Você está na página 1de 484
ESTABILIDADE ESTRUTURAL Anténio Reis Dinar Camotim Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura (DECivil) Instituto Superior Téenico, Universidade Técnica de Lisboa a McGraw-Hill BANGKOK + BEWJING + BOGOTA + CARACAS + LISBON * LONDON MADRID + MEXICO CITY MILAN + MONTREAL » NEW DELHI ‘SANTIAGO * SEOUL « SINGAPORE + SYDNEY + TAIPEI“ TORONTO McGraw-Hill A Division of The McGraw ill Companies [New York, NY * Bosron, MA * BunA RiocE, IL * DEBUGUE, IA ® MADISON, WI ‘San Fraweisco, CA* ST. Louis, M* WASHINGTON, DC ESTABILIDADE FSTRUTURAL Copyright © 2001 da Editora McGRAW-HILL de Portugal, L” ‘Todos os direitos reservados pela Esitora McGRAW-HILL de Portugal, Lt Estrada de Alfragide, Edificios Mirante, Bloco A-l Allfragide, 2724-512 AMADORA ‘Tel. G51) 21 472 85 00 ~ Fax: (351) 21 471 89 81 ‘won mograw-bill. pt ‘Nenhuma parte desta publicagio poderd ser reproduzida, guardada pelo sistema “retrieval” ou transmitida Pr qualquer modo ou por qualquer outro meio, seja electro, mectnico, de fotocSpia, de gravagao ou ‘outros, sem prévia autorizagdo, por escrito, da Editora, Depésito Legal: 150 557/00 ISBN: 972-773-036-1 1E1P10002M02T0 utubso de 2000 ‘Coordenago Editorial: Susana Calhan Coordenagao de Produeio: Sofia Marques Composigio e Paginagio: Humberto Pereira Design capa e interior: Claudia Gigliotti Impressio: SIG ~ Sociedade Industrial Grafica [Impresso em Portugal ~ Printed in Portugal [NDICE GERAL ‘SOBRE Os AUTORES PREFACIO 1. CONCEITOs FUNDAMENTOS 1.1 INTRODUGAO 1.2. FENOMENOs DE INSTABILIDADE ESTRUTURAL 1.2.1 EStABILIDADE Do EQuIL{sRIO 1.2.2 Tiros DE INSTABILIDADE ESTRUTURAL 1.3. ANALISES LINEARES E NAO LINEARES 1.3.1 ANALISE DE ESTABILIDADE DE MODELOS ESTRUTURAIS ‘SIMPLES 1.3.2 Tos DE ANALISES DE ESTABILIDADE 1.4 CRITéRi0s DE ESTABILIDADE 1.4.1 PROBLEMAS CONSERVATIVOS 1.4.1.1 ENERGIA POTENCIAL 1.4.2. Crrrérios EstATICos 1.4.2.1 CrrréRIo Do EQUILISRIO ADIACENTE 14.2.2. CrrréRIo ENERGérIco 1.5 EVOLUAO HisTORICA DA TEORIA DA ESTABILIDADE ESTRUTURAL PROBLEMAS PROPOSTOS 2. ANALISE LINEAR DE ESTABILIDADE 2.1 SISTEMAS DISCRETOS 2.1.1 ESTABILIDADE DA TRAJECTORIA FUNDAMENTAL, 2.1.2. CARGAS DE BIFURCACAO B MODOS DE INSTABILIDADE 2.13 ESTADOS LINEARES DE PRE-ENCURVADURA 2.1.4 CONDIGOES DE ORTOGONALIDADE 2.15 COORDENADAS PRINCIPAIS 2.1.6 ANALISE NUMERICA OMeSraw xiii 20 31 31 33 34 34 36 38 40 43 4s 49 52 33 54 58 vi Bemsumare euro 2.2. SISTEMAS ConTINUOS 2.2.1 ENERGIA POTENCIAL TOTAL 2.2.2. EQUAGAO VARIACIONAL DOS MODOS DE INSTABILIDADE. 2.2.3. CONDIGOES DE ORTOGONALIDADE 2.2.4 COORDENADAS PRINCIPAIS 2.3 MéToDos APROXIMADOS 2.3.1. METODO DAS DIFERENCAS FINITAS 2.3.2 Mibropo DE ENGESSER-NEWMARK 2.3.2.1 MBTODO DE ENGESSER 2.3.2.2 METODO DE NEWMARK 2.3.2.3 METODO DE ENGESSER-NEWMARK 2.3.3. MéTODO DE GALERKIN 2.3.4 METODO DE RAYLEIGH-RITZ 2.3.5. MéoD0 Dos ELEMENTOs FINrTos 2.3.5.1 MATRIZ DE RIGIDEZ TOTAL APROXIMADA 2.3.5.2 MatRiz DE RIGIDEZ TOTAL EXACTA 2.3.5.3 COMPARACAO ENTRE AS MATRIZES DE RIGIDEZ EXACTA B APROXIMADA 2.3.5.4 DISCRETIZAGAO DAS BARRAS E RESOLUCAO DO PROBLEMA DE ESTABILIDADE 2.3.6 EXEMPLOS DE APLICACAO 2.3.6.1 CoLUNAS NAO UNIFORMES 2.3.6.2. COLUNA COM APOIOS ELASTICOS 2.3.6.3. COLUNA SOBRE FUNDAGAO ELASTICA 2.3.6.4 ESTRUTURA RETICULADA SIMPLES PROBLEMAS PROPOSTOS 3, ESTABILIDADE DE PECAS LINEARES ESTRUTURAS RETICULADAS 3.1 COLUNAS 3.1.1 ESTABILIDADE ELASTICA 3.1.11 COMPRIMENTO DE ENCURVADURA 3.1.1.2 INPERFEIQoES GeomErRicas 3.1.2 EStABILIDADE ELASTO-PLASTICA 3.1.2.1 BIFURCAGAO DE EQUILIBRIO 3.1.2.2 IMPERFEIGOES GEOMETRICAS 3.1.2.3 TENsOES RESIDUAIS 3.1.3 REGRAS DE DIMENSIONAMENTO 3.1.3.1 Buroc6p1co 3 3.1.4 EXEMPLOS DE APLICAGAO 3.1.4.1 COLUNA BF-ARTICULADA NUMA ESTRUTURA SIMPLES 3.1.4.2 ESTRUTURA ARTICULADA 60 61 65 70 72 2B 4 80 81 82 88 92 95 99. 100 103 108 109 1s us 1s. 120 124 128 133 135 135 135 137 143 144 155 159 163 163, 168 168 170 © Micra 32 33 COLUNAS-VIGA 3.2.1 ESTABILIDADE ELASTICA 3.2.1.1 COLUNAS-VIGA SIMPLESMENTE APOIADAS 3.2.1.2 COLUNAS-VIGA COM OUTRAS CONDICOES DEAPOIO 3.2.1.3 ANALISE NUMERICA 3.2.2. ESTABILIDADE ELASTO-PLASTICA 3.2.2.1 ANALISE DA SECCAO TRANSVERSAL 3.2.2.2 ANALISE DA COLUNA-VIGA 3.2.3. REGRAS DE DIMENSIONAMENTO 3.2.3.1 EUROCODIGO 3 3.2.4 EXEMPLO DE APLICAGAO PORTICOs 3.3.1 ESTABILIDADE ELASTICA 33.11 BIFURCAGAO DE EQUILIBRIO 3.3.1.2 ANALISE DB 2." ORDEM 3.3.2. ESTABILIDADE ELASTO-PLASTICA 3.3.2.1 BIFURCACKO DE BQUILIBRIO 3.3.2.2 _ANALISEDE 2." ORDEM 3.3.3. REGRAS DE DIMENSIONAMENTO 3.3.3.1 EuRoooDiGo 3 3.3.4 EXEMPLO DE APLICAGKO PROBLEMAS PROPOSTOS 4, INSTABILIDADE POR FLEXAO-TORGAO 41, 42 43 44 ‘TORGAO DE BARRAS COM SECGAO DE PAREDE FINA ABERTA TENCURVADURA DE COLUNAS 4.2.1 REGRAS DE DIMENSIONAMENTO INSTABILIDADE LATERAL DE VIGAS 4.3.1 VIGAS DE SECGAO RECTANGULAR (PAREDE FINA) 4.3.2. VIGAS DE SECGAO EM I (DUPLA SIMETRIA) 4.3.2.1 INFLUENCIA DO TiPO DB CARREGAMENTO 43.2.2 INFLUENCIA DAS CONDICOES DE. APOIO 4.3.3. VIGAS DE SECGAO MONOSSIMETRICA 4.3.4 REGRAS DE DIMENSIONAMENTO 43.4.1 EUROCODIGO 3 (COMPORTAMENTO DE COLUNAS-VIGA 44.1 FLEXAORECTA 4.4.1.1 REGRAS DE DIMENSIONAMENTO 4.4.2. FLEXAO DESVIADA 4.4.2.1 REGRAS DE DIMENSIONAMENTO 4.4.3. EXEMPLO DE APLICACKO ‘PROBLEMAS PROPOSTOS eo Mecrawsttt foscs Goma, 174 175 175 182 190 197 197 209 212 212 212 230 234 234, 235 237 237 242 245 287 258 260 264 265 267 270 274 276 280 283 285 288 288 291 293 294 296 298 vili—Esmmnnane Esmaruna, 5, TEORIA DA POS-ENCURVADURA 5.1 COMPORTAMENTO INICIAL DE POS-ENCURVADURA 5.1.1. Sistemas Discretos 5.1.2, SisTEMAs ConTiNUOS 5.1.2.1 DETERMINAGKO DO CAMPO DE DESLOCAMENTOS RESIDUAL, DETERMINAGAO DA TRAJECTORIA DE EQUILIBRIO A(a) 5.1.2.3 ESTABILIDADE DAS TRAJECTORIAS DE EQUILIBRIO 5.2 INFLUENCIA DAS IMPERFEICOES GEOMETRICAS 5.2.1 ESTABILIDADE DO EQUILIBRIO ~ LeIs DE SENSIBILIDADE AS IMPERFEICOES 5.3 SISTEMAS COM ESTADOS NAO LINEARES DE PRE-ENCURVADURA 5.3.1 EXEMPLO— COMPORTAMENTO DE UM ARCO “ABATIDO" 5.4 DESENVOLVIMENTOS DA TEORIA DA POS-ENCURVADURA, PROBLEMAS PROPOSTOS 5.1.2.2 6. ESTABILIDADE DE ESTRUTURAS LAMINARES 6.1 INTRODUCAO 6.2 ESTABILIDADE DE PLACAS 6.2.1 ANALISE LINEAR DE ESTABILIDADE. 6.2.1.1 ENERGIA POTENCIAL 6.2.1.2 EQUAGOES VARIACIONAIS Dos MoDos DB INSTABILIDADE 6.2.1.3 TENSOES DE BIFURCAGAO E Mopos DB INSTABILIDADE 6.2.14 Mfropos Numiricos 6.2.2 POS-ENCURVADURA ~ SOLUCAO DE KOrTER, 6.2.2.1 6.2.2.2 ‘TENSORS NA FASE DE POS-ENCURVADURA CONCEITO DE LARGURA EFECTIVA 6.2.3. REGRAS DE DIMENSIONAMENTO 6.23.1 EuROCODIGO 3 6.3. ESTABILIDADE DE CASCAS CILINDRICAS 6.3.1 ANALISE LINEAR DE ESTABILIDADE. 63.1.1 FORMULAGAO ENERGETICA 6.3.2 POS-ENCURVADURA 6.3.2.1 EQUAGOES DE VON KARMAN-DONNELL ~PLACAS E CASCAS PERFEITAS 6.3.2.2 EQUAGOES DE VON KARMAN-DONNELL ~ PLACAS E CASCAS COM IMPERFEIGOES 307 310 313 314 318 319 324 330 332 337 338 34t 341 345 345 345 348 349) 353 364 368 370 371 378 382 382, 382 390 390 393 393 © Mcrae Ihre Gena. 6.3.2.3 ANALISE LINEAR DE ESTABILIDADE ATRAVES, ‘DAS EQUAGOES DE VON KARMAN-DONNELL 6.3.2.4 EXEMPLO DE APLICAGAO ~ PAINEL CILINDRICO ‘SUBMETIDO A COMPRESSAO UNIFORME 6.3.3. CARGA DE COLAPSO PROBLEMAS ProposTos ANEXO A. CALCULO DAS VARIACORS A.1_ CONCEITO DE FUNCIONAL. A.2 ESTACIONARIEDADE DE FUNCIONAIS ANEXO B TORCAO DE BARRAS COM SECCAO DE PAREDE FINA ABERTA B.l_ ToR¢ao UNIFORME B.2_ ToRGAO NAO UNIFORME B.3_ ENERGIA DE DEFORMACAO B44 EQUACAO DE EQUILIBRIO E CONDICOES DE FRONTEIRA ANEXO C A TEORIA DMV PARA PLACAS & CASCAS Cul RELAGOES CINEMATICAS C.2_ RELAQOES ConsTITUTIVAS C3 EQUILiBRIO C4 ENERGIA DE DEFORMAGAO ELASTICA ANEXO D_DESENVOLVIMENTOS EM SERIES DE TAYLOR, SOLUGOES DOS PROBLEMAS ProPosTos REFERENCIAS ‘iNDICE REMISSIVO secret 395 395 396 396 403 405 an 4n 412 ant 423 425 435 435 437 438 440 442 442, 445 447 4sT 459 SOBRE OS AUTORES Anténio Reis é licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico (1972) ¢ obteve © seu doutoramento na Universidade de Waterloo, Canadé (1977). & professor catedrético no Departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, onde desenvolve actividades de ensino e investigagio nas reas da Andlise, Dimensio- namento e Projecto de Pontes e Estruturas Metélicas. E também director técnico da empresa GRID - Consultas, Estudos e Projectos de Engenharia, L.s®, onde tem sido responsével pela concepgiio € projecto de vérias pontes, edificios e estruturas especiais, nomeadamente pontes constituidas por avangos sucessivos e pontes de tirantes, & ainda o representante nacional na ‘Comissio do Eurocédigo 3 — Estruturas de Ago, do “Comité Européen de Normalisation” (CEN). Dinar Camotim é licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico (1976) e obteve'o seu doutoramento na Universidade de Waterloo, Canadé (1985). E professor associado no Departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, onde desenvolve actividades de ensino e investigagao nas dreas da Mectnica Estrutural ¢ Anilise e Dimensionamento de Estruturas Metdlicas. E também o representante nacional na Comissio Técnica n.° 8 ~ Estabilidade Estrutural - da “European Convention for Constructional Steelwork” (ECCS) e membro do “Structural Stability Research Council” (SSRC). © MeGraetitt PREFACIO A concepgio estrutural pode ser definida como a arte do compromisso entre a seguranga, 2 economia ¢ a estética, Ao projectista compete encontrar a melhor forma de gerit © “conflito”, ou seja, identificar e resolver os problemas de compatibilidade entre as vérias exigéncias em jogo. O conceito de “esbelteza de uma estrutura’” ilustra, na perfeiglo, o com- promisso a que se fez referéncia: (i) por um lado, traduz e procura quantificar objectivos de natureza estética e/ou econémica; (i) por outro lado, permite avaliar 0 risco de “instabilidade” ¢, portanto, fundamenta a necessidade de efectuar determinadas verificagtes de seguranga. A Teoria da Estabilidade Estrutural ocups-se, precisamente, do estudo dos fenémenos que condi- cionam o comportamento e a seguranca das estruturas esbeltas. ‘O colapso de uma estrutura pode ocorrer, essencialmente, de dois modos: () rotara material ow Gi) instabilidade estrutural. O primeiro modo de colapso, cujo estudo € objecto da Mec&nica Estrutural ¢ da Resistencia de Materiais, ¢ adequadamente previsto através de consideracées de equilfbrio efectuadas na configuracdo indeformada da estratura. O mesmo nfio sucede com & ‘Previsio do colapso devido a instabilidade estrutural, a qual requer o estabelecimento de equagdes de equilbrio na configuracée deformada da estrutura e constitui o dominio da Estabilidade Estrutural. A obrigatoriedade de contabilizar a influéncia dos deslocamentos confere aos fen6- menos de instabilidade estrutural um cardcter intrinsecamente ndo linear, o qual dificulta signifi- cativamente a sua anélise, (Os fenémenos de instabilidade condicionam particularmente o comportamento das estruturas metélicas, o que se deve & elevada resistencia dos metais, nomeadamente do ago. Esta proprie- dade conduz, inevitavelmente, a concepedo de estruturas muito esbeltas e, consequentemente, susceptiveis de colapso por instabilidade. Nao admira, portanto, que os resultados obtidos através a Teoria da Estabilidade Estratural estejam na origem de um grande mimero de disposigées formulas de dimensionamento presentes em regulamentos ligados ao projecto de estruturas metélicas. © MGran it xw Eenoinioe Eun Com o presente livro, que surge na sequéncia do ensino de virias disciplinas da licenciatura em Engenharia Civil e do mestrado em Engenharia de Estruturas do Instituto Superior Técnico, pretende-se preencher uma lacuna existente no dominio das publicagGes, em lingua portuguesa, sobre Estabilidade Estrutural, especialmente no que respeita & sua aplicagio ao projecto de estruturas metélicas. Este objectivo é tanto mais importante quanto se tem observado, recen- ‘emente, um notével incremento da contrugéo metélica em Portugal, O contetido do livro reflecte « experincia profissional dos autores (a nfvel de ensino, de investigagéo, fundamental e aplicada, © de projecto) ¢ dé especial atengfo aos aspectos relacionados com a nova regulamentagao europeia de estruturas metélicas (Eurocédigo 3). Julga-se que tera grande utilidade, como livro de texto, em disciplinas dos whimos anos da licenciatura ou de pés-graduagéo nas éreas da Engenharia Civil e da Engenharia Mecinica, Pensa-se também que esta obra deverd interessar 408 projectistas de estraturas, como livro de referéncia e actualizagio profissional, na medida em que aborda os fundamentos das disposig6es regulamentares e contém exemplos de aplicactio a situagbes priticas, Relativamente ao contetido do livro, pretenderam 0s autores apresentar uma formulacéo unifi- ‘cada das andlises linear e niio linear (p6s-encurvadura) da Estabilidade Estrutural, procurando, na medida do possivel, utilizar uma linguagem que tome em consideragiio o perfil de formagao tipico de um projectista de estruturas. Procurou-se sempre exemplificar adequadamente a teoria apresentada e estabelecer uma relagao com problemas especificos de andlise e dimensionamento de estraturas. O livro encontra-se organizado em 6 capftulos e 3 anexos e inclu ainda, apés os anexos, um conjunto de referencias bibliogréficas agrupadas por capitulo. No final de cada capitulo, so propostos varios problemas de aplicagtio cujas solugdes se encontram nas tiltimas Paginas do livro. O livro inicia-se com um capitulo de carécter introdut6rio, no qual (i) se procura sensibilizar 0 leitor para a existéncia dos fenémenos de instabilidade estrutural, (ji) se introduzem os conceitos fundamentais da Teoria da Estabilidade Estratural e (iii) se definem e ilustram os varios tipos de andlises nio lineares. No Capftulo 2, apresenta-se uma formulagio geral da andlise linear de estabilidade, a qual conduz & determinago de cargas de bifurcagio e modos de instabilidade. Estudam-se, separadamente, sistemas estruturais discretos ¢ continuos ¢ apresentam-se varios métodos aproximados (numéricos) de anélise, os quais “transformam’”, efectivamente, sistemas continuos em discretos. No Capitulo 3, utilizam-se os resultados da andlise linear de estabilidade para descrever e estimar 0 comportamento plano de pegas lineares e estruturas reticuladas (Pérticos ¢ estruturas articuladas), Introduz-se 0 fenémeno de instabilidade em regime elasto- -pléstico interpretam-se regras de dimensionamento e disposigdes regulamentares relativas aos tipos de estruturas considerados. No Capitulo 4, aborda-se a estabilidade de pecas lineares cujo comportamento envolve flexio e torgo, sendo, portanto, tridimensional, Estuda-se a encur- vvadura por flexio-torgio de colunas ¢ a instabilidade lateral de vigas e discutem-se as disposigses eo MeGrom tat Prerkco do Euroctigo 3 relacionadas com este tipo de fendmenos. O Capitulo 5 comega por apresentar a formulagdo de uma teoria geral, devida a Koiter, a quel permite determinar o comportamento injcial de pés-encurvadura de estruturas com instabilidade bifurcacional e fornece os funda- mentos para uma anélise da influéncia da presenga de imperfeigtes geomeétricas (sensibilidade as imperieigoes geométricas). Finalmente o tiltimo capitulo debruga-se sobre a estabilidade de estruturas laminares, nomeadamente places ¢ cascas cilfndricas, & luz dos resultados da anélise linear de estabilidade e da teoria da pés-encurvadura, Em particular, aborda-se (i) areserva de resisténcia p6s-critica das placas ¢ (ii) a grande sensibilidade exibida pelas cascas cil{ndricas as imperfeigdes geométricas, Discutem-se regras de dimensionamento e disposigbes regulamentares respeitantes a este tipo de estruturas,introduzindo-se, nomeadamente, o importante conceito de “largura efectiva de uma placa”, Por tltimo, os ts anexos apresentam, sucintamente, varios conceit utilizados, com alguma frequéncia, a longo de um ou mais capitulos do livro. Contém, designadamente, nogSes (i) de célculo das variagées, (ii) de torglio nfio uniforme e (iii) de teoria de placas e cascas, Os autores aproveitam a oportunidade para manifestar 0 seu reconhecimento ao Prof. Eduardo Arantes ¢ Oliveira, a quem devem o gosto pelas actividades de ensino e investigagio, e a0 Prof. John Roorda, cuja orientagio cientifica esté na crigem do entusiasmo e fascinio pelos problemas de estabilidade que tornaram possfvel este ivro, Finalmente, agradece-se & Cristina Ventura e ao Jorge Leite Fernandes o excelente trabalho realizado, respectivamente, na dactilografia do texto e na execuco das figuras. ANTONIO REIS ‘DINaR CAMOTIM OMG Hit CAPITULO 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS 11 InTRoDUCAO. Na anilise, dimensionamento e projecto de estruturas, a nogio de “estabilidade” aparece sempre associada ao conceito de equilfbrio, na medida em que é utilizada para classificar “configuragbes de equilforio”. Assim, admita-se que uma estrutura, submetida a um sistema de forgas exteriores, exibe uma configuragio de equilibrio caracterizada pelos valores dos desloca- mentos dos seus pontos. A estabilidade dessa configurago pode ser avaliada através do com- portamento da estrutura, apés sofrer uma “perturbacdo” causada por uma pequena acgao exterior (eg. forga) arbitréria ~ a configuragao de equilibrio diz-se “estavel” ou “instével” consoante a estrutura a ela regresse ou nfo, quando cessa a perturbagao, A estabilidade do equiltorio 6 um conceito bésico da Mecénica dos Corpos Rigidos, o qual pode ser facilmente visualizado e intuitivamente apreendido através de um problema classico, ilus- trado na Figura 1.1. Trata-se de uma esfera rigida, submetida & ac¢fio do seu peso préprio e em repouso sobre (i) uma superficie cOncava (equilibrio estével), (i) uma superficie convexa (equi- Iforio instével) ou (ii) uma superficie horizontal (equilfbrio neutro) [1.1]. A generalizagko & aplicagio deste conceito ao equilfbrio de “sistemas estruturais deforméveis”, nomeadamente estruturas com comportamento eléstico ou elasto-plstico, constitui o principal objective da ‘Teoria da Estabilidade Estrutural, ONC it Set KO’. pene errr PENNER Conceito de estabilidade do equiitrio. (@) Equilfrioestavel. — (b) Equilibrio instével. (© Equilrio neuro. O projecto de uma estrutura nfio pode basear-se unicamente em conceitos de seguranga relacionados com a resisténcia e deformabilidade dos seus elementos, especialmente no caso de estruturas “esbeltas” (i.e., estruturas com “geometrias limite”, no sentido de conterem pouco material ~ e.g., estruturas metélicas, pilares de pontes, etc.). E indispensdvel considerar também fenémenos que envolvem conceitos de estabilidade, quer dos préprios elementos, encarados isoladamente, quer de toda estrutura, analisada no seu conjunto, Estes fenémenos designam-se, genericamente, por “fenémenos de instabilidade estrutural”. Hoje em dia, a verificagio de seguranca de uma estrutura é efectuada com base no “método dos cestados limites”, estados limites esses que esto associados a situagées (i) de “colapso global ou local” (estados limites siltimos) ou (fi) de “servigo ou exploragao deficientes” (estados limites de utilizagdo), Obviamente, os fenémenos de instabilidade estrutural correspondem sempre a situagBes de estado limite dltimo — estado limite de instabilidade. Refira-se, no entanto, que, na terminologia portuguesa ligada ao projecto de estruturas, a palavra “encurvadura”®) tem sido adoptada como um termo geral para designat os fenémenos de instabilidade estrutural, indepen- dentemente da sua natureza espectfica e do tipo de estrutura em que ocorrem (barras, placas, ccascas, etc.). Deste modo, é frequente empregar-se também a designagao “estado limite de encurvadura’”, Apesar da utilizago genérica do termo encurvadura, a regulamentagio portuguesa de projecto de estruturas tem igualmente adoptado designagdes especificas para fenémenos de instabilidade estrutural particulares. Assim, tem-se designado (i) a encurvadura (por flexiio) de colunas por “varejamento"® (ii) a encurvadura lateral (por flexio-torgio) de vigas por “bambeamento"® ¢ Gii) a encurvadura das placas que constituem as vigas de alma cheia por “enfunamento”®, (© “Buckling” € a designagio englo-saxénica ¢“flambement” a designarto francesa. ‘© “Buckling” é a designagZo anglo-saxénica e “flambement” a designagao francesa ‘© “Lateral tersional buckling” é a designagio anglo-saxénica e "déversement” a designagio francesa. (9 “Voilement” 6a designaggo francesa, © McGraw Ha CAPITULO 1: Concertos E FeNoauexros Neste ultimo caso, trata-se de um fenémeno classificado como de “encurvadura local”), 0 qual ecorte em elementos metlicos constituidos por chapas (i.., placas finas carregadas no seu proprio plano e, portanto, - submetidas a estadlos de tensiio planos). A considerago de fen6- menos de encurvadura local ¢ da maior importancia para 0 dimensionamento de estruturas ‘metlicas constitufdas por elementos com secgo de parede fina, i.e., formada por chapas es- beltas. Sio exemplos de elementos com estas caracteristicas (i) os perfis soldados de grandes dimensées ¢ (ii) os perfis enformados a frio. 12 FENOMENOS DE INSTABILIDADE ESTRUTURAL 1.2.1 ESTABILIDADE DO EQUILIBRIO O estado (configuragio) de equilforio de uma estrutura sujeita a uma determinada “aegio"® pode ser “estével” ou “instdvel”. Para ilustrar e clarificar este conceito, recorde-se ‘bem conhecido problema da “coluna de Buler” [1.2] ~ coluna eléstica de comprimento , sim- plesmente apoiada e submetida a uma carga axial P (Figura 1.2(a)). As trajectérias de equilforio. da coluna estio representadas na Figura 1.2(b), onde q 6 o valor do deslocamento transversal a rmeia altura (q = w(E/2)). Coluna de Baler (2) Geometria ecarregamento. (6) Trajectérias de equilbrio, ("Local buclling” é 2 designagto anglo-saxénioa e “voilement” a designaggo francesa, (© “Causa capaz de alteraro estado de tensto de uma estratura”. OMeGraw tit Eqysuane EsnureRa Observa-se que, numa das traject6rias, se tem q = 0 (“traject6ria fundamental” — w(x) = 0) ena outra q #0 ("“traject6ria de pés-encurvadura” — w(x) # 0). As duas traject6rias intersectam-se ‘no ponto definido por q= Oe P= Pp, 0 que significa que nesse ponto ocorre uma “bifurcagao de-equilforio”, Sabe-se j6, da Resisténcia de Materiais (1.3], que P, se designa por “carga critica de Euler”, vale EL aa an esté associnda ao modo de instabilidade w(X=q wen an A grandeza ETé arigidez de flexio da secglo transversal da colina, sendo E 0 médulo de elasti- cidade de material e Zo momento principal de inércia da secgio em relagio ao eixo de flexto considerado. O ponto onde as duas trajectorias se intersectam designa-se por “ponto de bifur- cago” e corresponde a um “estado de equilibrio critico” da coluna, Considerem-se agora trés estados de equilfbrio da coluna, representados na Figura 1.2(b) pelos pontos A, Be C e caracterizados pelas coordenadas q e P. Os dois primeiros (A e B) esto sobre a trajectéria fundamental e 0 terceiro (C) sobre a traject6ria de pés-encurvadura, correspondendo B eC ao mesmo nivel de carregamento. Admita-se que, em cada estado de equilfbrio, se “perturba” a coluna através da aplicagao de uma forga elementar 8F, como mostra a Figura 1.3, ‘ \ oF oe wix)mqsen BE (oomqeen 7 Configuragées de equilforio da coluna de Euler. (a) Equiltoio estivel. (6) Equilforio instével. (c) Equilibrio estavel OMeCrae Hi CAPITULO 1: Concenose Fomamnres No ponto A (q= 0 P < P, ~ Figura 1,3(a)), observa-se que, apés a perturbago, a coluna “regressa'"& configuracio inicial, o que significa que o equilibrio é estével. No ponto B (q = 0 © P> Pg Figura 1.3(b)), por outro lado, observa-se que a coluna “se afasta” da configuragao inicial, o que significa que 0 equilibrio é instdvel. Pode mostrar-se que, neste tiltimo caso, a pertur- bagdo “conduz” a coluna & configuragiio de equilfbrio C, conforme est ilustrado na Figura 1.4, Se, posteriormente, se aplicar uma nova perturbaco a estrutura, em C (g #0.¢ P > Py Figura 1.3(¢)), verifica-se que o equilibrio é estdvel, | ore ’ ' I 1 1 1 1 1 (c) o/ \ “Transigo da colna Ge Euler entre dois estas de equlorio “fasts” (de estado indeformado inséve! para estado deformado exe!) ‘A Figura 1.5 mostra as caracteristicas do comportamento geometricamente nfo linear da coluna de Euler, descrito nos pardgrafos anteriores, Representan-se as trajectérias de equilibrio, assinala- -s6 0 ponto de bifurcagdo e identificam-se as configuragdes de equilibrio estaveis (cheio) ¢ ins- taveis (tracejado). 1.2.2 TIPOS DE INSTABILIDADE ESTRUTURAL A instabilidade de uma estrutura que evolui ao longo de uma determinada trajec- {ria de equilibrio (relago carga-deslocamento) corresponde & transicdio entre configuragdes de equilfbrio estaveis e instéveis, Essa instabilidade pode surgir de dois modos: @ — Ocorréncia de uma bifurcagdo de equilfbrio, fendmeno designado por instabilidade bifurcacional (ver Figura 1.6). © Metra Benansmane Esmee, Trojectéria fundamental Gstéve!) Bifurcagso do. equi. Trojeet6ria tundomental (estdvel) ‘Comportamento da coluna de Euler. Gi) Ocorréncia de um ponto limite, Le., de um ponto onde a trajectéria de equilfbrio (niio linear) tem derivada nula, Se a carga for aumentada, a estrutura “passa”, dinamica- ‘mente, para uma configuragio de equilfbrio afastada (ver Figura 1.10). Este fenémeno designa-se por instabilidade por ponto limite ou instabilidade por “snap-through", Descrevem-se em seguida as caracteristicas destes dois tipos de instabilidade estrutural. Para ilustrare clarficar os conceitos envolvidos, abordam-se, de um modo necessariamente intutivo, algumas estruturas de wtilizagto corrente cujo comportamento é susceptivel de ser condicionado pela existéncia de configuracdes de equilfbrio instéveis, Finalmente, refira-se, ainda, que, na Seco 1.3.1 (p. 16), se analisardio dois modelos estruturais simples (um grau de liberdade), os quais exibem, respectivamente, instabilidade bifurcacional ¢ instabilidade por “snap-through”. 1.2.2.1 INSTABILIDADE BIFURCACIONAL A Figura 1.6 mostra um diagrama carge-deslocamento genérico que ilustra, esque- maticamente, os conceitos essenciais envolvides num problema de instabilidade bifurcacional. arbitrdrio. Recorde-se que estes conceitos foram jé introduzidos em Estabilidade do Equilibrio (P. 3), quando se abordou o comportamento da coluna de Euler. © Termo anglo-sax6nico de dffcl wadugEo em lingua portuguesa (“fenmenos de passagem” € uma designagio possfvel para fendmenos de “snap-through”). © Necrow tt CAPITULO 1; Concerose Funoqums Trojectévio tundomentat (nstével) Trajectério de pésrencurvedure Ponto 6e bifureagéo Trajectéria fundamental (estével) DDesiocomento HRDOENIEN sesitacetitrecina Um problema de instabilidade bifurcacional ¢ caracterizado pela existéncia de: ( ~ Uma trajectéria de equilforio fundamental (linear ou néo linear), que se inicia na origem do diagrama carga-deslocamento. Uma traject6ria de equilfbrio de pés-encurvadura, que néo passa pela origem do diagrama carga-deslocamento. ‘Um ponto de bifurcagao, que corresponde & intersecedo das duas traject6rias e no qual ‘as configuragées de equilibrio da trajectoria fundamental passam de estéveis a instéveis. A anélise de um problema deste tipo envolve a determinagao (i) das coordenadas do ponto de bifurcago (nomeadamente a ordenada, designada por “carga de bifurcagiio”), (ii) da confi- ‘guragio deformada exibida pela estrutura quando ocorre a bifurcago (“modo de instabilidade”) © (ii) das propriedades da trajectéria de pés-encurvadura (sobretudo na vizinhanga do ponto de bifurcaco). B ainda importante chamar a atengdo para o carécter “abrupto” da instabilidade bifurcacional, co que se traduz pelo facto de os deslocamentos que “definem” o modo de instabilidade de uma estrutara (¢.g., 08 deslocamentos transversais, no caso da coluna de Euler) (i) nfo estarem pre~ sentes na trajectéria fundamental e (i) surgirem, subitamente, quando ocorre a bifurcaga0. Deste modo, 86 6 possfvel detectar um fenémeno com estas caracterfsticas através de uma andlise estrutural que incorpore (ou, melhor, “antecipe”) o aparecimento desses deslocamentos ~ é 0 que sucede, por exemplo, na coluna de Euler, em que as equagées de equilforio sio estabelecidas numa configuragio deformada que inclui os deslocamentos devidos & flexio. OMeGrowtitt Eonmumor Een Apresentam-se agora alguns resultados relativos a estruturas de utilizagdo corrente que exibem instabilidade bifurcacional, os quais sero obtidos posteriormente (nos Capitulos 5 e 6, essencialmente), por meio de anélises rigorosas. Para além de ilustrar este comportamento estru- ‘ural, pretende-se também transmitir uma ideia do tipo e aplicago dos restiltados a que € possfvel chegar através da utilizagio dos prinefpios e métodos da Teoria da Estabilidade Estrutural, Comega-se por considerat a coluna de Euler, recordando que a carga de bifurcagao eo modo de instabilidade so dados, respectivamente, por (1.1) e (1.2)..No que respeita & traject6ria de pés- -encurvadura, pode mostrar-se que, na vizinhanca do ponto de bifurcagao (pequenos deslo- camentos, i-e., 9 << 1 = “dominio inicial de pés-encurvadura”), ela é razoavelmente aproximada pela pardbola A P 1(x Peis 5) 2, ay m8 ( a) representada na Figura 1.5 e onde o parmetro q se designa por “amplitude do modo de insta- bilidade” da coluna. Considere-se agora a coltna tubular metdlica representada na Figura 1.7, a qual est sujeita a uma carga axial P. As paredes da coluna, por sua vez, esto submetidas a uma tensio axial de ‘compressto uniforme, de valor o= PIA, onde A € a érea da secgo transversal. O colapso da ‘coluna pode ocorrer por instabilidade das chapas que constituem as suas paredes (ver Figura 1.7), bastando para isso que a tensio aplicada atinja um determinado “valor exitico” 0, TEEDEEEGIE tone ote de predefined nel © McGrail CAPITULO 1: Concerose Furnmexros ‘Trata-se de um fenémeno de “instabilidade local”, o qual consiste na encurvadura das placas que constituem as paredes da coluna (placas submetidas a compressio axial uniforme). Tal como sucede no caso da coluna de Euler, () a trajectéria fundamental de um placa comprimida (confi- gurago de equilfbrio plana) ¢ instavel para o> 0, (i) existe uma traject6ria de pés-encur- vadura estivel, Este comportamento estéilustrado na Figura 1.8, onde estiio representadas as trajectérias de equilfbrio de uma placa quadrada (lado b e espessura ), simplesmente apoiada em todo 0 contomno e submetida a compressio uniforme. \__reejectéio fundemental (etével) ‘Trajectrias de equlforio de uma placs comprimida, Mostrar-se-4, no Capitulo 6, que o modo de instabilidsde da placa tem a forma me sen= sen as wy) 7 ey (um semi-comprimento de onda em cada direcgio ~ ver Figura 1.8) e que a tenso critica cor- respondente vale ee (t y as d-v)\b)” onde Ee v sii, respectivamente, o médulo de elasticidade ¢ o coeficiente de Poisson do material. Quanto & trajectéria inicial de pés-encurvadura, ela é dada pela expressfio 2 Zevde-v(2) a6 OMG 10 A comparagio de (1.6) com (1.3) ¢a observagio das Figuras 1.5 1.8 permite constatar que tanto a coluna de Euler como a placa comprimida exibem uma traject6ria inicial de pés-encurvadara parabélica e estavel. Note-se, no entanto, que, apesat da semelhanca qualitaiva dos dois compor- tamentos, existe uma diferenga quantitativa considersvel (a curvatura da traject6ria da placa € bastante mais acentuada), o que explica a raziio pela qual se diz que as placas (colunas) pos- suem uma elevada (pequena, ie., desprezavel) “resisténcia de pés-encurvadura”, Para ilustrar este facto, observe-se que deslocamentos q = 0,1 € (colana~ 10% do vio) € q=# (placa ~ espessura) implicam, respectivamente, aumentos de 1,2% na carga (P = 1,012 P;) ¢ de 34% na tensio (o=1340,). Ao contrério do que sucede com as colunas ¢ as placas, a traject6ria inicial de pés-encurvadura de uma casca é, em geral, rectilinea e apresenta urn trogo instével, Esta afirmac&o esté ilustrada na Figura 1.9, onde se mostram as trajectérias de equilfbrio de um painel cilfndrico (espessura f,raio de curvatura R, comprimento e largura b) de grande curvatura (valor de 1/R elevado),simplesmente apoiado em todo o contorno e submetido a uma compressio axial uniforme. { | Wrejectésa fundomanta 7 (tive) Trojectea de ps-oncurvodura (eetsva) AC clieietirio de pés-aneunedure al Costéve) Trojeete tundemertel : {estbve) Mostrar-se-4, também no Capitulo 6, que © modo de instabilidade do painel cilfndrico tem, aproximadamente®, a forma m , y= qsen= sen™ on w(x y)= q sen sen > © A configuracio dfinida pela expresso (1.7) ¢uma aproximagio do verdadero modo de instabilidade, conforme se verd no Capitulo 6, © Mecraw Hitt CAPITULO Concutare Funowseres (um semi-comprimento de onda nas direegGes longitudinal e circunferencial) ¢ que a tensto critica correspondente vale Oe 7 2 ba 4) +64), on 304) \B, onde 6 é um pardmetro que traduz a curvatura do painel, definido através de as A traject6ria inicial de pés-encurvadura é agora dada por 2 10 Co 3a? Row, a aay ‘expresséo que representa, no plano o~ q, uma recta inclinada (ver Figura 1.9). Note-se que, quando R ~» «, (I) a expressao (1.10) tende para (1.4), ie., para o valor de ¢,, corespondente 2 placa. (i) a incinagio da trajectéria de pés-encurvadura tende para zero, valor igual ao obtido apartir de (1.6). Observe-se que, devido a natureza do deslocamento escolhido para figurar no eixo das abcissas (amplitude do modo de instabilidade), as traject6rias fundamentais dos trés problemas consi- derados (Figuras 1.5, 1.8 ¢ 1,9) coincidem todas com os respectivos eixos das ordenadas (i.e. 1 deslocamentos sio nvlos, independentemente do nivel de carregamento). Com a apresentago dos exemplos anteriores pretendeu-se apenas ilustrar e mostrar o interesse pratico do fen6meno da instabilidade bifurcacional. Muito embora se tenham referido unica- mente problemas de instabilidade em regime eléstico, 6 conveniente chamar a ateng&o para 0 facto de, na maior parte das estruturas (nomeadamente nas estruturas metélicas), o colapso ocorrer devido a uma interacgdo entre fenémenos de instabilidade (no linearidade geométrica) e plasticidade (no linearidade fisica). Por outras palavras, o colapso dé-se por “instabilidade em regime elasto-plastico”. Finalmente, refira-se novamente que os modemos regulamentos de estruturas (metilicas ou de betdo armado) tratam a seguranga em relacdio aos fenémenos de instabilidade através da verif- cago do “estado limite de encurvadura”, 0 qual esté inclufdo no grupo dos “estados limites ‘ltimos” (ELU), Para efectuar essa verificagio de seguranga, € necessécio saber definir a “carga ‘ltima” de uma estrutura associada a0 colapso por instabilidade eldstica ou elasto-pléstica © MeGraw tt un 12 tenonmuoe Ermer 1.2.2.2 INSTABILIDADE POR “SNAP-THROUGH” Na Figura 1, 10 esté representado um diagrama carga-deslocamento que mostra, ‘esquematicamente, os aspectos essenciais de um problema de instabilidade por “snap-through”, Corge Ponto tite *Snop’ Trajectére de equifbrio Deslocamento TENET] | tostabitidade por “snap-through". ‘Um problema de instabilidade por “snap-through” & caracterizado pela existéncia de: @ Uma trajectéria de equilibrio ndo linear, que se inicia na origem do diagrama carga- ~-deslocamento, i) Um ponto limite, que corresponde ao anulamento do declive da traject6ria de equi- Mfbrio e no qual as configuragbes de equilfbrio passam de estaveis a instéveis. Git) Um fenémeno de “snap”, que ocorre quando a estrutara se encontra no ponto limite e ésubmetida a um (ligeiro) aumento de carga. Consiste este fenémeno na “passagem q>h) e este “passa” para o ponto B. iii) Se, postericrmente, o carregamento sofrer uma diminuigio, 0 arco evolu ao longo da trajectéria de equilibrio (sentido descendente) até se atingir um outro ponto limite (C). (@¥) _Se,no ponto C, a carga sofrer uma (ligeira) diminuigfo, ocorre novamente uma mudanga sibita do sinal da curvatura do arco (q > h > q e*) para a trajectéria de pés-encurvadura do sis- tema perfeito. Esta expressio apresenta ainda a vantagem de conduzir a solugdes analiticas (aproximadas) para qe ¢ Ae. De facto, introduzindo (1.38) em (1.36) vem qe a Omron CAPITULO 1: Conceress Fuxoanentos A= Mae) =1-: aan 2 Verifica-se, assim, que as imperfeigdes iniciais reduzem a carga de instabilidade do modelo perfeito, “transformando” o ponto de bifureaco em pontos limites. A equagio (1.40) traduz quantitativamente essa redugdo e designa-se por “lei de sensibilidade &s imperfeigdes”. A titulo de exemplo, refira-se que uma inclinaggo inicial da barra AB de cerca de 2° (¢ = 0,035) provoca uma reduglo de aproxi- madamente 16% (A = 0,84) na carga de instabilidade, E importante mencionar que nem todos os sistemas estruturais cuja instabilidade 6 bifurcacional sfo sensiveis as imperfeigdes geométricas, no sentido em que a presenga destas conduz a uma redugo da carga de instabilidade. Por exemplo, ‘a observacio da Figura 1.16 mostra que (i) tanto a coluna como a placa no so sensiveis as imperfeigées e que (i) o painel cilindrico exibe sensibilidade as imper- feig6es (positivas). Volta a chamar-se a atengo para o facto de as caracteristicas da traject6ria de pés-encurvadura de um sistema estrutural perfeito permitirem identi- ficar a nanureza da influéncia que as imperfeigGes geomeétricas tém no seu compor- tamento, 1.3.2.2. INSTABILIDADE POR “SNAP-THROUGH” No caso de a instabilidade de um sistema estrutural ocorrer por “snap-through”, vviu-se na p. 12 que uma anflise de estabilidade exacta fomece o andamento da sua traject6ria de equilorio (nto linear), a partir do qual se podem obter as coordenadas dos respectivos pontos limites, nomeadamente o valor da carga de “snap”. Relativamente 8s andlises aproximadas utiizadas neste tipo de problemas, é conveniente referir, antes de mais, que nfo faz agora qualquer sentido falar em “anélise linear de estabilidade”. De facto, a linearizago das equagées de equilfbrio conduz sempre a uma “andlise linear de estruturas” e, portanto, implica o “desaparecimento” do fenmeno da instabilidade por “snap- through”. ‘Tal como no caso das anélises de pés-encurvadura, (i) é indispens4vel considerar termos néio lineares nas equagdes de equilfbrio ¢ (ii) a preciso dos resultados obtidos depende da ordem a partir da qual os termos so desprezados. © Mera Ha 29 30 ‘EstasmapAbe ESTRUTURAL, Exemplo Ilustrativo Considera-se novaments 0 modelo estrutural representado na Figura 1.15(b), cujo comportamento & descrito (exactamente) pela equagao de equilforio (1.22). Uma anflise de estabilidade aproximada corresponde a “‘substituir” essa equago por coutra mais simples, £e., a considerar apenas termos de ordem inferior aum deter- ‘minado nfvel, Recordando que o valor de a:é pequeno (modelo de um arco “abatido”), tomando em considerago os desenvolvimentos em série sen(ar~8)=(a-~8)~Har~ 0)" + te(a~0) = (a~0)+2(a~6) 4 aan, coset desprezando termos de ordem superior a 63, 26%, 026 ¢ a3, a equagio (1.22) pode ser aproximada por P= KL6(a-6) (20-6). aay Esta equagio ¢ um polinémio do 3.° grau (em 6), para valores de re 6suficien- temente pequenos” (validade das relag6es (1.41)), fornece valores praticamente exactos. Em particular, observe-se que, tal como (1.22), também (1.42) permite concluir que, nas configuracdes @= 0, 0= ce O= 20, s6 existe equilibrio se P= 0. O valor da carga de “snap” é agora dado por ap WB-1 2 feoe 0-82 al = 3, SRO 8 =A lmenor valoy > Rese Kea? — ww Para se fazer uma ideia do grau de preciso desta expresso aproximada, refira-se que, para a ~ 30° (= 0,523 rad), os valores fornecidos pelas equagées (1.24) € (1.43) séo, respectivamente, P, = 0,05511 Ké e P, = 0,05506 K¢ (erro de cerca de © MsGrew Hh CAPITULO 1: Conceros s FunowerTos 14 CRITERIOS DE ESTABILIDADE Designam-se por “critérios de estabilidade” as condigdes através das quais é possivel identificar a estabilidade ou instabilidade de configuragbes de equilforio de sistemas estruturais. Deste modo, a utilizago desses critérios permite detectar a ocorréncia de fendmenos de instabi- Tidade ao longo das traject6rias de equilfbrio que descrevem 0 comportamento dos sistemas. Existem, essencialmente, dois tipos de critérios de estabilidade, nomeadamente (j) os critérios dindmicos e (i) 0s critérios estdticos. A utilizagdo dos primeiros, que so os mais gerais, envolve © estudo do comportamento din&mico (caracterfsticas do movimento) do sistema estrutural, ‘na vizinbanga da configuracio de equilforio em andlise e apés a actuago de uma “pequena pperturbagao” (e.g., forga ou deslocamento inicial de pequeno valor). Uma configuragio de equi- Iforio diz-se estével se as vibragdes do sistema petmanecerem limitadas no tempo, ¢ instavel 10 caso contrétio. Os critérios dindmicos assumem uma importincia fundamental na andlise da existncia de fen6- menos de “instabilidade dindmica”, cujo estudo esté, no entanto, fora do ambito deste livro. Efectivamente, consideram-se aqui apenas os fenémenos de instabilidade que ocorrem em con- figuragies de equilfbrio estdtico, os quais podem ser detectados por meio dos critérios estéticos. Refira-se, ainda, que, em “problemas conservativos” (ver seccdo seguinte), & possivel demonstrar que os crtérios estéticos e dinamicos so equivalentes (ce., conduzem aos mesmos resultados) 11.2, 1.5}. 14.1 PROBLEMAS CONSERVATIVOS Um problema de andlise estrunaral diz-se “conservativo” se as forgas envolvidas, tanto exteriores (aplicadas) como interiores (esforgos, tensées), forem todas conservativas. Sabe- -s¢, da Fisica, que um “campo de forgas” aplicadas a um dado sistema se diz.conservativo se 0 trabalho por elas realizado, quando o sistema evolui entre duas configurag6es arbitrérias A eB (vet Figura 1.21), nfo variar com a trajectéria seguida, Deste modo, 0 trabalho realizado por uma forga conservativa # entre quaisquer duas configuragdes A ¢ B depende apenas da “localizagio” dessas mesmas configuragbes ¢, portanto, tem-se (ver Figura 1.21) Fedr=|_ Rar, aay, ‘onde Ce C’ representam duas traject6rias, arbitrérias e distintas, entre Ae B, © MeGrae 31 32 PEEIEIED) ttatoreaizado por uma orga consernatva ene Ae B, E bem conhecido, da Andlise Matemética, que o valor do integral que figura em (1.44) s6 pode ser independente da traject6ria seguida se o produto interno F-dr (trabalho elementar dW) for igual A variag8o clementar de uma fungdo V (diferencial dV), a qual se designa por “potencial” da forga F, Diz-se, entio, que F-dr € uma “diferencial exacta” ¢ estabelece-se, por conven- go, que Fdredw=-dv. a4) Substituindo (1.45) em (1.46), obtém-se Wap =~(Vp~Va)= V4 Vp" a4 onde V, ¢ Vp so os valores do potencial de F nas configuracées A eB, o que significa que 0 trabalho realizado por F é igual ao simétrico da variago do valor da respectiva energia potencial entre as configuragbes final e inicial. Os campos de forgas exteriores devidas a acgdo da gravidade (forgas graviticas) ¢ do atrito (forgas de atrito) constituem exemplos clissicos de forgas aplicadas conservativas e no conser- vativas, respectivamente, ‘No que respeita as forcas interiores (esforgos, tensbes), sabe-se da Mecfinica dos Meios Continuos ‘que, num sistema constitu(do por materiais eldsticos, existe uma fungo designacia por “energia de deformago” e, normalmente, representada por U. Essa fungto, cujo valor depende apenas da configuragio (estado de deformago) do sistema, desempenha precisamente o papel de “potencial do campo de forgas interiores”, na medida em que a sua variagio € igual ao trabalho realizado por estas forcas (desde a configuragao indeformada do sistema), Este facto estd ilus- OMeCraw CAPITULO % Concatoss Fumpuuanros trado na Figura 1.22, onde se representa a relago entre duas componentes arbitrarias de tenszio e deformago, num “ponto” (elemento de volume) genético de um sistema eléstico, Designando por U* a densidade de energia de deformago por unidade de volume, tem-se Ure [2 avr |" ode, aun onde o valor da variago elementar dU* & dado pelo trabalho elementar realizado pela compo- nente de tensdo (4rea tracejada na Figura 1.22). Deformagto & Deasidade de neg de deforma, 1.4.11 ENERGIA POTENCIAL De tudo aquilo que foi dito atrés, conclui-se que, num problema conservativo (sistema élistico actuado por forgas conservativas), 6 sempre possivel definir uma energia potencial total V, expressa por = U+Ve as) onde (i) U €a energia de deformagio do sistema e (ii) V, é o potencial das forgas exteriores. Ovalor de V, € dado pelo simétrico do trabalho realizado pelas forgas exteriotes, supostas cons- Jantes com o seu valor final, para levar o sistema da configuracao inicial (indeformada) a confi- guragto final (deformada), OMGraw Hat 3B 34 [Erastnane Esa, 142 CRITERIOS ESTATICOS Os critérios estéticos mais frequentemente utilizados na andlise de estabilidade de problemas conservativos sio (i) 0 “critério do equilfbrio adjacente” ¢ (ii) 0 “ctitério energético”, Ein seguida, descreve-se, identifica-se o dominio de utilizagao e ilustra-se a aplicagéo de cada um destes critétios. 142.1 CRITERIO DO EQUILEBRIO ADJACENTE O critério do equilfbrio adjacente s6 pode ser utilizado na anélise de sistemas estruturais que exibem instabilidade bifurcacional. A sua aplicago corresponde a efectuar uma andlise linear de estabilidade e, portanto, permite determinar as cargas de bifurcago e os modos de instabilidade do sistema. Segundo este critério, investiga-se, a0 longo da trajectéria fundamental, a possfvel existéncia de ‘uma configuragio de equilfbrio adjacente, Le., 20 mesmo nfvel de carga e tZo préxima quanto se queira da configurago fundamental considerada. 0s valores da carga para 0s quais existe uma configurngo adjacente de equilforio so as “cargas, de bifurcagio” do sistema e as “formas” dessas configuragses so 0s correspondentes “modos, Ge instabilidade”, Provar-se-4, no Capitulo 2, que as configuragdes da trajectéria fundamental passam de estveis a instaveis 20 nfvel da menor carga de bifurcaggio, & qual, por esse motivo, se dé o nome de “carga critica de bifurcagio”. Exemplo Iustrativo Na Figura 1.23 mostra-se uma configuragio adjacente do modelo estrutural representado na Figura 1.14, a qual é definida por u = f (i to pequeno quanto se queira). Pretende-se determinar os valores da carga P para os quais essa configuracio € de equilfbrio. ‘Sabe-se, da Resisténcia de Materiais e da Andlise de Estruturas, que as condigdes de equilforio de um sistema estrutural podem ser formuladas de varias formas distintas, nomeadamente através (i) do equilfbrio de forgas, (ii) do Princfpio da Estacionariedade da Energia Potencial (PEEP) ou (iii) do Princfpio dos Trabalhos Virtuais (PTV) {1.6}. Para ilustrar esse facto e clarificar os conceitos envolvidos, apresentam-se aqui as resolugdes do problema correspondentes a cada uma destas vias. OMCs CAPITULO t: ConconoseFpaniires 35 ail (@ pequenc) Configurayio adjacente do modelo estrtural @) — Equittbrio de forcas Estabelecendo o equilfbrio de momentos no ponto A (ZM, = 0), vem Pa-Ka=0 @=0v P=P,=Ke, aa cobtendo-se, portanto, o valor da tinica carga de bifurcagao do modelo (a forma do modo de instabilidade ¢ trivial, pois 56 existe um grau de liberdade). (i) PEEP Admitindo que o potencial da forga P é nulo na traject6ria fundamental, a energia potencial do modelo € dada por 1—(ae) |. as ou, atendendo a que o valor de @ € muito pequeno, por veusy=LKie—Pe[ asy © eGroe ti 36 Eenanmase Bererunal @ 1.4.2.2 A aplicagio do PEEP conduz.a 4 ditleas Prv Os trabalhos realizados pelas forgas exteriores (P — 1,) einteriores (K @— 1), quando ‘© modelo passa da configuragdo u= d para a configuragio w= + du (deslocamento virtual), so dados por as) assy t ~P5{ef1-1- wey} aso onde {effi @gr } geo" but ws representa 0 deslocamento vertical virtual do ponto B’. A aplicagio do PTV conduz, enti, a (recorde-se que o valor de du é arbitrétio) tybt,=0ed-Kidut 2 adu=0 o2 d= 0v P=P, = Ke. 06) ‘CRITERIO ENERGETICO O eritério energético pode ser utilizado para analisar sistemas estruturais que exi- bem tanto instabilidade bifurcacional como instabilidade por “snap-through". A sua aplicagio baseia-se no Prinefpio da Minima Energia Potencial (PMEP), 0 qual estipula que “uma confi- ‘guragio de equilfbrio é estavel sempre que a energia potencial do sistema af apresente um mainimo relativo (i.e., em relagio aos valores associados a todas as configuragBes adjacentes)”, Segundo este critério, investiga-se, para uma determinada configurago de equilfbrio, o sinal da variaglo do valor da energia potencial (AV), relativamente a todas as configuragbes adjacentes. © MeCrom Ht CAPITULO 1: ConceroseFunoaneror 37 0 equilibrio (i) 6 estével, se esse sinal for sempre positivo, ¢ (ii) instavel, se existir pelo menos ‘uma configuragaio adjacente que corresponda a uma diminuigio da energia potencial. Exemplo Tustrativo Pretende-se agora investigar a estabilidade das configuragées da trajectoria funda- mental do modelo estrutural representado na Figura 1.14, as quais sto definidas por g=we=0, Admitindo V(0) = 0 (energia potencial nula na traject6ria fundamental), o que implica AV = V, e introduzindo 6 parametro de carga A= P/KE, vem i fe-atve@)]exe[bena(Lertatr-)] am Vek Na Figura 1.24 mostra-se o andamento da fungio energia potencial na vizinhanga da configurago fundamental (q = 0), para varios niveis de carga (valores de A). 1 Variagio da energia potencial~ vizinbanga da configaragéo fundamental. @A% — ¥q #0. an Recorde-se que condigdo necesséria ¢ suficiente para uma forma quadrética ser positiva definida que todos os menores principais constituidos pelas m primeiras linhas e colunas da sua matriz (1 $m =+B=Q-O — (Qj, Oy pequencs) e 2 energia potencial total do modelo é dada por VeU+y¥,, onde a energia de deformagio eléstica (das molas) U eo potencial das cargas apli- ccaias V, valem, respectivamente, u=y K (62+63) xe (sen? Q, +sen? Q,) PE {[(1—cos Q,) + (1-c0s Q,)+(1~cos B))= =~P¢[3—cos Q, ~cos 0, - Ji= Gen, ~sen BF] « =—P€[3—cos Q, -cos Q; ~ cos (2, - Q,)). Admitindo que V (0, P) = 0, tem-se AV=VQ+q;, P) -V(0, P) avely 4% e,como av og? av eure =KO-2Pe Ja=0,-0 =K@-2PC J=2=0 av Ye M30 2G ; OMG 0 48 Bewoumos Esmumma a matriz da forma quadiética 52V vale Ke-2Pt Pe ] l= Pe Ke-2P | € 6 positiva definida se e s6 se |K@~2Pq>0 e Pe x IKe-2Pe Pe Ke os kena”? e P>Kev Pe Deste modo, o critério energético permite afirmar que a trajectéria fundamental do modelo passa de estavel a instdvel quando P= K¢/3. Observe-se que, como se tem. ww av av aq; AQ; 84; 04; 0O; 8; pode escrever-se vepKe (sen? g, +8en? qq) ~PC[3—cos —cos g3~(cos 4; —c08 4,)] ev 40g; Para efectuar uma andlise linear de estabilidade, & apenas necessério reter os termos quadréticos, ie., fazer ge ab, o I» 2 sen? q; = g? cos q, =1- 4 £08 (2-H) = a Mra CAPITULO 2 AviueLewn oe Eso 49 passando a considerar-se v: G Kee -r)ao(h Kort) B+ (PE) a, a. 21.2 (CARGAS DE BIFURCACAO E MODOS DE INSTABILIDADE Conforme se viu anteriormente, numa andlise linear de estabilidade, apenas se retém os termos quadréticos do desenvolvimento em série de Taylor da energia potencial em tomo de uma configuragao da traject6ria fundamental. Recordando que os termos lineares so nulos, vem VQ)=V (Of )+ RM A) a4)4 aw Como, em qualquer configuragiio de equilibrio, se tem am © facto de a configuragio adjacente ser de equilfbrio (critério do equilfbrio adjacente) traduz- -se por =Vyq)=0 (soma em j=1,...,7). aay ah nels % et ‘As equagSes (2.12) sfio as equagdes de equilforio do sistema estrutural e constituem um sistema homogéneo de n equagdes algébricas lineares Yi Ma Me] fa] fo Ya Va om Vou] ae| fo) a Ya Mao Vad ted Lo, Neca Esannnane Esra onde Vy representam os coeficientes de rigidez, associados as forgas generalizadas. As solugSes do sistema (2.13) so: @ — (g,} = {0} ~ traject6ria fiandamental (solugio trivial) Gi) (q}™# {0} para A= AQ? com AAs solugbes nfo triviais so os modos de instabilidade do sistema estrutural ¢ apenas so pos- siveis para valores do parmetro de carga que anulem o determinante do sistema (2.13) (problema de valores e vectores proprios). A condigao de “equilfbrio adjacente” consiste, portanto, no anulamento do determinante de estabilidade (equagao caracteristica) etl, (A) =0 aw Accada uma das n raizes da equagao (2.14), A" (carga de bifurcaco — valor préprio), coresponde, no caso geral, uma solugo nfo trivial do sistema (2.13), (g;)") (modo de instabilidade ~ vector prptic).A menor das cargas de bifurcagio ¢ 0 comespondente modo de instabilidade designem-se, habitualmente, por “carga critica (de bifurcago)” e “modo eritico (de instabilidade)”. Note-se que, devido & linearizagdo das equagbes de equilfbrio (2.12), a anélise linear de estabi- lidade apenas permite determinar cargas de bifurcagio e modos de instabilidade, nao fomnecendo qualquer informago quanto & natureza da traject6ria de pés-encurvadura (ver Figura 2.3). Os modios de instabilidade, como qualquer vector préprio, sio sempre definidos a menos da sua amplitude, sendo habitual “normaliz4-los” ({e., atribuir-thes um médulo unitério). ‘Trajectérias de equilrio de um sistema disereto, © Microw Hl eo CAPITULO % ANMuseLoeaRDEEranumne SI Exemplo Tustrativo As equagdes de equilibrio do modelo estrutural representado na Figura 2.2 sfio 1m a, cl ay e corresponde-lhes o determinante de estabilidade (KO-2P€)q,+ Pl gy Pla, +(KO-2PC) g; lKe-2pe PE | Pe Ke-2Pg* cujas raizes sio 7 Ke op Sep, 6 PRE, ‘Substituindo os valores das cargas de bifurcago nas equagées de equilibrio, obtém- se os modos de instabilidade, os quais estio representados na Figura 2.4, junta- mente com as traject6rias de equilfbrio do modelo: Ke @ m=-% para Bey (modo anti-simétrico) @ g=a para PO = KE (modo simétrico). AC) a) er b Pep Pop “ey pop 3 Poh 4 age (a) Tesi de equirio“neazaas” do modelo estar (®) Configuragio dos modos de instabilidade. OMeGrav Hal 52 213 ESTADOS LINEARES DE PRE-ENCURVADURA Diz-se que uma estrutura apresenta um estado linear de pré-encurvadura quando, na sua trajectéria fundamental, as tenses, deformag6es ¢ deslocamentos variam linearmente com o pardmetro de carga 2. Tem-se, entio, Of (a) = OFA, aan © que implica que a rigidez da estrutura permanece constante a0 longo da traject6ria funda- mental, 2 qual pode ser obtida através dos métodos tradicionais da Anélise Linear de Estruturas. Sao exemplos de estruturas com estados lineares de pré-encurvadura as colunas e as placas comprimidas axialmente (ver Figura 2.5). ‘Trajectorias de equilfbxio de uma estrutura com um estado linear de pré-encurvadura (coluna comprimida exialmente). De tudo o que foi dito resulta que, numa estrutura com um estado linear de pré-encurvadura, 1 matriz [Vj], definida em (2.7), varia linearmente com o parémetro 2 ao longo da trajectéria fundamental. Pode entio decompor-se [Vj (A)] na forma [Yj (A =IKy]-A1G;], x6 onde (i) [K;] 6 a “matriz de rigidez habitual (linear)”, a qual depende unicamente da energia de deformagio eldstica da estrutura, através de Ky= 7 an © Mcrae CAPITULO 2 AniuseLyen.o6 Erasnoioe € Gi) [Gy] € a “matriz de rigidez geométrica”, a qual incorpora a contribuigdo de 1.* ordem dos efeitos geometricamente nao lineares nas equagdes de equilfbrio [K,}{} =[K - AG] {q) = {0}. aw A determinagio das cargas de bifurcagio A” e dos modos de instabilidade {g,)(" reduz-se, assim, Aresolugéo de um “problema linear de valores e vectores préprios” (andlogo, por exemplo, a determinagaio das frequéncias préprias e modos de vibragio em dinémica de estraturas [2.2)), Exemplo Mlustrativo ‘No modelo estrutural representado na Figura 2.2 (2.= P) tem-se Ke 0 2 -€ ne[ 0 rol (or fe 24 214 CONDICOES DE ORTOGONALIDADE No caso de sistemas estruturais com estados lineares de pré-encurvadura, a equagio dos modos de instabilidade tem a forma (Ky ~ AG) 4; dq, = 0 ay € as suas solugdes nfo nulas so os modos de instabilidade {qj}, associados as respectivas cargas de bifureagio 2, (admite-se, por hipétese, que 2, > > dy > &y > 0). Considerem-se dois modos de instabilidade (q;}©? e {4,}"?, associados a cargas de bifurcagdo 4, # Ay Tern-se entio que (Ky 4, Gy) qh? dq, =0 aay (Ky -2, Gy) qf? dg, = 0. ea Fazendo (cg;} = (gj) em (2.20) e {qj} = {qj}! em (2.21) e subtraindo as duas equagoes, é-se conduzido a A, ~ 2) Gy A? of? =0 ean) Osea it 53 54 EswsnpaoeEsnuna, cu, stendendo a que 4, # Ay & Gy A? af? =0. aay Esta relagio exprime o facto de os modos de instabilidade associados a diferentes cargas de bifurcagao “serem ortogonais relativamente A matriz geométrica G”. Das equacces (2.22) ¢ (2.23) pode também concluir-se que © gi = Ky qf? af? =0, e209 {sto 6, que os modos de instabilidade sto também “ortogonais relativamente & matriz de rigidez K”, Por tiltimo, refira-se que os modos de instabilidade de um sistema discreto, como qualquer conjunto de vectores préprios, constituem um “conjunto completo de vectores ortogonais”, podendo, portanto, ser utilizados para definir um referencial ortogonal principal (2.1]. Exemplo Ilustrativo No modelo estrutural da Figura 2.2, as condigGes de ortogonalidade tomam a forma 2S COORDENADAS PRINCIPAIS A forma quadratica da energia potencial 5°V, definida em (2.8), pode sempre ser Jevada & forma diagonal 82V = 62D = Dy af = Dy, a} + Dy a ++ Dyy 22, aay © mcrae —o CAPITULO % Anise Luanne Eeannsmioe através de uma transformagio ortogonal de coordenadas definida por = Gy a; 226, ‘As novas coondenadas a, designame-se por “coordenadas principais” © 0s “coeficientes de estabi- lidade” D;, permitem definir a funcdo energia potencial alternativa Da, NBV(Q! +04 aA). ean Em virtude de a transformagio de coordenadas ter de ser efectuada ao longo da trajectéria fundamental, 0s coeficientes da matriz de transformagio ay so, no caso geral, fungbes do pardmetro de carga A (i. e., %;= oj; (2) - ver Figura 2.6). Para que a transformagao seja inver- tivel, é ainda necesséirio que det [ay]#0. eam Embora formalmente possivel, a transformagao (2.26) €, no caso geral, de dificil execugfo. No entanto, em estruturas com um estado linear de pré-encurvacura, a transformacio no depende OMeGraw 38 56 Exanumane Esmurana, de Ae consiste em diagonalizar simultaneamente as matrizes (Xj) e [Gy]. As coordenadas prin- cipais a, sao, nesse caso, precisamente os vectores proprios (modos de instabilidade) do problema de valores e vectores proprios identificado em (2.18). A forma diagonal (2.25) possibilita uma interpretagéo mais elucidativa da estabilidade da trajec- t6ria fundamental de um sistema com n graus de liberdade. Em particular, é posstvel mostrar ue a trajectéria fundamental pasca de estdvel a instével quando se atinge o menor (ertico) valor de bifurcagao do parimetro 4 (ver Figura 2.7). De facto, para que a forma quadratica Dy seja positiva definida (condigao de estabilidade ~ critério energético) & necessério que todas os coeficientes D, sejam positivos. Como Dy é positiva definida quando A= 0 (Dy = Kj), 6 preci- samente quando A atinge o menor valor de bifurcagao A) = A, (ie., algum Dy = 0) que a trajectéria fundamental do sistema deixa de ser estivel (D, passa de positiva definida a positiva semi-definida), Se A= A,, diz-se que o estado de equilfbrio da trajectéria fundamental 6 “critico”. Se 1> Ac, Dy é indefinida (alguns D,, < 0) ou negativa definida (todos os Dy; < 0) © 0 equilibrio 6 instavel. Extabilidade da trajectéria fundamental (sistema com dois graus de liberdade). A Figura 2.8 mostra as superficies que traduzem a variagdo da energia potencial na vizinhanga de quatro configuragées de equilfbrio da trajectéria fundamental de um sistema estratural com dois graus de liberdade, © Mera CAPITULO 2 AxtuseLoeanss Esrmoace 57 by ee ogre on se ore o o ga ‘Variago da energia potencial @) AAP. (O) Ae AM © McA eAP A dad? Exemplo Tustrativo ‘No modelo estrutural representado na Figura 2.2 tem-se ante > = 1-9 xe ° ‘ 0 [Dyl= Ke |-? 3e o =) jo = 2 2 Ke _ Pe K@_3Pe Djs —_—-—. faeate Pai © Mera 58 21.6 ANALISE NUMERICA Conforme se viu, a determinagdo das cargas de bifurcagio e dos modos de insta- bilidade de um sistema estrurural discreto recorre ao critério do equilibrio adjacente e envolve a resolugo de um problema de valores e vectores préprios. Exceptuando 0 caso de sistemas com uum pequeno mtimero de graus de liberdade, é-se sempre conduzido a equagGes caracteristicas sem solugio analitca e cuja resolugo numérica pode envolver um esforgo computacional considerdvel, ‘Em engenharia de estruturas interessa, essencialmente, determinar a carga critica de bifurcagéo eo correspondente modo de instabilidade, s6 muito raramente sendo necessério um conhecimento preciso sobre as cargas e modos de ordem superior. Este facto esté na origem da utilizago, adaptacao e desenvolvimento de técnicas numéricas destinadas exclusivamente a obter 0 valor da ‘carga erftca (menor valor préprio) ¢ a forma do respectivo modo de instabilidade (vector préprio). No caso geral (problema néo linear de valores ¢ vectores préprios), a determinagfo numérica, de A,,envolve a definigio ¢ 0 céleulo da fungao det [Vy (2)]. Tendo em conta que det [V;(0)] > 0, procura-se, por “tentativa e erro”, a menor raiz positiva da fungdo, a qual fornece o valor da carga critica de bifurcagao (ver Figura 2.9), Determina-se posteriormente o modo de insta- bilidade, recorrendo as técnicas de resolugdo de sistemas de equagdes nfo lineares, eot[vi] rare x ‘Variago de det [V9] 20 longo da trajectria fundamental Em sistemas estruturais com estados lineares de pré-encurvadura (problema linear de valores ¢ vectores préprios), a determinagao de A,,.¢ {q},- pode ser efectuada através de técnicas numé- ricas muito mais eficientes que a metodologia descrita atrés. De entre os variadissimos algo- ritmos existentes, destacam-se ¢ abordam-se aqui os baseados numa estratégia iterativa proposta inicialmente por Engesser, em 1893 [2.3] © MeGraw HA Se ei CAPITULO 2 Anitist Lueeax nt Estancipane 59 ‘A formulago dos algoritmos iteratives baseia-se na equagio (2.18), escrita na forma [Kl {ghia = 21GHa),, am) onde (q};¢ (q};,, representam iteragSes sucessivas do modo de instabilidade. O procedimento iterativo envolve a execugio das seguintes operacdes: @ —Obtengio de uma estimativa do modo de instabilidade -(4} Gi) Caleuto de A [6] {g), (em fungio de 2), (ii) Resolugdo do sistema (K] (q};,, = A[G] {gq}; ¢ determinagio de (q),,1 (em fungao de A). (iv) Determinagao dos n valores de A que igualam as componentes de {q};¢ (4) 43. O maior e menor deles so, respectivamente, um majorante e um minorante de Joy i.e. (i= (Qhinr =P Anyer Ay min 2, gS max A, v fi () Fazer (g); = : {ahias (habitualmente normaliza-se ainda {g},) voltar a (i). Repetir 0 processo até obter a precistio desejada (A= A,,€ (q) = (her). Observe-se que o algoritmo iterativo consiste em substituir o anulamento de um determinante (problema numericamente complexo) pela resolugto de vérios sistemas de equagées lineares (problema numericamente mais simples). Trefftz, em 1923, provou que o processo converge para Ae, ¢ {q}ey (2.3). Exemplo Iustrativo Utiliza-se 0 métodbo iterativo para determinar a carga critica eo modo de instabi- lidade do modelo estrutural representado na Figura 2.2, Fazendo A= P / (Ke), as matrizes [X] ¢ [G] tomam a forma OMGroe ta) 60 sendo curioso observar que, neste caso particular, [X] é a matriz identidade. Apre- senta-se no Quadro 2.1 a sequéncia dos resultados obtidos durante a aplicagiio do método (toma-se como estimativa inicial q, = 1 € q,= 0 e, no infeio de cada ite- ragio, faz-se q, = 1). QuAbRo 2.1: APLICACAO DO METODO ITERATIVO | @ [fom | $ tah | a 2 2 05 1 1) oO 245 25) 04 -2,0, 2,0, 0,25 2.8) Set 0.357 |-2,6, 2,6) 0,308 4 1 2,929) 2,929) 0,341 0,929, asst {Sess 0,325 7 1 2,976 2,976] | 0,336 (0,979) | |-2,952J } |-2,952f | 0.331 Temse, assim, que, apés 5 iteragdes, se obtém os valores 0331 <4, $0336 (de = {. ak 0 quais praticamente coincidem com os resultados exactos. 22 SISTEMAS CONTINUOS Conforme se referiu atrés, um sistema estrutural diz-se continuo se a sua confi- guragio deformada s6 puder ser totalmente definida recorrendo a fung6es, isto é, a um niimero infinito de pardmetros. Na grande maioria dos casos, essas fungSes so continuas ¢ t8m pri- meiras derivadas continuas. eMGeaw Hn CAPITULO % Aust Linean De EramioaDe ‘A caracterizagio da configuragio deformada de um sistema estrutural continuo faz-se através de U(X), onde U 60 vector do campo de destocamentos (de componentes U,, Uye U)e X 60 vector de posigio, referido & configuragio indeformada do sistema (de componentes x,y € 2) ‘Tem-se ent que, na situagao mais geral, D,Gy.2) U,Gy2. en U, 0 2) Daqui para a frente ¢ sempre que o cardcter vectorial de uma grandeza nfo suscite dividas, omite-se o simbolo “~”. Admite-se, ainda, que, tal como no caso dos sistemas discretos, as cargas aplicadas dependem linearmente de um tinico parémetro de carga A. 221 ENERGIA POTENCIAL TOTAL Seja Uy = U,(A) a trajectéria fundamental do sistema estrutural (configuragSes de cequilibrio) e designe-se por U@)=UfA)tu as) © campo de deslocamentos numa configuracio adjacente (nao necessariamente de equilibrio), representando u 0 vector dos deslocamentos “adicionais” A energia potencial total do sistema € agora um funcional (“fungdo de fungSes” ~ ver Anexo A) do campo de deslocamentos Y (anteriormente era uma fungdo dos graus de liberdade Q;) e uma fungo do parimetro de carga 2 (como anteriormente). Tal como no caso dos sistemas discretos, é possivel desenvolver a energia potencial em série de Taylor em tomo de uma configurago de equilfbrio da traject6ria fundamental. Representando por [...] « dependéncia funcional e designando por Vi, 2] 0 termo de ordem m da expansio funcional homogéneo de grau m), vern V[Up+u, A= VW, 2+ V5 Lu A+ Vy fa AT Vf A] aay ‘Tendo em conta que, tal como sucede nos sistemas discretos, (i) 0 termo linear de (2.33), Vilu, Al, se anula (PEEP na trajectéria fundamental) e que (ji) uma andlise linear de estabilidade rio requer a consideracdo de termos de ordem superior & segunda, € suficiente tomar VIU; tu A=V(Uy, Al+Va tu A ase ONGC it 61 62 Eetapuioaoe Beraerona Restringindo ainda o estudo 20 caso de sistemas estruturais com estados lineares de pré-encur- vadura, tem-se que ¥, [U, A= VP []-2V} ba, 35) onde Vfu] e Vili] nfo dependem explicitamente do parimetro de carga A, Finalmente, conven- cionando que V [Up 4] =0 (este termo nao desempenkra qualquer papel em andlises de equilfbrio 0n estabilidade), obtém-se AVEV[Up+u, A]-V[U,, 2] 2 V[u, Aj= VP [W]-AV} [u). 236) Exemplo Tlustrativo Considere-se a coluna simplesmente apoiada representada na Figure 2.10, a qual esté uniformemente comprimida, tem comprimento £ e seco transversal com rigidez axial EA e rigider de flexdo EI. Admite-se que a coluna se deforma apenas no plano x-z ¢ designam-se por U, ¢ U, os deslocamentos totais do sev eixo (Figura 2.10), ie., tem-se U,(@) = Uf @) +4 @) yas aan U, (2) = Uf (x) + w @) =w @). vynufew A ep x A Tau leon EEE otenawritormemente compriida. ‘A energia potencial total da coluna pode ser escrita em termos das deformagdes sgeneralizadas, referidas ao seu eixo (deformagles axiais ¢, e curvaturas &,), como ff (GAez +8182) dx—PA, ex) ©MGror Hitt CAPITULO % AvhuseLuexrne Esme 63 ‘onde o primeiro termo representa a energia de deformaco da coluna (normalmente designada por U — nfo confundir com deslocamento) ¢ 0 segundo o potencial da forga aplicada P (normalmente designado por V,). A é 0 encurtamento da coluna (Giméirico do deslocamento horizontal da extremidade B), dado por UW, C)-U, O=-ff Uys de aay Para escrever (2.38) em termos dos deslocamentos € necessério considerar as rela- ‘s6es cineméticas (deformagies-deslocamentos) vélidas para “pequenos deslocamentos € rotagGes moderadas” [2.4] e onde (x2 A(+)/dee (+) o-5 €2(+) /dx®, Tendo em conta que a trajectéria fandamental da coluna é caracterizada pelo campo de deslocamentos en a configuragdo adjacente é definida por U,=UP +u= a eu aa U,=w «, consequentemente, tem-se ax eMeGraw tt Esau pase Esnuruea Introduzindo (2.39) e (2,43) em (2.38), obtém-se a expresso da energia potencial total da coluna na configuragao adjacente, _¢{ EA(_2 aay P veh [BC Reeds) Parr (ame Escrevendo esta expresso na notacdo de (2.27), vem, fazendo 1 = P, V=[uw,P]=VIUL, P]+Vilu, P}+ Volyw,P]+ Valew)+ Vile], onde 2 vs, Pl= {- poe Vu, PI= [((- Pu, +Pu,) dr 0 Constata-se, ainda, que V,[u, w, P]= VP [u, w)- P V3[w], 1 VP, wl ff (Edu + E12.) de vat on ax, © que confirma o facto de se tratar de um sistema com um estado linear de pré- -encurvadura, © McGraw Ht CAPITULO % Arduse Leanne Esmamcnoe Finalmente, observe-se que os termos Vs[u, w] € Valw] em (2.46) esto eventual- ‘mente incompletos, na medida em que as relagées cineméticas aproximadas (2.40) ‘apenas grantem a exactidio dos termos de ordem nao superior & segunda, 2.2.2 EQUACAO VARIACIONAL DOS MODOS DE INSTABILIDADE Pretende-se agora saber para que valores de 4 existem configuragSes adjacentes de equilforio e quais as caracteristicas dessas mesmas configuragées, Para isso, recorre-se 20 critério do equilforio adjacente formulado com base no PEEP, o qual é frequentemente desi- gnado na literatura por “Critério de Trefitz” [2.5). Diz-se que um funcional / apresenta um ponto de estacionatiedade (“ponto de fungdes”) quando € nula a sua primeira variagio, isto é, quando 51=0. ow) No Anexo A apresentam-se, de forma sucinta, adefinigo de funcional ¢ os conceitos essenciais envolvidos na determinago dos seus pontos de estacionariedade, os quais constituem o objecto de um dominio da matemética designado por “Célculo das VariagBes”. ‘Uma configuragio adjacente é de equilforio se for estacionéria a sua energia potencial total, efinida em (2.35) para sistemas com estados lineares de pré-encurvadura. A condi de esta- cionariedade da energia potencial é dada por 5 Vy, A= 8 Valu, A= VElu)-25 Vote 250) Como VP[u] e V}{u] sto funcionais quadriticos, as suas primeiras variag6es sfio funcionais biclineares em u € bu, definidos por 5 VPtul=V8lu, du] Svstd= Vim 6 as E-se entio conduzido & condigio-de estacionariedade Vile, Gul A Vihluy 5] as OMGroeth 65 66 Eenss mane EemuriRA 1 qual se designe por “equagiio variacional dos modos de instabilidade”, Utilizando os métodos do célculo das variagées (ver Anexo A), a condig&o (2.52) leva & definigdo de um conjunto de equagées diferenciais que, conjuntamente com as condigies de fronteira (estaéticas e cinemé- ticas), permitem determinar as cargas de bifurcagdo © os modos de instabilidade do sistema estrutural. Essas equagGes designam-se por “equagées de Euler-Lagrange” do funcional energia potencial e permitem formular um “problema linear de valores e fungSes proprias” (cargas de bifurcagio © modos de instabilidade, respectivamente). Por titimo, refira-se novamente que, no caso geral, a equagdo variacional dos modos de insta- bilidade ¢ dada simplesmente por 8 V, {4 Al=0 as e conduz.& formulagao de “um problema nao linear de valores e fungdes prOprias”. Exemplo Iustrativo ‘Viu-se anteriormente que, na coluna uniformemente comprimida da Figura 2.10, se tem o que quer dizer que, na notagdo do Anexo A, se tem EA F 1, thes Was Wa) Bad -oet a €, portanto, que se trata de um funcional com uma varidvel independente (x) ¢ duas varidveis dependentes (w (x) e w (x)), uma presente até & primeira derivada (u (x)) e aoutra até & segunda derivada (w (x)). Existem, por consequéncia, duas equagSes de Euler-Lagrange. ‘Tendo em conta que aF 57° ar 286) ae? lw, © Mecra=itl CAPITULO 2 ANiuSELINEAR pe EstannunAne obtém-se: Equagies de Euler-Lagrange 2 emy=0 2 4,20 4 pw.) + © (ew,,)=0 Eli gag + Pigg =0. ECPI) +E n=O Elgg tig as Condigées de fronteira estéticas Fau,(2)=0 © u,()=0 ED, (0)= Ely (€)=0 © Wy (0) =, ast Condigées de fronteira cinemdticas 6u(0) = u(0)=0 6w(0)=5 w(t)=0 cd w(0)=w()=0. ss ‘Tem-se, entio, que V, [u, w, P] é estacionéria para todos os valores de P, u (x) © w (x) que satisfagam u@)=u, ()=0 260) ED sage + PW xg = 0 w O)=w (€)= Ya (= Wan (C=O, sy Observe-se que as equagies diferenciais e condigdes de fronteira de (2.60) ¢ (2.61) poderiam, altemativaménte, ser estabelecidas recoirendo ao equilfbrio de um trogo elementar de barra na sua configuragéo deformada (j.e., sem utilizar conceitos de céleulo das variagdes), Passa-se agora 8 resolugo das equagdes diferenciats de equilibrio (2.60) e (2.61), a qual ¢ facilitada pelo facto de w (x) ew (x) estarem “desacoplados” (i.e., cada equagéo envolver apenas u (x) ou w (x)): (@)— Determinagéo de u (x). ua) =B+B 14 (0) =O... = u(x)=0, a6 1, (0) =0 oMeCrae et 67 68 EsrapupaveEsmuvuea (ii) Determinagéio de w(x) (2 = P/ ED ‘Tendo em conta a solugo geral da equagio (2.61) ~ equago diferencial linear de coeficientes constantes, ver W(X)=C,+C, x40, sen kx+C, cos hor wO)=w (€)=0 = Wer O)= Waa (€) = 0 w (x)= Cy sen ke = Cy sen k€=0 > C, =0 (sol. trivial) v ke=na (P= =a P pin) M22 ET mayen E>) para Pa A aE, ‘Tem-se, assim, que qualquer combinagto de cargas (cargas de bifurcagdo-valores préprios) eet) = Ge) @ rm2EL Par aes @ e deslocamentos (modos de instabilidade ~ fungdes préprias) 4,()=0 vy(2) = C, sen eas satisfaz as equagdes de equilfbrio e condigGes de fronteira. A menor carga de bifur- cagao Pf") designa-se por carga critica P,, ¢ a ela esté associado 0 modo critico de instabilidade w, (x) = w, (x). No caso particular de colunas de secgio constante, simplesmente apoiadas e submetidas a compresséo uniforme, é habitual designar- ~se P,, por “carga de Euler” e representar-se por P,, A Figura 2.11 mostra os trés primeiros modos de instabilidade da coluna, estando as respectivas amplitudes méximas designadas por q,, gy°€ g3 (tal como nos sistemas discretos, os modos de instabilidade so definidos a menos de uma constante), © MéGrow Hit CAPITULO % AntuseLimaneErasuoios 69 SESTSS rere BEL nay con th a e 1 v (2) re SENege, Pate. wp nag cond ae SB (3), im a Ona. ny nny con Kiser FR eS NS BD . ee Observa-se que os modos de instabilidade so caracterizados por deslocamentos adicionais axiais nulos (wu, (x) = 0), o que significa que no 6 necessério considerd- -los para calcular as cargas de bifurcagao (ver-se-4, mais tarde, que sio indispen- shveis para a determinagio da traject6ria de pds-encurvadura). Por esse motivo, pode efectuar-se a anélise linear de estabilidade da coluna de uma forma mais, simples, admitindo a hipétese da sua indeformabilidade axial (EA =~ ¢ &, = 0). Tem-se, entio, 286) de onde resulta 6m 14 by jew 7 tenden Venton? man Indeformabilidade axial da coluna. OMG it 70 Brantipane BsmroRaL Introduzindo (2.67) em (2.38) ¢ tomando em consideragio a indeformabilidade axial da coluna, obtém-se Vow, P= (23, ~$08 an oxy cuja estacionarizago conduz & equaco diferencial de equilibrio e condigdes de fronteira de (2.61). Refira-se, finalmente, que a referida equagio diferencial de equilfbrio de (2.61) 6 vélida apenas para colunas uniformemente comprimidas de secgio constante (colunas uniformes), muito embora se possam considerar quaisquer condigdes de fronteira (incluindo apoios e encastramentos elésticos). No caso, mais geral, de colunas de secgio varidvel (EI = EI (x)) elou submetidas a esforgo axial nio ‘uniforme (N (x) = A N (x), onde N (x) traduz a forma do diagrama de esforgos axiais ¢ se convenciona a compressio positiva), passa a ter-se (El gp) ag t MN Wy) =0. as Com raras excepgdes, no possivel determinar solugtes exactas para esta equa- lo, sendo necessério recomer a métodos aproximados de resolucao. 2.2.3 CONDICOES DE ORTOGONALIDADE Conforme se viu atrés, no caso de sistemas estruturais com estados lineares de pré- ~encurvadura, a equago variacional dos modos de instabilidade tem a forma VG [u, du] A Vi [u, dul = 0 eo as suas solugées no nulas so os modos de instabilidade u,, associados as respectivas cargas de bifurcagio A, (admite-se, por hipétese, que > A, >-~ > Ap > A, > 0). Considerem-se dois modos de instabilidade u,e u,, associados a cargas de bifurcagio A, + A, ‘Tem-se, entao, que Veil, Si]~ A, Vii 4, du] = 0 an McGraw it aRsaeenenennateeeeeenneen ’ CAPITULO 2 Axiuse Linear oe Eswansoane Villu, 6) 2,Vihlu, du] = 0. an Adoptando para variagio do campo de deslocamentos du = u, em (2.71) e du = u, em (2.72) e subtraindo as duas equagdes, é-se conduzido a (A, AMAL, uJ = 0 ar, ou, atendendo a que 4, Ay a Vile, .t,1= 0, arm Matematicamente, esta relago exprime que “os modos de instabilidade associados a diferentes cargas de bifurcagio so ortogonais entre si, relativamente ao funcional quadritico ¥j{u]". Das equagdes (2.71) e (2.72) pode também concluir-se que Vlu,,u,J=0. os E possfvel demonstrar que 2s componentes no nulas dos modlos de instabilidade (fungSes pré- prias) constituem um “conjunto completo de fungGes”, o que quer dizer que qualquer campo de deslocamentos u do sistema continuo pode ser decomposto numa combinago linear dos (infinitos) modos de instabilidade u, (2.4]. Tense, entio, que, no dominio ocupado pelo sistema, wSem, a7 onde cy é a amplitude do modo de ordem k Exemplo Mustrativo No caso da coluna uniformemente comprimida da Figura 2.10, as condigdes de ortogonalidade comespondem a (r # 5) Vii lu,.uJ= [4 ww, dr= 4 = LS Mee Maw it re ET Ca Ni © Micra 71 72 2.24 COORDENADAS PRINCIPAIS ‘Tal como sucedia nos sistemas discretos, os modos de instabilidade (conjumnto com tam mimero inginito, mas contével, de fungdes) podem ser considerados como as coordenadas principais de um sistema continuo. Sendo cada modo definido a menos da sua amplitude, 6 conveniente “normalizé-los” (operagio equivalente & atribuigdo de médulo unitério nos sistemas discretos). E vantajoso efectuar a normalizago de modo a que se tenha Vitu1=1. ar) Tendo em conta (i) a ortogonalidade dos modos de instabilidade e (ii) a sua normalizacZo, de acordo com (2.78), pode mostrat-se [2.6] que, num referencial constitufdo pelas coordenadas principais, a energia potencial do sistema contfauo toma a forma wua=S, (Ay - Aaj, 279) in onde a, sio as amplitudes dos modos de instabilidade normalizados (coordenadas principais). Pode agora ver-se, facilmente, que V, [u, 2] é “positiva definida” se Pp. 23 METODOS APROXIMADOS ‘Com raras excepgSes, correspondentes a problemas relativamente simples, niio existe solugées analiticas (exactas) para as equagbes diferenciais de equilfbrio que regem os fenémenos de instabilidade em sistemas estruturais continvos, Para resolver este tipo de problems, € enti necessério recorrer a métodos aproximados (numéricos), os quais essencialmente “discre- tizam" os sistemas continuos, isto é, substinem-nos por sistemas discretos “aproximadamente equivalentes”, A resolugio exacta do problema de estabilidade no “sistema discretizado” fomece ‘uma solugdo aproximada para o sistema continuo original, Naturaimente, a “qualidade” da solugéo aproximada depende do grau de aproximagio introduzido pela discretizagzo, Os métodos aproximados dispontveis podem dividit-se em dois grandes grupos, consoante a sua aplicago ocorra ao nivel () das equagSes diferenciais de equilibrio ou (ii) da energia potencial do sistema, Como € dbvio, os métodos pertencentes ao segundo grupo apenas podem utilizar- -se em problemas conservativos (tem de existir energia potencial), Micra si 2B 74 BeroAbeESTRITERAL Abordam-se aqui cinco métodos aproximados, nomeadamente (i) 0 método das diferencas fintas, ) o método de Engesser-Newmark, (ii) o método de Galerkin, (iv) 0 método de Rayleigh-Ritz ¢ (¥) 0 método dos elementos finitos. Enquanto os trés primeiros sto aplicados as equagdes diferenciais de equilforio, os dois tiltimos envolvem a considerago da energia potencial total do sistema (note-se que 0 método dos elementos finitos pode igualmente ser formulado a partir das equagdes de equilfbrio — procedimento inevitével no caso de problemas no conservativos). Relativamente ao dom{nio de aplicagio dos diversos métodos, importa referir que (i) 0 método de Engesser- Newmark 6 formulado para resolver exclusivamente problemas de barras sujeitas a compressio (colunas) e que (ii) todos os restantes métodos podem set aplicados a qualquer tipo de sistema estrutural, No entanto, por uma questZo de simplicidade e clareza de exposigéo dos conceitos, apresentam-se neste capitulo unicamente aplicagées a problemas de colunas (problemas “unidimensionais”). Em capftulos posteriores, abordar-se-4 a utilizagto dos métodos aproximados para estudar a estabilidade de outros tipos de sistemas estruturais (pérticos, placas, etc.) 234 METODO DAS DIFERENGAS FINITAS O método das diferengas finitas (MDF) constitui uma técnica numérica cléssica de resolugio de equagSes diferenciais (2.7). Aborda-se aqui a sua aplicagao a problemas de andlise linear de estabilidade de sistemas estruturais com estados lineares de pré-encurvadura (problemas lineares de valores e fungSes proprias). Representem-se as equagOes diferenciais que regem o comportamento de um sistema continuo, na vizinhanga da sua traject6ria fundamental de equilforio, por Ly D=2 ass onde u € 0 campo de deslocamentos definido no dominio D ocupado pelo sistema e L é um operador diferencial (envolve derivadas de u). Pretende-se determinar os valores de 2 as correspondentes formas de u que satisfazem (2.85) e as respectivas condigées na fronteira D. A aplicagio do MDF envolve, basicamente, os seguintes passos: @ _Discretizagio do domfnio do sistema em n pontos, designados por “nés da malha de A=1,785 (menor raiz) asm) And 7-28) ¢, consequentemente, SET SET = 1,785x—— =16,07-— = =P, Pa hT85x— 5 =1607 ©R,) as tee © MeGrawsiit 80 Eran pape Esmrna, (ii) Extrapolagao ‘Com base nos valores de P, e P, calculados, pode obter-se uma melhor estimativa de P,, através de p, «4%12-9%16,07 EL EI P Fp TRE es) Comparando os resultados obtidos através do MDF com o valor exacto, observa- -se que o processo de extrapolagao, baseado em aproximagdes com erros de 40,6% (P,) € 20,5 % (P,), permite obter uma estimativa com um erro de cerca de 4,3%. Refira-se ainda que, muito embora neste caso particular todos os valores aproxi- mados sejam conservatives (inferiores ao valor exacto), a formulagio do MDF nada permite concluir, a priori, quanto ao sinal do erro. 23.2 METODO DE ENGESSER-NEWMARK © método de Engesser-Newmark combina 0 processo iterativo proposto inicial~ mente por Engesser [2.3] com a técnica de integrago numérica formulada por Newmark (2.9] , conforme se referiu atrés, aplica-se apenas a barras comprimidas (colunas). E particularmente vantajoso quando se pretende estudar a estabilidade de colunas com caracteristicas “no regu- lares” (inércia variével, compressao nfio uniforme, presenga de rétulas, ete.). Comega-se por descrever, sucintamente, os conceitos fundamentals ¢a formulagio dos métodos de Engesser ¢ Newmark, apés 0 que se apresenta o método de Engesser-Newmark c se ilustra a sua aplicaglo. Antes de mais, é conveniente recordar que, no caso mais geral, a equagio dife- rencial dos modos de instabilidade de uma cotuna € dada por (El xp) x + ANW 2) 5 = 0. 2.100) Integrando (2.100) duas vezes, é-se conduzido & equagao equivalente EW gq =A. | Ng de + RA) x4 SCA), exon cujo segundo membro representa 0 momento actuante na coluna. As constantes R(A) € S(A) s80 determinadas a partir das condigbes de fronteira da coluna e correspondem, respectivamente, 0 esforgo transverso e ao momento flector originados pelas reacgSes de apoio. No caso, bas- tante frequente, de o esforgo axial na coluna ser constante por trogos, a equacdo (2.101) passa aescrever-se, em cada tro¢o, Elw =~ A Nw + RA) x48). 102) © McGrath CAPITULO 2 Axtuse Lwean ps Esriicaae Observe-se que, no caso de uma coluna uniforme simplesmente apoiada e sujeita a uma com- N =1), se tem 8 (P} =5(P)=0¢, portanto, (2.102) se transforma na equagéo El, +Pw=0. cats) 23.21 METODO DE ENGESSER O método de Engesser (também designado por “método de Vianello” em virtude de L. Vienello ter proposto, em 1898, um método grafico baseado no mesmo conceito [2.10]) consiste num procedimento iterativo que permite determinar, aproximadamente, a carga critica de bifurcagiio de uma coluna e 0 correspondente modo de instabilidade. A sua aplicagio baseia- se na equagZo (2.101), escrita na forma EWS) = =A [Nw de + RA) x4 SA), e100) ¢ cnvolve os seguintes passos: @ Considerar uma estimativa inicial da configurago do mado eritico de instabilidade da coluna, a qual deve satisfazer as respectivas condig6es de fronteira cineméticas. Gi) Com base na configuragio adoptada, calcular, através do 2,° membro de (2.104), os momentos flectores actuantes na coluna, os quais sfio determinados em fungiio do parametro A. Este procedimento requer o célculo das constantes R (A) e S (A), 0 que, no caso de colunas hiperstéticas, envolve a resolugao da indeterminagio estética. (ii) Utilizando uma andlise linear (de 1.* ordem), determinar a configurago deformada da coluna provocada pelo diagrama de momentos flectores calculado em (i), a qual 6 expressa em fungio de Ae constitu uma melhor aproximago de W,. Gv) Igualar as configuragSes inicial ¢ calculada para obter limites superior e inferior de 4.,(em alternativa, pode determinar-se apenas uma estimativa de A, igualando as duas configuragdes num ponto determinado), (W) _ Repetir 0 processo, utilizando a configuraglo calculada em (ii) (eventualmente nor malizada) como estimativa inicial, até se atingir 2 preciso desejada (amplitude do intervalo ou proximidade de estimativas consecutivas). ‘Trefitz mostrou que o processo converge para o modo critico de instabilidade da coluna e, portanto, permite calcular 4, [2.3], O método de Engesser-Newmark caracteriza-se pelo facto de os passos (ii) e (ii) serem efectuados por meio de téenicas especificas, adaptadas aplicagio do método de Newmark. OMeGraw Hit 81 82 Eeapamane Erma 23.22 MéTODO DE NEWMARK Em termos mateméticos, o método de Newmark 12.9] € uma téenica para integrar numericamente equag0es diferenciais do tipo Fo 8 2108) ‘a qual conduz a um procedimento sistemético e eficiente para calcular esforgos transversos € ‘momentos flectores em barras isostéticas actuadas por cargas transversais. Através da combi- nago do esquema de integracio de Newmark com o “método da viga conjugada” [2.11], 6 também possivel calcular as rotagSes e os deslocamentos devidos & flexdo. Barras hiperstaticas podem também ser analisadas, recorrendo ao método das forgas (o método de Newmark propor- ciona um modo eficiente de calcular os coeficientes da matriz de flexibilidade). CONVENGAO DE SINAIS Os sinais positivos das varias grandezes envolvidas esto representados na Figura 2.17 e sto escolhidos de modo @ que estas possam ser adicionadas quando se percorre a - barra da esquerda para a direita e subtraidas no caso contrdtio. Tem-se, entio, que o esforgo axial (WV) 6 positivo em compressa; 0 esforgo transverso (V) é positive se produz um binério que faz rodar no sentido retrégrado; 0 momento flector (§M) e a curvatura (k) so positives quando a8 fibras superiores esto comprimidas; a rotagdo (8) é positiva quando se “sobe para a direita”; co deslocamento (w) e as cargas aplicadas transversais (f, F) sto positivos “para cima” e as cargas aplicadas axiais (p, P) sao positivas “da esquerda para a direita”. CONCEITOS FUNDAMENTAIS Para aplicar o método de Newmark é necessério definir uma malha de “‘nés” que dividam a barra em “elementos” de igual comprimento. O nimero de nés deve permitir uma “boa descrigio” da geometria da barra, das cargas eplicadas e das condigdes de apoio. OMecrow tt CAPITULO 2 Avune LucanDe Esasionbe Quando o carregamento é constituido apenas por cargas concentradas nos nés, o método permite determinar, exactamente, os esforgos transversos nios elementos 0 momentos flectores nos n6s, Os esforgos transversos sio obtidos através da soma algébrica das cargas aplicadas a0 longo da barra ¢ os momentos flectores calculam-se somando ou subtraindo os produtos dos esforgos transversos pelos comprimentos dos elementos onde actuam, Quando o esforgo transverso ou ‘o momento flector ni so conhecidos num determinado n6, os céleulos sto efectuados com base ‘num valor arbitrado (normalmente zero), efectuando-se posteriormente umia correcco linear ou Constante (constante) aos valores dos momentos flectores (esforgos transversos) calculados inicialmente. Quando a barra & actuada por cargas distribufdas, estas tém de ser “discretizadas”, isto , substi- ‘ufdas por “cargas concentradas equivalentes” (f.,,) nos nés. Fisicamente, 2s cargas equivalentes correspondem &s reacedes de apoio de barras virtuais simplesmente apoiedss, colocadas entre as cargas e a barra real, conforme representado na Figura 2.18, As reacgSes de apoio nas barras virtuais so equivalentes as cargas distribuidas, no sentido de que produzem os mesmos esforgos transversos ¢ momentos flectores nos nés. OTT = oT, (Cargas concentradas equivalentes, iyo Apresentam-se em seguida as formulas que & necessério utilizar para calcular as forgas con- entradas equivalentes. O significado das grandezas que nelas intervém est4 representado na Figura 2.19. As férmulas so exactas para cargas com distribuicio linear ou parabslica e apro- ximades para distribuig6es de ordem superior, e fazem a distingdio entre “nds extremos” & “nds intermédios”: @ Discretizagao linear Néextremo: Ax Chin +H) N6 intermédio: Ri! = = (24+ Fins) fe RoR ER Gat 4h + fin) strana 83 84 Bensemane Eurema, (ii) Discretizagdo parabélica Ax N6 extremo: Ris = 34 (Visi + hi fins) N6 intermédio: fa -< fit +10F ~ fi) ai Rarer = Se fia t1OFi+ fis) Sempre que um né corresponda a uma descontinuidade do valor ou da derivada da distribuigao de cargas aplicadas, devem utilizar-se apenas as formulas relativas anés extremos para calcular a forca concentrada equivalente que nela actua. ie Receeea a Se Se $ , m Set Discretizagio das cargas distribuidas. (@)linear, —() parabélica. ‘Quando existem cargas distribuidas, o método de Newmark fornece directamente os valores dos esforgos transversos “médios” (Vineg) nos elementos e dos momentos flectores nos nés. Um pequeno célculo adicional permite obter os valores dos esforgos transversos nos nés. Todos os valores sto exactos desde que a discretizagio das cargas distribuidas também 0 sea. ‘Uma vez conhecidos os momentos flectores nos nés, basta dividir os seus valores pelos cor- respondentes valores da rigidez de flexdio EI para obter as respectivas curvaturas (k = M/ ED). ‘Visto que as relagées entre a carga (f), 0 esforco transverso (V) € 0 momento (M) sto idénticas aquelas que exibem a curvatura (¥), a rotago (8) ¢ 0 deslocamento (w), é fécil concluir que o método de Newmark também pode ser uilizado para calcular rotagdes ¢ deslocamentos a partir de um diagrama de “curvaruras distribufdas”. E apenas necessério tomar em consideragao a ‘oMecraesit CAPITULO 2 Axluse Lota ce EamLoADe especificidade das condigdes de fronteira (so agora cineméticas em vez de estAticas). O primeiro asso consiste em substituir o diagrama de curvaturas (de que se conhecem apenas os valores ‘nos nés) por “curvaturas concentradas equivalentes” (kzype) actuando nos nés. Fisicamente, estas grandezes representam as variagdes (bruscas) de declive que ocorrem nos nés de uma barra ficticia constitufda por elementos rigidos ligados entre si por molas de rotagao. Estas “curvaturas concentradas” so equivalentes ao diagrama de curvaturas real, no sentido de que provocam as ‘mesmas rotagdes ¢ deslocamentos nos nés. As fSrmulas utilizadas para efectuar a “discretizago” das curvaturas so novamente as apresentadas em (2.106) e (2.107) (basta substituir “Ff” por “M1 EI”), Observe-se que a utilizago do método de Newmark para calcular rotagées e deslo- camentos é em tudo equivalente a aplicagdo do “método da viga conjugada” [2.11] (0 conceito de “viga conjugada” é aqui substitufdo pelo de “curvatura concentrada"). Por tiltimo, refira-se que o método de Newmark é também particularmente adequado para resolver barras hiperstéticas através do método das forgas. De facto, a sua atilizago conduz a uma deter- minagio simples e eficaz, dos coeficientes da matriz de flexi ILUsTRAGAO DO Méropo Considere-se a barra representada na Figura 2.20 e sujeita ao carregamento af indicado, Pretende-se calcular as reacg6es de apoio, o diagrama de momentos flectores, a confi- ‘gurago deformada e o valor da rotagiio sobre 0 apoio D. t -Exemplo ilustraivo da aplicaglo do método de Newmark. Mostram-se inicialmente, na Figura 2.21, os céloalos efectuados (com base numa discretizagio com cinco nés e 4 elementos —Ax= €/2), apds o que se apresentam alguns comentérios expli- cativos, ONeGraw it 85 86 fmamioe Eran. A B Cc E D Ce eee 12 12 12 £12 Né 4 7 é F DB] Feo Elemento AB BC cE ED de escala @ Ff ee A at -1 ot if Gi) Some 3 6 6 6 3 fEIN2 Gi) OF oO a oO oO oO fe Phim | 3 a8 6 ~ 3] fein Vina F} ai 7 3 feria (vi) oO 3 24 Sh 84 fOlm (ii) Moar 36 + 24 54 Be FOI 30, FEMND __Vnes al fern x) M 36 2 o 3 o FON wi) ok 36 3 0 3 Of fe@re4eer Gi) ke ae | fan || oe % ie [verse Gait) eae 306 558 370 510 PONSTEL ow" of [ae] fal Fae “iow [perasouer ) Wear 0 ° 0 972 i944 | f6*/230881 VI) Psary 0 o 972 972, SF @IISZED vil) Cred 306 558 402, 462 SEMISZED (xviii) w 0 306 864 462 0 | £81 230481 (a) Reacgdes de apoio re Rair-corkarsse 1) 36 M, =~ pete -tsfe = He pens © [-3+(-3)], fee OS5f€ Mm. 12 PQIIEEEIT A ptcasio do metodo de Newmark. eneoamtst CAPITULO 2 AviuseLecanneEsamunane 87 (b) Diagrama de momentos flectores 36 2 (©) Configuragio deformada ° 308 864 482 (@ _—_ Rotagio sobre o apoio D a 8p = (462-418) 2 = 0,417 LE T1528 w (y EL P, S21 fr SUG exp Worl) * G2 Wal) = 42 ( OMG tit 98 Brensnspane BemureRaL Observe-se que majorante de P,, obtido tem precisamente o mesmo valor da aproximagio de P., calculada através do método de Galerkin, com a mesma fungdo de forma (ver (2.118)). De facto, pode mostrar-se {2.15] que, em problemas conservativos, a. utilizagéo dos métodos de Galerkin e Rayleigh -Ritz, com as mesmas funcdes de forma, conduz sempre As mesmas estima- tivas da carga critica de bifurcagio e do respectivo modo de instabilidade. Gil) WE) = 4, V1) +H Vole) SEL 36EI K,=42t = S6ET in n= 2¢ 12e Gye =f wes nas re 4EI Ky = Kn =f Vi Vow dea enn) Gia = Gy =f Win Vas dede=S, Fazendo 4 = P¢?/ El, aresolugdo do problema de valores ¢ vectores préprios do sistema discretizado conduz a a ane =0 = A,=20,92 (menor raiz) a 35 ans) 1 Mo = {ask ‘Tem-se entio, para o sistema continuo, El P, $2092 = er 7 aa36 Worl x)= ay [Wal x) +6,59 ¥2(x)] = 13,18 rie) oMeGraw i CAPITULO 2 ANAusE Livan pe ErAnemuoe Constata-se que 0 majorante de P., obtido € apenas ligeiramente inferior 20 calculado em (If). Tal deve-se ao facto, claramente expresso na relagdo entre ‘as componentes de {q},,, de o factor de participagao de y;(x) no verdadeiro modo de instabilidade da coluna ser muito inferior ao de yo(x), Recorde-se que 0 valor exacto da carga critica da colina é P,, = 20,19EI/ €2, 235 METODO DOS ELEMENTOS FINITOS O método dos elementos finitos (MEF) {2.13, 2.16] 6, seguramente, 0 método numérico mais utilizado na resolugio de problemas em engenharia, Esta afirmagio € corroborada pela existéncia ¢ comercializagio, em variadissimos dominios cientificos e tecnoldgicos, de um elevado mimero de programas de célculo automético que empregam 0 MER. Em problemas conservativos, o MEF pode ser encarado como a aplicastio do métoclo de Rayleigh- “Ritz a0s varios “elementos finitos” em que a estrutura se admite “discretizada” (ie., subes- ‘ruturas com geometrias simples e convenientes, ligadas entre si por “n6s”), Desse proceso resulta a definigto de um conjunto de “matrizes de rigidez elementares” [K¢, relacionadas com ‘05 graus de liberdade de cada elemento (deslocamentos dos seus n6s). A matriz de rigidez global a estrutura (] constréi-se a partir das matrizes de rigidez elementares, através de um proce- 4imento designado por “montagem da matriz de rigidez global” e que toma em consideragio as condigdes de fronteira da estrutura e a compatibitidade que deve existir entre os graus de liber- dade dos diversos elementos finitos, Ao discretizar uma estrutura continua (reticulada, laminar ou tridimensional), o MEF transfere a determinagao do seu comportamento (normalmente apro- ximada) para a resolugdo de um sistema de equagdes de equilfbrio com a forma (K1{(Q}=(F}, ease onde (Q} e (F} representam, respectivamente, o vector dos deslocamentos nodais generalizados (graus de liberdade da estrutura discretizada ~ incégnitas do problema) e o vector das forgas nodais generalizadas, calculadas a partir das cargas aplicadas & estrutura. O sistema (2.135) pode também ser obtido a partir da estacionarizagao da energia potencial total da estrutura disere- tizada, definida por V=U+V,=U-W, 2136 onde a energia de deformagio U eo trabalho das forgas exteriores W sio dados, espectivamente, por 1 v= S10} IK(Q)=4 ky 0, aun 2 W=lFIO)=F 0. en OMGree it 99 100 sas mane ESTTRAL ‘Tem-se, entio, easy © que é equivalente a (2.135). No caso da anélise linear de estruturas, a matriz [K] ¢ 0 vector {F}, presentes em (2.135), depen- ‘dem apenas das propriedades geométricas e materiais dos elementos que constituem a estrutura ¢ das caracterfsticas das cargas aplicadas. Pretende-se agora generalizar o sistema de equago (2.135) para o caso de uma andlise linear de estabilidade. Consideram-se apenas estruturas reticuladas (pérticos) actuadas por forgas, ‘aplicadas nos n6s e que apenas introduzem esforgos axiais de compressiio nas barras, Para resolver esse tipo de problemas (ie., determinar cargas crticas e modes de instabilidade) de uma forma sistematica, 6 necessério definir a matriz. de rigidez de um “elemento (finito) de barra” uniforme (compressio N), [K*], de modo a incorporar os efeitos geometricamente nao lineares, Apre~ sentam.se em seguida duas formulagSes de [K¢], ambas obtidas através do método de Rayleigh- -Ritz, Despreza-se a deformabilidade axial e por corte do elemento de barra, o que significa ‘que 0s seus graus de liberdade so apenas as rotag6es ¢ os deslocamentos transversais das ‘extremidades (ver Figura 2.22) e que apenas as deformagées por flexi estio envolvidas. Rela- tivamente & configurago deformada adoptada para o elemento de barra, consideram-se duas situagdes: @ —_ Uma configuragaio aproximada, fomecida pela deformada exacta do elemento, na auséncia de compressdo (N = 0). Esta formulagao conduz a uma matriz de rigidez total aproximada do elemento de barra. Refira-se, ainda, que, no contexto da andlise linear de estruturas reticuladas, a utilizagtio deste configuragao deformada corresponde & resolugao dos problemas através do conhecido “método dos deslocamentos [2.11]”. Gi) A configuragtio exacra, forecida pela solugio da equagao Eliizee* Nitaq = 0: axa Esta formulagao conduz & matriz de rigidez total exacta do elemento de barra. 2.3.5.1 MATRIZ DE RIGIDEZ TOTAL APROXIMADA A Figura 2.22 mostra um elemento de barra uniforme, de comprimento € erigidez de flexao El, submetido unicamente a uma compressio N, Igualmente representada esté a sua configutago deformada w(x), designando-se por Q,, ..., Q, as rotagbes e os deslocamentos transversais que ocorrem nas extremidades. OMeGrow tat CAPITULO 2 AnuuseLiean oe Brannan Elemento de barra uniforme (compressto N), A energia potencial do elemento 6 dada por aun © aplica-se 0 método de Rayleigh-Ritz, com a configuragio deformada (aproximada para #0) W(x)=q, x8 +q x2 +a, x+G4. 2.18) Para que W (x) satisfaga todas as condigdes de fronteira W0)=0, ene) WL) = Q,, € necessério exprimir os parfimetros g, em fungio dos deslocamentos generalizados Q,, através. das relagbes easy OMecraw tt 102 EsamunaseEerunn. Visto ser claramente mais vantajoso utilizar como parimetros os deslocamentos generalizados Q; (0 seu significado fisico 6 imediato), introduzem.-se as relagSes (2.144) em (2.142) para obter (x)= 2, W1S)+Q, Va) +2 Ws + Wah» ane onde E=x/ le v, @=€(G -26 +8) Wy @)= 26-36 +1 nae Ws =e (E -8) ¥4Qa-2G +367, Estas fungGes designam-se por polinémios de Hermite e so as fungdes de forma associadas a cada um dos deslocamentos generalizados Q, Fisicamente, y; (6) representa uma configuragio deformada em que Q;= 1 ¢ Qjjui= 0. A introdugio das fungbes definidas em (2.146) nas equagées (2.125) (N = 1) permite definir as matrizes de rigidez (Kj) e geométrica (G,) do elemento de barra como 6 6 4 ; 2 ei 6 mB 6 BD é @ ¢ @ tKyl= = 7 : oan 2 cs 4 4 6 are = 2 € e € e 26 a £ ae 15 10 30 0 7 Je 4 coe 0 3€ 0 56 (G1= as aa oe ae 30 10 5 on ae: ae ao 10 SE 10 5é. © MeGraw CAPITULO 2 ANhueLoeas se Eeantibans ‘A matriz de rigidez total do elemento de barra (aproximada) é, entfo, dada por [Ki]=tXs1-N IG, } aus Observe-se que K; € precisamente a matriz de rigidez do elemento de barra utilizada na andlise Jinear de estruturas (método dos deslocamentos). Relativamente ao significado fisico dos coefi- cientes da matriz de rigidez Kj, ele € idémtico ao da andlise linear de estruturas, desde que se Acrescente estar incorporado o efeito da compressio N. Assim, tem-se que “K} é a forga gene- ralizada que & necesséiio aplicar segundo o deslocamento generalizado Q; para obter uma defor- mada caracterizada por Q;= 1, Qj»; =0, na presenga de um esforgo de compressizo N”. Deste modo, 08 coeficientes de Kj relacionam os momentos flectores e esforgos transversos actuantes nas extremidades do elemento com as rotagdes ¢ deslocamentos por eles provocados nessas mesmas extremidades, Na Figura 2.23 mostra-se o significado fisico de Kj (F= 1, ... 4). 2.3.5.2 MarRiz DE RIGEZ TOTAL EXACTA Aplica-se novamente o método de Rayleigh-Ritz 20 elemento de barra representado na Figura 2.22, agora adoptando para configuraglo deformada W (a) =, sen kx +g, cos ke +9, x+44, aso, com k= N/ El, a qual constitui a soluggo exacta da equacko diferencial de equilfbrio (2.140), OMecraw tit 108 104 EeneuaoaEsrure Para que W (x) satisfaca as condigdes de fronteira (2.143), 6 necessirio que B D B +20, 45 05-72, assy Bp _ksenkl y By , ksenkt 15 Gg t Co AtBg Po iB yt GOs t GW onde A=2 (cos k ~ 1) +ké sen kt B=cosk€-1 aa C= AE sen ke ~ sen ke D=senke~K, Tncorporando as rolagbes (2.152) em (2.150), obtém-se W=Q, Wy (2) +.) Wo (2) +s Ws (24+ Os Wa ass) com Wile) = oa sen kx a 0s kx ass vac sen ter Deoster 2x 2 yy = Sek sen kr cost ksen ke wd, OMGra-Ht! CAPITULO 2 AviuseLoeanseBsaunne — 105 Finalmente, introduzindo (2.153) em (2.141) e derivando em ordem aos deslocamento gene- ralizados Q,, obtém-se a matriz de rigidez total do elemento de barra (exacta), dada por Sh, 24 66, ah € e e @ (x)= eo, | ass n om tt =5, 2129 ooh 224 t @ e e As fungées ¢; designam-se por “fungdes de estabilidade” [2.17] e sto definidas por $1 = Bd. cotz B eee (A= Bcotz A) asso 3 i 234+ Boot @y= 6a +5 Boog B 04> $6. ~ 5 coe 8, es, sendo 21H “carga de Euler” da barra (ce., a carga critica de bifurcagio de uma barra simplesmente apoiada com as mesmas caracteristicas geomeétricas e materiais - de algum modo, pode dizer-se que Nz caracteriza a resisténcia intrinseca da barra d instabilidade), OMCrav tit 106 Observa-se que os coeficientes da matriz de rigidez total Kj se obtém multiplicando os coefi- Cientes correspondentes da matriz de rigidez linear Kj, definida em (2.147), por uma fungao de estabilidade ¢, Vé-se, assim, que Kj = Kj (N), onde a dependéncia do esforgo axial N esté con- centrada nas funges de estabilidade, as quais variam com N de uma forma altamente nao linear (através do parametro f), Na Figura 2.24 mostra-se o andamento das curvas que relacionam 0 valor das fung6es de estabitidade com o valor da relago (V/N,), as quais se encontram igual- mente tabeladas no Quadro 2.2. & importante mencionar que se tem @ (0) = 1 (se N= 0, recu- pera-se, naturalmente, a matriz de rigidez linear) e que, no caso de uma barra uniforme, o valor m&ximo da relagio N/ Ny ¢ 4 (barra bi-encastrada), razdio pela qual na Figura 2.24 e no Quadro 2.2 se apresentam apenas valores de @; para Macrae tit CAPITULO 2 AnkuscLoearoe Emmunane 113 com a fungo Y; (x) dada por (2.146). Observa-se que o resultado obtido apresenta um erro de 48,5% em relagfo 20 resultado exacto. (i.2) 2 elementos finitos ‘Tendo em conta que, conforme mostra a Figura 2.26(b), se tem fo= fq=€/2e que, por uma questo de uniformidade dimensional, se considera 9; = w,/ £, vem axes IQ2EI_24Pe Ry eO[(au), +8) PE. Tem-se entio que, fazendo 2 = 22, ‘EI pA A ag A 1s 60 10 |xjl=0 4a yg 2h 0 |=0=.4=20,646 (menor raiz) as BROS) AEs 15 7 fe oe Loge 0 192-244 10 «, portanto, $20,646 eam) oMeGra bit 114 BensniosoeBemuruna Observa-se que o resultado obtido apresenta um erro de 2,5%. Aten- dendo a que o vector proprio associado a 4.= 20,646 & dado por {ah=[1 -0.328 0,237)", am ‘© modo eritico de instabilidade ¢ aproximado por ‘a, [i (@)— 0,328 ys (2) +0,237€ v4] osxsen Weel) = axa 4 [-0,328 yy (x— €/2) +0,237€ v2(x- €/2)] fQsxst, com as fungdes Yj (x) dadas por (2.146). Gi.3) Mais que 2 elementos finitos Na Figura 2.27 mostra-sea variago da precisto dos resultados obtidos, definida através da relagdo entre os valores aproximado e exacto de P.,, com o nimero de elementos finitos considerado (1). Vasago de (RP / 2) como nimero de elementos finite Observa-se que, apés enorme aumento de preciso que ocorre quando se passa de n= I para n= 2, amelhoria dos resultados € relativamente © Mires CAPITULO 2 ANiuscLaeRoeESamoe 115 pequena quando se passa den ter, paran=2, para n > 2. Tal facto resulta de se & ae 0,511, (a7) © que quer dizer que a substituigo das fungGes de instabitidade pelas ‘suas aproximagées lineares introduz erros pouce relevantes. Muito ‘embora a um aumento do niimero de EF correspondam valores de. P21 NE sucessivamente mais pequenos (majorantes mais precisos), nio existe é espago para uma melhoria de precisio significativa. 23.6 EXEMPLOS DE APLICACAO 23.6.1 COLUNAS NAO UNIFORMES Utiliza-se o método de Engesser-Newmark para determinar a carga crftica eo modo de instabilidade das colunas néo uniformes representadas na Figura 2.28, Enquanto a coluna da Figura 2.28(a) apresenta secgdo varidvel ¢ esté submetida a compressio constante por trogos, a coluna da Figura 2. 28(b) tem secgo constante ¢ esté submetida a compressio varidvel inearmente). A : piomete jae) fee POE EE ee ee QE /2 Pe g oO EEEMMEEDY cotunes nso uniormes. Considera-se, em ambos 0s casos, a cohuna discretizada em 5.nds ¢4 elementos e adopta-se para configurario deformada inicial wo (x) = 0,5 (1 - cos mx/£), & qual corresponde o vector wy) =[0 0146 0,5 0,854 1) ano ©meraw Ha! 6 Brranpao8 BSWToRaL () — Coluna com secgdo varidvel pts ° 2 ° 1 P y 3 3 ri [ot > me fo OMe 03 ‘Rs i Be pone 3st 0584 016 aM 0438 L962 “384 246 P wu ta 1.562 05 116 0 - k i 0781 025 £05, aus 0 Pret om [1486] 1812 5436 | 4376 392 0376 _| Peisaer 8 ied 25% | 9812 | 39308 28 PeS6ED ™ fo 1136 20992 2036 173.648 | PE /384 vol | — 4902 4504 4081 306 | a1/Pe : p24 EL AMBER, $3326 ( et ED pe = 3,219 2) {w},,~[0 0,077 0,287 0,605 I} a03si2 | Pe /seser 3386 | are ages | Pe/38eE7 sais | ape Observe-se que, 20 calcular 0 valor de kzoqe no né de meio vio, se utlizon duas vezes a expressio relativa a “n6 extremo” (e no a expressio relativa a “né intermédio”). OMecraw Hit (ii), Coluna com compressa variével A oe __e____e___e—- CAPITULO 2 Antuse Logan os Esmsnoane >] a 5 = ey > Poe | 6 % ry 3_ | pert W. a 5 > z ite Mie [eo One 25 oat 7 oy [aas| a xc) Eg ai 066 ar SHE “oa pare wR eae a oat o [pera Kane [15898] 209,928 ome 76,008 70996 | POT =OHET a TD BROT BEE wi PET ISOAET ™ [e Te ae sae TEU | pOTIIIGET wel | Tae Bo a G85 [_Biip® OMGren it EL EI TBF § Pop STBNG El (ne=78972) fw}, [0 0,091 0332 0,654 1}, Tames 7561 parse Bi pe uy U8 Examine Esra, 2.3.6.2 COLUNA COM APOIOS ELASTICOS Considere-se a coluna uniforme representada na Figura 2.29, Os deslocamentos das suas extremidades estdo restringidos por trés molas eldsticas (duas de rotagéo e uma de translago), cujos valores de rigidez C, so dadas por EL EI Gay Grae axe, [REID oluns com spoios ctsios. Eseothendo para graus de liberdade q; = 9, 42= O3¢ 43= We! €, a matriz de rigidez exacta da coluna 6 dada por (A= P) er [4371 264 6b, [xi] > 264 4034p, — -66,° |. ate 6, 662 129; + ps, ‘A carga critica da coluna (P,,) é a menor raiz. da equagio caracteristica [Kj|=0, a qual é uma fungdo altamente nao linear de P Como é ébvio, se um dos apoios eldsticos for fixo (C; = »), ocorrespondente grau de liberdade da coluna é suprimido. A titulo de exemplo, apresenta-se em seguida a determinagdo de valores de P., comespondentes a situagées particulares com interesse prético. OMeGrew Hit @ pease pee 493 +2 2, Magee oo wht p=0 p=l0 => p=20 > p=5,0 = p=50 = pen @ pi=p p:=0 pee l4gs+p 2¢a=0 o> tgke= 2 444 2p, [RO © (46,4+1+264) (495+ 9-264) = CAPITULO % AvAuseLnon pe Esmumooe 119 ae eee El P1368 09 BT 2, = 1,669 02 EL = Al P,, =2,296 0 El P, = 2,296 02 er me © MGrae ih 2.3.6.3 COLUNA SOBRE FUNDAGAO ELASTICA Considere-se a coluna uniforme simplesmente apoieda representada na Figura 2.30(a), a qual assenta, ao longo do vo, sobre uma fundagio eldstica. Admite-se que 0 compor- tamento da fundagio é descrito pelo “modelo de Winkler” [2.19], o que corresponde a encaré-la ‘como um conjunto de molas elésticas unidimensionais, de rigidez ¢(unidades FL: forga/unidade de deslocamento/unidade de comprimento da fundacio), que trabalham tanto & tracgo como & Compressiio. Deste modo, a presenga da fundago produz uma reaceio distribuida r=—e, w(x), am conforme se indica na Figura 3.30 (6). Be Toneagto asco EGTEERTY |) Cotuna sobre fundagto eléstica. (b) Comportamento da fundagZo (modelo de Winkler). OMeGram ttt CAPITULO 2 Avtuise Lean be Eraneonoe Vai utilizar-se 0 método de Rayleigh-Ritz para determinar o valor de carga critica ea forma do correspondente modo de instabilidade, O termo de 2.* ordem da energia potencial da coluna tem a forma (2. P) Vw, Pl= [Gra Lt Eta, cam onde a segunda parcela representa a energia de deformagao da fundago, e toma-se para apro- ximagao da configuracio deformada a série infinita H)= Da vi = Da, sen = 23%) a rat Note-se que as fungSes de forma y; (x) sto precisamente os modos de instabilidade da coluna sem fundagio eldstica, o que quer dizer que satisfazem todas as condigdes de fronteira e consti- tue um conjunto completo de fungdes, Desta forma, o modo de instabilidade exacto da coluna ‘esté, com certeza, contido em # (x). Introduzindo (2.179) em (2.178) e tomando em considerago que ff sen 8 sen ae [cou SB 7 7 3s» Os j) =), obtém-se A) se-r(8) a am ‘Observa-se que nao existem “termos cruzados” (da forma g; 4)) em (2.181), razo pela qual a sua estacionarizagao (@V/ dq; = 0) conduz a um sistema de equagées lineares t] oy (in\ (3) >| Ell Pi =0 = £fa() +<,-2() Ja oe que corresponde a uma matriz de rigidez diagonal (embora de dimensio infinita). Este facto significa que os parmetros q, (e/ou as fungdes de forma yj (x) = sen iztx/ €) so as coordenadas OMG it 1 12 _Erasmapins EermoronaL principais do problema (ver Coondenadas Principais, p. 54 e p. 72) ¢, portanto, que o anulamento de cada coeficiente de q,, em (2.182), fornece uma carga de bifurcag%o (exacta) Pe. Tem-se, enti, que as vérias cargas de bifurcago e os modos de instabilidade associados sZ0 dados por +4) Ww 2g sen, ay onde 6, “fe axe sfo, respectivamente, a carga de Buler da coluna e um pardimetro que relaciona os valores de tigidez da coluna e da fundacéo. Para um dado valor de @;, a carga critica da coluna (P,,) corresponde ao valor (inteiro) de ique minimiza PO, isto 6, & f= Aenin( 2+) cas ial A eesté-Ihe associado um modo de instabilidade com i semi-comprimentos de onda, Na Figura 2.31 mostra-se a variagdo de Ff, AA e R{°) com Z (linhas rectas a tracejado). A linha quebrada a cheio representa a variagdo de P,, com Z; (P,, = Ff se T, $4, P,,= AO se 4 < G $36, etc.). E importante referir que as solugdes de problemas de colunas apoiadas em fundagées elisticas sfo utilizadas em variadissimas aplicag6es, sendo os apoios eldsticos utilizados para modelar ainfluéncia de elementos estruturais adjacentes (cordas comprimidas em vigas articuladas ou torres espiadas — ver Figura 2.32) ou de um meio continuo envolvente (tubagens enterradas ou linhas de caminho-de-ferro), Em rigor, o modelo estrutural utilizado para estudar a corda comprimida ¢ a torre espiada deveria ser constitufdo por uma coluna apoiada num conjunto discreto de molas elésticas dispostas 0 ongo do seu comprimento (Figura 2.33). A rigidez C dessas molas esté directamente relacionada com 0 comportamento, no plano de flexto associado & instabilidade, das barras verticais e diago- mais (viga articulada) ou dos pares de espias (torre espiada). Omer commen CAPITULO 2 AnALe Live mB EstamAoE WOES estate cc vn cota sobre ancapioesticn a a (@) Cora compyimida de ume vis atid, (b) Torre espiada. A ee ae c c c ¢ ¢ Movelo estrada coda comprimide AB. 0 Meco) 123 124 Esasmanaoe Eervnutat ‘Tendo em vista o elevado esforgo de célculo envolvido no estudo da estabilidade de uma coluna apoiada em vérias molas eldsticas (apoio discreto), € conveniente substitu-las por uma fundagio elistica (apoio continuo) “equivalente”, no sentido em que a suarigidez cy se obtém “distribuindo uniformemente” as rigidezes das diversas molas (ce., «j= C/ d, sendo d 0 espagamento entre molas). E interessante observar que a conhecida férmula de Engesser [2.20], dada por e136, que permite determinar a rigidez minima das molas (C,,,) que garante uma carga critica Pep € obtida a partir de (2.184), tratando a varidvel discreta (inteira) i como continua, Esta férmula fomece resultados bastante precisos, relativamente & solugio com apoios discretos, desde que setenha €/i> 1,84 (2.21). 23.64 ESTRUTURA RETICULADA SIMPLES Considere-se a estrutura reticulada representada na Figura 2.34(a), a qual 6 ‘constituida por duas barras uniformes de diferente geometria e estd submaetida ao carregamento indicado (A= P, Ng =1, Nyc = @). Vai utilizar-se o MEF na determinaglo do valor de P,,.para @ a3 (matriz de rigidez exacta) e (ii) = 0 (matriz de rigidez aproximada), ae 5 ar _| ee ¥e au ® g Oo Estruturaretilada simples. Na medida em que a estrutura contém uma barra com uma extremidade articulada, 6 conveniente introduzir as matrizes de rigidez, exacta e aproximada, de um elemento finito de barra sem Constrangimento de rotagto numa extremidade (Figura 2.35). Essas matrizes deduzem-se facil- mente de (2.149) e (2.155), impondo a condigao F = 0 (ver Problema 2.8), Determina-se a © Mera CAPITULO 2 AnMutLamanneEstammace 125 telagio Q, = Q; (Qs, Oy, Q4)e, consequentemente, suprime-se o grau de liberdade Qs, cor- respondente & rotagdo na extremidade direita (ver Figura 2.22), Elemento de barra com roago lie nui extrema, ‘Tem-se, entiio, que a matriz de rigidez exacta é dada por 2 -£ Ws en Os fee eas ea matriz de rigidez aproximada por 3 é i 3 7 7 a e 3 3 3 3 1 6 es Biew|2 ae in B 3 s cuss) = Se ji fa @ é 5 3e © MGraw-tal 126 Esnsuosoe Berevrua () 23 +matriz exacta A estrutura tem um grau de liberdade (Figura 3.34(b)) e observa-se que 2m EL wy) _3(N rat = (AE) om Tem-se, enti, que a equagiio caracteristica é dada por oy (Typ x0 = A(P)=0 ano $ |x 499- a sua solugio “por tentativas”, utilizando 0 Quadro 2.2, conduz a P 3P. B12 = 7218 = A(P)=0,265 (We) Oe P 3P aan 13 => 72195 = A(P)=-1,360 (Wey Wr)e . te 21,216 (interpolagio linear) = (elo Gi) @= 0+ matriz aproximada Discretiza-se a barra AB em dois EF e, portanto, a estratura tem trés graus de liberdade (Figura 3.34(0)). Tem-se, entdo, que os elementos da matriz de rigidez sto dados por GEI_ Pe BEI Pe _14EI_5Pe Kjy=22 A € 1 @ is & 30 4EI | Pe Kj = Kj, =—-+—- 13 31 7 oO ox ki, = SEL_3PE , 248 3PC_ 30 6Pe eee ees Lee 12EI_ Pe Kh, = Ki, = ——- bb = Kh == 35 Kj, = SEL_ PE, SEL W6EI_ PC Be 1s &) eS eo mecrawtit © MG CAPITULO 2 AnduseLoeaRce Emami — 127 -€ aequagdo caracteristica corresponde a (A= P£2/ ED, 145k 30 |Ri]=0< 6+ a aah 60. a x 6+— 4+— “20 6 30-84 39-2}. 0= A= 16,922 (menor rai) 5 20 a a -2 6-4 2 20 6 15, ax E 2, $1692 S (= 128 Sramowe ESM 4 PROBLEMAS PROPOSTOS: 2h Considere 0 modelo estrutural representado na Figira P2.1, 0 qual é constitufdo por barras rigidas (AB, BC e CD) ¢ molas de rotagdo eldsticas (valores de rigidez K © GK) € esté sujeito ao carregamento indicado, 8) Fazendo or= 1, determine o valor das cargas de bifurcagio do modelo ¢a forma dos comrespondentes modos de instabilidade, ) Determine a vatiagdo do valor de carga critica do modelo com o valor do pardimetro cz, Considere o modelo estrutural representado na Figura P2.2, onde as barras AB, BC, BB’ e CC’ sio rigidas a barra A’C’é deformével (rigidez de flexio ED), 0 qual estésujeito 8 acgio de uma forga vertical P aplicada no ponto C. Determine o valor da carga critica de bifurcagio do modelo e @ forma do correspondente modo de instabilidade. OMeSrawHut — CAPITULO % AvtuseLivexr oe Esrimuinase — 129 2.3 Considere o sistema estrutural representado na Figura P2.3(a), o qual é constituido. mae por duas barras de comprimento € ¢ rigidez de flexiio El e est submetido a0 carregamento indicado. Admitindo certas hipéteses simplificativas, 0 compor- tamento de estabilidade do sistema pode ser obtido através da andlise do modelo de cdleulo da Figura P2.3(b) ~ coluna simplesmente apoiada numa extremidade ¢ com um encastramento elastico na outra extremidade (rigidez X =4 El/£), Utilizanda orefetide modelo, determine a carga critica do sistema estrutural ¢ a configurago do correspondente modo de instabilidade (6 na coluna AB). 4) “Exactamente”, ‘b) Aproximadamente, utilizando o método das diferencas finitas (2 pontos no interior da coluna). ©) Aproximadamente, utilizando o método de Galerkin ¢ tomando para confi- guragdo do modo de instabilidade W(x) = g, sen (ax/£) + 2 sen (2nx/€). (NOTA: como W(x) nao satisfaz uma condigho de fronteira estética, 6 necessério considerar e “pesar” adequedamente também 0 resfduo correspondente a essa condigio de fronteira,) 4) Aproximadamente, utilizando o método dos elementos finitos (matriz de rigi- dez aproximada e 2 elementos na coluna). et eye 7 “ah ene 24 — Considere os sistemas estruturais representados nas Figuras P2.4(a) e P2.4(b), os quais so constituidos por barras submetidas a esforgos axiais linearmente dependentes de um parimetro P, Utilizando 0 método de Engesser-Newmark, determine, para cada um deles, o valor de P,,.¢ 2 configuragao do correspondente ‘modo de instabilidade. No primeiro caso (Figura P2.4(a)), subdivida o sistema em 4 elementos ¢ admita como estimativa inicial do modo w(x) = Ax? (x - 26) No segundo (figura P2.4(b)), considere 3 elementos ¢ aproxime inicialmente omodo por w(3) = Ax (x~ €/4). © Meroe Sea oa : a (le Ieee ||| eo. t 2 a a 25 Comide ouitena eur rreeid Fp P20 cosa 26 por uma barra deformével(tigidez de flexio ED) com 4 apoios (dois simples ¢ dois elésticos —rigidez K)e submetida a ume compressio uniforme de valor P, Admitindo que 0 modo de instabilidade da coluna pode ser aproximado pela funga0 ca 2m 3m wx) =, sen +gy sen +g, sen, utilize 0 método de Rayleigh-Ritz para calcular a variagio do valor de P,,.com a rigidez K. A B ei c DUP pues ix i Trt £73 6/3, t/3 Uilize o método de Rayleigh-Ritz para calcular uma estimativa da altura méxima ‘que um mastro, de peso p por unidade de comprimento, pode ter, de modo a nio instabilizar elasticamente apenas sob 4 acgo do seu peso proprio. © mastro tem comprimento € ¢ rigidez de flexio ET, esté encastrado na base e a configuragiio do seu modo de instabilidade pode ser aproximada por wea)={i~cor%) onde 66 0 deslocamento da extremidade livre do mastro ¢ x a distincia de uma seegio genérica a sua base, © Microw CAPITULO 2 ANiuseLuean pe Eswanoane 137 27 — Considere a coluna representada na Figura P2.7, de comprimento ¢ ¢ rigidez de Cake flexlo ET, a qual se apcia nume fundagio eléstica de Winkler (rigidez = 90 EU) ‘se encontra submetida a uma compresslo uniforme P. 4) Estabelega variacionalmente a equacio diferencial de equilforio da coluna e as respectivas condigées de fronteira. ') Admitindo que o modo de instabilidade pode ser sproximado por x,,2 WO)= atm 54 OTe utilize o métado de Rayleigh-Ritz para calcular um majorante de Pe determinar uma estimativa do modo crtico de instabilidade, 2.8 Determine as matrizes de rigidez total exacte € aproximada de um elemento de barra uniforme, de comprimento ¢ e rigidez de flexdo EY, submetido a uma com- ressio Ne com a extremidade direitaarticulada (ver Figura P2.8), nA E16 Bow Sete eee alee © Medan CAP{TULO 3 ESTABILIDADE DE PECAS LINEARES E ESTRUTURAS RETICULADAS Neste capftulo estuda-se o comportamento geometricamente nao linear de barras isoladas e de estruturas reticuladas, tais como estruturas articuladas ou pérticos. B importante referir que se consideram exclusivamente estruturas planas ¢ se abordam apenas os fenémenos de instabilidade que envolvem deformagées no seu préprio plano, todos eles devidos & presenca de barres comprimidas (instabilidade por flexio), No Capitulo 4 estudar-se-o problemas tridi- ‘mensionais (estrutura e/ou deformagées), nomeadamente comportamentos geometricamente nfo lineares associados & ocorréncia simultanea de flexio ¢ torgdo, A consideragio dos fen6menos de instabilidade 6 particularmente importante quando se pretende ceterminar a capacidade resistente de estruturas metélicas, De facto, a elevada resisténcia dos metais conduz frequentemente & concepgfo de estraturas esbeltas, ie., estruturas cujo com- portamento global ¢ fortemente condicionado pelos fenémenos de instabilidade. Por outro lado, sabe-se que os diagramas tensZo-deformaco (a ~ £) que descrevem adequadamente o com- Portamento material dos metais tradicionalmente utilizados na construgéo (ago, alumninio, ete.) se designam por elasto-plésticas ¢ so caracterizados por: @) Um trogo inicial eléstico (dominio eldstico), reversivel e geralmente com um anda- mento linear (dective constante E). Gi) Um trogo plistico (dominio pléstico), imevers{vel, no sentido em que uma eventual descarga ocome “paralelamente” ao trogo elistico e gera deformagSes permanentes, ‘mnitas vezes com um andamento no linear (declive varidvel E). 134 Emanmane Eeaimima ‘A Figura 3.1 mostra dois diagramas tensio-deformagto elasto-plisticos utilizados para modelar ‘ocomportamento de um grande mimero de materiais, nomeadamente dos metais. O trogo elés- tico comesponde a 0 0, € 0 trogo plistico a > G, (6, designa-se por “tensio limite de propor- cionalidade” ou, em certos casos, por “tensdo de cedéncia” ~ representa-se entfo por 0,). primeiro diagrama (Figura 3.1(a)) tem um andamento “bilinear” ¢ caracteriza-se pelo facto de Ey ser constante. © comportamento do ago macio, de longe o metal mais utilizado em cons- truco, é normalmente modelado por um diagrama com estas caracteristicas (E;= 0). O segundo diagrama (Figura 3.1(b)) tem um andamento “no linear" (Ep varidvel) e € utilizado para descrever o comportamento de metais como 0 alumnfnio ou 0 ago inoxidével. Diagramas tensio-deformagio elasto-plsticos. (@) Diagrama bi-linear (b) Diagrama nfo linear. No caso das estruturas muito esbeltas, a capacidade resistente € condicionada por fenémenos de instabilidade e 0 colapso ocorre quando todos os pontos da estrutura se encontram ainda no domfnio elfstico. O estudo desses problemas envolve apenas a considera¢ao da nao linearidade geométrica e constitui um dominio designado, genericamente, por “estabilidade (em regime) léstica(o)” de estruturas. Em estruturas menos esbeltas, 0 colapso pode ocorrer quando alguns pontos se encontram jé no dominio pléstico. Por esse motivo, é indispensivel considesar a interaccio entre as nio linearidades geométrica e fisica (plasticidade), sendo por isso necessério recorrer a conceitos de “estabilidade (em regime) elasto-pléstica(o)” de estrururas, Como a anilise linear de estabilidade (Geterminagio de cargas de bifurcagao e modos de instabilidade) apresentada no Capitulo 2 foi efectuada no ambito da estabilidade eléstica, introduzem-se neste capftulo os conceitos mais importantes da estabilidade clasto-pléstica. Ao longo do capitulo faz-se também referéncia a filosofia e prinofpios que estio na base da elaboragtio de regras de dimensionamento e verificagdo de seguranca relativas a estados limites ‘ltimos que envolvem fenémenos de instabilidade. Em particular, descreven-se com algum pormenor as disposigbes contidas na nova regulamentacdo europeia de estruturas de ago ~ Euro- cédigo 3 (BC3) [3.1] ¢ ilustra-se a sua aplicagio através de um conjunto de exemplos, OMe Hit CAPITULO 3: Emsnimans.s Pacas Liscanes ¢Esrnonnas RENCULALKs 31 COLUNAS 341 ESTABILIDADE ELASTICA, Estudou-se exaustivamente, no Capitulo 2, a estabilidade linear de colunas em regime eléstico, Em particular, viu-se que a carga critica de bifurcago de uma coluna uniforme (compressio P, comprimento £ ¢ rigidez de flexdo EN), com quaisquer condigoes de apoio, pode ser escrita na forma ner, 7 ‘que quer dizer que a influéncia das condigdes de apoio se encontra traduzida no valor do pardmetro 7. 3.1.1.1 COMPRIMENTO DE ENCURVADURA Observa-se que a expressio (3.1) pode ser escrita de um modo alternative como eee 7 (ae)y” fazendo anw. A expressio altemativa de P,, esti na base do conceito de “comprimento de encurvadura” da coluna £,, dado por eo € definido como “o comprimento de uma coluna uniforme ficticia, simplesmente apoiada, cuja ‘carga de bifurcagio é idéntica 4 da coluna considerada”. O conceito de comprimento de encur- ‘vadura foi introduzido por Jasinsky em 1893 [3.2] e fisicamente, corresponde & disténcia entre dois pontos de inflexio consecutivos da configuragtio do modo critico de instabilidade (even- tualmente “prolongada” para alént do comprimento da coluna). A Figura 3.2 mostra e quantifica ‘os comprimentos de encurvadura de colunas com diversas condigées de apoio, OMG Hit 25 136 Conpnetos de encurvadn No caso de colunas integradas em estruturas reticuladas (pérticos), as suas condigdes de fromteira correspondem quase sempre a situagées intermédias dos casos “perfeitos” representados na Figura 3.2, Le., a apoios (eldsticos) que restringem parcialmente os deslocamentos e/ou as rota~ es das secgdes extremas. A tftulo de exemplo, apresenta-se na Figura 3.3 um conjunto de ccarvas que permitem deteriinar os comprimentos de encurvadura de colunas bi-apoiadas com as rotagdes nas extremidades parcialmente impedidas (encastramentos elésticos cujos valores de rigidez sto C, e C,). Cada curva traduz a variagdo de a= €,/ € com o parametro p, = Cy€/ EI (medido em escala logaritmica), para um determinado valor da relagao C, / C,. Observe-se que a obtengiio de um qualquer ponto de uma dada curva corresponde & solugdo do corres- pondente problema de andlise linear de estabilidade, definido por (ver Coluna com Apoios Elasticos, p. 118) ste 244 =0= 2, 3 204 463 + pp] Finalmente, refira-se que o conceito de comprimento de encurvadura pode também ser genera~ lizado para o caso de colunas nao uniformes, sendo ento necessétio definir valores de referencia para a compressa (pardmetro de carga) e para a rigidez de flexi (por exemplo, o valor méximo de Ne 0 valor minimo de EN). Em rigor, pode dizer-se que a wiilizago do comprimento de encurvadura corresponde a empregar uma “linguagem alternativa” para escrever o valor da carga ceftica de bifurcagdo de uma coluna (note-se que a sua determinagtio requer sempre a resolugao de um problema de andlise linear de estabilidade). OMGran Hat CAPETULO 3: Esnmminane ne Pacas Leweanes x sTsUTUnAS RETICUADIS 3.1.1.2 IMPERFEICOES GEOMETRICAS Até aqui consideraram-se apenas colunas “geometricamente perfeitas" (ou “ideais"), xa medida em que se admitiu sempre (implicitamente) que o seu eixo é inicialmente rectilineo ¢ «que as cargas axiais a que esto submetidas actuam exactamente segundo esse mesmo eixo. Dessas hipéteses resulta que s6 podem ocorrer deslocamentos transversais quando se atinge a carga critica P.,(para P < P,,, existern unicamente deslocamentos axiais ~ traject6ria fundamental). Aborda-se agora o comportamento de colunas “reais”, assim designadas por apresentarem Gnevitdveis) imperfeigdes, nomeadamente “imperfeigbes geométricas”. Estas podem ser, essen- cialmente, de dois tipos, os quais estio representados na Figura 3.4 e se definem como: @ — Configuragdo deformada inicial wo (x) (Figura 3.4(a)), 0 que corresponde ao eixo da coluna ndo estar inicialmente (i. ¢., para A= P= 0) rectilineo; OMG 37 138 ExaseomeEsmumaAL (ii) Excentricidade de carga e€ (Figura 3.4(b)), 0 que corresponde as cargas axiais nfo actuarem segundo o eixo da coluna, Sata i. h ‘Colunas com imperfeigbes geométricas. (@) Configaracto deformadsinicial. (b) Excentrcidade de carga. Estuda-se em seguida o equilforio de cohmas com uma configuracio deformada inicial ou sub- metidas a cargas axiais que actuam excentricamente. E importante referir que, muito embora se considerem apenas colunas simplesmente apoiadas, os resultados obtidos so facilmente genera- lizaveis para colunas com quaisquer outras condigGes de apoio (por exemplo, substituindo Py Por P., ou recorrendo ao conceito de comprimento de encurvadura). CONFIGURAGAO DEFORMADA INICIAL, Considere-se a coluna simplesmente apoiada representada na Figura 3.5, a qual apresenta uma configuragio deformada inicial (IV = 0) wa (x). Ap6s a aplicagao da carga P (N= P), aconfiguragio deformada da coluna varia de w (x), isto 6, a configurago deformada ‘otal (medida a partir da horizontal) € dada por wy (x) + w (3) weipewte (#0) ‘Coluna com uma configuraco deformada inital, A equagio diferencial de equilforio que traduz 0 comportamento da coluna tem a forma Elway +P (wg tw)=0 © Ew, +Pw=-Pwo, ao Mca CAPITULO 3% Estapsioanee Poca Lnases ¢ Esrmurunas RETCOLADAS devendo salientar-se que os momentos flectores internos (Elw,,.) io devidos unicamente aos deslocamentos adicionais w (x), Qualquer que seja a configuragdo deformada inicial da coluna, ela pode ser sempre representada or uma série de Fourier do tipo mre => ww sen, an admitindo-se conhecidos os coeficientes 9. Recordando que w,, (x)=sen mmx/£ so os modos de instabilidade da coluna perfeita, pode dizer-se que cada coeficiente w2, representa a ‘compo- nente da configuragéo deformada inicial segundo o modo de instabilidade de ordem m da coluna (perfeita)”. Introduzindo (3.7) em (3.6) ¢ tomando em consideraglo que as condigbes de fronteira sto w (0) =w (2) =0, a solugio da equagao diferencial de equilibrio (3.6) é no caso geral, fornecida pela expressio onde w, sto coeficientes que é necessétio determinar, Para isso, basta substituir (3.8) em (3.6), obtendo-se ~ 2 « 3-23) oreo 3 (- P09 sen «9 = mi gualando os coeficientes das fungGes trigonomeétricas (senos), ver. Pug », am) na na BEY p a(%) on, tendo em conta que Pl") = n2n2EI/E2, oy ONeGraw Ht 139 140 ‘Tem-se, entio, que a configuragao deformada da coluna, quando submetida ao esforgo de com- pressfo P, 6 dada pela série ~ _Pwe nT w(x)= Yap tosen. z BPs on A anélise desta expressiio permite constatar que cada termo da série tem a forma de um modo de instabilidade da coluna perfeita, sendo a sua amplitude igual ao produto da respectiva compo- nente inicial w2 por um coeficiente P/(P{"” ~ P), designado por “factor de amplificago”. Cada componente das imperfeighes iniciais € “ampliada” através de um factor inversamente proporcional & carga de bifurcagio comespondente e, obviamente, dependente do valor de P No caso de se ter w? #0 ¢ 2,4; =0 (Configuragio deformada inicial com a forma do modo cerftico de instabilidade), a expressdo (3.12) passa a escrever-se (Ff = P,, = Pz) w(x sen x ax) aqual 6 também (aproximadamente) valida se w? #0, P= Pz enfoexistr qualquer W241 = 05> w? (acomponente w; é claramente predominante em relagio as restantes). Na Figura 3.6 represemtam-se, esquematicamente, trajectérias de equilfbtio (relagdes carga- -deslocamento transversal a meio vao) obtidas a partir de (3.13). Enquanto a Figura 3.6(a) mostra a relagao entre P ew, (deslocamento adicional), as curvas da Figura 3.6(b) relacionam carga com o deslocamento total, dado por awn ‘Acexisténcia da configuragiio deformada inicial tem como consequéncia a presenga, desde o inicio o canregamento, de momentos flectores cuja distribuicao 6 ve? sen aus € que provocam um aumento gradual dos deslocamentos. Deste modo, conclui-se que uma coluna imperfeita ndo apresenia bifurcagao de equilfbrio e que, no contexto da andlise (lineari- zada) efectuada, os deslocamentos se tornam infinitos quando se atinge a carga critica (P= Py 6 uma assimptota horizontal das trajectérias de equilibrio). © MGraw- Fh CAPITULO % EsuonianenePocAsLoeuss sEmumnasRencaans 14] ‘Trajectrias de equiforio da cohma com uma configuragso deformada inital, (2) Carga-deslocamento adicional. (b) Carga-deslocamento total. EXCENTRICIDADE DE CARGA Considere-se agora a coluna simplesmente apoiada representada na Figura 3,7, 4 qual esté sujeita a uma compressto uniforme P (N = P), actuando com uma excentricidade e, Colona submesic compet exotica, ‘A equagio diferencial de equilfbrio da coluna tem a forma El Wy tP(WHe)=0 © Elw,,+Pw=-Pe eae a sua solugo é dada por (w(0) = w(€) = Oe k= P/ El) was (1B sents scostx-1] om OMe 142 Esamsoxoe ESRUTONAL, (O desiocamento méximo ocorre a meio vao ¢ © seu valor & eee ‘Na Figura 3.8 representam-se, esquematicamente, traject6rias de equilfbrio obtidas a partir de (3.18), sendo importante zeferir que a ¢ > 0 corresponde 5< 0 e vice-versa, Tal como sucedia no caso da configuraco deformada inicial, a coluna nfo apresenta bifurcagio de equilibrio, devido A presenga, desde o inicio do earregamento, de momentos flectores com a distribuigo 5=w(E2)= M@ Pte+w nts Pe tet sen kr+cos ts} ay “Trjetcas de eulitro da colun comprinid exentrcamente Observa-se que 0 andamento das traject6rias de equilfbrio da Figura 3.8 ¢ semelhante ao das traject6rias obtidas no caso da coluna com uma configuraglo deformada inicial (deslocamentos adicionais). De facto, o comportamento da coluna apresenta as mesmas caracteristicas nas duas situagbes, DIAGRAMA DE SOUTHWELL Em virtude de todas as colunas reais apresentarem uma configuragio deformada inicial, nfo € possivel determinar experimentalmente o valor da carga critica P,, de uma forma directa (note-se que as curvas representadas na Figura 3.6(a), obtidas a partir de (3.13), séo hipérboles). OM} CAPITULO % Esantimanere Pacas Lowanss & Esrovonas REnclcAbas Em 1932, Southwell [3.3] propés um método engenhoso para resolver este problema, o qual se bbaseia na observagio de que as traject6rias de equilibrio da coluna imperfeita t8m como assimp- totas w, = 0 e P= P.,. Pode ent&o escrever-se, a partir de (3.11) e (3.13), wmestew @ wit) o ox RP PP) Pe elagdo que representa, num “ o,), com declive Ep varidvel (diagrama nao linear) ou constante (Giagrama bilinear — g,, designa-se por “tenso de cedéncia” 0). Gil) Descarga em regime eléstico (i. ¢., com declive E). E ainda importante referir que um sistema estrutural constitufdo por materiais elasto-plésticos ndo é conservativo, o que tem como principal consequéncia deixar de ser possfvel definir a sua energia potencial e, consequentemente, aplicar os métodos de andlise nela baseados. 3.1.21 BIFURCAGAO DE EQUILIBRIO Historicamente, o problema da instabilidade de colunas (geometricamente per- feitas) em regime elasto-pléstico foi abordado pela primeira vez por Engesser [3.4], que propés, em 1889, a denominada “teoria do médulo tangente” [3.5]. Engesser estudou a coluna simples- ‘mente apoiada e, relativamente A andlise eldstica efectuada anteriormente por Euler, continuow a.admitir (i) a hipotese de as secgbes planas permanecerem planas apés a deformagio, (i) uma aproximagSo linear para a curvatura (k, = —W,..) ¢ (ii) que a bifurcagio ocorre em “equilfbrio. neutro”. A tinica alteragao introduzida consistiu no facto de os incrementos de tenso passarem a ser govemnados pelo médulo tangente Ey (d= E; de). Daqui resultou passar a escrever-se & equagio diferencial de equilfbrio como Ep] Wg + PW= ean btendo-se, evidentemente, 2 Ds ae =P, a2) carga critica designada como “carga do médulo tangente”. Observe-se que, no caso de o médulo tangente £,, ser variavel (E,= E; (9)), (3.22) nio define explicitamente P,. Na realidade, tem- -s¢ (= P/A) P, ap,(?)) (7) Foyt, ax 2 determinagéo de P, envolve, no caso geral, um procedimento iterativo, OMccrae it CAPITULO % Esmtmane oe Pecas Lavanas x Eeraurunas RencuaDis Em 1895, Jasinsky [3.6], com base num trabalho de Considére (3.7), chamou a atengo para a incompatibilidade que existe entre as hip6teses de (i) a bifurcagio ocorrer em “equilforio neutro” ede (i) todos os inorementos de tensio serem governados por Er(3.5]. Esta observagaio levow Engesser a reformular a sua teoria por forma a garantir o equilibrio neuro, dando origem & “teoria do médulo reduzido” [3.8], que se apresenta em seguida, TEORIA DO MODULO REDUZIDO Considere-se a coluna uniforme simplesmente apoiada, de comprimento €, repre- sentada na Figura 3.10 (a), a qual apresenta uma secco transversal com um eixo de simetria e 6 constituida por um material elasto-pléstico, Pretende-se estudar a sua bifurcagio de equilibrio, Por encurvadura no plano de simetria, sob a acedo de uma compresstio de valor P> Aa, (colina no dominio pléstico). A configuragio deformada é caracterizade por deslocamentos positivos (vv > 0) e curvaturas também positivas (£,=~W,,, > 0). A flexio devida & encurvadura implica ‘um aumento de deformagio nas fibras do lado céncavo (®) ¢ uma diminuigo nas fibras do lado convexo (©) (Figura 3.10(b)). Para garantir o equilibrio neutro Figura 3.10(c)), os corres- pondentes incrementos de tensiio, governados por Eye E, respectivamente, devem ter uma resul- tante nula e equilibrar 0 momento exterior Pw. peg St Sty dro a f= 1 20) y ‘Teoria do médulo reduaido, (@) Caracterstcas geométricas ¢ materiais da coluns (©) Dingramas de deformagtes etensbes. — (c) Equiltrio neutro, Odes Hat Ms 146 Eziatscaoe Eeresrvna, ‘Tem-se, assim, que (tens6es dle compresstio positivas) deg = deg = 2M yy dog=Edeg=ExW x (<0) 25 60g =Epdeg=EtWq 0) sendo importante mencionar que a coordenada z é medida a partir da linha neutra (LN), cuja Jocalizagio no é ainda conhecida (no caso eléstico, passa no centro de gravidade). O seu valor 6 positivo (negativo) para as Aibras situadas no lado convexo (cOncavo). Determina-se a loca~ lizagio da LN através da imposigao da condiglo de equilfbrio neutro, definida por Jq%° A+), doo aa=0 @ Ef, 2dA+ By J cd =0 25) ‘0 4, altemnativamente, por E Sq + Ey Sy= 326) onde Sg € Sq sio, respectivamente, os momentos estéticos de Ag € Ag em relagio & LN (ver Figura 3.10 (a)). Esta equagdo, juntamente com o facto de se ter Ag + Ag = A, permite deter- minar a posigo da LN. Para garamtir 0 equilfbrio de momentos, é necessério que se verifique a condiga0 j,2290 + |, 2400 ea]= Pw e [elgures |e tia Bo equivalente a (E Ig + Er Iq) Wax + Pw =0, 25) onde I € Ia $40 0s momentos de inércia de Ag € Ag em telago & LN. Definindo agora 0 “mn6dulo reduzido” da coluna como i, = Flot Er lo 7 339) : (329) onde 76 0 momento de inércia de toda a secgo em relagio & linha neutra eléstica (baricéntrica), a equaglo (3.28) passa a escrever-se Eg l Wg, Pw =0. asm) © McGraw CAPITULO 3: EsrusiunAoe oe Pecas Livcanss x Bsrtrronas REMCOLADAS A correspondente carga critica, dada por m? Eel —ainele, as Pye designa-se por “carga do médulo reduzido” e, no caso geral, a sua determinagio envolve um clculo iterativo, O valor do médulo reduzido Ey depende de E, E, e da geometria da secgdo transversal. Como € dbvio, tem-se sempre Ey < Ep SE (e, consequentemente, Py S Py & P,). No caso da secgio rectangular, representada na Figura 3.11, tem-se — Er : AVE °0° E+ JE °° E+E, 3 3 =o p=? a bh > he tg +zp, de onde resulta 333) Mééuloreurio da zoo rectangle (© Mcrae 47 148 [Esrastupans ESTUTIRAL ‘Durante os cerca de 50 anos que seguiram & publicagdo da teoria do médulo reduzido, a comu- nidade cientffica viu-se confrontada com a seguinte situagao, aparentemente inexplicdvel ¢ conhecida como o “paradoxo da encurvadura de colunas”: por um lado, a teoria do médulo reduzido parecia conceptualmente inatacével e, por outro lado, os resultados experimentais apontavam para valores da carga critica bastante inferiores a P,¢ muito prOximos de Py. Final- mente, em 1947, Shanley (3.9] fornecen a explicagiio para o “paradoxo”, com base na andlise cde um modelo estrutural simples que se apresenta em seguida. MODELO DE SHANLEY ‘© modelo originalmente estudado por Shanley e designado por “‘coluna de Shanley” esté representado na Figura 3.12(a) e€ constituido por duas barrasrigidis (AB ¢ CD) ligadas entre. si por uma célula deformével (BC), formada por duas bielas com a relagio tenso-deformagio bilinear (médulo tangente F) da Figura 3.12(b). A “coluna” est submetida a uma compresséo P. = bert Dora rfetdo | gido Stlulo deformével “Coluna” de Shanley. (a) Geomettis, (>) Relagio tensfo-deformapio das bielas, Por uma questi de simplicidade ¢ clareza de exposigio, apresenta-se aqui a andlise do modelo cestrutural representado na Figura 3.13(a), cujo comportamento é em tudo idéntico ao da “coluna” de Shanley. E constitufdo por duas barras rigidas, dispostas em T invertido (AOB e OC), apoiadas ‘em duas molas elasto-plsticas com a relagto forga-encurtamento da Figura 3.13(b) (as bielas sio substituidas pelas molas e, deste modo, E e Ey passam a ter unidades de forga por unidade de comprimento), ¢ esté submetido a uma forga vertical P actuando no ponto C. (© modelo tem dois graus de liberdade, escolhidos como o deslocamento vertical do ponto O (u) © 0 deslocamento horizontal do ponto C (v). As forgas e os encurtamentos das molas repre- sentam-se, respectivamente, por Fo, Fo, da ¢ de € admite-se que o modelo se encontra numa configuracio de equilfbrio da trajectéria fundamental, submetide a uma forga P > 2 F, (ie., as © meCraw Hh CAPITULO % Erasnioaneoe Pocas Lasanes eEemurutseRencwnanas 149 molas jé se encontram no dominio pléstico) (Figura 3.14(a)). Os graus de liberdade, as forgas ¢ encurtamentos das molas so dados, respectivamente, por peetade 2D — sayreo 2Ep ase Forhg=t dy =dy =u. \r Model exrtrl equivalent clu de Sane. (@)Geomerria. _(b) Relagio forga-encartamento das molas. ‘Procura-se agora investigar a existéncia de uma configuracio de equilfbrio do modelo, na vizinhanca da trajectéria fundamental, sob a acgdo de uma forga P+ AP e caracterizada por (Figura 3.14(b)) dg = wt bd =e b~ 4 ay, ©MeGrom Hi 150 Emasninece Esra onde se admite que 0 deslocamento Av é pequeno (i.., sen (2Av/ €) = 2Av/ €). Relativamente aos valores de Eg e Eq, eles podem tomar o valor E,ou £, consoante a mola respectiva estiver em carga ou em descarga. # importante notar que, 20 introduzir 0 acréscimo de forga AP, esté-se a contemplar a hipétese de a bifurcagio poder ocorrer em “equilfbrio nfo neutro”. A consi- deragdio dessa possibilidade constitui a principal contribuigo de Shanley para a resolugo do problema da encurvadura elasto-pléstica de colunas, P >2Fe c CConfiguragdes de equilforio do modelo de Shanley. (a) Trajectéria fandamental. —(b) Configurago vizinha. As equacées de equilibrio (forcas verticais ¢ momentos em torno do ponto 0) relativas & confi- guragio deformada vizinha da trajectéria fundamental so Fot+AFytFa+AFy=P+AP < AFy+AFy = AP 5 e326 (PAP) Ay Ag Ag+ 72% (ps AP) =0, (F+AFy~Fo~AFa) 2 Até este momento nao se admitin qualquer hip6tese relativamente ao comportamento (carga ou descarga) das molas. Consideram-se agora as varias possibilidades, nomeadamente que (i) ambas as molas esto em carga, (il) ambas as molas esto em descarga e que (ji) a mola © esté em carga eamola © em descarga (Figura 3.14(b)). Antes de apresentar os resultados, € conveniente definir as cargas “de Euler”, “do médulo tangente” ¢ “do médulo reduzido” do modelo End Eh Pye ee He: ian on 2 2P Pp = Fe? 2B (x, =22= €” Pe+Pr PES E, OMeGransi CAPITULO 3 Examoanene Pecas Lnsanss EErmuTURasRencunsons 1S)’ @ —Ambas as molas em carga Tem-se k eg 20 E= Er Afi = Ey | Aut dv 38) Acq 20 Eq = Ep Aiy=E-(au~ ay 4) , introduzindo estas expressdes nas equagées de equilfbrio (3.36), obtém-se Aus AP 2E, ia Av[P,-(P+AP)]=0. Admitindo Av 2 0 (solugao nfo trivial), este sistema s6 & satisfeito se P= Pre AP=0, ‘oque implica Au = 0 ¢, consequentemente, que uma das molas esté em carga e a outra em descarga (conclusio que est em contradigo com a hipstese inicial). Gi) Ambas as molas em descarga Tem-se Ato S0 Eg= fy = Eau av) ee a) eg <0 a= E(u av) «¢ introduzindo estas expressbes nas equagdes de equilforio (3.36), chega-se & mesma contradigio do caso (i) (apenas se substi Py por Pz em (3.39). (ii) Mola © em carga e mola © em descarga ‘Tem-se Aeg20 Eg =E, ‘y= (aua»-) hk Au-Av= (a "7) oan Segs0 Ey=E Alp= 152 BramnmaneEenuroa, ¢, introduzindo estas expresses nas equagdes de equilibrio (3.36), obtém-se eB APIA (Pe P €20-PIP)\P Pe am dv=n—SP/Pr_{y_ Pe) TO-P/ PA) Fe Com base nestes valores de Au e Av, podem determinar-se as seguintes express6es para Age Ago, 2 beg = due tytn APL (_P € € 20-PIP)\ Pe. h_h? API P, Pr iP beg ndu-dv te SPUR (FE eo = An Ave aks e Para que as expressées (3.43) estejam de acordo com a hip6tese inicial (i.e, Aég 2 0¢ Meg $0), énecessério que P7S P < P;, Para Pr&P < Pp, tem-se AP > 0,0 que quer dizer que a bifurcagdo ‘corre com “aumento de carga” (em “equilfbrio estdvel”). Por outro lado, para Py

0) aay 2Pp AP me APip aig ap at SMS ayn) 0 (AP<0). Observa-se, assim, que o modelo apresenta uma faia continua de possiveis cangas de bifur- cago, situagio claramente distinta do caso eléstico, onde a tinica carga de bifurcagio é P,. Cada uma dessas cargas est associada a um valor diferente do declive inicial da traject6ria de pés- -enourvadura, conforme se pode ver na Figura 3.15(a). Chega-se ainda & conclusfo que a carga critica de bifurcagtio do modelo € dada pela teoria do médulo tangente (P,, = P;), ocorrendo a bifurcagao critica em “equilfbrio estével” (AP > 0). CAPITULO 3%: Esmsniosse Pos Lizanss Esmuronas RENCULADAs P, P, P, fe Pr. Pe CET State Ey decrescente (a) Bifurcagies declivesinicisis das tajetérins de pés-encurvadars. (b) Trajectérias de pés-encurvadura (E, constants) () Traject6ria de pés-encurvadura (E, variével-decrescente), Note-se também que, no contexto da anélise (linearizada) efectuads, os deslocamentos horizon- tais obtidos a partir de (3.42) se tomnam infinitos quando se atinge Py (P = P; € uma assimptota horizontal das traject6rias de pés-encurvadura, conforme se vé na Figura 3.15(b)). Refira-se, ‘ho entanto, que, se o médulo tangente Ey for varidvel (decrescente), a trajectéria de pés-encur- vadura ja no tende assimptoticamente para P = Pp ¢ apresenta um ponto méximo que cor- responde “carga titima” do modelo P, (ver Figura 3.15(c)). CARGAS CRITICAS DE COLUNAS O comportamento de estabilidade das colunas constitufdas por materiais elasto- -plésticos ¢ andlogo ao do modelo de Shanley. Assim, tem-se que a carga critica de bifurcagzo de uma coluna uniforme (compressio P) simplesmente apoiada é dada, no caso geral, por PET P, @ =P, as) a sua determinagio pode requerer, no caso de E; ser varidvel, um procedimento iterativo, Deve mencionar-se, no entanto, que, quando a relagio tensfo-deformacdo 6 bilinear (E constante), ‘a equagio (3.45) apenas permanece valida se P,> P, = Ag, onde A é a frea da seco transversal da coluna (ie.,se a coluna entrar no dominiopléstico antes de se chegar aP,). SeP,< P,tem-se P= P.=AG, a6) «© a bifurcacio pode oorrer em equilfbrio estavel (P_< P,), neutro (P, 153 154 sammie ESRUTURAL No caso particular do ago macio (relagdo bilinear com Ep= 0 ~ comportamento eléstico- -perfeitamente pléstico) tem-se, obviamente, on Deste modo, P,,= min (P,, Pz}, correspondendo P, & plastificagdo da secgiio e P, a0 colapso por instabilidade no dominio eléstico. Pode, ento, dizer-se que a tensdo instalada na coluna (o= PA) é limitada pelas condigdes aa) ‘Tomando em consideragio que oj se pode escrever na forma “ee onde i= /77A € 0 raio de giragio da secedo transversal, ¢ definindo o parametro designado como “esbelteza da coluna”, (3.48) toma a forma o P,). Consideram-se aqui apenas colunas simplesmente apoiadas € onstitufdas por um material eléstico-perfeitamente pléstico, como o aco macio. No entanto, os Conceitos expostos permanecem validos para outras situagdes, independentemente da maior ou menor facilidade da sua aplicago, CONFIGURACAO DEFORMADA INICIAL Considere-se a coluna simplesmente apoiada representada na Figura 3.18, a qual ‘presenta uma configurago deformada inicial com a forma wy (x)= w? sen xx/€, A tensio maxima ocomre na fibra mais comprimida da seogo de meio vio (secgo onde 0 mo- mento flector é méximo) e vale Smug = + Mix, aso aL onde ¢ a distincia da fibra mais comprimida & linha neutra eléstica e as compressdes sfio positivas. Como o momento méximo é dado por (ver (3.15)) Man =i. w™P1=P/ Py” vem aso © Mecrawst CAPITULO 3 Braseiwce ne Pac Lisanss ¢ Bemvrunas REMCUADAE Igualando a tens4o maxima & tensto de cedéncia (Ging, = 0,), pode obter-se 0 valor da tensfio média correspondente ao inicio da cedéncia plastica, 0, = P,/ A, através da expresso on=t {loon (+0)]-y[e. +0, 0+ 0)) ~40, er}. ae onde asp, € um “pardmetro de imperfei¢ao” (adimensional) da coluna. Esta expresso designa-se por “formula de Ayrton-Perry” ou, simplesmente, “formula de Perry” [3.10] ¢ permite caloular 0 valor de P, em fungo da amplitude da imperfeig&o inicial w?. Deve notar-se que a utilizago da formula de Perry corresponde, efectivamente, a efectuar uma andlise eléstica limite da cohuna, xa medida em que a reserva de resistencia elasto-pldstica ndo ¢ considerada, Essa reserva depende da geometria da seco transversal, 6, em geral, pequena eo célculo do seu valor exacto requer ‘um procedimento numérico relativamente complexo. A Figura 3.19 mostra arelagto que existe entre as tenses G,, Jy, € 6, correspondendo G, a0 colapso da coluna, Designa-se a diferenga (0, -6,) por “reserva de resisténcia elasto-plastica” da coluna. i x “Traectéria de equlforio de ums colunaelasto-pdstica impeteita oro, a> op A grande dificuldade envolvida na utilizago da formula de Perry reside no facto de nunca se ‘conhecer com preciso o valor da amplitude da imperfei¢ao w?. Para ultrapassar esse obstéculo, enna 157 158 EsnoLanape ESTUTuRAL Robertson (3.11], com base em resultados experimentais e medig6es de imperfeigdes em colunas reais, concluiu que w? era aproximadamente proporcional & esbelteza da coluna Ae propés para © aexpressio e= ,003 2 = 0,003 4, as A introdugao de (3.59) em (3.57) conduz a conhecida “férmula de Perry-Robertson”, ainda hoje adoptada por varios regulamentos como base de férmulas de dimensionamento de colunas. Finalmente, na Figura 3.20 representa-se esquematicamente, no diagrama g'— 2, a curva cor- respondent ao valor de ¢,, fornecido pela férmula de Perry-Robertson. ‘Variagao de oq com a exbelteza da colun, Observa-se que, devido & imperfeigao geométrica, a capacidade de carga da coluna sofre uma redugdio que é méxima para 4~ A,, Le., para esbeltezas correspondentes a colunas perfeitas que plastificam ¢ instabilizam “quase simultaneamente”. EXCENTRICIDADE DE CARGA, Considere-se novamente a coluna representada na Figura 3,7, a qual se supde agora, constitufda por um material eldstico-perfeitamente plistico. Procedendo de um modo anélogo 0 caso da configurago deformada inicial e tomando em consideragio que (ver (3.19)) oa) ©Gratttt CAPITULO 3: Eranunanece Papas Lneates « Esrnimonas RENCULADAS o valor deo, (anélise eléstica limite) € obtido a partir da equagiio frequentemente designada por “formula da secante” (3.12). Em altenativa, 0 valor deo}, pode ser obtido através de oy 3.1.2.3 TENSOES RESIDUAIS Designam-se por “tensOes residuais duma estrunura” (¢.g., coluna) as tensdes nela instaladas antes da aplicagio de qualquer acgdo. As tensOes residuais constituem, por definigzo, ‘um campo de tensbes auto-equilibrado, ie, que equilibra forgas aplicadas nulas. No caso dos perfis de aco, as tensées residuais sto essencialmente devidas & ocorréncia de um ‘sxrefecimento diferencial que se segue aos processos térmicos de fabrico (laminagZo a quente, Soldadura, ete.) ou de corte (por magatico, etc.). A contracgio das zonas do perfil que arrefecem primeiro efectua-se sem qualquer “oposigao” (0 restante material ainda no esté solidificado), pelo que nao so introduzidas quaisquer tensSes, Posteriormente, a contracgio das restantes ~onas, “contrariada” pelo material jé solidificado, resulta na introdugo de tenses residuais, de ‘compressdo no material solidificado e de tracgdo no material a solidificar. Na Figura 3.21 mostra- sea distribuigdo de tenses residuais instalada num perfil em I laminado a quente. As zonas que arrefecem primeiro esto tracejadas e sto, obviamente, as extremidades dos banzos e a zona central da alma, A tensio residual maxima de compressio, ¢,,, ocore nas extremidades dos banzos ¢ vale cerca de 30% da tenstio de cedéncia, ‘Seum “‘trogo de coluna” (‘coluna curta’, ie., de muito pequena esbelteza) de ago macio com tensbes residues for submetido a uma compresséo uniforme, o diagrama tenstio métia (Cy_y= P/A) ~defor- ‘mago (e) apresenta trés zonas distintas: (Um ogo linear, comrespondente a um comportamento eléstico da secgZ0 (i.e an SO) e que termina quando aa) onde g, é a tensfo limite de proporcionalidade. © MeGrow it 159 160 Emwanunace Bsmurinat Ore = 03a i = 0.20 a ~~ Compressdo. Ss Teese ‘Tensées residuaisinstaladas nom perfil em ITaminado a quente. Gi) Um trogo nao linear, corresporidente a um comportamento elasto-pidstico da secgao (nia <0). A medida que Onqq aumenta, diminui a zona eléstica da secgio e, portanto, diminui 0 declive do diagrama, (ii) Um trogo horizontal, comrespondente a um comportamento plastico da secglo (= 0, em todas as fibras). A Figura 3.22 ilustra 0 que foi dito atrés, através do andamento do diagrama 0... ~ € de um ‘ogo de coluna com secgao em I “idealizada” (:.e., eduzida aos banzos) € uma distribuigto de tenses residuais “triangular”. Observa-se que, para Gugq < Ops todas as fibras da secgtio se encontram no dominio eléstico e, portanto, se tem. Cpe de P= Ado mg =AE de = 86, ‘que quer dizer que o declive do diagrama € dado pelo médulo de elasticidade E do ago macio, No entanto, para Gp $ Cag < Ge xistem simultaneamente fibras da secgio nos dominios eléstico ¢ plistico. Deste modo, designando por 4, a érea da secco no dominio eléstico, tem-se @P HAA p =A, EAE > Suet Ae pat B= Ey, os © Mecraw. i CAPITULO 3: Ermsmoaoe oe Prous Loans 2 Esrnurunas RERELADAS Diagrams Crea ~ ede um trogo de coluna com secgio em I idealizada distribuigio de tensées resdoais triangular, (@) Seog e tenses residuais, (b) Diagrama One & 0 que quer dizer que o declive do diagrama E, € varidvel (decrescente) e traduz a percentagem da ‘rea da seovio que ainda permanece eléstca, a qual & definida pelo parimetto t= A, / A (A,=2 b, na secgao da Figura 3.22(a)). Conclui-se, assim, que ¢ possivel, a partir do diagrama Oyes ~€ de um trogo de coluna, estimar a variacio do parametro 7, ie., determinar a funglo T= £ (Oped). Considere-se agora a estabilidade de uma coluna simplesmente apoiada com tensGes residnais, Em primeiro lugar, é importante referir que a presenga de tensGes residuais (com distribuigaio simétrica) néio impede a existéncia de uma bifurcago de equilfbrio. Esta bifurcago pode ocorrer em regime eldstico, se Og < g, (t= 1), ou em regime elasto-plistico, se 0; 2 0, (t< 1), Neste ‘timo caso, para determinar a carga critica da coluna é indispensével conhecer a variago do parimetro 7, designado como “factor de redugio plastica” e definido por 1, ate, nT om onde 7, €0 momento de inércia da érea eléstica A, em relacdo a0 respectivo eixo baricéntrico. Deste modo, a tensZo critica da cohina dada por P, WEI, 1, mE fe PEL 1 DE Oe Ae Tee OF held OMGrow it 161 162 Eenanmecs Erm ©, portanto, a sua determinago requer (i) o conhecimento da fungio 1] = 1 (Cyea) € envolve, no caso geral, (i) 0 recurso a um procedimento iterativo. Como é ébvio, tem-se 1G mea) = [7 (Crea) ae ice.,0 factor de redugfo plistica é fungao do valor do parametro 1, o qual pode ser obtido experi- rmentalmente (ensaio de compressio de um trogo de coluna) ou analiticamente (se for conhecida adistribuico de tenses residuais), Como, para além disso, a relagio (3.68) depende (i) da forma da secgao, (ii) da forma da distribuigio de tensdes residuais e (iii) do eixo em torno do qual corre a flexao, néo 6, em geral, possivel encontrar uma solugo analitica explicita, sendo entiio necessdrio recorrer a métodos numéricos. No caso da secgo idealizada da Figura 3.22, tem-se (ver Figura 3.23(a)) ae) @, portanto, al 2 beth 4 be 7 Tora b (lextio em torno dey) aw Je 20 112 1, 2B 0/12 n= by (®) =1 — (flexio em tomo de 2). feito das tensGes residaais na tensfo critica da coluna idelizada. (2) Seep. (6) Diagrama de,~ A. © MeGranit CAPITULO % Esmstouoece Pas Lovanss e Eomsrunas REMCULADAS Como 7< 1, a sensibilidade da tensio erftica & presenga das tensbes residuais é maior no caso da flexio em tomo de z do que na flexiio em torno de y. A Figura 3.23(b) mostra o efeito das tensbes tesiduais no valor da tensio eritica da coluna. Observa-se que, para esbeltezas 2.2 x,JET6 ,, este valor nio é alterado pela presenga das tenses residuais. 3.13 REGRAS DE DIMENSIONAMENTO Verificou-se que os parémetros que afectam a resisténcia das colunas (metilicas, nomeadamente de ago) slo, basicamente, (i) a tensio de cedéncia, (ii) as imperfeigdes geomé- ‘tricas ¢ (iii) as tensdes residuais, Como estes parametros sao intrinsecamente aleatérios, torna-se excessivamente conservativo basear o dimensionamento das colunas nos seus valores mais desfavoréveis. Assim, a regulamentagao actualmente em vigor trata a resisténcia das colunas como uma varidvel aleat6ria cujas propriedades estatisticas sio definidas a partir das funges densidade de probabilidade dos parimetros basicos. O dimensionamento de colunas é efectuado a partir da utilizagio de “curvas de resisténci (Courvas de dimensionamento de colunas"), do tipo representado nas Figuras 3.20 e 3.23, as quais. fornecem o valor da tensio média associada ao colapso da coluna em fungo da respectiva esbelteza. O estabelecimento dessas curvas envolve sempre (j) a definigo de um modelo estru- tural de comportamento ¢ (ii) a calibrago dos pardimetros do modelo, através da comparagio com resultados experimentais e/ou numéricos. Como € ébvio, as regras de dimensionamento dependem da formulagao adoptada para o modelo estrutural e, consequentemente, so espe- cificas de cada regulamento, Descrevem-se em seguida as regras de dimensionamento contidas nna nova regulamentacao europeia de estruturas de ago (Burocédigo 3-EC3 [3.1]) ¢ apresentam- se, de uma forma necessariamente breve e sucinta, as bases da sua formulagio, 3.1.3.1 Evrocopico 3 A formulagio analitica das “curvas europeias de dimensionamento de colunas” deve-se aMaquoi e Rondal [3.13] ¢ baseia-se na f6rmula de Ayrton-Perry, o que quer dizer que ‘0 modelo estrutural adoptado corresponde a uma coluna ‘simplesmente apoiada com uma confi- gura¢io deformada inicial sinusoidal. Deste modo, tudo se passa como se as diversas imper- feigbes (configuragio deformada inicial, excentricidade de carga, tensOesresiduais, etc.) fossem substituidas por uma “configuragio deformada inicial equivalente”, cuja amplitude é calibrada de modo a reflectir (indirecta e implicitamente) a presenga de todas as imperfeigBes. ‘Tomando em consideracio que (ver (3,53) Gi Shas am o, BR OMeCraw Hit 163 164 e definindo um “factor de redugao da resisténcia plistica” 7 como x am a formula de Ayrton-Pemry (3.57) pode ser escrita ne forma 2 Ar ‘4 en y BD com $=05(2+O+1). ary Multipticando o numerador e 0 denominador de (3.73) por +6? - 2 , obtém-se 1 a5, ore expressiio presente no EC3 ¢ que permite obter o valor de x directamente a partir de A, desde que se conhega o valor de ®, Recordando que a formula de Ayrton-Perry corresponde a uma andlise eléstica limite, ¢ agora necessirio calibraro valor de @ de modo a que o colapso da coltna real, devido a uma interacgéo entre os fenémenos da plasticidade e instabilidade, ocorra “em simult&neo” com o inicio da cedéncia no modelo. Efectua-se essa operagdo com base nos resultados de um elevado nimero de ensaios experimentais e/ou numéricos, realizados com colunas de diferentes secedes (geometria e processo de fabrico). A Figura 3.24 mostra, esquematicamente, o andamento, num diagrama (o/ 0,) — 2, dos resultados experimentais obtidos (a cada ponto corresponde um valor de y= 0,/0,=N,/AG). A observacao desses resultados permitiu concluir que: @ Para valores de 7, baixos, o colapso ocorre essencialmente por plastificagao e obtém- -se mesmo valores de z superiores a 1, devido & influéncia do endurecimento do ago (colunas curtas), Gi) Para valores de J elevados, o colapso ocorre essencialmente por instabilidade elstica 08 resultados experimentais estio perto da curva de Euler (colunas esbeltas). © scram th ii) Gv) CAPITULO 3 Esasmoane ne Pecas Lomates &Berzvroras RENCULADAS Ala Reads chido om nti experiment declan resis, Para valores de J intermédios, o colapso ocorre por instabilidade elasto-pldstica e os resultados experimentais esto relativamente afastados dos valores tedricos da coluna ideal (colunas intermédias). Os diferentes tipos de secgdes apresentam resultados claramente diferenciados, sendo excessivamente conservativo adoptara mesma regra de dimensionamento para todos eles. ‘Com base nesta avaliagaio dos resultados experimentais, o EC3: @ Gi) Git) ‘Toma y= 1 para 7 <0,2. Adopta para o patdmetro de imperfeigdo a forma O=a(A -02), 276) onde a:é um “factor de imperfeigéo generalizado”. Considera quatro possiveis valores de @, aos quais correspondem curvas de resistencia diferentes. Esses valores sio or= 0,21 (curva a), @= 0,34 (curva b), a= 0,49 (curva c)e a= 0,76 (curva d). As quatro curvas esto representadas na Figura 3.25(a) ¢ cada uma delas se aplica a determinadas situagdes (geometria da secgo + eixo de flexi + + processo de fabrico), devidamente identificadas na Tabela 5.5.3 do EC3. No quadro da Figura 3.25(b) esto indicadas as curvas associadas aos perfis de uso mais corrente. OMG tit 165 166 (@) Carns de dimensionamento de colunas do ECS. Finalmente, refira-se que as curvas de dimensionamento foram estabelecidas para colunas sim- plesmente apoiadas (bi-articuladas), Por esse motivo, no caso de colunas com outras condigdes de apoio, é necessdrio determinar o respective comprimento de encurvadura ¢, antes de utilizar as expressOes apresentadas atrés. METODOLOGIA DE DIMENSIONAMENTO O dimensionamento ou verificagao de seguranga de uma coluna uniforme, em Telago 20 estado limite uiltimo de encurvadura por flexdo ¢ de acordo com o BC3, envolve os seguintes passos: (@ __Determinagéo do comprimento de encurvadura £,. (i) Cileuto de A=A,/i,4, = 2(E/fyPS eZ =A/ A, onde f, é a designagao dada pelo EC3 a tensio de cedéncia do ago. Gif) Tdentificagio do valor do factor de imperfeicao ot (curva de dimensionamento) rele- vante e determinagdo do factor de reducio 7 (valores tabelados no EC3 —-Tabela 5.5.2) Gv) Céleuto do esforgo axial resistente da cohuna, dado por A Nanak, am Ym, conde #4, é um coeficiente parcial de seguranga a considerar na verificagio aos estados Timites dltimos de encurvadura, © Mecraw Hh CAPITULO & Eswsnioane be Pucas Liens s somurnas RETCOLADAE Perfis Geownetria ‘aminados a quente a 840mm | h me fon tf yoy hat 440mm nf x fix zt ym eee $100 mm k fa fia y>t00mm | 9-7 re a Tsoldados 9 440mm see 240mm ‘Tubular laminados a quemte QO U L, Te scogdes solidas p> fur (© Cava aplcioee nos pide uo mais comet conic, Mesa it 167 168 Eamnnaoe Berar, (W)Verificagdo da condigao NsaS None or onde Ns, €0 valor de célculo do esforgo axial actuante na coluna. 34 EXEMPLOS DE APLICACAO 3.44.1 COLUNA BI-ARTICULADA NUMA ESTRUTURA SIMPLES Considere-se a coluna BC inserida na estrutura metélica representada na Figura 3.26, a qual € constitufda por um perfil HEB 240 de ago $355 [3.14] ¢ se admite articulada nas duas cextremidades e em todas as direcgGes. Pretende-se 0 méximo “valor de célculo” da carga distr- bufda de dimensionamento pe, de modo a que seja garantida a seguranga, segundo o EC3, em. relagHo ao estado limite tiltimo de encurvadura da coluna, Estrotura metélica simples. Apresentam-se em seguida os passos envoividos na determinacdo de (Ps,)max (Valor de cdlcuto do esforgo axial actuante Nog 2 Ne Pat TS 469 pss (eq, de momentos em A). ONG CAPITULO %: Eeummanane Paris Leases Esmmunas Renesas — 169 (ii) Propriedades da seceao (perfil HEB 240 de ago $355) b=240 mm h= 240mm. ty= 17 mm A= 10600 mm? i, = 103 mm i, = 60,8 mm, f,=355 Nimm? E=210 x 108 Nimm? (iii) Determinagdo das esbeltezas 16,4 a, =$ 21316 Faden. & Ay (iv) Caileulo do factor de redugiio x ‘curva b (Flexo em tomo de y) eee aoe fee ocusataeeies Ard, e x (corvacd< x (ouvab) = Xain =H 9, , = 0,49 (1,72 —0,2) = 0,745 i 35+ 2,352 1,72? > 2, 253 9, = 0,5 (1,72? +0,745+ 1) =2,35 (este valor também podia obter-se da Tabela 5.5.2 do EC3, com 2 = 1,72) (v) Esforgo axial resistente e valor maximo da carga Npa=2-AMfy! they = 0,253 x 10 600 x 355 / 1,1 = 865,5 x 108N = Nee 185 sn = FEE = 185 KN. © Mera Ht 170 Ssxsamnoe Esrwmen 3.4.4.2 ESTRUTURA ARTICULADA Na Figura 3.27 representa-se um conjunto de vigas em consola, pertencentes a um edificio-tipo industrial e que tém como fungdo suportar um pavimento em gretha metilica. Cada viga € constitufda por uma estrutura articulada (treliga), utilizando-se perfis INP nas cordas e ‘montantes (com a alma no plano da viga) e cantoneiras nas diagonais (soldadas a “gussets” nos nés da viga). O apoio em A é mével (s6 reacgo horizontal) e o apoio em B é fixo, Estronara articolada (distincias em m). (@)Algado, (6) Planta, Considera-se que a estrutura esté sujeita As seguintes acgdes (permanentes); Peso préprio do pavimento e treligas — equivalente a uma carga uniformemente distri- buida de 0,75 KN/m?, Gi) Peso préprio das vigas metalicas de suporte do pavimento ~ 0,10 KN/m. (ii) Sobrecarga no pavimento - 6,9 KNim?. Pretende-se dimensionar os perfis INP (cordas e montantes) e as cantoneiras (diagonais) em 2¢0 $235. (Valores de edlculo das cargas nos nds ‘Tendo em conta que, segundo 0 EC3, ¥= 1,35 € yp = 1,5, vem Psa 135 x (0,75 «3 x 0,80 + 0,10 x 3) + 1,5 x (6,9 x 3,0 x 0,8) = 27,7 KN. © MeGran ta CAPITULO 3: Eranioacse Pacis Loaanis eEeuromsRercuams 171 Gi) Esforgos axiais nas barras ied G1) Reacgdes de apoio Vg=138KN Hy = Hy=300KN. (.2) Esforgo axial na corda inferior AC Por equilforio de forgas horizontais no né A (Figura (3.28(a)), vem A, 300 Myo =the = 305 KN. . $e Sos fi 08 993 (comp. (3) Esforgo axial no montante CD . ‘Utilizando o método de Ritter (método das secgées), considerando a secgaio 11’ Figura 3,28(b)) e impondo o equilibrio de momentos em O, vem = 25X(4,914+4114 +3314 +2,514 41,714 /2) 4914 Nep 80KN (comp). (iid) Esforgo axial na diagonal BC Utilizando 0 método de Ritter, considerando a sec¢to 22’ (Figura 3.28(b)) ¢impondo o equilforio de momentos em O, vem 25x (4914 +4,114+3,31442,514+1,714/2) Nac 0,86 cos 47,07 + 4,914 sen 47,07 =94KN (trac,). meas" Bsforgos nas barras. (@) Equiltoio do n6 A. (b) Seoydes 11" 622%. © MeGra i im Benionspape Bemurtna (iv) Dimensionamento da corda inferior AC ‘Tendo em conta que Ney = 305 KN, a érea minima a adoptar, sem considerar a encur- vadura, € 305.000 235/14 = 1428 mm?, Ani Limitando a esbelteza a 200, 0 valor minimo do raio de giragiio a adoptar & ig, oboe LAO IOT “sin "200 200 00~C~ Inicia-se o processo de dimensionamento considerando, um perfil INP140, de carac- teristicas A=1830 mm? iggy i, =14,0 mm Sota 1, <40 mm, Determina-se o valor do esforgo axial resistente através de (cura) => 1 =0826 = 0,826 x 1830 x235 x 10-3/ 1,1=323 KN. Como Nsq < Nyaa Conclui-se que o perfil INPL40 é suficiente para a corda inferior. Dimensionamento do montante CD Como Ng, = 80 KN, tem-se ‘Tendo em conta que, na prética, (a) & conveniente néo ter esbeltezas superiores 2 200 € que, segundo o EC3 (cléusula 5.8.2), (b) em barras de almas de vigas cujas cordas © Mesa Eee w) CAPITULO 3 Emnaumaoeos Pros Lneancs eErmimitnsRencitaons 173 fomecam uma rigidez de rotagio suficiente aos nds (igagdes soldadas ou aparafusadas com um minimo de dois parafusos), é possfvel adoptar (no plano da viga) €, = 0,9 €, vem Considera-se um perfil INP80 (menor perfil disponivel), de caracteristicas A= 758mm? =9amm A512 1,<40.am. 0 valor do esforgo axial resistente ¢ obtido através de 09%860/9,1 (oan) Senn = 0,906 = 0,657 - ee => 120,65 Nypa= 0,657 758 x 235 x 10°3/ 1,1 = 106 KN ‘e permite conc}uir que o perfil INP80 6 suficiente para o montante, Dimensionamento da diagonal BC Apesar de se tratar de uma barra submetida a tracgdo (N,q= 94 KN), néo 6 conveniente adoptar uma esbelteza exagerada, pois pode ocorrer compressdo para uma qualquer outra combinagto de acgbes. Na prética, procura-se que Ap., <200, devendo, nestas condigdes,o perfil escothido satisfazer as condigtes 94 000 _ 440 235/11 Ani nin = =587 mm. 200 Adoptando um perfil L 50 x 50 x 5, verifica-se que A=480mm?>440mm? 4, inin =f, =98mm >5,87 mm, onde v € 0 eixo de menor inércia da secgao da cantoneira. Conclui-se, entio, que 0 perfil escolhido é adequado, © MeGron th IA BensemuceEsrurenst 32 COLUNAS-VIGA Designam-se por “colunas-viga” (ou, altemativamente, por “vigas-coluna”) as, barras solicitadas, simaltaneamente, por esforgos axiais de compressio e momentos flectores devidos a um carregamento transversal (cargas concentradas, cargas distribufdas ou momentos aplicados).A Figura 3.29 mostra um exemplo de uma coluna-viga e deve referir-se que, no caso eral, 6 essa a situagio em que se encontram as barras integradas em estruturas reticuladas. ; A andlise de uma coluna-viga (determinagao de deslocamentos e esforgos, nomeadamente ‘momentos flectores) envolve sempre a resolugdo simulténea de um “problema de flexzo” (carregamento transversal) e de um “problema de estabilidade” (compressio axial). Assim, é conveniente fazer a distingdo entre: : G@__Deslocamentos e momentos primdrios (de 1.* ordem), devidos ao carregamento trans- versal. Os momentos séo calculados na configuragio indeformada da barra. Gi) _Desiocamentos e momentos secundlérios (efeitos P-delta), devidos acompressio axial, Os momentos so calculados na configuragio deformada da barra, (i) Deslocamentos e momentos de 2.* ordem, os quais sio a soma das parcelas primaria esecundéria, A Figura 3.29 ilustra, para uma coluna-viga simplesmente apoiada sob a acgio de uma carga Gistribuida e momentos aplicadosnas extremidades, os conceitos de deslocamentos e momentos primérios e secundétios. ate) ae), Coluna-viga: deslocamentos ¢ momentos (@ Primérios. (0) Secundéios. OMGraw Hal CAPITULO 3 Exrusnianene Pras Loaanes &Eervrunas REMICAADIS 324 ESTABILIDADE ELASTICA Nesta seegiio estuda-se 0 comportamento de colunas-viga em regime eléstico. ‘Apresenta-se um conjunto de solugées analiticas, exactas e aproximadas, e aborda-se o problema a determinagio numérica de trajectérias de equilfbrio, Por uma questi de metodologia, consi- deram-se separadamente colunas-viga (i) simplesmente apoiadas ¢ (ii) com outras condigdes de apoio. Nestas tiltimas, faz-se ainda a distingo entre colunas-viga sem ¢ com deslocamento relativo entre as suas extremidades. 3.24.1 COLUNAS-VIGA SIMPLESMENTE APOIADAS Considere-se a coluna-viga uniforme representada na Figura 3.30(a) (compres- sio P, comprimento € ¢ rigidez de flexio E7), a qual est4 sujeita ao carregamento transversal arbitrério indicado. ot ace) : - ain. ; & (3 Mint =-ElWingx Mext™Mp+Po a oO PRONE coten-vigasimpiesmente apoiada (@) Geometriae carregamento, —(b) Equiltrio de momentos. No contexto da andlise (linearizada) de estabilidade efectuada até aqui, a equagto diferencial de equilibrio da coluna-viga (Mig, = Mex a Figura 3.30(b)) tem a forma El Wgg+ Pw=—M, (2) cr sendo M,(x) a distribuigao de momentos primédrios actuante. A sua sclucdo é dada por (w(0) = w(€) = 0e = PIED w(x) = A sen ke + B cos kx +f (x), 3309 Micra it 175 176 EsnsumureEsmumen onde f(x) é uma fungo que depende de M,(x) e as constantes A e B se obtém através da impo- siglo das condig6es de fronteira, O diagrama de momentos instalado na coluna-viga determina- -se através da relagio Mi) =-EDW ge oa Apresentam-se em seguida expressdes analiticas que correspondem & solugo exacta (deslo- camentos e momentos) de colunas-viga sujeitas aos carregamentos transversais representados na Figura 3.31 (recorde-se que B= K€ /2= 2/2 JP/P,). a 3). HRIEERTED cotuns-vignectuadas por) care snitermemente sib, () carga -concentrada aplicada a meio vo ¢ (c) momentos aplicados nas extremidades. (@) Carga uniformemente distribuida q (a= E(e~s) w(x) = ar (tg B sen ke+ cos kr— oe x (=x) MG) = Seeee sen.kx-+eos kx—1) om ___Sg@4 [12(2 sec B- B? 2(2 sec B- B? Ma ven) SAE 3B 3p 2 = gt! [2600 B 2(see B-1) Max = MCE) = { ie Sera | McGrail CAPITULO & Estantioaoe ne Pocas Laas eEsrnurumasRencetaons 177 (i) Carga concentrada Q aplicada a meio vao (0x ¢/2) ot Qsen 8 MBs A Fiesen2p Q sob. 0) TB enh Ter 0 O80 sen kx os MO) en 28 me =w(ti2)= oe See By e 48ET| B “(naa () Gil) Momentos aplicados nas extremidades My ¢ My = Ma Braap Mac0828- Mp) Ba =m, a= Mo M(x) = Ma ae “Fie nap (My 008 2B-My) My My-Mp M, = M208 2B = Mt on fe MA cos kx Mae wa) Ele senap en Eee ene * Be - MQ)= ~ (Ma 208 2B Moon e+ My cos kx. sen 2p Para obter o valor méximo do momento flector, é necessério investigar a localizagao do ponto ¥, correspondente a dM / dx = 0 ¢ dado por cas ‘Tem-se, assim, que My = max {M,iMp} se EE€ cso) om Maa, = M(z)= Mp] (CAE =2Oy TM eOBHT | 5g cece, sen? 28 © neoraw sit ve Eerareupica Beran correspondendo a primeira expresso & ocorréncia do momento méximo numa das extremidades da coluna-viga, Refira-se ainda que a segunda expresso nfo é vélida para -1,0$ M4 / My $0.5, em virtude de a configuragéo deformada da coluna-viga sofrer uma “mmudanga sébita”, passando sua curvatura de dupla a simples (3.15). Odserva-se que 0s valores de Waa © Mmax introduzidos nas expressbes (3.82)-(3.86) podem ser obtides multiplicando os correspondentes valores primérios por um “coeficiente de amplifi- cago” que contém a influéncia da compressdo P (através dos parimetros k e/ou 8). Deve salientar-se que a determinagio do comportamento de uma coluna-viga (resolugéio de {G.79)) constitui um problema néo linear, pelo que nio & vélido o principio da sobreposigo. Deste modo, o comportamento da barra sob a acco simulténea da compressiio e do carrega- mento transversal € diferente da soma dos coniportamentos associados a cada uma dessas cargas. Este facto tomna importante a definigio da “hist6ria de carregamento” da coluna-viga (i.e. a sequéncia de aplicaglo das cargas), a qual influencia a evolugio dos deslocamentos e momentos, muito embora os valores finais ndo sejam alterados (t8m sempre de satisfazer (3.79)). Para ilustrar este conceito, considere-se 0 caso da coluna-viga com uma carga concentrada aplicada ameio vo ¢ admitam-se as seguintes trés possfveis histérias de carregamento: (i) carregamento proporcional (Q = A Qy ¢ P= 4 Ps), (i) carga transversal constante (Q= Qy e P = APs) e (iii) compressio constante (Q = 4 Qy ¢ P = Py < P,), sendo Q, um valor de referencia arbitrério. Na Figura 3.32 mostram-se as curvas Wing, associadas a cada uma das tr8s historias de car~ Tegamento, as quais cortespondem as expressGes (obtidas a partir de (3.83)) os Wax 48ET Geren B). B A observagao das Figuras 3.32(a) e 3.32(b) mostra que o efeito dos momentos primérios semelhante ao das imperfeigées geoméuricas (configurago deformada inicial), estudado ante- riormente (Configuragdo Deformada Inicial, p. 138). Em particular, no caso (i) (Figura 3,32(b)), tudo se passa como se a configurago deformaca inicial wo (x) fosse introduzida pela carga transversal - notar a semelhanga com a curva da Figura 3.6(b). ‘© MeGraw ti CAPITULO 3 Estsuiane ne Papas LiNanes« Bemuronas RETCULADAS Pox0 O ral as] ~ (PI Ps My = M;[1+0,4167B? + 0,16948+ + 0.068788 --- an = M,[1+1,028(P / Pp)+1,031(P / Pg)? +1,032(P / Pe)? +> = M, {1+1028(P/ Pp)[14(P/ Pe) +(P/ Pe +--+ P= =a, | LEbO28CP/ Pe) "TIS (@PIP) ¥=0,028. (ii) Através do raciocinio (aproximado) de admitir que os momentos secundétios so dados por MQ) =P 8 sen, a9) de onde resulta, resolvendo a equagio diferencial M,(x) = ~EI W, 2» mix = Fy X(P PE) A by = 8, +0 max = 84-5] ras] Memmi Poy am] EEL] om © Mer Ht CAPITULO 3 Esmee pe Papas Lncines sEsrevronse Rencwsont 182 com aso Aplicando (3.94) aos és casos representados na Figura 3.31 (g, 0 ¢ My = Mg = M), : obtém-se Sqt* 3e4ET 2 ge? oe ss | No caso de colunas-viga actuadas por momentos aplicados nas extremidades com valores arbi- | trérios, a obtengdo de uma férmula aproximada passa pela introdugo do conceito de “momento uniforme equivalente” M,,, definido por sem 8 Meg = Moy. cos 2) onde Mmm & dado por (3.86), ¢ 0 seu significado fisico estéilustrado na Figura 3.33 (para um caso em que 0<¥<). Minax 608 By 096) Ma Mp >Ma Meg Meg (5———2)+- (———2) + Conceto de ment unifonne equivalent, emcee tit 182 Esasunice ESA Pode, enti, obter-se 0 valor dé My através da expresso 1 M, =m, s08- Ml —as} on devendo salientar-se que existem na literatura varias expresses aproximadas para estimar Mjy [3.16]. A principal caracteristica comum a todas elas consiste na eliminagao da dependéncia do nivel de compressio P (parametro ver (3.96), passando M,, a ser calculado exclusivamente a partir dos valores de My e My. 3.21.2 COLUNAS-VIGA COM OUTRAS CONDIGOES DE APOIO Conforme se disse atrés, a equacio diferencial de equilforio (3.79) € valida apenas para colunas-viga uniformes e simplesmente apoiadas. No caso de colanas-viga uniformes (compressio P, comprimento £ ¢ rigidez de flexdo El) com quaisquer outras condig&cs de apoio, @ no contexto da anélise linearizada de estabilidade, a equagdo diferencial de equilfbrio tem a forma EL saee + PW gg = 42), 098) sendo 4(x) a distribuigdo das cargas transversais aplicadas. A sua solugao € dada por w(x) =A sen kx +B cos kx-+ Cx + D +f (a), 9) onde f(x) é uma funco que depende de q(x) e as constantes A-D se obtém através das condigdes de fronteira, Tal como anteriormente, o diagrama de momentos flectores instalado na coluna- -viga pode ser obtido por meio de (3.81). Antes de apresentar um conjunto de solugdes de colunas-viga sujeitas a caregamentos trans- versais particulares, 6 conveniente fazer a distingo entre colunas-viga sem e com deslocamento relativo das suas extremidades, Estudam-se separadamente estas duas situapSes e chama-se desde Jé a atengiio para 0 facto de, no primeiro caso, ser possivel a obtengo de solugées a partir da aplicago do princfpio da sobreposigao referido na p. 178. COLUNAS-VIGA SEM DESLOCAMENTO RELATIVO DAS EXTREMIDADES A determinagio de expressies analiticas que correspondem & solugo exacta (Geslocamentos momentos) de problemas de colunas-viga pode efectuar-se recorrendo a duas vias: 2 Mecra til CAPITULO 3% EenstmannrePacis Lomates Eons Rencxapss — 183, @__Através da determinagao das constantes A-D em (3.99), utilizando as condiges de fronteira do problema, Gi) Através da aplicagdo do principio de sobreposicao, utilizando solugdes do problema na coluna-viga simplesmente apoiada, obtidas em Colunas-viga Simplesmente Apoiadas (. 175). Thustram-se estas duas vias através da sua aplicago ao problema de uma coluna-viga bi-encas- trada ¢ submetida a uma carga uniformemente distribufda q (Figura 3.34(a)): f Ma Mg te TER tte Le pS 7 Oo a o (2) Cotonn-vign bi encasada sit carp niformerete dsb, (b) Sobreposigio de efeitos na coluns-viga simplesmente apoiada. @ — Equacdo diferencial de equiltbrio w (0) = w (€)= Wy (0) = Wye (C) =O ee ge EIS tg B gt 008 kx 1 ] w(x) = sen kr +- Oe me me [ eB ep e i ke id aa) {se eet a Pk eh B. 1 ae _9¢4 [122-2008 BB sen B) 12(2-2 cos p. eel en ny eT Bi sen B | vo Bi sen B Mag = M(O)= MCC) gH B-D))e ry (3688-2) ae hem Bee | © Merah 184 Bsamuoape Boronia (i) Principio da sobreposigéo Acconfiguragio deformada eo diagrama de momentos da coluna-viga podem ser obtidos sobrepondo, numa coluna-viga simplesmente apoiada, os efeitos da carga distribuida q € dos momentos de extremidade M, e My (Figura 3.34(b)). Tem-se entao, a pertir de 3.82) (3.84), ways 22 (tg B sen kx +cos ke ~1)~ x(é—x) |+ pla My | senkx x oy], Me ae cotg 2 sen kes be + + [ate :] ausen MO) Pete Been tx + cos y+ $M q(~cotg2B sen kx + cos bx) + Mg] S22 | 4(~cotg sen 78 Impondo agora as condigdes de compatibilidade w 0) = w,(€) = 0, obtém-se os valores de My, e My 2 | 3 Pt M,=Mg= ae] Heb) aun Cuja introduco nas expressdes de (3.101) conduz a resultados idénticos aos apresen- tados em(3.100). Na Figura 3.35 (p. 186) apresentam-se, para um conjunto de colunas-viga actuadas por uma carga uniformemente distribufda ou por uma carga concentrada aplicada a meio vao, os valores dos momentos maximos de 2.* ordem (M,.4,) ¢ a localizagao da(s) secgdo(Ges) onde ocorrem. (05 valores relativos a colunas-viga bi-encastradas ou encastradas-apoiadas sio obtidos através de um procedimento anélogo a0 que acaba de ser descrito, Férmulas Aproximadas Tal como sucedia no caso das colunas-viga simplesmente apoiadas, podem obter- ~se formulas aproximadas para calcular os valores mximos dos deslocamentos e momentos de 2." ordem, em fungao dos correspondentes valores de 1.* ordem, Pode mostrar-se que se tem © Mcrae CAPITULO 3: Esmanionos oe Pecas Loans rEsmanaasRencuams — 185 a0 fizwer/e,)] Mya = My * 7 fom = Mu =| opr) | onde P,,6 a carga critica da barra (note-se que, no caso de colunas-viga simplesmente apoiadas, P,, = Pee se recuperam as expresses (3.89). Tustra-se 0 procedimento que € necessério efectuar para obter as expressies (3.103) através do caso da coluna-viga bi-encastrada sujeita a uma carga uniformemente distribufda, cuja solugo ‘exacta foi apresentada em (3.100). Tendo em conta que 1 vekiga lh pte pe 12(2~ cos B~ B sen) 1680" "30240" “6652800 B sen B 3g BB) 5,1 pry 2 peg! poy 2 _ pr. Brights” +313! *aansh tar ash ts vem, recordando que x [P P ete & ar es 12(2~ cos B— B sen B) _ =140,987(P / P,,)+0,986(P / P,,)? +0,986(P / P,,)? + BR 109 BP senB +0,986(P / P,,)4 += =140,987(P | P,)[1+ Pl P., +(P/ Py)? +(P/ Pop +] Ht 1 a1s@/p)[|—1_]2 ti olan] HPP) am 3(tg B-B) =140,658(P/ P,)+0,618(P/ P,,)? +0,610(P P.,)3 +0,0609(P / P,,)4 ++ B tgp =1+0,6(P/ P,,)[1,097 +1,030(P / Pz,)+1,017(P/ Pe)? +1,013(P Pe,)3 + =1+0,6(P/ P,)[1+(P/P,)+(P/ Pp)? (PIR, 2 + = 1080/2) 1 | LOAPIE) yeas. 1-@/P)) -@7P,) eMGanta 186 Esau Esmee No caso geral, pode dizer-se que 0 valor do momento méximo de 2.*ordem (Mygy)y instalado ‘numa coluna-viga pode ser obtido a partir do correspondente valor do momento méximo de 1.* ordem (Myyc)y, através da multiplicasio por um factor de amplificagdo (de momentos) Ary definido como ee = Fi). cae Viu-se, sinda, que, em varias situagdes, é possivel obter uma expresso aproximada para A, a forma F ity(P/P,) . 109 1-(P7P,,) Ap=FB)= onde P,,€ a carga critica da barra e yum coeficiente que varia de caso para caso. Na Figura 3.35, apresentam-se, para um conjunto de colunas-viga actuadas por urna carga uniformemente distri- bufda ou por uma carga concentrada aplicada a meio vlo, (i) a expressfo exacta de F(A), (ii) o valor de P., (ii) 0 valor de ye (iv) a localizagao da secgo onde ocorre o momento méximo (3,12, 3.16]. Incluem.se resultados jé obtidos anteriormente (Colunas-viga Simplesmente Apoiadas, ~verp. 175) ,relativamente as colunas-viga bi-encastradas e encastradas-apoiadas, a obtencdio dos resultados requer um procedimento anélogo ao descrito atrés, Por iltimo, refira-se que, no caso de colunas-viga actuadas por momentos (diferentes) aplicados nas extremidades (M,¢ My), © valor de Ap se obtém incorporando, em (3.97), uma expresso (aproximada) para estimar Mg, apartit de My e Mp, Coluna-viga Secgio F(B) Por Ld cee eee c 2Gee B-1) x BT 0 Bp @ —# A 41g 28 (tg B-B) x? EL -04 ie Big 28-28) (0,7¢% —& “a AB 3g B~B) EL - 04 é BB ose? at pa c eB EL =0,2 B e atioes 81g 28 (1—cos 8) — aa amar —_ A oa a en - 3eos Big 23-28) A | ane 20-208 B) : Bren B Factores de amplificagio de momentos. © Mcorantit CAPITULO 3: Eswsmoaoe oe Pecas Loeanss ¢ EsmuronasRencuapss — 187 COLUNAS-VIGA COM DESLOCAMENTO RELATIVO DAS EXTREMIDADES A determinagio de expressbes analiticas que correspondem & solugiio exacta (des- locamentos ¢ momentos) efectua-se através da determinagiio das constantes A-D em (3.99), utilizando as condigdes de fronteira e tomando em ateng&io que, numa extremidade onde o deslocamento € livre, é necessério satisfazer a condigao ElW y+ Pug=V, a onde Vé 0 valor do esforgo transverso nessa extremidade, Hustra-se esse processo através da sua aplicagéo ao problema de uma consola submetida a uma carga concentrada aplicada na extre- midade livre (Figura 3.36). Contla sujet carga spiada na extrenidade ‘Tem-se, ento, wO=w,O)=W (C0 Ely, (C+ Pw, (C)=-O Q pat Q W(x) = Gaia (Gen for tg ke cos kha +g ke) eam, Mi)= cen x= tg kt 008 kx) an v= GE MERE 2D) ag OE2BH 2D =Mo)=-g¢| 828 |= My = MO= Of 7 +e en 26 26 © Grow it 188 Estaensonwe Esrvrunat. Podem ainda obter-se férmulas aproximadas para Winx © Myay» 85 quais, Como se tem. 3(tg 28-28) 272 3968 353.792 $ gr 4 272 pa 5 3268 po 5 3B +3 PP +95 P+ ous P+ Sons B28 14M pag 32 po 4088 ge S82 pp. a “op tt 3h 5 * 315 Papas He P = |— =— | =0.25P;), % 4\ Pe Fer "es assumem a forma Wag “| a | wy mm PTR) 1-018(P/ P,) i-@7P,) ana) Moga * Efeitos P-Ae P-5 No caso de colunas-viga com deslocamento relativo entre as extremidades, é habitual decompor os deslocamentos e momentos de 2.* ordem em, respectivamente, duas ¢ trés parcelas, Assim, tem-se, no que respeita aos deslocamentos, Wy (x) = wy (x) + W5 eu, onde wg (x) representa a posigo da corda da barra (segmento de recta que une as posigdes deformadas das extremidades ~ designa-se por A o valor do deslocamento relativo, medido perpéndicularmente ao eixo indeformado) ¢ w(x) 0 afastamento da configuragiio deformada da barra em relagao a essa mesma corda. Relativamente aos momentos, considera-se a decom- posigao My(2) = My) + My @) + Mg(x)s auo onde M; (x) sto 0s momentos de 1.* ordem (primérios) e My (x) € Mg (x) so os momentos secundiérios provocados pelo esforgo axial em, respectivamente, wa (x) € We (x). A Figura 3.27 ilustra estes conceitos, para 0 caso da consola estudada anteriormente. OMeceaw Hit CAPITULO 3: Eemstioane ne Pocas Laziness EsrumunssRencwuams — 189 “Tet M “Tet Ma rons. ues oO Decomporiso dos (1) desocamentos (0) momentos de2* oxdem. E habitual designar M, (x) ¢ Ms (x), respectivamente, por “momentos P-A” ¢ “momentos P-6" (3.12, 3.16]. Deste modo, podem definir-se dois diagramas de momentos de 2.* ordem da coluna-viga, consoante se considera o equilfbrio em w, (x) ov w, (2). No primeiro caso, ‘0s momentos sio dados por Mi) = My(2)+ My (a) ons) ¢ designam-se por “momentos de 2.* ordem tendo em conta (86) os efeitos PA”. No segundo caso, os momentos so os definidos em (3.114) e designam-se por “momentos de 2.* ordem exactos” ou “momentos de 2." ordem tendo em conta os efeitos P-A e Pd". Refira-se que, se a coluna-viga estiver sujeita a compressio uniforme, o andamento de M, (x) € sempre linear. Como € bvio, em colunas-viga sem deslocamento relativo entre as extremidades, no existem efeitos P-A (ie. ws (2) = My (0) = 0) No caso particular da consola das Figuras 3.36 ¢ 3.37, tem-se 96/3828 2B))_08[ 1 3éI, BB? (PIP, 6 oeCraw 190 Beamnspane BemeroRA waa) = 9s) = cen b= KE 0s e— eg W-Fx M(x) =-QEA-x/2) ans My(2)=-PAG=x/0) = BO) as |a-we = el S82P/ 2D] erey 1-(P/P,) 1-(P7P,) Mg(x) = Pw (2) [1-018¢P/P,) (248) px ® Oia * -oe| Uae) podendo obter-se resultados do mesmo tipo para colunas-viga com outras condigdes de apoio. Finalmente, é importante mencionar que a determinagZo exacta dos momentos méximos de 2.* ordem envolve a consideragao conjunta das trés parcelas dos momentos. No entanto, existem vrias metodologias aproximadas (apresentadas e discutidas mais adiante, no Ambito do estudo dos pérticos) que permitem estimar (IM; considerando separadamente cada parcela. A este repeito, sublinhe-se desde j4 que a parcela M(x) pode ser encarada ¢ tratada como umn diagrama de momentos de uma coluna-viga sem deslocamento relativo das extremidades. 3.2.1.3 ANALISE NUMERICA Dado que s6 em problemas relativamente simples existem solugSes analiticas para descrever 0 comportamento das colunas-viga, € necessario, em geral, recorrer a técnicas de andlise numérica. E 0 caso, nomeadamente, das colunas-viga ndo uniformes ou submetidas a um carregamento transversal complexo. Apresentam-se em seguida dois métodos numéricos para determinar o comportamento geometricamente nao Linear de colunas-viga em regime eldstico: (0 “método de Engesser- Newmark” [3.17], 0 qual utiliza conceitos jé introduzidos no Capftulo 2 . 80. (il) o“método das forgas laterais equivalentes” [3.16]. Ambos sto aplicaveis a colunas- -viga nao uniformes e submetidas a carregamentos transversais arbitrérios. Podem ser também utilizados para determinar 0 comportamento de colunas com imperfeigdes geométricas (caso particular de uma coluna-viga, em que a flexto € provocada pela presenga das imperfeigGes). © Mran Ha CAPITULO 3: Esmbasoaotoe Papas Livan » Esmurunas RENCULADIS Deve ainda referis-se que 0 método dos elementos finitos, cuja formulagio foi ja apresentada (p. 99), € também directa ¢ eficientemente aplicdvel & resolugto de problemaé de colunas-viga, A sua utilizago seré abordada mais adiante, no subcapftulo relativo 20 comportamento de pérticos, METODO DE ENGESSER-NEWMARK O método de Engesser-Newmark fornece um procedimento iterativo para deter- ‘minar 0 comportamento (deslocamentos e momentos) de uma coluna-viga, o qual € regido pela equagdo diferencial de equilforio (Ebvo (NW,.) = PCa). oun) No caso de 0 esforgo normal ser constante por trogos (originalmente ou apés um processo de discretizagao), esta equago pode ser reescrita, na forma iterativa, como (sro?) | = Nw! + pay en Pode encarar-se a sua solugo como a soma de duas componentes distintas, ie. wl t0(x) = 9 (a) + SCH), an» onde wf" e wi! sao, respectivamente, as solugdes dos problemas (Elm) = p(x) ann (Eb0{) =-Ww2 oe ElwhP =-Nwl + Ret, ann importante observar que (3,120) corresponde & anélise linear da viga e que, portanto, w{" é constante em todas as iteragbes. Por outro lado, 0 problema definido por (3.121) apresenta ‘grandes semethangas com o problema da determinagéo de cargas criticas e modos de insta- bilidade de colunas (ver (2.100)).A diferenga reside no facto de os esforgos axiais serem, agora, provocados por cargas axiais conhecidas. A aplicagéo do método de Engesser-Newmark envolve, numa iterago i, os seguintes passos: @ Considerar uma estimativa inicial da forma da configurago deformada da coluna-viga WENO na 1.*iteragdo), a qual deve verificar as respectivas condigSes de fronteira © MeGramtil 191 192 Emuammace Erma cinematicas. Como, agora, as cargas axiais stio conhecidas, é necessério definir a ampli- nude da configuragéo wi, através de um pardmetro Wi!) a determinar posterior mente, Deste modo, tem-se wi") = WU-D wD, Gi) Resolver, utilizando o método de Newmark, o problema definido em (3.120), para obter wy, 0 qual nao depende de w!-) e, portanto, nao varia de iteragio para iteracSo. Gi) Resolver, utilizando o método de Engesser-Newmark, o problema definido em (3.121), oqual fornece w§? = Wi) wf. Gv) Determinar o valor de W°-1) através da imposigio da “semelhanga” entre a estimativa inicial e a nova iterada obtida, Pode utilizar-se como “critério de semelhanga” a soma dos respectivos valores nos nés, 0 que conduz & condigso, WEOD TED, = SmCep) WEDS HG), emp fl i a qual permite calcular W'-)¢ onde n & 0 mimero de nés considerado. (vy) Definir wl (x) = Ww, (+ WED (a) ony ‘tomar a sua forma como estimativa inicial para a iteragao seguinte. Repetir 0 proceso até obter a precisto desejada. (vi) Uma vez obtido (2), detecminar Mf), somando os valores respeitantes aos problemas 3.120) ¢ (3.121) (Giltima iteragao efectuada), Pode provar-se que, desde que o esforgo axial actuante néo atinja o respectivo valor eritico, © processo iterativo converge para a configuragao deformada exacta da coluna-viga, No caso de existirem imperfeigdes geométricas, estas podem ser transformadas num “cartegamento trans- versal equivalente” ¢ a aplicagio do método nio sofre alteragao. Exemplo Mustrativo Apresentam-se em seguida, de forma resumida, os resultados da aplicagéo do méiodo cde Engesser-Newmark & determinagao do comportamento da colune-viga repre- sentada na Figura 3.38, Consideram-se 5 nés ¢ 4 elementos ¢ recorda-se que os deslocamentos se convencionam positivos “para cima”. © Mere ttt Pp Arr CAPITULO 3 Eramane ve Pacis Lovins bEememeatRencams — 193 P £1 9 57005 or (eeeee eee! 7% distribute Colune-viga simplesmente apoiade sctuada por uma carga uniformemente oe --e—--- 9 @ __e MQ) € w(x) Mm, | 0 3 4 3 0} Birese wy 0 -57 -80 -57 i 0 | €/12288 1.* iteragdo (estimativa inicial w' wO 1 0 -1 2 -1 0 wo: wo -23 ~34 -23 0 | swo/192 Céleulo de WO e vA(x) Wo WOO=1-2-140) == 0-23-34 - 28-40) + © MeGraw il = WO =0,00824¢ w(x)=[0 -957 -1381 -957 € 12288 0)x 10-52, (0-57 ~80-57+0) => 194 Esnanicwos Esrimeat! 2° iteragdo wo To 4 —14ag fo] To fe we MP | 0 1 P1443 1 0 | SEIWO 102 Wf. 0: fo. |-19,658 }.. ]-27,874f-. [19,658 0 | sw 192 Céleuto de W, w(x) ¢ MO (x) sen ope Ge We 8.443) = UO 7a 14) = Wl) =0,00932¢ wi(x)=[0 -941 -1328 -941 0)x10S€= w(x) (2 partir de. (3.82) obtém-se o valor exacto de'w(£ 2) = -1326 x 10-50) M@(x)~10 93,475! 129,784 * $3,475” 0]x10-3E1/¢. METODO DAs FORCAS LATERAIS EQUIVALENTES. ‘O método das forcas laterais equivalentes ¢ uti rnétodo iterative que se baseia na substituigdo da resolugdo do problema original (geometricameiité nfo linear) pela resolugo de sucessivos problemas lineares, o que significa que a sua aplicagdo requer apenas célculos de andlisé linear de estruturas. A’ aplicagiio do método das foreas equivalentes envolve os seguintes passos: @ Gi) * Gai) Definigio de uma malha de elernentos e nés na coluna-viga ~n elementos e (2 + 1) nds. Anélise de 1.* orderi di coluna-vigae déterminagio; para cada efeménto j 7, (ii1) da inclinagao da respectiva corda em relago & posicao indeformada (7; ~ ver Figura 3.39(a)) e (i.2) do-esforgo axial actuante (N)). Determinagio do binétio de “foreas laters equvalentes” F,representadas na Figura 3.39(b) € de valor ae © MeGrana CAPETULO 2 Eemuinanene Pogas Lneanes« Esivoronad Rencuranit Estas forgas introduzem, tia configuragao indeformiada do-eléanient6, inonientos idén- ticos-aoé provocados pelo! esforgoaxial ria corda da sta configuragao’deformada, ‘quando ocorre um deslocamento relativo das extremidades. sate (iv) Andlise de 1.* ordem da coluna-viga, submetida as forgas aplicadas e ds forgas laterais equivalentes calculadas em (iii), e determinagio dos novos valores de'yje'Nj: (v) _ Repetigio do procedimento até se conseguir a preciso desejada, expressa, por exempio, em termos da-diferencaentte os Valores de if obtides em duas iteragbes consecutivas. Normalmente, quatro ou cinco iteragées so suficientes para obter um resultado preciso. Naturalmente, o proceso sé converge se 0 esforgo notiiil actuante for inferior ao respective valor eritico. (vi) Andlise:de 1: ordem'final para defermitiar os valores dos deslocamentos e momentos ée 2." ordem, Método ds fora aera equivalents {a) Corde de conf guragSodaformada do elemento. {by Foras laterals equivalents aplicadss no element Pode dizer-se que este método “substitui" a perda de rigidez da coluna-viga pela aplicagio de forgas laterais adicionais. A observaga0 ta Figura 3.39 mostra que, ao nivel do elemento, as forgas laterais correspondemapenas aos efeitos RAi(A; = Lj,j). De facto, a aproximagio do método consiste, precisamente, em nfo considerar os efeitos P-5 (em rigor, os efeitos P-Ae P-5tém de ser considerados simultaneamente). Como ¢ evidente, quanto maior fof, nimero de elementos, (i) menos importante se toma desprezar os efeitos de P-de (ii) mais precisos sto 0s resultados obtidos. Considere-se a consola da Figura.3.36;a qual se edmité.constituida por um tnico elemento, Tomando EI = 10% KN m2, £ = 10 m, P= 125 KN (P/P., = 0,507) ‘oMeariwat 195 196 Eeraonpane Eemurina, KN, a aplicagio do método das forgas laterais equivalentes conduz aos seguintes resultados (F é a forga adicional aplicada na extremidade livre da con- sola na iteragao i): L.*iteragao FO=0 MO =125 KN yf? =0,0167. 2iteragdo A? =2,088 KN ND = 25 KN y)=0,0237 Ay’) = 0,007. 3.iteragdo FO =2,963 KN NO yf =0,0266 Ay) = 0,003, 4.*tteragao FR? =3325 KN NN? =125KN _y{ =0,0278 Ay“) = 0,001. S.iteragiio FOO =3475KN NO =125KN y=0,0283 Ay) A = FO} — = 284,6 se ea a Maa =(Q + FO] €= 85,375 KNm. Comparando com os resultados exactos 36,7 mm My, = 92,23 KNm, ‘obtidos a partir das expressGes (3.110), constata-se que o método das forgas laterais ‘equivalentes fornece estimativas por defeito em cerca de 15% (deslocamento) e 8% (momento), Estas diferengas devem-se & ndo contabilizagao dos efeitos P-Be podem ser atenuadas considerando uma matha com mais elementos. © MeGraw lt CAPITULO 3 Esamunsne ne Pucks Lineanes & BSTRUTURAS RETIGRADAS 3.2.2. ESTABILIDADE ELASTO-PLASTICA ‘A determinagiio da resisténcia titima de uma coluna-viga constituida por um material eléstico-perfeitamente pléstico envolve, essencialmente, duas fases: () —_Andlise do comportamento da secgdo transversal, ie., determinagio da relago que existe entre os esforgos actuantes (compressio € momento flector) eas deformagies por eles provocados (entenséo e curvatura). (ii) Andlise do comportamento da barra, i.e., determinago da relagio que existe entre as ‘cazgas aplicadas (normalmente definidas através de um parametro de carga) ¢0s deslo- camentos por elas induzidos. Estudam-se em seguida, separadamente, estes dois aspectos, 32.2.1 ANALISE DA SECCAO TRANSVERSAL | ‘Uma secgfio transversal actuada por uma compresséo N’¢ um momento flector M apresenta uma extensio € uma curvatura k. © comportamento estrutural da secgio é, normal- mente, expresso através de curvas (i) M ~ k, para um dado valor de N (flexio predominant), ou, alternativamente, (ii) N ~ ¢, para um dado valor de M (compressio predominante), O anda- mento destas curvas depende, evidentemente, da forma da secgdo e da relacdo entre os valores dos esforgos actuantes. A titulo de exemplo, apresenta-se, na Figura 3.40(a), 0 andamento qualitativo de duas curvas M ~ k, relativas a uma seceio bissimétrica arbitréria ¢ comespondentes a dois nfveis de compressao (N= 0 e N+ 0). Na curva associada a N # 0 podem distinguir-se tres trogos: (@ Um trogo inicial, linear, que corresponde ao comportamento elastico da secgao € termina quando se atinge a cedéncia (em compressao) das fibras superiores (trogo 04 - MS M,) Gi) Um segundo trogo, nao linear, em que a plastificac&o s6 progride na parte superior da secgo € que termina quando se atinge a cedéncia (em trac¢o) das fibras inferiores (ogo AB~_M,SMSM,). (ii) Um terceiro trogo, néo linear, em que a plastificagtio progride em ambas as extremi- dades da seco e que “termina” (tende para) quando ocorre a plastificagao total da seocdo (t10g0 B © -M>M,). McGraw tt 197 Curva momento-curvatura de uma secdie sill’ tend Cnn (2) Comportamento real. (b) Conceito de c6tula plistica, Como ¢ ébvio, no caso de se ter N=0, M2 = Mf ea curva s6 tem dois trogos, Observa-se, assim, que, por um lado, a presenga da compressao.faz diminuir e;valordo momento.de plastificagia (momento pléstico) da secglo (Mj! < M9) e, por outro lado, que a cada valor de N corresponde ‘uma, curva (nd, linear) diferente, E.faci}-de-compreender que.este tiltimo facto introduz um eleyada eraude dificuldade na.determpinagso do comportamento deuma coluna-viga;:na.medida em que.a.cada seecdo, comesponde, noicasp geral, umacurva.M;-- k diferente. Torna-se neces- séicig necgtrer a programas de.cijeulo, automticn zelativamente sofisticados ¢.oesforeo-campn- tacignal.enyglvido.6 eaten tal “substisuir" comportamenso real da.secexo spain de'rétuje:pldstica,.o qual é amplamente atilizado em anélise plastica (geometricamente linear) de estruturas [3.18]}-Este conceito estd ilustrado na Figura 3.40(b) e consiste em “prolongar”, ficticiamente, 0 trogo cléstico dacurya M- k alé se atingir 0, momentode plastificagda, Deste modo, o comportamento da,seceiin deixa de exibix uma fase-clasto-plastica, passando a ser, (3): eldstica. (Mi<.M,) ou (ii) plastico (M = M, ~ formago de uma rétula pléstica). Esta caracteristica:simplifica conside- ravelmente a anilise de,uma colung.viga,.o-que, aliado.go-facto-de se constatarque a perda de precislio. dos resultados:nfio é muita significativa, explicaa opularidade dos métodos-de andlise que utilizam o conceito de rétula plastica. yee 7 A format, de uma. rotula léstion numa seog%o submesida: a flesio comsposta iMet. .N) ocorre quando os valores dos esforgos satisfazem uma equacdo dotipe ...¢ lee Mi =MY(N), an ©Mecire rl CAPITULO 5 Eenoninsos ne Papas Lowanes¢ Esrnsrunas RETCULADAS onde M} € 0 “momento pléstico reduzido (devido & presenca-da,compressia:V)"'A representacdo grafica de (3.125) é habitalmente designada por curva (ou diagrama) de interacgdo (M, N) da secgto transversal e, obviamente, depende da sua geometsia, Na Figura 3.41,est4 representado, accheio, o diagrama de interaceAo, de uma seocao rectangular, para @ qual, (3.125) toma a. forma Indica-se também, a tracejado, o diagrama que corresponde & cedéncia da seogiio (plastificagao da primeira fibra), o qual é, obviamente, linear ¢ dado por * ann - ‘com N, = N,, Mostra-se igualmente a forma da distribuig&o de tensées normais nas diferentes zonas do diagrama, correspondentes a comportamentos eliistico, elasto-plastico e plastico. ‘Diagrama de interacgo (M, N) da secgZo rectangular, Refiru-se, por ultimo, que, no caso de.uma se “no € possty 1 secrdo arbitrdria, nfo & possfyel obteruma expresso ‘analitica para a relagio (3.125), sendo necessério recorrer a métodos numéricos para detesminar a correspondente curva de interaceto. OMG 199 200 Esramamane Bsrwruna, 3.2.2.2 ANALISE DA COLUNA-VIGA A andlise do comportamento de uma coluna-viga sujeita a um carregamento (axial transversal) linearmente dependente de um pardmetro A, 0 qual esté representado esquema- ticamente na Figura 3.42, consiste, essencialmente, em determinar 0 valor de Ay, associado a0 seu colapso. O ramo ascendente da traject6ria de equilibrio (AB) apresenta dois trogos distintos, correspondendo o primeiro (04) a um comportamento elfstico da coluna-viga, jé estudado em Estabilidade Eldstica, (p. 175) ¢ 0 segundo (4B) a uma fase elasto-plistica. ‘Trajectéria de equitforio de uma colune-viga, A dificuldade em determinar 0 valor exacto da carga de colapso (ou carga tiltima) A, resulta do facto de ser computacionalmente complexa a determinago exacta do trogo AB, na medida em que € necessario tomar em consideragio as progressivas plastificagSes ¢ eventuais descargas elésticas que ocomem nas vitias secgdes da coluna-viga. Uma andlise que entre em linha de-conta com todos estes efeitos designa-se por “andlise elasto-plistica de 2." ordem com espalhamento de plasticidade” e, no ambito das formulagées das teorias da plasticidade e estabilidade utili zadas, fornece resultados exactos. No entanto, o esforgo computacional envolvido nas andlises exactas torna-as proibitivas em. aplicagses correntes, sendo entio indispensével a sua substituigdo por andlises aproximadas que fornegam resultados razoavelmente precisos. Nomeadamente, podem obter-se estimativas de A, recortendo a: @) Uma “anélise linear de estabilidade” e uma “anélise pléstica de 1. ordem” (ou “andlise limite”) [3.18] da columa-viga. Estas anélises fornecem, respectivamente, os valores © Mecraw it CAPITULO 5: Esamioane oe Pacas LoeamsrEsmamnasReniousos — 201 de Ag, € Ay, ambos limites superiores de 2,. Com base nestes valores, pode utilizar-se a“férmula de Merchant-Rankine” (3.19), definida por eam) e THA, he” pera calcular ums estimativa de A. Esta formula é obtida a partir da hipétese de uma interacgao linear entre os fenémenos de plasticidade e instabilidade, como se pode ver na Figura 3.43, Vérios estudos paramétricos, efectuados numericamente, mostram que a férmula de Merchant-Rankine fornece, normalmente, valores conservativos de 1, (0s resultados obtidos corespondem a pontos “fora” do triingulo QAB). 2s Ker Interacpio associads & formula de Merchant-Rankine. Gi) Uma “andlise elasto-pléstica de 2." ordem com o conceito de rétula pléstica” da coluna- ~viga, 2 qual fomece um majorante de A, bastante preciso e é frequentemente designada, sobretudo em literatura técnica, como “exacta” A trajectériadeequilfbriodacoluna-viga éconstitufda por varios trogos, cada um deles associado a0 comportamento eléstico ‘geometricamente nao linear de uma coluna-viga diferente. As vérias colunas-viga envol- vidas sfio obtidas, a partir da columa-viga original, através da formagao de sucessivas rotulas plésticas. Apresentam-se em seguida, sucintamente, dois exemplos ilustrativos deste tipo de andlise, o primeiro correspondendo a uma coluna-viga isostética ¢ o segundo uma coluna-viga hiperstatica, OMGrewHat 202 Eran macy ESURA 935. af ow Exemplolustrativo (Coluna-Viga Isostatica) Tint Bt Considera-se uma coluna-viga simplesmente apoiacla, de secco rectangular (com- primento ¢ ¢ rigidez de flextio £2), actuada por momentos ia extremidade (J. P, N= P,M= oP - equivalente a uma colina submetida a uma compressZo actuando com excentricidade @), a qual esté representada na Figura 3.44(a). Coluna-viga isostétien "| () Geometra e carregimento. |b) Compartamento, ~A.traject6ria.de equilibrio da.goluna-viga-esté representada na Figura-3:44¢b)- © apresenta dois trogos distinto: @ Um trogo OAS, correspondendo a um comportamento elistico da coluna- ~viga, que:tende para P =, P., e.cuja express rani apivanlos cet limite superior da carga de colapso (P, > P,) corresponde A intersecco entre as duas curvas, Representa-se também na Figura 3.44(b) a trajectéria de equilfbrio exacta da coluna-viga (ABC), eujo ponto méximo corresponde ao verdadeiro valor de P,. © Mecrom it CAPITULO % ErmmmacenePecas LNARES cEsmrimasRencuamss — 203 Exemplo Iustrativo (Coluna-Viga Hiperstatica) CConsidera-se uma coluna-viga bi-encastrada (comprimento ¢ eigide2 de flexto £1) sctuada por uma carga unifornighiente distibuida (t= P,N=P; = oP /£)/ qual esté representada na Figura 3.45(@). : : com tts “pe = me a4 Ee ae ae A trajectéria de 1 equilforio da a coluna-viga estérepresentada na Figura 3.46 ¢apre- senta trés trogos distintos: z ssl) yt ogo 0A O-SP § Pi), comespondendo «umn comportement eléstico “da coluna;viga, que tende,pat® P= Pox © troge termina pom a for magio de. , otulas plésticas nos encastramentos ¢ agua determinagdo é feita com base... ‘nd modelo estrutural da Figura 3.450). Gi) Un trogo AB, comrespondendo a um comportamento “eléstico” da colina -viga ficticia da Figura 3.45(b,),0 qual incorpora:uma'‘imperfeieao initial ‘coma forma da configuracio final do troga: 0A..Aa longo déste traiga; éne- cessétio contabilizar 0 efeito do aumento do esforga axialno valor dos mo: mentos!de plastificagdo. das rétulas dos eicastramentos (estes momentos diminnem-progressivaménte, o que provoca nina "transferéncial! para ovao da coluna-viga e diminui 2 sua capacidade resistente). O trogo.términacom 1 formago de uma rétula plistica na secglo de meio véo. “Um rego’ BD, Soli a beniehee eseaiteganientd paste’ ‘dd’ cohina-vi Riera 204 [Esrapa abe Bema, 323 Comportamento de coluna-vige. OP Pe. As Figuras 3.46(a) e 3.46(b) ilustram as duas situages que podem ocorrer, depen- dendo do valor de a. Para valores de a: baixos, a formagao das rotalas plasticas nos encastramentos ocorre quando 0 esforgo axial é j4 superior & carga critica de uma coluna simplesmente apoiada (P,, = Pz), pelo que 0 comportamento passa a ser instével ¢ tem-se P, = P, (Figura 3.46(b)). Se o valor de ot for elevado, tem-se P, 0,1, 08 efeitos P-A tém de ser incorporados, 0 que pode ser feito dos seguintes modos: w diay i2) id) Gi) ‘Meg obtido através de uma anélise de 2." ordem (eléstica ou plastica), que incorpore apenas os efeitos P-A, e comprimento de encurvadura ¢,, ‘Mgq obtido através de uma anélise eldstica de 1.* ordem e comprimento de encurvadura da coluna-viga real (£,) Msq obtido através de uma andlise eléstica de 1.* ordem, com os resultados “modificados” dé modo a inctuir os efeitos PA, através de Ma= (My) pp + Myo. ans Neal No onde (j)pz € (My)p sio, respectivamente, os momentos de 1.* ordem da coluna~ -viga “com o deslocamento relativo impedido” e “associados ao deslocamento Telativo” (estas distribuigGes de momentos estio ilustradas na Figura 3.49, para © ciso de uma consola). Considera-se o comprimento de encurvadura ¢, e este procedimento s6 pode ser utilizado no caso de se ter Nsa / Ne, $ 0,25; Ms, obtido através de uma anlise pléstica de 1." ordem, com os resultados “modificados” de modo a incluir os efeitos P-A, através de i 1-Ngl Ny N, My= My an0 Nsa! Ner Considera-se 0 comprimento de encurvadura €’, (tendo em conta a presenga das rétulas plasticas) € este procedimento sé pode ser utilizado no caso de se ter Nsq/ Ney $ 0,20. © McGraw it wearer CAPITULO 3 Emanumioe os Paces Leeates eEsraurunas REncwapas le oe oe a wets be co 1), Decomposiglo dos momentos de I." ordem, No caso de colunas-viga nfo uniformes, podem continuar a ulilizar-se as equagdes de interacco, conservativamente, considerando a secgo minima e/ou o esforgo axial méximo. Em alternativa, pode sempre efectuarse uma anélise de 2,* ordem que inclua todos os fenémenos relevantes. Finalmente, refira-se ainda que, relativamente a verificacio dos estados limites de servigo (ELS), 0 EC3 impée, em certos casos, a contabilizagio dos efeitos P-delta no cilculo dos desloca- mentos. METODOLOGIA DE DIMENSIONAMENTO (O dimensionamento/verificacio de seguranga de uma coluna-viga uniforme, em relagio a ELU que envolvem encurvadura no plario de flexo e de acordo com 0 EC3, com- preende os seguintes pasos: (@ _Determinagao dos esforgos actuantes comprimento de encurvadura. Gil) Céloulo das capacidades resistentes Nieuw Nera Mea Mia- Gi) Determinago do valor do coeficiente k ou, conservativamente, tomar k (iv) Verificag&o da resistencia da coluna-viga, através de (3.132). (v) _Verificacao da resisténcia das seogSes, através de (3.134). E ainda necessério verificar se os deslocamentos da coluna-viga satisfazem os critérios relativos 0s ELS, 3.24 EXEMPLO DE APLICACAO Considere-se novamente a estrutura metilica plana representada na Figura 3.26 ¢ admite-se agora que (i) 0 né B & rigido no plano e que (ii) a barra AB é constitafda por um perfil HEB 360 de ago $355, Para um valor da carga actuante psy = 185 KN/m (valor dete- rminado na p. 169), pretende-se verificar a seguranga da coluna-viga BC, de acordo com 0 EC3, supondo-a contraventada no plano normal & estrutura, © Mera tit 209 210 BetsumaosEsrmeruRa Apresentam-se, em seguida, os pasos envolvidos na verificagio de seguranga: () Determinagao dos esforcos actuantes Efectuando uma anélise eléstica de 1,* ordem, obtém-se os diagramas de esforgos axiais ¢ momentos flectores representados na Figura 3.50 e tem-se, para a coluna- -Viga BC, Noy= 885 KN e Mg = 102 KNm. ® 8B5(c) c (KN) Diagramas de esforgos da estraure (ii) Determinagaio do comprimento de encurvadura Desprezando a influéncia da presenga do esforgo normal actuante na barra AB (Nsq = = 13 KN <0), 0 valor do comprimento de encurvadura da coluna-viga BC pode ser obtido a partir do modelo da Figura 3.51, utilizando as curvas da Figura 3.3, Tem-se, entiio, SEI, Bhp, 3x4319x8 c= 3 Elan Lap bop <0: i PE TS > a= 078 ¢, portanto, £,= 01 bg =0,74%80 1 Ele ura 3. ‘Modelo pars océtculo do comprimento de encurvadars. Meroe Hat CAPITULO 4 EsmomunaoepePecasLweares eEsmuromas Rencuaoas 21] (ii) Céteulo das capacidades resistentes Como se tem Yy, = fy, = Isl € 0 valor do médulo de flexo pléstico ¢ dado por W,» = 1050 x 103 mm}, as capacidades resistentes da secgo valem Mra = Mia 1050x258 10-4 =339 KNm Nena =10600%«258 x10 =3421KN. Relativamente a resisténcia da coluna-viga & encurvadura por flexo no plano da estru- ture, o seu valor é obtido a partir de Fx 500/103 76,4 0,75 => %=0,754 (curvab) evale Ny.xa = 0,754 N, pq = 2580 KN. (iv) Determinagao do coeficiente k Adopta-se inicialmente k= 1,5 (valor conservativo), Se for necessério, ie., se a segu- ranga nfio for verificada, calcula-se o valor exacto de k através das formulas do EC3 (neste caso particular, obter-se-ia k = 1,056). (v) — Resisténcia da coluna-viga Noe Mos. 865.5 5,102 Ne Mise. 865 415,32. Nana Mag 7 2580 °°" 339 794 <1. (vi) Resisténcia das secgdes Em virtude de, neste caso, a condigdo relativa & resisténcia da coluna-viga ser mais restritiva, a resisténcia das secgbes est automaticamente verificada. (vil) Conclusaio A seguranga da coluna-viga est4 verificada, mesmo adoptando o valor conservative de kes. Meco 212 BsABLOADEESTIUTIRAL 33 PORTICOS At6 aqui estudou-se unicamente 0 comportamento de batras (colunas ou cohunas- ~viga) isoladas, na maior parte dos casos com condigdes de fronteira idealizadas (apoios per- feitos, encastramentos perfeitos,etc.). Na pratica, a grande maioria das barras esté integrada em estruturas reticuladas, nomeadamente pérticos, estando portanto as suas extremidades ligadas a outras barras, Consequentemente, 0 comportamento de cada barra é influenciado ¢ condi- cionado pela presenga das restantes barras da estrutura. Por exemplo, a determinago da carga critica de uma coluna integrada num p6rtico requer o estudo da estabilidade do portico, consi- derado como um todo. Os pérticos constituem 0 “esqueleto” resistente de um elevado niimero de construgbes e sto formados por varias barras, unidas entre si por meio de “ligagdes”, Estas ligagdes podem dividir- -se em trés grandes tipos: (@ Ligagdes articuladas, incapazes de transmitirem momentos ¢ em que a rotagao relativa entre as extremidades das barras ¢ livre. Gi) Ligagées rigidas, capazes de transmitirem momentos e em que a rotagao relativa entre as extremidades das barras esté totalmente impedida, Gi) Ligages semi-r(gidas, capazes de transmitirem momentos e em que a rotagto relativa das extremidades da barras est parcialmente restringida. Como é ébvio, praticamente todas as ligagtes “reais” so semi-rigidas. No entanto, por uma questo de simplicidade, é habitual adoptar uma modelagio “ideal” que consiste em considerar apenas ligagGes articuladas ou rfgidas, conduzindo a pérticos designados, um pouco abusiva- mente, como “pérticos de nés rigidos”. E importante referir, desde j4, que est4 fora do ambito deste livro 0 estado docomportamento de porticos com igagées semi-rigidas, pelo que a palavra “pértico” seré, daqui em diante, sempre utilizada como o significado de “p6rtico de nés rigidos”. 33.1 ESTABILIDADE ELASTICA 33.1 BIFURCACAO DE EQUIL{BRIO Aborda-se aqui a anélise linear de estabilidade de pérticos constituidos por basras uniformes ¢ submetidos a caregamentos com as seguintes caracteristicas: @ — Dependem linearmente de um tinico parémetro de carga A (“carregamento propor- cional”), o que significa que todas as forcas aplicadas P, (i= 1, ..., n) tomam a forma Gasp onde os valores de F; definem o “perfil do carregamento”. Mcrae CAPITULO % Bswmtnioe ne Pecas LneatesE ESTAUTURAS RETCULADAS Gi) Podern ser totalmente equilibrados apenas com esforgos normais nas barras do pértico, Deste modo, ndo existem momentos primérios e a trajectéria fundamental de equilforio cenvolve apenas deformagies axiais (desprezé-las corresponde a admitir que o pértico permanece indeformado na traject6ria fundamental). Na Figura 3.52 mostra-se um pértico genérico submetido a trés carregamentos, dos quais apenas o terceiro epresenta as duas caracteristicas referidas (no primeiro, existem dois parimetros de carga e, no segundo, momentos primérios). P osP 10 P osP 27 Pp 2p OP ‘ ETE. | = a O.5P P| ap yo “Tipos de camegamento MOD0s DE INSTABILIDADE Os modos de instabilidade de um pértico podem dividir-se em dois grandes grupos, ilustrados na Figura 3.53 e designados, respectivamente, por (i) modos que envolvem desloca- mentos laterais dos nés (MCDL) (ii) modos que nao envolvem deslocamentos laterais dos n6s (MSDL). ‘Tipos de modios de instabilidade de pértics. (@MCDL. (b) MSDL. © MeCram Ht 213 24 Bemunsonbe Esronal & fécil de entender que, na grande maioria dos pérticos, o modo critico de instabilidade (modo associado ao valor eritico do parimetro de carga, 2,,) envolve sempre deslocamentos laterais dos 16s, Deste modo, uma forma de aumentar o valor de A., consiste em impedir, total ou parcialmente, esses deslocamentos Iaterais, operagiio que se designa por “‘contraventamento do péitico”. Em geral, passam a existir apenas MSDL ¢ 0 valor de 2,, do “pértico contraventado”-corresponde, no caso do“pértico nfo contraventado”, a um carregamento que provoca uma bifurcagaio “lo critica”. Na Figura 3.54 representa-se um pértico com trés situagdes de contraventamento, &s quais correspondem cargas criticas diferentes. Pred Inn inne ap 4 L Re < % < fe _ a oO a rico (a) nf, ()pacilmerteo() totalmente coneaventa. DETERMINACAO DE CARGAS CRITICAS ‘Tal como sucedia no caso das colunas, existem varios métodos, exactos ¢ aproxi- ‘mados, para efectuar a andlise linear de estabilidade de pérticos, ie., para determinar o valor critico do parfimetro que define o seu carregamento, 4,, (3.12, 3.21]. Optou-se por apresentar aqui a determinago de cargas criticas apenas através de dois métodos, nomeadamente, (3) 0 método dos elementos finitos (MEF), indiscutivelmente o método mais eficiente e versétil, e Gi) 0 método de Home [3.22], aplicavel a um mimero restrito de situagdes mas de grande utili- dade pratica. A formulagdio do MEF foi j4 apresentada na p. 99 e recorda-se que foram deduzidos dois ele- ‘mentos finitos de barra, um baseado em fung6es de forma polinomiais (polinémios de Hermite) outro na solugdo exacta da equagdo diferencial de equilfbrio do elemento. As matrizes de tigidez destes elementos finitos esto escritas, respectivamente, em (2.149) (matriz aproximada) © (2.155) (matriz exacta). OMG tt i } | } CAPITULO 3 Esrasmunne De Pepas Lowants 5 Esmirinhs RENORADAS ‘METODO DOS ELEMENTOS FINITOS 0 eéleulo do valor crtico do partmetro de carga, 2,, utilizando o MEF, envolve os seguintes passos: @ Gi) Gi) dv) Identificar os graus de liberdade do pértico (rotagées c/ou deslocamentos dos nés). Estabelecer a matriz de rigidez global do pértico, a qual depende do parametro A e-requer a determinago prévia dos esforgos axiais actuantes em cada barra, Neste pro- cesso, andlogo 20 utilizado na aplicagéo do MEF & andlise linear de estruturas, podem adoptar-se duas vias: i.) Utilizar a matriz de rigidez exacta do elemento finito, definida em (2.155), € con- siderar 1 elemento por trogo de barra wniforme. As componentes da matriz. global Ky dependem ndo linearmente de A, através das fungdes de estabilidade. (6.2) Uilizar a mari de rigidez aproximada do elemento fnito, definida em (2.149), ¢ considerar um mimero de elementos por trogo de barra comprimida que garanta a preciséo pretendida, Conforme se mostrou em Discretizagdio das Barras ¢ Resolugao do Problema de€stabilidade (p. 109), a consideracio de ‘trés elementos conduz sempre a resultados precisos (néo existe, portanto, justi- ficacdo para utilizar mais do que 3 elementos). Deve, no entanto, referir-se que, dependendo da natureza do problema, podem obter-se resultados precisos com um ou dois elementos por trogo de barra comprimida. As componentes da matriz global Ki, dependem linearmente de 2. Tmpor 0 anulamento do determinant de Kj, sendo Ae, © menor valor do parémetro de carga que satisfaz a equacio caracterfstica |Kj| = 0 (2,, € 0 menor valor préprio de Kj). Dois casos podem ocorrer: Gil) Sese tiver wtilizado a matria de rigidez exacta, a equagtio caracteristica é alta mente nio linear ¢ o valor de A, tem de ser obtido por “lentativa ¢ erro”, recorrendo aos valores das fungées de estabilidade. (iii.2)Se-se tiver utilizado a matriz de rigidez aproximada, a equagao caracteristica 6 uma equagio polinomial, A determinagao da sua menor raiz, pode ser efec- ‘tuada analiticamente (em problemas simples) ou recorrendo a métodos itera- tivos (sempre), obtendo-se um majorante da carga critica 1 (A 2 2,,). Se necessétio, calcular 0 vector préprio correspondente a 2, e utilizé-lo para, conjun- tamente com as fungGes de forma, determinar a configuragao do. modo critico de insta- bilidade do pértico. oMecraw Hit 215 216 Eenanace Een. Relativamente & subdivisio dos trogos de barra uniformes em elementos finitos, quando se utiliza a matriz de rigidez aproximada, é conveniente referir que € condigdo suficiente para a cbtengio de majorantes precisos (i.¢., 1 = A.) a consideragao de um niimero de elementos finitos que satisfaga, em cada trogo, a condigo NA co, 9) Ne onde Ng é a carga de Euler do trogo. Deve, no entanto, notar-se que esta condigo nfo é uma condig&o necesséria, na medida em que podem obter-se majorantes bastante precisos com um, niimero de elementos finitos inferior ao determinado através de (3.138). Exemplo Mustrativo Pretende-se determinar os valores crfticos do pardmetro de carga (A= P) do pértico simples representado na Figura 3,55, 0 qual (i) se admite contraventado ou nfo contraventado ¢ (ii) sujeito a dois carregamentos distintos. Consideram-se separa- damente os quatro problemas resultantes (problemas I-IV) e, para cada um deles: (i) Calcula-se o valor de 2., ¢ a configuragio do modo eritico de instabilidade, utilizando a matriz de rigidez exacta. (i) Calcula-se um majorante de A, utilizando a matriz de rigidez aproximada e considerando 1 elemento finito por barra, (Gii) | Determina-se, com base nos valores exactos de 2,,,.(obtidos em (i)), 0 mimero minimo de elementos finitos que, de acordo com (3.138), seria necess4rio utilizar para, com a matriz de rigidez aproximada, obter majorantes precisos, Relativamente ao nifimero de graus de liberdade, observe-se desde jé que o pértico contraventado (problemas Ie I) tem dois (rotagées dos nés Be C) €0 pértico no contraventado (problemas IIe IV) tem trés (rotages dos nés Be Ce deslocamento lateral do piso). OMeGrae it nn CAPITULO % Esamunans os Pecas Lacanss sEsravrutas Rencutamas 217, Fe 8M Pon “| iP P a opt = tl lr @ Je @ A o pst “¢ jr o [eT DEGIEERES Fercico simpes: problemas te. 2 “t 2p ae (A) Problema I ’ @ Matric de rigider exacta ape ao 4 408 hi [xyjeZ “OTs 15 4-2 We] ate 408 yen 15 1s 7 of =9P ab, =P) — of =ei=1 (N=0). Gi) Clleulo de hey Poy 2 1 ms 3 ' Rj|=0= E rae nda ds= -03251] Ne | 23 65 = 033339 2 2,41 (menor raiz) = 2,5 = 3 = -0,4375 Ne Ne i op a 9.4y BEL. 94.9 EL b » Ryn = 2819 i ©MGran Hat 218 Esumuosoe Eons (iii) Modo critico de instabilidade (iv) Matric de rigides aproximada 4EL Uy set [xp]- = 4 15 15e L5€ . ea 4B1 SEI 26, Lsé Lsé € 15 (Vv) Céleulo de I= B, majorante de P., => 7=40. (menor raiz) (vi) Ntimero minimo de elementos finitos aproximados Nagler) _ NepAc) _ 23,79 Pa = SOS 222. ©MeGraw 0h © MeGran CAPITULO % Estamupapene Pans Lneanes eEmmuTunasRenowsoss — 219 + 3 elementos finitos nas barras AB e CD (e, obviamente, 1 elemento finito em BC). Obter-se-ia PS 23,95 EI/ €2, Refira- -se, no entanto, que a consideragao de s6 2 elementos em AB e CD conduziria a P,, $ 24,34 EI/@, ie., aum majorante com uum erro de apenas cerca de 2,3%. @) Problema @ Matrices de rigider exacta e aproximada 2 1 -30 42 2 2e oP +S 3 3 ye 4er) 1 2 ~3g% [eieleF] og oes 28 (of = 3 ye 3g 3, 0. yur OP Gote+om)| 2 20 Seto 3 3 2h Hl 4 20_2 “6+ Kiv]aS] = D2, i0 [imle| 3 315" oA 6d 10 10 (i) Céleulo de Ag, = Pre he P IKi|=0 <> 46)(.+65)-303=0 > Fig,)=0 = =0,6 = F(6,) = 0,7846 is = F(,)=0= P= 0,67 yt OT F(@;) = -0,3254 bi Ne 220 Eewonnane Esra (iv) Niimero minimo de elementos finitos aproximados Napier) Nee) 661 20 $36 ~ 1563 +124, +116 +66, +6=0 > F(O,)=0 © Mesrow eat CAPITULO % Erasnionoe ve Pacas Livewtes eEstmurinas Rencunapas 223 < 13 => F(¢,)=0,4749 ae = FQ) =05 <—=1,4 = F(9;)=-1,5381 Ng mEL EI Pe, = 0602 = 653 0 « T=667 EL Pe, $6.67 = er @ (iii) Modo erttico de instabilidade 1,126 g, +0,333 g, —1138 gy/£=0 0,333 q, +1,667 gy -1,5 q3/£= 0 5 = 1,0680, A=13480¢ € Civ) Mimero minimo de elementos finitos aproximados Nap Qer) _ 2%653 ON an 805 9 n216 es elementos finitos na barra AB. Obter-se-ia P,, $ 6,56 El /€2, resultado que, relativamente 20 calculado com 1 clemento finito por barra, representa uma melhoria de precisdio sem grande signi- ficado 0 erro passa de 2,1% para 0,5%. © Merona 224 BenanmoeEeruroea, (BE) Comentérios @) Conforme se disse atrés, 0 contraventamento aumenta signifi- cativamente o valor da carga critica. No caso particular dos exemplos apresentados, a relago entre os valores de P,, é de cerca de 3,6 (colunas igualmente comprimidas) e 2,0 (s6 uma coluna comprimida). (ii) No pértico nfo contraventado, 0 valor de P,, praticamente nfo depende da distribuigio de esforgos normais nas colunas, mas ‘apenas do valor da sua soma (os exemplos apresentados corres- pondem as situagdes extremas — distribuigio uniforme e toda 2 compressio numa tinica barra). Deste modo, pode dizer-se que a designagio “carga erftica” se refere & “totalidade das cargas ‘verticais actuantes” (soma dos esforgos de compressiio nas colunss). © mode critico de instabilidade envolve “globalmente” todo 0 portico e, no problema IV, observa-se que o ponto de inflexio da viga deixa de estar a meio vio. (ii) No pértico contraventado, o valor de P,, é condicionado pela instabilidade da coluna mais comprimida, O valor de P_,. no problema II é ligeiramente inferior a metade do valor do pro- blema I, em virtude de 0 “resto do pértico” ser mais rfgido (a ‘outra coluna nfo est4 comprimida). O modo eritico de instabi- Jidade podeser encarado como uma “soma” dos modos de insta- bilidade “locais” das duas colunas e observa-se que, no problema TH, 0126 da coluna mais comprimida apresenta uma rotagao bas- ‘ante superior. (iv) Confirma-se que a condigdo (3.138) é apenas uma condigdo sufi- ciente para obter majorantes precisos de P,, (€ possfvel obter ‘majorantes razoavelmente precisos sem a satisfazer), (v)_Nestes exemplos, a viga nao estava comprimida, situacio fre- quente em aplicagbes praticas (os esforgos de compressio nas vvigas sfo suficientemente pequenos para poderem ser despre~ zados). Se a compresso nas vigas for significativa, como sucede, por exemplo, nos pérticos de travessas inclinadas (utilizados em edificios industriais), elas devem ser tratadas de modo andlogo 2% colunas ~ so barras comprimidas, (vi) Muito embora estes comenttios se refiram especificamente a0s exemplos apresentados, cles permanecem qualitativamente vélidos para quaisquer outros pérticos, independentemente do niimero de barras que os constituam, McGrail @ Gi) Gi) vy) w) CAPETULO % Esrammanene Papas Lnvanes EEsTIUrOMAs RENCULADAS Método de Horne © método de Home é um método aproximado para caleular cargas exticas apenas aplicdvel a porticos (i) “regulares ecrtogonais”, do tipo epresentado na Figura 3.56, ¢ (i) nfo contra- ventados. A formulagto do método baseia-se em consideragées de natureza energética e conduz a determinagao de A,,, recorrendo unicamente aos resultados de uma andlise linear de estruturas [3.22]. Apresentam-se em seguida os passos envolvidos na aplicagio do método de Horne: Considere-se 0 pértico genérico representado na Figura 3.56(a), 0 qual esta submetido um camegamento equilibrado unicamente por esforgos axiais e linearmente depen- dente do parimetro A. Designa-se por V; a soma das cargas verticais de referéncia (a menos do pardmetro 2) que actuam 20 nivel do piso i, Pretende-se caleularo valor de Dep ise, efectuar uma andlise linear de estabilidade do pértico (problema A). Define-se um novo problema, representado na Figura 3.56(b) e ficticio, no qual se considera o portico submetido a um conjunto de forgas horizontais, aplicadas ao nivel de cada piso e com valores iguais & centésima parte das somas das forgas verticais de referéncia que actuam nesse piso (H,=V,/100 com V, = J) Fy —ver Figura 3.56(b)). ! Efectua-se a andlise linear de estruturas deste pértico (problema B). No problema B, calculam-se os deslocamentos horizontais dos pisos (A,) ¢ deter~ minam-se os deslocamentos relativos que ocorrem em cada piso, definides por sn). aus Gandy Admitindo que as energias de deformagdio associadas a0 modo de instabilidade do problema A e & configuragio deformada do problema B so iguais, pode mostrar-se (3.21, 3.22] que se tem DH 46; 0,00833—=1___< A, < 0,01=1 ——,, aus DH: 57 hy DH Fy a E onde h; representa a altura do andar i Em alternativa ao intervalo definido em (3.140), pode obter-se uma estimativa conser- vativa de 2,, (erro inferior 20%), utilizando a expresso, i 0,009 0,009 © nax(5; 1h) ORE” (aan a OMGraw Ht 225 226 © BrumpwoeEsrurueaL onde @; € a inclinago, em relagio a vertical, das cordas das colunas do andar i (ver figura junto). Esta aproximagio corresponde a “substituit” os somatérios de (3.140) pelo termo associado ao andar mais flexivel, Fash [Food [Fash JF veyron ‘a ? fer jffeek [Fas iF Va yr00 tof } fies | Wi Fv a0 hs? + / ” * a Método de Hore (a) Probiema A (estabilidade), _(b) Problema B (andlise linear). Exemplo Ilustrativo Considere-se 0 pértico representado na Figura 3.57, sujeito 20 carregamento af indicado. Pretende-se determinar o valor da sua carga critica através do método de Home. ©MGrawtit CAPITULO 3: Eerannioaoese Pacis Liss pEsmvroess Rencuanss 227 ~ Pa {en fn t Em2x10° N/m? ¢=10m Anica do métdo de Home. ‘A aplicagtio do método de Home conduz aos seguintes resultados: 10m =V=4R,=8000KN = H)=80KN = ‘Ay =0,308x10-1 m (§, =0,308x10-| m > 5, = A, =0,566%1071 m 258 x10-! m Las, i 0,308 + 0,258 DH? 1h; (0,308? + 0,258?) x10-2 = 3506x102 gM = 9, =0,308x10~2 2 2,9205A,,$3506 on A,,~ 2,922. CO resultado exacto € Ay = 3,02, o que corresponde a carges de 6040 KN e 12080 KN, aplicadas, respectivamente, sobre as colunas exteriores ¢ interiores. COMPRIMENTO DE ENCURVADURA DE COLUNAS INTEGRADAS EM PORTICOS O conceito de comprimento de encurvadura de uma coluna wniforme integrada num pértico, definido como ‘“o comprimento de uma coluna ficticia, simplesmente spoiade, que instabilizaria em simultfneo com o pértico, sujeito 20 carregamento considerado” [3.21], pode, de algum modo, set encarado como a “tradugo” de um fenémeno de “instabilidade global” (do pértico) numa “linguagem local” (da coluna). E possivel mostrar que, fisicamente, 0 com- OMcraw Ha 228 Esrapuipape Bernrna primento de encurvadura continua a corresponder & distincia entre dois pontos de inflexéo con- secutivos da configuragao deformada da coluna (eventualmente “prolongada”), a qual esté inse- rida no modo critico de instabilidade do pértico. ‘Admitindo que se conhece o valor da carga critica do pértico 2,,, 0 comprimento de encurvadura dacoluna ié dado por (€.): = RYCED; Ni Aer > am) onde NY; (2,,) € 0 valor do esforgo normal actuante nessa coluna quando 0 pértico instabiliza. Observa-se, assim, que o valor de (€,), depende da geometria da coluna (EI) ¢ do carregamento do pértico (N;(A,,)),0 que quer dizer, por exemplo, que o comprimento de encurvadura de uma determinada coluna integrada num certo pértico varia, no caso geral, com o carregamento a que este estd submetido. ‘O dimensionamento ou verificagdo de seguranga de um pértico é, normalmente, efectuado atra- vés de um procedimento “indirecto” que consiste em tratar separadamente cada uma das barras que 0 constitui, considerada individualmente (no caso geral, cada barra é tratada como uma ‘coluna-viga isolada), No entanto, 6 evidente que, 20 dimensionar cada barra, é necessério conta~ bilizar a influéncia da presenga das restantes barras do pértico. O conceito de comprimento de encurvadura fornece um modo eficaz e sistemético de incorporar essa influéncia, Conforme se viu ats, a determinagao rigorosa dos comprimentos de encurvadura das barras de um pértico requer a determinagdio prévia da carga critica do pértico, o que envolve métodos de andlise relativamente sofisticados e, portanto, pouco adequados para uma utilizagio corrente por parte dos projectistas. Este facto esté na origem do desenvolvimento de varios procedimentos aproximados que consistem, essencialmente, em estudar a estabilidade de uma barra integrada num pértico considerando uma subestrutura constituida apenas pela barra em questo e pelas barras que lhe so adjacentes [3.12]. Esses métodos fornecem normalmente “ébacos de dimen- sionamento”, de fécil utilizagio e que traduzem graficamente 0s resultados da andlise linear de estabilidade exacta das subestruturas referidas, Em Comprimentos de Encurvadura, (p. 239) descreve-se um desses métodos, conhecido na literatura como “método de Wood” [3.23] € explicitamente preconizado pelo Eurocddigo 3. Apresentam-se igualmente os correspondentes ‘Abacos de dimensionamento. Apesar da indiscutfvel utilidade prética de um método aproximado deste tipo, deve tomar-se ‘algumas precaugdes na sua aplicagao, em virtude de as hip6teses que esto na base da sua formu- Jago restringirem o respectivo domfnio de validade. De um modo geral, pode dizer-se que estes métodos sto validos para “pérticos rectangulares” constitufdos por barras uniformes ¢ que os 2 Meroe Hit CAPITULO 3 Eerasnsoaoece Pecas Lncanes # Beraurunis REncuLAoss resnltados fornecidos sto tanto melhores quanto “mais representativo” do comportamento do partico for 0 comportamento da subestrutura considerada, Em particular, é importante referir que: (Estes métodos x6 conduzem a resultados exactos se todas as barras comprimidas apre- sentarem o mesmo valor do pardmetro de tigidez o=VEIINE, one ‘o que significa que todas elas encurvam simultaneamente, (i) Se acondigdo anterior nao for satisfeita, é necessério distinguir entre barras compri- idas “criticas” ¢ “no eriticas”. Designa(m)-se por “barra(s) erftica(s)” aquela(s) que apresenta(m) um valor mais baixo do parametro ¢ (barra(s) cujo comportamento lidade do pértico). Os métodos aproximados sobrestimam (subes- timam) os comprimentos de encurvadura das barras criticas (nao criticas). (ii) Se as barras adjacentes 2 barra considerada estiverem comprimidas por esforgos axiais resultantes de um carregamento proporcional, a determinagéo do comprimento de ‘encurvadura requer um procedimento iterativo. Refira-se, por tiltimo, que estes métodos podem igualmente ser utilizados para obter estimativas cconservativas de cargas crticas de pérticos, a partir do comprimento de encurvadura das respec- tivas barras comprimidas criticas (os valores obtidos sto exactos no caso de todas as barras comprimidas serem criticas). Exemplo Hustrativo No pértico da Figura 3.57, cujo carregamento critico comresponde & 2.,= 3,02, 08 comprimentos de encurvadura das varias colunas so dados por: {ER | 6040 = 18,08 m Colunas laterais inferiores: €,= [Ef 112 080 = 12,78 Coluna central superior: ¢,= 1,3 El, 712 08 Coluna central inferior: €,= na{i,3 Bf, 124160 = 10,31m Colunas laterais superiores: 1457 m A coluna central inferior é, obviamente, a “barra critica” do pértico. Mest 229 230 Brsanne Hemme 33.4.2 ANALISE DE 2." ORDEM Consideraram-se até aqui apenas porticos “ideais”, ie., pérticos (i) geometri- camente perfeitos (ii) submetidos a cargas que introduzem unicamente esforgos axiais nas barras, para os quais a perda de estabilidade ocomte por bifurcagdo de equilfbrio. No caso de pérticos “reais”, i., pérticos com imperfeig6es geométricas iniciais efou momentos priméios, deixa de existir bifurcago de equilfbrio ¢ o comportamento passa a ser descrito por uma tra~ Jectéria de equilfbrio no linear que, no contexto da anglise linearizada de estabilidade, tende assimptoticamente para a recta A = 4, (pértico submetido a um carregamento proporcional & um tinico pardmetro 4), Este tipo de comportamento esté ilustrado na Figura 3,58, para 0 caso de um p6rtico com momentos primérios provocados por uma forga horizontal @P (A= P), ea determinagio rigorosa da trajectéria no linear envolve o estabelecimento das equagdes de equilforio na configuragdo deformada do pértico. “Traject6ria de equiorionio tnear. EFerros P-DELTA Para caracterizar a trajectéria de equilbrio nfo linear de um portico (determinago da evolugao dos valores dos deslocamentos, esforgos, ec.), é necessério considerar os “efeitos de 2." ordem’ ou “efeitos P-delta”, Estes efeitos so devidos aos deslocamentos do pértico e geram esforgos adicionais, os quais, por sua vez, alteram os valores dos préprios deslocamentos. Esta dependéncia entre esforgos e deslocamentos faz, com que, no caso geral, seja necessdrio recorrer a téonicas iterativas para obter a solugo de um problema com estas caracteristioas. © McGraw Hi CAPITULO & EsasnioAoe De Poca Lies & EsuToRAs RENGLLADKS Tal como sucedia no caso das colunas-viga (ver Efeitos P-A ¢ P-6, p. 188), 0s efeitos P-delta nos pérticos podem ser de dois tipos: (__Efeitos P--A, relacionados com os deslocamentos relativos das extremidades das barras (rotagGes das cordas) e também designados “efeitos de 2." ordem globais”. Correspondem a tomar para configuragdo deformada do pértico a linha poligonal definida pelas cordas das varias barras. Estes efeitos de 2.* ordem so provocados pelas cargas verticais aplicadas, s6 existem em pérticos nfo contraventados e origi- nam diagramas de momentos flectores adicionais (secundarios) lineares. Gi) _Hfeitos P-8, relacionados com os deslocamentos das configuragées deformadas de cada barra comprimida do pértico em relagao & posigo da corda respectiva (curva- turas) e também designados “efeitos de 2." ordem locals”, Estes efeitos sio provocados pelos esforgos de compressio, existem tanto em pérticos contraventados como néo contraventados ¢ originam diagramas de momentos flectores adicionais (secundérios) ndo lineares. 0s dois tipos de efeitos de P-delta descritos estio ilstrados na Figura 3.59, para 0 caso do pértico considerado anteriormente (Figura 3.58). E importante observar que os efeitos P-S. comrespondem aos comportamentos individuais das barras do pértico (colunas ou colunas-viga) «, portanto, foram jé estudados anteriormente, nos subcapitulos Colunas (p. 135) € Colunas- -Viga (p. 174). Por tiltimo, refira-se ainda que uma andlise de 2.* ordem rigorosa de um pértico niio contraventado tem, obrigatoriamente, de tomar em consideragiio, conjunta e simultanea- mente, os efeitos P-A e P~6. Me Neo oes BREE tetas pceta, (a) Efeitos P-A+ Pd (b) Efeitos P=. (c) Hfeitos P-6, eMGra it 231 232 Esmmnsmane EsTURAL METODOS DE ANALISE DE 2." ORDEM Existem diversos métodos de andlise de 2.* ordem, “exactos” ou aproximados, para determinar traject6rias de equilfbrio néo lineares em pérticos. Estes métodos diferem entre si pelo tipo de formulago empregue, pelos efeitos que tomam em consideragao e, naturalmente, pela preciso dos resultados fornecidos. De um modo geral, podem classificar-se as anélises de 2." ordem de pérticos em trés grandes categorias: @ Gi) Git) Andlises de 2." ordem rigorosas (ou “exactas”) [3.24], em que as equagies de equilfbrio silo escritas ne configuragao deformada “instantinea” do portico, a qual vai variando & medida que as cargas vao sendo aplicadas, Requerem a definigdo de estratégias de resolugo numérica que envolvem sempre procedimentos iterativos. Estas andlises sio normalmente efectuadas através do método dos elementos finitos, existindo na lite ratura virios elementos finitos no lineares, a que correspondem diferentes graus de complexidade e sofisticagao [3.25]. No contexto da andlise linearizada de estabilidade, pode utilizar-se um dos elementos finitos (exacto ou aproximado) cuja formulago foi apresentada em Método dos Elementos Finitos (p. 99), Refira-se, no entanto, que, para obter resultados com uma preciso elevada, é necessério recorrer a abordagens itera tivas que contabilizem a variagio dos esforgos axiais actuantes, a medida que o carregamento aumenta (dependéncia dos deslocamentos nodais). Desde que as imper- feigdes iniciais do pértico sejam inclufdas na andlise, todos estes métodos permitem contabilizar adequadamente tanto os efeitos P-A como os efeitos P-5. Andlises de 2." ordem apreximadas (ou “simplificadas”) {3.16}, em que as equacdes de equilfbrio sto, regra geral, escritas na configurago indeformada do pértico, sendo 0s efeitos geometricamente nao lineares incorporados de uma forma indirecta e itera- tiva (forgas adicionais, redugdes de rigidez, etc.). Deste modo, este tipo de andlises substitui efectivamente a resoluio de um problema nfo linear pela resolugdo de sucessivos problemas lineares, o que, obviamente, requer instrumentos de cAlculo ‘menos sofisticados. Muito embora a natureza dos efeitos P-delta contabilizados dependa da formulagdo especifica de cada método, pode afirmar-se, genericamente, que (i) os efeitos P-A sio sempre razoavelmente estimados e que (ii) os efeitos P-S so muitas vezes parcialmente estimados, ou mesmo totalmente ignorados, E importante referir que 0 método das forgas laterais equivalentes, introduzido na p. 194, se insere nesta categoria e, desde que o nsimero dos nés ou elementos considerados nas barras com- primidas seja adequado, fornece resultados que incorporam, com uma preciso bas- tante aceitavel, ambos os efeitos P-A e P-6. Anélises de 1.* ordem “modificadas" [3.16], em que os efeitos de 2.* ordem s&o conta- bilizados através de uma adequada modificago dos resultados obtidos por meio de uma andlise linear do pértico. Para efectuar essa modificagao, utilizam-se normalmente Factores de amplificagdo (de deslocamentos, de momentos flectores, etc.). Estes fac- Oo MeGrow ttt CAPITULO 3: EsumaseneParas Lamas eEemurunas Rencuanas 233 tores variam de problema para problema e sio diferentes consoante se trate dos efeitos P-A ou P-6, Recorde-se, a propésito, que, em Férmulas Aproximadas (p. 184) ¢ Ffeitos P-A ou P-5.(p. 188) (colunas-viga sem e com deslocamento relativo das extre- rmidades), se abordou, com algum pormenor, a determinagio de factores de ampli- ficagdo com estas caracterfsticas, ‘Oconceito de factor de amplificagéo baseia-se na semelhanga entre o modo de instabilidade do pértico e a sua configuragio deformada, provocada por imperfeigdes inicizis e/ou momentos primétios. Se esta semelhanga nao for evidente, a utlizagao dos factores de amplificagdo deve ser feita com cuidado, pois pode conduzir a erros aprecidveis. Em pérticos nfo contraventados, a utilizacao de factores de amplificagdio associados 20s efeitos P-Be P-A obriga & decomposigio dos deslocamentos e momentos flectores de 1.* ordem nos pares de componentes que a seguir se caracterizam: Gii.1) Componentes associadas a “deslocamentos dos pisos impedidos", designadas por wP! e MP! e obtidas analisando o pértico com apoios laterais “ficticios”, introduzidos ao nfvel dos pisos. (Gi.2) Componentes associadas a “deslocamientos laterais dos pisos”, designadas por wP e MP e obtidas analisando o pértico actuado pelas reacgbes nos apoios laterais de (iii,1), aplicadas em sentido contrério. Estas quatro componentes esto representadas, esquematicamente, na Figura 3.60 permitem uma melhor compreensfo do significado das f6mulas que se apresentam a seguir, destinadas ao célculo aproximado dos valores méximos dos deslocamentos momentos flectores de 2.* ordem: 1 1 Cron FaeTRC Oe ema ag (yx S| (MP ga (MP) Meme TN Noy ma Tala Estas férmulas permitem estimar, conjuntamente, os efeitos P-Be P-A em pétticos nfo contraventados (em pérticos contraventados tem-se, obviamente, wP = MP =Oe apenas os efeitos P-5sdo contabilizados). As expressGes (3.144) fornecem estimativas (i) do deslo- ccamento lateral de um piso Ap (i) do méximo afastamento da configuragio deformada de ‘uma barra em relagio a respectiva corda (5y)max € (iii) do momento méximo que ocorre numa barra (My)pex- Refita-se, ainda, que (MP myx © (MP) nax Fepresentam os valores méximos, 20 longo da barra em questo, das duias componentes dos momentos de 1.* lem, N, 6 carga critica dessa barra, quando integrada no péirtico cam os deslocamentos Jaterais (ficticiamente) impedidos e 2,, 6 a carga critica (global) do pértico. Finalmente, © Mera 234 Eenenspioe EemuTunAL © coeficiente C,, é um “factor de momento uniforme equivalente” cujo valor depende da forma do diagrama de momentos MP! instalado na barra e foi j4 estudado em Estabilidade eldstica (p. 175), a0 abordar a estabilidade eldstica de colunas-viga sem desiocamento relativo das extremidades (C,,= Ag{I ~ (P/P.,)] ~ ver equagiio (3.108)).. abe) ,am , alli) Pam Peele / / = / V mM ” fs A dig = 7 Poors st mi Nx g oO ‘Decomposigio dos deslocamentos e momentos flectores ée I." order. (@) Geomenia, arregement, deslocamentos e momentos flecores totais de 1* order. () Componentes associadas a “deslocamentos dos pisos impedidos” (w}! e MP!) (©) Componentes associadas a “destocamentos laterais dos pisos” (w? € M?), 3.3.2 ESTABILIDADE ELASTO-PLASTICA 33.2.1 BIFURCACAO DE EQUILIBRIO. problema da determinagao da carga critica de bifurcago de um pértico “ideal” constituido por um material elasto-pléstico pode ser resolvido através do método dos elementos finitos (p. 215), desde que na formulagao do elemento finito seja incorporada a influéncia da plasticidade na estabilidade das barras comprimidas. Conforme se viu em Cargas Criticas de Colunas (p. 153), essa influéncia traduz-se pela “‘substituico” do médulo de elasticidade E pelo médulo tangente Ey, 0 qual, no caso geral, depende do nivel de compressio (i.e., Ey = Er (A)). E-se, entéo, conduzido ao célculo do menor valor proprio de |Ky(A)|=0, problema cuja reso- Jugdo requer a consideragto da relagtio Ey = Ey (2) em todas as barras comprimidas e envolve, necessariamente, ui procedimento iterativo, © Mera tt ese capttuLo & rasiionbe oe Poca LWsants BESTIVTURAS REDICOLADAS 3.3.2.2 ANALISE DE 2." ORDEM Considera-se agora a determinagio de trajectérias de equilforio néo lineares e de valores da resisténcia Gitima em pérticos "reais" constitufdos por um material eléstico-perfeita- mente pléstico. O comportamento das secgdes transversais das barras foi ja descrito em Andlise da Sece&o Transversal, p. 197 e aborda-se agora a andlise de pérticos sujeitos 2 carregamentos dependentes linearmente de um s6 parimetro 2. (“carregamentos proporcionais"). Essa andlise 6 em tudo idéntica & apresentada na p, 200, quando se estudou o comportamento de colunas-viga. A tinica diferenga reside no significativo aumento do nimero de graus de liberdade (grau de indeterminagao cinemética do pértico). Assim, a determinago “exacta” (no ambito da andlise de estabilidade linearizada) de uma trajectéria de equilfbrio até ao valor da carge tltima 2, requer uma “andlise de 2." ordem com espalhamento de plasticidade” e envolve um esforgo computacional proibitivo para aplicagdes comentes. Em situagdes préticas, é necessirio recorrer ‘a andlises aproximadas que fomegam resultados suficientemente precisos, nomeadamente (i) 2 utilizagio da “formula de Merchant-Rankine”, definida em (3.128) e (ii) a “andtises de 2.* ‘ordem com 0 conceito de rétula pléstica”. E importante referir que, para obviar ao facto de a {rmala de Merchant-Rankine fornecer normalmente valores excessivamente conservativos de Jay € habitual "modificé-ta” através da introdugdo de um “coeficiente de calibraglo” a (a< I), obtido a partir de resultados de andlises numéricas. Passa entio a ter-se peep «Gt, ly o que corresponde, na Figura 3.42, a fazer “deslocar” 0 ponto B para a direita (cerca de 11%, no caso de &= 0,9). [As Figuras 3.61(a) ¢ 3.61(b) mostram esquematicamente ¢ relacionam entre si os diferentes tipos de andlise estratural que podem ser utilizados para determinar o comportamento de um portico, Finalmente, refira-se que a determinagao da curva comrespondente & anélise elasto-plastica de 2 ordem com 0 conceito de rétula plastica, que permite obter 4%? > 2, (ver Figura 3.61 (b)), se faz recorrendo ao conceito de “deterioracao progressiva da estabilidade de um pértico” [3.26], itustrado na Figura 3.62. A curva é constitafda por um conjunto de trogos que correspondem aos comportamentos elisticos geometricamente nao lineares de uma sucessio de “pérticos dete- riorados”, originados pela formagao progressiva de um mimero crescente de rotulas plésticas. ‘Ao calcular 0 andamento desta curva, 6 necessério tomar em consideragdo (f) a influéncia dos esforgos axiais nos momentos de plastficagio das barras e ({i) o eventual “desaparecimento” de uma ou mais rétulas plésticas, provocado pela inversiio do sentido da rotagao. © MeGrae at 235 236 Bensemye Erman Cention ojae-panicn 10 order endoe tido-plstice 22 order ondiee fexacto™ a6 ‘Tipos de analise estraaral (a) Andlises elfsticase rigido-plésticss. (©) Anilises elasto-plsticas com o conceito de réwlapléstica, ondise riido~pidsico 29 ordem AS Deterioragio progressiva da estabilidade de um pértco. © MeGrom Fil CAPITULO % Remaninnne ne Pagas Liceanes &Esravrupas REMCAADAS 3.3.3, REGRAS DE DIMENSIONAMENTO ‘Tal como sucedia no caso das colunas-viga, um dimensionamento/verificagao de seguranga rigoroso de pérticos planos, em relagdo a ELU que envolvem fenémenos de encur- vadura nesse mesmo plano, deve ser efectuado com base numa anélise estrutural que determine o valor de A, € tome em consideragio todos os efeitos geométrica e fisicamente nao lineares relevantes. A seguranga do pértico fica assegurada se Acgntio exceder A, eventualmente afectado de um coeficiente de seguranga adequado. Como uma andlise com as caracteristicas enunciadas é proibitiva para aplicagées correntes, os regulamentos de estruturas metélicas, nomeadamente estruturas de ago, actualmente em vigor permitem a utilizago de uma metodologia alternativa, indirecta e aproximada, para o dimen- sionamento de pérticos. Esta metodologia, seguida pela esmagadora maioria dos projectistes, consiste em tratar separadamente (de um modo necessariamente “artificial” os comportamentos geometricamente nao lineazes (i) do pértico, considerado como um todo, ¢ (ii) das varias barras, comprimidas nele integradas, consideradas individualmente, Deste modo, a anilise global do pértico fomece os valores de cAlculo dos esforgos ¢ os comprimentos de encurvadura das barras comprimidas, os quais so, posteriormente, utilizados para verificar a seguranga dessas mesmas barras, por meio de equagées de interacelo do tipo discutido na p. 203, quando se abordou 0 dimensionamento de colunas-viga. A influéncia do pértico no comportamento de cada barra comprimida é, assim, contabilizeda unicamente através do conceito de comprimento de encur- vadura (ver Comprimento de Encurvadura de Colunas Integradas em Pérticos, p. 227). As diferentes metodologias preconizadas pelos diversos regulamentos diferem, essencialmente, i) no modo como so contabilizados os efeitos P-A ¢ P-6 (nos valores de cAlculo dos esforgos e/ou nas equagbes de interacgGo) ¢ (ii) no formato das equagdes de interac. 333.1 Eurocopico3 Em virtude de as equagGes de interaccao terem sido jé apresentadas e discutidas em Eurocédigo 3, p. 207 vamos agora abordar apenas a determinagio dos valores de célculos dos esforgos e dos comprimentos de encurvadura. ‘VALORES DE CALCULO DOS ESFORCOS “Muito embora o EC3 [3.1] permita, explicitamente, efectuar a andlise global do Pértico através de métodos elésticos, rigido-plasticos ou elasto-plasticos (rétula plastica ou espalhamento da plasticidade), as andlises elésticas sfo ainda claramente dominante nas apli- cagGes correntes. OMG tat 237 238 Esrastioaoe Esmurvna © ECS preconiza que os valores de célculos dos esforgos devem incorporar apenas os efeitos de 2.* ordem do tipo P-A, na medida em que os efeitos P-Sestio “embebidos” nas equagdes de interacgo a utilizar, posteriormente, na verificagdo da resistncia das barras comprimidas. Relati- vamente & necessidade de incorporar 0s efeitos PA, o EC3 estipula que: @ i) ‘Nao é necessério considerar os efeitos P-A em (ii.1) p6rticos contraventados e (i.2) pérticos nfo contraventados nos quais o valor da relagdo (Vgy/! Ve) nfo exceda O,L Nesta relagio, Vs, 60 valor de célculo da totalidade das forgas verticais actuantes (varia, ‘com a combinagio de acgées considerada) e V.,é a carga critica do pértico associada a.um modo com deslocamentos laterais, Enecessério considerar os efeitos P-A nos pérticos néio contraventados em que o valor de (Vsq/ V,,) excede 0,1 (0s pérticos designam-se como “pérticos com deslocamentos laterais”), A contabilizacao dos efeitos P~A (“pérticos com deslocamentos laterais”) pode ser feita: @ Gi) Directamente, através de uma andlise de 2." ordem (eléstica ou pléstica) que incorpore apenas 0s efeitos P-A. Indirectamente, através da modificagio dos resultados de uma andlise de 1.* ordem (elistica ou plastica). Trés métodos sao explicitamente propostos no EC3: (il) Método da amplificagao dos momentos (andlise eléstica), em que a compo- nente dos momentos de 1.* ordem MP é amplificada através do factor 1 Veal, ous) Os valores de céleulo dos momentos flectores so, entio, dados por Mg =MPl+——1__p, oxen = Vea IV, sendo os restantes esforgos obtidos por equilfbrio global, Este método s6 pode ser utilizado se Vs4/V,, £ 0,25, 2) Método dos comprimentos de encurvadura (anélise eléstica), em que a compo- nente dos momentos de 1.* ordem MP s6 € amplificada nas vigas, através do factor 1,2. Os valores de célculo dos momentos flectores sti, entdo, dados por Ms, Mog = MP! +1,2MP (vigas) M, (colunas) oun sendo os restantes esforgos obtidos por equilibrio de cada barra (nfo existe equilfbrio global), Este método pode ser sempre utilizado, © MeGrawstit CAPITULO % EsaMunnoe pe Pucas Loeates pEsmsrunasRenicuanis 239 (3) Método da amplificagdo dos esforgos (andlise pléstica), em que todos esforgos sho amplificados através do factor definido em (3.146). Os valores de célculo dos esforgos (Eg,) 840, entéo, dados por 1 By=—) 8 Vg | Ven Ey. tas) Este métode s6 pode ser utilizado se Vsq/ Vo, $ 0,2. Por iltimo, refira-se que o EC3 impte, na anélise de todos os pérticos nfo contraventados, a incorporagéo de uma “imperfei¢ao geométrica global” (falta de verticalidade das colunas), irectamente ou através de um conjunto de forgas horizontais auto-equilibradas equivalente, COMPRIMENTOS DE ENCURVADURA © método proposto pelo EC3 (anexo E) para calcular os comprimentos de encur- vadura de barras comprimidas (colunas) integradas em pérticos é, essencialmente, o método de ‘Wood [3.23]. Baseia-se na utilizagto de Abacos que permitem determinar, aproximadamente, © comportamento de estabilidade de uma barra comprimida, a partir do conhecimento das caracteristicas das barras que Ihe esto adjacentes (Figura 3.63). kn Lo Ki2 Coluna em ondlise —r| || Ke Kar Kez Ke CColuna cujo comprimento de encurvadure se esté a determina: ONeStaw Hi 240 Eeoninioe Eon envolve os seguintes passos: @) — Calcular os parametros 7, e 7)z, que estimam a restrigdo & rotagiio nas extremidades, } A determinagio do comprimento de encurvadura de uma barra comprimida inserida num pértico através da expresso i zu He ‘be Dus L)+ DK/L) | onde “c” designa colunas, “v” vigas e k é um coeficiente que depende da condigao de apoio de cada viga, na “outra” extremidade (ie,, na extremidade “afastada”), ii) Utilizar os Abacos do EC3 (ou expresses analiticas equivalentes) para determinar 0 i comprimento de encurvadura da barra, | ‘Os Abacos utilizados so diferentes, consoante se pretenda o comprimento de encurvadura asso- ciado ao MSDL ou ao MCDL. As Figuras 3,64 e 3.65 mostram os dois ébacos que figuram no anexo E do EC3, bem como os modelos estruturais que esto na base da sua elaboracio, wo |n f\n a oo” (a) Modelo extutural (2) Sbaco~MSDL. © MGrantt CAPITULO 3: Esvaminyoe ou Pacas Lneanes¢ Estrurimas REMCUADAS as (o) Moelo esata e()S5e00=MCDL Relativamente & natureza do comprimento de encurvaduyra a utilizar na verificagio da resistencia de uma barra comprimida, o EC3 estipula que deve ser, praticamente sempre, o comprimento de encurvadura associads a0 MSDL. A tinica excepgo comesponde ao caso de colunas perten- centes a “pérticos com deslocamentos laterzis” em que os efeitos P-A sejam contabilizados através do método dos comprimentos de encurvadura (ver Valores de Cdlculos dos Esforgos, p. 237), Nessas colunas, atiliza-se o comprimento de encurvadura associado a0 MCDL. Finalmente, recorde-se que, como se viu em Comprimento de Encurvadura de Colunas Insegra- das em Porticos, p. 227 a uilizagao directa dos &bacos do EC3 (Le, do método de Wood) conduz, ‘aestimativas néio conservativas (subestima o valor) dos comprimentos de encurvadura das barras comprimidas “niio erfticas” de um pértico. METODOLOGIA DE DIMENSIONAMENTO 0 dimensionamento/verificagdo de seguranga de pérticos planos, em relagio a ELU que envolvem encurvadura por flexio no respectivo plano e de acordo com 0 EC3, com- preende os seguintes passos: (@ — Determinagio da relagio (Vsq/V,,) ¢ classificagtio do pértico quanto a resisténcia lateral (s6 porticos nio contraventados), (ii) Determinag&o das forgas equivalentes & imperfeigio global do pértico (s6 pérticos no contraventados). ONeGrew tat 24) 242 Esrapamane Esmee (ii) Andlise global do pértico. iv) Contabilizago dos efeitos P-A (s6 andlises de 1.* ordem de pérticos com desloca- mentos laterais). (vi) Determinago dos comprimentos de encurvadura das barras comprimidas. (vil). Verificagao da resisténcia das barras comprimidas. E ainda necessério verificar se os deslocamentos do pértico, depois de devidamente ampli- ficados, satisfazem as disposigGes relativas 20s ELS (por exemplo, as disposigGes que envolvem 0s deslocamentos laterais de pérticos no contravertados condicionam, frequentemente, a segu- ranga desses mesmos pérticos). 33.4 EXEMPLO DE APLICACAO Considere-se o portico metélico representado na Figura 3.66, em que as colunas so constitufdas por perfis HEB 260 e a travessa por um perfil IPE 550, todos de ago $355. Pretende-se determinar (i) os valores de céleulo dos esforgos, através do método da amplificago dos momentos, ¢ (ii) 0 valor do comprimento de encurvadura que deve ser utilizado na veri- ficagio da resisténcia da coluna CD. . st soy 0 PETEPYETETY = We 0 € v0 260 ven 200 6 + 2100R0 A D wim win on b Geomettia ecarregamento do pbrtico metAlico. Apresentara-se em seguida os passos envolvidos na determinagio dos valores pretendidos: © McGrail ben CAPITULO % EemauiniocpePacas Lonanes eEsmimnasRencanas 243, (i) CAleulo de V.,¢ classificagéo do portico ‘Uma anélise de estabilidade exacta conduz.a V,, = 5517 KN, pelo que se tem si. =0, i a is Fr 7 Sey7 70845? Ol = _pbrtico com deslocamentos laterais, Gi) Consideragao das imperfeigaes 1 Foy = OXEN = SE x800 = AN, (ii) Andlise de 1." ordem do pértico A Figura 3,67 mostra os esforgos obtidos através de uma andlise de 1.* ordem do pértico, apresentando-se separadamente as respectivas componentes MP! e MP. ities foo fom tres a o ‘Componentes (a) MP" € (&) Mf? dos momentos de 1. ordem. (iv) Valores de cdlculo dos esforcos maximos na coluna CD (efeito PA) SEE EEE T=Vou Ve IT Mgg =92,6+1,17%110 = 2213, KNm. © Mera 244 ‘Extannioune Eeraurunal w) Relativamente aos valores do célculo dos esforgos axial (Ng,) € transverso (Vgg~ no confundir com o carregamento vertical total), eles sto caleulados por consideragdes de equilfbrio na configurago deformada do pértico, a qual 6 caracterizada por um des- locamento lateral (2.# ordem) da travessa de 40,4 mm (Ay = 1,17 4)). No que respeita a Nga, como 0 momento adicional (P-A) € equilibrado pelas reacgdes verticais nos apoios, vern Ngg 2 400+ 27,5 + 241220 = 432,2 KN. Quanto a V,q ele obtém-se a partir das reacgbes no apoio D, sendo a reaccao vertical calculada por equilfbrio de momentos em C. Tem-se, assim, Veg = Behiae oni +492.2x 2064 = 408435 = 44,3 KN Observa-se que, alternativamente, estes valores podem obter-se amplificando as com- ponenies de Ne V associados aos deslocamentos laterais: Nog =4004117%27,5= 432.2 KN Vpq =18,5+117%22= 44,2 KN. Finalmente, note-sé que, como se “impuseram” os valores dos momentos nas secgSes Be C, o equilibrio de forgas horizontais néo 6 exactamente verificado, Comprimento de encurvadura da coluna CD (MSDL) ny=1 (ligagdo rotulada) 14920/5 = feos = __ = 0,416 "274920 75+0,5%67 120/8 : 1 €,=40m. Microw Hat CAPITULO 3 Esraanipanece Pecat Loaanes eEsmurunasRencasnas — 245 PROBLEMAS PROPOSTOS Ld 3.1. Considere a estrutura articulada plana representada na Figura P3.1, sujeita a0 carregamento indicado e na qual as barras AC e BC estéo submetidas a tracco ¢ compressio, respectivamente, Admitindo que o colapso da estrutura ocorre por instabilidade da barra BC e que as dimens6es a e b sto fixas, mostre que o cor- respondente valor de P, € maximo quando k= b/4/2 e vale ux, 2 a PASE Grae onde EY ¢a rigidez de flexao relevante da barra BC. 3.2. Determine o comprimento de encurvadura da coluna AB do Problema 2.3. 33. Considere opilareléstico de secgio rectangular (bx A) representado na Figura P3.3, qual apresenta uma configuracao deformada inicial com uma forma dada por wp (@)= fo ~ cos 2/26), onde fy € 0 deslocemento horizontal da extremidade livre, c estd submetido # uma carga vertical P ‘Tomando em consideragio o comportamento geometricamente ndo linear, deter- ine o méximo valor de P, de modo a que nfio ocorram tensbes de tracgo na base do pilar. © Macrae a 246° Eswoumoe Esra 34 35 <— 0 Wo (x) Determine o valor do médulo reduzido da secgio triangular equilétera (lado a) representada na Figura P3.4, associado a flexio em torno de um eixo com a direc~ fo indicada, (NoTA: observe que, como 0 eixo de flexdo nio 6 de simetria, o valor do médulo reduzide depende de qual dos lados da seco esté localizado na zona convexa da configuragio deformada da barra, Pretende-se aqui calcular o menor dos dois valores) Considere a coluna representada na Figura P3.5(a), a qual tem comprimento €, rea Acerigider de flexio EY ese encontra submetida a uma compressio axial de valor P, Admitindo que o diagrama tensio-deformacdo do material que constitui a barra é definido peta relagio © Microw Hat CAPITULO % EsAMADe DE PocasLneaass eEsraTuRas RencwaDis 247 a qual ests representada na Figura P3.5(b) ¢ onde 0, = Ee, (0, €, so valores carac- Ly terfsticos do material), determine o valor da tensio critica de bifurcagao da coluna em fungio de.A, E, €¢ 0, 36 Um perf de ago macio contém uma distribuigdo de tensdes residuais em que a méxima tensiio de compressio vale 0, = 90 MPa. A tensio de cedéncia eo mé- dulo de elasticidade do ago valem, respectivamente, 0, = 250 MPa ¢ E'= 200 GPa, 4) Trace 0 diagrama tensfo-deformagao que obteria através de um ensaio de com- pressio de um “trogo de coluna” do perfil >) Diga qual a esbelteza minima que uma coluna fabricada a partir desse perfil deve {er para que a sua encurvadura ovorra em regime eléstico. 3:7 Considere a coluna simplesmente apoiada, de comprimento £ ¢ secgio rectangular (b x i), representada na Figura P3.7(a), 2 qual é consttuida por um material eléstico- «perfeitamentepléstico(tensio de cedéncia g, e médulo de elastcidade E) e apresenta ‘uma imperfeigo geométrica inicil com a forma w (x) = (Ey) sen mle, 4) Determine o valor da tensio média na coluna correspondente ao inicio da cedéncia, +b) Mostre que o majorante da carga tltima da coluna que pode ser obtido através dos seus comportamentos eldstico ¢ rigido-plastico de 2." ordem (na Figura P3.7(0)) é dado pela solugio de equagio 3/1_,)(y_ 12 98 P AG ap Be") OP Sho” © NeGrow tit 248 Esramumane EeraroRa 3.8 39 Considere a coluna-viga encastrada-apoiada representada na Figura P3.8, a qual esté submetida a uma compressdo uniforme P e a uma carga transversal unifor- ‘memente distribuida 4. 4) Determine as expresses analiticas que fomecem os valores exactos dos deslo- camentos ¢ momentos flectores na coluna-viga. b) Mostre que se tem = Man), 1 OAPI Py) Mya) IRTP) Utilizando 0 método de Engesser-Newmark, determine os valores dos deslocamen- tos e momentos flectores que ocorrem na coluna-viga representada na Figura P3.9, 4 qual tem rigidez de flexio £1 esté submetida a0 carregamento indicado (P = SEU! ©, q= PIS¢ eM = Pe/I10). Considere 6 elementos ¢ admita, como estimtativainicial do modo de instabilidade, a configuragdo deformada devida apenas ao carrega- mento transversal. eMeGraw il a CAPITULO &: Esumoane ne PocasLomanes pEsmuraas Rencuanas — 249 3.10. Considere a colna-viga representada na Figura P3,10, a quel tem comprimento € erigides de flexdo £7 esté submetida ao canregamento indicado, Nas extremidades da coluna-viga existem, respectivamente, um encastramento ¢ um encastramento deslizante, a) Determine a configuragiio deformada exacta da coluna-viga e 0 correspondente iagrama de momentos flectores. : 'b) Identifique as varias parcelas em que ¢ habitual decompor os destocamentos momentos flectores obtidos na alinea a). ©) Obtenha expresses que fomecam as relagdes que existem entre os desloca- ‘mentos ¢ os momentos de 2.*e 1. ordem na extremidade B da coluna-viga 4) Admitindo € = 10m, B= 105 KNm?, P = 5000 KN ¢ F'= 120 KN, determine ‘05 valores do destocamento horizontal ¢ do momento flector na extremidade B da coluna-viga, através do método das forgas laterais equivalente e considerando ‘a barra constituida por um tinico elemento. Compare os valores obtidos com os resultados cxactos. PAA EL,e 8 Pp x omc tit 250 Esrasumaoe Eenvrinat —_ 3.11 Considere a coluna-viga de secg%o rectangular (b x h) e comprimento € repre- sentada na figura P3.11, a qual é constituida por um material eldstico-perfeitamente pléstico (tensio de cedéncia ¢, e médulo de elasticidade ) ¢ esté submetida a uma compressio uniforme P e a uma carga uniformemente distibufda de resultante aP. Designacse por J a esbelteza da coluna-viga ¢ por da tenstio média (6, = P/ A). 1) Mostre que, em fase elstica, 0 deslocamento @ meio vao é dado por 3 o,AatlE = w(E22) = 2, oe WO) = 34m IB) b) Escreva 2 equago da curva de descarregemento pléstico da coluna-viga. ©) Recorrendo aos resultados das alineas a) ¢ b), mostre que uma bos estimativa do valor da tensio média correspondente a0 colapso da coluna-viga 6 dada pela solugdo da equagio 3,12 Considere a coluna-viga de seco rectangular representada na Figura P3.12, com as dimensbes e 0 carregamento indicados. A coluna-viga ¢ constitufda por um ma- terial eléstico-perfeitamente plstico, caracterizado por E = 200 GPa e 0, = 300 MPa. 4) Determine a expresso que descreve 0 comportamento eléstico de 2." ordem da coluna-viga, utilizando 0 conceito do factor de amplificagio, ') Determine a curva de descarregamento pléstico da coluna-viga, ©) Obtenha uma estimativa da carga sikima da coluna-viga através da f6rmula de Merchant-Rankine, omGravttth il CAPITULO % Estumonoe oe Paris Loensts eEsraumeasRencusms — 257 3.13 Considere os p6rticos representados nas Figuras P3.13(a) e P3.13(b), os quais esto submetidos aos carregamentos (linearmente dependentes do pardmetro F) indi- cados. Usilizando as fungbes de estabilidade, mostre que os valores eriticos de P, correspondentes a cada um dos pérticos, so solugdes das equagdes (2 |e fe 2651 (4651, ) 86% 3h) 126344, 42h). ee (+: i} 56,03 -368 pop of} 82g Paral or eh e P . la 1 a Ad t} fer es en ay ie OMG it = 3.14 Considere os pérticos representados nas Figuras P3.14(a) e P3.14(b), 08 quais estiio submetidos aos carregamentos indicados, Utilizando as fungdes de estabilidade, ealcule, para cada um deles, o valor crftico de P, 252 Bemauoaoe EsmuTURAL 3.15 Considere o pértico representado na Figura P3.15, qual estd submetido ao carrega- mento indicado. a) Admitindo P; =P; = Pe P,=0,8 P, calcule o valor crtico de P atilizando as fungées de estabilidadp. b) Admitindo P, = P, P; = 0,8 Pe P; =0, caleule 0 valor erftico de P, aproxi- madamente, utilizando (b;) 0 método dos elementos finitos (matriz de rigidez aproximada e 1 elemento finito por barra) ¢ (b;) 0 método de Wood. P. Po 4 El y Al ’ AK Cc Dl Ps El el t 8 E g t oMecran it CAPITULO 3: Estnnimoe se PecasLiveatssEEsUtvnAG Rencuuapas 253 3.16 Considere 0 pértico representado na Figura P3.16(a), 0 qual est submetido ao car- =a regamento indicado, 1) Determine, exactamente, o valor eritico de P. 'b) Suponha agora que as vigas AB, BC ¢ CD sto infiitamente rigidas e que a secglo das cohmas BE e CF é a representada na Figura P3.16(b). Admita que ‘ocolapso da barra CF ocorre por instabilidade elstica, para 0, = 0,8 0. Admita também que, em ambos as banzos da coluna BE, esté instalads a cistribuigio de tensbes residuais indicada. Determine 0 valor da relagio by/ b que corres- onde & instabilizacso simultinea das duas colunas, La 2k© de flesto alo fo exh Aan 0p se i t ng 3 7 7 i “peel ee EEE eee i o7e"0.28 Ge Be > a o 3.17 Considere 0 pbrtico representado na Figura P3.17, o qual esté submetido ao carre- gamento indicado, a) Admitindo F= 0, calcule 0 valor critico de P (SUGESTAO: estabelega a matriz: de rigidez de uma coluna bi-articulada). b) Admitindo P= 0,2 P,,.¢ F# 0 e recorrendo a0 conceito de factor de amplifi- ‘cago, calcule uma estimativa do valor do momento flector instalado no apoio A. © MeGrow fit 254 Bemoumpane Eemurunat 348 319 Considere o portico representado na Figura P3.18, o qual esté submetido a0 car- regamento indicado. a) Admitinda F'=0, calcule, aproximadamente, 0 valor critico de P através (a,) do método dos clementos finitos (matriz de rigidez aproximada e | elemento finito por coluna) ¢ (e,) do método de Home. ) De acordo com o BC3, como classifica o pértico quanto A resisténcia lateral? ©) Admitindo F = 2,8 KN e P= 200 KN, utilize o método das forgas aterais equi- vvalentes (1 elemento por barra comprimida) para obter os valores dos desloca~ mentos horizontais dos pisos ¢ dos momentos na base das colunas (NOTA: despreze a deformabilidade axial das barras) P Pr Po onfin Tf aed 7 7 20 Pe a ae je q F; Neg 5.2510" 3.0m " eg pf ter a Pe | a iS Considere o pértico representato na Figura P3.19, o qual € constituido por barras ‘com um comportamento eléstico-perfeitamente pléstico (médulo de elasticidade E e tenstio de cedéncia o,) ¢ esté submetido ao canregamento indicado. Admitindo que {@) 0 momento pléstico das colunas AB ¢ CD vale M¢ e é inferior so momento pléstico da viga BC e que (ii) 0 diagrama de interacgio (M, N) da secgo das colunas fomece a relacioM =1,18 M9 1 -NIN,)S 1,0, obtenha uma estimativa da carga Aiima do pértico através da f6rmula de Merchant-Rankine, Exprima o resultado em fangdo de A, El, €,0,¢ M®, [NOTA: a0 calcular 0 valor de M”, despreze a parcela dos esforgos axiais devida & carga horizontal). OmeGr Het CAPITULO % EsamioanenePacas Linas eEsmurunas Rencwans 255 lp P ts] oP Y 2a, 261 y AE AE ¢ 3.20 Considere 0 p6rtico plano representado na Figura P3.20, o qual é constitafdo por perfis HEB 260 de ago S355 (E = 210 GPa ef, = 355 MPa), orientados segundo & ‘maior inéreia (I= 14920 emt, e esté submetido ao carregamento indicado. @) Determine qual o méximo valor que a forga F pode tomar, de modo que, segundo 0 EC3, 0 pértico possa ser classificado como “pértico com desloce- mentos laterais”, (NOTA: despreze a influéncia do esforgo axial actuante na travessa). +b) Tomando F'= 100KN, determine os valores de céleulo dos esforgos que devem ser utilizados na verificagiio de seguranga da travessa BC e do montante CD. Utilize 0 método da amplificagdo de momentos. ©) Verifique a seguranga do montante CD, no plano do pértico, de acordo com o EC3, F 8 kN/m 1.9 zon, CEEEELET TVET TIT 8 e 6.5m A ° othr war es T8.0m ONeGraetitt CAPITULO 4 INSTABILIDADE POR FLEXAO-TORCAO No capitulo anterior estudou-se, com bastante pormenor, 0 comportamento geo- ‘metricamente nfo linear de barras isoladas e estrutures reticuladas planas (pérticos). No entanto, ‘como entio se referiu, abordaram-se unicamente aspectos relacionados com 0 fenémeno da instabilidade por flexao de barras comprimidas, Esse tipo de instabilidade esté associado a defor- mages (deslocamentos) laterais, as quais ocorrem (1) no plano (de simetria) correspondente & maior esbelteza (menor inércia, para condigbes de fronteira idénticas), no caso das barras isoladas, ou ({i) no plano da estrutura, no caso dos prticos. Neste capitulo consideram-se ainda barras isoladas ¢ estruturas reticuladas, mas estudam-se agora problemas de instabilidade bifurcacional em que o modo critico envolve deformagées devidas a flexdo (recta ou desviada) e a torg8o (“problemas de instabilidade por flexdio-torgéo”), Os fenémenos de instablidade com estas caracteristicas sdo especialmente importantes no caso de bacras com secglo de parede fina aberta, em virtude de estas possufrem uma rigidez de torgiio muito baixa. Em barras com outros tipos de secgdo (secgdes tubulares, secgGes cheias, etc.) a rigidez de torgio 6 bastante mais elevada e, por esse motivo, o respective comportamento ‘geometricamente niio linear é essenciaimente influenciado pela instabilidade por flexo, Estudam-se aqui os dois tipos de problemas ilustrados na Figura 4.1, nomeadamente (j) a insta- bilidade (encurvadura) por foredo oa flexZo-torgéo de barras comprimidas (colunas ~ Figura 4.1(2)) 258 Esvanuipabe Berens ¢ Gi) a instabilidade lateral por flexdo-torgdo (ou “bambeamento”) de barras flectidas (vigas ~ Figura 4.1(b)). Pelas razes atrds expostas, apenas se consideram barras com secgo de parede fina aberta EXER Probicmas em que pode ocorrer instsbilidade por lexio-torgio. (a) Barras comprimidas (colunas), (>) Barras flectidas (vigas). ‘Antes de efectuar a anélise dos problemas referidos, é necessério recordar aspectos do compor- tamento de barras com secgo de parede fina aberta submetidas a torgdo (uniforme e/ou nfo uuniforme). Para tomar esta tatefa mais fécil, optou-se por ()iniciar 0 capitulo (Seegio 4.1) com ‘a apresentago e uma breve explicag6 das relagSes mais directamente utifizadas no estudo sub- sequente dos fenémenos de instabilidade e por (i) incluit um anexo (Anexo B) com os conceitos « passos fundamentais envolvidos na derivagao dessas expressbes. Por titimo, refira-se que o capitulo contém ainda uma referéncia a aspectos da estabilidade de estruturas reticuladas tridimensionais, particularmente no que respeita as disposigées regula mentares actualmente em vigor para dimensionar e verificar a seguranca de barras submetidas a combinagSes arbitrérias de esforgos. Al. ToRCAO DE BARRAS COM SECCAO DE PAREDE FINA ABERTA ‘Quando uma barra com secco de parede fina aberta é submetida a um momento torsor T, as suas secgGes rodam em tomo do seu préprio eixo e empenam (ie., deixam de estar contidas num plano). Se o empenamento for livre, o que sucede quando (i) 08 apoios 0 nao OnecraeHt CAPITULO & IsstamKoE ro FLexto-Torcho impedem e (ii) 0 momento torsor aplicado é constante, diz-se que a barra est submetida a “torgdo uniforme” ou “torcao de Saint-Venant”. Se, por outro lado, (i) 0 momento torsor for varidvel ou (ji) o empenamento estiver impedido em alguma(s) secgo(6es), diz-se que a barra esté submetida a “torgo no uniforme”. No caso, mais geral, de uma barra submetida a torgia nfo uniforme, o momento torsor resistente (Gntemo) ¢ constituido por duas parcelas,nomeadamente i) o momento devido & rotagdo de torgl0 (tensoes tangenciais) 7, e (ii) 0 momento devido ao impedimento do empenamento (tensdes normais) 7,, Deste modo, o equilfbrio da barra corresponde a T=T,+T. « (no caso da torgéo uniforme, apenas existe a primeira parcela). As duas pareelas do momento torsor relacionam-se com o angulo de torgo da barra (em tomo do cixo longitdinal que passa no centro de corte da secgio transversal) através das expresses nord dx IO a2) r a PTS ET bas 43) onde x é 0 cixo da barra ¢ G/ ¢ E I’se designam, respectivamente, por “rigidez de torgao” “tigidez de empenamento”. Ge E s&o os médulos de distorg&o e elasticidade do material e J e I” sto as constantes de torgiio ¢ empenamento da secedo transversal. Sabe-se, da Resistencia de Materiais (4.1), que J=2Db wy 3 i onde by 1, séo as larguras e espessuras das i paredes que constituem a secgo. No que respeita a constante de empenamento, os principais passos envolvidos na sua determinecdo séo apresen- tados no Anexo B, 0 qual inclui também um quadro com expressées analfticas que fomecem o valor de para as secg6es de utilizagio mais corrente, A resolugio do problema da tor¢ao nao uniforme de uma barra requer a solugéo da equacio diferencial de equilforio T=6IO,-ET Ge as) 259 260 Betanmane Bsr ou, no caso de a barra estar submetida a um momento torsor distribufdo m, (m,=—T.), de ED xsax~ GI Ox ao F ainda necessério considerar duas condigdes de fronteira em cada extremidade da barra, ‘As situagdes mais comuns correspondem a (i) extremidades encastradas, em que se tem an €.a (i) extremidades apoiadas, em que a torgio esté impedida e o empenamento livre, portanto, se tem 0= be “ ‘Como se vio utilizar métodos de resolugao de problemas de estabilidade baseados no PEEP, & conveniente apresentar, desde j6, a expresso da energia de deformagao armazenada numa barra, de comprimento £, submetida a torgao nfo uniforme, a qual é dada por a Up =Ur, +Ur, #5 (GIO FEF 3). “ Como 6 evidente, as duas parcelas esto associadas, respectivamente, & rotagdo de torgo ¢ a0 impedimento do empenamento. 42 ENCURVADURA DE COLUNAS Considere-se a coluna representada na Figura 4.2(a) (comprimento ¢, rigidez de flexto El, ¢ El, tigidez. de torgéo GJ ¢ rigidez de empenamento E I), a qual esté submetida a uma compressio uniforme P e se admite indeformavel axialmente (EA = ~ ver Figura 2,12, p. 69). A secgdo transversal é de parede fina aberta ¢ tem uma configuragao arbitréria, repre- sentada pela respectiva linha média, ‘Admite-se que a encurvadura da coluna ocorre por uma combinagio de torgiio e flexiio desviada, ‘o que implica que as secgdes transversais sofrem, no caso geral, duas translagbes (segundo y € 2) ¢ uma rotagio (em tomo de x), conforme mostra a Figura 4.2(b). Os eixos coordenados da secgdo stio paralelos aos eixos principais centrais de inércia e passam no centro de corte C. Neste referencial, o centro de gravidade G tem coordenadas yy € 2» (ver Figura 4.2(a)). © MeGram tt CAPITULO 4: InstmmmceroRFLaxko-Tougio 261 e Loon bblys By, EF DN |: (@)Cotuna comprinida oom uma seo transversal abitdra. (©) Deslocamentosoftdo por uma seep genic. Relativamente as condigées de fronteira, tem-se vVO=v(O=wO)=w(e= Vial £) = W ye(O) = Wee) = 0 4.0) bf) = ¥q(0) PO=9E)= F.x(0) = ‘oque que dizer que a coluna esté simplesmente apoiada em ambes as direccdes (ve w)e que 08 apoios impedem a rotagiio de torgo mas permitem o empenamento, O termo quadratico da energia potencial da colina é dado por (A= P) V,=V=U+V, aan Lee U =sh [Et,w3, + EIv%, + C103, + ET, V=-PA= ER ba +d + foe -2a7.0.420W,0,,]2e, onde A é o encurtamento da coluna (a dedugdo pormenorizada da expresstio apresentada pode ser encontrada em [4.2.]), 1, e J, so os momentos principais centrais de inércia da secgdo e ry € 0 raio de giragio polar da seccdo em relagio a C, definido por A= (yt +22) dA. ain la A observagaio das equagSes (4.11) mostra (ver Anexo A) que Vé um funcional com uma variével independente (x) e trés varidveis dependentes (v(2), w(x) e 2x)), todas elas presentes até 2 segunda derivada. Por consequéncia, as trés equagGes de Euler-Lagrange associadas & estaciona- rizagdo do funcional (5V = 0) fornecem as equagdes variacionais dos modos de instabilidade (ver Anexo A) ELV xcce + P zx ~% G0) = ae Ely W aaee + P Wa +Yo Gea) =0 aia EL $ exc ~ GI 8 ye + PP Vee Yo Wane +20 Your 435) Pode mostrar-se [4.3] que, no caso particular da coluna com as condigdes de fronteira (4.10), 4 solugiio das equagées diferenciais de equilfbrio (4.13)-(4.15), correspondente & carga critica a coluna (P,,), é da forma me = sen v=G sent GQ sea o=GsenZ, 130 chamando-se a atenco para o facto de todas as condigdes de (4.10) serem satisfeitas. Intro- duzindo (4.16) em (4.13)-(4.15) € impondo as condigbes de fronteira, chega-se ao sistema de equagées lineares (Pe, =P) 0 Po |{G 0) 0 Py-P) Py [1p = 40h, aan Pep ~Py —FR-PIIG) [o onde mE, 1 Er Py Pye ged (ore 284) «s ONecraetiah CAPITULO 4: LumimoADe on FLExko-Tongho Observe-se que, alternativamente, se poderia ter obtido o sistema (4.17) através da introdugaio de (4.16) om (4.11) ¢ estacionarizando em relagdo a Cy, Ce C; (ie., empregando a metodologia de Rayleigh Ritz, mas considerando a solugdo exacta do problema). As solugies de (4.17) sto: @ — C,=C)=Cy=0~trajectéria fundamental. Gi) C,# Celou C, #0 e/ou C, # 0 se 0 determinante do sistema for nulo, i.e. se 1h (P~ Pry )(P— Pe, P~ Py) — P22} (P ~ Pp,)— P2y3(P — Pe.) = 0 (a9) Relativamente ao valor da carga critica de bifurcagio da coluna (P,,), € conveniente considerat separadamente varios casos: @)— Secedes sem simetria (yp #0 ¢ zy # 0- caso mais geral) Po € a menor raiz de (4.19) (polinémio de grau 3 em P) ¢ tem-se C#0 (i= 1,2, 3), .2,, 0 modo critico de instabilidade envolve flexio desviada e torgio, Pode mostrar se que Pe, 00M, >i) A anélise€semelhante &efectuada na p, 267, para.a viga de seoqao rectangular (parede fina). A Unica diferenga reside no facto de, agora, ser necessétio considerar a torg&o no uniforme da seco. Deste ‘modo, 0 termo quadrético da energia de deformagdo (ver (4.27)) deve incluir a parcela FRET O% ax, asm © que significa que a energia potencial V passa a ser um funcional em que todas as variéveis depen- Gentes estéio presentes até & segunda derivada, Refira-se que, no caso das secgdes em I (dupla a Gel, Ely, Ou EP ~ F : Ls ZN ey roime 2m) Viga ée seepio em I submetida a flexfo pura, are Escannape BsmuuRa simetria), se tem I"= J, h?/ 2, onde I, 6 0 momento de inércia de um banzo (“‘flange” na lingua inglesa) em relagiio ao eixo ze h 6 a distincia entre as linhas médias dos dois banzos (ver Anexo B), As equagées variacionais dos modos de instabilidade so, entio, dadas por (ver Anexo A) TEL, Wee + Me =0 (5) [EL veg MO = (439) LET Osc]ax- [GI O,)2+ Mv. 0, 4a) ‘ou, tomando em consideragao as condigSes de fronteira particulares deste problema, por Ely Wxp=—M aan El,V,=-MO 0) GI 6,- ET Occ MV, 4a) ‘comrespondendo estas vitimas equagdes ao equilfbrio na configuragdo deformada da viga (Figura 4.9) (a decomposigao dos momentos flectores M = M, continua a sera mesma da Figura 4.6(b)). Conor deforma d viga do sesp em © Mra CAPITULO 4: InmABRIDADE PR FuExko-Torcio Eliminando v em (4.42) e (4.43), é-se conduzido a ya ED -GI => (4. sux OF Oa Ei as) equagdo cuja solugdo geral é da forma x) =A sen mx + B cos nx + Ce™ + De, 440 com a+ Jar +b la+Jat+b GI (647 2Er Introduzindo as condigdes de fronteira da viga relativas a rotagio de torcdo @ (ver (4.10)) em (4.46), obtém-se o sistema [4.6] Assen m€+2D senhne =0 a9 Am? sen m +2 Dn? senh n€: © qual tem solugées nfo triviais para x senm€=0 <> ze (menor raiz), (4a) valor aque correspondem aso Ga)=AsenE > (x)= A’sen wn A expresso (4.50) mostra que, como seria de esperar, a presenga da torgo nfo uniforme (impe- dimento do empenamento) faz. qumentar a resisténcia da viga & instabilidade lateral, 273 E importante referir que 0 caso que acabou de se estudar (viga simplesmente apoiada nas duas direcgdes, com rotagdo de torgao impedida e empenamento permitido em ambas as extremidades submetida a um momento uniforme ~ flexfio pura) constitui o “problema padrao” da insta- bilidade lateral de vigas e desempenha o mesmo papel da coluna de Euler na encurvadura de colunas. Aborda-se em seguida a influéncia, no valor de M,» (i) do tipo de carregamento e Gi) das condigdes de fronteira da viga, Apresenta-se um conjunto de resultados que correspondem as situagdes de maior interesse pratico. 4.32.1 INFLUENCIA DO TIPO DE CARREGAMENTO No caso de vigas submetidas a outros tipos de carregamento (ie., a diagramas de ‘momentos flectores M, varidvels), a equagao diferencial (4.45) deixa de ter coeficientes cons- tantes e, por isso, a determinagio de M., (# Myx (Ae,)) $6 pode efectuar-se aproximadamente, recorrendo a métodos numéricos (e.g., 0 método de Rayleigh-Ritz). O valor de M,, associado a.um carregamento arbitrério, proporcional a um pardimetro de carga A(A= M, = p, etc.), pode ser eserito na forma Mee Ming (er) = G, Wy sa) onde M,, € “momento uniforme critico” da viga, dado por (4.50),¢ C, 6 um coeficiente que traduz a configuragao do diagiama de momentos e se designa por “coeficiente de momento uniforme equivalente”. Excepio no cao de o momento ser uniforme (C, = 1), 0 valor de C, & sempre superior & unidade (C, > 1) e tanto maior quanto “menos uniforme” for o diagrama de ‘momentos que actua na viga. Apresentam-se, no Quadro 4.2, expressbes analiticas aproximadas ‘que permitem determinar valores de C, em vigas com as condigSes de fronteira “padréo” (ver (4.10)) ¢ submetidas a diversos carregamentos [4.3]. No que respeita & influéncia da localizagao do ponto de aplicagdio das cargas transversais, relati- vamente ao centro de corte da secgdo, ela € qualitativamente idéntica & observada para 0 caso da secgdo rectangular de parede fina. Apresentam-se, no Quadro 4.3 [4.5, 4.6], f6rmulas aproxi- madas que permitera calcular valores de Cy, para cargas que actuam (i) no banzo superior, (ii) no centro de corte ou (iif) no banzo inferior da viga, a partir do valor do parametro We as GI Na Figura 4.10 pode observar-sé a variagiio de M,, com W, para cada uma das tés siruagGes, Observa-se que a influéncia da localizago do ponto de aplicagio da carga € muito significativa para valores de W elevados. © McGraw it CAPITULO & hneKonDErK sxke-Torcko QUADRO 4.2: VALORES DO COBFICIENTE Cy Caregamento Ma = Mya Be) G Votidndo ee > M, 17541058 +030%<25 | 1s ps1 eee fat(, st) sas+o4(2) ozase/2 ee oe e Fak aiy 1,35 +0,368 os psi Fak 7 8 oe 1123 40,108 ospso7 som)? = ae pte 4) ERS +358 07s ps1 2 Pe, 2 + < ae HZ ie 22 (1-22) 16123 + 0,128 0s 6075 He pte 238 + 488 0755851 QUADRO 4.3: INFLUENCIA DO PONTO DE APLICACAO DAS CARGAS TRANSVERSAIS Carregamento Localizagio das cargas Gq ene ‘Banzo superior 23s, atin jaan = Cento de con | 135 2214064900380"? -Bazo jnferor 1358 B qn Benzo superior zt] hon A . Centro de cone 1 B= 1 #0535W-ossiW? Banzo infeior 1123 275 ero ESTABLIDAGE STHUTURAL ee 1s 20 28 W? a Vasiagio de M,, com W. (a) Carga concentrada(P). (b) Carga uniformemente distibaida (p) 43.2.2 INFLUENCIA DAS CONDICOES DE APOIO Viu-se anteriormente que as condigdes de apoio relativas a um problema de instabilidade lateral de vigas envolvem (i) flexdo (em dois planos), Gi) torgo e (ii) impedimento de empenamento. Até agui consideraram-se unicamente as condigdes “padrao”, definidas em (4.10). Como é evidente, a resistencia de uma viga & instabilidade lateral é afectada, de um modo mais ou menos significativo, pela alteragio das respectivas condigGes de fronteira, Refira-se que, no que diz respeito & flexio em torno do eixo y (trajectéria fundamental), as expressOes jé apresentadas, no Quadro 4.2 permitem determinar 0 valor de M,),.em vigas cujos apoios de extremidade res- ttingem, total ou parcialmente, as rotagSes. AAs condigdes de apoio de uma viga so 0 conjunto de restrighes aos deslocamentos genera lizados das suas seccGes transversais e, obviamente, dependem (i) das caracteristicas dos apoios (intermédios e de extremidade) ¢ (ji) das condigdes de contraventamento. Dada a existéncia de (@) um nimero muito elevado de possiveis condigdes de apoio de vigas ¢ (i) dbvias limitagdes de espago, optou-se por abordar aqui unicamente os problemas representados na Figura 4.11, nomeadamente (i) vigas simplesmente apoiadas e submetidas a momento uniforme e (ii) consolas submetidas a uma forga concentrada aplicada na extremidade livre ou a uma forga uniforme- © MeGransat CAPITULO 4: InSAMLDADERORPLEXAO-Toncio 277 mente distribufda. Embora relativamente simples, estes problemas permitem ilustar os diversos aspectos da influéncia das condigdes de apoio na instabilidade lateral de vigas (i.e., no valor de M,,). Deve, no entanto, referir-se que existem na literatura (¢.g., [4.3]) solugdes para um grande mimero de problemas com interesse pratico. Yr 8 P § 8 a o (@ Vig simplesmenteapoiada sabmeide 2 momento niforme (©) Consola sb forgaconeertrada ou uiformementeditiutda ‘VIGA SIMPLESMENTE APOIADA SUBMETIDA A MOMENTO UNIFORME Consideram-se quatro tipos de condigbes de apoio (idénticas nas duas extre- midades): )_ Rotagio de flexiio (em tomo do eixo z) parcialmente restringida (rigidez. a), rotago de torgao impedida e empenamento livre (Caso I). Gi) Empenamento parcialmente impedido (rigidez of), rotagdo de flexi livre ¢ rotagio de torgdo impedida (Caso 11). (iii) Rotagao de flexio e empenamento parcialmente restringidos (rigidezes @, c,) rotago de torgo impedida (Caso IID), (iv) Rotagao de torgao parcialmente impedida (rigidez oF) ¢ rotagio de flexi e empena- ‘mento livres (Caso IV). Nos ts primeiros casos, 0 valor de M,, pode ser obtido (aproximadamente) através da expres- sto [4.3]. 4s) 2/5 Eswawsoane Esmonveat onde k; ¢ ky sto “Factores de comprimento de encurvadura” associados & fiexio em torno do cixo z ¢ 20 impedimento do empenamento, dados por AteEL son) 5 “G40, El, fy = Atm HED Fr2a,¢Er (sol) aso 4+a, €/El, 4+(a, +0,h2 /4)Q/ET wAAG HEL — 4p, At Oy tah AIET \“Gy20,cE, asa, sa,aerer Caso. an Os valores de a, e @,, calculam-se 2 partir do grau de encastramento (em relagio a rotagio em. tomo do eixo 2) dos banzos das secodes dos apoios (of,), por meio das expressdes nm Gy = ORs 439) onde h é a distncia entre as linhas médias dos banzos. Observa-se que as expressbes (4.55)-(4.57) conduzem a (i) ky = k; = 1,0, no caso de a rotag&o e © empenamento estarem livres, e a (ii) 4, = ky =0,5, no caso de ambos estarem totalmente impedidos. No que respeita 20 ultimo caso, o valor de M,, 6 dado, aproximadamente, por [4.3] m a My hy TEL (oer), as ; a, CGT 8° G9+4,5eET/GI@)a, CGF" net ‘Observa-se que s6 se tem ky 1 para valores bastante elevados de cf, o que quer dizer que 0 valor de M,, é muito sensivel ao grau de restricdo as rotagdes de torgao. onde © mere CAPITULO 4: Insimnscnor rm Fiexto-Torcho CONSOLA SUBMETIDA A CARGA CONCENTRADA OU UNIFORMEMENTE DISTRIBUIDA Designa-se aqui por “consola” uma viga em que todos os deslocamentos ¢ rota- goes relevantes estio totalmente (i) impedidos, numa extremidade (A), e (fi) livres, na outra extremidade (B). Consideram-se as consolas representadas na Figura 4.12 (comprimento ¢, rigidez de flexdo EI, ¢ EI, rigidez de torgio GJ erigidez de empenamento EI), as quais estéo submetidas a (i) uma carga concentrada P aplicada na extremidade livre (Caso I) ou a (ii) uma carga uniformemente distribuida p (Caso 11). Em ambos os casos se admite que 0 ponto de aplicagio da carga pode estar localizado acima (zpp <0) ot abaixo (zpp > 0) do centro de corte da seceao. P aa ® Bx . Gey, By, Ou, EP ‘Consola submetida a uma carga concenrada ona uma carga uniformemente distibulds, O valor de M,, pode ser obtido (aproximadamente) através das expressdes [4.3] 12%, 1.2Zp-0) Mg = Py 11R | 1+ P+ AR 1+ 2 ast) | Se a [iF 144-0" ; 4 0) 13, - 0,1 warn [ie pit 00 eso [eee i i+196@, - 00? ogo respectivamente para os Casos Ie Il, onde R, e Ry so constantes que dependem das carac- teristicas geomeétricas e materiais da barra e Zp, séo parimetros adimensionais que traduzem 2 influéncia da localizacdo das cargas. Os valores de Ry, Ry € Zp,» obtém-se a partir de R= R(Rp~2) 463) eer - fae 279 280 Ernaeuioive Bema, onde # é a altura total da secgSo transversal eR; designa um “parémetro de torgio”. A andlise das expresses (4.61) ¢ (4.62) mostra que, para zp, 0 (cargas aplicadas no ceniro de corte), M,, varia linearmente com o pardmetro Ry. Esta Variagdo esté ilustrada na Figura 4.13, onde se constata também que (M,,), > (M,,)p. Bste resultado explica-se pelo facto de os mo- tnentos flectores provocados pela carga uniformemente distributda serem mais baixos, particular- mente junto & extremidade livre da consola, Mee Pp 1 ano 20 ra 15 10 7 see Ty Oo 1 2 Rr EEREEEEN eieio ce, comfy ngniny=0 Rofira-se, ainda, que, como Zp,» depende de Rr, a vatiagio de M,, com Rr deixa de ser linear se as cargas no actuarem no centro de corte (zap #0). 43.3 VIGAS DE SECCAO MONOSSIMETRICA, Ao estudar a instabilidade lateral de vigas de sec¢%io monossimétrica, é indispen- sdvel considerar separadamente as secgBes em que o eixo de simetria corresponde & maior € & menor inércia, As secgdes em C e em J com banzos desiguais constituem exemplos de cada um destes tipos de simetria, No primeiro caso, os resultados ¢ expresses apresentados para vigas com secgfo em I (dupla simetria) permanecem vilidos, desde que se utilizem os valores adequados de InlyJeT (© mesmo se passe, alids, com as vigas de seceo com simetria em relagZo a um ponto ~ €.8. seogio em Z). Por esse motivo, aborda-se aqui apenas o segundo caso, ie., vigas com secges em que o eixo de simetria corresponde a menor inércia, Ocoee it CAPITULO 4: InstsnmineroR Flesio-Torcho Considere-se a viga simplesmente apoiada (condig6es de fronteira definidas por (4.10)) repre- sentada na Figura 4.14(2) (comprimento ¢, rigidez de flexto El, ¢ Bl, tigidez de torgio GJ ¢ rigidez de empenamento ET), a qual est4 submetida a flexo pura (momentos concentrados aplicados nes extremidades). A secgio transversal da viga consiste num I com banzos desiguais © est representada na Figura 4.14(b).. vonzo comprimido “ —— ca Gel, Elz, GW, EP as € * a Kw WS (0) ; FFE onze traecenede 2(¥) g g Vign de secgo em com banzosdesgunis subi afleté pura, (@)Geomeuiae canegamento, (Secs transversal A principal caracteristica desta secgdo reside no facto de existir um afastamento entre 0 centro decorte C eo centro de gravidade G segundo o eixo z (menor inércia), o que se deve & diferenca entre os banzos. Designa-se por z) a coordenada de G num referencial centrado em Ce cujo sentido positivo do eixo z “aponta” para o banzo traccionado (e.¢., no caso da Figura 4,14 tem- -80 29> 0). Relativamente & anélise da viga com banzos iguais, efectuada na p. 270, é agora necessario ineluir o termo adicional lee 7h MB, 03 a es) no potencial das forgas exteriores (momentos aplicados). O parametro A, designa-se por “pard- metro de assimetria em relaglo ao eixo y" e € definido por (4.3) 1 2 Ayn Dg tj, 20 422) aA. 06 281 282 Esranuipine Bemurura As equiagdes variacionais dos modos de instabilidade, para as condigées de fronteira particulares deste problema, so, entio, dadas por Elway —M 4s) EL, =~ MO sn GI 9, ET § se= Mv, -MB, by 65) Eliminando v em (4.67) e (4.68), é-se conduzido a Me ET 6 sox — (GI + MB.2)92x Gr O= 0 (405) Observando que esta equago & andloga a (4.45), pode utilizar-se a mesma metodologia de resolugdo, a qual conduz a 0, OG)= A sen a va) al sen, ann onde a ie., M,, €0 “momento critico de uma viga de banzos iguais com as caracteristicas geométricas € materiais da viga considerada”. A Figura 4.15 mostra a variagio de M,, com ByxtEle « 20M," grandeza que pode ser encarada como um “pardmetro de assimetria normalizado”. OMeCeaw il CAPITULO 4 IWemusiane pon Fuevso-Torcho Observa-se que, como seria de esperar, a variagio de M,, tem o mesmo sinsl de Rp, ie., um aumento ou diminuigéo da largura do banzo superior (comprimido) fez aumentar ou diminuir © valor de M,,. Obviamente, sucede precisamente 0 contrério no caso de momentos flectores negativos (o banzo comprimido passa a ser o inferior). Finalmente, refira-se que, tal como sucede no caso das vigas com dupla simetria, o valor de M,,. € significativamente influenciado pelas condigdes de apoio e tipo de carregamento da viga Existe na literatura um conjunto de solugdes aproximadas, essencialmente baseadas em andlises numéricas, que permitem resolver diversos problemas com interesse pritico (e.g. [4.3]). 434 REGRAS DE DIMENSIONAMENTO Apesar de se ter abordado aqui unicamente a determinagdo de momentos crfticos eldsticos de vigas perfeitas (“ideais"), 6 conveniente recordar que a resisténcia das vigas reais, €condicionada pela ocorréncia de fenémenos de plasticidade (material eldstico-perfeitamente plastico com tensdo de cedéncia o, ® f,) ¢ pela presenga de imperfeigbes geométricas c/ou tensdes residuais. As imperfeigdes geométricas relevantes para a instabilidade lateral de vigas so (i) desloca- mentos inicizis vp, (i) rotagbes de torgdo iniciais dp e (ii) excentricidades no plano de aplicagtio das cargas transversais (em relago ao centro de corte da secgiio). A sua presenga dé origem ao comportamento representado, a tracejado (e # 0), na Figura 4.16, o qual indica que ocorrem deslocamentos ve rotagses @ desde 0 infcio do carregamento, deixando de existir bifurcagéo de equilibrio, 283 284 Esapnumoe Bseurunal eo Instabilidade lateral de vgns com imperfegSes geombirces. O colapso de uma viga constituida por um material elasto-plastico € condicionado por uma combinagio de fendmenos de plasticidade e instabilidade lateral, a qual depende ({) da esbelteza (Ge coluna) da viga no plano de flexo associado & menor inércia (2, = A= €/ i), (ii) da resis- téncia pléstica da sua secgio transversal e (iii) da influéncia das imperfeigées geométricas tenses residuais. Tal como sucedia no caso das colunas, tem-se que: (A capacidade resistente das vigas “pouco esbeltas” é condicionada pelo valor do ‘momento plastico da sua secgéo transversal (M,). Gi) A capacidade resistente das vigas “muito esbeltas” ¢ condicionada pelo valor do ‘momento critico associado & instabilidade lateral (M,,). (ii) A capacidade resistente das vigas “de esbelteza intermédia” € condicioneda pelos valores de M, e M,, (interacgo entre fendmenos de plasticidade e instabilidade). Observa-se que o comportamento elasto-pléstico das vigas ¢ qualitativamente semelhante ao das colunas, desde que se “substitua” N, por M, ¢ N,, por M,,. Esta semelhanga est na origem de ‘um método aproximado para estimar a carga de colapso de uma viga, 0 qual consiste em admitit que as relagdes (M,/ M,,) ¢ (Np N,,) sto idénticas e utilizado em diversos regulamentos de estruturas metélicas actualmente em vigor, nomeadamente no BC3 [4.7]. Basta, entdo, definir uma “esbelteza normalizada equivalente” 7,,, através de =/—2, 479 utilizar a curva ou curvas de dimensionamento de cohunas (ver Eurocddigo 3, p, 163) mais adequadas, no sentido em que se ajustam melhor aos resultados experimentais. © McGraw CAPITULO 4 InstamucAoe rox Fuexho-Toncho 434.1 EUROCODIGO3 0 ECS (4.8) adopta o método aproximado referido na seegio anterior e, por esse motivo, a8 disposigdes preconizadas para determinar a capacidade resistente de uma viga & insta- bilidade lateral envolvem um procedimento formalmente idéntico ao que é necessério seguir no caso das colunas (ver Eurocédigo 3, p. 163). A capacidade resistente de uma viga A instabilidade lateral representa-se por M,p,e 0 seu valor € dado por M, Myra Har By =, (a5) Yan onde () Zr é um “factor de redug2o da resistencia da secgdo a flexto, (il) My.,,4 0 momento plistico da sec¢do (flexo em tomo do eixo de maior inércia ~eixo y), (ii) yy, 6 um coeficiente parcial de seguranca e (iv) B, ¢ um coeficiente que depende da classe da secgdo transversal da viga (ver Eurocédigo 3, p, 378). Dagui para a frente/‘considera-se sempre B= 1, 0 que cor- responde a admitir que se pode atingir a resistencia plastica da secgfo (Le, que se trata de secgdes de Classe 1 ou 2 [4.8]). O valor de 7:7 obtido a partir de uma “esbelteza normalizada da viga”, definida por Aug 74 ae onde M,, € 0 momento critico da viga (ou do “trogo livre” de viga, no caso de existirem contra- ventamentos intermédios). Adoptando a metodologia seguida para as colunas, é posstvel res- crever 2, na forma Ia Py ay onde A, é uma “esbelteza de referénci dada por . jd definida em (3.52), e yp é a “esbelteza da viga”, EW ray Inper am onde W,,, € 0 “médulo pléstico de flexdo” da seogao da viga, 285 286 Eseantinaoe Esrranat, Arelagdo entre 70 Ayr (idéntica & relagao entre x e 7 nas colunas) é estabelecida a partir das. ‘expresses 1 a <1 our Oir~ Ba ion up = 0,5 [1+ Opp Arr~0.2)4 My} onde of, um “factor de imperfeigo generalizado”. Como a comparacao com resultados expe- rimentais mostrou que a utilizagao de cr = 0,21 (secgdes laminadas a quente) € yy = 0,49 (secgbes soldadas) conduz a resultados com nfveis de seguranga e preciso adequados, 0 EC3 adopta, para o dimensionamento de vigas, as curvas de dimensionamento de cohinas a (secgSes Jaminadas a quente) e ¢ (secgdes soldadas), j4 caracterizadas em Eurocddigo 3, p. 163 (ver Figura 3.25(a)) & importante referir que, muito embora as equagdes (4.79) indiquem que se tem x < 1 para Tur > 0,2, 0 BC3 permite que se tome y= 1 se Ayr < 0,4, Esta disposigao, justificada pela intengio de nfo pér em questo uma pritica corrente, provoca uma descontinuidade das curvas de dimensionamento de vigas para 2p = 0,4, conforme esté ilustrado na Figura 4.17. CCurvas de dimensionamento de vigas Morar z ‘ k pone : ie & é CAPITULO 4 Inewunsaneron Fustho-Toncko CALCULO DO Momenro Critico Para calcular 0 momento critico de uma viga, necessério para obter 0 valor de App, ECS (anexo F) propde a expresso geral VOD? |W) TET, 2 ] My =¢ 2Ebe (2) J BPO, 6 Ce, G4) (Cae Cappy an onde (i) Ee G so os médulos de elasticidade e distorgtio do ago, (fi) L € 0 “comprimento livre” (da viga ou de um trogo), (iii) J, €0 momento de inércia em relag&o ao eixo de menor inércia, (iv) a inércia de torgdo da seccio, (v) I, = I°é a constante de empenamento da secedo, (vi) k 60 cocficiente de encurvadura associado a flexio em torno do eixo z, (vii) ky 6 0 coeficiente que traduz/o grau de impedimento ao empenamento nas extremidades da viga ou trogo, (vii) € @ disténcia do ponto de apticaglo des cargas transversais ao centro de corte da seegio, (ix) zjé um pardimetro que traduz o grau de assimetria da seccdo (em relago ao eixo y) ¢(x) Cj, Cp eC; so constantes que dependem da configuragio do diagramg de momentos e do valor de k. © ECS (anexo F) inclui expresses para determinar 1, e z;e uma tabela com valores de C,, C, € C; para diferentes combinagées de (j) diagramas de momentos flectores e (ii) valores do coefi- ciente de encurvadura k No entanto, é conveniente referir que o anexo F do EC3 apresenta algumas limitagdes impor- tantes, nomeadamente: G@) A cexpresstio (4.80) s6 € vélida para viges (ou trogos de viga) cujas extremidades estejam impedidas de se deslocar transversalmente. Em particular, a expresso (4,80) ndo é védlida para vigas em consola. Gi) Nao sto fornecidos valores de C,, C, e C; pare diagramas de momentos flectores, provocadios pela aplicago conjunta de cargas transversais e momentos de extremidade. Gii) Nao sfo tatadas vigas de seceto varidvel. METODOLOGIA DE DIMENSIONAMENTO. 0 dimensionamento ou verificagio de seguranga de uma viga de secgto constante, em relago ao estado limite thimo de instabilidade lateral e de acordo com o EC3, envolve os seguintes passos: (@ _ Deterrninagéo do valor do momento cxitico M,, (anexo F). (i) CAleulo de Ayp= 2 (EWpty/ Mel, Ay = 2 (E/f)°S © Uap = ag / Ay 287 285° usmapape MerMTORAL (ii) Identificagto do factor de imperteig determinagao do factor de reduco zp (valores tabelados no EC3 ~ Tabela 5.. (iv) CAlculo do momento flector resistente da viga Gp (curva de dimensionamento) relevante ¢ 2). Mya = Kur (seogbes de Classe 1 ¢ 2). aan (W) _Verificagio da condigao MyseS Mara a onde M, sz 6 0 médulo do valor de clculo do mdximo momento flector instalado na viga. Deve, ainda, chamar-se a atengio para o facto de, no caso de vigas com secgdes monossimétricas (sem simetria em relago 20 eixo y), poder ser necessério efectuar duas vezes 0 procedimento descrito, uma para os momentos positivos e outra para os momentos negativos (os valores de M., so diferentes). 44 COMPORTAMENTO DE COLUNAS-VIGA 441 FLEXAO RECTA Consideram-se agora barras solicitadas, simultaneamente, por um esforgo axial de ‘compressio ¢ por momentos que provocam flexdio em torno do eixo de maior inéreia (colunas- ~viga~ ver Figura 4.18). C “0 gato c xempls de colanas-vign © McGrail ENT HOI ET CAPITULO 4 Insmannsne rox Fustio-Torcko Pretende-se determinar a influéncia da presenga do esforgo axial no valor do momento exitico ou, por outras palavras, para que combinagGes de esforgo axial e momento flector ocorre a instabilidade lateral da coluna-viga (em regime elistico). Considere-se, por exemplo, a coluna-viga simplesmente apoiada (condigdes de fronteira (4.10)) representada na Figura 4,19, a qual est4 submetida a flexdio pura (M) e compressao uniforme (P). [20 2w) Colun-vgnsubmetid Nexo furs compress ufone. ‘Observando que a energia potencial da coluna-viga se pode obter combinando as expressées (i) (4.11) (Coluna com yp = zp = 0) ¢ (i) (4.27) + (4.37) (viga), as equag6es variacionais dos modos de instabilidade so dadas por Ely W xe Pw —M aay El, ¥qq+ P= —MO sn ED ex ~ (GJ ~ Pr3.)$,, =-Mv. 85) A solugio deste sistema de equagbes diferenciais mostra que a bifurcagdo de equilfbrio ocorre para combinag6es de valores de M e P que satisfazem a condicao (aproximada) [4.9] es 289 ov _ESTABLIDADE ESTROTURAL onde Ppy Pg, ¢ Ps foram definidos em (4.18) e M,, & dado por (4.50). No caso de ser aceitavel desprezar a influéncia dos deslocamentos de pré-encurvadura (w), pode “ignorar-se” a equacio (4.83) e a solugio do sistema (4.84)-(4.85) conduz A condigao (exacta) [4.3] my P\(,_P Ht) 1-2 1-2], us Mer Pall Fy Para a grande maioria das secgGes laminadas a quente tem>-se Pz, < Py < Pp 0 que sugeri.a ideia de introduzir a aproximagio (-a}t na condicao (4.86), obtendo-se, assim, 2 equago de interacgio eee Me Pez U=P/ Py )Mey 1, (439 a qual fomece resultados conservativos. E interessante observar que (4.89) ¢ formalmente idén- tica A equagio de interaceo (3.130), estabelecida em Regras de Dimensionamento, p. 204 para estimar a capacidade resistente de colunas-viga no plano de solicitagdo. A diferenga reside na natureza das grandezas que figuram nos‘denominadores das duas equagées, as quais representa as capacidades resistentes da coluna-viga, & compressio ¢ A flexio, em planos diferentes: no plano da solicitago, no caso da equagio (3.130), e no plano que lhe é perpendicular, no caso da equagio (4.89), Em colunas-viga simplesmente apoiadas com secedo em I (dupla simetria) e submetidas a outros tipos de carregamento, nomeadamente (i) a momentos de extremidade diferentes, (ii) a uma carga concentrada aplicada a meio vo ou (iii) a uma carga uniformemente distribuida, as com- binagbes de Myax © P que conduzem a instabilidade podem ser obtidas, aproximadamente, a partir de uma equacio de interacgo semelhante a (4.87). Tem-se, assim, aa onde M,, 60 “momento critico uniforme” definido em (4.52) [4.3] ¢ 08 valores de C, relativos 08 carregamentos referidos sio apresentados no Quadro 4.4. (4.3). © MC CAPITULO & Insnmaneror Fusxio-Toncto QUADRO 4.4: VALORES DE Cy, ‘Caregamento Mow oe x eu 1p 1090p) BT fe 8 iG 3 Mu TOBY 12 092P PT g nef 128 <—3 (2G) ee a NT £ 135 ami we 123 = & 3 No caso de colunas-viga com outras (i) condigdes de apoio, (i) seegbes transversais ou (ii) cargas aplicadas, 6, em geral, necessério recorrer a métodos numéricos, 44.11 REGRAS DE DIMENSIONAMENTO O colapso de uma coluna-viga pode ocorter por flextio em torno do:eixo de maior inéreia ou por instabilidade lateral. Em ambos os casos, a presenga do esforgo axial reduz @ capacidade resistente da barra, na medida em que “amplifica” 0 efeito das deformagbes de flextio lou torso. Abordaram-se jé, na p. 204, as repras de dimensionamento relativas ao comportamento de colunas- ~viga no plano de solicitagao (i.e., no plano 2-2). Pretende-se agora tratar 0 comportamento de Colunas-viga no plano perpendicular ao de solicitacdo, ie., considerar os estados limites tiltimos ue envolvem instabilidade por flexao em tomo do eixo z e/ou instabilidade lateral por flextio- torgio, ‘Como se sabe, o comportamento das colunas-viga reais resulta de uma interacgao entre fené- menos de instabilidade ¢ plasticidade ¢ ¢ ainda significativamente influenciado. pela presenga de imperfeigdes goométricas ¢ tensdes residuais. Deste modo, uma anilise rigorosa desse compor- tamento, nomeadamente a determinagao da resisténcia tltima da coluna-viga, deveria con- templar, de uma forma tio precisa quanto possfvel, todos os aspectos referidos. No entanto, os elevados “custos” (de diversa ordem) associados & realizago de anélises rigo- rosas impede (ainda) a sua utilizagdo sistemitica em situagées correntes. Pot esse motivo, 0s regulamentos de estruturas metélicas actualmente em vigor preconizam o dimensionamento/ ‘Wwerificagto de seguranga de colunas-viga através de equagdes de interacgdo do tipo aon 291 Asam soo8 ESTRITURAL onde N, € M,y sio as capacidades resistentes da barra & compressioe i flexio em torno do eixo y. Estas equagies de interacefo so anélogas &s utilizadas para dimensionar colunas-viga que 86 se deformam no plano de solicitagio (lateralmente contraventadas) ~ ver equagio (3.129), No caso das colunes-viga com condig6es de fronteira idénticas em ambas as direcgSes ¢ nio contraventadas, N, ¢ condicionada pela encurvadura por flexio em torno do eixo z (menor inércia) ¢ M,, pela instabilidade lateral, Para além disso, o valor de M deve incluir os efeitos de 2.* ordem relevantes. Muito embora 0 formato das equagdes de interaceio varie de regulamento para regulamento, teflectindo a tradigao e pratica de cada pais ou regio, deve salientar-se que as diferengas nos resultados fornecidos no so significativas (4.7). EvROcOpIGo 3 0 ECS preconiza o dimensionamento/verificagio de seguranga de colunas-viga uniformes (inércia constante e compressio uniforme), com condigdes de fronteira idénticas em ambas as direcg6es, no contraventadas submetidas a flexio em torno do eixo de maior inércia, através de duas equagdes de interacgio: @ A equagtio (3.132), j4 apresentada e discutida em Eurocédigo 3, p. 207 © que cor- tesponde a0 ELU que envolve encurvadura por flexo no plano de solicitagao (¥-2). Gi) Uma segunda equaglo de interacgio, que corresponde ao ELU que envolve encur- vadura por flexo em tomo do eixo de menor inéreia (eixo z) ¢ instabilidade lateral. A equagio de interacgao referida em (ii) tem a forma M, st jy, Moss S10, asm Mera Mona onde (i) Nig ng € a resistEncia & encurvadura por flexfio em tomo do eixo z, definida em (3.77), (i) My pe 6 2 resisténcia A instabilidade lateral, definida em (4.81) (secgGes de Classe 1 ¢ 2) € (iii) 0 coeficiente k, um factor de amplificagio dos momentos que contabiliza os efeitos P-5e6 dado por Nea nALy fap = 1-day won O pardmetro j1;7incorpora a influéncia (i) da esbelteza normalizada 7, ¢ (ii) da configuragio do diagrama de momentos flectores (coeficiente By 77)-O EC3 permite evitar 0 célculo de ky, desde que se adopte, conservativamente, ky = 1,0, © MeGromHat Para. CAPITULO & InvastioaDeroR Rexio-Tongto 293 além das verificagdes de seguranca cm relagdo a fenémenos de instabilidade, o EC3 impoe também a verificagio da resistEncia das secgdes transversais da colune-vige, através de equagiies de interacgo que dependem da classe da secglo. Metodologia de dimensionamento O dimensionamento/verificagio de seguranga de umd colune-viga uniforme (sub- metida a flexdo recta e nao contraventada), em relagio a ELU associados a encurvadura por flexdo ou a instabilidade lateral ¢ de acordo com 0 EC3, envolve os seguintes passos: (Passos (i)-(iv) descritos em Metodologia de Dimensionamento, p. 209. Gi) CAlculo das capacidades resistentes Npe ng Mana Gil) Determinagao do valor do coeficiente k,-ou, em alternativa, tomar kyr = 1,0. (iv) Verificagdo da resisténcia da coluna- iga, através de (4.92). (v) Verificagaio da resisténcia das secgdes. 442 FLEXAO DESVIADA As colunas-viga estudadas na p. 174 em Flexdo Recta, p. 288 podem considerar- -se como casos particulares de um problema mais geral, iustrado na Figura 4.20 € que corresponde ‘uma barra submetida a compresstio (N) ¢ a momentos flectores que actuam segundo os dois eixas principais centrais de inércia (M, e M,). Zz a Me Te CCobna-vigasubmetd exo desvida. 294 EsraBUane ESRUTRAL. ‘Viu-se, em Instabilidade Lateral de Vigas, p. 265 e em Flexdo Recta, p. 288, que o comporta- mento, em regime eldstico, de vigas ou colunas-viga perfeitas (“ideais”) € caracterizado pela ocorréncia de uma bifurcagdo de equilibrio, O mesmo nto sucede no caso das colunas-viga submetidas a flexao desviada, na medida em que existe deslocamentos de flexdo nos dois planos e rotagies de torgiio desde o inicio do carregamento. Deste modo, a avaliagto da capa- cidade resistente da coluna-viga (plastificago da primeira fibra) envolve, necessariamente, a determinago da sua trajectéria de equilfbrio, o que toma bastante mais dificil a obtengio de expressdes analiticas [4.9], 0 célcuto preciso da carga de colapso (carga iitima) de uma coluna-viga submetida a flexéo Gesviada, em regime elasto-plistico, constitui um problema bastante complexo. De facto, ‘0 comportamento genuinamente tridimensional exibido pela barra (dois deslocamentos de flexio ¢ rotagao de torgio) faz. com que a consideracio dos fendmenos de instabilidade e plasticidade envolvidos apresente um gran de dificuldade consideravelmente mais elevado do que no caso plano. A resolugio deste tipo de problemas s6 ¢ possivel recorrendo a métodos numéricos sofis- ticados e despendendo um elevado esforgo computacional {4.7}. 4.4.2.1 REGRAS DE DIMENSIONAMENTO ‘Tal como sucedia no caso das colunas-viga sujeitas a flexdo recta (e por maioria de taro), a utilizagao sistemética de anglises rigorosas para determinar o comportamento de colunas-viga submetidas a flexio desviada nfo é vidvel em situagbes correntes. O dimensiona- mento/verificagdo de seguranga das colunas-viga é, entio, efectuado através de equagdes de interacgdo do tipo a N (pe onde N,, M,, € M,. sio as capacidades resistentes da barra & compressio e & flexio em tomo dos cixos y ez. M0, ios M, No caso de colunas-viga com condigtes de fronteira idénticas em ambas as direcedes e no contraventadas, (i) N, € condicionada pela encurvadura por flexdo em torno do eixo z (menor inércia), (ii) M,, pela resisténcia a instabilidade lateral ou a plastificagio (secgdes de Classe 1 (ou 2) e (ii) M,, pela resisténcia & plastficagio (secybes de Classe 1 ou 2). Os valores de M, ¢ M, devem incluir os efeitos de 2." ordem relevantes (efeitos P-d e/ou P-A). OM Grow til CAPITULO & Dismetioane yor Funo-Toncko Evrocépico 3 © EC3 preconiza o dimensionamento/verificagio de seguranca de colunas-viga uniformes, com condicgio de fronteira idénticas em ambas as direcgSes, ndo contraventadas submetidas a flexio desviada, através de duas equagdes de interacc%o, nomeadamente M, Nea 4p, Mrs 4p, Mist 219 430 Negra Moya Mperd N, Mt, M, Stn by 2 St 10, 496) Novag" Mura * Mpare onde (i) Mga Mana kyp foram j@ definidos em Eurocddigo 3, p. 292, (i) Mpis.ng® Myyz na S80 os valores da resisténcia da secgfo & flexto em tomo de ye z (momentos plésticos “reduzidos” pelo cocficiente parcial de seguranga ry, ~ secgbes de Classe 1 ov 2) (ii) os coeficientes k, € k, S20 factores de amplificagto dos momentos M,.<4 € M,.s/que contabilizam os efeitos P~5 e sfio dados por an Os parimetros 11,, incorporam a influéncia (i) das esbeltezas normalizadas A,,, (ji) da confi- guracio dos diagramas de momentos flectores (coeficientes yy, ¢ By.,). OBC3 permite adoptar, conservativamente, ky = k,= 1,5. Para além das verificagSes de seguranca em relacdo a fendmenos de instabilidade, o EC3 impbe também a verificago da resisténcia das seorbes transversais da coluna-viga, através de equagées de interacgio que dependem da classe da seccdo, Estas equaghes traduzem a resisténcia eléstica ou plistica de uma secgto submetida a flexio desviada composta com compressio. Metodologia de dimensionamento O cimensionamento/verificagéo de seguranca’de uma coluna-viga uniforme (sub- meta a flexio desviada e ndo contraventada), em relagio a ELU que associadas a encurvadura por flexio ou a instabilidade lateral e de acordo com o EC3, envolve os seguintes passos: @_Determinagzo dos esforgos actuantes e comprimentos de encurvadura €,y ¢ ly (i) CAlculo das capacidades resistentes Nyx ngs Mazar Mp yea © Mp tar 295 296 Estsmamaoe Esra, (ii) Determinago do valor dos coeficientes hy, k, € kyr oW, conservativamente, tomar kak=lSekp= 1,0. (iv) Verificagiio da resisténcia da coluna-viga, através de (4.95) e (4.96). (¥) _Verificagdio da resisténcia das secgves, 443 EXEMPLO DE APLICACAO Considere-se mais uma vez a estrutura metdlica representada na Figura 3.26 com as hipdteses admitidas em Exemplo de Aplicacdo, p. 209 (né B xigido e barra AB constitufda por um perfil HEB 360 de ago $355). Pretende-se verificar novamente a seguranga da coluna-viga BC, de acordo com o EC3, mas agora supondo-a ndo contraventada no plano normal & estrutura © considerando um valor da carga actuante ps, = 130 KN/m (cerca de 70% por cento da carga do exemplo da p. 209). A coluna-viga estf submetida a flexio recta e recorde-se que a verificagio de seguranga em relacdo 208 ELU que envolver a resisténcia das seogdes transversais e a encurvadura por flexzio no plano da estrutara foram jé efectuadas em Exemplos de Aplicagdo, p. 209 (para psy= 185 K m). Deste ‘modo, apresentam-se em seguida apenas os passos relativos & verificagdo de seguranga em relagiio 20 ELU que envolve encurvadura por flexo, no plano normal & estrutura, ¢ instabilidade lateral: @—_Determinagdo dos esforcos actuantes (ver Exemplos de Aplicagéo, p. 209) Nea= 7X 885 = 620KN © M,sg=0,7 x102=71 KNm. Gi) Determinagéo do comprimento de encurvadura Admitindo que (ti,) 0 n6 B est4 impedido de se deslocar no plano normal & estrutura ¢ (iis) desprezando a rigider de torgo da viga AB, tem-se ¢,, = (ii) Céileulo do momento critico Neste caso particular (coluna-viga simplesmente apoiada na direcgdo do eixo y, com secgdo em I de banzos iguais e submetida a momentos de extremidade), a expresstio (4.80) dé origem a mel, [iy , 2h, 4 rt 1, PEI,” ©MGrant CAPITULO 4 Insinonioaneron Rxto-Tongho’ 297 s valores das grandezas presentes na expresso so (HEB 360 de ago $355) 1,= 39,2 x 10 mms £=210KNimm G@=81KNimm? 2 4, a += 48,7 x 106 mms$ (h, = 223 mm) |, y=, bjt} =855%10 mmé C, = 1,879 (tabela F 1.1 do anexo F do EC3), pelo que se obtém M,, = 617 KNmn. (iv) Caéleulo das capacidades resistentes Nezra® 865, 5 KN (ver Coluna Bi-articulada numa Estrurura Simples, p. 168) Moy = Wry f, = 373 KN. 748 => rp = 0,865 = 17 = 0,81 (cepp = 0,21 0 curva a) Myra= ter Mpiy)/ tn = 275 KNm. () Determinagdo do coeficiente ky Bysr= 1,8 Figura 5.5.3 do EC3) Myp= 0,15 A, Byer 0,15 = 0,31 Hits k, 080. thy (vi) Resisténcia da coluna-viga My, Naa 4), Mrsd . 620 4 ogy 7! 99301, Nera Ming 865.5 275 (vii) Conelusio A seguranga da coluna-viga em relagéo ao ELU que envolve instabilidade lateral esta verificada, No entanto, observe-se que, com psq = 185 KNim (valor utilizado no exemplo dap. 209), a seguranga da colune-viga néo seria verificada, 298 Esnsnmxoe Esmmuna — PROBLEMAS PROPOSTOS 4.1 Considere a coluna representada na Figura P4.1, de comprimento € e com a secgiio transversal indicada. A coluna esté encastrada, em ambas as direcgdes, numa extremidade (deslocamentos, rotagdes e empenamento impedidos) ¢ livre na ‘outra, ¢ encontra-se submetida a uma compressio uniforme P. Admitindo I"= 0© E=3G=210 GPa. utilizando.o método de Rayleigh-Ritz, com as fungbes de apro- ximagao 2 7 olt-m) vnclinontt) gnafiemt ccalcule uma estimativa do valor da carga critica de bifurcagao da coluna (Per) para @)€= Ime) e=2m, 7 4 + 4.2 Mostre que, para uma viga simplesmente apoiada (ambas as direcg6es), de com- primento € ¢ secglo rectangular de parede fina, submetida a um momento uniforme, setem 262 Vea © onde P, é a carga de Euler de uma coluna com a mesma secgio transversal e v é 0 coeficiente de Poisson do material OMGraetil 43 44 CAPITULO 4: ststionnEroe Fuexto-Torcho Considere a viga simplesmente apoiada (ambas 2s direcgées) representada na Figura P43, a qual esté submetida a um diagrama de momentos Mectores M, linear~ mente variével, 4) Esereva.a expresso da (variaglo da) energia potencial da viga na viainhanga da sua traject6ria fundamental. ') Bstabeleca a equagao diferencial de equilibrio da viga que permite determinar ‘© valor do respective momento exitico (M,,). «) Usilizando 0 método de Rayleigh-Ritz, com as fung6es de aproximagEo 2m Ya)=C,sen“+C, sen“ 92) =, sen caleule um majorante do valor de M,,. yo) 2) Considere a viga simplesmente apoiada (ambas as direcgées) representada na Figura P4.4, a qual esté submetida a uma forga concentrada Q, aplicada na secgio de meio vio © a uma distancia zg do respectivo centro de corte (= centro de grevidade), a) Escreva a expressiio da (variagdo da) energia potencial da viga na vizinhanga da sua trajectéria fundamental, calcule um majorante do valor de Q.,. 299 45 46 Considere a consola (ambas as direogées) representada na Figura P4.5, a qual esté submetida a uma carga concentrada Q aplicada no centro de corte da extremidade livre, Usilizando 0 método de Rayleigh-Ritz, com as fungdes de aproximagio 2 2x_ at w=Ge Mae [2-3] determine um majorante de 0. 2w) CConsidere a secgio monossimétrica representada na Figura P4.6, Determine uma ‘expresso que permita calcula o parimetro de assimetria 6, a partir das dimensdes da seosio, ©MGraw-til 47 CAPITULO 4 Inewsnonne ton exto-Torcto Considere a viga do ago (E = 210 GPa e v=0,3) simplesmente apoiada (ambas as, irecgSes) representada na Figura P4.7(a), a qual esté submetida a uma carga unifor- ‘memente distribuida, Determine 0 valor do factor de redugio ir que, segundo 0 Eurocédigo 3, permite determinar a resisténcia da viga & encurvadura lateral, para as duas seguintes situagées: 8) Perfil IPES0O de ago $275 e carga aplicada no centro de corte da seccio. bb) Secgiio soldada representada na Figura Pa.7(b), de ago S355 e carga aplicada sobre o banzo superior. [NOTA: observe que, neste caso, a viga é de Classe 4]. 301 3UZ — KeapASe rRUTERAL = 4.8 — Considere a coluna-viga simplesmente apoiada (ambas as direcgdes) representada na Figura P4.8(a), a qual esté sujita ao carregamento indicado (dependente de um pardmetro P)¢ € constitufda por um perfil de ago (E= 207 GPae G=83 GPa) com a secgto apresentada na Figura P4.8(b) (I, = 2393 x 10 mm, J = 82,0 x 10* mm* © I= 1,603 x 10 mm®), Utilizando a equagao (4.90), determine 0 valor de P «que comresponde a instabilidade eléstica (bifureagio de equilfbric) da coluna-viga. 200.5 2:52{Ken) i nl — 6 5381 iS, Z\ Pm y 4.9 Considere a estrutura metélica representada na Figura P4.9, a qual € consttuida por uma columa-viga AB (perfil IPE 400 de ago $355 - E=210 GPae v=0,3)e um tirante BC. O né B esté contraventado na direcgao normal a0 plano da estrutura (estocamento impedido e rotacdo livre) € a coluna-viga esté submetida & acco de uma carga uniformemente distribuida (pe,) que actua no centro de corte da secgo, Para psg= 35 KN/m, verifique a seguranga da coluna-viga, de acordo com o Euro- ‘6digo 3, em relagSo aos estados limites dltimos que envolvem instabilidade por ‘lexio e/ou instabilidade lateral (por flexao-torgao). 4.10 Considere o pilar metélico simplesmente apoiado (ambas as direcg6es) repre- sentado na Figura P4.10, 0 qual é constinufdo por um perfil HEM 260 de ago S275 (E= 210 GPae v= 0,3) ¢ esté submetido ao carregamento indicado (flexio des- viada composta com compresstio), Admitindo o pilar nfo contraventado ao longo do comprimento, verifique a sua seguranga, de acordo com 0 Eurocédigo 3, em relagdo aos estados limites dtimos que envotvem instabilidade por flexto e/ou instabilidade lateral (por flexiio-torgo). © Mirae tit 3200 en Myx*300 KN carituLo 4 Meg=1000 KN Masa=50 KNm ia 5.0m y ew260 stHRRADAOE FOR FLEXAOToRCKO 1Pe400 303 CAP{TULO 5 TEORIA DA POS-ENCURVADURA Praticamente todos os resultados apresentados nos capftulos anteriores dizem respeito a fenémenos de instabilidade bifurcacional foram obtidos através de andlises linearizadas do comportamento geometricamente nfo linear das estruturas envolvidas, No caso de estruturas elisticas, essa linearizag&o traduz-se por (i) admitir a configuragio deformada definida pelos termos lineares de deformagdo ou, o que equivalente, por (ii) reter apenas os termos quaciréticos na expresso da energia potencial associada a essa configuragdo. Para além disso, consideraram-se sempre estraturas com estados lineares de pré-encurvadura. Conforme se via, os resultados fornecidos pelas andlises linearizadas de estabilidade consistem, essencialmente, em (i) cargas criticas de bifurcagio ¢ configurages dos correspondentes modos de instabilidade, no caso de estruturas comprimidas geometricamente perfeitas (“ideais”) ¢ (i) traject6rias de equilfbrio que tendem assimptoticamente para A= 4. no caso de estruturas com imperfeigdes geométricas ou sujeitas a cargas transversais. Neste capitulo introduzem-se os conceitos fundamentais envolvidos nas andlises ndo lineares de estabilidade de estraturas elésticas, as quais permitem determinar o respectivo comportamento de p6s-encurvadura, Em particular, apresenta-se a formulagio pormenorizada ¢ ilustra-se a aplicago de uma teoria que permite determinar 0 comportamento de estruturas, com estados lineares de pré- -encurvadura, na vizinhanga do ponto critico de bifureagfo (2, ,,). Designa-se este compor- 306 EsaunmAn BSR tamento como “comportamento inicial de p6s-encurvadura” da estrutura e o seu conhecimento & de grande utiidade, pois permite caracterizar 0 equilfbrio das comespondentes estruturas “reais”, i.e., com imperfeigtes geométricas. Tal como se fez no caso da andlise linear de estabilidade, estudam-se separadamente sistemas estruturais discretos e continuos, O capitulo inclui ainda secgdes onde (i) se aborda o comportamento de estruturas com estados ndo lineares de pré-encur- vadura e (ii) se faz uma breve referéncia aos fundamentos das andlises nao lineares de estabilidade utilizadas para descrever comportamentos de pés-encurvadura mais complexes. 8 COMPORTAMENTO INICIAL DE POS-ENCURVADURA. Pretende-se determinar 0 comportamento de um sistema estrutural na vizinhanga do ponto critico de bifurcaglo (1.° ponto de bifurcago) ou, por outras palavras, caracterizar 0 trogo inicil da trajectéria de pés-encurvadura que emerge do ponto A = A, (ver Figura 5.1). M | o Ave tetera / / reben copa CComportamento inicial de pés-encurvadura. Admitem-se as seguintes hipéteses simplificativas: @ — Osistema estrutural apresenta um estado linear de pré-encurvadura. A carga critica de bifurcagto 4,, corresponde um iinico modo de instabilidade, Gi) A carga critica de bifurcagio 2, est suficientemente afastada das restantes (Az, Ay...) ‘para que seja aceitavel desprezar o fenémeno da interaceo entre os diferentes modos. de instabilidade. © MCrawHtt CAPITULO & TeoueDAPos-BrcuRpuRA S.Ld SISTEMAS DISCRETOS Viu-se em Estabilidade da Trajectéria Fundamental, p. 45 (equagao (2.5)) que a variagdo da energia potencial entre uma configuragio da traject6ria fundamental e uma configuraco adjacente (AV) pode ser desenvolvida em série de Taylor nos incrementos dos deslocamentos generalizados q, (os termos lineares so nulos). No contexto da anélise linear de estabilidade, apenas se retiveram os termos quadréticos, o que conduziu & determinagio das ccargas de bifurcagao e dos modos de instabilidade. Como se pretend agora determinar 0 com- portamento inicial de pés-encurvadura, consideram-se termos até uma ordem adicional. Em prinefpio, esses termos deveriam ser de 3.* ordem. Simplesmente, constata-se que, num grande iémero de sistemas, os termos de 3." ordem so nulos, sendo, por isso, necessdrio prolongar 0 desenvolvimento até aos termos de 4." ordem. Deste modo, tem-se i Z fy IG) + 5 Mindy IH (Vix #0) AV=VQ! +9;,4)-VOF Aad) : on eat 3 80s + Mine) Vin = OD- Utilizando o PEEP, a trajectéria de equilforio que emerge do ponto critico debifurcagio (A= Ay, € 4; = 0) tem de satisfazer as condigdes 1 av Vay + Mage sa" 1 Yeas + ZMneaa te onde, recorde-se, os coeficientes Vj, Vig € Vigy dependem de A, Pode definir-se essa traject6ria patametricamente, utilizando como parmetro o incremento g; mais adequado (em prinefpio, aguele que apresenta uma variagéo mais significativa ao longo da traject6ria de equilfbrio), aqui designado, sem perda de generalidade, por q; [5.1]. Pretende-se, entio, determinar as fungdes (ie., 0 seus desenvolvimentos em série de poténcias de q;) A= Magy) dee + ANG, + Ag? ; ; 6) = 9G) Orga raPar rage Ue, 307 308 Esnsnnune Enmore, onde gf? sio os coeficientes que definem 0 modo critico de instabilidade (para q, = 1) e, por- tanto, séo j4 conhecidos. Refira-se, ainda, que o mimero de termos a considerar nas expansdes (5.3) deve ser o suficiente para permitir 0 célculo exacto de AO (Vig #0) ou A® (Viy = 0), Deste modo, os primeiros membros do sistema de equagdes no linear (5.2) podem ser enca- rados como dependendo unicamente de q,. Notando que se tem g, (q,) = 41, essa dependéncia faz-se sentir através de (i) 4, (q,) (j= 1, ..., m) ede (ii) AC). Os valores de 20, ¢() ¢ 22 podem ser determinados introduzindo as expans6es (5.3) no sis tema (5.2) e recorrendo a uma técnica de perturbagio que consiste na resolugéo, sucessiva e sequencial, dos sistemas que se obtém considerando apenas os termos em q,, g?, gp, etc. [5.1]. Recorde-se que A,, ¢ g{") so calculados através da anélise linear de estabilidade do sistema estrutural. Exemplo Mustrativo Considere-se 0 modelo estrutural com 2 graus de liberdade, representado na Figura 2.2. A sua andlise linear de estabilidade foi efectuada em Sistemas Discretes, p. 44, tendo conduzido aos resultados (A= P) Recorde-se que a energia potencial do modelo (AV = ¥) € dada por VGqu. 92 P) ojKe (sen? g, + sen? g,)~ PE[3—c0s 4, —c05 a2 ~cos i] B= arcsen(sen gy sen g,) => cosB=.fi—(en gq ~sen gy) Como se tem sengmg~ Ss congnt Ea Efi Gemg, ag «1 Leceng, song vem sentg, wap sent qn =f 2B ‘ cospm1—ZE Brgq+h sts _oe © Micra CAPITULO 5: TeonnoAPosEncumaouia — 309 ¢, portanto, Veauan.P)~[LKe2-P0) gf +(LKe-Pe) gf Pega ~ observando-se que Vig = 0. As equagdes de equilibrio slo, entio, dadas por ya Ke 270) 9+ Pea, 2 xee-Fr0) at seta, -HEai =0 ag, 6 av 2 5 Pe Pe Bqp RO-2P Can + Pl, 2(xe Spe) Sa Fan =0. Introduzindo agora as expanses P AL. ping, + Pg Bea +ararraPae (ignorou-se 0 facto de jf se saber que gf”) = -1)nas equages de equilforio e agru- pando os termos em q,, 97, 9}, é-se conduzido & seguinte sucessfio de sistemas lineares que permitem calcular g{” (termos em q, ~ verificagio), P@) e gf?) (termos em q?) e P® ¢ af” (termos em g}): (i) Céileulo de 9$? (verificagdo) 2 y (E+ Lp) a0 he (fap +2) 4 =0 Gi) Caleulo de PO e gf? (6 com gf? =-1) ¥-(- 3P0) eK ap) # y= (seer SE opt a StU ESMRDADE RURAL ii) Célculo de P® (j4 com gf? = -1; P®) = g =0) Ke Ke yo(apoe AZ op AE ap a0 {pe KE a 18 2 2 ee (sro AE ap +2) p=0 of =0 Ke Ke P ge P(q)=—-— eee ast = Bs akan) =—a1- PUTERERN Texjoctris de pés-encarvadura do modelo. S12 SIsTEMAS ConTiNUOS Apresenta-se agora a teoria formulada por Koiter (5.2, 5.3] para determinar o com- portamento inicial de pés-encurvadura de sistemas estruturais continuos, na vizinhanca da carga critica de bifureagSo, Viu-se em Energia Potencial Total, p. 61 (equagao (2.33)) que a variagio a energia potencial na vizinhanga da traject6ria fundamental de equilibrio (ver Figura 5.1) pode ser escrita na forma AV [uA] = Vln A] = Val }+Valou A+ Valen a] +. eo No contexto da andlise linear de estabilidade ¢ tal como no caso dos sistemas discretos, apenas sereteve 0 termo quadratico V; [1, A], 0 que conduziu & determinagdo das cargas de bifurcagao modos de instabilidade. No Ambito da andlise que agora se apresenta, considera-se também © MeGraw sat CAPITULO 5: Teoma Poe-Excumoinn © termo de ordem imediatamente superior a 2 ¢ ndo nulo (i.e. Vs [uy A] ou, se este for nulo, V4 bus Ad). ‘Viu-se anteriormente (Condigdes de Ortogonalidade, p. 70) que qualquer campo de deslo- ‘camentos cinematicamente admissfvel de um sistema estratural continuo pode ser sempre escrito ‘como uma combinacio linear dos seus modos de instabilidade 1, (conjunto completo de fungGes). &, entio, posstvel dizer que, na vizinhanga do ponto critico de bifurcagdo, se tem u=qu+y, 65 onde q (= 4, (P)) €a amplitude do modo eritico de instabilidade u, e v (=v (x, A)) éum “campo de deslocamentos residual” a determinar. Como € evidente, de tudo o que se disse atrés conclui- se que v contém apenas contribuigées dos modos de instabilidade de ordem superior & primeira. Esse facto permite afirmar que v € ortogonal a u,, Le., que (vet Condigdes de Ortogonalidade, p.70) Wala = Vay] = Va] =0. ss Substituindo (5.5) em (5.4), obtém-se a energia potencial (aproximada) na configurago definida poru = gu; + v, cuja expressio é dada por Vfam +v,A] = Yalan +¥,A]+ V4lquy +v, A}+ Vilqny +v.A], on onde q € v sfo, respectivamente, um escalar e uma fungdo a determinar e se recorda que apenas se considera o termo de 4. ordem quando 0 de 3." ordiem for nulo. Podem obter-se agora as equagses de equilforio do sistema, através da utilizagao do PEEP. Como, para um determinado nfvel do parmetro de carga 2, a energia potencial depende, simultaneamente, dde uma fungo (v(2)) ¢ de um pardimetro (g), conveniente aplicar o PEEP em duas etapas: @_Obtengio dos “pontos” (fungdes) de estacionariedade de V [qu, v, A] para q constante (ie., determinar uma fungio v (x, q, 2)), 0 que requer a utilizagao do célculo das variagbes (ver Anexo A). Gi)__Introdugio da fungéo determinada em (i) na expresso da enengia potencial, perdendo esta 0 cardcter funcional e transformando-se numa fungao de q e A~ V(q, 2). Passa-se, entfo, & obtengo dos valores de q que tomam V (q, 4) estacionéria, para o nivel de A considerado. A correspondente relacdo 2-= A (q) constitu’ a trajectéria de equilfbrio que descreve 0 comportamento inicial de pés-encurvadura do sistema estrutaral Em seguida, apresentam-se, separadamente, os passos envolvidos em cada uma destas etapas. 311 312 esramuoape esRUTURAL Exemplo Mustrativo (Pés-Encurvadura da Coluna de Euler) Considere-se novamente a coluna de Euler, representada na Figura 2.10, cujo com- portamento inicial de pés-encurvadura se pretende agora determinar. Admitindo a hipétese da inextensibilidade axial da coluna, consideram-se as relagées cineméticas Ht ep =u, +503 =0 2 “ Wee k, =~(aresen w,.).q =~ wala tae tal OE ae Mae as quais permitem obter exactamente os termos da energia de deformagdo de ordem nao superior & 4." (note-se que @ = arc sen w,, é a expresso exacta do declive da configuragio deformada da coluna). Introduzindo (5.8) na expresso da energia potencial da coluna (2.38) e tendo em conta que (ver Figura 2.12) a={(- yor dem f (Zg+dng) eo) &se conduzido a Ele 1 ? (1, 1, veoh (vast Ein) as (Gd do a sa) bey a V[w,P}= Val, P]+ Valo, P+ Vg», P) en © Merah CAPITULO S TeowaDA Pés-ExcumapoRs Pretende-se obter a trajectéria inicial de pés-encurvadura da coluna na vizinhanga de P.,= Pp = 1 El/ @, & qual estio associadas configuragbes definidas por w(x, P) = g(P) w(x) + V(x, P) = g(P)) ef sen } v(x,P), (sy onde w; (2) 60 “modo eritico de instabilidade normalizado” da coluna (ver Coor- denadas Principais, p. 12) ¢ v (x, P) 60 campo de deslocamentos residual que se pretende determinar. 5.1.2.1 DETERMINAGAO DO CAMPO DE DESLOCAMENTOS RESIDUAL A determinagiio exacta do campo de deslocamentos residual v (x, g, A) constitui um problema bastante complexo, em virtude de as equag6es variacionais que conduzem as corespondentes equagées diferencias de equilfbrio e gondigdes de fronteira serem altamente nio lineares. Deste modo, apresenta-se aqui unicamente a determinago de uma primeira aproximagiio de v (x, 4, 2), obtida a partit da linearizagdo da respectiva equaco variacional (e., desprezam-se todos os termos da energia potencial de ordem superior a V; {v, 2] € Vx [9 u), ¥, Al). Tem-se, entio, V guy + Al= Vo (guy, Al + Vj Cup v, Al + Vo fv, Ale saa +V5 [qu A+ Voy Lamy, Alo ‘onde (i) se desprezam os termos de ordem v3, q 1 v, etc, (i) se observa que, devido & ortogo- nalidade de uy ¢ v, otermo Vj, [q u,v, A] énulo.e (ii) se chama a atengto para o facto de o termo Vay [@ uy, ¥, A] resultar do desenvolvimento do termo de 3* ordem da energia potencial. Consi- derando agora a variagio de (5.13) emt relacdo a v, &-se conduzido a Vi Lv, 5v, A] +Vo) [gq uy, Ov, Al =O © Vy, Ly, 6, Al = rilguy, 6.4), iy onde, por definigao, as variagies Sv admissiveis so ortogonais am; (Vi {u, 61] = 0€ Vf [ty, 64] = 0), Como se admitiu que o sistema estrutural apresenta um estado linear de pré= -encurvadura, a equagdo (5.14) pode ser reescrita na forma WE 142M) Dy, 6) = ‘nn (qe, Ov, A], (sas) 313 4 Eranamoe Eoin observando-se que o 1,° membro é idéntico ao da equagao variacional dos modos de instabi- Tidade ~ equago (2.52), Esse facto permite concluir que a solug&o desta equago variacional Tinear nao homogénea € da forma ¥ Gg A) = @ v9 (2, A), a6 ficando, portanto, 0 campo de deslocamentos residual perfeitamente definido através do conhe- cimento da fungi vo (x, A). Exemplo Mustrativo Como, no caso da coluna de Buler, se tem V3 [w, P] = 0 (ver (5.11)), 0 segundo ‘membro de (5.15) € identicamente nulo e, portanto, eta equagao ¢ idéntica & equacio variacional dos modos de instabilidade, i.e., conduz & equacio diferencial de equi- Mbrio e condigdes de fronteira (sx) Notando que P est na vizinhanga de P,, = Pz, constata-se que a tnica solugao admisstvel 6 v (x, P) = 0. De facto, (i) se P# Pp, v(x, P) = 0 € a tinica solugiio de (5.17) € Gi) se P= Pg, v (x, P)= 0 6a tinica solugdo admisstvel de (5.17) (0 modo cxitico de instabilidade nao satisfaz. a condigo de ortogonalidade entre v e w; ~ ver 6.6). Deste modo, (5.12) dé lugar a wis Prmaternaain( ese) vn $1.22 DETERMINACAO DA TRAJECTORIA DE EQUILIBRIO A (g) Substituindo (5.16) em (5.5), obtém-se UGG A= Guy) +g M9 A), sa) © McGraw CAPITULO 5: Teoma nA PorEveenvaniRA onde, recorde-se, vp (x, A) € agora uma fungio conhecida © q = q (2) 6a fungéo inversa daquela que se pretende determinar, 4.= A (g). Introduzindo (6.19) em V [u, 2] (5.4) ou (5.7)), acnergia potencial perde o cardcter funcional e passa a ser uma fungdo de q ¢ Z, definida por ‘ Viqa)= Vala +4 %, A]. a0 med Desenvolvendo cada um dos trés termos que ‘constituem 0 2.° membro de (5.20), chega-se &s seguintes expressGes, desenvolvidas em termos das poténcias de q e retendo apenas os termos de ordem inferior ou igual a4, Va Egy +g? Voy A} = g? Va fu, Al+ gt Vo [Yo Ab Vo Cg uy + g? Voy Al = g? Va Lay, Al + G4 Vay Litas Vos A) + ean Ve lai + 9? vol = ot Va lta, A ‘onde se observa que o coeficiente de q?na 1." expressio se anula devido & ortogonalidade entre 1 € Vo, Agrupando agora os termos com poténcias idénticas de q, ver. Vv@a = Vp (q, A) + V3 (q, A) + Va (qs Dy ean onde Vag A) = g? Va (uy, A V3 (q, A) = g? V5 (u, A) 629) Va (gs A) = gh {Ve uy] + Vo [op A] + Vay (ay Yo» AD) Tendo em conta que (i) V2 [tty, A] = (Ac — A) (ver (2.77) € que (ii) se pode mostrar que Vay [ts Vp, AJ = -2V9 vp, 2] [5.4], a energia potencial pode ser escrita na forma ea VOQA)= ep [(- . 315 onde 3 Rag lee + (5.25) 2 a Zo Males A] Valoo. a]. E importante observar que: @)Oconhecimento do campo de deslocamentos residual v (x, 4) apenas ¢ necessério para calcular os termos de 4 ordem (o céleulo dos termos cébicos envolve unicamente u,). Gi) Os coeficientes ae & dependem do parametro de carga 2 (no caso de b, directa e indirectamente, através da forma de v4), 0 que, em rigor, implicaria a necessidade de recorrer a um procedimento iterativo para determinar a relagéo A.(q). No entanto, para ‘uma anélise do comportamento inicial de pés-encurvadura é suficiente calcular ae b para A= dep Utilizando novamente o PEEP, agora aplicado & fungo V (q, A), é-se conduzido & equagio VGA A) asag? +bq3 = eno ee 7) +693 =0, (526 cujas solugGes sio as traject6rias de equilibrio. q=0 (twajectéria fundamental) 1+aq+bq2 (trajectéria de pésencurvadura). Recorde-se que, como se disse atrés, apenas se considera o termo quadritico da trajectéria de pés-encurvadura quando se tiver a = 0. Deste modo, é possfvel identificar os seguintes trés tipos fundamentais de comportamento inicial de pés-encurvadura, os quais esto representados na Figura 5.3: © Bifurcagao assimétrica — a #0 (a > 0 ov a < 0). (ii) Bifureagao simétrica estével —a=0eb > 0. (ii) Bifurcagao simétrica instavel —a = 0e b <0. © Mera Hi CAPITULO & TuomanAPés-Brcomoua 317 ‘Tinos de comportamentoinicil de pés-encurvadura (@ Bifureaglo sssimétrice, (b) Bifurcagio simétriea, (by estavele @,) instavel Exemplo Iustrativo Analisando as equagSes (5.25) e tomando em corisideragio (5.11), conchui-se que, no caso da coluna de Euler, se tem 625) 529) «0 estando o seu andamento representado na Figura 5.4, 318 Eenmmmice Esmuna “Trajetiin do ps-enearvadur da colon de Ee. 5.1.2.3 ESTABILIDADE DAS TRAJECTORIAS DE EQUIL{BRIO Pode agora utilizar-se a condigéo av Oe para determinar a estabilidade das diferentes traject6rias equilfbrio (V = V/2A..,): 0 em @— Trajectéria fundamental (q = 0) >0 = AKhe equilidrio instavel. Gi) Trajectéria de pés-encurvadura ( =ltag+. oa) (il) Bifurcagdo assimétrica (2 dts er ane >0 => a.g>0 equilfbrio estavel 2 og? =0 = g=0 — veraseguir <0 = ag<0 equilibrio instével. © Marat CAPITULO S Thomann PooENcmmnur — 329) (2) Bifureagdo simétrica (- +0) >0 = b>0 equilfbrio estével 0 vera seguir <0 = bZ0 se adg<0 «+ Equilibrio instével (existe sempre uma variagdo cinematicamente admissivel 6g para a qual 637 <0), Gi) Bifurcagaio simétrica 30-27 ay mcoceye PO 7 ~yg4 =O Id oe bo ++ Equilibrio estével on instével consoante se tenha b > 0 oub <0. 52 INFLUENCIA DAS IMPERFEIGOES GEOMETRICAS Pretende-se agora estudar a influéncia da presenga de imperfeigbes geométricas (Geslocamentos inicizis, excentricidades de carga, et.) no comportamento geometricamente nfo linear de sistemas estruturais (discretos ou continuos). Conforme se viu nos Capftulos 1 ¢ 3, ‘a presenga de imperfeigoes geométricas faz com que a trajectéria fundamental de uma estrutura Geixe de ser constitufda por configuragbes de equilforio. Por este motivo, as estruturas “resis” no apresentam bifurcagao de equilfbrio, sendo o seu comportamento caracterizado pela (eventual) 320 Escapaspane ESTUIVRAL ‘ocorréncia de um ponto limite, o qual esté associado ao valor do pardmetro de carga Ay (e< Ae,) corresponde & transi¢ao entre as configuragdes de equilorio estéveis e instAveis. A Figura 5.5 mostra, esquematicamente, a trajectéria de equilibrio de um sistema estrutural imperfeito, O nivel de imperfeigao 6 caracterizado pelo valor do parimetro €, designado por “parémetro de imperfeigao”. 27 Cots ton ‘Trajectoria de equilforio de um sistema estrutural imperfeito, Como € dbvio, a energia potencial do sistema passa agora a depender também do parimetro de imperteicao, ie., tem-se V= V (u, €, A}. No entanto, em 1.* aproximagio (valida para valores de esuficientemente pequenos), é possfvel eserever V{u, & Al = V[u, 0, Aj+e£, [u, A), 632) ‘onde E, [4,2] é um funcional linear em u. Esta aproximagdo corresponde a considerar apenas ‘© termo dominante da contribuigdo das imperfeigbes para a energia potencial (termo do tipo eu). Na andlise que se aborda a seguir admitem-se as seguintes hipétescs simplificativas: (@ Osistema estrutural apresenta um estado linear de pré-encurvadura, o que implica que se pode escrever E; [u, A] = AE, [ul]. Gi) Para e pequenos (<< 1) ¢ A= A, (vizinhanga da carga critica), a energia potencial G estacionéria para u = gm; + g? vp, i €., permanece valida a solugo obtida em Determinagdo do Campo de Deslocamentos Residual (p.313) para o sistema perfeito (u Gq. & A =u (xg, 0, A). © McGraw tit CAPITULO 4: TeomaDA Pos-Encorpuna ‘A edopgiio destas hipéteses simplificativas conduz, através de um procedimento andlogo 30 descrito em Determinagao da Trajectéria de Equilibrio, p. 314, & expresso (aproximada) da cenergia potencial (fiungdo) Vg & Y= V (G0, a) +20, 2g, (535) onde o primeizo termo do 2.° memibro € a energia potencial do sistema perfeito & = E; lu) fren) “Tomando em consideragtio (5.24), a expresstio da energia potencial pode ser reescrita na forma y= heel 2 gz + 2ag3 +2 bgt — 200, Mast)= he Zz Je +509 +39 20 ”q 635) onde 7 0 (:-A)orerrstore as cuja solucdo € a trajectoria de equilibrio A _gtan ste a Be ghee Note-se que, fazendo €= 0 9#0, (5.38) se transforma na trajectéria de pés-encurvadura, obtida na p. 316 para o sistema perfeito (ver (5.27)). Na Figura 5.6 estiio representadas as trajectérias de equilfbrio fomecidas pela equagio (5.38) para sistemas estruturais cujas verses perfeitas apresentam bifurcagées (i) assimétrica (a> 0), Gi) simétrica estavel (a = 0 € b > 0) ¢ (iit) simétrica instavel (a= 0 €b <0). 321 SSIADLIDADE ESTRUTRAL ‘Tiajectérins de equilbrio de sistemas estrunsrais impereitos. @a>0. Wa=0eb>0, Cax0eb<0, E conveniente referir que, para além das trajectérias de equilfbrio representadas na Figura 5.6 (designadas por “trajectérias naturais”, na medida em que so aquelas que se verificam quando a estrutura é submetida a um carregamento proporcional a partir de 4 = 0), a equagdo (5.38) fomnece igualmente as “traject6rias complementares” representadas na Figura 5.7. Estas tltimas twajectorias, cuja existéncia foi comprovada experimentalmente por Roorda [5.5], correspondem a valores de q ¢ € com sinais contrarios (q.£ < 0) e apenas podem ser atingidas se o sistema estrutural for “conduzido” (deslocamentos artificialmente restringidos) até elas. Note-se, ainda, que as traject6rias de equilfbrio dos sistemas imperfeitos (naturais e complementares) tendem assimptoticamente (g >») para as trajectérias de p6s-encurvadura dos correspondentes sistemas perfeitos. ‘Trajectorias naturais e complementares. (@)a>0. @a=0eb>0. (Ca=0ed<0. OMCraw Fit CAPITULO 5 TrowaDAPSs-ENcumMADURA Por timo, deve mencionar-se que, muito embora o procedimento utilizado para a determinago de trajectories de equilforio de sistemas imperfeitos tenha sido apresentado no contexto de sistemas continuos, ele ¢ igualmente vido para sistemas diseretos. A tnica diferenga reside no modo de obter a expresso da energia potencial (5.33) ~ a partir de um sistema de equagdes nao Tineares, sendo q 0 grau de liberdade do sistema com variagao mais significativa 20 longo da traject6ria de equiltprio. Exemplo Hustrativo Admita-se agora que a coluna de Buler apresenta uma configuragio deformada inicial (P = 0) com a forma do modo critico de instabilidade, ie., definida por mm woe) =esen em, Considerando w(x) o campo de deslocamentos adicional (provocado por P), cons- tata-se que, no contexto das hipéteses simplificativas mencionadas atrés, 0 termo domninante da contribuigao de wo(x) para a energia potencial da coluna tem origem na expresso do encurtamento A (ver (5.9)). De facto, tem-se agora A ~ flo +103)? whe] +iwthar= [ (Gas WaWox shed sm ow am de onde resulta, tendo em conta (5.39) ¢ notando que s¢ trata de uma estrutura com um estado linear de pré-encurvadura, ean Viw.e.P]= ¥pw0, 7] fimccos Eas. a Introduzindo (5.18) em (5.42), obtém-se (ver (5.36) ae me on BE fot B tea Fr, so 323 324 Reramoe Esme que, tendo em conta (5.29) e (5.38), conduz.dtraject6ria de equilforio definida por P_ gt (/2eyg =. way Pe ge(ai eye ‘ou, em termos do deslocamento méximo da coluna 6 = 2g / x, por tet (S/£) + (n?/8) (5/2) Pp e+e) fe a qual esté representada na Figura 5.8 ‘Trajectorias de equilforio da coluna de Euler “imperfeita” 5.24 ESTABILIDADE DO EQUIL{BRIO — LEIS DE SENSIBILIDADE. As IMPERFEICGOES A Figura 5.6 mostra que as traject6rias de equilfbrio naturais dos sistemas com bifurcagto assimétrica e simétrica instavel apresentam pontos méximos (pontos limite), os quais correspondem & transigHo entre configuragbes de equilfbrio estdveis e instéveis. O valor do parimetro de carga associado ao ponto limite representa-se por A, € tem-se sempre 2y < A, facto que faz com que aos sistemas estruturais com estas caracteristicas seja atribufda a designagao de “sensfveis as imperfeigdes geométricas”. Como é evidente, para estimar a capacidade resis- tente deste tipo de sistemas € necessério determinara relagdo A, = Ag (€) ou “Iei de sensibilidade as imperfeigdes”. OMG Hi CAPITULO $ TrontADa P-ENcuRVADURA Arrelagto 2y= Ay (€) obtém-se intersectando as trajectérias de equilforio (5.38) com a “fronteira de estabilidade” do sistema estrutural, definida pela condigo ey aq? ° Paie2ag +3042. 46) Determinam-se em seguida as express6es das leis de sensibitidade dos sistemas com bifurcagéo assimétrica (a ¥ 0) e simétrica instavel (a= 0 eb <0): (@) — Bifureagdo assimétrica (a # 0) A _atag? Fg ace a +2aq cequago que conduz, em 1 aproximacio, 2 lei de sensibilidade 1 de i race), Gas) a qual permite concluir que a redugo da carga de instabilidade do sistema 6 propor- cional a ¢” (“lei do 1/2”), Note-se, ainda, que a expresso (5.48) 86 faz sentido se se tiver (a.c.£) <0. (ii) Bifurcagdo simétrica instavel (a =0.¢b <0) 325 340 Brweemwe Erma equagéo que conduz, em 1. aproximagao, a lei de sensibilidade fe Ft =1-3YCDTH (co, sm aqual permite concluir que a redugio da carga de instabilidade do sistema é propor- cional a £% (“lei dos 2/3”). As fronteiras de estabilidade e as leis de sensibilidade as imperfeigbes geométricas dos sistemas assimétricos e simétricos instiveis estio representadas, respectivamente, nas Figuras 5.9 ¢ 5.10. Frontsito de estoblidose oe Trrejectera do pés~encurvedura % TREE oni de esate ele de sesbidae as impeteigaes eum sistema estat assimtio (a>0). Fronteira de estabilidadee lei de sensibilidade is imperfeigées ‘do um sistema estrutural simStico instével, © MGrantitt CAPITULO $: TwomoePosExcunmourn 327 Observa-se que os sistemas assimétricos apenas so senstveis a imperfeigGes que satisfazem a condigao (a.€) < 0.De facto, se se tiver (a.¢) > 0, afronteira de estabilidade apenas imtersecta as traject6rias de equilibrio complementares, sendo as traject6rias naturais sempre estdveis. ‘A mesma situagio ocorre no caso dos sistemas simétricos estaveis, independentemente do sinal de € (todas as trajectérias naturais so sempre estaveis). Exemplo TMustrativo Considere-se o sistema estrutural de 1 grau de liberdade representado na Figura 5.118), qual 6 constitufdo por uma barra vertical rigida (BC) suportada por uma barra inclinada bi-articulada de rigidez axial K = EA / €/2 (AB), O sistema apresenta uma imperfeigho geométrica inicial que consiste numa excentricidade da carga aplicada P, de valor e = e €. t(1-208 8) eben Sistema estraural imperfeito (@) Configuragio iniial. (&) Configuragto deformada, Adoptando para gran de liberdade a rotagao da barra BC (8 ver Figura 5.11 (b)), a variago da energia potencial do sistema entre as configuragbes deformada e inicial 6 dada por KACiy~PA, (ssn 328 Easnsnane Eeraurunat onde Adjg ¢ A so, respectivamente, a vatia¢o de comprimento da barra AB e 0 c=], valores que conduzem as expresses (ver (5.38), (5.46) ¢ (5.48)) 462 x soe trajectéria de equitfbrio 55) P : a fronteira de estabilidade en fe 1-2(3¢ / 4) =1-V3e —_lei de sensibilidade, 60) Na Figura 5.12 esto representadas (i) uma trajectéria de equilforio (e= 0,01) e Gi) ali de sensibilidade as imperfeigdes do sistema estrutural, a ‘i i= AiRiuass (0.0) | | | oor om ‘Comportamento do sistema esirutural imperfeito, (a) Traject6ria de equilforio, (b) Lai de sensibilidade, 330 Esrasuipane Boron, 53 SISTEMAS COM EsTADOS NAO LINEARES DE PRE-ENCURVADURA Até aqui consideraram-se praticamente sempre sistemas estruturais com estados lineares de pré-encurvadura, o que quer dizer que a respectivatraject6ria fundamental UY = U/(2) Pode ser obtida através da andlise linear de estruturas, Deste modo, (i) os deslocamentos, tenses e deformagées variavam, ao longo da trajectéria fundamental, linearmente com o parfimetro de carga Ze (ti) a carga critica de bifurcagdo era determinada por meio da resolugo de um problema linear de valores préprios. No entanto, existem vérias estruturas cujo estado de pré-encurvadura no pode ser adequa- damente determinado com base numa teoria geometricamente linear. A Figura 5.13 mostra alguns exemplos de estruturas com estas caracterfsticas, nomeadamente (i) arcos, (fi) calotes cesféricas, (ii) cascas cilindricas em que a relagdo comprimentolraio é pequena (comprimidas axialmente ou submetidas a pressio externa), etc, iby cD ae ~~ —-F ttret peat 4 aL xerplos de etwas com estas nfo ineaes de pet-sncurvadra Recorde-se que, no Capitulo 1, se estudou jé 0 comportamento do sistema estrutural representado na Figura 5.14 (a) (modelo de um arco articulado nas extremidades e no vértice), tendo-se chegado & conclusdo que a trajectéria de equilfbrio é nfo linear desde o inicio do carregamento e que a instabilidade ocorre por “snap-through” quando se atinge o ponto limite P = P, (ver Figura 5.14 (b)). © Mcrae CAPSTULO 5: TkounpAPorEneuvouns — 337 ‘Sistema estruural com uma trejectéria de equilibeo nfo near E possivel mostrar que, no caso de as barras estarem ligadas rigidamente no vértice (ver Figura 5.15 (a)) e dependendo das caracteristicas geométricas, a configuraglo siméttica do sistema estrutural pode tomar-se instvel para P = P, < P, [5.6]. Esse facto deve-se & ocorréncia de uma bifurcagto de equilforio num modo antissimétrico, conforme estd ilustrado na Figura 5.15(b). © comportamento global do sistema estrutural é, entfio, caracterizado pela existéncia de uma traject6ria fundamental (estaclo de pré-encurvadura) nfo linear, podendo a instabilidade ocorrer por bifurcago de equilfbrio (P, < P, ~ situago representada na Figura 5.15 (b)) ou por “snap- -through” (P, < P,). Sistema exrutral em qu a instbiade pode aco por ‘ifurcago ou “snap (estado nfo lincar de pré-encuriadur). 332 EsTABRIDADS ESRUTORAL 53. EXEMPLO — COMPORTAMENTO DE UM ARCO “ABATIDO” Com 0 objectivo de ilustrar 0 procedimento que conduz & determinagao do comportamento de instabilidade de estruturas com estados néo lineares de pré-encurvadura, considera-se em seguida a andlise do arco “abatido” (h / € << 1) bi-articulado representado na Figura 5.16 ej abordado em Instabilidade por “Snap-Through” (p. 12) (ver Figura 1.12). O eixo do arco apresenta uma configuracio sinusoidal, definida por ~ yo(x)=hsen—, ¢ ea sua secgto transversal tem rigidez axial EA e rigidez de flexio EY. © arco estd submetido a uma carga transversal com uma distribuigao igualmente sinusoidal ¢ dada por Plex) = py sen, soa) PETE eo ataiso" 7 ¢ce 0. Designando por y(x) a configuragdo deformada do arco, a(variago da) energia potencial que lhe esté associada vale 1 “ [fer et + Brig) ae~ fp 9-9) ds ee 2 estando o primeiro termo associado & energia de deformagio (deformagdo axial ¢ flexiio) e 0 segundo ao potencial da forga distribufda. A extensio axial ¢ (nfio confundir com o pardmetro OMG Hl CAPITULO s Teoma DA Pos-ENcURVADURA de imperfeigao, considerado em Influéncia das Imperfeigdes Geométricas (p. 319) erepresentado pelo mesmo sfmbolo) e a curvatura k, sto dadas, respectivamente, por eu dnd 309) dsp ss) onde dsp ¢ ds séo os comprimentos de um elemento de arco antes e depois da deformagto, ‘0s quais podem ser obtidos a partir das aproximagées asy = 9h, axe(t4dg)ar ao a= FF dc (14358) an vélidas para arcos abatidos com deslocamentos moderados. Introduzindo (5.66) em (5.64), obtém-se uma aproximagao da extensio axial dada por dove ty 26g, 13) 208 Pe) oon e-vélida a menos de termos de 4." ordem. Tomando em consideragdo (5.65) ¢ (5.67), a expresso da energia potencial (5.63) passa a poder escrever-se vevpsrel= $f [26%~98.)' B10. ree? de [fr0y—r)de oan De acordo com o PEEP, a determinaco das trajectérias de equilfbrio do arco requer a satisfagzo das condigtes de estacionariedade do funcional definido por (5.68). Vamos aqui resolver esse problema (aproximadamente) através do método de Rayleigh-Ritz, adoptando para fungiio de aproximagao da configuragiio deformada do arco Hla) = (hq) sen tg sen 60 333 334 BeoumansEsroTURAL ‘As duas fungdes de forma utilizadas esto representadas na Figura 5.17 e correspondem, respec tivamente, a uma configuragio simétrica e a uma configuragao antissimétrica, FungSes de forma utlizada na splicago do método de Rayleigh Ritz (@)Configuapto siméuica, (@) Configurago ansimésica. Introduzindo (5.69) em (5.68), é-se conduzido & expressio da energia potencial (Fung40) m4EA EL ¢ V= VG dso) = Gap Camb ta? +403? +a? +1609)~ Poza» 67 sendo importante referir que: @) Por uma questo de facilidade de célculo, se considerou a simplificagiio @ ¢, 2 wa eo S0%-28.) aen[tf ba-o8.)e] (aC, em com $03-x. axe Fag +of+4qb), em ‘© que equivale a substituir, em (5.68), £() pelo seu valor médio &. A parcela antissimétrica da configuragdo deformada nao contribui para o potencial das forgas exteriores, eMecrewith CAPITULO $+ Thon na Pés-Escumaounn Definindo agora os parémetros =4 ah ae a= 4 at te ery o sistema de equagtes de equilibrio do arco pode escrever-se na forma reo e L=AGIH Ra, +(e2 2a, +442) (a, —1) 7 (674) seo © (2a, +0} +4a3)a, +16(i/A)2a, M2 onde ié o aio de giragdo da secgGo transversal. Este sistema possui duas solugdes, dadas respec- tivamente, por in =0 a A= Ail hPa, +0;(a, ~2) (a, -1) 676 (a —1)? + 4a} = 1-164)? A=12G/h)(4/3-a,), as quais definem as traject6rias de equilforio do arco. A primeira solugo corresponde & trajec- {6ria fundamental (a, = 0, :e., a configuragao deformada é sempre simética), a qual apresenta ‘um ponto limite (instabilidade por “snap-through”) para jaf = 1-1 G73) +207 HP] A, = AC / A) af + af (af ~2) (aj ~1). sm Por outro lado, a segunda solugiio corresponde & trajectéria de pés-encurvadura e tem compo- nentes simétrica e antissimétrica (a, #0 € a, #0). intersecglo das duas traject6rias de equilforio fornece as coordenadas do ponto de bifurcaglo, dadas por ~ yl 16(i/ h)? 26 1)2(4 /3—ah) = G7 h)>[4-+ 121-1607 ap em Ue= 335 490 EsnimioaneEsroTuRAL ie., em termos de po, A ELh e [1+ 3yi= 160TH]. (my B= Deste modo, é possivel concluir-se que, desde que af e/ou a? sejam niimeros reais, a instabi- lidade do arco pode ocorrer (i) por bifurcagio de equilforio (a < af) ou (ii) por “snap-through” (af < af). Na Figura 5,18 (a) esto representadas, no espago A— ay ~ dz, as trajectérias de cequilfbrio de um arco caracterizado por af < af. As Figuras 5.18 (b,) e (b;), por sua vez, mostram as projecgdes dessas traject6rias, respectivamente nos planos 4—a; ¢ A~ ay “Trajectérias de equilfbro do arc. (a) Expago Aaya, (0)) Plano Aa}, (by) Plano A~ ay © MeGraw Ha CAPITULO S Taos DA Pés-ENcunnuRA 84 DESENVOLVIMENTOS DA TEORIA DA POs-ENCURVADURA Conforme se referiu anteriormente, abordaram-se neste capitulo o$ fundamentos © a aplicagdo das anélises nfo lineares de estabilidade, também designadas‘por anélises de pés- -encurvadura, Em particular, estudou-se com algum pormenor wma teoria da pés-encurvadura (@ mais simples), valida para: @) —_Estruturas elésticas lineares, Gi) Traject6rias de pés-encurvadura que emergem de um ponto de bifurcagio “suficien- temente afastado” dos restantes ¢ associado a um tinico modo de instabilidade. ii) A fase inicial (vizinhanga do ponto de bifurcagto) das trajectérias de pés-encurvadura. Como é evidente, no caso de (i) as estrunuras que se pretende analisar e/ou (ji) os resultados que se deseja obter néo se enquadrarem nestas condigGes, € necessério recorrer a teorias de pés- encurvadara mais complexas ¢ que conduzem & formulago de problemas nfo lineares cuja Tesolugdo s6 6 possivel através do recurso a téenicas numéricas reletivamente sofisticadas. Muito embora o seu estudo esteja fora do Ambito deste livro, é importante chamar a atenglo para a existéncia de teorias de pés-encurvadura que permitem resolver problemas em que estéio envol- vidos, isolada ou conjuntamente, aspectos relacionados com: () A andlise de estruturas constituidas por materiais elasto-plisticos [5.6, 5.7]. Gi) Oestudo de trajectérias de pés-encurvadura caracterizadas pela ocorréncia de interac- ‘ao entre dois ou mais modos de instabilidade [5.6, 5.8] Gi) A determinago de comportamentos de pés-encurvadura associados a “grandes des- Jocamentos” (comparados com a geometria da estrutura) (5.6, 5.9}. iv) A consideragio de imperfeigbes caracterizadas por distribuigbes estatfsticas, 0 que permite obter leis de sensibilidade &s imperfeigbes com carécter probabilistico [5.5]. 337 338 Eonanpane BsmiruRa PROBLEMAS PROPOSTOS Sat 52 Considere o modelo estrutural representado na Figura PS.1, 0 qual é constitufde por barrasrigidas (AB, BC e CD) e molas de rotagto elésticas (rigidez.K) ¢ esté sujeito a0 cartegamento indicado, Tomando para graus de liberdade as rotag6es das barras ‘AB (gq) € CD (g,), determine a trajectria inicial de pés-encurvadura do modelo, associada a P,, para (a) € ry = €0 (0) €, = 6, = be y= 26. Considere o pértico simples representado na Figura 5.2, o qual é constitufdo por dduas barras idénticas (comprimento ¢ ¢ rigidez. de flexdo EI) esté submetido ao catregamento indicado. Tomando para grau de liberdade a rotago softida pelo né B (Positiva no sentido retrégrad), determine a trajectéria inicial de pés-encurvadura do pértico associada & carga critica de bifurcagio, ee McGrew CAPITULO 5: TeonADAPO®-ENcuRMoURA 339. 5.3-4. Considere os dois modelos estruturais de um grav de liberdade representados nas =n Figuras P5.3 e P5.4, os quais séo constitufdos por barras rfgidas e molas elésticas € est8o submetidos aos carregamentos indicados. Para cada um deles: 8) Uiilizando 0 angulo de rotagfo @.como grau de liberdade, determine atrajectéria inicil de pés-encurvadura ¢ a fronteira de estbilidade, 1) Admitindo a presenga de uma imperfeigao geométrica (@ = 8 quando P ‘determine a tespectva lei de sensibilidade, 340 Esinpnipaos Esraurona, 55 56 A primeira variacfio da energia potencial de um sistema estrutural eléstico € dada por ove AP Bu CP Pop sy onde A, Be Csio constantes positivas ¢ ¢ 6 um pequeno parimetro de imperfeigio. Os valores de P e P., correspondem, respectivamente, & carga aplicada e A carga critica ideal do sistema e u 6 uma coordenada que define completamente a confi- ‘guragdo deformada do sistema estratural. Admite-se que a seguranga do sistema nfo permite deslocamentos superiores au, |u| u,. Deste modo, a carga de cola- pso P, pode ser atingida por instabilidade ou pela ocorréncia de deslocamentos excessivos. Determine 0 valor do parimetro de imperfeigdo e* para o qual ocorrem, simul- taneamente, a instabilidade e a transgressto do limite méximo imposto 20 deslo- camento, Qual o valor da comrespondente carga de colapso PS? Para o arco abatido analisado na Secglo 5.3.1 determine qual a relaglo entre os valores da rigidez de flexto (ED) e da rigidez axial (EA) que corresponde & ocor- réncia simultanea de instabilidade por bifurcagao e instabilidade por “snap-through”, OMeCraw-Ht CAPITULO 6 ‘ABILIDADE DE ESTRUTURAS LAMINARES 61 INTRODUCAO A designago “estraturas laminares” abrange todas as estruturas cuja geometria, se caracteriza pela existéncia de (i) uma superficie média S, definida por duas coordenadas cur- viltneas (x,y), e de (i) uma espessura t, medida segundo a normal a essa superficie (2), conforme se mostra na Figura 6.1. strutura laminar genérica, #2 Emon anioe Ermira As estruturas laminares representam-se, habitualmente, pela sua superficie média e classificam- -se segundo os valores que as curvaturas principais (z, = 1/R,€ %, = 1/R,) apresentam nos diferentes pontos de S. Assim, por exemplo, uma estrutura laminar designa-se por: @ — Casca, se existirem curvaturas principais 7, € 2, diferentes de zero em pontos da superficie média (caso mais gral) Gi) Placa, se ambas as curvaturas principais 7, ¢ 7, forem nulas (Le., ambos os raios de curvatura R, ¢ R, infinitos) em todos os pontos da superficie média. ii) Casca cilindrica, se uma curvatura principal for mula e a outra constante em todos ‘os pontos da superficie média. Deste modo, tem-se, em qualquer ponto de S, R, =» (tq =0) eR, = R (constante) ~ x e y designam-se, respectivamente, por “coordenada axial” ¢ “coordenada circunferencial” da casca cilindrica (Figura 6.2). REMI severe nia. a uma case cine Neste capitulo estuda-se o comportamento geometticamente ndo linear de placas ¢ cascas cilfn- dricas, abordando-se aspectos relacionados com (i) 0 célculo de tens6es de bifurcagio ¢ modos de instabilidade (andlise linear de estabilidade) e (i) a determinagZo do comportamento de pés- -encurvadura associado a tensdio critica. E importante sublinhar, desde jé, a importincia que os problemas de estabilidade de placas (sobretudo) e cascas tém no projecto de estruturas metélicas, nomeadamente estruturas de aco. Refira-se, por exemplo, que todos os problemas de encurvadura local associados ao comportamento de painéis reforgados — elementos estruturais presentes em (i) almas de vigas de alma cheia de tabuleiros de pontes mistas ago-beto Figura 6.3 (a)), (ii) banzos de tabuleiros de pontes em caixao (Figura 6.3(b)), (iii) almas de vigas de construgées industriais, etc~ so, fundamentalmente, problemas de estabilidade de placas. © MGronit CAPITULO 6 Eemmninios os Eerunvaas Lawnancs Por outro lado, sabe-se que o dimensionamento de barras com secgio de parede fina (e.g., colunas tubulares ou vigas enformadas a frio) é feito no chamado dominio pés-critico, o que significa ‘que € contabilizada a resisténcia de pés-encurvadura des chapas que constituem essas barras (ps-encurvadura local). CConfiguragdes de tbuleiros de pontes mistas ago-betio, (a) Tabuleiro com duss vigas de alma cheia, (b) Tabuleiro em caixio. O tratamento dos problemas de estabilidade de estruturas laminares aqui apresentado baseia-se numa das mais simples teorias geometricamente nfo lineares formuladas para a andlise de placas € cascas finas ~ a “Teoria de Donnell-Mushtari-VIasov” (também conhecida por “Teoria DMV") [6.1]. Abordam-se em seguida, de uma forma muito sucinta, as hipéteses e equacdes fundamentais da teoria DMV. Os passos principais da derivagio dessas equagSes so apre- sentados, com algum pormenor, no Anexo C, Atteoria DMV adopta as hipsteses fundamentais da teoria classica de cascas formulada por Love [6.2], as quais consistem em admitir que: @ As fibras normais & superficie média da casca, antes da deformago, permanecem nommais a essa superficie, apés a deformagao. Gi) Pode desprezar-se a tenstio normal que actua segundo a direcgo perpendicular & super- ficie média da casca, As “tenses generalizadas” da teoria DMV designam-se por (i) esforgos de membrana ¢ (ii) momentos ¢ sto definidas pelos vectores IN} = {NNy No) ( (A) = (My My My), ey 3483 344 Berapnsoass eran 18 quais estto referidos & superficie média da casca, As comespondentes “deformacbes gene- ralizadas” sto as deformagées (i) de membrana e (ii) de flextohoredo, definidas por {8} = (Ep Gy 285) 63, {2} = oe Ky ay) 64 A expressiio da energia de deformagio eléstica da casca pode escrever-se na forma 1 U2 Uy + Uy =f UNIT) HOT 2) aS, 69 onde Uye Uy representam, respectivamente, as parcelas associadas as deformagées de mem- brana e de flexio/torgo, No que respeita as relagbes cineméticas (deformagSes-deslocamentos), clas sHo definidas, para cascas ciltndricas, pelas expresses €, =U, +>W? Was oo, yo =4 GVWR My a 1 = £y = Uy 4%) ay = Way ro) onde {U, V, W) 60 vector dos deslocamentos de um ponto genético da superficie média da casca , a partir de agora, 0s indices das componentes do campo de deslocamentos designam derivadas parciais ({e., tem-se, por exemplo, V, = 0V/ dy, W., = dW /Axdy, etc.). Chama-se ainda a tengo para 0 facto de estas relagdes se aplicarem igualmente a placas (basta fazer R = =). As relagdes constitutivas da teoria DMV so semelhantes As utilizadas nos estados planos de tensfo ena teoria elistica das lajes e podem representar-se por {N}=ClH){e} {M} =D{H]{z), «s onde as constantes C (tigidez de membrana) e D (rigidez, de flexio) e a matriz [#1] (matriz. das constantes elfsticas) sfo dadas, respectivamente, por Et imo EB 12(1- 0?) (610) OMG Hi CAPITULO 6 EsvaansoAne x Beravronas LaManes lv 0 [A]J=|v 1 0}. any oo ie 2 As grandezas E € v sio, respectivamente, o médulo de elasticidade e 0 coeficiente de Poisson do material, Introduzindo as relagdes constitutivas (6.9) em (6.5), obtém-se U=Uy+Uy = = ¢fter+ e+20e,2, +20-we41as+2 rt $B +20H, My #20-V)f. gy) dS. (610 Conforme se referiu atrés, o Anexo C contém uma detivagio mais pormenorizada das equagdes (6.1) a (6.12) aqui apresentados. 62 ESTABILIDADE DE PLACAS 621 ANALISE LINEAR DE ESTABILIDADE 62.1.1 ENERGIA POTENCIAL Considere-se a placa genérica representada na Figura 6.4(a), a qual se encontra solicitada, no seu plano médio, por forgas distribufdas ao longo do contorno, De acordo com a teoria geral da estabilidade linear de sistemas continuos, apresentada em Sistemas Continuos, . 60, efectua-se a decomposi¢do do campo de deslocamentos U=Uf+u VeWev any WeWiew=w, onde Uf, VFe W sio os deslocamentos associados & trajectéria fundamental (estado plano de tensiio) -traject6ria associada a uma configuragdo plana da placa (WY/ = 0) ¢ ao longo da qual as tenses, deformagies e deslocamentos variam proporcionalmente ao parimetro de carga A (Figura 6.4(b)). 345 340 Bsasnmxoe EoreorimaL Ve Trojectéria. fundamental Trojectérie de pée~encurvedura Placa de forma arbitrtia soliitada no sea plano médio. (#) Geometriae carregamento. (b) Trajectrias de equiltbrio, Desenvolvendo a (variagao da) energia potencial total em série, em tomo da traject6ria funda- mental, esta toma a forma Viv, ALS Va bd + Ve bed a Va belts, (an onde se observa que, de acordo com a teoria geral, o termo linear se antula, Note-se que, no caso particular das placas, este termo contém a contribuigio das forgas exteriores para a energia potencial. Este facto pode ser ilustrado através da placa representada na Figura 6.5, cujo potencial das forgas exteriores vale Ye=-flauar-quolay=-Pa [iu ded=-[ (gu dedy caw +——+ ato) ae a) > oo 1 imo cn Exemplo de ume plac slictada no seu plano médio. (q~ forg distribua por unidade de comprimento do contomo) OMG CAPITULO 6 Esmmuanene Esracrunas Lanonanes Para ser possivel exprimir a energia de deformagdo eldstica da placa (6.12) em termos dos deslo- camentos, & necessério introduzir (6.13) nas relagGes cineméticas (6.6)-(6.8). Apresenta-se aqui, a titulo de exemplo, a expressio do termo de (6.12) correspondente a €2, a qual é da forma ef Up+U ME + tis = (UL +u,) +(UL+u,) we rbd = =u? +U{w2 + termos independentes de u, w + + termos de 1.*, 3." e 4" ordem, Note-se que, ao efectuar a andlise linear de estabilidade de uma placa, € suficiente considerar os termos de 2." ordem (em u, ve w). Além disso, os termos lineares (e.g., 2U{ u,) contribuem apenas para o termo Linear, o qual, como se viu no Capftulo 2, ¢ identicamente nulo. Procedendo analogamente para aos restantes termos presentes em (6.12), obtém-se a expressio do termo quadrético da parcele da energia de deformagdo associada as deformagSes de membrana, dada por (A é a Area do plano médio da placa) + yA € Up =F fa tyg +20 my, + (uy + vy)? + 2 + (uf sov{)w3+(vf +0 Uf)w2+ 610 +0- vfs +v/)w,w, ] aa. Como a trajectéria fundamental da placa constitui um estado linear de pré-encurvadura, para o qual siio vélidas as relagSes constitutivas dos estados planos de tenséo, os esforgos de membrana a0 longo dessa traject6ria so obtidos através de Ni =c(uj +ovf) Nf =C(Vvf +0uf) wn BT 348 Eempuinane EemeorunaL Introduzindo (6.17) em (6.16), chega-se d expresso 1-0 op Ef fut er +204, + (ay +7? aa 2 (oa) Ef [doe +Nfw3 +2NL wy]. No que respeita a parcela da energia de deformagdo associada ds deformagées de flexdo/torgo, a introdugao de W = w na segunda parcela de (6.12) conduz a Uy =U 2 J, [ore 3, +20 warm +20 wpa] aA. 9) Combinando (6.18) com (6.19), conclui-se que o termo quadritico de (6.14) & dado por Vy = UY +Uf = c 2 2 2402 yy)? [d+ ia v3 +20u,v (uy vo as (620) +t J,ndwg + fog +24, wy, ]aae D +5 Je +03, +20 WeWyy $20-v)w3, ] dd. 6.2.12 EQUACOES VARIACIONAIS DOS MopOs DE INSTABILIDADE A observagiio da equagdo (6.20) mostra (ver Anexo A) que o termo quadrético da energia potencial da placa € um funcional com duas varidveis independentes (x e y) ¢ trés varidveis dependentes (1 (x,y), v (x, )) € w (x9), a8 Guas primeiras presentes até as primeiras da energia potencial (SV, = 0) (ver Anexo A), dadas por 0 a 1-va 2, sored une] a 1-v a Ze, today sof 0 ean DV4w= (NE, ING Wy + NEW, © McGraw CAPITULO 6 Emamupabe oe Eervronss Lanenanes onde V4Ww 2 Wyaoe + Wyyyy +2 Weng OS modlos de instabilidade da placa sto as solugGes deste sistema de equagGes diferenciais, as quais podem ser reescritas na forma Next Noy 2 Noa Nyy 623) DVSw— (NE egg + NG Wy + NE Wy) =0, (629 onde N,, N, € Ny 880 0s esforgos de membrana associados a um modo de instabilidade. Observe- Se que as equagies (6.22) e (6.23) néio dependem de w e exprimem apenas o equilfbrio no plano médio da placa, Por esse motivo, no € necessério consideré-las quando se pretende determinar tenses de bifureagdo e modos de instabilidade. 6.24.3 TENSOES DE BIFURCACAO E MopOS DE INSTABILIDADE, A utilizagdio da equacio (6.24), conjuntamente com as condigdes de fronteira apro- priadas, conduz directamente & determinacto das tensGes de bifurcagdo e modos de instabilidade de uma placa, Os esforgos de membrana Nf, Nf e NL, constantes ou varidveis ao longo da placa, so obtidos através da anfllise do estado plano de tensfo associado A trajectéria funda- ‘mental — placa solicitada por forgas distribufdas na fronteira e actuando no seu plano. Esses esforgos dependem linearmente des forgas aplicadas, as quais se admitem proporcionais a um parmetro de carga A, Exemplo Mustrativo (Placa Rectangular Submetida a Compresséo Uniforme) Considere-se a placa rectangular representada na Figura 6.6, a qual esté simples- ‘mente apoiada em todos os bordos. A placa tem largura b e comprimento a e esté submetida a uma compressio axial uniforme (definida pela tensio aplicada ~ A= 0) que actua ao longo dos bordos x = 0 e x = a, conforme esté indicado. 349 350 Esrsnnmpe Bement Placa simlosmente apoind submetde «compress uniforme As condigdes de fronteira da placa so W=Wy=0 em x=Qa 25) W=W,=0 em y=0,b ¢, a0 longo da trajectéria fundarnental, a placa est4 submetida a um estado plano (uniaxial) de tensio definido por (¢ é a espessura da placa) Nf =-on 626 Nf = NE =0. Introduzindo (6.26) na equag4o variacional dos modos de instabilidade (6.24), obtém-se DV4w + Ot W,, = 0. 2 As solucdes de (6.27) que satisfazem as condigGes de fronteira (6.25) podem ser escritas na forma de uma série dupla de Fourier, semethante & utilizada na andlise linear de lajes (solugio de Navier [6.3]), ie., W(X Y= YY Wy sen EE sen 2, 25) @ PMecrew HA CAPITULO 6 EmspumorezsmummsLomuns 357 ‘onde Wy, S80 coeficientes a determinar, Introduzindo (6.28) em (6.27), chega-se a 2 2% Qa? val +2) otro Jp. en : ‘equago que permite obter 0s valores dos coeficientes W,,, Tem-se, entio: o ~ traject6ria fundamental (solugio trivial). (i) Wy indeterminados ~ existe um modo de instabilidade com m semi-ondas ongitudinais en semi-ondas transversais, ao qual esté associada uma tensio de bifurcagao o{""), cujo valor corresponde ao anulamento do “coeficiente” de Wy, (termo entre parénteses) em (6.29), ie. re (1) st) mE op = Kuna 5) («30) fi mals) ; . onde 2a? yg n(mb 8) con amb Para obter o valor da tensto critica de bifurcacao 0, énecessério determinar qual a combinagdo de valores de m en que minimiza o valor de of", L@., de Kyuy- Observa-se que, independentemente do valor de m, 0 menor valor de Kya, COmeS~ ponde sempre an = 1 (uma tinica semi-oncla transversal). Definindo entio 2 Kn (ndste) 7 63a amb o valor de o,, obtém-se a partir do valor de m que minimiza 0 segundo membro desta equago. A Figura 6.7 mostra a vatiagio dos “coeficientes de encurvadura” K,,com a relagio a/b, para varios valores de m (m=, .., 5). 934 Estar Esra Ken Vaviago dos ceficiente de encurvadura com arelaga0 a/b. E importante observar que, para a > 4b (placas “longas”), se tem K,, =4. Alterna- tivamente, pode ealcular-se este valor tratando m como uma variével continua € determinando o valor minimo de K,, = Kin), através da condigao Ky - 3 Introduaindo (6.32) em (6.33), obtém-se mao > Kyig KA, 35 ‘© que quer dizer que uma placa longa encurva com semi-comprimentos de onda Jongitudinais iguais a sua largura, conforme mostra a Figura 6.8, Tem-se, ent, que on= KBE (1) 2 BE (HY a or 12d v2)\b) 30 v2)\b) * © Mcrae Hat CAPITULO 6 Estmsonon ox Esrvronas Lavcoaes Refira-se que, como se verd mais adiante, este resultado é de grande utilidade para a andlise do comportamento local de barras com secgdo de parede fina, o qual depende das caracteristicas das chapas que as constituem. t ve ¥2(w) Modo de nstailidade de um paca longa 6.2.14 METODOS NUMERICOS dimensionamento de estruturas metélicas requer, frequentemente, 0 conheci- mento da solugao de problemas de andlise linear de estabilidade de placas (valores de tenses criticas e configurag6es dos correspondentes modos de instabilidade). Muito embora existam solugdes anaifticas para problemas simples (em termos de condigdes de apoio e/ou carrega- mento), a resolugao dos problemas com maior interesse prético envolve, obrigatoriamente, © recurso a métodos numéricos (aproximados), tais como (i) o método de Rayleigh-Ritz, (ii) 0 método de Galerkin ou, sobretudo nas situagdes mais complexas, (ii) o método dos elementos finitos (MEF). Como os fundamentos destes métodes foram jé estudados no Capitulo 2 (p. 92 ap. 115), apresentam-se aqui unicamente exemplos ilustrativos da sua eplicagio a problemas de places. ainda importante mencionar que é possivel encontrar, na literatura especializada (¢.g., (64, 6.5)), um grande niimero solugdes de problemas de estabilidade de placas, as quais foram obtidas numericamente e correspondem a diferentes casos de carga € condigdes de apoio, Em particular, saliente-se que a referéncia [6.5) contém solugdes de varios problemas com grande interesse para o dimensionamento de estruturas metélicas. 524 esrvmmsosneBemuroRa PLACA ENCASTRADA SUBMETIDA A COMPRESSAO UNIFORME ~ Méropo DE RAYLEIGH-RITZ Considere-se a placa quadrada representada na Figura 6.9, a qual esté encastradaem_ todos os bordos. A placa tem largura b e espessura re esté submetida a uma compressio axial uniforme, definida pela tenséo aplicada o (A= 0), que actua 20 longo dos bordos x = Oe x= b, conforme esté indicado. Placa encaStada submetide a compresso uniforme. As condigdes de fronteira da placa (todas cineméticas) sto W=W,=0 em x=0,5 W=W,=0 em y=0,b €, como se admite que os apoios permitem deslocamentos no plano da placa, os esforgos de membrana ao longo da trajectéria fundamental valem sn © MsGram it CAPITULO 6 Esamupanens Brmurunas Livanss Tal como sucedia com os deslocamentos axiais das colunas (ver Equagdo Variacional dos ‘Modos de Instabilidade, p. 65), ao detesminar tensGes criticas ¢ modos de instabilidade de placas pode desprezar-se a contribuigio dos deslocamentos de membrana (u ¢ ¥) para o termo quadrético da energia potencial. Deste modo, basta considerar os termos de (6.20) que envolvem unicamente 0 deslocamento transversal (w), os quais estio na origem da equagao diferencial (6.24). A este respeito, recorde-se que as equagbes (6.22) ¢ (6.23), resultantes dos termos de (6.20) associados a we v, (i) nfo dependem de we (ii) exprimem apenas 0 equilibrio no plano da placa, Tomando em consideragio estas observagées ¢ introduzindo (6.36) em (6.20), obtém-se Lpb pe ¥3bv.e] =3h Lp {D[W% +03, +20 Wy iy +20-vyw,]-onwt}de dy, caw Adopta-se para aproximagio do modo critico de instabilidade (W= w) WaY=G WiCoy) coy onde q é 0 grau de liberdade do sistema discretizado € se observa que todas as condigdes de fronteira (6.36) sto satisfeitas, Substituindo (6.39) em (6.38) e efectuando as integragSes cor- respondentes, chega-se & fungio ony a qual toma valores estacionérios (@V, / 0g = 0) para: @ q+ 0~ trajectéria fundamental. 32. Dat ideterminado eo = G)_qindeterminado ¢ o = OE Obtém-se, entéo, um majorante da tensfo critica de bifurcago da placa, de valor Oe K an RE ( 2 Td-o iJ erin e cerca de 6% superior ao valor exacto (K,,= 10,07 [6.4). 355 PLACA SIMPLESMENTE APOIADA SUBMETIDA A CORTE PURO - METODO DE GALERKIN Considere-se a placa quadrada (largura be espessura i) representada na Figura 6.10(a), a qual esté simplesmente apoiada em todos os bordos e se encontra submetida a tensGes de corte + (2 = 7) aplicadas ao longo do seu contomo. A Figura 6.10(b) ilustra uma aplicagio prética deste problema (placa submetida a corte puro) ~ 0 estudo do comportamento de painéis de alma situados junto dos apoios de vigas metdlicas. Nos painéis de extremidade, onde as tenses devidas ao momento flector sto praticamente nulas, as tensdes prineipais de compressiio (oj; = —1) ¢ de tracgiio (6; = 1) estiio orientadas segundo as direcgdes das diagonais (i.e., fazem 45° com os bordos — ver Figura 6.10 (c)). A instabilidade ocorre quando as tenses tangenciais 1 (e, consequentemente, as tensGes de compressio por elas induzidas) ‘atingem um valor critico 1,, e 0 modo correspondente apresenta semi-ondas segundo as direcgdes das diagonais do painel (menor comprimento segundo a diagonal comprimida), conforme est ‘esquematizado na Figura 6.10(b). RR]! | Sete STi, I I so\ mado de intabidose | a a («Place simplesmenteapoiada submid «cote poo, (©) Viga metdlioa com seogdo em L (@) Paine! de extremidade junto a0 apoio B. OMeGrow ht CAPETULO 6 Esnnuipaoe pe Bsmamnas Lawnanes As condigGes de fronteira da placa (cineméticas ¢ estaticas) so weW, oa ¢, admitindo que as tensdes Testo uniformemente distribufdas ao longo dos bordos, os esforgos de membrana na trajectéria fundamental valem 6a) fan NE=-te, Utiliza-se o método de Galerkin, adoptando para aproximagio do modo de instabilidade WY) = 41 Vi OY) + 42 2% Gas) onde as fungdes yj © Y4 sto dadas pelas expressbes nx RY 9) sen 22 sen 2 via» 5S 0s) ean 2EX DRY Yo (ay) = en son = © satisfazem todas as condigbes de fronteira (6.42). Introduzindo (6.44) em (6.24), obtém-se 0 resid 126, ds Gas 1) = LW, T= DVD + 271. 46) As correspondentes equages de Galerkin sto BR rey 41 40. alas) ar dy =O oan Bre .4 0.2 yaley) ae dy=0 357 38 Eeaamineon Esme e conduzem, apis efectuar as integragSes necessérias, ao sistema de equagbes ae 2 be 9D nh : an 32 By sp cujas solugGes so: @) 9, = 4, =0~traject6ria fundamental, Gi) 9, = -0,405 gy (vector proprio — modo de instabilidade) para ; 2 16x38 _(32,,V 9 (0) oO \oD A condigdo (6.49) fomece uma estimativa (majorante) da tensao critica, de valor top = Kae (sf com K=111 so oe DVS cerca de 16% superior ao valor exacto (K, = 9,34), 0 qual pode ser obtido utilizando a série dupla de Fourier (6.28) (a = 6) e considerando um niimero bastante elevado de termos [6.4]. Cbservase, assim, que, 20 contrétio do que sucede nas placas submetidas a compressio (uni- forme ou Tinearmente varisvel) aplicada ao longo de dois bordos, a uilizago de fungBes de aproximagGo com poucos termos (utilizaram-se dois em (6.44)) concuz, em placas submetida a corte puro, a resultados com erros aprecidveis (as solugSes aproximadas so bastante mais “rigidas” do que a solugio exacta). MfTopo Dos ELEMENTOs FiniTos (MEF) Deve comegar por referir-se que: @ A aplicagio do MEF a anélise linear de estabilidade de placas segue os prinefpios gerais apresentados e discutidos em Método dos Elementos Finitos, p. 99. eMcrae Hi CAPITULO & EeauowpooeEsrares Lomas 359) Gi) Existem, na literatura e em programas comerciais, diversos elementos finitos de placa formulados com base em teorias geometricamente nio lineares, os quais apresentam diferentes niveis de complexidade e eficécia (6.6). (ii) Se aborda aqui unicamente a formulagio e a aplicagdo de um elemento finito bastante simples, proposto por Melosh [6.7] e representado na Figura 6.11 O elemento de Melosh é rectangular e tem 4 nés e 12 graus de liberdade (3 g.1. por né — duas rotagies W,,, Wi, € um deslocamento Wem cada n6 i= 1, ... 4) 0 vector dos deslocamentos nodais do elemento {@*), de dimensio (12 x 1), é dado por {O°} ={,, 2, Os, 24}, «sy onde os subvectores {Q;} so definidos por W, ‘ys {Qi {Wye Wiys Wi) com i (osm correspondente vector das forgas nodais {F*}, também de dimensio (12x 1), € (POSH. ALB A, «s onde os subvectores {F;} sto agora constitufdos por momentos M,; ¢ M,, ¢ forgas normais a0 plano da placa P,, ie., Fe (My My; Pi) com 15 Ly a4. sso Em andlises (geometricamente) lineares, os vectores elementares (F*) e (Q*] relacionam-se através da matriz de rigidea. “linear” do elemento (K¢], ie., tem-se LF} = [Ke] {0°}, (635) € 0 equilforio global da estrutura requer que sejam satisfeitas as equagdes do sistema [IK] {Q} = {F}, (656) onde {Q} e (F} so os vectores de deslocamentos e forgas nodais de toda a estrutura e (K] 6a correspondente matriz de rigidez global, montada a partir das matrizes dos elementos, Recorde-se que, ao estudar, em Sistemas Discretos (p. 44), a andlise linear de estabilidade de sistomas discretos, se escreveram os deslocamentos Q; na forma (ver equagio (2.4)) = Of +4, «sn conde q; so os incrementos dos deslocamentos generalizados (note-se que, no caso particular das lacas, se tem Qf = 0). Por outro lado, viu-se também, em Método dos Elementos Finitos, p. 99 e 215, que as equagdes de equilfbrio associadas aos modos de instabilidade de estruturasreticuladas (Colunas e pérticos) (2) com estados lineares de pré-encurvadura e (i) “discretizadas” por meio do MER, se representam por (ver (2.159)) [K-AG} (g) =0, es) onde 4.é 0 parametro de carga e (J ¢ [G] sio as mattizes de rigidez linear e geométrica da estru- tura, montadas a partir das matrizes dos elementos de barra ([K¢] e [G*D. Utiliza-se aqui o método de Rayleigh-Ritz para obter as matrizes de rigidez [Ke] e [G*] do elemento finito de Melosh, o qual adopta como aproximago do deslocamento transversal (W = WSs ww) WH (x,y) =a, +a x tay + agx? + asxy + agy? + azpB+ 39) Fag yt agxy? + ayy + ay By + ayy xy, © Merah CAPITULO 6 Bsvasunoe oe Esriumvpas Lauuncs ‘onde as constantes a; (j = 1, .... 12) se relacionam com os (incrementos dos) deslocamentos nodais qf por meio de (6.52) e das “condigées de fronteira” do elemento em cada n6, Para obter essa relagdo, 6 necessério resolver, em ordem aos a; (i.e., a {a}), 0 sistema de 12 equagdes lineares [eo] fa}={a"}, 600, onde [al] é uma matriz de constantes, Substituindo {a} em (6.59), é-5e conduzido a uma aproxi- magio do deslocamento transversal com a forma =A) (g), 661) ‘em que [A] é uma matriz cujas componentes slo fungGes das coordenadas xe y. As correspon- entes rotagGes nodais so dadas por {B}= {i )" = [8] {0}. en onde a matriz [B], de dimensao (2 x 12), € definida por aa asl” {EF xs No que respeita as curvatures (deformagdes generalizadas do elemento de placa), estas so dadas por [3] Way “Wy. 2g} = [C] {ars onde a matriz [C], de dimensio (3 x 12), € definida por (c {BA A Bay" Pe Ox?" Gy?” Gray” : A expressiio da forma quadrética da energia potencial do elemento finito, na qual se baseia a analise linear de estabilidade da placa que se pretende efectuer, tem a forma SMe 4Myty +My fy) dA, + 66, +) One 4N{i} +2, WW) dA,, 361 soe Beipuoape Berurema, onde A, ¢ a érea do elemento finito ¢ os momentos M,, M, ¢ M, estdo relacionados com as curvaturas através da segunda relaco constitutiva de (6.9). Definindo a matriz Ni NE wn| - | sn NS Ny incorporando-a na equagio (6,66) e passando a designar a matriz “D (H]” simplesmente por “(HY)” (ver (6.9), a referida equagao (6.66) pode ser reescrita na forma v=, (a) AN rh +f, (0Y {8} a. oo Introduzindo (6.62) ¢ (6.64) em (6.68), obtém-se Vex Har) {[e1+163} fo, a onde [K*] e [G4] so, respectivamente, as matrizes de rigidez linear e geométrica do elemento, definidas por Ike]= J, [CY tall aa, 0 [e]= JT) {B] 44,. 60 A partir do conhecimento das matrizes [K¢] e [G+] das varios elementos finitos, monta-se a matriz de rigidez global da estrutura [X"] =[K + G], podendo entio o termo quadrdtico da energia potencial total da placa (conjunto dos varios elementos fnitos) ser escrito na forma y= Ho" k +G){a}. on Deste modo, a condigiio de equilfbrio ertico BV, /g = 0 conduz ao sistema de equagées [K + G]{q} =0, 679, ‘cujas solugdes nao nulas correspondem ao anulamento do determinante |K+G|=0. (om) OMGrawthil CAPITULO 6 Eramunenene Esmurumas Lawnates Note-se que a matriz de rigidez geométrica [G] contém a influéncie dos esforgos de membrana (NY, NJ e NE) que actuam na placa, como mostra a equago (6.71), Estes esforgos sto os produtos das tenses correspondentes (of, o4 ¢ of,), as quais constituem um estado plano de tensiio, pela espessura da placa t. Os valores das componentes de tensio, na trajectéria fanda- mental, calculam-se a partir das forgas (tens6es) aplicadas no contomo da placa. Quando essas, foreas dependem Jinearmente (i.., so proporcionais) de um winico pardmetro de carga 2, a equago (6.74) pode escrever-se na forma |K+Ae|=0, (625) onde [G’] representa a matriz,[G] associada a A = 1. Observe-se que existe uma diferenga de sinal (“4 em ver. de “~") entre (6.75) € (6.58), 0 que se deve ao facto de, na equago (6.75), 0s esforgos positivos serem de rraccdo. O problema da determinagio de uma estimativa da tensfo critica de uma placa (A,,) reduz-se, entdo, ao eétculo da menor raiz. 2 da equago algébrica (6.75), sendo de referir que existera, actualmente, técnicas numéricas muito eficientes para efectuar essa operagio [6.8]. ‘Um aspecto para o qual é importante chamar aqui a atengiio prende-se com o facto de a utilizagao do elemento finito de Melosh poder conduzir a estimativas de 2, inferiores ao valor exacto, 20 contrério do que sucede numa formulagio semethante através do método de Rayleigh-Ritz (fungao de aproximagio valida para rode a placa). Este facto resulta de a aproximagao (6.59) conduzir a um campo de deslocamentos global caracterizado pela existéncia de desconti- auidades das rotagGes w, ou w, a0 longo dos botdos comuns de elementos adjacentes (em cada ordo, as descontinuidades ocorrem na rotagdio que Ihe é perpendicular) [6.9]. No contexto da teoria dos elementos finitos, designa-se um elemento com estas caracteristicas por “elemento niio conforme”. A utilizagdo deste tipo de elementos torna menos “tfgido” o modelo discretizado ¢, consequentemente, pode conduzir a estimativas de 2, infériores ao valor exacto, Para exemplificar este dltimo aspecto e, simultaneamente, ilustrar 0 tipo de resultados obtides através do MER, considere-se agora uma placa quadrada (lado b e espessura f) simplesmente apoiada em todo 0 contorno e submetida a uma compressio axial uniforme o segundo x. Os esforgos na trajectéria fundamental stio dados por (6.26) ¢ admite-se A= K, Le. identifica-se o parimetro de carga 2 com 0 coeficiente de encurvadura K, definido em (6.35). O Quadro 6.1 mostra valores de K obtidos por meio do MEF (elemento de Melosh) com diferentes discre- tizagbes (9, 16, 36, 64, 100 e 144 elementos) [6.10]. Observa-se que os valores de K (i) so sempre inferiores a0 valor exacto (K = 4,0 - ver Figura 6.7) e (i) convergem para este & medida que aumenta o niimero de elementos. 368 364 Esmanmioe BrmumRM, QUADRO 6.1: VALORES DE K OBTIDOS ATRAVES DO MEF Neelementos | 3x3 | 4x4 | 6x6] x8 | 10x10 {12x12 K 3645 | 3.77. [ 3887 | 3933] 3,96 | 3.97 6.2.2 POs-ENCURVADURA ~ SOLUCAO DE KOITER No Capitulo 1 referiu-se que as placas finas possuem uma considerével reserva de resisténcia de pés-encurvadura. Vai agora justificar-se essa afirmagio, através da aplicagio da ‘Teoria da Pos-Encurvadura de Koiter (6.11), j4 apresentada em Comportamento Inicial de Pés- -Encurvadura, p. 306, & anélise do comportamento inicial de pés-encurvadura de uma placa rectangular longa (i.e., com a > 4b), simplesmente apoiada em todos os bordos e submetida a compressiio axial uniforme segundo x (ver Figura 6.12). Paget eo) Peo | y Coen PROIENEE] Pics ona simplesmene apa ube a compress riferme. A andlise de placas no dominio inicial de pés-encurvadura obriga & consideragiio dos termos de 24,3842 ordem do desenvolvimento em série da energia potencial total em tomo da trajectéria fandamental (V3 [~], V3 [""] V4 [--]). Conhece-se jé 0 termo quadrético (equagio (6.20) e, quanto aos termos de 3.*e 4.* ordem, as suas expressGes so dadas por valu, vw] = Eh. +95) (od +3)= CL vying 9,02 -y #y,) W205] 6 24032 Jord 0B) dA om (© Mera i CAPITULO 6 Esnsnmuos oe Esrnvnnat Lanne Estas expressdes obtém-se agrupando os termos ciibicos ¢ qudrticos, apés a introdugo das relagdes cineméticas na expresso da energia de deformago, Observe-se que s6 a parcela as- sociada 8s deformagées de membrana (Uy) contribui para estes termos, jé que, segundo a teoria DMV, as curvaturas sfo lineares nos deslocamentos. Recorde-se, ainda, que, conforme exposto ‘em Sistemas Continuos, p. 310, 0 campo de deslocamentos da placa no dominio inicial de pés- -encurvadura (medidos a partir da traject6ria fundamental) se escreve na forma w= qu +i ay +8 om wean em, onde (4 ,¥,, ;} € 0 modo de instabilidade, q a respectiva amplitude e (4, ¥, +>} o campo de deslocamentos residual, As condig6es de fronteira da placa representada na Figura 6.12 so e Usconst. para +a/2 «9 © Vesconst, para y= #b/2, 20) ‘© que corresponde a admitir que os bordos, simplesmente apoiados, permanecem rectilineos & Paralelos aos eixos, mesmo na fase de p6s-encurvadura (ver Figura 6.12). A solicitagao consiste numa forga de compressio segundo x, de valor P= ob t (o'é a tensiio média aplicada, a qual se convenciona, aqui, positiva em compressdo), & qual estio associados deslocamentos uniformes dos bordos x = ta/2ey = +b/2. A trajectéria fundamental da placa é caracterizada por UsS=-ex com ae E VI =vey way Wwi=0 © 08 esforgos de membrana 2o longo dessa trajectéria sto dados por Nfs-or ) fm = M=nh=0. 365 300 scans ESHUTRAL O modo de instabilidade associado a tensdo critica (ver (6.35) mE (ty on Fao) (5) - corresponde a0 1.° termo (m = n = 1) de (6.28), 0 qual, tendo em atengio a nova posigio dos eixos coordenados (origem no centro da placa), ¢ dado por ca vw, = 008 = cos 2, ws oa) No que se refere &s componentes 1, € v, do modo de instabilidade, estas devem satisfazer as duas primeiras equages de (6.21). No entanto, € fécil coneluir, com base num raciocinio de natureza ‘energética, que estas componentes so nulas. Efectivamente, como (i) a forma quadritica (6.20) se toma semi-definida positiva para o'= 0, (i) as contribuigdes de (1, v,) € de w, para essa forma quadrética so independentes, cada uma das referidas contribuigées se tem de anular separadamente, Assim, atendendo & forma da expressio (6.20) e as condigdes de fronteira (6.80), temde ter-se Smyty80 m= a9 Falta apenas determinar 0 campo de deslocamentos residual {#, 9, 9) , o qual tem de satisfazer ‘a equagdo variacional (5.15). A partir dessa equagao, Koiter [6.11] obteve a solugio we 1-v|-Zox|g + ») Ele A cos tv) - Jee ss0 valida para valores de oinferiores & tenstio de bifurcagio correspondente ao 2.° modo de insta~ bilidade. Constata-se que, tal como se mostrou em Determinagddo do Campo de Deslocamentos Residual, p. 313, a solugo obtida para o campo residual é uma fungio quadrética da amplitude model g. Observa-se, ainda, que, como se tem i= 0, a placa conserva a configuragio do modo cxitico de instabilidade em todo 0 dominio de validade de (6.86). Micra CAPITULO é EsuMioaDene Esruruns LaMnanes Recordando que a expressio geral da fungdo energia potencial utilizada para analisar 0 compor- tamento inicial de pés-encurvadura é dada por (ver (5.22) V(q, 0) = V2 (q, 0) + Vs (gq. 0) + Va (GO), an, podem agora obter-se os varios termos, introduzindo (6.78) em (6.20), (6.76) ¢ (6.77) ¢ tomando em consideragao (6.83)-(6.86). Aps efectuar as integragtes necessérias, chega-se &s expresses 2, V5(@.0)= 42Va[ay. ry.) Fo-one «os, ¥5(q, 0) = 9° V5 [uy w= 0 om " Ernta Vea) = g*{ Va m]~V4| ar 60) © que permite concluir que a fungdo energia potencial (6.87) tem a forma mat Etnt v o-onate( Bee a)es, 69) ou, equivalentemente, que a fungi V é dada por 80 vel on mt A placa apresenta uma bifurcagiio simétrica estével e a condigiio de equilibrio av o 1 WE Daaf1-2 | gta) P=0 Er ( ae (i a) ae conduz &s trajectérias de equilforio (fundamental e de p6s-encurvadura), definidas, respecti- vamente, por: «os 367 368 Emoamoe Eemwruea Estas trajectorias esto representadas, esquematicamente, na Figura 6.13. 40/ i I ' 1 PRUNE tices equi cpa, ¥ importante referir que a traject6ria de pés-encurvadura (6.94) aqui obtida, por meio da teoria geral exposta no Capitulo 5, pode ser determinada de uma forma mais directa (simples), utili- zando as equages de von Karman (6.1, 6.12]."Trata-se de equagdes deduzidas especificamente ppara @ andlise de pés-encurvadura de placas e que sero abordadas mais adiante (ver p. 390), quando se estudarem as equagées de von Karman-Donnell para placas e cascas cilindricas, 6.22.1 TENSOES NA FASE DE POS-ENCURVADURA, As tensdes de membrana na fase de pés-encurvadura sio obti relagdes constitutivas 95) conde, atendendo ao facto de se ter uy = vy = 1 Ly i eto We = (UL +i) +e 96 OMGrae il CAPITULO G EsnsnmaneneEsmumunasLawmanes 369 Introduzindo (6.81), (6.84) e (6.86) em (6.96), obtém-se as expressbes won Finalmente, introduzindo estas expresses em (6.95), €-e condizido a : i FQ? og 2) ouet( est antl ro rig? 4, 2 0, = EAE cos. ou, atendendo a que o= Eee tomando em consideraglo (6.94), & =-o+(0-¢, 0, =-0+(0~0,,) 08 = om me 8, = (0-07) COB onde se tem o> 0 ¢, por conseguinte, as tracgSes sHo positivas e as compresses negativas. ‘A Figura 6.14 mostra as distribuigdes das tens6es ¢7,€ 6, instaladas, em fase de pés-encurvadura, ‘num elemento de placa correspondente a uma semi-onda longitudinal. Observa-se que (i) ocorre ‘uma redistribuico das tenses 6, do centro da placa para os bordos longitudinais e que, simul- tancamente, (ii) aparecem, na zona central do elemento de placa, tenses , de tracgto, as quais, tém uma contribuigéo importante para a resisténcia de pés-encurvadura, 370 Esmonspuoe EsraToRa, Mo 0 [ ody) ene Ser i | cea) a (-20+0,) Co Lee) Disciuigo de tenses na fas de pr encurvadus dpc, 6.2.2.2 CONCEITO DE LARGURA EFECTIVA A Figura 6.14 mostra que a distribuigtio de tenses o, apresenta, ao longo da largura b, um andamento claramente nfo linear, caracterizado por valores baixos na parte central pela ocomréncia de tenses méximas, de valor ¢,, junto dos bordos longitudinais (ver Figura 6.15(@)). Este facto sugeri a von Karman et al (6.13] a introdugao do conceito de “largura efectiva b,”, ‘0 qual estéilustrado na Figura 6.15(a). Pode definir-se como “a largura de uma placa ficticia sujeita a uma distribuigdo uniforme de tensbes, de valor 0, ¢ estaticamente equivalente & distri- buicdo efectivamente instalada na placa real”, i, tal que (para ¢, positivo em compresso) 2 [iy sled #oq com o,=20-Ge, (6:00) ob, = onde 0, representa a tensiio média de compressio (ver Figura 6,15(a)). A distribuigao de tenses 6, € dada pela primeira equagto de (6.99) e 0 valor de 0, corresponde a o, [y = * b/ 2] (ver Figura 6.14). Efectuando a integrago, obtém-se a relago or Do ‘qual traduz a variagdo da largura efectiva b, com a tensdo média g, ¢ esté representada grafi- camente na Figura 6.15 (b). Como ¢ dbvio, tem-se b, = b para dy, $ Op. bo, 1 BO, 2-0/0," (oy © Microw ttt CAPITULO 6 Esanuinane ne Esmorunas Lasooanes (8) Conceito de larguraefectiva b (@) Variagao do (b,/8) com (0/0) Observa-se, assim, que se pode “substituir” o valor da tensio maxima @, pelo valor da largura efectiva b,,j& que ambos traduzem o mesmo.fendmeno (pés-encurvadura de placas). Refira-se, por tltimo, um aspecto que se reveste de grande utilidade prética e que consiste no facto de, admitindo que o colapso (elasto-pléstico) de uma placa ooorre quando 6, = ¢, = f, (tenséo de cedéncia), se poder utilizar a equac&o (6.101) para calcular os correspondentes valores da largura efectiva e/ou da tenso média, 6.23 REGRAS DE DIMENSIONAMENTO Conforme se referiu na Iniroduedo, p. 341 os problemas de estabilidade de placas assumem uma grande importincia no dimensionamento de estruturas metélicas, nomeads- mente na verificagdo de seguranga em relagao a estados limites tltimos que envolvem fenémenos ée encurvadura local. Viu-se em Andlise Linear de Estabilidade, p. 345, que 0 valor da tenso critica de bifurcagio elfstica de uma placa submetida a compresstio (uniforme ou linearmente variével) pode ser expresso na forma mE (1) ty, (6103) Gey mal) ; onde K se designa por coeficiente de encurvadura e depende (i) das condigdes de apoio e (ii) a relago comprimento/largura (a/b) da placa. Em “placas longas” (a>> d), como & 0 caso das 371 372 ExanRsoane Esra paredes que constituem as colunas e vigas metdlicas, os valores de K sfo (praticamnente) inde- pendentes do comprimento da placa a (i. e., da relagio a/b) e do gran de restrigdo & rotagio dos bordos transversais (comprimento b). Apresentam-se, no Quadro 6.2, valores de K correspon- dentes a placas longas submetidas a diferentes distribuigdes de tenses e com vérias condigdes de apoio ao longo dos bordos longitudinais (os bordos transversais estéio sempre simplesmente apoiados). QuaDRo 6.2: VALORES DE K EM PLACAS LONGAS COMPRIMIDAS ‘Condiges de apoio (bordos iongitudinas) Diagram de tenses +-—t |e om | 400 | 697 | sa | sar | 128 | 128 | 0426 | 0426 [im | 781 | 135¢ | a3 | 9s¢ | sor | eos | 1702 | 0567 oma o] 2390 | 39,52 | 39,52 | 2304 | — | 2u34 | — | ogst A titulo de exemplo, mostram-se na Figtira 6.16 dois tipos de componentes estruturais consti- ‘ufdos por placas longas, nomeadaménte (1) as paredes de uma coluna tubular (Figura 6.16 (a)) € (i) 0s elementos de placa, localizados entre reforcos longitudinais, de um painel reforgado submetido a compressao (Figura 6.16 (b)). Em qualquer dos casos, a tensto critica das placas 6 dada pela expresso (6.102), tomando-se K = 4. Este valor justifica-se pelo facto de cada elemento de placa delimitado por linhas nodais consecutivas (ver Figura 6.16) se comportar ‘como uma placa quacrada simplesmente apoiada em todos os bordos (observe-se que € razoavel, © conservativo, admitit que os bordos longitudinais das placas ~ jungdes das paredes da coluna «dos reforgos do painel — esto simplesmente apoiados, ive, que nao existe qualquer restrigéo a rotagio). Viu-se anteriormente (em Pés-Encurvadura ~ Solugdo de Koiter, p. 364) que as placas com- primidas apresentam, em regime eldstico, um comportamento de pés-encurvadura estével. Esse comportamento esté traduzido na equagao (6.94), a qual exprime a relago que existe, no domf- nio inicial de pés-encurvadura de uma placa “ideal” (sem imperfeigbes geométricas) submetida a.compressio, entre os valores da tensio aplicada o (= g,,)€ do deslocamento transversal méximo que ela provoca (= q) (ver Figura 6.17 ~ e= 0). Para avaliar a ordem de grandeza da resisténcia de p6s-encurvadura da placa, refira-se que, por exemplo, a uma tensZo aplicada 34% superior a tensio critica (= 1,34 g,,) comesponde, para v= 0,3, um deslocamento de amplitude igual 2 espessura da placa (g =). A Figura 6.17 mostra a traject6ria de equilforio de uma placa “real” © MeCraw CAPITULO & EsnonsantoeEsrurumsLanss 373 (Com imperfeigdes geométricas - e# 0), observando-se que, conforme se concluiu em Jnfluéncia das Imperfeighbes Geométricas, p. 319, no existe bifurcagao de equilibrio e acorrem deslo- ‘camentos transversais desde o infeio do camegamento, sah a : o xenpls de components estrus consis por lacs longs. (@) Puedes de una colina rb. (0) Blementos de placa de um painelreforgado. No caso de placas “ideais” constitufdas por um material elasto-pléstico (nomeadamente © ago), com tenstio de cedéncia ¢, = f,, 0 comportamento de pés-encurvadura descrito pela equago (6.94) permanece vélido apenas até a tensdo méxima Ona: = 0, (tenstio de bordo ~ ver Figuras 6.14 ¢ 6.15 (a)) atingir o valor ,, situagdo que comresponde & cedéncia das primeiras fibras da placa (inicio da sua plastificagio) e, por consequéncia, & transigdo entre os comportamentos elAstico e elasto- -plastico (ponto A na Figura 6.17, de ordenada o= 0,). Recorde-se que, como se viu em Conceito de Largura Efectiva, p. 370, 0s valores da largura efectiva e/ou da tensBo média associados a essa transigéo podem, numa placa “ideal”, ser caleulados através da equago (6.101). Finalmente, refira-se que a diferenga entre a tens de colapso da placa (o,,— ordenada do ponto Bona Figura 6.17) e o, se designa por “reserva de resisténcia elasto-pléstica da placa” ¢ que a sua determinagéo envolve um esforgo computacional consideravel. Como essa diferenga nfo 6, em geral, importante, é prética corrente desprezé-la, o que (i) significa admitir que o colapso da placa corresponde a cedéncia da primeira fibra (i.., loma-se ¢, = 0,) ¢ (ii) simplifica bastante ‘0 proceso de célculo. ESTAR ESTRUTIRAL PHEEGFE vaso ‘Comportamento de pés-encurvadura de placas comprimidas. No que respeita A influéncia das imperfeigtes geométricas (e #0) no comportamento da placa, a Figura 6.17 mostra também que, como ser‘a de esperar, a sua presenga faz diminuir os valores de o, 6, (pontos A’ ¢ B na Figura 6.17), Na Figura 6.18 esté representada, para varios valores de imperfeigao € = got (qo 6 0 deslocamenito maximo da configuragZo inicial da placa, que se admite semelhante 20 modo critico de instabilidade), a variagao da tenséo média no colapso da placa (0, = 6,) com a esbelteza normalizada de placa 7, patimetro definido por [oye 8 egw 4 (2) exe Oo, = K E\t i ce que traduz.a importincia relativa das contribuigdes da plasticidade ¢ da instabilidade para esse ‘mesmo colapso. Est igualmente indicada, a tracejado, a variago de g,,com 2,,..A observacio da Figura 6.18 permite concluir que: (@) _—Apenas as placas esbeltas (2, > 1,5) possuem uma resisténcia de pés-encurvadura significativa (o, >> 0,,).A titulo de exemplo, refira-se que a capacidade de carga de uma placa com 2, = 2 ¢ uma imperfeicto de 30% da sua espessura é superior a 0, em cerca de 60%. Gi) Em placas com esbeltezas normalizadas préximas da unidade (7, = 1), a tensio média no colapso apresenta uma grande sensibilidade as imperfeigdes, o que se deve & ocor- réncia de interacgo entre fenémenos de instabilidade e plasticidade. Por exemplo, a presenga, numa placa com 7, = 1, de uma imperfeigio de 30% da espessura provoca uma redugdo da capacidade de carga, em relagdo & placa ideal, de cerca de 40%. © Meret CAPITULO 6 Esmanzanene smummas Lawns ‘Comportamento de places comprimidas com imperfeicGes _geométricas — variagio da da tensio média no colapso com J, Na regulamentagio actualmente em vigor para o dimensionamento de estruturas metélicas, a verificagio da resisténcia & encurvadura local é efectuada através da utilizagSo do conceito de largura efectiva, exposto na p. 370 e formulado inicialmente por von Karman ef al. (6.13), no contexto de placas simplesmente apoiadas e uniformemente comprimidas. Com base na observacdo de ensaios experimentais, von Karman propos a adopgao de um critério de resisténcia semi-analttico que consiste em igualar a tensio critica da “placa efectiva” (de largura b,) & tensio 4e bordo 6,. 0 critério proposto por von Karman corresponde, enti, a calculara largura efectiva da placa através da férmula (aproximada) fez ss, o 6.108 onde 0,, 6 a tenséo critica de bifurcago da placa e, obviamente, se tem b, = b para 0, S OG, Note-se que esta “defini¢ao” de largura efectiva implica que, ao longo da trajectéria de pés- -encurvadura da placa, as duas “faixas longitudinais efectivas” (ver Figura 6.15 (a) se encon- trem sempre em situacdo de “bifurcacao iminente” (6.14). De acordo com (6.104), 0 colapso da placa (9, = f,) ocorre para (6205) 375 310 SSSADRIDADE ESTHUTURAL ou, equivalentemente (ver (6.101)), para n= Yuh (606 Utilizando (6.102) (K = 4), 0 critério de colapso definido por (6.105) pode ainda ser expresso em termos da relagio (b,/1) da placa, através de 2, = (ge = A titulo de exemplo, refira-se que, de acordo com este critério, 0 colapso de uma placa de ago 8235 (E = 210 GPa (KN/mm?, v= 0,3 ef, = 235 MPa (N/mm?) ocorre para b, = 57. ‘A partir da anélise de um elevado nimero de resultados experimentais, os quais incorporam, necessariamente 0 efeito das imperfeigGes geométricas e tensdes residuais, Winter (6.15, 6.16] propés a substituigo (modificagéo) da formula de von Karman por fa de FE (eo ca 6309 b Vo, oe expressio a que corresponde 0 critério de colapso o=(*) (2) G,-om) Ls oleo 3, hy B A Figura 6.19 mostra uma comparaco entre os crtécios de colapso de von Karman e Winter, (6.105) e (6,109), observando-se que (i) se tem b, = b para A, $1 (von Karman) e 2, $0,673 (Winter) e que Gi) as diferengas mais significativas se verificam para esbeltezas normalizadas intermédias (0,7 < 2, < 1,5). Representa-se também, a tracejado, a curva correspondente & bifurcagao eldstica da placa, a qual permite estimar a parcela da resisténcia de pés-encurvadura contabilizada, Muito embora o critério (6.109) tenha sido proposto por Winter especificamente para placas simplesmente apoiadas submetidas a compressio uniforme, varios regulamentos de estruturas metilicas (¢.g., 0 EC3) o tm adoptado para placas com outras condigdes de apoio e/ou de carregamento. A tnica diferenga, em relagiio ao que foi exposto, reside no facto deo valor de 2, passar a ser calculado com base na tensio critica de bifurcago da placa em questio (i.e., no Na férmala originalmente proposta por Winter figurava o coeficient 0.25, em vez de 0,22 (6.16) © Meron Hat CAPITULO 6 Esumnoune ne Eemurunas Lanonanes von Kerman = 1/ Winter = (Np-0.22)/ KE os 0673 1 18 2 28 Comparapo dos eitsos de olapso devon Kannan Wine, valor de K apropriado~ ver Quadro 6.2), Refira-se ainda, a este propésito, que, em conjunto com (6.109), Winter propés também um critério do mesmo tipo (mas diferente) para placas apoiadas- -livres sob compressao uniforme [6.16]. Ao adoptar o critério de Winter, esté-se a admitir que uma chapa submetida @ compressio (uni- forme ou varidvel) € totalmente efectiva se 7, < 0,673 (ver Figura 6.19). No caso dos agos (E=210 GPa KN/mm?e v= 0,3), esta condigo corresponde a (ver (6.103)) bsrs32 [E, x10) ‘ 4 onde f, € a tensiio de cedéncia do tipo de ago utilizado e est expressa em MPa. A partir de (6.110) € possfvel determainar os valores limite da relagdo (b/ 1) para que uma chapa comprimida seja totalmente efectiva, aqui designados por (6 / t)jq. No Quadro 6.3 apresentam-se esses valores parao caso de chapas simplesmente apoiadas, constituidas pelos trés agos considerados no EC3 ($235, $275 e $355) e submetidas a (i) compressao uniforme (K'= 4) e a (ii) flexto pura (X= 23,9), QUADRO 6.3: VALORES DE (b/ tim Ago sas [S273 | 355 Compressio | 38,3 | asa] 31a Flecio pura | 935 | 864 | 76. | 377 Observa-se que, como seria de esperar, o valor de (b/ 0g diminui & medida que aumenta o valor de f,, 0 que mostra que os fenémenos de instabilidade sto mais condicionantes ein placas cons titufdas por agos de alta resistencia, Finalmente, faz-se uma breve referencia ao fenémeno da “encurvadura por esforgo transverso (corte)” de placas,j4 considerado na p. 356. Este fenémeno desempenha um papel muito impor tante no dimensionamento de vigas metélicas de alma cheia, na medida em que condiciona frequentemente a resisténcia dos painéis de alma. Em primeiro lugar, & conveniente dizer que a tensdo critica de bifurcaco de uma placa submetida ao corte (¢,,) pode também ser obtida através da expressio (6.102), desde que se utilize o coeficiente de encurvadura K adequado. Por exemplo, no caso de placas rectangulares, de comprimento a e Jargura b, simplesmente apoiadas em todos os bordos (situaciio em que se admitem estar a grande maioria dos painéis de alma), tem-se, aproximadamente, Keane (a/b) oun eee Ae (a/b2)). No entanto, é importante chamar a atengdo para o facto de as placas submetidas ao corte pos- sufrem uma apreciével resisténcia de pés-encurvadura (6.14, 6.17}, a qual é contabilizada no dimensionamento dos painéis de alma pelos regulamentos de estruturas metélicas actualmente ‘em vigor. Como 0 estudo do comportamento de pés-encurvadura deste tipo de placas esté fora do Ambito do presente livro, nao se abordam aqui as disposigdes regulamentares relativas a este fenémeno. 62341 Evrocépico 3 A consideragio dos fenémenos de instabilidade de placas (encurvadura local) 6 essencial para o dimensionamento de elementos estruturais de parede fina. O EC3 contém dispo- sig6es relativas ao comportamento de places total ou parcialmente comprimidas nos documentos correspondentes as suas (i) “Parte 1-1” (regras gerais e regras para edificios [6.18}), (ii) “Parte 1-3” (regras suplementares para elementos enformados a ftio [6.19] (iii) “Parte 1-5" (fegras suplementares para estrumuras constitafdas por placas [6.20)). A susceptibilidade de um elemento estrutural em relaco & ocorréncia de fendmenos de encur- vadura local nas suas paredes (chapas) é quantificada através da classificagdo da sua sec¢io transversal, a qual permite caracterizar as respectivas resisténcia e capacidade de rotagio. OEC3 Mean Hit CAPITULO & EstaMonoe oe Esrorunas Lanonenes Classifica as secgdes em quatro classes (Classes 1-4, por ordem crescente de “esbelteza”), sendo a classe de uma secgao definida como ‘a mais elevada das classes das chapas comprimidas que a constituem”. Para determinar a classe de uma chapa comprimida, compara-se o valor da sta relagao (b / 1) largura-espessura) com os valores méximos que caracterizam as Classes 1, 2.€3, 0s quais sio apresentados na Tabela 5.3.1 do EC3. Estes valores dependem (i) da configuragiio do diagrama as tenses normais instaladas na chapa ¢ (i) da tensiio de cedéncia do ayo, e foram caleulados a partir de valores limite de 2, estipulados, para cada Classe (Z.,, 60 valor limite associado & Classe j), com base em resultados experimentais e numéricos [6.21]. Os valores de 2,3 (transigdo entre as Classes 3 ¢ 4) definem a esbelteza normalizada a partir da qual se admite que a placa deixa de ser totalmente efectiva, no colapso. No caso particular do C3, 0s valores de 7,3 variam entre (j) 0,74 (paredes submetidas a compresso uniforme) ¢ (ii) 0,90 (paredes submetidas a flexo pura) [6.22]. A explicagao para esta variagdo reside no facto de se ter concluido que a influéncia das imperfeighes € menos importante no caso das placas submetidas a flexio pura [6.21]. . O colapso de uma secgtio de Classe 4 (ou “secgéo esbelta”) ocorre antes de se atingir a respectiva resisténcia eléstica e é devido & encurvadura local de todas ou algumas das chapas que a cons- tituem. A capacidade resistente da seco € condicionada pelo comportamento de pés-encur- vadura dessas chapas ¢ 0 seu valor pode ser estimado através da resisténcia eléstica de uma secedo efectiva (fcticia), definida pela “soma” da largura real da zona traccionada das paredes com a largura efectiva da zona comprimida, A geometria da secgao efectiva (dimensdes e loca- lizago do material “removido”) depende dos esforgos que actuam na secgao, i.e, dos diagramas de tensdes normais que eles provocam nas paredes. A Figura 6.20 mostra as secgies efectivas de uma barra tubular quadrada cuja secgio é de Classe 4 (Figura 6.20(a)) e esté submetida a (i) um esforgo axial de compressiio N (Figura 6.20(b,)) ou a Gi) um momento flector M (Figura 6.20(b,)). Observa-se que: (@ No caso da sec¢&o comprimida, todas as paredes se encontram na mesma situagio. (compressio uniforme). As larguras efectivas so, portanto, idénticas, Gi) Nocaso da secgdo flectida, as paredes encontram-se em situagGes diferentes: a parede superior esté uniformemente comprimida, a parede inferior esté (aniformemente) traccionada e as paredes verticais esto parcialmente comprimidas (s6 a paste superior), Logo, a parede inferior é toda efectiva, a largura efectiva da parede superior éidéntica 4 do caso anterior e admite-se aqui que as paredes verticais so todas efectivas (hip6- tese vélide desde que os valores da relagio (b 1) ndo sejar muito elevados). 379 (ii) A seegao efectiva associada & flexdo ndo é simétrica e, consequentemente, ocorre uma translagdo vertical do centro de gravidade (de valor e), em relago & sua posigzo na secgio real. (©), CL «ry Barra tubular de secgo quadrada de Classe 4 (2) Secgto real. () Secglr efectiva e tensées devidas a (b,) Nea (b,) M. No que respeita & determinagio da largura efectiva de uma chapa comprimida, 0 EC3 adopta ‘ocritério de Winter, independentemente das condigées de apoio e carregamento. Tem-se, entio, que a largura efectiva € calculada por meio da equagio (6.109) e que A, é dado por (6.110), Deve, no entanto, chamar-se a atengo para o facto de (i) a largura b da fSrmula de Winter ser agora a largura da zona comprimida da chapa (b = b,) ¢ de, na notagdio do EC3, (i) 0 coeficiente de encurvadura se representar por ky (ie., k= K). ara exemplificar a determinago das propriedades efectivas de uma secgto (rea e momento de inércia), considere-se a secgao tubular quadrada da Figura 6.20(a), a qual tem paredes com b/t=57 (nha média), 6 constituida por ago S235 esté submetida a compressto ou a flexio pura, Efectuando os céleulos na secco reduzida A sua linha média, obtém-se os seguintes resultados: © Moron CAPITULO & Eemsenineos Eemorunss Lasmanes (@ — Secgao submetida a compressao ‘Todas as paredes estto comprimidas uniformemente, pelo que se tem. b/t=57 = 3,=1 => 161 =0,T8 = Ayg= 4X 0,78 bt = 0,78 A, onde Ayg € a “érea efectiva” — Area da secedo representada na Figura 6.20(b,), (il) Secgdio submetida a flexto Apenas a largura do banzo superior nao 6 totalmente efectiva (as almas estio parcial- mente comprimidas, mas a sua esbelteza normalizada € inferior a 7.) e tem-se, como ‘no caso anterior, p = 0,78, Deste modo, o baricentro da secco sofre uma translagiio ‘Vertical, ema relagao & sua posigio original, de e = 0,029 b (ver Figura 6.20(b,)). Despre- zando a inéreia prépria dos banzos, obtém-se Tag = (0 1/6) + (1,78 b? ¢/6) ~[3,78 b 1 x (0,029 b)2} = 0,608 b3 r= 0,912 1, onde Izy 6 0 “momento de inércia efectivo” ~ momento de inércia da seco repre- sentada na Figura 6.20 (b,) em relagao zo respectivo eixo barieéntrico. As Figuras 6.20(b,) ¢ 6.20(b,) mostram ainda os diagramas das tenses normais instaladas nas paredes das duas secgGes efectivas. Finalmente, uma tiltima referéncia para sublinhar o facto de, segundo o EC3, (i) a transigao entre as secedes de Classe 3 e 4 corresponder a valores de 2, compreendidos entre 0,74 e 0,90 ¢ (ii) 0 cdlculo das secgdes efectivas se basear no critério de Winter (placa totalmente efectiva para 7, $0,673), Esta discrepancia de valores provoca alguma inconsisténcia na uilizagio do EC3, pois implica que a Jargura de uma chapa de Classe 3 integrada numa secgo de Classe 4 no seja, em certos casos, totalmente efectiva, METODOLOGIA DE DIMENSIONAMENTO A determinagio da largura efectiva de uma parede (chapa) comprimida, de acordo com 0 BC3, envolve os seguintes pasos: @) _Determinagio do diagrama das tensbes normais actuantes (anélise eléstica), Gi) Determinagao do coeficiente de encurvadura kz, a partir do diagrama de (i). Gil) Caleulo do valor da esbelteza normalizada Z,, através de (6.103). Gv) Caleuto do valor do coeficiente de redugao p, através de (6.109) (¥) Determinagio da localizagio do material “removido” S82 Eerarasoioe Eee 63 ESTABILIDADE DE CASCAS CIL{NDRICAS 63.1 ANALISE LINEAR DE ESTABILIDADE, 63.1.1 FORMULACAO ENERGETICA Considere-se uma casca cilindrica (ver Figura 6.2) solicitada por forgas laterais distribuidas na sua superficie média S, de valor p. Como se viu na Introdugdo, p. 341, a energia potencial da casca é, entio, dada por c sh [e} +6} +2ve,e,+20-v)ez, | as+ D Ph lat r20Z4, +20-v)x3,]ds- on -f, pWaS + termos na fronteira, ‘onde os termos na fronteira correspondem ao potencial das forgas exteriores aplicadas nas secgGes de extremidade da casca. As deformagies generalizadas presentes em (6.112) sio as deformagées de membrana é € as curvaturas x, as quais podem ser expressas em termos dos deslocamentos Ue V (segundo a superficie média da casca) e W (segundo a normal A superficie média da casca), através das relagdes cinemiticas (6.6)-(6.8). De acordo com a teoria geral, apresentada em Sistemas Continuos (p. 60), ¢ tal como se fez ja ‘no caso das placas, efectua-se a decomposicao do campo de deslocamentos UsUS+u VeVi ty (ny WeWliw, onde (Uf, Vi, W} € {u, v, w} so, respectivamente, os vectores dos deslocamentos associados A traject6ria fundamental e dos deslocamentos adicionais. Ac contrério do que sucedia com as placas, as cascas possuem, em geral, um estado niio linear de pré-encurvadura caracterizado por deslocamentos W/ ¢ rotagies W/ e Wy nio nulos. Consi- deremse, por exemplo, as cascas cilindricas representadas na Figura 6.21, as quais esto apoiadas nas secgdes de extremidade ¢ submetidas a (i) compressdo axial ow a (ii) uma pressdo externa, ‘A presenga dos apoios nas extremidades faz.com que os estados de pré-encurvadura de ambas as cascas sejam néo lineares, apresentando as configuragSes deformadas representadas na Figura 6.21. © MeSroo CAPITULO 6 EsnmuosoeveEmmrmasLaonsss 383 Configures deformadse ds estado no linezes de pé-encuradara de casts clindseas betas 2 («compress axil eb) pressfo externa Apesar de os estatos de pré-encurvadura das cascas cilindricas mencionadas serem, de facto, nfo lineares, é aceitével proceder & sua “linearizagdo”, o que coresponde a desprezar as rotagses WS © Wy © aconsiderar unicamente os deslocamentos WS (i.e., admite-se que W/ = Wf =0e WS #0) [6.1]. Introduaindo as relag6es (6.113) nas relagbes cineméticas (6.6)-(6.8) e substituindo o resultado em (6.112), obtém-se a expressio da energia potencial da casca em termos dos deslocamentos. Se, para além disso, se tomar em atengGo a linearizagio referida no parégrafo anterior e se considerarem apenas os termos de 2.* ordem, chega-se & expresso do termo quadritico da cenergia potencial, dada por (A & a 4rea da superficie média da casca) ye SJ, [sa sUfw} +03 + vf03 Lwin? + ay R 1 wo ww + 2R"*") a9) +fa-0(3 +2ujr, +9? +2U}opn, +2V/0,)] dat +f, (Phe $03, +20, ®y +201 -»3]} aA, A observagio da equagdo (6.114) mostra que o termo quadratico da energia potencial € um funcional com duas varidveis independentes (xe y) ¢trés varidveis dependentes (u(x, y), (9) e w(x, y)), as duas primeiras presentes até as primeiras derivadas e a terceira até as segundas derivadas. Por consequéncia, as trés equagdes de Euler-Lagrange associadas & estacionarizagio do funcional (SV, = 0) fornecem as equagSes vatiacionais dos modos de instabilidade da casca (ver Anexo A) ous) f ee t2NL Wy + NE Wy) =0, onde, tal como se fez para as placas, se utilizaram as relag&es constitutivas entre os esforgos e as deformagies de pré-encurvadura para introduzir Nf, Nf,e Nf, Observa-se que, 20 contrério do que sucedia no caso das placas, as duas primeiras equagdes de (6.115) dependem do deslocamento w. Apesar disso, 6 possfvel eliminar u e vna terceira equacto, © que se faz (i) diferenciando a 1.* equagdo duas vezes em ordem a x, (ii) diferenciando a 2." equago duas vezes em ordem a y, (ii) diferenciando a 3.* equago uma vez em ordem axe outra em ordem ay e (iv) incorporando as dyas primeiras equagdes na terceira (6.1, 6.23]. Chega-se assim ao sistema de equagdes diferenciais, também designadas por “equagSes de Donnell” {6.24}, ce) v2 i CW ane —W4(NL Wag NF Wyy +2NG Wey) = 0, onde V8w = V4(V4w). A utilizacdo da 3.* equagio de (6.116), conjuntamente com as condigies de fronteira apropriadas, conduz directamente & determinacio das tens6es de bifurcagdo e modos de instabilidade de uma placa. Os esforgos NI, NJ ¢ NJ sio obtidos através do equilfbrio na trajectéria fundamental, ie., no estado (linearizado) de pré-encurvadura, Deste modo, esses esforeas dependem linearmente das forgas aplicadas, as quais se admitem proporcionais a um parimetro de carga A, OMG CAPITULO & EsuouinceneEsruresLemans 385 Exemplo Ilustrativo (Casca Cilindrica Submetida a Compressio Axial Uniforme) Considere-se a casca cilindrica representada na Figura 6.22, a qual esté simples- mente apoiada nas duas extremidades. A casea tem comprimento Le raio Re esté submetida a uma compressao axial uniforme, definida pela tensdo o (0 valor de a é po: vo em compressao ¢ tem-se 2 0) EGETETESY | Casca cilindsica simplesmente apoiada submetida a compressio axial uniforme, Como a casea é simplesmente apoiada, as suas condig6es de fronteira so WeW.=0 em x=0,L , Por outro lado, como se procedeu & linearizagéo do estado de pré-encurvadura da casca, os valores dos esforgos de membrana ao longo da trajectéria fundamental so | 6 © que implica que, neste problema particular, a 3.* equagdo de Donnell tome a forma Dv + Zt Peas tOtV4Wgg =O. fen As solugGes da equago diferencial (6.119) que satisfazem as condig6es de fron- teira (6.117) sto dadas por wy) po sen BE sen (6129) onde men so, respectivamente, os mimeros de semi-ondas longitudinais e circun- ferenciais ¢ W>,,, So coeficientes a determinar (amplitudes modais). Intreduzindo © parametro adimensional = wan) noe em (6.120), as solugdes de (6.119) podem reescrever-se na forma 09) = SE yg Sem PE sen BBY (om eal amt ‘Substituindo agora (6.122) na equagao (6.119), chega-se & condiggo de equilibrio, amt Z2_ ot B a Dat a BY = mm 2 pry =o 6129) onde Z é um parimetro definido por B Re wre e que se designa por “parametro de Batdorf” [6.1, 6.23]. As solugdes néo trivizis (yn # 0) de (6.123) correspondem ao anulamento dos “coeficientes” de Wing, ie, & 2 mn) mE (1 of" = Km eT) * 9 OMGraetil CAPSTULO 6: Estamunane be Esraurinns Laxenanes onde os “coeficientes de encurvadura” Kp,, Cuja definigo € em tudo andloga & uitilizada no caso das places, so dados por (m2 +82) 12.22 m2 Bam A (mn? + B2) (629 A observacdio de (6.126) permite concluir que os coeficientes K,,, podem ser enca- rados como fungées apenas (i) do parémetro de Batdorf Z¢ (ii) de um pardimetro ce, © qual depende de m, n ¢ Be é definido pela relagao m2 eee can Introduzindo (6.127) em (6.126), obtém-se Ze Kg ett BZS, omy a. expressiio que permite calcular 0 valor minimo de K,,, €m relagto ao pardmetro c, tratado (aproximadamente) como uma varidvel continua. Tem-se, entdo, ak, xt 4y3 Boe 29 = = 2372070 2. Pr astaendetiia tae PE 7 m nee Introduzindo este valor de K em (6,125) ¢ tomando em consideragdo a definiga0 do pardmetro de Batdorf (6.124), chega-se ao valor da tensio critica de bifurcagio de uma casca cilindrica submetida a compress uniforme (0,,), dado por Oa = S(t) ee (139 oD AL) a= 08) -R i No caso particular das cascas cilindricas de ago, tem-se v= 0,3 ¢ a tensio critica vale Et Sor 0,605. cay Tendo em conta a definigdo do pardmetro o (ver (6.127)) e @ expressio de dy, determinada em (6.129), chega-se facilmente & conclusdo de que a Opi, 56 COr respondem valores reais de i, com m > 1, se Z 2 2,85 [6.25], Este facto significa 387 que o valor de K calculado por meio de (6.129) nao 6 vélido para “casces curtas” (cascas com valores baixos de Z). A Figura 6.23 mostra a variagio do coeficiente de encurvadura K com o pardimetro de Batdorf Z. me 1a(r=v?) che rr \Vasiasio do coefciente de encurvadura com 0 permeto de Bader. Relativamente 2 configurago do modo eritico de instabilidade, constata-se que a tensio eritica de bifureagdo fornecida pela expressao (6.130) esté associada & ocor- réncia simultanea dos dois modos de instabilidade representados na Figura 6.24 € caracterizados em seguida: @® Modo axissimétrico (Figura 6.24(a)) Este modo de instabilidade € caracterizado por n= B= 0 (nenhuma semni- -onda circunferencial), sendo o ntimero de semi-ondas longitudinais m obtido através de (6.127), Ke. tem-se me as = Gi) Modo assimétrico (Figura 6:24(b)) Este modo de instabilidade é caracterizado pela existéncia de varias semi- -ondas Jongitudinais e circunferenciais, cujos ntimeros m en satisfazem a equacdo (6.127), para a= yi oMeCrom sit CAPITULO & EmimucaogoeEsmurunssLaunnnes 389 ‘Modes eriticos de instabilidade de uma easca cilfndsica comprimida. () Modo sxissimétrico, _(b) Modo assiméttico, Conforme se referiu na secgio Instabilidade Bifurcacional (p. 20), a tensio de colapso de uma casca cilindrica é significativamente inferior & correspondente tensio eritica, calculada através de (6.132). Este fenémeno esté ilustrado na Figura 6.25 e deve-se ao facto de o comportamento inicial de pés-encurvadura das cascas cilindricas ser extremamente instavel, o que implica uma grande sensibilidade as imperfeigdes geométricas. Os aspectos mais importantes relacionados com este tipo de comportamento so abordados nas secedes seguintes. ob ete com imperteicées (E #0) a Sensibilidad as imperteiges de ma case cingbea compra (460 encurarneniofongitainal da cases. 6.3.2 POs-ENCURVADURA O comportamento inicial de pés-encurvadura de cascas cilfndricas pode ser analisado através da teoria geral da pés-encurvadura, devida a Koiter e exposta em Sistemas Continuos, p. 310, seguindo um pracedimento semelhante ao utilizado para as placas, em Pos -Encurvatura ~ Solugdo de Koiter, p. 364. No entanto, apesar da indiscut(vel utilidade da teoria de Koiter para formular e analisar qualitativamente os fendmenos assaciados ao comportamento inicial de pés-encurvadura de uma estrutura genérica, existe métodos mais eficientes para resolver problemas especificos de places e cascas cilfndricas. Assim, apresenta-se aqui uma formulagdo alternativa para efectuar andlises nfo lineares de estabilidade em placas e cascas cilindricas, com ou sem imperfeigdes geométricas, a qual con- siste em estabelecer equagdes diferenciais de equilfbrio numa configuracdo deformada com deslocamentos finitos. Estas equagbes foram iniciaimente propostas por von Karman (placas) € Donnell (cascas cilindricas), 0 que justifica a sua designagiio habitual de “equagées de von Karman-Donnell” [6.25]. 63.2.1 EQUAGOES DE VON KARMAN-DONNELL— PLACAS E CASCAS PERFEITAS A dedugio das equagdes de von Karman-Donnell ¢ aqui efectuada através de uma formulagio cnergética, que consiste na aplicagiio do PEEP & expresso da energia potencial total da casca cilindrica, dada por (6.112) (ver Formulagdo Energética, p. 382). Introduzindo as relagdes cineméticas (6.6)-(6.8) em (6.112), pode mostrar-se que a energia potencial passa a ser expressa por um funcional do tipo VUVW]= J, GU. Vos ¥ooW, Wes Wy, Wars Wy, Wry) 2S, (6133) onde {U, V, W} so os deslocamentos totais da casca. O funcional (6.133) tem duas varidveis independentes (xe y) ¢ és varidveis dependentes (U (x9), V (x.y) € W (x, ))), a8 duas primeiras prosentes até as primeiras derivadas e a terceira até 2s segundas derivadas, e as correspondentes equagées de Euler-Lagrange (5V = 0) slo as equagées de equiliario da casca (ver Anexo A). Deve referir-se que, ao calcular as derivadas parciais da fungo G presentes nas equagSes de Euler- -Lagrange, é conveniente utilizar as regras de derivaco das fungdes compostas. Por exemplo, no caso de 2G / 9U; tem-se ac 36.) au, (de, (& = (Ce, +Cve,)x (1). (239 au, © Mero st CAPITULO 6 Esrinnsnaos pe Esracrunas Lawns Apés introduzir as relagdes constitutivas (6.9) (esforgos de membrana), as equagdes de equilfbrio da casca assumem a forma a5) Nat Ny 36 DVAW-| N,We, +2N Wy +N,(-L+ My |] = =| athe + Wy Wy +N, F+W | =p. cam Acestas equagdes de equilibrio deve juntar-se a condigao de compatibilidade das deformagdes de membrana, que se obtém a partir das relagdes cinematicas (6.6)-(6.8), de uma forma andloga A.utilizada na teoria da elasticidade linear plana (pequenos deslocamentos) [6.26]. Assim, deri- vando duas vezes as componentes de deformagio de membrana &,, 6 € &,, tem-se Fray Uy + HWy +” W, Ear = Vax + HW EW cone) 28 yay = Uy Vay + Way + WW +WaMy +3, relagBes que conduzem A equago de compatibilidade 1 We 2e, qe 6) Egy t Cyan ~ 2E yay = Wigs Waxy Observe-se que, no caso de uma placa (R = e*) com pequenos deslocamentos (86 se consideram 6s termos lineares em (6.6)-(6.8)), 0 segundo membro de (6,139) é sempre nulo ¢ esta equagzo transforma-se na equacao de compatibilidade clissica da teoria da elasticidade linear [6.26]. Introduzindo as primeiras relagdes de (6.9) em (6.139), as deformagées de membrana (E, €€ Ey) passam a ser expressas em termos dos respectivos esforgos (N,N, € N,). Combinando, entio, a nova equaco (6.139) com (6.135)-(6.137), chega-se a um sistema de quatro equagbes dife- renciais a quatro incdgnitas ~ Nj, Ny Nyy W. A sua resolugio toma-se mais simples introduzindo uma “fungao de tensa0” F, jefinida de modo a que se tenha a0) 391 2 qual permite reduzir o sistema para apenas duas equagGes a duas incdgnitas, passando as equagGes de equilibrio (6.135) e (6.136) a ser identidades (0 = 0), Refira-se, ainda, que, & semelhanga do se fez jé com as componentes dos deslocamentos, se convenciona aqui que Fy, = OF /8x, etc, Escrevendo as relagdes constitutivas (6.9) em termos da fungio de tensdo F, obtém-se as expresses i 6 Fy Ma) Fa Oy) Py +p Et cuja inclusdo no primeiro membro da equagao de compatibilidade (6.139) conduz a 26 yy = LVF. Exgy* Eyax~2ayy =H (sep, ‘Tomando em consideragao (6.140) e (6.142), as equagées (6.137) (equilibrio) ¢ (6.139) {compa- tibilidade), validas para placas cilindricas com deslocamentos finitos, podem escrever-se na forma 1 pvew=[ We = 2F Wy + a(Et %,)} =P (euan, VéF = Et (3 - Way EM) eso, e constituem precisamente as “equagdes de von Karman-Donnell” [6.25]. Em placas com pequenos deslocamentos, estas equagdes reduzem-se (i) A equagdo de Lagrange (andlise de lajes) [6.3] e (ii) A equagio de compatibilidade satisfeita pela fungdo de Airy da elasticidade plana [6.26], dadas, respectivamente, por DV‘W=p (648) VF =0, (a9 © Meroe CAPITULO 6 Erasuununene Ermuronss Lawnanes Observe-se que, neste caso, os deslocamentos transversais WW so independentes das tenses de ‘membrana, definidas através da fungao de tensio F. Em cascas cilindricas com pequenos deslocamentos, a simplicagio efectuada para 0 caso das placas nio ¢ possfvel, devido & presenga do termo linear (F,,/ R) em (6.143). Como se pode ver na Figura 6.26, onde est4 representado um trogo elementar de casea (0: 6 um Angulo infini- tesimal), este termo corresponde & componente dos esforgos circunferenciais N, na direcgao normal & superficie média da casca, y Nyy \oyale2/ ; Ves sonypuen S aly Lo nysend anya) KAGE nny eensdsenS ais Ft Zk Vis “Trog clementar de casa interpreted temo Fg R= MR 63.2.2 EQUAGOES DE VON KARMAN-DONNELL — PLACAS E CASCAS COM IMPERFEICOES Considera-se agora 0 efeito da presenca de imperfeigdes geométricas, definidas por um campo de deslocamentos iniciais com componentes wer w? = w9 (x, y)- Em virtude de apenas as deformagSes associadas aos deslocamentos adicionais da casca contri- buirem para a sua energia de deformagio eléstica, as relagdes cineméticas (6.6)-(6.8) passam a escrever-se, condensadamente, na forma es EU +, V+, We wl) — E(u, WM), (e208) 398 Para ilustrar 0 tipo de expressbes fornecidas por (6.148), considerem-se, por exemplo, as defor- mages generalizadas , ¢ y,. Atendendo a (6.6) ¢ (6.147), elas stio dadas por 1 =U, +502 + Wed 619 W, Hx = WW) oe —(—W8) = Wa ism © observa-se que a expresso da curvatura 7, 6a mesma de (6.6), 0 que se deve a0 facto de esta deformagto generalizada ser linear nos deslocamentos W. Recorde-se, no entanto, que W repre- senta agora 0 deslocamento adicional (medido em relagdo A configuragio deformada inicial). Procedendo do mesmo modo para as restantes componentes de deformagio, obtém-se as relagdes cinemiticas (deformag6es de membrana) = Up + E02 + Word was) tye swe (6.182) 3h + Muy eos) L bay (Uy bY + WW +H, w+ W, wQ) as) econstata-se, ainda, que as expresses de todas as curvaturas continuam a ser as da casca perfeita {em termos do deslocamento adicional W). Introduzindo as novas relagdes cineméticas em (6.112), obtém-se a expresso da enengia potencial da casca imperfeita, a qual constitu um funcional que continua a ser do tipo indicado em (6.135). Adoptando uma metodologia anéloga a seguida para a casca perfeita, obtém-se as equacdes byw [Fs +2) -2F, (Wy +09) + ade W,+ *)F Pp we Ver = Er{ W3—W.Wy ~LW,, +209, W —w9,W8,, 09,07, ), (6155) ay — Weg Woy — Fe We + 2 — ws Wy — Wy Mae designadas por “equages de von Karman-Donnell para placas e cascas cilindricas com imper- feigdes geométricas” [6.25]. © MeGiow ts CAPITULO € EanuonDe pe Bemururas LaNnants A integragao das equagbes (6.154)-(6.155) tal como anteriormente das equagdes (6.143)(6.144), permite odter, respectivamente, traject6rias de equilibrio de cascas imperfeitas ou trajectérias de pés-encurvadura de cascas perfeitas. Essa integrago pode efectuar-se aproximadamente, recorrendo a técnicas de resolucao numérica de equagtes diferenciais. No Exemplo de Aplicagdo ~ Painel Cilindrico Submetido a Compressdo Uniforme, p. 396, ilustra-se esse proce- dimento através da aplicagao do método de Galerkin & anélise do comportamento de pés- -encurvadlura de um painel cilindrico 632.3 ANALISE LINEAR DE ESTABILIDADE ATRAVES DAS EQUAGOES DE VON KARMAN-DONNELL, [As equagBes de von Karman-Donnell podem também ser utilizadas para efectuar uma anilise linear de estabilidade de placas ou cascas cilfadricas. Para o mostrar, considere-se, de acordo com os métodos tradicionais da andlise linear de estabilidade (ver Sistemas Continuos, . 60), uma configuraglo de equilfbrio adjacente & trajectéria fundamental, ie., definida por WeWi ew, (6386) F=FS +f, asm onde {W/, F/} caracterizam o ponto da trajectéria fundamental e (wf) so 0s campos de deslocamentos e tensdes "adicionais”. Admite-se, lal como se fez em Formulagdo Energética, p. 282, que o estado de pré-encurvadura da casca é linear (de membrana), i.e., que as cur- vaturas WE, Wi, WE sto nals. Introduzindo (6.156)-(6.157) em (6.143)-(6.144) e desprezando todos os termos nilo lineares em wef, tais como fy Wan 3, ete. (andlise linear de estabilidade ~ critério do equilsbrio edja- cente), obtém-se as equagies [6.23] (6359 Dv--| Fh = 2F hing + (FL + Su) 5+ Fry VERS +VIF = 159) Escrevendo as equagdes (6.143)-(6.144) na traject6ria fundamental, onde, por hipétese, WE = WE = WE =0, conciui-se que (ee) (e160) 395 exprimindo estas equagées precisamente 0 equilfbrio de membrana no estado de pré-encur- vadura, Finalmente, incorporando (6.160}-(6.161) em (6.158)-(6.159) ¢ tendo em atengao as relagdes (6.140), para a traject6ria fundamental, é-se conduzido a 6162) Va Wan + ING Wey + NG Hy Soe (6363) Aplicando 0 operador Vé a (6.162) ¢ introduzindo no resultado (6.163), podem substituir-se (6.162-163) por uma tinica equago, expressa em termos de w e da forma DEW VEN Ling + Ny +N My) +S Wane 6168) Esta equacio foi estabelecida por Donnell [6.24] e deve ser satisfeita pelos modos de insta- ilidade de cascas cilfndricas com estados lineares de pré-encurvadura, caracterizados pot equi- librios de membrana. ‘Tomando em consideragio o valor de C, dado por (6.10), observa-se que esta equagio é exacta~ mente a terceira equagao de (6.116), a qual foi obtida em Formulacdo Energética, p. 382, a partir a estacionarizagao do termo quadrético da energia potencial da casca, 6324 EXEMPLO DE APLICAGAO - PAINEL CILINDRICO SUBMETIDO A COMPRESSAO UNIFORME Para ilustrar a aplicagdo das equagées de von-Karman-Donnell & andlise de pés- -encurvadura de placas e cascas cilfndricas com imperteigdes geométricas iniciais, considere- -se 0 painel cilindrico (raio R, espessura 1, comprimento e largura b), representado na Figura 6.27 ¢ jd referido na seccao Instabilidade Bifurcacional (p.6) (ver Figura 1.9). O painel encontra-se submetido a uma compressio uniforme, de valor 6 (2.2 ), € esté simplesmente apoiado ao iongo de todos os bordos, os quais se supdem rigidos segundo a tangente & superficie média (i.e., U=V=09. paine! possui uma imperfeigtio geométrica inicial definida por ay woly)= ap sen = sen, ous © MeGraw Hit CAPITULO 6 Ermauiuoxos px Eerauromss Lawoanes LLLLS fy as 2 yoo™ Pain! etinésco submesido a compresio uniforme. conde gp € amplitude da imperfeicZo, ¢ admite-se que a sua configuragio deformada adicional (ie., provocada pela aplicagio de o) pode ser aproximada pela fungao. W(xy)= sen = sen 2 36, onde q € 0 deslocamento transversal maximo (centro do painel), Pretende-se determinar a trajec- t6ria de equilibrio do painel, ie., 2 relagdo = 6 (g). Apresentam-se agui os passos principais da resolugo deste problema proposta por Volmir (6.27) Refira-se, no entanto, que a andlise dos resultados obtidos ¢ feita com base nos conceitos dz teoria geral da pés-encurvadura, expostos no Capitulo 5. “Tendo em conta as expresses adoptadas para os deslocamentos iniciais ws ¢ adicionais W, a equagdo de compatibilidade (6.155) passe a escrever-se ‘ om ver Be 2am) (cor roo) HE sn Ean 2] suey ¢-a sua solugdo geral tem a forma FoF, + Fp (66 397 onde F, F, S40, respectivamente, as solugSes homogénea e particular. A solugdo homogénea obtém-se a partir da equaco viF=0 (6369) e das condigées de fronteira (os esforgos de tracgo convencionam-se positivos) 0 em x=0,x=b,y=O0ey=b Fay=Ny=0 em y=Oey=b rm woNps-ot em x=O0x=b, podendo facilmente mostrar-se que ¢ dada por Ai (orn ot 2 Observe-se que (6.171) corresponde a um estado uniaxial de tenstio de membrana, andlogo a0 estado de pré-encurvadura instalado no painel por acg4o da compressiio &. ‘Quanto & soluedo particular F,, sabe-se que deve satisfazer condigées de fronteira homogéneas (F jd satisfaz as condigées (6.170) e que a sua expressao é semelhante ao segundo membro de (6.167), ie. 2 5, = Ai(cos cos 22) «Af sen Fsen 2) xm O célculo dos coeficientes A, ¢ A; é efectuado através do “método dos coeficientes indeter- minados” ~ introduz-se (6.172) em (6.167), o que permite determinar E1gb? 4n2R° > ra Et Ay = 2 (q2 +2. 1 = 5 (@? +2400) A solugio geral de (6.167) € a soma de (6.171) com (6.172) e, portanto, tem-se 22) Eqb’ (: mx 2) ot Et 2am Feelin yn, 2 2), FabE (con 4 sen) Ft yp 19 3 2%) 8 Be) eR en pens) Sy ors) OMOrae Hh CAPITULO 6 Estaninaoe ne Estrus Lamanes ‘Uma vez conhecida # expresstio de F, a solugdo do problema passa a depender unicamente da integragao da equago diferencial de equilfbrio (6.154) (p = 0). Pode obter-se uma solugio aproximada recorrendo, por exemplo, ao método de Galerkin (ver p. 92). E ent&o necessario reescrever (6.154) na forma LW)=0, a9 onde, de acordo com a notacao introduzida em Método de Galerkin, p. 92, L é um operador iferencial linear, ‘Adoptando como aproximagiio da solugo de (6.175) 0 campo de deslocamentos transversais definido em (6,166) e j4 utilizado para determinar a expressio de F, tem-se Wiay=a yay) com ylny)=sen Fsen sg (ire ¢ a correspondente equagiio de Galerkin € LLLP) ye dx dy=0. «am Introduzindo (6.176) e (6.165) em (6.177) e efectuando as integragdes indicadas, é possfvel exprimir orem fungio de q e gq, através da expresstio [6.25] 4Dn? Eb? En? a (2 i ‘Abn | ER (09 4 3¢q9+248)- 2E (29+ [ rt agaga ape (PP *3H90* 208) Rl ga 4%. 7 (6378) a+d Normalizando as amplitudes dos destocamentos adicionais (g) e das imperfeighes iniciais (q0) em relagéo & espessura do painel (1), ie., fazendo F= g/1e £= qo/ 1, € definindo o “parametro de curvatura do painel cilfndrico” (a9) (g? +3Ge+2€2)- 30-v?) 8 6380) 399 Esta expresso permite determinar trajectérias de equlibrio (i. ., relagbes o= € painéis cilfndticos, em fungo dos parimetros de curvatura (@) e de imperfeicdo (e). Co (@)) de placas Geram-se em seguida varios caso particulares, correspondentes a diferentes combinagSes dos valores destes parametros: (i) Painel cilindrico perfeito (e = 0) ‘Tomando €=0 em (6.180), esta equagdo passa a escrever-se 2, 2 =v? WE (: tage 4 SAY! 8 3x 20f= WF) g, ¢ fornece a trajectéria de pés-encurvadura do painel. Fazendo 7 =0, obtém-se a expresso da tensa critica de bifurcagio RIE (1Y 7 og: one s(t) (+e). umn A presenga do termo 04 em (6.182) mostra que os painis cilindricos com maior cur- vatura apresentam tensGes criticas mais elevadas. Combinando (6.182) com (6.181), pode escrever-se 20 @__ 3d~vty 2 page. ane OPT get e008) Manes Ser Note-se que, tendo em conta (6.179) ¢ (6.182), (6.183) pode ser reescrita em termos da amplitude g, na forma 10E we gee ee 1 Sanes ioc 109) Observando, ento, que, no dominio inicial de pés-encurvadura (9 <<1), se pode des- prezar 0 termo quadrético em (6.184), constata-se que se “recupera” a expresso 10E ine (6.88) © Mech tt CAPITULO 6 Esrabuucaos oe Bsrnurunas Lananes apresentada em Jnstabilidade Bifurcacional, p. 6 (ver (1,10)). Pode, assim, concluir- se que, de acordo com a terminologia da teoria geral, exposta em Sistemas Continuos, p.310, abifurcagio e a trajectoria de pés-encurvadura de um painel cilindrico compri- mido so assimeétricas, o que significa que o sea comportamento € instével no dominio pos-critico, A Figura 6.28 mostra, para v = 0,3, duas trajectérias iniciais de pés-encurvadura de um painel cilfndrico com @ = 1,0. Enquanto a trajectéria nao linear, designada por “exacta’, comresponde a (6.183), a trajectéria rectilinea obtém-se desprezando o termo em J? (equagdo (6.185), com q substitufdo por 77). Observa-se que, na vizinhanga do ponto de bifurcagko (-0,4 < J $04), as duas trajectérias praticamente coincidem. oe Praco (@=0) Pinel cincrico (B = 1.0) “exact” N= Aprox, -10 10 wv Gi) Tisecéras de pos-encurvadara de uma placa (= 0) ¢ de um pane indice (= 1.0)(v=0.3). Placa perfeita (0= 0 R=~ e€=0) Fazendo 6= 0 nas expressdes apresentadas em (i), obtém-se 0 comportamento de uma placa quadrada submetida a compressdo axial. Em particular, (6.182) fomece 0 valor exacto da tensiio critica (ver (6.35)) e, combinando esse valor com (6.181), chegarse a > E-1de-v9(2) : 86) Se 8 t 401 expresso j obtida anteriormente, em Pos-Encurvadura — Solugao de Koiter, p. 364 (ver (6.94)), através da teoria geral da pés-encurvadura, Na Figura 6.28 esté repre- sentada a traject6ria inicial de pés-encurvadura de uma placa, @ quel, como se sabia Jé €estavel (iii) Placa com imperfeigdes iniciais (0= 0, €# 0) Fazendo @= 0 em (6.180) e desprezando o termo em &, obtém-se o 30-09) 2. 3z0)|_F af ge age) (as a [ g 7 ze)| in ra 6.29 apresentam-se as traject6rias de equilforio de placas com dois nfveis de imperfeigio (€ = 0,1 e €= 0,5), para v=0,3. Observa-se que as trajectérias so estdveis em todo seu dominio, foe m0) 10 wn PRETEND triers de equitrio de uma placa impereita (v= 03), (iv) Painel cilindrico com imperfeigdes iniciais (@= 1,0, £= 0,1) Introduzindo @= 1,0 e e= 0,1 em (6.180) e considerando v= 0,3, obtém-se & =[0,936—0,508 9 +0719? Fer cos) equagiio que fornece a trajectéria de equilibrio imperfeita representada na Figura 6.30. Mostra-se igualmente a traject6ria de pés-encurvadura “exacta” do painel perfeito © Microw id CAPITULO 6 Estaamnane oe BsraTURAs Latenanes (e= 0), j4 apresentada na Figura 6.28. Observa-se que a presenga da imperfeigio faz diminuir a tenso méxima que o painel pode suportar (carga iltima) em cerca de 39%, o que traduz uma elevada sensibilidade 8s imperfeigdes. + Oboe m0 10 wt Traject6rias de equilfoio de um painelcilindtico (@= 1,0) ee=0)), ‘com ¢ sem imperfeigbes genmétricas 6.33 CARGA DE COLAPSO © problema da determinagéo da carga de colapso de cascas cilinéricas, nomea- damente cascas submetidas a pressdo exterior, com ou sem compressdo axial, tem sido objecto de um grande néimero de trabalhos de investigagzo [6.16]. Em particular, tam merecido especial tengo os aspectos ligados & sensibilidade as imperfeigdes geométricas, os quais tm uma natureza intrinsecamente aleatdria e assumem uma grande importéncia no dimensionamento deste tipo de estruturas, A comprovar o que se disse no pardgrafo anterior, pode observar-se claramente na Figura 6.31 a grande dispersio que exibem os valores da tensio de colapso (0,) de cascas cilindricas sub- ‘metidas a compressio axial uniforme, obtidos através de ensaios experimentais 6.1].A Figura 6.31 permite ainda compatar os valores experimentais de o, com duas curvas analiticas, (i) uma proposta pelas “Recomendagées Europeias da ECCS” [6.28] ¢ (ii) a outra correspondente @ resultados teSricos obtidos para cascas cilindricas com imperfeigdes iniciais axissimétricas [6.29]. A ourva teérica foi determinada adoptando a hipétese de as imperfeigdes apresentarem um valor médio e um desvio padraio proporcionais & relagdio entre o raio e a espessura da casca 403 (R/1), representando os partimetros , e fh 0s respectivos factores de proporcionalidade. Assim, @) definiu-se um pardmetro de imperteigao G=ce com c= ¥-V8), (a: onde €¢ uma imperfeigio modal axissimétrica (normalizada em relagto 4 espessura da casca) © Gi) admitiu-se que a natureza aleatéria das imperfeigdes € traduzida por uma distribuigdio normal, com valor médio ¢ desvio padrdo dados por 639) 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 Rit Valores da tensdo de colepso de casas cilinticessibmetidas ‘A compressioaxial~comparacoente resultados experimentas e maltioos Observe-se que, muito embora qualquer das curvas representadas na Figura 6.31 conduza a um dimensionamento razoavelmente seguro, a curva teérica fornece estimativas de g, mais con- servativas, particularmente para (R /) < 500. Por outro lado, a grande disperstio dos resultados experimentais obriga a adoptar valores de tensfo iitima que, em grande niimero de casos, so muito inferiores & verdadeira resistencia da casca cilindrica. OMG it CAPITULO € EsusuoxneoeBsrmomueas Lanmanss 405 PROBLEMAS PRopostos = GE 6.1 Determine, para placas perfeitas, longas (a >> 8) simplesmente apoiadas em todos cs bores ¢ submetidas @ compressio uniforme nos bordos transversais (x= 0, a), © valor da relacdo larguralespessura (b/ 1) para o qual a cedéncia a instabilidade cldstica ocorrem simultaneamente. Considere os casos de placas de ago (a) S235 ¢ (b) $355 e adopte B= 210 GPae v= 03. 62 Considere a placa quadrad, de lado b e espessura 1, representada na Figura P62 ‘A placa est simplesmente apoiada em todo 0 seu contorno ¢ enconta-se submetida a0 estado de tensGo bi-axial indicado, o qual & dfinido por tensbes de compressio « tracglo, de valor uniforme ¢, aplicadas ao longo dos seus bordos. 2) Mostre que a tensio critica de bifurcagio da placa ¢ o correspondente modo de instabilidade eléstica so dados por 25_ aE (ey o, = # 36 0-VLB, w(x,y) = q sen 2 sen, (aay) =asen—% sent b) Tratando-se de uma placa de ago S355, determine o valor da relagio b/ 4 partir do qual faz sentido considerar a resisténcia de pés-encurvadura da placa, 63 64 Utilizando 0 método de Rayleigh-Ritz, determine valores aproximados da tensio critica de bifurcagéo da placa longa (a >> b e espessura ) representada na Figura P6.3, qual esta simplesmente apoiaca em todo 0 contornoe se encontra submetida a uma compressio linearmente varidvel nos bordos transversais (x= 0, a). Utilize como aproximagdes do modo de instabilidade mice RY Ia coy a aeeliia «west sn w1(xy) = g sen compare os valores obtidas com o resultado exacto 2, we (1) ° “18a J. A tensio critica de bifurcagio eldstica da placa de ago longa (a >> 6) representada nna Figura P6.4(a), a qual se encontra submetida a compressio longitudinal uni- forme e esté simplesmente apoiada ao longo de trés bordos¢ livre no quarto, é dada pela expressio me ry ou ke om(§) : sendo 0 valor exacto do coeficiente de encurvadura K = 0,425, a) Utilizando o método de Rayleigh-Ritz, determine um valor aproximado do coeficiente de encurvadura K e compare-o com o valor exacto. Adopte como aproximacio do modo de instabilidade da placa w(x, y)=q ysen, a onde q é uma coordenada generalizada (emplitude do modo), OMeGrae Hil 65 CAPITULO & Es b) O coeficiente X= 0,425 6 utilizado na verificagio da estabilidade local dos banzos de vigas com seegio em I submetidas a flexdo, o que significa que se despreza a rigidez associada & flexdo transversal da alma, Determine qual 0 valor limite da relagdo b/ para que tm bartzo de ago $235 posse ser considerado como totalmente efectivo. Compare 0 valor obtido com o preconizado pelo EC3, ©) Considere agora que a placa faz parte de ume coluna eruciforme comprimia axial ‘mente, cuja seego esté repesentada na Figura P6.4(b). Desprezando @ rigidez de cempenamento, a carga critica de instabilidade eléstica da coluna associada ao modo de torgio pura é dada por onde A, Je p Sio,respectivamente, a érea, a constante de torglo uniforme & 0 momento polar de inércia da seegio, ¢ G € 0 médulo de distorgo do ago. ‘Admitindo que todas as placas se encontram nas condigtes da Figura P6.4(a), rmostre que @ tensio critica da coluna assoviada ao modo de torgio referido corresponde &instabilidade local da sua secyio transversal Considere @ cohuma simplesmente apoiada representada na Figura P6.5, 2 qual tem ‘uma secgao tubular quadrads e esta submetida a compressio axial uniforme. Admite ‘que as chapas que constituem a coluna estéo simplesmente apoiadas ao longo de todo 0 contomo (despreza-se a rigide2 de flexio fomecida pelas chapas adjacentes), stone EST TURAS LAMINARES 407 66 a) Parat <<, mostre que a encurvadora global da coluna precede a encurvadura Jol da sua seegto transversal sempre que o comprimento satisfizer a condigao L> “ey Bw 2) 7 b) Determine a reserva de resistencia pés-citica de encurvadura local que existe ‘numa coluna com as caracteristcas indicadas, de ago S275 e cuja seco trans- versal tem as dimensOes r= 8 mm e b= 600 mm (linha méiia). No célculo das largura efectivas, adopte a formula preconizada pelo EC3. o ‘Considere a casca cilindrica de ago (E= 210 GPs e v=0,3) representada na Figura 'P6.6, 2 qual tem comprimento L, raio R e espessura re est submmetida a compressiio Jongitudinal uniforme. 2) Determine 0 valor da testo critica de bifurcagao eldstica para geometrias defi- nidas pelos pardmetros (a,) R/ = 100¢ LR = 1 ¢(a,)R/t=100eL/R=0,1. (SUGESTAO: comece por calcular 0 valor do parémetro de Batdorf para ambas as cascas e verifique que, no caso da alinea (a), 6 necessério recorrer & equagio (6.126) para obter as tensbes de bifurcacio ¢ os correspondentes modos de instabilidade). ') A expresso (6.131) (c, = 0,605 Et / R) deixa de ser valida para cascas muito longas (L >> R), 0 que se deve ao fecto de estas encurvarem como colunas cilin- dricas, mantendo-se rigidas as suas secgves transversais (mm =n = 1). Mostre gue, neste caso, se tem o,, = 4,93 E (R/ L)?, (NOTA: observe que a érea e 0 momento de inéreia de uma sec¢So tubular cilindrica com um valor elevado da relagio R/t so dados, aproximadamente, por A = 27iRt€ = mR°t.) McGraw 67 68 CAPITULO 6 Esnmoaoe oe Esmurunas Lesaanes Ulizando directamente @ equagio diferencial de equilfrio que fornece os modes de insiabilidade de cascas cilindrices simplesmente apoiadas ¢ comprimidas uni- formemente, mostre que o valor de m (ntimero de semi-ondas longitudinais) asso- ciado a ocorréncia do modo axissiméirico de instabilidade eldstica é dado por (6.132) e que a tensio critica correspondents é obtida stravés da expresso (6.130) Considere um painel cilindrico imperfeito (ex 0) de ago (v = 0,3), caracterizado por ‘um parmetro de curvatura 8 0,7 e submetido a uma compressio axial uniforme de valor 0, 8) Utilizando o resultado obtido na seogio Exemplo de Aplicagdo ~ Painel Cilln- rico Submetido a Compresstio Uniforme, p. 396, determine a expressio que fomece a carga de instabilidade do painel, correspondente & ocorréncia de umm pponto limite na trajectsria de equiltbri, b) Com base no resultado da alinea a), trace a curva de sensibilidade as imper- feigses do painel. 409 ANEXOA CALCULO DAS VARIACOES Al CONCEITO DE FUNCIONAL Pode definir-se “funcional” como uma grandeza ow funco que depende de toda a configuragdo de uma ou mais fungdes num dado domfnio (recorde-se que “fungéo” € uma grandeza que depende de um vector, ie., de um conjunto discreto de variéveis). Adoptando uma linguagem mais precisa, um funcional é um operador que transforma conjuntos de fungSes (vectores de fungdes") em ntimeros reais. (O “dominio de aplicagio” de um funcional é um conjunto de fungSes pertencentes @ um “espago de fangdes”, que possuem determinadas caracteristicas e se designam por funcdes admissiveis (recorde-se que © dominio de aplicagtio de uma fungio ¢ uma regio do espago coordenado). Para caracterizar um funcional, é necessério identificar (i) as varidveis independentes, (ii) as variaveis dependentes, (ii) a ordem da mais alta derivada de cada varidvel dependente que figura 1no funcional e (iv) 0 conjunto de fungdes admissiveis. Considere-se, por exemplo, o funcional Aya), e2)}= J? Fs 4 2 Ya Zan Tae) wan o qual tem uma variével independente (x — note-se que “desaparece” aps se efectuar a inte- gragio), duas varidveis dependentes ((2) e 2(x)), as quais figuram no funcional até & segunda 8 primeira derivadas, respectivamente, Quanto ao conjunto de fung&es admissiveis de J, nada se sabe (depende da natureza do problema modelado por (A.1)). Exemplo Iustrativo Considere-se a energia potencial da viga representada na Figura A.1, a qual, despre- zando a parcela da energia de deformagio associada ao esforgo transverso, € dada por EI Yowtail= [Evie ~ pw) i constitu um funcional com uma variével independente (x) e uma variével inde- pendente (»(x)), presente até & segunda derivada, O conjunto das fungées acimissiveis de VE constituido por todas as fangses (i) definidas no intervalo (0, ¢], (i) continues, € com primeiras ¢ segundas derivadas continuas ¢ (ii) tais que w(0) = w(e) = 0. P cep x hon ee ws PECTIN Wes sinptesinente spina submetida a carga uniformemente dibs, A ESTACIONARIEDADE DE FUNCIONAIS Estabelecem-se agora as condigdes para que um funcional apresente um “ponto (de fungdes) de estacionariedade”, as quais, tal como no caso das fungdes, so apenas condi¢des necesséirias para a ocorréncia de um “ponto extremo” (inximo ou mfnimo). As condigdes sufi- cientes para a ocorréncia de um ponto extremo de um funcional séo mais complexas nao se abordam aqui. Aeexisténcia de um ponto de estacionariedade de um funcional Jest associada a0 anulamento da sua primeira variagdio (61 = 0). Esta nogiio e as condigdes que dela resultam sfo aqui apresentadas de uma forma sucinta e matematicamente pouco rigorosa, pretendendo-se apenas proporcionar lum primeiro contacto com 0 objectivo e métodos do célculo das variagdes. Um tratamento rigoroso destes conceitas pode ser encontrado em livros sobre este domfnio da matemética (e.g. {A.1,A.2)). OMG i ANEXO A: ChemoosVannges 413 ‘Sem perda de generalidade, considere-se o funcional yey] = 10) [Fy head ao onde F é uma fungdo explicita dos seus quatro argumentos ¢ xy € x; sio valores fixos. Pretende- -se encontar uma fungo (x) que torne o valor de Z estacionério (i... 61 = 0). Como I depende de uma funcdo, a sua estacionariedade é estabelecida em relagdo a “fungdes vizinhas” (“pontos vitinhos”, no caso das fung5es), definides por YX) = FO) + G(x) =F +H, aay ‘onde d(x) se designa por “variagao de F(x)” e F(a) + 6y(2) € uma Fungto arbitréria to “proxima de F(a)” quanto se queira. Este conceit estéilustrado na Figura A.2.€, como é Sbvio, tanto F(x) como F(x) + Sy(x) tém de ser fungdes admisstveis. — Vx) Gr=0) 1) 46y(0) ~ Fungo “vizinno” ae Rx) xo 4 CCanceito de “fungbes vizinhas" A condigio de estacionariedade pode, entio, escrever-se a + dy) 1G, SilFey 89, 5.5 + SF. p Fax + OF ax)|-[ FUT. Fav Fad ]dx = 0, 0) observando-se que as “fontes” da variagtio do valor de I sio 8), 8) ,€ 8). (he., nfo ha variagéo devida a x). Pode, entdo, reescrever-se (A.5) na forma | OF a= x0] ay as Forty ont Wn Zou onde as derivadas parciais de F so calculadas em © passo seguinte consiste em exprimir todas as parcelas da fungdo integrada de (A.6) em termos de by, para o que é necessério integrar por partes as parcelas em dy, € 6)... Efectuando essa operacio uma e duas vezes, respectivamente, obtém-se an dt OF +f EE Jou onde se chama a ateng&o para a distingio entre “2/2” (derivada parcial) e “d/d” (derivada total), Substituindo (A.7) em (A.6), vem cas) Como a variagio dy € arbitréria (desde que F+ 6y seja uma fungio admissivel), a equagdo (A.8) implica a satisfagdo das condig6es 49 © Mera tit ANEXO A: ChwcwomnsVanagtes 415 oF _4{ oF) a? oF designadas, respectivamente, por “condigdes de fronteira” e “equacio de Euler-Lagrange” do funcional (A.3). Qualquer fungio (x) que satisfaga a equacao diferencial (A.10) ¢ as condigées de fronteira (A.9) torna o valor de I(y) estacionério. Exemplo Mustrativo (Equilibrio de Vigas) Considere-se a viga representada na Figura A.3, com condigées de apoio arbitrérias (Por isso, nfo especificadas na figura) e submetida a uma carga distibufda vertical p(x) P() | 9 Vga com contigs de apoio arbi submetda a uma carga dssbuia, Desprezando a parcela da energia de deformagio associada ao esforgo transverso, ‘a energia potencial da viga é dada por (ver (A.2)) 7 veven=f(2a3.-p9) es is Como o PEEP afirma que a verdadeira configuragio da viga W(x) (ie., aquela que satisfaz. as condigdes de equilforio e compatibilidade) torna estacionéria a energia potencial, a sua determinacio pode ser encarada como um problema de célculo das vatiagBes. A expressio (A.11) permite constatar que a energia potencial é um funcional com uma varidvel independente (x) € uma varidvel dependente (v(x)), a qual figura até 4 segunda derivada, ie., um funcional do tipo definido em (A.3). Logo, tendo em atengio que, neste caso, se tem x =0 a =t asa OF oF OF oF a wr EM,,, ow Ow, owe as condigdes de fronteira e a equacdo de Euler-Lagrange da energia potencial da vviga (V) sto dadas por Elw,.. 5, : em x (a9 2B 2.) bv =0 de 2 FqUElg)“P=O em 30, EL. rer) Admitindo a rigidea de flexdo da vige EI coristante e atendendo & definigio de momento flector Me esforgo transverso V (nfio confundir com a energia potencial), (A.13) e (A.14) passam a ter a forma Eh yy 6. = MEW, em x=0 e€ x= (Aas) [Bw cod = VOW =0 EW gee = Perm — 10, €[. a6 Chama-se a atengdo para o facto de (A.16) ser precisamente a equagao diferencial de equilibrio de vigas, normaimente obtida através de consideragées de equilibrio, no Ambito da Resisténcia de Materiais, ADL CONDICGES DE FRONTEIRA Relativamente as condigées de fronteira definidas por (A.9), observa-se que, em cada ponto da fronteira (x= xp ex = x;), Se tem aan © MeGraw- Ht ANEXO A: ClicmonesVanncoes 417 As primeiras condigGes de (A.17) designam-se por “condigies de naturais” e as segundas por “condigdes forgadas”. Refira-se, no entanto, que, no contexto da andlise de estruturas e sempre que as variéveis dependentes do funcional sejam destocamentos, ¢ habitual designar as condig6es naturais por “estéticas” ¢ as forgadas por “cineméticas”. Num problema especifico, varias situagdes podem ocorrer: (2) Todos 08 valores de ye y, em x=.x9 € x=; so fixos. Todas as condipbes de fronteira sto forgadas (ver Figura A.4(a)), ie, todas as variagbes em (A.17) séo nulas. No exemplo ilustrativo de A.2, estas condigdes comespondem a uma viga bi-encastrada, (Bi) Todos os valores de ye y,, em.x=%9€ x= x; sdo livres. Todas as condigdes de fronteira sto naturais (ver Figura A.4(b), ie. so verificadas todas as primeiras condigdes de (A.17), No exemplo ilustrativo, estas condigdes comtespondem a uma viga livre-livre. (iii) Alguns valores de y ey, em x = 9 €.x = x, S40 fixos e os outros sao livres. Existem, simultaneamente, condigdes de fronteira forcadas ¢ naturais (ver FiguraA.4(C)), ie. sho nulas algumas variagBes de (A.17) e verificam-se as restantes primeiras condigbes. No exemplo ilustrativo, estas condigGes comespondem a vigas simplesmente apoiadas, em consola, ete. Tipos de condigdes de froneia. {@) Todas forgades. (0) Todas natrzis. (6) Algumas natures outa forgedas Exemplo Nustrativo Combinando (A.16) com (A.14), chega-se a uma conclusdo sobejamente conhecida da Resisténcia de Materiais: numa extremidade de uma viga (sem apoios elésticos) tem-se () momento nulo ou rotagdo nila e (ii) esforgo transverso nulo ou deslo- camento muo, Refira-se, ainda, que as condigoes naturais dizem respeito aos esfor 0s (condigdes estaticas) e as forgadas aos deslocamentos e/ou rotagdes (condigoes ‘cineméticas), A22 FUNCIONAIS MAIS GERAIS Apresentam-se em seguida as condigdes de fronteira e as equacdes de Euler Lagrange de funcionais mais gerais do que o definido em (A.3). () Funcionais com vérias varidveis dependentes + Yas Weadayer ee Ts fF I seul any (i) Funcionais com derivadas de ordem superior 1 [PFC Yd Yarn Yeap) OMG ti ANEXO A: ChucmonasVanncter — 419 ant Ways Brae) Be { el ' l" [ar “(ar \, 2 (ar }: a zt ar Je] 5 [fe OF a) oF Ben FEW aax oF _4| _OF ay, BW ¥-4{e)2(=)- sey |: +1 2 oF a? Bye ans) ay dx! de? Oy ay (iii) Funcionais com varias varidveis independentes 1= ff, FG, Ww.) de dy wan oF O) OF \_2/ oF | _y dw Sxl Bw, ) Spl dwy ¢~frontcirade D n,n, ~componentes da normal & fronteira ¢. ANEXO B TORCAO DE BARRAS COM SECCAO DE PAREDE FINA ABER’ Quando uma barra com secgio de parede fina aberta ¢ submetida a um momento torsor T, as suas secgdes transversais rodam em torno do seu préprio eixo ¢ empenam (i.e, sofrem deslocamentos longitudinais diferenciais e deixam de estar contidas num plano ~ ver Figura B.1(@)). Se 0 empenamento for livre, o que sucede quando (i) os apoios o nfo impedem ¢ (ii) 0 ‘momento torsor € constante, diz-se que a barra est submetida a “toro uniforme” ou “torgo de Saint-Venant™. Se, pelo contrério, (2) 0 momento torsor é varidvel ou (Ji) 0 empenamento se encontra impedido em alguma(s) sec¢o(6es), diz-se que a barra esté submetida a “torga0 nko uniforme”, A Figura B.1(b) ilustra uma situago de torgo no uniforme, provocada pelo impe- dimento do empenamento na secgiio de encastramento. t" A 1: t Barra submetida a torg%o (2) uniforme, (0) no uniforme. No caso da torgio uniforme, as tinicas componentes de deformagio nao nulas so as distoredes provocadas pela rotagio das secgdes em tomo do eixo longitudinal que passa no respectivo centro de corte. Apesar de existirem deslocamentos longitudinais devidos ao empenamento, cles niio introduzem extensdes, Deste modo, em cada secc2o estio instaladas unicamente tenses tangenciais, as quais equilibram 0 momento torsor aplicado. Quando a torgao é nao uniforme, existem também extenstes longitudinais (o empenamento varia de seco para secgo) e, consequentemente, desenvolvem-se tens6es normais, as quais variam a0 longo do comprimento da barra (dependem do nfvel de restrigao ao empenamento) ¢ tém resultante nula em cada seccio. A presenga de tensées normais varidveis longitudinalmente implica, automaticamente (por equilibrio), a existéncia de tensGes tangenciais no plano das seogdes, as quais sdo estaticamente equivalentes a um momento torsor, Deste modo, tem-se, em cada secco, T=Tj+Te ie., omomento torsor aplicado € equilibrado por duas parcelas, uma devida & rotagao de torgio a secglo (7;) ¢ a outra provocada pelo impedimento ao seu empenamento (T,). Como € dbvio, no caso da torgao uniforme apenas existe a primeira parcela Apresentam-se em seguida, de uma forma necessatiamente sucinta, os conceitos ¢ resultados fundamentais da teoria da torgio de barras com seceao de parede fina aberta, em regime eléstico. ‘Tratam-se separadamente os casos da tore&o uniforme ¢ da torgo nao uniforme, i.e, 0s efeitos (deformagées, tensbes, etc.) resultantes da aplicago de T, e T,, respectivamente.. E ainda importante referir que a torgio néo uniforme (ocorréncia simulténea de rotagdo de torgo e impedimento ‘40 empenamento) pode também ser provocada pela aplicagao de uma carga axial excéntrica, conforme esta ilustrado na Figura B.2 [B.1). eee al AEELMUNE FE A tee B | 2 vy BETES Torso nto wniforme provecsdn por uma cargs axa] extra. OMecrom ANEXO. B: Toncho.ps BaneAS Cow Succka OE PAREDE Fi AbExTA Ba TORCAO UNIFORME Considere-se uma barra submetida a um momento torsor uniforme 7, ¢ cujas secobes transversais podem empenar livremente, Sabe-se, da Resisténcia de Materiais (e.g., {B.2}), que as seeg6es rodam em torno do respectivo centro de corte (G(x) € 0 fingulo de rotagfio da secede situada & coordenada x) ¢ que o momento torsor é equilibrado unicamente por tensdes tangenciais instaladas no plano da secg2o e designadas por 7. No caso das barras com sece%o de parede fina aberta, as quais séo (aproximadamente) consti- tuldas por um conjunto de “paredes finas” (chapas com um valor elevado da relago largura/ Jespessura), € razoavel admitir que, excepto nas zonas vizinhas das extremidades das paredes, ‘essas tensdes (i) tém a direcg&o da linha média da secgo, (ii) permanecem constantes 20 longo da largura de cada parede ¢ (iii) vatiam linearmente na direcgdo da respectiva espessura (valor nulo sobre a linha média e m4ximo junto as faces laterais). Na Figura B.3 esta Tepresentada a Gistribuigho de tensGes tangenciais provocada pela torgéio uniforme numa seccao de parede fina em, podendo observar-se que a tenso tangencial méxima ocorre junto as faces da parede mais espessa da seccao, Chama-se também a atenco para o facto de existirem, junto as extremidades de cada parede, tens6es tangenciais normais & linha média da secgfo, as quais, no entanto, tém valores pequenos [B.3]. Pp Disvibuigo de tenses tangents numa sop de pared fina em. As tensdes tangenciais sao estaticamente equivalentes 20 momento torsor que actua na secgo, © qual esié relacionado com o Angulo de torgéo através da expressao db 1, =GI=-=GIo,, cs i Ox a 23 onde x 6 0 eixo da barra, G é 0 médulo de distorg0 do material e J € a constante de torgéo da ecg, No caso de uma secgo constituida por n paredes (rectangulos de largura b; ¢ espessura t), tem-se So, a a fi onde J, € a constante de torgao propria da parede i. [A distribuigto das tensGes tangenciais (paralelas & linha média) instaladas na parede i € defi- nida por 1, =2y,60. on ‘onde y, 6a coordenada “local” da parede perpendicular A sua lina média (ver Figura B.4), Deste modo, a tenséo méxima instalada na secgtio vale Tax COM ag os ax F FETED Dirmensses e veferencial “local” da parede i importante referir que o momento torsor resistente gerado pelas tensGes determinadas através de (B.4) apenas equilibra metade do momento aplicado. A outra metade devida as tensdes tangenciais normais 4 linha média (o seu pequeno valor é “compensado” pela dimenséo do brago) [B.4]. © Mcrae ANEXO Bs Tongions Bannascou SeocKo De PAREDE Fie ANERCA B2 Tor¢AO NAO UNIFORME Conforme se disse atrs, a torgdo no uniforme tem origem na variagdo do empe- namento ao longo do comprimento da barra, a qual provoce a ocorréneia de extensGes ¢ tensies normais na direcgdo longitudinal, Por esse motivo, é importante, antes de mais, caracterizar empenamento de uma secgio genérica actuada por um momento torsor. Pretende-se, assim, determinar a fungio 1, (y, 2), aqual fornece a distribuigo dos deslocamentos axiais na seco ,portanto,traduz.o sen grau de empenamento. B21 EMPENAMENTO DE UMA SECCCAO SUBMETIDA A TORCAO Na Figura B.S est representado um trogo elementar genérico de uma barra pris- -matica, compreendido entre as secgSes A ¢ B, o qual tem comprimento dr e a seco de parede fina aberta (também genérica) indicada, Designa-se por C o centro de corte (ou centro de torgio) da secgdio e é conveniente definir uma coordenada s, a qual se desenvolve ao longo da linha média da secgfo ¢ é, no caso geral, curvilinea. 7 c pies ae aaa ae ‘Trogo elementar de bara prismatica Admitam.se, em primeiro lugar, as seguintes hipéteses simplificativas: @)__Asdistorgdes envolvendo fibras situadas sobre a superficie média da barra sto despre- zaveis (hipétese de Wagner [B.4)). (i) Os destocamentos axiais devidos ao empenamento no variam ao longo da espessura da parede, Tem-se, por consequéncia, u, (), 2) =u, (s). ii) As secgses transversais nao se deformam no seu proprio plano (e., a forma da pro- jecgdio, no plano y-2, das suas configuragdes deformadas permanece inalterada). Deste modo, cada sect sofre, no seu proprio plano, unicamente um deslocamento de compo r{gido (rotagiio em torno do centro de corte). 425 ‘Tome-se, ento, um par arbitrério de pontos da secgio A, ambos situados sobre a sua linha média e distando ds um do outro, conforme mostra a Figura B.6(a). Designem-se esses pontos por Px €Qq ¢ sejam Py © Qg 0s pontos correspondentes da seccio B, localizada & distancia dx da secgdio A. Estes quatro pontos definem o recténgulo elementar representado a tracejado na Figura B.6(b), 0 qual tem como dimensdes dx e ds (0s pontos P, ¢ Qu esti suficientemente proximos para ser aceit4vel “confundir” ds com a sua projecgao na direcgdo da tangente & linha média que passa por P,, a qual se designa por tp). As rotagSes softidas pelas secgdes A e B sto diferentes, ie. tem-se 08 OA +db ag + pAdr, eo sendo importante observar que, para efeitos do cdlculo dos deslocamentos de empenamento, se pode considerar 0 trogo de barra submetido a torgo uniforme. Deste modo, pode chegar-se €& posigdo final do rectangulo P, Qy Qy Py através da combinagzo de dois movimentos de corpo xigido (ver Figura B.6(b)): (@)—Translag&o, na direc de fp (Langente & linha média que passa no ponto P,, na posigio inicial da secco A). Este movimento corresponde & ocorréncia de uma rota- ‘lo uniforme ($2 = ¢), no necessariamente pequena, e conduz.& posigdo represen- tada a ponteado. A tangente & linha média que passa na nova posi¢o do ponto P, designa-se por /, (ver Figura B.6(c)) ¢ 0 comprimento do segmento P, P4 corresponde & projeccao, na direcgao de r7,, do deslocamento de P,. Gi) Rotagao, no sentido positivo do eixo x, a qual corresponde & rotagao relativa da secgi0 B em relagdo a secgo A, de valor do = @4de. Obiém-se, ent&o, a posigio final do rectiingulo, representada a cheio. Observe-se que, em virtuce de as tensbes tangenciais, devidas & torgo (2) serem nulas sobre a linha média das secgdes, os lados do rectén- gulo P,Q, QP; petmanecem perpendiculares entre si. Observa-se, entlio, que, apés a deformaciio, (i) os pontos P, ¢ Py deixam de estar sobre o mesmo ixo longitudinal e (ii) existe um deslocamento longitudinal diferencial entre os pontos P, ¢ Qx, Este tltimo desiocamento coresponde, precisamente, ao empenamento da secgio, Na Figura B.6(c) esta representada a projecedo, no plano y-2, das posigdes finais das linhas médias das secgdes A e B. A segunda obtém-se da primeira por meio de uma rotagao, em toro do centro de corte (C, = Cy), de valor do = @Adr. MeSra ti ANEXO B: Toncio ox Barras con Seccho os Pansos am Asura 427 (3) Seogto A, ponies PA © QA e einost np (b)Posiges inca inal do rectinguloelementar P,Q, Qe Py {© Proje, no plano +, ds posgdes iis ds lnhas médias das eapties A eB A anilise das Figuras B.6 (b) e B.6 (c) mostra que: (i) O deslocamento relativo, na direcgdo ,, entre Pj e Ps vale 64 r dx, onde ré a dis- Lancia do centro de corte ao eixo £,.O sinal deste deslocamento relativo esté de acordo com o sentido positive arbitrado para o eixo 4. Para isso, € necessério atribuir ao valor da distincia ro sinal da rotaeiio que um versor de 1, provoca em tomo do centro de corte C. No caso da Figura B.6(c), essa rotagao € positiva (tem o sentido do eixo x) e, portanto, tem-se r > 0. (ii) Como consequéncia da perpendicularidade entre os lados do rectingulo Py Qy Qp Pay 0 deslocamento longitudinal relativo entre P{ e Qi, vale (ver Figura B.6(b)) du, = uSs -ufh = 04 ras an Integrando (B.7), obtém-se a expresso que fornece os deslocamentos axiais na secclo A (genérica), u,(s)= 2-94 firls) ds=uf 64 wes), os ‘onde u? = u,(0) 0 deslocamento longitudinal do ponto de coordenada s = 0 we (s) se designa como coordenada sectorial da secgio em relagdo ao centro de corte C. Geometricamente, esta coordenada sectorial corresponde ao dobro da area sombreada respresentada na Figura B.7. Tnterpretacdo geomésrica do eonceito de coordenada sectoral. Defina-se, agora, 0 deslocamento axial médio da secgo como Affects [Fue -oAwels)] (sid =u? -94W¥ey onde 2 € a drea da seego, 5; € 0 comprimento total da sua linha média e a fi vets) Hs) ds. ‘As relag6es anteriores permitem escrever uz(s)=u,(s)-i, = O4[ We — Wels] = 04 WO), a aay ean onde ut(s) so 0s “deslocamentos axiais da secg’o A medidos em relago ao respectivo valor médio" ¢ W(s) namento da secgio” [B.3, B.S]. [Wc -Wwe(s)] € uma grandeza geométrica designada por “fungao de empe- © Mero Fl ANEXO B: TonckoDs Hateascom Sto¢Zo ue PAREDR BMA ABEXTA B22 TENSOES E ESFORGOS No caso da torgio uniforme, @, € constante ao longo de toda a barra e, conse- quentemente, no existem deformagtes nem tensGes normais longitudinais. Se a tore4o for no uniforme (momento torsor varidvel e/ou impedimento do empenamento em alguma(s) secgao(6es)), @, Varia ao longo da barra, o que provoca a existncia de tensbes normais @, (x), igualmente varidveis. As tensbes tangenciais 7,, necessérias para equilibrar a variaglo de 0, S20 responsdveis por um momento torsor resistente T,, 0 qual contribui para equilibrar 0 momento aplicado na secgdo (ver equaco (B.1)). ‘As tens6es normais devidas & torgo nio uniforme so dadas por = ed em ou, tendo em atenglo (B.11) e admitindo a barra prismitica (sees constante), por osn2E #1244, 019 Como (a) = 0 (esforgo axial nulo), vem fyoxsoan=0 = Seal te [7 wis) «s) as=0, ano ‘que implica 6, (5, x)= EG ,, W(s)+ was Considere-se, agora, o elemento infinitesimal de parede representado na Figura B.8, 0 qual pertence a uina barra prismiética e tem uma dimensio ds suficientemente pequena para ser acei- ‘vel admitir que a espessura 1(s) € constante. Sobre o elemento de parede actuam (i) tenses normais 0, (por hipstese, uniformemente distribufdas na espessura da parede), nas faces perpen- iculares a x, e (i) tensdes tangenciais 7, = t,., em todas as faces latersis, ie., perpendiculares axovas. 229 oo) Vf. quilvio de um elemento infinitesimal de pres O equilfbrio de forgas, na direcgao longitudinal, conduz.& relagio ale.) 8, eae aE a9 4, integrando na linha média da sec¢fo; incorporando (B.15), recordando que se tem 7,(8 = e admitindo 7, constante na espessura t(s), a __ 1 p8e.(sx) = Felsen SAS tearm EQ ef, WS) Cs) ds om Como é evidente (nao existem esforgos transversos aplicados), esta distribuicdo de tensdes tangenciais tem resultante nula, Quanto ao momento torsor por ela provocado, o seu valor é dado pela expresstio Toa) =f 74,0) He) do =~ se" | fe 9 aa ase ou, apés alguma manipulagdo algébrica (B.S), por Ty) = Bae” [WOO] 169) d5 ET Fe aay) Meroe Hl AMEX B: Tonpdo.e Banas com Seccho Ds PAREDE FIN AREA As grandezas 'e ET designam-se, respectivamente, por “constante de empenamento” e “rigidez de empenamento” da secgio. Por uma questo de conveniéncia ¢ também por analogia com a teoria da flexo de barras, habitual definir o esforco BUx)= fo (53) Ws) Hs) ds = ETO os 20) designado por bimomento ¢ cujes unidades sao [F L?] (momento x disténcia), Deste modo, tem-se BxyW(s) 3, (6.3) wan Tex ax expresses claramente semelhantes as da teoria da flexio. Observe-se, por fim, que, no caso de uma sec¢o submetida unicamente a momento torsor, as tensdes normais 0, sio auto-equilibradas, i.e., N(x) = M,(x) = M,(@x) = 0. B23 VALORES DA CONSTANTE DE EMPENAMENTO Apresentam-se, no Quadro B.1, os valores da constante de empenamento de um conjunto de secgées de utilizacto corrente, Indicam-se ainda os valores das coordenadas (niio triviais) do centro de corte, Para compreender melhor o significado fisico das grandezas envolvidas na torso no uniforme, considera-se a barra com secgao em I representada na Figura B.9, a qual estd encastrada numa extremidade (rotagiio ¢ empenamento impedidos) ¢ livre na outra ¢ se encontra submetida a um momento torsor constante, 431 ‘Barra encastrade-ive de secgio em Ie susita a momento orsor consent QUADRO B.1: VALORES DA CONSTANTE DE EMPENAMENTO E COORDENADAS DO CENTRO DE CORTE Seco r de oF He Sbtp+2ht, Bb ty 6 bt, tht, Obiy tht, wR isapsnel 2+ bh-t A?) +34, be 2 (02 + b+ 12) 34, © MGraetstt ANEXO B: ToHcho DE BAKnAs com Stecho DF Paatoe Fina Ae Observacse que: a Gi) (iii) (iv) (vi) A alma da barra sofre apenas uma rotagio de corpo rigido (no empena), Os banzos flectem, no plano 2-y, em direcgSes opostas. O deslocamento de flexiio vale a) = x) h 2. Como consequéncia da flexdo referida atrds, desenvolve-se, em cada banzo, um ‘momento flector ay onde 25 € 0 momento de inércia do banzo em tomo do eixo z, Como M, € variavel, o equilforic de cada banzo implica a existéncia de um esforgo ransverso ee as St am 0 bimomento vale Bibs he B=M,h= 02H ¢ introduz distribuigdes lineares de tenses normais nos banzos, as quais si auto- equilibradas (as tensbes instaladas num banzo sto “opostas” as do outro). 433 B.2.3.1 EMPENAMENTO SECUNDARIO De acordo com a teoria exposta, as secgtes constitufdas por paredes cujas linhas médias convergem num ponto (e.g., secs6es em L ou em’T) tém constante de empenamento nula (P=0),o que significa que, quando submetidas a momento torsos, radam sem empenar. O centro de corte 6 0 ponto de intersecgtio das linhas médias das paredes e, portanto, tem-se r= 0 em todos 0s pontos. No entanto, se se abandonar uma das hipéteses simplificatives introduzidas em Empenamento de Uma Secgao Submetida a Torcio, p. 425 (deslocamentos axiais devidos ao empenamento constantes na espessura das paredes), verifica-se que se desenvolve uma distribuigtio “secundéria” (ie. de 2+ ordem) de tensGes normais. Como essa distribuigao de tensGes varia ao longo da espessura de cada parede, geram-se (por equilfbrio) tens6es tangenciais, as quais so respon- sfveis por um “momento torsor resistente secundario” Ty, dado por T= 73 a 029 onde I”! é a"constante de empenamento secundétio”, Nas secgbes com I" 0, 0 valor da relagdo THT € muito pequeno e, portanto, é totalmente justificavel tomar T* = 0. O mesmo néo sucede nas secsdes com I" = 0, onde a consideraco do (impedimento a0) empenamento secundétio pode conduair a tensbes tangenciais significativas. No Quadro B.2, apresentam-se os valores de I para algumas secgdes com I”= 0. QuADRO B.2: VALORES DA CONSTANTE DE EMPENAMENTO SECUNDARIO Secgdo rs , H3t3 = Tia 7 A a Herrera rst 144 36 tes 2 od 4b? 8 +8 eee 360 ) @ Meret “ ANEXO B: Toxchore Baseas com SEccho ne PAREGE Iva ABERTA B3 ENERGIA DE DEFORMACAO A energia de deformagto armazenada numa barra, de comprimento €, rigidez de lorgio GJ erigidez de empenamento ET, submetida a torgao nio wniforme é dada por Up 2Up, + Ur, e230) onde Lye 1 U; a Sh [arr ar 5 [au ax as € a parcela devida a rotagio de torgio (torgio uniforme) ¢ 8, dQdx= 5 [ET yar wn é a parcela associada ao impedimento do empenamento, Observe-se que, em (B.32), se des- prezou a energia de deformacio por corte provocada pelas tensdes tangenciais ,. Ba EQUACAO DE EQUIL{BRIO E CONDICOES DE FRONTEIRA A equagio diferencial que traduz o equilfbrio numa secgto genérica de uma barra prismética (GJ ¢ EP constantes) submetida a torcao ni uniforme é definida por THT +T,=T,+By= G16 ,- ETO cx oxy onde 7 é 0 momento torsor actuante na secexo. Alternativamente, podem derivar-se ambos os membros, © que conduza GIG ap ~ EUG sre © ET 8 sane ~ GIO ey = My os ‘onde m, 6 0 momento torsor distribufdo ao longo do comprimento da barra. A solugdo de (B.34) € de forma $2) = 64(2)+0, (2), aan 435 onde 9 & ¢ so, respectivamente, a solugo homogénea ¢ a solugto particular de (B.34), A solugio homogénea é dada pela expresso 8, (2) = C, cosh ke+C, senh kx # Cs 2+ Cy, 36 com GI k oe aan ‘As constantes C, - C, obtém-se a partir das condigdes de fronteira da barra, No caso de barras com extremidades (t) encastradas (rotago e empenamento impedidos), (ii) apoiadas (rotago impedida e empenamento livre) e (ii) livres (rotago © empenamento livres), essas condigdes de fronteira sfo, respectivamente, pad. =0 838) $20 ¢ BHO © by oo) Ba0 © Oe e THT & -b..+GI0, 340) onde é T 0 valor do momento torsor aplicado na extremidade livre da barra, eNeGrae Hil ANEXO C A TEORIA DMV PARA PLACAS E CASCAS tratamento dos problemas de estabilidade de estruturas laminares apresentado no Capitulo 6 baseia-se numa das mais simples teorias geometricamente nao lineares formu- lads para a andlise de placas ¢ cascas finas ~ a “Teoria de Donnell-Mushtari-Viasov” (também. conhecida por “Teoria DMV") [C.1]. A teotia DMV adopta as hipsteses fundamentais da teoria cléssica de cascas formulada por Love {C.2], as quais consistem em admitir que: @) As fibras normais & superficie média da casca, antes da deformagdo, permanecem normais a essa superficie, ap6s a deformagio. (i) Pode desprezar-se a tenséo normal que actua segundo a direccao perpendicular & superficie média da casca Para aléim das hipdteses referidas, a teoria DMV admite, ainda, que a casca apresenta (i) clefor- ‘mages pequenas e (ii) rotagdes “moderadas”, o que a torna valida essencialmente para “cascas abatidas”. Segundo Koiter (C.3], uma casca diz-se abatida se a relago entre o comprimento de onda caracteristico da sua configurago deformada (L) e 0 menor raio de curvatura principal da sua superficie média (R) for muito pequena, ie., se LIR << 1. Apesar de, & primeira vista, esta condigdo parecer limitativa, deve referir-se que ela € satisfeita na maior parte dos problemas de instabilidade de estruturas laminares com interesse pratico. cl RELACOES CINEMATICAS Apresentam-se agora as relagdes cineméticas (deformagées-deslocamentos) da teoria DMY, particutarizadas para o caso das cascas cilindricas. A Figura C.1 mostra a geome- tria e os eixos coordenados de uma casca cilfndrica genérica, sendo conveniente introduzir, desde j4, as notagées utilizadas para designar as grandezas intervenientes. Assim, tem-se que: @ 16 aespessura da casca. Gi) @é0.comprimento da casea. (ii) é Jargura da casca (iv) xy 6a superficie média da casca. (¥) RG oraio de curvatura da superficie média, (vi) xa coordenada longitudinal da superficie média, (vii) y 6a coordenada circunferencial da superficie média. (viii) 2 € a coordenada perpendicular A superficie média. (ix) Ue Vsto deslocamentos segundo xe y ~tangentes 2 superficie média, () Wo deslocamento segundo a normal & superficie média, Casca cilindrica genética ~ geometria enotapbes © Mcrae! ANEXO Ci) A‘THoRA DMV ina PLacas Cascus Na teoria DMY, o campo de deslocamentos de uma casca cilindrica ¢ caracterizado pelo “vector deslocamento” U=(U,V,W). on eas “deformagées generalizadas”, definidas em relago & superficie média da casca, sfo de dois tipos: (i) “deformagdes de membrana” (extensdes &, e &, ¢ distorgoes 7, = 2€,) ¢ (ii) “defor mages de flexdo/torgi0” (curvaturas de flexto 7, 2, € curvaturas de torgo Yq). Tem-se, assim: () Deformagoes de membrana © © [Ey & 265) = (Ea). a Gi) Deformagées de flexto/torgao he Ly Bley) = (Lap) cy No que respeita as relagdes cineméticas (deformagdes-deslocamentos), elas sto definidas, para cascas cilindricas, pelas expressdes © Yo = Woy co onde os indices das componentes do campo de deslocamentos designam derivadas parciais (ie, tem-se, por exemplo, U, = 2U/Ax, Way = BW/Axdy, ete.) As relagdes (C.3)-(C.6) aplicam-se igualmente a placas, bastando para isso fazer R = 0. A tinica diferenga reside no facto deo termo (WIR), presente na expressdo de &,, nfo existir no caso das placas. Conforme mostra a Figura C:2, este termo esté associado & influéncia dos deslocamentos transversais W na deformacio circunferencial ¢, (observe-se que, ao calcular o comprimento do arco A’B’, € necessério contabilizar a alteragao softida pelo valor do respectivo raio de curvature). sinal negativo indica que os deslocamentos transversais positivos (w > 0) provocam deformages circunferenciais negativas (€, <0). ©MeGrawit 439 440 ommase Beran Interpretago do terme (WIR), presente na express de 6, C2 RELACOES CONSTITUTIVAS As “tensdes generalizadas” associadas as deformagoes generalizadas {€,5} € tap) sao, respectivamente, () 08 Yesforgos de membrana” (esforgos normais N, ¢ N, ¢esforgos tangenciais N,,)¢ (i) 0s “esforgos de flexdo/torgao” (momentos flectores M,, M, € momentos torsores M,,). Estes esforgos esto referidos em relagio & superficie média da casca ¢ 0 seu significado esté indicado na Figura C.3. Tem-se assim: @) —Esforgos de membrana — Figura C.3(a) N= {Ny Ny No} ® (Nog. roy (ii) Esforgos de flexdoltorgdo (momentos) ~ Figura C.3(b) Na Figura C.3(b) esto também representados os esforgos transversos 7, ¢ T,, 0s quais podem ser expressos em termos das derivadas dos momentos (recorrendo &s equagdes de equilfbrio de ‘momentos em toro dos eixos x¢ y). Mm (M, M, My) ® (Map) «a oMGraw Hit ANEXO C: ATeoRADMV rama PuacaseCascs 447 Alay aN se if EY] Signiticado das tensoes generalizadas (esforgos. (@) Esforgos de membrana. () Esforgos de flexso/torgio (momentos). As relagées constitutivas da teoria DMV so semelhantes as utilizadas nos estados planos de tensio e na teoria eldstica de lajes e podem representar-se por Nejecli vo |fe, N, voi ry Ny. 0 0 [m,]=D}1 vo | x My vot Hi cay My; |0 0 onde as constantes C (rigidez de membrana) e D (rigidez de flexdo) valem Et EB co => cay inv? 121-2) Ee vsio o médulo de elasticidade e 0 coeficiente de Poisson do material. OMG 482 Est ioane Emma C3 EQUILIBRIO As equagées diferenciais que tracuzem o equilfbrio da casca cilindrica tém a forma Nae t Nagy =O (cm Nyy +N yee = 0 «cay 1 +W,} Mag +2Migay + Myyy + NW +2N Wey +N gt Wey | =O (exo e comrespondem ao equilibrio de forgas segundo x, y ez Refira-se que a equago (C.14) (equi- brio segundo a direcedo perpendicular & superficie média da casca) envolve (3) os esforcos transversos T, ¢ T, (expressos em termos de M,, M, € My), (ii) as componentes dos esforcos de membrana N,, N, ¢ Ny segundo z (configurac’o deformada ~ teoria geometricamente néo linear) e (ii) as cargas transversais aplicadas na superticie média, com densidade de distribuigio p (positiva segundo 2). Em alternativa, 0 equilfbrio pode ser formulado recorrendo ao prinefpio dos trabalhos (des- Jocamentos) virtuais, cuja expresso 6 dada, em notago matricial, por JOv"Se+M™5y) as =f pawas, (eas, 5 5 onde S é a superficie média da casca. C4 ENERGIA DE DEFORMAGAO ELASTICA A energia de deformagao eléstica de uma casca cilindrica é constituida por duas parcelas, associadas, respectivamente, as deformagdes de membrana (Uy) ¢ as deformagées de flexao/torgao (Uy). Tem-se, entiio, U=Uy+ Uw (ca © MeGron Hat ANEXO CG ATWoRADMV ana PuacaseCasear 443 onde Neds tf (bet Nyy +2N ye) dS can J, Matte + My tly +2Maykty) AS. cay Introduzindo as relagSes constitutivas (C.9-C.10) em (C.14-C.15), obtém-se Uy=Ef [ede 42 1 ve3,] as Net f, [ep +e} +20e,2, +20-v)¢: cw Uy => fy [xb + 23 +2004, +20-v)a3, as, cam e., expresses que permitem calcular as parcelas da energia de deformagio directamente a partir das deformagbes generalizadas. OMeGrow it ANEXO D DESENVOLVIMENTOS EM SERIE DE TAYLOR intervalos de convergéncia das séries. Apresentam.se em seguida os desenvolvimentos em série de Taylor das fungdes mais utilizadas na resolugo de problemas de estabilidade estrutural. Indicam-se também os © MGrawtit Fangio Série Intervalo de convergéncia (tay Iextat-t ato wlex 2 Pathe Ags z =1-0,721 (8) 14 P=EA enol = = 0, =arccos(cos 8)" (8,< 65) = age? % xo” -EA[1~-(c0s 8) ] (1 ~a forga actua “de cima para baixo") 4 i © Micra it 48 2.2 23» PB, =14662 wqco=al sen(382592) 95 | Enpsnsoce Esra CaP{TULO 2 0) 2K ORE 21 a) AM= z Pe Te {Oy =O fe} =0-0 vas3 = p,saraye az3 = P, (+3)$ EI IE =(8 pe =1:8cc #341) 0,6345 @ » p,m12a (wiz =[0 1 086 0] EL me 2m ©) P, S585 vats) «(sen + 0326500 7) 1.280707 -O1S07P +0, (SxS €/2) Wor) = A ® Py sud 0467803 ~ 0,892903 ~0,1435¢; +0,7121 (€/2 7=0,3Sa=9 Ey =0,734E Eg. Ep=05E= = 0,646E Ja=0,5 > F=0,230= Eq =0646E | Ro, a Ge GitersR ROME a) 0,=160MPa —b) Aggy = 111,07 9 on= flo. +020+0))- fe, Fort OF 45.55} e=8 a) w(x) = {(BtgB+24B)sen ke+(B-2A Btg2)cos kx + ra ahi (x2 /€2)~2B(B+ Atg2f) (x/£)-(B-2Atg2B)] M)= Se _[(BtgB+2Af)sen kx-+(B— 2A Btg2f)cos kx ~ B] (A=tgB-B — B=tg28-2) w(x) =[0 -4,545 -7,162 -7,701 -6,341 3,553 O]x107€ M(x)=[5,0 7,073 1,577 6,925 5,199 2,782 0)x10~EI/€ (Qiteragoes) a) w(x) = eis[sm202 +g (1- cos 28 2)- 26> B Mca) FFf sen 28 5g Bos 2B ] 2 ») oe (x) wa (x) = a FGalom BS Zatea(i- ow2p3-2)] wo BE) a oSE]( tf) ~Fileen2p E15 -cs2p3-28)] OMe Hi Sowgbes pos ProsenasProvostos 45] oy (a) ee (ws) B 1-(P/B,) (Pe = Pe) (Mp)y _ 8B | 1-018(P /P,) (My), B 1-(P-B,) 6) AF =1714 mm (0 iteragdes) AG =201,4 mm Myf = 1028,5 KNm (10 iteragées) Mg¥ =1104,0 KNm 2 2 32 2) 5,-22& __1___ gy PSp/10) |(_P B0EI 1—4P02/n?ET bhig,/4 *\ bho, ©) Py, =197392KN = P, = 613,98 KN Py =89118KN wapse Hl 73a EE 3d) P= 485655 BR, 173K El BAS 8) P, =1642 / EI . Ht EL bi) Per $ 64,1307; (mejorante pouco preciso ~ valor exact:?., = 32,076) by) R, «3021 = (barra BC critica: nB = 00 nC =0,4-k=0,5) EL by 3. = 18,786 = a0, 16 a) P,, @ » pr0704 347 a) p,=13022 b) Mi =125 Fe © beGrae at 452 Esamine Bema 3.18 a) P,$9826KN a) FP, ~970,8 KN b) Pértico “com deslocamentos laterais” Ce a oans) ©) A;=5514mm A, =6,813mm 5 =7.253 mm M,=M,=1065KNm = My =17,78KNm (4 iteragbes) P, El 319 R=——P P= 7,379 “SUBIR, @ Ag, F, = * 14 (014 o,4/4,72M2) ( _ 3.20 a) Frugy = 1741 KN »») a ~o2n Eq =1,97KN ee NEE =40,4KN VE =821KN MEP =262,8KNm NGP =232,1KN VgP=40,4KN MEP =262,8KNm Nse_ ,Mst - 0,078+0,641=0,719<10 o) €Y8= 606m k= 1,01 Rd Mra CapfruLo 4 4.1 a) B, $909,7KN (flexio-torgiio) b) P, $305,6KN (flexio pura) 43) vad fier, yt BTR, + G16 + 0+ BE] M? 2) ED 8 xen ~ G00 — Bay [G+ pyeFge=0 Mey 1+ f)/ 2} +[0,18010+ BP Me S ° i ONecran Hat Souupdes.os PromsuasFroresras 453 lea 42 Ox 1 44 a) veoh (BI, vi. + ETO, +6393] de [ “PP d+ 50 r9l9CE/ DP 12EI, IEP) _(7.2Eh zg) | , 72El.t9 \ (on 22 )+( @ yl e 64ET 21 45 2164/ s323¢StEL) 46 By =2a9 4 ly ~ah se M,<0 fi z: __ baht dt, 4 dt )/2 bf, +b + (d-h=)t = % Gh-zg se My>0 1 (+t) “TG Tae Ta) Ot, bt, ly thn 2g Bh onc ~ By =0,699 -M,, = 620,46 KNm Zur = 0,4220 (curva c) 48 M,,=560,42KNm Ps, =1717,7KN Py =3751,35 KN ‘Pa, =1096,5KN 49 %,= 0,225 (curva) yp = 0,469 (curva a) 4, =1,034515 gy = 0,939 510 M, Mat 4, Mist = 0,300+0,361 = 0,661 5 10 Novza” Mpiy.za OMGror 454 ExnsoaDE ESTRSTRAL M, Net yp PS 2 0,300-+0,699 = 0,999 510 Nee kd DR 4.10 y= 0,8908 (curva) YX, = 0,6402 (curvac) zy = 0,9593 (curvaa) k= 1005515 k, =0,95251,5 hyp =0,980510 if My, Nea 4, Most», Mest 0,28540,479+0,161= 0,925 510 Nira” Myra * Myint ‘M, A Nd yy MoS! 4p, Mast = 0,285 +0,487+0,161 = 0,933 10 Nora Moza “Myra CapiruLo 5 KK P iat 51 a) Pada Ge geet spe a(n) =a 0) P(g) = SEE OORSE 9p Fmt rotitg? aula) 06404, -0.058qf Pp oe 52.) F714 03805 5 Pe, B1BB6F P37 Ps 4 oe) 53 a atte =P eile §6(p,etke Dele porte (% 1") by 2h a 1-2,092622 Py 8K 54 a) qo qe (z=) 55 56 ») # me V5-5y1 (© MeGrow Seuugtes vos Paoninwas Provesres. 455 CAPITULO 6 61 62 63 64 65 66 68 a) b/t=568 — b) b/1=46,2 b) b/1> 67 (placa ideal) e b / t> 81 (placa real ~ férmula de Winter) oon = OEE. (J>e. = 281E oll Rd=-v) b, ole 2 =v) (e), TEIIRE (Yao Jpg = DSUPE “y eer 12.0 = v8) AB, ole 20=v Mb a) Keg = AP 0,426 (ara v= 0,3)> Koy #0425 b) b/ts 12,5 b) P,/ Poy = 1,2 (reserva de resistencia de 20%) 4) Oj, =1270MPa a) 0, = 2107 MPa (pafam = len =0) a) geo = G=-e+/22086 028 (em 1.* aproximagéo, pois desprezam-se os termos em 92, Ge, Ze? e €3) ++ O valor (aproximado) de cjg 6 dado pela Equagdo (6.180) com v= 0,3, 0=0,7 7 =~e+ (3,268e—0,De? ~1,506e1 (desprezando £ em presenga de €2), ONeGrae Hi REFERENCIAS CAPITULO 1 [L.1] [1.2] 03) 04) 0.5) 0.6) un [1.8] (19 [1.10] (ay) [1.12] 1.13] (1.14) Langhaar, H. L. (1962), Energy Methods in Applied Mechanics, Jobn Wiley & Sons, New York. ‘Timoshenko, S. P. e Gere, J. M. (1961), Theory of Elastic Stability, McGraw-Hill, New York. Massonet, C. ¢ Cescotto, S, (1982), Mécanique des Méteriaux, Sciences et Lettres, Lidge. Oliveira, E. A. (1999), Elementos da Teoria da Elasticidade, IST Press, Lisboa. ‘Thompson, J. M. e Hunt, G. W. (1984), Elastic Instability Phenomena, John Wiley & Sons, Chichester. Dym, C. L. e Shames, IH. (1973), Solid Mechanics —A Variational Approach, McGravi- “Hill, New York. Euler, L. (1944), Methodus inveniendt Lineas Curvas Matimi Minimive Proprietate Gaudentes (Appendix: De Curvis Blasticis), Marcum Michaelem Bousquet, Lausanne. Bleich, F. (1952), Buckling Strength of Metal Structures, McGraw-Hill, New York. ‘Wagner, H, (1929), “Ebene Blechtriger mit Sehr Dinnem Stegblech”, Zeitschrift fir Plugtechnik und Motor Luftschiffahrt, Vol. 20, p. 220. Cox, H, L, (1934), “Buckling of Thin Plates in Compression”, Aeronautical Research Communications, Report and Memory n° 1554, Marguerre, K. ¢ Trefftz, E. (1937), “Ober die Tragfithigkeit eines Luingsbelasteten Plattenstreifens nach Uberschreiten der Beullast”, Zeitschrifi flr Angewandte Mathematik und Mechanik, Vol. 17, p. 85. Von Karman, T. ¢ Tsien, H. S. (1939), “The Buckling of Spherical Shells by External Pressure”, Journal of Aeronautical Sciences, Vol. 7, p. 43. Von Karman, T. e Tsien, H. S. (1941), “The Buckling of Thin Cylindrical Sheels under Axial Compression, Journal of Aeronautical Sciences, Vol. 8, p. 303. ‘Tsien, H. S. (1942), “A Theory for the Buckling of Thin Shells”, Journal of Aeronautical Sciences, Vol. 9, p. 373. 458 Exrantioaoe Esrcrona, {1.15} (1.16) Koiter, W.T. (1945), “Over de Stabiliteit van het Elastiche Bvenwicht”, Tese de Douto- ramento, Delft, Holanda, (Tradugao inglesa em 1967: “On the Stability of Elastic Equi- librium, NASA Report n.° TT-F-10833.) Budiansky, B. (1974), “Theory of Buckling and Post-Buckling Behaviour of Elastic Structures”, Advances in Applied Mechanics, Vol. 14, p. 1, {1.17] Budiansky, B, e Hutchinson, J. W. (1979), “Buckling: Progress and Challenge”, Trends in Solid Mechanics (Eds. J. F. Besseling ¢ A. M. Van det Heijden), p. 93, Sijthoff and Noordhoff, Alphen. [1.18] Chilver, A. H. (1972) “The Elastic Stability of Structures” (Capitulo 3), Stability (Ed. H. H. Leipholz), Solid Mechanics Division, University of Waterloo Press. [1.19] Thompson, J. M. e Hunt, G. W. (1973), A General Theory of Elastic Stability, John Wiley & Sons, London. [1.20] Croll, J. G. e Walker, A. C. (1972), Elements of Structural Stability, Macmillan, London. [1.21] Roorda, J. (1972), “Concepts in Elastic Structural Stability”, Mechanics Today (Ed. S. Nemat-Nasser), Vol. 1, p. 322. [1.22] Roorda, J. (1980), Buckling of Elastic Structures, Solid Mechanics Division, University of Waterloo Press. [1.23] Shanley, FR. (1947), “Inelastic Column Theory”, Journal of Aeronautical Sciences, Vol. 14, p. 261. [1.24] Hill, R. (1958), “A General Theory of Uniqueness and Stability in Elastic-Plastic Solids”, Journal of the Mechanics and Physics of Solids, Vol. 6, p. 236. [1.25] Hill, R. (1961), “Bifurcation and Uniqueness in Nonlinear Mechanics of Continua”, Problems of Continuum Mechanics (Muskhelishvili Volume), p. 155, Soc. Ind. Appl. Math. (SIAM), Philadelphia. [1.26] Hutchinson, J. W. (1974), “Plastic Buckling”, Advances in Applied Mechanics, Vol. 14, p.67. CAPITULO 2 [2.1] Wyllie, C. R. (1975), Advanced Engineering Mathematics (4% edition), McGraw-Hill, ‘New York, {2.2] Clough, R. W. e Penzien, J. (1975), Dynamics of Structures, McGraw-Hill, New York. {2.3] Timoshenko, S. P. (1953), History of Strength of Materials, McGraw-Hill, New York, (Nova edigdo em 1983: Dover, New York.) [24] Dym,C. Le Shames, I. H. (1973), Solid Mechanics — A Variational Approach, McGraw- Hill, New York. [2.5] Bazant, Z. P. e Cedolin, L. (1991), Stability of Structures — Elastic, Inelastic, Fracture and Damage Theories, Oxford University Press, New York. Renassecns [2.6] Crandall, S. E. (1956), Engineering Analysis: A Survey of Numerical Procedures, McGraw-Hill, New York. [2.7] Salvadori, M. G. e Baron, M. L. (1961), Numerical Methods in Engineering, Prentice- Hall, Englewood Clifis. {2.8] Chages, A. (1974), Principles of Structural Stability Theory, Prentice-Hall, Englewood Cliffs. [2.9] Newmark, M,N, (1943), “A Numerical Procedure for Computing Deflections, Moments and Buckling Loads”, Transactions of the American Society of Civil Engineers (ASCE), Vol. 108, p. 1161. [2.10] Vianello, L. (1898), “Graphische Untersuchung der Knickfestigkeit Gerarder Stiibe”, Zeitschrift des Vereines Deutscher Ingenieure, Vol. 42, p. 36. [2.11] Laursen, H. I. (1969), Structural Analysis, McGraw-Hill, New York. [2.12] Lind, N. C. (1982), Numerical Analysis of Structural Elements, Solid Mechanics Division, University of Waterloo Press. [2.13] Pilkey, W. D. e Wunderlich, W. (1994), Mechanics of Structures - Variational and Computational Methods, CRC Press, Boca Raton. [2.14] Allen, H. G. ¢ Bulson, P. S. (1980), Background to Buckling, McGraw-Hill, London. [2.15] Kantorovich, L. V, e Kryloy, V. 1. (1958), Approximate Methods of Higher Analysis, Interscience Publishers, New York. [2.16] Zienkiewicz, O. C. e Taylor, R. L. (1988), The Finite Element Method (4 edition — 2 volumes), McGraw-Hill, London. {2.17] _ Livesley, R. K. e Chandler, D. B. (1956), Stability Functions for Structural Frameworks, Manchester University Press, [2.18] Chen, W. F. e Lui, E, M. (1987), Structural Stability ~ Theory and Implementation, Elsevier, New York. [2.19] | Winkler, B, (1867), Die Lehre von der Elastizitdt und Festigkeit, H. Dominicus, Prague. [2.20] Engesser, F. (1884 e 1885), “Die Sicherung Offener Briicken gegen Ausknicken, Zentrablatt der Bauvenwaltung, p. 415 (1884) e p. 93 (1885). (2.21] Bleich, F, (1952), Buckling Strength of Metal Structures, McGraw-Hill, New York. CapiTULo 3 {3.1] Comité Européen de Normalisation — CEN (1992), Eurocode 3: Design of Steel Struc- tures, Part 1.1; General Rules and Rules for Buildings (ENV 1993-1-1), (3.2] Timoshenko, S. P. (1953), History of Strength of Materials, New York, (Nova edigio em 1983: Dover, New York.) [3.3] Southwell, R. V. (1932), “On the Analysis of Experimental Observations in Problems of Elastic Stability”, Proceedings of the Royal Society - London (Series A), Vol. 135, p. 601. 459 460 Erantmane Esnimina (3.4) 13.5] B.6) 7) (3.8) B9) (3.10) But] 3.12) G3} B.14] 13.15} (3.16) B.a7] 3.18] [3.19] (3.20) 3.21) (3.22) (3.23) (3.24) Engesser, F, (1889), “Ueber die Knickfestigkeit Gerader Stibe”, Zeitschrift fiir Architectur und Ingenieurwesen, Vol. 35, p. 455. Johnston, B. G. (1983), “Column Buckling Theory: Historic Highlights”, Jounal of Structural Engineering (ASCE), Vol. 109, 2.° 9, p. 2086. Jasinsky, F. (1895), “Noch ein Wort zu den Knickfragen”, Schweizerische Bauzeitung, Vol. 25, p. 172. Considate, A. (1891), “Résistance des Pieces Comprimées”, Annales du Congrés Inter. national de Procedés de Construction, Patis, Vol. 3, p. 371. Engesser, F. (1895), “Ueber Knickfragen”, Schweizerische Bpuzeitung, Vol. 26, p. 24. Shanley, F. R. (1947), “Inelastic Column Theory”, Journal of Aeronautical Sciences, Vol. 14, p. 261. Ayrton, W. E, e Perry, J. (1886), “On Struts”, The Engineer, Vol. 62, p. 464, Robertson, A. (1925), “The Strength of Struts”, Proceedings af the Institution of Civil Engineers (ICE ~ London), selected engineering paper n." 28. Chen, W. Ee Lui, E. M. (1987), Structural Stability ~ Theory and Implementation, Else- vier, New York. Maquoi, R. e Rondal, J. (1978), “Mise en Equation des Nouvelles Courbes Buropéennes: de Flambement”, Revue Construction Métallique, n° 1, p. 17. ‘Comité Européen de Normalisation - CEN (1994), Produtos Laminados a Quente em Agos de Construcdo ndo Ligados (Norma Portuguesa NPEN 10025+A.1), Instituto Portugués de Qualidade (IPQ). Ketter, R. L. (1961), “Further Studies of the Strength of Beam-Columns”, Journal of the Structural Division (ASCE), Vol. 87, n.° 6, p. 135. Chen, W. F. e Lui, E. M, (1991), Stability Design of Steel Frames, CRC Press, Boca Raton, Lind, N. C. (1982), Numerical Analysis of Structural Elements, Solid Mechanics Division, University of Waterloo Press. Home, M. R. (1971), Plastic Theory of Structures, Thomes Nelson and Sons, London. Home, M. R. e Merchant, W. (1965), The Stability of Frames, Pergamon Press, London. Galambos, T. V. (Ed. (1998), Guide to Stability Design Criteria for Metal Structures (54 edition), John Wiley & Sons, New York. Allen, H. G, ¢ Bulson, P. S. (1980), Background to Buckling, McGraw-Hill, London. Horne, M. R. (1975), “An Approximate Method for Calculating the Elastic Critical Loads of Multistorey Plane Frames", The Structural Engineer, Vol. 53, n.° 6, p. 242. Wood, R. H. (1974), “Effective Lengths of Columns in Multi-Storey Buildings”, The Structural Engineer, Vol. 52, 1.2 7 (p. 235), no 8 (p.295) en.°9 (p. 341). Chen, W. F. e Toma, S. (1994), Advanced Analysis of Steel Frames ~ Theory, Software and Application, CRC Press, Boca Raton. [3.25] Kardestuncer, H. ¢ Norrie, D. H. (Eds.) (1987), Finite Element Handbook, McGraw- “Hill, New York, [3.26] Home, M. R. (1985), “Frame Instability and the Plastic Design of Rigid Frames”, Steel Framed Structures ~ Stability and Strength (Ed. R. Narayanan), p. 1, Elsevier Applied Science Publishers. CaPiTULO 4 [4.1] Massonet, C. e Cescotto, S, (1982), Mécanique des Matériaux, Sciences et Lettres, Ligge. [4.2] Chages, A. (1974), Principles of Structural Stability Theory, Prentice-Hall, Englewood Cliffs. [4.3] Trahair, N.S. (1993), Flexural-Torsional Buckling of Structures, E&FN Spon (Chapman & Hall), London, [4.4] Comité Européen de Normalisation - CEN (1996), Eurocode 3: Design of Steel Struc- ‘tures, Part 1.3: Supplementary Rules for Cold Formed Thin Gauge Members and Sheeting (ENV 1993-1-3). [4.5] Allen, H. G. e Bulson, PS. (1980), Background to Buckling, McGraw-Hill, London. [4.6] Chen, W.R e Lui, E.M. (1987), Structural Stability ~ Theory and Implementation, Else- vier, New York. [4.7] Galambos, T. V. (Ed.) (1998), Guide to Stability Design Criteria for Metal Structures (5* edition), John Wiley & Sons, New York. [4.8] Comité Européen de Normalisation - CEN (1992), Eurocode 3: Design of Steel Structures, Part 1.1: General Rules and Rules for Buildings (ENV 1993-1-1). [4.9] Chen, W. F e Atsuta, T. (1977), Theory of Beam-Columns (2 volumes), McGraw-Hill, New York. CapiruLo 5 {5.1} Thompson, J. M. e Hunt, G, W. (1973), A General Theory of Elastic Stability, John Wiley & Sons, London. 5.2} Koiter, W.T, (1945), “Over de Stabiliteit van het Elastiche Evenwicht”, Tese de Doutora- mento, Delft, Holanda, (Tradugao inglesa em 1967: “On the Stability of Elastic Equi- librium”, NASA Report n° TEF-10833.) [5.3] Pignataro, M., Rizzi, N, e Luongo, A. (1991), Stability, Bifurcation and Posteritical Behaviour of Elastic Structures, Elsevier Science Publishers, Amsterdam, [5.4] _ Reis, A. J. e Roorda, J. (1979), “Post-Buckling Behavior under Mode Interaction”, Journal of the Engineering Mechanics Division (ASCE), Vol. 105, n.° 4, p. 609. 461 462 Bsramunane Bsmuronat {5.5} Roorda, J. (1980), Buckling of Elastic Structures, Solid Mechanics Division, University of Waterloo Press. (5.6] Bazant, Z. P. e Cedolin, L. (1991), Stability of Structures — Elastic, Inelastic, Fracture and Damage Theories, Oxford University Press, New York. [5.7] Hutchinson, J. W. (1974), “Plastic Buckling”, Advances in Applied Mechanics, Vol. 14, p. 61. [58] Rondal, J., Dubina, D. e Gionen, V. (Bds.) (1996), Coupled Instabilities in Metal Strue- tures (CIMS’96), Imperial College Press, London. [59] Chen, W.F e Lui, E, M. (1987), Structural Stability — Theory and Implementation, Else- vier, New York. CAPITULO 6 [6.1] Brush, D, 0. e Almroth, B, O, (1975), Buckling of Bars, Plates and Shells, MeGraw- Hill, New York, {62} Love,A. E,(1927),A Treatise on the Mathematical Theory of Elasticicity (4% edition), ‘Cambridge University Press. (Nova edigo em 1944: Dover, New York.) [6.3] Timoshenko, S. P.e Woinowsky-Krieger, S. (1959), Theory of Plates and Shells, MeGraw- Hill, New York. [6.4] _Bulson, P. S. (1970), The Stability of Flat Plates, Chatto & Windus, London. {6.5} Column Research Conimittee of Japan (1971), Handbook of Structural Stability, Corona Publishing Company, Tokyo. [6.6] _ Kardestuncer, H. ¢ Norrie, D. H: (Bés.) (1987), Finite Element Handbook, MeGrav- “Hill, New York, 16:7] Melosh, R. J. (1963), “Basis of Derivation of Matrices for the Direct Stiffness Methods”, Journal of the American Institute of Aeronautics and Astronautics (ALAA), Vol. 1, p. 1631. [6.8] Bathe, K. J.e Wilson, BL. (1976), Numerical Methods in Finite Element Analysis, Prentice- “Hall, Englewood Cliffs. [6.9] Zienkiewicz, O. C, (1977), The Finite Element Method (3% edition), McGraw-Hill, London. [6.10] Allen, H. G. e Bulson, P. S. (1980), Background io Buclling, McGraw-Hill, London. [6.11] Koiter, W.'T. (1945), “Over de Stabiliteit van het Elastiche Evenwicht”, Tese de Douto- ramento, Delft, Holanda, (Tradugao inglesa em 1967: “On the Stability of Elastic Equi- librium”, NASA Report n.° TPF-10833.) [6.12] Kumar, A. (1985), Stability Theory of Structures, Tata McGraw-Hill, New Deihi. 16.13} von Karman, T., Sechler, E. E, ¢ Donnell, L. H. (1932), “The Strength of Thin Plates in Compression”, Transactions of the American Society of Mechanical Engineers (ASME), Vol. 54, p. 53. (6.14) [6.15] (6.16) [6.17] (6.18) 16.19] 16.20] (6.21) [6.22] 16.23} [6.24] [6.25] [6.26] (6.27) [6.28] [6.29] Reraxtves Maquoi, R. (1995), “Design Criteria for Flanges and Webs” (Lecture 3), Steel Plated Structures (Eds. M. Ivanyi eM. Skaloud), CISM Course n.° 358, Springer-Verlag, Wien- -New York. Winter, G, (1947), “Strength of Thin Steel Compression Flanges”, Transactions of the American Society of Mechanical Engineers (ASME), Vol. 112, p. 527. Galambos, T. V. (B4.) (1998), Guide to Stability Design Criteria for Metal Structures (5" edition), John Wiley & Sons, New York. Dubas, P.¢ Gebri, E. (Eds.) (1986), Behaviour and Design of Plated Structures, Publi= cation n.° 44, European Convention for Constructional Steelwork (ECCS). Comité Buropéen de Normalisation — CEN (1992), Eurocode 3: Design of Steel Struc~ tures, Part 1.1: General Rules and Rules for Buildings (ENV 1993-1-1). Comité Européen de Normalisation - CEN (1996), Eurocode 3: Design of Steel Struc tures, Part 1.3: Supplementary Rules for Cold Formed Thin Gauge Members and Shecting (ENV 1993-1-3), Comité Européen de Normalisation — CEN (1997), Eurocode 3: Design of Steel Struc tures, Part 1.5: General Rules — Supplementary Rules for Planar Plated Structures without ‘Transverse Loading (ENV 1993-1-5). . Magquoi, R. (1992), “Classification of Cross-Sections” (Chapter 2), Stability Problems of Steel Structures (Eds, M. Ivanyi e M. Skaloud), CISM Course n,° 323, Springer- -Vetlag, Wien-New York. European Steel Design Education Programme (ESDEP) (1994), “Cross-Section Clas- sification” (Lecture 7.2). Bazant, Z. P. e Cedolin, L. (1991), Stability of Structures ~ Elastic, Inelastic, Fracture and Damage Theories, Oxford University Press, New York. Donnell, L. H. (1934), “A New Theory for the Buckling of Thin Cylinders under Axial Compression and Bending”, Transactions of the American Society of Mechanical Engi- neers (ASME), Vol. 56, p. 795 ‘Chages, A. (1974), Principles of Structural Stability Theory, Prentice-Hall, Englewood Cliffs, Oliveira, E. A. (1999), Elementos da Teoria da Elasticidade, IST Press, Lisboa. Volmir, A. S. (1963), Stability of Elastic Systems (em tusso), Fizmatgiz, Moscow. (Tradugio inglesa em 1965: NASA Report AD 628508.) European Convention for Constructional Steelwork (ECCS) (1981), European Recom- mendations for Steel Construction, The Construction Press, London. Reis, A. J. e Virtuoso, F. E, (1983), “Numerical Simulation of the ECCS Buckling Curves for Cylindrical Shelis in the Elastic and Plastic Ranges”, Preliminary Report of the Third International Colloquium on Stability of Metal Structures, Paris, p. 321 463 464 Examine Esra, ANEXOA (aay {A2] Courant, R. e Hilbert, D. (1953), Methods of Mathematical Physics (Vol. 1), Interscience Publishers, New York. (Nova edigo em 1989: John Wiley & Sons, New York.) Forray, M. J. (1968), Variational Calculus in Science and Engineering, McGraw-Hill, New York. ANEXO B [B.1] B2 (B.3] BA) [B.5) Oden, J.T, (1967), Mechanics of Elastic Structures, McGraw-Hill, New Yorks. Massonet, C. ¢ Cescotto, 8. (1982), Mécanique des Méteriaux, Sciences et Lettres, Lidge. ‘Trahair, N. S. (1993), Flexural-Torsional Buckling of Structures, E&EN Spon (Chapman ‘& Hall), London. Bazant, Z. P. ¢ Cedolin, L. (1991), Stability of Structures ~ Elastic, Inelastic, Fracture and Damage Theories, Oxford University Press, New York, Corradi, L. (1978), Instabilita delle Strutture, CLUP, Milano. ANEXO C [en {(c.2] {c3] Brush, D. 0, e Almroth, B, O. (1975), Buckling of Bars, Plates and Shells, McGraw- -Hill, New York. Love, A. E. (1927), A Treatise on the Mathematical Theory of Elasticicity (4 edition), ‘Cambridge University Press. (Nova edigio em 1944: Dover, New York.) Koiter, W. T. (1967), “General Equations of Elastic Stability for Thin Shells", Proceedings of the Symposium on Theory of Shells to Honor Lloyd Hamilton Donnell, University of Houston, p. 187. {NDICE REMISSIVO A Abacos de dimensionamento, 228, 240 ‘Ago macio, 134 154,156, 159 ‘Anise de ordem “motificads”, 232 de 2*ordem (ver Andlise de 2* order) de exubilidade, 15 eléstica limit, 157,159,164 linear de estabilidade (ver Anise fnear de extabilidade) linear de esrauras, 14,100,194, 225 no linear, 16 ‘no linear de esabiidade, 25, 305 raméria, $8, 73, 190, 32,383 plastica de 1.* ordem (limite), 200, 208 do pér-encurvadura, 2,24 “Andlise de 2+ orden aproximada, 232 rigorsa, 232 clasio-plistica (ver Anise elast-psica de 2" order) Anise elasto-plstion de 2! orden com espathamento de plasticidade, 200, 235 com réla plastica, 201,235 ‘Aailise linear de estabiidad, 23,43, 100, 200,212, 342,395 de cases clinsicas, 382 de places, 345 Angule de torgio, 259 ‘0,380 -abatide, 13 rea feta, 381 B Bambeamento, 2,258 Bifuresgo assimétrica, 316, 318, 325 de equilbrio, 4, 144, 212, 234 simétrice (ver Bifurcaglo simética) Bifurcagao simética, 319 cestivel, 316, 367 instivel, 316, 325 Bimomento, 431 c CCéteslo das variagies, 65, 411 ‘Campo de deslocamentos residval,311, 313, 365 Carga do bifurcacto, 7, 49-50, 66, 68 de colapso de cascascilindticas, 403 critica, 50,68, 214 critica de colunas, 153, 262 de Euler, 68, 105 do médulo reduzido, 147 do mSdulo tangente, 164 ‘Shima, 153, 200, 294 CCarregamento proporcional, 229, 235, 266 Casea, 342 abatida, 437 cilindrica, 342, 390, 438 Centro e corte, 269, 279, 281, 422-423, 425 e torglo, 425, Classe de secyto, 285, 295, 379 CCasificaguo de péricos, 238, 241 Copficiente ée amplificaglo, 178 e encurvadiara, 287, 351, 371, 387 de momento uniforme equivalente, 274 parcial de seguranga, 166, 207, 285 Coluna, 62, 64, 66, 135 ‘com apoios elésticos, 118 com tenses residuals, 161 curt, 164 ‘lasto-pléstica imperfeita, 155, cesbelta, 164 de Boke, 3, 8,274, 314, 317, 323, ideal”, 137, 264 imperfeta, 140, inegrada em pértco, 227 intermédia, 165 ‘no uniforme, 115, 136 “real”, 137 de Shanley, 148 sobre fundagso eléstica, 120 uniforme, 70 -viga (ver Coluna-vige) 466 Estantnaoe ESTA. Colnna(s)-viga, 174, 288 com deslocamento relativo das extremidades, 187 rio uniforme, 190 sem deslacamento rlativo das extremidades, 182 simplesmente apoiada, 175, ‘Comportamento de pés-encurvadura, 25, 305-306, 310, 342, 367