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A EMIGRAÇÃO MADEIRENSE aqui o reverso d a medalha, sendo esta a solução ma is ambicionad a


N A SEGUN DA METADE DO SÉCU LO XIX pelos seus interlocutores. Talvez, por isso rn.-smo, foram efémeras as
medidas d e combate a esta forma intra-human a de recrutamento da
Alberto Vieira mão-de-obra substitutiva dos escravos, nas plantações c minas.
A em igração madeirense, na seg un da metade do século XIX, não
pode ser di ssociada d esta conjun tura. Mas ela afirma-se como um
fenómen o com ple xo da sociedade madeirense, que não pode ser
vislu m brado apenas à luz desta ambiência. A tais condições externas
ju ntam -se outras, d e ordem interna, mais complexas, q ue condicio­
naram, em última instância, a diáspora m ad eir ense. Na ilha es tavam
cria d as as cond ições para que ela av anç asse. A conjuntura económi ca
ressente-se do movimento depressi onário da cu ltura e com ér cio d o
v inho, pois, a partir d a d écada d e quarenta, faltaram mercados para
..A emigração lu: Uni grande mal; esta pobre terra vai f ica r os exce den tes d e v inho. Tudo isto atingiu gravemente a es trutura
deserta, mas (11I/1'$ comtempta-la 110 seu estado primitioo do que socioec on óm ica mad eirense, levando a ilha e as suas gentes a um
coberta de cadáveres emaciados pr/a[omc". José 5 iloestre Ribeiro, 6 to tal es tad o d e prostração . Esta viragem é descrita, de for ma perspi­
de Fevereiro de 1847. caz , por Dani el D'Ornelas no di scu rso q ue proferi u na câmara d os
d eputados em 1843:
A segunda metade da cen túria oit ocentista é um momento d e - "O com ér cio da ilha da Madeira, outrora f1orescente, rico e
p articular interesse no dev ir histór ico ins ula r: a eco nomia e socieda­ provei toso para a mãe-pá tria, acha -se hoje pr ostrad o e ag onizante.
de insu lar es foram alvo de mud anças q ue m a rcar am, d e m od o Em o séc ulo passado, e muito an tes d as gue rra s co m a França , no
ind elével, o quotidiano d as suas gentes. Aqui ass ume especial relevo tempo da república, era o comércio d aquela ilh a regular e proveito ­
a evolução do movimento de m og ráfico. Ela foi ca racterizad a por so (...). Durante a guerra, chamada da independência, não teve limi tes
d uas situações opostas: a forte pressão d o crescimento demográfico a prosperidade daquela ilha : foi ela talvez, falando em propo rção do
em d issonância com o apejo constante ao movimento emigratório. seu tamanho, o ponto mais rico do Universo. Os seus vinhos não
Esta conjun tu ra da diáspora é resultad o, também, de uma si tu a­ bastavam para satisfazerem as ordens d os consumidores .(...) Um a tal
ção assimétrica do pro cesso socioeconóm ico, en tre os lugares d e prosper idade não podia ser permanente: morreu com a q ueda do
d estino e d e partida: nos arquipélagos da Mad eira, Açores e Can árias grande hom em . Com a pa z geral foi dimin uindo o comércio, porém
vive- se sob os efeitos d a recessão económica, e nq ua n to d o ou tro lado a grande de cad ência não se sen tiu ao v ivo senão quatro an os depois,
do Atlântico é o momento d e euforia, que não poderia ser travado em 1819"1.
pela po lítica ab olici onista da escravatura, uma ve z que esta era a E a situ ação de crise parecia querer eternizar-se ao longo do
principal fonte de mã o-d e-obra . Perante isso, a solução foi encontrar sé culo XIX, mantendo-se o espectro tenebroso no sistema d e trocas
outra for ça d e trabalho. E a Europa em recessão era o campo ideal mad eiren se. A tudo isto acresce, ainda, nos anos d e 1844-46, o p rose­
p ara o recrutamento. litismo religioso, protagonizad o por R. Ka lIey, que ve io a forçar a
Neste contexto, os ar quipélagos atlânticos assumem um a posição saída dos se us apaniguados. Por isso, a emigração madeirense, d e
relevan te e, entre elas, a Madeira es tá numa p osição cimeira. Aqui o acordo com o articulista de A Reforma, em 1858, é um fenómeno
ilh éu, desapegado da te rra pelo regime sucessórico e d e mando com plexo, com várias or igens:
eco nómico, incapaz de encontrar qualquer form a de subsistência, - "Os acontecimentos religiosos porque passou es te distrito
não tinha outra solução sen ão abandonar o seu próprio meio e ir deram lugar à espantosa emigração do ano de 1846, e estes seguidos
rumo a esses destinos, aliciado pelas propostas d os engajad ores, a da fom e de 1847 tornaram a emigração assustad ora - d ep ois a
substituir o escravo. Por isso, muitos políti cos da época consideravam depreciação do preço dos nossos vinhos, em seguida a completa falta
esta form a de recrutamento de mão-de-obra como uma nova escra­ d eles, tudo isto fez que até 1854 a emigração con tin uass e com m ais
vidão, is to é, a escravatura branca. A política abolicionista mostrava força'",

108 109
Tudo isto corresponde à rea lidade, po is a primeira grande leva Será possível o es tabelecimento de uma relação causal entre a
da emigração madeirens e na centúria oitocentista teve como p rinci­ fome, como corolário de uma crise económi ca, e a em igração? Se à
pal motivo a questão religiosa em torno d o Doutor Robert Reid primeira vista os dados d isponíveis poderão apontar para a existên­
Kalley. Este, pastor protestante e distin to médico, que se fixa ra na cia dessa relação, uma análise mais aturada conduz à constatação de
Madeira em 1838 com o intui to de enco ntrar cura p ara a tu berculose q ue o movimento emigratório madeirense suplantava isso. Senão,
da sua mulher', tornou-se no principal chefe do movimento anglica­ como ente nde r a manutençã o das saídas em períod os de estabilidade
no , arrastando consigo as gentes d e Santa Cruz e Machic o. Tod av ia , económica?
as hostilidades, originadas pelo clero tradicio nal do Fun cha l, leva­ A emigração man teve-se como lima constante da s ociedade man­
ram à sua saída forçad a em 1846 acompanhado de ma is de dois mil d eirense, na segunda metade do século XIX, alimentada pelas inces­
madeirenses: primeiro d irigiram-se às Ant ilhas menores (Trini d ade, santes solici tações d o me rcado intern acional da mão-de-obra 10. Deste
'\ntígua e St. Kitt s) e daqui, alguns, passaram a 111inois na Amé rica modo, a emigração ma deirense não é apenas, como o refere Álvaro
do N o rte". Rod rigues de Azevedo, o único meio "por onde o desolante problema
A segunda fase da d iás pora, m ais importan te que a primeira, da situação d a Ma deira, procura n atura l e inconscientemente resol­
surge a partir de 1847, se ndo resultado da grave crise vitivinícola . ver-se"!', mas, também, o resultado d as exigências emanentes das
Aqui o colono ou lavrador, perdidas as esperanças de uma imedia ta trans formações sociais das colón ias europeias .
recuperação do mercado do vinho, deixou-se aliciar pelas propostas As iniciativas lançadas na ilha para debelar es te mal não surtiram
enganosas, de trabalho e bem-estar, nas colónias britânicas. U m facto efeito . Tudo isto porque faltou às autoridades me ios para as levar por
interessante, nes ta conjuntura de fuga à fome, é que o movimento diante e, também, porque a so lução não dependia única e exclusiva­
retrai-se na época das vindimas, entre Agosto e Outubros, isto é no mente da ilha , exigindo um compromisso alargado ao exterior, o que
momento em que era maior a procura de mão-de-obra na ilha . nunca se conseguiu. Neste sentido, a intervenção de José Silvestre
Ribeiro, quando governador civil do Funchal, apenas permitiu mo­
Todavia, na década de cinquenta, irremediavelmente perdida esta
derar, por um lapso de tempo, o movimento emígrat ório 'ê. Foi ele o
única fonte ge radora de tra balho, o madeirense só tinha uma saída:
primeiro a definir uma política pragmática de combate à emigração.
a em igração. As gentes do norte abandonaram as terras e os seus
Fora disso, as dema is iniciativas eram, sempre, pontuais e iam ao
miseráveis casebres dir igindo-se à cid ad e onde esperavam urna
encontro das exigências do momento.
oportunidade para o salto até às promissoras Ant ilhas",
Nunca se conseguiu atacar um dos principais problemas da
A partir de 1854 dá-se urna paragem no movimento, nom eada­ sociedade madeirense - o contrato de colónia, por exemplo - q ue
mente de clandestinos, mercê de uma melhoria d as condições da ilha estava na origem da d iásp ora 13. O madeirense carregou consigo este
p ropiciad a pela iniciativa d os governadores civi s". Assim, d e aco rdo pecado or iginal, d esd e a ocupação qua trocentista da ilha até à actua­
com o ar ticulista de A Reforma, em 1858, "o lavrador tem hoje q ue lidade.
comer, e se emigra é porque uma vontade cega o leva à procura d a O lan çam en to de obras públicas, como a p onte d o Ribeiro Seco,
riqueza:". e a abertura de novas estradas não resolviam os problemas sociais,
Esta vo nt ade ceg a era acalentad a pelos aliciadores ao serviço do apenas os aten uavam, momentaneamen te':'.
Governo inglês que procuravam na Mad eira a so lução p ar a as suas As so luções, saídas d o Govern o Civil ali das Cortes, apoiadas ou
necessidades da m ão-de-obra nas pl antações e m ina s nas Antilhas. crit icadas nas colunas dos jornais, não foram suficien tes para atacar
O fim d o trá fico negreiro obr igava à procura de novas soluções, e es ta o pro blema, pois a emigração continuou com o uma rea lida de ind e­
era uma delas, cer tamente a m ais eficaz. léve l neste final de século. Duas mereceram o interesse da impre nsa
N a década de se tenta, o fenómeno emigratór io ganha nov o vigor. local. São elas: em 1853, a sa ída oficia l de algumas famílias para a
Para iss o contribuíra m o ace lerar d a cris e económica e o ref orço das colonização de Mo çâm ed es", depois, no an o imedi ato, o envio, sem
p romessas aliciadoras. Note-se que as doenças que a tacaram a cul­ êxito, d e alg uns para o reino a fim de trabalharem nas es trad as em
tu ra da vinha (o oídio em 1852 e a filoxera em 1872) deitaram p or constr u ção".
terra a {mica esperança económica dos mad eirenses. Desta vez, o Alguém, mais atento, ano tava, nas colunas dos p eriódic os locais,
rumo é diferente: as ilhas Canecas (San d w ich ou H awai)", que a solução para a crise deveria ser encontrad a loca lmente. Ass im,

110 111
par a a Discussão, o problema só pod ia ser debelado com a "liberd ad e de . Ap enas um exemplo p od e testem un har isso . Em 1853, o jorna l A
da terra, vulgariza ção do crédito, da colonização directa':". O Clamor Ordem apo nta va a saída, d esde 1840, de 40 mi l para Demc rara .
Público, p or seu turno, anu n ciava que as pesadas penas lançadas enquanto O Progressista cm 1852 dava conta da sa ída. entre Setembro
sobre os em igran tes nã o resolviam o problema, só "dando trabalho de 1834 c Julh o de sse an o, de 18.246 com passaporte e riu dobro de
aos lavradores, liber tando a terra, vulgarizado o créd ito para as clandes tinos -' , Colocad o pera nte es ta realidade, qualquer ten tati va
emp resas ag rícolas, com uma boa lei da colónia"IR. de q uanti ficação está condenada ao fracasso .
À falta destas medidas, o grito pungente lan çado nas colunas de Os dados anteriorm ente citad os ap ontam para urna média an ua l
O Funchalense, não surtia efeito: de saídas de 716 em igr antes, rep resent and o um quar to da po pu lação
- "Não, dizemos nós, não emigrem, não se vendam <lOS trafican­ média da Madeira no pe ríodo em causa. A maior incidência deste
tes de carne humana, não vão ser escravos cm Dern erara e no Brasil , movimen to foi, como já O referimos, nas d écadas de quarenta e
não é lá que está o remédio aos ma les que sofrem; é aqui que hão-de cinquenta:
en contrar, conservan d o-se como cidadãos livres, e usando do direito
que a lei funda men tal do estado faculta'?". N" I}'O
18 13-40 - 470 2
Por aqu i se cons tata que o fenómeno d a em igração madeirense,
na segunda metade do século XIX, é comp lexo e ainda não foi
1841-5(1
1R51-IíO
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2K
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estabelecido na sua plenitude. O texto que agora se ap resenta é 18b1-70 - ·Hlf;2 17
TOTAL 2417'i
ap ena s p art e d esta análise, enquadrando-se num plan o de pesquisa,
mais amplo, sobre as condições soc ioeconó micas d a ilha na centúria
oitocen tista . Por isso, aqui e agora, a nossa in tenç ão é es tabelecer as
A Am érica surge como o p rincipal po rto de des tino da c nu gra ção
linhas gerais da conjun tura, a trav és d a defin ição do movim ento
madeirens e no século XIX, pois 98'1,) d os emigran tes sa ídos di) Ma­
emigra tório, da po lítica es tabelecida pelas autoridad es e d o seu eco d eir a rumaram a essas par agens, nas suas três verten tes _ . An tilhas,
na imprensa local. Amé rica d o Norte e Brasil. As An tilhas inglesas d estacam-se como o
N este tr abalho privilegi amos as fontes oficiais e os jornais da principal mer cad o recep tor da mão-de-obra madeirense, recebe ndo
ép oca. No p rime iro caso excluímos o levantamento dos passaportes, 86% dos saídos legalmente. Aí, es tes d istribuem-se de forma irregu­
dequeexiste u m núcleo riquíssim o no Arqu ivo Region al da Madeira, lar por St. Kitts, Suri name, Jamaic a e Dernerara, áreas sobejamen te'
porq ue os números daí extraídos seriam de pouco significado, num conhecidas d o made irense e ligad as com a ilha at ravés d o comércio
momento de grande emigração clandestina" , Esta última situação do seu vinho. Demerar a foi o pr incipal des tino dos emigrantes, tend o
es tá devidamente d efinid a quando pretendemos estabelecer o nú me­ receb ido 70%.
ro exac to de mad eirenses e açorianos que rumaram ao Havai, en tre
1878 e 1899. Aqui, o tota l varia entre os 5524 e os 6043, incluíd os 63 DESTINO Et'vUGRANTES
cland estinos e 5 recém-nas cid os a bordo" . Acresce, ainda, o facto de NII ( ~)

termos encontrad o inúmeros quadros estatísticos que reflectem as Áfr ica em gera l 12
Africa do Sul 55
linhas forças d o movimen to. An tilhas - ge ra l 199 J1 H6
- Demo rara 16398 70
Brasil 2m 12
E.UA 511
o movimen to emigratório Euro pa 7
índia 10
Os n úmeros que expressam este movimento, em bora av ulsos ,
elucidam-nos d a di mensão que o mesmo assumi u na sociedade
madeirense d a segund a me tade d a cen tú ria oi tocentista. Os d ad os Para o período de 1841 a 1889, Demerara man teve uma posi ção
disponíveis para o períod o de 1834 a 1872 referem- nos a saíd a d e d ominante na emigração madeirense, tendo recebid o 36724 ernigra n­
24.376 madeirenses, va lor que de verá estar mu ito aquém da realid a­ tes 23, no período d e 1841 a 1889, de acordo com o seguin te quadro:

112 113
ANO N" % ANO N" (Yo EMIGRANTES
1841 4025 10 1855-63 4629 11 LOCALIDADE INDIVíDUOS FAMfuA5
1846 4545 11 1872-79 6624 16 Machico 166 46
1847 4720 11 1882-89 13750 33 Água de Pena - I
1853 3060 7 TOTAL 41353 Santo António 231 46
Caniço 10 2
TOTAL 418 95
Tais números, a serem verdadeiros, dão conta de dois momentos
Tam bém a relação dos emigrantes portugueses no Hawai, feita
da emigração para Demerara: a década de quarenta e as de setenta e
oitenta. O último coincide com o aparecimento de um novo destino, por Joaquim Francisco de Freitas em 1930, permite o mesmo tipo de
o Havai. abordagem. Por aí poderá concluir-se que as famílias emigravam em
Uma relação dos navios saídos com os em igrantes, no período de conjunto, mercê dos mecanismos oficiais de recrutamento imple­
11 de Maio de 1854 a 11 Janeiro de 185524, reforça mais uma vez a mentados pelas autoridades do arquipélago. Estas eram, p or norma,
posição dominante de Demerara: famílias numerosas. Talvez por iss o mesmo nos valores globais da
emigração, no período de 1857 a 1872, surge um certo equilíbrio entre
DESTINO NAVIOS o sexo feminino e masculino.
N° %
Anlígua 88 15 SEXO EMIGRANTE5
Demerara 376 62 N° %
N. York 53 9 Masculino + 14an05 1201 41
Peru 4 1 - 14 anos 460 15
Rio de Janeiro 81 13 total 1661 56
TOTAL 602 Feminino 1315 44
TOTAL 2976

Aqui devemos realçar a iniciativa de alguns proprietários e A si tuação tornar-se-a mais exp lícita quando analisamos isolad a­
consignatários de navios. São eles João de Freitas Martins e Diogo mente os dados da emigração para o Hawai no período de 1878 a
Taylor". O primeiro era proprietário de três embarcações: "Christi­ 1913:
na", "Divina Providência", "Funchal".
Demerara é, assim, nas décadas de quarenta e cinquenta, o N° %
Homens 7806 34
Eldorado do madeirense, disputando esta posição nas décadas de Mulheres 5536 23
setenta e oitenta com o recém-descoberto paraíso havaiano. Crianças 10232 43
Para o período de 1855 a 1863 é possível estabelecer uma relação TOTAL 23574
das áreas de partida e de destino da emigração nacional. O grande
destaque vai para o Brasil, que se assume como o principal destino Qual o balanço possível da primeira leva de emigrantes para
da emigração nacional, tendo recebido 86% dos emigrantes . E aqui o Demerara? Poder-se-a considerar positivo para a ilha as gentes emi­
Rio de Janeiro assume um lugar cimeiro com 89% desses. Excluídos gradas ? N ão obstante subsistir no século XIX o epíteto de Dernera­
os distritos da Horta e Funchal, poder-se- à afirmar que a emigração rista", a qualificar os retornados da colónia inglesa que, em muitos
portuguesa tinha um único destino, as terras brasileiras" . momentos, é sinónimo de riqueza, podemos concluir que o saldo foi
Esta emigração oitocentista, ao invés do que sucede na actuali­ negativo. Os dados q uantitativos estão aí para o provar. As sim, dos
dade, é, maioritariamente, definida por uma saída de agregados quatrocentos e dezoito emigrantes orientados a este destino até 1849
familiares e não dos seus membros isoladamente. Alguns dados só cinco (1%) regressaram à ilha enquanto duzentos e vinte e quatro
estatísticos anotam, por vezes, o número de famílias q ue emigraram. (45%) pereceram com a febre ou agruras do calor tropical". Para o
No sald o d a emigração até 1849, feito pela Flor doOceano",dá-se conta ano imediato, d os dois mil cento e noventa e nove madeirenses que
di sso: saíram rumo a esse destino, morreram duzentos e cinquenta e q uatro

114 115
(12% ) e apenas d uzen tos e vinte um (10%) regressaram, sendo destes que para aí seguiam". A partir dele sabe-se da sa ída, em ] 883, de 2293
cento e vinte doentes. Por outro lado, a fortuna acu m ulada n ão er a madei renses nos nav ios Hancow, City of Paris e Bourdeaux.
alician te com o o comprovam os nú meros: apenas cento e se te (48<10) Esta forma d e em igração contribuiu para o rápido enraizamento
con seguiu melhorar a sua situação econ ómica, enquan to cinquenta do madeirense na sociedade dos locais d e destino. Em Demorara ou
(23%) nada lucrou com isso, an tes pe lo con trário, viu-se em apuros", no Hawai os ilhéus mant iveram vivas as tradi ções cultura is, algumas
A emigração par a as ilhas Canecas (Sandwich, Hawai) surge a delas delas assimiladas p or essas sociedades". Aí as associações
partir d e 1878 mercê da acção da agên cia d e W . H . H illebran d, criadas a partir d e ]877, bem como os periódicos de língua p ort ugu e­
resid ente à da ta no Funcha l" . Este, a solici tação do governo de sa, tiveram um papel importante" . Por outro lado, es tas cond ições
Hon olulu, lan çou en tão u m nov o destino e rot a da emigração mad ei­ condiciona ram a rápida inserção do madeirense e açor ian o na socie­
rens e. O primeiro grupo de casais segu iu no navio Priscilla e de mo­ dade havaiana , surgindo alguns em lugar d e d estaque na economia
rou cento e vin te d ias a alcançar o arq uip élago'", A duração e dureza e política do n ovo est ado, sendo de referencia r o Bispo D. Estêvão d e
d o cruzeiro, d o Funcha l a este recônd ito arquip élago no Pacífico, não A lencastre (1876-1940), na tural do Por to 5an t0 39 .
foi óbice à abert ura deste novo destino, p ois as promessas aliciadoras Aqui, no Hawai, a ad ap tação d o madeirense às novas cond ições
das au torida des com pensavam bem o risco da demorad a v iagem 33• ecossis térn icas e laborais foi fácil, pr ime iro porq ue estávamos p eran­
1\ chegada a Honolulu, a 30 de Setembro de 1878, o navio Priscilla te um ar quipélago e o ma deirense, como ilhéu que era, não se senti a
com o primeiro grupo de madeirenses foi saudado com natural estranho ao meio, depois a faina agrícola quc os es perava era do seu
regozijo pel a imprensa da com un idade havaiana, como se poderá ver conhecimento. A Madeira tinham uma longa tradição na cu ltura d a
pelo "Padfic Cornrnercial Advertiser", de 5 de Outubro". No período cana-de-açúcar e os madeirense afirmaram-se como exímios t écn icos
de 1878 a 19 13, a entrada de emigrantes portugueses fez-se de acordo da safra açucareira . Nes te momento, os emigran tes estavam já farni­
com o seguinte quadro: liarizad os com as novas técnicas mercê do esplendor que a mesma
cultura desfru tava entre nós.
AÇORES MADEIRA AÇORES CONTINENTE TOTAL
MADE IRA ILHAS
No Hawai o madeirense sentia-se vi zinho, enq uanto cm Derne­
Homens 2025 151 7 1667 2597 7806 rar a, mercê d e condicionalism os de vária ord em, era um estran ho,
M ulheres 1420 1020 1291 1805 5536 pelo q ue, esg otadas as s uas forças ou amea lha da a pe quena fortuna,
C ria nças 3088 1815 2442 3197 10542 regressa à s ua terra natal. Por outro lad o, a grand e d istân cia a que o
TOTAL 6533 4352 5400 7599 23884
Hawai fica da Madei ra não apelava a um imed iato regresso. Só na
actualida de, com o desenvo lvimento d os meio s de transporte aéreos,
Das vi nte e set e em barcações que ap a rtaram ao referido arquipé­
esta espe ran ça se torno u realidade, mas pa ra a ":'2gunda e terceira
lago , de z er am provenientes da Mad eir a, nove d os Açores e oito
gerações.
tiveram escalas diversas na Mad eira, Açores e Con ti nen te. As primei­
Talvez, por tudo isso, açorianos e madeirenses un em -se mat ri­
ras, oriundas da s ilhas, transp ort aram 18.285 (78% ) ins ulares , se ndo
monialmen te dando azo a uma rea lida d e societal crioula resul tad o da
4.352 (18%) da Mad eira e 6.533 (27% ) dos Açores.
ass imilação das tradi ções mais afirm ativas d e cada arquipé lago. A
Com a ass inatura em 1882 do tra tad o d e emigra ção en tre Portu­
relação biográfica pub licad a em 1930 por Joaquim F. d e FREITAS4Q
gal e o Hawai ficar am esta be lecidas as regras reguladoras do mo vi­
dá conta disso: cento e trinta c sete realizam-se entre açorian os,
mento emigra tório da s ilhas e con tinen te p ara es te arquipélago, ao
oi ten ta c nove entre madeirenses e n oventa e q ua tro entre os em i­
mes mo tempo que estava m criadas as condições para que ele aumen­
tasse. Para a Mad eira é neste momento qu e se atinge o ma ior valor gra ntes d os dois ar quipélagos, com especial referência, nes te último
da em igra ção. Esta ambiência condicionou a taxa de crescime nto da caso, para o enlace de rnicae lenses com madeirenses .
população na Mad eira. Assim, este val or que, entre 1864 e 1878, h avia
sid o de 18% passa p ara 2% n o período de 1878-9035 . A conjun tura A emigração clandestina
agravou-se, porque estávamos perante um a emigração familiar.
A emigração pa ra estas pa ragens tinha um tra tamen to privilegia­ A emigração clandestina é um factor determinan te do movimen­
do. No governo civil existia um livro para o registo dos pa ssageiros to emigratório mad eirense nas déc adas de quaren ta e cinquenta. Aí

116 117
as Américas, dominadas pelas Antilhas e Brasil , assumem um a p o­ lei de 25 de Maio de 1825: ao capitão do navio a pena de quatrocentos
sição ímpar. Por isso mesmo se torna difícil abalizar o valor numérico mil réis, enquanto os passageiros, de acordo com a lei de 9 de Janeiro
desta sangria na população da ilha. Os números apontados pela de 1792, sujeitavam-se a cem mil r éis de multa.
imprensa madeirense da época são assaz elucidativos: de Setembro Estas medidas não alteraram em nada os planos da emigração
de 1834 a Junho de 1852 apontava-se que as saídas clandestinas eram clandestina, apenas aumentaram o risco dos seus intervenientes. Um
o dobro das legais": em 1845-46 são referenciad os 6 mil clandesti­ exemplo disso é tes temunhado em Janeiro de 1846: o oficial do reg isto
nos42; na Ponta do Sol no período de Abril de 1841 a Outubro de 1852 da Alfândega encontrou a bordo do bergantim Claudine, com destino
outros q uinhentos clan destinos'P. a Demerara, cinco passageiros sem respectivo passaporteê' e passa­
Demerara afirmou-se como o principal des tino da emigração dos dois meses o administrador do Concelho do Funchal surpreende
clandestina. Em O utub ro d e 1846, dos 16.297 emi grad os para aí 5.548 nos Piornais oitenta e oito p essoas q ue pretendiam embarcar clan­
(54%) foram sem passaporte?', Em 1846 apor tar am aí três embarca­ destinamente para a barca inglesa Newilla" .
ções com 547 passageiros clandestinos: a embarcação inglesa, Pa lm i­ Até 1866 são frequentes as referências à intervenção de embarca­
ra, conduziu cento e sessenta, enquanto o brig ue português, Visconde ções de cabotagem no apoio a este tráfico clandestino. A costa do
de Bruges, que saíra do Funchal com vinte e cinco passageiros, desem­ Caniço à Ponta do Pargo oferecia enseadas adequadas a tal tipo d e
barcou quatrocentos e dez" e outro bergantim português, Duas Anas, abordagem . O contacto com as embarcações de saída fazia-se, habi­
con duzira cento e se tenta e um p assageiros quando no Funchal tualmente, a partir do Caniço, Praia Formosa, Paul do Mar e Ponta
haviam embarcado apenas se tenta e um com passaporte". Esta últ i­ do Parg055. Na última localidade foram apresadas, por diversas
ma embarcação, se te anos após, rumou ao mesmo destino levando a vezes, embarcações saídas do Funchal com destino a Demerara.
bordo cento e setenta e três passageiros clandestinos". Tais n úmeros Destas destaca-se, em 1847, o bergantim português Mariana que, após
são suficientemente elucidativos para demarcar a importância que quinze di as de saída do Funchal, ainda se en contrava na Ponta do
assumiu na Madeira a emigração clandestina, ao mesmo tem po que Pargo com o pretexto de fazer aguada. Numa inspecção a bordo
demonstram a ineficácia da intervenção das autoridades locais no encontraram-se cento e oitenta e sete passageiros, das quais apenas
se u controlo. trinta e quatro com passaporte",
Desde o sécu lo xvrn q ue estava estabe lecido, por alvará de 4 de As Desertas surgem, também, como local de ap oio a este tráfico
Julho d e 175848, a obrigatoriedade do us o do passa por te, como forma clandestino. Aí foram encontrados, por diversas vezes, barcos costei­
de coibir a saída anómala de gentes da ilha. Tod avia, estavam longe ros a aguardar a p ass agem dos na vios para Demerara. Entre Feverei­
os tempos da grande emigração e de afirmação desta forma de sa ída. ro de 1845 e Abril de 1847 foram aí apresadas duas em barcações que
Até à d écada de quarenta só temos notícia de uma situação isolada conduziam clandestinos do Caniço para a escuna portuguesa Eug énia."
que teve lu gar em 178()49, com a saída sem passaporte de d oze O recurso às Desertas a a Ponta do Pargo como locais de recepção
portugueses para bordo de um navio inglês. de clandestinos foi resultado da acentuada v igilânc ia estabelecida
Com o alvorecer d a emigração para as colóni as britânica s, o para o porto do Funchal e áreas circunvizinhas-", No iníci o, este
govern o civil reclama esta med ida m od er adora do movimento emi­ serviço era realizado no Funchal, sendo os emigrantes reunidos num
gratório: em 1841, o governador civil chama a atenção ao oficial d e armazém à Rua do Sabão" e, depois, embarcados pela noite para
visitas do porto para q ue não permitisse a sa íd a d e qualquer em ba r­ bordo das embarcações, mas a apertada vigilância d a alfândega e
cação p ar a Demerara sem antes veri ficar se os seus passa geiros eram admi nistração do concelho cond icionar am a sua dispersão pela costa
portad or es do passaporte e da licença respectiva da fregue sia q ue os sul da ilha.
isentava de qualquer serviço ou encargo". Todavi a, só em Outubro A intervenção das autor idades desdobrava-se en tre um apertado
de 1845 surge o primeiro caso com o ap rision amento de trin ta e um controlo às emb arcações que sa íam do Porto do Funchal e o estabe­
indivíd uos no Porto Moniz, quando se preparavam p ara embarcar lecimento de um sistema de vigilância de tod a a costa e ilhas Deser­
no ia te Gloria de Portuga l com destino a Dernerara" . Pera nte isso, o tas: primeiro u so u-se o ba rco d o contrato do tabaco'", d epois
governador civil m an dou publicar um edital'? sobre a em igração estabeleceu-se um serviço de barcos para rondar a costa nas datas
clan d estina alertando os int erv enient es e cúmpli ces para as penas p róx imas d a sa ída d e qualq uer embarcação", A par disso, o admi­
que incorriam, de acordo com a portaria de 19 de Agosto de 1842 e a nistrador do concelho tinha ao se u dispor doze bai onetas para a

118 119
ronda nocturna do li toral da cid ad e'? e, em tod a a cos ta da ilha, d e 1851, Joã o Pe stan a, sa pateiro, movera um au to con tra Francis co,
con tava com o a po io dos cabos da polícia e artilhei ros -' . o poeta, por induzir e aliciar a m ulher e filh o a em igrarem para
Em Julh o de 1846. a saíd a cio bergan tim D uas Afilias el ucida-nos Demorara: em Agosto d o mesmo ano, João Vieira ignora a mulher e
a fo rm a como era activad o es te plano d e vigi lânc ia. O ad m in istrador filh os e entrega-se às promessas aliciadoras de Dernerara' ": em 1853,
d o concelho montava, p or se is dias, um serviço de v ig ilâ ncia em toda uma mãe abandona d u as crianças em S. Jorge, enq u anto uma rapa­
a costa, contando com o apo io dos reg edores, cabos da polícia e d e riga d a Boaventura foge p ar a o Funchal, aliciad a p or Joaqu im A. dos
duas em barcações de ronda? '. Rci s 77•
A caba l intervenção d as autoridades dependia do apoio d e um a
e mba rcação de guerra, d a í a solicitação em 184765 d e uma escuna d e
guerra, o que veio a suceder com o envio do br igue de guerra Douro, A política de emigração
mas a falta de dinheiro levou a sua substit uição por u m a escuna,
retornando em 1853 o ante rior tipo de embarcações". A polí tica da emigraç ão madeirense não se afast a da seg u ida n o
A permanência e insistência da p rát ica clandestina d a e m igração reino" . N a ve rdade, estamos p era nte um fenóm eno s u p ra-regio nal
atestam a pouca eficá cia das medidas p ro ib itivas ou d e vi gi lância, e que, aqui e aco lá, atinge cambia ntes locais . E é a í que se p oderá
a grande de ter m inaçã o do madeirense Oll empenho dos engajadores di fere nciar os as pectos típicos desta política ao ní vel da Mad ei ra .
e se us ac ólitos. Dest e modo, a queb ra acentuada do mov im en to, a
Aqu i, a ex emp lo do reino, "a persisten te indicação rep ressiv a da
p artir de [863, d ev erá se r apontada não como uma co nsequência da
corren te emigratóri a fo i acompanhad a duma tole rância real "79 mani­
in tervenção re pres siva mas sim com o resultado da d iminuição da
festa não só no fecha r d os olho s à emigração clandestina mas também
p ro cu ra d e mão-de-ob ra n os tradi cionais d estinos. Daí que cm 1885
na política aberta de concessão de passaportes. T ud o d ependia da
es tas rncd Idas se tornem necess árias, uma ve z. q ue a emigração
conju n tu ra em que isso sucedia. Quanto a esta ú ltima si tuaç ão , as le is
cla nd es tina "com eça a faz er-se ma is profund am en te'?",
Factor de terminante no surto da e mig ração clandestina foi a e p o rtarias es tabelecidas para o rei no eram ta mbém enviadas p ara
acçã o dos en gajad o res, os principais sustentácu los do mov im ento. aplicação nas ilhas, mas q uase sempre se res u miam a ser tres lad ad as
Desde o s écu lo XVIII que eles actuam na ilh a, p elo que, em 1779, o para os tombos da adminis tração d o Concelh o, Câmara Municipal e
governad or int ervém junto do corregedor d o Func ha l no sen tid o d e Governo Civ il'".
se estabelecer medidas puni tivas. Neste a no foi p res o Á lva ro d 'Or­ Desde 175881 ficara estabelecido que nenh u m ma d eiren se p ode­
ne las Sisn eiro'" . Todavia, só a partir da década de tr int a d o século ria sair da ilha sem o res pectivo passapor te. H av ia uma trad içã o d e
seguinte a su a ac ção se torn o u preocupante". Eles atacavam em todas medidas limi ta tivas, raramente recordadas e pos tas em prática . A
as fre ntes, com particula r incidência para a vertente norte. Para e las se recorria a Câmara do Fu nchal em 1847H2, res ponden do a uma
dissimula r a sua rea l int erven ção surgem como adelos o u comp ra­ circu lar do Go vernador José Silvestre Ribeiro. Aí record a-se que a
d ores d e vinho?" Por meio d e ca rtazes afixa dos na porta das ig reja s, m elhor p rovidência es tava na vinculação do povo à terra q ue o v iu
e com a coni v ência d e a lguns importantes dos sítios, consegu em ali ciar nascer'",
muitos lav rad ores com a promessa d e enriq ue cimen to no Brasil, Foi, n a verdade, com este governad or que se estabeleceu uma
Antilhas o u Hawai?', O transpo rte era, muitas v ezes, g ra tu ito e o política p ragm át ica de co mbate à em igração. Mas o aspecto mais
ilhéu d everia desembolsar apenas cinco mi l r éis p ara os cus tos do in teressante d ela n ão é o apelo a med id as p uniti vas à saí d a d os
passaporte, quando n a rea lidade a le i p revia quatro mi l" , emigr antes como recl amava o município fu nc halense, m as sim a
Nas décadas de q uaren ta e cinquen ta es lão d oc u mentados quin­ defini ção de medidas capazes d e inibirem as gentes a esta fuga
ze ali ciadores no Funchal, Caniço, São Vicente, Ribe ira d a Ja nela, d esesper ada. Em síntese, tu do isso se res u mi a a o enco n tro d e solu­
Arco de S. Jo rge e Ribeira Brava" , Pa ra coibir a s ua acção, o govern o ções p ar a d ebe la r a fome e capazes de em p regar o máxim o de força
civil adoptara m edidas repressivas com a prisão e julgam en to, po­ d e tr ab alho inac tiva". Nes te último caso, tivemos o plano d e obras
dendo a p en a ir até quatro meses -de cadeia", d e co ns tru çã o civil, d e acordo com o novo plano v iário.
A acção dos a licia dores assum ia, por vezes, situações recambo­ A par di ss o, a acção psicológica foi outra das armas u tilizadas
Jescas, pelo menos é o q ue nos ind icam alg uns documen tos: em Julh o pelo governador p ara diss uadir os madeirenses a permanecer na

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ilha . Através de manifestos, divulgad os pe los ad minis tradores do com and ante do navio era obrigado a prestar uma fiança de q uatr o­
concelho, afixad os nas portas da s igrejas, ou impressos em folhas centos réis e a apresentar no prazo de seis meses um documento das
volantes nos jornais, o govern ad or fazia uso d os se us dotes literários autorid ad es ou do côns u l do porto de destino a indicar o número de
para apelar ao sentimento dos seus súbditos. Em manifesto, di stri­ passageiros des embarcados'",
buído em Agosto de 1852 pelo Clamor Público, é bastante evidente O passaporte era uma das exigências obrigatórias para todos os
este apelo heróico dos madeirens es: que desejassem sair. Mas nem todos tinham dire ito a ele, sendo
- Moradores das fregues ias rura is! Não abandona is a vo ssa negado a menores e rnancebos'", A este, desde 25 de Setembro de
ter ra! Não fujaes desses campos qu e vos sos pa es regaram com o se u ] 8419 1, deveria junta r-se um d ocumen to de freguesia referindo que o
suor! Não deixeis o tecto das vossas moradas, onde nasceram vossos possuidor estava livre de encargos e serviços" .
filhos! Não volteis as costas à vossa risonha ilha! Lembrai-vos que A política d e emigração d as au torid ades locais define-se por
perdeis Pá tria! Trazei à lembrança que m ui tas vezes tendes recolhido d uas formas de in ter venção prática. Primeiro o combate à em igração
abundantes fructos, em recompe nsa das Vossas fadigas! e que não cla ndestina e à acção perniciosa dos engajadores, por meio de med i­
convém ceder aos primeiros golpes de adversidade". das severas aplicadas a todos os infractores. Neste caso In clu ía-se,
Foram poucos os que entenderam a ora tór ia do governador, ainda, o re forço de v igilância da costa madeirense. Depois foi a
secund ad os pel os incessantes apelos dos administradores do conc e­ procura de so luções conjunturais capazes de trav ar o movimento de
lho ou pelos vigários das freguesias no se rmão d orninical'". Aliás, é fuga, com a fixação das gentes à terra o u com a tentativa d e desvio
o mesmo go vernador o primeiro a reconh ecer a nec essidade d e para regiões do reino e colónias em vias de coloniza ção" .
medidas práticas e eficazes: Da última merece destaq ue especial o envio de casais insulares
- "A fatal tendência dos madeirenses para a emigraçã o deve ser para a colonização da ilha de Santa Catarina e Rio Grande do Sul
atal had a, principalmente por me ios ind irectos. (1747-53)94, no resca ldo dos confl itos delim itadores d as fronteiras da
Se os proprietários se lembrarem um d ia de ir residir entre os região su l do Brasil. Depois da independência do Brasil , o problema
seus caseiros, para os guiarem com ilustrados conselhos ... a infeliz estava na necessid ad e d e canali zar este fenómeno para as colónias
sorte dos ha bitantes dos campos melhorará consideravelmente, e eles portuguesas, nomeadamente em África, também como resultado da
ganharão afeição à terra do seu pa iz, repetindo indignados as perfi­ política europeia neste continente. Por isso, na segunda metade d o
das s ugestões de impios e desalmados embusteiros que os arrastão século dezanove, a ap os ta estava em Moçambique e Angola, sendo
h oje para paizes Ionginquos'P, d e realçar, neste último cas o, o plana lto de Moçâmedes (1853 e 1888)95
Uma das grandes p reo cupações deste governador er a o combate e H uíla (1884-85t 6• A partir disso é conhecida uma efémera experiên­
à política de engajamento feito po r estr anhos. Para ele, as leis eram cia com o envio em 1854 de alguns madeirenses para Lis boa a
claras: trab alhar nas estradas?"
- "Som os liv res, e as portas da pá tria estão aber tas para quem Em 1882 foi criada uma comissão parlamentar para estudar o
quiser passar a ou tros pa izes. Mas sa ia somente q uem m uit o es pon­ problema da emigração madeirense e açoriana . De entre os seus
taneamente, e por bem próprio int eresse quizer sair; mas sa ia somen­ ob jectivos estava a op ção do desvio da emi gração para o Alentejo".
te aquele que tiver satisfeito aos regulamentos protectores de bem Est a opção me receu a crítica de A Ordem":
entendida policia: - mas saia somente o que não causar p rejuizo do - Des enganad os pela experiência e p elos dogmas d a economia
terceiro". política - d esta ciência filha do factor - não podemos, nem deve­
O com bate aos eng ajadores é antigo, sen d o d ocum ent ad o desde mos, felici tar os bons madeirenses p elo lris te expediente governati­
178OS7, altur a em que foi processado o com andante de um navio vo, q ue p rejudica, em vez d e favorecer os interesses d es ta terra, de
inglês q ue hav ia levado clandestinamemte para bor do 12 portugue­ encami nh ar a emig ração d os lavradores robustos, laboriosos e bem
ses. Esta política implacável con tra os engajadores contin uou na mor igerados para Moçâmed es e mesmo para o continente do reino,
cent úria seguin te. Assim, em 1842, em face da saída m assiva de po is aquele meio é assaz contraditório, porque em vez d e estancar a
madeirenses, fico u estabelecido, p or p ortar ias de 19 de Agosto e a de emig ração, como o req uer uma política de suficiente in teligência,
Dezernb ro'", contra os mestres de nav ios. Ainda, de acord o com a lei vem roubar-nos os lavrad ores selectos, vem promover em ma ior
d e 20 d e Julho de 1855 e a purtaria de 27 de Jul ho de 1857, o escala os efeitos d o moral de que baldadamente nos q ueixamos, há

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anos; queremos falar de falta de braços activ os que cu ltiv am os É dentro desta op ção que dever á ser entendida a guerra, sem
campos d esta ilh a, e que sã o a melhor fon te d e receita p úbl ica, como tréguas, das autoridades aos agentes d a em igração e aos seus cola­
é óbvio ao entendimemto m ais rasteiro; p or ém, é for çoso d izê-lo, boradores, como sejam os mestres de navio e barqueiros.
observ am os que esta verdade é desconhecida desses homens emi­ A saída de qualquer emigrante só podia ser feita com passaporte
nentes, desses gr andes génios q ue abr ilha n tam a nossa po lítica". que era conce d id o a todos de maior idade excluíd os os de 13 a 25
N a verdade, tal política nã o foi bem suced ida. Em 1746 foi abr angid os p ela lei do recrutamento militar e os man cebos!" , Toda­
via, era grande a apetênc ia para o recurso à em ig ração clandestina,
decidido promover o po voamento de Santa Catari na e Rio Grande
sujeitando-se os interessados a inúmeras privações para alcançarem
do Su l com casais vindos da Madeira. Para isso foi contratado Feli­
o bar co que os levaria a promissoras terras do outro lado do Atlântico.
ciano Velho Oldemberg pa ra proced er ao referido emba rq ue. Tod a­
A grande preocupação das autoridades estava no combate à
via, surgiram difi culdades no en vio dos casais matriculad os. O caso emigração clandestina. Ela desenvolvia-se em d uas frentes: por um
mais flagrante ocorreu com Manuel Bettencourt de Vasconcellos lado a condenação dos engajadores e seus colaboradores e, por outro,
Perestrelo e Joaquim Berenguer de Andrade que, depoi s de vende­ a definição de urn plano de vigilância em toda a costa da ilha ,
ram tu do, aguardaram q ua tro anos pa ra emba rcar'f? Mesmo ass im procurando evitar-se a fuga do s clandestinos. O combate sem tré­
da ilha saíram 226 casais, num total de 1277 emig rantes, maioritaria­ guas, d os engajadores, iniciara-se já em 1779 108 com uma primeira
men te d e Câ ma ra de Lob os, S. Ma rtinho, S. Vicente e Tábua 10 1. interv enção qu e culpou Álvaro dOrnelas Sismeiro.
Melhor suced ida terá s ido a emigração madeiren se para as terras O gra nde movimento de comba te ficou reservado para as d éca­
do s ul d e Angola, pois no períod o de 1884 a 1890 seguiram 1375 d as de quarenta e cinquenta do séc ulo dezanove. Os casos sucedem­
madeirenses que se adap taram facilmente a esta região e promov e­ -se com frequê ncia e a at enção d as autor idades foi reforçada no
ram, d e forma eviden te, a sua colonização!", O primeiro grup o de 49 sentido de evi ta r a fu ga ge neralizada das ge ntes . Du rante es tas duas
colon os chego u a Lubango a 19 d e Jan eiro d e 1885 103• décadas su cederam-se med id as re pressivas, bem como o ap risiona­
O fracass o desta política d e orientação d o sur to emi gratór io, mento d os in terveni entes, sejam en gajadores ou mestres de navios.
insistentemente reclamad a por Oliveira Martins'?', levou as autori­ No último caso, o capitão do navio, que fosse encontrado com
dades a op tarem por uma acção de sesp erada d e com ba te à emig ra ção clandestinos a bordo, sujeitava-se à multa de 400 mil r éis, sendo os
em diversas partes. Pressente-se nesta at itude, a exemplo do rein o lOS, clandestinos de 100 mil réis 109 .
a intervenç ão da burguesia rural, interessada em manter o excedente O cerco aos navios que entravam e saíam no porto do Funchal
de m ão-de-obra barata. A a titude do governador civil , José Sílvestre era permanente. Assim, para além do constante patrulhamento d o
mar madeirense e do alerta passado a todas as freguesias cos teiras,
Ribeiro, e a op inião veiculada por alguns periódicos como o Impurcial,
as embar cações sujeitavam-se a um controlo apertado. Deste modo
o Echo de Revolução e O Progressista, são as provas di sso.
estava proibido o contacto com qualquer navio mercante ou de guerra
Estas medidas não foram suficientes para frenar o movimento
fora do porto'". Além d isso, em 18791ll recomendava-se que as embarca­
emigratório legal e clandes tino. A situação da ilh a con tin ua va a se r
ções com emigrantes deveriam sair do porto d uran te o dia .
difícil, pelo qu e ninguém estava capacitado para res ist ir às p ropostas As embarcações inglesas, qu e tocavam com assiduid ade o p orto
risonhas do s aliciadores. Deste modo houve ne cessidad e de declarar do Funchal com d estino aos locais d e emigração, er am os alvos
guerra a este movim en to, procurando atacá-lo em todas as fren tes . preferenciais para a saída d os clandestinos. Por isso m esmo em
Tal in tervenção está devidamen te esclarecida numa circular de José 1845\12 o governador civil deu conhecimento ao cônsul inglês de tais
Silvestre Ribeiro: medidas proibitivas. Todavia, em 1848 113 foi ap resado na Ponta d e
- "Somos liv res, e as portas da pátria estão ab ertas para quem Pargo o bergan tim inglês Rowlay. com 16 clandestinos a bord o,
quiser p assar a outros p aizes . Mas saia so mente quem muito espon­ correndo, por isso, um lit ígio entre o governo civil e o consulado.
tâ neamente, e por seu próprio interess e qu iser sair; mas sa ia somente O governo civil, atra vés da adm inistração do concelho, e, com o
aquele que tiver satisfeito aos regulamen tos protec tores de bem apoio dos cabos de polícia, reged ores -!" e forças militares!", estabe ­
entendida polícia: mas saia sómente o que não causar preju ízo a lecera um pl an o d e v igilância da costa e mar circunvizinho, até às
ter ceiro"106. Desertas. Ele era activado no momento de emba rque no Funcha l,

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através de uma visita a bordo I16, sendo, depois, reforçad o a partir d o [aneiro!" a dar conta da dura realidade da vid a dos emigrantes. No
momento de saída da embarcação do porto. Era neste momento que, primeiro desti no , m uitos madeirenses sucu mbiram sobre o efeito d a
na calada da noite, se introduziam a bordo os clandestinos, em febre amarela 132.
qualquer parte da costa, em especial na Ribeira Brava ou Ponta de Para combater esta campanha contra a emigração, os agentes do
Pargo. Esta vigilância durava seis dias!", No ano de 1845 118 ela era Brasi l e colónias inglesas tra varam uma luta sem tréguas. Para além
feita pelo barco do contrato do tabaco. Entre Março e Julho de 1846, dos desmentidos constantes eles nã o o.:;e cansavam em anunciar os
gastaram-se 86$695 réis com os barcos de ronda da costa! '? seus projectos aliciantes. Neste caso deve incluir-se a propaganda
Para o ano imed iato foi solicitado ao Ministério d o Reino uma feita em O Jmparcial 133 e a Revista Semmzal l 34• Acresce, ainda, os folhe­
escuna de guerra para tal serviço, tendo-se enviado o Brigue Dou ­ tos de promoção da em igração para as ilhas Sandwich (Hawaü':" ou
ro 120. Por todo o ano de 1847, o barco manteve-se em acção, tend o-se Uruguai!".
afirmado como um freio à emigração clandestina, o que levou a
solicitar-se a presença de nova embarcação, não se sabendo ao certo
se veio a concretizar-se'?'. o debate político e jomali"st ico 1846-1873
A emigração clandestina, não obstante estas medidas, continua­
va a ser uma realidade. E, por isso, não se esgotavam aqui as opor­ A imprensa insular, na segunda metade do século XIX, deu
tunidades para controlar a saída dos madeirenses. Assim a uma desmesurado realce aos problemas derivados do surto emigratório.
propaganda aliciadora por parte dos agentes, nomeadamen te os Sob a forma de no ticia ou trabalho de opinião, esta é uma preocupa­
cônsules do Brasil e inglês, contrapunha-se outra de alguns jornais e ção central nas suas colunas . Isto situa-se a dois níveis distintos: de
das autoridades que desmitificavam as esperanças do Eldorado . O um lado os anúncios e d escrições ou testemunhos laudatórios dos
debate tem início em 1841122, sendo resultado d e uma proclamação principais destinos de emi gr ação; d o ou tro a opinião e test emunhos
do admin istrador geral, Domingos Olavo Correa de Azevedo, que a
reprovativos, apelando a uma intervenção das autoridades.
determinado passo referia o seguinte: Tendo em consideração que a conjun tur a socioeconóm íca, como
- Demerara... é uma possessão inglesa, cujo clima por extremo
os destinos que se oferecem aos madeirenses, açorianos e canários
ardente e doentio, terminara em po uco tem po, com a existência da
são id ên ticos, lógico será d e admitir uma semelhante afirmação da
maio r pa rte dos emigrantes que para ali vão, e onde es tes infelises,
problemática na imprensa de cada ilha ou arquipélago. Desta forma
redusidos, durante sua vida, a uma situação desesperada, vendo-se
são semelhantes os destaques e tratamento desta problemática n' A
em total desamparo, e privados de meios de regressarem, se su jeitão
a uma sorte tão cruel como a que em outro tempo ali experimentavão
Reforma, o Amigo do Povo, A Ordem, O Progressista (...) da Madeira,
escravos negros". como em El Heraldo de Canarias, El Eco, EI Eco del Comercio (...) n as
A isto juntaram-se cartas de alguns emigrantes em que testem u­ Canárias ou a Persuasão nos Açores. Certamente que na Madeira e
nham a ilusão das promessas. Aí são apontadas as cond ições difíceis nos Açores, o conturbado momento polí tico que se vive, a partir da
em que vivem os madeirenses em Demerara 'P, A tod os respond e revolução vintista, condicionou o maior empenho e preocupação, sur­
Diogo Taylor , cônsul inglês e agente da emigração para estes des ti­ gindo, por vezes, os jornai s como o prolongamento do debate nas cortes.
nos!". À campanha associaram-se outros jornais, sendo de realçar as No caso particular da Madeira, desde a década de trinta, o d ebate
de o Echo da Revolução l 25, Correio da Madeira 126 e o Progressista'", onde político era uma constante, diferenciando-se a presença de diversos
es te movimento emigratório surge sob o epíteto de "escravatura grupos. Assim, até 1875, altura em que surge o Partido Progressista,
branca". De acordo com o cônsul português em Demerara, os em i­ sob a égide de D. João da Câmara Leme, o panorama po lítico madei­
grantes "são tratados como verdadeiros escravos, e mesmo pior d o rense é mui to confuso. Esta situ ação repercutir-se-a de forma eviden­
que são os negros da costa d'Áfr ica"I28. A resposta a es ta carta nã o se te na d iscussão em torn o da realidade socioeconóm ica mad eire nse,
fez esperar pela voz do cônsul, que real ça os mútuos benefícios da n omeadamente nas páginas dos jornais de en tão . Mui tos destes
emigração!", A isso adicionava-se o testemunho ab onatór io de um p eriódi cos actuavam, declaradamente, como porta-vozes dos grupos
g rupo de portugueses residen tes na Guiana inglesa. Em oposição a políticos em causa. Assim sucedeu com o Amigo do Povo, órgão d o
es te último testemunho tivem os car tas de Dernerara-" e do Rio de Partido Pr ogress ista, A Ordem, d o Partido Cartista e O Progressista,

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do Partido Regenerador. Note-se que no con cern ente à emigração Enquanto isto se passa, nas pá gin as do mesmo periód ico surgem
ad ensa-se o número d e colunas dos periódicos O Progressista (1852­ anúncios alic iadores de novos emigrantes: a 4 de Janeiro de 1853 João
-1854) e A Ordem (1852-'1856). Neste contexto, a p ro blemática da de Fre itas Martins anuncia o recr utamen to de colonos es pecializados
em igração para as terras ocidentais, no período de 1833 a 1873, para o Perul" ; a 29 d e Março de 1853, Diogo Taylor, agente de
demarcou acesa discussão pública nos jornais que en tão se publ ica­ emigração para a Gui an a inglesa, an uncia q ue o governo pagará
vam, ou nas cortes pela voz dos madeirenses aí representados. apen as a passagem aos emigrantes, confrontados estes à chegada
Em vinte e um periódicos madeirenses en contramos abunda nte com os regulamentos daquela col ónia".
informação que aqui daremos conta, ainda que d e forma sumária. A p osição do jornal A Ordem é deveras contrad itória. Assim, em
O Progressita, porta-voz do Pa rtido Regenerador, é o periódico 1853 de senvolve a intervenção de José Silves tre Ribeiro nas cor tes, a
q ue dedica maior aten ção à p rob lemática da emigração, atribuindo­ 28 de Maio, sobre a emigração açori ana e madeirense para Demorara
-lhe com insi stência o designativo de escravaturabranca, considera ndo e sobre a colónia agrícola de Mo çâmed ea'P Mas em Març o do ano
Demorara e o Brasil como rnatadouros'F, Para os editores, o impor ­ seg uin te ins ur ge-se contra esta última medida apo n tando que a
tant e é travar o m ovim ent o emigrat ório. Por isso são assíduos os solução deve ser int erna e nã o exteri or à pró pr ia ilha !" .
tra balhos de op inião sob pseudónimo que apelam a uma in tervenção O ano de 1854 terá sid o terrível pa ra os mad eirenses, perm anen­
eficaz das autoridades locais, pondo como p onto de referência a temente ameaçados pelo espectro da fome, p elo qu e a em igr ação, d e
intervenção de 1847138• Nesta década de cinquenta, testemunhos de acordo co m o mesmo periód ico, não um fen ómeno de a mbição, mas
é

vária índole atestam a ineficácia das autoridades locais em coib ir essa o resultado d a miséri a d os colonos e da ineficácia do governa 152, Daí
prát ica d e emigração clandestina: acusa-se quer o administrador do que se ja saudado co m entusiasm o a inicia tiva do cônsul do Brasil,
concelho-", quer o Juiz elei to da Ribeira Brava"? por não correspon­ Luís Tomé de Mira nda, bem como em 1855 por três madeirenses, da
derem ao estipulado nas leis de 1839, 1842,1 843,1849 14 1• Deste modo, embarcação Charles Keen, pa ra conduzir trezentos colonos a Dernera ­
o julgament o da 29 de Fevereiro de 1852 de alguns aliciadores e ra 153. Em 1858 rematava-se a notícia da sa ída d a barca portuguesa
barqueiros, comprometidos com a emigração clandestina é motivo Christina, para o Rio de Jan ei1'0 com cinco emigrantes com o seg uint e
d e regozijo no jorn al 142. comentário: "Daq ui a tempos ver-se-a desertos os belos cam pos desta
Para além deste per m anent e alerta às autori dades para um a terra digna de melhor sorte"!",
intervenção adequada, nas colunas d o mesm o jorn al surgem com O Defensor, no período de 1841 a 1846, faz eco da in ter venção d o
assiduidade cartas de alg uns emigrad os refer indo a situação miserá­ administrador geral d o Funchal, Domingos Ol avo Correa A zevedo.
vel em que estavam: primeiro transcreve-se uma cart a de Manuel Ele. na sua proclamação contra a em igração para Dcm erar a e Bras ip55,
Joaquim Teixeira, datada de 12de Ou tubro de 1851 d o Riode Janeiro, divulga algumas cartas d e mad eirenses ret ratand o o inferno d e De­
dando conta das d ificuldades que passara m na viagem'P, depois me ra ra 'ê'. A reação dos principais interessados neste movimento nã o
surge um test emunh o de outro madeirense sobre a trágica situação se faz espe rar. Assim intervêm Diogo Taylor, agente de emigração para
d os emi gran tes da ilha em Demerar a 144. Do Bras il rep etem-se as a Guiana inglesa, e Luis Tomé de Miranda, vice -cônsul d o Brasil I57.
cartas a corroborar a situação!" . Numa escri ta no Rio a 14 de Ma io Dos ma is p eriód icos recolhe-se informação p ar a a década de
de 1852 é ap resentad a a situação d os emigrantes para aí remetidos quare n ta com particular relevo para o Imparcial l 58 e o EcJlO da Reoolu­
pelos engajad ores da Ribeira Brava, Campanário e Estreito de Câ ma­ çã0 159, com a opinião manifestamente contrária à emigração que então
ra de Lobos. Destes morreram trinta e nove e quarenta e d ois ag uar­ se vinha fazendo para Dernerara, definida como o vale da morte. O
davam trabalho. Conforme no ta o seu autor. Io ão Ios é Basílio Pereira, p rim eiro refere, a propósito: "Parece qu e a cidade d o Funchal se
"os escravos negros eram mais bem trat ad os'?". converteu de repente numa grande feira d 'escr avos br ancos, d esti ­
Con tra isto reclam aram os negociantes e súbd itos portugueses n ad os a irem perecer no clima mais infecto dos domínios britânicos
resid entes no Rio d e Janeiro em representaçã o ao emba ixador, d atad a - Dernerara": alerta.nd o m ais adiante q ue "A emigração para Deme­
de 16 d e Julho de 1852. Tod avia, o cons igna tár io d este movimento rara é uma in fame lota ria cujo s bilhetes contendo raríssimas sortes
para o Brasil, Cristóvão José d e Oliveira, refuta as reclamações das em preto são comprados com as vidas dos nossos concidad ãos '{'"
cartas e insiste no env io de 123 passageiros, na barca inglesa Red Rose, Do conj unto das opiniões exp ressas na imprensa ma deirense,
pa ra o mesmo d estino!". nesta segunda metade do século XIX,é bastante evidente a existência

128 129
d e duas correntes de op inião, com voz nas colunas dos jornais, sobre BIBLIOGRAFIA

o fenómeno da emigração madeirense. Por um lado, os que defen­


dem esta conjuntu ra como favorável para a ilha e seus habitantes; d o
outro os que a negam, apresentando o reverso da medalha. Esta
última opinião expressa-se quase sempre na defesa da ideia de que
a emigração era sinónimo de "escravatura branca" e de que a solução ALMEIDA, Carlos, Portuguese inmigrants (the ceniennial story of the

das dificuldades porque passavam os madeirenses não se resumia poriuguese union of lhe State of Calijornia, São Leandro, 1978

apenas à fuga desesperada às condicões de miséria. Para estes, a ferid a BRANCO, Fernando Castelo, "subsídios para a histó ria d o protest an­
era interna e só poderia ser sarada por meio de uma profilaxia interna. tismo na Mad eira : o caso Kalley" inActas do I Colóquio Internacional
de História da Madeira. 1986, vol .Il Fun chal, 1989, pp.1338-1362
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KNOWLTON, Edgar, "Madeirans in Hawai", in Actas do 1 Colóquio

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Correspondência expedida, 1842-1898, n.os 300-335


1287-1309

3. Administração do Concelho - Santa Cruz MELO, Luís de Sousa, "E contudo eles foram... a emigração mad ei­

Correspondência expedid a, 1846-1860, n.os 1-14 rens e para o Hawai no século XIX" in lslenha, n." 2, 988, 81-87

Livro d os registos d os indivíd uos que solicitam guias para obte­ MENEZES, Noel, "the winged impulse. The madeiran portuguese in

rem pas saportes no Govern o Civil, 1888-1893, n." 99 Guyana an economic social-culture perspective", in Actas do I

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4. Administração do Con celho - Ponta do Sol 1322-1335

Registo de passaportes, 1853-1864, n,os 113-114 - Scenesfrom the History of the portuguese im Guyana, Londres, 1986

130 131

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O Clamor Público, se manário político, 170 números, 22 de Maio
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132
133
Emigração mad eir ense 1834-1871 - Destinos Emig ração madeirense (1857-1872) - Sexo e idade

Áreas África América Anti lhas Brasil EUA Europa índ ia Derne-
d o Sul rara
Anos
ANO EMIGRANTES
1834 28
1835 321 4 5 606 MASCULiNOS FEMININOS TOTAL
1836 4 22 25 3
+ 14anos .. 14 anos - -
1837 2 56 31 I 2
1857 90 36 100 266
1838 2 29 20 3 2
1839 11 4 19 1 4 1858 188 95 211 494
1840 16 9 13 13 1859 70 30 114 214
184 1 9 39 9 2381
1860 78 45 64 187
1842 34 148 7 21 6
1861 66 16 42 124
1843 16 128 6 49
1844 3 425 10 139 1862 74 26 79 179
1845 609 116 3 527 1863 58 9 52 119
1846 981 2495
1864 84 24 69 177
1851 37 16 7 54
1852 9 22 307 23 219 1865 56 14 82 152
1853 3 1 264 496 119 1426 1866 54 7 64 125
1854 4 8 116 143 42 1 436 1867 60 27 78 165
1855 4 328 586 6 6 2 411
1868 78 36 62 176
1858 443 228 1604
1859 170 82 918 1869 50 20 63 133
1860 65 585 1870 71 31 84 186
1861 84 276
1871 53 14 73 140
1862 66 300
566 1872 91 30 76 199
1866 21 1 76
1867 1 12 14 12 532 TOTAL 1221 460 1315 2996
1868 136 456 Fonte: A.RM ., A . do Concelho, 11." 332, doe. 473.
1869 55 378
1870 5 663
1871 18 542
TOTAL 12 55 35151 2726 418 7 10 16400

134 135
Em igração para o H aw ai 1878-1913 Fianças de embarcações com emigrantes
~
.... ::l CJ .cu ai <li ..:.:
....
N av io Provoni ôncia Data Passa eiras ~
'ECJ .:'J c -o o ~
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Nome Nacional H J'vl Total Õ U


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Priscilla a lem ão Madeira JO-Se t-1878 80 40 60 180 1854 1 1 8 1


Raven ingl,;, " 23-Ago -1879 133 110 176 419 1855 7 6 2
High Flve r "
Açores (I) 24·Jan -18RO 109 81 147 337 1856 1 6
" " (1)
1857 1 7 3
" " 2-Ma i-188 1 173 66 11 3 352
1858 1 3 10 3
Suftlolk " " 206
(I) 25-Ago-188I 100 182 488 1859 1 9 3 2
Earl Delhansie " " (I ) 27-Ma i- IR82 94 82 146 322 1860 1 10
Mouarch " " (1) 1I-Jun-lR8 2 202 197 458 857 1861 2 11 1 2
"
1862 2 8 1 2
Han sa " 15-S.,t-I8il 2 307 286 584 11 77
1863 13 5 2
" " H\'I..j-1883 264
A b ergeld ic 190 484 938 1864 4 1 11 3 1 3 2
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l Iankow Açores e Mad. 9-Jul- 1883 317 718 1462 1865 1 1 5 1
Bcll Rock A ço re s I -Nl J(' I~g3 396 2Y4 715 1405 1866 fi 1 1
1867 1 8 1
Cti y o f Pari::- Açores e Mad 11 -Jlln-l l<84 2':J5 199 330 824
1868 3 1
Bordeaux fra ncês Madeira 3-0ul ·1884 273 173 262 708 1869 5 1
Dala lngl ês " 9-Jun-iH85 63 .'10 165 278 1870 8 1
Stirlin gline " . 4-Mar­ I8il6 157 107 203 467 1871 4 1
Amaria
. " 23-Set -1886 146 11 6 239 501
1872 7
1873 6
Thomas 13 1211 " " 13-/lb r- I888 117 62 163 342 1874 5
E3 raL111 g ch a lemâ o A çores (1 ) 4-lIbr­ 1895 274 124 259 657 1875 4
Victoria inglê s Madeira IJ-Sel-1899 21 5 % 72 343 1876 3
1877 5
Jleliopolis espa nh o l Málaga, 1
26-Abr -1907 1878 7
Ma d ., Açores 608 554 1084 2246
1879 3 7 2
Keerneric - Madeira 27-Jul 1907 333 306 475 1114 1880 2 5
Swan ley - Mad . c Açores 12-D ez- 1909 337 221 310 868 1881 4
Osteric - M ad. e Conti 13-Ab r-1911 547 373 531 1451 1882 3 1
]883 4
Willesd cn - A ço res c Cont. 3-Dez -1911 639 400 758 1797
.. ]884 6 1 3
Haspa lien - 16-Ab r-1912 496 328 626 1450 1885 1
3 2
Willesdcn - Ilhas e Con to 30-Mar-19 13 491 377 440 1308 1886 4 2 1
Asco t - .. 4-Jun- 1913 424 327 532 1283 1887 6 3 1
: 1888 14 2
TOT AL 7503 5536 10232 23271
1889 ?

1) São Miguel
f o tal 14 48 213 5 4 fi 23 6 8 1 2
Fonte: John Henry Felíx e r eter F. Seneca1, Thc Portuguesc in Hauuii, Honolulu, ]978,28-30.

136 137
NOTAS
21 Lu ís d e Sousa e MELO, "E co nt udo eles foram...". in I~/ eH!l a, n ," 2, 1988,
pp . 84-86 .
22 A Ordem, n" 77 (1853), 3· 4; O Progressista, n ." 50 (1852), 3-4.
23 Mo ta d e VASCONC ELOS, Epopeia do emigrante insular, Lisboa, 1959,
19-20; R.FRElT AS, Notice SUl' le f'orlllgal, Lisboa, 1867, p.10 (30),
24 ARM, C.C , n ." 645, 132v"-133.
1 Defensor, n.".181, p p .1-3.0 estudo ma is desenvolvi do d a situação so cioeco­ 25 A rqu ivo Regional da Madeira, Cavemo Civil, n." 465,467.
n órn ica m ad ei rense s urgirá em es tu do q ue vimos rea lizando, tendo como pa no
26 R. FREITAS, Notice S U l' le PClrlugal, Lisboa, p.1O (30),
d e fu nd o o v in ho d a Ma d eira .
27 N°. 273, pp . 1-2.
2 A Reforma, n° 6 (1852), 1
zs A Família do Derwmrista, Funchal. 1839 ; Mar ianna Xavie r da SILVA, "O
3 ARM Cavemo Civil, n.".20, fls.43v" -44; Mich ael P. TESTA, O apóstolo da
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4 M ichael P. Testa, ibidem , 6, 63-64, 82; O Defensor, n." 249 (1846), 2. ilustra d as ); John H. FELIX e l'e ter F. SENECAL, Thc Porlugucse iII Hawaii.
5 ARM, G.C , 644, fls. 262\,0-263vo, 9 de Set~mbro d e 1847; ibidem, fi. 151v"
I-1onolul u, 1978 (com pi lação d e textos feita pa ra comemorar o cen tená rio da
(1850). e m igr açã o m ad e iren se pa ra o Hawa i).
32 John H . FELlX , i/lidem, 55-58; Horácio Bent o d e GOUVEIA, Canhenhos da
6 ibidem, n." 318, fls. 20-27v", 21 de Agosto de 1852; A Ordem, n ." 126 (27 de
IlJUI , Funchal, 1966, 101-103, 171-173; DiáriOde Noticias, Fu nchal , 29 de Ju lho de
Maio de 1854) .
1883.
7 A Reforma, n ," 6 (185 1), 1; A Imprensa, n" 29 (1863), 3, n ." 11 e 18.
3:'1 Breve notícia acerca das ilhas de Sandtoich e das uantagens que elas cferccem ii
R N." 6, 1.
emigraçãoque 1105 procura, Fu nch al, 1878.
9 A RM, G.C , n." 632, fols. 63-65,23 d e Abri l d e 1873. JoI Jo hn H . FELlX, ioidem, 27.
10 Conf ronte-se Marcel REINH ARD, A. ARMENGAND, ].DU PAQUJER, 35 Veja-se O rlando RIBEIRO, A Ilha da Madeira .." Lisboa, 1985, 1 12.
Histoire Gén érale de la population mondiale, Paris, 1968; Leslie BETH EL, A abolição
36 A.R.M., C.C, n ," 731-733.
do trâfico de estrato s 110 Brasil, S. Paulo, 1976, 354-357; Miriam Ha lpern PEREIRA,
A políticaportuguesa de emigração. 1850-1930, Lisboa, 1981, p p . 8-13 . 37 Joh n H . FELlX, ob. cit ., 111-134; Edgar C. KNOWLTON, "Madeiran in
Hawaii'' e Noe l MENEZES, 'T he winged im pu lse. The rnadeiran portugues in
11 "M ad eira", in Dicionário Universalde Português Ilustrado (Sep.), P: 728.
Guyana an econornic soc ial-cultural perspective" , comunicações ap resentada s
12 Veja-se comp ilação das p rinci pa is peças d oc umentais da su a acção em ao Colóquio Iniernacíonnl de História da Madeim , Funchal. 1986; IDEM, Scenesfrom
Uma Época Administra tíua da Madeira e Porto Santo, 3 vo ls., Fu nchal, 1849-1850. tire Hislory of lhe Portuguesc iII Cuyalla , Londo n, 1986.
13 Uma Época Administrativa da Madeira e Porto Santo, 1,64-83, 111, 105-106. 38 Eduardo Mayone DIAS, "A presença portu guesa no H aw ai". in Boletim
14 Colecçãode documentos relativos il construção da Ponte do Ribeiro Secona ilha Culiuralda Assembleia Distrital de Lisboa, T. 1, n ." 87, Lisbo a, 1981, 163-235; Noel
da Madeira.", Fu nchal, 1848; Colecção de documentos relativos à crise dafome por que MEI\'EZES, "A socied ad e portuguesa de bencficiên cia na Guiana britânica ", in
passaram as ilhas da Madeira e Porto Santo, noano de 1847, Func hal, 1848 . Allâlltico, n ." 15, 1988, p p . 217-219.
15 O Progressista, n." 112 (1853), 1. 39 Mota de VASCONCEL LOS, ob, cit, 9-11 .
16 O Clamor PlÍblico, n." 27 (1855), 1-2. 40 Oh, cit.
17 N.o 35, 3. 41 0 Progressism, n.o 5,3.
18 O Clamor PlÍblico, n." 69 (1855), 1. 42 O Defensor, n .? 249, 2.
19 O Funchalense, n." 24 (1859), 1-2. 43 ARNl, Câmara Mllllicipa l da Ponta do Sol, n." 33, Ils. 176-179\'''.
20 Confro n te-s e ].Costa LEITE, "Em ig ração portugue sa: a lei e os n úmeros oU ARrvl, C.C, n.o 644, 205vo-206vo.
(1855-1914)", in Análise Social, vol. XXllI , n." 97, 1987, p p . 463-480. 45 Uma Época Administrativa da Madeira e PortoSantv, I, 15-21 .

138 139
46 ARM, c.c, n.o 644, 205vo-206vo. fbidem , fls. 1814.
47 Íbidem, 78 A fonso COSTA, Economia Nacional. O problema daemigração, Lisb o a, 1911,
cap . V, "Regulamen tação d e em igração portuguesa", pp .161-183; M.Ha lo ern
4S AI-lU, Madeira e Porto Sal/to, n.o~ 154-157.

P EREIRA . A política de emigração. 1858-1930, Lisboa, 1981.


49 Íbidem, n.o ~ 548-550 .

79 Íbidem, p . 8.
50 ARM, C.C, n." 17, ] 59vo.
soSob re a p ri ncip al leg islação publicad a co nfronte-se C ar los Vieira RAMOS
51 lbidem, n," 12, fi . 1 15vo.
(org.), Legislação Portuguesa sobre emigração c passaportes, Lisboa , 1913; Adol fo
52lbidcm, n." 19, fls. 185-186, 24 de O u tu bro de 1845. Des ta situação foi d ado LIMA(org.), Emigração:seu regimen: passaportes, Fama licão, 1929 .
co n hecimento ao cônsul inglês p ara avisar os seus s úbd itos tibidcm, 112. fls.
8 1 AHM .Madeira e Porto Santo, n ," 154-157 . alva rá 4 de Jul ho .
148vO).
82 Uma época admiuistratioa da Madeira, r, 50-60. Aí são re fe rid os os a lva rás
53 Íbidem, n," 19, fi. 209; AR.!'vl, Administraçãa doConcelho doFunchal, n,? 3] 8, fI. 24.
de 6 de Agosto de 1660, 19 de Setem bro de 1761, 4 de julho d e 1758, 20 de Janei ro
54 Íbidem, n." 318, fls. 26vo-27vo. de 1818 e a portaria de 9 de Ju lho 1810.
55 No período d e 1845 a 1866 surgem vin te referências ao uso desta prática 83 Íbidem, pp .60-64, 21 d e Sete mbro 1847.
ao lo ngo d a costa su l da ilha .
!l4 Veja-se Uma época administrativa da Madeira e Porto Santo. 3 uols, Funchal,
56 A RM, C.C, 112, fls. 175vo-176, 277, 280.
1849-52; Colecção de documentos reuuiios à crise da fome poroue passara m as illras da
57 {bidem, fls. ] 15, 165v"-] 70; id em , Administração do Con celho do Funchal, n," Madeira e Porto Santo no alio de 1847, Funchal, 1848. Esta op in ião é corroborada,
318 , fi . 84vo, 134-135. p or diversas vezes em trabal ho s publicados na imprensa . Veja -se. por exemplo,
58 ARM, C.C, n," 113, fl.l50v"-151; n.o 115, fl. 107vo.
O Clamor P úblico, n." 69 (1855).
59 lbidem, n.o 20, fls. 128-129vo, 134-135.
t\5 ARM, C.C, n.? 14], fi. 55, 21 de Abril l84l ; ARM, C.C, n," 114, fls. 193-194,
60 lbidcm, n ." 112, 115. J53. ci rcu lar d o b ispo de 14 de Outubro 1858.
61 ARM, Adminisiraçio do concelhodo Funchal, n.0318, fls. 25v"·26v", 29 v", 44, 48v". 86 Uma Época Administrativa da Madeira e Porto Sa"to, Vo 1. I. pp . 30-38.
62 A RM, C.C , n ," 112, fi. 182; idem, Aministração do Concelho do Funchal, n." 87 AHM, Madeira e Porto Santo. n ," 548-550 .
318, fls. 43v "-44. 88 O Progressista, n,? 91, p . 2.
63 lbidem, 318, fls. 44-48; idem, C.C , n ." 20, fi. 38v".
89 ARM, C.C, n." 464,465, ·167.
64 ARM, Administração do Concelho do Funchal, n." 358, fls. 44-48.
90 ARM, C.C n ." 17, f1s. 131-132, 28 Abri l 1841, ex iste o liv ro reg isto
65 Uma Época Administratioa daMadeira e Porto Sal/to, 1,8-9,4-22,29-30,42-46.
passaportes no governo civi l a p arti r de 1853.
66 lbidem, 87-89; A RM. C.C, n.o 113, fls. 212v"-213, 235.
91 Íbidem, 159-V .
67 Íbidem, n,? 613, fi. 97.
92 Os documentos justificativos da passagem d es tes p assa p o rtes encont ram­
AHU, Madeira e Porto Santo, n." 526-534.
-se no ARM, C.C, n." 735-754.
69 ARM. C.C , n." 110, 1-2.
93 Confron te-se Manue l da Costa DI AS, Colonização dos planaltos de A ngola.

70 Íbidem, n." 17, fl. 132-vo; O Progressista, n." 25 (1851), 2-3; A Ordem, n." 190 Subsídios para o estudo do problema da emigração nacional, Lisboa, 1913; Nu no
(1855), 3. SIMÕES, O Brasil e a emigração portuguesa (notas para lIm esi udo), Co imb ra, 1934.
A questão da emigração na segunda m eta de d a ce n túria o ito cen tista prop iciou
71 O Progressista, n." 25 (1851), 2-3; n." 28,2-3.
um deba te em várias fren tes, ainda nã o devida men te escl arecid o pela his to rio­
72 A RM , c.e., n.? 77. fl. 132vo, 30 de Abril d e 1841. grafia .
73 ARM, Administração do Concelho do Funduú, n." 318, fi. 58-v", 69vo-70; n." 94. Ca bral do NASCIMENTO, «Colon ização d o Bras il p or m adeire nses », in
21, n. 62-v o; n ,? 315, EIs. 35v"·36 , 183; n ." 318, fI. 24-\' ''; O Progressista, n.o23 (1851), ArquivoHistóricodaMadeira, v ol. V, 1937. pp . 49-54; Horácio Ben to d e GOUVEIA,
2-3; n," 32, 3; n." 33, 2.
« Aspectos da emigraç ão m adeirense para o Brasil nos reinad os de D. Jo ão V e
74 A RM , C.C , n.? 20, fI. 20v"-21, 67vo-68, 149-] 51vo; n.o 21, f1 s . 62-vo; n." 22, D . José», Das Artes e da História da Madeira, 1948-49, p p .17-20; W alt e r PIAZZA ,
fl. zo-v. n ." 318, fls . ssv. n.o 315, fls . 35v" -36, 38; Uma Época Administratioa da "M ad eire nses no Povoamen to d e San ta Cata rin a (Bras il) séc u lo XVlII" in Actas
Madeira e Porto Santo, I, 28-29; O Progressista, n ." 23 (185] ), 2-3; n." 32, 3; A Flor do do I Colóquio Internacional de História da Madeira, II, 1990, p p . ] 268-1286; Idem,
Oceano, n ." 273, 1-2; A Ordem, n." ] 1 (]852), 3. "Raízes Mad eire nses em Santa Catarin a. Brasil in li Col ôquio Internacional de
75 ARM, A dministração do Concelho do Funchal, n ." 315, fls. 432v o-434. História da Madeira, Fu nch al 1990, 355-364; Adelaide B. CO UTO e outros "O
76 Íbidem, fls. so-v. Povoamento da ilh a de San ta C ata rina e a vinda d os casais ilh éus", lbidcm,

140 141
247-263; Maria de Lo u rdes F. FERRAZ, "Emig ração Mad eiren se para o Brasil no 111 Íbidem, n.? 116, fls 23V, 16 Setembro 1873.
século XVlIl" in Islenha , n'' 2 (1988), 88-101 . 112 ARM, C.C, n," 112, fls 148-148V, 28 Outubro;ARM, c.c. n." 644, fls 26-V .
95 O Progrcssisi« n" 112 p.I , refere a ida d e 21 fam ília s; A Ordem, n" 77 (1853), 113 Uma Época AdministrativadaMadeira e Pl1rto S(lnt o, I, pp. 90--92, 14 Março.
pp . 3·4. Pa ra o ano d e 1888 é co nhec ida a lis ta de 846 co lo nos, co nfron te-se ARM , 114 Uma Época Administrativa da Madeira e Porto Santo, vol. I, pp . 30-38, 31
Administração do Concelho do Funchal, n".138.J. B. Ferreir a d' Almeida, "Apo n ta­ Agosto 1846.
mentos para a H istó ria d o estabelecimento da colón ia de S. [ anuario nos terren os
115 ARM, c.e n .o 112, fls 182, 18 Abril 1846, p ed indo 12 baionet as para
de H um pat a (Distrito de Moçâmed es)", in Boletim da Sociedade de Geografia de
serviço vigilâ ncia; A RM, c.e n." 20, fls 38 V, 5 Setem b ro 1846; ARM , Adminis­
Lisboa, serie 2.1 , n." 4, 1881, pp . 304-317, n ." 6, 1881, p p . 456-467.
tração do Concelho do Func hal, n," 318, fls. 43 V -44, 20 Junho.
96 Horácio Ben to d e GOUVEIA, "Aspectos da emigração madeirense para
116 ARM, c.c, n." 112, fls 126, 28 de Maio de 1845.
o Brasi I nos reinados de D. João V e D. José ", in Das A rtes c Da História da Madeira,
117 ARM, Administração do Concelho do Funchal, n ." 318, fIs 44-48, 11 de Jul ho
1948-49, pp . 17-20; Leandro de MENDONÇA, "A co loni za ção ma deirense no Su l
de 1846.
de Ango la", in Das Artes c Da História da Madeira, vo l. I, n." 5, 1951, pp . 35-36;
Ga stão de Sousa DIAS, A cidade de Sá da Bandeira, Sá da Bandeira , 1957; Carlos 118 ARM , c.e, n," 112, fls, 115,26 de Fevereiro de 1845.
Alberlo M EDEIROS, A cohm ização das terras altas da Huna (Angola). Estudu de 119 ARM, Íbidem, n.O318, fls 48-V , 29 d e Ju lho de 1846.
Ceografia Humana, Lisboa, 1976. 120 Uma Época Administrativa da Madeira e Porto San/o, vol. I, pp. 8-9, 8 d e
97 O Progressista n° 133 (1854) P: c.; A Ordem n." 144 (4 de Març o 1854);0 O utub ro d e 1846, pp . 21-22, 30 de O u tu bro, pp . 29-30, 10 d e Fevereiro 1847, pp .
Clamor Público, n," 27 (20 de No vembro 1854, p p . 1-2). 38-40,31 de Agosto de ] 847.
98 Clemente José d os SANTOS, Estatísticasc biographias parlamentares poriu­ 121 Uma Época Administrativa da Madeira e Por/o Santo, vo l. I, pp. 87-9, 13
gUelas, Porto, 1887, p p . 233-234 , cr iada a 3 d e Maio, d e la fazia pa rte o madeirense Fevereiro.
Visc onde d a Ribeira Brava. 122 O Defensor n ." 7]( 1841), 201(1843) .
9'J N." 144,4 de Março 1854; ARM, C.C n ." 645. f1s95-100V, 6 de Setemb ro 1653. 123 O Defensor, n ," 96 (1841), p. 2.
100 Bibl ioteca Nac iona l de Lisb o a, Secção de Reser vad os, Colecção Josefil/a, t. 124 O Defensor, n .O 72 (1841). p p . 2-3; n," 97 (1841), p. 1-3. Ele é citado en tre
VI, co d. 456; Alberto Ar tu r SA RM ENTO, Umfidalgo madeirense empobrecido pede 1854-59, como consignatário de navios com emigran tes para Demerara e S. Kitts,
transportepara o Brasil, Funchal. 1945. ve ja-se, ARM, c.c.. n." 465, 467.
101 Maria de Lourdes de Freitas FERRAZ, art.cit. 125 N.o S 3, 6, 7, 10.

102 Confronte-se Leandro MENDONÇA, arl.cil. 126 N .oS 73 (1850), p. 96.


S
103 ODiário de Notícias (Fu ncha l), de 16 de Março de 1955, publ ica uma lista 127 N.o 28 (1851), 32, 36, 39, 46.
biográfica, em s up lemen to es pecial por ocasião de ret orno à ilha de um grupo 1211 Correio de Madeira, n ." 73 (1850), P 2. Testemunho env iado pelo corres­
desses co lonos . Acresce, ainda, o relatório do primeiro ano de adm inistração, pondente em Pernambuco da "Rev ista Universa l Lisbonen se" e p ub licad o ta m­
onde é referida a ac tividade desenvo lvida pe los madeirenses, publicado por bém por O Progressista 33 (1852), 35 (1852), p p. 3-4. É ele qu em refere a exp loraçã o
Alfredo de Albuq uerque FELNER , Angola. Aponuunentos sobre a colonização dos a q ue es tão sujeitos os emigra ntes. Ass im, nos pr im eiros 900 dias eram su jeitos
planaltcs dosul de AI/gola, voI. lll, Lisboa, 1940, pp. 228-234. a trabalhos fo rçad os, com apenas 25 cên timos d e ordenado, sendo o resto p ara
104 O Brasil e as Colónias Portuguesas, Lisboa, 1978. a v iag em, q ue se an unciara gra tuita.
105 Confronte-se M iriam Halpern PEREIRA, ob. cii, 129 Correio de Madeira, n ," 96, su ple men to, ca rta 26 Julho 1850.

106Uma Época Administrativa da Madeira e Porto Sallto, I, pp . 30-38, 31 de 130 O Progressista, n ," 28 (1851), p. 2-3.
Agosto de 1847; confronte-se o mesmo pp . 22-27, circular de 24 de Novembro 131 O Progressista, n." 45 (1852), P: 4, carta d e João José Bas ílio Pereira d e 14
1846 ao Administrador do Concelho. de M aio .
107 Todavia, o alvará d e 4 d e Julho de 1758 e a portaria de 16 de Ma io d e 132 O Amigo do Povo, n." 78 (1852), p . 3, ca rta d e João José Gonçalves de 27
1835, estabeleciam limitações , só concedendo o passaporte com jus ta causa, d e Jan eiro 1852.
veja -se ARM, C.C, n ," 110, fls. 1-2, 8 de Julho 1836. 133 N ," 236, p . 4 refe re-se a beleza d a ilha, a comodidade d o clima e a proposta
ios AHM, Madeira e Porto Sal/to, n." 526-534. d e um salár io elevado na sa fra d o açú car.
109 ARM, c.e, n," 19, fls 185- 186, 24 de Outubro 1845; O Progressista, n ." 91, 134 N .o 20, p. 159, n ." 21, p. 167, n ," 47, p . 369.
p . 2, refere portarias d e 19 de Agosto e 9 de Dezembro d e 1842. 135 Breve noticiaacerca das i1/UiS de Sandunch e das vantagens que elas oferecem à
110 ARM, c.e, n," 21, fls 156-157V, 26 de Outubro 1851. emigração que t IOS procura, Funch al, 1878.

142 143
136 Guilhenne Al buquerque FRANÇA, Guia doemigrall ti:e discripção resumi­
da da Republica Oriental do Uruguay «capital Montevideo». Suas condições ecouomi­
o ANTILUSITANISMO E A QUESTÃO SOCIAL
co-agricolas, hyglólicas e commerciaes. COJwelliencias que offerece ao emigrante que se
EM PERNAMBUCO, 1822-1848.
queira dirigir para aquella republica, Funchal, 1888 .
137 O Progressista, n.? 59, 4. iVlarclIs Carvalho'
138 Íbidem, n ," 23, 2-3.
139 Íbi âem, n ." 23, 2-3.
140 Íbidem, n,? 34, 2.
141 Íbidem, n," 25, 2-3; ibidcm, n." 91,2.
142 Íbidem, n ," 32, 2.
143 Íbidem, n." 23, 2-3.

144 Íbidem, n." 28, 2-3.

145 Íbidem, n ." 42, 2-3 .


146 lbidem, n ." 45, 4.

147 Íbidem, n ," 46, 2-3 .

Em 1849, 177 cidadãos portugueses deixaram a cidade do Recife,


148 Íbidem , n ," 75, 4.
capital de Pernambuco, com d estino a An gola, on de fun dari am a
149 Íbidem, n ." 85, 4.
colónia d e Moçâmedes. Comanda va a expedição Bern ardin o Freyre
150 A Ordem, n." 77, 3-4 . de Abr eu e Castro, pessoa conhecida no Recife, onde esc reve u o
151 A Ordem. n." 114. primeiro romance cuja estória ali se passava I . No ano seguinte, mais
152 Íbidem, n." 132, 1. de cem pessoas fizeram o me smo pe rcurso. A razão dessas pessoas
153 lbidem, n." 165, 2-3. deixarem a província foi o acirrado anlilusitanismo qu e vitimou
154 Íbidem , n ," 94, 3. muitos imigrantes portugueses, principalmenle entre 1844 e 18482•
155 O Defensor, n." 71; ibidem, n." 96, 2; ibidem, n." 201, 1. Como se mani festou esse antilusitanismo? Quem eram essas vítimas
156 Íbidem, n ," 72, 2. da violência nas ruas do Recife? Corno explicar o antilus itanismo
157 Íbidem, n ," 72,2-3; lbidem, n," 97,1-3.
dentro da política e imaginário popular da época? As páginas seguin­
tes buscam responder a essas questões.
158 N.o 38, 2-3; n." 289, 3; n ," 300, 2-4.
Voltemos à época da independência, quando foi feita urna pesa­
159 N .o 3, 2-4; n .o 6, 2-3; n." 7, 2-3.
da campanha antilusitana nas ruas, com o propósito de mobi liza r a
160 O Imparcial, n ," 38, 2-3.
população ur bana em torno da elite brasileira que buscava o comé r­
cio livre, a ind epend ência de Portugal. O problema era que esse
antilusitanismo poderia eventualmente escapar ao controlo dessa
elite. O primeiro caso desses ocorreria em 1823 quando o corpo de
tropa rebelou-se e tomou o principa l bairr o do Recife, sob o comando
d o capitão mulato Pedro Pedroso, que, de acordo com Fre i Caneca,
p rend eu 162 "europeus:", Naqueles d ias, dizia-se nas ruas um conhe­
cido verso : "Marinh eiros e caiad os / tod os vão se acabar/porq ue só
pardos e p re tos / o Brasil hão de habitar ". Vê-se aí uma distinção entre
os "mar inh eiros", corno eram conh ecid os os cida dãos portugueses, c
os "caiados", ou seja a elite local miscigenada, p orém caiada de branco
pela riqueza. Contudo, tanto os caiados como os marinheiros são

* (U FP E - Bras il).

144 145