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U N I V E R S I D A D E D E S Ã O P A U L O ​Escola de

Engenharia de Lorena – EEL

Relatório de Laboratório de Engenharia Química I

Determinação da curva da bomba centrífuga H​b ​x Q e


avaliação da potência nas linhas de sucção e recalque de um
sistema hidráulico

Grupo 4
Alunos:
Objetivo ​Obter a curva característica H​m ​x Q da bomba no sistema em estudo e avaliar a
potência N​B ​em função de Q (vazão). Tem-se como objetivo também a utilização das equações
​ da
conservação de energia para o fluido ideal e de Bernoulli, calculando na prática os parâmetros de

H​B ​(altura manométrica da bomba) e N​B ​(potência da bomba).

1. Introdução

As bombas centrífugas são amplamente utilizadas na engenharia e estão associadas à


pequenas vazões e grandes alturas manométricas. Elas são capazes de trabalhar com sensíveis
variações de vazão, de pressão e de rotação. São máquinas onde a transferência de energia da
bomba para um fluido é realizada pela ação (rotação) de um órgão propulsor (rotor).
As curvas características das bombas centrífugas relacionam a vazão recalcada com a altura
manométrica alcançada, com a potência absorvida e com o rendimento. Podem apresentar a altura

máxima de sucção (H​s,máx​) ou a energia específica positiva líquida de sucção


​ requerida pela
bomba (NPSH). De modo geral, as curvas características das bombas centrífugas se apresentam
da forma estabelecida na figura 1.

Figura 1 – Curvas características das bombas centrífugas

Fonte: Laboratório de calor e fluidos, 2018

Onde: H = altura de elevação manométrica ou carga


total Q = vazão ou capacidade da bomba P = potência
absorvida ou potência no eixo η = rendimento
A intensidade das forças geradas no rotor pode variar de acordo com as dimensões, formas
ou número de giros do rotor. Dessa forma, qualquer alteração que se faça em um desses três
parâmetros alterará também a curva característica da máquina. Para que a bomba tenha um bom
funcionamento, é necessário que sua carcaça esteja cheia de líquido, substituindo o ar existente
dentro dela. Além disso, se o líquido não possui viscosidade

elevada, as curvas H x Q e η x Q não sofrem uma alteração significativa para um rotor que tenha
forma, diâmetro e rotação definidos, independente do líquido bombeado. Portanto, as curvas
características da bomba representam as condições hidráulicas operacionais da máquina
trabalhando a determinada rotação (giros na unidade de tempo).
Para obter essas curvas características das bombas centrífugas, experimentos como o da
figura 2 são realizados. Tais experimentos são basicamente formados por circuitos hidráulicos
fechados e podem possuir, além da bomba a ser analisada e da fonte de acionamento, os
elementos:
- Equipamento que permita a variação da rotação de acionamento da bomba; -
Válvula para regulagem da vazão do fluido; - Instrumentos para determinação da
vazão, potência e rotação de acionamento.

Figura 2 – Esquema do aparato experimental

Fonte: EEL – USP

As curvas características H​m ​x Q possuem forma de equação de 2o grau:


H​m ​= aQ​2 ​+ bQ + c Sendo
​ que a, b e c são obtidos

experimentalmente para três pares ordenados: (H​1​,Q​1​), (H​


​ 2​,Q​2​) e (H​3​,Q​3​).
Recomenda-se que se tenha precauções em relação ao NPSH (Net Positive Suction Head) e à
potência absorvida. O NPSH é a energia mínima necessária que o escoamento pode ter na boca

de sucção da bomba para se evitar a cavitação. Um conceito semelhante o de H​s,máx ​(altura de

sucção máxima).
Bombas centrífugas são vulneráveis à cavitação, ao contrário das bombas de deslocamento
positivo, que são capazes de bombear fluxos de duas fases (mistura de gás e líquido). O colapso
das bolhas de cavitação pode criar ondas que escavam material dos componentes internos da
bomba e criam um ruído popularmente descrito como “bombear cascalho”. Além disso, outras
falhas mecânicas na bomba e equipamentos associados podem ser causadas com o aumento na
vibração do equipamento.

Para se calcular a altura manométrica da bomba (H​B​) utiliza-se a equação de Bernoulli.


Considera-se que o ponto 1 é referente ao vacuômetro de sucção e o ponto 2 ao manômetro de
recalque.
v​ +z+H=p​ +v​ +z+h​
p ​γ +
​ ​ 2g ​ γ​ 2g ​ , ​Então:

p−p
H=​
+v−v
γ​
+z​
2g ​ Onde: - p​1​: pressão na seção 1 [Pascal] -​ p​2​: pressão na seção 2 [Pascal] -​ ρ: densidade do

fluido do escoamento [kg/m​3​] - g: aceleração da gravidade (9,81 m/s​2​) - v​1​: velocidade na seção

1 [m/s] -​ v​2​: velocidade na seção 2 [m/s] -​ h​1​/h​2​: altura, caso o tubo seja vertical [m]
2. Materiais e Métodos
Utilizou-se para a realização do procedimento experimental um equipamento de bomba (figura
3) e tanque ligados por meio de um tubo, como é possível observar na figura 4.
Figura 3 – bomba do equipamento utilizado.
Fonte: Dos autores

Figura 4 - Aparato utilizado no experimento


Fonte: Dos autores

No que se refere à observação da vazão do sistema, o equipamento dispõe de um rotâmetro


que realiza a medição da vazão e de uma válvula para controle da vazão do sistema. Observa-se
ainda a presença de medidores de pressão sendo eles um vacuômetro e um manômetro que
variam em função da vazão, medindo a pressão de sucção e de recalque da bomba,
respectivamente.
A bomba em questão é classificada como afogada, no que se diz respeito a sua posição e
potência, já que encontra-se abaixo do nível do tanque. Na imagem abaixo, estão presentes os
dados referentes à bomba.
Os canos de descarga e recalque encontram-se na mesma altura, conforme imagem a seguir.
Esta informação é relevante para nosso estudo no sentido de que simplifica os cálculos, podendo
desprezar-se a altura.

Figura 5 - Dados da bomba fornecidos pelo fabricante


Fonte: Dos autores

Como procedimento experimental, mediu-se primeiramente a temperatura da água no

reservatório. Em seguida, com as válvulas v​1 ​e v​2 ​(figura 2) completamente fechadas, ligou-se a​

bomba. Assim, ajustou-se a válvula v​1 ​de modo que não houvesse cavitação no sistema. A válvula

v​2 ​pôde então ser ajustada de acordo com as marcações de vazão do rotâmetro, adequando-as
​ com
as vazões desejadas no experimento, sendo elas de 15, 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80 e 90 L/min para
cada etapa do experimento, como exposta na tabela presente nos resultados. Assim, leu-se as
pressões indicadas no vacuômetro e no manômetro, realizando a triplicata dos dados.

3. Resultados e Discussão

Com o procedimento realizado como descrito nos materiais e métodos, a fim de se alcançar
o objetivo, obteve-se a tabela 1 a seguir com dados experimentais realizados em triplicata de
vazão, pressão e suas respectivas conversões de unidades.
Tabela 1 – Dados experimentais Q​ (L/min) Q(m3/s) Vsuc (m/s) Vrec (m/s) Psuc (mmHg) Prec (Bar) Psuc (Pa)
Prec (Pa)
0,00025 0,4933813 0,8771223 0 2,55 0 255000 150,00025 0,4933813 0,8771223 0 2,55 0 255000 0,00025 0,4933813

0,8771223 0 2,55 0 255000 0,000333 0,6578417 1,1694964 0 2,45 0 245000 ​20​0,000333 0,6578417 1,1694964 0 2,5 0

250000 0,000333 0,6578417 1,1694964 0 2,5 0 250000 0,0005 0,9867626 1,7542447 0 2,4 0 240000 ​30​0,0005
0,9867626 1,7542447 0 2,45 0 245000 0,0005 0,9867626 1,7542447 0 2,48 0 248000 0,000667 1,3156835 2,3389929 0

2,35 0 235000 ​40​0,000667 1,3156835 2,3389929 0 2,4 0 240000 0,000667 1,3156835 2,3389929 0 2,38 0 238000

0,000833 1,6446044 2,9237411 0 2,25 0 225000 ​50


0,000833 1,6446044 2,9237411 10 2,25 -1333,22365 225000 0,000833 1,6446044 2,9237411 0 2,2 0 220000 0,001
1,9735252 3,5084893 20 2,05 -2666,4473 205000 600,001 1,9735252 3,5084893 15 2,2 -1999,83548 220000 0,001
1,9735252 3,5084893 25 2,05 -3333,05913 205000 0,001167 2,3024461 4,0932375 27 1,95 -3599,70386 195000

70​0,001167 2,3024461 4,0932375 20 2,1 -2666,4473 210000 0,001167 2,3024461 4,0932375 50 1,8 -6666,11825
180000 0,001333 2,631367 4,6779858 65 1,8 -8665,95373 180000 ​80​0,001333 2,631367 4,6779858 70 1,98
-9332,56555 198000 0,001333 2,631367 4,6779858 80 1,62 -10665,7892 162000 0,0015 2,9602879 5,262734 90 1,45

-11999,0129 145000 ​90​0,0015 2,9602879 5,262734 100 1,4 -13332,2365 140000 0,0015 2,9602879 5,262734 100 1,35
-13332,2365 135000 ​Fonte: Do autor
É de valia se considerar que se aumentou o fluxo na sucção durante o experimento, a fim de se
evitar a cavitação na tubulação.

Assim, com os dados expostos na Tabela 1, pode-se calcular a carga manométrica da bomba (H​b​)

pela seguinte equação de Bernoulli (I):


(P − P ​ )
H=​ g∗ρ​
+ (v − v ​ )
2∗g​
+ Z (I)

E consequentemente a potência (P​b​) pela equação (II):


P = ρgH (II)
Considerando como dados experimentais:

• Z​rec​– Z​suc​= 0 m (pois o vacuômetro e o manômetro situam-se na mesma altura)


• Temperatura da água no reservatório = 22°C
• Pressão inicial no vacuômetro = 0Pa

• Gravidade = 9,81 2​

• Diâmetro de sucção = 1’’ = 0,0254 m


• Diâmetro de recalque = 3/4’’ = 0,01905 m

• v = sendo a área expressa por A = π

Utilizando-se da seguinte equação, obteve-se a massa específica (ρ) da água no reservatório:

ρ = 999,71704 + 0,​07894​(T) − 0,00864(T ) + 5,6752 ∗ 10 (T ) − 1,94502 ∗ 10 (T ) (III)


• ρ = 997,8307 ​3

Tendo os dados experimentais calculados, determinou-se a carga manométrica (H​b​) e a

potência da bomba (N​b​) a partir das equações (I) e (II). Os dados foram dispostos na tabela 2 a
seguir:

Tabela 2 – Resultados para os cálculos de H​b​e N​b

​ ​bomba ​(W) ​0,00025


Q(m3/s) H​bomba ​(m) N
26,07720034 63,8155972 0,00025
26,07720034 63,8155972 0,00025
26,07720034 63,8155972 0,000333
25,07646473 81,82215632 0,000333
25,58725679 83,48882299 0,000333
25,58725679 83,48882299 0,0005
24,62523983 120,5247776 0,0005
25,13603189 123,0247776 0,0005
25,44250713 124,5247776 0,000667
24,19784179 157,9105839 0,000667
24,70863385 161,2439172 0,000667
24,50431703 159,9105839 0,000833
23,28347856 189,9295259 0,000833
23,41967857 191,0405456 0,000833
22,7726865 185,7628592
0,001 21,64375809 211,864668 0,001
23,10803427 226,1980562 0,001 21,7118581
212,5312798 0,001167 20,87238859
238,3662734 0,001167 22,30942477
254,7774741 0,001167 19,65327244
224,4437569 0,001333 20,03627394
261,5059429 0,001333 21,94322536
286,3947586 0,001333 18,40172253
240,1723902 0,0015 17,00375788
249,6675141 0,0015 16,62916583
244,1673495 0,0015 16,11837377
236,6673495 ​Fonte: Do autor
Para se obter as curvas H​b ​x Q e N​b ​x Q, calcularam-se as médias dos valores expostos na

tabela 2. Portanto, obteve-se a tabela 3 para os valores médios.

Tabela 3 – Valores médios de vazão, H​b ​e N​b​calculados no experimento

Q(m3/s) H​b​(m) N​b ​(W) 0,00025


​ 26,0772 63,8156 0,00033 25,417 82,9333 0,0005 25,0679
122,691 0,00067 24,4703 159,688 0,00083 23,1586 188,911 0,001 22,1546 216,865 0,00117
20,945 239,196 0,00133 20,1271 262,691 0,0015 16,5838 243,501 ​Fonte: Do autor.

Com o auxílio da tabela 3, plotou-se primeiramente o gráfico H​b ​x Q, como demostrado


​ abaixo:

Gráfico 1 – Curva H​b​x Q

Curva Hb x Q
30 25201510​ 5​
Curva característica ​ 0Polinômio (Curva
característica)
y = -0,119x​2 ​+ 0,123x + 25,84
Q [m3/s]
Fonte: Do autor

Pelo gráfico 1, pode-se analisar que à medida que a vazão aumenta, a altura manométrica (H​b​)

diminui, ocasionando numa curva polinomial de grau 2 decrescente de formula


​ y = -0,119x2 +
0,123x + 25,84. Isso ocorre devido ao aumento da energia cinética pelo aumento da vazão, o que
resulta na redução de pressão de recalque.

Figura 6 – Curva H x Q disponibilizada pelo fabricante da bomba

Fonte: Schneider Motobombas (2013)


Ao fazer uma comparação com a curva disponibilizada pelo fabricante (figura 6) e curva
obtida experimentalmente (Gráfico 1), percebe-se que ambas seguem um perfil semelhante,
demonstrando êxito no experimento.

Com os dados da tabela 3, também plotou-se o gráfico para a curva N​b ​x Q, disposto a
seguir:

Gráfico 2 – Curva N​b ​x Q

Fonte: Do autor.

Ao analisar a curva N​b ​x Q (Gráfico 2), percebe-se que o aumento da vazão resulta no
aumento da potência e segue um perfil parabólico representado pela equação y = -2,219x2 +
47,99x + 5,887.
Curva Nb x Q
150
300 50
250 100 ​
200 Curva NbxQ

0Polinômio (Curva NbxQ)


Q [m3/s]
y = -2,219x​2 ​+ 47,99x + 5,887

Figura 7 – Curva N x Q disponibilizada pelo fabricante da bomba.

Fonte: Schneider Motobombas (2013)

Comparando-se a curva obtida experimentalmente (gráfico 2) com a curva disponibilizada


pelo fabricante da bomba (figura 7), concluí-se que ambas seguem um perfil semelhante,
demonstrando êxito no experimento.

4. Conclusão

Tendo-se como objetivo do experimento analisar as curvas H​b ​x Q e N​b ​x Q,concluí-se que

houve sucesso, mesmo tendo o aparato experimental com algumas falhas, por exemplo, leves
vazamentos em alguns pontos da tubulação e cavitações para alguns fluxos que resultavam em
oscilações do rotâmetro. Contudo, os gráficos obtidos se assemelharam ao experado ao comparar
com os dados disponibilizados pelo fabricante. A aplicação das equações, principalmente a de
Bernoulli, na prática para determinação de altura manométrica e potência de bomba solidifca
ainda mais o conhecimento que obtivemos em sala de aula.

5. Referência
Laboratório de Calor e Fluidos. OBTENÇÃO DA CURVA CARACTERÍSTICA DE UMA
BOMBA CENTRÍFUGA.Disponível em:
<http://www.fem.unicamp.br/~franklin/EM886/Exp6_bomba_centrif.pdf>Acesso em: 03 dez.
2018

SCHNEIDER MOTOBOMBAS (Santa Catarina) (Org.). Motobombas Centrífugas Monoestágio:


BC-91. 2013. Disponível em: <http://www.schneider.ind.br/produtos/motobombas-de-
superf%C3%ADcie/light/centr%C3%ADfugas-monoest%C3%A1gio/bc-91/#Downloads>.
Acesso em: 03 dez. 2018.