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1.

Introducao

A energia eléctrica produzida em centrais termoeléctricas, hídricas, ou eólicas é transportada


através de condutores eléctricos até aos lugares mais adequados para o seu aproveitamento,
iluminando cidades e alimentando máquinas e motores. Para o transporte da energia até aos
pontos de utilização não bastam cabos, linhas e postes. Toda a rede de transporte e distribuição
depende inteiramente de transformadores, que elevam e abaixam a tensão, resolvem não só um
problema económico, reduzem custos de transmissão, e melhoram a eficiência do processo,
reduzindo quedas de tensão, mas podem também ser utilizados como transformadores de medida,
isolamento ou do número de fases.
Transformador é uma maquina eléctrica, estática que tem como finalidade transferir energia de
um circuito para o outro, geralmente tensões e correntes diferentes, mantendo o mesmo nível de
frequência e aproximadamente o mesmo nível de potencia através da acção de um fluxo
magnético. Sendo uma maquina de grande importância na área eléctrica,deve ser projectado
correctamente isso para que possa fornecer um bom rendimento no seu funcionamento.

1.2 Objectivo Geral

 Explicar detalhadamente como é efectuado o cálculo de projecto de um transformador de


plataforma

1.3 Objectivos específicos

 Analisar a constituição de um transformador


 Entender o princípio de funcionamento de transformador
 Apresentar o dimensionamento do núcleo, dos enrolamentos, a secção do fio do
transformador, os tipos de isolamentos aplicados e os tipos de refrigeração nos
transformadores de 100KVA
2. Definição do transformador

Transformador é um dispositivo destinado a transmitir energia eléctrica ou potencia eléctrica de


um circuito a outro, induzindo tensões, correntes e/ou de modificar os valores das impedâncias
eléctricas de um circuito eléctrico

2.1 Princípios básicos de funcionamento

O transformador é baseado em dois princípios primeiro, descrito pela lei de Lenz, afirma que o
sentido da corrente induzida é tal que origina um fluxo magnético induzido, que se opõe à
variação do fluxo magnético indutor. O segundo descrito pela lei da indução de faraday,o qual
afirma que um campo magnético variável no interior de uma bobina ou enrolamento de fio induz
uma tensão eléctrica nas extremidades desse enrolamento(Indução electromagnética).A tensão
induzida é directamente proporcional a taxa temporal de variação de fluxo magnético no circuito,
a alteração na corrente presente na bobina do circuito primário altera o fluxo magnético nesse
circuito e também na bobina do circuito secundário, esta ultima montada de forma a encontrar-se
sob influência directa do campo magnético gerado no circuito primário. A mudança no fluxo
magnético na bobina induz uma tensão eléctrica na bobina secundária

2.1.1 Estrutura do transformador

Um transformador é formado basicamente de:

Enrolamentos - enrolamento de um transformador é formado de várias bobinas que em geral são


feitas de cobre electrolítico e recebem uma camada de verniz sintético como isolante.

Núcleo - Esse em geral é feito de um material ferromagnético é o responsável por transferir a


corrente induzida no enrolamento primário para o enrolamento secundário.
Esses dois componentes do transformador são conhecidos como parte activa, os demais
componentes do transformador fazem parte dos acessórios complementares. No caso dos
transformadores de dois enrolamentos é comum se denomina-los como enrolamento primário e
secundário, existem transformadores de três enrolamentos sendo que o terceiro é chamado de
terciário. Há também os transformadores que possuem apenas um enrolamento, ou seja, o
enrolamento primário possui uma conexão com o enrolamento secundário, de modo que não há
insolação entre eles, esses transformadores são chamados de auto-transformadores.

2.1.2 Formas de conexão

Um transformador Trifásico possui internamente 3 transformadores que podem ser ligados de


diferentes modos. Ligando os enrolamentos primários em triângulo e os enrolamentos secundário
em estrela, ficamos com um conjunto em que o primário recebe corrente trifásica e no secundário
temos três fases e neutro (sendo o neutro o centro da estrela), temos assim desta forma tensões
simples e tensões compostas. No caso de distribuição de energia eléctrica temos 400V entre
fases, temos 3 situações dessas (entre as fases R e S; S e T; R e T) e temos 230V entre qualquer
uma das fases e neutro.

2.1.3 Uso de transformadores em sistemas eléctricos de potência

3.

Dimensionamento do núcleo
A expressão fundamental para o dimensionamento do núcleo é dada por:

Uef 2 π
= ∙Sfe∙f∙Bm
N √2
E permite obter a tensão por espira, para uma certa densidade de fluxo magnético máximo Bm,
uma frequência de trabalho f, e uma secção do núcleo ferromagnético Sfe. O valor a utilizar em
Bm não corresponde ao campo de indução máximo do núcleo ferromagnético, mas a um valor
próximo ao cotovelo da curva de magnetização. A razão de se escolher um valor menor é evitar a
saturação do material, que induz efeitos indesejáveis como a distorção da corrente e o atraso do
fluxo em relação à corrente

a) Tensão aplicada no enrolamento b) Curva de histerese correspondente


a corrente e fluxo magnético

Figura 4.1 - Curva de magnetização do transformador

Quando existe saturação do núcleo ferromagnético, apesar de o fluxo ser uma onda sinusoidal, a
corrente não o é. Isto acontece devido à introdução de componentes de alta frequência
(harmónicas) causadas pela saturação do núcleo do transformador. Quando o núcleo está
próximo de atingir a saturação, é necessária uma quantidade de corrente maior para produzir um
pequeno aumento no fluxo magnético.
Ainda é possível reparar na desfasagem entre a corrente e o fluxo, o que resulta do facto de
existir um atraso entre a excitação e a resposta do material. Isto é facilmente observável no ciclo
de histerese pois este não passa pela origem do referencial, e desta forma, a corrente não passa
por zero ao mesmo tempo que o fluxo

3.1 Coeficiente de Utilização 𝐊𝐮

O coeficiente de utilização Ku, representa a quantidade de condutor que está presente na área
da janela do transformador, sendo influenciado principalmente por:

 Área de isolante do condutor, S1


 Factor de preenchimento devido à forma do condutor, S2
 Área disponível para o enrolamento, considerando margens requeridas para a configuração
das bobinas e a espessura das camadas isolantes, S3
 Isolamento entre múltiplos enrolamentos secundários, S4. Por cada enrolamento secundário
adicional, S4 deve ser reduzido entre 5% a 10%.

Tendo em conta os factores acima enunciados, uma boa aproximação para o coeficiente de
utilização da janela é de 0,4

Areatransversal do condutor
S1 =0,855
Areatransversal de Cabo

Areatotal transversal do cabo de enrolamento


S2 =0,61
Area efectiva utilizada da Janela

Areaefectiva utilizada da janrla


S3 =0,75
Area da janela

Areaefectiva utilizada da janela


S4 =1
Area efectiva utilizada da janela+isolante

Então, tem-se que:

Ku=S1∙S2∙S3∙S4

Exemplo: Dimensões de um dado transformador


Tem-se um nuncleo composto por 106 chapas metálicas de Fe-Si de espessura 0,50 mm,
montadas em paralelo e isoladas entre si. As colunas do transformador têm quatro degraus e uma
secção circular de 31 cm2. Aplicando o coeficiente de empilhamento de 0,95 e o coeficiente de
preenchimento de 0,866 , obtém-se a secção útil de ferro de 25,5 cm2. As dimensões podem ser
consultadas de forma mais pormenorizada no Anexo 1.

3.2 Dimensionamento dos enrolamentos

Existem diversas formas de implementação dos enrolamentos nos transformadores: em


solenóide, empanqueca simples ou dupla, ou utilizando condutores transpostos, formando os
chamados cabos de Roebel

Comparação dos enrolamentos tipo panqueca e solenoidal


Os enrolamentos do tipo panqueca e solenoidal apresentam vantagens e desvantagens associadas.
Primeiro que tudo, os enrolamentos em panqueca são mais fáceis de enrolar do que os
solenoidais. Além disso, em caso de defeito, é possível substituir apenas a panqueca defeituosa
visto que o enrolamento total é composto por várias panquecas (no caso dos enrolamentos
solenoidais é necessário substituir todo o enrolamento).
Os enrolamentos em panqueca são também mais vantajosos no que diz respeito a tensões mais
elevadas. Nestas condições, os solenoidais apresentam um desempenho inferior em termos de
isolamento e distribuição de picos de tensão, sendo, portanto, normalmente utilizados em forma
de panqueca no lado da alta tensão. No entanto, os enrolamentos em panqueca apresentam
maiores perdas devido às junções resistivas entre as panquecas. Outra desvantagem associada
aos enrolamentos em panqueca, no caso de serem em fita supercondutora, tem a ver com as
perdas AC, que advêm de uma maior densidade de campo magnético perpendicular à superfície
da fita supercondutora, o que faz com que apresentem também um valor de corrente crítica
inferior, comparado com o da solenoidal).

a)Enrolamento em panqueca b) Enrolamento em solenóide


Figura 4.3 - Tipos de enrolamentos adotados em transformadores
3.3 Secção do fio condutor
Dado

 Ui=400V→Tensao de entrada
 Vo=400V→Tensao de saída
 So=112,597KVA→Potencia de saída
 f=60Hz→Frequencia
 Bm=1,3T→Densidade de fluxo máximo
 δ =4,5 A/mm²→ Densidade de corrente
 c=19cm²→Comprimento do núcleo
 a=19cm²→Largura da perna central do núcleo
 N=1→Relacao de transformação

Cálculo da secção geométrica do núcleo

Sg=a.c=19.19=361cm²

Cálculo da secção magnética do núcleo

Sm=a.c=0,9.361=324,9 cm²

Cálculo da potência do transformador

Sm 2 324,9 2 =112,597KVA
S= ( )
7,5 (
. fr S=
7,5 ) .60

Cálculo de número de espiras no primário e no secundário

108 10 8
Np= ↔ Np= =888 espiras
4,44. Bm . Sm. Fr 4,44.1,3 .324,9 .60

Np 888
Ns= ↔ Ns= =888 espiras
N 1

Calculo das correntes no primário e no secundário

So
Ip= =¿
Ui

112,597
Ip= =0,28 A
400
So 112,597
Ip= =Ip= =0,28 A
Ui 400

Escolha da secção dos condutores

I 0,28
Dp= ↔ D= =6,222× 10⁻ ²
δ 4,5

I 0,28
Ds= ↔ D= =6,222× 10 ⁻²
δ 4,5

De acordo com os cálculos efectuados o fio do transformador devem possuir uma secção de
6,222 ×10 ⁻²mm²
3.4 Tipos de isolamento

Os principais isolantes em transformadores a óleo são: papéis , vernizes, madeira e tintas ,o qual
se degradam com o tempo devido à diversos fenómenos, principalmente como a electrólise
(decomposição de um composto em seus componentes mediante a passagem de uma corrente
eléctrica numa solução) Isoladores (buchas) de baixa, média e alta tensão. Os isoladores
(também chamados de “buchas”) normalmente são fabricados em porcelana e devem ser isentos
de impurezas. São esmaltados nas partes externas, para evitar a absorção de impurezas e facilitar
a limpeza. Com distância adequada para evitar a ruptura da tensão para as outras fases,
construídos de forma a facilitar a refrigeração dos condutores internos e com “saias” para evitar a
passagem de tensão para a massa/terra (carcaça) em dias de humidade extrema ou chuvosos.

3.4.1 Papéis isolantes – finalidade e tipos mais comuns

Os papéis isolantes, utilizados nas bobinas e derivações (chicotes) de alta tensão devem ser
quimicamente neutros e mecanicamente resistentes de acordo com o projecto do equipamento.
Não são admitidos materiais plásticos e/ou pigmentados. Buscando uma optimização do processo
de isolamento do papel, o equipamento deve passar por um processo de secagem para evitar que
o papel absorva humidade excessiva, que será “devolvida” ao transformador durante sua
operação – e ventilação, exaustão, controle da temperatura da estufa para secagem, de forma que
a maior parte da humidade existente seja eliminada. A temperatura para este processo não deve
ser maior que 100°C.
3.5 Tipos de refrigeração

Os tipos de refrigeração são denominados segundo as Normas IEC, por 4 letras, as duas
primeiras referendo-se a refrigeração interna e as duas últimas a refrigeração externa. A primeira
e a terceira letra dizem respeito a natureza do meio refrigerante e a segunda e quarta letra a
natureza da circulação. Por exemplo, ONAN significara que é do tipo Óleo Natural Ar natural,
ONAF será Óleo Natural Ar forcado. A nomenclatura pode ser consultada na tabela a Baixo

Natureza do Símbolo Natureza da Símbolo


Refrigerante circulação
Óleo O
Liquido L Natural N
Gás G Forçada F
Agua W Forçada com fluxo de D
óleo dirigido
Ar A
Conclusão

Neste trabalho conclui-se que transformador é uma maquina eléctrica, estática que tem como
finalidade transferir energia de um circuito para o outro, geralmente tensões e correntes
diferentes, mantendo o mesmo nível de frequência e aproximadamente o mesmo nível de
potencia através da acção de um fluxo magnético. Teoricamente um transformador tem que
transferir toda potencia do primário para o secundário, da entrada para a saída mas na pratica
observa-se uma certa perda de potencia nessa transferência de potencia, ocasionada por motivos
como a resistência do fio, correntes no núcleo, chamadas de correntes focult. Basicamente um
transformador e constituído por um núcleo e dois enrolamentos, na maioria dos casos, esses
enrolamentos são independentes entre si, mas sofrem acção do campo electromagnético, que é
mais intenso quando esses transformadores possuem um núcleo de material ferromagnetico.
O enrolamento onde aplica-se a tensão que se deseja transformar chama-se primário e o
enrolamento onde obtêm-se a tensão desejada chama-se secundário, a tensão do secundário
depende da relação de espirass entre o primário e o secundário e da tensão aplicada no primário.
Durante o seu funcionamento o transformador aquence em virtude das perdas que ocorre
nela,quanto mais alta a potencia retirada no secundário maior será o aquecimento do mesmo,
com isso o transformador deve dispor de uma refrigeração adequada para minimizar o
aquecimento. A qualidade do ferro empregue é um fator que deve ser considerado no projecto do
transformador pois esse fator influencia no funcionamento do transformador.