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MP 936 - art. 3 c/c art.

12 e 16
OPÇÕES DO EMPREGADOR
RESUMO
Dr. CARLOS ZANGRANDO

I. IMPLEMENTAÇÃO POR ACORDO INDIVIDUAL OU NEGOCIAÇÃO COLETIVA:


Redução proporcional de jornada e salários (de 25, 50 ou 70%) e/ou suspensão do
contrato de trabalho (máx. de 60 dias):

a. para empregados com salário de ATÉ R$ 3.135,00;


b. para empregados com nível superior, e com salário MAIOR QUE R$ 12.202,12;

II. IMPLEMENTAÇÃO POR ACORDO INDIVIDUAL OU NEGOCIAÇÃO COLETIVA:

a. Redução proporcional de salários e jornada limitada a 25%, para empregados com


salário entre R$ 3.135,01 e R$ 12.202,11;

III. IMPLEMENTAÇÃO POR NEGOCIAÇÃO COLETIVA APENAS:

a. Suspensão do contrato para empregados com salário entre R$ 3.135,01 e R$


12.202,11.

IV. O TEMPO MÁXIMO DE REDUÇÃO PROPORCIONAL DE JORNADA E DE


SALÁRIO E DE SUSPENSÃO TEMPORÁRIA DO CONTRATO DE TRABALHO,
AINDA QUE SUCESSIVOS, NÃO PODERÁ SER SUPERIOR A 90 DIAS

V. CABE AO EMPREGADOR INFORMAR AO MINECON A REDUÇÃO DA


JORNADA OU A SUSPENSÃO DOS CONTRATOS DOS EMPREGADOS, DENTRO
DE 10 DIAS CONTADOS DA CELEBRAÇÃO DO ACORDO.

VI. A PACTUAÇÃO DE REDUÇÃO DE JORNADA OU SUSPENSÃO DO


CONTRATO COM O EMPREGADO ATRAI NECESSARIAMENTE A EXISTÊNCIA
DE ESTABILIDADE TEMPORÁRIA NO EMPREGO PELO PRAZO DA
PACTUAÇÃO, E PELOS DOIS MESES SEGUINTES.

VII. EMPRESAS COM RECEITA BRUTA MAIOR QUE R$ 4,8 MM NO ANO


CALENDÁRIO DE 2019, A SUSPENSÃO DOS CONTRATOS DE TRABALHO SÓ
PODERÁ SER FEITA MEDIANTE PAGAMENTO DE UMA AJUDA MENSAL DE 30%
DO VALOR DO SALÁRIO DO EMPREGADO, DURANTE O PERÍODO DA
SUSPENSÃO TEMPORÁRIA.

VIII. O EMPREGADO COM CONTRATO DE TRABALHO INTERMITENTE TEM


REGIME ESPECIAL (Art. 18).

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MEDIDA PROVISÓRIA Nº 936, DE 1º DE
ABRIL DE 2020

Institui o Programa Emergencial de Como avisado, a MP estabelece ainda


Manutenção do Emprego e da Renda e mais medidas para permitir a
dispõe sobre medidas trabalhistas manutenção de empregos nesse período
complementares para enfrentamento do de calamidade pública.
estado de calamidade pública
reconhecido pelo Decreto Legislativo nº
6, de 20 de março de 2020, e da
emergência de saúde pública de
importância internacional decorrente do
coronavírus (covid-19), de que trata a Lei
nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, e
dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso


da atribuição que lhe confere o art. 62 da
Constituição, adota a seguinte Medida
Provisória, com força de lei:
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º Esta Medida Provisória institui o A MP cria o PROGRAMA


Programa Emergencial de Manutenção EMERGENCIAL DE MANUTENÇÃO DE
do Emprego e da Renda e dispõe sobre EMPREGO E RENDA (PEMER), com
medidas trabalhistas complementares fundamento nas normas que regem o
para enfrentamento do estado de estado e calamidade publica, bem como
calamidade pública reconhecido pelo a pandemia.
Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março
de 2020, e da emergência de saúde A decretação de calamidade pública
pública de importância internacional relaciona-se à necessidade do Governo
decorrente do coronavírus (covid-19) de de aumentar o gasto público para
que trata a Lei nº 13.979, de 6 de combater a disseminação da pandemia.
fevereiro de 2020 Em síntese, a situação de calamidade
pública autoriza gastos extraordinários,
para o combate da situação calamitosa.

CAPÍTULO II
DO PROGRAMA EMERGENCIAL DE
MANUTENÇÃO DO EMPREGO E DA
RENDA

Seção I

Da instituição, dos objetivos e das


medidas do Programa Emergencial de O PEMER visa a preservar o emprego e

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Manutenção do Emprego e da Renda a renda de parcela da população; garantir
a continuidade das atividades laborais e
Art. 2º Fica instituído o Programa empresariais; e reduzir o impacto social
Emergencial de Manutenção do Emprego negativo da pandemia.
e da Renda, com aplicação durante o
estado de calamidade pública a que se
refere o art. 1º e com os seguintes
objetivos:

I - preservar o emprego e a renda;


II - garantir a continuidade das atividades
laborais e empresariais; e
III - reduzir o impacto social decorrente
das consequências do estado de
calamidade pública e de emergência de
saúde pública.
Art. 3º São medidas do Programa
Emergencial de Manutenção do Emprego O PEMER se constitui nas seguinte
e da Renda: medidas:

I - o pagamento de Benefício 1. o pagamento de Benefício Emergencial


Emergencial de Preservação do Emprego de Preservação do Emprego e da Renda;
e da Renda;
2. possibilidade de redução proporcional
II - a redução proporcional de jornada de de jornada de trabalho e de salários; e
trabalho e de salários; e
3. possibilidade de suspensão temporária
do contrato de trabalho.
III - a suspensão temporária do contrato
de trabalho. O PEMER se aplica primariamente as
EMPRESAS E DEMAIS INSTITUIÇÕES
Parágrafo único. O disposto no caput não PRIVADAS QUE POSSUAM
se aplica, no âmbito da União, dos EMPREGADOS.
Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, aos órgãos da administração
pública direta e indireta, às empresas
públicas e sociedades de economia
mista, inclusive às suas subsidiárias, e
aos organismos internacionais.

Art. 4º Compete ao Ministério da O Ministério da Economia controlará e


Economia coordenar, executar, monitorar executará o PEMER, podendo emitir as
e avaliar o Programa Emergencial de normas complementares que entender
Manutenção do Emprego e da Renda e necessárias. Ou seja, teremos Portarias
editar normas complementares do MinEcon sobre o assunto,
necessárias à sua execução especificando eventuais detalhes.

Seção II

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Do Benefício Emergencial de
Preservação do Emprego e da Renda
Durante o PEMER, os empregados que
Art. 5º Fica criado o Benefício tiverem reduzida a jornada ou suspensos
Emergencial de Preservação do Emprego os contratos de trabalho farão jus a um
e da Renda, a ser pago nas seguintes Benefício Emergencial, pago pela União.
hipóteses:

As opções para o empregador são:

I - redução proporcional de jornada de 1. Redução proporcional de jornada de


trabalho e de salário; trabalho e de salário;

e E

II - suspensão temporária do contrato de 2. Suspensão temporária do contrato de


trabalho. trabalho

Observe-se que a presença da partícula


“e” entre os incisos determina que AS
OPÇÕES SÃO CUMULATIVAS, OU
SEJA, AMBAS PODEM SER
UTILIZADAS NA MESMA EMPRESA.
TODAVIA, EXISTEM LIMITAÇÕES NO
QUE DIZ RESPEITO A NEGOCIAÇÃO
INDIVIDUAL E COLETIVA. SOBRE O
ASSUNTO VIDE O ART. 12 E SEUS
COMENTÁRIOS.

§ 1º O Benefício Emergencial de O Benefício será custado pela União.


Preservação do Emprego e da Renda
será custeado com recursos da União.

§ 2º O Benefício Emergencial de O Benefício se iniciará da data da


Preservação do Emprego e da Renda redução da jornada ou da suspensão do
será de prestação mensal e devido a contrato.
partir da data do início da redução da
jornada de trabalho e de salário ou da
suspensão temporária do contrato de
trabalho, observadas as seguintes
disposições:

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As exigências para o pagamento do
Benefício são as seguintes:

I - o empregador informará ao Ministério 1. CABE AO EMPREGADOR informar ao


da Economia a redução da jornada de MinEcon a redução da jornada ou a
trabalho e de salário ou a suspensão suspensão dos contratos dos
temporária do contrato de trabalho, no empregados, dentro de 10 dias contados
prazo de dez dias, contado da data da da celebração do acordo.
celebração do acordo; Não existe indicação de COMO se dará
essa informação. Decerto o MinEcon
editará alguma Portaria a respeito.

II - a primeira parcela será paga no prazo 2. Aqui há uma promessa de pagamento


de trinta dias, contado da data da do benefício no prazo de 30 dias, desde
celebração do acordo, desde que a que a exigência antecedente seja
celebração do acordo seja informada no satisfeita.
prazo a que se refere o inciso I; e Como se dará esse pagamento, será
outra questão a ser regulada pelo
MinEcon.

III - o Benefício Emergencial será pago 3. O Benefício só será devido enquanto


exclusivamente enquanto durar a durar a redução da jornada ou a
redução proporcional da jornada de suspensão dos contratos.
trabalho e de salário ou a suspensão
temporária do contrato de trabalho.

§ 3º Caso o empregador não preste a IMPORTANTE: Se o empregador não


informação dentro do prazo previsto no prestar as informações no prazo da lei,
inciso I do § 2º: será responsável pelo pagamento de
I - ficará responsável pelo pagamento da salários integrais e encargos pelo período
remuneração no valor anterior à redução anterior a comunicação.
da jornada de trabalho e de salário ou da
suspensão temporária do contrato de
trabalho do empregado, inclusive dos
respectivos encargos sociais, até a que
informação seja prestada;

II - a data de início do Benefício O Benefício se inicia na data em que a


Emergencial de Preservação do Emprego informação tenha sido prestada, e durará
e da Renda será fixada na data em que a pelo período pactuado.
informação tenha sido efetivamente
prestada e o benefício será devido pelo

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restante do período pactuado; e

III - a primeira parcela, observado o Mais uma vez repete a lei que a primeira
disposto no inciso II, será paga no prazo parcela será paga no prazo de 30 dias
de trinta dias, contado da data em que a contados da informação.
informação tenha sido efetivamente
prestada.

§ 4º Ato do Ministério da Economia Como dito, o MinEc baixará normas para


disciplinará a forma de: essa informação e para o pagamento do
I - transmissão das informações e benefício.
comunicações pelo empregador; e
II - concessão e pagamento do Benefício
Emergencial de Preservação do Emprego
e da Renda.

§ 5º O recebimento do Benefício O empregado que, mesmo depois de


Emergencial de Preservação do Emprego reduzida a jornada ou suspenso o
e da Renda não impede a concessão e contrato, vier a ser dispensado, fará jus
não altera o valor do seguro-desemprego ao seguro-desemprego normalmente.
a que o empregado vier a ter direito,
desde que cumpridos os requisitos
previstos na Lei nº 7.998, de 11 de
janeiro de 1990, no momento de eventual
dispensa.

§ 6º O Benefício Emergencial de
Preservação do Emprego e da Renda
será operacionalizado e pago pelo
Ministério da Economia.

§ 7º Serão inscritos em dívida ativa da IMPORTANTE: as multas e cominações


União os créditos constituídos em pela utilização indevida ou fraudulenta do
decorrência de Benefício Emergencial de PEMER serão executadas conforme
Preservação do Emprego e da Renda crédito federal, como EXECUÇÃO
pago indevidamente ou além do devido, FISCAL, e os devedores serão inscritos
hipótese em que se aplica o disposto na na dívida ativa da União.
Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980,
para a execução judicial.

Art. 6º O valor do Benefício Emergencial A norma determina o VALOR do

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de Preservação do Emprego e da Renda Benefício, assim:
terá como base de cálculo o valor mensal
do seguro-desemprego a que o
empregado teria direito, nos termos do
art. 5º da Lei nº 7.998, de 1990,
observadas as seguintes disposições:
1. No caso de redução de jornada, o valor
I - na hipótese de redução de jornada de do benefício será o salário deduzido do
trabalho e de salário, será calculado percentual de redução da jornada (p.ex.
aplicando-se sobre a base de cálculo o Sal - 25%);
percentual da redução; e

II - na hipótese de suspensão temporária 2. no caso de suspensão do contrato em


do contrato de trabalho, terá valor até 60 dia ou em até dois períodos de 30
mensal: dias (art. 8º da MP), o benefício terá o
valor de:

a) equivalente a cem por cento do valor a. 100% do valor do seguro-desemprego


do seguro-desemprego a que o a que o empregado teria direito.
empregado teria direito, na hipótese
prevista no caput do art. 8º; ou

b) equivalente a setenta por cento do b. Para os empregados de empresas que


seguro-desemprego a que o empregado tiveram auferido, no ano-calendário de
teria direito, na hipótese prevista no § 5º 2019, receita bruta superior a R$ 4,8 MM,
do o benefício será de 70% do seguro-
art. 8º. desemprego que o empregado teria
direito se fosse demitido.

Segundo a Res COEFAT n. 467/2005, o


valor do seguro desemprego corresponde
a “média aritmética dos salários de
contribuição previdenciários do
empregado nos últimos três meses
anteriores à dispensa, tomados sempre
com base em 30 dias.”

§ 1º O Benefício Emergencial de O Benefício não depende e período


Preservação do Emprego e da Renda aquisitivo, de tempo no emprego ou de
será pago ao empregado quantidade de salários recebidos.
independentemente do:
I - cumprimento de qualquer período
aquisitivo;
II - tempo de vínculo empregatício; e

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III - número de salários recebidos.

§ 2º O Benefício Emergencial de O Benefício não se aplica a empregado


Preservação do Emprego e da Renda que esteja ocupando cargo ou emprego
não será devido ao empregado que público, cargo em comissão de livre
esteja: nomeação e exoneração ou titular de
I - ocupando cargo ou emprego público, mandato eletivo; ou empregado que
cargo em comissão de livre nomeação e esteja em gozo de benefício da
exoneração ou titular de mandato eletivo; Previdência Social; recebendo seguro-
ou desemprego ou bolsa de qualificação
II - em gozo: profissional.
a) de benefício de prestação continuada
do Regime Geral de Previdência Social
ou dos Regimes Próprios de Previdência
Social, ressalvado o disposto no
parágrafo único do art. 124 da Lei nº
8.213, de 24 de julho de 1991;

b) do seguro-desemprego, em qualquer
de suas modalidades; e

c) da bolsa de qualificação profissional de


que trata o art. 2º-A da Lei n° 7.998, de
1990.

§ 3º O empregado com mais de um Se o empregado tiver mais de um


vínculo formal de emprego poderá emprego simultaneamente, poderá
receber cumulativamente um Benefício receber o benefício cumulativamente,
Emergencial de Preservação do Emprego relativo a cada emprego, desde que
e da Renda para cada vínculo com tenha havido redução de jornada ou
redução proporcional de jornada de suspensão do contrato em cada um.
trabalho e de
salário ou com suspensão temporária do
contrato de trabalho, observado o valor
previsto no caput do art. 18 e a condição
prevista no § 3º do art. 18, se houver
vínculo na modalidade de contrato
intermitente, nos termos do disposto no §
3º do art. 443
da Consolidação das Leis do Trabalho,
aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º
de maio de 1943.

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§ 4º Nos casos em que o cálculo do O valor do benefício será sempre
benefício emergencial resultar em valores “arredondado” para mais, de forma que
decimais, o valor a ser pago deverá ser seja sempre um valor inteiro.
arredondado para a unidade inteira
imediatamente superior.

Seção III
Da redução proporcional de jornada de
trabalho e de salário

Art. 7º Durante o estado de calamidade A MP permite a REDUÇÃO DA


pública a que se refere o art. 1º, o JORNADA E DO SALÁRIO,
empregador poderá acordar a redução proporcionalmente, por um período de
proporcional da jornada de trabalho e de até 90 dias, respeitadas as seguintes
salário de seus empregados, por até condições:
noventa dias, observados os seguintes
requisitos:

I - preservação do valor do salário-hora 1. Preservação do salário-hora. O salário-


de trabalho; hora é conseguido dividindo-se seu
salário-base (aquele salário contratual,
puro, sem quaisquer adicionais ou
parcelas remuneratórias) pela sua
jornada de trabalho mensal. P, ex. Salário
de R$ 3.000.00 em jornada de 220h
mensais = 3.000 : 220 = R$ 13,63 por
hora.
Esse valor horário deverá ser mantido na
nova “jornada” acordada entre
empregado e empregador.

II - pactuação por acordo individual 2. Necessário um ACORDO INDIVIDUAL


escrito entre empregador e empregado, firmado entre empregado e empregador.
que será encaminhado ao empregado Esse acordo deverá ser apresentado pelo
com antecedência de, no mínimo, dois Empregador ao Empregado com
dias corridos; antecedência de 2 dias antes do começo
da redução (vide modelo de Termo de
Acordo Individual em anexo);
Observe-se exigência do § 4º do art.
11.
Observem-se as normas do art. 12 e
E parágrafos.

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III - redução da jornada de trabalho e de 3. A redução da jornada e salário só se
salário, exclusivamente, nos seguintes pode dar nas seguintes proporções
percentuais: (opção do empregador):

a) vinte e cinco por cento; a. 25%;


b) cinquenta por cento; ou b. 50%, ou
c) setenta por cento. c. 70%.

De início, a opção seria do empregador,


mas deve constar do termo de acordo, e
por isso pode ser objeto de recusa pelo
empregado. Recomenda-se, aqui,
sempre uma negociação clara e honesta
entre as partes.

Parágrafo único. A jornada de trabalho e Observe-se sempre que essas medidas


o salário pago anteriormente serão estão sendo tomadas de modo
restabelecidos no prazo de dois dias extraordinário e temporário. A intenção é
corridos, que, passada a crise, a situação retorne
contado: ao normal que existia antes dela.
I - da cessação do estado de calamidade Assim, o acordo será sempre
pública; TEMPORÁRIO, e pode ser revisto a
II - da data estabelecida no acordo qualquer tempo, até que cesse o estado
individual como termo de encerramento de calamidade pública, quando então
do período e redução pactuado; ou perderá toda sua eficácia.
III - da data de comunicação do
empregador que informe ao empregado
sobre a sua decisão de antecipar o fim do
período
de redução pactuado.
Seção IV

Da suspensão temporária do contrato de A lei regulamenta as obrigações das


trabalho partes durante o período de suspensão
do contrato.

Art. 8º Durante o estado de calamidade A segunda opção do empregador é


pública a que se refere o art. 1º, o SUSPENDER TEMPORARIAMENTE OS
empregador poderá acordar a suspensão CONTRATOS DE TRABALHO.
temporária do contrato de trabalho de O prazo máximo da suspensão é de 60
seus empregados, pelo prazo máximo de dias, podendo ser fracionado (um
sessenta dias, que poderá ser fracionado primeiro período de 30 dias, seguido, se
em até dois períodos de trinta dias. necessário, de outro período de 30 dias.)

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§ 1º A suspensão temporária do contrato Necessário um ACORDO INDIVIDUAL
de trabalho será pactuada por acordo firmado entre empregado e empregador.
individual escrito entre empregador e Esse acordo deverá ser apresentado pelo
empregado, que será encaminhado ao Empregador ao Empregado com
empregado com antecedência de, no antecedência de 2 dias antes do começo
mínimo, dois dias corridos. da suspensão (vide modelo de Termo
de Acordo Individual em anexo);
Observe-se a exceção do § 5º deste
artigo.
Observe-se exigência do § 4º do art.
11.
Observem-se as normas do art. 12 e
parágrafos.

§ 2º Durante o período de suspensão Durante a suspensão, o empregado terá


temporária do contrato, o empregado: resguardado o direito a usufruir dos
benefícios eventualmente concedidos aos
I - fará jus a todos os benefícios empregados que continuarem
concedidos pelo empregador aos seus trabalhando (p. ex. reajuste salarial),
empregados; e podendo recolher como facultativo para a
Previdência Social (de modo a
II - ficará autorizado a recolher para o resguardar o tempo e contribuição para
Regime Geral de Previdência Social na aposentadoria).
qualidade de segurado facultativo.

§ 3º O contrato de trabalho será Como dito, todas essas medidas são


restabelecido no prazo de dois dias temporárias. Cessado o estado de
corridos, contado: calamidade pública, a suspensão perderá
I - da cessação do estado de calamidade sua eficácia, e o contrato será
pública; restabelecido em até 2 dias corridos. O
II - da data estabelecida no acordo empregador poderá restabelecer o
individual como termo de encerramento contrato mesmo antes desse período, se
do período e suspensão pactuado; ou entender necessário.
III - da data de comunicação do
empregador que informe ao empregado
sobre a sua decisão de antecipar o fim do
período
de suspensão pactuado.

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§ 4º Se durante o período de suspensão
temporária do contrato de trabalho o IMPORTANTE: Durante a suspensão, o
empregado mantiver as atividades de empregado NÃO PODERÁ PRESTAR
trabalho, ainda que parcialmente, por NENHUMA ESPÉCIE DE TRABALHO ao
meio de teletrabalho, trabalho remoto ou empregador, nem mesmo por meios
trabalho à distância, ficará remotos. Esse fato descaracterizará a
descaracterizada a suspensão temporária suspensão e atrairá as cominações
do contrato de trabalho, e o empregador dessa MP relativas a fraude.
estará sujeito:
I - ao pagamento imediato da
remuneração e dos encargos sociais
referentes a todo o período;
II - às penalidades previstas na legislação
em vigor; e
III - às sanções previstas em convenção
ou em acordo coletivo.

§ 5º A empresa que tiver auferido, no IMPORTANTE: As empresas de maior


ano-calendário de 2019, receita bruta receita terão tratamento diferenciado.
superior a R$ 4.800.000,00 (quatro Se a empresa auferiu no ano-calendário
milhões e oitocentos mil reais), somente de 2019, receita bruta superior a R$ 4,8
poderá suspender o contrato de trabalho MM, A SUSPENSÃO DOS CONTRATOS
de seus empregados mediante o SÓ PODERÁ SER FEITA SE A
pagamento de ajuda compensatória EMPRESA PAGAR UMA AJUDA
mensal no valor de trinta por cento do MENSAL DE 30% DO VALOR DO
valor do salário do empregado, durante o SALÁRIO DO EMPREGADO, durante o
período da suspensão temporária de período da suspensão temporária.
trabalho pactuado, observado o disposto
no caput e no art. 9º.

Seção V

Das disposições comuns às medidas do


Programa Emergencial de Manutenção
do Emprego e da Renda

Art. 9º O Benefício Emergencial de IMPORTANTE: a MP permite ao


Preservação do Emprego e da Renda empregador, querendo, pagar uma ajuda
poderá ser acumulado com o pagamento, compensatória mensal ao empregado,
pelo empregador, de ajuda mesmo que este receba o benefício da
compensatória mensal, em decorrência União.
da redução de jornada de trabalho e de
salário ou da suspensão temporária de
contrato de trabalho de que trata esta
Medida Provisória.

§ 1º A ajuda compensatória mensal de Essa ajuda concedida espontaneamente

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que trata o caput: pelo Empregador não possui natureza
I - deverá ter o valor definido no acordo salarial para nenhum fim, não servindo de
individual pactuado ou em negociação base de cálculo das contribuições sociais,
coletiva; nem do IRF, e ainda poderá ser lançada
II - terá natureza indenizatória; na dedução do lucro líquido para fins de
III - não integrará a base de cálculo do IRPJ, no próximo ano-base, é claro.
imposto sobre a renda retido na fonte ou
da declaração de ajuste anual do imposto
sobre a renda da pessoa física do
empregado;
IV - não integrará a base de cálculo da
contribuição previdenciária e dos demais
tributos incidentes sobre a folha de
salários;
V - não integrará a base de cálculo do
valor devido ao Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço - FGTS, instituído pela
Lei
nº 8.036, de 11 de maio de 1990, e pela
Lei Complementar nº 150, de 1º de junho
de 2015; e
VI - poderá ser excluída do lucro líquido
para fins de determinação do imposto
sobre a renda da pessoa jurídica e da
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
das pessoas jurídicas tributadas pelo
lucro real.

§ 2º Na hipótese de redução proporcional O mesmo tratamento é dado a essa


de jornada e de salário, a ajuda ajuda compensatória, mesmo que seja
compensatória prevista no caput não reduzida a jornada e o salário.
integrará o salário devido pelo EM RESUMO, O EMPREGADOR
empregador e observará o disposto no § PODERÁ CONCEDER AOS
1º. EMPREGADOS COM REDUÇÃO E
JORNADA E SALÁRIO, OU AOS
SUSPENSOS, UMA AJUDA
COMPENSATÓRIA DE VALOR POR
AQUELE DEFINIDO, SEM NATUREZA
SALARIAL E QUE AINDA PODERÁ
SER OBJETO DE REDUÇÃO DO
CÁLCULO DO IRPJ DO PRÓXIMO
ANO.

Art. 10. Fica reconhecida a garantia Diante de tamanha flexibilização de


provisória no emprego ao empregado que direitos, era necessária uma
receber o Benefício Emergencial de contrapartida.

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Preservação do Emprego e da Renda, de
que trata o art. 5º, em decorrência da A pactuação de redução de jornada ou
redução da jornada de trabalho e de suspensão do contrato com o empregado
salário ou da suspensão temporária do atrai necessariamente a existência de
contrato de trabalho de que trata esta ESTABILIDADE TEMPORÁRIA NO
Medida Provisória, nos seguintes termos: EMPREGO.

I - durante o período acordado de ESSA ESTABILIDADE TEMPORÁRIA


redução da jornada de trabalho e de SE DARÁ PELO PERÍODO DA
salário ou de suspensão temporária do REDUÇÃO DE JORNADA OU DE
contrato de SUSPENSÃO ATÉ 2 MESES
trabalho; e SEGUINTES AO TÉRMINO DO
II - após o restabelecimento da jornada PERÍODO ACORDADO.
de trabalho e de salário ou do
encerramento da suspensão temporária
do contrato de trabalho, por período
equivalente ao acordado para a redução
ou a suspensão.

§ 1º A dispensa sem justa causa que Demitido sem justa causa o empregado,
ocorrer durante o período de garantia durante o período dessa estabilidade
provisória no emprego previsto no caput provisória, terá ele direito a uma
sujeitará o empregador ao pagamento, INDENIZAÇÃO no valor de:
além das parcelas rescisórias previstas
na legislação em vigor, de indenização no
valor de:

I - cinquenta por cento do salário a que o a. 50% do salário que o empregado teria
empregado teria direito no período de direito pelo período de estabilidade, no
garantia provisória no emprego, na caso de redução de jornada de trabalho e
hipótese de redução de jornada de de salário igual ou superior a 25% e
trabalho e de salário igual ou superior a inferior a 50%;
vinte e cinco por cento e inferior a
cinquenta por cento;

II - setenta e cinco por cento do salário a b. 75% do salário que o empregado teria
que o empregado teria direito no período direito pelo período de estabilidade, no
de garantia provisória no emprego, na caso de redução de jornada de trabalho e
hipótese de redução de jornada de de salário igual ou superior a 50% e
trabalho e de salário igual ou superior a inferior a 70%;
cinquenta por cento e inferior a setenta
por cento;
ou
ou

III - cem por cento do salário a que o c. 100% do salário que o empregado teria
empregado teria direito no período de direito pelo período de estabilidade, no

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garantia provisória no emprego, nas caso de redução de jornada de trabalho e
hipóteses de redução de jornada de de salário superior a 75%, BEM COMO
trabalho e de salário em percentual EM TODOS OS CASOS DE
superior a setenta por cento ou de SUSPENSÃO TEMPORÁRIA DO
suspensão temporária do contrato de CONTRATO DE TRABALHO.
trabalho.

§ 2º O disposto neste artigo não se aplica A indenização não será devida se o


às hipóteses de dispensa a pedido ou por empregado pedir demissão ou for
justa causa do empregado. demitido por justa causa.

Art. 11. As medidas de redução de A MP prevê a possibilidade de que as


jornada de trabalho e de salário ou de medidas emergenciais por ela criadas
suspensão temporária de contrato de sejam objeto de acordo ou convenção
trabalho de que trata esta Medida coletiva de trabalho, negociada com os
Provisória poderão ser celebradas por Sindicatos.
meio de negociação coletiva, observado Obviamente, efetuado esse acordo, suas
o disposto no art. 7º, no art. 8º e no § 1º normas terão prevalência sobre as da MP
deste artigo. (CLT, art. 611-A).

§ 1º A convenção ou o acordo coletivo de As convenções e acordos poderão


trabalho poderão estabelecer percentuais estabelecer percentuais de redução de
de redução de jornada de trabalho e de jornada e salário diferentes daqueles
salário diversos dos previstos no inciso III previstos na MP.
do caput do art. 7º.

§ 2º Na hipótese de que trata o § 1º, o O Benefício estabelecido para os


Benefício Emergencial de Preservação trabalhadores pela MPO sofre variações,
do Emprego e da Renda de que trata os no caso de negociação coletiva para
art. 5º e art. 6º será devido nos seguintes redução de jornada ou suspensão dos
termos: contratos.

I - sem percepção do Benefício 1. Não haverá Benefício aos empregados


Emergencial para a redução de jornada e se a redução de jornada e salário for
de salário inferior a vinte e cinco por inferior a 25%;
cento;

II - de vinte e cinco por cento sobre a 2. O Benefício será de 25% do seu valor,
base de cálculo prevista no art. 6º para a se a redução da jornada for igual ou
redução de jornada e de salário igual ou superior a 25% e inferior a 50%;
superior a vinte e cinco por cento e
inferior a cinquenta por cento;

III - de cinquenta por cento sobre a base 3. O Benefício será de 55% do seu valor,
de cálculo prevista no art. 6º para a se a redução da jornada for igual ou
redução de jornada e de salário igual ou superior a 50% e inferior a 70%;

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superior a cinquenta por cento e inferior a
setenta por cento; e

IV - de setenta por cento sobre a base de 4. O Benefício será de 70% do seu valor,
cálculo prevista no art. 6º para a redução se a redução da jornada for igual ou
de jornada e de salário superior a setenta superior a 70%;
por cento.

§ 3º As convenções ou os acordos As convenções e acordos coletivos


coletivos de trabalho celebrados preexistentes podem ser renegociados
anteriormente poderão ser renegociados para adequação a esta MP, em até 10
para adequação de seus termos, no dias contados da publicação da MP (ou
prazo de dez dias corridos, contado da seja, até 13/04).
data de publicação desta Medida
Provisória.

§ 4º Os acordos individuais de redução Os acordos individuais devem ser


de jornada de trabalho e de salário ou de comunicados aos Sindicatos, pelos
suspensão temporária do contrato de empregadores, em até 10 dias corridos
trabalho, pactuados nos termos desta após sua celebração.
Medida Provisória, deverão ser Embora a lei não determine que a
comunicados pelos empregadores ao validade dos acordos esteja sujeita a
respectivo sindicato laboral, no prazo de essa comunicação, TUDO RECOMENDO
até dez dias corridos, contado da data de que seja efetuada, evitando esse tipo de
sua celebração. alegação no futuro.

Art. 12. As medidas de que trata o art. 3º A lei prevê que as medidas dessa MP
serão implementadas por meio de acordo (redução de jornada ou suspensão de
individual ou de negociação coletiva aos contrato) SERÃO IMPLEMENTADOS
empregados: POR ACORDO INDIVIDUAL OU
NEGOCIAÇÃO COLETIVA, para os
empregados com as seguintes
características:

I - com salário igual ou inferior a R$ 1. Empregados com salário contratual


3.135,00 (três mil cento e trinta e cinco igual ou inferior a R$ 3.135,00;
reais);
ou
Ou

II - portadores de diploma de nível 2. Empregados portadores de diploma de


superior e que percebam salário mensal nível superior e que percebam salário
igual ou superior a duas vezes o limite mensal igual ou superior a duas vezes o
máximo dos benefícios do Regime Geral limite máximo dos benefícios do RGPS
de Previdência Social. (R$ 12.202,12).

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Parágrafo único. Para os empregados 3. Para os demais empregados não
não enquadrados no caput, as medidas enquadrados nas exceções anteriores
previstas no art. 3º somente poderão ser (salário entre R$ 3.135,01 e R$
estabelecidas por convenção ou acordo 12.202,11), as alterações poderão ser
coletivo, ressalvada a redução de feitas do seguinte modo:
jornada de trabalho e de salário de vinte
e cinco por cento, prevista na alínea “a” a. IMPLEMENTAÇÃO POR ACORDO
do inciso III do caput do art. 7º, que INDIVIDUAL OU NEGOCIAÇÃO
poderá ser pactuada por acordo COLETIVA:
individual. 1. redução de salários e jornada limitada
a 25%;

b. IMPLEMENTAÇÃO POR
NEGOCIAÇÃO COLETIVA APENAS:
1. suspensão do contrato para
empregados.

Art. 13. A redução proporcional de A Lei n. 7.783/1989 9Lei de Greve) indica


jornada de trabalho e de salário ou a as seguintes atividades essenciais:
suspensão temporária do contrato de I - tratamento e abastecimento de água;
trabalho, quando adotadas, deverão produção e distribuição de energia
resguardar o exercício e o funcionamento elétrica, gás e combustíveis;
dos serviços públicos e das atividades II - assistência médica e hospitalar;
essenciais de que tratam a Lei nº 7.783, III - distribuição e comercialização de
de 28 de junho de 1989, e a Lei nº medicamentos e alimentos;
13.979, de 2020. IV - funerários;
V - transporte coletivo;
VI - captação e tratamento de esgoto e
lixo;
VII - telecomunicações;
VIII - guarda, uso e controle de
substâncias radioativas, equipamentos e
materiais nucleares;
IX - processamento de dados ligados a
serviços essenciais;
X - controle de tráfego aéreo e
navegação aérea;

XI - compensação bancária.
XII - atividades médico-periciais
relacionadas com o regime geral de
previdência social e a assistência social;
XIII - atividades médico-periciais
relacionadas com a caracterização do
impedimento físico, mental, intelectual ou

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sensorial da pessoa com deficiência, por
meio da integração de equipes
multiprofissionais e interdisciplinares,
para fins de reconhecimento de direitos
previstos em lei, em especial na Lei nº
13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto
da Pessoa com Deficiência); e
XIV - outras prestações médico-periciais
da carreira de Perito Médico Federal
indispensáveis ao atendimento das
necessidades inadiáveis da comunidade.

Art. 14. As irregularidades constatadas A Auditoria-Fiscal do Trabalho terá o


pela Auditoria Fiscal do Trabalho quanto poder de fiscalizar e autuar os
aos acordos de redução de jornada de empregadores, sob o regular exercício
trabalho e de salário ou de suspensão dos direitos e cumprimento das
temporária do contrato de trabalho obrigações previstas nessa MP.
previstos nesta Medida Provisória
sujeitam os infratores à multa prevista no
art. 25 da Lei nº 7.998, de 1990.

Parágrafo único. O processo de


fiscalização, de notificação, de autuação
e de imposição de multas decorrente
desta Medida Provisória observarão o
disposto no Título VII da Consolidação
das Leis do Trabalho, aprovada pelo
Decreto-Lei nº 5.452, de 1943, não
aplicado o critério da dupla visita e o
disposto no art. 31 da Medida Provisória
nº 927, de 22 de março de 2020.

Art. 15. O disposto nesta Medida As opções de redução proporcional de


Provisória se aplica aos contratos de jornada e/u suspensão do contrato se
trabalho de aprendizagem e de jornada aplicam também aos aprendizes e
parcial. empregados contratados no sistema de
jornada parcial.

Art. 16. O tempo máximo de redução O período máximo de redução


proporcional de jornada e de salário e de proporcional de jornada e de salários,
suspensão temporária do contrato de e/ou de suspensão do contrato de
trabalho, ainda que sucessivos, não trabalho não poderá ser superior a 90
poderá ser superior a noventa dias, dias.
respeitado o prazo máximo de que trata o Não temos dúvida que esse prazo poderá
art. 8º. ser estendido por acordo ou convenção

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coletiva (CLT, art. 611-A). O problema
será o Benefício previsto nessa lei, o qual
sem dúvida cessará independentemente
do prazo previsto no acordo ou
convenção.

CAPÍTULO III
DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 17. Durante o estado de calamidade Enquanto perdurar o estado de


pública de que trata o art. 1º: calamidade pública:

I - o curso ou o programa de qualificação a. o curso ou o programa de qualificação


profissional de que trata o art. 476-A da profissional de que trata o art. 476-A da
Consolidação das Leis do Trabalho, CLT poderá ser oferecido pelo
aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de empregador exclusivamente na
1943, poderá ser oferecido pelo modalidade não presencial, com duração
empregador exclusivamente na não inferior a um mês e nem superior a
modalidade não três meses;
presencial, e terá duração não inferior a
um mês e nem superior a três meses;

II - poderão ser utilizados meios b. o inciso trata das reuniões para


eletrônicos para atendimento dos deliberação de convenções e acordos
requisitos formais previstos no Título VI coletivos de trabalho (CLT, arts. 811 e
da Consolidação das Leis do Trabalho, segs.).
aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de
1943, inclusive para convocação,
deliberação, decisão, formalização e
publicidade de convenção ou de acordo
coletivo de trabalho; e

III - os prazos previstos no Título VI da c. o inciso trata dos prazos relativos a


Consolidação das Leis do Trabalho negociação coletiva, assim:
aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de
1943, ficam reduzidos pela metade. CLT, art. 614 - depósito da convenção ou
acordo assinados (4 dias);

CLT, art. 614, § 1º - entrada em vigor da


convenção ou acordo (1 dia);

CLT, art. 614, § 2º- afixação de cópias da


convenção ou acordo nas sedes dos
sindicatos e nas empresas – 2 dias;

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CLT, art. 615, § 2º - as modificações
introduzidos em convenção ou acordo,
passam a vigorar 1 dia após a realização
de depósito previsto no § 1º;

CLT, art. 616, § 3º - Havendo convenção,


acordo ou sentença normativa em vigor,
o dissídio coletivo deverá ser instaurado
dentro dos 30 dias anteriores ao
respectivo termo final, para que o novo
instrumento possa ter vigência no dia
imediato a esse termo.

CLT, art. 617 - Os empregados de uma


ou mais empresas que decidirem celebrar
acordo coletivo de Trabalho com as
respectivas empresas darão ciência de
sua resolução, por escrito, ao Sindicato
representativo da categoria profissional,
que terá o prazo de 4 dias para assumir a
direção dos entendimentos entre os
interessados, devendo igual
procedimento ser observado pelas
empresas interessadas com relação ao
Sindicato da respectiva categoria
econômica.

Art. 18. O empregado com contrato de A MP traz regulamentação especial para


trabalho intermitente formalizado até a os empregados contratados na novel
data de publicação desta Medida modalidade de “contrato de trabalho
Provisória, nos termos do disposto no § intermitente”.,
3º do art. 443 da Consolidação das Leis
do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei
nº 5.452, de 1943, fará jus ao benefício
emergencial mensal no valor de R$
600,00 (seiscentos reais), pelo período
de três meses.

§ 1º O benefício emergencial mensal será


devido a partir da data de publicação
desta Medida Provisória e será pago em
até trinta dias.

§ 2º Aplica-se ao benefício previsto no


caput o disposto nos § 1º, § 6º e § 7º do
art. 5º e nos § 1º e § 2º do art. 6º

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§ 3º A existência de mais de um contrato
de trabalho nos termos do disposto no §
3º do art. 443 da Consolidação das Leis
do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei
nº 5.452, de 1943, não gerará direito à
concessão de mais de um benefício
emergencial mensal.

§ 4º Ato do Ministério da Economia


disciplinará a concessão e o pagamento
do benefício emergencial de que trata
este artigo.

§ 5º O benefício emergencial mensal de


que trata o caput não poderá ser
acumulado com o pagamento de outro
auxílio emergencial.

Art. 19. O disposto no Capítulo VII da A MP apenas explica o óbvio: nunca


Medida Provisória nº 927, de 2020, não houve intenção de suspender as
autoriza o descumprimento das normas obrigações de segurança e saúde no
regulamentadoras de segurança e saúde trabalho.
no trabalho pelo empregador, e
aplicando-se as ressalvas ali previstas
apenas nas hipóteses excepcionadas.

Art. 20. Esta Medida Provisória entra em


vigor na data de sua publicação.

Brasília, 1º de abril de 2020; 199º da


Independência e 132º da República.

JAIR MESSIAS BOLSONARO


Paulo Guedes

Este texto não substitui o publicado no


DOU de 1.4.2020 - Edição extra - D*

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TERMO DE ALTERAÇÃO DO CONTRATO INDIVIDUAL
DE TRABALHO

Pelo presente instrumento particular,


............................................................................................................, doravante denominada
EMPREGADORA e, de outro lado, Sr.
..................................................................................................., doravante denominado
EMPREGADO.

CONSIDERANDO a situação de calamidade pública decretada pelo Dec. Legislativo n.


06/2020;
CONSIDERANDO os termos da Lei n. 13.979, de 6.2.2020, que trata das ações para
deter a pandemia de COVID-19 no Brasil;
CONSIDERANDO os termos da MP n. 936, de 02.04.2020;
CONSIDERANDO o desejo de ambas as partes em manter a relação de emprego
nesse período de gravíssima recessão econômica;

As partes tem acertado o seguinte:

Cláusula 1ª. A jornada de trabalho do EMPREGADO, que hoje se encontra limitada a


..... (.......) horas por dia, será reduzida em .....%, passando a ser de ......... (...........) horas
diárias.

Cláusula 2ª. O salário-hora do EMPREGADO, que hoje encontra-se no valor de R$


......... (....................................), será mantido sem qualquer alteração, sofrendo, a partir desta
data, as alterações que forem concedidas aos salários em geral, seja por lei, por norma
coletiva ou por ato do EMPREGADOR.

Cláusula 3ª, A redução proporcional de jornada e salário pactuada nesse acordo


vigorará pelo período máximo de ............ dias, ou então até a decretação oficial do fim do
estado de calamidade pública pela autoridade estatal competente.

Parágrafo único: O prazo previsto nesse artigo poderá ser reduzido por ato do
EMPREGADOR, comunicando-se ao EMPREGADO.

Cláusula 4ª. O EMPREGADOR excepcionalmente, concederá ao EMPREGADO,


durante o prazo desta alteração contratual, uma ajuda compensatória mensal no valor de R$
......................., , sem natureza salarial, na forma do art. 9º da MP n. 936/20.

Cláusula 5ª. Restam inalterados igualmente todos os outros benefícios auferidos pelo
EMPREGADO nesta data.

__________________________________________________________________________________________________________________________________

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Cláusula 6ª. As cláusulas remanescentes do contrato de trabalho continuarão em
pleno vigor.

E estando de pleno acordo, assinam a presente em duas vias e na presença de duas


testemunhas.

Rio de Janeiro, ...........................

EMPREGADOR

EMPREGADO

Testemunhas:

1) _______________________________
NOME:
CPF:

2) _______________________________
NOME:
CPF:

__________________________________________________________________________________________________________________________________

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TERMO DE SUSPENSÃO DO CONTRATO INDIVIDUAL
DE TRABALHO

Pelo presente instrumento particular,


............................................................................................................, doravante denominada
EMPREGADORA e, de outro lado, Sr.
..................................................................................................., doravante denominado
EMPREGADO.

CONSIDERANDO a situação de calamidade pública decretada pelo Dec. Legislativo n.


06/2020;
CONSIDERANDO os termos da Lei n. 13.979, de 6.2.2020, que trata das ações para
deter a pandemia de COVID-19 no Brasil;
CONSIDERANDO os termos da MP n. 936, de 02.04.2020;
CONSIDERANDO o desejo de ambas as partes em manter a relação de emprego
nesse período de gravíssima recessão econômica;

As partes tem acertado o seguinte:

Cláusula 1ª. As partes tem por acertado SUSPENDER A VIGÊNCIA DO CONTRATO


DE TRABALHO mantido entre elas.

Parágrafo primeiro. Durante a suspensão, o empregado terá resguardado o direito a


usufruir dos benefícios eventualmente concedidos aos empregados que continuarem
trabalhando, podendo recolher como facultativo para a Previdência Social;

Parágrafo segundo. Durante a suspensão, O EMPREGADO NÃO PODERÁ


PRESTAR NENHUMA ESPÉCIE DE TRABALHO AO EMPREGADOR, nem mesmo por meios
remotos.

Cláusula 2ª. A suspensão pactuada nesse acordo vigorará pelo período máximo de
............ dias, ou então até a decretação oficial do fim do estado de calamidade pública pela
autoridade estatal competente.

Parágrafo único: O prazo previsto nesse artigo poderá ser reduzido por ato do
EMPREGADOR, comunicando-se ao EMPREGADO.

Cláusula 4ª. O EMPREGADOR excepcionalmente, concederá ao EMPREGADO,


durante o prazo desta alteração contratual, uma ajuda compensatória mensal no valor de R$
......................., , sem natureza salarial, na forma do art. 9º da MP n. 936/20.

Cláusula 5ª. Restam inalterados igualmente todos os outros benefícios auferidos pelo
EMPREGADO nesta data.

__________________________________________________________________________________________________________________________________

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Cláusula 6ª. As cláusulas remanescentes do contrato de trabalho continuarão em
pleno vigor.

E estando de pleno acordo, assinam a presente em duas vias e na presença de duas


testemunhas.

Rio de Janeiro, ...........................

EMPREGADOR

EMPREGADO

Testemunhas:

1) _______________________________
NOME:
CPF:

2) _______________________________
NOME:
CPF:

__________________________________________________________________________________________________________________________________

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Rio de Janeiro, ........ de ...... de ........

Ao
Sindicato dos......
(Endereço)

Ref. Acordos individuais firmados – MP 936

Prezados senhores.

Em cumprimento da MP n.;936/20, vimos informar em anexo os acordos


individuais firmados com os empregados desta empresa, no dia de ..../......../....

Sendo o que nos cabia, firmamo-nos.

Assinatura da empresa.”

Entregar no sindicato em papel com protocolo na 2 via, ou enviar por


email com confirmação de recebimento.

Atenciosamente.

Carlos Zangrando
Advogado no Rio de Janeiro, Membro do IAB - Instituto dos Advogados Brasileiros. Membro do
IBDSCJ - Instituto Brasileiro de Direito Social Cesarino Júnior, ex- professor de Direito do Trabalho da
Faculdade de Direito Cândido Mendes e ex- professor especialista nos cursos de Pós-Graduação em
Direito do Trabalho e Previdência Social da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Professor do
MBA da Fundação Getúlio Vargas.

Contato:
carloszangrando@deciofreire.com.br

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