Você está na página 1de 54

UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ

AREA DE CIÊNCIAS EXATAS E AMBIENTAIS

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

ESTUDO EM LIGAÇÕES PARAFUSADAS PARA PERFIS


METÁLICOS

Cristiano Frozza Gottems

Chapecó

Dezembro de 2014
CRISTIANO FROZZA GOTTEMS

ESTUDO EM LIGAÇÕES PARAFUSADAS PARA PERFIS


METÁLICOS

Trabalho de monografia II apresentado ao curso de


Engenharia Civil da Universidade Comunitária da
região de Chapecó, como parte dos requisitos para
obtenção do titulo de Engenharia Civil.

Orientador: Me. Carlos Eduardo Torrescasana.

Chapecó

Dezembro de 2014
Dedico este trabalho a minha família.
AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Professor Carlos Eduardo Torrescassana orientador deste trabalho pela


ajuda e as idéias sugeridas para que este trabalho pudesse ser realizado.

Agradeço a meu irmão Fabiano que é o melhor irmão do mundo.

Agradeço aos meus pais Elacio e Eleandra por serem os melhores pais que alguém
possa ter.
Virtude sem caridade não passa de nome.

Issac Newton

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 5


Resumo

GOTTEMS, Cristiano Frozza. Estudo em ligações parafusadas para perfis metálicos.


Monografia II – Curso de Engenharia Civil da Universidade Comunitária Regional de
Chapecó. UNOCHAPECO, Chapecó, SC, 2014.

Os estudos sobre estruturas metálicas no Brasil têm crescido de forma mais lenta que o
consumo de aço para o mesmo fim, com a aceleração da economia e os incentivos do
governo para a construção civil se fazem necessários mais investimentos na parte de
pesquisa sobre esse assunto. A presente pesquisa fez análises a respeito do coeficiente
de redução de área liquida (Ct) comparando os obtidos em cada tipo de perfil e o que é
sugerido pela norma. A metodologia aplicada procede de ensaios de rompimento de
corpo de prova (perfis cantoneira e perfis barra chata com comprimento variado) em
prensa hidráulica com um medidor de força, para assim poder se obter os valores
máximos dos esforços de compressão no momento de ruptura de cada amostra, todas as
amostras romperão por flambagem já que as mesmas foram submetidas a
compressão.Os valores de Ct obtidos ficaram muito próximos aos sugeridos pela norma
NBR 8800 (ABNT, 2008) onde o Ct obtido para o perfil cantoneira com apenas umas
das abas foi Ct = 0,762 e o sugerido é de Ct = 0,75. O Ct obtido para o perfil cantoneira
com duas abas parafusadas é de 1,076 e o sugerido pela norma é Ct = 1, nos dois casos a
diferença do coeficiente de redução de área liquida é menor que 8% assim não dando
uma diferença significativa na resistência das amostras. Nos perfis barra chata obteve-se
uma curva de tendência do comportamento das amostras e assim podendo se interpolar
novos valores através do comprimento de flambagem.

Palavras chave: Ligações parafusadas, Estruturas metálicas, perfis metálicos.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 6


Lista de Figuras

Figura 1: Elemento de ligação e os meios de ligação (Chapa Gusset e os parafusos) ....20

Figura 2: Ilustração esquemática do fluxo de tensões em uma cantoneira ligada por uma
aba....................................................................................................................................21

Figura 3: Modos de falha relacionados a ligações parafusadas em perfis de aço


submetidos à tração pelo modelo sugerido por Maiola (2004) .......................................21

Figura 4: Área Bruta ........................................................................................................22

Figura 5: Ilustração dos espaçamentos s e g ....................................................................23

Figura 6: Ilustração para distancia de ec .........................................................................26

Figura 7: Combinação dos esforços em que as ligações estão submetidas .....................26

Figura 8: Perfil cantoneira ...............................................................................................34

Figura 9: Perfil barra chata ..............................................................................................35

Figura 10: Desenho corpo de prova do perfil cantoneira com área bruta........................37

Figura 11: Desenho do corpo de prova do perfil cantoneira com apenas um parafuso na
linha de ruptura ................................................................................................................38

Figura 12: Desenho do corpo de prova do perfil cantoneira com dois parafusos na linha
de ruptura .........................................................................................................................39

Figura13: Desenho do perfil barra chata com área bruta.................................................40

Figura 14: Desenho do perfil barra chata com um parafuso na linha de ruptura ............41

Figura 15: Rompimento dos corpos de prova..................................................................43

Figura 16: Todas as amostras rompidas ..........................................................................43

Figura 17: Resultado do ensaio .......................................................................................44

Figura 18: Resultado do ensaio .......................................................................................45

Figura 19: Resultado do ensaio .......................................................................................45

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 7


Figura 20: Resultado do ensaio .......................................................................................46

Figura 21: Resultado do ensaio .......................................................................................46

Figura 22: Resultado do ensaio .......................................................................................47

Figura 23: Resultado do ensaio .......................................................................................48

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 8


Lista de tabelas.

Tabela 01: Perfil cantoneira utilizado.............................................................................34

Tabela 02: Perfil barra chata utilizado............................................................................35

Tabela 03: Tabela para análise de resultados................................................................49

Tabela 04: Tabela para análise de resultados................................................................49

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 9


Lista de Equações

Equação 1:Formula para calculo da área bruta do aço ....................................................22

Equação 2: Diâmetro do furo com folga de 2,0 mm .......................................................23

Equação 3: Área Liquida efetiva .....................................................................................24

Equação 4:Ct = 1 .............................................................................................................24

Equação 5:Formula para a determinação do Ct através da excentricidade .....................24

Equação 6:Formula para calculo da área efetiva ou área resistente ................................25

Equação 7:Formula para calculo da área bruta do parafuso ............................................25

Equação 8:Formula para calculo da força resistente de calculo de um parafuso


tracionado ........................................................................................................................27

Equação 9: Formula para calculo da força resistente de calculo de um parafuso sujeito a


força de cisalhamento ......................................................................................................28

Equação 10: Formula para calculo da força resistente de calculo de um parafuso sujeito
a força de cisalhamento. (Parafusos de alta resistência) ..................................................28

Equação 11: Formula para verificação da rigidez das ligações .......................................29

Equação 12: Formula para verificação da rigidez das ligações .......................................29

Equação 13: Formula para verificação da rigidez das ligações .......................................30

Equação 14: Formula para o dimensionamento de perfis sujeitos a compressão ............30

Equação 15:Formula para calculo do parâmetro de esbeltez ..........................................36

Equação 16:Formula para calculo do índice de esbeltez .................................................36

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 10


Lista de Símbolos

Ag - Área bruta de aço.

Bf- Largura da chapa.

t - Espessura da chapa.

d’ - Diâmetro do furo com folga de 2,0 mm.

d - Diâmetro do furo.

Ae - Área liquida efetiva.

An - Área liquida.

Ct - Coeficiente de redução de área liquida.

ec – é a excentricidade da ligação

lc – é o comprimento efetivo da ligação

Abe – Área resistente de uma barra roscada.

Ab = Área bruta baseada no diâmetro da rosca.

Fub = Resistência a ruptura do material do parafuso ou barra redonda rosqueada.

γ = Ao coeficiente de ponderação das resistências.

E = Modulo de elasticidade.

Iv = Momento de inércia da seção transversal da viga conectada no plano da estrutura;

Lv = Comprimento da viga conectada;

Kv = Valor médio de Iv/Lv para todos os pilares do andar;

Kp = Valor médio de Ip/Lp para todos os pilares do andar;

Ip = Momento de inércia da seção transversal do pilar conectada no plano da estrutura;

Lp = Altura do andar para um pilar.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 11


Si = Rigidez da ligação correspondente a 2/3 do momento resistente de calculo da
ligação, denominada rigidez inicial;

Iv = Momento de inércia da seção transversal da viga conectada no plano da estrutura;

Lv = Comprimento da viga conectada;

ρ = é o fator de redução associado a resistência a compressão.

Q = é o fator de redução associado a flambagem local.

Ag = é a área bruta da seção transversal da barra.

Fy = Propriedade do material.

λ = Parâmetro de esbeltez

λ’=Índice de esbeltez

Rmin =Raio mínimo de giração

LFL= Comprimento de flambagem.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 12


Sumario

1. Introdução ............................................................................................................15
1.1.Objetivo Geral .....................................................................................................16
1.2.Objetivos Específicos ..........................................................................................16
2. Justificativa. .........................................................................................................16
3. Revisão Bibliográfica ..........................................................................................17
3.1.Produtos estruturais de aço ..................................................................................17
3.1.1. Barras .............................................................................................................17
3.1.2. Chapas ...........................................................................................................17
3.1.3. Perfis Laminados. ..........................................................................................17
3.1.4. Trilhos............................................................................................................17
3.1.5. Tubos .............................................................................................................18
3.2.Propriedades mecânicas do aço ...........................................................................18
3.2.1. Ductilidade ....................................................................................................18
3.2.2. Fragilidade .....................................................................................................18
3.2.3. Dureza............................................................................................................19
3.2.4. Fadiga ............................................................................................................19
3.3.Ligações parafusadas em perfis de aço................................................................19
3.4.Espaçamento dos parafusos .................................................................................20
3.5.Ruptura da seção liquida......................................................................................20
3.6.Procedimento de calculo sugerido pela NBR 08800:2008 para as ligações
parafusadas em perfis metálicos .........................................................................22
3.6.1. Área bruta ......................................................................................................22
3.6.2. Área liquida ...................................................................................................22
3.6.3. Área liquida efetiva .......................................................................................24
3.6.4. Coeficiente de redução de área liquida ..........................................................24
3.7.Dimensionamento de parafusos utilizados na ligação parafusada.......................25
3.7.1. Área efetiva do parafuso ................................................................................25
3.7.2. Força resistente de calculo para parafusos ....................................................26
3.7.2.1.Tração ...........................................................................................................27
3.7.2.2.Cisalhamento .................................................................................................28
3.7.3. Combinação de parafuso com solda ..............................................................28
3.8.Classificação da ligação.......................................................................................28

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 13


3.8.1. Ligação Rígida...............................................................................................29
3.8.2. Ligação semi-rígida .......................................................................................29
3.9.Dimensionamento de barras a compressão ..........................................................30
3.10. Pesquisas existentes .................................................................................31
4. Procedimentos metodológicos .............................................................................34
4.1.Perfis Utilizados. .................................................................................................34
4.2.Configuração das ligações em que os perfis foram submetidos ..........................35
4.3.Dimensionamento dos corpos de prova, conforme a NBR 08800 (ABNT,2008)
.............................................................................................................................35
4.3.1. Calculo do índice de esbeltez das peças ........................................................36
4.3.2. Calculo da resistência dos perfis cantoneira com área bruta .........................37
4.3.3. Calculo para os perfis cantoneira parafusados ..............................................37
4.3.3.1.Calculo para cantoneiras com apenas um parafuso na linha de ruptura ........37
4.3.3.2.Calculo para cantoneiras com dois parafusos na linha de ruptura.................39
4.3.4. Calculo da resistência dos perfis barra chata com área bruta com
comprimento de 20cm 15 cm e 10 cm ...........................................................40
4.3.5. Calculo do perfil barra chata com ligação parafusada ..................................41
4.4.Ensaio de resistência a compressão dos perfis ....................................................42
5. Resultados dos ensaios ........................................................................................44
5.1.Perfil cantoneira com área bruta ..........................................................................44
5.2.Perfil cantoneira com um parafuso na linha de ruptura .......................................45
5.3.Perfil cantoneira com dois parafusos na linha de ruptura....................................45
5.4.Perfil barra chata com área bruta e com 20 cm de comprimento ........................46
5.5.Perfil barra chata parafusado ...............................................................................47
5.6.Perfil barra chata com área bruta e com 15 cm de comprimento .......................48
5.7.Perfil barra chata com área bruta e com 10 cm de comprimento .......................48
6. Análise de resultados ...........................................................................................49
6.1.Análise dos resultados obtidos no perfil barra chata ...........................................50
6.2.Análise dos resultados obtidos no perfil cantoneira ............................................50
6.3.Análise dos resultados obtidos nos corpos de prova do perfil barra chata com
comprimento de 20 cm, 15 cm, 10 cm ...............................................................51
7. Considerações finais ............................................................................................53
8. Referencias bibliográficas ...................................................................................54

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 14


1. Introdução

Com o aumento do emprego do aço na construção civil brasileira a necessidade de


pesquisas na área de dimensionamento de estruturas metálicas se faz necessário, devido
a essa carência, diversas linhas de pesquisa, com intuito de desenvolver documentos
normativos que estabelecessem critérios de projeto obedecendo ao comportamento
estrutural das ligações metálicas, foram incrementadas no cenário mundial, embora no
Brasil as ligações sejam contempladas por normas, a presente pesquisa tem o objetivo
de pesquisar sobre Coeficiente de redução de área liquida Ct e fazer conclusões as
conferindo com a norma NBR 08800 (ABNT, 2008). Tradicionalmente, os problemas
de dimensionamento de estruturas têm sido resolvidos pela tentativa e erro, ditados pela
especificação de cálculo e guiados pela experiência do engenheiro. O objetivo em
muitos problemas de dimensionamentos de estruturas é minimizar os custos ao mesmo
tempo em que se satisfazem os critérios de normas e especificações técnicas. Além da
revisão bibliográfica referente ao coeficiente de redução de área líquida em perfis
metálicos e ao dimensionamento de ligações parafusadas em aço, apresentam-se
citações de trabalhos relacionados ao assunto, destacando-se que, até o momento, não
foram encontrados estudos relativos ao coeficiente de redução de área líquida em perfis
metálicos, tendo como base de cálculo a norma NBR 08800 (ABNT, 2008).

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 15


1.1. Objetivo geral

Analisar experimentalmente as prescrições da norma brasileira de dimensionamento de


estruturas de aço, focando a pesquisa no coeficiente redutor de área liquida.

1.2. Objetivos específicos

. Verificar os valores experimentais do coeficiente de redução de área líquida no perfil


metálico tipo Cantoneira.

. Comparar o coeficiente de redução de área liquida especificado pela norma com a


análise experimental.

.Verificar a diferença que o comprimento de flambagem causa na resistência das


amostras.

2. Justificativa

Desde o inicio da utilização de estruturas metálicas na construção civil o aço tem


possibilitado soluções eficientes e de alta qualidade, com isso, e com as inúmeras
vantagens na utilização de sistemas construtivos em aço houve um aumento do emprego
de estruturas metálicas na construção civil brasileira.

O Aço pode estar presente como parte das obras ou como material principal. O sistema
construtivo em aço permite liberdade no projeto de arquitetura, maior área útil,
flexibilidade, compatibilidade com outros materiais, menor prazo de execução,
racionalização de materiais e mão de obra, alivio de carga nas fundações, garantia de
qualidade, maior organização nos canteiros de obras e precisão construtiva.

Visto que as normas de dimensionamento de estruturas de aço brasileiras são baseadas


em normas estrangeiras estudos que simulam situações da construção metálica brasileira
que possam ser confrontadas com as especificações dadas pelas normas, são validas e
justificadas.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 16


3. Revisão bibliográfica

3.1. Produtos estruturais em aço

De acordo com Pfeil (2000) as usinas produzem aços para utilização estrutural sob
diversas formas como chapas, barras, perfis laminados, fios trefilados e cabos. As
chapas, as barras e os perfis laminados são fabricados em laminadores em sucessivos
passes, que dão ao aço pré-aquecido a seção desejada. Os fios trefilados são obtidos
puxando uma barra de aço sucessivamente por meio de fieiras com diâmetros
decrescentes. A trefilação é feita a frio, utilizando lubrificantes para evitar
superaquecimento dos fios. Os perfis estruturais podem ser fabricados por dobramento
de chapas e por associação de chapas através de solda.

3.1.1. Barras

As barras são produtos laminados nos quais duas dimensões são pequenas em relação ao
comprimento. As barras podem ser laminadas em seção circular, quadrada ou retangular
alongada. (PFEIL; PFEIL, 2000).

3.1.2. Chapas

As Chapas são produtos laminados, nos quais uma dimensão a espessura é muito menor
que outras duas como a largura e o comprimento. (PFEIL; PFEIL, 2000).

3.1.3. Perfis laminados

Os laminadores produzem perfis de grande eficiência estrutural em forma de H, I, C, L


os quais são denominados corretamente de perfis laminados. (PFEIL; PFEIL, 2000).

3.1.4. Trilhos

Os trilhos são perfis laminados destinados a servir de apoio para as rodas de pontes

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 17


rolantes e trens. A seção do trilho ferroviário apresenta uma base de apoio maior, uma
alma vertical e um boleto menor que a base sobre o quase se apóia a roda. (PFEIL;
PFEIL, 2000).

3.1.5. Tubos

Os Tubos são ocos, de seção retangular, circular ou quadrada. Eles podem ser
produzidos em laminadores especiais ou com chapa dobrada e soldada. (PFEIL; PFEIL,
2000).

3.2. Propriedades mecânicas do aço

De acordo com a NBR 08800 (ABNT, 2008) o aço usado em estruturas metálicas tem
constantes atribuídas a sua composição, de acordo com a norma brasileira para efeito de
calculo as propriedades mecânicas utilizadas são, modulo de elasticidade E = 200000
MPa; coeficiente de Poisson v = 0,3; modulo de elasticidade transversal G = 77000
MPa; coeficiente de dilatação térmica βa = 1,2 10(C°); e massa especifica com ρa =
7850 Kg/m³.

3.2.1. Ductilidade

Ductilidade é a capacidade de o material se deformar sob a ação das cargas. Aços


dúcteis, quando sujeitos a tensões locais elevadas sofrem deformações plásticas capazes
de redistribuir as tensões locais elevadas, sofrem deformações plásticas capazes de
redistribuir as tensões. Esse comportamento plástico permite, por exemplo, que se
considere numa ligação parafusada distribuição uniforme da carga entre os parafusos.
(PFEIL; PFEIL, 2000).

3.2.2. Fragilidade

Fragilidade é o oposto de ductilidade. Os aços podem ser tornados frágeis pela ação de
diversos agentes: baixas temperaturas ambientes, efeitos térmicos locais causados. O
estudo das condições em que os aços se tornam frágeis tem grande importância nas

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 18


construções metálicas, uma vez que os materiais frágeis se rompem bruscamente e sem
aviso prévio. (PFEIL; PFEIL, 2000).

3.2.3. Dureza

Denomina-se dureza a resistência ao risco ou abrasão. Na pratica mede-se a dureza pela


resistência que a superfície do material oferece a penetração de uma peça de maior
dureza. (PFEIL; PFEIL, 2000).

3.2.4. Fadiga

A resistência a ruptura dos materiais é em geral medida em ensaios estáticos. Quando as


peças metálicas trabalham sob efeito de esforços repetidos em grande numero, pode
haver ruptura em tensões inferiores as obtidas em ensaios estáticos. (PFEIL; PFEIL,
2000).

3.3. Ligações parafusadas em perfis de aço

Observa-se em projetos, que muitas das aplicações para as ligações parafusadas


envolvem ligações “excêntricas” em perfis, ou seja, nem todos os elementos da seção
transversal são conectados.

De acordo com Vasconcellos (2011) as ligações são compostas dos elementos de


ligações e dos meios de ligação como mostra a figura 1. Os elementos de ligação são
todos os componentes incluídos no conjunto para permitir ou facilitar a transmissão dos
esforços: enrijecedores, chapas de ligação, placas de base, cantoneiras, consolos, talas
de emenda, e parte das peças ligadas envolvidas localmente na ligação. Os meios de
ligação são os elementos que promovem a união entre as partes da estrutura para formar
a ligação: soldas, parafusos, barras redondas rosqueadas e pinos.

Figura 1: Elemento de ligação e os meios de ligação (Chapa Gusset e os parafusos).

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 19


Fonte: (VASCONCELLOS, 2011, p.12)

3.4. Espaçamentos dos parafusos

“A distancia entre centros de furos-padrão não pode ser inferior a 2,7 db, de preferência
3 db o diâmetro do parafuso ou barra redonda rosqueada. Alem desse requisito, a
distancia livre entre as bordas de dois furos consecutivos não pode ser inferior a db”
NBR 08800 (ABNT, 2008, P.84).

3.5. Ruptura da seção liquida

“A ruptura da seção liquida nas ligações parafusadas é identificada pela estricção da


seção. Seguida da fratura do material inicial junto as bordas dos furos, propagando-se
para as extremidades da chapa.” (MAIOLA, 2007, p.135).

De acordo com Maiola (2004) a distribuição de tensões não uniforme na vizinhança da


ligação favorece a ruptura da seção liquida, reduzindo a capacidade das barras
submetidas a tração.

Como transferência de forças entre os elementos conectados ocorre somente


pelos parafusos, a tensão que pode ser admitida uniformemente distribuída na
seção transversal longe da ligação, precisa ser “estrangulada” para o entorno do
parafuso ou parafusos. Quando a ligação é excêntrica, a seção transversal na
região da ligação não é solicitada na sua totalidade (figura 2). (MAIOLA,
2004, p.28)

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 20


Figura 2: Ilustração esquemática do fluxo de tensões em uma cantoneira ligada por uma
aba.

Fonte: (MAIOLA, 2004, p.28)


Segundo os estudos de Maiola (2004), podem ocorrer quatro tipos de falha relacionados
a ligações parafusadas solicitadas a esforços de tração, que são: (a) rasgamento entre
furo e borda, (b) esmagamento da chapa de aço junto a borda do parafuso, (c) ruptura da
seção liquida da chapa de aço ou cisalhamento do parafuso e (d) esmagamento da chapa
de aço junto a borda do parafuso com flexão da chapa. Os modos de falha estão
representados na figura 3.

Figura 3: Modos de falha relacionados a ligações parafusadas em perfis de aço


submetidos à tração pelo modelo sugerido por Maiola (2004).

Fonte: (MAIOLA, 2004.p 32)


Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 21
3.6. Procedimento de calculo sugerido pela NBR 08800:2008 para as ligações
parafusadas em perfis metálicos

3.6.1. Área bruta

Segundo Moore (2005), a área bruta de uma seção deve ser calculada pela soma dos
produtos da espessura pela largura bruta do elemento, medida em direção normal ao
eixo da barra conforme figura 4:

Figura 4: Área Bruta

Ag = Bg.t (1)

Ag = Área bruta de aço.

Bg = Largura da chapa.

t = Espessura da chapa.

3.6.2. Área liquida

De acordo com a NBR 08800 (ABNT, 2008) em regiões com furos para ligações feitas
para qualquer outra finalidade a área liquida (An) de uma barra é a soma dos produtos
da espessura pela largura liquida de cada elemento. O calculo da área liquida é dado
como segue:

a) Para ligações parafusadas devera ser somado 2,0 mm a largura dos furos
perpendiculares a força aplicada, ao mesmo que se possa garantir que os
furos sejam executados com broca poderá se usar a largura igual a
dimensão máxima do parafuso; NBR 8800(ABNT, 2008, P.38)

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 22


d’ = d + 2mm (2)

d’ = Diâmetro do furo com folga de 2,0 mm.

d = Diâmetro do furo.

b) No caso de uma série de furos distribuídos transversalmente ao eixo da


barra, em diagonal a este eixo ou em zig-zag, a largura liquida desta parte
da barra deve ser calculada deduzindo-se para cada linha ligando dois
furos a quantidade s2/(4g), sendo s e g os espaçamentos longitudinal e
transversal entre dois furos; (Figura 5). NBR 8800(ABNT, 2008, P.38)

Figura 5: Ilustração dos espaçamentos s e g.

c) A largura liquida critica será determinada para a cadeia de


furos que produza a menor largura liquida dentre as possíveis
linhas de ruptura; NBR 8800 (ABNT, 2008, P.38).

d) Para cantoneiras, o gabarito g dos furos em abas opostas deve


ser considerado igual a soma dos gabaritos medidos a partir da
áreas da cantoneira subtraída de sua espessura; NBR 8800
(ABNT, 2008, P.38).

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 23


3.6.3. Área liquida efetiva

De acordo com a norma NBR 8800 (ABNT, 2008) a área liquida efetiva é dada por:

An = Ae.Ct (3)

Ae = Área liquida efetiva.

An = Área liquida.

Ct = Coeficiente de redução de área liquida.

3.6.4. Coeficiente de redução de área liquida

De acordo com a norma NBR 8800 (ABNT, 2008) o coeficiente de redução de área
liquida, Ct tem os seguintes valores:

a) Quando a força de tração for transmitida diretamente para cada um dos elementos da
seção transversal da barra, por soldas ou parafusos:

Ct = 1,0 (4)

b) Nas barras com seções transversais abertas, quando a força de tração for transmitida
somente por parafusos ou por soldas longitudinais ou ainda por uma combinação de
soldas longitudinais e transversais para alguns (não todos) os elementos da seção
transversal (devendo, no entanto, 0,90, como limite superior, e não se permitindo
ligações que resultem em um valor menor que 0,60);

Ct = 1 – (ec ÷ lc) (5)

Onde:

ec – é a excentricidade da ligação, igual a distancia do centro geométrico da seção da


barra, G, ao plano de cisalhamento da ligação (em perfis com um plano de simetria, a
ligação deve ser simétrica em relação a ele e são consideradas, para calculo de Ct, duas
barras fictícias e simétricas, cada uma corresponde ao plano de cisalhamento da ligação

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 24


por exemplo duas seções T no caso de perfis I ou H ligações pelas mesas ou duas seções
U, no caso desses perfis serem ligados pela alma.

lc – é o comprimento efetivo da ligação (esse comprimento, nas ligações soldadas é


igual ao comprimento da solda na direção da força axial; nas ligações parafusadas é
igual a distancia do primeiro ao ultimo parafuso da linha de ruptura com maior numero
de parafusos, na direção da força axial). NBR 8800 (ABNT,2008)

Figura 6: Ilustração para distancia de ec.

Fonte: NBR 8800 (ABNT,2008)

3.7. Dimensionamento de parafusos utilizados na ligação parafusada

3.7.1. Área efetiva do parafuso

A área resistente ou área efetiva de um parafuso ou de uma barra redonda


rosqueada (Abe), para tração, é um valor compreendido entre a área da raiz da
rosca. Nesta forma esta área é considerada igual a 0,75 Ab, sendo Ab a área
bruta, baseada no diâmetro do parafuso ou no diâmetro externo da rosca da
barra redonda db, Logo: NBR 8800 (ABNT, 2008, p76)

Abe = 0,75. Ab (6)

Ab = ( π . db² ) ÷ 4 (7)

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 25


3.7.2. Força resistente de calculo para parafusos

Os parafusos devem resistir a esforços a tração, cisalhamento ou ambos, ao passo que as


soldas devem resistir a tensões tangenciais e normais. Dependendo dos esforços
solicitantes e das posições relativas desses esforços e dos grupos de parafusos ou linhas
de solda resistentes, as ligações podem ser dos seguintes tipos básicos:

- cisalhamento centrado (fig. 7a);

-cisalhamento excêntrico (fig. 7b);

-tração ou compressão (fig. 7c);

-tração ou compressão com cisalhamento (fig. 7d);

Os esforços solicitantes podem ainda ser constantes ao longo da vida útil da ligação
(estaticamente aplicados) ou variáveis ao longo dela (dinamicamente aplicados).
(VASCONCELLOS, 2011).

Figura 7: Combinação dos esforços em que as ligações estão submetidas.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 26


3.7.2.1. Tração

De acordo com a norma NBR 8800 (ABNT, 2008) a força resistente de calculo de um
parafuso tracionado ou de uma barra redonda rosqueada tracionada e dada por:

Ft,Rd = (Abe . Fub) ÷ γ (8)

Fub = Resistência a ruptura do material do parafuso ou barra redonda rosqueada.

Abe = Área efetiva do parafuso.

γ = Ao coeficiente de ponderação das resistências.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 27


3.7.2.2. Cisalhamento

A força de cisalhamento resistente de calculo de um parafuso ou barra rosqueada é por


plano de corte, igual a:

a) Para parafusos de alta resistência e barras redondas rosqueadas, quando o plano de


corte passa pela rosca e para parafusos comuns em qualquer situação:

Fv,Rd = (0,4.Ab.Fub) ÷ γ (9)

b) Para parafusos de alta resistência e barras redondas rosqueadas quando o plano de


corte não passa pela rosca:

Fv,Rd = (0,5.Ab.Fub) ÷ γ (10)

Onde ab é a área bruta baseada no diâmetro do parafuso. NBR 8800 (ABNT, 2008).

3.7.3. Combinação de parafuso e solda

Parafusos não podem ser considerados trabalhando em conjunto com soldas,


exceto em ligações a cisalhamento, nas quais parafusos instalados em furos-
padrão ou furos pouco alongados com a maior dimensão transversal á direção
da força podem ser considerados trabalhando conjuntamente a filetes
longitudinais de solda, desde que considerada menos de 50% da força
resistente de calculo do grupo de parafusos. NBR 8800 (ABNT, 2008, p.64)

3.8. Classificação das ligações

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 28


3.8.1. Ligação Rígida

Uma ligação viga pilar pode ser considerada rígida se:

Si ≥ (25.E.Iv) ÷ Lv (11)

Essa condição é valida somente para estruturas nas quais, em cada andar, a seguinte
condição é satisfeita:

Kv÷Kp ≥ 0,1 (12)

Si é a rigidez da ligação, correspondente a 2/3 do momento resistente de cálculo da


ligação, denominada rigidez inicial;

E = Modulo de elasticidade.

Iv = Momento de inércia da seção transversal da viga conectada no plano da estrutura;

Lv = Comprimento da viga conectada;

Kv = Valor médio de Iv/Lv para todos os pilares do andar;

Kp = Valor médio de Ip/Lp para todos os pilares do andar;

Ip = Momento de inércia da seção transversal do pilar conectada no plano da estrutura;

Lp = Altura do andar para um pilar.

De acordo com Vasconcellos (2011) se caso a primeira condição seja satisfeita, mas a
segunda não, a ligação deve ser considerada semi-rígida.

3.8.2. Ligação semi-rígida

Neste caso a restrição à rotação relativa entre os elementos estruturais deve ser tão
pequena quanto se consiga obter na pratica.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 29


No caso de vidas, sujeitas à flexão simples, por exemplo, a ligação flexível transmite
apenas a força cortante.

Si ≥ (0,5.E.Iv) ÷ Lv (13)

Onde:

Si = Rigidez da ligação correspondente a 2/3 do momento resistente de calculo da


ligação, denominada rigidez inicial;

Iv = Momento de inércia da seção transversal da viga conectada no plano da estrutura;

Lv = Comprimento da viga conectada;

Segundo Vasconcellos (2011) no caso de ligações semi-rígidas o momento transmitido


através da ligação não é nem zero (ou próximo de zero) como no caso de ligações
flexíveis e nem o momento Maximo (ou próximo dele) como no caso de conexões
rígidas.

Para que se possa utilizar a ligação semi-rígida, deverá ser conhecido primeiro a relação
de dependência entre o momento resistente e a rotação.

As ligações semi-rígidas são raramente utilizadas, devido à dificuldade de se estabelecer


esta relação.

3.9. Dimensionamento de barras a compressão

De acordo com a norma NBR 8800 (ABNT, 2008) a força axial de compressão
resistente de calculo, Nc,rd de uma barra associada aos estados limites últimos de
instabilidade por flexão, por torção ou flexo-torção e de flambagem local, deve ser
determinada pela expressão:

. . . 
, 
14


Onde:

ρ = é o fator de redução associado a resistência a compressão.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 30


Q = é o fator de redução associado a flambagem local.

Ag = é a área bruta da seção transversal da barra.

Fy = Propriedade do material.

γ = Coeficiente de segurança.

3.10. Pesquisas existentes

De acordo com Zamadei (2008) foi realizado uma pesquisa em que se usava perfis
cantoneiras com parafusos em serie em apenas uma das abas dos perfis, e perfis de
chapa plana também com parafusos em serie, ele submeteu os perfis a compressão em
uma prensa hidráulica obtendo os seguintes resultados para os perfis cantoneira:

Fonte: (Zamadei;2008;p.58)

De acordo com Zamadei (2008) os perfis onde havia parafusos apresentarão uma
resistência inferior aos perfis intactos. Resistência perfil intacto médio = 5030 Kgf.
onde foi reduzido para 3890 Kgf. no perfil com ligação parafusada médio, portanto
reduzindo 22,66% restando que o valor de Ct = 1,00 – 0,2266 então obtendo-se Ct =
0,77

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 31


Para os perfis chapa plana:

Fonte: (Zamadei;2008;p58)

De acordo com Zamadei (2008) a resistência do perfil intacto médio = 3370 aumento
para 7100 Kgf no perfil com ligação parafusada médio, portanto aumentando 210,68%
resultando no valor de Ct = 2,10.

Zamadei (2008) também explica que o valor de Ct ser 2,10 é pela razão de que o valor
de esbeltez do perfil com ligação parafusada é menor do que o valor de esbeltez do
perfil intacto.

Maiola (2004) também desenvolveu uma pesquisa para encontrar o coeficiente de


redução de área liquida em ligações feitas em perfis formados a frio, ele chegou a
conclusão que o modo de falha predominante foi a ruptura da seção liquida, muitas
vezes associada ao esmagamento, ou seja, a ruptura da seção liquida ocorreu sob
deformação excessiva da parede do furo ( ou furos ) que este ocorreu muitas vezes para
valores experimentais de Ct abaixo dos estimados teoricamente, portanto de acordo com
estes resultados experimentais ele sugeriu os seguintes ajustes da curva Ct aplicada a
cantoneiras formadas a frio:

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 32


Fonte: (Maiola, 2004, p.121).

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 33


4. Procedimentos Metodológicos

Para a realização desta pesquisa foi necessário definir os tipos de perfis utilizados, a
quantidade de corpos de prova, a configuração das ligações que os perfis foram
submetidos, confecção dos corpos de prova, o ensaio de resistência à compressão dos
perfis utilizados e o método de comparação dos resultados.

4.1. Perfis utilizados

Para os ensaios foram utilizados perfis do tipo cantoneira laminado (figura 8) e


dimensões de acordo com a tabela 01; foram utilizados também perfis do tipo barra
chata laminado (figura 9) e dimensões de acordo com a tabela 02. Os dois tipos de
perfis foram escolhidos de modo a seguir as definições de perfis metálicos da norma
NBR 08800 (ABNT, 2008).

Figura 8: Perfil cantoneira.

Fonte: (PFEIL; PFEIL, 2000)

Tabela 01: Perfil cantoneira utilizado.

bf(“) bf (cm) Área (cm²) tf (“) tf (cm) Rx=Ry (cm)

2” 5.080 cm 3,10 cm² 1/8” 0,317 cm 1,60 cm

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 34


Figura 9: Perfil barra chata.

Tabela 02: Perfil barra chata utilizado.

bf(“) bf(cm) Área (cm²) tf (“) tf (cm) Rx=Ry (cm)

1 ½” 3,810 cm 1,20 cm² 1/8” 0,317 cm 0,1 cm

Os parafusos utilizados foram da serie ASTM A325 com resistência ao cisalhamento de


82,5 KN/cm².

4.2. Configuração das ligações em que os perfis foram submetidos

Os corpos de prova do tipo perfil cantoneira foram submetidos a dois tipos de ligação
ambos com cisalhamento duplo, no primeiro havia duas abas parafusadas, nos outros
corpos de prova apenas uma das abas havia sido parafusada, no perfil barra chata teve
como ligação um parafuso em cada uma das extremidades. Todas as ligações estavam
sujeitas a cisalhamento duplo para garantir que o rompimento acontece-se no perfil e
não na ligação. Também foram rompidas três amostras do perfil cantoneira com área
bruta e três amostras do perfil barra chata com a área bruta para avaliar a diferença da
resistência que o comprimento de flambagem causa nas peças foram rompidos perfis
barra chata com o comprimento de 20 cm, 15 cm, 10 cm cada.

4.3. Dimensionamento dos corpos de prova, conforme a NBR 08800 (ABNT, 2008)

Para se adotar a melhor configuração da ligação parafusada para o ensaio foi necessário
o dimensionamento dos corpos de prova, alem disso os cálculos foram necessários para
poder comparar a da resistência calculada com a obtida nos ensaios.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 35


4.3.1. Calculo do índice de esbeltez das peças

λ=(LFL)/(Rmin) (15)

λ’= 0,0111 . λ (16)

a) Para os perfis cantoneira:

λ= 28 cm/1,6 cm = 17,5

λ’= 0, 0111 x 17,5 = 0,1945

Parâmetro de esbeltez = 0,1945

ρ=1 obtido através da curva

b) Para os perfis barra chata com 20 cm, 15 cm e 10 cm de comprimento:

λ= 20 cm/0,1 cm = 200

λ’= 0, 0111 x 200 = 2,22

Parâmetro de esbeltez = 2,22

ρ=0,172 obtido através da curva

λ= 15 cm/0,1 cm = 150

λ’= 0, 0111 x 150 = 1,665

Parâmetro de esbeltez = 1,665

ρ=0,275 obtido através da curva

λ= 10 cm/0,1 cm = 100

λ’= 0, 0111 x 100 = 1,111

Parâmetro de esbeltez = 1,111

ρ=0,481 obtido através da curva

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 36


Os valores de ρ indicam o aumento da flambagem, a medida que o comprimento
aumenta.

4.3.2. Calculo da resistência dos perfis cantoneira com área bruta

A figura 10 demonstra o desenho do perfil cantoneira com área bruta.

Figura 10: Desenho corpo de prova do perfil cantoneira com área bruta.

a) Calculo sugerido pela norma:

γ N = ρ x ø x Ag x Fy onde γ = 1,4 e Fy = 2500 Kgf/cm² ρ = 1

N = (1x0,9 x 3,1 x 2500)/1,4

N = 5535.7 Kgf.

b) Calculo sem os coeficientes de segurança:

N = ρ x Ag x Fy

N = 1 x 3,1 x 2500

N = 7750 Kgf.

4.3.3. Calculo para os perfis cantoneira parafusados

4.3.3.1. Calculo para cantoneiras com apenas um parafuso na linha de ruptura

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 37


A figura 11 demonstra o desenho do perfil cantoneira com apenas um parafuso por linha
de ruptura.

Figura 11: Desenho do corpo de prova do perfil cantoneira com apenas um parafuso na
linha de ruptura.

a) Calculo sugerido pela norma:

γ N = ρ x 0,75 x An x Ct * Fu onde γ = 1,4 e Fu = 4000 Kgf/cm²; ρ = 1 Ct = 0,75

An = Ag – n x d’ x t onde d’ = 1,6 + 0,35 = 1,95 cm

An = 3,1 – 1 x 1,95 x 0,317

An = 2,481 cm²

N = ( 0,75 x 2,485 x 0,75 x 4000) /1,4

N = 3993.75 Kgf.

b) Calculo sem os coeficientes de segurança:

N = An x Ct x Fu x ρ onde γ = 1,4 e Fu = 4000 Kgf/cm²; ρ = 1 Ct = 0,75

An = Ag – n x d’ x t onde d’ = 1,6 + 0,35 = 1,95 cm

An = 3,1 – 1 x 1,95 x 0,317

An = 2,481 cm²

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 38


N = (2,481 x 0,75 x 4000 x 1)

N = 7455 Kgf.

4.3.3.2. Calculo para cantoneiras com dois parafusos na linha de ruptura

A figura 12 demonstra o desenho do perfil cantoneira com apenas dois parafusos por
linha de ruptura.

Figura 12: Desenho do corpo de prova do perfil cantoneira com dois parafusos na linha
de ruptura.

a) Calculo sugerido pela norma:

γ N = ρ x 0,75 x An x Ct * Fu onde γ = 1,4 e Fu = 4000 Kgf/cm²; ρ = 1 Ct = 1


An = Ag – n x d’ x t onde d’ = 1,6 + 0,35 = 1,95
An = 3,1 – 2 x 1,95 x 0,317
An = 1,8637 cm²
N = (0,75 x 1,8637 x 1 x 4000 x 1)/1,4
N = 3993.64 Kgf.

b) Calculo sem os coeficientes de segurança:

γ N = ρ x An x Ct x Fu onde γ = 1,4 e Fu = 4000 Kgf/cm²; ρ = 1 Ct = 1


An = Ag – n x d’ x t onde d’ = 1,6 + 0,35 = 1,95 cm
An = 1,8637 cm²
N = (1,8637 x 1 x 4000)
N = 7454,8 Kgf.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 39


4.3.4. Calculo da resistência dos perfis barra chata com área bruta com
comprimento de 20 cm 15 cm e 10 cm

A figura 13 demonstra o desenho do perfil barra chata com área bruta.

Figura13: Desenho do perfil barra chata com área bruta.

a) Calculo sugerido pela norma para a peça com 20 cm:

γ N = ρ x ø x Ag x Fy onde γ = 1,4 e Fy = 2500Kgf/cm² ρ = 0,172

N = (1,2046 x 0,172 x 2500 x 0,9) x 1,4

N = 332,98 Kgf.

b) Calculo sem os coeficientes de segurança para peça com 20 cm:

N = 1,2046 x 0,172 x 2500

N = 518 Kgf

c) Calculo sugerido pela norma para a peça com 15 cm:

γ N = ρ x ø x Ag x Fy onde γ = 1,4 e Fy = 2500Kgf/cm² ρ = 0,275

N = (1,2046 x 0,275 x 2500 x 0,9) / 1,4

N = 532,98 Kgf.

d) Calculo sem os coeficientes de segurança para peça com 15 cm:

N = 1,2046 x 0,275x 2500

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 40


N = 828,16 Kgf

e) Calculo sugerido pela norma para a peça com 10 cm:

γ N = ρ x ø x Ag x Fy onde γ = 1,4 e Fy = 2500Kgf/cm² ρ = 0,481

N = (1,2046 x 0,481 x 2500 x 0,9) / 1,4

N = 931,19 Kgf.

f) Calculo sem os coeficientes de segurança para peça com 10 cm:

N = 1,2046 x 0,481 x 2500

N = 1448,53 Kgf.

4.3.5. Calculo do perfil barra chata com ligação parafusada

A figura 14 demonstra o desenho do perfil barra chata com a ligação parafusada, ele
possui apenas um parafuso na linha de ruptura.

Figura 14: Desenho do perfil barra chata com um parafuso na linha de ruptura.

a) Calculo sugerido pela norma:

γ N = ρ x 0,75 x An x Ct x Fu onde γ = 1,4 e Fu = 4000 Kgf/cm²; ρ = 0,172 Ct = 1

An = Ag – n x d’ x t onde d’ = 1,25 + 0,35 = 1,6 cm

An = 1,2 – 1 x 1,6 x 0,317

An = 0,692 cm²

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 41


N = (0,172 x 0,75 x 0,692 x 1 x 4000) / 1,4

N = 243 kgf.

b) Calculo sem os coeficientes de segurança:

γ N = ρ x An x Ct x Fu onde γ = 1,4 e Fu = 4000 Kgf/cm²; ρ = 0,172 Ct = 1

γ N = ρ x 0,75 x An x Ct x Fu onde γ = 1,4 e Fu = 4000 Kgf/cm²; ρ = 0,172 Ct = 1

An = Ag – n x d’ x t onde d’ = 1,25 + 0,35 = 1,6 cm

An = 1,2 – 1 x 1,6 x 0,317

An = 0,692 cm²

N = (0,172 x 0,692 x 1 x 4000)

N = 476 Kgf.

4.4. Ensaio de resistência a compressão dos perfis

Os ensaios procederam-se da seguinte forma:

Foi efetuado o rompimento de três corpos de prova de perfis cantoneira e perfis barra
chata com área bruta e verificado a resistência máxima a compressão do perfil; depois
de verificado os valores, foram rompidos três corpos de prova do tipo cantoneira e do
tipo barra chata, ambos parafusados como já descrito no item 3.2; também foram
rompidos corpos de prova do tipo barra chata com área bruta com o comprimento 20
cm, 15 cm e 10 cm; todas as amostras foram submetidas a mesma velocidade de
carregamento; foi considerado como força máxima de ruptura o momento em que a
prensa hidráulica começou a mostrar carregamentos negativos em seu visor.

A figura 15 a), ilustra o momento do ensaio de um perfil cantoneira com dois furos na
mesma aba, a figura 15 b) ilustra o momento do ensaio de um perfil cantoneira com um
furo em cada aba, a figura 15 c) ilustra o momento do ensaio de um perfil cantoneira
com área bruta, a figura 15 d) ilustra o momento do ensaio do perfil barra chata com
área bruta.A figura 16 mostra todas as amostras rompidas.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 42


Figura 15: Rompimento dos corpos de prova.

a) b)

c) d)

Figura 16: Todas as amostras rompidas.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 43


5. Resultado dos ensaioss

5.1. Perfil
fil cantoneira com área bruta

A figura 17 apresenta um gráfico com o valor da força máxima de compressão que os


corpos de prova do perfil cantoneira com área bruta suportaram também apresenta a
média dessas forças e a resistência calculada.

Figura 17: Resultado do ensaio.

12000

9679
10000 9142 8848
7725 7750
8000

6000 C. prova 1

4000 C. prova 2
C. prova 3
2000 Média

0 Resistência de cálculo

A diferença
iferença entre as amostras pode ter sido gerada pelo posicionamento do corpo de
prova dentro da prensa hidráulica, outro fator que pode ter acarretado na diferença das
amostras pode ter sido a velocidade de carregamento sobre os perfis,
perfis, como a prensa
hidráulica tem a velocidade de carregamento controlada por ajuste manual através de
válvulas, uma das dificuldades encontrada durante o ensaio foi manter a mesma
velocidade de carregamento durante todo o ensaio esse fator também pode ter
acarretado em uma redução na resistência dos corpos de prova porque quanto maior a
velocidade
ade de carregamento menor a resistência dos mesmos. A média de resistência
ficou acima da resistência de calculo, mesmo uma das amostras terem ficado abaixo
esse valor ainda é maior que o de calculo estabelecido pela norma porque o comparado
na figura 17 é a resistência sem os coeficientes de calculo sugeridos pela norma.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 44


5.2.
.2. Perfil cantoneira com um parafuso na linha de ruptura

A figura 18 apresenta um gráfico com o valor da força máxima de compressão que os


corpos de prova do perfil cantoneira com um parafuso na linha de ruptura suportaram,
também apresenta a média dessas forças e a resistência calculada.

Figura 18: Resultado do ensaio.

8000 7406 7455


6780 6742
7000
6040
6000
5000
4000 C. prova 1
3000 C. prova 2
2000 C. prova 3
1000 Média
0 Resistência de cálculo

No ensaio dos perfis cantoneira com um parafuso na linha de ruptura a diferença que
existe entre as amostras numero 1 e numero 3 é de 18,4% e a média das amostras ficou
em aproximadamente 7% de diferença para menos do que a resistencia de calculo, essa
diferença
ferença pode ter ocorrido pelos mesmos motivos explicados no item 4.1, mas mesmo
assim a resistencia obtida no ensaio ainda é superior a sugerida pela norma com os
coeficiente de segurança.

5.3.
.3. Perfil cantoneira com dois parafusos na linha de ruptura

A figura
igura 19 apresenta um gráfico com o valor da força máxima de compressão que os
corpos de prova do perfil cantoneira com dois parafusos na linha de ruptura suportaram,
suportaram,, também apresenta a média dessas forças e a resistência calculada.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 45


Figura 19: Resultado do ensaio.

12000

10000 9396 9479 9696 9521

8000 7454

6000 C. prova 1

4000 C. prova 2
C. prova 3
2000
Média
0 Resistência de cálculo

Se conclui quando comparado os perfis cantoneiras com um e dois parafusos na linha


de ruptura o perfil cantoneira com dois parafusos na linha de ruptura apesar de ter uma
área liquida menor que o perfil cantoneira com um parafuso
parafuso na linha de ruptura
apresenta uma resistencia maior e uma homogenidade maior entre os valores obtivos
nos ensaios.

.4. Perfil barra chata com área bruta e com 20 cm de comprimento


5.4.

A figura 20 apresenta um gráfico com o valor da força máxima de compressão que os


corpos de prova do perfil barra chata com área bruta e com o comprimento de 20 cm
suportaram,, também apresenta a média dessas forças e a resistência calculada.

Figura 20: Resultado do ensaio.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 46


700
553 572
600 524 518
500 448
400
300 C. prova 1
200 C. prova 2
100 C. prova 3
0 Média
Resistência de cálculo

O principal problema encontrado em todos os ensaios do perfil barra chata foi o modo
em que eles eram posicionados dentro da prensa hidráulica, pois não havia um suporte
para os perfis eles eram simplesmente apoiados dentro da prensa, isso pode ter
ocasionado uma diferença nos valores da amostra.

5.5. Perfil barra chata parafusado

A figura 21 apresenta um gráfico com o valor da força máxima de compressão que os


corpos de prova
va do perfil barra chata com um parafuso na linha de ruptura suportaram
também apresenta a média dessas forças e a resistência calculada.

Figura 21: Resultado do ensaio.

1400 1247
1200
912 966
1000 832
800
600 476 C. prova 1
400 C. prova 2
200 C. prova 3
0
Média
Resistência de cálculo

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 47


Nesta situação a diferença entre a média das amostras e a resistência de calculo foi de
202%, essa situação ocorreu por causa do enrijecimento das extremidades das amostras
diminuiu o comprimento de flambagem assim resultando em menor comprimento livre
e ocasionando maior resistência
resistênc a compressão.

5.6. Perfil barra chata com área bruta e com 15 cm de comprimento

A figura 22 apresenta um gráfico com o valor da força máxima de compressão que os


corpos de prova do perfil barra chata com área bruta e com o comprimento de 15 cm
suportaram,, também apresenta a média dessas forças e a resistência
istência calculada.
calculada

Figura 22: Resultado do ensaio.

940 918
920
900
880
860 846
840 821 828
820 C. prova 1
799
800 C. prova 2
780
760 C. prova 3
740 Média
720
Resistência de cálculo

A diferença entre o corpo de prova 1 e o corpo de prova 2 foi de 13% mesmo assim o
valor obtido na media das amostras ficaram acima do valor de calculo.

5.7. Perfil barra chata com área bruta e com 10 cm de comprimento

A figura 23 apresenta um gráfico com o valor da força máxima de compressão que os


corpos de prova do perfil barra chata com área bruta e com o comprimento de 10 cm
suportaram, também apresenta a média dessas forças e a resistência
resistência calculada.
calculada

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 48


Figura 23: Resultado do ensaio.

2500
2028
2000 1842 1832
1626
1448
1500
C. prova 1
1000
C. prova 2

500 C. prova 3
Média
0 Resistência de cálculo

Os testes realizados nos perfis barra chata eram muito sensíveis a velocidade de
carregamento acredita-se
se que esse fator junto com a descentralização dos perfis na
prensa hidráulica foram os fatores que mais influenciaram na diferença dos valores
obtidos nos ensaios.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 49


6. Análise de Resultados

6.1. Análise dos resultados obtidos no perfil barra chata

Tabela 03: Tabela para análise de resultados.

Valor médio dos esforços de compressão que os corpos de prova suportaram


Tipo do corpo de prova Média dos esforços
Perfil barra chata com área bruta com
524 kgf.
20 cm de comprimento
Perfil barra chata parafusado com 20
966 kgf.
cm de comprimento

Mesmo o perfil barra chata com área bruta possuir uma seção transversal maior que o
perfil barra chata parafusado os ensaios apresentaram uma resistência (966/524) =1,84
vezes inferior ao perfil com área bruta, isso se deve ao enrijecimento da parte superior
do perfil dado pelas chapas em que se fazia a ligação, alem disso o espaçamento entre
os parafusos diminuiu o comprimento de flambagem.

6.2. Análise dos resultados obtidos no perfil cantoneira

Tabela 04: Tabela para análise de resultados.

Valor médio dos esforços de compressão que os corpos de prova suportaram


Tipo do corpo de prova Média dos esforços
Perfil cantoneira com um parafuso na
linha de ruptura (apenas uma das abas 6742 kgf.
parafusadas)
Perfil cantoneira com dois parafusos na
linha de ruptura (duas abas 9521 kgf.
parafusadas)
Perfil cantoneira com área bruta 8848 kgf.

Onde o perfil cantoneira apresenta apenas uma aba parafusada o coeficiente de redução
de área liquida (Ct) sugerido pela NBR 8800 (ABNT, 2008) é de Ct = 0,75, onde ele
tem as duas abas parafusadas o Ct sugerido pela norma é Ct = 1 e no perfil cantoneira
com área bruta a norma também sugere o Ct = 1 porque as tensões se dissipam

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 50


uniformemente por todo o perfil, com o resultado de todos os ensaios realizou-se a
seguinte análise:

a) Para o perfil cantoneira com uma das abas parafusadas:

Quando comparado a resistência dos corpos de prova do perfil cantoneira com área
bruta = 8848 Kgf.; com a resistência dos corpos de prova do perfil cantoneira com
apenas uma das abas parafusadas = 6742 Kgf. á redução da resistência é de 23,80%,
resultando em um valor de Ct = 1 - 0,2380 portanto o novo Ct sugerido para esse caso é
de Ct = 0,762.

b) Para o perfil cantoneira com as duas abas parafusadas:

Quando comparado a resistência dos corpos de prova do perfil cantoneira com área
bruta = 8848 Kgf. com a resistência dos corpos de prova do perfil cantoneira com as
duas abas parafusadas = 9521 Kgf. a um aumento da resistência de 7,6% resultando em
um valor de Ct = 1+ 0,076 portanto o Ct para esse caso é de Ct = 1,076, o aumento da
resistência nesse caso se da porque o comprimento de flambagem no perfil com a
ligação parafusada é menor que no perfil com a área bruta, assim gerando um aumento
na resistência.

Portanto nos dois tipos de amostra o coeficiente de redução de área liquida ficou muito
próximo ao especificado com a norma, resultando em Ct = 0,762 onde o proposto pela
norma é de Ct = 0,75 quando apenas uma das abas do perfil foi parafusada e em um Ct
= 1,076 quando a norma propõe Ct =1 quando a ligação é feita nas duas abas do perfil.

6.3. Análise dos resultados obtidos nos corpos de prova do perfil barra chata com
comprimento de 20 cm, 15 cm, 10 cm

Para se avaliar o efeito que o comprimento de flambagem causa na resistência das peças
foram ensaiados perfis metálicos barra chata com área bruta e com o comprimento
variado 20 cm, 15 cm, 10 cm. Para a análise foi criado um gráfico (Resistência x Índice
de esbeltez). Conforme figura 24.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 51


Figura 24: Gráfico Força x Índice de esbeltez.

Força x Índice de esbeltez


2000
1800 1832
1600
y = 8E+06x-1,81
1400
1200
Força/ Kgf.

1000
800 846
600
524
400
200
0
0 50 100 150 200 250

Índice de esbeltez

Este gráfico mostra a curva de tendência que existe entre os dados coletados nos
ensaios, também mostra que quanto maior o comprimento da peça menor resistência ela
possui, a curva gerada tem a seguinte equação (y = 8E+06x-1,81 ) através dessa curva se
pode interpolar novos valores de resistência para o perfil barra chata 11/2” x 1/8”.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 52


7. Considerações finais

Esta pesquisa possibilitou a análise do comportamento dos perfis metálicos do tipo


barra chata e do perfil metálico tipo cantoneira quando submetidos a esforços de
compressão, as configurações das ligações adotadas foram as mais adequadas para que
pudesse comparar os resultados e a resistências das amostras.

Verificou-se que os valores do coeficiente de redução de área liquida (Ct) ficaram muito
próximos aos sugeridos pela norma NBR 08800 (ABNT, 2008) apresentando uma
diferença menor de 8% para ambos os casos no perfil cantoneira. Também pode se
observar que a resistência da peça quando submetida à compressão não esta apenas
ligada à seção transversal na área liquida do perfil e também a disposição dos parafusos
da ligação.

Para o perfil barra chata na situação em que se apresentava um parafuso na área liquida
se teve um ganho de 84% na resistência quando comparado ao perfil barra chata com
área bruta, mesmo diminuindo a área liquida do perfil, o fato do ganho da resistência se
deve ao enrijecimento da parte superior dos perfis onde a ligação foi feita.

Com as amostras do perfil barra chata com comprimento variado criou-se uma curva
exponencial y = 8E+06x-1,81 para que se possam achar novos valores de resistência
através do valor do comprimento de flambagem para essa situação.

Todos os parafusos utilizados nos ensaios eram de alta resistência e com o


dimensionamento feito para suportar uma carga maior que a do perfil nenhum deles
apresentou sinal de ruptura ou algum sinal de deformação.

Em todas as amostras aonde se apresentou ligações parafusadas os parafusos não


estavam bem apertados, deixou-se uma folga para que não ocasiona se uma rigidez
adicional nas bordas para que o resultado do ensaio não sofresse interferência por este
fator.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 53


8. Referencias bibliográficas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR 8800: Projeto e


execução de estruturas de aço e de estruturas mistas aço-concreto de edifícios:
Apresentação. Rio de janeiro, 2008.

PFEIL,Walter e Michele.Estruturas de aço.Rio de Janeiro, Livros técnicos e


científicos Editora S.A 7ª edição, 2000.

DREHMER, Gilmar Artur. Estruturas de aço. Passo Fundo, Faculdade de arquitetura e


engenharia da UPF, 1ª edição, 2004.

MOLITERNO, Antonio. Elementos para projetos em perfis leves de aço. São Paulo,
Editora Edgard Blucher LTDA, 2ª edição,2001.

MAIOLA, Carlos Henrique. (2004). Ligações parafusadas em chapas finas e perfis


de aço formados a frio. Tese (Doutorado) – Escola de Engenharia de São Carlos,
Universidade de São Paulo,São Carlos, 2004.125p + apêndices.

ZAMADEI, Fabrício Lucas. Coeficiente de Redução de Área Líquida em Perfis


Metálicos. Monografia II – Curso de Engenharia Civil da Universidade Comunitária
Regional de Chapecó, UNOCHAPECO, Chapecó,SC, 2008.

VASCONCELLOS, Alexandre Luiz. Ligações em estruturas metálicas. Rio de


Janeiro, Instituto Aço Brasil, 4ª edição,2011,Volume 1.

Cristiano Frozza Gottems, Unochapecó, Engenharia Civil Página 54