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DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO ACRE

NÚCLEO DE ATENDIMENTO JURÍDICO


SOBRAL

À 2ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE RIO BRANCO – ESTADO DO


ACRE

Autos Nº: 001.04.001566-2

EVANILSON LIMA DO NASCIMENTO, brasileiro, casado,


Autônomo, inscrito no RG nº 0286969 SSP/AC e CPF nº 654.078.142-34, não
possui endereço eletrônico, residente e domiciliado na Rua Pará, nº 94, Conjunto
Nova Esperança, em Rio Branco / AC, telefone: (68) 9 9919-8469, assistido pela
Defensoria Pública do Estado do Acre, com endereço profissional declinado na
nota de rodapé, onde recebe as intimações de estilo, vem, à presença de Vossa
Excelência, propor:

AÇÃO DE EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS

Em desfavor de WESLEY DA SILVA NASCIMENTO, maior


de idade, brasileiro, RG 1082169 –SEPC/AC, CPF: 039.776.042-60, endereço
eletrônico desconhecido, residente e domiciliado à Rua 25 de Dezembro, nº 146,
Bairro Vila Betel, CEP: 69.915-312, no município de Rio Branco/AC, Telefone (68)
9 8402-3183, com base nos fatos a seguir aduzidos:

DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA


_______________________________________________________________________________________
Rua Oswaldo de Andrade, s/n°, Sobral, atrás do restaurante “Popular”, ao lado da creche “Sorriso de Criança”, na Regional
da Baixada, Rio Branco – Acre. Telefone: (68) 3242-1474, e-mail: nucleosobraldpe@gmail.com.
Redigido por Lexiane Pinheiro – Assistente Jurídica.
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O requerente pretende os benefícios que decorrem da
Assistência Judiciária Gratuita, nos termos do art. 98, do Código de Processo Civil
Brasileiro, por não ter condições de arcar com as despesas processuais, em
virtude da sua hipossuficiência, conforme declaração anexa.

Ademais, o requerente desconhece o endereço eletrônico do


seu filho. Assim, pede que sejam tomadas providências a fim de identificar as
informações faltantes da requerida, nos termos dos parágrafos 1º e 2º, do art.
319, do Código de Processo Civil Brasileiro.

DOS FATOS
Na ação de alimentos, nos autos nº 001.04.001566-2, que
tramitou na 2ª Vara da Família da Comarca de Rio Branco, o requerente acordou
prestar alimentos ao filho, no importe de 20% (vinte por cento) de sua
remuneração, incluindo 13º salário, conforme Termo de Audiência em anexo.
Entretanto, o filho WESLEY DA SILVA NASCIMENTO, em
AGOSTO DE 2018 atingiu a maioridade, conforme certidão de nascimento
juntada a estes autos, e não está regularmente matriculado em nenhuma
instituição de ensino, eis que terminou o ensino médio e não está cursando
faculdade, devendo por tanto ser exonerado quanto às obrigações alimentares.
Desta forma, o requerente almeja ser exonerado do dever de
prestar alimentos para o filho WESLEY DA SILVA NASCIMENTO, pelos motivos
acima expostos.

DO DIREITO
As normas legais vigentes impõem aos pais o dever de
assistir, criar e educar os filhos, enquanto menores, pressupondo-se que, a partir
de então, estarão aptos a buscar meios que promovam o seu próprio sustento.

Assim estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente:

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Rua Oswaldo de Andrade, s/n°, Sobral, atrás do restaurante “Popular”, ao lado da creche “Sorriso de Criança”, na Regional
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Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento guarda e educação dos
filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de
cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais (grifo nosso).

Portanto, torna-se claro, que os deveres inerentes ao poder


familiar cessam com a maioridade, que, sob a égide do atual Código Civil, é
alcançada aos dezoito anos de idade.
Importante colacionarmos o que diz o renomado Yussef Said
Cahali, em sua obra “Dos Alimentos – São Paulo: Editora RT, 1994 – 2ª Edição”,
pág. 504, quando aborda o tema “maioridade e cessação do dever de sustento do
filho”:

“... o dever de sustento diz respeito ao filho menor, e vincula-se ao


pátrio poder; seu fundamento encontra-se no art. 231, III, do CC,
como dever de ambos os cônjuges em relação à prole, e no art. 233,
IV, como obrigação precípua do genitor, de mantença da família;
cessado o pátrio poder, pela maioridade ou pela emancipação,
cessa consequentemente aquele dever”.

Importante frisar que apesar da enumeração dos artigos


corresponderem ao Código Civil vigente à época da edição dessa obra, o
princípio não mudou, permanecendo o mesmo. Ou seja, a maioridade faz
cessar o direito ao recebimento de alimentos.

Com a maioridade do demandado, a regra do dever de


sustento dos pais para com os filhos menores (art. 1.566, inc. IV, do CC) e que
faz presumida a necessidade, cede lugar à regra do art. 1.694 e seguintes do CC,
que regula o dever de solidariedade pelo parentesco, sendo que, nesta situação,
deve ser demonstrada a necessidade da parte, o que não é a hipótese do
presente caso.

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Cumpre referir que a implementação da maioridade, por si
só, não enseja a desoneração do encargo alimentar, mas afasta a presunção de
necessidade.

Em casos tais, há que se perquirir se o alimentante possui


condições de continuar a prestar os alimentos e se o alimentando ainda necessita
da pensão, necessidade esta cuja prova, adquirida a maioridade, compete ao
alimentando. E, como já descrito nos fatos, o demandado não mais necessita da
continuidade do pagamento da aludida pensão alimentícia. Neste sentido, as
jurisprudências dos tribunais pátrios vêm decidindo da seguinte forma:

AGRAVO INTERNO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO


MONOCRÁTICA. ALIMENTOS. FILHA MAIOR, CAPAZ E APTA AO
TRABALHO. FIXAÇÃO. DESCABIMENTO. 1. Comporta decisão
monocrática o recurso que versa sobre matéria já pacificada no Tribunal
de Justiça. Inteligência do art. 557 do CPC. 2. Os alimentos
decorrentes do dever de sustento, que é inerente ao poder familiar,
cessam quando os filhos atingem a maioridade civil, mas persiste
obviamente a relação parental, que pode justificar a permanência
do encargo alimentar. 3. Para que se estabeleça o encargo
alimentar em favor de filha maior, é imprescindível a prova cabal da
necessidade. 4. Os alimentos provisórios devem ser fixados sempre
com moderação, tendo em vista a capacidade econômica do alimentante
e as necessidades da alimentanda, o que constitui o binômio alimentar
de que trata o art. 1.694, §1º, do Código Civil. 5. Descabe fixar pensão
de alimentos quando a filha é maior, capaz, apta ao trabalho. 6.
Tratando-se de uma decisão provisória pode ser revista a qualquer
tempo, bastando que elementos de convicção que justifiquem a revisão
venham aos autos. Recurso desprovido. (Agravo Nº 70041548645,
Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sérgio
Fernando de Vasconcellos Chaves, Julgado em 23/03/2011).

AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS.


ALIMENTADOS QUE ATINGIRAM A MAIORIDADE CIVIL, EXERCEM
ATIVIDADE LABORAL REMUNERADA E CONTRAÍRAM

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MATRIMÔNIO. SUSPENSÃO DA OBRIGAÇÃO ALIMENTAR.
INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1.699 E 1.708, AMBOS DO CC. No caso,
os filhos alimentados atingiram a maioridade civil, exercem
atividade laboral remunerada e contraíram núpcias, o que autoriza a
suspensão da obrigação alimentar. Inteligência dos arts. 1.699 e
1.708 do CC. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO. (Agravo de
Instrumento Nº 70059135046, Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça
do RS, Relator: Ricardo Moreira Lins Pastl, Julgado em 22/05/2014). (TJ-
RS - AI: 70059135046 RS, Relator: Ricardo Moreira Lins Pastl, Data de
Julgamento: 22/05/2014, Oitava Câmara Cível, Data de Publicação:
Diário da Justiça do dia 28/05/2014).

A maioridade civil é fator extremamente relevante, se não o


mais importante no pedido de exoneração do dever de prestar alimentos ao filho.
Em que pese não seja suficiente, isoladamente, para que o
alimentante fique desobrigado do encargo alimentar, ela modifica o ônus da
prova, que passará a ser dever do alimentando provar a necessidade de
manutenção dos alimentos. É o que diz a jurisprudência:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE EXONERAÇÃO DE


ALIMENTOS. REDUÇÃO. FILHO MAIOR DE IDADE. READEQUAÇÃO
AO BINÔMIO: NECESSIDADE-POSSIBILIDADES. A maioridade civil
não afasta, por si só, o direito de perceber alimentos, mas as
necessidades deixam de ser presumidas, cabendo à parte
alimentada comprová-las. (TJ-RS - Apelação Cível AC 70046685202
RS). Data de publicação: 21/03/2012.

Outrossim, os alimentos são devidos, via de regra, até que o


filho complete a maioridade ou cole grau em curso de ensino superior:

EMENTA:AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO


DE EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA,
MANTIDA EM GRAU DE RECURSO. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO
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ESPECIAL PELA ALIMENTADA. PEDIDO DE CANCELAMENTO DA
PENSÃO INDEFERIDO, ATÉ QUE SE FORMALIZE O TRÂNSITO EM
JULGADO. ALIMENTADA QUE JÁ CONCLUIU CURSOSUPERIOR
CONTRAIU MATRIMÔNIO. ART. 14 DA LEI DE ALIMENTOS QUE
DETERMINA O RECEBIMENTO DA APELAÇÃO NO EFEITO
DEVOLUTIVO EM AÇÕES DE REVISÃO E EXONERAÇÃO.
JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUE SINALIZA NO SENTIDO DA
EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO ALIMENTAR NESTES CASOS.
ALIMENTOS QUE DECORREM DA NECESSIDADE DO
ALIMENTANDO E POSSIBILIDADE DO ALIMENTANTE. DEVER QUE,
EM REGRA, SUBSISTE ATÉ A MAIORIDADE DO FILHO OU
CONCLUSÃO DO CURSO TÉCNICO OU SUPERIOR. (TJ-RJ -
AGRAVO DE INSTRUMENTO AI 00542343920148190000 RJ 0054234-
39.2014.8.19.0000). DATA DE PUBLICAÇÃO: 28/11/2014.

DOS PEDIDOS

Diante o exposto, requer a Vossa Excelência:

1- A concessão dos benefícios da Assistência Judiciária


Gratuita ante a carência material comprovada, conforme Declaração de
Hipossuficiência em anexo;

2- Que sejam tomadas providências a fim de identificar as


informações faltantes da parte requerida (endereço eletrônico), caso haja
necessidade nos termos dos parágrafos 1º e 2º, do art. 319, do Código de
Processo Civil Brasileiro;

3- a citação do requerido, para, querendo, contestar o feito,


assim como a concessão de tutela de urgência, liminarmente, de natureza
antecipada, tendo em vista estar presente no caso a probabilidade do direito e o
perigo de dano (artigo 300 do Código de Processo Civil), para determinar a

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imediata suspensão do pagamento da pensão que paga mensalmente ao
requerido;

4- A não designação de audiência de conciliação ou


mediação;

5- A intimação do ilustre representante do Ministério Público,


para acompanhar o feito até final decisão;

6- No mérito, seja o pedido julgado procedente, para desta


forma exonerar, em caráter definitivo, o requerente da obrigação de prestar
pensão alimentícia para WESLEY DA SILVA NASCIMENTO, pelos motivos já
expostos.

Pretende provar o alegado pelas provas documentais


anexas, pelo depoimento pessoal dos requeridos, sob pena de confesso, e por
outros meios de provas permitidos pelo Direito que se mostrarem necessários
durante a instrução processual.

Estima-se para a causa o valor de R$ 998,00 (novecentos e


noventa e oito reais).

Nestes termos pede deferimento.


Rio Branco/AC, 07 de outubro de 2019.

Celso Araújo Rodrigues


Defensor Público

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ROL DE TESTEMUNHAS:

1- SEBASTIÃO BATISTA DE OLIVEIRA, brasileiro, casado, agricultor,


residente e domiciliado na Estrada da Limeira, Ramal do Coquinho, Km 01, em
Rio Branco/AC, telefone: (68) 9 9991-2977;

2- MARIA IVANILDE LIMA DE OLIVEIRA, brasileira, casada, do lar,


residente e domiciliada na Estrada da Limeira, KM 11, Ramal do Coquinho, Km
01, em Rio Branco/AC, telefone (68) 9 9987-9262;

3- LIANA MARIA DE CASTRO MAIS, brasileira, divorciada, funcionária


pública, residente e domiciliada na Rua Pará, nº 94, Nova Esperança, em Rio
Branco/AC, telefone: (68) 9 9214-3567.

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