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Taxa de mortalidade materna: 489 óbitos / cem mil nascidos vivos (2015 est.

Definição: A taxa de mortalidade materna (MMRatio) é o número anual de


mortes femininas por 100.000 nascidos vivos de qualquer causa relacionada ou
agravada pela gravidez ou seu manejo (excluindo causas acidentais ou
incidentais). O MMRatio inclui mortes durante a gravidez, parto ou dentro de 42
dias após o término da gravidez, independentemente da duração e do local da
gravidez, por um ano específico.

Fonte: CIA World Factbook - Salvo indicação em contrário, todas as


informações nesta página é preciso partir de 9 de julho de 2017

Razão de mortalidade materna – C.3 (Taxa de mortalidade materna, coeficiente de


mortalidade materna)

1. Conceituação

• Número de óbitos maternos, por 100 mil nascidos vivos de mães residentes em determinado
espaço geográfico, no ano considerado. • O conceito de morte materna estabelecido pela
Organização Mundial de Saúde1 está detalhado no Anexo I deste capítulo.

2. Interpretação

• Estima a frequência de óbitos femininos, ocorridos até 42 dias após o término da gravidez,
atribuídos a causas ligadas à gravidez, ao parto e ao puerpério, em relação ao total de nascidos
vivos. O número de nascidos vivos é adotado como uma aproximação do total de mulheres
grávidas. • Reflete a qualidade da atenção à saúde da mulher. Taxas elevadas de mortalidade
materna estão associadas à insatisfatória prestação de serviços de saúde a esse grupo, desde o
planejamento familiar e a assistência pré-natal, até a assistência ao parto e ao puerpério.

3. Usos

• Analisar variações populacionais, geográficas e temporais da mortalidade materna,


identificando situações de desigualdade e tendências que demandem ações e estudos
específicos. • Realizar comparações nacionais e internacionais, para o que se adota a definição
internacional de morte materna, ocorrida até 42 dias após o término da gestação. Para
determinadas análises no âmbito nacional, utiliza-se o conceito de mortalidade materna tardia
(ver anexo I deste capítulo).

• Contribuir na avaliação dos níveis de saúde e de desenvolvimento socioeconômico. •


Subsidiar processos de planejamento, gestão e avaliação de políticas e ações de saúde
direcionadas à atenção pré-natal, ao parto e ao puerpério.

4. Limitações
• Exige conhecimento preciso das definições de morte materna e das circunstâncias em que
ocorrem os óbitos, para que sejam classificados corretamente. Imprecisões no registro geram
subdeclaração de mortes maternas, o que demanda, em todos os países, a adoção de um
"fator de correção". • Requer estudos especiais para determinar esse fator de correção, que é
obtido pela razão entre o número de mortes maternas conhecido por investigação e o número
informado em atestados de óbito originais, nos quais a morte materna foi efetivamente
declarada pelo médico.

• Impõe cuidados na aplicação de fator de correção, pois em algumas regiões os dados obtidos
diretamente do sistema de informação sobre mortalidade podem já estar corrigidos por
investigação sistemática dos óbitos de mulheres em idade reprodutiva.

1 Organização Mundial de Saúde. Classificação Internacional


de Doenças: décima revisão (CID-10). 4ª ed. v.2. São Paulo: Edusp, 1998. p. 143.

5. Fonte

Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS): Sistema de Informações sobre


Mortalidade (SIM) e Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc).

6. Método de cálculo

Número de óbitos de mulheres residentes, por causas e condições consideradas de morte


materna Número de nascidos vivos de mães residentes

x 100.000

Notas: (i) O indicador tem sido calculado apenas para os estados que atingiram índice final
(cobertura e regularidade do SIM) igual ou superior a 80% e cobertura do SINASC igual ou
superior a 90%. (ii) Para o Brasil, utiliza-se o total de óbitos maternos coletados pelo SIM e de
nascidos vivos coletados pelo SINASC. A partir de 2000, para o Brasil, este total foi corrigido
pelo fator de ajuste (1,4)2. (iii) O cálculo do indicador nas regiões só é feito para aquelas em
que todas as UF estejam representadas com as razões específicas.

7. Categorias sugeridas para análise

Unidade geográfica: Brasil, grandes regiões, estados e Distrito Federal.

8. Dados estatísticos e comentários

Razão de Mortalidade Materna (por 100 mil), por ano, segundo Unidades da Federação
selecionadas Brasil, 1997, 2000 e 2004 Unidade da Federação 1997 2000 2004 Brasil (*) 61,2
73,3 76,1 Espírito Santo 29,9 44,5 65,7 Rio de Janeiro 66,6 76,0 69,6 São Paulo 55,4 40,1 34,8
Paraná 79,4 68,5 69,5 Santa Catarina 48,1 36,9 43,3 Rio Grande do Sul 75,8 47,0 56,8 Mato
Grosso do Sul 55,3 37,1 84,2 Distrito Federal 44,8 35,4 43,9 Fonte: Ministério da Saúde/SVS –
Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e Sistema de Informações sobre
Mortalidade (SIM). * O valor calculado para o Brasil, em 2004, corresponde ao total de óbitos
maternos, corrigido pelo fator de ajuste de 1,4, indicado no método de cálculo. Para 1997 e
1999, não foi feita esta correção.
A razão de mortalidade materna para os estados selecionados situou-se, no período de 1997 a
2004, entre 29,9 e 84,2 óbitos por 100 mil nascidos vivos. Valores elevados podem estar
retratando os esforços realizados, em cada estado, para melhorar a qualidade da informação,
o que pode justificar a grande oscilação entre 1997, 2000 e 2004. Essa oscilação pode estar
relacionada também com os pequenos números envolvidos.

2 Laurenti, R, Mello – Jorge, MHP, Gotlieb, SLD. A mortalidade


materna nas capitais brasileiras: algumas características e estimativa de um fator de ajuste.
Rev. bras. epidemiol 2004; 7(4): 449-460.

Anexo I – Conceito de óbito materno – C.3

A 10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) define morte materna como a
"morte de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação,
independentemente da duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa
relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não
devida a causas acidentais ou incidentais"1.

As mortes maternas são causadas por afecções do capítulo XV da CID-10 – Gravidez, parto e
puerpério (com exceção das mortes fora do período do puerpério de 42 dias – códigos O96 e
O97) e por afecções classificadas em outros capítulos da CID, especificamente:

(i) Tétano obstétrico (A34), transtornos mentais e comportamentais associados ao puerpério


(F53) e osteomalácia puerperal (M83.0), nos casos em que a morte ocorreu até 42 dias após o
término da gravidez ou nos casos sem informação do tempo transcorrido entre o término da
gravidez e a morte.

(ii) Doença causada pelo HIV (B20 a B24), mola hidatiforme maligna ou invasiva (D39.2) e
necrose hipofisária pós-parto (E23.0) serão consideradas mortes maternas desde que a mulher
estivesse grávida no momento da morte ou tivesse estado grávida até 42 dias antes da morte.

(iii) São consideradas mortes maternas aquelas que ocorrem como consequência de acidentes
e violências durante o ciclo gravídico puerperal, desde que se comprove que essas causas
interferiram na evolução normal da gravidez, parto ou puerpério2.

A CID-10 estabelece ainda os conceitos de: morte materna tardia, decorrente de causa
obstétrica, ocorrida após 42 dias e menos de um ano depois do parto (código O96); e morte
materna por sequela de causa obstétrica direta, ocorrida um ano ou mais após o parto (código
O97). Estes casos também não são incluídos para o cálculo da Razão de Mortalidade Materna.

1 Organização Mundial de Saúde. Classificação Internacional


de Doenças: décima revisão (CID-10). 4ª ed. v.2. São Paulo: Edusp, 1998. p. 143. 2 Até a
implantação do módulo de investigação de óbitos de mulheres em idade fértil e a criação do
código O93 (Causas externas relacionadas com a morte materna), essas mortes, para efeito do
cálculo da Razão de Mortalidade Materna, não estão incluídas, pela dificuldade da sua
identificação na base de dados de mortalidade.
TAXA DE MORTALIDADE MATERNA

Conceituação

Existem várias definições para esse indicador:

• “Razão, Taxa ou Coeficiente de mortalidade materna é o indicador utilizado para conhecer o


nível de morte materna (...) calculado pela relação do n.º de mortes ´maternas´ ou de
´mulheres durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação´, independentemente
da duração ou da localização da gravidez. É causada por qualquer fator relacionado ou
agravado pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela” (Laurenti, 2000).

• “Número de óbitos femininos por causas maternas, por 100 mil nascidos vivos, na
população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado” (OPAS, 2002).

Método de cálculo Nº de óbitos maternos diretos e indiretos

Nº de nascidos vivos

x 100.000

Definição de termos utilizados no indicador Óbito Materno: “Morte de uma mulher durante a
gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação,
independentemente da duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa
relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não
devida às causas acidentais ou incidentais” (OMS,1997).

No cálculo da Taxa de Mortalidade Materna, devem ser consideradas as mortes classificadas


no Capítulo XV da CID 10, com exceção dos códigos O96 e O97 (Morte Materna Tardia e Morte
por Seqüela de Causa Obstétrica Direta). Algumas doenças que não constam no Capítulo XV
também devem ser levadas em conta, desde que fique comprovada sua relação com o estado
gravídico-puerperal. São elas: tétano obstétrico (cód. A34, Cap. I); doenças causadas pelo vírus
da imunodeficiência humana (cód. B20 a B24, Cap. I); necrose pós-parto da hipófise

Dimensão “Atenção à Saúde” - 3a fase Taxa de Mortalidade Materna

(cód. E23.0, Cap. IV); osteomalácia puerperal (cód. M83.0, Cap. XII); transtornos mentais e
comportamentais associados ao puerpério (cód. F53, Cap. V); e mola hidatiforme maligna (cód.
D39.2, Cap. II). Neste último caso, o óbito deve ter ocorrido até 42 dias após o parto.

É importante destacar que, embora sejam raras, existem causas externas (Cap. XX) que
comprometem o estado gravídico-puerperal e que devem entrar no cálculo da Razão de
Mortalidade Materna (OPAS, 2002).

Considerar todos os óbitos maternos diretos e indiretos que ocorrerem até 42 dias após o
parto, ou seja, o término da gestação (OMS,1997). Considerar como mortalidade materna
tardia as mortes ocorridas no período após os 42 dias pós-parto e com menos de 1 ano pós-
parto, visando possibilitar também o conhecimento das mortes maternas ocorridas após o
período de 42 dias (OMS,1997). Nascido vivo: É a expulsão ou extração completa do corpo da
mãe, independentemente da duração da gestação, de um produto de concepção que, depois
dessa separação, respira ou manifesta outro sinal de vida, tal como batimento cardíaco,
pulsação do cordão umbilical ou contração voluntária, tenha sido ou não cortado o cordão
umbilical e esteja ou não desprendida a placenta.

Interpretação do indicador • Diversas fontes consultadas afirmam que tanto Taxa como
Coeficiente expressam um valor que mede a freqüência de eventos em determinado local e
período, sendo calculado a partir da sua multiplicação pela potência definida pela base de
referência da população para que o valor passe de um número decimal para um número
inteiro. • Taxa ou coeficiente de mortalidade materna é o indicador utilizado para conhecer o
nível de morte materna (Laurenti, 1994). • O indicador permite estimar a freqüência de óbitos
femininos atribuídos às causas em questão em relação ao número de nascidos vivos. • O
indicador reflete a qualidade da assistência à saúde da mulher (OPAS, 2002).

Versão 1

Dimensão “Atenção à Saúde” - 3a fase Taxa de Mortalidade Materna

• Proposta de excluir do denominador as pessoas não expostas ao risco (Almeida Filho, 1992),
de modo que o denominador do indicador deve considerar exclusivamente a população em
risco. Nesse sentido, o motivo alegado para considerar o número de nascidos vivos no
denominador se daria pela sua “potencialidade de estimar a população de gestantes exposta
ao risco de morte por causa materna“ (Vermelho et al, 2002).

Usos • Indicadores de Mortalidade Materna são considerados indicadores da saúde da mulher


e da população em geral, contribuindo para o conhecimento de desigualdades quando
comparados índices de populações de países e regiões geográficas em diferentes graus de
desenvolvimento, inclusive numa mesma área urbana que seja heterogênea (Laurenti, 1994). •
São considerados pela OMS/UNICEF indicadores do “status da mulher; seu acesso à assistência
à saúde e a adequação do sistema de assistência à saúde em responder às suas necessidades”,
sendo preciso conhecer não apenas os níveis, mas as “tendências da mortalidade materna”
(Laurenti, 2000). • Analisar variações geográficas e temporais da mortalidade materna,
identificando tendências e situações de desigualdade que possam demandar estudos
especiais. • Realizar comparações internacionais, para o que se adota a definição tradicional
de morte materna, ocorrida até 42 dias após o término da gestação. Para determinadas
análises no âmbito nacional, utiliza-se o conceito de mortalidade materna tardia (OPAS, 2002).

Parâmetros, Dados Estatísticos e Recomendações • Em países/regiões desenvolvidos as taxas


(ou coeficientes) podem variar entre 4 e 15 por 100 mil nascidos vivos (nascidos vivos) e em
países/regiões subdesenvolvidos podem ter um mínimo de 80 por 100 mil nascidos vivos,
podendo chegar a 500 mortes por 100 mil nascidos vivos, como no caso de alguns países
africanos em 1996 (Laurenti, 1994 e 2000).

Versão 1

Dimensão “Atenção à Saúde” - 3a fase Taxa de Mortalidade Materna


• Estimava-se entre 150 e 200 mortes por 100 mil nascidos vivos para o Brasil enquanto o
Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) acusava 54,8 por 100 mil nascidos vivos em
1996 (Laurenti, 2000). • A taxa de mortalidade materna no Brasil decresceu, entre 1982 a
1991, de 156,0 para 114,2 óbitos por 100 mil nascidos vivos. Os dados são díspares por região
geográfica (1989): N (380 por 100 mil nascidos vivos), NE (53), CO (134), SE (97) e S (96), a
média nacional, foi de 124 por 100 mil nascidos vivos OPAS (1998). • A taxa de mortalidade
materna em 1998 para alguns estados selecionados e Distrito Federal foi de 68 óbitos
maternos por 100.000 nascidos vivos. Considera-se que esta taxa possa estar subestimada,
tendo em vista que não foram incluídos estados onde se presume que a taxa de mortalidade
materna seja mais elevada. • A taxa de mortalidade materna em 2002 para o Brasil foi de 68,9
óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos.

Meta 10% abaixo da taxa nacional de mortalidade materna, que é de 68,9 por 100.000
nascidos vivos, ou seja, igual a 62,01 óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos, no período
de 1 ano.

Pontuação Nível Pontuação % cumprimento da meta Valores obtidos pela operadora Nível 0 0
- Sem informação

Nível 1 0,25 <= 50% Maior ou igual a 93,02 óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos Nível 2
0,5 De > 50% a <= 90% Entre 93,01 e 68,21 óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos

Nível 3

> 90%

Igual ou menor que 68,20 óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos

Versão 1

Dimensão “Atenção à Saúde” - 3a fase Taxa de Mortalidade Materna

Fonte de dados MS/ANS – Sistema de Informações de Beneficiários (SIB) MS/ANS – Sistema de


Informações de Produtos (SIP)

Ações esperadas para causar impacto positivo no indicador • Disseminar informações acerca
da prevenção da mortalidade materna entre as beneficiárias em idade fértil. • Redimensionar
a oferta (rede de prestadores) das operadoras para realização de exames periódicos e
diagnósticos. • Capacitar e reciclar os profissionais de saúde envolvidos no atendimento à
gestante e à mulher pós-parto. • Incentivar a realização dos procedimentos pré-natais. • Criar
programa de vigilância e avaliação das ações definidas para controle das gestantes de risco. •
Qualificar e humanizar a atenção ao parto, nascimento e aborto legal e capacitar os
profissionais (Plano Nacional de Saúde do MS, versão preliminar, 2004). • Permitir o
acompanhamento antes, durante e após o parto, incluindo alojamento conjunto (PNS/MS,
versão preliminar, 2004). • Estimular implantação do planejamento familiar (PNS/MS, versão
preliminar). • As causas diretas com maior freqüência são toxemia gravídica (30% das mortes);
hemorragias ligadas à gestação, parto e puerpério (18%) e infecções puerperais (15%). “As
mortes decorrentes de aborto respondem por 12% dos óbitos maternos, sendo 25% em
virtude das demais causas. Estando associada à freqüência importante de gestações de risco
(45%), mais comumente observadas nas áreas rurais (59%), onde há menor acesso a serviços
de saúde” (OPAS, 1998).

Limitações e vieses do indicador • O indicador deve ser analisado junto à taxa de mortalidade
infantil (Januzzi, 2003). • O número de nascidos vivos no denominador é adotado como
aproximação do número de mulheres grávidas (OPAS, 2002).

Versão 1

Dimensão “Atenção à Saúde” - 3a fase Taxa de Mortalidade Materna

• Análise do indicador em populações muito pequenas: no caso de municípios, Soares et al


(2001) explica que quando a população de determinado município for muito pequena, os
resultados do indicador podem apresentar dificuldades na sua interpretação. Para evitar
problemas desse tipo, deve-se realizar a análise conjunta dos dados, em série de anos ou
grupo de municípios. • Limitações nos parâmetros por problemas de captação dos dados: há
diversos problemas a serem considerados, como locais onde o registro de mortalidade não
tem total cobertura e subinformação das mortes maternas e declaração inexata da causa nos
atestados de óbito. No caso brasileiro, tem se verificado que a cobertura é boa em capitais e
cidades de médio e grande porte, porém nas áreas menos populosas, como regiões norte e
nordeste, os dados podem não corresponder à realidade. O MS estima que a subenumeração
de óbitos não exceda 20%. • Dificuldades de análise da consistência e qualificação dos dados
de óbitos maternos na saúde suplementar, em especial em regiões menos desenvolvidas e em
operadoras menores. • O cálculo direto da taxa a partir de dados derivados de sistemas de
registro contínuo pode exigir correções da subenumeração de mortes maternas e de nascidos
vivos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. A imprecisão na declaração da causa de
óbitos maternos pode comprometer a consistência do indicador. Comparações espaciais e
temporais podem ser prejudicadas pelo emprego de diferentes definições de morte materna
(OPAS, 2002).

Referências • ALMEIDA FILHO, Naomar de & Rouquayrol, Maria Zélia. Introdução à


Epidemiologia Moderna. BH/Salvador/RJ: COOPMED/APCE/ABRASCO, 1992. • JANUZZI, P M.
Indicadores Sociais no Brasil: Conceitos, Fontes de dados e Aplicações. Campinas/ SP: Editora
Alínea, 2003. • LAURENTI, R & BUCHALLA, C M. Indicadores de Saúde Materna e Infantil:
implicações da 10ª revisão da CID. Revista Panamericana Salud Publica, V. 1, n. 1, 1997.

Versão 1

Dimensão “Atenção à Saúde” - 3a fase Taxa de Mortalidade Materna

• LAURENTI, R, MELLO-JORGE, M H P de & GOTLIEB, S L D. Reflexões sobre a mensuração da


mortalidade materna. Cad. Saúde Pública, vol.16, n.1, pp. 23-30. Jan 2000. ISSN 0102-311X. •
LAURENTI, R. A mortalidade materna em áreas urbanas na América Latina: o caso de São
Paulo, Brasil. Bulletin of Sanit Panam, V. 116, n. 1, 1994. • OPAS. Saúde no Brasil. Brasília:
OPAS/Representação no Brasil, 1998. • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. CID-10:
Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 2a
edição. São Paulo: Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde para classificação de
Doenças em Português. EDUSP. 1997. • ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE.
Indicadores básicos de saúde no Brasil: conceitos e aplicações/Rede Interagencial de
Informações para a Saúde - Ripsa - Brasília, Publicação da OPAS, 2002. • SOARES, D A;
ANDRADE S M; CAMPOS J J B. Epidemiologia e Indicadores de Saúde. In: ANDRADE, S M;
SOARES D A; CORDONI JUNIOR, L. Bases da Saúde Coletiva. Londrina: Editora UEL, 2001. •
SOUZA, ML & Laurenti, R. “Mortalidade Materna: conceitos e aspectos estatísticos”. Série de
divulgação FSP/USP n.º 03: São Paulo, 1987 (edição esgotada). • VERMELHO, L L; COSTA A J;
KALE P L. Indicadores de Saúde. In: MEDRONHO, J R et al (ed.), Epidemiologia. São Paulo:
Editora Atheneu, 2002.

Morte materna
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Morte materna

Morte da mãe enquanto o recém-nascido lhe é levado. Alto-relevo,


1863, Striesener Friedhof em Dresden

Sinónimos Mortalidade materna

Especialidade obstetrícia

Classificação e recursos externos

CID-10 O95

CID-9 646.9

MeSH D063130

 Leia o aviso médico 

Morte materna é a morte de uma mulher durante a gravidez ou nos 42 dias seguintes
ao termo da gravidez, independentemente da duração e do local da gravidez, e a partir
de qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez ou seu tratamento, mas não de
causas acidentais.[1]

As principais causas são hemorragias pós-parto (15%), complicações de abortos


inseguros (15%), doenças hipertensivas da gravidez (10%), infeções puerperais (8%) e
parto distócico (6%). Entre outras possíveis causas estão embolias (3%) e condições
pré-existentes (28%). A morte da mãe resulta em famílias mais vulneráveis. Quando a
criança sobrevive ao nascimento, está em risco acrescido de morrer antes do segundo
aniversário.

As Nações Unidas estimam que em 2013 tenham morrido 289 000 mulheres por causas
relacionadas com a gravidez ou parto.[4] Entre 1990 e 2017, a taxa de mortalidade
materna diminuiu 44%.[4] Esta diminuição deveu-se à melhoria no acesso ao
planeamento familiar e a melhor preparação dos profissionais de saúde.[4] No entanto,
ainda existe elevada mortalidade materna em algumas regiões do mundo,
principalmente em comunidades mais pobres, 85% das quais em África ou no sul da
Ásia.[4]

Referências
1. ↑ Definição da [[Organização Mundial de Saúde: «Health statistics and information
systems: Maternal mortality ratio (per 100 000 live births)». World Health
Organization. Consultado em 17 de junho de 2016
2. ↑ Ir para: a b GBD 2013 Mortality and Causes of Death (17 de dezembro de 2014). «Global,
regional, and national age-sex specific all-cause and cause-specific mortality for 240
causes of death, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease
Study 2013». Lancet. 385 (9963): 117–71. PMC  4340604 . PMID  25530442.
doi:10.1016/S0140-6736(14)61682-2
3. ↑ «Maternal mortality: Fact sheet N°348». World Health Organization. WHO.
Consultado em 20 de junho de 2014
4. ↑ Ir para: a b c d e «Maternal health». United Nations Population Fund. Consultado em 29 de
janeiro de 2017

Mortalidade materna: avaliação da situação no Rio de


Janeiro, no período de 1977 a 1987

Maternal mortality: evaluation of the situation in Rio de


Janeiro from 1977 to 1987

Kátia S. da Silva

Departamento de Dados Vitals da Coordenadoria de Informações do Centro de


Informação de Saúde da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Rua
México, 128/813, 20031-142, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
 

RESUMO

O objetivo deste estudo é identificar o perfil epidemiológico da mortalidade materna


no estado do Rio de Janeiro, no período de 1977 a 1988, contribuindo, assim, para
o planejamento de ações que tenham repercussão na redução da morbi-
mortalidade materna.
A taxa de mortalidade materna e a sua tendência temporal, sua distribuição por
idade, por grupo de causas e por local de ocorrência (estado, capital e demais
municípios) foram comparadas com as de outros estados e países, buscando-se
identificar fatores de risco.
Apesar do sub-registro existente, a taxa de mortalidade materna no estado
apresentou-se entre 5 e 11,1 por 10.000 nascidos vivos, com uma tendência
decrescente, embora tenha se estabilizado nos últimos anos. A capital apresentou
melhores resultados que os demais municípios em praticamente todos os
indicadores trabalhados. As principais causas de óbito foram a hipertensão arterial
(36,5%), as hemorragias (21,5%) e o aborto (11,6%). As faixas etárias de 10 a 14
anos e 40 a 49 anos foram as de maior risco, com taxas de mortalidade materna de
54,8 e 32,0 por 10.000 nascidos vivos, respectivamente. O investimento na
melhoria da qualidade de assistência à saúde da mulher no pré-natal, no parto e no
puerpério é uma ação viável e de grande impacto neste quadro, dependendo
apenas da vontade política das autoridades.

Palavras-Chave: Mortalidade; Mortalidade Materna; Saúde da Mulher

ABSTRACT

The aim of this study is, first, to trace the epidemiological profile of maternal
mortality in the State of Rio de Janeiro (Brazil) during the period from 1977 to 1987
and, second, to contribute to the planning of strategies for reducing maternal
morbi-mortality in that context.
With the purpose of identifying risk factors, the maternal mortality rate, its
prospective trends, and its distribution according to age group, causes and location
are compared to the same factors in other States of Brazil and other countries.
In the State of Rio de Janeiro, the maternal mortality rate is 5.0 to 11.1 per 10,000
live births with a decreasing trend at present, despite having stabilized in the last
few years.
The main causes of death — hypertensive disease in pregnancy, haemorrhage and
abortion — and the risk groups involved are identified and analysed.
Within this framework, it is suggested that investments in the improvement of
women's health services in general, health care during pregnancy and childbirth
and puerperal care would represent not only a feasible but also a highly effective
focus of action, depending solely on political decision by policy-makers.

Keywords: Mortality; Maternal Mortality; Women's Health


 

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define enquanto morte materna "a morte
de uma mulher durante a gestação, ou dentro de um período de 42 dias após o
término da gestação, independentemente da duração ou da localização da gravidez,
devido a qualquer causa relacionada com a gravidez ou agravada pela mesma, ou a
medidas tomadas em relação a ela, porém não devido a causas acidentais ou
incidentais" (Laurenti & Souza, 1987).

Quando são comparados dados internacionais, constata-se que alguns países da


América Latina, da Ásia e da África possuem taxas de mortalidade materna pelo
menos vinte vezes superiores às de países da Europa e da América do Norte (Pinto
& Ribeiro, 1989).

O coeficiente de mortalidade materna é obtido pela razão entre o numero de


mortes maternas e o número de nascidos vivos (NVs) para uma determinada região
e intervalo de tempo.

Enquanto indicador de saúde, ele possibilita avaliar a qualidade da assistência


prestada às mulheres no período pré-natal, durante o parto e o pós-parto. Porém, o
estudo do comportamento deste coeficiente, nos diferentes períodos e lugares,
permite também afirmar que ele ultrapassa os limites de um simples indicador de
saúde tornando-se uma medida das condições sócio-econômicas.

Fatores como estrato social, distribuição de renda, nível de escolaridade e


valorização social da condição feminina são determinantes em definir as opções de
assistência médica que são oferecidas às mulheres no período gravídico-puerperal.
A maior parte dos países que se convencionou chamar "em desenvolvimento"
convive com diferenças sociais acentuadas, não refletindo, na sua política de saúde,
medidas que tenham efetivas repercussões na qualidade da assistência médica e na
prevenção do óbito nesta fase reprodutiva.

A mulher pertencente a uma classe social desfavorecida acumula, em conseqüência


destes fatores, um risco muito maior de vir a morrer de uma causa materna.

O conhecimento do perfil da mortalidade materna no estado do Rio de Janeiro é um


instrumento para as autoridades no planejamento de programas de saúde da
mulher e uma contribuição para que a sociedade civil se conscientize de que uma
mulher dar à luz sem arriscar a vida é um direito a ser conquistado.

OBJETIVOS

Conhecer o quadro epidemiológico dos óbitos maternos, através da análise do


coeficiente de mortalidade materna, da sua distribuição proporcional por local de
ocorrência (estado, capital e demais municípios), por grupo de causas e por faixa
etária, no período de 1987 a 1988.
Analisar as causas que contribuem para a mortalidade materna e avaliar se as
condições socio-econômicas e a qualidade da assistência médica são fatores que se
destacam enquanto tal.

Sugerir medidas que contribuam para a diminuição do sub-registro e melhor


conhecimento da magnitude da mortalidade materna.

Identificar aspectos sobre os quais a atuação de uma política de saúde apropriada


produza um resultado de maior impacto na redução da morbi-mortalidade materna.

MATERIAL E MÉTODO

Para a construção do indicador, os dados de óbitos do estado e do município do Rio


de Janeiro foram retirados de três fontes:

• O documento "Estatística de Mortalidade", publicado pelo Ministério da Saúde,


que contém os dados de óbitos por causa, sexo e idade (MS,
1982/83/84/84a/84b/85/87/87a/88);

• Uma listagem de óbitos da capital e do estado, contendo o conjunto dos códigos


em três dígitos de todos os capítulos da 9a revisão do Código Internacional de
Doenças, dos anos de 1979 a 1987, enviada à Secretaria Estadual de Saúde pelo
Ministério da Saúde;

• Um estudo de "Mortalidade Materna no Município do Rio de Janeiro", feito no


Departamento de Dados Vitais a partir de 80% dos óbitos de mulheres em idade
fértil, de 10 a 49 anos, ocorridos no ano de 1988.

A população dos nascidos vivos do estado foi estimada com base no método
proposto por Beltrão et al. (1990), que possibilitou calcular os coeficientes nos anos
mais recentes e fazer um estudo da tendência no período observado.