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Poema Amar!

– Florbela Espanca
Biografia
Flor Bela de Alma da Conceição Espanca (nome de batismo), nasceu em 1894 na cidade de Vila
Viçosa em Portugal. Filha de Antónia da Conceição Lobo e João Maria Espanca que era casado
com Mariana do Carmo Ingleza. Como Mariana era estéril, João teve dois filhos com Antónia,
Flor Bela e Apeles, que não foram reconhecidos paternalmente e foram criados por Mariana,
que posteriormente se tornou madrinha dos meninos. A curta e agitada vida de Florbela
resume-se na sua inquietação, sofrimento e nos seus escritos voltados para a erotização,
feminilidade, panteísmo e patriotismo. Teve várias obras na área da poesia, de contos e
epístolas, e um diário sem contar os vários romances que traduziu e a sua colaboração em
diversas revistas e jornais.

Florbela entrou na escola primária em 1899 e escreveu seus primeiros textos literários em
1903. Casou-se 3 vezes e no primeiro casamento sofreu um aborto involuntário, o qual fez com
que aparecesse os primeiros sintomas de problemas psicológicos. Começou a tirar o curso de
direito, mas interrompeu os estudos na faculdade e teve que dar aulas particulares de
português para sobreviver.

Com a morte do seu irmão os problemas mentais aumentaram e a poetisa tentou suicídio 3
vezes e, ao saber o diagnostico de um edema pulmonar, perdeu a vontade de viver e na quarta
tentativa de suicídio não resistiu. Flor Bela Lobo faleceu em Matosinhos (Portugal) no dia do
seu aniversário em 1930, quando tinha apenas 36 anos.

Flor tornou-se conhecida, pois, a maioria de sua poesia eram sonetos que falavam da solidão,
tristeza, saudade, sedução, desejo, morte e amor, tema que prevalecia. Tempos depois de sua
morte, alguns poetas homenagearam Florbela Espanca, como Manuel da Fonseca no poema
“Para um poema a Florbela” e Fernando Pessoa em “À memória de Florbela Espanca”.  Ela é
considerada como a grande figura feminina da Literatura Portuguesa no século XX.

Charneca em flor
Charneca em Flor é o volume de poemas de Florbela Espanca publicado após a sua morte em
1931, pela Livraria Gonçalves de Coimbra. As duas primeiras edições foram organizadas por
Guido Batelli, professor italiano visitante na Universidade de Coimbra, com quem Florbela
manteve correspondência durante os últimos meses da sua vida.

A primeira edição é composta por cinquenta e seis sonetos, enquanto a segunda, do mesmo
ano, contém mais vinte e oito peças. De uma carta de 15 de maio de 1927 dirigida a José
Emídio Amaro, diretor de jornal D. Nuno de Vila Viçosa, sabemos que a antologia foi concluída
já naquela época. Alguns dos poemas de Florbela estampados no jornal com que colaborava
iriam fazer parte da coletânea. Entretanto, a escritora não conseguiu encontrar um editor para
a sua obra.
Quando em julho de 1930 Guido Batelli ofereceu a sua ajuda, Florbela sentia uma enorme
pressa em ver o livro publicado. Porém, conseguiu rever somente as provas tipográficas, já que
cometeu suicídio em dezembro do mesmo ano.
Finalmente, nos primeiros dias de janeiro, cerca de um mês depois da morte da
autora, Charneca em Flor conheceu a luz do dia. Possivelmente, seria para Florbela um livro de
recordações, em que a poetisa registaria as melhores lembranças da vida. Trata-se, sem
dúvida, do livro em que Florbela que melhor consegue condensar as suas vivências, passando-
as à poesia como nunca o fizera antes. É em Charneca em Flor que melhor se define a sua
sensibilidade. Considerado como o seu livro mais sincero, é nele que Florbela retrata a fase
mais difícil e pessoal da sua vivência como poetisa, e presta homenagem à sua terra natal.

Tema geral
O tema geral deste soneto está localizado no título e no primeiro verso da primeira estrofe e é
o amor e o que é amar (“Eu quero amar, amar perdidamente!”).

Análise estrófica
Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui... além...

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente

Amar! Amar! E não amar ninguém!

Na primeira quadra deste soneto, Florbela Espanca descreve o amor com algo extraordinário,
maravilhoso e amar sem restrições é algo tão necessário que nos leva à vontade de viver
intensamente, como se preferisse aproveitar os momentos amando, fazendo uma referência à
temática do carpe diem, para exigir os seus direitos de amar, como podemos ver no primeiro
verso.

Nesta estrofe, há um momento de contradição quando ela banaliza o amor, algo que tanto
preza, como podemos ver: “Amar só por amar”. Também dá uma ideia de liberdade, pois
expressa amar toda a gente e sem ficar presa a alguém, um amor que pode chegar ao ponto
de amar as pessoas, e ao mesmo tempo não amar, como vemos no último verso.

No terceiro verso, ao fazer referência ao Este, Aquele e ao Outro, usa letra maiúscula o que
pode significar alguém que ela já amou, podendo ser os seus três maridos.

Recordar? Esquecer? Indiferente!...

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!


Na segunda estrofe, Florbela Espanca diz que não interessa recordar ou esquecer, o que
importa é amar sem se prender apenas a um amor, e ela própria teve várias paixões na vida e
que não se pode ter só uma, argumentando como se ve nos dois últimos versos:

“Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!”

Flor defende, também, que o amor não é algo que prende, mas algo que liberta.

Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

Seguindo para a terceira estrofe, ela faz uma referência à primavera, a primavera é a época
que mais floresce do ano e é a estação do amor, por isso, todos temos um momento que mais
flora, que ama de forma mais intensa, e devemos aproveitá-lo da melhor forma possível, pois
se deus nos deu a vida foi para a aproveitarmos. E olhando para a primavera como uma fase
da vida, podemos dizer que é a fase juvenil, a fase que mais se ama e em que mais se ama.
Então, esse maravilhoso florescimento se dar na juventude.

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder... pra me encontrar...

Na quarta e última estrofe é alertado que se deve aproveitar as oportunidades para amar ao
máximo porque um dia a morte vem e não vai adiantar mais querer amar. A poetisa sentia-se
atraída pela morte, mas aproveitava a vida para amar. E tinha uma capacidade de amar tão
grande, mas não era correspondida e por isso ela amava todos, para que um dia pudesse
encontrar um amor que a entendesse. Quando morrer, espera conseguir livrar-se do seu corpo
novo, para depois da morte poder ter uma nova vida.

Análise Gramatical
O soneto “Amar!” tem 14 versos, 2 quartetos e 2 tercetos, totalizando 4 estrofes.

Os versos dos poemas são decassilábicos há a presença de rima cruzada (ABAB) na primeira
estrofe, interpolada (ABBA) na segunda estrofe e emparelhada (CCD) nas terceira e quarta
estrofes.

Comparação
Pode-se fazer uma comparação no que diz respeito ao significado da expressão carpe diem, ou
seja, aproveite do dia, com o poema Amar respetivamente nos primeiros versos do primeiro
terceto:
“Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida, [...]”
Aqui Florbela Espanca incita-nos a viver ao máximo e apreciar o presente pois o significado de
cantar a vida é a aproveitar o que esta tem de melhor.

Pode afirmar-se ainda que o poema Amar traz a representação de uma mulher sensual,
erótica, que exterioriza através do poema as suas inquietações no que diz respeito às
limitações da mulher a nível social:

"E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada


Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...”

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