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Stresse

Rita Santos Silva

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Stresse
Ocorre quando um acontecimento é considerado importante pelo
indivíduo e quando este sente que não possui capacidades nem
recursos para superar o nível de exigência que o acontecimento
lhe estabelece.

A percepção de ausência de controlo sobre o acontecimento


stressante pode ser real ou distorcida.

O stresse é um mecanismo de sobrevivência que consiste uma


resposta automática do organismo a qualquer alteração no meio
externo ou interno, a qual possibilita uma ativação fisiológica,
cognitiva e motora para preparar o organismo para enfrentar as
exigências geradas pela nova situação.
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Eustresse e Distresse
O eustresse é um tipo de stresse fundamental para
que o indivíduo consiga enfrentar os desafios diários
com que se depara, sendo que este lhe fornece
capacidades para resolver os problemas, para
recuperação emocional e para o crescimento físico.

O distresse surge quando o acontecimento stressante


é intenso, excessivo, prolongado ou imprevisível, ou
quando o indivíduo não detém as capacidades
adequadas para lidar com as exigências desse
acontecimento.

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Fisiologia do Stresse
Quando um indivíduo considera um acontecimento como
stressor, no seu organismo ocorrem modificações
psicofisiológicas, destacando-se:
a activação do sistema simpático e o aumento da libertação
de hormonas de stresse;
o aumento dos factores físicos;
as transformações nos factores psicológicos.

No entanto, alguns das modificações psicofisiológicas do


stresse podem ser consideradas adaptativas, visto que
possibilitam que o indivíduo se prepare para dar resposta
ao stressor. Enquanto outras são desadatativas por
prejudicarem a saúde dos indivíduos.

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Fisiologia do Stresse
Durante o stresse:
os músculos do corpo contraem-se;
a pressão sanguínea aumenta;
é libertada glucose para fornecer energia ao organismo;
a digestão reduz ou pára;
a pele torna-se pálida e as extremidades do corpo tornam-se
frias, porque o fluxo de sangue destas zonas é desviado para o
coração, o cérebro e os músculos;
a boca fica seca;
os espaços de ar nos pulmões dilatam;
o cabelo espiga nas pontas;
as pupilas dilatam;
os músculos anais e da bexiga relaxam e contraem-se
alternadamente.
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Sintomas de Stresse
Os sintomas e as reações ao stresse variam de
indivíduo para indivíduo, pois o que causa stresse
a um determinado indivíduo pode ser
considerado como um desafio para outro.

Existem quatro tipos de sintomas de stresse:


sintomas fisiológicos;
sintomas cognitivo-subjectivos;
sintomas emocionais;
e sintomas psicossociais.
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Causas do Stresse

Existem sete categorias que podem ser


classificadas como indutoras de stresse:
acontecimentos traumáticos;
acontecimentos significativos ao longo da vida;
situações crónicas indutoras de stresse;
microindutores e macroindutores de stresse;
acontecimentos desejados que não ocorrem;
e traumas ocorridos no estádio de desenvolvimento.

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Causas do Stresse
Os acontecimentos de vida, positivos ou
negativos, causam um aumento nos níveis de
stresse:
o falecimento do cônjuge/familiar próximo;
a separação conjugal/divórcio;
a prisão;
uma doença pessoal grave;
mudança de trabalho;
as férias;
e pequenas infrações à lei.
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Causas do Stresse
Existem alguns factores sócio-culturais que podem causar
stresse:
o baixo estatuto socio-económico devido às baixas condições de
vida e de meios para enfrentar o stresse;
a imigração devido aos problemas na aprendizagem da cultura no
outro país;
e o género feminino.

O stresse tem também muitas vezes origens emocionais:


medo do fracasso e da rejeição;
sensações de ansiedade excessiva;
Culpa;
Vergonha;
Cólera;
e perda de apetite sexual.

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Causas do Stresse
Os indivíduos que abusam de estimulantes
aumentam os sintomas causados pelo stresse,
apesar de no início do consumo parecerem
melhorar a fadiga, a ansiedade e a tensão.

As causas de stresse não explicam por si só o


surgimento de perturbações psicofisiológicas,
estando outros factores implicados, como as
características da situação de stresse, as
qualidades psicológicas e biológicas dos
indivíduos, e as características dos sistemas
sociais.
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Consequências do stresse
O stresse é uma experiência vital integrante da condição humana, que
pode ser positivo enquanto factor de adaptação, contudo, quando é
excessivo afecta negativamente o bem-estar físico e psicológico dos
indivíduos, provocando comportamentos de risco e estando associado
a sentimentos de insatisfação com a vida.

Tanto as situações que impliquem acontecimentos positivos como as


situações que impliquem acontecimentos negativos são stressantes,
pois em ambos se elabora uma modificação à qual o indivíduo tem
que se adaptar. Contudo, os efeitos de acontecimentos stressantes
positivos ou negativos são diferentes para a saúde do indivíduo, pois
os acontecimentos stressantes positivos causam menos
consequências adversas ao organismo a longo prazo do que os
acontecimentos stressantes negativos.

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Consequências do Stresse
As consequências do stresse podem ser físicas,
emocionais, comportamentais e sociais, sendo
que a maioria das consequências revelam-se a
nível psicossomático, na diminuição da
produtividade no trabalho e em modificações na
vida social e familiar.

O stresse pode afectar a saúde do indivíduo por


meio de alterações comportamentais e de
alterações fisiológicas.
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Consequências do Stresse
Os problemas associados ao stresse são inúmeros, quer porque
este determine o seu aparecimento, quer porque agrave a
perturbação já causada por outros motivos. Destacam-se:
problemas cardiovasculares;
problemas respiratórios;
problemas imunológicos;
artrite reumatóide;
problemas endócrinos;
problemas gastrointestinais;
diabetes;
problemas dermatológicos;
dor crónica e cefaleias;
problemas musculares;
problemas sexuais;
problemas psicopatológicos.

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Consequências do Stresse

Elevados níveis de stresse podem levar o


indivíduo a subestimar as suas características
positivas e a sua capacidade de resolver
problemas, o que provoca o desenvolvimento de
sentimentos desagradáveis e pensamentos
angustiantes.

As consequências do stresse também se


reflectem a nível das relações interpessoais.

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Vulnerabilidade ao Stresse
As condições do organismo e o estado de saúde do indivíduo são
fatores fundamentais para os efeitos do stresse, pois um organismo
em boas condições de saúde resistirá durante um período de tempo
maior ao desgaste excessivo, enquanto que um organismo debilitado
tem mais hipóteses de desenvolver uma perturbação.

O apoio emocional tem sido descrito como um fator muito importante


para enfrentar o stresse, reduzir os efeitos do stressor, na apreciação
do potencial stressor e na redução da doença.

Os indivíduo com personalidade de tipo B possuem uma menor


tendência a apresentar stresse, porque tem características como
pouca competitividade, calma, paciência, satisfação, apreciar a rotina,
lentidão. Os indivíduos com personalidade de tipo A apresentam
características e modelos de comportamento que os tornam mais
susceptíveis a desenvolver stresse e ao seu efeito na saúde.

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Fatores Protetores do
Stresse
O otimismo é um fator protetor do stresse, pois os indivíduos
otimistas controlam melhor os eventos stressantes e possuem
uma saúde melhor.

Quando o indivíduo possui um elevado autoconceito encontra-se


mais confiante e ativo para estabelecer contato com outros
indivíduos e avalia os acontecimentos como menos ameaçadores.

O indivíduo com locus de controlo interno acredita que as


consequências de um acontecimento dependem do seu
comportamento, utilizando por isso as suas capacidades pessoais
para enfrentar esse acontecimento.

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Stresse Ocupacional

O stresse nas organizações surge quando as


exigências da situação laboral excedem os recursos,
desejos ou capacidades do indivíduo, seja de forma
real ou percebida.

Este tipo de stresse perturba a relação entre o


indivíduo e a sua profissão, sendo que ele começa a
desenvolver comportamentos e atitudes
desadequadas no desempenho do seu trabalho.

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Causas do Stresse
Ocupacional
Existem seis tipos de stressores
ocupacionais:
fontes de stresse intrínsecas ao trabalho;
papel organizacional;
relações interpessoais;
carreira profissional;
clima e estrutura organizacionais;
e relação entre o trabalho e a família.
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Consequências do Stresse
Ocupacional
As consequências do stresse ocupacional no trabalhador podem ser:
subjectivas;
Emocionais;
Comportamentais;
Cognitivas;
e Fisiológicas.

As consequências repercutem-se também nas organizações:


aumento do absentismo;
redução da produtividade;
Insatisfação laboral;
Aumento do número de acidentes de trabalho;
Rotatividade;
Más relações com os colegas;
Mau ambiente em geral na empresa.

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Individual/Colectivo
Cada trabalhador possui reações diferentes perante as
mesmas condições laborais stressantes, visto que
cada indivíduo perceciona e interpreta essas
condições de modos distintos. No entanto, no contexto
social da organização cada trabalhador se encontra
em interação com outros trabalhadores, o que
influencia a vivência de stresse e potencia perceções,
interpretações e respostas coletivas aos stressores da
organização.

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Burnout
É uma síndrome relacionada com o trabalho,
que tem a sua etiologia na diferença da
percepção individual entre o esforço e o
resultado, sendo a percepção influenciada por
factores individuais, organizacionais e sociais.

O burnout possui três dimensões principais:


a exaustão emocional;
a despersonalização;
e a baixa realização profissional.
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Sintomas do Burnout

Os sintomas do burnout podem


dividir-se em quatro categorias:
Físicos;
Psíquicos;
Emocionais;
e comportamentais.

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Causas do Burnout

Existem diversos fatores no ambiente de


trabalho suscetíveis de causar burnout:
a sobrecarga de trabalho física e mental;
isolamento social;
objetivos da organização;
autonomia;
tipo de liderança e supervisão;
motivação;
e contacto com os requisitantes dos serviços.

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Causas do Burnout
Os agentes específicos de burnout são:
insegurança do trabalho;
inadequação das capacidades do indivíduo ao trabalho;
perfeccionismo;
servir uma população que vive ansiedade e medo;
não participação nas decisões ou planeamento;
responsabilidade por outros indivíduos;
subaproveitamento das suas capacidades;
recursos inadequados;
conflito interpessoal;
mudanças tecnológicas rápidas;
e exposição continuada à morte.

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Consequências do Burnout
O burnout é uma experiência subjectiva
interna que interfere negativamente:
a nível individual;
profissional;
e organizacional.

Existem três grupos de consequências do


burnout:
o esgotamento físico e/ou psicológico;
a despersonalização;
e a ausência de realização de objectivos pessoais.

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Fatores Protetores e de
Vulnerabilidade ao Burnout
Os sintomas de burnout variam de indivíduo para indivíduo, sendo
que cada indivíduo possui características próprias que o tornam
mais vulnerável ou não a apresentar este síndroma.

Factores que influenciam o desenvolvimento de burnout:


Idade;
género sexual;
ter filhos;
casamento ou relacionamento afectivo estável;
apoio social e religioso;
tipo de personalidade;
trabalhar em grupo;
tempo de exercício da função.

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Psicologia da Saúde
Ocupacional
Horário de Atendimento:
Terças e Quintas-feiras das 9h30 às 12h30.
Marcação prévia.

Instalações do Serviço de
Segurança e Saúde no Trabalho

Edifício B, Páteo, 1.º andar


Tel: 289 599 626 (Ext. Interna 626)
E-mail: sst@cm-albufeira.pt

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Obrigado pela vossa atenção!
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