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Lista de exemplos ilustrativos de Obras de Terra

Prof. Thiago Damasceno Silva

Recalque e adensamento – Semana 1

1. Determinar o recalque primário de uma camada de solo com espessura de 2,7 m, com
índice de vazios inicial de 1,32 e índice de vazios final de 0,74.

2. Calcular o recalque primário de uma camada de argila saturada com 5,5 m de espessura,
drenada por ambas as faces. A argila possui índice de vazios inicial de 1,08 e índice de
compressão de 0,25. Considerar que há um acréscimo de tensões de 0,7 kg/cm².

3. Dada uma determinada amostra avaliada em laboratório, com coeficiente de


compressibilidade de 0,1098 cm²/kg, coeficiente de consolidação de 12,454 cm²/ano e
índice de vazios médio de 0,71, estime o coeficiente de permeabilidade (cm/seg).

4. Um engenheiro pretende realizar uma fundação superficial (sapata rígida) em um terreno


cujo solo possui as seguintes propriedades:
- módulo de elasticidade: E = 20000 KPa.
- coeficiente de Poisson: ν = 0,25.
Sabendo que a tensão transmitida ao solo é igual a 0,1 MPa, e que a sapata tem seção
transversal com lado igual a 2 metros (L = B = 2,0 m), determine o recalque imediato em
milímetros (mm).

5. O recalque de um edifício apoiado sobre uma camada de argila, com 30 cm de espessura,


estabilizou em 5,0 cm após um determinado tempo. A pressão aplicada na camada era de
1,2 kg/cm². Com base nas informações, calcular a perda de água intersticial (dos vazios)
da camada de argila, em cm²/kg.

Resistência ao cisalhamento dos solos – Semana 2

6. Em um solo sem nenhuma pressão externa, com ocorrência de água nos vazios, determine
a resistência ao cisalhamento devido à coesão). Dados: Tensão normal = 12,4 kgf/cm²;
Ângulo de atrito interno = 36º; Coesão = 7,2 kgf/cm².

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7. Os solos apresentam diferentes resistências ao cisalhamento frente a diferentes tensões,
na realização de ensaios em laboratório. Por meio dos dados indicados, determinar o
ângulo de atrito interno e o valor da coesão. Dados:
a. Ensaio 1: Tensão normal = 20,33 Kgf/cm²; Resistência ao cisalhamento = 16,72 kgf/cm².
b. Ensaio 2: Tensão normal = 22,88 Kgf/cm²; Resistência ao cisalhamento = 17,63 kgf/cm².

Aterro sobre solos moles – Semana 3

8. A resistência não drenada de um solo (Su) pode ser obtida por meio do ensaio de palheta,
também conhecido como “vane test”. Realizado esse ensaio em um solo onde foram
obtidas as propriedades apresentadas a seguir, determine a coesão do material (kg/cm²).
Dados: D = 7,0 cm; H = 11,0 cm; M = 592 kg.

9. Determinar a altura admissível de um aterro sobre solos moles, considerando o valor da


resistência não drenada do solo como 20 kN/m² e o peso específico natural do aterro como
19 kN/m³. Utilizar fator de segurança igual a 1,05, e admitir que o fator de carga é
aproximadamente 5,5.

Empuxos de terra – Semana 4

10. Um muro de arrimo suporta duas camadas de solo: uma superior, nivelada paralelamente
a seu topo, e uma inferior, cujo nível é aproximadamente paralelo a metade da altura do
muro. Para a camada superior, determinar o coeficiente de empuxo ativo sabendo que o
ângulo de inclinação do solo é 𝜑 = 33º. Para a camada inferior, determinar coeficiente de
empuxo passivo, sabendo que o ângulo de inclinação é 𝜑 = 47º.

11. Calcular os valores dos empuxos, ativo e passivo, provocados no muro de arrimo indicado
na figura abaixo.

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Estabilidade de taludes – Semana 6

12. Um corte em solo tem sua geometria representada na figura a seguir. Sondagens
indicaram a existência de dois horizontes de características geotécnicas bem diferentes,
suscitando dúvidas quanto à estabilidade da escavação. Ensaios de laboratório
determinaram que os parâmetros de resistência ao cisalhamento na interface solo X e
solo Y são: coesão de 5 kPa e ângulo de atrito interno (φ) tal que tg(φ) = 0,5 ∙ α. Com
base nessas condições, determine o fator de segurança do talude. Considere: cos 30° =
0,9 e sen 30° = 0,5. (Questão adaptada do ENADE 2008).

Fonte: ENADE (2008)

13. Classificar a estabilidade do talude ao determinar o fator de segurança associado,


segundo o método do talude infinito. Propriedades do talude: 𝝓 = 15°; β = 25°; γ = 1,7
tf/m³; c’ = 2,0 tf/m²; H = 2,5 m.

14. Calcular a altura crítica para o talude de acordo com o Método de Culmann. Propriedades
do talude: 𝝓 = 15°; β = 35°; γ = 1,9 tf/m³; c’ = 1,1 tf/m².

Muros de arrimo – Semana 7

15. O muro de arrimo representado no desenho abaixo teve sua seção transversal pré-
dimensionada conforme indicado na figura. Suponha que o empuxo de terra ativo de
magnitude 50 kN atua perpendicularmente ao paramento do muro à 0,9 m de sua base e
que o muro de concreto ciclópico pesa 30 kN, com resultante localizada a 0,5 m do ponto
A. Se o momento de tombamento (Mt) é aquele provocado apenas pelo empuxo de terra
(E) e o momento resistente (Mr) é proveniente apenas do peso do muro (W), calcule os
valores de Mt e Mr. (Questão adaptada do ENADE 2011).

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Fonte: ENADE (2011)

16. Dimensionar o topo e a base de um muro de arrimo feito em alvenaria com seção
retangular e altura de 3,4 metros.

17. Verificar as dimensões da base e do topo de um muro de arrimo executado em concreto


ciclópico, com seção transversal do tipo trapezoidal e altura de 3,8 metros.

Barragens de terra – Semana 8

18. Qual a dimensão da largura mínima de crista para uma barragem com 14 metros de altura
no total?

19. Determinar a altura de uma barragem que possui largura de crista (como valor mínimo)
correspondente a 9,5 metros, necessária para a continuação de uma suposta via de
tráfego.

20. A barragem de terra indicada na figura abaixo será projetada para alcançar altura h de 8
metros. O talude a montante terá inclinação de 1:2,5, enquanto a inclinação do talude a
jusante será 1:2,0. Dessa forma, dimensione as larguras de crista e de base da barragem.

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Recalque e adensamento – Semana 1 (Resolução)

1. Considerando os dados do exercício:

𝐻0 = 2,7 m

𝑒0 = 1,32

𝑒 = 0,74

É possível aplicar diretamente a fórmula do recalque primário (𝜌𝑐 ):

∆𝑒 |0,74 − 1,32|
𝜌𝑐 = ( ) ∙ 𝐻0 = ( ) ∙ 2,7
1 + 𝑒0 1 + 1,32

𝜌𝑐 = 0,675 m = 67,5 cm

Note que o sinal não é particularmente importante, pois o recalque ocorre de forma
descendente.

2. Considerando os dados do exercício:

𝐻0 = 5,5 m

𝑒0 = 1,08

𝐶𝑐 = 0,25

∆𝜎′𝑣 = 0,7 kgf/cm²

Primeiramente, devemos determinar a variação do índice de vazios:

∆𝑒
𝐶𝑐 =
log(∆𝜎′𝑣 )

∆𝑒 = 𝐶𝑐 ∙ log(∆𝜎 ′ 𝑣 ) = 0,25 ∙ log(0,7) = −0,039

Uma vez determinada a variação do índice de vazios, é possível determinar o recalque


primário (𝜌𝑐 ) da camada:

∆𝑒 |−0,039|
𝜌𝑐 = ( ) ∙ 𝐻0 = ( ) ∙ 5,5
1 + 𝑒0 1 + 1,08

𝜌𝑐 = 0,103 m = 10,3 cm

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3. Considerando os dados do exercício:

𝑎𝑣 = 0,1098 cm²/kg

cm2 12,454 −7
cm2
𝐶𝑣 = 12,454 = = 3,95 ∙ 10
ano 3,154 ∙ 107 seg

𝑒 = 0,71

A equação do coeficiente de consolidação (𝐶𝑣 ) é:

𝑘 ∙ (1 + 𝑒)
𝐶𝑣 =
𝛾𝑤 ∙ 𝑎𝑣

Isolando o coeficiente de permeabilidade (𝑘), tem-se:

𝐶𝑣 ∙ 𝛾𝑤 ∙ 𝑎𝑣
𝑘=
(1 + 𝑒)

Notar que 𝛾𝑤 representa a massa específica da água (aproximadamente 1000 kg/m³ ou 0,001
kg/cm³), enquanto 𝑎𝑣 é o coeficiente de compressibilidade. Observar também que as unidades
das propriedades devem ser compatíveis. O valor do coeficiente de permeabilidade (𝑘) é
determinado conforme a substituição dos valores na expressão:

𝐶𝑣 ∙ 𝛾𝑤 ∙ 𝑎𝑣 3,95 ∙ 10−7 ∙ 0,001 ∙ 0,1098


𝑘= =
(1 + 𝑒) (1 + 0,71)

cm
𝑘 = 2,54 ∙ 10−11
seg

4. Considerando os dados do exercício:

𝐿 =𝐵 =2m

𝐸 = 20000 kPA ≅ 20000 ∙ 104 kgf/m² = 2 ∙ 108 kgf/m²

𝜐 = 0,25

𝜎 = 0,1 MPa ≅ 0,1 ∙ 107 = 1 ∙ 106 kgf/m²

Como a sapata possui seção quadrada, o coeficiente de forma será:

𝐼𝑝 = 0,99

6
O recalque imediato será:

1 − 𝜐2 1 − 0,252
𝜌𝑖 = 𝜎 ∙ 𝐵 ∙ 𝐼𝑝 ∙ ( ) = 1 ∙ 106 ∙ 2 ∙ 0,99 ∙ ( )
𝐸 2 ∙ 108

𝜌𝑖 = 9,28 ∙ 10−3 m = 9,28 mm

5. Nesse problema devemos determinar o coeficiente de variação volumétrica 𝑚𝑣 , que está


relacionado à perda de água intersticial. Tal parâmetro é obtido pela seguinte equação:

𝑎𝑣
𝑚𝑣 =
1 + 𝑒0

Sendo 𝑎𝑣 o coeficiente de compressibilidade e 𝑒0 o índice de vazios inicial do solo. O


coeficiente de compressibilidade 𝑎𝑣 é definido pela expressão:

∆𝑒
𝑎𝑣 =
∆𝜎′𝑣

Sendo ∆𝑒 a variação do índice de vazios e ∆𝜎′𝑣 a pressão aplicada na camada. Podemos


substituir 𝑎𝑣 na primeira equação, logo o coeficiente de variação volumétrica 𝑚𝑣 pode ser
dado em função das demais propriedades:

∆𝑒 ∆𝑒 1
𝑚𝑣 = =( )∙
(1
∆𝜎′𝑣 ∙ + 𝑒0 ) 1 + 𝑒0 ∆𝜎′𝑣

Sabe-se que o recalque primário 𝜌𝑐 é obtido pela equação:

∆𝑒
𝜌𝑐 = ( ) ∙ 𝐻0
1 + 𝑒0

Nessa expressão, 𝐻0 é a altura inicial da camada. Podemos isolar os elementos entre


parênteses:

∆𝑒 𝜌𝑐
( )=
1 + 𝑒0 𝐻0

Portanto, o coeficiente de variação volumétrica 𝑚𝑣 pode ser obtido pela expressão:

𝜌𝑐
𝑚𝑣 =
𝐻0 ∙ ∆𝜎′𝑣

Nesse exemplo, temos os seguintes dados:

7
𝐻0 = 30 𝑐m

𝑝𝑐 = 5 cm

∆𝜎′𝑣 = 1,2 kgf/cm²

Uma vez obtida a fórmula em função das propriedades analisadas, o coeficiente de variação
volumétrica 𝑚𝑣 é determinado:

𝜌𝑐 5
𝑚𝑣 = =
𝐻0 ∙ ∆𝜎′𝑣 30 ∙ 1,2

𝑚𝑣 = 0,14 cm2 /kg

Portanto, nesse caso o coeficiente de variação volumétrica 𝑚𝑣 e a perda de água intersticial


equivalem a 0,14 cm²/kg.

Resistência ao cisalhamento de solos – Semana 2 (Resolução)

6. Considerando os dados do exercício:

𝜎 = 12,4 kgf/cm²

𝜙 = 36°

𝑐 = 7,2 kgf/cm²

É possível aplicar diretamente a fórmula da resistência ao cisalhamento por coesão (𝜏):

𝜏 = 𝑐 + 𝜎 ∙ tan 𝜙

𝜏 = 16,21 kgf/cm²

7. Considerando os dados do exercício:

𝜎1 = 20,33 kgf/cm²

𝜎2 = 22,88 kgf/cm²

𝜏1 = 16,72 kgf/cm²

𝜏2 = 17,63 kgf/cm²

8
Aplica-se a fórmula da resistência ao cisalhamento por coesão, montando um sistema linear
de equações:

𝜏1 = 𝑐 + 𝜎1 ∙ tan 𝜙 → 16,72 = 𝑐 + 20,33 ∙ tan 𝜙

𝜏2 = 𝑐 + 𝜎2 ∙ tan 𝜙 → 17,63 = 𝑐 + 22,88 ∙ tan 𝜙

Resolvendo o sistema linear de equações, obtemos a coesão (𝑐) e o ângulo de atrito (𝜙) do
solo:

𝑐 = 9,46 kgf/cm²

𝜙 = 19,64°

Aterro sobre solos moles – Semana 3 (Resolução)

8. Considerando os dados do exercício:

𝐷 =7m

𝐻 = 11 m

𝑀 = 592 kg

Para determinar resistência não drenada é necessário utilizar a expressão:

𝑀
𝑆𝑢 =
𝐻 𝐷
𝜋 ∙ 𝐷2 ∙ ( 2 + 6 )

Definida a expressão, é necessário substituir o valor das propriedades e efetuar o cálculo,


obtendo a resistência não drenada (𝑆𝑢 ):

592
𝑆𝑢 =
11 7
𝜋 ∙ 72 ∙ ( 2 + 6)

𝑆𝑢 = 0,577 kgf/cm²

9. Considerando os dados da questão:

𝑆𝑢 = 20,0 kN/m²

9
𝛾𝑎𝑡𝑒𝑟𝑟𝑜 = 19,0 kN/m³

𝐹𝑆 = 1,05

𝑁𝑐 = 5,5

É possível aplicar diretamente a equação da altura admissível para aterros moles (ℎ𝑎𝑑𝑚 ):

𝑁𝑐 ∙ 𝑆𝑢 5,5 ∙ 20
ℎ𝑎𝑑𝑚 = → ℎ𝑎𝑑𝑚 =
𝛾𝑎𝑡𝑒𝑟𝑟𝑜 ∙ 𝐹𝑆 19,0 ∙ 1,05

ℎ𝑎𝑑𝑚 = 5,51 m

Empuxos de terra – Semana 4 (Resolução)

10. Considerando os dados do exercício:

𝜑1 = 33° → Referente a camada superior, que provoca empuxo ativo.

𝜑2 = 47° → Referente a camada inferior, que provoca empuxo passivo.

O coeficiente de empuxo ativo (𝑘𝐴 ) é determinado para a camada superior:

𝜑 33°
𝑘𝐴 = tan2 (45° − ) → 𝑘𝐴 = tan2 (45° − )
2 2

𝑘𝐴 = 0,29

O coeficiente de empuxo passivo (𝑘𝑃 ) é calculado para a camada inferior:

𝜑 47°
𝑘𝑃 = tan2 (45° + ) → 𝑘𝑃 = tan2 (45° + )
2 2

𝑘𝑃 = 6,44

11. Considerando os dados para a camada superior:

𝑞 = 2,5 tf/m²; 𝛾 = 1,5 tf/m³; 𝜑 = 30° ; ℎ = 7,0 m

Dados relacionados à camada inferior:

𝑞 = 4,0 tf/m²; 𝛾 = 1,80 tf/m³; 𝜑 = 45° ; ℎ = 4,5 m

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Observa-se que o muro é solicitado externamente por pressões aplicadas na superfície das
camadas. Esses valores de pressão externa podem ser considerados diretamente no cálculo
das pressões horizontais atuantes e dos empuxos, ou convertidos em altura equivalente de
terra. Nesse caso, os empuxos serão determinados a partir da conversão das pressões
externas em alturas equivalentes de terra.

Cálculo do empuxo ativo

O coeficiente de empuxo ativo (𝑘𝐴 ) é determinado para a camada superior:

𝜑 30°
𝑘𝐴 = tan2 (45° − ) → 𝑘𝐴 = tan2 (45° − ) → 𝑘𝐴 = 0,33
2 2

A altura equivalente de terra é calculada:

𝑞 2,5
ℎ0 = = = 1,667 m
𝛾 1,5

A pressão horizontal atuante no topo do muro é determinada:

𝑝0 = 𝑘𝐴 ∙ 𝛾 ∙ ℎ0 = 0,33 ∙ 1,5 ∙ 1,667 = 0,83 tf/m²

Notar que 𝑝0 = 𝑘𝐴 ∙ 𝑞, pois 𝛾 ∙ ℎ0 = 𝑞. Isso também é provado pela teoria de empuxo, que
considera 𝜎ℎ = 𝑘𝐴 ∙ 𝜎𝑣 , sendo 𝜎ℎ um valor de tensão horizontal obtido em função do produto
entre o coeficiente de empuxo 𝑘𝐴 e um valor de tensão vertical 𝜎𝑣 .

A pressão horizontal atuante na base do muro é calculada:

𝑝 = 𝑘𝐴 ∙ 𝛾 ∙ (ℎ + ℎ0 ) = 0,33 ∙ 1,5 ∙ (7,0 + 1,667) = 4,29 tf/m²

A pressão horizontal na base do muro também pode ser escrita na forma:


𝑝 = (𝑘𝐴 ∙ 𝑞) + (𝑘𝐴 ∙ 𝛾 ∙ ℎ), sendo (𝑘𝐴 ∙ 𝑞) a parcela da pressão horizontal inicial no topo do muro
(𝑝0 ) e (𝑘𝐴 ∙ 𝛾 ∙ ℎ) a parcela devido ao peso próprio da camada de solo suportada pelo muro.

Finalmente, o cálculo do valor do empuxo ativo é efetuado a seguir. Importante notar que
devido à existência de pressão horizontal inicial agindo no topo do muro (𝑝0 ), e como a
pressão referente ao peso próprio da camada de solo depende da profundidade analisada até
chegar ao valor na base (𝑝), a distribuição será linear de 𝑝0 até 𝑝. O empuxo é a resultante da
distribuição da pressão horizontal no muro, logo é determinado pela área formada por essa
distribuição, sendo um trapézio nesse caso (se não houvesse pressão externa 𝑞, não haveria
pressão horizontal inicial no topo do muro e a área formada pela distribuição seria triangular).

(𝑝0 + 𝑝) (0,83 + 4,29)


𝐸𝐴 = ∙ℎ = ∙7
2 2
11
𝐸𝐴 = 17,92 tf/m

Cálculo do empuxo passivo:

O coeficiente de empuxo passivo (𝑘𝑃 ) é determinado para a camada inferior:

𝜑 45°
𝑘𝑃 = tan2 (45° + ) → 𝑘𝑃 = tan2 (45° + ) → 𝑘𝑃 = 5,83
2 2

A altura equivalente de terra é calculada:

𝑞 4,0
ℎ0 = = = 2,222 m
𝛾 1,8

A pressão no ponto “A” é determinada:

𝑝0 = 𝑘𝑃 ∙ 𝛾 ∙ ℎ0 = 5,83 ∙ 1,8 ∙ 2,222 = 23,32 tf/m²

A pressão na base do muro também é calculada:

𝑝 = 𝑘𝑝 ∙ 𝛾 ∙ (ℎ + ℎ0 ) = 5,83 ∙ 1,8 ∙ (4,5 + 2,222) = 70,54 tf/m²

Finalmente, o cálculo do valor do empuxo passivo é efetuado, de forma análoga ao que foi
feito no cálculo do empuxo ativo.

(𝑝0 + 𝑝) (23,32 + 70,54)


𝐸𝑃 = ∙ ℎ → 𝐸𝑃 = ∙ 4,5
2 2

𝐸𝑃 = 211,19 tf/m

Estabilidade de taludes – Semana 6 (Resolução)

12. Trata-se de um problema de verificação da estabilidade de um talude segundo a


determinação do fator de segurança.

Em geral, os taludes podem ser classificados como finitos ou infinitos:

▪ Taludes infinitos: quando as dimensões do talude são consideravelmente extensas.


Considera-se que o plano de deslizamento é paralelo à superfície do terreno.

▪ Taludes finitos: quando a altura, o topo e a base são definidos. Nesse tipo de talude, o
plano de deslizamento não é paralelo à superfície do terreno.

No caso dessa questão, o talude apresentado é finito.

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A estabilidade de taludes pode ser estimada com base no valor do fator de segurança (FS):

𝐹𝑆 > 1,0 → Talude estável

𝐹𝑆 < 1,0 → Talude instável

O fator de segurança é basicamente uma relação entre a resistência do material ao


cisalhamento (𝜏𝑅 ), segundo o plano em que ocorrerá o deslizamento, e a tensão mobilizante
(𝜎𝑆 ), em relação a esse mesmo plano. O fator de segurança geralmente varia entre 1,0 e 1,5,
dependendo da confiabilidade na obtenção dos parâmetros envolvidos na análise e da
importância da obra em geral. Normalmente, o valor de 1,5 é recomendado por normas
técnicas a fim de garantir uma folga de 50% na capacidade resistente do talude em relação à
tensão atuante, devido às possíveis incertezas envolvidas em seu comportamento em serviço.

𝜏𝑅
𝐹𝑆 =
𝜎𝑆

Para determinação do fator de segurança, os dados são:

𝐻 =3m

𝑐 = 5 kPa = 5 kN/m²

𝛾 = 20 kN/m³

Em relação aos ângulos:

cos(𝛼) = cos(30) = 0,9

sen(𝛼) = sen(30) = 0,5

tg(𝜑) = 0,5 → 𝜑 ≅ 26,6°

𝑖 = 45° → tan(𝑖) = 1

É necessário calcular a área do talude composta pelo solo “X”, uma vez que esse material
poderá sofrer deslizamento. Conforme análise de triângulos, define-se a área ocupada pelo
solo “X”.

𝐴 𝑇 = Área do triângulo 1 – Área do triângulo 2

1 𝐻 1 𝐻
𝐴𝑇 = ∙𝐻∙( ) – ∙𝐻∙( )
2 tan(𝛼) 2 tan(𝑖)

13
1 𝐻² 1 𝐻²
𝐴𝑇 = ∙ – ∙
2 tan(𝛼) 2 tan(𝑖)

1
𝐴𝑇 = ∙ 𝐻² ∙ [cotg(𝛼) − cotg(𝑖)]
2

Substituindo os valores conhecidos, determina-se a área ocupada pelo solo “X”.

1 0,9
𝐴𝑇 = ∙ 3² ∙ ( − 1)
2 0,5

1
𝐴𝑇 = ∙ 9 ∙ (1,8 − 1)
2

𝐴 𝑇 = 3,6 m²

Na seção transversal analisada do talude, a força vertical resultante devido ao peso do solo
“X” é dada pelo produto entre o peso específico do material e a área ocupada. Como a análise
é feita para a seção transversal (análise 2D), considera-se que o talude possui uma extensão
unitária fora do plano (de 1 m nesse caso).

𝑃 = 𝛾 ∙ 𝐴 𝑇 ∙ (1 m)

𝑃 = (20 kN/m³) ∙ (3,6 m2 ) ∙ (1 m)

𝑃 = 72 kN

14
A área de uma faixa de contato entre os dois solos, utilizada no cálculo das tensões atuantes,
é definida pela relação entre a altura do talude e o seno de 𝛼. Novamente, para compatibilizar
as unidades é necessário considerar que o talude possui extensão unitária fora do plano.

𝐻 3
𝐴 = (1 m) ∙ = = 6,0 m²
sen(𝛼) 0,5

O fator de segurança, como já apresentado, é a razão entre a tensão resistente e a tensão


mobilizante:

𝜏𝑅
𝐹𝑆 =
𝜎𝑆

Pela equação clássica de Coulomb, sabemos que a resistência ao cisalhamento de solos é


dada em função da coesão (𝑐), da tensão normal (𝜎𝑁 ) e do ângulo de atrito (𝜑):

𝜏 = 𝑐 + 𝜎𝑁 ∙ tg(𝜑)

A tensão vertical é a relação entre a força resultante e a área de contato entre os dois solos:

𝑃
𝜎𝑉 =
𝐴

As componentes normal e tangencial da tensão vertical são:

𝑃
𝜎𝑁 = 𝜎𝑉 ∙ cos(𝛼) = ∙ cos(𝛼)
𝐴

𝑃
𝜎𝑆 = 𝜎𝑉 ∙ sen(𝛼) = ∙ sen(𝛼)
𝐴

A equação da tensão de cisalhamento é atualizada em seguida:

𝑃
𝜏=𝑐+ ∙ cos(𝛼) ∙ tg(𝜑)
𝐴

O fator de segurança, portanto, será:

𝑃
𝜏 𝑐 + 𝐴 ∙ cos(𝛼) ∙ tg(𝜑)
𝐹𝑆 = =
𝜎𝑆 𝑃
∙ sen(𝛼)
𝐴

𝑐 ∙ 𝐴 + 𝑃 ∙ cos(𝛼) ∙ tg(𝜑)
𝐹𝑆 =
𝑃 ∙ sen(𝛼)

Os valores conhecidos são substituídos:

15
5 ∙ 6 + 72 ∙ 0,9 ∙ 0,5 62,4
𝐹𝑆 = =
72 ∙ 0,5 36

𝐹𝑆 = 1,73

Dessa forma, pode-se concluir que o talude é estável, mesmo se a recomendação de FS >
1,5 for adotada.

13. Considerando os dados do exercício:

𝜙 = 15°

𝛽 = 25°

𝛾 = 1,7 tf/m3

𝑐 = 2,0 tf/m²

𝐻 = 2,5 m

É possível aplicar diretamente a equação do fator de segurança pelo método do talude infinito
(𝐹𝑆):

𝑐 + 𝛾 ∙ 𝐻 ∙ cos2 (𝛽) ∙ tan(𝜙) 2 + 1,7 ∙ 2,5 ∙ cos2 (25°) ∙ tan(15°)


𝐹𝑆 = → 𝐹𝑆 =
𝛾 ∙ 𝐻 ∙ cos(𝛽) ∙ sen(𝛽) 1,7 ∙ 2,5 ∙ cos(25°) ∙ sen(25°)

𝐹𝑆 = 1,80

Como FS > 1,0, podemos classificar o talude como estável.

14. Considerando os dados do exercício:

𝜙 = 15°

𝛽 = 35°

𝛾 = 1,9 tf/m3

𝑐’ = 1,1 tf/m²

Nessa questão é possível utilizar diretamente a equação da altura crítica do talude (𝐻𝑐𝑟𝑖𝑡 ):

16
4 ∙ 𝑐′ sen(𝛽) ∙ cos(𝜙) 4 ∙ 1,1 sen(35°) ∙ cos(15°)
𝐻𝑐𝑟𝑖𝑡 = ∙[ ] → 𝐻𝑐𝑟𝑖𝑡 = ∙[ ]
𝛾 1 − cos(𝛽 − 𝜙) 1,9 1 − cos(35° − 15°)

𝐻𝑐𝑟𝑖𝑡 = 21,27 m

Muros de arrimo – Semana 7 (Resolução)

15. Nessa questão é exposto um problema de estabilidade de muros de arrimo. É necessário


determinar o momento resistente e o momento de tombamento do muro de arrimo.

Primeiramente, é preciso considerar o muro como um corpo rígido, que pode sofrer
deslizamento (translação) ou tombamento (rotação). Tanto os efeitos de deslizamento quanto
de tombamento do muro devem ser evitados.

Para que o tombamento seja impedido o momento resistente deve ser maior ou igual ao
momento de tombamento, considerando ainda a majoração do momento de tombamento
conforme multiplicação por um fator de segurança (FS).

𝑀𝑟 ≥ (𝑀𝑡 ∗ 𝐹𝑆)

O tombamento do muro é avaliado em relação ao extremo mais desfavorável para sua


segurança. No muro indicado, o extremo mais desfavorável ocorre na esquerda da base, em
que é possível calcular os momentos segundo a mecânica dos corpos rígidos.

Nesse caso, de acordo com o enunciado, o momento de tombamento somente é provocado


pelo empuxo ativo E.

𝑀𝑡 = 𝐸 ∙ 𝑦 = (50 kN) ∙ (0,8 m)

17
𝑀𝑡 = 40 kN ∙ m

Como também citado no enunciado, o momento resistente somente é provocado pelo peso
próprio do muro W.

𝑀𝑟 = 𝑊 ∙ 𝑥 = (30 kN) ∙ (0,5 m)


𝑀𝑟 = 15 kN ∙ m

Portanto, conclui-se que 𝑀𝑡 = 40 kN ∙ m e 𝑀𝑟 = 15 kN ∙ m .

16. Considerando a altura do muro (ℎ):

ℎ = 3,4 m

Sabendo que o muro em alvenaria possui seção transversal retangular, e que nesse caso
dimensão do topo e da base são iguais, é possível calcular diretamente a dimensão do topo
do muro (𝑏) na equação:

𝑏 = 0,4 ∙ ℎ

𝑏 = 0,4 ∙ 3,4 𝑏 = 1,36 m

17. Considerando a altura do muro (ℎ):

ℎ = 3,8 m

O muro analisado, em concreto ciclópico e com seção transversal trapezoidal, terá a dimensão
do topo (𝑏0 ) em função de sua altura, segundo a equação:

𝑏0 = 0,14 ∙ ℎ

𝑏0 = 0,14 ∙ 3,8

𝑏0 = 0,53 m

A dimensão da base do muro (𝑏) é calculada em função das outras duas propriedades
geométricas, na equação:


𝑏 = 𝑏0 +
3

18
3,8
𝑏 = 0,53 +
3

𝑏 = 1,80 m

Barragens de terra e enrocamento – Semana 8 (Resolução)

18. Considerando a altura máxima da barragem (𝐻):

𝐻 = 14 m

É possível calcular diretamente a largura mínima de crista da barragem (𝐿) pela fórmula
empírica do U. S. Bureau of Reclamation, muito empregada no dimensionamento de
barragens. Uma observação importante é que a altura, H, deve ser fornecida em metros. Além
disso, note que na fórmula são atribuídos 3 metros de folga para largura de crista, o que
garante um aumento na área de tráfego nessa região.

𝐻
𝐿= +3
5

14
𝐿= +3
5

𝐿 = 5,8 m

19. Considerando o valor mínimo da largura de crista da barragem (𝐿):

𝐿 = 9,5 m

A altura máxima da barragem (𝐻) pode ser isolada na equação:

𝐻
𝐿= +3
5

𝐻 = (𝐿 − 3) ∙ 5

Já altura máxima é determinada substituindo o valor mínimo da largura de crista na equação:

𝐻 = (9,5 − 3) ∙ 5

𝐻 = 32,5 m

19
20. A barragem será projetada com altura de 8 metros, logo:

𝐻 =8m

Utiliza-se a fórmula empírica do U. S. Bureau of Reclamation, já apresentada, para o cálculo


da largura de crista da barragem:

𝐻 8
𝐿= +3= +3
5 5

𝐿 = 4,6 m

A base do maciço é determinada considerando a projeção dos taludes a jusante e a montante


sobre a superfície do terreno, além da largura de crista, conforme equação abaixo:

𝐵 = (𝑗 + 𝑚) ∙ 𝐻 + 𝐿

As variáveis 𝑗 e 𝑚 se referem à proporção horizontal da inclinação dos taludes a jusante e a


montante, respectivamente. Assim, nesse caso tem-se:

Inclinação do talude a jusante → 1 : 2,0 → 𝑗 = 2,0

Inclinação do talude a montante → 1 : 2,5 → 𝑚 = 2,5

Note que a inclinação do talude é dada por vertical : horizontal. Usualmente a proporção
horizontal é dada em função da vertical, por isso essa última assume valor unitário.

Com os valores de 𝑗 e 𝑚, e a determinação da largura de crista 𝐿, calcula-se a largura de base


da barragem de terra:

𝐵 = (𝑗 + 𝑚) ∙ 𝐻 + 𝐿 = (2 + 2,5) ∙ 8 + 4,6

𝐵 = 40,6 m

É interessante observar que, nesse caso, os valores obtidos para a largura de crista e de base
podem ser arredondados sem prejuízo no cálculo. Por exemplo, para uma largura de crista
arredonda para 5 m (𝐿 = 5 m) obtém-se largura de base de 41 m (𝐵 = 41 m). Esse
arredondamento pode ser útil na prática, embora haja aumento no volume da barragem.

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