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“A racionalidade científica e a questão da objetividade”

Para discutir acerca deste problema temos primeiramente que saber do que se trata o
mesmo. O problema da objetividade da ciência consiste em saber se o desenvolvimento
científico se processa de modo estritamente racional, fornecendo-nos uma imagem cada
vez mais aproximada e completa da realidade tal como ela é em si mesma, ou se, pelo
contrário, as teorias científicas se vão alterando sem obedecer a critérios estritamente
racionais e sem nos aproximar de uma compreensão da realidade tal como ela é em si
mesma.
Este problema pode ser respondido de forma afirmativa ou contrariamente de forma
negativa, sendo a questão para este problema formulada do seguinte modo, “Será a
ciência objetiva?”.
Neste caso tanto os indutivistas quanto Popper respondem afirmativamente a este
problema filosófico. Tal como sabemos os indutivistas consideram que, através do
raciocínio indutivo e da verificação experimental, a ciência progride de modo
estritamente racional, linear e cumulativo em direção a um conhecimento cada vez mais
alargado e completo da realidade tal como ela objetivamente é. Por outro lado sabemos
também que Popper contrariamente aos indutivistas, pensava que, uma vez que a
indução é racionalmente justificável, a ciência só pode ser objetiva se abandonar o
recurso ao raciocínio indutivo, substituindo a lógica falaciosa da verificação
experimental pela falsificação experimental, a única forma de alcançar, através de meios
estritamente racionais, um conhecimento objetivo acerca da realidade. Cada vez que
uma conjetura é falsificada ficamos a saber de modo conclusivo como a realidade
objetivamente não é, avançando progressivamente e de modo irregular, por afastamento
sucessivo do erro, em direção a uma compreensão mais aproximada do modo como ela
objetivamente é. Popper recorre ao conceito de verosimilhança para explicar este aspeto
da sua perspetiva.
Popper afirma que uma teoria científica, ou uma conjetura, é mais verosímil do que
outra quando implica um menor número de falsidades e permite explicar um maior
número de fenómenos do que a sua concorrente. Embora nunca possamos dizer que
alcançámos a verdade, podemos conclusivamente saber que certas teorias científicas (ou
conjeturas) são falsas, o que significa que as teorias científicas atuais possuem um maior
grau de verosimilhança do que aquelas que já foram empiricamente refutadas. Por
conseguinte, estamos hoje mais perto de conhecer a realidade tal como ela
objetivamente é do que estávamos há séculos atrás.
Em síntese, podemos concluir que tanto os indutivistas quanto Popper respondem
afirmativamente ao problema da objetividade da ciência, no entanto, de acordo com os
indutivistas, a ciência é objetiva e progride de modo estritamente racional, linear e
cumulativo em direção a um conhecimento cada vez mais alargado e completo da
realidade tal como ela objetivamente é. Por outro lado, Popper afirma que a ciência é
objetiva, mas progride de modo irregular, por afastamento sucessivo do erro, em direção
a uma compreensão mais aproximada da realidade tal como ela objetivamente é.

André Santos nº3 11ºA