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Cotagem

6.1. Aspectos fundamentais da cotagem

6.2. Escalas

6.3. Representação gráfica da cotagem num desenho. Inscrição de cotas

6.4. Critérios de apresentação de cotagem

a) Linhas de chamada não referenciadas ao elemento a cotar mas ao processo construtivo


que lhe dará origem

b) Linhas de cota não perpendiculares é linhas de chamada

c) Cotagem de ângulos e Arcos (cotagem angular e cotagem de cordas)

d) Ausência de linhas de chamada

e) Linhas de chamada que atravessam o desenho e linhas de cota no seu interior

f) Cotagem de raios e diâmetros

g) Modos de apresentação de cotagem sequencial

h) Cotagem de elementos com configuração cónica

i) Cotagem de conjuntos de peças

j) Linhas de referência mensagens e símbolos complementares de cotagem

6.5. Cotagem de desenhos em corte

6.6. Cotagem de desenhos em perspectiva

6.1. Aspectos fundamentais da cotagem

Se as projecções ortogonais e nos termos estabelecidos se revelam um método eficaz que


permite representar inequivocamente e de forma qualitativa um dado objecto ou forma, só
por si nada informam de imediato quanto à dimensão absoluta dos elementos que ao serem
identificados com entidades geométricas (rectas, planos, intersecções, etc.) as configuram.

Associar à representação de um objecto um valor quantitativo das suas dimensões


relativamente a uma dada unidade de medida, que possibilite inferir da dimensão espacial do
objecto e das dimensões dos elementos de pormenor que definem com rigor a sua forma,
constitui o objecto da Cotagem.

A Cotagem em Desenho Técnico é pois a indicação expressa das medidas (em relação a uma
medida padrão) dos vários elementos geométricos que delimitam uma forma. Há obviamente
um conjunto de regras formais, consignadas em Normas, que torna rigorosamente legível a
apresentação desse tipo de informação.

Nesse âmbito importa desde já referir que os valores das medidas das dimensões a indicar e
que complementam formalmente a apresentação de uma peça desenhada, correspondem às
dimensões reais do objecto e nunca à excepção da escala 1 :1) às dimensões medidas no
desenho.

Poderia à primeira vista sugerir-se a dispensa de cotagem desde que o conceito de escala fosse
rigorosamente adoptado na sua verdadeira acepção. Sucede porém que o carácter físico dos
materiais de suporte implica necessariamente variações no tempo devido a factores pelo
menos de ordem natural, nomeadamente a temperatura e a humidade.

De resto se na execução ou na leitura e apreciação de um desenho técnico fossem necessárias


operações constantes de medida, não só a subjectividade da leitura, tomo indefinições
resultantes de espessuras de traço, etc., tornavam imprecisa essa informação e a morosidade
na sua obtenção desqualificaria por completo as potencialidades de toda a metodologia de
representação descrita.

Com efeito, se a adopção de uma escala, cujo conceito se introduziu logo de inicio permite por
um lado a representação gráfica de objectos e de formas em geral, e por outro lado uma visão
imediata da relação das suas várias dimensões (segundo as respectivas direcções), não
dispensa no entanto e em termos de Desenho Técnico a explicitação da medida de cada uma
das dimensões do objecto.

6.2. Escalas

A adopção de uma escala é como selem referido, simplesmente imprescindível.

Em Desenho Técnico são estabelecidas algumas escalas cujos coeficientes a experiência tem
demonstrado como mais adequados na grande maioria das situações, contemplados em
Norma (NP - 717), e são as seguintes:

a) Escalas de redução:

1:2,5

1:5

1:10
1:20

1:50

1:100

1:200

1:500

1:1 000

1:2 000

1:5 000

1:10 000

1:125 000

1:50 000

1:100 000

b) Escalas de ampliação:

2:1

5:1

10:1

Em situações em que seja possível, a adopção da escala 1:de considerar (teoricamente, seria
ideal!).

Formalmente a informação da escala (ou escalas)utilizadas num desenho são mencionadas na


respectiva legenda. É uma informação fundamental não obstante a cotagem do desenho (a
vice-versa já foi referida!).

6.3. Representação gráfica da cotagem num desenho. Inscrição de cotas.

Basicamente interessa considerar as designadas linhas de cota e as linhas de chamada.


Enquanto as linhas de cota, em geral, acompanham completamente a direcção e a dimensão
do elemento a cotar, as linhas de chamada, em geral perpendiculares àquelas, delimitam
inequivocamente a dimensão cotada, devendo sempre que possível ser-lhe exteriores (Fig.
6.1).

Fig. 6.1 - Processo elementar de cotagem

a) Objecto a cotar; b) Representação das linhas de chamada; c) Representação das linhas de


cota; d) Inscrição de cotas

Em termos gerais o conjunto de elementos gráficos e o modo como se relacionam por forma a
constituir uma cotagem graficamente correcta, é o seguinte:

1 - As linhas de chamada e as linhas de cota a cheio fino.

2 - A intersecção explicitada por um símbolo (seta, na Fig. 6.2 - c).

Pode no entanto recorrer-se a outros símbolos (Fig. 6.2 – a) e b)).

A situação (a) é frequente em Arquitectura e Engenharia Civil e a situação (b) é frequente em


Desenho de Construção Mecânica (Fig. 62). A situação (a) é no entanto a mais desejada, mas
nem sempre possível. Adiante serão apresentadas situações de excepção.

Fig. 6.2 - Símbolos da intersecção linhas de chamada / linhas de cota.

Na Fig. 6.3 exemplificam-se a utilização prática dos tipos de representação (a) e (b) da Fig. 6.2.

Por vezes utiliza-se ainda uma combinação da situação (b) com uma das outras (Fig. 6.3-c).

Fig. 6.3 - Exemplos de alternativas de representação das intersecções linha de cota / linha de
chamada.

3 - As linhas de cota e linhas de chamada não devem intersectar-se.


No caso de ser uma situação inevitável, então deve restringir-se a necessidade de cruzamentos
às linhas de chamada.

4 - A inscrição de cotas sempre "por cima" da linha de cota.

No caso de uma linha de cota não horizontal (Fig. 6.4), a inscrição far-se-á segundo o mesmo
critério após uma suposta rotação do desenho de 90º no sentido contrário ao dos ponteiros do
relógio.

No caso de se ter um relógio sem ponteiros, ignore-se e considere-se o sentido contrário de


um saca-rolhas perante uma garrafa fechada.

Situações há em que a dimensão dos caracteres correspondentes ao valor da cota é superior


ao espaço entre linhas de chamada. É perfeitamente admíssivel a sua colocação exteriormente
ás linhas de chamada, ficando também as setas exteriores ao comprimento a cotar (Fig. 6.4).

Fig. 6.4 - Cotagem exterior às linhas de chamada

5 - As inscrições numéricas referentes a valores de dimensões não devem ser sobrepostas a


quaisquer tipos de traço ou linhas existentes (Fig.6.5), ainda que para tal fiquem descentradas
em relação à linha de cota.

Fig. 6.5 - A inscrição de cota não deve sobrepor-se a quaisquer linhas.

6 - Sempre que os valores das cotas não respeitem o valor que se obteria por medição à
escala do desenho sobre este, deve apresentar-se um pequeno traço sob o respectivo número
(Fig. 6.6).

Fig. 6.6 - Correcção de cotas e sua apresentação "fora" de escala.

7 - Embora sem um carácter de obrigatoriedade é conveniente que as linhas de referência


não toquem o contorno (em geral aresta) que determinam, devendo terminar cerca de 1 a 2
mm antes. De facto o desenho tornar-se-á mais expressivo e evita-se eventual confusão entre
o fim da linha de referencia e o começo do contorno em questão (Fig.6.7).
Esta possibilidade revela-se especialmente útil quando se procede a alterações nas dimensões
de um desenho sem que seja necessário refazer o desenho para readaptação e manutenção da
escala.

Fig. 6.7 - Relação de cota/aresta a cotar; A situação (b) é mais explícita que a situação (a).

6.4. Critérios de apresentação de cotagem

De um modo global e dado que nem sempre os elementos a cotar são rectilíneas definem-se
dois tipos fundamentais de cotagem:

Linear: linhas de cota rectilínea.

Angular: linhas de cota não rectilíneas.

A consideração de cotagem de tipo linear ou angular é um dos critérios fundamentais da


cotagem, a estabelecer em cada situação.

A representação das linhas de cota fundamentais inserida em cotagem de tipo linear, refere-
se às arestas que definem as formas geométricas fundamentais em que uma peça é em geral
geometricamente decomponível.

Estão neste âmbito os prismas, cilindros, pirâmides, cones e esferas em projecção ortogonal
(Fig. 6.8).

Peças para as quais a decomposição do tipo referido não seja viável, (Fig.6.9), estão sujeitas a
critérios mais específicos que se apresentam de seguida.

Fig. 6.8 - Linhas de cota fundamentais em formas geométricas fundamentais


Fig. 6.9 - Cotagem em formas não geometricamente decomponíveis em sólidos

O desígnio de procurar estabelecer uma uniformização dos modos de apresentação da


cotagem e a importância de estabelecer como critério fundamental a facilidade de leitura
tendo em conta o processo construtivo e o fim a que o objecto de destina, conduz ao
estabelecimento de variantes para situações menos convencionais embora correntes, por
exemplificação exaustiva de quase todos os tipos possíveis:

a) Linhas de chamada não referenciadas ao elemento a cotar mas ao processo construtivo que
lhe dará origem

Trata-se obviamente de satisfazer a ideia fundamental de procurar que a cotagem satisfaça o


processo construtivo e a sua sequência (Fig.6.10).

Fig. 6.10 - Cotagem tendo em conta o processo construtivo.

b) Linhas de cota não perpendiculares é linhas de chamada

Situação frequente quando as linhas de chamada tendem a confundir-se com arestas da peça,
dificultando a sua identificação (Fig.6.11).

Fig. 6.11 - Linhas de cota não perpendiculares às linhas de chamada.

c) Cotagem de ângulos e Arcos (cotagem angular e cotagem de cordas)

Situação em que as linhas de cota deixam de ser rectilíneas e podem não ser perpendiculares
às linhas de chamada. Estão neste caso os ângulos em que as linhas de chamada seguem uma
direcção radial segundo os lados do ângulo a cotar (Fig. 6.12-a).

No caso da cotagem de arcos, as linhas de chamada devem ter a direcção da bissectriz do


ângulo correspondente e são radiais se o ângulo correspondente for superior a 90 (Fig. 6.12-b).
No caso de cordas subtensas a um arco e em geral não representadas, a linha de cota tem a
direcção da corda e as linhas de chamada são-lhe perpendiculares (Fig. 6.12-c).
Fig. 6.12 - a) Cotagem de ângulos; b) Cotagem de arcos; c) Cotagem de cordas

De referir a possibilidade de utilização na cotagem angular, do modo de apresentação gráfica


em cotagem linear para linhas de cota muito pequenas.

Assim, quer na cotagem de ângulos quer de arcos, cuja dimensão impossibilite a inscrição da
cota nos termos gerais, proceder-se-á conforme se apresenta na Fig. 6.13.

Fig. 6.13 - Cotagem, exterior às linhas de chamada

d) Ausência de linhas de chamada

A não representação de linhas de chamada para efeitos de cotagem é uma situação a evitar
podendo no entanto ser por vezes quase impossível sob pena de apresentar outras
implicações que comprometam o rigor da leitura.

Das linhas de cota porém nunca se poderá prescindir (Fig. 6.14).

De notar também que as linhas de cota não devem de modo algum conter vértices da peça a
cotar, dado que seria fácil a indução em erro de leitura confundindo à linha de cota com uma
eventual aresta não existente contendo esse vértice.

Fig. 6.14 - Dispensa de linhas de chamada

e) Linhas de chamada que atravessam o desenho e linhas de cota no seu interior

Conforme apresentado , tanto as linhas de chamada como as linhas de cota devem localizar-se
fora do desenho a cotar e de preferência sem que o atravessem. Há no entanto situações que
tornam tal procedimento, difícil: Situação bem frequente no Desenho de Arquitectura, deve
no entanto ser objecto ainda de maior rigor na diferenciação de tipos de marcação de inter-
secções (setas, pontos ou traço oblíquo) (Fig.6.15).

Fig. 6.15 - Situações a evitar


a) Cotagem "dentro" do desenho; b) Linhas de chamada que atravessam a peça.

f) Cotagem de raios e diâmetros

Um caso particular de apresentação de cotagem refere-se a raio e diâmetros de elementos


circulares de peças que se apresentam em verdadeira grandeza. Trata-se de uma situação em
que as linhas de cota se podem apresentar no interior de peças. Para elementos circulares cujo
perímetro apresentado é superiora metade do perímetro da circunferência de suporte é usual
a indicação do diâmetro. No caso contrário apresenta-se apenas a cota do raio (Fig. 6.16).

Fig. 6.16 -Cotagem de elementos circulares em verdadeira grandeza

É de mencionar ainda, o caso em que o elemento circular a cotar tem um raio cujo valor à
escala considerada é tal que o seu centro de curvatura ficaria necessariamente fora da folha de
papel.

Trata-se com efeito de uma situação comum em desenhos que integram por exemplo
projectos de estradas. Nesta situação simula-se a localização do centro de curvatura por repre-
sentação de uma linha de cota quebrada. A inscrição da respectiva cota (neste caso, o valor do
raio) será no entanto o valor real (Fig. 6.17).

Fig. 6.17 - Cotagem do raio de um arco de grande curvatura.

g) Modos de apresentação de cotagem sequencial

A regularidade e o carácter repetitivo dos elementos geométricos que definem a configuração


de muitas peças (segmentos de recta, paralelas e ou perpendiculares, por ex), induz numa
representação sistematizada dos elementos gráficos que constituem a cotagem.

Estabelecem-se assim dois critérios básicos e racionalizados de cotagem consignados na NP -


197. Estes critérios constituem as designadas cotagem em série, cotagem em paralelo,
cotagem combinada e cotagem por coordenadas:

Cotagem em série
Na cotagem em série, as linhas de cota apresentam-se dispostas sobre uma recta de suporte e.
bem entendido, paralelamente à direcção dos elementos geométricos a cotar (Figs. 6.18 e
6.19), quer para elementos exteriores quer interiores, da peça.

Fig. 6.18 - a) Cotagem linear e em série relativa aos elementos de contorno da peça; b) Idem
com indicação da cota total

Fig. 6.19 - a) Cotagem linear e em série relativa à localização de elementos (furos) interiores;
b) Cotagem angular e em série com indicação da cota total

Cotagem em paralelo

Na cotagem em paralelo, as linhas de cota dispõem-se paralelamente entre si e são marcadas


a partir de uma referência comum designada a base de medição para cada direcção de linhas
de cota a estabelecer. (Fig. 6.20-a)

De notar entretanto a possibilidade de marcação das linhas de cota para lados opostos da
referencia que por esta razão não tem necessariamente que conter uma aresta de
extremidade da peça a cotar (Fig. 6.20-b).

Fig. 6.20 - Cotagem linear em paralelo relativa aos elementos de contorno da peça

Analogamente ao que se referiu em relação à colagem em série, também a cotagem em


paralelo pode ser utilizada na referenciação de elementos interiores à peça em questão (Fig.
6.21).

Fig. 6.21 - Colagem em paralelo relativo à localização de elementos

a) Linear; b) Angular

De notar que, conforme se referiu, as linhas de chamada não devem intersectar-se, situação
para qual se pode eventualmente tender principalmente na utilização de cotagem em paralelo.
Por outro lado as linhas de cota devem situar-se de forma equidistante (Fig. 6.22).
Fig. 6.22 - Linhas de cota equidistantes na cotagem em paralelo.

Cotagem combinada

A cotagem combinada recorre simultaneamente à cotagem em série e à cotagem em paralelo


(Fig. 6.23). Deste modo dispõe-se de mais possibilidades para que a representação da colagem
induza com maior eficácia o processo construtivo que se apresentou como um objectivo
importante no estabelecimento de critérios de Cotagem,

Fig. 6.23 - Cotagem combinada.

Cotagem por coordenadas, cotagem de elementos equidistantes e cotagem por meio de


variáveis;

A cotagem por coordenadas assume-se especialmente útil quando numa dada peça interessa
cotar vários elementos ou pormenores do mesmo tipo mas de diferentes dimensões (Fig.
6.24).

Fig. 6.24 - Cotagem por coordenadas.

A cotagem de elementos equidistantes clarifica a apresentação de cotagem de sequências de


elementos de dimensões iguais e com a mesma direcção e podendo incluir simultaneamente a
dimensão total. Trata-se como que de uma síntese de cotagem em série ou em paralelo a uma
só linha de cota, e é obviamente válido para colagem de tipo linear (Fig. 6.25-a) ou angular Fig.
6.25-b).

Fig. 6.25 - Cotagem de elementos equidistantes

a) Linear; b) Angular

A cotagem por meio de variáveis utiliza-se quando se pretende cotar várias peças com a
mesma configuração, que apenas diferem quanto ás dimensões. Este último caso é
particularmente adequado ao desenho de Estruturas de Edificações. Na Fig. 6.26 exemplifica-
se o desenho de um conjunto de três vigas em betão armado complementado com a
apresentação sob a forma de quadro, dos valores das dimensões L1, L2 S1e S2 variáveis para
cada peça. A cotagem da dimensão transversal se for a mesma para todas as peças, pode ser
objecto de anotação como se indica. Em todo o caso seria ainda indispensável a representação
de secções transversais onde o valor desta cota poderia ser inscrito.

Fig. 6.26 - Cotagem por meio de variáveis

h) Cotagem de elementos com configuração cónica

As peças cuja superfície apresenta um estreitamento (ou alargamento) gradual, isto é a sua
configuração em planta e/ou alçado apresenta-se convergente (ou divergente) deverão conter
indicações adicionais de cotas, capazes de quantificar estas particularidades. Tais indicações
referem-se a casos particulares de cotagem angular ou cotagem linear por forma a explicitar a
inclinação (Fig. 6.27).

Fig. 6.27 - Possibilidades de colagem de elementos de peças com configuração cónica.

De notar que para os casos das Fig. 6.27-c) e e), a quantificação das inclinações é obtida a
partir do estabelecimento de relações trignométricas do tipo:

- Fig. 6.27 - c): B b c

------- - ------- = c alfa = atn ------- ;

2 2 h

- Fig. 6.27 - e): B/2

alfa = atn ( -------- ) ;

c+h
i) Cotagem de conjuntos de peças

A cotagem de várias peças cuja adequada justaposição constitui uma peça de conjunto! tem
como critério fundamental, o agrupamento tanto quanto possível, das linhas de cota
referentes a cada uma das peças. Para além disso deve inevitavelmente ser apresentada a
cotagem do conjunto (Fig. 6.28).

Fig. 6.28 - Cotagem de um conjunto de peças (a). Representação das peças separadamente (b)

j) Linhas de referência mensagens e símbolos complementares de cotagem

Há um conjunto de informação geralmente necessária em Desenho Técnico, que embora não


referente à quantificação de dimensões, tem a particularidade de constituir uma imagem de
caracteres alfanuméricos. Em geral cem termos práticos é aposta nos desenhos quase
simultaneamente á colocação da cotagem.

Por estas razões a indicação de mensagens complementares é assim apresentada no âmbito


da cotagem.

A indicação de mensagens sempre recorrendo a letra normalizada é por vezes susceptível de


ser associada a linhas de referência.

Tal situação acontece quando a mensagem apresentar se refere não à generalidade do


desenho mas sim a uma zona ou pormenor específico e bem determinado. Assim, as linhas de
referência, a cheio fino são em geral definidas por duas linhas, uma horizontal como suporte
da inscrição ou mensagem a Indicar e a outra, fazendo com a primeira um ângulo nunca
interior a 30º, específica a zona em questão. Esta especificação é estabelecida pela
representação de um ponto no caso de referência a uma superfície e por uma seta no caso de
referência a uma aresta ou contorno (Fig. 6.29).

Fig. 6.29 - Indicação de linhas de referência e mensagens

A utilização de linhas de referência é muito frequente em Desenhos de Estruturas de


Edificações, em particular de Betão Armado: as armaduras que constituem o próprio material,
são indicadas deste modo. Ainda no âmbito da Cotagem em Desenho Técnico, é também
frequente o recurso a símbolos gráficos no sentido de a complementar e simultaneamente
facilitar a sua apreensão. São de considerar:
- A cotagem de diâmetros de elementos geométricos que se apresentam de perfil (Fig. 6.30),
isto é, esclarece-se a partir por exemplo de um alçado a correspondência de uma aresta a um
circulo em planta, pela utilização do símbolo ф.

- A cotagem de lados de quadrados de modo análogo ao caso de diâmetros, mencionado (Fig.


6.31) pela utilização do símbolo . Esta possibilidade é utilizada com frequência em desenhos
de estruturas de edificações nomeadamente na cotagem de pilares e de sapatas de secção
quadrada .

- A cotagem de elementos iguais (distâncias por ex.).Trata-se de evitar a repetição de


inscrições de valores de cotas iguais. O recurso a representação do símbolo = permite ao leitor
do desenho a apreensão inédita da relação (igual) entre as cotas dos elementos em questão
(Fig. 6.32).

Fig. 6.30 - Cotagem de diâmetro

Fig. 6.31 - Cotagem de lados de quadrados

Fig. 6.32 - Cotagem de elementos iguais.

Por vezes quando a mensagem a indicar é demasiado extensa podendo comprometer a


apresentação do desenho (e até sobrepor-se visualmente) associam-se as linhas de referência,
números de referência.

Esses números constituirão uma chamada à leitura em outra zona do desenho, das respectivas
mensagens; por exemplo através de um quadro cujo título elucide sobre o assunto em
questão.

Na Fig. 6.33 exemplifica-se com a apresentação de um pormenor construtivo de tratamento da


cobertura de uma edificação em terraço.

Fig. 6.33 - Utilização de números de referência para explicitação de mensagens


De notar ainda que os números de referência podem constituir a própria cota. É uma situação
frequente quando o elemento em questão é de tal modo pequeno em relação às dimensões
globais da peça em que se insere, e o objectivo é apenas indicar a própria cota (Fig. 6.34).

Fig. 6.34 - Cotagem de furos muito pequenos por recurso a linhas de referência

6.5. Cotagem de desenhos em corte

Nas representações de cortes que se apresentam em projecção ortogonais a colagem segue as


normas e convenções apresentadas em 4.5.4. para as projecções ortogonais em geral.

De notar que a tentativa para evitar a representação das linhas de cota no interior do desenho
e, no caso de cortes, no interior das superfícies tracejadas, deve ser ainda maior.

Se no entanto tal não for possível, o tracejado que identifica a superfície de corte deve ser
interrompido na zona referente aos caracteres que quantificam o valor da cota, mas nunca na
zona da própria linha de cota (Fig. 6.35).

Fig. 6.35 - Cotagem de vistas em corte:

a) Situação desejável, b) Admissível, c) Incorrecta

Um dos aspectos com interesse na cotagem de peças em corte é a consideração de critérios de


cotagem correspondentes a convenções relativas ao modo de apresentação de cortes (Fig.
6.36). Neste caso e perante a representação de um meio cone, que pressupõe uma peça
simétrica, é admissível a apresentação de linhas de cota incompletas, muito embora com a
inscrição de cota correspondente ao valor total.

Fig. 6.35 - Cotagem de um meio corte


6.6. Cotagem de desenhos em perspectiva

Do mesmo modo que no âmbito do Desenho Técnico e das suas aplicações é a representação
por Projecções Ortogonais Múltiplas que constitui a metodologia para comunicar
inequivocamente a configuração de uma peça; do mesmo modo que o recurso à perspectiva
rápida é menos frequente, também será pouco frequente a utilização da cotagem de desenhos
em perspectiva.

No entanto e dada a utilização que eventualmente se faça das perspectivas rápidas para
efeitos da clarificação das formas ou de alguns pormenores pode também ser necessária a
apresentação de algumas cotas, em especial as que se referem ás dimensões fundamentais da
volumetria da peça.

Em perspectiva central e de acordo com o seu objectivo fundamental, - evidenciar a relação de


dimensões segundo as direcções principais deformando-as em função do ponto de vista
considerado, não faria sentido proceder a qualquer cotagem.

Os critérios de cotagem são em termos gerais os já referidos para as projecções ortogonais


múltiplas mas obviamente restritos a urna só projecção (projecção axonométrica); ao contrário
do que acontece nas projecções ortogonais múltiplas em que por se dispôr de várias vistas, é
possível seleccionarem qual a cotagem de um dado pormenor, melhor corresponde à sua
explicitação.

Assim, nas perspectivas rápidas as linhas de cota deverão orientar-se segundo as direcções
axonométricas.

As linhas de chamada orientam-se segundo as direcções axonométricas que na realidade são


perpendiculares à direcção do elemento (aresta) a cotar (Fig. 6.37).

Fig. 6.37 - Cotagem em perspectiva:

a) Desejável, b) Admissível, e) A evitar, d) Incorrecta

A inscrição de cotas segue o critério apresentado para as projecções ortogonais múltiplas.

Na Fig. 6.38 exemplifica-se uma disposição possível de linhas de cota e linhas de chamada para
a cotagem de uma peça em perspectiva isométrica.
Fig. 6.38 - Cotagern de uma peça em perspectiva isométrica.

6. Cotagem 
 6.1. Aspectos fundamentais da cotagem  
 6.2. Escalas
 6.3. Representação gráfica da cotagem num desenho. Inscrição de cotas
 6.4. Critérios de apresentação de cotagem
     a) Linhas de chamada não referenciadas ao elemento a cotar mas ao processo construtivo que lhe
dará origem
     b) Linhas de cota não perpendiculares é linhas de chamada
     c) Cotagem de ângulos e Arcos (cotagem angular e cotagem de cordas)  
     d) Ausência de linhas de chamada  
     e) Linhas de chamada que atravessam o desenho e linhas de cota no seu interior  
     f) Cotagem de raios e diâmetros 
     g) Modos de apresentação de cotagem sequencial
     h) Cotagem de elementos com configuração cónica
     i) Cotagem de conjuntos de peças
     j) Linhas de referência mensagens e símbolos complementares de cotagem  
 6.5. Cotagem de desenhos em corte
 6.6. Cotagem de desenhos em perspectiva

6.1. Aspectos fundamentais da cotagem  

Se as projecções ortogonais e nos termos estabelecidos se revelam um método eficaz que


permite representar inequivocamente e de forma qualitativa um dado objecto ou forma,
só por si nada informam de imediato quanto à dimensão absoluta dos elementos que ao
serem identificados com entidades geométricas (rectas, planos, intersecções, etc.) as
configuram.

Associar à representação de um objecto um valor quantitativo das suas dimensões


relativamente a uma dada unidade de medida, que possibilite inferir da dimensão espacial
do objecto e das dimensões dos elementos de pormenor que definem com rigor a sua
forma, constitui o objecto da Cotagem.  

A Cotagem em Desenho Técnico é pois a indicação expressa das medidas (em relação a
uma medida padrão) dos vários elementos geométricos que delimitam uma forma. Há
obviamente um conjunto de regras formais, consignadas em Normas, que torna
rigorosamente legível a apresentação desse tipo de informação.

Nesse âmbito importa desde já referir que os valores das medidas das dimensões a indicar
e que complementam formalmente a apresentação de uma peça desenhada,
correspondem às dimensões reais do objecto e nunca à excepção da escala 1 :1) às
dimensões medidas no desenho.

Poderia à primeira vista sugerir-se a dispensa de cotagem desde que o conceito de escala
fosse rigorosamente adoptado na sua verdadeira acepção. Sucede porém que o carácter
físico dos materiais de suporte  implica necessariamente variações no tempo devido a
factores pelo menos de ordem natural, nomeadamente a temperatura e a humidade.

De resto se na execução ou na leitura e apreciação de um desenho técnico fossem


necessárias operações constantes de medida, não só a subjectividade da leitura, tomo
indefinições resultantes de espessuras de traço, etc., tornavam imprecisa essa informação
e a morosidade na sua obtenção desqualificaria por completo as potencialidades de toda a
metodologia de representação descrita.

Com efeito, se a adopção de uma escala, cujo conceito se introduziu logo de inicio 
permite por um lado a representação gráfica de objectos e de formas em geral, e por
outro lado uma visão imediata da relação das suas várias dimensões (segundo as
respectivas direcções), não dispensa no entanto e em termos de Desenho Técnico a
explicitação da medida de cada uma das dimensões do objecto.  

6.2. Escalas

A adopção de uma escala é como selem referido, simplesmente imprescindível.

Em Desenho Técnico são estabelecidas algumas escalas cujos coeficientes a experiência


tem demonstrado como mais adequados na grande maioria das situações, contemplados
em Norma (NP - 717), e são as seguintes:

a) Escalas de redução:

 
1:2,5 1:5 1:10
1:20 1:50 1:100
1:200 1:500 1:1 000
1:2 000 1:5 000 1:10 000
1:125 000 1:50 000 1:100 000

 
b) Escalas de ampliação:

 
2:1 5:1  10:1

Em situações em que seja possível, a adopção da escala 1:de considerar (teoricamente,


seria ideal!).

Formalmente a informação da escala (ou escalas)utilizadas num desenho são mencionadas


na respectiva legenda. É uma informação fundamental não obstante a cotagem do desenho
(a vice-versa já foi referida!).

6.3.   Representação gráfica da cotagem num desenho.


Inscrição de cotas.

Basicamente interessa considerar as designadas linhas de cota e as linhas de chamada.

Enquanto as linhas de cota, em geral, acompanham completamente a direcção e a


dimensão do elemento a cotar, as linhas de chamada, em geral perpendiculares àquelas,
delimitam inequivocamente a dimensão cotada, devendo sempre que possível ser-lhe
exteriores (Fig. 6.1).  

Fig. 6.1 - Processo elementar de cotagem


    a) Objecto a cotar; b) Representação das linhas de chamada; c) Representação das
linhas de cota; d) Inscrição de cotas

Em termos gerais o conjunto de elementos gráficos e o modo como se relacionam por


forma a constituir uma cotagem graficamente correcta, é o seguinte:

1 - As linhas de chamada e as linhas de cota a cheio fino.

2 - A intersecção explicitada por um símbolo (seta, na Fig. 6.2 - c).

Pode no entanto recorrer-se a outros símbolos (Fig. 6.2 – a) e b)).

A situação (a) é frequente em Arquitectura e Engenharia Civil e a situação (b) é frequente


em Desenho de Construção Mecânica (Fig. 62). A situação (a) é no entanto a mais
desejada, mas nem sempre possível. Adiante serão apresentadas situações de excepção.

Fig. 6.2 - Símbolos da intersecção linhas de chamada / linhas de cota.

Na Fig. 6.3 exemplificam-se a utilização prática dos tipos de representação (a) e (b) da
Fig. 6.2.

Por vezes utiliza-se ainda uma combinação da situação (b) com uma das outras (Fig. 6.3-
c).

 
Fig. 6.3  - Exemplos de alternativas de representação das intersecções linha de cota /
linha de chamada.

3 - As linhas de cota e linhas de chamada não devem intersectar-se.

No caso de ser uma situação inevitável, então deve restringir-se a necessidade de


cruzamentos às linhas de chamada.

4 - A inscrição de cotas sempre "por cima" da linha de cota.

No caso de uma linha de cota não horizontal (Fig. 6.4), a inscrição far-se-á segundo o
mesmo critério após uma suposta rotação do desenho de 90º no sentido contrário ao dos
ponteiros do relógio.

No caso de se ter um relógio sem ponteiros, ignore-se e considere-se o sentido contrário


de um saca-rolhas perante uma garrafa fechada.

Situações há em que a dimensão dos caracteres correspondentes ao valor da cota é


superior ao espaço entre linhas de chamada. É perfeitamente admíssivel a sua colocação
exteriormente ás linhas de chamada, ficando também as setas exteriores ao comprimento
a cotar (Fig. 6.4).  

 
Fig. 6.4 - Cotagem exterior às linhas de chamada 

5 -   As inscrições numéricas referentes a valores de dimensões não devem ser sobrepostas
a quaisquer tipos de traço ou linhas existentes (Fig.6.5), ainda que para tal fiquem
descentradas em relação à linha de cota.  

Fig. 6.5 - A inscrição de cota não deve sobrepor-se a quaisquer linhas.

 
6 -   Sempre que os valores das cotas não respeitem o valor que se obteria por medição à
escala do desenho sobre este, deve apresentar-se um pequeno traço sob o respectivo
número (Fig. 6.6).  

Fig. 6.6 -  Correcção de cotas e sua apresentação "fora" de escala.

7 -   Embora sem um carácter de obrigatoriedade é conveniente que as linhas de


referência não toquem o contorno (em geral aresta) que determinam, devendo terminar
cerca de 1 a 2 mm antes. De facto o desenho tornar-se-á mais expressivo e evita-se
eventual confusão entre o fim da linha de referencia e o começo do contorno em questão
(Fig.6.7).

Esta possibilidade revela-se especialmente útil quando se procede a alterações nas


dimensões de um desenho sem que seja necessário refazer o desenho para readaptação e
manutenção da escala. 

 
Fig. 6.7 - Relação de cota/aresta a cotar; A situação (b) é mais explícita que a situação
(a).  

6.4.  Critérios de apresentação de cotagem

De um modo global e dado que nem sempre os elementos a cotar são rectilíneas definem-
se dois tipos fundamentais de cotagem:

Linear:     linhas de cota rectilínea.

Angular:   linhas de cota não rectilíneas.

A consideração de cotagem de tipo linear ou angular é um dos critérios fundamentais da


cotagem, a estabelecer em cada situação.

A representação das linhas de cota fundamentais  inserida em cotagem de tipo linear,


refere-se às arestas que definem as formas geométricas fundamentais em que uma peça é
em geral geometricamente decomponível.
Estão neste âmbito os prismas, cilindros, pirâmides, cones e esferas em projecção
ortogonal (Fig. 6.8).

Peças para as quais a decomposição do tipo referido não seja viável, (Fig.6.9), estão
sujeitas a critérios mais específicos que se apresentam de seguida.  

Fig. 6.8  -   Linhas de cota fundamentais em formas geométricas fundamentais

 
Fig. 6.9 -  Cotagem em formas não geometricamente decomponíveis em sólidos

O desígnio de procurar estabelecer uma uniformização dos modos de apresentação da


cotagem e a importância de estabelecer como critério fundamental a facilidade de leitura
tendo em conta o processo construtivo e o fim a que o objecto de destina, conduz ao
estabelecimento de variantes para situações menos convencionais embora correntes, por
exemplificação exaustiva de quase todos os tipos possíveis:

a)  Linhas de chamada não referenciadas ao elemento a cotar mas ao processo


construtivo que lhe dará origem

Trata-se obviamente de satisfazer a ideia fundamental de procurar que a cotagem


satisfaça o processo construtivo e a sua sequência (Fig.6.10).  

Fig. 6.10 - Cotagem tendo em conta o processo construtivo.

b)   Linhas de cota não perpendiculares é linhas de chamada

Situação frequente quando as linhas de chamada tendem a confundir-se com arestas da


peça, dificultando a sua identificação (Fig.6.11).  

 
Fig. 6.11 - Linhas de cota não perpendiculares às linhas de chamada.

c)  Cotagem de ângulos e Arcos (cotagem angular e cotagem de cordas)

Situação em que as linhas de cota deixam de ser rectilíneas e podem não ser
perpendiculares às linhas de chamada. Estão neste caso os ângulos em que as linhas de
chamada seguem uma direcção radial segundo os lados do ângulo a cotar (Fig. 6.12-a).

No caso da cotagem de arcos, as linhas de chamada devem ter a direcção da bissectriz do


ângulo correspondente e são radiais se o ângulo correspondente for superior a 90 (Fig.
6.12-b). No caso de cordas subtensas a um arco e em geral não representadas, a linha de
cota tem a direcção da corda e as linhas de chamada são-lhe perpendiculares (Fig. 6.12-
c).

 
Fig. 6.12 -   a) Cotagem de ângulos; b) Cotagem de arcos; c) Cotagem de cordas

De referir a possibilidade de utilização na cotagem angular, do modo de apresentação


gráfica em cotagem linear para linhas de cota muito pequenas.

Assim, quer na cotagem de ângulos quer de arcos, cuja dimensão impossibilite a inscrição
da cota nos termos gerais, proceder-se-á conforme se apresenta na Fig. 6.13.

Fig. 6.13 - Cotagem, exterior às linhas de chamada

d)  Ausência de linhas de chamada

A não representação de linhas de chamada para efeitos de cotagem é uma situação a


evitar podendo no entanto ser por vezes quase impossível sob pena de apresentar outras
implicações que comprometam o rigor da leitura.

Das linhas de cota porém nunca se poderá prescindir (Fig. 6.14).

De notar também que as linhas de cota não devem de modo algum conter vértices da peça
a cotar, dado que seria fácil a indução em erro de leitura confundindo à linha de cota com
uma eventual aresta não existente contendo esse vértice.  

 
Fig. 6.14 - Dispensa de linhas de chamada

e)  Linhas de chamada que atravessam o desenho e linhas de cota no seu interior

Conforme apresentado , tanto as linhas de chamada como as linhas de cota devem


localizar-se fora do desenho a cotar e de preferência sem que o atravessem. Há no
entanto situações que tornam tal procedimento, difícil:  Situação bem frequente no
Desenho de Arquitectura, deve no entanto ser objecto ainda de maior rigor na
diferenciação de tipos de marcação de intersecções (setas, pontos ou traço oblíquo)
(Fig.6.15).

Fig. 6.15 - Situações a evitar

a)  Cotagem "dentro" do desenho; b) Linhas de chamada que atravessam a peça.

 
 

f)   Cotagem de raios e diâmetros

Um caso particular de apresentação de cotagem refere-se a raio e diâmetros de elementos


circulares de peças que se apresentam em verdadeira grandeza. Trata-se de uma situação
em que as linhas de cota se podem apresentar no interior de peças. Para elementos
circulares cujo perímetro apresentado é superiora metade do perímetro da circunferência
de suporte é usual a indicação do diâmetro. No caso contrário apresenta-se apenas a cota
do raio (Fig. 6.16).

 
Fig. 6.16 -Cotagem de elementos circulares em verdadeira grandeza

É de mencionar ainda, o caso em que o elemento circular a cotar tem um raio cujo valor à
escala considerada é tal que o seu centro de curvatura ficaria necessariamente fora da
folha de papel.

Trata-se com efeito de uma situação comum em desenhos que integram por exemplo
projectos de estradas. Nesta situação simula-se a localização do centro de curvatura por
representação de uma linha de cota quebrada. A inscrição da respectiva cota (neste caso,
o valor do raio) será no entanto o valor real (Fig. 6.17).  

 
  

Fig. 6.17 - Cotagem do raio de um arco de grande curvatura.

g)   Modos de apresentação de cotagem sequencial

A regularidade e o carácter repetitivo dos elementos geométricos que definem a


configuração de muitas peças (segmentos de recta, paralelas e ou perpendiculares, por
ex), induz numa representação sistematizada dos elementos gráficos que constituem a
cotagem.

Estabelecem-se assim dois critérios básicos e racionalizados de cotagem consignados na NP


- 197. Estes critérios constituem as designadas cotagem em série, cotagem em paralelo,
cotagem combinada e cotagem por coordenadas:

Cotagem em série

Na cotagem em série, as linhas de cota apresentam-se dispostas sobre uma recta de


suporte e. bem entendido, paralelamente à direcção dos elementos geométricos a cotar
(Figs. 6.18 e 6.19), quer para elementos exteriores quer interiores, da peça.

 
Fig. 6.18 -  a) Cotagem linear e em série relativa aos elementos de contorno da peça; b)
Idem com indicação da cota total

Fig. 6.19 -  a) Cotagem linear e em série relativa à localização de elementos (furos)


interiores; b) Cotagem angular e em série com indicação da cota total  

 Cotagem em paralelo

Na cotagem em paralelo, as linhas de cota dispõem-se paralelamente  entre si e são


marcadas  a partir de uma referência comum designada a base de medição para cada
direcção de linhas de cota a estabelecer. (Fig. 6.20-a)

De notar entretanto a possibilidade de marcação das linhas de cota para lados opostos da
referencia que por esta razão não tem necessariamente que conter uma aresta de
extremidade da peça a cotar (Fig. 6.20-b).
 

Fig. 6.20 - Cotagem linear em paralelo relativa aos elementos de contorno da peça

Analogamente ao que se referiu em relação à colagem em série, também a cotagem em


paralelo pode ser utilizada na referenciação de elementos interiores à peça em questão
(Fig. 6.21).  

Fig. 6.21 - Colagem em paralelo relativo à localização de elementos

a) Linear; b) Angular
 

De notar que, conforme se referiu, as linhas de chamada não devem intersectar-se,


situação para qual se pode eventualmente tender principalmente na utilização de cotagem
em paralelo. Por outro lado as linhas de cota devem situar-se de forma equidistante (Fig.
6.22).  

Fig. 6.22 - Linhas de cota equidistantes na cotagem em paralelo.

Cotagem combinada

A cotagem combinada recorre simultaneamente  à cotagem em série e à cotagem em


paralelo (Fig. 6.23). Deste modo dispõe-se de mais possibilidades para que a
representação da colagem induza com maior eficácia o processo construtivo que se
apresentou como um objectivo importante no estabelecimento de critérios de Cotagem,

 
Fig. 6.23 - Cotagem combinada.

Cotagem por coordenadas, cotagem  de elementos equidistantes e cotagem por meio


de variáveis;

A cotagem por coordenadas assume-se especialmente útil quando numa dada peça
interessa cotar vários elementos ou pormenores do mesmo tipo mas de diferentes
dimensões (Fig. 6.24).  

 
Fig. 6.24 - Cotagem por coordenadas.

A cotagem de elementos equidistantes clarifica a apresentação de cotagem de sequências


de elementos de dimensões iguais e com a mesma direcção e podendo incluir
simultaneamente a dimensão total. Trata-se como que de uma síntese de cotagem em
série ou em paralelo a uma só linha de cota, e é obviamente válido para colagem de tipo
linear (Fig. 6.25-a) ou angular Fig. 6.25-b).  

Fig. 6.25 - Cotagem de elementos equidistantes

  a) Linear; b) Angular

A cotagem por meio de variáveis utiliza-se quando se pretende cotar várias peças com a
mesma configuração, que apenas diferem quanto ás dimensões. Este último caso é
particularmente adequado ao desenho de Estruturas de Edificações. Na Fig. 6.26
exemplifica-se o desenho de um conjunto de três vigas em betão armado complementado
com a apresentação sob a forma de quadro, dos valores das dimensões L 1, L2 S1e S2
variáveis para cada peça. A cotagem da dimensão transversal se for a mesma para todas as
peças, pode ser objecto de anotação como se indica. Em todo o caso seria ainda
indispensável a representação de secções transversais onde o valor desta cota poderia ser
inscrito.  

 
Fig. 6.26 - Cotagem por meio de variáveis

h) Cotagem de elementos com configuração cónica

As peças cuja superfície apresenta um estreitamento (ou alargamento) gradual, isto é a


sua configuração em planta e/ou alçado apresenta-se convergente (ou divergente)
deverão conter indicações adicionais de cotas, capazes de quantificar estas
particularidades. Tais indicações referem-se a casos particulares de cotagem angular ou
cotagem linear por forma a explicitar a inclinação (Fig. 6.27).  

 
Fig. 6.27 - Possibilidades de colagem de elementos de peças com configuração cónica.
 

De notar que para os casos das Fig. 6.27-c) e e), a quantificação das inclinações é obtida a
partir do estabelecimento de relações trignométricas do tipo:  

-    Fig. 6.27 - c):             B            b                                                           c

                                   -------  -   -------   =  c                        alfa  =  atn  -------  ;

                                       2            2                                                           h

-    Fig. 6.27 - e):                               B / 2

                                  alfa  =   atn  ( --------  )      ;                  

                                                         c + h

i) Cotagem de conjuntos de peças

A cotagem de várias peças cuja adequada justaposição constitui uma peça de conjunto!
tem como critério fundamental, o agrupamento tanto quanto possível, das linhas de cota
referentes a cada uma das peças. Para além disso deve inevitavelmente ser apresentada a
cotagem do conjunto (Fig. 6.28).

 
Fig. 6.28 -  Cotagem de um conjunto de peças (a). Representação das peças
separadamente (b)

j) Linhas de referência mensagens e símbolos complementares de cotagem

Há um conjunto de informação geralmente necessária em Desenho Técnico, que embora


não referente à quantificação de dimensões, tem a particularidade de constituir uma
imagem de caracteres alfanuméricos. Em geral cem termos práticos é aposta nos desenhos
quase simultaneamente á colocação da cotagem.

Por estas razões a indicação de mensagens complementares é assim apresentada no


âmbito da cotagem.

A indicação de mensagens sempre recorrendo a letra normalizada é por vezes susceptível


de ser associada a linhas de referência.

Tal situação acontece quando a mensagem apresentar se refere não à generalidade do


desenho mas sim a uma zona ou pormenor específico e bem determinado. Assim, as linhas
de referência, a cheio fino são em geral definidas por duas linhas, uma horizontal como
suporte da inscrição ou mensagem a Indicar e a outra, fazendo com a primeira um ângulo
nunca interior a 30º, específica a zona em questão. Esta especificação é estabelecida pela
representação de um ponto no caso de referência a uma superfície e por uma seta no caso
de referência a uma aresta ou contorno  (Fig. 6.29).

 
Fig. 6.29 - Indicação de linhas de referência e mensagens

A utilização de linhas de referência é muito frequente em Desenhos de Estruturas de


Edificações, em particular de Betão Armado: as armaduras que constituem o próprio
material, são indicadas deste modo. Ainda no âmbito da Cotagem em Desenho Técnico, é
também frequente o recurso a símbolos gráficos no sentido de a complementar e
simultaneamente facilitar a sua apreensão. São de considerar:

-  A cotagem de diâmetros de elementos geométricos que se apresentam de perfil (Fig.


6.30), isto é, esclarece-se a partir por exemplo de um alçado a correspondência de uma
aresta a um circulo em planta, pela utilização do símbolo ф.

-  A cotagem de lados de quadrados de modo análogo ao caso de diâmetros, mencionado


(Fig. 6.31) pela utilização do símbolo . Esta possibilidade é utilizada com frequência em
desenhos de estruturas de edificações nomeadamente na cotagem de pilares e de sapatas
de secção quadrada .

-  A cotagem de elementos iguais (distâncias por ex.).Trata-se de evitar a repetição de


inscrições de valores de cotas iguais. O recurso a representação do símbolo = permite ao
leitor do desenho a apreensão inédita da relação (igual) entre as cotas dos elementos em
questão (Fig. 6.32).

 
 

  Fig. 6.30 - Cotagem de diâmetro

Fig. 6.31 - Cotagem de lados de quadrados  

 
Fig. 6.32 - Cotagem de elementos iguais.

Por vezes quando a mensagem a indicar é demasiado extensa podendo comprometer a


apresentação do desenho (e até sobrepor-se visualmente) associam-se as linhas de
referência, números de referência. 

Esses números constituirão uma chamada à leitura em outra zona do desenho, das
respectivas mensagens; por exemplo através de um quadro cujo título elucide sobre o
assunto em questão.

Na Fig. 6.33 exemplifica-se com a apresentação de um pormenor construtivo de


tratamento da cobertura de uma edificação em terraço.  

 
 

Fig. 6.33 - Utilização de números de referência para explicitação de mensagens

De notar ainda que os números de referência podem constituir a própria cota. É uma
situação frequente quando o elemento em questão é de tal modo pequeno em relação às
dimensões globais da peça em que se insere, e o objectivo é apenas indicar a própria cota
(Fig. 6.34).

Fig. 6.34 - Cotagem de furos muito pequenos por recurso a linhas de referência
 

6.5. Cotagem de desenhos em corte  

Nas representações de cortes que se apresentam em projecção ortogonais a colagem


segue as normas e convenções apresentadas em 4.5.4. para as projecções ortogonais em
geral.

De notar que a tentativa para evitar a representação das linhas de cota no interior do
desenho e, no caso de cortes, no interior das superfícies tracejadas, deve ser ainda maior.

Se no entanto tal não for possível, o tracejado que identifica a superfície de corte deve
ser interrompido na zona referente aos caracteres que quantificam o valor da cota, mas
nunca na zona da própria linha de cota (Fig. 6.35).  

Fig. 6.35 - Cotagem de vistas em corte:

a) Situação desejável, b) Admissível, c) Incorrecta

Um dos aspectos com interesse na cotagem de peças em corte é a consideração de


critérios de cotagem correspondentes a convenções relativas ao modo de apresentação de
cortes (Fig. 6.36). Neste caso e perante a representação de um meio cone, que pressupõe
uma peça simétrica, é admissível a apresentação de linhas de cota incompletas, muito
embora com a inscrição de cota correspondente ao valor total.

Fig. 6.35 - Cotagem de um meio corte

6.6.  Cotagem de desenhos em perspectiva 

Do mesmo modo que no âmbito do Desenho Técnico e das suas aplicações é a


representação por Projecções Ortogonais Múltiplas que constitui a metodologia para
comunicar inequivocamente a configuração de uma peça; do mesmo modo que o recurso à
perspectiva rápida é menos frequente, também será pouco frequente a utilização da
cotagem de desenhos em perspectiva.

No entanto e dada a utilização que eventualmente se faça das perspectivas rápidas para
efeitos da clarificação das formas ou de alguns pormenores pode também ser necessária a
apresentação de algumas cotas, em especial as que se referem ás dimensões fundamentais
da volumetria da peça.

Em perspectiva central e de acordo com o seu objectivo fundamental, - evidenciar a


relação de dimensões segundo as direcções principais deformando-as em função do ponto
de vista considerado, não faria sentido proceder a qualquer cotagem.

Os critérios de cotagem são em termos gerais os já referidos para as projecções ortogonais


múltiplas mas obviamente restritos a urna só projecção (projecção axonométrica); ao
contrário do que acontece nas projecções ortogonais múltiplas em que por se dispôr de
várias vistas, é possível seleccionarem qual a cotagem de um dado pormenor, melhor
corresponde à sua explicitação.

Assim, nas perspectivas rápidas as linhas de cota deverão orientar-se segundo as direcções
axonométricas.

As linhas de chamada orientam-se segundo as direcções axonométricas que na realidade


são perpendiculares à direcção do elemento (aresta) a cotar (Fig. 6.37).  

Fig. 6.37 -  Cotagem em perspectiva:

a) Desejável, b) Admissível, e) A evitar, d) Incorrecta


 

A inscrição de cotas segue o critério apresentado para as projecções ortogonais múltiplas.

Na Fig. 6.38 exemplifica-se uma disposição possível de linhas de cota e linhas de chamada
para a cotagem de uma peça em perspectiva isométrica.  

Fig. 6.38 - Cotagern de uma peça em perspectiva isométrica.

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Definições[editar | editar código-fonte]


 A cotagem, no sentido mais estrito, é a representação gráfica no desenho das
características de um elemento, através de linhas, símbolos, notas e valor numérico
numa unidade de medida[1]. A cotagem normaliza o intercâmbio das informações entre
as diversas partes envolvidas no projeto.
 De forma mais ampla, a cotagem pode significar a indicação das medidas, ou
características, com a utilização do letreiro técnico, sem indicação de unidade (por
exemplo, a medida é descrita por 50, e não por 50 mm).[2]
Particularidades[editar | editar código-fonte]

Diferentes marcadores de extremidade: seta de 15º, linha obliqua à 45º e circular.

Limites da linha de cota[editar | editar código-fonte]


As representações mais comuns são[1]:

 Setas desenhadas em ângulo de 15º


 Linhas inclinadas à 45º
 Círculos
Tipos de linhas[editar | editar código-fonte]
Os três tipos de linhas mais usados em desenho técnico são[1]:

 Contínua: para o contorno e arestas visíveis,


 Tracejada: linhas invisíveis e
 Traço e ponto: para representar o centro dos furos, ou, os eixos de simetria e de
revolução.
Espessura das linhas[editar | editar código-fonte]
As normas da ABNT prevêm dois tipos básicos de espessuras de linha:

 Larga
 Estreita
De um modo geral, em uma prancha de desenho, as linhas contínuas são largas e as
tracejadas e traço e ponto estreitas.

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