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Aula de Análise (19/06/2019)

Relatório sobre a música analisada na última aula (12/06) e sobre a aula de hoje.

Durante alguns séculos as músicas não eram assinadas, eram “anônimas”. Aos poucos, foi
havendo uma divisão. Alguns foram tomando o papel de executar determinadas coisas que
outros não podiam fazer (por ex: por poder, ou porque tinham mais “dom”), e isso criou uma
divisão.

A prática musical foi sendo organizada por alguns. (Leonan e Perotan eram os encarregados
em Paris).

As mesmas modificações aconteceram em relação aos instrumentos e cantores, por exemplo.


As obras mais simples eram trabalhadas em grupo, enquanto as mais complexas eram
trabalhadas por uma ‘minoria’?

O domínio da escrita foi permitindo o desenvolvimento do discurso polifônico – a arte do


contraponto. O moteto isoritmico já uma demonstração de certo virtuosismo sobre como lidar
com essas variações de forma mais ‘organizada’.

Ma fin est mon commencement – Guillaume de Machaut

(Carol está com as fotos dos slides)

Este trecho é o coração do texto. Ele aparece no fim e no começo:

Meu fim é meu começo

E meu começo meu fim

A terceira estrofe é um pouco esquisita, não é muito fácil de entender:

Minha terceira voz três vezes somente

Retrograda-se e assim termina

A poesia é a própria partitura da música.

A peça tem três vozes. A terceira voz começa com a nota dó. Se olharmos a segunda página de
trás para frente, até o meio da página 2, vamos encontrar a mesma melodia de forma
espelhada, sem nenhuma mudança (retrógado).

A B A A – e não vai para a segunda parte, para cumprir com o que está escrito no texto. O jogo
é que o fim e o começo, o começo e o fim, é a mesma coisa. Machaut representa isso na
estrutura musical não só na terceira voz. A primeira e segunda voz utilizam a mesma ideia, a
mesma linha. Quando olhamos a segunda linha, no final da segunda página encontramos a
melodia da primeira voz, mas retrógado.
Há um virtuosismo porque ele escreve uma coisa rígida, mas que precisa fazer sentido sonoro.
Machaut encontrou nessas relações polifônicas algo a mais.

Compasso 5: Há um movimento harmônico no sentido de criar movimento, mas não modular.


É uma cadência aberta, e logo retorna para dó.

Primeira página: A

Segunda página: B

É errado dizer que essa música está em Dó maior.

Obs: Rítmo bastante fluído, que acaba sendo difícil de reproduzir com tamanha fluidez se nos
apegarmos a métrica “quadrada”.

Quando temos alterações nas notas (#) podemos dizer que temos uma mudança modal, ou
chamar atenção para uma determinada nota, ou o objetivo da alteração é evitar uma possível
dissonância vertical. Isso vai descaracterizando os modos puros na idade média. Eles vão
deixando de ser o que eram em sua origem.

Essa música é um bom exemplo do que acontecia na época. É uma época religiosa e o
compositor tinha um cargo religioso (conferir informação).

Há um aspecto construtivista, abstrato, que não ouvimos.

Outra demonstração das possibilidades que Machaut explorou. A duração e a linha melódica
podiam ser espelhadas. Trata-se de duas vertentes que foram possíveis graças aos avanços da
escrita musical. Ele explorou isso de uma maneira bastante criativa.

Em suas composições ele era bastante criativo, explorando as possibilidades, mas conseguindo
colocar na música aquilo que estava pensando.

KBAPTET - O. MECCHAN
Quarteto para o fim dos tempos (homenagem ao anjo do apocalipse – aquele que anuncia o
fim dos tempos)

1. Liturgia de cristal

Ele compôs a peça em um momento em que estava preso em um campo de concentração


durante a Segunda Guerra Mundial. Pela primeira vez conseguiu tocar a peça lá mesmo. Ele foi
o pianista da peça. Ele foi preso em Maio de 1940, quando foi levado para o campo
(Alemanha). O quarteto foi formado por piano (o próprio), violino, violoncelo e clarinete. A
peça foi estreada em 1941 para uma audiência de 5000 pessoas no campo de concentração.

Com sua música ele procura pairar acima de tudo o que estava acontecendo. Essa música
representa a eternidade.

Ele cria uma estrutura baseada em isoritmo.

Ao longo de todo o primeiro movimento o piano tem uma sequência de Talea.

Talea: sequência de ritmos


Color: acordes
Violoncelo: Rítmos não retrogradáveis.

Acima disso, sobrepondo os isoritmos do piano e violoncelo, temos o clarinete e o violino


representando algo muito importante para Mecchan, que são os pássaros. Ele escreveu muitas
músicas que ele dizia que estava representando o canto dos pássaros – a ideia de um canto de
pássaro que se repete, mas nem sempre é igual.