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O regulamento de agentes de jogadores

Daniel Cravo*

As atividades desenvolvidas pelos Agentes de Jogadores, mais comumente referidos pela mídia
esportiva nacional como “procuradores” ou “empresários”, são disciplinadas, no âmbito do futebol
organizado, pelo Regulamento de Agentes de Jogadores da FIFA. Vale a pena “visitar-se” alguns
de seus conceitos e disposições. De início, o Regulamento  nos apresenta uma definição
importante a respeito do personagem “agente” e de sua atividade típica: “Un agente de jugadores
es una persona física que, con arreglo a lo disposto en el presente reglamento, desempeña con
regularidad una actividad remunerada que lleva a un jugador al establecimiento de una relación
laboral con un club, o a dos clubes a acordar un contrato de transferência.”.

Ainda nesta parte inicial, que trata das disposições gerais, encontra-se também previsto que o
Agente de Jogadores somente poderá atuar de forma regular se estiver devidamente licenciado
por sua respectiva Associação Nacional - CBF, no nosso caso -, ficando, de outro lado,
expressamente vedado a jogadores e clubes recorrerem ”a los servicios de un agente de
jugadores sin licencia”. Existem, todavia, exceções à exclusividade estatuída em favor dos Agentes
de Jogadores ditos “licenciados”: os respectivos pais, irmãos e cônjuges de atletas podem
igualmente atuar de forma regular como agentes. Além destes, também os advogados, em seus
países de domicílio, estão autorizados pela FIFA a exercer tais atividades.

Do exposto até aqui, pode-se notar que a FIFA atribuiu unicamente a pessoas físicas a execução
das atividades típicas já descritas. E assim o fez em razão da importância do elemento fiduciário
envolvido na eleição de um terceiro, por parte de um clube ou de um jogador, para cuidar de seus
mais diversos e complexos interesses. Sem prejuízo desta “reserva”, todavia, a FIFA permite que
os agentes se organizem e exerçam sua atividade de forma empresarial. Para tanto, porém “... las
funciones que desempeñen los empleados y colaboradores de un agente de jugadores deberán
limitarse a tareas administrativas”, ressalvando-se ainda, expressamente, que “Cualquier
representación de interesses em nombre de un jugador o club ante jugadores o clubes está
reservada exclusivamente para los agentes de jugadores.”.

Outra condição imposta para a representação regular de um jogador ou de um clube por parte de
um agente, é a existência de um contrato escrito, o qual deve ser elaborado nos moldes do
modelo padrão constante do Anexo “C” do Regulamento. Vale ressaltar, por oportuno, que a FIFA
tem mitigado esta última regra em determinados aspectos, permitindo aos agentes a perseguição
de créditos, em face de jogadores e clubes inadimplentes, mesmo sem a assinatura de um
contrato formulado com a observância estrita ao modelo exigido, desde que existam outros
elementos de convicção – notadamente documentos escritos - suficientes a atestar a existência e
a titularidade do crédito/débito em questão. Nestes casos, a própria FIFA tem garantido aos
agentes o acesso à jurisdição especializada por ela prestada, que poderá eventualmente ensejar a
aplicação de sanções disciplinares tipicamente desportivas, sempre um instrumento interessante a
título de reforço da pretensão financeira. Estas são apenas algumas poucas peculiaridades sobre o
tema, para início de conversa...   

*Advogado e sócio da área desportiva da Campos Advocacia.

Artigo publicado originalmente na revista Sul Sports (18ª edição)

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