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PSICOLOGIA EXISTENCIAL-HUMANISTA

Surgiu na década de 1950 - força nos anos 60 e 70, como uma reação às ideias do
Behaviorismo e da Psicanálise.
3ª Força da Psicologia!
Divergência com o Behaviorismo - não aceita a ideia do ser humano como “máquina ou
animal” sujeitos aos processos de condicionamento.
Em relação à Psicanálise - a reação foi à ênfase dada no inconsciente e aos eventos
passados e na divisão do ser humano em Compartimentos (metafísica).
Psicanalise – Humanismo – Behaviorismo
"Por que uma criança aprende a andar? Ela tenta erguer-se, cai e machuca a cabeça.
[...] Não existe grande recompensa enquanto ela não conseguir realmente realizar seu
intento, e apesar de tudo, a criança está disposta a suportar a dor [...] Para mim, isso é
uma indicação de que existe uma verdadeira força de atração para a possibilidade de
crescimento continuar." (Rogers, In: Frick, W. Psicologia Humanista, p. 118).

PRINCIPAIS CONTRIBUINTES DA PSICOLOGIA HUMANISTA

Os seus fundamentos teóricos surgem pela expressão de Husserl (fenomenologia-


essência), Heidegger (ser no mundo – morte – angustia/desastre), Sartre (existência
precede a essência) e Merleau-Ponty (carnalidade – corpo – cognição).
As maiores contribuições dessa nova linha psicológica:

• Experiência consciente;
• Crença na integralidade entre a natureza e a conduta do ser humano;
• Crença no livre arbítrio, espontaneidade e poder criativo do indivíduo.
• Ser-no-Mundo
Um dos principais teóricos da Psicologia Humanista foi o americano Abraham Maslow
(1908-1970).
Acreditava na tendência individual da pessoa para se tornar auto realizada - sendo este
o nível mais alto da existência humana.
Maslow criou uma escala de necessidades a serem satisfeitas e, a cada conquista, nova
necessidade se apresentava. Isso faria com que o indivíduo fosse buscando sua auto-
realização.
Um músico deve compor, um artista deve pintar, um poeta deve escrever, caso
pretendam deixar seu coração em paz.

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O que um homem pode ser, ele deve ser. A essa necessidade podemos dar o nome de
auto-realização." Abraham Harold Maslow”
Outro grande teórico da Psicologia Humanista foi Carl Rogers (1902-1987), americano,
que baseou seu trabalho na crença positiva sobre o indivíduo.

Sua visão humanista surgiu através do tratamento de pessoas emocionalmente


perturbadas. Ele trabalhou com um conceito semelhante ao de Maslow, a que deu o
nome de tendência atualizante. Tendência inata de cada pessoa atualizar suas
capacidades e potenciais.
Rogers... Está convencido que, tal como ocorre com uma planta que, mesmo em locais
insalubres, luta em busca do sol e da vida, embora os meios lhe sejam adversos, nós, os
seres humanos, temos um impulso inerente ao organismo como um todo para nos
direcionarmos ao desenvolvimento de nossas capacidades tanto quanto for possível,
quer sejam físicas, intelectuais ou morais, em conjunto.
A psicologia humanista se destaca por privilegiar a saúde; o bem-estar humano, o
potencial de crescimento, e a auto realização, contrariando outras visões que focalizam
primordialmente o componente patológico, a doença e o distúrbio.
A Psicologia Humanista é centrada na pessoa e não no comportamento, enfatiza a
condição de liberdade contra a pretensão determinista. Visa a compreensão e o bem-
estar da pessoa não o controle.
Importância da relação entre a pessoa e o terapeuta, que são iguais e não possuem
posição de hierarquia.
Dá ênfase às qualidades humanas como: escolha, criatividade, avaliação e auto-
realização;
Preocupação e valorização da dignidade e valor do homem e interesse no
desenvolvimento das potencialidades de cada pessoa.
Considera-se central neste ponto de vista a pessoa tal como ela descobre o seu próprio
ser e se relaciona com outras pessoas e grupos sociais.

FENOMENOLOGIA

Fenomenologia é o estudo da experiência subjetiva de consciência, que tem suas raízes


na obra filosófica de Edmund Husserl. Fenomenólogos pioneiros, como Husserl, Jean-
Paul Sartre e Maurice Merleau-Ponty conduziram suas próprias investigações
psicológicas no início do século XX. O trabalho destes fenomenólogos mais tarde
influenciou pelo menos dois campos principais da psicologia contemporânea: uma
abordagem psicológica fenomenológica da "Escola de Duquesne" , Amedeo Giorgi,

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Jonathan Smith, Frederick Wertz, Steinar Kvale, Wolfgang Köhler e outros (Análise
Fenomenológica Interpretativa), e as abordagens experimentais associadas com
Francisco Varela, Gallagher, Thompson, e outros (tese da mente incorporada).
Psicólogos fenomenológicos também figuraram com destaque na história do
movimento da psicologia humanista.
O sujeito da experiência pode ser considerada como a pessoa ou o eu-próprio, para fins
de conveniência. Na filosofia fenomenológica (e em particular na obra de Husserl,
Heidegger e Merleau-Ponty), "experiência" é um conceito muito mais complexo do que
geralmente utilizado diariamente. Em vez disso, a experiência (ou o ser, ou a própria
existência) é um fenômeno em-relação-a-algo e é definida pelas qualidades de
direcionamento, mundanismo concretização, e, que são evocados pelo termo "ser-no-
mundo ".
O conceito de intersubjetividade é frequentemente utilizado como um mecanismo para
entender como é que os seres humanos são capazes de sentir empatia com experiências
uns dos outros, e de fato se engajar em comunicação significativa sobre elas. A
formulação fenomenológica do Ser-no-mundo, onde a pessoa e o mundo são
mutuamente constitutivas, é central aqui.
A filosofia psicológica predominante antes do final do séc. 19 confiava muito na
introspecção. As especulações sobre a mente com base para essas observações foram
criticadas pelos pioneiros defensores de uma abordagem mais científica da psicologia,
como William James e os behavioristas Edward Thorndike, Clark Hull, John B. Watson,
and B. F. Skinner. No entanto, nem todos concordam que a introspecção é
intrinsecamente problemática, como é o caso de Francisco Varela, que treinou
participantes experimentais na estruturada "introspecção" da redução fenomenológica.
No início dos anos 1970, Amedeo Giorgi aplicou a teoria fenomenológica ao
desenvolvimento do seu Método Fenomenológico Descritivo em Psicologia, a fim de
superar certos problemas que ele percebeu, a partir de seu trabalho em psicofísica,
abordando fenômenos subjetivos do quadro hipotético-dedutivo tradicional das
ciências naturais. Giorgi esperava usar o que aprendera com sua formação em ciências
naturais para desenvolver um método rigoroso de pesquisa qualitativa. Giorgi descreveu
assim todo o seu projeto: "A psicologia fenomenológica não se parece com as ciências
naturais... Porque ela lida com experiências humanas e fenômenos humanos. [No
entanto] quero ter certeza de que nosso critério é esse: que todo cientista natural terá
que respeitar o nosso método. Eu não estou apenas tentando satisfazer os clínicos, ou
terapeutas, ou humanistas, estou tentando satisfazer o critério mais severo - cientistas
naturais... Porque eu antecipo que algum dia, quando a pesquisa qualitativa se
desenvolver e ficar forte, as pessoas das ciências naturais vão criticá-la. E eu quero ser
capaz de levantar e dizer: 'Vá em frente, critique - mas você não encontrará nenhuma
falha aqui.
Os filósofos há muito tempo enfrentam o problema da "qualia". Poucos filósofos
acreditam que é possível ter certeza de que a experiência de uma pessoa com a

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"vermelhidão" de um objeto é a mesma que a de outra pessoa, mesmo se ambas as
pessoas tivessem histórias genéticas e experienciais idênticas. A princípio, a mesma
dificuldade surge nos sentimentos (a experiência subjetiva da emoção), na experiência
do esforço, e especialmente no "significado" dos conceitos. Como resultado, muitos
psicólogos qualitativos têm reivindicado que a pesquisa fenomenológica é
essencialmente uma questão de "construção de significado" e, portanto, uma questão
a ser inquirido por abordagens interpretativas.

FILOSOFIA E A PSICOLOGIA HUMANISTA EXISTENCIAL (DIFERENÇAS)

Existencialismo é uma filosofia contemporânea que busca compreender a existência


humana em seus aspectos singular, concreto, afetivo e histórico. Se desenvolveu na
Europa, por volta dos séculos XIX e XX, e entende que a existência precede a essência,
ou seja, que nos fazemos por meio de nossas escolhas, pois não há uma essência prévia
que nos defina.
A filosofia existencialista tem como foco a existência do ser humano, que é resultado
das escolhas que fizer em sua vida, segundo os limites de suas condições físicas,
psicológicas e sociais. Entende como principal valor a liberdade, onde cada indivíduo é
livre para fazer escolhas e responsável pelas escolhas que fizer.
Humanismo foi um movimento intelectual e cultural surgido no período do
Renascimento, entre meados do século XIV e o fim do século XVI, se posicionando
contrário à Filosofia Medieval (que tinha Deus como uma autoridade superior),
passando a priorizar o homem como centro de suas reflexões.
Neste período, o ser humano passou a ser destacado nas obras de arte, na literatura e
na ciência. O homem passa a ser o valor supremo, valorizando a razão e a dignidade de
cada pessoa e buscando meios para sua realização. Valoriza a razão e a dignidade do ser
humano. Entende o ser humano como criador de si mesmo e de sua natureza e acredita
que as pessoas são naturalmente boas.
A psicoterapia humanista surge por volta das décadas de 1930 e 40, na América do
Norte, como uma reação contra o determinismo das abordagens comportamentais e da
rigidez da psicanálise ortodoxa. É representada por uma série de vertentes de diferentes
autores como Abraham Maslow, Gordon Allport, Carl Rogers, Erich Fromm, entre
outros.
Os psicoterapeutas humanistas consideram o respeito pela pessoa tal como ela é,
acreditando no potencial de cada um para lidar e superar suas dificuldades. O principal
valor desta abordagem é o enfoque na relação, entendendo que a existência humana se
desenvolve num contexto interpessoal, na relação com o(s) outro(s).

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A abordagem existencial e a humanista costumam ser confundidas por possuírem
muitas semelhanças, porém há diferenças bem contraditórias que merecem ser
destacadas. Neste breve texto comento um pouco sobre as semelhanças e diferenças
entre elas.
Semelhanças
Tanto as abordagens existencialistas quanto as humanistas entendem que o ser humano
está em permanente transformação, sendo ele o centro de valoração para suas
escolhas, livre para escolher e responsável pelas escolhas que fizer em sua vida. De um
modo geral, ambas questionam e contrariam as abordagens comportamentais e
psicanalíticas, entendendo o ser humano como mais complexo que comportamentos e
inconsciente.
Além disso, ambas as abordagens rompem com o conceito de sujeito cartesiano, o
"penso, logo existo" (de René Descartes), que prioriza a razão sobre as emoções e divide
o ser humano em "mente e corpo". Ambas as abordagens entendem o ser humano como
racional e emocional, reconhecendo e valorizando seus aspectos emotivos.
Diferenças
Enquanto o humanismo toma o ser humano como fim nele mesmo e valor supremo,
entendendo que deve buscar em si mesmo seus valores e identificações, no
existencialismo cada indivíduo está sempre se projetando para fora de si mesmo para
encontrar seu significado, e nunca toma o ser humano como fim, pois ele está sempre
por fazer a si mesmo.
Diferente da Europa no período entre-guerras, contexto onde se desenvolve o
existencialismo, o humanismo se intensifica na América do "New Deal", um período
mais esperançoso. Por conta disso, o existencialismo é muitas vezes associado à
angústia e ao absurdo, diferente do otimismo presente no pensamento humanista.
Com relação ao tema da liberdade, tanto o existencialismo como o humanismo
entendem que toda pessoa é livre para fazer escolhas, para o humanismo isso
representa algo positivo e até um privilégio da experiência humana, porém para o
existencialismo a liberdade nem sempre é boa, mas muitas vezes um drama e até um
fardo, segundo as palavras de Sartre, o homem está "condenado" a ser livre.
Na questão dos valores, o humanismo possui uma tendência de crer que toda pessoa
seja "boa" por natureza, que uma pessoa "ruim" foi impedida de ser boa. Já para o
existencialismo o ser humano não é bom nem mau por natureza, pois não parte da
concepção de natureza humana, portanto a pessoa "má" escolheu ser "má", enquanto
que a pessoa "boa" escolheu ser "boa".
Além disso, no existencialismo os valores do que seja "bom" ou "ruim" não são fixos,
mas dependem de cada indivíduo que atribuiu o valor segundo suas experiências,
crenças e sentimentos. Deste modo, não há um "bom" em si, nem um "mau" em si, mas

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escolhas que cada um faz e as julga como "boas" ou "ruins", e isso varia de indivíduo
para indivíduo.
Sobre o desenvolvimento pessoal, os humanistas defendem que o ser humano tende
descobrir as potencialidades que lhe são inerentes, já os existencialistas, partem da
concepção que a "existência precede a essência", portanto acreditam que cabe a cada
pessoa criar e escolher suas potencialidades, neste sentido a pessoa não está indo de
encontro consigo mesma, mas a escolher e fazer a si mesma.
A abordagem chamada "existencial-humanista", corresponde a uma tentativa de unir
pressupostos das duas vertentes, de modo a compor um corpo teórico e possibilitar uma
prática psicoterapêutica, considerando o ser humano livre para fazer escolhas e
possuidor de uma tendência para sua realização. Porém alguns autores criticam o uso
deste termo, por relacionar duas concepções que possuem divergências nos modos de
compreender a existência humana.

PSICOTERAPIA

Psicoterapia – também chamada terapia de conversa ou simplesmente terapia – é um


processo focado em ajudar um indivíduo, casais ou grupo de pessoas a resolver questões
emocionais. Em alguns países também é conhecida com aconselhamento.
Através da psicoterapia é possível aprender maneiras mais construtivas de lidar com o
estresse a que estamos submetidos diariamente e com as particularidades da vida
pessoal, profissional ou familiar. Também pode ser um processo de apoio ao passar por
um período difícil como o luto, transições de carreira ou um divórcio.
A palavra psicoterapia tem origem grega. Psyche significa mente e therapeuein curar.
Trata-se de uma terapia cuja finalidade é tratar questões relacionadas à mente e
problemas psicológicos como depressão, ansiedade, dificuldades no relacionamento,
problemas com filhos, no trabalho, entre outros.
Um dos grandes benefícios da terapia de grupo é o desenvolvimento de habilidades
sociais e da capacidade de ouvir e falar.
Um psicólogo pode ajudá-lo a trabalhar com esses problemas. E não somente isso, um
profissional de psicologia também pode ajudar no autoconhecimento ou nas reflexões
sobre carreira, por exemplo. Através da psicoterapia, os psicólogos ajudam as pessoas
de todas as idades a ter uma vida mais feliz, saudável e mais produtiva.
Abordagens terapêuticas
Na psicoterapia, os psicólogos aplicam procedimentos cientificamente validados para
ajudar as pessoas a desenvolver hábitos mais saudáveis e efetivos. Existem várias
abordagens para a psicoterapia, sendo algumas delas listadas abaixo:

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• Análise do Comportamento ou Behaviorista
• Fenomenologia
• Gestalt-terapia
• Humanista
• Junguiana ou psicologia analítica
• Psicanálise
• Transpessoal
Estima-se que exista mais de duzentos tipos de abordagem. Somente a psicanálise
possui sete escolas diferentes, sendo Freud, Lacan e Winnicott nomes mais conhecidos.
Todas as linhas são capazes de ajudar um indivíduo a trabalhar com seus problemas.
Importante ressaltar que a abordagem terapêutica é importante como orientação
teórica e base de estudos para o profissional.