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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Resolução dos exercícios

Mirela Albino Maciel-Código nº 708204432

Curso: Português
Disciplina: IEL
Ano de Frequência: 1º Ano

Gurúè, Abril, 2020

Universidade Católica de Moçambique


Instituto de Educação à Distância

Resolução dos exercícios

1
Mirela Albino Maciel-Código nº 708204432

Trabalho de Campo a ser apresentado na


Universidade Católica de Moçambique-IED com
carácter avaliativo na cadeira de Introdução de
Estudos Literários aos estudantes do curso de
Licenciatura em Ensino de Português - 1º Ano.

Docente: dra. Elsa Maria Amaral da Silva

Gurué, Abril, 2019


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 Bibliografia 0.5
Conteúdo  Contextualização
(Indicação clara do 1.0
problema)
 Descrição dos
Introdução 1.0
objectivos
 Metodologia
adequada ao 2.0
objecto do trabalho
Análise e  Articulação e 2.0
discussão domínio do
discurso académico
(expressão escrita
cuidada,
ii
coerência / coesão
textual)
 Revisão
bibliográfica
nacional e
2.
internacionais
relevantes na área
de estudo
 Exploração dos
2.0
dados
 Contributos
Conclusão 2.0
teóricos práticos
 Paginação, tipo e
tamanho de letra,
Aspectos
Formatação paragrafo, 1.0
gerais
espaçamento entre
linhas
Normas APA  Rigor e coerência
Referências
6ª edição em das
Bibliográfica 4.0
citações e citações/referências
s
bibliografia bibliográficas

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Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor
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Índice
Introdução.........................................................................................................................................6

1 Unidade: Evolução Histórica e Semântica do Lexema Literatura............................................7

2 Unidade: A Problemática de uma Definição Referencial do Conceito de Literatura...............8

3 Unidade: Ficcionalidade e Intertextualidade na Obra Literária................................................8

4 Unidade: Do conceito da Literatura ao conceito da Literariedade............................................9

5 Unidade: Arte e Estética..........................................................................................................10

6 Unidade: Texto Literário vs texto Não-Literário....................................................................10

7 Unidade: Função da Literatura................................................................................................10

8 Unidade: Semiose Literária: Sistema, Código (s) e Texto Literário.......................................13

9 Unidade: Diversidade dos Géneros Literários: Teoria de Horácio.........................................14

10 Unidade: Teoria romântica dos Géneros Literários: (Defesa do hibridismo).....................14

11 Unidade: O Género Romance..............................................................................................15

Conclusão.......................................................................................................................................16

Referências bibliográficas..............................................................................................................17

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Introdução

O presente trabalho, da cadeira de Introdução aos Estudos Literários (IEL) ministrada aos
estudantes do curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa frequentado o 2º ano na
Universidade Católica de Moçambique – Instituto de Educação á Distancia. Sobre as orientações
do docente desta cadeira, o trabalho apresenta como questão de pano de fundo a resolução dos
exercícios das 1 a unidade 12 do módulo da cadeira de IEL.

O trabalho vai recorrer a um método bibliografico visto que trata-se de um resumo e o tal sera
considerado como o desenvolvimento, seguida de conclusão e referências bibliográficas.

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1 Unidade: Evolução Histórica e Semântica do Lexema Literatura

1. De uma forma sucinta, apresente o significado que o conceito de literatura foi


adquirindo ao longo dos tempos.

Resposta: Literatura é uma palavra com origem no termo em latim littera, que significa letra.
A literatura remete para um conjunto de habilidades de ler e escrever de forma correta. Existem
diversas definições e tipos de literatura, pode ser uma arte, uma profissão, um conjunto de
produções, e etc.

Literatura é a arte de criar e compor textos, e existem diversos tipos de produções literárias,
como poesia, prosa, literatura de ficção, literatura de romance, literatura médica, literatura
técnica, literatura portuguesa, literatura popular, literatura de cordel e etc. A literatura também
pode ser um conjunto de textos escritos, sejam eles de um país, de uma personalidade, de uma
época, e etc.

O conceito de literatura tem sido alterado com o passar dos tempos, havendo alterações
semânticas bastante relevantes. Para alguns povos latinos, a literatura tinha um teor subjectivo,
representando o conhecimento dos letrados. Neste caso, a literatura não era contemplada como
objecto do conhecimento, que pode ser estudado. Os povos de língua românica, inglesa e alemã
não lhe alteraram o sentido, alteração que só aconteceu na segunda metade do século XVIII,
quando o termo passou a designar o objecto de estudo, a produção literária, a condição dos
profissionais, etc.

2. Diga em que aspectos o conceito de literatura definido por Voltaire difere com o de
Diderot?

Resposta: É na segunda metade do século XVIII que Voltaire (1827) caracteriza a literatura
como forma particular de conhecimento que implica valores estéticos e uma particular
relação com as letras. Na mesma linha de análise, Diderot (1751) define a literatura como arte e
como o conjunto das manifestações dessa arte, os textos impregnados de valores estéticos.
Diderot documenta dois novos e importantes significados com que o lexema “literatura” será
crescentemente utilizado a partir da segunda metade do século XVIII: específico fenómeno

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estético, específica forma de produção, de expressão e de comunicação artísticas e corpus de
objectos, os textos literários, resultante daquela particular actividade de criação estética. Digamos
então, à partida, que o fenómeno literário se traduz em duas dimensões: por um lado, a actividade
de criação ou produção literária; por outro, o texto, o corpus textual de determinada
colectividade, de determinado grupo, de determinada época.

2 Unidade: A Problemática de uma Definição Referencial do Conceito de


Literatura

1. Refira-se à problemática que preside a dificuldade de uma definição referencial da


literatura.

Resposta: Porque é difícil, senão impossível estabelecer um conceito de literatura rigorosamente


delimitado intencional e extensionalmente que apresente validade pancrónica e universal, tal
como deixamos antever é, desaconselhável impor dogmaticamente à heterogeneidade das obras
literárias durante séculos.

Mas, essas objecções e as dúvidas sobre a impossibilidade de uma definição referencial de


literatura são pertinentes sob ponto vários aspectos, porque obrigam a reexaminar com novo rigor
soluções teóricas rotineiras, e revelam-se também, nalguns pontos muito importantes, mal
fundamentadas, teoricamente inconsistentes e empiricamente irrefutáveis.

3 Unidade: Ficcionalidade e Intertextualidade na Obra Literária

2. “A obra literária, devido à potência especial da linguagem poética, cria uma


objectualidade própria, um heterocosmo contextualmente fechado. Essa realidade nova,
criada pela ficção poética, não deixa de ter, porém, uma relação significativa com o real
objectivo.”

a) Comente.

Resposta: A literatura é chamada de ficção, isto é, imaginação de algo que não existe
particularizado na realidade, mas no espírito de seu criador. O objeto da criação poética não pode,
portanto, ser submetido à verificação extratextual. A literatura cria o seu próprio universo,
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semanticamente autónomo em relação ao mundo em que vive o autor, com seus seres ficcionais,
seu ambiente imaginário, seu código ideológico, sua própria verdade: pessoas metamorfoseadas
em animais, animais que falam a linguagem humana, tapetes voadores, cidades fantásticas,
amores incríveis, situações paradoxais, sentimentos contraditórios, etc. Mesmo a literatura mais
realista é fruto de imaginação, pois o carácter ficcional é uma prerrogativa indeclinável da obra
literária. Se o fato narrado pudesse ser documentado, se houvesse perfeita correspondência entre
os elementos do texto e do extratexto, teríamos então não arte, mas história, crónica, biografia.

A obra literária, devido à potência especial da linguagem poética, cria uma objectualidade
própria, um heterocosmo contextualmente fechado. Essa realidade nova, criada pela ficção
poética, não deixa de ter, porém, uma relação significativa com o real objectivo. Ninguém pode
criar a partir do nada: as estruturas linguísticas, sociais e ideológicas fornecem ao artista o
material sobre o qual ele constrói o seu mundo de imaginação. A teoria clássica da arte como
mímese da vida é sempre válida, quer se conceba a arte como imitação do mundo real, quer como
imitação de um mundo ideal ou imaginário.

4 Unidade: Do conceito da Literatura ao conceito da Literariedade

1. A "literariedade" seria aquela propriedade, caracteristicamente "universal" do


literário, que se manifestaria no "particular", em cada obra literária”

a) Comente a citação.

Resposta: A argumentação positiva sustentaria que existe a "literariedade", porque podemos


verificar objectivamente a existência de propriedades ou características que, quando presentes em
uma obra qualquer, permitem-nos não só classificá-la como literária, como também inscrevê-la
em um estilo de época. A "literariedade" seria aquela propriedade, caracteristicamente
"universal" do literário, que se manifestaria no "particular", em cada obra literária.
Contudo, é bom lembrar que, em vez de imaginar que a "literariedade" é um universal que se
manifesta no particular, podemos também supor o contrário: a "literariedade" seria um particular
que se pretende universal. Nesta perspectiva, "literariedade" seria um rótulo que receberia os
critérios socialmente estabelecidos para se considerar uma obra como pertencente à literatura.

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Assim, o pesquisador seleccionaria, dentre todas as obras de natureza verbal, aquelas que
possuíssem a tal "literariedade", para formar a lista das obras reconhecidas como literárias.

5 Unidade: Arte e Estética

1. Diga qual é a relação existente entre arte e estética.

Resposta: Arte refere-se a toda a espécie de actividade humana submetida a regras, ou melhor,
conjunto de regras para dirigir uma actividade humana qualquer. Estética diz respeito á “ciência
do belo”

6 Unidade: Texto Literário vs texto Não-Literário

1. Por palavras suas, distinga o texto literário do não literário.

Resposta: O Texto Literário distingue-se, nomeadamente, pelo facto de transformar a realidade,


servindo-se dela como modelo para a arquitectar mundos “fantásticos”, que só existem
textualmente e que se estabelecem através da metáfora, da caricatura, da alegoria e pela
verosimelhança. Residindo aqui a ficcionalidade patente no Texto Literário. Este é o elemento
que mais a diferença do Texto Não Literário, que tem por finalidade transmitir uma informação
objectiva e autêntica da realidade. Para isso, o Texto Não Literário vai combinar as palavras,
numa sucessão coerente, sem que estas sejam independentes, mas apenas sejam úteis na
comunicação. O Texto Literário, evidencia também coerência no facto do texto registar uma
estrutura própria e não simplesmente um conjunto desorganizado de frases mas em oposição ao
Texto Não Literário vai enaltecer a palavra e os recursos estilísticos

7 Unidade: Função da Literatura

2. Diga em que reside o paradoxo da função da literatura concebido por Platão e


Aristóteles.

Resposta:  Para Aristóteles, a catarse é a finalidade da literatura. Na Poética, ele diz que a função
da poesia é o prazer (hedone), não um prazer grosseiro e corruptor, mas puro e elevado. Este
prazer oferecido pela poesia não deve ser considerado como simples manifestação lúdica,

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devendo antes ser entendido segundo uma perspectiva ética: “A tragédia é uma imitação da
acção, elevada e completa, dotada de extensão,  numa linguagem temperada, com formas
diferentes em cada parte, que serve da  acção e não da narração, e que, por meio da comiseração e
do medo, provoca a purificação de tais paixões”.

Aristóteles tomou o vocábulo “catarse” da linguagem médica, onde designava um processo


purificador que limpa o corpo de elementos nocivos. O filósofo ao caracterizar o efeito catártico
da tragédia, não tem em mente um processo de depuração terapêutica ou mística, mas um
processo purificador de natureza psicológico-intelectual.

No mundo conflituoso das paixões e das forças primitivas, a poesia trágica, concebida como uma
espécie de mediadora entre a sensibilidade e o logos  (razão), instaura uma disciplina iluminante,
impedindo a desmesura da agitação passional.

Platão concebe a poesia épica, assim como outras manifestações artísticas, de maneira
depreciativa. Mas tal problemática sempre deve ser vista a partir de um vínculo directo com a
temática metafísica e dialéctica que permeia todos os diálogos platónicos. Isto quer dizer que,
desvinculando a maneira pela qual o filósofo grego concebe a arte de sua postulação metafísica e
do método dialéctico, não é possível tornar plausível a compreensão platónica das obras de
Homero e Hesíodo, assim como da tragédia e até mesmo das artes plásticas em geral. Levando
em conta estas considerações, Platão, ao definir a essência, a função e o valor da poesia épica,
está sempre preocupado em estabelecer o valor de verdade que esta possui, contrapondo-a com a
filosofia, que seria a melhor maneira de alcançar o verdadeiro. Deste modo, o filósofo grego
analisa primeiramente a poesia épica na sua aproximação com o verdadeiro, para, em seguida,
detectar se ela consegue tornar o homem melhor, com o intuito de diagnosticar se ela possui algo
de educativo ou não.

3. Quer o romantismo, quer a contemporaneidade discutem a literatura como um


conhecimento. Identifique os aspectos diferenciadores.

Resposta: O Romantismo foi um movimento artístico, político e filosófico surgido no fim do


século XVIII, que se estendeu pelo século XIX. Este movimento influenciou diversas gerações e
se faz presente ainda na contemporaneidade, nas mais diversas áreas, géneros e Mídias. O pano
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de fundo para a chegada do Romantismo foi a Revolução Francesa: numa França onde os
burgueses derrubavam o Absolutismo enquanto bradavam Liberté, Igalité, Fraternité!

Apenas com o romantismo e a época contemporânea voltou a ser debatido, com profundidade e
amplidão, o problema da literatura como conhecimento. Na estética romântica, a poesia é
concebida como a única via de conhecimento da realidade profunda do ser, pois o universo
aparece povoado de coisas e de formas que, aparentemente inertes e desprovidas de significado,
constituem a presença simbólica de uma realidade misteriosa e invisível. O mundo é um
gigantesco poema, uma vasta rede de hieróglifos, e o poeta decifra este enigma, penetra na
realidade invisível e, através da palavra simbólica, revela a face oculta das coisas. Schelling
afirma que a “natureza é um poema de sinais secretos e misteriosos” e von Arnim refere-se à
poesia como a forma de conhecimento da realidade íntima do universo: o poeta é o vidente que
alcança e interpreta o desconhecido, reencontrando a unidade primordial que se reflete
analogicamente nas coisas. “As obras poéticas, acentua von Arnim, não são verdadeiras daquela
verdade que esperamos da história e que exigimos dos nossos semelhantes, nas nossas relações
humanas; elas não seriam o que procuramos, o que nos procura, se pudessem pertencer
inteiramente à terra. Porque toda a obra poética reconduz ao seio da comunidade eterna o mundo
que, ao tornar-se terrestre, daí se exilou. Chamamos videntes aos poetas sagrados; chamamos
vidência de uma espécie superior à criação poética...”[

Nestes princípios da estética romântica encontra-se já explicitamente formulado o tema do poeta


vidente de Rimbaud, o poeta da aventura luciferiana rumo ao desconhecido: “Digo que é
necessário ser vidente, fazer-se vidente. O Poeta torna-se vidente através de um longo, imenso e
racional desregramento de todos os sentidos. [...] Inefável tortura em que tem necessidade de toda
a fé, de toda a força sobre-humana, em que se torna, entre todos, o grande doente, o grande
criminoso, o grande maldito, e o supremo Sábio! Porque chega ao desconhecido!” Assim a poesia
se identifica com a experiência mágica e a linguagem poética se transforma em veículo do
conhecimento absoluto, ou se volve mesmo, por força encantatória, em criadora de realidade.

Contemporaneamente, a questão da literatura como conhecimento tem preocupado


particularmente a chamada estética simbólica ou semântica – representada sobretudo por Ernest
Cassirer e Susanne Langer, para a qual a literatura, longe de constituir uma diversão ou atividade

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lúdica, representa a revelação, através das formas simbólicas da linguagem, das infinitas
potencialidades obscuramente pressentidas na alma do homem. Cassirer afirma que a poesia é “a
revelação da nossa vida pessoal” e que toda a arte proporciona um conhecimento da vida interior,
contraposto ao conhecimento da vida exterior oferecido pela ciência, e Susanne Langer
igualmente considera a literatura como revelação “do carácter da subjectividade”, opondo o modo
discursivo, próprio do conhecimento científico, ao modo apresentativo, próprio do conhecimento
proporcionado pela arte.

8 Unidade: Semiose Literária: Sistema, Código (s) e Texto Literário

1. “O sistema semiótico literário representa assim peculiar sistema modelizante


secundário, representa uma langue, na acepção semiótica do termo, que não coincide
com a língua natural nem com extracto- funcional dessa”. Com base na transcrição,
refira-se aos “conceitos de sistema semiótico literário” e de “língua natural”.

Resposta: Depreendendo-se que um sistema corresponde à combinação de partes coordenadas


entre si, para o mesmo fim, assume-se que no fazer e no produzir uma obra literária como um
processo de significação e de comunicação e que resulta num texto e permite a sua
funcionalidade como mensagem, estará subjacente um determinado sistema, o qual será
conhecido como sistema semiótico literário.

Neste quadro, compreender-se-á que sistema semiótico, na esteira de Aguiar e Silva (2004, p.
57), será “uma série finita de signos interdependentes entre os quais, através de regras, se pode
estabelecer relações e operações combinatórias, de modo a produzir-se semiose.”

Assim, um texto, definido em conformidade com Aguiar e Silva (1988, p. 75) é uma “sequência
de elementos materiais e discretos, seleccionados dentre as possibilidades oferecidas por um
determinado sistema semiótico e ordenados em função de um determinado código ” só será
funcional se a sua produção se fundamentar em determinado sistema, portanto, o sistema
semiótico literário.

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Decorrente disto, o sistema semiótico literário afigura-se como um sistema ligado ao texto, surge
como elemento que permite a transmissão de comunicações peculiares, não transmissíveis com
outros meios.

9 Unidade: Diversidade dos Géneros Literários: Teoria de Horácio

1. “Horácio concebe o género literário como conformado por uma determinada


tradição formal, na qual avulta o metro, por uma determinada temática e por uma
determinada relação que, em função de factores formais e temáticos, se estabelece
com os receptores.” Comente.

Resposta: Os conhecidos versos de Horácio que assinalam com finalidade da poesia


aut prodesse aut delectare, não implicam um conceito de poesia autónoma, de uma poesia
exclusivamente fiel a valores poéticos, ao lado de uma poesia pedagógica. O prazer, o dulce
referido por Horácio e mencionado por uma longa tradição literária europeia de raiz horaciana,
conduz antes a uma concepção hedonista da poesia, o que constitui ainda um meio de tornar
dependente, e quantas vezes de subalternizar lastimavelmente,  a obra poética. De feito, até
meados do século XVIII, confere-se à literatura, quase sem excepção, ou uma finalidade
hedonista ou uma finalidade pedagógico-moralista.

E dizemos quase sem excepção, porque alguns casos se podem mencionar nos quais se patenteia
com maior ou menor acuidade  a consciência  da autonomia  da  literatura.

10 Unidade: Teoria romântica dos Géneros Literários: (Defesa do hibridismo)

1. Brunètiere apresenta o género literário como um organismo que nasce, se


desenvolve, envelhece e morre, ou se transforma. Qual é teoria biológica que
influencia este princípio?

Resposta: Nas últimas décadas do século XIX foi novamente definida a substancialidade dos
géneros literários, especialmente por Brunètiere (1849-1906), crítico e professor universitário
francês. Brunètiere influenciado pelo dogmatismo da doutrina clássica, concebe os géneros como
entidades substancialmente existentes, como essências literárias providas de um significado e de

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um dinamismo próprios, não como simples palavras ou categorias arbitrárias, e, seduzido pelas
teorias evolucionistas aplicadas por Darwin ao domínio biológico, procura aproximar o género
literário da espécie biológica. Deste modo, Brunètiere apresenta o género literário como um
organismo que nasce, se desenvolve, envelhece e morre, ou se transforma.

11 Unidade: O Género Romance

2. Identifique o momento histórico em que o romance ganha o seu estatuto próprio e,


diga a que se deveu.

Resposta: Na evolução das formas literárias, durante os últimos três séculos, avulta como
fenómeno de capital magnitude o desenvolvimento e a crescente importância do romance.
Alargando continuamente o domínio da sua temática, interessando-se pela psicologia, pelos
conflitos sociais e políticos, ensaiando constantemente novas técnicas narrativas e estilísticas, o
romance transformou-se, no decorrer do dos últimos séculos, mas sobretudo a partir do século
XIX.

Durante o século XVIII, o romance transforma-se em penetrante e, por vezes, despudorada


análise das paixões e dos sentimentos humanos, em sátira social e política ou em escrito de
intenções filosóficas.

Quando o romantismo se revela nas literaturas europeias, já o romance conquistara, por direito
próprio, a sua alforria e já era lícito falar de uma tradição romanesca. Entre os finais do século
XVIII e as primeiras décadas no século XIX, o público do romance alargara-se desmedidamente
e, para satisfazer a sua necessidade de leitura, escreveram-se e editaram-se numerosos romances.

Com o romantismo, por conseguinte, a narrativa romanesca afirma-se decisivamente como uma
grande forma literária, apta a exprimir os multiformes aspectos do homem e do mundo.

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Conclusão

Com a resolução do questionário, resumidamente conclui-se que, a cadeira de Introdução aos


Estudos Literários (IEL), a sua abordagem centrar-se no estudo dos conceitos básicos de
literatura, como sejam: o conceito de literatura, o de literariedade, géneros literários, o sistema
semiótico literário, períodos e periodização literária, entre outros.

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Referências bibliográficas

Aguiar, M. A. e Silva. (1998). Teoria da Literatura. (8ª Ed). Coimbra: Almedina.

Aguiar, M. A. e Silva. (2004) Teoria e Metodologia Literárias. Lisboa. Universidade Aberta.

Covane, L. (s/d). Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa:


Introdução aos Estudos Literários. UCM-CED. Moçambique: Beira.

Significado que o conceito de literatura foi adquirindo ao longo dos tempos. Disponível em:
https://www.significados.com.br/literatura/- Recuperado aos 13 de Abril de 2020.

Wellek, R. e Warren, A (1942). Theory of Literature (Teoria da Literatura- trad. de José Palla e
Carmo). (4ª ed). Publicações Europa-América, Mem Martins, s.d.).

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