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LEI PENAL TEMPORÁRIA E LEI PENAL EXCEPCIONAL

Art. 3º do CPB: A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou
cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua
vigência.

Nucci: As leis excepcionais e temporárias são espécies do gênero intermitentes, aquelas feitas
para durar por um período determinado.
Lei penal excepcional: são feitas para durar enquanto um estado anormal ocorrer. Cessam a sua
vigência ao mesmo tempo em que a situação excepcional também terminar. Exemplo: durante o
estado de calamidade pública, decretado em uma localidade devastada por alguma catástrofe,
podem-se aumentar as penas dos crimes contra o patrimônio para buscar evitar os saques.
Lei penal temporária: são as editadas com período determinado de duração, portanto, dotadas
de autorrevogação. Assim, por exemplo, uma lei feita para valer por um prazo de seis meses.

Não há, presentemente, lei criminal excepcional ou temporária, mas a possibilidade de que seja
editada, porquanto vivenciarmos circunstâncias excepcionais e transitórias, traz à tona esta
possibilidade. Você precisa, entender, portanto.

LEI PENAL EM BRANCO

Masson: A lei penal em branco é também denominada de cega ou aberta, e pode ser definida
como a espécie de lei penal cuja definição da conduta criminosa reclama complementação, seja
por outra lei, seja por ato da Administração Pública. O seu preceito secundário é completo, o que
não se verifica no tocante ao primário, carente de implementação.

CRIME DE EPIDEMIA (ART. 267 DO CPB)

Art. 267 - Causar epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos:


Pena - reclusão, de dez a quinze anos.
§ 1º - Se do fato resulta morte, a pena é aplicada em dobro.
§ 2º - No caso de culpa, a pena é de detenção, de um a dois anos, ou, se resulta morte, de dois
a quatro anos.
O caput prevê a modalidade dolosa, ao passo que o § 2º prevê a modalidade culposa do delito.
Segundo Rogério Greco, “O núcleo causar é utilizado no texto legal no sentido de produzir,
originar, provocar a epidemia. Por epidemia deve ser entendida uma doença que surge
rapidamente em determinado lugar e acomete simultaneamente grande número de pessoas.
Para efeitos de cometimento do delito em estudo, o agente se vale da propagação de germes
patogênicos. Propagar deve ser entendido como espalhar, difundir etc. O delito se consuma
quando o agente causa a epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos gerando,
efetivamente, perigo à incolumidade pública.”

(Esquema trazido no livro de Masson)


Importante notar que “[...] A epidemia é delito contra a saúde pública, uma das espécies de
crimes contra a incolumidade pública. Destarte, o sujeito tem a intenção de ofender o corpo
social, e não de atingir uma pessoa individualmente considerada. Se o propósito do
agente consistir na transmissão a alguém da doença grave de que está contaminado, será
forçoso reconhecer o delito de perigo de contágio de moléstia grave, nos termos do art. 131 do
Código Penal. Além disso, se o sujeito possuir o dolo de matar ou de ofender a integridade
corporal ou a saúde de outrem, a ele será imputado o crime de homicídio qualificado pelo meio
de que possa resultar perigo comum (CP, art. 121, § 2.º, inc. III) ou de lesão corporal (CP, art.
129), consumado ou tentado, conforme o caso”.

CRIME DE INFRAÇÃO DE MEDIDA SANITÁRIA PREVENTIVA (ART. 268 DO CPB)

Art. 268 - Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação
de doença contagiosa:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se o agente é funcionário da saúde pública
ou exerce a profissão de médico, farmacêutico, dentista ou enfermeiro.

Rogério Greco: O núcleo infringir é utilizado no texto legal no sentido de violar, desrespeitar,
ignorar, descumprir determinação do poder público. Trata-se de norma penal em branco. Para
que ocorra a infração penal em estudo, a determinação do poder público deverá ser destinada a
impedir a introdução ou a propagação de doença contagiosa. Introdução significa o ingresso, a
entrada da doença contagiosa; propagação deve ser entendida como difundir, disseminar a
referida doença.

Masson: A expressão “determinação do poder público” nada mais é do que a ordem emanada
das autoridades responsáveis pela realização das finalidades do Estado (exemplos: leis,
decretos, portarias, resoluções etc.), voltada a preservar a saúde pública. Esta ordem,
evidentemente, deve ser de cunho imperativo ou obrigatório, excluindo-se meros conselhos ou
advertências.

(Esquema trazido no livro de Masson)


CRIME DE OMISSÃO DE NOTIFICAÇÃO DE DOENÇA (ART. 269 DO CPB)

Art. 269 - Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja notificação é
compulsória:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Masson: O núcleo do tipo é “deixar” de denunciar, no sentido de não comunicar, permitindo que
determinada situação denunciável permaneça desconhecida. A omissão diz respeito ao dever
do médico de comunicar à autoridade pública doença cuja notificação seja compulsória. Fácil
perceber, portanto, que o art. 269 do Código Penal veicula um crime omissivo próprio ou puro,
uma vez que a omissão está descrita expressamente no tipo penal. O médico dolosamente
permanece inerte, e assim desrespeita seu dever legal de informar à autoridade pública doença
cuja notificação é compulsória.
Rogério Greco: Crime próprio no que diz respeito ao sujeito ativo, haja vista que o tipo penal faz
menção expressa à qualidade de médico

(Esquema trazido no livro de Masson)

Obras consultadas e citada: Código Penal Comentado (Nucci); Código Penal Comentado
(Rogério Greco); Direito Penal vol. 1 e vol. 3 (Cleber Masson).

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