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Braz J Periodontol - September 2019 - volume 29 - issue 03

LASER DE BAIXA INTENSIDADE COMO TERAPIA


AUXILIAR NO TRATAMENTO PERIODONTAL – RELATOS
DE CASOS
Low level LASER an auxiliary therapy in periodontal treatment - case reports

Patrícia Regina Biasi1,Bruna Macedo dos Santos1, Letícia de Freitas Cuba Guerra2, Letícia Antonelo Campos2*

1 Acadêmicas do curso de Odontologia, Universidade Paranaense, Francisco Beltrão, Paraná, Brasil.


2 Professoras do curso de Odontologia, Universidade Paranaense, Francisco Beltrão, Paraná, Brasil.

Recebimento: :20/12/18 - Correção: 06/02/19 - Aceite: 08/04/19

RESUMO

Este estudo se propôs a analisar a efetividade do uso do LASER como terapias auxiliares em conjunto com a terapia
periodontal básica, e compará-las com o resultado clínico periodontal e microbiológica em relatos de dois casos de
periodontite crônica. Após os exames iniciais foi realizado a terapia periodontal básica, raspagem e alisamento radicular
em todos quadrantes e posteriormente foram divididos aleatoriamente para aplicação das técnicas terapêuticas
auxiliares, as quais eram aplicação do LASER de baixa intensidade, aplicação do LASER de baixa intensidade com o
fotoiniciador azul de metileno e gel de clorexidina a 2%. Na coleta microbiológica quando comparado o início e o período
da reavaliação periodontal houve redução dos Gram negativos e análises clínicas no índice de sangramento gengival,
índice de placa, profundidade de sondagem. Com uma diminuição dos quadros inflamatórios referente ao índice de
sangramento, a mobilidade dental apresentou relativa melhora ao tratamento, entretanto em relação a profundidade de
sondagem não houve diferença entre as técnicas realizadas. Na análise microbiológica houve redução nos percentuais
de crescimento bacteriano, quando realizado a contagem no número de micro-organismos Gram negativos por sítios
em maior número quando associado o LASER com o fotoiniciador e o gel de clorexidina.Sugere-se que o LASER pode
melhorar os parâmetros de inflamação periodontal, podendo ser aplicado como auxiliar a terapia periodontal básica,
devendo ensaios clínicos serem realizados para um protocolo do uso do LASER em periodontite.
UNITERMOS: terapia com luz de baixa intensidade, periodontite, fototerapia. R Periodontia 2019; 29: 16-23.

INTRODUÇÃO dos micro-organismos ou pela resposta imune-inflamatória


alterada, sem remissão dos parâmetros clínicos (Barros et
A periodontite crônica é uma doença imune-inflamatória al., 2014).
causada por natureza polimicrobianado biofilme dental e Assim, Bringel et al. (2013) citam que o uso de um LASER
seus produtos acumulados na interface periodonto-dente (amplificação da luz por emissão estimulada por radiação)
com potencial de causar destruição dos tecidos periodontais de baixa intensidade, é apontado de maneira positiva,
com aumento patológico da profundidade do sulco pois apresenta efeitos analgésicos, anti-inflamatórios e
gengival, resultando na formação de bolsas periodontais e biomoduladores sem efeitos colaterais e redução dos
consequentemente mobilidade e perda dentária devido à micro-organismos podendo a laserterapia ser utilizada como
perda óssea (Parita et al., 2016). auxiliar no tratamento periodontal não cirúrgico.
O tratamento da periodontite visa a redução desses O LASER é um dispositivo que conforme estimulado
micro-organismos agressores ao tecido periodontal por por uma fonte de energia, gera um feixe de luz, que ao ser
meio da raspagem e o alisamento radicular associados direcionado sobre o tecido e, na dose adequada, interfere
a orientação de higiene bucal (Carvalho, 2010). Terapias em funções celulares (Genovese, 2007). Quando associado
adicionais são sugeridas nos casos em que o tratamento com um fotoiniciador promove destruição celular, baseada
periodontal básico não obteve sucesso, seja pelo acúmulo em reações foto-oxidativas que induzem alterações

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morfobiológicas na célula alvo (Machado, 2010). arterial, não faziam uso de medicação controlada e não eram
Portanto, o presente trabalho teve como objetivo, tabagistas.
analisar e comparar mediante aplicação clínica, a efetividade A avaliação periodontal foi realizada pelo mesmo operador
do LASER de baixa intensidade como terapia auxiliar no antes e após a terapia periodontal, sendo os parâmetros
tratamento periodontal básico, por meio de relato de caso sangramento gengival marginal em toda circunferência dos
de dois pacientes. dentes, profundidade de sondagem periodontal nos 6 sítios:
mesio-vestibular (MV), vestibular (V), disto-vestibular (DV),
RELATO DE CASO mesio-lingual (ML), lingual (L), disto-lingual (DL) utilizando a
sonda periodontal milimetrada Carolina do Norte (PCPUNC-BR
Trabalho aprovado pelo número 3.069.458.O paciente 1, 15, Hufriedy do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, Brasil). Também foram
A.D., 48 anos, masculino (Fig. 1), e o paciente 2, A.M.M, 52 analisados índices de sangramento durante a sondagem,
anos, masculino (Fig. 2), apresentavam periodontite crônica mobilidade dental e índice de placa bacteriana presente nas
generalizada com pelo menos dois dentes por hemi-arco superfícies dentárias segundo método de O’leary (1972).
com profundidades de sondagens maiores que 4 mm. Não Avaliação radiográfica por meio de radiografia panorâmica
apresentavam doenças sistêmicas como diabetes, hipertensão para análise do remanescente ósseo (Fig.3 e 4).

Figura 1. Fotos iniciais frontal, oclusal inferior e oclusal superior (Paciente 1).

Figura 2. Fotos iniciais frontal, oclusal inferior e oclusal superior (Paciente 2).

Figura 3. Radiografia panorâmica (Paciente 1). Figura 4. Radiografia panorâmica (Paciente 2).

Para avaliação microbiológica foi realizado a coleta apresentavam maiores profundidades de sondagem, sendo
intra-bolsa periodontal com cones de papel absorvente coletado dos mesmos sítios na reavaliação. Após a coleta os
esterilizados permanecidos por tempo igual de 10 segundos cones eram armazenados em tubos de ensaio com 5 ml de
em cada sítio antes da terapia periodontal ser realizada e caldo B.H.I. (Brain Heart Infusion), onde foram mantidos na
na consulta de reavaliação (Fig. 5). Foram coletados em três estufa a 37°C por sete dias em jarra de anaerobiose. Após
sítios por quadrante de cada paciente, escolhidos aqueles que esse período, foram plaqueadas 100 microlitros desse caldo
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com o crescimento bacteriano em placas de Petri com meio


ágar Mueller-Hinton e mantidas na estufa pelas mesmas
condições ambientais (Fig. 6). Avaliou-se a quantidade dos
micro-organismos por contagem de unidades formadora
de colônias e por meio da coloração de Gram (desenvolvido
por Hans Christian Joachim Gram, 1884) a visualização no
microscópio óptico binocular Olympus BX41 (Olympus,
Tóquio, Japão) no aumento de 1000x (Fig. 7).
Figura 5. Coleta microbiológica intra-bolsa periodontal no início e a reavaliação em 45 dias.

Figura 6. Plaqueamento dos micro-organismos por sítos, crescimento e contagem por colônias. Figura 7.Coloração de Gram – análise no microscópio óptico.

O tratamento periodontal básico foi executado por outro vestibular, vestibular, disto-vestibular, mesio-lingual, lingual e
operador, o qual se deve a raspagem e alisamento corono- disto-vestibular), totalizando 120 segundos por dente (TPB
radicular supra e subgengival utilizando aparelho de ultrassom, + LASER), de acordo com uma breve busca na literatura
e posteriormente com uso de instrumentais manuais, como (Tabela 1), técnica de aplicação do LASER como mencionado
curetas periodontais (Mc Call 13-14 para anteriores e Mc anteriormente associado a aplicação do fotoiniciador de azul
Call 17-18 para posteriores) em todos os dentes. Após, as de metileno 0,05% com pH neutro (7,4), este deixado na
terapias auxiliares foram divididas aleatoriamente por sorteio bolsa por 1 minuto antes da ação do LASER (TPB + LASER+
entre os quadrantes: superior direito (Q1), superior esquerdo fotoiniciador), técnica de aplicação de gel de clorexidina 2%
(Q2), inferior esquerdo (Q3) e inferior direito (Q4) de cada intrasulcular (TPB + clorexidina 2%), e um dos quadrantes
paciente, sendo descritas como: técnica de aplicação de consistia apenas na aplicação da terapia periodontal básica
LASER de luz vermelha (LASER therapy XT - 660 nm contínua (TPB) como controle (Tabela 2).
2J - DMC) sendo aplicado 20 segundos por sítio (mesio-

TABELA 1. PROTOCOLO DE USO DO LASER NA DOENÇA PERIODONTAL.


PROTOCOLO USO DO LASER DOENÇA
ANO/ AUTOR FOTOINICIADOR RESULTADOS
INTENSIDADE/ FREQUENCIA PERIODONTAL
60 s / 6 sítios Periodontite crônica
Cloreto de fenotiazina
AHAD, et al (2016) CO 660nm > 6 mm SEMELHANTES
(3 min)
P 100mW/cm2 (baixa) (2 quadrantes)
20 s
Periodontite crônica
ALVES, et al (2012) CO 808nm Não foi utilizado SEMELHANTES
> 5 mm
P 1.193,7 W/ cm2 (alta)
60 s / 6 sítios
De OLIVEIRA, et al Periodontite crônica Cloreto de fenotiazina
CO 660nm SEMELHANTES
(2009) > 5 mm 10mg/ml (1 min)
P 60 mW/cm2 (baixa)
60 s
CAMPOS, et al Periodontite crônica Azul de Metileno 10
CO 660nm POSITIVO
(2013) > 5 mm mg/ml (1 min)
P 60 mW/cm2 (baixa)

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TABELA 1. PROTOCOLO DE USO DO LASER NA DOENÇA PERIODONTAL. (CONT.)


PROTOCOLO USO DO LASER DOENÇA
ANO/ AUTOR FOTOINICIADOR RESULTADOS
INTENSIDADE/ FREQUENCIA PERIODONTAL
60 s
BERAKDAR, et al Periodontite crônica Azul de Metileno
CO 670 nm POSITIVO
(2012) > 5 mm 0,005%
P 150 mW/cm2 (baixa)
60 s / 6 sítios
BETSY, et al Periodontite crônica Azul de Metileno 10
CO 655 nm POSITIVO
(2014) 4-6mm mg/ml (3 min)
P 60 mW/cm2 (baixa)
60 s
Periodontite crônica Azul de Metileno 10
KOLBE, et al (2014) CO 660 nm SEMELHANTE
> 5 mm mg/ml (1 min)
P 60 mW/cm2 (baixa)
Nota: CO: Comprimento de Onda P: Potencia s: segundos

TABELA 2 – TERAPIA APLICADA POR QUADRANTE


PACIENTE CASO 1 PACIENTE CASO 2
Q1 TPB (controle) Q1 TPB + LASER
Q2 TPB + LASER Q2 TPB (controle)
Q3 TPB + LASER+ fotoiniciador Q3 TPB + LASER+ fotoiniciador
Q4 TPB + clorexidina 2% Q4 TPB + clorexidina 2%

Cada paciente recebeu orientações e um kit de higiene Paciente 1: no critério de sangramento gengival
oral contendo uma escova dental (Colgate Slim Soft Black ), fio marginal houve melhora em todos os quadrantes avaliados,
dental (Colgate nylon 50m) e creme dental (Colgate Máxima destacando que nos quadrantes onde foram realizadas a TPB
Proteção Anticáries 90gr) (Fig. 8). + LASER e TPB + clorexidina a 2% a melhora foi de 100%.
Quanto ao critério de profundidade da sondagem percebeu-
se a semelhança nos resultados em todas as técnicas aplicadas
(Tabela 3). Já no parâmetro de sangramento a sondagem
houve melhoras significativas nos quadrantes TPB + LASER e
TPB + LASER+ fotoiniciador (Fig. 9 e 10). Avaliando o quadro
geral no que se refere a mobilidade dental pode-se notar que
no incisivo central inferior esquerdo, houve uma melhora no
grau de mobilidade, o qual, na avaliação inicial encontrava-se
em grau III definido por Kieser (1990), e na reavaliação em grau
I. E no que diz respeito a porcentagem de placa bacteriana
esta não apresentou melhora no índice avaliado.

Figura 8.Kit de higiene oral disponibilizado para cada paciente. TABELA 3. SOMA DA PROFUNDIDADE DE SONDAGEM DOS SÍTIOS DE CADA
QUADRANTE NO INÍCIO E NA REAVALIAÇÃO.

Em 45 dias foi realizado a reavaliação periodontal onde P1 INICIAL FINAL


os parâmetros clínicos periodontais foram reavaliados pelo
mesmo operador da avaliação inicial, sendo que este não tinha Q1 108 mm 55 mm
conhecimento de qual terapia foi utilizada em cada quadrante. Q2 90 mm 54 mm

RESULTADOS Q3 133 mm 78 mm

Q4 171 mm 93 mm
Os dados foram analisados e comparados entre si,
obtendo os seguintes resultados: Nota: P1: Paciente 1. Q: quadrante

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não apresentaram resultados significativos (Tabela 4). O


sangramento a sondagem diminuiu em todos os quadrantes,
sendo significativas no quadrante da TPB e TPB + LASER+
fotiniciador (Fig. 11 e 12).
Em relação ao contexto do quadro geral avaliou-se
que na mobilidade dental os resultados demonstram ser
positivos, pois houve diminuição do grau de mobilidade em
praticamente todos os elementos dentários avaliados. Já o
Figura 9. Foto frontal na reavaliação (Paciente 1).
índice de porcentagem de placa bacteriana não demonstrou
melhora.
No paciente 2 a radiografia panorâmica inicial apresenta
o dente 47 (mobilidade grau III indicando o dente a extração
devido a perde de inserção óssea radicular nas porções laterais
e apicais das raízes), onde foi realizada antes do tratamento
periodontal, portanto não entrando na avaliação do 4º
Figura 10. Fotos oclusais inferior e superior na reavaliação (Paciente 1). quadrante.
Paciente 2: no parâmetro de sangramento gengival TABELA 4. SOMA DA PROFUNDIDADE DE SONDAGEM DOS SÍTIOS DE CADA
marginal nos quadrantes TPB e TPB + LASER+ fotoiniciador, QUADRANTE NO INÍCIO E NA REAVALIAÇÃO.
indica que houve diminuição de 100% do quadro inflamatório, P2 INICIAL FINAL
sendo que os quadrantes Q1 e Q4 não apresentaram
Q1 133 mm 119 mm
sangramento gengival marginal na avaliação inicial,
portanto não foram incluídos nessa análise. Quanto à Q2 163 mm 101 mm
profundidade de sondagem houve uma melhora apenas no Q3 68 mm 63 mm
quadrante onde foi realizado a TPB, os demais quadrantes
Q4 111 mm 100 mm
Nota: P2: Paciente 2. Q: quadrante

Figura 11. Foto frontal na reavaliação (Paciente 2). Figura 12. Fotos oclusais inferior e superior na reavaliação (Paciente 2).

Os valores em porcentagem de melhora nos parâmetros foram expressos em uma tabela com a quantidade de dentes
periodontais como profundidade de sondagem, sangramento e sítios avaliados por quadrante, sendo um por cada técnica
marginal e sangramento à sondagem dos dois pacientes aplicada (Tabela 5).

TABELA 5. PERCENTUAL DE MELHORA NOS PARÂMETROS PERIODONTAIS.

DENTES SITIOS P.S. S.M. S.S.


Tratamento
P1 P2 P1 P2 P1 P2 P1 P2
TPB 3/ 18 8/48 49 38 66,6 100 41,7 83,6
TPB + LASER 3/ 18 6/36 40 10,5 100 0 91,7 16,8
TPB + LASER +Fotoiniciador 5/ 30 5/ 30 41,3 7,3 83,5 100 90 100
TPB + Clorexidina 5/ 30 5/ 30 9,9 100 0 73,8 60,24
Nota. P.S.: profundidade de sondagem. S.M.: sangramento marginal. S.S. sangramento à sondagem.
P1: Paciente 1, P2: Paciente 2. TPB: Terapia periodontal básica.

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Na contagem de colônias houve uma redução significativa (2017), acrescenta que a resposta imunológica de cada
para todas as terapias entre os sítios coletados dos dois paciente é um dos fatores que influenciam no sucesso
pacientes, com um maior percentual de redução de micro- do tratamento periodontal, sendo assim difícil analisar os
organismos Gram negativos na terapia onde foi associado o resultados sem levar em consideração a variabilidade que cada
LASER com o fotoiniciador (31%) e quando associado o gel indivíduo apresenta, justificando a discrepância dos resultados
de clorexidina (39%) (Fig. 13). apresentados entre os pacientes neste trabalho.
Para obter êxito no tratamento periodontal faz-se
necessário que o paciente desempenhe uma higiene oral
FIGURA 13. PERCENTUAL DE REDUÇÃO NA CONTAGEM DE MICRO-ORGANISMOS satisfatória. Nesse sentido, Sandrini et al. (1997) também
POR SÍTIOS/TERAPIAS APLICADAS.
relatam que a deficiência na efetividade da remoção do
biofilme possibilita o desenvolvimento ou a recidiva da doença
periodontal, estabelecendo relações com o presente trabalho.
Observou-se que não ocorreu redução significativa no índice
de placa, o que demonstra que apesar das orientações não
houve colaboração dos pacientes.
Ferreira (2017) relatou que as bactérias que são
previamente sensibilizadas com corante e irradiadas pela luz
LASER, formam radicais orgânicos que podem promover a
lise bacteriana, diminuindo periodontopatógenos e tornando
o biofilme menos patogênico corroborando com nossos
achados, onde houve uma redução no percentual de micro-
organismos Gram negativos quando aplicados o azul de
DISCUSSÃO metileno em conjunto com o LASER.
Os agentes clorexidina 2% e o azul de metileno foram
Após 45 dias da aplicação clínica das terapias observou- utilizados intra-bolsa para uma possível redução da placa
se que no parâmetro de profundidade de sondagem, os subgengival, avaliada por meio da coleta e contagem de
resultados foram positivos e semelhantes entre as terapias colônias, onde houve uma redução de micro-organismos
aplicadas em ambos os pacientes. De acordo com os nesses sítios. Os índices de placa supragengival não alteraram
resultados de Crispino et al. (2015), comparando um grupo apesar da instrução de higiene bucal aos pacientes, estes não
de pacientes submetidos a terapia periodontal básica com se mostraram colaboradores.
associação de aplicação do LASER de baixa intensidade, O debridamento mecânico tradicional continua sendo
apresentou melhoras na profundidade de sondagem em um a melhor forma de tratamento para doença periodontal.
percentual médio de 10% em relação ao grupo que recebeu Porém, a ação anti-inflamatória, biomoduladora e analgésica
apenas o TPB. do LASER ajuda a estimular a reparação dos tecidos afetados,
Andersen et al. (2007), realizou aplicações de LASER reduzindo também o sangramento (DE Micheli et al., 2005).
associado ao azul de metileno durante 60 segundos por sítio, O uso do ultrassom na terapia periodontal básica poderia
o que reduziu significativamente os índices de sangramento interferir na bacteremia de um modo geral, como uma
gengival e sangramento durante a sondagem avaliados em escovação mais vigorosa ou uma raspagem subgengival com
12 semanas após o tratamento inicial, corroborando com angulação incorreta podendo dilacerar o tecido gengival.
este trabalho, mostrando que também houve redução no Porém seus benefícios de descontaminação da superfície da
sangramento gengival, porém avaliados em 6 semanas. raiz antes da raspagem propriamente dita para eliminação
Cury et al. (2000), afirma que a clorexidina tem se de grandes depósitos de cálculo e de microrganismos e suas
mostrado um efetivo agente antimicrobiano no tratamento endotoxinas aderidos no cemento em menor tempo são
da gengivite, dificultando a recolonização da placa bacteriana, fatores que favorecem sua indicação.
promovendo redução do quadro inflamatório. Aplicada nestes A suceptibilidade inata do paciente frente ao desafio
casos, a clorexidina associada a TPB demonstrou resultados microbiano poderia interferir no resultado, como uma alteração
positivos quanto a redução de sangramento marginal e nas células fagocitárias para sua aderência, quimiotaxia e
sangramento a sondagem, porém, somente no paciente 1 fagocitose, e macrófagos com fenótipo de hiperatividade, o
quando comparada unicamente com a TPB. Ferreira et.al. que varia de indivíduo para indivíduo, modificando a resposta

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imunológica frente a presença dos microrganismos. periodontal therapy, and clinical trials should be performed
Há necessidade de pesquisas nessa área com padronização for a protocol of LASER use in periodontitis.
das metodologias realizadas por haver muitas variáveis para
se chegar em um resultado positivo, como diferenças nos UNITERMS: Low level light therapy, periodontitis,
comprimentos de onda, dosimetrias, tempo de aplicação phototherapy
como na maioria dos estudos consultados apresentam
o tempo de fotoativação de 1 minuto (60 segundos),
aumentando este tempo num estudo futuro, para que possa
gerar um protocolo clínico para auxiliar na terapia periodontal
aplicada.

CONCLUSÃO

Estudos clínicos com a associação de terapias devem


ser realizados para determinar uma melhor efetividade e
sucesso nos tratamentos periodontais. De acordo com os
relatos clínicos dos dois pacientes desse trabalho sugere-se
que o LASER quando associado a terapia periodontal básica
irá auxiliar na redução do sangramento, tendo efeito anti-
inflamatório, e quando associado a um fotoiniciador como o
azul de metileno tem efeitos bactericida.

ABSTRACT

This study aimed to analyze the effectiveness of the


use of LASER as ancillary therapies in conjunction with
basic periodontal therapy, and to compare them with the
clinical and periodontal and microbiological results in two
cases of chronic periodontitis. After the initial exams, basic
periodontal therapy, scaling and root planing were performed
in all quadrants and were later randomly assigned to the
application of the auxiliary therapeutic techniques, which
were low intensity LASER application, low intensity LASER
application with the blue photoinitiator methylene chloride
and 2% chlorhexidine gel. In the microbiological collection,
when comparing the beginning and the period of the
periodontal reassessment, there was a reduction of the
Gram negative and clinical analyzes in the index of gingival
bleeding, plaque index, depth of probing. With a decrease
of the inflammatory pictures referring to the bleeding index,
the dental mobility showed a relative improvement in the
treatment, however in relation to the depth of probing there
was no difference between the techniques performed. In the
microbiological analysis, the percentage of bacterial growth
was reduced when counting the number of Gram negative
microorganisms by sites in greater amount when associated
with the LASER with the photoinitiator and the chlorhexidine
gel. It is suggested that the LASER can improve parameters of
periodontal inflammation and can be applied as an aid to basic

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