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State and its margins – comparative ethnografies

Veena Das e Deborah Poole

- Autoras interessadas em afastar ideias de que as reformas empreendidas significavam algum tipo
de enfraquecimento ou desaparecimento de forma de regulação ou pertencimento que supostamente
pertenceriam ao que se chama de Estado-nação. Estratégia analítica foi tentar se fastar de uma visão
cristalizada do Estado-nação como uma estrutura que se organiza de maneira racional e que vai
tornando-se mais fraca e desorganizada conforme penetra nas suas margens territoriais e sociais. Ao
invés disso, procuramos pensar como tais práticas em si constituem o que costuma-se chamar o que
é o Estado (p. 3).

- Antrtopologia propõe dar a voz a quem não a tem. Com isso, certas práticas do Estado tidas como
partidárias de uma suposta ausência se constituem também enquanto Estado, só que suas práticas
são distintas. (p. 4)

- “ Uma Antropologia das margens oferece uma perspectiva única para o entendimento do Estado,
não porque ela dá conta de prática exóticas, mas porque ela sugere que estas margens são uma
implicação necessária do Estado, assim como a exceção é um componente necessário da regra”. (p.
4)

- Autora fala da perspectiva de estudo do Estado na Antropologia que, tradicionalmente, tomama o


Estado Moderno como modelo e, a partir dele, buscava-se estruturas políticas nas sociedades
primitivas que se assemlhassem atal modelo (p.5)

- tradição weberiana da concepção sobre estado, que toma o monopólio legitimo da força sobre uma
determinada jurisdição territorial como definição possível. Wber também definie queo uso da força
por qualquer outra organização só se torna legitimo através do consentimento do Estado (p. 7)

- Dentro da tradição kantiana de Estado, ele é um projeto sempre incompleto, que deve ser
constantemente imaginado e falado para que continue a existir e mantenha as ameaças existentes
fora da sua jurisdição. (p. 8)

- Três perspectivas de margem. A) margem como periferias que contém pessoas que não foram
suficientemente socializadas pela lei. Interesse nas tecnologias de poder que mantém essas
populações sob controle. B) margem ligada a questões de legibilidade e ilegibilidade. Estado se
firma nas margens muito mais a partir da sua ilegitimidade do que pela legitimidade de suas
práticas. C) Margem como o espaço entre corpos, lei e disciplina. Controle não só sobre territórios,
mas sobre corpos que, enquanto população, são o alvo privilegiado do biopoder. (p. 9-10)

- articulação com os debates sobre soberania e biopoder de Carl S;chmitt, Walter Benjamin e
Agamben. Articulação da ideia de margem do estado com a ideia de agamben sobre a produção de
corpos matáveis dentro da perspectiva do biopoder. (p. 12)

- Teoria da soberania de Agamben. Possibilidade de divisão de uma comunidade de acordo com


critérios de cor, raça, sexo, etc. A questão é que tais divisões não excluem pessoas, mas sim as
integram à certas comunidades através de uma reconstrução política que permite ações legais de
exclusão sobre essas mesmas comunidades. Novas formas de regulação passam a ser legalmente
exercidas sobre tais populações. (p. 12)
- Duas visões da vida nua: certos espaços (campos de concentração) ou populações (refugiados), ou
lugares que não se encontram foram, mas sim dentro do Estado, atravessando seu corpo como um
rio. (p. 12)

- Busca das margens se situa nas ações de refundação da lei através de diferentes formas de
violencia e autoridade que podem ser construídas tanto dentro quanto fora do Estado. (p. 13)

- Legal e ilegal correm juntos dentro das próprias instituições que legitimam o Estado (p. 14)

- As práticas do estado em zonas de emergência ou estados de exceção não podem ser


comopreendidas em termos de lei e transgressão, mas sim em práticas que repousam
simultaneamente fora e dentro da lei. (p. 15)

- Mais do que determinar certos mercados que apareceram no Chad de “informais” ou “negros”, o
autor aponta para certas práticas de fazer fronteira, que longe de signifcar o colpaso da regulação,
criou formas plurais de autoridades de regulação. (p. 19)

- definição de soberania: poder sobre a vida e a morte (p. 25)

- Agamben: o que combina a biopolitica com a morte é a capacidade sem fim do estado em dizer o
que é exceção ou não; Já Foucault, aponta para o poder no cotidiano e a construção daquilo que é
normal. (p. 25)

- Foucault aponta mudanças significativas na mudança nas formas de soberania de um estado de


uma jurisdição territorial para o “gerenciamento da vida”. (p. 26). Daí se complementa o que o
Haesbaert aponta, para a passagm de um território zonal para um território reticular!!! Fundamental
para a compreensão da geopolítica urbana.

- Literatura clássica sobre formas de controle do estado sobre populações diz respeito ao estudo da
formação do estado e controle sobre epidemias. Biopoder se constrói também na criação de
estigmas sobre certas populações, que se veem como passíveis de serem disicplinadas (p. 27)

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Where are the margins of state?


Talal Asad

- Relembrando, três formas possíveis de imaginar as margens do Estado: periferias onde o Estado
ainda tem que penetrar; espaços e formas onde o Estado continuamente é experenciado através de
ilegitimidade das suas próprias práticas, documentos e discursos; o espaço entre corpos, lei e
disciplina. (p. 279) As margens do Estado são múltiplas, justamente porque ele não é um objeto
fixo.

- Ideia de Estado no mundo ocidental deriva da ideia da existência de governadores ou soberanos


(rulers), que possuiam ou mesmo encarnavam neles mesmos o governo. Autores uqe se dedicaram à
política a partir da renascença apontaram a necessidade de manutenção do governo, em especial na
manutenção do seu território sobre o qual o soberano exerce seu poder. Estado aparece como
referência ao aparato do poder que o soberano utilizava para a man8tenção da sua autoridade e
soberania sobre um território. (p. 279-280)

- problematização da ideia de estado entre os republicanos (soberania emanaria do povo, Estado


como a própria “margem” da soberania popular) e de outra corrente teórica encabeçada por Hobbes.
Nela, o Estado traria em sia a prórpia soberania independente da vontade popular. Ele defende,
ordena e nutre a vida civil. (p. 280) Seria aí onde residiria o poder do Estado em determinar onde
estão suas margens ou não, uma vez que ele tem poder de determinar justamente o que seria a
execeção?