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Revisão de História – 9º Ano


Profª Aline Madalena Martins

Vamos relembrar?

No fim do Segundo Reinado, o governo de Dom Pedro II enfrentou esse quadro de tensões responsável pela queda da monarquia.
Mesmo buscando uma posição política conciliadora, Dom Pedro II não conseguia intermediar os interesses confiantes dos diferentes grupos sociais do país. O
processo de Proclamação da república sofreu influência das seguintes questões:
 Escravidão/Abolição: A questão da escravidão era um dos maiores campos dessa tensão político-ideológica. Os intelectuais, militares e os órgãos de
imprensa defendiam a abolição como uma necessidade primordial dentro do processo de modernização sócio-econômica do país. Por um lado, os
fazendeiros da oligarquia nordestina e sulista faziam oposição ao fim da escravidão e, no máximo, admitiam-na com a concessão de indenizações do
governo. De outro, os cafeicultores do Oeste Paulista apoiavam a implementação da mão-de-obra assalariada no Brasil. Durante todo o Segundo Reinado
essa questão se arrastou e ficou presa ao decreto de leis de pouco efeito prático.
 Questão religiosa: A Igreja, setor de grande influência ideológica, também passou a engrossar a fila daqueles que maldiziam o poder imperial. Naquela
época, de acordo com a constituição do país, a Igreja era subordinada ao Estado. Em 1864, o Vaticano resolveu proibir a existência de párocos ligados à
maçonaria. Valendo-se do regime do padroado, Dom Pedro II, que era maçom, desacatou a ordem papal e repudiou aqueles que seguiram as ordens do
papa Pio IX. Mesmo anulando as punições dirigidas aos bispos fiéis ao papa, D. Pedro II foi declarado autoritário e infiel ao cristianismo.
 Questão militar: Ao mesmo tempo, alguns representantes do poder militar do Brasil começaram a ganhar certa relevância política. Com a vitória na Guerra
do Paraguai, o oficialato alcançou prestígio e muitos jovens de classes médias e populares passaram a ingressar no Exército. As instituições militares dessa
época também foram influenciadas pelo pensamento positivista, que defendia a “ordem” como caminho indispensável para o “progresso”. Desta forma,
os oficiais – que já se julgavam uma classe desprestigiada pelo poder imperial – compreendiam que o rigor e a organização dos militares poderiam ser
úteis na resolução dos problemas do país. Os militares passaram a se opor ferrenhamente a Dom Pedro II, chegando a repudiar ordens imperiais e realizar
críticas ao governo nos meios de comunicação. Em 1873, foram criados o Partido Republicano e o Partido Republicano Paulista. Aproximando-se dos
militares insatisfeitos, os republicanos organizaram o golpe de Estado contra a monarquia.
Nos fins de 1889, sob fortes suspeitas que Dom Pedro II iria retaliar os militares, o marechal Deodoro da Fonseca mobilizou suas tropas, que promoveram um
cerco aos ministros imperiais e exigiram a deposição do rei. Em 15 de novembro daquele ano, o republicano José do Patrocínio oficializou a proclamação da
República. Inicia-se aí a chamada “República da Espada”, denominada assim por conta dos militares que assumiram o poder no período.

Ao assumir a presidência, os primeiros atos do Marechal Deodoro da Fonseca foram o estabelecimento do caráter Federativo do Estado brasileiro (que passou a
se chamar Estados Unidos do Brasil), elevação das províncias à categoria de Estados e adoção do federalismo. Essa fase do governo provisório foi destinada,
principalmente, para a reestruturação das instâncias políticas e administrativas, além dos símbolos nacionais. Em relação a estes últimos, o primeiro a ser
modificado foi a bandeira. O escudo imperial que ficava no centro foi substituído pelo cruzeiro do sul, e foi acrescentada a inscrição positivista “Ordem e
Progresso”. Estado e Igreja foram desvinculados, o casamento civil foi instituído, instituições e locais públicos deixaram de ter nomes religiosos e monárquicos,
sendo substituídos por nomenclaturas laicas e republicanas.

Na política e economia, o novo governo se demonstrou interessado em fomentar a industrialização do país, remunerar o recém-formado contingente de
servidores assalariados, além de baratear a liberação de crédito, promover a concessão de obras, entre outras medidas. O então ministro da Fazenda, Rui Costa,
propôs o aumento da emissão de papel-moeda. Tal política gerou uma bolha econômica que ficou conhecida como Encilhamento. O principal motivo foi a
relação estabelecida entre a especulação financeira e a prática de apostas em corridas de cavalos. Por conta do aumento da emissão de papel-moeda sem lastro
metálico a inflação aumentou a níveis alarmantes. O Estado tornou-se paupérrimo, ao passo que muitos empresários enriqueceram, dando início à crise do
governo do Marechal Deodoro.

Uma das características mais importantes do governo de Deodoro foi a promulgação da primeira constituição republicana (1991), que tinha como principais
pontos:

 Federalismo: divisão em estados federativos com relativa autonomia que podiam reger-se por suas próprias constituições, ter
corpos militares próprios.
 Presidencialismo: o chefe de Estado e de Governo seria o presidente da Federação, eleito para um mandato de 4 anos.
 Regime representativo: os presidentes de estados e da República, bem como os cargos para o Poder Legislativo (deputados
estaduais, federais, senadores e vereadores) seriam escolhidos através do voto popular, em eleição direta, vedado aos analfabetos,
mulheres, soldados, religiosos e menores de idade (21 anos). O voto, além de não ser extensivo a todos os brasileiros, não era
sigiloso, ou seja, no ato de votar todos podiam ver em quem o eleitor estaria votando, o que permitia margens de manipulação
eleitoral e intimidação, daí o voto ser considerado “descoberto” ou “aberto”, ao contrário do voto “secreto”;
 Três poderes: poderes Legislativo, Executivo e Judiciário (extinguindo-se Poder Moderador, da época do Império);

O período ficou marcado por grande instabilidade política. A situação piorou significativamente quando o Congresso propôs uma lei
de responsabilidade fiscal. A lei foi considerada uma grave ameaça ao governo, que já estava afogado em problemas econômicos.
Em retaliação, no dia 3 de novembro de 1891 o Marechal Deodoro decretou, o fechamento do Congresso, prisão dos opositores
políticos, além de decretação de estado de sítio. O presidente lançou um manifesto ao povo brasileiro, justificando a necessidade de
fortalecer o poder Executivo da União. Sem conseguir reverter a situação, o Marechal Deodoro da Fonseca acabou tendo que
Figura 1 - Deodoro da Fonseca
renunciar ao cargo, que vou assumido pelo seu vice, Floriano Peixoto.
Apesar de ter adotado muitas medidas populistas, Floriano ficou conhecido como “Marechal de Ferro” por governar o país com
pulso firme. Depois do afastamento de Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto assumiu a presidência em 23 de novembro de 1891.
Justamente por ocupar o posto de vice-presidente, muitas pessoas questionaram sua posse, uma vez que ele não havia sido eleito
por votos diretos. Elas não consideravam a legitimidade de seu governo e por isso pediam a convocação imediata de novas
eleições. Apesar disso, e até mesmo por sua autoridade militar, conseguiu chegar ao fim do mandato.

Entre as principais medidas políticas de seu governo, é possível citar a suspensão do estado de sítio iniciado por seu antecessor,
reabertura do Congresso Nacional, adotou medidas para combater os monarquistas e centralizou o poder nas mãos do presidente.
No que diz respeito a economia, adotou medidas protecionistas que tinham como objetivo conseguir o apoio do setor industrial
brasileiro que estava ascendendo naquele momento. Para isso, concedeu uma série de empréstimos.
Ainda que tenha sido chamado de “Marechal de Ferro”, ele adotou diversas medidas de caráter populista, que desagradaram, em
especial, os grandes produtores rurais, principalmente aqueles ligados à cafeicultura. Como medidas populares, o Marechal
implementou a redução de impostos, baixou o preço de alimentos e outros insumos, além de facilitar o acesso habitacional. Tais
medidas fizeram que as classes menos favorecidas tivessem grande admiração por ele.

Essas insatisfações fizeram com que uma série de revoltas eclodissem por todo o país, entre elas a Revolta Armada, em 1893, no Figura 2 - Floriano Peixoto
Rio de Janeiro e a Revolução Federalista (1893-1895), no Rio Grande do Sul. Todas elas foram duramente reprimida pelo
presidente, sempre com o uso de violência.

Em 15 de novembro de 1894 chega ao fim o governo de Floriano Peixoto e tem início a República das Oligarquias, com a ascensão do paulista Prudente de
Morais a presidência do Brasil.
Agora que você relembrou os conteúdos que vimos na sala de aula, vamos exercitar?
Registre as respostas das atividades no caderno de forma legível e cuide com a organização!

1. O processo de passagem da Monarquia para a República no Brasil foi marcado por diversos fatores. Destaque o motivo dos segmentos sociais abaixo terem
deixado de apoiar D Pedro II neste período:

a) Igreja católica

b) Militares

c) Camadas médias urbanas

d) Cafeicultores

2. Observe a imagem e responda ao que se pede:

a) A que período histórico a imagem abaixo está relacionada?

b) Que motivos levaram aos responsáveis pela revista a retratarem o imperador D Pedro II com “semblante
cansado”?

c) Na sua opinião, a utilização desta imagem foi proposital? Explique.

Figura 3 - Capa da revista Ilustrada mostra D Pedro II com


semblante cansado em 1887
3. Analise a charge abaixo e responda: O que o autor quis dizer com “brigar com fazendeiros, Igreja e Militares”?

4. Com a Proclamação da República, a escolha dos governantes passa a acontecer por meio de eleições. Mesmo assim, grande parte da população brasileira
continuou excluída da participação política. Com base na Constituição de 1891, explique quem poderia ou não votar neste período.

5. O período denominado República da Espada, foram anos de adaptação e, portanto, marcados por muitas crises. Explique o que foi a Crise do Encilhamento
e como ela se originou.
6. Leia o texto com atenção e responda:

Memória de Florianópolis: Um nome, muitas mágoas


Homenagem a Floriano Peixoto, em 1894, é um tema controverso em Florianópolis, que perdeu a poesia do nome Desterro numa canetada do
governador Hercílio Luz
CARLOS DAMIÃO

Florianópolis: cidade de Floriano. Por que essa etimologia incomoda tanto os moradores da antiga Desterro? A razão direta, sem meias palavras: Floriano
Peixoto, o homenageado, comandou um governo sanguinário, que não deu trégua a seus opositores. Quase 200 ilhéus foram fuzilados na ilha de Anhatomirim,
num episódio que está registrado nos livros de História como “A tragédia de Desterro”.
A questão do nome da Capital já era debatida pelas lideranças políticas e sociais muito antes de 1894, quando ocorreu o massacre e a mudança do nome para
Florianópolis. Desterro incomodava desde sempre. Havia uma crença de que o nome teria sido adotado para evidenciar o objetivo da colonização da Ilha de
Santa Catarina: acolher os miseráveis, a escória, os bandidos rejeitados em Portugal. Há compêndios de História que mencionam essa triste leitura.
Mas há, entre os pesquisadores e jornalistas, e nisso me incluo, que acreditam em outra versão: Desterro seria referência à fuga da família de Jesus para o Egito
– tão bem retratada na escultura do tirolês Demetz Groeden, conservada no interior da Catedral Metropolitana. Tanto é que o fundador da cidade, Dias Velho,
ergueu a igreja em devoção a Nossa Senhora do Desterro, nome oficial da paróquia até hoje.
Essa segunda explicação para o nome da cidade – adotado no século 17, mas oficializado apenas no século 19, por Dom Pedro 1º – era a única defesa possível
contra os bajuladores de Floriano Peixoto no ano de 1894. Mas o puxa-saquismo dominante, reforçado após o massacre ocorrido em Anhatomirim, inibiu a
resistência, que ficou mais restrita a alguns círculos sociais e intelectuais. O povo de modo geral aceitou a mudança, até porque o clima de terror reinante depois
da vitória dos florianistas sobre os federalistas impediria manifestações oposicionistas mais fervorosas.
Houve, como há até hoje, quem continuasse preferindo Desterro. Até no Facebook, na geolocalização do usuário, existe a opção de destacar Desterro/Cidade
como local da postagem. Mas isso tem um “quê” de poesia, obviamente, porque não há nenhuma possibilidade de se resgatar o nome original de Florianópolis.
O conformismo histórico nos fez buscar explicações menos dolorosas do que “cidade de Floriano”. Lembro-me que no ensino fundamental um professor mais
radical propunha que interpretássemos a etimologia como “cidade das flores”. Outro, o falecido historiador Carlos Humberto Pederneiras Corrêa, professor da
UFSC, defendia a musicalidade do nome adotado em 1894. Pronunciava assim: “Floría-nó-polis”. Na década de 1970, surfistas simplificaram para Floripa,
apelido que pegou e está consagrado, embora os puristas não gostem muito.
O tempo não apagou a mágoa. Jamais apagará dos livros de história o episódio sangrento da ilha de Anhatomirim – que mereceu uma representação
cinematográfica supimpa, com o título de “Desterro”, dirigida pelo mestre Eduardo Paredes. Essas marcas, da presença horripilante do coronel Moreira César –
o representante do presidente Floriano, conhecido como “Corta-Cabeças” – na Ilha de Santa Catarina, estão na memória da cidade, com destaque para o próprio
nome da capital catarinense. Se nos conformamos, deixamos a coisa como está, pelo menos temos o direito de manter vivas as razões históricas que levaram o
governador Hercílio Luz – nosso herói pela construção da primeira ponte entre Ilha e Continente – a assinar o decreto que apagou Desterro dos mapas.

https://ndmais.com.br/blogs-e-colunas/carlos-damiao/memoria-de-florianopolis-um-nome-muitas-magoas/
a) Qual é o assunto do texto de Carlos Damião?

b) Segundo o autor, por que motivo muitos moradores de Florianópolis contestam o nome da capital de Santa Catarina?

c) Relacione o texto que você acabou de ler com a República da Espada.

Até a próxima!
Beijos,

Profª Aline