo Depois do primeiro corte, na Primavera seguinte re
e facilitar o seu arejamento, assim como a recupera bentam todos os gomos viáveis da toiça, obtendose
ção física dos elementos do solo, é conveniente deixar um número variável de varas. No final do ciclo selec
áreas em pousio durante um ano. cionamse as estacas que cumprem os parâmetros de
finidos, face às suas dimensões (comprimento e
A produção deve satisfazer as necessidades de estacas diâmetro), verticalidade, adequada lenhificação, pre
para a obtenção de plantas mas também as necessárias sença de gomos bem definidos e ausência de danos.
para a renovação das toiças. Para tal, deve fixarse pre
viamente o número necessário de toiças, o seu com O compasso de plantação varia em função da sua ges
passo de plantação e a duração destas, ou seja, o tão e da maquinaria utilizada para o efeito. Em geral,
número de anos durante os quais estas vão manterse as toiças são dispostas em linhas, separadas por faixas
em produção. Devese considerar uma percentagem de que permitem a passagem da maquinaria e respectivas
insucesso na plantação das estacas para obtenção dos alfaias.
pésmãe; no caso dos choupos, sob condições adequa
das, a percentagem de insucesso é inferior a 5%. A tabela 1 indica a produção estimada de varas e esta
cas de choupo, em função do número de anos da toiça.
As varas desenvolvidas durante o primeiro ano cortam A tabela 2 mostra uma estimativa das necessidades em
se junto ao solo ou a cerca de 1 cm acima deste, per toiças e de superfície de terreno em função de diferen
mitindo uma adequada rebentação no ano seguinte. tes períodos de produção activa do parque.

Tabela 1 – Quantidade de varas e estacas de choupo produzidas em função da idade dos pésmãe

Idade dos pésmãe 1 ano 2 anos 3 anos 4 anos


Número de varas 1 2 3 3
Número de estacas 3 8 12 12
165 Parques de plantas-mãe
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Tabela 2 – Quantidade de pésmãe e área necessária para a produção de 1000 estacas de um clone de choupo, tendo em conta o período de rota
ção do parque de pésmãe (espaçamento de plantação: 2 m x 0,125 m)

Período de Nº pésmãe Nº pésmãe Nº total de Nº final Área superficial Superfície Superfície total
rotação anual para anual estacas a plantar de pésmãe em função da total do (parque de pés
do parque produção de necessário para (estimado 5% no parque idade dos parque de mãe + área em)
de pésmãe estacas substituição de falhas) pésmãe (m2) pésmãe (m2) pousio) (m2)

1 ano 333 111 467 444 116.75 116.75 233.50


2 anos 91 8 104 198 26.00 52.00 78.00
3 anos 43 2 48 135 12.00 36.00 48.00
4 anos 29 1 32 120 8.00 32.00 40.00

Fases de produção
Preparação do solo perior recto e o inferior em bisel. Nos choupos, com
A preparação do solo iniciase com uma mobilização este comprimento assegurase que cada estaca dispõe
profunda, mediante uma ou duas passagens de um sub de 3 a 4 gomos viáveis. O corte superior situase a 5 a
solador, dependendo do estado do terreno. No caso de 10 mm do gomo terminal, de forma que quando a es
serem necessárias duas passagens, a segunda deve cru taca for plantada, este gomo não fique enterrado, fa
zar a primeira. Este procedimento aumenta a porosidade cilitando o seu rebentamento e consequentemente, o
do solo e a posterior infiltração da água de rega até às desenvolvimento do caule da futura planta. O diâmetro
raízes, assim como uma correcta drenagem. Esta mobi aconselhável é de 10 a 20 mm, acautelandose que a
lização realizase nos meses de Setembro ou Outubro, estaca esteja devidamente lenhificada, o que assegura
sempre que as condições meteorológicas o permitam. a existência de reservas suficientes para o desenvolvi
mento da futura planta.
A segunda intervenção deve ser realizada logo a seguir,
consistindo numa gradagem, com uma passagem ou Depois da selecção prévia das estacas preparadas, eli
duas, cruzadas, para cortar e incorporar no solo todos minandose as que apresentem cortes imperfeitos,
os resíduos vegetais que permaneceram no solo. estas são agrupadas em conjuntos de igual número.
São armazenadas em câmaras frigoríficas, com tempe
A seguir à adição de adubo orgânico é realizada uma gra raturas de 2 a 4ºC, com adequada circulação do ar e
dagem com enterramento deste, a uma profundidade de humidade relativa de, pelo menos, 85%. São conserva
30 a 40 cm, acautelandose que o tempo decorrido entre das aqui até à sua instalação, quando o solo reunir as
a distribuição deste e a mobilização seja o menor possí melhores condições para a sua colocação.
vel, para evitar a sua dessecação e evaporação.
As estacas das diferentes espécies e clones podem ser
No final do Inverno, com condições de temperatura e identificadas por cores.
humidade do solo adequadas, realizase uma gradagem
de pequena profundidade com nivelação, com a finali Plantação das estacas
dade de soltar e homogeneizar o solo deixandoo sem Depois de retiradas das câmaras frigoríficas, as estacas
agregados e sem camadas impermeáveis. são imersas por completo em água limpa, durante 24 a
48 horas, para que se hidratem. Depois da água ser es
No mês de Abril e antes de se iniciar a estacaria, in corrida, procedese à sua plantação.
corporase um adubo químico e, imediatamente depois,
realizase uma nova mobilização, deixandose o solo Na plantação devese ter especial cuidado em deixar pelo
nivelado e preparado para receber as estacas. menos um gomo à superfície. Na plantação mecanizada
é usual que as estacas sejam totalmente enterradas, pelo
Preparação das estacas que, em geral, só se obtém um rebento por cada estaca
Parques de plantas-mãe 166

Assim que se tiverem varas disponíveis, por aquisição plantada. A existência de apenas um gomo viável au
ou por produção própria, preparamse as estacas se menta a possibilidade de insucesso devido a danos pro
leccionandose o gomo que será o terminal, fazendo vocados por geadas. Na existência de vários gomos viá
se um corte acima deste, o corte basal fazse a um veis é conveniente seleccionar o rebento mais vigoroso e
comprimento prédeterminado. As estacas devem ter eliminar os restantes, de forma a obter varas com di
um comprimento mínimo de 20 cm, sendo o corte su mensões uniformes e aptas para a produção de estacas.
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Tratamentos culturais
Controlo da vegetação competidora Construção de cômoros
Devem aplicarse herbicidas de préemergência, tanto Quando se opta por uma rega por inundação, o parque
no momento da plantação das estacas como depois é dividido em diferentes zonas de rega com cômoros
da substituição dos pésmãe. Depois do parque de para facilitar a circulação e controlo da água. Se a rega
pésmãe ser instalado, o controlo de infestantes pode se processar por aspersão ou por gota a gota, não são
acontecer naturalmente com a queda da folhagem, e necessários cômoros.
posterior permanência desta no solo durante um pe
ríodo mais ou menos prolongado impedindo o desen Fertilização química
volvimento de vegetação competidora. O tipo de fertilização efectuada vai variar em função
das características do solo. É importante referenciar que
O clima vai condicionar muito a necessidade de mon a adição em excesso de fertilizantes favorece a forma
das, ao induzir um maior ou menor crescimento da ção de varas com um diâmetro inadequado para a ob
vegetação herbácea. Em geral, se houver uma prévia tenção de estacas, assim como uma maior rebentação,
aplicação de herbicidas, durante o período vegetativo reduzindo assim o número de gomos em dormência.
vão ser necessárias uma ou duas mondas mecanizadas
nas faixas entre linhas e uma monda manual entre Regas
plantas. Em ambiente mediterrânico, o período de rega pode
prolongarse durante 5 a 7 meses, sendo sempre muito
Gradagens influenciado pelas condições meteorológicas e pelas
Durante o primeiro ano, realizase uma gradagem nas características do solo.
faixas entre linhas de plantação, para favorecer a po
rosidade do solo e a penetração da água de rega ou da A frequência das regas também é variável, embora seja
chuva. As gradagens posteriores vão efectuarse em geralmente estabelecida uma rega em cada 15 dias.
função do crescimento de herbáceas nas faixas e da Este período deve ser aumentado gradualmente, em re
compactação do solo causada pelas regas. sultado da menor evapotranspiração que ocorre à me
dida que as copas das plantasmãe se vão avolumando
Nos campos de pésmãe já estabelecidos, deve efec e cobrindo o espaço entre toiças e entre linhas.
tuarse uma mobilização mais profunda que rompa o
solo endurecido formado desde a mobilização do ano Tratamentos de controlo de pragas e doenças
anterior. É efectuada uma gradagem definitiva, já que Deve efectuarse um controlo continuado dos pésmãe
a partir desse momento a passagem da maquinaria será para evitar o aparecimento e proliferação de pragas e
impossível devido ao crescimento em volume das plan doenças, e realizar os tratamentos preventivos e cura
tas, que entretanto ocuparam as faixas entre linhas. tivos necessários.

Actividades Jan Feb Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Preparação Subsolagem e gradagem
do solo Adubo orgânico e incorporação
Gradagem
Adubo químico e gradagem
Obtenção de material Corte de varas e estacas
Plantação
Tratamentos Aplicação de herbicidas
Gradagens
Construção de cômoros
Mondas
167 Parques de plantas-mãe

Regas
Tratamentos fitossanitários

Figura 5 – Sequência e duração das actividades na gestão de um campo de plantasmãe de choupo (os períodos de realização das operações podem
adiantarse ou atrasarse em função do período vegetativo, variando em função do ano e do local).
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Colheita
Terminado o ciclo vegetativo, depois da queda das fo de varas ou de estacas. No primeiro caso, cortamse e
lhas, efectuase uma contagem das varas disponíveis. atamse em conjuntos com quantidades fixas e colo
Seleccionamse visualmente as que poderão dar ori camse em alfobres à sombra, até ao momento do
gem a estacas de elevada qualidade devido às suas di transporte. No caso dos choupos, os materiais produ
mensões, verticalidade, lenhificação adequada e pela zidos devem ajustarse aos requisitos definidos pela
presença de gomos bem definidos. Depois de realizada legislação europeia (Tabelas 3 e 4).
a contagem do número de varas, podese estimar a
quantidade de estacas que vão ser obtidas. As varas que não foram seleccionadas para a produção
de estacas são eliminadas dos pésmãe. As toiças
Se o material vai ser utilizado no próprio viveiro, cor ficam assim preparadas para emissão de novos reben
tamse as varas e preparamse as estacas da forma tos no período vegetativo seguinte. A limpeza de todos
mencionada aquando da instalação do parque de pés os restos cortados será a última intervenção até ao
mãe. Quando o destino do material é exterior ao pró próximo ciclo produtivo.
prio viveiro, o material pode ser conservado em grupos

Tabela 3 – Padrões de qualidade externa requeridos pela Directiva 1999/105/CE para varas e estacas de Populus spp.

Tipo de material Estacas Varas


Nº máximo de períodos vegetativos 2 3
Nº mínimo de gomos bem conformados 2 5
Sem necroses ou ataques de organismos nocivos
Sem sinais de dessecação, asfixia, de bolores ou apodrecimento
■ ■

Sem feridas exceptuando as causadas por poda


■ ■

Sem ramificações

Sem curvatura ou curvatura moderada


Tabela 4 – Dimensões requeridas pela Directiva 1999/105/CE para varas e estacas de Populus spp.

Tipo de material Classe Mínimo Diâmetro mínimo no topo (estacas) / em


(m) metade do comprimento (varas) (mm)
Estacas CE1 0,20 8
CE2 0,20 10
Varas Regiões não N1 1,50 6
mediterrânicas N2 3,00 15
Regiões S1 3,00 25
mediterrânicas S2 4,00 30
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Certificado
padrão

Legislação europeia sobre comercialização de materiais florestais de reprodução


Os materiais de reprodução utilizados nas florestações Quando o objectivo é a utilização do material na res
devem adaptarse às condições da região onde vão ser tauração de uma ribeira, não existindo interesses pro
introduzidos. No caso de haverem objectivos de produ dutivos, as sementes são colhidas em materiais de base
ção, devem ter sido submetidos a uma selecção e, nal do tipo bosquete ou eventualmente, em povoamentos;
guns casos, ao seu melhoramento para as características ou seja, sementes da categoria identificada ou selec
de interesse. Em resultado destas preocupações, a União cionada, respectivamente (Tabela 5). No caso das es
Europeia definiu uma série de parâmetros a considerar pécies que se propagam vegetativamente, a Directiva
na comercialização dos materiais florestais de reprodu Comunitária limita a sua produção às categorias selec
ção das espécies mais utilizadas nos repovoamentos na cionada (pela propagação massiva a partir de plantas
Europa, que são de cumprimento obrigatório nos países obtidas por semente), qualificada ou testada (Tabela 6).
membros. Estas regras estão definidas na Directiva No caso de algumas espécies sem interesse comercial
1999/105/CE e nas decisões que dela derivaram. e que se propagam tradicionalmente através de partes
de plantas, como é o caso dos choupos autóctones,
Esta legislação pretende fomentar a transparência no tornase impossível cumprir com todos os requisitos
mercado dos materiais florestais de reprodução, ga impostos nas diferentes categorias, orientadas para a
rantindo a sua qualidade, em termos de qualidade ex produção de material melhorado geneticamente. Esta
terior ou do nível de selecção e de melhoramento dificuldade pode ser solucionada, defendendo o uso
genético a que foram submetidos, e nalguns casos, a sustentado deste tipo de material não melhorado pela
sua origem geográfica. Para o efeito, esta legislação adaptabilidade demonstrada nas condições locais e re
permite implementar um sistema de aprovação dos gionais. Sendo simultaneamente, uma forma de pro
materiais de base a partir dos quais se pode colher se moção da conservação in situ, evitandose a introdução
mentes ou partes de plantas para uma posterior pro de materiais não autóctones que podiam originar uma
dução de plantas, assim como, os mecanismos de introgressão nas populações locais, situação que está
certificação e de controlo que permitem rastrear o per prevista no artigo 4.4 da Directiva 1999/105/CE.
curso dos materiais ao longo do processo produtivo e
de comercialização até ao utilizador final. Nas espécies não regulamentadas seria adequado apli
car também alguns critérios considerados na legisla
O âmbito da aplicação desta normativa inclui os mate ção, em especial no controlo da proveniência e na
riais de reprodução de um conjunto de espécies que se transferência da informação relativa ao material até à
destinam à florestação, dentro dos quais se incluem es sua instalação no campo.
pécies que fazem parte da vegetação ripária, como é o
caso da Alnus glutinosa, Alnus incana, Fraxinus angus Em qualquer caso, além desta legislação que pretende
tifolia, Populus sp., Tilia cordata e Tilia platyphyllos, e definir protocolos básicos, é altamente recomendável
outras que podem ser utilizadas em florestações neste considerar um conjunto de boas práticas de produção
tipo de habitats, como alguns Quercus, Juglans ou Ro dos materiais, como a colheita de material de base em
binia pseudoacacia, entre outras. Para além destas, cada populações com alguma dimensão e em diferentes in
país membro tem a possibilidade de aumentar o número divíduos, mais ou menos distanciados entre si, ou fo
de espécies de forma a regulamentar o seu mercado in mentar a utilização de misturas de clones no caso da
terno, como aconteceu em Espanha com a inclusão de propagação vegetativa, como forma de garantir uma
outras espécies, sendo algumas ribeirinhas (Ulmus gla certa variabilidade genética.
bra, Ulmus minor ou Tamarix gallica).

Tabela 5 Categorias comerciais dos materiais de reprodução obtidos a partir de diferentes tipos de materiais de base

Tipo de material de base Bosquetes Povoamento Pomares Progenitores Clone Mistura


de sementes familiares de clones
fonte identificada  
Categoria
seleccionada

do material 
florestal de qualificada

   
reprodução testada

    
169 Certificado padrão


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Tabela 6 – Categorias comerciais dos diferentes tipos de materiais de reprodução

Tipo material de reprodução Categoria Frutos e Partes de Plantas


sementes plantas
Espécies regulamentadas fonte identificada  
*

(excepto híbridos artificiais e GMO) ■ seleccionada  


■ qualificada   
testada   
Híbridos artificiais

■ selecionada   
■ qualificada   
testada   
Organismos geneticamente

modificados ■ testada   
* propagação massiva a partir de sementes
Certificado padrão 170
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Passaporte
fitossanitário

Legislação fitossanitária europeia


A legislação da União Europeia relativa aos certificados Com o objectivo de proteger as culturas ou populações
e passaportes fitossanitários engloba um conjunto de naturais especialmente susceptíveis ou cuja produção
regras que pretendem evitar a introdução de organis ou importância ecológica deve ser protegida priorita
mos nocivos para os vegetais ou produtos vegetais nos riamente, a legislação europeia contempla a possibili
estados membros e a sua proliferação no interior da dade de declarar uma zona como zona protegida. Uma
Comunidade. zona protegida pode ser uma região, um país ou um
grupo de países da União Europeia na qual um ou vá
A legislação básica relativamente ao passaporte fitos rios dos organismos prejudiciais não são endémicos
sanitário dividese em duas directivas: nem estão estabelecidos, apesar de existirem condições
favoráveis ao seu estabelecimento e de estarem esta
Directiva 2000/29/CE do Conselho, de 8 de Maio de belecidos noutras áreas da Comunidade. Os controlos
2000, relativa às medidas de protecção contra a in de material vegetal destinados a zonas protegidas são
trodução na Comunidade de Organismos Nocivos específicos para esse destino, expedindose um passa
para os vegetais ou produtos vegetais e contra a sua porte fitossanitário especial denominado passaporte
proliferação no interior da Comunidade; para zona protegida (com a marca “ZP” preenchida). Se
Directiva 92/90/CEE da Comissão, de 3 de Novembro os controlos não dizem respeito às condições próprias
de 2000, na qual se estabelecem as obrigações a que correspondentes às zonas protegidas em causa, então
estão sujeitos os produtores e importadores de ve esse passaporte fitossanitário não será considerado vá
getais, de produtos vegetais e de outros produtos lido. Por isso, e neste caso, devem aparecer no passa
assim como as normas detalhadas para a sua inscri porte as letras ZP seguidas das do país ou da região
ção no registo. correspondente ao destino da planta, assegurando que
a inspecção fitossanitária foi realizada tendo em conta
A estratégia da legislação consiste em elaborar um in a área para onde a planta vai ser enviada.
ventário dos organismos prejudiciais particularmente
perigosos cuja introdução na Comunidade deverá ser A legislação referente ao passaporte fitossanitário
proibida, e dos organismos prejudiciais cuja introdução é muito detalhada e está em constante actualização,
por intermédio de certas plantas ou produtos vegetais pelo que as bases de dados com legislação devem ser
deve ser igualmente proibida consultadas periodicamente, para se estar a par das
modificações. Na página web da EuroLex podem en
A detecção de alguns destes organismos não é fácil, contrarse as últimas alterações
pelo que em certos casos, proíbese a introdução na (http://europa.eu.int/eurlex/lex/RECH_menu.do).
União Europeia de vegetais ou produtos vegetais pro
venientes de determinados países ou exigese a certi Num contexto de produção de plantas para o restauro
ficação da execução de controlos especiais nos países de áreas ripárias, as espécies incluídas neste guia que
produtores. seriam afectadas por esta normativa são: Arbutus
unedo, Humulus lupulus, Laurus nobilis, Platanus orien
Estes controlos não são aplicáveis apenas a vegetais e talis, Populus sp., Prunus mahaleb, Prunus spinosa,
produtos vegetais que provêm do exterior da Comuni Rubus ulmifolius, Viburnum tinus e Vitis vinifera.
dade; também as produções comunitárias devem ser As plantas e outros produtos vegetais das espécies
submetidas a inspecções. O passaporte fitossanitário é mencionadas devem ser acompanhadas de passaporte
o documento que atesta o cumprimento das normas fi fitossanitário para serem transportadas dentro do ter
tossanitárias e exigências específicas e de que as plan ritório da Comunidade. As plantas e partes de plantas
tas não têm os organismos nocivos referenciados na de Populus sp. necessitam também de um passaporte
legislação. O que quer dizer, que este documento não ZP, que permita a sua introdução ou movimentação
assegura que as plantas não tenham doenças e pragas, nas zonas protegidas.
mas sim que após ser realizada uma inspecção fitossa
nitária dos materiais vegetais, não foi detectada ne Além disso, a regulamentação deve ser consultada para
nhuma praga e doença que esteja referenciada na cada caso particular, para que sejam conhecidas as li
legislação. Os passaportes fitossanitários são emitidos mitações que existem na sua introdução proveniente
171 Passaporte fitossanitária

pelos serviços oficiais responsáveis pela protecção dos de países terceiros, podendo acontecer, em função da
vegetais de cada Estado Membro e o seu conteúdo sua proveniência, a proibição da sua introdução no ter
está normalizado. ritório da União Europeia.
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:51 AM Página172

Populus
sp.

Características de identificação a utilizar com Populus alba, P. tremula e P. x canescens (Aiton) Sm.

Taxon P. alba L. P. tremula L. P. x canescens (Aiton) Sm.


Ritidoma branco ou acinzentado cinzentoesverdeado esbranquiçado
claro
■ ■ ■

Gomos não viscosos às vezes um pouco visco


de Inverno inicialmente tomentosos sos
■ ■

esbranquiçados, ■ inicialmente ligeiramente


depois avermelhado pubescentes, depois cas


glabrescentes tanhos glabrescentes ou
glabros

Folhas braquiblastos: suborbicula braquiblastos: ovadoor braquiblastos: ovais ou su


res, subelípticas ou sub biculares, ápice obtuso, borbiculares, sinuadodenta
■ ■ ■

pentagonais, inteiras ou irregularmente dentado das


sinuadodentadas crenadas
■ macroblastos: palmado ■ macroblasto: maiores, macroblastos: deltóideova
lobuladas, deltóides ou ovadotriangulares, ápice das a cordiformes

ovadooblongas; base agudo, base truncada ou


geralmente em forma de cordiforme
coração
■ inicialmente brancoto inicialmente mais ou braquiblastos: inicialmente
mentosas; depois página menos pilosas; depois ver cinzentospubescentes; de
■ ■

superior verde escura, des, algo discolor, glabras pois mais ou menos concolor,
glabra, a inferior é branca glabras ou glabrescentes;
ou verde acizentada, macroblastos: a inferior cin
tomentosa zentotomentosa
braquiblastos: nervuras
proeminentes, glandulosas

Pecíolo braquiblastos: 23 cm; (2,5)46(8) cm braquiblastos: > 5 cm


macroblastos: até 17 cm
■ ■ ■

■ pouco comprimidos muito comprimidos late muito comprimidos lateral


ralmente mente
■ ■

Amentilhos femininos: comprimento comprimento 512 cm femininos: comprimento


até 12 cm 46 cm
■ ■ ■

■ escamas dos amentilhos escamas pelosas, ■ escamas dos amentilhos fe

femininos: crenadas ou palmeadolaciniadas mininos irregularmente laci


subinteiras, pelosas; esca niadas


mas dos amentilhos mas
culinos: irregularmente
crenadodentadas ou sub
inteiras, pelosas

Flores (3)8(10) estames (4)8(12) estames 815 estames


masculinas anteras inicialmente de cor anteras de cor púrpura
■ ■ ■

púrpura, no fim amarelas


■ ■

Estigmas verdeamarelados de cor púrpura


bipartidos bífidos
■ ■

■ ■
Populus 172
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:51 AM Página173

Características de identificação a utilizar com Populus nigra, P. deltoides e P. x canadensis

Taxon P. nigra L P. deltoides Marshall P. x canadensis Moench.


Tronco fica rapidamente gretado,
tendencialmente negro sem engrossamentos sem engrossamentos

■ frequentemente com en


■ ■

grossamentos negros com


rebentos epicórmicos

Ramos do ano cilíndricos ou ligeira muito costados geralmente costados no ápice


mente costados no ápice
■ ■ ■

■ inicialmente amarelados, inicialmente esverdea


no fim acizentados dos, no fim castanhoes

verdeado a acinzentado

Folhas macroblastos: 510 x 48 1018 cm, tão compri


cm; braquiblastos: mais das como largas
■ ■

pequenas e largas
■ braquiblastos: rômbico, macro e braquiblastos: macro e braquiblastos: del
base largamente ovadocordiformes ou tóides ou ovadas
■ ■

acunheada ou mais ou deltóides, base geral


menos arredondada; mente truncada
macroblastos: trian
gularovadas
■ margem sem cílios margem densamente margem cíliada
cilíada
■ ■

■ macro e braquiblastos: macro e braquiblastos: geral


braquiblastos: geralmente
sem glândulas glândulas na base mente com glândulas na base
■ ■

Amentilhos comprimento 715 cm comprimento 1520 cm


femininos
■ ■

Flores 625 estames 3060 estames 1525 estames


masculinas
■ ■ ■

Cápsulas ■ 2 valvas ■ 34 valvas 173 Populus


bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:51 AM Página174

Salix
sp.

Distribuição

Salix alba L.

Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen


tro e Este da Europa, Cáucaso, Oeste e Centro da Ásia,
Sibéria, China, Norte de África

Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa


nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e Si
cília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro,
Albânia, Grécia, Chipre, Turquia, Síria, Líbano, Israel, Tu
nísia, Argélia, Marrocos

Salix amplexicaulis Bory

Área de distribuição natural: Sudeste da Europa, Oeste


da Ásia

Distribuição na região mediterrânica: Itália, Monte


negro, Albânia, Grécia, Turquia

Salix atrocinerea Brot.

Área de distribuição natural: Sudoeste, Centro e Norte


da Europa, Norte de África

Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa


nha, França (incl. Córsega), Itália (Sardenha), Tunísia,
Argélia, Marrocos
Salix 174
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:51 AM Página175

Distribuição

Salix eleagnos Scop.

Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen


tro e Este da Europa, Oeste da Ásia, Norte de África

Distribuição na região mediterrânica: Espanha, França


(incl. Córsega), Itália, Croácia, BósniaHerzegovina,
Montenegro, Albânia, Grécia, Turquia, Marrocos

Salix fragilis L.

Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen


tro e Este da Europa, Cáucaso, Oeste da Ásia

Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Es


panha, França (incl. Córsega), Italia (incl. Sardenha e
Sicília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro, Al
bânia, Grécia, Turquia

Salix pedicellata Desf.

Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da


Europa, Norte de África

Distribuição na região mediterrânica: Espanha, França


(Córsega), Itália (Sardenha, Sicília), Tunísia, Argélia,
Marrocos
175 Salix
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:52 AM Página176

Distribuição

Salix purpurea L.

Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen


tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste da Ásia,
Mongólia, Norte de África

Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa


nha, França (incl. Córsega), Itália (incl. Sardenha e Si
cília), Croácia, BósniaHerzegovina, Montenegro,
Albânia, Grécia, Turquia, Síria, Líbano, Tunísia, Argélia,
Marrocos

Salix salviifolia Brot.

Área de distribuição natural: Sudoeste da Europa

Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa


nha

Salix triandra L.

Área de distribuição natural: Sudoeste, Sudeste, Cen


tro, Norte e Este da Europa, Cáucaso, Oeste, Centro e
Este da Ásia, Sibéria, Extremo Oriente Russo, Mongólia,
China, Norte de África

Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa


nha, França, Itália, Croácia, BósniaHerzegovina, Mon
tenegro, Albânia, Grécia, Turquia, Israel, Tunísia, Argélia
Salix 176
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:52 AM Página177

7 mm

5 mm 1 cm

Salix alba L.
177 Salix
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:52 AM Página178

5 mm

3 mm 1 cm

Salix amplexicaulis Bory


Salix 178
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:52 AM Página179

5 mm

1 cm

1 cm

Salix atrocinerea Brot.


179 Salix
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:52 AM Página180

1 cm

1 cm

5 mm

Salix eleagnos Scop.


Salix 180
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:52 AM Página181

5 mm

1 cm

5 mm

Salix fragilis L.
181 Salix
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:53 AM Página182

1 cm

1 cm

1 cm

Salix pedicellata Desf.


Salix 182
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:53 AM Página183

5 mm

5 mm

1 cm

Salix purpurea L.
183 Salix
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:53 AM Página184

1 cm

5 mm
1 cm

Salix salviifolia Brot.


Salix 184
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:53 AM Página185

5 mm

1 cm

5 mm

Salix triandra L.
185 Salix
Salix 186
bio_146-204.qxp:GUIA
5/26/09

Características de identificação para espécies de Salix com distribuição na região mediterrânica


8:53 AM

Folhas lineares, lanceoladas ou ovadolanceoladas

Taxon S. alba L. S. eleagnos Scop. S. fragilis L. S. triandra L.


Página186

Porte ▪ árvore até 25 m ▪ arbusto até 6 m, raramente ▪ árvore de 825 m ▪ arbusto 46(10) m
árvore
Casca ▪ tronco: pardoacinzentada, ▪ glabra, castanhaavermelhada ▪ tronco: acinzentada ou pardo, ▪ lisa, castanhaavermelhada,
com fendas longitudinais acinzentada, com mais fissuras às vezes quase negra, esverdeada
profundas ao longo do tempo ou parda, exfoliase em
▪ ramos: lisa, parda, ▪ ramos: lisa, laranja, esverdeada lâminas irregulares
pardoavermelhada ou ou pardoavermelhada
amareloalaranjada
Ramos jovens ▪ seríceos (pêlos longos) ▪ pubescentes ou glabrescentes, ▪ glabrescentes ou glabros, ▪ glabros
amarelos ou alaranjados raramente pubescentes
▪ cilíndricos, muito frágeis nas uniões ▪ angulosos
Gomos ▪ seríceos ▪ glabrescentes, ligeiramente pubes ▪ glabrescentes ao princípio, ▪ glabros
centes na base e/ou no ápice depois glabros, brilhantes
▪ alternos ▪ alternos ▪ alternos ▪ alternos
Folhas ▪ até 10 x 12,5 cm ▪ 210 x 12 cm ▪ 516 x 13 cm ▪ 210 x 0.52 cm
▪ lanceoladas ▪ lineares ou linearlanceoladas ▪ lanceoladas a ovadolanceoladas ▪ lanceoladas, oblongolanceoladas,
obovadolanceoladas, oblongo
obovadas, linearlanceoladas
▪ base acunheada ▪ base acunheada ▪ base arredondada, raramente acu
nheada ou um pouco atenuada
▪ margem serrada ▪ margem revoluta, finamente ▪ margem glandulosaserrada, ▪ margem não revoluta,
serradoglandulosa às vezes subserrada glandulosaserrada
▪ seríceas ou glabrescente, ▪ página superior glabra; ▪ página superior glabra, brilhante; ▪ página superior e inferior glabros,
raramente glabras, glaucas inferior muito tomentosa inferior glaucescente ou verde pálido raramente a inferior pouco pelosa
…/…
…/…

Taxon S. alba L. S. eleagnos Scop. S. fragilis L. S. triandra L.

Estípulas
bio_146-204.qxp:GUIA

▪ linearlanceoladas ▪ semicordiformes, muito ▪ semireniformes, grandes


assimétricas, largas
▪ dentadas
▪ caducas ▪ ausentes ou reduzidas a glândulas ▪ caducas; presentes nos ramos jovens ▪ persistentes
5/26/09

Peciolos ▪ 25(7) mm ▪ < 5 mm ▪ > 5 mm ▪ 510 mm


▪ pubescentes ▪ pelosos ▪ glabrescentes / glabro ▪ glabros ou glabrescentes,
às vezes glandulosos
na união com o limbo
8:53 AM

Amentilhos ▪ 27 x 1 cm ▪ até 3 x 1 cm ▪ 27 x 0.51 cm ▪ (2)3.5(7) x 1 cm


▪ pedúnculos compridos ▪ sésseis ou com pedúnculos ▪ pedúnculos compridos
▪ laxos muito curtos ▪ densos
aparecem ao mesmo tempo aparecem ao mesmo tempo
Página187

▪ ▪ aparecem pouco antes ou ao ▪ ▪ aparecem ao mesmo tempo


que as folhas mesmo tempo que as folhas que as folhas que as folhas
Brácteas dos
Amentilhos ▪ margem inteira ou serrada ▪ margem inteira
Brácteas ▪ uniformemente amareladas ▪ uniformemente em amarelo pá ▪ uniformemente coloridas
Florais lido, acinzentadas quando madu
ras, às vezes ápice avermelhado
▪ ápice agudo ▪ ápice obtuso, raramente emarginado
▪ margem com pêlos ▪ margem com pêlos
▪ face exterior glabrescente; ▪ face exterior pelosa;
face interior pubescente face interior glabrescente
▪ caducas ▪ persistentes ▪ caducas ▪ persistentes
Flor masculina ▪ filamentos livres ▪ filamentos soldados no terço inferior ▪ filamentos livres ▪ filamentos livres
▪ filamentos pelosos ▪ filamentos pelosos ▪ filamentos pelosos na base ▪ filamentos pelosos
▪ 2 estames ▪ 2 estames ▪ 2 estames ▪ 3 estames
▪ 2 nectários ▪ 1 nectário ▪ 2 nectários ▪ 2 nectários
Flor feminina ▪ pistilo glabro, séssil ou ▪ pistilo glabro, curtamente ▪ pistilo glabro, pedicelado ▪ pistilo glabro, pedicelado
curtamente pedicelado pedicelado
▪ estilete curto ▪ estilete comprido ▪ estilete médio ▪ estilete curto
▪ estigmas bífidos ▪ estigmas bífidos ▪ estigmas bífidos ▪ estigmas bífidos
▪ 1 nectário ▪ 1 nectário ▪ 2 nectários ▪ 1 nectário

187 Salix
Salix 188

Características identificativas das espécies de Salix com distribuição na região mediterrânica


bio_146-204.qxp:GUIA

Folhas largamente lanceoladas, oblongoelípticas, elípticas ou obovadas Folhas geralmente opostas


5/26/09

Taxon S. atrocinerea Brot. S. pedicellata Desf. S. salviifolia Brot. S. amplexicaulis Bory S. purpurea L.
Porte
8:53 AM

▪ arbusto, às vezes árvore ▪ arbusto ou pequena ▪ arbusto até 6 m ▪ arbusto 3(5) m ▪ arbusto até 6 m
até 12 m árvore até 10 m
Casca ▪ glabra, castanhoaver ▪ glabra, pardoaver ▪ glabra, pardoavermelha ▪ pardoamarelada a ▪ glabra, cinzento brilhante,
melhado ou pardo melhada ou pardo da ou pardoacinzentado castanhaavermelhada amarelada, castanha
acinzentado acinzentado ou parda avermelhada ou negra
Página188

▪ tronco sem casca com ▪ tronco sem casca com ▪ tronco sem casca com ▪ tronco sem casca
numerosas estrias longi numerosas estrias lon numerosas estrias longi liso, sem estrias
tudinais proeminentes gitudinais proeminentes tudinais proeminentes
Ramos ▪ pubescentes ▪ tomentosos ▪ pubescentes ▪ glabros ▪ glabros, muito brilhantes
jovens ou glabrescentes
Gomos ▪ pubescentes ▪ pubescentes ▪ glabros ▪ glabros
▪ alternos ▪ alternos ▪ alternos ▪ opostos ou subopostos, ▪ opostos, às vezes alternos
raramente alternos
Folhas ▪ 210 x 12 cm ▪ 510 x 13 cm ▪ 210 x 12 cm ▪ até 3050 x 816 mm ▪ 57 x 11.5 cm
▪ oblongoobovadas, elíp ▪ elípticas, oblongoelíp ▪ oblongoobovadas, ▪ oblongolanceoladas ▪ lineares, linearlanceoladas,
ticas, obovadoelípticas, ticas, lanceoladas ou oblongolanceoladas, ou oblongas oblongoobovadas
lanceoladas ou obovado obovadolanceoladas obovadolanceoladas, ou espatuladas
lanceoladas linearlanceoladas
▪ base arredondada, ▪ base arredondada ou ▪ base arredondada ou ▪ base cordiforme ▪ base arredondada, às vezes
acunheada ou curta curtamente atenuada, curtamente atenuada semiamplexicaule curtamente atenuada
mente atenuada raramente acunheada ou acunheada
▪ margem revoluta, ▪ margem revoluta, ▪ margem revoluta, ▪ margem dentada até ▪ margem não revoluta,
inteira, pouco dentada inteira, pouco dentada dentadoserrada, às vezes ao ápice, inteira desde dentada até ao ápice,
ou dentadoserrada ou dentadoserrada pouco dentada ou inteira a base inteira desde a base
▪ página superior glabra ▪ página superior gla ▪ página superior tomen ▪ páginas superior ▪ página superior glabra;
ou tomentosa, pêlos aver brescente; inferior tosa ou glabrescente, e inferior glabras inferior glaucescente
melhados e brancos; infe finamente pubescente às vezes glabra; inferior
rior tomentosa com pêlos ou glabrescente, glauca muito tomentosa
avermelhados e brancos,
às vezes glabra, glauca
▪ nervuras proeminentes ▪ nervuras proeminentes
na página inferior na página inferior
…/…
…/…

Taxon S. atrocinerea Brot. S. pedicellata Desf. S. salviifolia Brot. S. amplexicaulis Bory S. purpurea L.
Estípulas ▪ semicordiformes ▪ semicordiformes ou ▪ semicordiformes ▪ pequenas
ou reniformes semireniformes, largas
bio_146-204.qxp:GUIA

▪ margem pouco dentada ▪ margem dentada ▪ margem serrada


▪ página superior glabres ▪ tomentosas
cente; inferior tomentosa
5/26/09

▪ caducas; presentes em ▪ caducas ▪ persistentes ▪ caducas ▪ caducas


caules jovens
Pecíolos ▪ ± 5 mm ▪ ⱖ 5 mm ▪ < 5 mm ▪ (0.3)0.53.2 mm ▪ < 5 mm
8:53 AM

▪ pelosos ▪ pelosos ▪ tomentosos ▪ glabros


Amen ▪ até 7 x 12 cm ▪ até 7 x 1(2) cm ▪ 37 x 12 cm ▪ 3 x 1 cm
tilhos ▪ sésseis ou pedúnculos curtos ▪ pedúnculos curtos ▪ pedúnculos curtos ▪ pedúnculos curtos ▪ sésseis ou pedúnculos curtos
▪ aparecem antes das ▪ aparecem antes das ▪ aparecem ao mesmo ▪ aparecem antes
folhas folhas tempo que as folhas das folhas
Página189

Brácteas dos amentilhos ▪ acinzentadas, muito tomentosas


Brácteas ▪ ápice mais escuro ▪ normalmente ápice ▪ ápice mais escuro ▪ ápice mais escuro ▪ normalmente ápice
florais mais escuro mais escuro
▪ ápice obtuso ▪ ápice obtuso ▪ ápice obtuso
▪ mais ou menos ▪ pelosas ▪ pelosas ▪ pelosas
densamente pelosas
Flor ▪ filamentos livres ▪ filamentos livres ▪ filamentos soldados ▪ filamentos soldados ▪ filamentos soldados
masculina na base ou livres
▪ filamentos mais ou ▪ filamentos glabros ▪ filamentos pelosos ▪ filamentos pelosos ▪ filamentos pelosos
menos pelosos na base ou glabrescentes desde a base
▪ 2 estames ▪ 2 estames ▪ 2 estames
▪ 1 nectário ▪ 1 nectário ▪ 1 nectário
Flor ▪ pistilo tomentoso, ▪ pistilo glabro, pedicelo ▪ pistilo pubescente, ▪ pistilo pubescente, séssil ▪ pistilo pubescente, séssil
feminina pedicelado muito comprido pedicelado ou com pedicelo curto
▪ estilete curto ▪ estilete médio ▪ estilete curto ▪ estilete curto, glabro
▪ estigmas inteiros ou bífidos ▪ estigmas inteiros ou bífidos ▪ estigmas geralmente inteiros ▪ estigmas inteiros
▪ 1 nectário ▪ 1 nectário ▪ 1 nectário

189 Salix
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:53 AM Página190

Tamarix
sp.

Distribuição

T. africana Poiret

Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da


Europa, Norte de África, Macarronésia

Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa


nha (incl. Baleares), França (incl. Córsega), Itália (incl.
Sardenha e Sicília),Tunísia, Argélia, Marrocos

T. boveana Bunge

Área de distribuição natural: Sudoeste da Europa,


Norte de África

Distribuição na região mediterrânica: Espanha, Líbia,


Tunísia, Argélia, Marrocos

T. canariensis Willd.

Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da


Europa, Norte de África, Macarronésia

Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa


nha (incl. Baleares), França, Itália (incl. Sardenha e Si
cília), Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos
Tamarix 190
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:54 AM Página191

Distribuição

T. dalmatica Baum

Área de distribuição natural:Sudeste de Europa

Distribuição na região mediterrânica: Itália, Croácia,


BósniaHerzegovina, Montenegro, Albânia, Grécia

T. gallica L.

Área de distribuição natural: Sudoeste e Sudeste da


Europa, Macarronésia

Distribuição na região mediterrânica: Portugal, Espa


nha (incl. Baleares), França (incl. Córsega), Itália (incl.
Sardenha e Sicília)

T. hampeana Boiss. & Heldr.

Área de distribuição natural: Sudeste da Europa, Oeste


da Ásia

Distribuição na região mediterrânica: Grécia, Turquia,


Israel
191 Tamarix
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:54 AM Página192

Distribuição

T. parviflora DC.

Área de distribuição natural: Sudeste da Europa, Oeste


da Ásia, Norte de África

Distribuição na região mediterrânica: Croácia, Bósnia


Herzegovina, Montenegro, Albânia, Grécia (incl. Creta),
Turquia, Israel, Argélia

T. smyrnensis Bunge

Área de distribuição natural: Sudeste e Este da Eu


ropa, Cáucaso, Oeste e Centro da Ásia

Distribuição na região mediterrânica: Grécia (incl.


Creta), Chipre, Turquia, Síria, Líbano, Israel

T. tetrandra Pallas ex Bieb.

Área de distribuição natural: Sudeste e Este da Eu


ropa, Oeste da Ásia

Distribuição na região mediterrânica: Albânia, Grécia,


Chipre, Turquia, Líbano
Tamarix 192
Características de identificação para espécies de Tamarix com distribuição no Oeste da região mediterrânica europeia
bio_146-204.qxp:GUIA

Taxon T. africana Poiret T. boveana Bunge T. canariensis Willd. T. gallica L.


Casca ▪ negra a vermelho escura ▪ pardoavermelhado ou ▪ vermelho escura ou ▪ pardo escuro ou vermelho
pardo escuro pardoavermelhado escura
5/26/09

Folhas ▪ comprimento 1,54 mm ▪ comprimento 26 mm ▪ comprimento 1,32,5 mm ▪ comprimento 1,32,5 mm


▪ lisas ou com poucas papilas ▪ papilosas ▪ abundantes glândulas ▪ poucas ou sem glândulas
▪ margem escamosa secretoras de sal secretoras de sal
8:54 AM

▪ verdes ▪ glaucas
Inflorescências ▪ (15)3070(80) x (5)69 mm ▪ 40150 x 712 mm ▪ 1050 x 35 mm ▪ 1050 x 35 mm
▪ geralmente em ramos do ano ▪ geralmente em ramos do ano ▪ geralmente em ramos do ▪ geralmente em ramos
anterior anterior ano anterior do ano anterior
▪ ráquis às vezes papiloso ▪ ráquis geralmente papiloso ▪ ráquis geralmente glabro
Página193

▪ geralmente simples ▪ geralmente simples ▪ densamente compostas ▪ pouco rígidas e compostas


Brácteas ▪ mais compridas ou mais curtas ▪ iguais ou mais compridas ▪ iguais ou mais compridas ▪ geralmente mais curtas
que o cálice que o cálice que o cálice que o cálice
▪ fortemente oblongas, pouco agu ▪ lineares, agudas ▪ lineartriangulares, muito ▪ estreitamente triangulares,
das a triangular e acuminadas acuminadas a subuladas acuminadas
▪ margem geralmente papilosa ▪ margem muito papilosa ▪ margem papilosa ▪ margem não papilosa, mais
ou menos denticulada
Flores ▪ pentâmeras ▪ tetrâmeras, raramente ▪ pentâmeras ▪ pentâmeras
tetrâmeras e pentâmeras
Sépalas ▪ comprimento 11,8 mm ▪ comp. e larg. 1,73 x 1,52,4 mm ▪ comprimento 0,61 mm ▪ comprimento 0,71,8 mm
▪ triangularovadas, agudas; ▪ externas triangularovados; ▪ triangularovados ▪ triangularovados a ovado,
externas ligeiramente mais internas ovadas, um pouco mais agudas; internas um pouco
compridas, estreitas e agudas curtas, obtusas mais longas e mais obtusas
▪ margem subinteira ▪ margem inteira nas externas; ▪ margem muito denticulada ▪ margem pouco denticulada
nas internas ápice denticulado
Pétalas ▪ 23,3 x 12 mm ▪ (2,7)34 x 1,32 mm ▪ 1,21,6(1,7) x 0,51 mm ▪ (1,6)1,72 x 0,81 mm
▪ triangularovadas a ovadas ▪ estreitamente obovadas a unguiculadas ▪ obovadas ▪ elípticas a ovadas
Anteras ▪ sem apículos ou ligeiramente apiculadas ▪ sem apículos ou ligeiramente apiculadas ▪ apiculadas ▪ ligeiramente apiculadas
Disco ▪ sínlofo ▪ sínlofo a parasínlofo ▪ sínlofo ▪ sínlofo
Nectário carnudo pouco carnudo

193 Tamarix
Tamarix 194

Características de identificação para espécies de Tamarix com distribuição no Este da região mediterrânica europeia
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Taxon T. dalmatica Baum T. hampeana Boiss. & Heldr. T. parviflora DC. T smyrnensis Bunge T. tetrandra Pallas ex Bieb.
Casca ▪ avermelhadanegra, ▪ pardo a pardo ▪ pardoavermelhada a ▪ pardoavermelhada ▪ negra a cinzentoescura
pardo a negra avermelhada vermelho escura a pardo
5/26/09

Folhas ▪ comprimento 24 mm ▪ comprimento 1,754 mm ▪ comprimento 1,62,5mm ▪ comprimento 23,5 mm ▪ comprimento 35 mm
▪ margem escamosa
8:54 AM

Inflorescências ▪ 2070 x 712 mm ▪ 2060(130) x (8)1012 mm ▪ 1040 x 36 mm ▪ até 40 x 4 mm ▪ 3060 x 67 mm
▪ geralmente em ramos ▪ geralmente em ramos ▪ geralmente em ramos ▪ em ramos do ano anterior ▪ geralmente em ramos
do ano anterior do ano anterior do ano anterior e/ou em ramos do ano do ano anterior
▪ simples ▪ simples ou pouco rígidas ▪ simples ▪ pouco firmes e compostas ▪ simples ou pouco firmes
e compostas e compostas
Página194

Brácteas ▪ iguais ou mais compridas ▪ mais curtas que o cálice ▪ mais curtas que o cálice ▪ mais curtas que o cálice ▪ mais curtas que o cálice
que o cálice ▪ mais curtas que o pedicelo, ▪ mais compridas que ▪ mais compridas que ▪ mais compridas que
às vezes iguais ou maiores o pedicelo o pedicelo o pedicelo
▪ largamente triangulares, ▪ triangular acuminadas, ▪ oblongas, herbáceas na
obtusas a acuminadas obtusas metade da base, obtusas
▪ margem áspera e papilosa ▪ margem quase inteiramente escamosa
Flores ▪ tetrâmeras, às vezes ▪ tetrapentâmeras ▪ tetrâmeras ▪ pentâmeras ▪ tetrâmeras, às vezes
algumas pentâmeras pentâmeras
Sépalas ▪ 1.53.5 x 1.52.4 mm ▪ comprimento 22,5 mm ▪ comprimento 11,5 mm ▪ comprimento 1 mm ▪ comprimento 22,5 mm
▪ triangularovadas mais ou ▪ triangularovadas, ▪ unidas na base, as internas ▪ triangularovadas a ovadas, ▪ externas triangularova
menos em forma de quilha; acuminadas; as externas ovadas, obtusas; as externas obtusas das, agudas, em quilha;
as externas mais agudas mais agudas triangularovadas, agudas internas ovadas, obtusas
e em quilha e mais curtas
externas; nas internas,
▪ margem inteira ou escas ▪ margem subinteira nas
samente denticulada ▪ margem irregularmente ▪ margem irregularmente ▪ margem inteira
pouco denticulada denticulada denticulada
Pétalas ▪ 2,34,5(5) x 1,41,8 mm ▪ comprimento 2,54 mm ▪ comprimento 1,82,5 mm ▪ comprimento 22,75 mm ▪ comprimento 2,23 mm
▪ estreitamente elíptico ▪ ovadoelípticas ▪ em forma de parábola ou ▪ ovadas a suborbiculares, ▪ ovadas a ovadoelípticas
obovadas, unguiculadas oblongas com quilha bem pronunciada
▪ subpersistentes ▪ persistentes
Anteras ▪ com múticos ou ligeiramente apiculadas
Disco ▪ paráfolo ▪ paráfolo ▪ paráfolo ▪ hololófo, lóbulos inteiros ou ▪ paráfolo a parasínlofo
nectário ligeiramente emarginados,
estames com inserção
abaixo do disco
▪ carnudo ▪ geralmente carnudo ▪ carnudo
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Glossário

ácido giberélico ápice


hormona obtida do fungo Gibberella fujikuroi ponto terminal ou vértice de uma folha

ácido indolbutírico apomixia


hormona sintética que promove o crescimento de caules e desenvolvimento de um embrião sem que ocorra fertiliza
raízes (AIB) ção prévia. Com este processo não há formação de game
tas ou meiose, a descendência é geneticamente igual ao
acuminado seu progenitor
que se vai estreitando gradualmente acabando numa
ponta aguda aquénio
fruto seco indeiscente, de pequeno tamanho, e monospér
acunheado mico (só com uma semente)
em forma de cunha, com a parte mais estreita no ponto de
inserção aquilhado
que apresenta carena ou com forma de carena ou de qui
adaptabilidade lha de barco
capacidade de um individuo ou população de responder a
alterações nas condições ambientais atenuado
que estreita progressivamente para a extremidade
ADN
autocompatível
o ácido desoxirribonucleico consiste em duas cadeias com
capaz de autofecundarse
pridas de nucleótidos enlaçadas formando uma estrutura
que se assemelha a uma fita enrolada em espiral autóctone
originário da região onde se encontra
agudo
que termina numa ponta autofecundação
fertilização resultante da união de um gâmeta masculino
alotetraploide e um gâmeta feminino provenientes do mesmo indivíduo
organismo com quatro conjuntos de cromossomas (4n),
resultante da união de conjuntos de cromossomas gene autogamia
ticamente diferentes (geralmente de espécies distintas) autofecundação

alterno autoincompatível
não oposto ou verticilado; quando as folhas ou órgãos são incapaz de autofecundarse
inseridos ao longo de um eixo, um em cada nó auxina
amento ( ou amentilho) tipo de hormona que promove e regula o crescimento e o
inflorescência alongada, geralmente pêndula, com peque desenvolvimento das plantas, incluindo a elongação das
nas flores unissexuadas e sem pétalas células
baga
amplexicaule
fruto carnudo, indeiscente, com várias sementes, sem ne
orgãos cuja base envolve parcialmente o eixo
nhuma parte endurecida excepto as sementes
androdioicia
bífido
expressão sexual que tem lugar quando numa população
dividido em duas partes mais ou menos até meio
existem indivíduos masculinos e indivíduos hermafroditas
bipartido
andromonoicia dividido em duas partes até mais de meio, mas sem atin
expressão sexual que tem lugar quando num mesmo indi gir a base
víduo coexistem flores masculinas e hermafroditas
bipinulada
anemófilo folha composta, com eixos secundários sendo estes os que
polinizado pelo vento suportam os folíolos
antera carena
parte terminal do estame, onde se encontram os sacos po quilha, ou saliência longitudinal em gume ao longo da
línicos linha mediana da face dorsal de um órgão
ântese bosquete
período durante o qual a flor está totalmente aberta e fun árvores situadas dentro de uma área de colheita de frutos
cional e sementes
195 Glossário
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bráctea cimeira em panícula


folha modificada, geralmente pequena, em cuja axila se cimeira semelhante a uma panícula
insere uma flor ou inflorescência
cimeira em racemo
bracteola cimeira similar a um racemo mas cujo eixo termina numa
pequena folha modificada, inserida no pedicelo floral flor
acima da bráctea e debaixo do cálice
citoquinina
braquiblasto tipo de regulador de crescimento das plantas relacionado
ramo secundário sem entrenós ou com entrenós muito com a divisão celular e com o crescimento.
curtos
clone
caducifólio células, grupo de células ou organismos produzidos asse
que perde as folhas no final do período de crescimento ve xualmente a partir de um mesmo indivíduo e genetica
getativo mente idênticos a ele

caduco concolor
que cai espontaneamente, por vezes, precocemente de cor igual ou semelhante na página superior e na pá
gina inferior
cálice
conjunto de sépalas de uma flor conjunto de cromossomas (n)
conjunto de cromossomas qualitativamente diferentes
câmbio herdados como uma unidade de cada progenitor
camada de células que se dividem activamente e dão lugar
ao engrossamento dos ramos e raízes concrescente
unido a um orgão do mesmo tipo
capacidade germinativa
cordiforme
percentagem de sementes que produzem plântulas viáveis
em forma de coração
em relação ao número total de sementes de uma amostra
extraída de um lote de sementes coriáceo
firme e pouco espesso, de textura similar ao couro
capacidade de troca catiónica
processo químico em que há uma troca de catiões de corimbiforme
igual carga entre um sólido e uma solução inflorescência cuja parte superior é circular e mais ou
menos plana, assemelhandose a um corimbo
capítulo
inflorescência globosa, achatada ou não na parte superior, corimbo
de flores geralmente sésseis reunidas num receptáculo inflorescência em que os pedicelos das flores mais exter
comum nas são mais compridos que os das internas, formando um
conjunto cuja parte superior é circular e mais ou menos
cápsula plana; as flores externas abrem antes que as internas
fruto seco deiscente que provem de dois ou mais carpelos
corola
carpelo conjunto das pétalas de uma flor, com frequência colorida
folha modificada que compõe o pistilo
costa
catião estrutura longitudinal saliente ± pronunciada
ião ou grupo de iões com carga positiva
costado
caudado possui uma ou mais costas
que apresenta um apêndice em forma de cauda
crenado
centro de origem com recortes arredondados convexos
lugar geográfico onde terá tido origem um grupo de orga
cromossoma
nismos
estrutura dos organismos vivos que consiste numa molé
ciliado cula de ADN unida a várias proteínas e na qual se encon
com cílios, pêlos finos geralmente inseridos na margem tram os genes
cimeira cultivar
inflorescência com o eixo principal de crescimento limi planta cultivada que foi seleccionada por manifestar deter
tado (definido), terminando numa flor; este modelo re minadas características e que pode distinguirse de outras
petese nos eixos inferiores laterais da mesma espécie; a cultivar recebe um nome específico
Glossário 196
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deiscente elíptico
que se abre espontaneamente na maturação estreito nos extremos e mais largo a meio ou junto do
meio
deltóide
em forma de letra delta maiúscula ou de um tetraedro emarginado
que apresenta um chanfro pouco profundo no ápice
denso
cujas partes estão muito próximas umas das outras endocarpo
camada mais interna da parede de um fruto
dentado
com margem com projecções em forma de dentes endogamia
cruzamento entre indivíduos aparentados
denticulado
com dentes pequenos entomófilo
polinizado por insectos
depressão por endogamia
redução do vigor observada com frequência na descen entrenós
dência resultante do cruzamento entre indivíduos aparen porção de um caule compreendida entre as inserções de
tados duas folhas ou dois pares de folhas sucessivas
escábrido
deriva genética
áspero ao tacto por apresentar pequenas saliências rígi
flutuações entre gerações na frequência com que aparece
das
um gene; estas mudanças são devidas à aleatoriedade
mais que à acção da selecção natural e os seus efeitos escarioso
acentuamse em populações muito pequenas e isoladas delgado, seco e membranoso, não verde
dioicia espatulado
expressão sexual que tem lugar quando numa população com forma de espátula
existem indivíduos masculinos e indivíduos femininos
espiga
diplóide racimo (ou cacho) com todas as flores sésseis
com células com dois conjuntos de cromossomas. Em or
estaca
ganismos que se reproduzem sexualmente, cada progeni
parte de um ramo, raiz ou outra parte extraída de uma
tor contribui com um conjunto de cromossomas
plantamãe para produzir um novo indivíduo mediante a
disco nectarífero indução de raízes
excrescência glandulosa em forma de disco ou anel que estaca de talão
forma o receptáculo dentro da flor e que segrega néctar estaca lenhosa que inclui uma pequena porção do cresci
discolor mento do ano anterior
de cor ou tom diferente nas páginas superior e inferior estaca herbácea
distal estaca obtida de ramos ou ápices flexíveis, ainda não le
zona de um órgão mais distante do ponto de inserção na nhificados, de plantas lenhosas
planta estaca lenhosa
estaca lenhificada, obtida do crescimento do ano anterior
diversidade genética
em plantas lenhosas em repouso
totalidade dos diferentes genes de um grupo de indivíduos
ou de uma espécie estaca semilenhosa
estaca parcialmente lenhificada, rígida, obtida do cresci
dormência mento do ano de plantas lenhosas no período de activi
período de paragem de crescimento ou de desenvolvi dade vegetativa
mento
estacaria em série
drupa método de propagação em que as estacas, uma vez enrai
fruto carnudo com endocarpo lenhoso que contém uma zadas, são divididas no ano seguinte para produzir um
ou mais sementes, como a ameixa maior número de estacas
duplamente dentado estame
dentado em que cada dente apresentase por sua vez di órgão masculino de uma flor, composto pelo filete e pela
vidido em pequenos dentes antera
197 Glossário
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estigma fluxo genético


parte superior do pistilo, onde se fixa o pólen no momento movimento dos genes entre populações diferentes devido
da polinização à dispersão de pólen e sementes

estilete folha composta


estrutura filiforme do pistilo da flor, que se prolonga desde que tem dois ou mais folíolos
o ovário até ao estigma
folha perene
estípula folha que dura mais do que um período vegetativo
apêndice em forma de folha na base do pecíolo, geral
folha simples
mente em número de dois
não lobulada ou dividida
estolho
folículo
ramo que, sem estar separado da planta, emite raízes ao
fruto seco derivado de um só carpelo, que se abre ao longo
entrar em contacto com um substrato; depois de ter raí
de apenas um lado
zes formadas, pode ser separado da planta original
folíolo
estrelado
cada um dos limbos foliares ou divisões com aspecto de
em forma de estrela
folha de uma folha composta
estiolamento
gâmeta
fenómeno através do qual se faz crescer uma planta ou
célula reprodutora
uma parte de uma planta na ausência total ou parcial da
luz; caracterizase pelo alongamento mais rápido dos cau garfo
les do que o normal e por uma coloração amarelo pálido porção de uma planta que se enxerta noutra
dos órgãos
garrigue
evapotranspiração matorral baixo que ocorre em solos calcários
processo através do qual se transfere humidade da terra
para a atmosfera por evaporação da água e por transpi gene
ração das plantas unidade básica da hereditariedade, que ocupa uma posição
fixa no cromossoma
explante
órgão ou tecido retirado em lâmina de uma plantamãe genoma
utilizado para iniciar uma cultura in vitro conjunto de genes presentes num conjunto de cromosso
mas
fenologia
relação entre um fenómeno biológico periódico e as con genótipo
dições climáticas; período de ocorrência de qualquer fe constituição genética de um organismo
nómeno biológico sazonal ginodioicia
fenótipo expressão sexual que tem lugar quando numa população
características observáveis num indivíduo, resultantes do existem indivíduos femininos e indivíduos hermafroditas
seu genótipo e da interacção deste com o meio em que se glabrescente
encontra quase glabro
fertilização cruzada
glabro
fecundação resultante da união de um gâmeta masculino
liso, sem pêlos
com um gâmeta feminino de diferentes indivíduos da
mesma espécie glândula
pequeno apêndice ou segmento secretor
filete
estrutura filiforme do estame que sustenta a antera glanduloso
que tem glândulas
flor dupla
flor que tem mais pétalas que as normais, geralmente glaucescente
numa disposição densa ou sobreposta ligeiramente glauco
flor solitária glauco
flor não disposta numa inflorescência de cor verde claro com um tom ligeiramente azulado
Glossário 198
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globoso inoculação
esférico processo através do qual se introduz um microorganismo
numa planta
glomérulo
inflorescência globosa, compacta, formada por numerosas inteiro
flores sésseis ou subsésseis não dividido em dentes ou lóbulos

gomo apical Interespecífico


gomo situado na ponta de um caule que sucede entre diferentes espécies

gomo axilar intraespecífico


gomo situado na união de um caule com um pecíolo que sucede entre indivíduos ou populações da mesma es
pécie
gomo lateral
introgressão
gomo axilar
incorporação de genes de uma espécie na constituição ge
haplóide nética de outra por hibridação e posterior retrocruzamento
com um conjunto de cromossomas
invólucro
herbáceo conjunto de brácteas situadas debaixo ou à volta de uma
não lenhoso ou tenro, com textura de folha flor ou de uma inflorescência

hermafrodita laciniado
que tem flores com estruturas reprodutoras masculinas e dividido profundamente em segmentos estreitos, irregu
femininas lares

hibridação lanceolado
cruzamento entre indivíduos de diferentes espécies, varie como a folha de uma lança; amplo, que se estreita quer
dades ou raças para o ápice quer para a base
lanoso
híspido
com pêlos semelhantes a lã
com pelos curtos, rígidos ou picantes
laxo
holólofo
cujas partes estão amplamente separadas entre si
disco nectarífero dividido em cinco lóbulos cada um deles
situado entre dois estames livres ou unidos ao disco; os lenhificar
lóbulos podem ser inteiros ou com ápice obtuso, truncado, transformarse em madeira
retuso ou emarginado
linear
in vitro alongado e estreito com margens paralelas ou quase pa
crescimento em cultura asséptica em laboratório ralelas

indeiscente lóbulo
que não se abre quando maduro porção de limbo de forma arredondada

indumento lóbulo secundário


conjunto de pêlos, escamas, glândulas, etc., que recobrem subdivisão de um lóbulo
a superfície de diversos órgãos macroblasto
caule principal com entrenós compridos
inflorescência
sistema de ramificação em que os ramos terminam em flo macronutriente
res mineral usado pelas plantas em grande quantidade

inflorescência composta maquis


inflorescência com mais de uma flor por ramo matorral mediterrâneo adaptado à seca composto por ar
bustos e pequenas árvores com folhas perenes, volumosas,
inflorescência simples coriáceas ou espinhosas
inflorescência com apenas uma flor por ramo
marcador molecular
infrutescência gene ou fragmento específico de ADN que podem ser usa
estrutura frutífera que consiste em mais do que um fruto; dos para identificar um organismo, uma espécie ou uma li
resultante de uma inflorescência nhagem, ou uma característica fenotípica associada a ele
199 Glossário
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:54 AM Página200

margem obovado
limite de um órgão laminar (como uma folha) de forma ovada mas com a metade distal mais larga que
a metade basal
material de reprodução
frutos, sementes, plantas e partes da planta  gomos, esta obtuso
cas, explantes, embriões, estolhos, raízes, garfos, varas ou sem ponta, termina em ângulo obtuso
qualquer outra parte  destinados à produção de plantas
oposto
meiose disposição das folhas em número de duas em cada nó, uma
processo de divisão celular em organismos que se repro em frente à outra
duzem sexualmente no qual se reduz o número de cro
mossomas e se produz intercâmbio de material genético, opostocruzado
dando lugar a células reprodutoras haploides, genetica disposição oposta no caule e formando um ângulo de 90º
mente diferentes com os pares consecutivos, superior e inferior

meristema orbicular
tecido das plantas cujas células se dividem activamente com forma circular
para formar novos tecidos que dão lugar ao crescimento
orteto
da planta
planta original a partir da qual se inicia a produção de um
micronutriente clone através de propagação vegetativa
mineral usado pelas plantas em quantidades muito pe
ovado
quenas
com contorno em forma de ovo com a parte mais larga na
micropropagação base
cultura de tecidos de plantas
oval
monoicia com forma de elipse
expressão sexual que tem lugar quando num mesmo indi
víduo as flores femininas e masculinas estão separadas ovário
parte inferior do pistilo que contem o ou os gâmetas fe
mucrão mininos e que dá lugar ao fruto
ponta curta, aguda e rígida
palmado
mucronado com três ou mais folíolos ou lóbulos definidos radialmente
que acaba num mucrão a partir de um ponto, como os dedos de uma mão
mútico palmatífido
sem mucrão palmado e dividido até metade da distância à base como
navicular limite máximo
com forma de navio panícula
nectário racemo de racemos (ou cacho de cachos), frequentemente
glândula que segrega néctar, localizada geralmente na de forma piramidal
base das flores que são polinizadas por insectos
papila
nervura diminuta saliência cónica de uma célula epidérmica
cada um dos feixes vasculares que forma o entrançado de
papiloso
tecidos condutores e de sustentação das folhas e de outras
com papilas
estruturas expandidas
nó paráfolo
região do caule onde se insere uma folha disco nectarífero dividido em quatro ou cinco lóbulos com
ápice truncado e unido a um estame
oblanceolado
com forma de lança invertida, mais largo no terço apical partenocarpia
e estreitandose desde metade até à base formação de um fruto sem fecundação

oblongo patente
mais comprido que largo com as margens mais ou menos que se insere segundo um ângulo próximo dos 90º com o
paralelas em quase todo o seu comprimento eixo
Glossário 200
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:54 AM Página201

paucidentado pomar de sementes


com poucos dentes (pauci significa poucos) plantação de clones ou famílias seleccionados, isolada
para evitar ou reduzir a polinização de fontes externas e
pedicelo gerida de forma a permitir colheitas de sementes fre
pé ou eixo de suporte de cada uma das flores numa inflo quentes, abundantes e de fácil acesso
rescência composta
pomo
pedúnculo
fruto simples com várias câmaras seminais que provêm de
pé ou eixo de suporte de uma flor solitária ou de uma in
um ovário pluricarpelar e que está rodeado de uma parte
florescência
externa carnuda resultante do desenvolvimento do recep
peludo táculo
que apresenta pêlos
povoamento
penatissecto população constituída por árvores que possuem uma certa
divisão pinulada profunda, até à nervura central uniformidade na sua composição, estrutura e qualidade

pentagonal proveniência
similar a um pentágono, com cinco lados área geográfica específica dentro da área de distribuição
de uma espécie
pentâmero
com peças florais, como pétalas, sépalas ou estames, em pruinoso
número de cinco com revestimento ceroso de cor cinzenta clara
perianto puberulento
invólucro da flor formada pelo cálice e pela corola ligeiramente pubescente
persistente pubescente
que persiste para além da sua duração funcional com pêlos curtos e suaves
pH
pulverulento
potencial de hidrogénio iónico; medida da acidez ou al
coberto de um pó fino
calinidade de uma solução
pureza
pinulado
percentagem em peso das sementes puras relativamente
folha composta, com divisões ou segmentos dispostos ao
ao peso total de uma amostra extraída de um lote de se
longo de um eixo comum
mentes; a amostra é separada em três fracções: sementes
pistilo puras, sementes de outras espécies e material inerte
um dos órgãos feminino de uma flor, que inclui estigma,
estilete e ovário; pode ser formado por um só carpelo ou racemo ( ou racimo)
por vários carpelos fundidos inflorescência simples com flores pediceladas inseridas de
forma alterna ao longo de um único eixo, em cacho
plasticidade
capacidade de um genótipo para mostrar um espectro de rameto
fenótipos. A plasticidade pode ter lugar através de fenóti cada um dos indivíduos de um clone
pos diferentes de distintos indivíduos com um mesmo ge
ráquis
nótipo, ou através de diferentes fenótipos manifestados
eixo principal de uma inflorescência ou de uma folha com
por um indivíduo ao longo da sua vida, ou diferentes fe
posta pinulada
nótipos como resposta a determinadas condições ambien
tais característica quantitativa
característica que apresenta uma variação fenotípica
população
contínua; depende geralmente da acção acumulada de
grupo de indivíduos da mesma espécie que ocupam uma
vários genes, cada um deles de pequeno efeito, e pode
área geográfica determinada e que apresentam um isola
ser influenciada de forma acentuada por efeitos am
mento reprodutivo total ou significativo
bientais
poli
prefixo que indica muitos receptáculo
parte terminal mais alargada do pedúnculo onde se inse
poliplóide rem as peças florais ou as flores de algumas inflorescên
que tem três ou mais conjuntos de cromossomas cias
201 Glossário
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:54 AM Página202

região de proveniência seda


área delimitada para uma espécie ou grupo de espécies na pêlo rígido
qual os povoamentos ou os bosquetes apresentam carac
setoso
terísticas fenotípicas ou genéticas similares, ou zona ou
com sedas
grupo de zonas com condições ecológicas uniformes ou
similares simpatria
existência de espécies ou taxa subespecíficos numa
reniforme
mesma área ou em áreas sobrepostas
com forma de rim
sínlofo
retrocruzamento
disco nectarífero profundamente dividido em quatro ou
cruzamento de um híbrido com um dos seus progenitores
cinco (por vezes, três) lóbulos com ápice atenuado e unido
ou com uma das espécies que lhe deu origem
a um estame, pelo que este aparenta estar dilatado na base
retuso
sinuado
de ápice obtuso ligeiramente truncado
com margem ondulada
revoluto
sub
com as margens recurvadas para a página inferior
prefixo que indica algo, um pouco, bastante
ritidoma
subespécie
tecido morto, geralmente rugoso e fendido, que pode co
categoria taxonómica do nível imediatamente inferior à
brir o tronco, ramos e raízes de árvores e arbustos
da espécie
rizoma
ramo horizontal, normalmente subterrâneo, que emite raí subulado
zes e ramos com frequência que se estreita gradualmente até ao ápice formando uma
ponta fina
rizomatoso
que apresenta rizomas sulcado
com estrias ou sulcos estreitos e alargados
saco polínico
estrutura onde se formam os grãos de pólen tamanho efectivo da população
número médio de indivíduos que realmente contribuem
sâmara
com genes para a geração seguinte; este número é geral
fruto seco indeiscente, com uma só semente, que apre
mente bastante inferior ao número de indivíduos existen
senta uma estrutura em forma de asa
tes, resultante da ocorrência de grandes diferenças no
selecção natural êxito reprodutivo entre indivíduos
processo pelo qual as características hereditárias favorá
taxon
veis ocorrem com mais frequência em gerações sucessivas
grupo de organismos de qualquer categoria taxonómica
semi (ex. família, género ou espécie)
prefixo que indica uma metade ou que algo se realizou em
TDR
metade
sonda para medir conteúdo de água no solo (“time do
sépala main reflectometry”)
cada uma das peças do verticilo mais externo da flor, ge
terminal
ralmente esverdeadas
que se situa no final de um ramo ou numa estrutura simi
seríceo lar
coberto de pêlos curtos e finos, com um brilho parecendo
tetrâmera
seda
com peças florais, como pétalas, sépalas ou estames, em
serrado número de quatro
com dentes agudos, como os de uma serra, dirigidos para
tetraplóide
o ápice
que tem quatro conjuntos de cromossomas
serrilhado
tirso
serrado mas com dentes muito pequenos
inflorescência densa que compreende um eixo central em
séssil racimo e vários ramos laterais que se apresentam em ci
sem pecíolo ou pedúnculo, inserido directamente na base meiras
Glossário 202
bio_146-204.qxp:GUIA 5/26/09 8:54 AM Página203

tomentoso valva
totalmente coberto de pêlos espessos cada uma das partes em que se abre uma vagem ou outro
fruto deiscente
transformação genética
modificação do genoma através da incorporação de ADN vara
proveniente de uma célula de genótipo diferente rebento com um ano de idade, que ocorre numa cepa, do
triangularovado qual obtêmse estacas
ovado mas com as margens rectas; em forma de colher de
variação genética
pedreiro
diferenças observadas entre indivíduos de uma determi
tricoma nada população ou entre populações devidas aos seus
excrescência de uma célula epidérmica, em forma de pêlo, genes
seda, papila ou escama
variedade
tripinulado subdivisão taxonómica de uma espécie que engloba um
três vezes pinulado; folha pinulada cujos segmentos são grupo de indivíduos que diferem de outros da mesma es
bipinulados pécie devido a características de menor importância mas
truncado que são hereditárias
que acaba de forma abrupta como se tivesse uma ponta ou
verticilo
uma parte terminal cortada
disposição radial num mesmo nó de três ou mais folhas,
turião pétalas ou outros órgãos
rebento tenro e grosso formado a partir de um gomo sub
terrâneo viabilidade
capacidade de uma semente para germinar em condições
umbela adequadas; normalmente expressase pela percentagem
inflorescência geralmente com forma de chapéudechuva de sementes com embrião vivo relativamente ao número
na qual todos os pedicelos nascem aproximadamente do total de sementes de uma amostra extraída de um lote de
mesmo ponto no ápice do pedúnculo; as flores externas sementes
podem abrir antes das internas
vicariante
unguiculado cada uma das espécies que cumprem um mesmo papel
que se estreita em forma de unha ecológico em diferentes áreas geográficas mais ou menos
unisexual afastadas e que além disso apresentam diferenças morfo
com estames ou pistilos mas não com ambos lógicas reduzidas

vagem zonal
fruto seco derivado de um só carpelo, que se abre quando cuja distribuição geográfica é determinada principalmente
maduro em duas valvas ao longo de ambos os lados pelo clima
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