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Apesar da (muita) informação atualmente disponível, continuam a ser muitas as dúvidas dos

portugueses. Para esclarecer a população, uma médica grávida e uma médica em quarentena
decidiram criar um grupo no Facebook que reunisse um grupo de profissionais de saúde. Os
médicos, enfermeiros, farmacêuticos, investigadores, psicólogos clínicos e fisioterapeutas que
aceitaram o repto respondem às perguntas dos seguidores, que em apenas cinco dias já agrega mais
de 200.000 pessoas.

1. Quais são efetivamente os fatores de risco da covid-19?

São vários e implicam precauções. "Os fatores de risco são para ter uma doença mais grave em caso
de infeção e não para contrair o virus. Nada de confusões", alerta Renata Aguiar, reumatologista no
Centro Hospitalar do Baixo Vouga, uma das administradoras da página. "São fatores de risco a
idade avançada e as doenças cardiovasculares no geral", sublinha a médica, que inclui também na
lista a diabetes mellitus e as doenças respiratórias.

"Não se incluem aqui as infeções resolvidas sem sequelas no passado nem alergias, rinite ou
sinusite", ressalva, todavia. Os pacientes que sofrem de doenças oncológicas também as viram
incluídas na listagem dos fatores de risco. "Embora as doenças que estejam em remissão constituam
um risco muito mais baixo, tanto menor quanto maior for o tempo de remissão, os doentes sob
tratamento atual são os que mais preocupam, exceto no caso do tratamento hormonal no cancro da
mama", esclarece ainda Renata Aguiar.

As pessoas que sofram de doenças do foro autoimune e do sistema imunitário e as que façam
atualmente medicação imunossupressora e que estejam a tomar medicamentos que debilitam o
sistema de defesa do organismo também fazem parte dos grupos de risco. "Reforçamos que, no caso
de alguns fatores de risco, como a diabetes e a hipertensão arterial, o bom controlo da doença é
essencial, diminuindo a magnitude do aumento de risco", alerta ainda a médica reumatologista.

2. Posso continuar a trabalhar se fizer parte dos grupos de risco?

Esta é outra dúvida muito comum. "Ter um ou mais fatores de risco não equivale a ter indicação
para não ir trabalhar», esclarece, no entanto, Renata Aguiar, reumatologista. "Essa decisão deve ser
tomada pelo médico que melhor conhece a pessoa em causa e a sua doença, porque cada patologia
difere em termos de gravidade e de controlo e os trabalhos têm exposições a risco muito diferentes",
refere a especialista.

"Não podemos dizer aqui às pessoas, categoricamente, se devem ou não deixar de trabalhar. Todos
temos receio, por nós e pelos nossos, mas o mundo não pode parar e há bens essenciais que alguém
tem de providenciar. Por isso, não queiramos ficar em casa só porque temos medo. O sentido de
dever é necessário agora mais do que em qualquer momento", defende Renata Aguiar.

3. Tenho de usar álcool e/ou lixívia para conseguir uma desinfeção mais eficaz das
mãos e das superfícies?

Milhares de pessoas têm recorrido a estes produtos para desinfetar as extremidades dos membros
superiores. "Lavar as mãos com água e sabão, vigorosamente, durante pelo menos 20 segundos, é
suficiente e muito menos agressivo do que usar outros agentes como álcool e lixívia e o mesmo se
passa em relação às superfícies", garante Renata Aguiar.
"Lavar com água e detergente é a melhor opção. Deixem o desinfetante para trazer no bolso quando
tiverem impreterivelmente de ir à rua. E deixem o vinagre para temperar a salada", ironiza ainda a
reumatologista do Centro Hospitalar do Baixo Vouga.

4. O que podemos fazer para nos protegermos se tivermos que sair de casa?

Para muitos, essa possibilidade representa um verdadeiro drama, mas Renata Aguiar,
reumatologista, apela ao bom senso. "Não é o fim do mundo. Mais cedo ou mais tarde, um dos
elementos do agregado terá de sair de casa", refere a médica, que deixa uma série de
recomendações para o dia em que esse momento chegar. "Deve vestir roupa com manga comprida e
evitar anéis, colares ou brincos", aconselha a especialista.

Adolescentes em casa. Especialistas aconselham os pais a serem pacientes e flexíveis

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"Os sapatos que saem à rua devem ser sempre os mesmos e devem ficar do lado de fora da
habitação. Não precisam de usar máscara, a menos que estejam infetados ou sejam suspeitos de
infeção", informa a reumatologista. "A máscara só faz com que levem mais vezes a mão ao rosto, o
que é, entre todos, o comportamento mais arriscado que se pode ter", condena a especialista.
"Recordamos que máscaras de pano, cartão ou plástico não oferecem proteção, de todo. As luvas
também não são muito úteis, especialmente se mexermos em tudo e mais alguma coisa com elas e
lhes tocarmos ao tirá-las", adverte ainda Renata Aguiar.

"Façam o que têm a fazer, mantenham uma distância de 2 metros das outras pessoas e façam
pagamentos com cartão ou usando sistemas contactless [por via eletrónica e sem contacto manual]
em vez de utilizarem dinheiro. Ao regressarem a casa, devem deixar os sapatos à porta, tirar a
roupinha e colocá-la na máquina para lavar [a alta temperatura]. Os 60º C são o ideal, mas
lembrem-se que a máquina também leva detergente", ironiza a especialista.

No entanto, não é apenas a roupa que deve ser imediatamente lavada. "Tome um banho quente, que
desinfeta e ajuda a relaxar da ansiedade que é ter de sair de cada nestes dias", aconselha ainda a
médica reumatologista. "Se quiserem, limpem as embalagens com um pano embebido em água e
sabão ou com uma solução feita com uma colher de sopa de lixívia por cada litro de água", sugere.
"E voltem ao vosso ninho descansados. Com estes cuidados, estarão protegidos e protegerão os
vossos", assegura.

5. Se tiver os sintomas de covid-19, o que é que devo efetivamente fazer?

Os sintomas da infeção da covid-19 são vários, podendo ser diferentes de pessoa para pessoa e
variar em intensidade. "Os sintomas mais típicos são a febre (temperatura axilar igual ou superior a
37,7º C se verificada na axila aos cinco minutos de medição), tosse seca e falta de ar. Pode também
haver dor de garganta, dor de cabeça e dores difusas nos músculos do corpo", esclarece Renata
Aguiar. "Diarreia, espirros e o chamado pingo no nariz são muito mais raros", adverte ainda a
médica.

"Não é demais recordar que as crianças têm habitualmente sintomas ligeiros e não requerem
preocupação maior mas [é preciso ter] cuidado [porque] são altamente contagiosas", alerta. "80%
das pessoas infetadas têm quadros autolimitados em que a única necessidade é controlar os
sintomas", refere Renata Aguiar. "Assim sendo, as pessoas que têm queixas ligeiras devem ficar em
casa a monitorizar a evolução e tratar os sintomas com medidas simples", diz.

Diabetes e coronavírus. As recomendações e os alertas dos especialistas

Ver artigo

"Não faz sentido recorrerem ao hospital numa situação destas", garante a reumatologista. "Na fase
em que estamos, os doentes nestas condições não têm indicação para fazer teste, porque isso não
mudaria a conduta e os testes são precisos para os casos mais graves, que vão aumentar na mesma
proporção em que aumenta o número total de casos. Para além disso, indo ao hospital, irão apenas
colocar-se numa situação de maior risco de infeção, caso ainda não estejam infetados. Pensem na
vossa saúde e bem estar", afirma a profissional de saúde, que aponta recomendações.

"Podem tomar paracetamol para febre e para as dores, gorgolejar com soluções antisséticas para a
dor de garganta e hidratar-se bem", aconselha. "Então e quando é que devemos procurar os
cuidados de saúde?", antecipa. "Quando os sintomas forem alarmantes, como é o caso de uma febre
que não cede, da falta de ar e de uma alteração do estado geral", acrescenta ainda a reumatologista
do Centro Hospitalar do Baixo Vouga.

6. Todas as pessoas que tenham sintomas de covid-19 devem fazer imediatamente o


teste de despistagem da doença?

Apesar de ser essa a vontade da maioria, a resposta é negativa. "O teste é para pessoas com
sintomas mais severos e que precisam de admissão hospitalar para serem tratados. Não é para
pessoas com sintomas ligeiros e muito menos para assintomáticos", sublinha Renata Aguiar. "A
curiosidade não é razão para fazer o teste. Muitos de nós teremos covid-19 e nunca teremos a
certeza disso. É a vida!", desvaloriza a médica reumatologista.

7. Tenho um familiar que está com dores de garganta e dores no corpo, tem uma
tosse que não é seca e não tem febre. O que é que de fazer? 

Esta é uma situação muito comum nos tempos que correm. "Vigie a temperatura e tome
paracetamol para as dores de garganta. Esteja atento aos sinais de agravamento, como a dificuldade
respiratória. Mantenham o isolamento", aconselha Patrícia Rodrigues, enfermeira. "Se não esteve
em contacto com alguém com codiv-19 positivo, deverá aguardar a evolução dos sintomas, bem
como beber bastantes líquidos, ingerir chá com mel e limão e tomar bem-u-ron para o alívio de mau
estar", sugere Carlos Pinto, enfermeiro.

No caso do doente ter febre, os cuidados a adotar diferem. "Deve manter a vigilância dos sintomas e
avaliar a temperatura duas vezes por dia. Deve tomar paracetamol de oito em oito horas e reforçar a
hidratação", acrescenta ainda a enfermeira Joana Claro. "Para alívio da congestão nasal, pode fazer
alguns vapores. Se tem uma febre que não cede à medicação ou registar o agravamento do seu
estado de saúde com falta de ar, contacte o SNS 24", pede.

8. Estou há mais de uma semana com uma gripe, já fui ao médico e agora estou em
casa há vários dias. Sinto dores de cabeça, cansaço e falta de forças. Não tenho
febre mas estou preocupada. Tenho motivos para isso?

Os meses mais frios são mais propícios a gripes e constipações e algumas das suas manifestações
confundem-se com as da covid-19. "Procure continuar a vigiar a sua temperatura duas vezes ao
dia", recomenda Francisca Ferreira, outra das profissionais de saúde que aderiram ao desafio das
duas médicas.

"Relembro que febre é acima dos 38º C", ressalva a especialista, que deixa um conselho aos doentes
que se encontrem na mesma situação. "Aumente a ingestão de líquidos e o descanso. Se as dores
não forem suportáveis, experimente paracetamol 1g de oito em oito horas", refere ainda. "Só esses
sintomas poderão não ser compatíveis com covid-19. Vigie o seu agravamento", alerta, todavia.

9. Tenho mais de 50 anos e não sofro de nenhum problema de saúde. Gostaria de


saber até que ponto é que me devo preocupar com o novo coronavírus?

As pessoas alegadamente mais saudáveis não se podem excluir dos cuidados preventivos exigidos
pelas autoridades. "Deve ter cuidado como toda a gente, evitar aglomerados e manter a distância de
segurança", recomenda Manuel Luís Ribeiro, enfermeiro. "Deve ter regras de higiene e etiqueta
respiratória e não sair de casa [a não ser] só para o estritamente necessário. Para se proteger a si e
aos outros, mantenha uma distância de um metro", sugere Gisela Pereira, médica dentista.

10. Li num artigo internacional que o novo coronavírus não sobrevive muito tempo
em superfícies como alcatrão mas que, ainda assim, a desinfeção das ruas, dos
edifícios e dos transportes tem de ser diária por causa do curto tempo de ação da
maioria dos desinfetantes. É efetivamente assim?

Apesar de menos abordada, a questão da higiene pública também suscita interrogações. "Confirmo
absolutamente", responde André Gomes de Abreu, farmacêutico, que recomenda a leitura de uma
publicação do The New England Journal of Medicine aos que percebem inglês.

"As medidas de desinfeção individuais e da comunidade devem resultar de um equilíbrio entre a


exposição ao risco e a disponibilidade de meios tendo em conta as zonas onde exista maior
probabilidade de concentração de vírus", sublinha ainda este profissional de saúde.

11. Faço atendimento ao público no desempenho da minha atividade profissional e


vou ter que continuar trabalhar. Confesso que estou em pânico! O que é que faço
para me proteger?

Nem todos os profissionais do país podem desempenhar as suas funções em regime de teletrabalho.
"Não é preciso entrar em pânico", garante Joana Rodrigues, médica. "O que tem a fazer é adotar as
medidas de segurança que têm sido recomendadas pelas autoridades de saúde", aconselha. "As
pessoas que estão a trabalhar [fora de casa] devem procurar criar uma zona limpa em casa",
recomenda ainda.

"Antes de mais, mantenha a calma", pediu também Tiago Cotrim Lucas, enfermeiro, na resposta
que deu a um empregado bancário. "Para se proteger, a sua entidade bancária deverá ter adotado
alguns procedimentos coletivos, como é o caso da entrada limitada de clientes, da implementação
de barreiras plásticas de proteção e da desinfeção frequente de superfícies", refere.

"A nível individual, deve manter a distância de segurança exigida [um metro] e fazer a lavagem das
mãos com frequência", recorda Tiago Cotrim Lucas. "Quando tal não é possível, deve fazer a
desinfeção das mãos com uma solução alcoólica", recomenda. "Sempre que manipular dinheiro,
também deve adotar esse procedimento", aconselha ainda este profissional de saúde.

12. Tenho uma bebé de 18 meses que deveria ter levado a última vacina Bexsero
contra a meningite aos 13 meses mas não foi vacinada porque esteve doente. Agora
que está melhor, posso vaciná-la ou devo aguardar por causa do novo coronavírus?

Embora seja uma dúvida mais específica, há certamente mais do que uma mãe a tê-la. "Não
apresentando febre, convém ligar primeiro para o centro de saúde da sua área de residência para o
confirmar mas, à partida, é para vacinar. Existem mais doenças para além da covid-19 e, como diria
uma colega minha, as restantes doenças não foram de férias", sublinha Luís Amaral, um dos
pediatras que integram o grupo criado por duas médicas no Facebook.

13. A minha filha de sete anos já teve três pneumonias, tem frequentes infeções
respiratórias e, como se isso não bastasse, tem asma. Eu lavo a câmara expansora
que utilizo quando recorro a inaladores pressurizados uma vez por semana e deixo-
a secar ao ar. Devo reforçar as lavagens? É seguro continuar a deixá-la secar ao ar?
Posso esterilizá-la em água a ferver como se faz com os biberões dos bebés?

A nova realidade social está a levantar questões que muitos pais nunca tinham colocado até aqui. "A
lavagem da câmara expansora parece-me adequada", avalia Virgínia Abreu Marques, médica.
"Deverá aumentar a frequência em período de doença para que os micro-organismos não se
acumulem na mesma", refere ainda.

"Quanto aos procedimentos de esterilização, tem de procurar nas instruções da sua câmara
expansora", responde. A explicação é simples. "Cada marca faz as suas próprias recomendações e
algumas dão efetivamente para ferver durante cinco minutos como se faz com os biberões",
justifica. No caso de as ter perdido, procure-as online ou envie um e-mail a solicitá-las para a
marca.

14. Tive uma embolia pulmonar há menos de um ano e, na última consulta, há


cerca de 15 dias, os resultados dos exames não apresentavam problemas. Faço
parte de algum grupo de risco?

Os portugueses estão com medo da covid-19 e as perguntas acerca dos grupos de risco multiplicam-
se. "Sim, você inclui-se no grupo de risco", confirma Tiago Cotrim Lucas. "É importante manter a
calma e seguir as recomendações da Direção-Geral da Saúde", aconselha ainda o enfermeiro.
15. O novo coronavírus torna-se menos resistente ao calor? Nas regiões do país em
que as temperaturas são mais altas, há possibilidade de o SARS-CoV-2 desaparecer
no verão?

Numa fase inicial, houve especialistas que chegaram a defender essa tese. "Não existem ainda
estudos que confirmem essa afirmação", refere Carlos Pinto, enfermeiro. "Em relação a provas
empíricas, ainda nada está confirmado. Há evidências e essas apontam para um possível
abrandamento. No entanto, não é apenas a temperatura que tem um papel importante [no
desaparecimento do SARS-CoV-2]. A humidade também é bastante relevante neste tipo de vírus",
recorda Ricardo Natário, bombeiro, outro dos profissionais de saúde que colaboram com o grupo.
Há gestos e rotinas essenciais para reduzir o risco de uma contaminação que pode ser mortal. Chega
a casa e não sabe como agir? Tem um familiar suspeito ou infetado com covid-19 em casa? Como
desinfetar as superfícies? Caiu mais uma receita de vodka na caixa de e-mail? E como atacar o
coronavírus na roupa? Precisa de motivação para passar a montanha de roupa a ferro?
Respondemos às dúvidas do momento com a nossa seleção de conselhos. Também revelamos dicas
para desinfetar o automóvel.

Quando chega a casa


 Descalce-se de imediato e deixe o calçado sempre no mesmo local, perto da entrada. Evite
guardar os sapatos no mesmo sítio onde tem os chinelos que usa em casa. Todos os
membros da família devem adotar esta rotina.
 Mude a roupa exterior (casacos, camisolas, t-shirts, calças, etc.) e evite sacudir a roupa para
minimizar a possibilidade de dispersar qualquer tipo de vírus e germes no ar. Coloque a
roupa a arejar no exterior e nunca a guarde de imediato no roupeiro ou gavetas.
 Lave as mãos, seguindo as indicações das autoridades de saúde. Deve desinfetar chaves,
telemóvel e tudo aquilo em que mexeu quando saiu.
 Com a limpeza removemos germes e sujidade das superfícies. Não mata os germes, mas
reduz o seu número e o risco de contágio da infeção. Na desinfeção, utilizamos substâncias
químicas para matar os germes. Esta ação não limpa necessariamente as superfícies, mas ao
matar os germes, depois de limpar a superfície, podemos, de facto, reduzir o risco de uma
infeção.
 Em tempo de covid-19, todos os consumidores devem adotar mais rotinas de limpeza nas
superfícies de contacto frequente (por exemplo, mesas, maçanetas, puxadores, interruptores
de luz, torneiras, chuveiro, sanitas e botões de elevadores) com produtos de limpeza e
desinfetantes adequados à superfície, seguindo as instruções. Os rótulos contêm instruções
para um uso seguro e eficaz do produto de limpeza, incluindo cuidados na aplicação, como
usar luvas, quando necessário, e garantir uma boa ventilação durante o uso.

Limpeza de superfícies
A única boa notícia é que o coronavírus é um dos tipos de vírus mais fáceis de matar com o
produto certo. Tem uma capa à volta que se funde com outras células, infetando-as. Assim que
quebramos esta capa, o vírus deixa de fazer o seu trabalho.

 Limpe as superfícies com detergente e água, antes de desinfetar. Esfregue energicamente,


se a superfície permitir, sem esquecer cantos, curvas e ranhuras.
 Para desinfetar, use soluções diluídas de produtos com poder biocida. Siga as instruções do
fabricante para aplicar e garantir uma ventilação adequada. Nunca misture lixívia com
amoníaco ou qualquer outro detergente alcalino. A solução só será eficaz quando diluída na
proporção correta.
 Na casa de banho, use um detergente com desinfetante na composição (lixívia, peróxido
de hidrogénio ou cloreto de benzalcónio, por exemplo). A aplicação torna-se mais fácil.
Comece pelas torneiras, lavatórios e ralos, passando depois ao mobiliário, banheira ou
duche, bidé e sanita. O chão é o último a receber o tratamento de choque, mas não pode ser
esquecido. Deixe secar ao ar e ventile o espaço.
 Na cozinha, comece por lavar a loiça à mão ou na máquina, usando água quente e
detergente. Recomendamos limpar com água e detergente e desinfetar depois as portas dos
armários e puxadores, bancadas, portas e puxadores do frigorífico e das máquinas de lavar,
fogão e respetivos comandos, lava-loiça, torneira e ralo. Deixe secar ao ar e abra as janelas
para ventilar o espaço.
 Para mobiliário e equipamentos, use uma solução de água morna com um pouco de
detergente adequado ao tipo de superfície e material. Esfregue com um pano macio e seque
de imediato. No caso de teclados, comandos, telefones e telemóveis, o ideal é confirmar nas
instruções se o fabricante sugere limpar com toalhetes humedecidos em desinfetante ou em
álcool a 70º. Evite partilhar a utilização de telemóveis, auscultadores ou teclados. Se não for
possível, desinfete-os antes e depois de cada utilização. Agora mais do que nunca, o uso de
uma capa lavável ou de uma simples película de plástico é uma excelente opção.
 Para alcatifa, tapetes e cortinas, use produtos de limpeza ideais para estas superfícies.
Depois de limpar, lave segundo as instruções do fabricante. Se possível, regule a água para
temperatura mais elevada e seque completamente.

Produtos de limpeza que destroem o coronavírus


 Detergente e água. A ação mecânica da lavagem com água e detergente quebra a capa
protetora do coronavírus. Seja enérgico na ação. Esfregue como se tivesse material
pegajoso na superfície e tivesse mesmo de removê-lo. Enxagúe com água limpa, seque com
um pano limpo (dedique um para cada zona da casa) e depois deixe-o num recipiente com
água e detergente durante algum tempo para destruir as partículas de vírus que possam ter
sobrevivido.
 Lixívia. A Direção-Geral da Saúde recomenda uma solução diluída de lixívia (1 medida de
lixívia em 49 medidas de água) para desinfetar. Use luvas e nunca misture com outras
substâncias, sobretudo amoníaco. Não guarde a solução por mais do que um dia (degrada
alguns recipientes de plástico). Antes de aplicar, limpe a superfície com água e detergente.
Seque a superfície, aplique esta solução e aguarde, no mínimo, 10 minutos antes de
enxaguar e deixar secar ao ar, assegurando que ventila bem o espaço. Esta solução pode
corroer o metal com o tempo. Não recomendamos para torneiras de aço inoxidável.
 Álcool isopropílico ou isopropanol. As soluções com pelo menos 70% de álcool são
eficazes contra o coronavírus em superfícies rígidas. Primeiro, limpe a superfície com água
e detergente e enxague. Depois use um toalhete humedecido em álcool (não diluído) e
deixe-o atuar na superfície durante pelo menos 30 segundos para desinfetar. O álcool é
seguro para todas as superfícies, mas pode fazer perder a cor nalguns plásticos. E como
preparar uma solução diluída de álcool? Se usa álcool que indica 96% no rótulo, o mais
frequente nas farmácias e supermercados, deve diluir em água numa proporção de 7 partes
de álcool para 3 de água.
 Água oxigenada ou peróxido de hidrogénio. Esta solução é eficaz no combate do
rinovírus, o vírus que provoca a constipação, dentro de 6 a 8 minutos após exposição. O
rinovírus é mais difícil de destruir do que o coronavírus. Despeje-o não diluído num frasco
de spray e pulverize a superfície a limpar. Deixe repousar durante pelo menos um minuto.
Esta solução não é corrosiva. Pode usar em superfícies metálicas. É o ideal para entrar em
ranhuras de difícil acesso. Pode espalhar sobre a área e não precisa de limpar. Decompõe-se
em oxigénio e água.

O que não usar contra o coronavírus


 Desinfetante manual caseiro. Inúmeras receitas milagrosas invadiram os sites e as redes
sociais nos últimos dias, mas não recomendamos. Os consumidores desconhecem as
proporções corretas e a internet não tem a resposta certa. Apenas dá uma falsa sensação de
segurança.
 Vodka. Também circulam na net muitas receitas à base de vodka para travar o coronavírus.
Estas bebidas não contêm álcool etílico suficiente (40%, face aos 70% necessários) para
matar o coronavírus.
 Vinagre branco. Muito popular online, mas não há provas de que seja eficaz contra o
coronavírus.

Roupa, toalhas e lençóis: lavar com água a mais de 60ºC


Pode o coronavírus viver nas roupas? E durante quanto tempo? A Organização Mundial da
Saúde diz que ainda não é claro durante quanto tempo o coronavírus permanece nas superfícies,
mas os estudos mais recentes apontam que possa persistir durante algumas horas ou mesmo até
vários dias. Tirar os sapatos e mudar de roupa para evitar a entrada dos germes em casa é crucial.
As toalhas de banho e alguma roupa em casa são uma cama para os germes, sobretudo quando
usadas por mais do que uma pessoa. Impõe-se lavar a roupa mais vezes do que faria num cenário
habitual e seguir outras medidas para impedir o vírus de se multiplicar.

 Se não usar luvas, ao mexer em roupa suja, é essencial lavar as mãos no final.
 Não sacuda roupa suja dentro de casa. Enrole-a de dentro para fora, fazendo um embrulho.
Este cuidado reduz o risco da propagação do vírus pelo ar. 
 Siga as instruções do fabricante da roupa na etiqueta. Se for possível, escolha a temperatura
da água mais elevada e seque completamente as roupas. 
 Quanto mais quente, melhor: o nosso corpo apresenta uma temperatura média de 37ºC. É a
condição ideal para a proliferação de vírus e bactérias. Para travar o coronavírus, a habitual
lavagem a 30ºC pode não ser suficiente. A maioria dos vírus não sobrevive a temperaturas
acima de 60°C. O ideal será usar esta opção para toalhas de mesa, toalhas de banho,
roupas de cama, lenços e toalhas de cozinha. No cenário atual, aumentar a frequência da
lavagem ajuda.
 Temperaturas extremas de frio e calor podem impedir a multiplicação do vírus. Se tiver
máquina de secar roupa, utilize-a durante 20 minutos para conseguir mais ação de calor e
eliminar os germes.
 Se precisa de motivação para passar a ferro, é agora. A base do ferro pode atingir mais de
100ºC: esta temperatura pode contribuir para uma melhor higienização da roupa. Ao passar
a roupa de uma pessoa infetada ou com sintomas de covid-19, use a temperatura mais
elevada possível para as peças e abuse do vapor. Apesar de não existir evidência científica,
mal não faz. Nesta fase, pondere deixar de usar os tecidos mais delicados.
 A máquina de lavar roupa pode ser a salvação nesta guerra, mas também requer limpeza.
Este equipamento é, muitas vezes, esquecido nas tarefas da casa, mas agora convém reduzir
o risco ao máximo: há água nos tubos ou cotão que fica na máquina. Deite um copo de
vinagre branco diretamente no tambor e inicie um ciclo de lavagem a quente de pelo menos
60ºC (também existem detergentes para limpar o tambor). Repita a operação todos os meses
para evitar a acumulação de detergente e impurezas na máquina.
 Usar detergente a mais não aumenta a eficácia da limpeza. É contraproducente, além de
desperdiçar. O excesso de detergente deixa espuma de sabão na roupa e dificulta o
enxaguamento completo. O mesmo aplica-se à máquina, que acumula mais restos de
detergente não totalmente dissolvido. Use a dose recomendada.

Limpar e desinfetar quando uma pessoa está em isolamento


por suspeita ou confirmação de covid-19
Todos os membros da família podem ajudar nesta guerra. Limpe e desinfete as superfícies de
contacto diário nas áreas comuns (por exemplo, mesas, cadeiras com encosto alto, maçanetas,
interruptores de luz, comandos, torneiras, chuveiro e sanita).
 Se for possível, mantenha o doente num quarto e casa de banho de uso exclusivo. Aqui, faça
a limpeza com luvas à medida das necessidades (por exemplo, objetos e superfícies sujas)
para evitar o contacto desnecessário.
 A pessoa doente deve permanecer numa divisão específica e longe dos outros em casa,
seguindo as orientações das autoridades de saúde.
 Se não tiver outra casa de banho, deve ser a última pessoa a utilizá-la e deve limpar e
desinfetar após cada utilização pela pessoa doente. Use luvas descartáveis para mexer em
roupa suja do doente e troque-as em cada uso. Se usar luvas reutilizáveis, estas destinam-se
apenas à limpeza e desinfeção de superfícies. Não pode usá-las para outras tarefas. Lave as
mãos logo após remover as luvas.
 Se estiver perante um caso suspeito ou confirmado de infeção por covid-19 em casa, todos
os resíduos produzidos exigem um tratamento especial. Coloque um caixote do lixo de
abertura não manual com saco de plástico no quarto ou sala onde a pessoa se encontra em
quarentena ou isolamento. Todos os resíduos que esta pessoa produz devem ser colocados
nesse contentor de uso exclusivo. Estes resíduos não devem ser calcados, nem o saco
apertado para sair o ar.
 O saco só deve ser cheio até dois terços da capacidade. Os sacos, devidamente fechados com
dois nós bem apertados, com atilho ou adesivo, devem ser colocados dentro de um segundo
saco, também este bem fechado.
 Depois, deposite no contentor de resíduos indiferenciados. Não o pouse, nem o encoste à
roupa ou ao corpo. No final, fácil: lavar as mãos.

O sabão funciona mesmo. Porquê?


Muitos consumidores não acreditam no poder real do sabão. Mas, na verdade, é bastante destrutivo
e pode matar muitos tipos de bactérias e vírus, incluindo o novo coronavírus. O segredo mora na
sua estrutura híbrida.

O sabão e os detergentes são feitos de moléculas em forma de alfinete (cada uma com uma cabeça
hidrofílica – que se liga de imediato à água – e uma cauda hidrofóbica, que evita a água e prefere
ligar-se a óleo e gordura). Quando suspensas na água, estas moléculas flutuam como unidades
solitárias, interagindo com outras moléculas e agrupando-se em pequenas bolhas com as caudas
hidrofóbicas voltadas para o interior. Algumas bactérias e vírus, como o coronavírus, ébola, zica,
dengue, têm membranas lipídicas. Estas são repletas de proteínas que permitem ao vírus infetar as
células. Quando lavamos as mãos com água e sabão, envolvemos todos os microrganismos da pele
com moléculas de sabão. Neste processo, as moléculas do sabão envolvem as proteções dos
micróbios e vírus, separando-os.

Funcionam como um pé de cabra. As proteínas essenciais libertam-se das membranas rompidas, o


que mata as bactérias e os vírus. Na prática, algumas moléculas de sabão quebram as ligações
químicas que permitem às bactérias e vírus colar-se às superfícies, retirando-os da pele. Ao lavar as
mãos, todos os microrganismos destruídos pelas moléculas de sabão são removidos.

Regra geral, os desinfetantes para as mãos não são tão fiáveis como o sabão. O desinfetante com
pelo menos 60% de etanol age de modo semelhante. Mas não pode remover tão facilmente os
microrganismos da pele. Uma lavagem bem feita com água e sabão basta para remover estes
micróbios da pele. O desinfetante à base de álcool é um recurso quando água e sabão não estão
acessíveis. Em plena era de cirurgia robótica e terapia genética, é notável como um pouco de sabão
na água, uma receita antiga e inalterada, continua a ser uma das intervenções médicas mais
preciosas. Quando tocamos nos olhos, nariz e boca (um hábito que se repete a cada dois minutos e
meio) oferecemos aos micróbios perigosos uma porta de entrada nos nossos órgãos internos.
Lavar com sabão e água é uma das principais práticas de saúde pública para diminuir a taxa de
uma pandemia e limitar o número de infeções, evitando a sobrecarga dos hospitais. Mas a técnica
só vale se todos lavarem as mãos com frequência e profundidade. Faça uma boa espuma, esfregue
as palmas das mãos e as costas das mãos, entrelace os dedos, esfregue as pontas dos dedos contra as
palmas das mãos e esfregue o punho com sabão ao redor dos polegares. Mesmo os mais jovens e
saudáveis têm de lavar as mãos com regularidade, sobretudo durante uma pandemia.

Como matar o coronavírus no automóvel sem estragar os


materiais?
Se tem sintomas da doença ou transportou um passageiro suspeito de infeção, limpe as superfícies
tocadas com frequência, incluindo volante, puxadores da porta, alavanca das mudanças, botões, ecrã
tátil, comandos do limpa para-brisas e piscas, apoios de braços de porta e regulações dos bancos. 

As soluções que contêm pelo menos 70% de álcool são eficazes contra o coronavírus. Dentro do
automóvel, poderá limpar a maioria dos materiais com álcool isopropílico.

Não use lixívia ou água oxigenada dentro do carro. Pode danificar os estofos. Evite também
produtos à base de amoníaco no ecrã tátil: destroem o revestimento antirreflexo e de proteção.

Basta uma lavagem vigorosa com água e detergente suave para destruir o coronavírus. Melhor
ainda: detergente e água são seguros para a maioria dos interiores no carro, sobretudo tecidos e
couro mais antigo que pode ter começado a rachar. Neste caso, esfregar sim, mas sem exageros.

A maioria das peles e couros de imitação tem um revestimento de borracha para proteção. É seguro
limpar com álcool. Porém, com o tempo, pode deixar marcas e fazer perder a cor. Recomendamos o
simples sabão em barra e água para limpar manchas e sujidades no couro.

Se o carro tiver estofos em tecido, não abuse da água, nem do detergente. O objetivo não é fazer
muita espuma. Pior: se for absorvida em grande quantidade e ficar depositada nas almofadas
interiores, pode deixar um cheiro a mofo e criar bolores e humidade, tudo o que não deseja dentro
do carro. A solução é limpar os tecidos com uma pequena quantidade de água e detergente para
roupa.

Na limpeza das superfícies, use um pano de microfibras. Este captura e varre as partículas de
poeira e sujidade, antes de poderem riscar ou arranhar os plásticos delicados ou brilhantes.

Última manobra essencial: lave as mãos antes e depois de conduzir. Quando for atestar o carro de
combustível, use um lenço ou guardanapo de papel para segurar na pistola da mangueira. É um bom
hábito para manter fora do contexto da covid-19.

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