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PERIGOSAS

MINHA MELHOR AMIGA,


virgem

CARLIE FERRER

NACIONAIS - ACHERON
PERIGOSAS

Copyright 2017 © Carlie Ferrer


Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte desta obra pode ser utilizada ou
reproduzida sob quaisquer meios existentes sem autorização
da autora. A violação dos direitos autorais é crime
estabelecido na lei n° 9.610/98, punido pelo artigo 184 do
Código Penal.
Esta é uma obra de ficção, sendo assim criados pela
autora, as regras de luta livre exibidas, assim como ambientes
e personagens.

Capa
Arte: Carlie Ferrer
Imagens: ©CanStock

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Caitlin finalmente aparece e permaneço onde estou, no


sofá, olhando para ela. Ela deixa a bolsa na mesa e aproxima-
se, olha para o chão e não posso ver a expressão em seu rosto,
não posso saber como ela se sente.
— Então, você tem mesmo seguido a gente? Ou essa foi a
primeira vez?
— Não foi. Tenho agido como um adolescente de bolas
presas.
Ela fica um tempo em silêncio, então senta-se à minha
frente e posso ver claramente seus olhos. Ela está confusa.
— Por quê? Por que você faria isso? Por que ficaria
tentando me seduzir? Por que me levaria a um encontro? Eu
juro que estou há semanas tentando entender você, mas eu
não consigo! Por que, Colin, por que tudo isso?
— Porque eu quero ser o seu primeiro, Caitlin! Eu quero
tirar a sua virgindade. Eu não entendo como você pode ter
pensado em fazer isso com outro homem, mas não posso
permitir. O seu prazer me pertence. Isso que você tem
guardado por tanto tempo, o fez para mim. Você só precisa
enxergar que eu sou o cara certo para fazer isso com você.
Ela fica em choque. Levanta-se desnorteada e fica dando
voltas na sala. Quero confortá-la de algum jeito, mas não
posso, eu mal posso me controlar nesse momento.

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— Por quê? Por que eu deveria fazer isso com você? —


pergunta um tom mais baixo do que sua voz normal.
— Porque ninguém te conhece como eu, eu sei
exatamente onde você precisa ser tocada, onde precisa ser
beijada, eu sei dar a você todo o prazer que merece como
ninguém mais poderia e você sabe disso!
Levanto-me e pego sua mão, seus olhos se focam nos
meus, sei que ela está me ouvindo, só não sei como fazê-la
entender.
— Desde que você revelou ser virgem, tudo o que consigo
pensar é em como você merece ser amada. Só consigo pensar
em tudo o que você tem que sentir na sua primeira vez. Em
como tem que ser tocada e beijada, em como tem que gemer
com prazer genuíno ao meu toque. Em como vai reagir a
minha boca em você, e como ficará satisfeita quando eu a
preencher com meu pau, da maneira exata que você merece!
Eu sei que qualquer outro homem poderia te dar prazer,
Caitlin, não estou negando isso. Mas você sabe, e eu também,
que ninguém mais vai amar você da maneira como eu vou.
Ninguém vai conhecer você como eu conheço, nem vai cuidar
de você, nem deixá-la louca, como eu faço, porque sou eu que
tenho que fazer isso.

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Introdução
A doce amiga virgem.
O intenso lutador devasso.

O mundo de Colin é escuro e repleto de erros, golpes e


posições. Mas ele consegue sobreviver como um vencedor, e
afastar os demônios do passado com a ajuda de sua melhor
amiga, Caitlin. Responsável e bondosa, a doce amiga não faz
parte deste seu lado selvagem: o que sobe nos ringues e arrasa
os adversários. Mas conhece seu lado mais devasso, já que ele
vive quebrando suas regras anti-sexo no apartamento que
dividem.

Enxergando-a como a garotinha que conheceu ainda


criança, seu mundo vira de cabeça para baixo quando a vê, de
repente, como uma mulher. A mais linda e desafiadora mulher
que já conheceu. De repente Colin passa a ter consciência de
seu corpo, seu cheiro e do fato de que ela entregará tudo isso
ao único homem que Colin jamais suportaria ver tocá-la: seu
maior adversário Stephen.

Colin não tem certeza se Stephen a está usando para


vingar-se dele, mas não pretende tirar a prova, já que não há a
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menor chance de ele permitir que a primeira vez de sua


preciosa menina, seja com qualquer outro homem. Agora que
sabe que ela é virgem, agora que a vê como a linda mulher
que se tornou, Colin fará o impossível para ser o primeiro, e
quem sabe único, na cama de Caitlin.

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CAPÍTULO UM
As luzes atrás do meu adversário me permitem ver melhor
sua silhueta. Os gritos enlouquecedores à nossa volta não me
distraem, me dão uma sensação de adrenalina que eu adoro.
Mas há algo nesse ringue que me distrai, a Ring girl da noite.
Ela é morena, alta e deliciosa. Lanço uma piscadela para ela,
preciso vencer essa, acabar com essa luta e levar a morena
gostosa para um motel. Volto a me concentrar no meu
adversário. Ele me encara, eu o encaro, e lanço um gancho de
direita em seu rosto, ao que ele desvia e me dá uma rasteira.
Em seguida seu corpo cai sobre o meu, seu cotovelo em
minha barriga. A plateia grita ainda mais alto, mas tudo o que
ouço é um zumbido quando o filho da puta bate minha cabeça
pela terceira vez no chão. Vejo algo de branco contando e ele
sai de cima de mim. Stephen Imbecil Ryan me venceu de
novo!
Bato em tudo o que vejo pela frente, ouvindo os gritos de
Luke atrás de mim, de que devo me acalmar. Mas não acho
que eu deva. Eu deveria era me irritar mais, quem sabe assim
não vença ao menos uma luta contra esse maldito! Jogo um
banco pelos ares e quando me viro para mandar Luke, meu
grande amigo, calar a boca, a vejo. A Ring girl deliciosa.
— Olá — ela diz com uma voz manhosa, se fingindo de
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envergonhada. — Você está bem?


Meu supercilio está sangrando e meu maxilar parece que
está torto. Que espécie de pergunta idiota é essa?
— Depende. Você veio aqui para ver o estrago, ou para
ser estragada pelo meu pau?
Ela arregala os olhos, fingindo estar chocada, mas logo
diz:
— Vim cuidar de você, bonitão. E adoro ser estragada.
Puxo a morena para meus braços e nem vejo Luke saindo
do vestiário. Tomo um banho rápido e a alcanço, preciso sair
com ela logo daqui, preciso descontar minha raiva.
Na saída, vejo Stephen, o imbecil com seu sorriso
vitorioso. Mas ele morre um pouco quando ele vê a Ring girl
pendurada em meu braço. Ele pode vencer todas as lutas, mas
eu sempre levo as garotas. Ponto pra mim.
— Espero que consiga satisfazê-la mesmo com as costelas
quebradas, Hanson — ele provoca quando passamos por ele.
— Obrigado, Ryan. Espero que consiga... — faço uma
pausa ganhando a atenção de todos ali. — Ao menos uma
garota. Nem precisa satisfazê-la. Não esperaria isso com sua
falta de experiência.
Faço um cumprimento observando bem seus olhos em
chamas e saio com minha garota.

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Moro há quase um ano em um pequeno, muito pequeno,


apartamento com minha melhor amiga, Caitlin. Minha
preciosa é estudante de direito, daquelas meninas boazinhas e
doces, com quem se pode ter uma convivência fácil e
tranquila. Mas claro, temos algumas regras para manter esta
convivência. Na verdade, ela tem algumas regras. E a
primeira delas é: nada de sexo no nosso apartamento. Por
isso, assim que abro os olhos e percebo que o sol nasceu, e
que a Ring girl e eu dormimos sem querer, me levanto em um
pulo para acordá-la e dispensá-la antes que Caitlin acorde e a
veja aqui.
Mas, quando olho para o lado da minha cama, está vazio.
Respiro aliviado achando que a garota deu o fora e que tudo
está bem. Visto uma boxer e saio assoviando completamente
feliz do meu quarto, quando um cabelo preto desbotado me
chama atenção.
— Oh, merda!
— Bom dia, Colin. Nem vou perguntar como foi sua noite
— Caitlin diz com aquele sorriso pela metade, que ela só
mostra quando está puta comigo.
Infelizmente, ela o mostra com certa frequência.
— Bom dia, Caitlin, bom dia Ring girl. O que ainda está
fazendo aqui? — pergunto com um sorriso enorme para não
ser grosso. Caitlin odeia quando acha que sou grosso com as
garotas.
— Oh! Bom dia, gatão! Eu estava de saída, mas a sua
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irmã gentilmente me convidou para um café, agora estou


fazendo as unhas dela.
Só então reparo que a garota da noite passa um esmalte
vermelho demais na mão da minha preciosa. E ela nunca usa
essa cor de esmalte.
— Que bom que vocês ficaram amigas, Caitlin não se
importa de ter uma amiga dormindo em casa, certo, Caitlin?
— Tento a sorte e recebo novamente aquele sorriso pela
metade.
— Ah não, de maneira alguma. Na verdade, acho que
prefiro mil vezes uma amiga dormindo aqui, do que meu
irmão! — Ela dá uma ênfase enorme à palavra irmão e trato
de despachar logo a Ring girl para não irritar mais minha
melhor amiga.
Deus sabe que se ela se cansar de mim, estarei na merda.
Quando volto da porta, onde finalmente consegui fazer a
Ring girl sair, Caitlin está com sua mochila pendurada no
ombro, de saída. Ela sacode as unhas e faz um pequeno bico
soprando-as, esperando que sequem.
— Caitlin, me perdoe.
— Não peça perdão se vai fazer de novo, Colin. Você ao
menos sabe o nome desta?
Nego com a cabeça, sem conseguir me sentir
envergonhado por isso, mas algo na maneira como ela me
olha, aquele desapontamento, isso me incomoda.
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— Que pena! Ela é uma excelente manicure. Se você sair


com ela de novo, por favor, pegue seu número para mim.
Preciso ir, tem café fresco. Coma algo e coloque a bolsa de
gelo nessa cara, você está horrível.
Ela segue em direção a porta, e resolvo provocar,
aproveitando seu bom humor.
— Então, se as garotas forem úteis para você elas podem
dormir aqui?
— Bom, elas precisam ser úteis para alguma coisa além
de te dar a falsa ilusão de que é homem, só porque seu pau
sobe para qualquer vagabunda nua. Então, não me importo
mais.
— Como assim não se importa mais?
— Não ligo. Pode trazer suas Ring girls e suas fãs para cá.
É seu quarto, sua vida, e eu estou desistindo de você.
Ela sai pela porta e eu deveria estar sorrindo emocionado
e cantando pela sala, mas, estou muito puto com ela. Desiste
de mim? Que merda é essa? Ela tem absoluta certeza que sou
um idiota que só age com a cabeça de baixo e não serve nem
para cumprir uma mísera regra. Vou provar para essa santinha
que ela está...
Espera, o que estou dizendo? Ela está certa. Este sou eu e
ela me conhece muito bem. Ainda bem que Caitlin é uma
péssima mentirosa, porque eu sei que ela jamais desistiria de
mim. Cantarolo feliz pela sala já pensando nas três loiras, as

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primas que não comi na semana passada porque elas não


aceitam qualquer motel.
— Felicidade, aí vou eu!

Saio da faculdade com uma luta agendada, Honor Black.


Nunca lutei com ele, mas já o vi lutar. E sei que posso vencê-
lo tranquilamente. Isso significa dinheiro no final de semana.
Encontro Luke me esperando em seu carro, ele faz uma careta
ao me ver, minha cara não está das melhores.
— Cara, você deveria esperar esse hematoma sumir antes
de fazer mais deles. Não sei como consegue pegar garotas
com essa cara!
— Não terei novos hematomas, seu frango. E isso já, já
melhora. Além do mais, ninguém resiste aos meus olhos azuis
e esse cabelo loiro — provoco-o e recebo um palavrão como
resposta. — Resolveu me dar carona hoje? A que devo a
gentileza?
— Sei que sua moto ainda está no conserto. E você sabe,
nunca perderia a oportunidade de ver sua companheira de apê.
Dou um tapa na cabeça dele e entro no carro. Luke é meu
amigo há anos, sabe todas as merdas que já passei, as que fiz
e que fizeram comigo. Caitlin é minha amiga desde a
infância. Morávamos em Madison, Wisconsin, e ela se mudou
antes de mim. Depois de tudo o que aconteceu, precisei sair
da cidade, e vim morar com ela. Luke também morava em

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Wisconsin, embora não tenha conhecido Caitlin lá, ele se


mudou comigo para cá e desde que a viu pela primeira vez,
ficou de bolas presas por ela. O problema é que minha
adorada preciosa, só pensa em estudo. E trabalho. Imagino
que ela pegue uns caras, porque dificilmente está estressada e
ninguém é feliz sem uns bons orgasmos, mas nunca vi
nenhum. E ela não está interessada no meu amigo. Ainda
bem, porque seria estranho ver meus dois melhores amigos de
casinho amoroso pelo apartamento. Deus me livre encontrar
Luke com as bolas balançando uma manhã qualquer, como
Caitlin sempre pega minhas garotas nuas. Então prefiro não
interceder nesse caso. Caitlin que decida se dará uma chance a
ele ou não. Eu espero que não.
Quando chegamos ao apartamento, Caitlin está sentada,
seu longo e volumoso cabelo negro preso no coque de
sempre, com aquelas mexas soltas que cobrem seu rosto. Usa
um pijama de flanela, cheio de patinhos que deve ser de sua
mãe, pelo tamanho. Está com seus óculos de professorinha e
claramente irritada. Ela tem uns dez livros à sua frente e não
deve estar entendendo algo, pois escreve rapidamente, risca e
bufa.
— Boa noite, Caitlin. Precisa de ajuda? — Luke logo se
oferece.
— Não Luke, agradeço.
— Você parece tensa, precisa de uma massagem?
Ela desvia o olhar dele para mim, claramente me pedindo
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socorro, mas me divirto vendo-a tentar se livrar do meu amigo


pegajoso. Então dou de ombros e ela me lança aquele olhar de
vou me vingar, seu babaca.
— Ok — diz surpreendendo a Luke e a mim.
— C-como? — ele gagueja.
Ela se levanta, tira a blusa de frio de flanela, por baixo usa
uma camisetinha de seda branca, que é transparente ao ponto
de dar para ver seu sutiã cor de rosa com lacinhos. Volta a se
sentar e fica parada.
— Então, essa massagem é pra hoje?
Luke sai de seu transe e acho que parece tremer ao tocar a
pele dela, eu ouvi mesmo ele gemer? Babaca! Pego uma Coca
na geladeira, dou uma espiada no trabalho de Caitlin, a
pergunta que ela não consegue responder, e aponto para ela a
resposta em um dos muitos livros que estão espalhados pela
mesa.
— Colin, muito de vez em quando, eu te amo — diz
animada marcando a página que mostrei.
Luke me lança um olhar acusador e dou de ombros, não
tenho culpa se sou bom com as mulheres. Até mesmo com a
minha melhor amiga. Rio da cara de idiota dele ao massageá-
la e quando Caitlin emite um pequeno grunhido de satisfação
pela massagem, eu meio que não consigo me mover. Olho
para Luke e o filho da mãe tem um volume na calça. Ele está
excitado com a minha melhor amiga? Nem pensar!

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— Já chega Luke, temos que ir ao clube.


— Não tem luta hoje — ele diz irritado.
— Tem sim, do Stephen. Quero vê-lo lutar de fora.
— Stephen é aquele cara que sempre ganha de você? —
pergunta Caitlin escondendo um sorriso.
— É — assumo entredentes.
— Ah, entendi. Você quer vê-lo lutar da plateia, para não
apanhar dessa vez, certo? — ela provoca.
— Quero vê-lo lutar da plateia para achar seu ponto fraco.
E na nossa próxima luta, você será a Ring girl, vou derrubá-lo
e calar sua boca, atrevida!
Eles ficam rindo e eu vou tomar meu banho.

Caitlin nos dá um leve aceno com a mão quando estamos


saindo, e mal passamos pela porta, Luke me barra.
— Vamos mesmo deixá-la aí?
— Quem? Caitlin? E para onde a levaríamos?
— Ao clube. Para ver uma luta. Para sair de casa. Pelo
menos uma vez na vida, ela precisa sair de casa. — Ao ver
que não estou convencido, ele insiste — Cara, olhe para ela.
Está exausta e estressada, você sabe que ela irá descontar tudo
isso em você e nas suas festinhas. Pense bem, uma Caitlin
feliz é um Colin livre.
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Sorrio.
— Pura balela tudo isso que você disse, mas ok, vou
tentar tirar a professorinha de casa.
Voltamos para o apartamento e Caitlin nem parece se dar
conta disso. Está tão centrada em seus afazeres, lendo algo
claramente chato, estala o pescoço numa tentativa de relaxar e
morde a ponta do lápis.
— Eu poderia gozar vendo-a morder o lápis desse jeito —
Luke diz quase emocionado.
— Que nojo! Pare já com isso!
Aproximo-me de Caitlin e reparo que ela não apenas
morde a ponta do lápis, ela também bate com a língua nele e
de vez em quando o gira na boca. Luke também percebe, pois
se escora em mim ao sussurrar:
— Cara, eu vou mesmo gozar.
O empurro para longe e isso chama a atenção de Caitlin.
Ela nos encara, parecendo perdida por um tempo, mas então
seus grandes olhos claros se focam em mim e ela sorri.
— Voltaram? Que horas são?
— A mesma de quando saímos, viemos buscar você.
— Ah — é tudo o que ela diz e volta a se concentrar no
livro chato à sua frente.
— Vamos Caitlin, é quarta à noite, as jovens normais
saem nas quartas.
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— Achei que saíssem nas sextas. Que eu saiba quartas são


dias de semana, as jovens normais provavelmente estudam ou
trabalham nas quintas, certo?
— Errado. As jovens normais saem todas as noites, se
divertem muito e trabalham contentes no dia seguinte.
— Isso explica o grande aumento do uso de cafeína pelos
jovens da atualidade.
— Você parece uma enciclopédia falando. Largue este
livro e venha comigo.
Estendo minha mão, que ela tranquilamente ignora e isso
se torna uma questão de honra para mim. Quero ver essa
menina séria fora de casa em uma quarta à noite. Sento-me na
mesa, em cima de um livro, bem à sua frente, fecho seu
notebook e a encaro.
— Onde você quer me levar? — ela pergunta cruzando os
braços e me encarando irritada.
Um pequeno franzido aparece em seu nariz e o desfaço
com o dedo, como sempre faço.
— Ao clube. Para ver a luta de Stephen comigo.
— Deixe-me pensar. Você quer que eu vá a um clube,
para ver homens se batendo até sangrar, mulheres seminuas
gritando por sexo e bêbados idiotas dando toda sua mesada
apostando em algum daqueles homens ensanguentados?
Assinto.

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— Parece ridículo com você falando assim — defendo


meu ganha pão.
— É mesmo? Por que será?
— Caitlin, é só uma noite. Você nunca sai de casa, não sai
desde Romeo.
Sei que peguei pesado, tocar no ex cafajeste dela é golpe
baixo, mas ela precisa sair um pouco, se distrair, ver homens
lutando e mulheres seminuas. Precisa ver algo além dessas
letras miúdas e de palavras escritas. Ela precisa viver um
pouco.
— Romeo não tem nada a ver com isso, Colin. É meu
futuro.
— E você é a garota mais inteligente que eu conheço, não
vai perder tudo porque saiu por uma noite. Caitlin você tem
dezenove anos, é jovem, bonita, precisa sair mais. Sair pelo
menos um pouco, vamos, prometo que se não estiver se
sentindo bem eu a trago para casa.
Ela respira e tira os óculos e sei que estou a um passo de
convencê-la. Eu sempre consigo o que quero com as
mulheres, não importa que mulher seja.
— Você vai chegar lá, gritar palavrões enquanto assiste a
luta, depois vai achar uma garota seminua e trazê-la para cá e
eu vou ficar como uma retardada sem falar com ninguém e
tendo de pedir carona para não ser a vela exótica do seu
amasso no carro. Saio com você na próxima luta que vencer,

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prometo.
Desço da mesa e a faço se levantar, segurando suas mãos
pequenas nas minhas, apertando-as para acalmá-la e deixá-la
mansa para fazer o que quero que ela faça.
— Colin, nem comece. O que eu vou fazer enquanto você
se pega com uma mulher qualquer lá?
— Ficar comigo! — grita Luke de repente. — Estarei ao
seu lado o tempo todo, juro não sair de perto de você.
Ela faz uma cara engraçada que me faz rir e me olha
desesperada.
— Por favor, dê-me logo um tiro na testa, mas não me
obrigue a isso.
Eu a abraço apertando-a em meus braços e beijo o alto de
sua cabeça, que alcança meu peito, por ela ser tão pequena e
eu, tão grande.
— Se você for comigo, Caitlin Ross, eu prometo não
pegar nenhuma mulher hoje.
Ela se afasta num rompante e me encara com a
sobrancelha arqueada, se divertindo com minha promessa
absurda.
— Você? Vai a um clube com mulheres seminuas e vai
recusar se uma delas quiser lutar com você?
— Sim. Eu juro. Esta noite você será minha mulher, não
vou pegar nenhuma outra.
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Ela parece sem graça num primeiro momento, mas logo se


recompõe e diz sorrindo:
— Ok, essa eu pago pra ver. Dois minutos enquanto eu
troco de roupa.

— Você não pode ir ao clube vestida com isso! — decreto


ao vê-la com uma calça de moletom e um cardigã.
— Qual é o problema? — questiona irritada.
— Não vejo problema nenhum — concorda Luke me
dando um soco no braço.
Mas não vou deixar minha melhor amiga entrar no clube
assim, será motivo de piada o resto da vida dela. A pego pela
mão e a arrasto até seu quarto. Abro seu guarda-roupa e
examino.
— Caitlin, você mesma disse que esse tipo de lugar é
frequentado por mulheres seminuas, o que acha que vão
pensar ao vê-la vestida como uma colegial virgem?
— Que não estou gritando por sexo?
A encaro com um sorriso.
— Preciosa, você está. Olha a sua cara.
Ela estende a mão no que é um limite para ela, já irritada.
— Colin Hanson, nada de falar pornografias comigo! Foi
a primeira coisa que a mamãe te disse quando se mudou para
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cá, lembra-se?
— Sim, ela também disse que eu podia fazer e não falar.
— Nós dois sabemos que isso nunca vai acontecer — ela
diz empurrando-me e pegando um vestido. Ainda é comprido,
mas é justo. Bem melhor que a roupa que está usando.
— Menos mal, vista esse. Desculpe, Caitlin, você sabe
que eu a respeito mais do que qualquer outra pessoa nessa
vida.
— Eu sei.
Ela tira o cardigã e começa a abaixar a calça, bem ali, na
minha frente. Viro-me para trás assoviando e não a olho, ela é
minha melhor amiga e eu não estava brincando quando disse
que a respeitava mais do que qualquer outra pessoa na vida.
Ela passa por mim quando termina, coloca um brinco de
argola pequeno, mas é um brinco, e calça uma bota que
abraça sua perna e destaca sua coxa.
— Satisfeito? — pergunta dando uma volta.
— Você está quase lá, baby girl. Agora, vamos.
Ela bufa irritada com o apelido que detesta e me segue
porta afora.
Fiz questão de sentar-me no banco do carona antes que
Luke fizesse Caitlin sentar lá. Mas vejo que ele mais olha
para o discreto decote dela do que para a estrada e para acabar
com o desconforto da minha amiga, jogo minha jaqueta para

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ela, que sorri em agradecimento e a coloca.


Caitlin ficou excepcionalmente calada no caminho até o
clube, nem mesmo quando Luke a cantava, coisa que ela
sempre respondia com um “me mate” e todo seu sarcasmo,
ela respondeu. Parecia perdida em pensamentos.
Quando descemos do carro, peço a Luke que vá na frente
e seguro Caitlin um pouco comigo.
— O que está havendo, Caitlin? Você quer ir embora?
— Não, está tudo bem — diz e desvia os olhos.
— Ei! — Seguro seu queixo obrigando-a a focar aqueles
olhos de amêndoas em mim. — Você sabe que pode me dizer
qualquer coisa, não sabe? Desde aquele babaca do Romeo
você perdeu o costume de me dizer as coisas, Caitlin.
— Você vivia reclamando que eu falava demais, devia
estar grato. Então, vamos entrar no seu mundo?
— Só quando eu entrar no seu. O que está havendo? Se é
pelo Luke eu te garanto que ele não vai tocar em você.
— Eu não sei se me encaixarei aqui. Quero dizer, não que
eu vá frequentar esse tipo de lugar depois disso, mas temo que
vá me sentir péssima.
— Se isso acontecer eu a levo pra casa, como prometi.
— Sim, e será mais uma coisa do seu mundo da qual eu
não faço parte. — Ela cobre rapidamente a boca com a mão e
tenta desconversar, falando sobre uma mulher que me olha
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estranho, mas ela está certa.


Conheci Caitlin quando tinha seis anos e me achava o
super-herói. Ela havia acabado de entrar no jardim de
infância, era muito pequena para sua idade e frágil, parecia
uma boneca. Ela era nova na cidade, andava vestida de
princesa e isso não condizia com a realidade do local onde
morávamos. As meninas mais velhas não gostavam dela, e
começaram a ameaçá-la. Eu a via chorar para a mãe sempre
que ia deixá-la na escola. Sendo eu o super-herói ali, tive que
ajudá-la. Eu virei seu protetor. Nunca mais nos separamos.
Nossa amizade sempre foi algo difícil de entender e mais
ainda de explicar. Ela foi a garota que fez meu primeiro
cavanhaque quando eu quase não tinha pelos e segurou minha
mão na minha primeira tatuagem aos treze anos. Eu fui o cara
que a ensinei a beijar quando ela se apaixonou por um nerd
retardado na quarta série, e fui seu acompanhante em todos os
bailes de escola. Quando ela fez quinze anos, eu estava
proibido de pisar no bairro, mas mesmo assim fui à sua festa,
fui seu príncipe, não porque éramos apaixonados, nem nada
assim, mas porque nossa amizade vai muito além de qualquer
estereótipo e entendimento.
Sempre houveram piadas de que nos pegávamos, de que
ela era minha puta, coisas maldosas quando me envolvi com
as pessoas erradas, e ela sempre foi o ponto bom no meio de
toda confusão. Ela, foi a única que esteve ao meu lado quando
tudo aconteceu. A única que me ouviu admitir o que eu havia
feito e não me olhou com julgamentos e pena, mas sim com
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uma ideia de como me esconder. Ela foi a garota de quatorze


anos que me escondeu em seu porão por dois meses, deixando
de comer para me dar suas refeições e me fazendo companhia
todas as noites.
Ela é a única garota no mundo com quem eu posso dormir
na mesma cama e não tocá-la de forma erótica, íntima sim,
mas sem segundas intenções. Eu nunca a vi assim, ela sempre
foi a melhor amiga, o porto seguro, a menina que gostava de
mim independente de qualquer coisa. Tínhamos liberdade de
falar tudo um para o outro, mas quando a testosterona passou
a reger meu corpo, acabamos nos afastando. Ela se mudou e
eu só pensava em sexo e não podia de jeito nenhum falar com
ela o que pensava sobre as amigas gostosas dela. Não queria
que ela visse o grande sem vergonha que eu me tornei.
Quando fui morar com ela, isso ficou claro logo no primeiro
mês, ela impôs suas regras, não segui todas, mas como
sempre, ela ainda é a garota que não me julga, mesmo quando
puxa minha orelha, e a que estará sempre aqui por mim. E eu
sinto falta da época em que podia falar de tudo com ela, e que
ela fazia o mesmo.
— Quando eu cheguei aqui, você estava namorando sério
um grande babaca há quase um ano e eu não sabia. Foi a
primeira coisa que você me escondeu, Caitlin. Depois de tudo
o que ele fez, você nunca mais voltou a ser você. Se
concentrou tanto no trabalho e nos estudos, achei que fosse
passar, que fosse só para não sentir dor, mas você me colocou
de escanteio também.

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— Não, eu não fiz isso!


— Jura? Porque eu não sei com quem você sai agora, não
conheço suas amigas, mas sei que você tem alguma. Não
conheço os caras com quem você se relaciona.
— Você não ia gostar deles. E não quero você pegando
minhas amigas para partir o coração delas depois e me fazer
perdê-las.
Sorrio.
— Me dê o benefício da dúvida. Não vou comer suas
amigas.
Ela faz uma careta pela palavra que usei, fazendo-me rir
ainda mais.
— Apresente-me ao menos uma. Juro não me meter com
ela. E um cara com quem você sai.
Ela parece desconfortável.
— Não estou saindo com ninguém. Tudo bem, eu meio
que te coloquei de fora, mas a verdade é que você apareceu
aqui depois de dois anos sem nos vermos e você respirava
sexo. Ficou tão diferente do Colin que eu conhecia!
— Não fiquei. Na verdade, eu só não mostrava esse meu
lado para você, morando juntos não tive como esconder.
Ela sorri e me dá um soco leve no braço.
— Não faço parte desse seu mundo depravado e violento.
E se eu assistir a uma luta e achar que esse ambiente é demais
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para mim? Não farei parte do que você ama fazer também.
Acho que vamos nos perdendo com os anos.
Seguro sua mão e olho em seu rosto de boneca assustada
para que ela não tenha dúvidas do que vou dizer:
— Eu não tenho nada, Caitlin, apenas você. Nunca posso
perdê-la. Se você achar que isso aqui é demais para você,
então vou achar algo que goste de fazer e que você considere
aceitável.
Ela sorri.
— Tudo bem. Estou fantasiando mulheres amarradas e
homens se comendo com os dentes. Vamos tirar essa
impressão de mim.
Entrar de mãos dadas com a Caitlin, estando ela com a
minha jaqueta não foi uma boa ideia. Os seguranças na porta
logo repararam cada centímetro dela, como se ela fosse mais
uma das mulheres que pego. Será que esses idiotas não
percebem que ela ainda é uma menina? A puxo para mais
perto de mim, tentando protegê-la. Seus olhos curiosos
observam tudo, logo que entramos, no corredor que desce
para o ringue, há vários quadros dos grandes lutadores da
casa. E bem na esquina onde viramos para entrar, em maior
destaque, há o dele: Stephen, o imbecil. Caitlin solta minha
mão e se aproxima do quadro, não sei o que viu nele até ouvi-
la suspirar.
— Uau!

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— Uau? O que quer dizer esse uau, Caitlin?


— Você não entenderia. Tudo bem, você quer que eu te
conte tudo, então.... Olhe para esse cara! Esses músculos, a
pele dele brilha! Eu consigo contar quantos gominhos ele tem
e meu Deus! Ele tem dez! Você já viu um cara com dez
gominhos? Ele exala testosterona e só de olhar para essas
entradas nesse tanquinho me dá vontade de ajoelhar-me aos
pés dele e perguntar por que ele não me deixa chupá-lo, só um
pouquinho?
— Quando quiser, baby — uma voz atrás de mim faz
Caitlin quase desmaiar, ao reconhecer o cara da foto.
E merda! Eu estou quase arrancando esse quadro e cada
um desses gomos que a Caitlin enxergou nele. Caitlin abaixa
a cabeça sem graça e se aproxima de mim, mas claro que
Stephen não deixaria isso passar batido.
— Sua garota é muito linda e esperta, Hanson. Melhor
tomar cuidado com essa.
— Vai à merda Stephen. Você não vai chegar nem perto
dela.
— Veremos.
Ele olha milimetricamente para Caitlin, que ao invés de se
encolher atrás de mim como ela normalmente faria, sorri para
ele, devolvendo a inspeção.
— Desculpe-me falar do seu... — Ela aponta com o dedo
em direção ao short que ele usa.
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— Não tem problema, baby. É todo seu.


Puxo Caitlin pela mão e a arrasto para dentro do clube e a
filha da mãe ainda fica olhando para trás, para o filho da puta
do Ryan. Assim que ele some de vista, ela começa a rir.
— Que merda foi essa, Caitlin?
Mas ela ri tanto que mal consegue falar. Quase a sacudo
para que pare de rir e me responda, e quando ela percebe
como estou nervoso, suspende o riso com uma careta.
— Foi uma brincadeira, tá legal? Eu só queria brincar
falando de forma que você nunca falaria perto de mim, para
quebrar esse gelo e nós nãos nos perdermos tanto.
— Você exaltou o maldito Stephen só para me mostrar
que posso falar de sexo com você?
Ela arregala os olhos vermelha como um tomate.
— Ah meu Deus, esse é o famoso Stephen? Colin, juro
que não fiz por mal. Mas devo admitir, ele é muito bonito.
Não tipo modelo, mais como um homem. Um homem muito
lindo. — Ela está de novo com o olhar fixo nele e sou
obrigado a sacudi-la para trazê-la de volta à realidade.
Essa noite está me saindo muito pior do que poderia ter
imaginado.

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CAPÍTULO DOIS
O maldito Stephen venceu a luta, mas eu não esperava
menos do que isso. O lado bom de tudo é que pude pegar bem
seus pontos fracos.
— Ele apanhou mais por baixo, Colin. Ele não se defende
ali — observa Caitlin após um silêncio constrangedor na
cadeira ao lado da minha.
A última luta da noite de Stephen vai começar e Caitlin
está tentando tirar a merda da tromba que não sai do meu
rosto para ficar tudo bem.
— Preste atenção nessa luta e verá. As únicas vezes em
que foi atingido, foi por baixo. Não é muito inteligente da
parte dele. Ele também bate depressa demais, então não pode
ser tão difícil prever seus movimentos.
— Ele faz isso para não dar tempo ao adversário de reagir.
Bem observado, senhorita Ross. Nem parece uma expectadora
amadora de luta livre.
Ela faz um floreio exagerado com a mão.
— Obrigada, eu sempre dou o meu melhor.
Neste momento avisto Serena, a irmã de Stephen com
quem dormi no mês passado e que não larga do meu pé, se
aproximar. Aproximo-me de Caitlin para uma saída rápida.
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— Problema! — grito em seu ouvido.


— O quê?
Sem tempo para explicar, a puxo pelo cabelo e a beijo. Sei
que vou levar um soco do Luke por isso e provavelmente uns
dez dela, mas não tive saída. Eu pretendia apenas fingir beijar
a Caitlin, mas, para não correr o risco de não convencer a
Serena, a beijei de verdade. Sem língua, mas foi um beijo. E
eu não me lembrava como seus lábios eram grossos.
Assim que me afasto, Serena passa por nós irritada e
esbarra em Caitlin, derrubando seu refrigerante na minha
jaqueta.
— Ela era o problema? — Caitlin pergunta calma demais.
— Sim, era. Você, baby girl, é a melhor amiga do mundo.
— E você é uma merda de amigo — Luke diz, mas
Caitlin e eu fingimos não escutar.
Ele vai entender depois, não é como se Caitlin e eu nunca
tivéssemos nos beijado antes. Não significa nada. Porra, eu a
ensinei a beijar! Podemos considerar isso como mais um
treino.
Bagunço seu cabelo, obrigando-a a desfazer o nó para
prendê-lo de novo, quando o filho da puta do Stephen dá o
golpe mais baixo da história dos golpes baixos. Ele aponta
para Caitlin e a convida para ser a Sorte dele.
No Clube Luck, onde lutamos, cada lutador pode escolher

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uma mulher da plateia para ser sua Sorte. Ela fica lá em cima
do ringue, assistindo a luta de perto, e se ele vencer, ela lhe dá
um beijo, pois deu sorte para ele. E nesse momento o maldito
do Stephen está chamando a minha melhor amiga para ser a
Sorte dele.
— Nem fodendo que você vai subir lá.
Só então ela percebe que todos estão olhando para ela.
Solta o cabelo que tentava prender e se encolhe atrás de Luke,
que está ao seu lado esquerdo.
— Por que todos estão olhando para mim? — pergunta
envergonhada.
— Não acredito que o filho da puta a chamou para ser a
Sorte dele! — reclama Luke irritado.
— Sorte? O que é isso?
Stephen desse do ringue em direção a ela, todos os olhares
sobre eles. Mas claro que não permito que ele se aproxime.
Fico de pé e entro na frente de Caitlin, impedindo-o de chegar
até ela.
— Escolha outra, Stephen, ela não está disponível.
— Ela não me parece uma das garotas que você leva para
a cama, Hanson.
— Eu não sou! — Caitlin diz atrás de mim e tenho
vontade de matá-la.
— Ela é minha irmã e de jeito nenhum vai ser a Sorte para
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você.
— Sua irmã? Não seria perfeito? Uma irmã pela outra.
Quero matá-lo, mas mal dou um passo, dois seguranças
me seguram.
— Não arrume briga na plateia, Colin. Sabe que o Thor te
mata.
Thor é o dono do clube e briga aqui dentro só é aceitável
em cima do ringue. Então dou um jeito de esfriar a cabeça,
enquanto o maldito fala com Caitlin.
— Quero que seja a minha Sorte. Você só precisa subir lá
e assistir a luta, quando eu vencer, oferecerei meu prêmio a
você.
Caitlin gagueja e não diz nada.
— Eu já disse que ela não vai.
— Não estou chamando você, embora seja seu sonho
subir no ringue comigo e sair como vencedor de alguma
forma, não é mesmo?
Então o maldito fala a única coisa que convenceria Caitlin
a subir no ringue com meu maior inimigo.
— A garota para quem você fingiu ser a namorada dele é
minha irmã. O seu irmão, destroçou o coração dela. Só quero
deixar bem claro que não sou como ele.
Caitlin me olha com aquela decepção que odeio ver nos
olhos dela e nem preciso ver ela se levantar para saber que vai
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subir na merda do ringue.


— Caitlin, você não precisa fazer isso. Isso aqui não é
você.
— Você tem razão, Colin. Isso aqui não sou eu. — Ela
aponta para a garota que nos olha curiosa de longe. — Eu vou
com você, Stephen, mas quero deixar claro que estou fazendo
isso apenas pela sua irmã. Eu sou team Colin.
Ele sorri estendendo a mão e vejo minha amiga subir no
ringue com aquele maldito. Completamente perdida. Seu
cabelo solto voa com o vento em seu rosto, ela tira minha
jaqueta e a entrega a Ring girl que deixa o ringue. É costume
que elas saiam quando a Sorte está no ringue. E ali, com o
cabelo negro esvoaçante, um vestido colado ao seu corpo, e
mordendo o lábio de nervosismo, Caitlin Ross, minha melhor
amiga, é o objeto de desejo de todos os idiotas presentes aqui,
incluído o Stephen.
A luta começa, mas não consigo ver nada dela. Só tenho
olhos para Caitlin, parecendo totalmente perdida em cima do
ringue, olhando para todos os lados menos para a pancadaria
que se desenrola na frente dela, e claro, para mim. Ela não
olha em minha direção em nenhum momento. Recebo um
soco de Luke completamente irritado.
— Caralho! Quem teve a ideia de merda de trazer a
Caitlin aqui?
— Você.

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— Por que caralho você ainda escuta minhas ideias? Eu


devia saber. As garotas daqui são todas iguais, todas fáceis e
oferecidas, mas ela? Basta olhar para Caitlin para saber que é
tímida, que é inteligente e não é uma piranha. Sem contar que
ela é de longe a mulher mais linda nessa merda de lugar.
— Caitlin é uma menina, Luke. Não a compare com as
mulheres daqui.
Ele sorri debochado e dá um tapa forte na minha cabeça.
— Abra a merda desses olhos, Colin. Caitlin deixou de ser
menina há muito tempo. Ela é a mulher mais linda dessa
merda toda e não sou só eu que enxergo isso.
Olho para ela ali, Stephen diz algo em seu ouvido
enquanto seu adversário tenta se levantar que a faz rir, e ela
relaxa visivelmente. Não gosto da sensação de vê-la ficar bem
com ele. Tantos homens exalando testosterona nesse lugar e
ela vai se interessar justamente pelo meu maior oponente.
Mas o que vejo quando a olho é a mesma bonequinha de
porcelana de sempre. Minha preciosa, a menina que devo
proteger. E não estou fazendo isso direito.
O juiz dá a luta como encerrada e Stephen é o vencedor.
Ele pega a merda do pano branco da mão do juiz e o estende a
Caitlin. Como ele não disse a ela nada sobre beijo, tive uma
vaga esperança de que ele não fosse cobrar isso, mas claro
que ele não deixaria passar. Ele segura o rosto dela, diz algo
que a assusta e vagarosamente aproxima seu rosto do dela,
depositando um puta beijo em sua boca.
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— Ele colocou a língua na boca dela? — Luke


praticamente grita.
A plateia grita enlouquecida e eu seria capaz de subir
naquela merda de ringue agora mesmo e partir esse filho da
puta ao meio. Ele agradece convencido a atenção da plateia e
ajuda Caitlin a descer do ringue. Então pega sua mão e a
arrasta para o vestiário.
— Colin... — Luke começa a falar, mas nem dou tempo
que ele conclua
— Ele não vai levá-la para o vestiário, de jeito nenhum!
Passo pela multidão como um furacão e os alcanço
quando ele vai fechar a porta, consigo impedir com o pé e a
empurro com força.
— Caitlin, vamos!
Ela arregala os olhos por meu grito, então tento me
acalmar.
— Caitlin, minha preciosa, vem comigo. Vamos embora.
Estendo a minha mão e ela lança um olhar de desculpas a
Stephen que com um sorriso beija a mão dela. Se fazendo de
cavalheiro, coisa que sei que o babaca não é. Caitlin passa por
mim sem pegar minha mão, o que indica que ainda está brava
comigo, mas pelo menos escolheu a mim. Não posso ameaçar
Stephen arriscando que ela ouça, mas faço isso com o olhar e
ele parece levar isso como um desafio.

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Estou pensando em uma maneira de me desculpar com ela


pelo beijo para enganar Serena, quando alguém pula
repentinamente na minha frente e um perfume exagerado me
toma enquanto dois braços rodeiam meu pescoço.
— Colin, meu bem. Que saudade de você!
— Ah, oi Rachel.
Caitlin me olha com aquele desapontamento, como se
gritasse em minha cara que avisou que seria assim e segue até
o carro. Preciso falar com ela.
— Rachel, hoje não posso. Nos vemos amanhã, tudo
bem?
Dou um beijo rápido em sua testa e corro até o carro.
Caitlin está mexendo no celular e não diz uma só palavra
o caminho todo. Despede-se de Luke com um tchau seco e
entra no prédio sem esperar por mim. Corro atrás dela como
um cachorrinho. Sei que faço isso, mas ela é minha única
família, minha única amiga de verdade. Quando entro no
apartamento ela está tirando o lenço branco da vitória do
Stephen do bolso da minha jaqueta, que havia sido devolvida
a ela quando desceu do ringue. Estende a jaqueta para mim e
leva o lenço ao nariz.
— Até que não foi tão ruim. Quer dizer, não me
importaria de assistir uma luta sua um dia desses — diz com
um sorriso.
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— Minha ou desse babaca?


Ela revira os olhos e vai para o banheiro. Tenho um monte
de coisas para fazer, mas fico ali, sentado quase na porta do
banheiro, esperando que ela saia. Sei que já passou de sua
hora normal de dormir, mas quero mesmo falar com ela. Ela
se assusta ao me ver ali, mas sorri para mim.
— Caitlin, me desculpe.
— Pelo que exatamente?
— Beijar você. Usá-la como parte de uma farsa para
desenganar uma mulher apaixonada. E por ser um babaca
completo que só pensa com a cabeça de baixo e vive
decepcionando a única pessoa no mundo que ele quer
impressionar.
Ela sorri, aquele sorriso doce de quem me perdoou
totalmente.
— Você ainda vai melhorar. Foi cruel o que fez com a
irmã do Stephen, mas não estou aqui para julgar você.
Obrigada por não ter trazido a garota do perfume forte para
cá.
Pego sua mão e a acaricio levemente.
— Caitlin, eu nunca faria isso com você. Sei que vivo
quebrando essa maldita regra, mas estar com você e mesmo
assim precisar da companhia de outra? Isso é algo que nunca
vai acontecer.

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Algo passa por seus olhos e ela me abraça. Rodeio seu


corpo pequeno com os braços, apertando-a a mim. E sinto
seus seios pressionando meu peito. Ela está só de toalha e seu
cabelo está molhado. Afasto-me confuso, porque nunca senti
nada do corpo dela antes que não fosse o calor de seus
pequenos braços, e sentir que minha garotinha tem seios, é
completamente insano. Ela se afasta em direção ao seu quarto,
e sendo o grande babaca que sou, não posso permitir que ela
vá dormir em paz.
— Stephen está usando você para me atingir, Caitlin.
Sinto muito por isso também.
Ela para onde está e me olha. Tenta aparentar calma, mas
a conheço o suficiente para saber que não está.
— Por que você acha isso?
— Porque ele me odeia e você estava comigo. Ele viu que
é importante para mim. E você não faz o tipo dele.
Seu rosto fica tão vermelho quando escuta a última frase,
que só entendo que a magoei quando ela fala, e sua voz
parece embargada.
— Então, você acha que não sou bela o suficiente para
atrair um homem como ele? Acha que eu não posso seduzi-
lo?
— Eu não quis dizer... merda, Caitlin! Você é uma
menina! É claro que não pode seduzi-lo, você não é assim.
— Boa noite, Colin.
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Ela entra em seu quarto e bate a porta. Corro atrás, mas


ela a trancou e eu sei que não adianta tenta falar com ela
quando tranca a maldita porta. Vou para meu quarto, tento
dormir, mas falho miseravelmente. Odeio me sentir brigado
com ela.

Ouço o tique-taque do relógio e sei que já passam das três


da manhã, quando a porta do meu quarto é aberta.
— Colin — Caitlin chama baixinho. — Está acordado?
Acendo a luz do abajur e sento-me na cama.
— Aconteceu alguma coisa? Você está bem?
Ela usa uma camisola de flanela enorme e parece
totalmente sem graça por eu estar acordado.
— Não consigo dormir. Na verdade, eu não gosto de
dormir brigada com você. Desculpe ter trancado a porta.
Estendo a coberta e ela fecha a porta e se enfia debaixo
dela comigo. A deito em meu peito e acaricio seu cabelo para
que ela durma.
— Também não gosto de brigar com você, minha
preciosa.
— Não me chame assim. Me sinto um anel quando você
diz isso.
Sorrio e ela se aconchega a mim, sua respiração ficando
mais alta a cada minuto.
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— Você é muito bonita, Caitlin. E sei que não é uma


menina, apenas eu a vejo assim. Não acho que não seja capaz
de seduzir alguém como o Stephen babaca, só quero que
tome cuidado. Não quero você machucada de novo, porque eu
a coloquei na mira de um inimigo. Você me entende?
Ela assente e responde com a voz arrastada pelo sono.
— Entendo. Mas você está certo, não sou mais uma
menina. Eu sei me cuidar.
Afundo o rosto no cabelo macio dela, e o cheiro de seu
shampoo me faz acalmar e finalmente dormir.

Caitlin não está ao meu lado quando acordo e quando vejo


a hora no despertador, me dou conta do motivo. Já passa das
oito. Me levanto para conferir se ela já saiu para o trabalho,
mas ela está afoita, tentando fechar o casaco com uma mão,
enquanto enfia os pés em seus tênis e tenta tomar café.
Queima a língua, grita um palavrão, se desequilibra e só não
cai de cara no chão, porque sou rápido o bastante para segurá-
la.
— Me ajuda! Feche meu sutiã. E me diga que o fecho não
arrebentou.
Ela tenta tirar o casaco, mas se embola toda, então a
obrigo a ficar parada.
— Tome esse café e me deixe fazer o resto, tudo bem?

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Ela assente e tiro o casaco de seus braços, estava do lado


avesso, o que a faz dar uma gargalhada. Então ela sobe a
batinha branca que usa e fica de costas para mim. Abotoo seu
sutiã e a informo de que não está estragado. Coloco o casaco
em seus ombros e me ajoelho para amarrar seus tênis
enquanto ela toma o café.
— Você comeu alguma coisa?
Ela nega com a cabeça.
— Não dá tempo. Eu como na lanchonete. É por isso que
não gosto de dormir com você, sempre me atraso.
Ela me dá um beijo rápido no rosto e corre porta afora,
deixando a mochila para trás. A levo até a porta e espero,
pouco depois ela sai do elevador correndo, puxa a mochila da
minha mão e a impeço de correr de volta, puxando-a pela
mão.
— Meu beijo de tchau.
— Eu já te dei.
— Mas agora está me dando tchau de novo. Quero outro.
— Idiota!
Ela bate a testa em meu queixo na pressa, me xinga de
novo e sai correndo.
— Essa é minha garota.
Estranhamente, mesmo sabendo que o Stephen ficará no
pé da Caitlin para se vingar de mim, estou com um humor
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divino. Humor esse, que desfalece consideravelmente quando


sou obrigado a entrar na maldita clínica. Eu deveria estar
preso pelo que fiz e entendo que foi errado, mesmo sabendo
que foi justo. Mas, como minha querida psicóloga sempre me
diz, nem sempre o justo é o certo. Eu fiz justiça com as
próprias mãos e agora preciso arcar com isso. Achei que fosse
mesmo parar na cadeia, mas graças a Lorna, mãe da Caitlin,
estou em liberdade, sendo obrigado a comparecer nessa
clinica uma vez por semana até que a doutora espertinha
resolva me dar alta, e prestando serviços sociais aos finais de
semana. Dessa parte eu gosto. Trabalho em um orfanato e
Caitlin sempre vai comigo, é algo de nossas vidas de adultos
que ainda podemos fazer juntos e que curtimos juntos.
A doutora Katy tem cabelos loiros bem curtos, por volta
dos quarenta anos e olhos cansados. Penso que a vida dela
não deve ser uma maravilha, e mesmo assim ela fica aqui
tentando consertar a minha. Quando disse isso a ela, ela me
respondeu que todo mundo tem facilidade em cuidar da vida
dos outros. De vez em quando, eu gosto dela.
— Olá, Colin. Como está a Caitlin?
Ela sempre pergunta pela Caitlin antes de perguntar por
mim. Abro um sorriso enquanto me sento.
— Neste momento, deve estar envergonhada por ter
chegado atrasada no serviço. A senhora sabe como ela é.
— Sim, eu sei. Por isso estranho o fato de ela se atrasar.
Aconteceu algo?
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— Nada demais. Nós tivemos uma leve discussão ontem à


noite, custamos a dormir. Fizemos as pazes de madrugada e
ela dormiu na minha cama, por isso saiu atrasada.
Ela arqueia as sobrancelhas e anota algo em seu caderno.
— Não aconteceu nada entre a gente, doutora. Eu jamais
tocaria em um fio de cabelo dela dessa maneira. Além do
mais, ela está interessada no idiota do Stephen Ryan.
Não sei dizer se a expressão em seu rosto, além de
surpresa, é de pena ou de zombaria.
— Stephen? Aquele seu adversário que sempre...
— Ele mesmo! — interrompo antes que ela complete que
ele sempre me vence.
— Interessante.
— Não vejo nada de interessante nisso. Caitlin é uma
menina inocente e ele só a está usando para se vingar de mim.
— Você não tem como ter certeza disso, então sugiro que
não tente protegê-la. Deixa a Caitlin se virar sozinha.
— O caralho que não vou protegê-la dele. Pode ter certeza
que ele não vai colocar as mãos nela. Não importa o que eu
tenha que fazer, nunca permitirei isso.
Ela anota furiosamente algumas coisas, depois, deixa o
caderninho de lado e me serve uma dose de vodca. Também
pega uma para si. A primeira vez em que fez isso, confesso
que me assustei, mas então ela me disse que eu já tinha mais
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de vinte e um e isso se tornou um costume. Ela acha que me


solto mais quando estou sob o efeito do álcool e para mim, é
oportuno que ela pense isso.
— Sabe, senhor Hanson, há algo curioso que gostaria que
você notasse. Sempre que entra em meu consultório e eu
pergunto como você está, você pouco diz, se fecha e nossa
hora não rende. Mas, sempre que você entra em meu
consultório e eu pergunto primeiro pela senhorita Ross, você
abre um sorriso e conversa comigo por uma horinha inteira.
Viro minha dose de vodca fazendo uma careta e dou de
ombros. Ela espera que eu diga alguma coisa, mas o que eu
poderia dizer? Não gosto de falar sobre mim, gosto de fala
sobre a Caitlin.
— E você acha normal isso?
— Ela é minha melhor amiga e mora comigo — mais uma
vez, não entendo onde ela quer chegar com essas observações.
— Você tem outros amigos, suponho, com quem convive
diariamente e acredito até, que divida mais da sua vida, do
que faz com a senhorita Ross.
— Tá legal, onde isso vai parar?
Ela imita meu gesto com um dar de ombros e um sorriso
de que devo descobrir sozinho que eu detesto nela.
— Em lugar algum, suponho. Só não é comum essa sua
dependência dela.

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— Eu não dependo dela. Ela só é uma coisa boa na minha


vida. O que a senhora está insinuando?
— Absolutamente nada. Você entrou em contato com a
Hannah como eu te pedi?
Ela achou mesmo que uma dose de vodca e ficar
insinuando que sinto algo mais pela minha melhor amiga me
fariam responder essa pergunta de alguma forma como se
fosse um assunto comum?
— Não, isso não vai acontecer. Por que não voltamos a
falar sobre a Caitlin? — proponho já sabendo que ela vai
voltar a bancar o cupido.
— É claro, mas não se iluda de que está desviando o foco
da nossa sessão. Descubro mais de você quando falamos dela.
— Ao ver minha expressão de dúvida, dá sua última cartada:
— Por exemplo, você poderia afirmar que ela é seu lado
bom?
Olho para trás e quando repenso a minha vida, desde
sempre até agora, parece que algo faz todo sentido e essa
megera casamenteira conseguiu decifrar algo meu.
— Sim, na verdade, isso a define perfeitamente para mim,
ela é o meu melhor lado.
Ela volta a anotar furiosamente em seu caderno com um
gesto negativo de cabeça e acho que a escuto resmungar algo
sobre ver tanto e enxergar tão pouco.

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CAPÍTULO TRÊS
Olho o celular em minha mão como se ele fosse um bicho
de sete cabeças. Demoro cerca de dez minutos para ter a
coragem de abrir os contatos, mais uns vinte para rolar a tela
até o nome da minha ex madrasta malvada. E parece que vou
demorar uma vida para ter coragem de fazer essa ligação.
Talvez nem a faça nessa vida. Apesar do que a doutora
casamenteira diz, eu ainda não acho que deva qualquer pedido
de desculpas a ela, menos ainda saber se está bem, quando
realmente não me importo. Melhor ser eu mesmo do que um
cara bom.
Jogo-me na cadeira que até poucos minutos estava
ocupada pela Caitlin e resolvo um de seus exercícios. Ela
odeia quando faço isso, gosta que eu a ensine, mas não tenho
vocação para lecionar, prefiro ajudá-la fazendo seu dever. Ela
cantarola no banho enquanto vou resolvendo tudo apenas para
irritá-la, e de repente algo vibra na mesa. É o celular dela.
Dou uma olhada por alto ao ver um número sem foto.
— Caitlin, seu telefone! — grito. — Quer que eu atenda?
Ela não para de cantarolar e pego o aparelho, me dirijo até
a porta do banheiro para entregá-lo a ela, quando reconheço o
número na tela.
— Maldito!

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Como diabos Stephen Imbecil Ryan conseguiu o número


do celular dela?
Corro para o meu quarto com o aparelho e atendo, não
estou ultrapassando nenhuma regra de invasão de privacidade
aqui, estou apenas fazendo o meu papel de proteger a minha
amiga.
— O que você quer? — atendo.
— Achei que esse número fosse da Caitlin, não seu.
— Última chance, babaca! O que você quer?
— Falar com a Caitlin. Ela sabe que você atende o celular
dela?
— Ela não pode atender.
Desligo o telefone que toca de novo em seguida. Atendo
imediatamente, pois ela parou de cantarolar no banheiro e não
quero que ela escute.
— Hanson, deixa de ser criança, ok? Eu só quero convidar
a Caitlin para sair comigo hoje. Isso não tem nada a ver com
você, ou com o clube, só quero passar um tempo com ela.
Como se eu fosse acreditar que ele querer sair com minha
melhor amiga não tem nada a ver com o fato de eu ter
magoado a irmã dele. Se o interesse dele por ela não é pela
nossa rivalidade no ringue, então é por vingança.
— Isso não vai acontecer. Quero você bem longe dela. Eu
sei que fui um babaca com a Serena, mas a Caitlin não tem
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nada a ver com isso. Vingue-se de mim no ringue e deixe


minha amiga fora disso!
— Você é mesmo um idiota prepotente se acha que meu
mundo gira em torno de você. Estou pouco me lixando para o
que fez com a Serena, eu a alertei sobre você, ela quis correr o
risco. E mesmo se eu quisesse me vingar de você por isso, eu
já o faço, semanalmente no ringue, certo? O meu interesse na
Caitlin somente tem a ver com ela e mesmo que você desligue
o celular dela, eu vou bater na sua porta até que consiga falar
com ela!
Ouço Caitlin cantarolando na cozinha, preciso desligar a
ligação antes que ela pergunte pelo celular.
— Eu vou dar o recado. Mas se você a magoar, Ryan,
pode ter certeza de que mesmo que eu seja expulso do clube,
eu mato você.
— Não tenho medo de você. Mas não vou machucá-la.
Ele me passa o local de um restaurante não muito longe
para que ela o encontre às vinte horas. Juro que vou dar o
recado, mas claro que não vou fazer isso. Só preciso dar um
jeito de tirar a Caitlin de casa, fazer o babaca achar que ela
deu um bolo nele e então a vida tomará seu rumo certo de
novo.
A observo montar um sanduiche, ela me oferece, mas
estou sem fome. Devolvo seu celular à mesa, após apagar do
registro as ligações do Stephen e penso em como tirá-la de
casa. Principalmente porque tenho uma luta hoje.
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— Por que você fez isso? — ela pergunta irritada e por


um segundo penso que descobriu sobre a ligação, mas está
encarando as respostas no seu trabalho.
— De nada, querida.
— Colin Hanson, você é o ser mais odiável e idiota da
face da terra!
— Você deveria me agradecer, Caitlin. Fiz seu trabalho,
agora você está livre o resto da noite.
— É verdade, e o que mesmo eu vou fazer com ela? Ah,
sim! Assistir uma maratona de séries de heróis na Netflix e na
semana que vem quando for fazer a prova, eu vejo se a
história de Oliver Queen pode me dar um dez!
Adoro quando ela faz esses dramas.
— Só que essa noite você não vai ficar sozinha com a
Netflix. — Lanço aquele olhar pidão e ela cai pesadamente na
cadeira de frente para mim, já com o dedo indicador fazendo
um movimento negativo no ar.
— De jeito nenhum! Você não vai atrapalhar meu
romance com Oliver Queen para me meter em algum dos seus
rolos! Não mesmo!
— Caitlin, por favor! — Faço minha melhor imitação do
Gato de botas.
— Não!
— Caitlin, preciso de você. Quero que seja a minha Sorte
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essa noite.
Espero sua negação e uma lição sobre o que houve da
última vez em que a levei ao clube, mas estranhamente, ela
permanece parada, como se seus pensamentos estivessem a
quilômetros de distância daqui, logo, me analisa como se eu
fosse um Alien, então parece cair em si e pigarreia sem graça.
Levanta-se da cadeira e, olhando para o chão, como uma
menina envergonhada, fala com a voz baixa e meio receosa:
— Para que você quer que eu vá? Sabe que assim não
poderá voltar para a casa com uma mulher, não sabe?
— Não faço questão. Mas de você lá para me dar sorte, eu
faço. Não abro mão da sua companhia essa noite, senhorita
Ross.
— Eu vou me trocar — diz baixinho e sai meio
cambaleante em direção ao seu quarto.
E eu não consigo fazer o mesmo porque não entendi
merda nenhuma do que acabou de acontecer aqui. Não
acredito que a convenci tão facilmente. E o que foi essa
reação estranha dela? Bom, pelo menos ela não estará em casa
quando o imbecil vier buscá-la e estando em cima do ringue
comigo, não poderá atender nenhuma ligação dele.
— Hanson 1, Ryan 0! — grito comemorando e vou
finalmente me preparar para a luta da noite.

— Está pronta, preciosa? — grito para a porta do quarto


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dela, já pegando minha mochila e pendurando-a no pescoço.


— Pare de me chamar assim — ela diz saindo do quarto.
— Caitlin, você está tão... — analiso seu vestido florido e
a sandália sem salto, ela parece uma boneca — fofa!
Ela faz uma careta e o som da campainha me salva de
levar uns tapas. Penso que deve ser o Luke, mas me
surpreendo ao encontrar Rachel, muito pouco vestida e
extremamente maquiada, parada do lado de fora.
— Rachel?
— Oi meu bem! Você marcou comigo para hoje, lembra?
Ela me dá um beijo estalado nos lábios e entra mesmo
sem ser convidada. Avalia Caitlin com uma careta. Quero
mandá-la embora antes que Caitlin me olhe daquele jeito
acusador, mas Rachel aponta para ela e diz:
— A bonequinha aí vai de novo? Achei que não tivesse se
habituado ao clube. Sem ofensas, bonequinha, mas é um lugar
muito adulto, você sabe.
— Promíscuo, você quer dizer — Caitlin diz com a voz
firme. — Não tem problema, querida, boas meninas também
podem ser más por uma noite. Vamos, Colin?
— Quem é você e o que fez com a minha boneca? —
sussurro para ela, que me dá de ombros e vai na frente.
Encontramos Luke na entrada do prédio e vamos todos no
carro dele, que abre um imenso sorriso ao ver Caitlin indo
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conosco.
Caitlin está com o celular na mão no banco do carona,
enquanto do banco de trás, tento ver o que ela está fazendo.
Parece estar conversando com alguém, e temo que seja o
Imbecil Ryan, então digo algo para chamar sua atenção, mas
não funciona. Luke não para de falar no ouvido dela o trajeto
todo, penso que ela nem está ouvindo, concentrada em sua
conversa com sabe-se-lá-quem, mas no segundo em que ele
cala a boca, ela comenta sobre o que ele estava falando.
Assim que descemos do carro, puxo Luke num canto e
advirto:
— Ela está dando um bolo no Imbecil Ryan sem saber,
então faça o que for preciso para mantê-la longe do celular até
que eu a chame para o ringue.
— Por que você vai chamá-la para o ringue?
— Para ser a minha Sorte. Para que mais?
— E aí se você ganhar, terá que beijá-la? — Ele faz uma
careta e parece prestes a me dar um soco.
— É como beijar uma irmã na boca, Luke. Não é nada
demais.
— Cara, ninguém beija a irmã na boca, você é doente!
— Que seja! Tome conta dela.
Rachel já sumiu de nossas vistas, como achei que faria,
então abraço Caitlin e explico para ela porque ela ainda está

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aqui, mesmo sabendo que muito provavelmente irei levar


Rachel para casa conosco.
— Na semana que vem começa o campeonato estadual de
luta livre e hoje, é a primeira eliminatória.
— Então, se você ganhar já está confirmado no
campeonato?
— Sim, é isso. Por isso preciso tanto de você aqui hoje,
minha preciosa. Você será a minha Sorte, sei que com você
em cima daquele ringue, eu vou vencer hoje.
Ela aperta as pontas dos meus dedos e assente. E tenho
mais do que certeza que vou ganhar.
Honor é chamado ao ringue primeiro, em seguida, ouço
meu nome e ouço a plateia gritar, principalmente as mulheres.
Adoro a sensação de ter tantas pessoas torcendo por mim,
adoro ouvir o adversário sendo recebido com silêncio
enquanto eu sou recebido com o ápice do barulho. Isso por si
só já me dá a força de que preciso para vencer a luta. A outra
parte da força vem da menina tímida, com seu vestido florido
na plateia. Eu a chamo até o ringue, beijo sua boca no final, o
que para mim será algo corriqueiro, mas o Stephen saberá que
minha princesa deu um bolo nele para vir ficar comigo.
Duvido muito que procure por ela depois disso.
— Honor, você tem uma Sorte? — o locutor pergunta ao
meu adversário que convida ao palco Rhea, uma loirinha
sapeca que pisca para mim antes de ir para o lado dele.

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Já nos encontramos algumas vezes por aí.


— Hanson, você tem a sua Sorte?
Antes que eu possa afirmar, Rachel sobe no ringue,
aproxima-se de mim e deposita um beijo rápido na minha
boca. Merda!
— O que você está fazendo?
Ela pisca para mim e assume seu lugar no ringue como a
minha Sorte. Isso é o que eu ganho por bancar o idiota com a
minha melhor amiga. Tento encontrar Caitlin entre a plateia e
assim que a localizo, me concentro na luta. Dei uma boa
vantagem ao pequeno grande Honor, que apesar de ser
gigante, não tem muita técnica. Não a técnica que eu tenho,
pelo menos. O acerto logo na primeira tentativa, e não espero
que reaja para acertá-lo com mais força. Ele consegue me
atingir duas vezes, vou ficar com mais um possível
hematoma, mas isso torna a vitória ainda mais saborosa.
Deixo ele achar que estou cansado, deixo-o pensar que tem
vantagem e, no segundo em que ele se prepara para me
atingir, eu o derrubo. Monto sobre ele cobrindo-o de socos.
Até que tudo o que posso ver de seu rosto é um borrão
vermelho, então saio de cima dele já ouvindo os gritos
ensurdecedores da plateia. Eu venci.
Pego o lenço branco da vitória, Rachel aproxima-se de
mim como uma gata manhosa, mas a seguro pela mão e
aponto para Caitlin. Sei que serei punido por isso, o lenço da
vitória pertence à sua Sorte, mas Rachel não era para ser
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minha Sorte essa noite, então aceitarei a punição de bom


grado. Caitlin parece mortificada, a chamo com o dedo
indicador, e completamente sem graça por ser o centro das
atenções, ela vem até próximo ao ringue, mas não sobe nele.
É o suficiente para mim, jogo o lenço para ela, como sinal de
gratidão por ela estar ali, ao que ela reage de maneira
estranha, pega o lenço e o leva ao rosto, olha para mim com
algo que não sei identificar e não tenho tempo de fazê-lo, pois
Rachel se pendura em mim e sua boca toma a minha num
beijo voraz. A plateia grita mais uma vez e o juiz nos manda
descer do ringue.
— Nunca mais me apronte uma dessas, seu babaca! —
Rachel reclama antes de sumir de vista.

— Cara, você foi demais! Todo mundo pensando que


você estava desistindo, as apostas começaram a mudar, mas
eu sabia que era um truque! — Luke fala empolgado.
— Eu sei, ele é grande, mas não tem técnica. Ei, não vai
dizer nada? — Puxo de leve o cabelo da Caitlin provocando-
a.
— Parabéns — ela diz e estende o lenço para mim.
— Ele é seu. Eu o dei a você, a tradição é que você o
guarde, ou pode me trazer má sorte.
— Eu não era a sua Sorte essa noite, então...
Rachel aparece como um fantasma e pega o lenço de sua
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mão, agradecendo por devolver o que é dela. Como estou


classificado para o campeonato, tenho que comemorar. Já
havia decidido isso antes mesmo do Luke dar o grito,
chamando os caras do clube para nossa comemoração.
— Prepare-se Caitlin, amanhã você acordará com uma
puta ressaca — provoco-a.
— Você não me disse nada sobre uma noite de bebedeira
com esses brutamontes! — reclama.
— Fazer mais parte da minha vida, lembra? — Ela faz
uma careta e sorrio — Brincadeira, preciosa. Vou deixá-la em
casa antes de irmos para o pub.
Ela agradece com um gesto de cabeça e nos enfiamos no
carro de Luke combinando de encontrar o pessoal no pub. Sei
que hoje minha bebida será por conta da casa.

— Preciso usar o banheiro! — Rachel grita assim que o


carro para em frente meu prédio e desce na frente.
Sigo ela e Caitlin até o apartamento, vejo que Caitlin olha
seu celular e joga-o sobre a mesa desanimada enquanto tira
sua sandália quase infantil.
— Esperando alguma ligação? — pergunto como quem
não quer nada.
— Não é nada.
— Não está esperando algum contato do imbecil do
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Stephen, não é? Caitlin, eu te disse que ele não serve para


você.
— Eu sei, na verdade, eu estava. Sei que ele pediu meu
número a Mackenzie essa manhã, achei que ele...
— Quem é Mackenzie?
— Minha amiga, da faculdade.
— E por que ele sabe sobre ela e eu não?
— Porque ele não vai tentar transar com ela.
— Não é justo! Sinto muito que ele não tenha te ligado.
— Sinto mesmo o um nó no estômago por estar omitindo o
que fiz, mas é para o bem dela. E saber disso me faz sentir
melhor.
— Não tem problema, acho que no final das contas ele
não está realmente interessado.
— Você não vai para um pub vestida assim, não é? —
Rachel grita apontando Caitlin quando sai do banheiro —
Boneca, eles nem vão te deixar entrar. Você parece uma
menina de quinze anos!
Caitlin cruza os braços irritada.
— Na verdade, eu não vou ao pub, e não pareço uma
menina. O que tem de errado com a minha roupa?
— Além das flores?
Rachel tira do ombro uma mochila e ao ver meu olhar
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questionador explica:
— Eu trouxe porque sei que vou dormir aqui, baby, venha
boneca — pega Caitlin pela mão — vamos transformar você
em uma mulher.
— Boa sorte! — grito ouvindo palavrões da duas do
banheiro. — Caitlin vestida com uma roupa da Rachel, isso
vai ser hilário.
Pego uma maçã enquanto espero decidindo se serei um
bom garoto e não zombarei muito a minha amiga, ou se serei
eu mesmo quando ela sair do banheiro parecendo uma boneca
com cara de palhaça, se a Rachel fizer nela as maquiagens
que faz em si mesma. Então, engasgo com o último pedaço da
maçã quando Caitlin finalmente sai do banheiro.
— Puta que pariu! — Parado feito um bobo na porta,
Luke fala exatamente as palavras que estavam na minha
mente. — Eu vim chamar vocês, mas uau! Caitlin, uau!
Ela dá uma voltinha para ele com um sorriso no rosto, e
eu mal reconheço esse rosto. Quer dizer, eu reconheço, mas
eu não me lembro de ele ser de uma... mulher. Caitlin está
com um vestido preto colado demais ao seu corpo e muito
curto, com um decote mais do que generoso. E de alguma
forma esse vestido a deixou com as coxas grossas, uma
senhora bunda e seios de dar água na boca. Bato em mim
mesmo para voltar a mim porque não é possível que uma
roupa faça tanta mágica. O rosto dela não parece uma
palhaça, com um batom vermelho e uma sombra em volta dos
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olhos, ela parece... minha amiga está... deliciosa!


Só posso estar ficando louco. Fecho os olhos e me lembro
da menina que ela era poucos minutos atrás, a doce menina
que sempre me ajudou e ela, definitivamente, não é uma
mulher deliciosa. Abro os olhos e ela me encara em
expectativa, três pares de olhos aguardam meu veredito sobre
sua aparência e o dou com calma e certeza:
— O que uma roupa não faz, hein! Você quase parece
uma mulher!
— Babaca! — Rachel pronuncia baixinho e Caitlin parece
decepcionada. É como se algo na maneira como ela me olha
se quebrasse.

— Acho que sou o único aqui vendo minha menina como


uma menina — reclamo com Luke conforme vamos passando
pela fila que aguarda para entrar no pub, e vários pescoços se
viram para babar na bunda da Caitlin.
— Porque ela não é uma menina. Há anos. Não sei como
consegue olhar para ela e não imaginá-la sem roupa — ele
responde suspirando, ao que respondo com um tapa forte em
sua cabeça.
— Respeito.
O zumbido da música alta geralmente tira todos os
pensamentos da minha cabeça. Quando entro aqui apenas me
movo, bebo, e me divirto de várias maneiras. Mas hoje,
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estranhamente, mesmo após uma vitória tão importante, há


algo errado com esse lugar. O barman nos cumprimenta
enquanto somos guiados até nossa mesa de praxe, onde os
caras já nos aguardam, campeões são sempre bem-vindos
aqui. Em um dia comum da minha vidinha normal, eu me
sentaria, duas morenas lindas viriam com bolsas de gelo tratar
meus ferimentos e eu beberia até esquecer o passado, sendo
apenas o campeão. Mas nesse dia em que por cinco segundos
vi minha melhor amiga com seios, há algo inquietante que
não consigo decifrar. Todos os malditos caras desse lugar
olham para ela.
— Carne nova, Hanson? — Edgard com os dentes à
mostra aproxima-se de Caitlin, mas trato de cortá-lo.
— Vaza! — ordeno apenas uma vez e ele prontamente
obedece resmungando.
— Você precisa aprender a dividir — reclama.
Quero pedir desculpas a Caitlin com o olhar, num código
nosso que já é antigo já que faço tantas cagadas com ela e
nem sempre posso falar a palavra desculpa no momento em
que sou idiota, mas ela está me ignorando. Também posso
jogar esse jogo. Puxo Rachel para mais perto, mas sendo a
Rachel, ela se senta no meu colo e nos beijamos. Olho para
Caitlin para ver a expressão de desaprovação dela, mas ela
está batendo papo com Luke, que lhe oferece uma dose de
tequila.
— Caitlin, você não tem que... virar de uma vez —
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completo após ela fazer isso e fazer uma careta tão engraçada
que todos na mesa riem.
Não sei como alguém ainda pode achá-la uma mulher.
Não passa de uma menina, minha menina. Rachel volta a me
beijar e pelo canto do olho vejo Caitlin virar a segunda dose.
Afasto Rachel apenas para fazer meu papel de amigo.
— Ei, Cait, vá mais devagar, princesa. Você não está
acostumada a beber assim.
— Relaxa, Colin babaca! Cuida da sua boca que eu cuido
da minha — diz praticamente gritando, o álcool já está
subindo.
Rachel volta a atacar minha boca enquanto pressiona seu
centro em meu pau, adoro quando ela faz isso, mas a Caitlin
vai ver e não quero que ela pense que sou desses caras que
transa em público, porque não sou. Afasto Rachel e peço a ela
que guarde o fogo para depois.
— Que merda está acontecendo com você? Se é por causa
da bonequinha ela nem está na mesa — reclama Rachel
zangada.
Quase jogo Rachel no chão quando olho para a cadeira em
que até um minuto atrás minha preciosa estava e não a vejo.
Levanto-me já procurando entre os caras dali, se algum deles
estiver com a mão nela... mas aí a vejo dançando de um jeito
engraçado com Luke, e não sei dizer qual deles é mais
desengonçado.

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— Acho que seu amigo finalmente vai se dar bem hoje —


Patrick, um dos lutadores do clube observa rindo.
— Duvido. Caitlin não se sente atraída por ele.
— Mas o álcool na cabeça dela não sabe disso.
Luke não se aproveitaria da minha amiga bêbada, não é?
Ele não ficaria com ela sabendo que não está em perfeitas
faculdades mentais. Não é? Merda!
Saio da mesa como um furacão e me aproximo, enfiando-
me entre os dois e Luke fica branco de repente ao reparar
minha expressão.
— Cara, você sabe que ela está bêbada, certo? Se eu vir
você a menos de dois metros de distância dela, juro que
quebro a sua cara!
— Você é o pior amigo do mundo, Hanson — ele
reclama.
Olho para minha menina que me empurra com um sorriso
enorme no rosto.
— Vai transar na mesa, Colin! Nos deixe em paz.
— Eu não faço... — desisto de tentar explicar e volto para
a mesa, para Rachel, sabendo que o Luke vai cuidar dela.
Mas, nem dez minutos se passam quando ouço um
burburinho de homens gritando como primitivos e
aplaudindo, a música ambiente é substituída por uma música
sensual e todos estão em volta de uma mesa. Várias cabeças
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altas à minha frente não me deixam ver qual é a atração.


Provavelmente, mais uma mulher tirando a roupa para
aparecer. Procuro por Luke e Caitlin, mas não os encontro.
Será que ele...
— Cara, você precisa ver isso! — Patrick fala animado e
me levanto, vendo finalmente o que está causando esse
alvoroço e minha alma quase sai do corpo.
Ali, em cima de uma mesa, prestes a cair dela, porque mal
consegue se aguentar de pé, está Caitlin, dançando
desengonçada ao som da música que toca. Ela não está
tentando tirar a roupa, ainda. Aproximo-me divertido e gravo
com o celular, isso será muito útil em um futuro próximo,
tenho certeza. Após o showzinho e uma boa gravação,
aproximo-me dela e seguro suas pernas.
— Vamos descer daí, stripper? Está tão tonta que vai
acabar caindo de cara no chão.
Os caras vaiam pedindo que ela dance mais, ela faz isso
de um jeito tão embriagado, aos soluços e risadas histéricas
que não entendo como eles podem estar achando isso sexy. É
só uma menina que bebeu demais, soltando tudo o que tem
mantido preso dentro dela por dezenove anos. Acho
engraçadinho, mas sensual? De jeito nenhum! Um cara alto e
tatuado que nunca vi aqui antes a segura por trás, puxando-a
para junto dele, ela sequer se dá conta do que está havendo
antes que eu o empurre.
— Qual é, irmão? Ela está comigo!
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Ele não diz nada, embora sua cara não seja nem um pouco
amigável, mas não me importo, ele se afasta dela e some no
meio das pessoas. Ela tropeça nos próprios pés e a seguro de
um lado, enquanto Luke a segura do outro.
— Venha, preciosa, vamos descer daí.
— Colin o mandão, ele me arrasta para a farra e fica
transando na mesa, agora não quer que eu dance.
Os caras à nossa volta vaiam mais alto, enquanto rio de
sua fala arrastada e a desço quase à força, mas ela não
reclama.
— Você deu um show e tanto, hein! — brinco.
— Dei, não é? Porque eles me acham sexy, não me veem
como uma criança.
Bagunço seu cabelo e Luke a abraça por trás e ela
imediatamente o arrasta para a pista de dança novamente.
Missão cumprida, posso voltar à mesa e deixar que meu
amigo tome conta dela. Mas pouco tempo depois, Luke
aparece sem a Caitlin e antes que eu pergunte onde ela está, a
vejo rebolando muito perto de um cara alto, tatuado, o mesmo
que tentou se aproveitar dela minutos antes. Agora ele
procurou briga! Levanto-me já preparando o punho e Rachel
pula na minha frente:
— Você está de sacanagem! Vai ficar comigo ou vai ficar
de babá dessa menina a noite toda?
— O que você acha? — digo e vou até eles, já
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empurrando o folgado com ainda mais força do que na


primeira vez.
A multidão à nossa volta faz uma roda, pedindo briga.
— Qual é cara, a garota está bêbada, tire suas mãos dela!
Ele vem para cima de mim e é recebido com um gancho,
que o faz cambalear para trás. Ele também está bêbado.
— Para, Colin! — Caitlin grita me esmurrando irritada.
— Deixa eu viver minha vida!
— Hoje não, princesa. Você bebeu demais.
A arrasto de volta à mesa, mesmo ela resmungando,
resmunga num tom quase de choro e fico rindo de seu drama
adolescente embriagado, a sento ao meu lado, o que não
agrada nem um pouco Rachel, que some na pista assim que
me chama pela milésima vez na noite de babaca. Mas ela nem
me faz falta. Os meninos à mesa começam a conversar com
Caitlin, e ela fala da vida, da universidade, das amigas
gostosas, coisa que ela jamais faria perto de mim se estivesse
sóbria, ela esconde as amigas de mim como se fossem água e
eu um andarilho no deserto. De repente, ela para de falar e me
encara, seus olhos mal se focando, mas um copo de rum em
sua mão.
— Cait, você não deveria misturar tantas bebidas.
— Agora eu vou ter que transar com você? — pergunta
alto demais fazendo todos na mesa prestarem atenção.

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— O quê? Por quê? De onde tirou isso? — Estou suando


frio de repente. — Quero deixar claro que eu não insinuei isso
hora nenhuma — explico a eles que não estou tentando me
aproveitar da minha melhor amiga embriagada.
— Você dispensou a outra por mima causa, vocês
estavam quase transando aí, achei que eu teria que continuar
— fala de um jeito tão arrastado que seria engraçado se não
fosse tão absurdo.
— Nós não vamos transar. E você bebeu demais, acho
melhor irmos para a casa.
— Deixa de ser trouxa, Hanson. Ela é divertida, deixa a
princesa falar — Patrick diz e recebe o apoio dos outros caras
à mesa.
— Que bom — ela continua — porque eu não ia querer a
minha primeira vez em um bar.
De repente a música para, todo mundo some e só escuto o
eco do que ela acabou de dizer. Não é possível!
— Caitlin, você está dizendo que é virgem? — pergunto o
mais baixo que posso, mas sei que todos à mesa estão
ouvindo porque já estavam totalmente concentrados nela
antes, depois dessa revelação então...
— Eu sou — diz parecendo sem graça — eu sou virgem.
Não é culpa minha, o Stephen babaca não me ligou. — Ela ri
alto demais e engasga.
— Você ia perder sua virgindade com ele? — pergunto
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incrédulo e muito grato por ter acabado com isso antes


mesmo de ter começado.
Bato em suas costas e ela volta ao normal, notando então
todos os olhares da mesa sobre ela. Seu rosto cora
violentamente e muito sem graça, ela se defende:
— Mas eu tenho um vibrador. Ele é do tamanho... — ela
começa a fazer um gesto com os dedos indicando o tamanho e
tenho que intervir.
— Chega, Caitlin! Vamos embora agora!
Sob os protestos dos caras à mesa, tiro ela dali e a arrastro
para fora do pub. Não deveria tê-la deixado beber tanto.
Rachel nos vê saindo e me ajuda a amparar Caitlin, e em
seguida Luke aparece com a chave do carro e uma expressão
sonhadora no rosto.
— Mantenha suas mãos bem longe dela — advirto.
— Colin, entre ser seu amigo e ser o primeiro de uma gata
dessas, sinto te informar que a Caitlin sempre vence.
Nem respondo, a coloco o mais cuidadosamente possível
no carro, o que quer dizer que ela bate a cabeça e grita seu
“palavrão” preferido.
— Púbis!
Sorrio.
Rachel, ao invés de sentar-se na frente com o Luke para
dar espaço atrás para a Caitlin deitar, senta-se ao meu lado,
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atrás.
— Rachel por que não senta na frente? — digo com o
carro já saindo do estacionamento.
— Porque está frio! — Ela se encolhe e reparo que Caitlin
também parece encolhida.
— Está com frio, princesa? — pergunto, mas não espero
uma resposta, já tiro minha jaqueta e coloco sobre ela,
puxando-a para meus braços.
Ouço Rachel me chamar de babaca, mas não me importo,
só uma coisa ronda minha mente: minha melhor amiga, é
virgem. Não que ela seja assanhada ou uma garota fácil, mas
ela namorou por um ano! Ela tem quase vinte anos, porra!
Como é possível que seja virgem? Sei que embora seja
ajuizada e responsável, ela não é dessas que espera se casar
primeiro e transar depois. Tá que não falamos de sexo com
frequência, ou não dá muito certo quando tentamos falar
sobre isso, mas já a ouvi ao telefone com amigas
aconselhando-as sobre isso. Merda! Ela ouve gritos de
mulheres no meu quarto todos os finais de semana e se eu
soubesse que estava corrompendo os ouvidos de uma
virgem...
Estranhamente, todas as imagens da Caitlin somem da
minha mente, não consigo me lembrar de nada dela, de
nenhum dos milhares de momentos nossos. Preciso olhar de
novo para seu rosto adormecido e babão no banco ao meu
lado, para saber que não adormeci também. E pela primeira
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vez desde que a conheço, não sei como enxergar Caitlin Ross.

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CAPÍTULO QUATRO
A água quente corre por meu corpo e na minha mente só
consigo pensar em uma coisa: Caitlin é virgem. No meu
mundo isso é uma grande coisa, uma coisa impossível! Não
consigo entender porque ela não se entregou ao idiota que
quebrou seu coração uma vez, pois teria dado tempo de fazê-
lo antes de descobrir que ele era um idiota. Ou por que ela
nunca falou comigo sobre isso, nem mesmo para me pedir
mais respeito, porque merda! Eu teria tido. Não teria
quebrado muitas regras se soubesse que ela é virgem.
— Ei! Você está me vendo aqui? — Rachel reclama e só
então me dou conta de que ela está dentro do box comigo.
— Que horas você entrou aqui?
— Engraçadinho.
Ela me beija e se pendura em meu pescoço, seus seios se
esfregando em meu peito, os bicos intumescidos fazendo uma
pressão que eu geralmente adoro. Uma de suas mãos desce
por meu corpo e faço o mesmo no corpo dela, tentando
retribuir o beijo e tocando sua bunda molhada. Ela toca meu
pau com selvageria, continuo a beijá-la, a tocá-la... Caitlin
nunca experimentou isso. Ela não sabe como é quando dois
corpos nus se tocam por inteiro, ela nunca tomou um banho
erótico com ninguém.

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De repente, Rachel se afasta me olhando furiosa.


— Que merda está acontecendo? — Ela aponta para meu
pau e só então me dou conta de que ele deveria estar de pé.
— Isso nunca...
— É, eu já ouvi essa antes, mas nunca achei que a ouviria
de você. Ridículo! A noite toda aceitando ser deixada para
escanteio para no final ainda acabar frustrada...
Ela sai do box reclamando e eu deveria estar preocupado,
afinal de contas, foi a primeira vez na vida que falhei, mas
parece que estou desligado do mundo. Saio do banheiro para
encontrar uma Rachel vestida e nervosa abrindo a porta para
ir embora.
— Estou indo.
— Tem dinheiro para o táxi?
— Peguei na sua gaveta.
— Boa noite e... foi mal.
— Foi mal? Vai me dizer isso e me deixar sair daqui a
essa hora?
— Não é o que você quer? Estou confuso.
— Você é mesmo um babaca, Colin Hanson, tomara que a
sua bonequinha adorada não cometa a burrice de se entregar a
você!
Ela bate a porta ao sair e só penso que isso jamais
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aconteceria. Eu e a Caitlin?
Embora tenha sido eu quem a ensinou a beijar, então eu
poderia ensiná-la... não! Não poderia! Estou ficando louco!

Ouço o barulho de ânsia vindo do banheiro e preparo um


café forte para Caitlin, também pego um remedinho e espero
que ela saia.
— Bom dia, flor do dia! — digo animado.
Ela está péssima. Seus olhos estão borrados da
maquiagem da noite anterior, seu cabelo parece um ninho e
sua blusa está toda vomitada.
— Você deveria tomar um banho, vou te preparar algo
para comer.
Ela fica estacada na porta me encarando.
— Está tudo bem? Tirando a ressaca, claro — pergunto
preocupado e seu rosto adoentado fica muito vermelho.
— Eu bebi muito ontem à noite — afirma.
— É, você deu um enorme prejuízo pro bar.
Vencedores não pagam a conta no pub, nem aqueles que
sentam em sua mesa. Em troca, o lugar enche de gente que
estava assistindo a luta e quer ver os vencedores de perto.
Somos como a atração ao vivo do lugar e bebemos em troca
disso.

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— Hum... eu também falei um pouco ontem, não é?


Só então percebo que ela está querendo me perguntar o
que disse à mesa na noite passada, e se ela não se lembra do
que falou, eu é que não vou lembrá-la. Ela não precisa dessa
lembrança desastrosa justo na única noite em que aceitou sair
para se divertir.
— Você só se divertiu um pouco demais. Do que você se
lembra? — sondo.
— De você batendo nuns três caras.
Sorrio.
— Estou aqui para te proteger, baby.
Girl... eu deveria ter dito baby girl, minha garotinha, mas
por algum motivo o final do apelido não saiu.
— Então... você me protegeu dos caras maus, não me
deixou misturar muitas bebidas... — ela puxa uma respiração
dramática e me olha com olhos suplicantes — e me tirou de lá
antes que eu gritasse numa mesa repleta de homens que sou
virgem, certo?
Então ela se lembra. Nesse caso, negar não vai adiantar.
— Baby, eu não tirei você de lá a tempo nem de te
impedir de gritar que tem um vibrador.
— Oh não! — ela lamenta e corre para dentro do
banheiro, para vomitar de novo.
Entro atrás dela e seguro seu longo cabelo negro com uma
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mão, passo o braço livre em volta de sua cintura para


equilibrá-la, e ela choraminga. Não é um choro de verdade,
mas o jeito dela de resmungar.
— Minha cabeça dói!
— Eu sei, já separei algo para ajudar com isso. Por que
não toma um banho e vai se deitar? Eu levo tudo para você na
cama em seguida.
Ela concorda e se afasta de mim.
— Caitlin, sobre ontem, não foi nada demais. Ninguém
vai saber se estava falando a verdade, você falou muitas
coisas absurdas à mesa e estava muito bêbada — tento animá-
la. — Podem até não achar que seja mentira a história do
vibrador de tamanho... — imito o gesto que ela fez com o
dedo para indicar o tamanho do vibrador, o que a faz fazer
uma careta engraçada. — Mas sobre você ser virgem?
Ninguém vai acreditar nisso.
Ela não parece mais animada.
— Porque não pode ser verdade, não é?
Ela me lança um olhar surpreso e tira a blusa de frio suja
do pijama.
— Caitlin, você é mesmo virgem? — quase grito.
— Você já me perguntou isso ontem e eu já te respondi, a
gente pode por favor nunca mais falar disso?
— Mas, por quê? E aquele idiota do Romeo?
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— Eu não vou mesmo discutir minha vida sexual ou a


falta dela com você.
Ela tira a blusa deixando à mostra seu sutiã de
moranguinhos. E não consigo tirar os olhos do volume atrás
deles. Os seios dela, brancos e cheios, como eu nunca reparei
isso antes?
— O que está fazendo? — ela pergunta e dou um pulo de
susto.
Como explicar que acabei de descobrir que ela tem seios?
— Você nunca se importou de tirar a roupa perto de mim
antes — defendo-me.
— Porque você nunca olhou antes. Normalmente eu faço
menção de tirar a roupa e você já vira para o outro lado ou
cobre os olhos, por que não fez isso agora?
Gaguejo, gaguejo e não sei o que dizer. Então ela dá de
ombros e começa a tirar a calça, e saio do banheiro antes que
descubra que além de seios, ela tem bunda.

Estou distraído colocando um café bem forte numa


pequena xícara para ela, tentando apagar da mente a imagem
do volume em seus seios, de como a pele ali parecia tão
macia! O barulho da porta se abrindo me faz dar um salto e
derramo café quente nos dedos. Os levo à boca e olho para
ela, e porra! Ela usa um blusão meu que estava pendurado no
banheiro, uma blusa com a qual dormi e que nela fica enorme.
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Mas não grande o bastante para cobrir decentemente suas


pernas, de forma que só consigo olhar para suas coxas nesse
momento, com algum tipo de fascínio que nunca senti antes.
Ela repara a maneira estranha como olho para ela, vejo
seus lábios se movendo e sei que está dizendo alguma coisa,
mas não tenho capacidade de prestar atenção, me imagino por
um momento tocando sua coxa, só para sentir a temperatura
de sua pele, só para saber se é tão macia quanto parece.
O que estou fazendo?
Enfio a cabeça debaixo da torneira da pia para refrescar
meus pensamentos e ouço seu resmungo surpreso.
— Isso é nojento! E por que está com essa cara?
— Você está usando minha blusa. — É tudo o que digo
para não parecer estranho, o que com certeza soaria se eu
tivesse terminado a frase com sinceridade: você está usando
minha blusa e apenas ela.
— Algum problema? Já usei roupas suas antes, você
nunca se importou.
— Achei que fosse tomar o café na cama, Caitlin — mudo
de assunto porque no exato instante não sei dizer se me
importo que ela use minhas blusas, e apenas elas. Não sei
dizer se minha curiosidade incomum sobre a textura de sua
pele é algo que vai passar, que só está acontecendo porque
esse é um dia atípico e amanhã a verei de novo como a
garotinha de aparelho a quem ensinei a beijar. Sendo assim,

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não vou proibi-la de fazê-lo e nem liberá-la. Só preciso que o


mundo entre nos eixos de novo e minha vida volte ao normal.
— Ah meu Deus! — ela grita começando a subir a barra
da blusa, pretende tirá-la. Vejo um deslumbre de sua calcinha
e pulo como um louco quase em cima dela, impedindo-a de
ficar ainda mais seminua na minha frente.
— O que está fazendo? — pergunto entredentes sentindo
o ambiente se aquecer de repente.
— Você nunca se importou de eu vestir suas blusas antes,
se está reagindo assim é porque a estava usando na noite
passada, não é?
Assinto sem conseguir entender o que isso tem a ver e
porque ela quer tirar a roupa toda na minha frente.
— Você e a Rachel... — ela faz uma careta parecida com
a que fez quando estava vomitando — a camisa...
— Não! Eu dormi com ela, mas a Rachel foi embora logo
que coloquei você na cama. Não aconteceu nada na noite
passada, menos ainda com essa camisa.
Ela parece tão aliviada que chega a ser engraçado. Passa a
mão na testa em um gesto exagerado.
— Uau! Por um momento achei que minha primeira
camisa pós sexo seria uma que foi usada para diversão dos
outros.
Sorrio. Só mesmo ela para achar que estava usando uma

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camisa que vesti logo após transar com Rachel. A observo


ajeitar a camisa de volta no lugar e se aproximar da xícara de
café. A cara ainda péssima da ressaca e o rosto meio pálido,
ela é quem está usando a camisa, e se fosse mesmo a primeira
camisa pós sexo dela, então teria que ser da diversão dela.
Como essa camisa é minha, então teria que ser da diversão
entre ela e eu.
— Caitlin, vai deitar e vou levar seu café! — ordeno
rispidamente e tento corrigir quando ela me lança um olhar
confuso. — Não quero que desmaie aqui na cozinha, baby.
— Vou tomar aqui mesmo. Tenho que ir trabalhar — diz
sentando-se com dificuldade na cadeira, como se todo seu
corpo doesse.
— Você não está em condições, Cait. Deixa que eu ligo
para a lanchonete e explico que você está doente.
— Não estou doente, estou de ressaca. Não posso deixar
de trabalhar por causa de uma ressaca, não é? Ou eu posso?
— Ela nem me dá tempo de responder antes de choramingar
exageradamente. — Ah meu Deus, quando foi que me tornei
as garotas com quem você dorme?
— O quê? Como? Dormir com você? — estou gritando e
mais uma vez queimo minha mão com café quente, tento me
acalmar porque quando a olho, ela me encara como se eu
estivesse verde.
— Não foi o que eu quis dizer, estava me referindo a falta
de responsabilidade e de beber no meio da semana sabendo
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que não estará bem para seus compromissos no dia seguinte,


enfim... minha cabeça está doendo demais e vou parar de falar
agora.
Ela deita a cabeça sobre a mesa e levo até ela o remédio
que a obrigo a tomar, em seguida, ela volta a deitar a cabeça
na mesa. Fica tão quieta que acho que adormeceu. Então, o
som estridente da campainha a faz saltar na cadeira e gemer
de dor, ao mesmo tempo.
Não acredito quando abro a porta e dou de cara com
Lorna, a mãe da Caitlin. Ela usa uma blusa verde repleta de
coisas brilhantes muito chamativa, a cara dela para essa hora
da manhã. Me puxa em seus braços pequenos e me aperta.
— Meu meninão! Como você está?
Sua baixa estatura faz com que sua cabeça fique abaixo do
meu peito. E seu abraço é um dos poucos de que realmente
gosto.
— Estou bem, Lorna. Mas você não deveria te vindo aqui
hoje.
Seus enormes olhos castanhos claros se abrem e um
sorriso surge em seu rosto.
— Não me diga que atrapalhei algo entre e você e minha
filha, porque se for esse o caso, eu posso ir embora...
Sorrio e a convido a entrar, ela faz uma careta ao ver a
cara da Caitlin, jogada na cadeira com uma expressão de
quem está prestes a vomitar.
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— Não atrapalhou nada, só que levei sua filha para um


pub ontem à noite, ela bebeu demais e agora está com uma
puta ressaca. O que a senhora vai pensar de mim?
— Oh! — Ela se aproxima de Caitlin tocando seu rosto
para ver sua temperatura, em seguida afaga o cabelo da filha,
evitando o abraço exagerado que normalmente dá ao vê-la. —
Vou pensar que finalmente alguém lembrou a minha filha que
ela ainda é jovem. Ah, Caitlin, sua primeira ressaca! Eu
deveria registrar esse momento, mamãe está tão orgulhosa!
Quero saber detalhes!
Ela se senta ao lado de Caitlin, ao melhor estilo amiga
curiosa, e começa a ser Lorna.
— Você bebeu muito? Tinha homens bonitos lá? Se
divertiu?
Caitlin apenas geme e respondo por ela.
— Não deixei que nenhum espertinho se aproveitasse
dela, Lorna.
Se eu esperava um agradecimento, estou muito enganado.
Recebo uma careta seguida de uma reprimenda:
— Querido, se você não vai levar minha menina para o
paraíso, não pode impedir que outros o façam.
— Mãe! — Caitlin resmunga. — Isso é que dá ouvir
vocês, parece que minha cabeça vai explodir.
Lorna me pede ovos mexidos, sou muito bom na cozinha

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e ela adora os que faço, conseguimos com que Caitlin coma


algo, e Lorna pede que eu a carregue até o sofá. Caitlin insiste
que consegue andar, mas a pego no colo e a deposito com
todo cuidado no sofá, não sem antes perceber seus seios
pressionando meu braço e o quanto minha mão está perto de
sua bunda.
Louco! Estou ficando mesmo louco! Esse assunto de
virgindade mexeu com a minha cabeça loucamente. Acho que
é essa coisa toda de pureza, de primeira vez, coisas com as
quais não estou nem um pouco acostumado a lidar, meu
mundo normal é repleto de sexo, mulheres fogosas e muita
sacanagem. Morar com uma virgem de repente parece estar
me tirando dos eixos. Só preciso me acalmar, eu não transei
ontem, o que contribui para que fique enxergando coisas na
Caitlin que não deveria, então só preciso resolver isso. Sair
essa noite, comer uma mulher sacana e amanhã verei minha
amiga como a doce menina que ela é.
Sou arrancado do meu plano perfeito por um puxão de
Lorna, que praticamente me joga para o sofá onde Caitlin está
deitada.
— Fique perto dela, querido. Sei que ela ama sua
companhia.
Ela pisca para mim e Caitlin reclama. Conversamos
amenidades e nem vejo a hora passar, Lorna é sempre alto
astral e divertida. Às vezes até demais. Fico impressionado
em como ela é o total oposto de Caitlin, tão centrada e tímida.
Recebo duas caretas quando comento isso em voz alta, mas
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Caitlin sabe que não tem absolutamente nada a ver com a


mãe.
— Bom, eu preciso ir. Colin, espero que cuide da minha
filha como sempre, e Caitlin, querida, se precisar de qualquer
coisa me ligue que chego aqui em um peido.
— Ah mãe! — Caitlin resmunga.
— Colin, você deveria fazer uma massagem nos pés dela,
já que estão pousados bem perto do seu... — ela não precisa
terminar de falar, Caitlin puxa os pés imediatamente do meu
colo, fazendo-nos gargalhar. — Bom, melhoras querida.
Como sempre, ela sai pela porta e a espero porque ela
sempre volta para dizer a mesma coisa.
— Da próxima vez que eu vier aqui, espero receber o
convite de casamento de vocês. Vocês sabem, são perfeitos
juntos. Só vocês não veem isso. Mas não é nada que uma
noite de sexo não resolva. — Ela pisca para mim e bate a
porta ao sair.
Olho rindo para Caitlin, que geralmente se esconde atrás
do que estiver mais perto para não ter que ver minha cara
após sua mãe ordenar que façamos sexo e nos casemos, mas
dessa vez ela está quase adormecendo. Resolvo provocá-la.
— Por que será que sua mãe insiste tanto para que você
fique comigo? Quero dizer, essa não pode ser a meta dela
para você. Eu não tenho família, não tenho dinheiro, tenho
muitas tatuagens e vivo metido em encrenca. Estou me

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sentindo quase obrigado a te pedir em casamento.


Ela permanece séria, pensativa, então diz com a voz mais
calma do mundo:
— Acho que ela não se importa com suas tatuagens e sua
falta de senso, já que era prostituta e se casou com um
cafetão... — Dá de ombros como se não fosse nada demais e
acho que meus olhos estão saltando fora das órbitas.
— O quê?
Então ela ri descaradamente.
— Brincadeira, Colin, viu como também sei ser
engraçada?
— Você vai ver o que é ser engraçada — digo pulando
sobre ela, pretendia enchê-la de cócegas até irritá-la, mas no
primeiro subir leve da minha blusa por suas coxas, desisto da
brincadeira e me recolho ao meu quarto.
Eu. Preciso. Transar.

Uma Caitlin calada remexe a geladeira e pega um iogurte,


seu rosto está mais corado após o quarto banho do dia, e ela
não vomita há horas. Já é noite, quando se senta na frente da
televisão e me encara.
— Estou indo dar uma volta, você vai ficar bem sozinha?
— Claro! Como se você passasse todas as noites comigo,
não é Colin!
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— Mas normalmente não a deixo em casa com uma pós


ressaca.
Ela roda a colher pequena na boca e até isso me faz ficar
encantado olhando para seus lábios carnudos. Desde quando
os lábios dela são tão grandes e tentadores?
— Não estou mais de ressaca e minha honra está quase
toda recuperada. Pode ir tranquilo. Vou ficar aqui quietinha
com meu Oliver Queen.
Sorrio, não vou insistir porque preciso mesmo sair daqui
urgentemente e me afundar em uma mulher disposta, livre,
que não seja virgem. De preferência escolherei uma loira, alta
e safada, bem o oposto da Caitlin para não se repetir a cena
lamentável do box com Rachel, quando não consegui parar de
pensar em tudo o que a Caitlin não conhece.
Mas, quase bato a porta de novo assim que a abro. Com a
mão estendida prestes a tocar a campainha e a cara mais
lavada do mundo, está o imbecil Ryan. Tenho o reflexo rápido
de tentar fechar a porta, mas Caitlin o vê e se levanta
imediatamente.
— Stephen, o que está fazendo aqui?
Interfiro antes que ele diga algo que não deva.
— A Caitlin está de ressaca e não está se sentindo bem, é
melhor você voltar outra hora.
Mas, como se eu não tivesse dito nada, ele passa por mim
e entra. E sou obrigado a permanecer parado na porta porque
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sei que essa merda vai estourar para o meu lado agora e
preciso pedir desculpas a Caitlin antes de dar tempo a ela de
pensar no que fiz e analisar, porque aí fica mais difícil fazer
com que me desculpe.
— Eu fiquei surpreso quando cheguei no clube hoje e
fiquei sabendo que eu deveria ter tirado sua virgindade ontem
— diz em tom brincalhão sem tirar os olhos dela.
Caitlin parece prestes a vomitar de novo e corro até ela
amparando-a.
— Está tudo bem?
Ela assente e muito sem graça olha para Stephen
pensando em algo para justificar. Tão inocente! Como se ele
estivesse achando ruim ela querer transar com ele. Se uma
mulher soubesse o que um homem pensa quando escuta algo
assim jamais tentaria remediar a situação.
— Fiquei mais surpreso ainda pelo fato de você ter dito
isso depois de ter me dado um bolo. Se você tivesse
aparecido...
Nem quero imaginar o que teria acontecido. A Caitlin
pode ficar com a raiva que for de mim agora, não me
arrependo do que fiz.
— Bolo? Do que está falando? — ela pergunta confusa e
ele me lança um olhar que diz “você está fodido, cara”.
Conta a ela das ligações que atendi e do recado que não
dei e eu deveria sair correndo porque ela sequer me lança
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aquele olhar de decepção que costuma me fazer pedir perdão


imediatamente e aí tudo fica bem. Não dessa vez, ela sequer
me olha. Pede desculpas a ele, afirma que não sabia sobre o
encontro e enquanto espero que ele vaze para eu poder
conversar com ela, ela tem a pior ideia do mundo.
— Se você quiser, podemos sair agora. Se não estiver
ocupado.
Esteja ocupado, imbecil, esteja ocupado.
— Claro. Na verdade, vim te ver na esperança de passar
um tempo com você.
— Eu vou me trocar em um segundo, fique à vontade.
Ela me ignora mais uma vez ao passar por mim, chamo
seu nome, mas ela finge não ouvir. Assim que bate a porta do
quarto deixando claro o quanto está irritada, Stephen abre
aquele sorriso idiota dele.
— Bela jogada, Hanson. Mas você deve saber que não
estou acostumado a perder para você. Nunca vou fazer isso.
— Ela não é um título que pode ser disputado, seu
babaca...
— Não, ela não é! E também não é sua propriedade para
que você decida com quem ela deve sair. E sabe, eu pretendia
ir bem devagar com sua amiga, mostrar a ela que não sou
igual a você, mas depois dessa sua gracinha, vou levar a
coisinha linda ali direto para um motel. Ela não quer perder a
virgindade?
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Quero dar um soco na cara dele e até dou um passo em


sua direção, mas me controlo e saio da sala. Entro no quarto
de Caitlin como um furacão, e ela está terminando de vestir
uma calça muito apertada que nunca a vi usar.
— Que merda de calça apertada é essa? Desde quando
você sai assim na rua?
Ela me olha como se eu fosse louco.
— Desde sempre. É a calça que mais uso, seu babaca!
— Caitlin, você não pode sair com ele, ele vai levá-la para
um motel! Ele acabou de me dizer.
Ela para o movimento de pentear o cabelo que havia
começado a fazer e pensa, então volta a pentear como se não
fosse nada demais.
— Bem, espero que seja em um dos caros.
— Você não está falando sério!
Eu estou suando, e meu coração bate tão rápido que vai
sair do meu peito a qualquer momento. Tenho vontade de
trancá-la nesse quarto e gritar na cabeça dela até que minhas
palavras entrem e fiquem gravadas ali para sempre: Stephen
Ryan não serve para você, não perca a merda da virgindade
com ele!
— Você mesmo achou um absurdo eu ser virgem aos
dezenove anos, não foi? Está na hora de resolver isso.
— Caitlin... — quero dizer tantas coisas, o quanto está
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sendo ridícula e infantil. Que isso não é algo que se faz assim,
de qualquer jeito, quero gritar coisas que ela está cansada de
saber já que se guardou até agora, mas parece que ela nem se
importa.
— Eu poderia te dar algum crédito e tentar ouvir você, se
você fosse confiável. Se você fosse pelo menos homem! Mas
atender meu telefone e deixar de me passar o recado como
uma garota insegura, francamente, Colin! Eu vou dizer apenas
uma vez e espero que isso fique gravado na sua mente! Eu
vou sair com ele. E vou perder a minha virgindade com ele se
eu sentir vontade de fazer isso, e você não tem o menor
direito de interferir na minha vida!
Ela está tão magoada, tão decepcionada e aquele olhar de
sempre está ali, mas parece mil vezes pior. Parece que ela me
enxerga de uma maneira inferior à que enxergava até poucos
dias atrás, até ontem para ser mais exato. Até o instante em
que a olhei vestida como uma mulher sedutora e disse que ela
quase parecia uma mulher. Aquela coisa que mudou em seu
olhar ali, está aqui agora, refletindo em cada jeito como ela
me olha, em cada situação que era tão previsível antes. Ela sai
e bate a porta e nem tenho forças para ir atrás dela. Acho que
perdi minha melhor amiga, uma parte dela, pelo menos. A
parte que ainda via alguma coisa boa em mim.
Que se foda! Se ela quer cometer a burrice de se entregar
para um idiota que só quer usá-la é problema dela! Eu fiz o
que podia e o que não podia para alertá-la. Fiz minha parte.
Fui o responsável por ela tê-lo conhecido, mas não sou mais o
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responsável por ela deixá-lo ficar em sua vida. Foda-se pra


que merda de motel eles vão e o que vão fazer essa noite!
Saio de seu quarto batendo a porta, saio do apartamento
batendo a porta! Repetindo para mim mesmo até que eu
acredito nisso: que se fodam a Caitlin e o idiota do Stephen
Ryan!

— ... que se dane! Ela não vai saber como é ter um


homem que a deseja de verdade, não vai vê-lo olhar para ela
com todo ímpeto de devorá-la em sua primeira vez! E a culpa
é toda dela! Por que ela não me escuta?
— Eu não sei, mas você vai ficar aí falando e olhando
minha boceta ou vai descer a boca nela? — a loira nua e
aberta diante de mim questiona irritada.
— Eu vou fazer, querida. Porque eu sim sei dar prazer a
uma mulher! Desculpe por isso, eu só não entendo... como ela
pode querer se entregar para ele? É a primeira vez dela, porra!
Como ela pode querer isso? Não que eu me importe.
Ela fecha as pernas e se senta, seu rosto atingindo um tom
vermelho impaciente.
— Eu acho que você se importa, e muito. Mas sua
virgenzinha escolheu outro para passar a noite e eu não estou
aqui para ser sua psicóloga. Você vai me comer ou vai ficar aí
descontando sua raiva na minha boceta?
Que merda! Eu não estou com raiva, eu não me importo,
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não mais!
— Eu vou fazer o que sei fazer de melhor.
A empurro na cama e abro suas pernas e faço com ela
tudo aquilo que a Caitlin deveria ter da boca de um homem
em sua primeira vez.

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CAPÍTULO CINCO
Chego em casa com o dia nascendo, no trajeto do motel
até aqui, coloquei a minha cabeça de volta no pescoço. Caitlin
é minha melhor amiga, é quase minha irmã mais nova, sei que
é meu dever cuidar dela, mesmo que às vezes precise ser bem
babaca para isso, no fim das contas, ela vai entender que só
estava tentando protegê-la. Mesmo porque, Caitlin é do bem.
É extremamente doce e é a pessoa com mais facilidade para
desculpar que eu conheço. Acredito que tenha aprimorado
esse dom comigo. Assim sendo, sei que não perdi a minha
amiga, nem uma parte dela. Talvez um pouco de sua devoção,
que sendo bem sincero, era infundada. Eu deveria me sentir
mal por vê-la acreditar tanto em mim, por perceber o quanto
ela espera do meu lado bom, quando sei que ele não existe há
muito tempo. Então decido que será mais fácil agora a nossa
relação de adultos. Que todas essas coisas do meu mundo na
qual ela não se encaixa, deixarão de ser algo que tenho que
esconder, afinal de contas, agora ela pode me ver como sou de
verdade. E sei que ela vai me amar e estar aqui por mim
mesmo assim, mesmo me vendo de verdade.
E vou fazer o mesmo por ela. Apesar de ser uma menina
aos meus olhos, sei que não é, é adulta, responsável e sabe
tomar suas próprias decisões, portanto, não vou mais interferir
em sua vida. Apenas estarei aqui para quando ela precisar do

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melhor amigo, mas a deixarei tomar suas próprias decisões.


Claro, isso assim que eu garantir que ela não vai perder a
virgindade com o Stephen imbecil Ryan! Isso aí está fora de
cogitação, pois não se trata apenas da minha intromissão. Se
trata do meu maior inimigo querendo se vingar de mim
usando meu elo mais fraco, e não posso permitir isso. Sinto-
me até mais responsável e adulto ao aceitar isso.
Tomo um banho demorado, sentindo-me tão mais
relaxado! Decido abrir de leve a porta de seu quarto, apenas
para garantir que está dormindo e bem. Aproximo-me com
todo cuidado para não acordá-la e, de repente, imagino se ela
não estiver ali. E se ela ainda estiver com Stephen? Se estiver
em um motel com ele, perdendo a virgindade? Quanto tempo
demora para uma mulher perder a virgindade? Nunca
desvirginei ninguém, eu não faço a menor ideia. E se ela
passou a noite com ele, se está nesse momento deixando que
ele seja o primeiro dentro dela, então eu.... Abro a porta de
uma vez, quase sem ar e sentindo uma raiva imensa correndo
por todo meu corpo. Mas, ali está ela. Dormindo
profundamente, nem se mexe apesar da maneira abrupta com
que abri a porta, sua coberta caída ao chão e seu corpo
encolhido na cama. A cubro com cuidado e saio antes que ela
acorde, e sinto um alívio tão grande e inexplicável por vê-la
ali, pelo menos não passou a noite com ele. Isso quer dizer
que se realmente tentaram algo, ele não foi bom o bastante,
foi rápido demais.
Será que eles tentaram algo? Será que ele foi rápido, mas
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foi o primeiro homem da vida dela? E apesar de ter


descontado toda minha confusão e tensão na loira que não
gosta de escutar, me sinto tenso e ansioso de novo.
— Merda, Caitlin! O que é que eu vou fazer com você?

Ela está de pé, com fones no ouvido e fazendo o café da


manhã quando me levanto, já vestida para ir trabalhar. Fico
reparando se ela está sentindo alguma dor, talvez, se ela andar
de maneira estranha ou fizer qualquer expressão de dor, isso
signifique que perdeu a virgindade, não é? Dizem que as
mulheres ficam doloridas no dia seguinte à primeira relação.
Sento-me em silêncio e a observo. Ela anda de um lado ao
outro na pequena cozinha, mas é um caminho tão curto que
não dá para saber se está sentindo algo. Observo mais
atentamente quando ela anda um caminho um pouco maior.
Ela está mancando? Não pode ser! Isso deve ser coisa da
minha cabeça.
Será que há algo diferente nela essa manhã? Algo errado?
Meus olhos estão tão fixos nela, e do nada seus olhos
aparecem na frente dos meus, me fazendo congelar.
— O que você está fazendo? — pergunta confusa.
— Nada, eu... estava tentando reparar se você está
andando esquisito.
— O quê? — Ela parece ainda mais confusa e me olha
como se algo estivesse esquisito, mas na minha cabeça.

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— Caitlin, me diz que você não foi mesmo para um motel


com aquele cara, diz que você não se entregou assim para ele.
— Ah, isso? — Ela começa a rir, como se fosse hilário
meu desespero. — Meu Deus, Colin, não acredito que está
mesmo tão preocupado com isso. Não, não aconteceu nada,
foi nosso primeiro encontro, não sou tão descolada quanto as
mulheres que frequentam sua cama. Preciso conhecê-lo um
pouco primeiro.
— Muito! Você precisa conhecê-lo muito, conhecê-lo
completamente!
— Se eu não estivesse tão em cima da hora iria comentar
o fato de você, Colin Garanhão Hanson, estar tentando me dar
uma lição de bom comportamento. — Ela pega suas coisas e
vai em direção a porta de saída. — Quando a gente acha que
já viu de tudo no mundo...
— Ei, Cait, e meu beijo? — tento, mas ela apenas me olha
e bate a porta ao sair. Preciso fazer algo porque ela ainda está
brava.

Luke aparece pouco após a saída de Caitlin, ele trabalha


pela manhã no Luck, na manutenção. Vem me dizer que Thor
está me aguardando, algo sobre a regra que quebrei ao dar o
lenço da minha Sorte a Caitlin, e não a Rachel. Sei que terei
alguma punição, imagino que seja algo como ter de limpar o
clube por uma semana, ou fazer um serviço externo para
Thor, ou, na pior das hipóteses, perder o direito de ter minha
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Sorte nas primeiras lutas do campeonato. Já vi isso acontecer


e sei o azar que isso trouxe para aqueles que sofreram esta
punição, mas não dependo de uma mulher em cima do ringue
para vencer um adversário. Luke pergunta por Caitlin e
parece querer me contar algo, ele dá voltas e não diz nada.
— Porra, Luke, se tem algo a me dizer, diz logo! É sobre
a Caitlin?
— Cara, você vai saber assim que entrar no Luck, apenas
lembre-se que você está indo ser punido por quebrar uma
regra, não vá perder a cabeça e quebrar outra.
Ele não diz mais nada e meu estado já constantemente
ansioso, piora consideravelmente. Entro no clube como se
estivesse indo buscar o ouro no lugar marcado com o x, logo
que entro, vejo os caras da manutenção fazendo seu trabalho,
Luke se junta a eles e me aproximo de Thor, sentado em sua
mesa, alguns lutadores à sua volta, com o celular na mão,
provavelmente dando feedback a eles de suas últimas lutas. O
clube Luck será a sede deste campeonato então a honra de
Thor está no ringue, aqui. Ele faz questão que seja um de seus
lutadores a ganhar o título e ai de nós se outro clube vencer
aqui dentro. Claro que nenhum de nós pretende deixar isso
acontecer sob hipótese nenhuma, ele tem mesmo os melhores
no time dele.
Cumprimento os caras e Thor, até esqueço por um
momento do que Luke tentou me dizer, mas logo recordo,
porque presencio e entendo do que ele estava falando. Hector,
um dos lutadores de quem menos gosto, por ser muito amigo
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do imbecil, diz com um sorriso debochado:


— E sua garotinha virgem, Hanson? Ouvi dizer que o
Stephen deu um trato nela.
— Quem você pensa que é para de falar dela?! — Vou pra
cima dele, mas me deparo com uma parede da minha altura e
quase tão dura quanto eu. A diferença entre nós é o olhar
gélido que Thor crava em mim, e não me deixa dar mais
nenhum passo adiante.
— Brigas pessoais aqui dentro não, Colin. Principalmente,
não com a competição se iniciando na semana que vem. Você
precisa se controlar, essa garotinha está te fazendo perder a
cabeça.
— Ele está falando da Caitlin.
Um toque de compreensão passa por seu rosto, ele
conhece toda minha história, sabe sobre minha única família,
que se resume a ela.
— Não importa. Não deveria tê-la introduzido nesse
mundo se não sabe lidar com ela dentro dele. Concentre-se no
campeonato, depois você pode duelar por ela com quem
quiser aqui. Principalmente, se a coroa do campeonato estiver
no armário de vitórias do Luck. Não me force a te alertar de
novo.
Concordo com um gesto, e ele parece insatisfeito com o
que vai dizer.
— Foi para ela que você deu o lenço da Sorte na última
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luta?
Confirmo e ele faz um gesto negativo com a cabeça, como
se eu estivesse muito errado por fazer isso.
— Se a queria como sua Sorte devia tê-la levado ao
ringue, conhecendo a Rachel imagino que ela não tenha te
dado muita chance de chamar a senhorita Ross, mas, uma vez
que você aceitou a Rachel como sua Sorte, sabia que sua
vitória pertencia a ela. Você quebrou uma regra, meu filho, e
preciso puni-lo.
— Estou ciente. Estou aqui para aceitar qualquer que seja
sua punição.
— Você vai lutar amanhã. Não gosto de colocar meu
segundo melhor lutador em uma luta desnecessária às
vésperas de lutas tão importantes, mas a equipe do clube The
Fierce quer fazer o reconhecimento do ringue e você vai lutar
com um da equipe deles.
Quando imaginei minha punição pelo lance da Sorte,
jamais achei que seria algo que poderia me prejudicar tanto.
Me fazer lutar com um adversário de um clube concorrente às
vésperas do início do campeonato é dar a eles a minha
estratégia de luta. Thor jamais fez isso nos anos em que luto
aqui e ele sabe o quanto isso pode ser usado contra mim no
ringue.
— Mas, Thor, isso é o mesmo que...
— Eu sei. Mais ninguém quis lutar por esse motivo, e

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acredite, eu não queria que fosse você, mas você procurou


uma punição na outra noite, quase procurou outra agora. Vê
se isso te incentiva a manter a cabeça no lugar.
Então esse é o ponto, não me punir por dar o lenço da
vitória a Caitlin, mas me fazer pensar duas vezes antes de
perder a cabeça com qualquer um que me provocar citando
ela. Não posso dizer que concordo com esse castigo, mas
entendo. Pensando melhor, vai ser bom ter algo em que me
concentrar que não seja a virgindade da Caitlin.

Meu celular chama um número que não reconheço, mas


reconheço o prefixo, Madison, a cidade onde nasci, a cidade
que jurei esquecer. Posso imaginar quem seja ao telefone, só
não posso imaginar o que ela quer comigo. Talvez não esteja
satisfeita por eu estar livre, de alguma forma. No lugar dela,
eu também não estaria, mas não há nada que ela possa fazer, e
se ela acha que me provocar vai fazer com que eu dê um
passo em falso e vá parar na cadeia de novo, está muito
enganada.
Logo que entro no consultório da doutora Katherine
Mansfield, jogo meu celular sobre a mesa, ela vê a ligação
perdida, examina o número e me devolve o celular, começa a
anotar em seu caderninho antes mesmo de me falar qualquer
coisa.
— Olá, Colin — diz em seguida — quer se deitar e ficar
mais à vontade?
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— A senhora sabe que isso não funciona comigo. Mas, se


tiver um whisky isso vai me ajudar a falar.
— Hoje você quer falar? — pergunta espantada. Deve ser
a primeira vez em um ano que faço essas terapias forçadas em
que quero ter essa sessão com ela e estou disposto a cooperar.
— Pois é.
Na verdade, eu só preciso de um conselho, não de uma
análise da minha vida bagunçada.
Ela me serve a dose de whisky, que viro de uma vez, mas
se recusa a me servir uma segunda dose sem mais
informações.
— Por que não atendeu a ligação da sua madrasta?
— Ela não é nada minha, e não é disso que quero falar.
— Imaginei que não fosse. O que houve? Você parece
preocupado.
— Acho que essa palavra é extremamente adequada. O
problema é a Caitlin. Acho que devia trazê-la aqui para que a
senhora converse com ela, de mulher para mulher, para que
possa aconselhá-la.
Ela franze o cenho e tenho sua total atenção.
— Não posso imaginar porque precisaria aconselhá-la em
algo, a senhorita Ross é a pessoa mais ajuizada que conheço.
— Era. Lembra do que te falei sobre ela e o Stephen? Pois
é, ela quer perder a virgindade com ele.
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Ela não diz nada, permanece totalmente parada, me


encarando, mas sua mente maquina em outro lugar, pouco
depois, espero que ela diga algo como “não acredito que ela
ainda é virgem”, ou, “pode trazê-la aqui que vou convencê-la
a não fazer um absurdo desses”, mas, o que ela diz é:
— A não ser que você queira que eu a aconselhe a usar
camisinha, não entendo o que quer que eu faça, porque tenho
certeza que ela sabe bem disso.
— Como? A senhora só pode estar brincando! A senhora
ouviu direito o que eu disse? Ela é virgem! E ele quer se
vingar de mim! Ela não pode perder a virgindade justo com
ele! Vai me odiar o resto da vida quando perceber que ele a
está usando.
Ela anota algo em seu caderno enquanto vai falando
comigo, como se eu fosse uma criança fazendo pirraça por um
brinquedo que um colega de escola ganhou e eu não.
— Por que exatamente você está com raiva?
— Eu acabei de dizer.
— Vamos pesar isso direito, porque confesso que estou
perdida aqui, Colin. Nós dois sabemos que a Caitlin é adulta e
responsável, que é ajuizada e centrada. Se ela chegar a ter
qualquer relação sexual com este rapaz, o fará totalmente
ciente do passo que está dando. Ela não o faria se tivesse a
menor dúvida de que ele a quer.
— Está dizendo que estou exagerando? Que estou ficando

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louco ao querer defendê-la do que vai ser o pior erro de sua


vida?
— Não. Estou dizendo que você não sai com os dois para
saber como ele a trata, para julgar se o que ele sente por ela é
real ou um plano de vingança. E estou dizendo que seus
motivos para estar tão preocupado com isso são superficiais.
Você a conhece bem o bastante para saber que ela nunca te
culparia por algo que ela decidiu fazer. Você não a está
jogando na cama dele, ou está?
Ela parece estar certa, mas, ela não entende... nem eu
entendo. Tento aceitar o que está me dizendo, a Caitlin jamais
vai me culpar por isso sendo que tentei tanto alertá-la, mas
mesmo assim, não posso permitir que isso aconteça. Não há
uma razão no mundo que me faça aceitar que isso é o certo
que ela deve fazer.
— Então você não vai dizer a ela que é cedo demais e que
precisa ter mais certeza antes de dar esse passo? — pergunto
já sabendo a resposta, apenas uma tentativa de convencê-la a
falar, nem que seja apenas isso.
— Não vou. Não sou amiga dela, Colin, você é. Se é tão
importante, diga você.
— Só que ela não está me escutando! Ela parece
enfeitiçada por ele, como se ele fosse tão melhor do que eu!
Porra, eu nem sabia que era ela virgem! Ela é minha melhor
amiga, no entanto não me conta nada, me deixa de fora de sua
vida pessoal e agora isso, saindo justo com meu maior
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inimigo, não acreditando mais em mim. Não posso estar louco


por achar que o mundo está de cabeça para baixo!
A maneira como ela me olha, me irrita, como se sentisse
pena, pior, como se me conhecesse o suficiente para saber que
isso está me enlouquecendo mais do que estou dizendo. Que
vai além de uma preocupação ou medo de perder a amizade
da Caitlin. A doutora Katy faz sua melhor cara de escute a voz
da experiência antes de falar com a voz mais calma do
mundo, como se houvesse encontrado a chave que soluciona
todos os meus problemas. Mas, não consigo compartilhar de
seu entusiasmo.
— Você precisa entender e aceitar que o problema aqui
não é exatamente com quem ela está decidida a dar esse
passo, mas o fato de ela estar decidida a fazer isso.
— Não tem nada a ver, eu nem sabia que ela era virgem,
então não posso estar tão preocupado com isso agora!
— Você não sabia, sendo assim nunca parou para pensar
sobre isso, mas agora que sabe, muda tudo! Porque você
simplesmente não quer que ela dê esse passo com outro
homem.
— Como assim?
— Se não fosse o seu inimigo de luta, se fosse o seu
melhor amigo, o Luke por exemplo. E ela decidisse perder a
virgindade com ele, estaria tudo bem para você? Certo?
— Não! Ela nunca gostou dele, nunca se sentiu atraída, se

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o escolhesse para ser o primeiro dela seria por ansiedade de


dar esse passo, não porque ela realmente quer fazer isso com
ele.
— Ok, e se for alguém da faculdade dela, que você não
conhece, mas que ela saia há algum tempo e só não comentou
isso com você?
— Não acho prudente que ela se entregue tanto assim a
alguém que eu nem conheci. Quer dizer, se fosse tão
importante para ela, ele frequentaria nossa casa e ela teria me
apresentado, certo? Logo, um desconhecido de seu curso
também seria por ansiedade.
— Você consegue imaginar algum homem, qualquer um,
que seria ideal para ser a primeira relação sexual dela?
Penso, penso e não, nenhum homem é bom o bastante
para isso. Nenhum é seguro o bastante. Não consigo
responder e aqueles olhos sábios parecem rir de mim por
terem me vencido.
— Foi o que pensei. Boa parte do seu problema não é
quem ela escolheu para fazer isso, e sim que esse alguém
escolhido por ela, não é você.
— Isso é ridículo! Ela é como uma irmã para mim! Somos
amigos desde a infância.
— Está dizendo que se ela escolhesse você para fazer
isso, você não aceitaria? Você não seria o homem perfeito
para dar esse passo com ela?

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— Eu a conheço como a palma da minha mão, estive com


ela em todos os momentos, assim como ela me conhece e
confia em mim. Eu a ensinei a beijar, eu cuido dela
independente de qualquer coisa, então sim, eu seria o cara
certo para tirar a virgindade dela, não porque eu sinta
qualquer coisa por ela ou ela por mim, mas porque somos
melhores amigos e ela não vai confiar em mais ninguém da
maneira como confia em mim!
Ao terminar de colocar esse ponto para fora, recebo em
troca um sorriso vitorioso da “voz da experiência”.
— Você já aceitou um ponto hoje então não vou insistir
que abra sua mente toda de uma vez, já foi um progresso.
Guarde isso para si mesmo se sente-se melhor pensando
assim, deixe que isso justifique o desejo que sente por ela.
— Eu não vim até aqui pedir uma análise do que estou
sentindo, eu vim pedir um conselho de como convencê-la a
não fazer isso até que tenha absoluta certeza, e a não fazer
isso de maneira nenhuma com ele.
— Diga a ela o que você sente. Diga como se sente em
relação a decisão e ao relacionamento dela. Vocês não são
melhores amigos? Ela vai entender.
— O que você quer que eu diga? Que eu me sinto mal por
ela perder a virgindade com meu pior inimigo? Isso seria
muito egoísmo. Não se trata de mim.
— Então você não deveria se intrometer. Se você não tem
certeza do que realmente sente, não se meta na vida dela.
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— Você é a pior psicóloga que eu já vi!

Aproximo-me da lanchonete onde Caitlin trabalha, logo,


avisto Joy, a única amiga da lanchonete que ela me
apresentou, mas o fez com tanto receio, que mesmo a Joy
sendo tão linda, entendi que este era um terreno que eu não
deveria entrar, e não entrei. Não sou sempre um babaca
egoísta com ela. Joy me abre um sorriso lindo e corre para
chamar Caitlin, não precisa ir muito longe, ela já estava de
saída, a mochila pendurada nas costas e o olhar de cansaço
em seu rosto.
As meninas da lanchonete me cumprimentam com
risinhos e piscadelas, mas respondo de maneira educada,
minha atenção voltada totalmente à minha melhor amiga, que
parece linda com o cabelo bagunçado de fim de tarde e sua
expressão cansada.
— O que faz aqui?
Estendo a ela as flores que comprei há duas quadras da
lanchonete, cubro meu rosto com elas e imito uma voz
engraçada, que a fazia rir sempre que chorava quando era
pequena, no jardim de infância:
— Caitlin Evy Ross, eu sou um tremendo idiota e o pior
melhor amigo do mundo! Mas, baby, eu realmente adoro
você. Você é tudo o que tenho, então não fica brava comigo.
— Abaixo as flores a tempo de ouvir os suspiros das colegas
de trabalho dela. — Quando você me afasta, nossa vida sai do
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eixo.
Ela sorri, o sorriso mais doce que já vi em seu rosto,
estende as mãos vagarosamente e pega as flores, as leva até o
nariz e sorri ainda mais.
— Nós vamos enterrar tudo isso e seguir em paz? —
pergunta esperançosa com seus enormes olhos de gata
analisando meu rosto.
— Nós podemos conversar sobre isso?
— Coli... — seu sorriso some e ela está prestes a me dar
mais broncas, mas faço um gesto com a mão, pedindo um
tempo, e ela para de falar para me ouvir.
— Eu sei o que vai dizer, e sei como se sente sobre a
minha reação a isso. Eu só quero conversar, ok? Sem
idiotices, sem tentar te proibir de nada, só quero que você
entenda meu lado.
— Se ela não for com você, eu vou, campeão! — uma voz
sedosa diz atrás de mim, mas não me atrevo a verificar quem
falou, não quando Caitlin está me avaliando tão de perto.
— Tudo bem. Vamos para casa?
— Pensei em irmos andando se não for muito longe para
você. Assim podemos conversar melhor e teremos
testemunhas caso você queira me matar.
— Essa fase já passou. Foi quando descobri o que você
fez, agora só estou decepcionada mesmo.

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— Round one, fight! — brinco fazendo-a rir.


Vamos caminhando a passos lentos, sei que ela não é
acostumada a exercícios como eu, e não quero que o caminho
se torne cansativo demais para ela.
— Se você se cansar, eu te carrego — ofereço e recebo
uma careta em troca. — Caitlin, eu realmente penso que o
Stephen a está usando para se vingar de mim, não porque
ache que você não seria capaz de seduzi-lo, na verdade, não
imagino um homem que você não consiga seduzir com essa
carinha de menina e esse corpo maravilhoso de mulher...
Ela para onde está e me olha confusa, e merda! De onde
saiu isso? Corpo de mulher? Afasto as lembranças de seus
seios naquele sutiã delicado e me concentro no que preciso
que ela entenda. Toco seu braço para que continue andando e
deixo minha mão ali enquanto falo, talvez o contato da minha
mão em sua pele possa ajudar a fazê-la entender que só quero
seu bem.
— Eu sei que há uma chance, cinquenta por cento, na
verdade, de ele estar realmente interessado em você por você,
por ser linda e tão doce. Eu sei disso. Mas isso não faz com
que ele deixe de ser o Stephen. Você entende? Eu o conheço
bem, ele não é uma pessoa boa e eu me preocupo com você.
Ela tira minha mão de seu braço e deposita um beijo leve
em meus dedos.
— Agora, com você falando como um amigo adulto que
sabe conversar, eu entendi. Realmente entendo o seu lado,
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Colin, entendo que queira cuidar de mim como sempre fez.


Mas é a primeira vez em muito tempo que me interesso por
alguém diferente e ele se interessou por mim também. Acha
que não tive essas dúvidas? Que não me achei menina demais
para ele? Eu me achei incapaz de seduzir alguém do seu
mundo, mas quando estávamos a sós, ele me mostrou o
quanto me quer, e não por eu ser sua amiga, ele apenas me
quer. Estou apostando muito nisso, e não estou pedindo que
deixe de tomar conta de mim, Deus sabe que eu estaria
ferrada se não fosse sua proteção, mas me deixa dar esse
passo, ok? Relacionamentos são sempre um tiro no escuro,
mas eu vou arcar com as consequências disso, só preciso ver
onde isso vai dar!
Minha parte racional, que costuma ser o que me guia
quando não estou diante de uma mulher nua, sabe que ela tem
esse direito. Tem o direito de arriscar e minha rivalidade com
Stephen é problema meu e não dela. Mas há uma parte em
mim, algo que não compreendo, que sabe o quanto isso é
arriscado, o quanto é ridículo. E por mais que eu queira ficar
em paz com ela, não consigo aceitar.
— Desculpa, Caitlin. Mas não posso aceitar isso. Entendo
tudo o que disse, mas não aceito. Você e ele? Há tantos
homens que fariam tudo para ter você, por que ele?
— Sabe, a gente vai falar, falar, brigar de novo e não
vamos chegar a um consenso. Vamos ficar com isso: a vida é
minha e você não se mete!
Sinto algo rasgando uma parte do meu peito ao vê-la
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preferir perder a proteção que sempre prezou para ficar com


ele. Como se de uma hora para outra eu fosse descartável, e
ele, essencial para ela.
— Nunca pensei que você seria o tipo de amiga que
quando arruma um namorado, esquece dos amigos.
Espero por uma resposta sarcástica, mas ela começa a rir.
— Ah, Colin, o que é que está havendo com você? Eu não
sou assim, ok? Também não pensei que você seria o tipo de
amigo excessivamente ciumento.
— Não estou com ciúmes.
E não estou mesmo. Isso é outra coisa.
— Tudo bem, não quero mais brigar. Será que dá para me
deixar decidir se eu prometer pensar bem em cada atitude
dele?
— Isso melhora um pouco as coisas. Mas quero
acrescentar algo de suma importância ao nosso acordo. Eu
vou deixar você em paz com esse assunto e você vai tomar
cuidado com as atitudes dele, e não vai perder a virgindade
com ele.
Ela para de andar de novo e abre um sorriso nervoso, dos
que ela abre quando quer me xingar, mas não quer.
— Você está fazendo uma tempestade desnecessária
disso! Não é grande coisa! É uma primeira vez, mas eu só não
a fiz antes porque não senti vontade, não é como se eu

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estivesse esperando ou algo assim.


— E está sentindo vontade agora? Com ele?
— É, eu estou. Por que é que você tem que se meter
nisso? Eu não escolho as púbis em que seu pau entra, porque
se eu pudesse escolher, você não dormiria com dez por cento
das mulheres com quem dorme!
— Você está sendo injusta.
— E você está louco! Ponha sua cabeça no lugar e me
deixa em paz!
Ela vai andando apressada na frente, mas toma cuidado
para não amassar as flores, o que considero um ponto positivo
a meu favor. Corro atrás dela sem saber como fazê-la mudar
de ideia. Maldita ideia dessa psicóloga de merda! Falar o que
sinto não ajudou em nada além de afastá-la mais de mim e
jogá-la mais para ele.
— Tudo bem, se você quer mesmo fazer isso, por favor só
me escuta. Eu tenho experiência nisso, você tem que me
escutar! — Seguro seu braço e a puxo, forçando-a a parar e
me encarar.
— Você não vai vir com aquele papo de preservativos,
não é? Porque a minha mãe fez isso assim que tive minha
primeira menstruação.
Faço uma careta que parece aliviá-la um pouco. Quero
parecer confiante e seguro do que estou dizendo, mas a
verdade é que estou tremendo por dentro. Como uma mulher
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que não sabe andar de salto. Minha pressão com certeza está
alta e no momento, tenho uma taquicardia perigosa. Tudo
porque não sei como falar o que preciso falar sem parecer
maluco, ou um gay, ou um gay maluco.
— Cait, pequena, isso não é qualquer coisa. Pode não ser
algo que você guardou como a um tesouro até encontrar o
momento certo, mas também não é algo que você poderá
viver de novo na semana que vem caso não seja o que você
esperava.
Seu rosto suaviza e sei que estou conseguindo atingi-la.
— É sua primeira vez, você só a viverá uma vez, não pode
ser com qualquer pessoa. — Ali, me sinto estranho com o
rumo que meus pensamentos estão tomando, tudo culpa da
maldita doutora Katy com aquela ideia de que eu deveria ser
quem faria dessa, uma maravilhosa experiência para ela. Não
posso dizer isso a ela, de maneira nenhuma, tenho que fazê-la
entender de outro jeito. Por que ela simplesmente não me
escolheu desde o começo?
Respiro fundo para colocar meus pensamentos de volta no
rumo certo e volto a falar:
— O Stephen é conhecido no clube por nunca sair com
mulher nenhuma. Ele é o que mais vence ali, mas não pega
ninguém, sabe por que isso?
— Acho que não quero saber — toda a atenção que eu
havia conseguido se foi, e me desespero para que ela não se
afaste de novo.
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— Porque ele não é bom nisso. Você quer ter sua primeira
vez com um cara ruim de cama? Que não dará a você tudo o
que merece? Caitlin, quando uma garota tem uma primeira
experiência ruim, isso afeta toda sua vida sexual. Você quer
ser frígida? Quer se importar mais com um livro do que com a
pessoa que está dentro de você na cama? Quer ser dessas que
vai ter dor de cabeça toda noite só para se livrar do trabalho
com seu marido?
Sua expressão vai ficando cada vez mais estranha, sinto
que estou falando merda, mas não consigo melhorar as coisas,
cada vez que abro a boca, a enxurrada de coisas que saem,
parece fazer menos sentido.
— Você esperou por dezenove anos e quando finalmente
der esse passo tem que ser algo memorável, algo bom, não
quer contar na rodinha de amigas numa festa do pijama
seminua que sua primeira vez, como a delas, foi uma merda,
quer? Você tem que ser melhor do que isso. Quando duas
pessoas transam e não há a conexão que você precisa para que
seja diferente, é só mais uma transa. Você quer ser só mais
uma transa para o homem para quem vai entregar sua
virgindade? Caitlin...
— Você está se ouvindo? — ela fala de repente e volta a
andar. E não há argumentos que me defendam do monte de
baboseiras que acabei de dizer.
— Só pensa bem se quer mesmo dar esse passo com ele.
Ela ri, aquele sorriso debochado que raramente vejo em
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seu rosto, de quando está perdendo a paciência e está com dó


de acabar comigo.
— Ok.
— O que quer dizer esse ok? — pergunto enquanto corro
atrás dela, para quem não faz nenhum exercício a senhorita
Ross anda bem rápido. — Estamos bem, não estamos? Ei! —
Puxo sua mão e ela olha em meus olhos, não parece mais com
raiva.
— Se você me prometer que não vai interferir no...
— Não prometo! — interrompo porque sei o que ela vai
pedir e não vou mentir para ela. — Não prometo porque não
vou prometer a você algo que não vou cumprir. Não para
você. Prometo tentar. Está bom assim?
Seu sorriso lindo surge de novo e ela se aproxima e se
pendura em mim para depositar um beijo suave em meu rosto.
— Está bem melhor assim. Quer passar no BK para comer
algo?
— Vamos, estou faminto.
Finjo que não foi um completo e inútil desastre essa nossa
conversa, e me contento por hora com o fato de que pelo
menos ela não está mais chateada comigo.

Caitlin ficou a tarde toda em seu quarto, saindo raras


vezes para comer algo, ou beber algo. Embora tenha
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conversado comigo normalmente nos momentos em que


apareceu, senti falta de algo nela. Falta dos finais de semana
que passávamos no sofá, embolados embaixo de uma coberta
vendo filmes ou séries, e falando besteira. Rindo de nós
mesmos, relembrando nosso passado. Tardes essas, em que
ela era apenas uma menina, minha menina, e eu não tinha que
me preocupar com o que ela faria à noite, quando eu saísse
com alguma mulher para qualquer motel na cidade, tardes em
que as coisas pareciam tão mais simples do que agora!
Tomo um banho para minha luta da noite, não faz
diferença ganhar ou perder já que não vale nada, mas não
gosto de perder e somente por isso vou dar um jeito de
vencer, sem revelar meu real estilo de luta a um time de
adversários. Penduro minha bolsa surrada no ombro e
encontro Caitlin na cozinha quando estou saindo.
— Achei que o campeonato só começasse na semana que
vem — comenta quando me vê vestido para lutar.
— E começa. Mas tenho que lutar hoje porque estou
sendo punido por tê-la dado o lenço da Sorte na última luta.
— Oh! — Um olhar de culpa passa por seu rosto, mas
sorrio para ela e bagunço seu cabelo macio, o que a faz rir em
resposta. — Boa sorte, então.
— Por que você não vai comigo? Vem ser minha Sorte
essa noite. Prometo que não vou deixar mulher intrometida
nenhuma subir no ringue antes de você.
Ela sorri sem graça, mas não parece animada.
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— Sinto muito, mas prefiro não ir. Esse não é o meu


mundo, Colin. Não é um ambiente em que eu me sinta bem.
— Mas você gostou de torcer na última luta, você reparou
bem os pontos fracos do Stephen, foi tão ruim assim?
Ela nega com a cabeça e se afasta.
— Não foi, mas era só uma tentativa desesperada de ficar
mais tempo com você. Não é meu ambiente. Acho que não
precisamos ser o que não somos um pelo outro, não é?
— Acho que não — a forma como ela dispensa passar
essa noite comigo mexe comigo de uma maneira estranha.
Como se não fosse mais especial para ela estar comigo, como
se ela não se importasse. Sei que não está com raiva, nem
sendo cruel, é cruel apenas em mim o efeito que suas palavras
têm.
— Divirta-se, e por mais que você diga que não precisa,
boa sorte.
— Valeu.
Ela entra para seu quarto e vou para o clube com a
sensação incômoda de que algo ainda está faltando.

O clube está lotado, metade dos rostos aqui me são


desconhecidos, são lutadores e público do clube The Fierce,
os ferozes e sua plateia. Talvez até de outros clubes que
vieram para conhecer os movimentos de dois de seus

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adversários de uma só vez. Um prato cheio para os clubes que


vão participar do campeonato. Mal dá para andar aqui dento,
de tão cheio. Os vestiários estão cheios e esta noite, a plateia
ocupa além das cadeiras, estão em pé em volta do ringue,
gritando ansiosamente enquanto aguardam. O dinheiro rola
solto em apostas e ouço Luke dizer que estou na frente, mas
pela primeira vez desde que comecei a lutar, não me importo.
Me sinto estranho. Peço a Luke que não permita que eu tenha
uma Sorte, não quero nenhuma, enquanto ouço o locutor
saudar a plateia ensandecida.
— Senhoras e senhores, bem-vindos ao clube Luck. Que a
sorte esteja com todos vocês esta noite. Já fizeram suas
apostas? Pois aqui estão os lutadores da noite, campeões,
ferozes, prometem um espetáculo e tanto! Com vocês,
senhoras e senhores, Júlio Ramirez, representando o clube
The Fierce.
A plateia dele grita alucinada, realmente faz muito
barulho. Olho para meu lado da torcida, que eles façam ainda
mais barulho quando eu for chamado ao ringue.
— E do outro lado, dois metros de puros músculos, o
mestre da técnica representando o clube Luck, nosso pequeno
grande Colin Hanson! O exterminador!
A minha plateia faz ainda mais barulho do que a do
adversário, acredito que muitos dos gritos vêm das mulheres
de outros clubes que estão aqui.
— Que merda de apelido foi esse? — questiono Johnnys,
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o locutor, que apenas dá de ombros com um sorriso maroto.


— Eu criei, personagens ganham a simpatia da plateia.
Agora cale a boca e vença essa luta.
— Pode deixar.
Cumprimento meu adversário, ele é mais baixo do que eu,
porém, mais forte. Seu rosto cheio de cicatrizes mostra que
tem muita experiência. Essa briga vai ser boa. Divertida, até.
Mas, quando o locutor convida ao palco as Sortes, explicando
para os clubes visitantes a nossa tradição, eu a vejo.
Seu cabelo negro brilha entre a multidão, e seus grandes
olhos de gata vasculham o lugar até pousarem nos meus. Ela
sorri seu sorriso tímido e só consigo pensar em que merda ela
está fazendo aqui. Vejo uma mulher subir ao ringue e nego
quando o locutor pergunta pela minha Sorte. Olho novamente
e reparo que ela está de mãos dadas com Stephen, que
cumprimenta alguns lutadores do clube adversário. Seus olhos
não saem dos meus e sei que ela quer me pedir desculpas por
estar aqui com ele quando não quis vir comigo. Será que ele é
tão importante assim para ela, que ela quer ser o que não é, só
para estar perto dele?
O primeiro soco me atinge e me obriga a desviar o olhar
dela, vejo sua expressão de dor e a torcida em seu rosto.
Tento me concentrar no adversário, mas sou derrubado em
seguida, ele monta sobre mim e fico momentaneamente zonzo
com a quantidade de socos desferidos no meu corpo. Para
minha sorte, ele bate pouco na cara e mais em meu peito e
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braços. Uma boa maneira de impedir que eu tenha força para


revidar, e uma confirmação de que ele sabe que vai ganhar.
Consigo me levantar, mas, ao tentar atingi-lo, avisto
Stephen com os braços em volta da Caitlin, dizendo algo que
a faz desviar os olhos do ringue, dura apenas dois segundos e
ela volta o olhar para mim, diz algo que parece ser reaja,
Colin, mas não tenho certeza. Erro meu golpe e sou atingido
com força na orelha. Um zumbido em meu ouvido me impede
de ouvir os passos dele antes que ele me derrube de novo com
um chute na canela.
É aí que me ocorre que se eu vencer, e pegar nas mãos o
lenço da vitória, posso oferecê-lo a ela. Posso chamá-la para
subir ao ringe e ser a minha Sorte, e posso beijá-la. E isso
estragará a noite do imbecil do Stephen e tenho certeza que
vai matar qualquer desejo dele de desvirginá-la essa noite. Se
eu vencer, e a fizer subir ao ringue, garantirei mais um dia
com status de virgem para Caitlin.
Levanto-me depressa e consigo acertá-lo no peito, seguido
de um Mongolian chop[1], que o deixa zonzo. Sem demora, e
num estilo que não é o meu de lutar, se parece mais com o do
Stephen, de não dar tempo para o adversário pensar, o acerto
de novo e mais uma vez. Eu não luto assim e posso ver a
incompreensão nos rostos de Luke e Johnnys. No meu modo
de lutar, eu consigo prever os próximos golpes dos
adversários, eu consigo estudá-los e desvendá-los e não bato
muito para vencer uma luta, mas não essa noite. Como um
louco desenfreado vou desferindo golpe atrás de golpe, até
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que ele cai. Com o mesmo respeito que ele teve por mim, não
acerto mais seu rosto, já causei certo estrago e não preciso
mais disso para vencê-lo. Com um Facebuster[2], o impeço
de se mexer e sou anunciado o vencedor da luta.
A plateia grita, o locutor exalta minha virada triunfal. Eu
localizo o que estou buscando e aponto para ela quando o juiz
me entrega o lenço da vitória. Caitlin olha para mim de olhos
arregalados e dá um passo atrás, ao invés de vir em minha
direção. A chamo com o dedo, olho bem em seus olhos,
insisto que venha, mas ela não parece disposta. Então, não
tenho outra saída. Pego o microfone das mãos do Johnnys e a
chamo.
— Caitlin, você poder vir aqui por favor? É muito
importante que você fique com isso. — Estendo o lenço e
insisto com o olhar, sorrindo para ela, ela parece em dúvida e
Stephen fala nervoso ao pé de seu ouvido, é por causa dele
que ela não quer ser a minha Sorte. — Caitlin, por favor.
A plateia a encara e começa a gritar seu nome pedindo
que ela suba no ringue, ela tira sua mão das de Stephen com
um solavanco e com passos vacilantes, aproxima-se do
ringue. Eu a pego pelas mãos e a levanto o suficiente para que
ela possa segurar nas cordas e passar suas pernas por elas. A
levo para o centro do ringue ao som ensurdecedor da plateia.
Ela toca meu lábio com delicadeza.
— Vai ficar uma cicatriz feia aqui.
Sorrio.
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Ela limpa o sangue dos meus lábios com o lenço que


estendo para ela. A plateia continua gritando e só vejo seus
olhos castanhos tão claros pelo reflexo dos refletores de luz
neles, seu rosto corado por ser o centro das atenções e sua
falta de jeito em cima do ringue. Mas, ela sorri para mim.
Sorri porque por mais que não queira admitir, faz mais parte
do meu mundo do que imagina.
— Parabéns — diz com esse sorriso e seguro seu rosto o
mais delicadamente que consigo entre as mãos.
— Obrigado. Você sabe o que tenho que fazer, não sabe?
Ela assente e eu faço. Aproximo meus lábios dos dela e a
beijo.
Começo devagar, testando o corte em meu lábio, mas não
sinto qualquer dor, sinto apenas o calor de seus lábios e suas
mãos pequenas se apoiando nos meus braços. Então
aprofundo o beijo, pressiono com força meus lábios nos dela,
a puxo mais para perto de mim. Minhas mãos deixam seu
rosto para prendê-la a mim e puxar seu cabelo forçando sua
boca mais de encontro à minha, forçando-a a abri-la, então
invado sua boca quente com minha língua. Encontro a sua e a
domino, ela corresponde com sua doçura, e isso aumenta
ainda mais o desejo que tenho de beijá-la. Não é o bastante,
não parece suficiente. É a primeira vez que a beijo de língua e
me pergunto por que caralho não fiz isso antes, por que não
fiz isso todos os dias. O beijo dela é delicioso, é quente e
intenso. Sinto seus seios pressionados em meu peito, não
ouço mais o ruído ensurdecedor da plateia, mas consigo ouvir
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sua respiração acelerada. Não quero que isso acabe nunca,


mas preciso tirá-la daqui, levá-la para qualquer lugar em que
possamos ficar sozinhos e terminar isso da maneira perfeita
como um beijo desses merece ser terminado. Diminuo a
pressão em seus lábios, mesmo não querendo fazer isso.
Quero beijá-la de novo, quero tê-la mais perto. Mas, no
segundo em que meus lábios deixam os dela, ela se afasta.
Levanta o lenço que entreguei a ela e volto a ouvir a plateia
gritando. Aperta meus dedos com um sorriso leve e desce do
ringue. Ela praticamente corre assim que seus pés alcançam o
chão.
E vai em direção a ele.
Ela reage como reagiu a cada beijo que já dei nela,
quando não passava de brincadeira, quando não passava de
aula de como beijar. Não foi nada demais para ela, nada que
já não tenhamos feito antes. Então por que caralho parece que
acabei de dar o meu primeiro beijo? Por que ainda posso
senti-la em minha boca, nos meus braços? Seu cabelo negro
some na multidão e só consigo pensar em como é possível
que ela não esteja em chamas como estou neste momento.
Será que não foi para ela como foi para mim? Será que ela
não sentiu que esse beijo não foi nem de longe o suficiente?
Embora tenha sido de longe o beijo mais gostoso que já
experimentei na vida.
— O que é que eu vou fazer com você, Caitlin Ross?
Não consigo lembrar dela como a menina que sempre
enxerguei. Não consigo lembrar dela sem sentir seus lábios
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carnudos nos meus, sua língua envolta pela minha. A Caitlin


que eu sempre vi não existe mais.
Saber que minha melhor amiga é virgem, mudou
completamente o modo como a enxergo. Ela é uma mulher,
com o beijo mais gostoso do mundo! Eu não sei explicar, é
como se a vida toda eu estivesse enfeitiçado, e de repente ela
dissesse as palavras mágicas que quebram o feitiço: sou
virgem!
Eu estou fodido.

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CAPÍTULO SEIS
O leve incômodo em meu rosto não me deixa dormir.
Cheguei do clube, tomei um banho e caí na cama, não sem
antes conferir se ela estava no quarto, mas não estava. Ela está
demorando demais e temo que vê-la me beijando em cima do
ringue não tenha sido suficiente para inibir o desejo de
Stephen. Talvez eu o tenha atiçado ainda mais a fazer isso.
Mas então me lembro da sensação de seus lábios nos meus, da
maneira como ela se agarrou a mim, como se entregou, eu não
estou fantasiando isso. Não pode ter sido tão indiferente assim
para ela. E se ela sentiu alguma coisa diferente, por menor
que seja, então não se entregou a outro esta noite, sei que não.
O barulho da porta me alerta de sua chegada, mas não
quero ir lá para saber o veredito. Fecho os olhos numa falha
tentativa de dormir e deixo em minha mente que ela não deu
esse passo hoje. Não na noite em que demos nosso primeiro
beijo de verdade.
— Como você está gay, Colin — reclamo.
Ouço o barulho do chuveiro e fico imaginando sua pele de
porcelana molhada, seu cheiro misturado ao cheiro do
sabonete, como ela deve passar a esponja por seu corpo...
— Pare já com isso!
Me viro de lado na cama e tento pensar no meu adversário
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da noite. Mas isso me remete de volta à luta, ao ringue, a


minha vitória e aos lábios da Caitlin. Preciso trocar de
psicóloga porque a doutora casamenteira não está dando
conta.
O rangido da porta me alerta que ela está sendo aberta,
fico quieto, fingindo dormir, mas ouço sua voz baixinha,
quase como se estivesse com medo de falar comigo.
— Colin, está acordado?
Sento-me e acendo a luz do abajur. Não digo nada, apenas
a observo em um blusão imenso meu, que vai quase até seu
joelho e seu cabelo volumoso solto em volta de seus braços.
— Está tudo bem? Como está sua boca? — Ela cora ao
dizer a última palavra e sorrio.
— Estou bem. Não está tão feio assim, está?
Ela nega com a cabeça, mas eu a provoco.
— Chegue mais perto e veja se ainda estou beijável com
esse hematoma novo.
— Não seja idiota, Colin — diz sorrindo — eu não podia
dormir sem antes falar uma coisa com você.
Acho que ela vai falar sobre o beijo, vai me perguntar se
foi diferente para mim e vou dizer que sim, que foi nosso
primeiro beijo de verdade. Estou tão ansioso que ela diga isso,
que não sei como reagir ao real motivo de sua visita noturna.
— Eu quero pedir desculpas por ter ido com o Stephen ao
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clube. Quer dizer, eu não quis ir com você, disse que aquele
não era meu mundo e não é, eu não sabia que estávamos indo
para lá. Quando percebi, não soube como dizer a ele que eu o
esperaria do lado de fora, além do mais os caras estavam
falando de você e eu quis verificar se estava tudo bem.
Não digo nada e ela entra no quarto, suas mãos
entrelaçadas na frente de seu corpo, como uma garotinha
medrosa. Só que não se parece com uma garotinha. Será que
nunca mais a verei como a minha menina?
— Eu sinto muito.
— Ele é realmente tão mais importante para você do que
eu, Caitlin?
Seus olhos se arregalam e ela parece nervosa.
— O quê? Não, claro que não! Ninguém é mais
importante para mim do que você, e isso não vai mudar.
O alivio que sinto ao ouvir essas palavras deixam claro
que ela não fez nada demais com o imbecil essa noite.
— Fiquei feliz por vê-la lá, por poder dar minha vitória a
você.
— Você só fez isso para provocá-lo. Me colocou em uma
posição terrível.
— Nem tanto, você só tinha que pesar quem era mais
importante para você, acho que o fez sem problemas.
Ela não sabe como responder e desvia seu olhar do meu,
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mirando seus pés ao invés do meu rosto.


— Ele a beijou depois daquilo, Caitlin?
Ela se aproxima de mim e senta-se na beira da cama.
— Não fique olhando assim como estou andando, eu não
fiz nada demais. E sim, ele me beijou.
— Foi bom para você? O beijo dele, foi como nosso
beijo?
— Onde você quer chegar com isso?
— A lugar algum. Só quero saber se há diferença no beijo
dele e no meu.
— Sim. Se era só isso, boa noite.
Ela se levanta, mas sou rápido o bastante para segurar sua
mão, e fazê-la sentar-se de novo, seus olhos fixos nos meus.
— Qual beijo foi melhor? — Ela começa a protestar com
uma careta, mas a interrompo, falando ainda mais alto. — Eu
só quero saber se você se entregou a ele da maneira como se
entregou a mim.
Ela parece confusa, e magoada. E não quero mais brigar,
não sei porque levei a conversa para esse lado, eu não preciso
de uma resposta, se ela sentisse com um beijo dele metade do
que senti ao beijá-la, teria perdido a virgindade essa noite. Só
espero que ela ao menos pense nisso. Que compare nós dois.
— Desculpe, Caitlin, deixa isso para lá, não quis chateá-
la. Por que não deita aqui comigo um pouco?
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Ela demora um pouco a decidir, é nosso ritual sempre que


nos desentendemos. Quando ela precisa me pedir desculpa, o
que é uma coisa muito rara, ela sempre vem aqui à noite e
dormimos juntos. É algo inocente e acolhedor.
Até agora.
Ela tira a pantufa e deita na cama, por cima da coberta,
faço questão de manter a luz do abajur acesa porque quero vê-
la. Quero ver seu rosto e seus lábios. Ver a maneira como ela
me olha. Ela deita a cabeça sobre seu braço e me olha daquele
jeito doce, seu olhar se focando por um tempo maior no meu
lábio, ela sorri e diz:
— Você ainda está beijável. Se não estiver sentindo dor.
— Eu a beijei hoje, acha que estou sentindo dor?
Seu rosto cora e ela muda de assunto, falando sobre como
o clube estava cheio e como foi difícil passar pelas pessoas
para chegar ao ringue, e só quero perguntar se ela sentiu algo
diferente esta noite. Quero ouvir de sua boca que o beijo foi
pra valer. Mas não vou fazer isso, nunca precisei de qualquer
confirmação de que mexi com uma mulher antes, e justo ela,
minha melhor amiga, é a maldita mulher que me faz ficar
inseguro como um adolescente cheio de espinhas. Tudo culpa
de sua confissão embriagada. Por que ela tinha que ter me
revelado isso? Por que eu tenho que dar tanta importância a
isso? A cada vinte pensamentos que tenho, pelo menos dez
são sobre sua virgindade e a maneira com que poderia perdê-
la. Cinco, sobre como impedir que ela a perca com o imbecil
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Ryan. E os outros cinco, sobre o campeonato que está para se


iniciar e que vou perder feio se não estiver com a cabeça no
lugar.
— Está pensando na luta? — pergunta baixinho e me dou
conta de que a deixei falando sozinha.
Sorrio, e puxo seu cabelo tirando de trás da orelha,
deixando-o solto sobre seu rosto, ele descansa por sua boca e
o puxo novamente, alisando-o entre os dedos, sentindo a
maciez dos poucos fios, e o calor de seu hálito em meus dedos
enquanto ela reclama que eu pare de puxar seu cabelo.
Assinto respondendo sua pergunta, mas não continuo o
assunto, ela também não pergunta mais nada. Apenas me
observa, mas não consigo identificar nada na maneira como
me olha, é o mesmo olhar de todas as noites calmas. E não era
este o olhar que queria ver direcionado a mim essa noite.
É a primeira vez desde que nos conhecemos que ficamos
tão quietos estando acordados e tão perto. Sempre temos
sobre o que falar, sempre temos algo para provocar um ao
outro e de repente parece que não somos amigos. Somos
apenas um homem muito ciente de uma linda mulher ao seu
lado. E uma linda mulher que quer parecer alheia ao que está
à sua volta.
Resolvo pegar a ponta daqueles fios que deixei em seu
rosto para voltá-los para atrás de sua orelha, e percebo que as
pontas descansam sobre seu seio, minha blusa fica tão grande
nela, que a gola deixa revelar um pedaço grande de sua pele
branca e arredondada. Pego os fios e brinco com eles por ali,
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passeando-os pela pele descoberta de seus seios, onde queria


que meus dedos estivessem brincando. Ela não diz nada num
primeiro momento, mas de repente contorna a cruz tatuada
em meu ombro com a ponta do dedo. Ela sempre faz isso, fiz
essa tatuagem por ela, é algo nosso. Só que essa é a primeira
vez que realmente sinto seu toque. Coloco os fios de cabelo
de volta atrás de sua orelha e seguro seu pulso, tirando sua
mão pequena do meu ombro, a levo até os lábios e beijo de
leve cada um dos seus dedos. Sua pele é quente e o cheiro de
sua mão, do hidratante que ela usa é doce, como ela deve ser.
Qual será seu gosto?
Meu pau dá o primeiro sinal de vida e solto sua mão
abruptamente. Ela a deposita de volta embaixo do rosto, sua
testa franzida me avaliando.
— No que você está pensando? Nunca te vi tão quieto,
Colin. Acho que acabou de bater um recorde de silêncio.
Estou pensando no quanto deve ser doce seu gozo, minha
pequena.
— Você não ia gostar de saber — é tudo o que digo.
— Você lutou diferente hoje. Parecia com raiva, parecia o
Stephen.
Essa comparação geralmente me faria fazer uma careta e
reclamar, mas sorrio, ela está descoberta e na posição em que
está, suas pernas estão à mostra, de forma que posso ver suas
coxas. E a curva que seu quadril faz quando está assim, de

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lado, morrendo em sua cintura fina.


— Não vá se confundir e perder a virgindade comigo.
Ela ri alto e muda de posição, deitando-se de barriga para
cima, seu braço encostando em meu peito nu e suas coxas
grossas ainda mais à vista para mim. Meu pau dá outro sinal
claro de que está totalmente ciente dela, e embolo um pouco a
coberta sobre essa região para que ela não veja.
— Não acredito que ainda está pensando nisso. Acho que
você ficou impressionado, nunca tinha conhecido uma
virgem, não é?
Sinto que ela me perguntou algo, mas estou
momentaneamente perdido, perdido no volume de seus seios
na minha camisa, e no quanto posso ver deles agora que estão
apontados para cima.
— Eu deveria ter perdido logo a virgindade e então você
não teria que se preocupar tanto comigo como se eu fosse
uma criança que vai fazer besteira, e poderia se concentrar
mais no seu campeonato. Foi inteligente imitar o Stephen de
certa forma, ele ficou bem nervoso, acho que terá que
encontrar outra forma de lutar porque não quer ser como você
para os outros clubes. Ele disse algo assim.
Estou prestando atenção no seu sutiã vermelho e no
contraste que tem em sua pele branca e pensando se usa uma
calcinha combinando, como será o contraste de uma calcinha
vermelha em sua boceta branca? Merda! Meu pau está
totalmente duro e a coberta não é mais suficiente para
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escondê-lo, se ela olhar para baixo, vai notar que estou


excitado. Como posso esconder isso? Já que não posso
resolver como quero, dentro dela.
— Ele também disse que você é um bebê chorão, que
sempre te vence e o faz beijar seus pés e que você tem fama
de ser broxa no clube. — Olho seu rosto para ter certeza de
que não vai olhar para baixo e ela me encara atentamente, me
avaliando. — Mas tenho a impressão de que você não está
ouvindo nada do que estou dizendo, porque sua cabeça está
em outro lugar.
Ela ainda estava falando? O que foi que ela disse mesmo?
— No que é que você está pensando, Colin?
Sorrio.
— Em como resolver um problema.
— Que proble...
Pulo sobre ela de repente e mordo seu lábio inferior, bem
devagar, apertando com o máximo de delicadeza que consigo
para não feri-la. Não quero machucá-la, e este deve ser o
maior teste de autocontrole que já fiz na vida. Ela fica
totalmente imóvel, seus olhos arregalados sem saber como
agir. Solto seu lábio devagar e passeio minha língua por ele,
bem de leve, só para acariciar onde acabei de morder. Ela
fecha os olhos e tudo o que quero é sugar sua boca e entrar
dentro dela, mas deposito um beijo leve em seus lábios e me
afasto.

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Ela parece assustada e não é assim que vou fazer as coisas


em sua primeira vez.
— Foi a única maneira de calar sua boca, você fala
demais, Caitlin. Por que não dorme? Boa noite, baby.
Apago a luz do abajur e me viro de costas para ela, para
que não perceba minha ereção. Finjo dormir, mas a vejo se
virar desconfortável na cama, não sei se por estar tão excitada
quanto eu, ou por não estar mais à vontade em uma cama
comigo. A verdade é que as coisas entre a gente nunca mais
serão as mesmas. Só peço para que mudem para melhor e que
minhas bolas não fiquem roxas e traumatizadas depois de uma
ereção não saciada.
Quando acordo ela está dormindo encolhida o mais
próximo possível da parede. Alguém não queria encostar em
mim à noite. Puxo vagarosamente sua blusa, com medo de
acordá-la, apenas para tirar uma dúvida.
— Isso!
Vermelha. A calcinha dela é mesmo vermelha. Vou para
meu banho resolver a ereção matinal e salvar minhas bolas
enquanto penso nessa calcinha.

Caitlin falou comigo normalmente pela manhã, como se


nada tivesse acontecido. Levantou tarde como sempre faz
quando dormimos juntos, mas, como está de folga do
trabalho, toma vagarosamente seu café da manhã.

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— Sua boca está roxa — zomba.


E quase o meu pau fica também.
Sorrio e aceno para não responder e ela abre um enorme
sorriso.
— Tenho uma teoria. Sempre que digo algo e você dá
esse sorrisinho falso ao invés de responder, quer dizer que me
respondeu mentalmente.
Rio alto, essa garota realmente me conhece.
— Está certa, baby. E se eu não respondo em voz alta é
porque você é inocente demais para ouvir a resposta.
Ela pisca seus olhos grandes de gata e engole em seco.
— Não acredito que você se sentiria à vontade para falar
comigo como fala com suas acompanhantes diárias.
Me sentiria à vontade até mesmo para fazer com você
tudo o que faço com elas.
— Tem razão. Falarei com você como falo com uma
garotinha virgem.
— Você não conhece nenhuma outra virgem, se
conhecesse, saberia reagir a isso. Você lida tão bem com a
minha virgindade como eu lido com sua personalidade
devassa.
— Eu sou devasso? — pergunto provocando-a,
aproximando-me dela que se encolhe na cadeira. Mas logo
levanta a cabeça e me responde. É difícil intimidá-la.
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— Você sabe a conta de com quantas mulheres já


transou?
— Provavelmente não. Mas se soubesse não diria isso a
uma garota virgem, posso traumatizar você.
— Acho que não — diz levantando-se e indo até a pia
para lavar sua xícara. — Se você precisa de outra mulher para
te satisfazer quer dizer que a anterior não o fez. E amanhã vai
precisar de outra porque a atual não vai fazer, e assim vai
seguir sua vida em busca de algo que não encontrará em
nenhuma delas.
— Está parecendo a doutora casamenteira falando, você
devia trocar seu curso na faculdade. Sua teoria é que vou
sossegar quando encontrar a púbis certa?
Ela atira o pano de prato em mim. Caitlin tem
dificuldades em falar palavrão. Embora sua mãe fale mais
palavrões do que palavras comuns, ela é o total oposto, e até
mesmo boceta, uma coisa tão natural que ela tem, não
consegue dizer, sempre se referindo a isso com a palavra
púbis. Aliás, qualquer palavrão que ela queira xingar o
substitui por púbis. Sempre achei engraçadinho, mas agora
que sei que ela é virgem, percebo que é pura inocência.
— Não. Estou dizendo que vai sossegar quando pegar
uma DST e seu pau cair.
— Uau! Caitlin do mal ativada.
Ela sai rindo e fico me perguntando se não a incomoda

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falar tão abertamente sobre o número de mulheres com quem


transei, será que isso não a irrita nem um pouco?

— O Stephen está bem puto com você, cara. Acha que fez
aquilo na última luta para provocá-lo, como chamar a garota
dele para ser sua Sorte — Luke faz uma careta ao dizer
“garota dele”.
— Ela não é propriedade dele. E eu não fiz nada de
propósito. Estava desconcentrado e perdendo a luta, me
concentrei e tive que virar o jogo em pouco tempo, não dava
para ser técnico, precisei ser mortal. Se ele se sente ameaçado
por isso a culpa não é minha.
— Você arrasou ontem e ele não sabe como engolir isso,
essa é a verdade. Eu queria esclarecer uma coisa com você,
sobre a Caitlin, e aquele beijo de língua. Aquilo não foi um
beijo entre irmãos. Que merda você está fazendo?
Solto o supino e encaro meu grande amigo, malhando ao
meu lado na academia do meu prédio. De jeito nenhum posso
dizer a ele que quero ser o primeiro da garota com quem ele
sempre sonhou.
— O quanto você gosta dela, Luke? Falando sério, é um
desejo porque ela é linda, é uma vontade de ficar com ela, é
seu coração ou seu pau que está tão apaixonado por ela?
Espero seu riso fácil e uma provocação, mas ele fica sério,
claramente ofendido com a pergunta. Luke não é de sair com

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muitas mulheres, mas sai com algumas, o que quer dizer que
o que sente pela Caitlin não é tão profundo quanto ele pensa
que é.
— Eu sou apaixonado por ela desde a primeira vez que a
vi e você sabe bem disso. Não penso nela com a cabeça de
baixo mais do que penso com a de cima. E nem vou começar
a pensar no porque está me perguntando isso depois de fazer o
que fez, porque certas coisas, cara, não tem amizade que
perdoe.
Ele se levanta e pega sua bolsa, abandonando o treino e
indo embora.
— É, se tudo der errado com você, Caitlin, vou perder
meus dois melhores amigos — constato para mim mesmo.
Luke esbarra nela quando está saindo e a cumprimenta,
lançando-me um último olhar mortal antes de bater a porta.
Caitlin aproxima-se desconfiada e aponta para a porta que
milagrosamente não estilhaçou vidro para todos os lados.
— Está tudo bem entre vocês?
Assinto e mudo logo de assunto. Não gosto de mentir para
ela e não poderia dizer o porquê de termos nos estranhado.
— Resolveu fazer exercícios, senhora virgem?
Ela faz uma careta tão engraçada que começo a rir, a
tensão do momento com Luke se esvaindo um pouco.
— Este é o meu novo rótulo? Quer dizer que você não

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enxerga mais minha inteligência, beleza e bom senso? Agora


só vê minha virgindade?
— Nada disso, vejo coisas até demais em você.
— Tipo o quê?
Merda! Nunca precisei segurar a língua com ela antes.
— Tipo o quanto você fica gostosa com as minhas
camisetas.
Ela pisca atônita e gagueja, então corrijo antes que fique
um clima errado entre a gente.
— Uma menina gostosa. Isso não tira sua carinha de
garotinha.
Ela sorri sem graça, desviando seus olhos dos meus.
Parece que este será um novo costume agora, falar sem olhar
para mim.
— Eu poderia dizer que estava com saudade desses seus
apelidos, se gostasse deles.
— Como assim? Por que sentiria saudade de coisas que
digo todos os dias e que sei que no fundo você adora.
— Na verdade você não me chama por esses apelidos há
dias. Babygirl, preciosa, garotinha. Daqui a pouco vai dizer
que sou uma mulher e aí vou poder atualizar meu status no
face: finalmente uma mulher.
Eu não a estava chamando pelos apelidos? Do que a
estava chamando? Droga! Isso está saindo de controle.
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— Caitlin, — chamo quando ela anda em direção a um


aparelho distante do que estou — por que quis fazer isso
agora? Por que com ele?
Ela olha para os lados para se certificar que estamos
sozinhos e dá de ombros.
— Porque ele é legal. Porque é lindo, sexy, forte...
Seu olhar parece perdido e ela cora levemente ao falar
dele. E tenho vontade de sacudi-la até que ela se dê conta da
asneira que está falando. Quer se entregar a um cara só
porque ele é forte? Acaso não sou forte o suficiente para ela?
Vou em sua direção como um predador e a vejo dar um
passo vacilante para trás. Tiro minha camisa e me aproximo.
— Por que ele? Não me acha bonito? Não sou sexy?
Ela gagueja e tenta se afastar, mas seguro seus ombros, da
maneira mais leve que consigo para não forçá-la a ficar ali,
apenas incentivá-la.
— Você é lindo Colin, e é sexy, sabe disso. Quer me
soltar agora?
— Então o que é? Não sou forte o bastante para você?
Acha que não sentiria tesão por mim, Caitlin?
Pego sua mão e a pressiono em meu peito, estou suado
dos exercícios e isso facilita para que sua mão deslize por
meu abdome e barriga. Ela toca cada gomo, mesmo depois
que deixo sua mão livre, continua sua inspeção por meu

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corpo, seus olhos vidrados em cada ponto que seus dedos


tocam e posso ouvi-la arfar.
— Acha que não sou melhor do que ele? — pergunto
baixinho e aproximo minha boca da sua.
Não acredito que a primeira vez dela será na academia do
prédio, mas não importa o lugar, importa que seja comigo.
Mal toco meus lábios nos seus ela se afasta em um pulo, sua
respiração acelerada e seu rosto totalmente tingido de
vermelho. Dá um sorriso nervoso, mas controlado, e diz:
— Pode até ser, mas eu não vou perder a minha
virgindade com você.
— Nem com ele. Porque isso não faria sentido se tem
tudo o que vê nele bem aqui. Não é mesmo, Caitlin Ross?
— Vou fingir que você não insinuou que eu deveria
transar com você e manter a nossa amizade. Acho que não
preciso de mais exercícios. Bom treino, Colin.
Ela sai quase fugida e sinto que fiz uma merda enorme.
Decido ir treinar no clube, usar minha raiva para algo
realmente útil.

O treino no clube rende muito melhor. Hoje não quis lutar


com ninguém, fiquei no meu canto com o saco de pancada e
consegui distrair a mente de qualquer coisa que não seja o
campeonato. Os caras estão combinando de sair à noite para
mostrar a cidade a alguns lutadores de outros clubes, mas não
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tenho ânimo para ficar de conversinha fiada hoje, quero


dormir cedo, acordar cedo e me concentrar no campeonato.
Duas mulheres sentam bem perto de onde estou, isolado
do resto do pessoal e conversam alto demais, rindo e
gesticulando exageradamente. Se queriam minha atenção, elas
conseguiram. Uma delas é loira e tem os seios turbinados
desde o mês passado, eu tinha ouvido falar, mas ainda não a
tinha reencontrado. Será que ela já inaugurou os seios novos?
Sorrio para cumprimentar Amber e avalio sua amiga. A ruiva
magrinha e pequena também tem um belo par de seios, mas
pelo formato sei que não foram feitos numa clínica. Acho que
já a vi aqui antes, embora não a conheça. E posso contar nos
dedos quantas mulheres que frequentam o clube eu não
conheço intimamente.
Treino por mais meia hora, mais para me exibir para elas
do que para treinar. Thor bate em meu ombro avisando que
irá fechar o clube mais cedo esta noite, então avalia as
meninas me dando mole no banco mais próximo.
— Achei que seu lance fosse sua amiguinha virgem.
— Até você está sabendo disso? — questiono com uma
careta.
— Você sabe que uma virgem por essas bandas é como
um bilhete premiado.
— Caitlin não pertence a esse mundo.
— Não pertencia, você quer dizer. — Ele olha novamente

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as meninas dos pés à cabeça e diz, seu rosto sério, mas sua
voz num tom mais leve. — Mantenha o foco, filho. Distrações
você encontra em toda esquina, mas você tem que saber
priorizar o que realmente importa.
— Não se preocupe, estou focado no campeonato, nada
vai me distrair disso.
— Eu não estava falando do campeonato. — Ele vira as
costas e se afasta e não entendo do que então ele estava
falando.
Tomo um banho rápido no vestiário e dou de cara com as
meninas me esperando ali dentro. Elas fingem surpresa ao me
verem sair do banheiro e aproveito para vestir a roupa na
frente delas. Quase posso ouvi-las salivar.
— Achei que o banheiro feminino fosse do outro lado,
meninas. Estão perdidas?
— De jeito nenhum. Acabamos de encontrar o que
procurávamos — diz Amber aproximando-se e me beijando.
Pego minha mochila e passo um braço em volta de cada
uma delas. Acho que preciso mesmo relaxar hoje, relaxar e
tirar certa calcinha vermelha da cabeça. Seduzir a Caitlin não
está me ajudando, na verdade tem feito o efeito contrário,
afastando-a de mim.
Passo com as garotas pelos caras reunidos bebendo
cerveja e rindo alto. Procuro Luke para resolver de uma vez
por todas essa história da Caitlin antes que perca meu amigo,

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mas ele não está na turma. Ao me aproximar para perguntar


por ele, escuto um nome que me faz parar imediatamente para
ouvir a conversa: Caitlin.
— E a briga agora é pessoal, vamos ver se o Hanson vai
perder para o Ryan fora dos ringues também.
— Do que caralho vocês estão falando? — Interrompo e
Bryan, o palhaço que disse o nome da minha menina se
levanta na defensiva. As mãos estendidas como que me
pedindo calma.
— Relaxa, Hanson. Só estava comentando sobre as novas
apostas. Você sabe, a rixa entre você e o Ryan, dos ringues
para a vida real.
Patrick então se levanta e me explica, fala tão
pausadamente que acredito que teme que eu vá ficar irritado e
descontar nele.
— É o que estão dizendo, Colin, não fomos nós que
começamos.
— O que estão dizendo?
— Que a briga entre você e o Stephen agora é pessoal.
Agora é pela virgindade da sua amiguinha engraçada.
— É isso o que estão dizendo?
Ouço um riso debochado atrás de mim e me seguro para
não socar a cara do imbecil Ryan, se for ele quem está
espalhando essas coisas sobre a Caitlin eu juro que acabo com

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ele, mesmo que seja expulso do campeonato.


— Neste caso, nosso querido Hanson perdeu antes mesmo
de lutar, Caitlin está comigo, não com ele. E não quero vocês
falando dela.
Ele está me pedindo um dente a menos na boca ou quem
sabe uma nova tatuagem em volta dos olhos. Dou um passo
em sua direção, mas Luke entra na minha frente, me
impedindo.
— Não caia nessa, cara. O campeonato, você não quer
arranjar briga aqui dentro.
— Vocês, — aponto para o bando de idiotas sentados com
suas cervejas achando que têm o direito de falar o nome dela
— vocês não têm qualquer moral para falar sequer o nome
dela, Caitlin é uma garota incrível, inteligente, doce e
divertida, como alguns de vocês viram naquela noite! Se ela é
virgem ou deixa de ser, isso não é da porra da conta de
nenhum de vocês! E o próximo que eu pegar falando sobre ela
de novo, vai ficar sem as merdas dos dentes. Não pensem que
o campeonato vai me parar porque sei exatamente onde cada
um de vocês mora, e vocês sabem do que sou capaz de fazer.
Nunca pensei que usaria o que fiz à minha madrasta como
uma ameaça. Mas deixo para refletir sobre isso depois.
— E você, — aponto para o idiota que acha que vai ser o
primeiro dela, mas não presta nem mesmo para defendê-la —
devia ter vergonha de não ser o homem que ela acha que você
é, de ficar se gabando por aí por algo que ainda nem
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conseguiu fazer e ao invés de se vangloriar por estar com ela,


deveria ensinar pra esses bostas que ela não é como as
mulheres vagabundas que eles estão acostumados, e que não
deveriam nem mesmo falar o nome dela.
— Você não tem que me ensinar como defender a minha
garota, Hanson. Eu não sou você.
— Com certeza não, porque se estivesse comigo ela
jamais seria o assunto da rodinha de bebida deles.
— Mas ela não está.
— Merda, Colin, vamos embora. Você só está
confirmando para eles essa merda de rivalidade pessoal, deixa
isso pra lá — Luke intervém quase me arrastando.
Nem preciso olhar para saber que as meninas da noite
foram embora. Se não foram quando me viram defender outra
mulher, o fizeram quando usei a palavra vagabunda. Palavra
essa, que repudio ser usada para se referir a qualquer mulher,
só o fiz para deixar claro para esses brutamontes idiotas a
diferença entre elas e a Caitlin.

Luke fica calado o caminho todo até meu apartamento,


mas quando vira o carro na minha rua, abre a boca, como eu
sabia que ele faria.
— Não vá cair nas armadilhas do Stephen à essa altura,
cara. Você sabe que ele só quer tirar você do páreo.

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Concordo com a cabeça.


— Estão mesmo falando isso? Que estamos brigando pela
virgindade dela?
— Eu não tinha escutado nada sobre isso ou teria
quebrado algumas caras. Você sabe, eu não preciso me
preocupar em ser desclassificado de nada.
— Precisa se preocupar em perder o emprego.
— Tanto faz. Manutenção não é algo que vou fazer por
muito tempo, além do que, o Dustin está me descolando um
desses lances de modelo dele.
Sorrio.
— Vai se exibir feito mulherzinha que nem o babaca do
Dustin?
— Ele nada na grana com esse trabalho de mulherzinha. E
pense pelo lado de que a minha cara linda nunca terá um
hematoma, como a sua. Sinceramente, me pergunto como
você será quando se aposentar das lutas. Onde estarão seus
olhos e nariz e quantos dentes ainda vai ter na boca.
— Cara, eu ainda vou ser mais bonito do que você —
afirmo.
— Seu gay.
Rimos e me dou conta de que preciso mesmo esclarecer as
coisas, principalmente porque não quero magoar mais
ninguém com essa minha obsessão maluca.
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— Você sabe que não há nada entre ela e eu.


Ele para o carro em frente ao meu prédio e mexe em algo
no celular. Está desviando o assunto porque não quer encará-
lo.
— Você acha que estou mentindo. Mas não estou —
garanto.
— Então está me dizendo que não está travando essa
guerra contra o Stephen fora do clube porque sente algo pela
Caitlin? Porque cara, é o que está parecendo.
— Eu jamais faria isso com você e independente disso,
ela é minha irmã. Estou apenas tentando protegê-la. Há uma
diferença enorme entre não permitir que ela durma com ele e
querer que ela durma comigo.
— Então, você, Colin Hanson, está dando sua palavra de
que não está interessado na Caitlin? Não sente nada diferente
por ela?
— Não, eu não sinto. A minha melhor amiga não vai
perder a virgindade com meu pior inimigo. Stephen pode me
vencer nos ringues, mas não vai vencer essa. Vou fazer o que
for preciso para impedir que ela cometa esse erro, e isso pode
parecer sentimental às vezes, mas é apenas isso. Estou
fazendo meu papel de amigo, nada mais.
Ele concorda com a cabeça e saio do carro mais leve por
termos esclarecido isso. Agora só falta enfiar tudo o que disse
na minha cabeça para que seja verdade. Ainda bem que não é

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tarde demais.
No elevador me dou conta de duas coisas:
Uma – preciso fazer com que a Caitlin veja quem é o
verdadeiro Stephen Ryan e se afaste dele, mas não posso
seduzi-la no percurso. Por mais que o Luke não a ame de
verdade, ele ainda não percebeu isso, e não quero ser o
canalha que mente para o grande amigo.
Duas – merda! Eu consigo seduzir a Caitlin. Agora que
percebo a reação dela mais cedo, na academia, a maneira
como me tocou e ficou nervosa. Eu posso fazer com que ela
me deseje e se eu conseguir seduzi-la ao ponto de fazê-la
desejar apenas a mim, então ela não dará passo nenhum com
o Stephen.

O dia mal nasceu e já estou dentro de um ônibus. Desço


em frente ao prédio que odeio realmente ter que entrar e me
dirijo à recepcionista bonitinha que apesar de achar que sou
doido, me dá o maior mole. Ela entra no consultório e volta
pouco depois, dizendo que posso entrar.
Encontro a doutora Katy com seus óculos de idosa na
metade do nariz e uma expressão amedrontada.
— O que houve, Colin? Por que está aqui?
Ela acha que fiz alguma coisa errada. E eu fiz.
— Não temos sessão hoje, você se confundiu?

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— Não. Eu preciso de ajuda.


— O que aconteceu?
— Eu acabei de mentir para o meu melhor amigo. E fiz
isso para poder seduzir e desvirginar minha melhor amiga.
Preciso que a senhora me interne.

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CAPÍTULO SETE
— Então, você pode olhar bem dentro de você e dizer
com absoluta certeza que não sente nada especial pela
Caitlin? — A doutora me pergunta pela décima vez.
— Eu não sinto. A amo como a uma irmã, só estou
confuso porque demorei a perceber que ela não é mais uma
menina, acho que fiquei em choque ao me dar conta da linda
mulher que ela é. Acredite doutora, eu não sou apto a esse
tipo de sentimento. Só estou agindo como ajo sempre que
vejo uma mulher bonita. Quero levá-la para a cama.
Ela se levanta e serve-se de uma dose de whisky, mas não
a divide comigo, nem mesmo diante do meu olhar de súplica
por um pouco de álcool.
— Você não é uma má pessoa, Colin. Pincipalmente
quando se trata da Caitlin. Estou me perguntando se em
nenhum momento você parou para pensar no que estará
causando a ela. Você não pensou que suas atitudes podem ter
consequências?
Do que ela está falando? Filhos? Porque eu sei usar
camisinha.
— Não estou dizendo que estou agindo de maneira
correta, por isso quero que a senhora me interne, que me
afaste dela de algum jeito. Mas se eu não precisasse seduzi-la,
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se ela apenas me escolhesse para ser o seu primeiro então eu o


faria, sem qualquer culpa, porque eu sei que faria dessa a
melhor experiência da vida dela. Não querendo me gabar.
— Ah, não se preocupe, seus dotes no sexo não me
impressionam.
Ela se senta pesadamente e fecha o caderninho.
Estranhamente, hoje não anotou quase nada e tenho certeza de
que rabiscou o pouco que anotou. Sua expressão parece
cansada, mesmo sendo seu primeiro horário na manhã.
Duas batidas leves na porta a fazem voltar a si, e a linda
recepcionista entra dizendo que seu primeiro paciente já
chegou.
— Preciso que você vá, Colin. Só quero que pense em
uma coisa, e não vou dizer isso como sua psicóloga, mas
como uma mulher mais velha que sabe bem do que está
falando.
Sinto que lá vem um belo tapa na cara, e estou mais do
que disposto a recebê-lo.
— Se ela te pedisse para tirar sua virgindade e você
aceitasse, como acha que seria para ela depois? Não quero
que pense na melhor experiência da vida dela, mas no depois
dessa experiência. Você acha que ela voltaria a ser a sua
melhor amiga no dia seguinte e aceitaria te ver com outra
mulher na mesma noite? Acha que ela não iria esperar que
você a visse com outros olhos e que não precisasse mais de
uma outra mulher?
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O papinho da Caitlin de que vou seguir com mulheres


diferentes porque não encontro a certa me vem à mente, mas
sei que se tem uma coisa que ela não é, é iludida. Ela é a
pessoa mais pé no chão que conheço.
— Acho que eu poderia deixar isso claro para ela antes de
darmos qualquer passo, não a estaria enganando.
— Sério? Você acha que ela guardou a virgindade até
conhecer alguém especial por quê? Para transar com ele e ser
solteira na manhã seguinte sem se preocupar se ele está
comendo outra enquanto ela lava os lençóis da cama? Não se
engane, nem mesmo você pode ser tão paspalho. Ela está se
guardando para aquele cara que vai ficar com ela, se ela
quisesse um devasso, já teria se entregado a você há muito
tempo, você não acha?
— Está dizendo que se eu transar com ela, ela vai esperar
um buquê de flores na manhã seguinte?
— Ah não, de jeito nenhum! — Quase respiro aliviado,
mas ela termina de enfiar a faca. — Ela deve saber que você
não é do tipo que manda flores, mas com certeza esperará um
compromisso. Você estará pronto caso ela queira isso?
Não. Não estarei. Eu não sou desses caras, nunca serei.
Fui moldado para acreditar em outras coisas.
— Se você nem sabe a resposta, ponha a cabeça no lugar,
guarde seu pênis dentro da calça e não vá fazer nada que vá te
tirar a única família que você tem. O que você mais me diz
aqui é que não saberia viver sem ela, acha mesmo que uma
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noite de sexo vale em troca de perdê-la?


— Não, não vale. A senhora está coberta de razão. Eu não
vou fazer isso. Não vou nem tentar seduzir a Caitlin.
— Não estou levando muita fé nisso. — Ela se levanta e
vai em direção a porta, um convite educado para que eu me
retire. — Ela ainda estará lá quando você voltar, a mesma
mulher doce e linda, com o mesmo corpo com que você tem
sonhado e o mesmo inimigo pendurado no braço.
Levanto-me e a sigo.
— Eu não vou. A senhora pode apostar comigo se quiser.
— Isso vai ser divertido, vou querer de você uma hora
inteira como seu diário humano, e você não vai poder me
esconder nada.
— Não conte com isso. Mas prepare-se para me dar
aquela garrafa doze anos que por nada no mundo você toca.
— Aponto a garrafa e ela faz uma careta, mas logo seu rosto
se suaviza e ela me estende a mão fechando um acordo.
— Meu doze anos, seu olho grande! Ainda bem que não
há a menor chance de você ganhar.
Nós veremos, doutora casamenteira. Nós veremos.

Caitlin, para variar, está com a cara quase enfiada na tela


do notebook, com seus óculos de professorinha e seu
charmoso nó no cabelo. Passo por ela e o desfaço com um
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tapa, o que sempre a irrita. Ela apenas resmunga algo e não


tira os olhos da tela. Eu só preciso olhar para ela e ver a
minha melhor amiga de novo. Mesmo que não seja a
menininha que conheci, que seja minha linda e adulta amiga,
mas apenas amiga. Intocável. Inalcançável. Totalmente
proibida para mim.
Ela para um momento e tenta identificar o que tem em
meu copo, ao fazê-lo, levanta-se e o toma da minha mão,
terminando de beber meu suco.
— Acabou de estudar?
— Não. Só preciso comer algo porque não poderei fazer a
prova se estiver morta.
Ela mexe na geladeira e pega os ingredientes para um
sanduiche. Sem que eu diga nada começa a montar dois, sei
que um deles é para mim.
— Cait, preciso de pedir uma coisa, vai parecer estranho,
mas é para o seu bem.
Ela me olha desconfiada e levanta o pão do meu
sanduiche.
— Estou fazendo sua comida, não me irrite, Colin.
— Não tem a ver com seu cabaço.
— Que horror! Saudade do tempo em que você fingia que
tinha algo de decente e não falava comigo desse jeito.
— Não está, não. Você estava louca para me conhecer de
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verdade. Sem segredos, lembra?


— Diga logo o que você quer antes que eu te entregue seu
lanche porque aí não terei mais nada para usar contra você.
Sento-me de frente para ela e observo bem seus olhos de
amêndoa.
— Quero pedir que você não volte mais ao clube.
Ela me observa em silêncio e senta-se, deixando os
sanduiches de lado.
— Por que isso agora?
— Porque você é o que tenho de mais precioso. E está
saindo com meu maior inimigo. Andam comentando muito
sobre isso no clube, e não quero que nada disso chegue até
você e te machuque.
Ela abre aquele sorriso doce e sinto vontade de beijá-la, só
um pouco, só para matar esse sorriso com minha boca. Pega
minha mão sobre a mesa e a acaricia, do jeitinho carinhoso
dela.
— Obrigada, Colin, por sempre me proteger. Você é o
melhor amigo que eu poderia ter. Eu imaginei que esse tipo
de coisa estivesse acontecendo, principalmente depois que
revelei ser virgem para metade daqueles caras. Isso não me
atinge. Eu não me importaria de prometer isso a você, mas
não posso. Estou com o Stephen, lá é quase o segundo lar
dele, não posso prometer que não pisarei mais lá, entende?

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Tiro minha mão grande de sua pequenina e seguro suas


duas entre as minhas.
— Então quero te pedir outra coisa, sinta-se à vontade
para dizer não. Se você vai voltar ao clube, então eu quero
que seja minha Sorte durante o campeonato.
Ela arqueia as sobrancelhas com uma expressão
desconfiada que me faz rir.
— Você não está fazendo isso só para ficar me beijando e
provocando o Stephen cada vez que vencer, não é?
— Juro que não! Eu nem a beijo se você não se sentir
confortável com isso. Só quero você ao meu lado, já que vai
fazer parte desse mundo de qualquer jeito, quero me certificar
que continue sendo team Colin, e quero que me dê sorte no
caminho.
— Tudo bem. Eu vou ser a sua Sorte. Mas mesmo que eu
não fosse, ainda assim estaria torcendo por você, e por mais
ninguém.
— Você é uma mulher linda, Caitlin. Linda, inteligente e
divertida. Todos aqueles caras já sacaram isso, esse é meu
jeito de proteger você deles. Porque o imbecil não vai fazer
isso. Ele não é bom com essas coisas de proteção.
Ela parece atônita e não faço ideia do que falei de errado.
Depois de um tempo me olhando como se eu fosse um ET ela
volta a si e se afasta de mim, pegando os sanduiches. Me
estende um e volta para a frente do seu notebook, não me diz

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nada, mas sei que alguma coisa que eu falei atingiu algo nela.
Só não consigo imaginar o quê.

Ela sai do banho cantarolando e vai direto para seu quarto.


Com certeza vai sair com ele. Ok, vamos ser claros aqui, uma
coisa é que eu tenha aceitado que não posso ser o primeiro
dela, mas outra muito diferente é aceitar que ele seja. Isso não
vai acontecer. Ele sequer a defende de boatos maldosos, não
serve para cuidar dela. E se ele for um Colin na vida dela? Se
fizer com ela o que já fiz tantas vezes, inclusive com a irmã
dele? Transar com ela e sumir na semana seguinte, para
depois ela vê-lo com outra, e isso vai acabar com ela. Não
posso permitir que ela corra esse risco.
É para o bem dela, não tem a ver com ele ser meu maior
oponente, mas com ele ser o Stephen, o cara que fica se
gabando por ter sido escolhido para tirar a virgindade dela.
Caitlin merece mais do que isso.
— Colin, você pode me ajudar? — ela grita do quarto e
vou depressa ver o que aconteceu.
Eu não estava psicologicamente e menos ainda
fisicamente preparado para o que encontro ao abrir a porta.
Ela está apenas de calcinha e sutiã. Desvio meu olhar o mais
rápido que posso, não sem antes dar uma bela conferida na
lingerie vinho, que ficou perfeita em sua pele. Esse sutiã
abraçou os seios dela tão bem! Merda!
— O que você acha? — pergunta animada.
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— Do quê? — Ainda olho para o chão me esforçando ao


máximo para não olhar para ela. Não sei se conseguirei me
segurar se olhar para ela seminua de novo.
— Da lingerie, Colin. Eu sou nova nessas coisas. Não
quero que ele me veja como uma menina, Mackenzie me
ajudou a escolher esta, o que você acha? Ficou boa em mim?
— Ficou ótima!
Mais perfeita só se me deixar tirá-la com a boca.
— Eu preciso que você me olhe para saber se está ou não
sexy, como pode saber isso olhando para o chão?
Acredite, decorei para sempre essa lingerie em você.
Olho para ela incrédulo com sua atitude. Ela sorri
docemente e dá uma voltinha, passa a mão pela lateral do
corpo quando para e me olha em expectativa. Ela não
precisava ter dado essa voltinha, eu não precisava da imagem
de sua bunda na cabeça, meu pau está totalmente alerta e
preciso sair desse quarto agora mesmo.
— Então? Está sexy o suficiente...
— Muito! Você está deliciosa. Eu poderia... — vou em
sua direção e ela não se afasta, seus olhos fixos nos meus.
Não é possível que ela confie tanto que eu não vou agarrá-
la agora mesmo e rasgar essa maldita lingerie vinho com os
dentes.
— Você poderia... — ela ainda me provoca.
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— A inocência é uma arma muito perigosa, Caitlin.


— O quê?
A puxo de uma vez de encontro ao meu corpo tempo o
suficiente para sentir o calor de sua pele, a maciez de sua
cintura e o volume dos seus seios pressionando minha blusa.
Então a solto ainda mais rápido, antes que ela sinta a minha
ereção pressionando a barriga dela e nunca mais me chame
para aprovar suas lingeries novas porque pareço um
adolescente incapaz de me controlar perto dela. Saio correndo
do quarto direto para o banheiro. Tranco a porta e ligo o som
bem alto.
— Que ela não tenha comprado mais de uma lingerie,
meu Deus!

Quando saio do banheiro ela está sentada na sala, usa um


vestido curto, mas decente, mas só consigo ver suas curvas
angelicais quando olho para ele. Por que tinha que ser tão
colado ao seu corpo?
— Ei, tudo bem? — pergunta receosa aproximando-se de
mim. — Me desculpe por aquela coisa no quarto. Eu não
queria te colocar em uma situação ruim.
Não foi ruim, princesa. Foi boa até demais.
— O que você queria, Caitlin? Saber se um homem pode
vê-la em roupas íntimas e não ficar excitado?

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Ela cora violentamente e gagueja. Quando volta a olhar


para mim, tem aquele olhar doce de quem está tentando me
entender.
— Eu queria confirmar algo que você me disse mais cedo.
Você disse que sou uma mulher linda, inteligente e divertida.
— Porque você é.
— Você não percebeu? Você se referiu a mim com a
palavra mulher ao invés de menina. Achei que pudesse ter
sido sem querer, por isso quis tirar a prova se você realmente
me enxerga como uma mulher.
O quanto será que estou fodido?
— A minha ereção foi resposta suficiente para você? —
pergunto quase como um rosando.
— Eu não percebi... eu não vi... — ela fica desconcertada,
mas logo se recompõe. — A sua reação foi. Você sair
correndo, então, foi hilário — diz dando ênfase à palavra
reação ao invés de ereção.
Mas já que ela não está assustada por saber que me deixou
duro, não vai ficar assustada se souber de mais coisas que faz
comigo, não é?
— Pois é, eu a vejo como uma mulher e a mais linda
delas. Graças a você agora tenho consciência do quanto seus
seios são grandes e sua bunda é perfeitamente moldada. Eu
quase posso imaginá-la nua. Parece que você cresceu de uma
hora para outra.
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— Eu acho que você andou com os olhos fechados tempo


demais — diz bem baixinho, mas sou capaz de escutar
perfeitamente o que disse.
Sem graça, ela praticamente abraça a si mesma, como
uma menina, e não entendo o que quis dizer. Mas não tenho
tempo de perguntar, o som da campainha a faz pegar a bolsa
em um salto, então ela sorri para mim e toca meu rosto
gentilmente antes de sair.
— Até mais tarde, Colin.
Stephen quase deixa escorrer sua baba ao reparar cada
centímetro do corpo dela, e não acredito que vou ficar para
sempre com a imagem de um anjo moreno seminu, enquanto
esse idiota o terá por essa noite.
Parece que tem algo errado no mundo, algo com certeza
está muito errado nesse apartamento.

O vento frio perto do lago me faz pensar onde será que o


idiota levou a Caitlin. Não a vi pegar um casaco, se estiverem
perto de água, ela deve estar com frio. Será que ele vai se dar
conta que deve dar seu casaco a ela? Claro que vai! Ela não
estaria tão na dele se ele não fosse um perfeito cavalheiro,
pelo menos na frente dela.
Lembrar a linda lingerie que ela está usando me faz sentir
raiva. Do que adiantou meu autocontrole e a comprovação de
que a vejo como uma mulher, uma deliciosa mulher, se no

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final da noite tudo aquilo foi para ele? Por que será que de
certa forma ele sempre me vence? Não que eu ache que ela
vai dar esse passo com ele esta noite, ela não estava nervosa e
nem mesmo ansiosa antes de sair com ele, e ela estaria se
estivesse pretendendo perder a virgindade, não estaria?
“Colin, meu querido, você vai perceber que minha filha
cresceu quando for tarde demais! ”
As palavras que Lorna disse uma vez me voltam à mente.
Acho que ela me jogou uma praga.

Paro no meio da Bow Bridge[3] e observo o calmo The


Lake, deixando que o frio trazido pelo lago me acalme um
pouco. Nessas noites raras, em que parece que algo no mundo
não está certo para mim, costumo receber a visita de
fantasmas.
Começo a pensar no campeonato, no meu treinamento, em
como seria justo se eu finalmente derrotasse o imbecil e o
fizesse no campeonato. Penso em muita coisa ao mesmo
tempo na tentativa desesperada de afastar os fantasmas.
Apesar do meu passado, e do que fiz, eu não sou um cara
desses que culpa as tragédias e má sorte da vida por seus
erros. Não acho que tenho uma vida ruim, sei que ela deveria
ser bem diferente se as coisas tivessem seguido seu curso
natural, mas não posso reclamar de como vivo e do que tenho.
Por isso odeio esses dias em que permito que esses
fantasmas tragam esse passado de volta. De repente, não estou
mais no Central Park, estou em Madison, posso ver meu pai
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sentado na sala lendo um jornal, enquanto no andar de cima,


Hannah Thompson, sua nova esposa jovem e linda está
desviando todo o dinheiro deixado pela mamãe para uma
conta própria.
Como em um flash a vejo entrando pela primeira vez na
minha vida, a nova amiga da mamãe, a garota que meu pai
chama de louca, que ele diz que está induzindo mamãe a agir
como uma adolescente sem juízo. Lembro como mamãe se
sentiu tão mais jovem ao começar a sair com ela! As
lembranças boas são poucas, logo me lembro da polícia na
porta da minha casa, de segurar a mão da Caitlin e arrastá-la
comigo para dentro, eu já sabia o que ia ver. De alguma
forma, eu sabia.
Disseram que foi um assalto, Hannah estava lá e viu tudo,
mas ela não estava ferida, enquanto minha mãe, estava morta.
A casa não foi arrombada. Eu sempre soube que essa maldita
havia aberto a porta para os ladrões, mas ninguém nunca
acreditou em mim. Menos de um ano depois da morte da
mamãe, Hannah se mudou para minha casa, a nova esposa do
meu pai. Alguma coisa nela nunca me convenceu, era como
se eu olhasse a linda mulher loira e sorridente que todos viam
e enxergasse a morte, com sua face assustadora prestes a
destruir meu lar.
Seguro firme as lágrimas que insistem em rolar ao pensar
no destino do meu pai, no que eu não fui capaz de fazer para
ajudá-lo. E então eu vejo o fogo, a casa toda queimando, eu
não sabia que ela estava lá dentro quando o iniciei. Eu tinha
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certeza que ela havia saído, eu a tinha visto, junto com a


Caitlin, quando entrou no carro de seu amante e saiu. Caitlin
me pediu para não fazer aquilo, mas se era pelo dinheiro que
meu pai estava pagando tão caro, eu queria dar um fim a ele.
Eu planejei tudo tão meticulosamente, mesmo para uma
mente de um garoto de quinze anos, eu sabia exatamente o
que estava fazendo até que ouvi seu grito. A maldita morte
estava lá dentro.
Quase me tornei um assassino. Mas fui tratado por todos a
partir daquele momento, como um.

Já nem sei que horas são quando volto para a casa.


Mantenho a cabeça baixa ao perceber que Caitlin está ali,
verifico se Stephen está com ela, mas como ela usa apenas um
blusão meu, sei que ele não está. Ela diz algo sorridente e
espera uma reposta, mas eu não consigo ouvi-la. Não até que
a compreensão tome seu rosto e ela corre até mim. Segura
meu rosto em suas mãos pequenas, seus olhos já cheios de
água por mim. Posso ler em seus lábios que ela me pede para
escutá-la. E eu escuto.
— Ei, onde você estava? Essa casa é um tédio sem você.
Tento me focar em seus olhos grandes de gata e em seu
sorriso doce.
— Se isso pode te animar pelo menos um pouco, eu não
perdi minha virgindade hoje.

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— É, isso me anima um pouco — consigo responder e ela


sorri em meio as lágrimas.
— Nem estou surpresa. Vem aqui, deite-se aqui comigo.
Deixo que ela me leve até o sofá e caio pesadamente ao
seu lado. Logo, meu rosto está em seus braços e a puxo para
meu colo.
— Esta é uma daquelas noites em que os malditos
fantasmas estão enchendo você? — pergunta docemente
enquanto acaricia meu cabelo, como se eu fosse um garotinho
assustado com medo de assombração. E curiosamente, este
sou eu.
Assinto apertando-a ainda mais junto a mim.
— Sabe o que me animaria? — consigo falar lutando para
segurar as lágrimas.
— O quê? Faço qualquer coisa que você pedir.
— Se você disser um palavrão.
Sinto seu sorriso aliviado.
— Ok, eu posso tentar por você, mas não se acostume.
Ela respira fundo, acho que procurando algo que possa
falar, então solta:
— Púbis! Desculpe, estou nervosa. Merda! Merda é um
palavrão. Eu disse merda.
Sorrio e deixo que a porteira se abra, ela se prende a mim
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chorando comigo.
— Não foi culpa sua, Colin. Você não fez nada demais,
era só um menino fazendo justiça, a culpa não foi sua.
— O- obr- obriga... — tento agradecer, mas nada sai em
meio às lagrimas que me tomam.
— Eu sei quem você é de verdade, eu conheço a pessoa
maravilhosa que você realmente é. E eu sempre vou estar aqui
com você, sempre. Eu amo você, Colin, você nunca vai estar
sozinho.
Suas palavras me confortam, e deixo que ela divida
comigo essa dor para que passe mais rápido. Acabamos
dormindo embolados no sofá, acabados como sempre ficamos
quando esses malditos fantasmas aparecem e dão uma
tremenda surra em nós dois.

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CAPÍTULO OITO
O cheiro de bacon me desperta aos poucos e o barulho do
meu estômago me diz que estou faminto. Avisto Caitlin
rebolando pela cozinha com fones no ouvido enquanto
cozinha algo que definitivamente está dando errado, pelo mais
novo cheiro que toma o apartamento: queimado.
Desligo a frigideira com o bacon e ela faz uma careta
engraçada ao ver que queimou.
— Justo os bacons?
— Eu já te disse, Cait, queime a cozinha se for preciso,
mas nunca queime o bacon — repreendo-a.
— Eu só queria deixar daquele jeito torrado nas bordas e
macio no meio, como você faz. — Ela faz um biquinho
tentador e desvio meu olhar de sua boca para salvar nosso
almoço, ou jantar, não sei que horas são se ela está em casa.
— Não foi trabalhar hoje?
— Fui e voltei. Eu tinha hora na casa e o movimento
estava fraco, então o Adam me liberou. Aí resolvi fazer nosso
almoço já que você parecia que não ia acordar nunca.
— Não deu muito certo — brinco jogando o bacon
queimado na lixeira.
— Querido, a cozinha é toda sua!
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Ela tira o chapéu de chef que havia colocado e o avental e


dá a volta na bancada sentando-se de frente para mim. Pega
uns picles e fica me observando de um jeito estranho
enquanto mastiga.
— Algum problema, Cait? — pergunto enquanto preparo
algo decente que possamos comer. Em defesa dela, o bolo de
carne está realmente bom.
— Não. Você está bem hoje, certo? Sem fantasmas.
— Sem fantasmas.
— Hum.... Você sabe que é meu melhor amigo, não sabe
Colin?
Assinto e analiso sua expressão amedrontada, como se
tivesse aprontado algo. Estico a mão para pegar o molho e
esbarro na mão dela, algo como um choque corre por toda
extensão da minha mão, e ela sente o mesmo, pois sorri e leva
o dedo à boca.
— Você sabe que eu faria qualquer coisa para acalmar
você, não é? Você também faria por mim. Nessas horas a
gente fala o que é preciso para que o outro fique bem —
continua tentando explicar algo que ainda não faço ideia do
que seja.
— O que está havendo, Caitlin?
— Nada. Só queria deixar isso bem claro.
— Ok. Mas não me lembro de alguma vez em que tenha

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me ajudado com algo e tenha dito uma mentira para me


acalmar — tento me lembrar de suas palavras na noite
anterior, mas ela disse o que diz sempre, o que sei que é
verdade porque a conheço bem. — A não ser que seja mentira
aquele papo de estar sempre aqui por mim.
— Um dia vou me cansar de você — ela brinca e tiro um
picles de sua mão, comendo-o todo de uma vez.
— O que foi? — Paro de cozinhar e a encaro, querendo
saber logo do que ela está falando.
— O que foi o quê?
— Que mentira disse ontem para me ver bem? Não me
lembro de nada.
— Porque eu não disse nenhuma. Você não se lembra
exatamente do que eu falei ontem, não é? — Ao ver meu
esforço para recordar, parece se desesperar. — Não precisa
ficar tentando se lembrar. Vamos terminar logo com isso, não
comi na lanchonete e estou para desmaiar de fome.
Ela se levanta e passa atrás de mim para pegar os pratos,
eu me viro na mesma hora e batemos de frente. A seguro
antes que ela se desequilibre e ela ri. Não é como se nunca
tivéssemos nos encostado antes, ou nos esbarrado nessa
cozinha tão pequena, mas há algo diferente. Cada vez que a
toco, levo um pequeno choque, mas não é algo que me
incomoda, é algo curioso. Enquanto ela monta a mesa, finjo
que vou ajudá-la e esbarro novamente nela, só para tirar a
prova. E ali está, o mesmo choque, não importa em que parte
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de seu corpo eu encoste.


Me sinto meio bobo e até mesmo infantil, mas passo todo
nosso almoço encontrando desculpas para tocá-la. E não
entendo como algo tão bobo pode parecer de repente tão
gostoso!

— Você lava as vasilhas, enquanto eu assisto séries — ela


diz escapando da tarefa.
— Não é justo, eu fiz a comida.
— Eu fiz a comida! Você só fez o bacon, e incrementou o
que já estava pronto, não conta. Além do mais, eu trabalhei
hoje enquanto você, bebê chorão, estava desmaiado no sofá. E
olha que servi mesas com um braço só porque sua cabeça
grande deixou dormente meu outro braço pela manhã toda.
Tenho crédito.
— Engraçadinha.
— Você me ama, chorão.
Ela me lança um beijo no ar e entra para seu quarto e só
quando processo suas palavras é que me dou conta do que ela
estava falando com aquele papo estranho de mentir para me
fazer sentir melhor. Ela disse uma coisa que não costuma
dizer quando estamos juntos, aliás, ela nunca me disse algo do
tipo. Ela disse que me ama.

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Passamos uma tarde deliciosa e agradável, tranquila como


eu me lembrava, embolados na cama dela, assistindo séries
bobas. Achei que sentia falta de ter a vida como era antes, em
que podíamos nos embolar como se fôssemos um ser só, e
isso não era nada demais. Mas dessa vez, foi algo demais, e
foi melhor do que eu poderia ter imaginado. Cada toque sem
perceber dela, cada risada alta demais, cada vez que ela se
apertava a mim por medo, tudo o que ela sempre fez quando
assistíamos algo juntos, mas dessa vez, eu vi tudo, senti tudo,
desejei tudo. Eu nunca estive com uma mulher assim, de
deitar em uma cama para trocar uma ideia e assistir algo.
Cama e mulher comigo sempre termina em sexo. E com a
Caitlin sempre era um lance fraternal. Agora sei como é ter
uma linda mulher ao seu lado numa cama, e ficar pensando
em mil maneiras de comê-la naquele momento, mas não fazer
realmente isso porque esse climinha bobo de fazer coisas
inocentes até que é bom.
Eu deveria ligar para a doutora casamenteira e dizer que
sou mais forte do que ela imaginava e que pode ir se
despedindo de seu doze anos, se eu não tentei nem mesmo
beijá-la após tantos toques em uma cama, sou totalmente
capaz de resistir a ela.
Me sinto um garoto bobo, orgulhoso de si mesmo, mas
isso dura poucos minutos, pois, ainda estou largado na cama
da Caitlin enquanto ela se arruma no banheiro, e seu celular
está no meu pé quando vibra e acende. É uma mensagem do
Stephen:

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“Princesa, infelizmente não poderei buscá-la, vc


poderia chamar um táxi e me encontrar na porta do
Craft? Eu pago o táxi lá. Talvez poderíamos pegar um
cineminha depois, o que acha? ”

O que eu acho? Que ele está tentando comprá-la, pagando


seu táxi e levando-a a um restaurante caro. Poderia levá-la a
um mais caro então, não está fazendo seu esforço máximo por
ela. Tudo bem, talvez ele só esteja sendo cavalheiro, mas não
acho certo que depois da noite de ontem, onde ela foi mais
uma vez meu porto seguro, e da tarde tão deliciosa que
passamos juntos, ela vá terminar a noite jantando e assistindo
um filminho com esse babaca.
O que estou dizendo? Não cabe a mim decidir. Solto seu
celular e me levanto para sair do quarto, mas algo me faz
voltar atrás e pegá-lo de novo. Stephen imbecil Ryan está
esperando uma resposta, qual poderia ser ela?
Ouço um barulho vindo do banheiro seguido de um
gritinho da Caitlin, largo o celular e corro.
— Cait, está tudo bem aí? Você caiu no banheiro de
novo?
Ela põe apenas a cabeça para fora do banheiro com uma
careta de dor.
— Minha bunda com certeza está roxa.
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— Posso examiná-la para você. Nem te cobraria a


consulta — provoco.
— Obrigada, doutor. Mas eu não brinco mais dessas
coisas com você — diz batendo a porta.
— Que pena! Justo quando você estava começando a ficar
divertida!
Ouço sua risada gostosa e não posso permitir que todo
meu trabalho para deixá-la de tão bom humor vá servir para
benefício de outro. Pego novamente seu celular e penso no
que poderia responder. Mas a porta do seu quarto se abre de
repente e ela aparece, enrolada em uma toalha, mas com uma
maquiagem leve no rosto. Está linda!
— O que está fazendo com meu celular, Colin?
Não há acusação na sua voz, apenas um leve medo.
— Ia levar para você, seu amiguinho te mandou
mensagem.
Me dói mais do que poderia prever entregar o celular a
ela. Ela sorri como uma garotinha ao ler a mensagem e digita
rapidamente uma resposta. Joga o celular na cama e pega uma
calça que seu sei que vai ficar colada demais nela, uma blusa
de manga e volta para o banheiro. Nada de se trocar na minha
frente hoje. Não quero mais essa Caitlin recatada, gosto
daquela que fica me testando para saber se a enxergo como
mulher.
— Ei, pode trocar de roupa aqui, acho que estou em
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dúvida se você é mesmo uma mulher feita ou apenas uma


menina.
Ela ri alto e grita antes de bater a porta do banheiro:
— Que pena, querido, mas não é você que quero
impressionar essa noite.
O caralho que ela vai impressionar outro essa noite.
Pego seu celular e vejo sua mensagem em resposta:

“Parece perfeito, te vejo lá. ”

Então rapidamente digito outra resposta:

“Querido, infelizmente não poderei ir. O Colin não


está bem e não posso deixá-lo sozinho. Não venha aqui
hoje, não quero que ele fique ainda pior. Podemos nos ver
amanhã? ”

Não consigo imaginar como ela o chama, se tem algum


apelido, então resolvo colocar querido, algo que qualquer
pessoa poderia chamar por qualquer pessoa.

“Sempre ele. Mas o que posso fazer? Vou sentir sua

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falta, princesa. Nos vemos amanhã e qualquer coisa me


liga. Boa noite. ”

Apago rapidamente as duas últimas mensagens e deixo o


celular dela sobre a cama.
Ela se despede de mim e sai contente após chamar um
táxi, e reviro minha carteira em busca de dinheiro. Se ele pode
levá-la a um lugar legal, eu também posso. Tenho mais do
que suficiente para pagar um belo jantar no Craft para ela e
levá-la ao cinema que fica quase ao lado. Espero por meia
hora para dar tempo de ela perceber que levou um bolo. Rezo
para que ele tenha sido previsível esta noite, e após ser
dispensado por ela, tenha ido treinar de forma que não vai ver
o celular caso ela ligue.
Então decido tentar a sorte e pego minha moto, que voltou
do conserto, para ir buscá-la. Levo um capacete reserva
porque me sinto esperançoso essa noite.
E lá está ela. Sentada sozinha no Craft, remexendo os
dedos das mãos nervosa. Penso em entrar, mas seria muito
óbvio, será melhor se ela me vir na rua. Que se foda! Vai ser
muito óbvio de qualquer jeito! Me preparo para entrar quando
ela chama o garçom e se levanta. Dou meia volta e fico na
sombra. A vejo sair do restaurante, olhar de um lado ao outro
e pegar o celular. Antes que ela possa ligar para ele, esbarro
nela, fingindo surpresa ao vê-la.
— Colin, o que faz aqui?
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— Caitlin? Que coincidência! — Será que estou


exagerando demais? — Eu estava indo ao cinema.
— Legal! E que filme ia ver?
— Eu... hum... aquele que... — Merda! Eu deveria ter
planejado isso direito. — O que você está fazendo aqui?
Achei que estaria com o imbecil.
— É, eu também. Mas ele não apareceu e não atende o
telefone. Não sei o que houve.
— Deve ter tido algum problema para não ter aparecido,
— ela levanta a sobrancelha estranhando que eu o defenda e
corrijo — ou você deveria aceitar que ele é mesmo um idiota.
Ela olha de novo para dentro do restaurante e para os dois
lados da rua, ainda procurando por ele e parece bem chateada.
— Você comeu algo? Quer entrar e comer? — pergunto.
— Acho que esse restaurante é demais para nosso bolso,
podíamos ir comer um hot dog.
Demais para o nosso bolso? Eu não posso pagar por algo,
mas ele pode? Cruzo os braços e a encaro irritado e ela sorri,
tentando conter seus cabelos que voam com o vento para o
seu rosto.
— Não quis dizer que você não possa pagar, sei que
ganha dinheiro com essa coisa de luta, só que eu prefiro
comer algo menos formal.
Tiro minha touca e coloco sobre sua cabeça, contendo seu
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cabelo esvoaçante e ela sorri em agradecimento.


— Mesmo porque, acho que se eu entrar aí de novo, o
garçom vai me expulsar — brinca e sinto uma pontada de
culpa por tê-la feito fazer papel de boba diante dos garçons.
Foi por uma boa causa. Digo a mim mesmo e decido
salvar sua noite para compensar.
— Bom, já que estamos aqui que tal uma noite divertida?
Uma que com certeza você não teria com aquele imbecil.
— Sempre tão humilde, Colin Hanson. O que quer fazer?
Ir ver o tal filme que você nem sabe o nome?
— Não. Podíamos comer algo e fazer algo diferente
depois, o que acha?
— Acho que tenho medo do que você pode considerar
diferente. Mas tudo bem, sou toda sua! — Ela arregala os
olhos ao perceber meu olhar malicioso por sua promessa e
tenta corrigir. — Quero dizer, sua companhia, para coisas
diferentes, em que estejamos vestidos, você entendeu!
— Apenas Caitlin sendo Caitlin.
— Cale a boca e me surpreenda.
— Tudo bem, baby. Mas lembre-se que foi você que
pediu.
Pego a moto e rio de sua careta por ter que andar nela, ela
não gosta muito, mas sempre cede. Vamos bem perto, ao
Central Park e comemos o tal hot dog que ela queria. E o
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tempo passa tão rápido enquanto comemos e falamos sobre a


vida e planos impossíveis para o futuro, que quando me dou
conta já é quase meia-noite e ainda estamos ali, no banco do
Pak, rindo como dois bobos e fazendo planos idiotas. Seu
telefone toca, mas ela o ignora, o que me dá um sabor de
vitória delicioso. Tiramos fotos como turistas pela noite, as
melhores selfies das nossas vidas. É tão fácil falar com ela,
estar com ela, é diferente estando aqui, fora de casa, fora da
minha zona de conforto, dando um passo que não sei ao certo
em que direção. Conhecendo-a como a conheceria se nunca
fôssemos amigos, se fôssemos apenas um jovem casal em seu
primeiro encontro. E pela primeira vez entendo a graça de
realmente sair com uma pessoa sem que seja para um motel
ou uma cama em qualquer que seja o lugar. Sinto como é
diferente conhecer alguém através de seus planos malucos e
perguntas intimas demais e ao mesmo tempo nada maliciosas.
Se os casais pudessem manter essa magia do primeiro
encontro em todos os outros encontros, então nenhum
casamento chegaria ao fim.
Em um rápido momento, acho que efeito de tantos hot
dogs e milhares de flashes na minha cara, me pergunto como
seria namorá-la, caso ela quisesse mesmo aquele
compromisso sério que a doutora casamenteira disse após
uma noite nossa. Será que seria assim? Que eu teria essa
Caitlin divertida e leve, que fala alto demais e ri mais alto
ainda e me olha como se não existisse nada além de nós no
mundo? Mas logo volto a mim e tiro essa ideia da cabeça, não
vou procurar subterfúgios para fazer algo que prometi não
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fazer. Não vou para a cama com ela e ponto final!


Quando ela boceja pela primeira vez, ainda não estou
preparado para encerrar nossa noite e tenho uma ideia absurda
que sei que vai fazê-la enlouquecer antes de aceitar que é uma
boa ideia. Subimos na moto e a levo devagar até o local
planejado. Assim que descemos da moto, vejo seus olhos se
arregalarem quando vê os barcos à remo.
— O que viemos fazer aqui, exatamente?
— Eu tenho um amigo, que trabalha aqui nos alugueis de
barcos.
— E que com certeza não está aqui agora.
— Você não me deixou terminar, querida. Ele faz guarda
noturna, então tenho certeza — aceno para Chase que
responde o aceno e volta sua atenção para seu celular — que
não vai se importar de pegarmos um barco.
Ela dá um passo atrás enquanto entro na água.
— Primeiro moto e agora isso? Já entendi, você é desses
“vida louca” e tal, muito legal da sua parte, mas eu sou só
uma menina medrosa e você está extrapolando meu limite de
risco para uma noite.
— Já passa da meia-noite, tecnicamente é manhã agora.
Então você pode encontrar mais um pouco da sua coragem e
vir comigo. Prometo que faço valer a pena.
Ela parece em dúvida, mas como eu sabia que faria, acaba

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sorrindo e me seguindo para dentro do barco. O primeiro


contato com a água gelada a faz gritar, mas sobe no barco
comigo rindo como uma menina fazendo arte. Eu remo longe
o bastante para estarmos quase no meio do lago e deito no
barco, a cabeça apoiada no banco onde ela está sentada,
observo as estrelas e a lua. Logo, ela faz o mesmo. Ficamos
um tempo em silêncio absorvendo a beleza do céu acima de
nós. Mas cometo o erro de olhar para o lado, por um segundo
apenas, mas é o bastante para vislumbrar a beleza de seu rosto
com o reflexo da luz da lua, e como seus olhos brilham
olhando as estrelas.
— Se estivéssemos em um encontro, este seria o momento
perfeito para que eu a beijasse — lanço como quem não quer
nada.
— Jura que você esperaria tanto tempo para me beijar?
Nota-se que você não é um cara de encontros.
Sorrio.
— Acho que é você que tem saído com os caras errados.
Veja bem, a essa altura você já estaria alimentada e cansada,
então não haveria qualquer tentativa de impedimento. Além
do que, você teria passado toda a noite desde quando nos
encontramos pensando em que momento eu daria esse passo,
e estaria tão ansiosa por isso, que qualquer leve toque meu,
seria algo muito mais intenso, quase uma preliminar.
Ela ri alto da maneira como acabei com algo que quase
soou romântico.
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— Mas quando eu a beijasse, Caitlin, você saberia que


nunca mais precisaria sair com outros caras.
Ela me olha de um jeito que não sei identificar, mas há
algo em seus olhos, algo quase palpável, e eu queria ter mais
experiência com essa coisa de sentimentos para poder
identificar isso e não permitir que ela esconda antes mesmo
de expressar. Como não tenho a menor noção do que fazer,
logo ela desvia seu olhar com um sorriso fraco, e quando
volta a falar comigo, aquele sentimento se perdeu.

— Você pode admitir que jamais teria se divertido assim


se o imbecil Ryan tivesse aparecido — provoco enquanto a
ajudo a descer do barco.
— Tudo bem, você venceu essa. Com ele o lance é
sempre restaurante, cinema e clube de luta. Não me
queixando, mas para um primeiro encontro você se saiu muito
bem.
Sinto meu ego inflado e aquela coisa de que alcancei meu
objetivo quando ela assassina cruelmente minha pequena
vitória com uma frase.
— Seja assim quando encontrar uma mulher especial e a
terá para sempre.
— O quê? Mas que merda! — sussurro para suas costas
sentindo-me extremamente derrubado.

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Quase preciso carregá-la para o nosso andar quando


chegamos ao prédio. Mas, quando entramos no elevador, ela
se recosta no espelho com seus olhos pequenos de sono e não
resisto, a pego no colo fazendo-a gritar e rir, mas se
aconchega a mim e embora já a tenha carregado muito, não o
fiz depois que ela foi embora de Wisconsin e nos
reencontramos aqui. Definitivamente, ela cresceu.
— Diga que foi o melhor encontro da sua vida — sussurro
em seu ouvido e ela abre um sorriso doce, mas nega com a
cabeça.
— Não admitiria isso em voz alta jamais, senhor ego.
— Vamos, você sabe que eu mereço. Nunca a vi sorrir
tanto.
— O que posso fazer? Sou uma garota feliz.
— Eu a fiz feliz essa noite.
E poderia fazer em muitas outras.
— Não vou admitir nada — diz rindo.
— Vamos, diga ou jogo você no chão e a deixo no
elevador assim que ele parar.
— Se fizer isso vou dormir e ficar subindo e descendo
nele o resto da madrugada.
Descemos do elevador e paro diante da porta, sei que
quando entrarmos voltaremos a ser apenas os melhores
amigos com uma tensão sexual no ar. Do que estou falando?
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Durante toda a noite fomos apenas melhores amigos com uma


tensão sexual no ar, se tivéssemos deixado de ser amigos por
um segundo que fosse nessa noite, eu a teria beijado sem
pensar duas vezes.
A desço dos meus braços, mas a seguro bem perto de
mim. Ela sorri em agradecimento e impeço que tente abrir a
porta, seguro seu rosto focado no meu e tento de novo:
— Preciso que diga agora, antes que a noite tenha seu
final previsível.
— Que final previsível?
Solto seu rosto, mas ela não desvia seu olhar curioso do
meu. Acho que neste momento, antes mesmo de entrarmos no
apartamento, vou quebrar todo o encanto dessa noite tão boa.
Olho seu rosto cansado e lindo, eu poderia apenas beijá-la e
levá-la para a cama, algo em mim sabe que ela não resistiria
se eu o fizesse, não depois da noite de hoje e desse clima
gostoso que está entre a gente agora. Mas, não vou ser aquele
que tem uma noite tão perfeita para despedaçá-la na manhã
seguinte quando ela descobrir o que fiz. Não gosto de mentir
para ela, não tenho esse costume e não vou começar agora.
— Aquele em que você chega em casa e descobre que eu
fiz de novo. Desmarquei seu encontro com o Stephen usando
seu celular só para poder passar esse tempo com você.
Ela se afasta e vejo a confusão e a decepção passarem por
seus olhos.

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— Colin, por que você fez isso? Eu só quero entender, se


você queria ficar comigo, bastava ter me dito. Sabe que eu
cancelaria qualquer coisa por você, por que agir assim?
— Eu não sei.
Ela entra no apartamento e segue em direção ao seu
quarto, mas a seguro pela mão, preciso explicar alguma coisa,
qualquer coisa, só preciso que essa noite não acabe com esse
olhar de decepção em seus olhos.
— Se eu tivesse pedido para que cancelasse com ele e
ficasse comigo, seria assim, Caitlin? Você iria comigo para
um quase encontro e teríamos passado tantas horas realmente
juntos? Porque quando estamos aqui e somos os melhores
amigos não é assim. Nós nunca nos ligamos assim. Só me diz
que seria a mesma coisa e vou deixar que fique com a raiva
que for de mim, mas porra! Olha para mim e diz!
— Isso não justifica...
— Isso justifica! Eu estava certo, ele não é o cara certo
para você, se seu melhor encontro foi com seu melhor amigo,
então toda essa merda se justifica. Eu posso não saber mostrar
meu ponto da maneira mais correta ou justa, mas eu mostrei.
Você está procurando amor no lugar errado.
Seus olhos se enchem e espero por sua resposta, ou que
ela surte, mas ao invés disso, ela parece prestes a chorar. Fica
olhando para mim sem dizer nada, mas seus olhos quase
transbordam de tantas emoções confusas.

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— Cait, se tivéssemos ficado aqui como em todas as


outras noites, seria a mesma coisa?
Ela nega com a cabeça.
— Então você não está com raiva pelo que fiz, está?
— Não, Colin.
Ela me entendeu, finalmente entendeu. Se eu soubesse
que para fazê-la desistir dessa ideia precisaria apenas mostrar
a ela o que é um encontro de verdade e como é estar com
alguém certo para ela, o teria feito há muito tempo. Seguro
seu rosto pequeno em minhas mãos e aproximo minha boca
da sua. Não vou tentar ir para a cama com ela, só quero
provar um ponto, provar mais um.
Ela dá um passo vacilante para trás, não se afastando
totalmente de mim, apenas impedindo o beijo, e pergunta, a
boca ainda muito próxima a minha, me dando a chance de
terminar o que comecei:
— Você quer mesmo transformar nossa amizade em algo
estranho e incerto?
Olho seus olhos marejados e sua boca tão perto da minha.
Quase posso sentir seu sabor, a maciez de seus lábios
carnudos, eu quero tanto beijá-la..., mas ela está certa. E de
alguma forma isso parece mais difícil do que dormir ao seu
lado e não saciar minha ereção dentro dela. Eu tiro minha
mão de seu rosto, e deixo que ela entre para o seu quarto e
feche a porta.

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BÔNUS CAITLIN
Há dois dias parece que estou desligada do mundo, mais
desligada do que o meu normal. Não presto atenção no que
me dizem, não durmo direito, e a fome... essa eu sinto em
triplo. Acho que estou em um estado constante de ansiedade e
confusão que só melhora quando como.
Há dois dias não falo direito com o Colin, sinto falta de
falar com ele, mas não sei o que dizer. O que poderia dizer?
Ei, Colin, poxa eu sempre amei você e agora que você
parece ter me enxergado queria saber se vamos mesmo ficar
juntos.
Talvez eu pudesse tentar algo mais incerto, como tudo na
vida dele.
Ei, Colin, já que você não quer que eu dê esse passo com
ele, o que acha de fazer isso comigo? Afinal de contas, eu
tenho guardado esse momento para você a vida toda.
Não existe uma saída que me permita não sair machucada
disso. Esse risco por si só não me impediria de aproveitar
cada novo toque e o jeito como ele tem me olhado, é algo
inacreditável para mim. Mas, o fato de que eu o perderia
depois é o que me impede. Porque para ele será mais uma
transa e para mim, uma recaída.

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Violenta.
Sem volta.
E depois eu teria que me rebaixar a vê-lo com outras e
fingir que não me importo como tenho feito desde sempre,
mas aí eu teria lembranças, eu teria sensações com ele e tudo
se tornaria mil vezes pior.
— Eu não posso fazer isso — admito para mim mesma.
O conheço a vida toda e sei que isso é um desejo, ele
normalmente tem o que quer de qualquer mulher e comigo
não agiria de forma diferente, mas mesmo que não queira me
magoar depois, ele vai, porque este é ele, o cara que deseja
intensamente, não o cara que se apaixona. Seu ciúme bobo e o
jeito malicioso como olha para mim agora não significam
nem de longe um sentimento maior, um compromisso. Ele
não acredita nisso, e uma virgindade não vai mudar isso.
Vou me contentar com o fato de que ao menos uma vez
desde que nos conhecemos, ele me desejou. Eu fui o objeto de
seus desejos. E vou guardar isso para sempre.
Stephen sorri para mim ao me ver sentada em nossa
cafeteria preferida e aproxima-se com uma rosa. Também não
posso fazer isso. Ele é legal, é sincero, atencioso e quase
perfeito demais para ser real. E alguém que aprecie isso mais
do que eu, precisa descobrir esse seu lado, alguém que não vá
fazê-lo perder tempo. Eu tinha certeza que havia encontrado a
pessoa certa para perder minha virgindade, uma vez que
aceitei que isso jamais vai acontecer com o Colin. Ele me faz
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sentir segura e desejada, e eu o desejo também, ele é lindo!


Mas depois daquela noite, do não encontro com o Colin,
depois das coisas que ele disse e da forma como ele disse, me
dei conta de que ele estava certo esse tempo todo. Stephen
não é o cara certo. O Colin é. Infelizmente, não é certo o
bastante, mas quem sabe um dia eu vá me apaixonar de novo,
só que por alguém que seja certo na medida certa e vou fazer
isso sem medo.
Ele deposita um beijo leve em meus lábios e senta-se ao
meu lado. Pego a rosa de sua mão e agradeço, e me preparo
para essa conversa difícil.
— Stephen, precisamos conversar.
Seu sorriso some e ele me pede um tempo com um gesto.
— Podemos falar mais tarde? Tem alguém chegando que
quero que conheça.
— Boa tarde, meninos! — Uma voz forte e alegre diz
próxima a nós e Stephen se levanta e cumprimenta o homem
ali parado.
Ele é mais velho, muito bonito e é a cara do Stephen.
— Pai, esta é a garota de quem tenho falado, Caitlin. Cait,
princesa, este é Donald Ryan, meu pai.
— Púbis! — sussurro baixinho e me levanto depressa,
para cumprimentar o gentil homem que passa a tarde conosco.
A tarde toda dizendo o quanto está feliz e parece até aliviado
de conhecer a namorada do filho.
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Terei que adiar essa conversa por hoje, mas de amanhã


não passa. Tomara que Stephen e eu possamos ser amigos,
porque ele é mesmo uma pessoa maravilhosa. E pode até
parecer engraçado, mas ele e Colin, se não fosse a rixa do
ringue, se dariam muito bem. Quase posso vê-los sendo
amigos e dividindo a total atenção feminina se entrassem
juntos em um único lugar... não, Colin não é do tipo que
divide atenção. Realmente esses dois nunca seriam amigos.
No dia seguinte ele me busca na faculdade. Acho que
teremos o momento perfeito ao entrarmos em um restaurante
caro e reservado no centro, mas ele nos guia até uma mesa
onde uma mulher linda e elegante está sentada.
— Caitlin, esta é Megan Ryan, minha mãe. Mãe, conheça
a Caitlin.
Isso é sério? Sério mesmo? Ele vai me apresentar a
família toda só para dificultar essa conversa?
— Stephen, quantos parentes você tem? — pergunto
baixinho enquanto nos sentamos à mesa.
— Muitos, eu jamais conseguiria contar, por quê?
— Quantos você quer que eu conheça?
— Algum problema em te apresentar para os meus pais?
— Não, gostaria que tivesse me avisado antes, mas será
que não dá para fazer isso de uma vez? Você convoca todos
eles, num mesmo lugar, num único dia e me apresenta a todos
num dia só?
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Ele me olha como se eu fosse louca e a mãe dele começa


a tir.
— Ah querido, como é engraçada sua namorada! Fale-me
mais sobre você, Caitlin, estamos mesmo muito felizes em
finalmente conhecê-la.
— Então, eu não sou bem a namorada dele... a senhora
conhece o termo ficar?
É, talvez em um ano eu consiga ter essa conversa com ele.

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COLIN
Há dias ela mal fala comigo. Há dias ela passa mais tempo
na rua, ou em seu quarto do que aqui. E quando está na rua,
não tenho como saber se está com ele, ou com as amigas da
faculdade. Às vezes penso em segui-la, mas que espécie de
desesperado eu seria, não é mesmo?
Amanhã é a minha primeira luta do campeonato, por pura
merda do destino também é a primeira do Stephen, mas pelo
menos, sei que ela será minha Sorte. Quer dizer, espero que
ainda seja. Ela chega e como tem feito a semana toda, me dá
boa noite, pega uma fruta e entra para seu quarto. Mas sei que
ela ainda vai tomar um banho antes de dormir, então vou ficar
de plantão para falar com ela. Quero minha amiga de volta.
Vou exigir isso.
Resolvo tomar banho antes dela e quando a escuto bater a
porta de seu guarda-roupa tenho a ideia. Apago a luz do
banheiro e deixo a porta entreaberta. Acendo apenas a luz
fraca do box e começo meu banho como se tudo fosse a maior
das coincidências.
Ela vem distraída e abre a porta do banheiro, acende a luz
e me vê ali. Nu, tomando banho tranquilamente, ensaboando
meu pau. Foco meus olhos nos dela e continuo o movimento,
como se não fosse nada demais ela estar ali parada, olhando
para mim como se eu fosse comestível.
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— Co-colin o que...
Seus olhos estão fixos em mim, passeiam por todo meu
corpo. Penso em uma explicação ao menos razoável para dar,
algo como relaxar sem tanta luz na minha cara, mas antes que
possa convidá-la a se juntar a mim, ela sai correndo.
— Nem pense nisso, Caitlin!
Passo uma toalha rapidamente pela cintura e corro atrás
dela antes que ela tranque a porta de seu quarto, senão terei
que arrombá-la. Ela me deseja, acabei de ter a prova e essa
noite, ela vai ser minha. Foda-se minha promessa, foda-se a
aposta, eu faço um diário se for preciso para a doutora
casamenteira, mas essa noite, preciso estar dentro dela de uma
vez por todas.

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CAPÍTULO NOVE
— Caitlin!
Consigo segurá-la antes que entre em seu quarto e a viro
para mim, prendendo-a em meus braços, colada ao meu corpo
molhado. Há tanto desejo em seus olhos que quase me
desmancho neles. Ela abre a boca em desespero para me pedir
que pare, vai me pedir que a deixe ir, mas eu não posso.
Preciso que ela peça que eu tire sua roupa.
Ainda a mantendo presa a mim, a guio até encostar suas
costas à parede ao lado da porta do seu quarto, sua boca tão
perto da minha que posso ouvir sua respiração acelerada. Ela
mexe as pernas desconfortável e tiro uma mão de seus braços,
afrouxando a prisão em que a prendi apenas para segurar seu
rosto. Passeio meus dedos por ele, seus olhos não se desviam
dos meus, toco seu cabelo e o puxo de leve, levantando ainda
mais sua boca para mim, para que eu possa ir ainda mais
fundo com a língua. Para que possa mostrar a ela o que queria
fazer dentro dela com meu pau.
Mordo seu lábio inferior tão devagar que chega a ser
doloroso o efeito que causa em mim, ela geme, mas ainda está
tensa em meus braços.
— Relaxe, apenas sinta — sussurro em sua boca e a beijo.
Mas o beijo dura dois segundos, pois no momento em que
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meus lábios tomam os seus, o som ensurdecedor da


campainha nos faz dar um salto. E ela aproveita isso para se
soltar do meu braço e correr, trancando rapidamente a porta
de seu quarto. Dou um murro na parede, o desejo quase me
fazendo agir como um louco.
Abro a porta tentando conter a frustração e como não
podia deixar de ser, ali está ele, o imbecil. Ele avalia com uma
expressão irritada a maneira como não estou vestido e me
empurra passando por mim como um furacão. Bate com força
na porta do quarto dela.
— Caitlin, está tudo bem? — Lança-me um olhar
ameaçador e quase range os dentes ao falar comigo — O que
você fez com ela?
— Infelizmente nada do que eu gostaria de ter feito.
— Você anda assim pela casa? Sem roupa?
— Está com medo da concorrência, Stephen? Não foi
você quem disse que não havia competição?
Ela abre a porta do quarto e, sem olhar em minha direção,
pega a mão dele e praticamente o arrasta para fora dali.
Assim que a porta da frente bate, um balde de água gelada
parece cair sobre meu corpo quente, pois começo a pensar que
a deixei excitada e com raiva, uma combinação muito
perigosa para alguém que já está disposta a perder a
virgindade com um cara, e vai passar o resto da noite com ele.
Volto a esmurrar a parede rezando para que eu não tenha
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sido babaca o suficiente para jogá-la direto na cama dele.


Rolei na cama a noite toda, mas não consegui pregar os
olhos. Só depois que ela chegou em casa, o que fiz questão de
conferir no relógio e eram três e meia da manhã, foi que me
permiti dormir. Mas ainda consegui sonhar com ela me
dizendo que tinha feito sexo com ele. Minha primeira luta é
hoje, e espero que essa raiva me ajude a vencer, ao invés de
tirar meu foco. Hoje é sábado, e como em todos os sábados é
dia do trabalho voluntário no orfanato. Isso faz parte da minha
sentença, mas eu o faria mesmo que não fosse uma punição.
Realmente tomei gosto por estar lá com aquelas crianças, é
como se elas me entendessem e eu sei exatamente pelo que
elas estão passando.
A campainha toca e um buquê de flores é entregue, o
cartão escrito com uma letra muito bonita e arrumadinha é
impresso. É do Stephen, agradecendo pelo presente. Que
presente? Esse cara não presta nem para escrever a próprio
punho o cartão, não acredito que a Caitlin deu a virgindade
dela para ele.
O buquê tem aparência de caro, com flores que nem sei o
nome, mas que admito, são muito bonitas, então claro que a
Caitlin não precisa de um gesto romântico desse imbecil. Não
vai adiantar jogá-las no lixo, porque são muito grandes, tento
enfiar na geladeira, mas não cabem, olho em três portas dos
armários, nada. Coloco embaixo da bancada, dificilmente a
Caitlin cozinha, nunca irá achá-las, mas me dou conta de que
vai sentir o cheiro forte de flores e vai achá-las. Onde mais eu
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poderia escondê-las? Fico na dúvida entre meu quarto e o


elevador, e quando decido colocá-las no elevador e mandá-las
para o térreo, a porta do quarto da Caitlin abre e ela aparece já
pronta para irmos.
— Bom di... que flores são essas? — Me cumprimenta
com um sorriso e age como se nada na noite anterior tivesse
acontecido.
— Ah, foi engano — minto, mas ela puxa o cartão no
exato momento em que eu ia deixá-las no corredor.
— Oh! Ele é mesmo encantador!
Ela toma as flores da minha mão e ignora
deliberadamente o fato de eu estar tentando sumir com o
buquê e de eu ter mentido para isso. Cantarola enquanto
coloca as flores num vaso e guarda o cartão na bolsa.
— Ele não sabe escrever? Porque mandar um cartão com
uma mensagem impressa é ridículo.
— Não acho que a caligrafia dele seja muito boa, mas o
que conta são os sentimentos expressos na mensagem, não a
letra — me responde calmamente, como se a noite anterior
não tivesse ocorrido, como se não tivesse significado nada
demais.
Também não conversa comigo normalmente, apenas não
me ignora mais. Ah, isso e cantarola. Parece tão feliz e
relaxada!
— Merda! Merda, Caitlin, está tudo bem?
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Ela parece confusa com minha pergunta repleta de


palavrões, mas assente e pega sua bolsa.
— Vamos?
— Vamos de moto, tudo bem?
— Tudo bem, só vou prender o meu cabelo. Não quero
assustar os menores.
Ela nunca aceitou tão facilmente subir na minha moto. Ou
ela está em uma viagem alucinada na terra da felicidade ou, e
não quero nem pensar nessa segunda opção, e não vou pensar.
Ela não fez isso.
Ela se segura firme em mim na viagem até o orfanato e
temo que este será o máximo de contato que terei dela daqui
para a frente. Vamos para alas diferentes quando chegamos,
mas logo nos reunimos por conta do nosso órfão preferido:
Carter.
Carter Henderson tem seis anos, mas às vezes parece ter
dezoito, diz coisas que deixam os adultos aqui sem chão e
dificilmente perde uma batalha verbal. É tão inteligente e
vivo, como se não se lembrasse do que lhe ocorreu no ano
passado, como se não fosse nada demais. Mesmo sendo tão
novo, ele entendeu tudo o que aconteceu na sua frente,
entendeu a crueldade e tragédia do que presenciou, ele ficou
seis meses sem falar, e escolheu a mim para ter o privilégio de
ouvi-lo falar após todo esse tempo. Lembro-me como se fosse
hoje, suas palavras exatas:

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— Quando eu crescer, posso me casar com ela? —


perguntou puxando minha blusa e apontando seu pequeno
dedo para Caitlin.
Os psicólogos brincam que agora fala por cada dia em que
não o fez, já que tem dificuldade em calar a boca. O que mais
me liga a ele é o fato de sermos tão parecidos, ele tem
algumas das minhas manias, fala como eu, gosta de se vestir
como eu, e a mulher que mais adora no mundo é a Caitlin. Ele
também não é uma criança que se lamenta pelo passado ou
por estar ali, nunca reclama de nada, e quase não pede ajuda.
E há sua história. O pai bebia muito e batia em sua mãe, em
uma noite bebeu tanto, que a jogou contra uma mesa de vidro,
na frente dele. A mãe não resistiu aos ferimentos, o pai foi
preso e condenado, e ele veio parar aqui. Com a lembrança da
morte da mãe e confuso sobre o que sentir por seu pai. Essa
sensação de não saber como se sentir, não saber se deve amá-
lo ou odiá-lo, eu conheço bem, por muito tempo depois do
que fiz me condenei por ser um vilão, me uni a pessoas que
eu julgava tão ruins quanto eu e fiquei perdido. Às vezes,
ainda me pergunto de que lado estou.
Se pudesse eu o levaria embora e daria a ele a vida
perfeita que ele realmente merece.
— Tio Colin, o senhor perdeu a nossa namorada para
outro? — pergunta após a décima vez em que prendo meus
olhos na Caitlin, tentando achar aquela diferença no jeito de
andar.
— Como?
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— O senhor estava tentando me roubar ela, eu percebi, só


que não ligo de dividir com o senhor. Só até eu crescer. Mas
agora ela não olhou para o senhor desde que chegou aqui, o
senhor a perdeu para outro?
— Vamos comer, amor? — Caitlin o chama antes que eu
tenha a chance de responder.
Ele segura sua mão e senta-se entre mim e ela na pequena
mesa da cantina.
— Tia Cait, o tio Colin deixou você namorar outro?
Caitlin engasga com o aspargo e olha para ele de olhos
arregalados.
— Ele disse que aceita que eu roube você dele, mas não
aceita se outro roubá-la de mim — explico.
Caitlin sorri e bagunça o cabelo dele, respondendo
docemente:
— Ah querido, o tio Colin não é capaz de manter uma
mulher feliz por tempo suficiente para roubá-la de você. Não
se preocupe.
Faço uma careta e imito seu gesto bagunçando seu
pequeno cabelo liso antes de retrucar:
— Sabe, Carter, a tia Caitlin é uma ingrata, porque o tio
Colin deu a ela o melhor encontro de sua vida e ela ainda
reclama.
Rapidamente ele olha para Caitlin, esperando por sua
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resposta.
— Acho que o tio Colin precisa sair mais, com mais
pessoas, para superar isso.
Deixo Carter fora do jogo e olho diretamente para ela, que
me olha de volta contendo um sorriso.
— Acho que eu preciso refrescar sua memória bem de
onde paramos ontem à noite.
Seu rosto cora violentamente e ela pigarreia, apontando
para ele diz sem voz, mas posso ler seus lábios algo como
“criança esperta ouvindo”.
Após uma tarde agradabilíssima com as crianças vamos
nos despedir de Carter. Enquanto esperamos que ele saia do
banho, resolvo puxar assunto, aproveitar que ela está falante e
feliz, cantarolando de novo. Tento chegar nela de maneira
sutil, apenas como um amigo preocupado para não irritá-la,
mas o que sai da minha boca, assim que a puxo pelo braço de
forma brusca, é:
— Por que caralho está cantarolando assim? Ele a fez
gozar? Você gozou, Caitlin, por isso está feliz assim? Com
esse brilho diferente nos olhos.
Ela olha para todos os lados alarmada e parece prestes a
me matar.
— Colin! Alguma criança pode te ouvir, seu babaca!
Se solta do meu aperto e toda aquela felicidade sumiu.

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Não posso dizer que estou triste com isso.


— Vai me responder ou não?
— Não há nada de errado em acordar de bom humor!
— Você não está de bom humor, está cantarolando como
meninas de séries românticas bobas. Como se tivesse visto o
passarinho verde. Você viu o passarinho verde? Viu algum
passarinho?
Faço ideia do quanto devo estar ridículo, porque ela
segura mesmo uma risada e respira fundo antes de me
responder.
— Isso não é da sua conta, mas não, não é nada disso. Eu
só estou apaixonada, não posso? — ela diz a palavra
apaixonada quase separada em sílabas, cada facada doendo
mais do que a anterior.
— Apaixonada? — grito. — Por ele?
— Psiu! Quer parar de gritar?
— Pelo amor de Deus, Caitlin, não me diga isso nem de
brincadeira. — De repente parece que estou sem força, e
quase sem ar. Eu nunca fico doente, não entendo o que está
acontecendo.
— Ei, você está bem? — ela pergunta preocupada
aproximando-se de mim e me amparando.
— Passar um tempo que já me enlouquece com ele eu
estou sendo obrigado a suportar, mas ver você amar um cara
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como ele? Caitlin! Nem brinca com isso!


— Colin, às vezes as pessoas que menos esperamos, são
as mais dignas de serem amadas.
— Ai! Pare! Você está tentando me matar! — Coloco a
mão no peito e me sinto ainda mais fraco, mas ela começa a
rir.
Ela apaixonada, ele mandando flores agradecendo pelo
presente e essa cantoria de quem finalmente conheceu um
orgasmo, não é possível! Preciso ter certeza antes de morrer
por causa disso, é do Stephen que estou falando, ele não seria
capaz de dar um orgasmo que deixasse uma mulher tão feliz
assim. Se bem que a Caitlin não teria como comparar porque
nunca teve um orgasmo na vida. Aí me sinto um amigo
egoísta por deixar que minha melhor amiga chegue aos
dezenove anos sem saber o que é um orgasmo. Em minha
defesa ela era uma menina até alguns dias atrás, e desde que
descobri que ela é uma mulher, o que mais quero na vida é
dar um orgasmo a ela.
Um risinho conhecido me faz ficar de pé e sair de cima da
Caitlin para encontrar Carter, seus olhos negros nos avaliando
e um sorrisinho inocente no rosto.
— Vocês fizeram as pazes. Caitlin, já que não vai ser
minha namorada, vocês podiam se casar e serem meus papais,
não é?
Engulo em seco e Caitlin aproxima-se dele, beijando sua
cabeça e pegando-o no colo.
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— Ah, meu amor! Tenho certeza que Papai do céu tem os


melhores papais do mundo para dar a você, só precisa esperar
um pouquinho.
Ele a abraça de volta e não escuto mais o que dizem
porque estou ocupado sentindo raiva da vida e das injustiças
que crianças tão inocentes, como ele, têm que viver.

Caitlin volta calada e não tem mais aquela felicidade


radiante de mais cedo. Pergunta se vou fazer o jantar ou pedir
algo, e decido pedir alguma coisa, então ela vai tomar banho.
E eu fico remoendo e remoendo. Se ela deu esse passo com
ele, se ele vai ficar se gabando disso no clube com aqueles
retardados que o seguem como cachorrinhos. Se ele deu o
valor que isso merecia, se fez direito. Parece que estou
entrando em curto. Um mundo de emoções confusas passando
pela minha mente e aí me lembro de ela estar apaixonada por
ele. Ela quase derreteu nos meus lábios ontem à noite como
pode estar apaixonada por ele? Ele teria que ser muito pica
para apagar da mente dela o que sente quando a toco. Será
que ele a faz sentir-se melhor do que sou capaz de fazer?
Sem me dar conta do que estou fazendo, acho a chave
reserva do banheiro e abro a porta com tudo. Caitlin se
assusta e grita:
— O que está fazendo aqui? Colin, saia daqui.
Mas não a estou ouvindo, abro o box e entro nele, a água
molhando minha roupa imediatamente, e ela está nua. Avisto
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com clareza a perfeição de seu corpo pequeno e curvilíneo.


Seus seios cheios, com os mamilos rosados apontam em
minha direção, sua cintura fina, as coxas mais grossas e sua
boceta como eu imaginei que seria. Branquinha, lisinha, e ela
tenta escondê-la com as mãos. Ela continua gritando, mas não
escuto, estou perdido nela. É tão perfeita, que quase não
consigo me controlar. A água escorre por seu corpo e tudo o
que quero agora é ajoelhar-me diante dela e beber essa água
com seu gosto.
— Sai daqui Colin! Você está louco?
— Você transou com ele Caitlin? — pergunto ainda
desnorteado, mas me lembrando que toda essa perfeição pode
ter sido dele na noite passada, e isso me faz sentir uma raiva
incontrolável.
— Eu não vou discutir isso com você....
— Você transou com ele? — grito e a encosto à parede,
prendendo seus braços acima de sua cabeça. Olho bem em
seus olhos e ela se cala, fixando seu olhar no meu. — Ele
tocou você?
— Eu já disse que não!
— Se eu tocá-la, Caitlin, se eu enfiar o dedo em você
agora, vou encontrar alguma resistência?
Ela parece pensar na pergunta por tempo demais e quando
responde, quase me tira o chão.
— Não. Vai encontrar a resistência que está pensando que
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perdi, mais nenhuma outra.


Ela vai me deixar tocá-la, vai me deixar comê-la aqui
mesmo, agora.
— Mas vai querer isso sabendo que vou me sentir culpada
amanhã? — pergunta baixinho.
Merda! Encosto minha testa na dela, tentando colocar
ordem nos meus pensamentos, tentando controlar meu corpo
que só quer tê-la agora.
— Você não o ama, Caitlin, não está apaixonada. Caso vá
se esquecer disso daqui a pouco quando estiver com ele, só
quero que se lembre disso.
Solto sua mão e a puxo para mim, beijando sua boca com
todo o desejo acumulado que estou suportando. A beijo com
força, quero deixá-la sem ar, quero dominá-la. Quero que ela
nunca mais queira beijar outro homem, porque nenhum vai
possui-la desse jeito. Sugo sua língua enquanto a aperto ao
meu corpo, à minha ereção que quase rasga a calça, domo sua
boca até que a escuto gemendo, se desmanchando em meus
braços. Então, com muita dificuldade, a deixo. Bem devagar
vou diminuindo o ritmo e a força dos meus lábios sobre os
dela, afasto meu rosto e continuo a segurá-la. Beijo seu
pescoço molhado de leve, e sinto seus seios pressionados em
meu peito. Sinto seu coração acelerado como o meu.
—- Lembre-se disso, Caitlin. E se ele não a fizer se sentir
desse jeito com um beijo, não serve para você.

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Então a deixo ali e saio de casa. Com a roupa molhada,


uma ereção pulsante e os pensamentos mais desgovernados
do que já me lembro de terem estado algum dia. Ela teria sido
minha, teria se entregado a mim. E essa agora é a minha meta
de vida, não vou sossegar até que ela peça que eu seja o seu
primeiro.

Não vejo a Caitlin desde a hora do banho, no final da


tarde. Vim direto para o clube, tomei banho e me arrumei
aqui, e tive que fazer algo que não fazia há anos para saciar a
ereção que insistia em não ceder sem ela. Mas foi pensando
nela que gozei com força, pensando estar dentro dela, ela vai
me deixar louco! Minha luta é a primeira da noite, serão três
lutas hoje, a seguinte é a do Stephen, mas não pretendo ficar
para vê-lo. Só quero sair daqui e beber. Por isso, pretendo
acabar com meu adversário bem rápido, para sumir daqui
direto para um bar.
Vejo o clube lotado e não me sinto animado com o
espírito da competição. Hoje nada vai me animar. Como será
que ela vai reagir quando eu vencer a luta e beijá-la no
ringue? Será que vai me pedir para não fazer isso? Eu disse a
ela que não faria se ela pedisse, espero que este não seja o
caso, porque eu preciso beijá-la. Devagar e com cuidado para
que ela veja que a maneira como se sente quando a beijo, não
é apenas quando a seduzo, não é só quando o faço com tanta
força que ela não tem como escapar. Quero que ela sinta meu
beijo em cada segundo para entender o que é ser realmente
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beijada.
O locutor inicia a noite arrancando gritos ensandecidos da
plateia, olho por todos os lados, mas não a vejo. Ela está
atrasada. Não presto atenção no que ele diz, e apenas quando
a luz me ilumina me dou conta de que já fui chamado. O
exterminador, essa merda vai acabar pegando. Subo no ringue
e meu adversário já se encontra lá, sequer ouvi o nome dele.
Olho de novo a multidão procurando a Caitlin. Talvez eu não
precise derrotá-lo tão depressa, para dar tempo a ela de
chegar. Enrolo o máximo que posso e só quando me dou
conta de que ela não vem, decido acabar de vez com isso.
Derroto o adversário em poucos minutos e quando o locutor
levanta meu braço, vejo a plateia gritando e o dinheiro
rolando pelas mãos, ele me pergunta pela minha Sorte.
Apenas nego com a cabeça e desço do ringue com o lenço da
vitória. Passo pela multidão feminina que tenta chegar até
mim, hoje não estou com paciência para conversar com
ninguém.
Estou indo em direção ao vestiário, mas ouço o locutor
anunciar o Stephen e volto para ter certeza de que ela não está
ali, mas ela está. A vejo procurando por mim na multidão, o
rosto vermelho e a respiração acelerada. Seu olhar encontra o
meu, mas saio dali, vou direito para o vestiário. Então ela me
castigou por conta do que fiz no banheiro. Ótimo! Eu não
precisei dela para vencer. Não preciso dela para nada!
Tomo um banho demorado e consigo não pensar em nada.
E fácil desligar minha mente quando realmente me empenho
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nisso. Não respondi ninguém, não comemorei com Thor


minha vitória e ele não insistiu. Decido não permitir que
minha vitória tenha um gosto amargo por causa dela, mas é aí
que vejo que não sou eu quem escolho isso, e sim o destino.
No momento em que saio do vestiário, Stephen está sendo
anunciado vencedor. O juiz levanta seu braço, as vozes ao
meu redor parecem uma única voz embolada, falando sem
dizer nada, mas entendo bem o que foi dito quando ele aponta
o dedo para Caitlin. Sem graça, e andando como se não
soubesse onde pisar, ela vai até ele. Até o maldito ringue. E
ele a nomeia como sua Sorte.
— Filho da puta! Filho de uma puta!
Agora que foi apresentada como a Sorte dele, Caitlin não
poderá ser a Sorte de mais ninguém no campeonato.

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CAPÍTULO DEZ
Quero subir no ringue e quebrar a cara dele, mas alguém
entra em minha frente, quase sendo atropelada por mim. É
Serena, a irmã dele. Ela pega minha mão e pede que eu a siga,
vamos para fora do clube, e estou prestes a gritar com ela por
ter me tirado dali quando ela diz:
— Está assim por amor, Colin?
Respiro fundo, contenho a ira que sinto e aceito que o
mínimo que devo a ela depois de tudo o que lhe fiz, é uma
conversa educada.
— Não. Não é por amor, está mais para ódio.
— Achei que fosse pela Caitlin, a namorada do meu
irmão. Ela conheceu meus pais na semana passada.
Eu não sabia que as coisas entre eles estavam tão sérias,
eu não fazia ideia. Mas, depois do que ela fez agora à noite,
não é de se estranhar. Não quero parar pra pensar nisso agora,
não quero pensar em nada agora.
— Que bom para eles, mas não tenho nada com isso,
Serena. Desde que seu irmão não a machuque, não tenho nada
a ver com eles.
— Desde que ele não seja com ela como você foi comigo,
você quer dizer?
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Olho seus olhos negros e não sei o que posso dizer. Sinto
muito? Foi mal? Sim eu posso ter sido um babaca, pois é, esse
sou eu, mas ela me conhecia bem o bastante para saber que
seria assim. Não tenho culpa se às vezes as pessoas querem se
iludir e fazem coisas que sabem que vai dar errado esperando
que dessa vez dê certo. Ela não foi minha exceção à regra.
Então apenas dou de ombros. E ela continua, a voz calma,
mais constatando algo do que desejando que aconteça.
— Um dia você vai se apaixonar assim, não pense que
está tão acima de nós mortais, que vai se livrar de sentir. E
quando você se apaixonar, será tão inseguro, tão medroso por
se lembrar de tudo o que fez, que vai ficar se perguntando o
tempo todo se ela sente o mesmo, se ela te ama apesar do que
você é, ou se ela está usando você, como você fez com quem
te amou. E você nunca vai ter certeza de que é digno do amor
dela.
De repente me lembro da Caitlin, de como me sinto tão
desesperado e confuso sobre ela, de como me fere os
sentimentos dela por outro. Tirando a parte de estar
apaixonado, tudo se encaixa tão perfeitamente no que a
Serena acabou de dizer, e percebo que não é preciso estar
apaixonado para se perder por alguém.
— Neste caso, — digo a ela, deixando-a surpresa por eu
responder, quando nem eu mesmo achei que responderia a
algo assim. — Acho que vai gostar de saber que estou
passando por tudo isso. Não que eu esteja apaixonado. Mas eu
sei que não mereço ser o escolhido dela, sei que nunca vou ser
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melhor para ela do que o cara que está ao seu lado agora, mas
nem essa certeza e nem esse medo ridículo de perdê-la são
fortes o bastante para me impedir de tentar.
Ela arregala os olhos em surpresa e parece sentir pena de
mim. Mas não posso me irritar por isso esta noite, eu também
estou sentindo pena de mim nesse momento.
— Talvez a gente precise ir contra quem somos às vezes,
para podermos ser alguém melhor — concluo fazendo-a abrir
um sorriso acolhedor.
— Para onde está indo, Colin?
— Beber alguma coisa, não pensar em nada, algo assim.
— Você deveria ir para a casa. A noite é uma armadilha
perigosa para alguém que não quer pensar em nada.
— Não tenho medo do perigo.
Afago seu cabelo em sinal de agradecimento, e subo na
moto, decidido a beber até que nem me lembre mais dessa
noite. Talvez acabe a noite com uma mulher que me faça
esquecer a visão da Caitlin nua. Mas, quando me dou conta,
estou na porta do meu prédio. Vim mesmo para a casa.

No grupo do clube já tem as fotos das lutas da noite, duas


vitórias para o Luck, uma para um clube adversário, Patrick
está fora da competição e isso é péssimo, ele é o maior
brutamontes que temos na equipe. E entre tantas fotos

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postadas, uma única fica por mais tempo na tela do meu


celular, a da Caitlin beijando o Stephen. Esse beijo era para
ter sido meu, ela deveria ser minha! Procuro no freezer e
encontro algo para beber, é um whisky barato e ruim, mas vai
servir. Jogo-me no sofá e nem me dou ao trabalho de pegar
um copo. Por que ela fez isso? Está certo que fui um babaca
ao invadir o banheiro daquela maneira, não estava
controlando meus atos, acho que ultimamente não tenho
controlado quase nada na minha vida. Mas eu sei que ela não
me odiou por isso, porra! Ela ia se entregar a mim! Naquela
hora, naquele banheiro ela quis ser minha! Então por que
caralho não a tive? Por que não deixei essa baboseira de
sentimentalismo de lado e fiz o que teria feito se fosse
qualquer outra mulher ali?
— Vai, idiota, se importar com os sentimentos dela. Vai
tomar cuidado se ela pensa que ama outro, faz isso e se foda!
— grito para mim mesmo e sinto tanta raiva que arremesso a
garrafa por menos da metade na parede.
Há um estrondo e vidro se estilhaça por todo lado.
— Seu babaca! Você é um idiota Colin Hanson, um
otário! Você pegou ela e a jogou nas mãos dele, na cama dele,
babaca!
A raiva ainda me toma e jogo as almofadas do sofá, mas
são leves demais para aplacar minha ira, são inúteis.
— Eu devia ter quebrado a cara dele quando tive chance,
e agora essa merda está doendo mais do que uma surra,
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porque sou um idiota!


Nem vejo mais o que pego pela frente, apenas sinto a
adrenalina de arremessar algo e ouvi-lo quebrar, então preciso
de algo maior, e depois maior. E algo em meu peito parece
apertado, não me sinto assim há anos, não tenho tanto medo
há anos e odeio ser tão pequeno e impotente. Odeio ser o cara
que a seduz, mas não o que ela escolhe, nunca o que ela
escolhe. Odeio ter ficado naquela merda de ringue procurando
por ela enquanto ela estava com ele!
— Você me prometeu, Caitlin! — Arremesso uma jarra
com água na porta de entrada e no segundo seguinte ao
estrondo, ela se abre e Caitlin aparece alarmada.
Fica em choque ao ver o estado do apartamento, e mais
ainda ao ver o meu estado.
— Colin... — tenta aproximar-se de mim, mas não a
quero perto de mim, eu sinto raiva. A última vez em que me
senti assim acabei na prisão. Quando eu resolvi crescer e me
mudar de lá, jurei a mim mesmo que nunca mais me sentiria
desse jeito.
Fecho meus olhos e tento me concentrar no som de sua
voz angustiada, ela parece cada vez mais perto.
— Ei, me dê isso. Me fala o que está acontecendo, estou
aqui com você. São aqueles fantasmas?
Quase sorrio, abro os olhos e a encaro ali, parecendo tão
preocupada e perdida! Querendo ser meu ponto de equilíbrio.

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Mas essa noite, Caitlin, a culpa é toda sua! Olho a jarra de


louça na minha mão, era a próxima a ser arremessada. Ela
continua falando, perguntando o que aconteceu e eu não
quero machucá-la, não vou fazer isso.
— Sai daqui Caitlin! — digo tentando controlar minha
raiva.
— Não, não vou deixar você, eu sei que você não vai me
machucar.
Olho para ela ali, tão perto de mim quando estou
descontrolado desse jeito. O quão idiota e inconsequente ela
é?
— Você está com raiva de mim, Caitlin? Está com raiva
pelo que fiz no banheiro?
Ela parece surpresa, mas nega rapidamente com a cabeça.
— Você sabe que não. O que aconteceu para você ficar
assim? Você venceu hoje, se lembra? Todo mundo estava
falando de como você derrotou seu adversário tão rápido! O
que houve depois?
— Você não apareceu na minha luta.
Deposito a jarra sobre a bancada e me afasto de Caitlin,
analisando o estrago que causei na nossa sala. Ela fica lá
alguns segundos, totalmente parada, como que processando o
que acabei de dizer.
— Você prometeu, Caitlin.

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Ela finalmente vem até mim, me pega pela mão e senta-se


comigo, de frente para mim como se eu fosse uma criança
descontrolada.
— Eu tentei. Algo deu errado no carro do Stephen,
ficamos presos a poucas quadras do clube, quando vi que não
daria tempo, eu corri, mas quando cheguei você já tinha
descido do ringue e eu não te achava. Eu sinto muito, Colin.
Eu sei que as coisas estão tão estranhas quanto poderiam estar
entre a gente, mas eu nunca quebraria uma promessa a você.
Você sabe disso.
Uma lágrima corre por seu rosto e ela a limpa
imediatamente, mas não passa despercebida por mim. Seguro
sua mão de volta, sei que ela está sendo sincera. Sei que ele
fez isso de propósito.
— Eu juro para você que serei sua Sorte, em todas as lutas
que você quiser a partir de agora. Eu posso ser até sua ring
girl se você me pedir.
— Você tropeçaria nos próprios pés e deixaria as placas
caírem na sua cabeça.
— Provavelmente, mas você me salvaria.
— Você tentou mesmo ir, não é?
— Eu fiz tudo o que pude, sinto muito não ter sido
suficiente.
Solto sua mão e seguro seu rosto pequeno entre as minhas
mãos, vejo seus olhos molhados, a maneira como parece
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culpada, e o mais importante, ela não me julga pelo ataque


que tive. Não está com medo, não está me acusando, está se
desculpando comigo. Então olho bem em seus olhos porque
quero ver sua reação com o que vou dizer agora, quero ver
aquela decepção que sempre é direcionada a mim, ao menos
uma vez, ser direcionada ao homem perfeito dela.
— Você não vai mais ser minha Sorte nesse campeonato,
Caitlin. Também não vai cumprir essa promessa. Porque se
você é a Sorte de um competidor no campeonato, não pode
ser a Sorte de outro pelo resto dele. Essa é a regra.
Solto seu rosto e ela parece em choque, faz um gesto
negativo com a cabeça e se levanta, repete baixinho que não
pode ser, olha para mim em busca de um conforto, que eu
diga que estou brincando, ou pelo menos que não vou ficar
chateado, mas eu vou. A cada luta que a vir com ele, a cada
maldita luta que estiver sozinho naquele ringue pensando que
deveria estar beijando ela, eu vou ficar com raiva!
— Pois é, ele fez de propósito! E você caiu! — digo
levantando-me e indo em direção ao meu quarto, só não quero
mais ficar perto dela. — Eu disse que a usaria para se vingar
de mim.
— Ei, — ela corre e segura minha mão, parece tão sem
chão quanto eu — o que aconteceu? Por que você ficou tão
mal?
Olho seus olhos claros marejados, a preocupação em seu
lindo rosto e eu poderia beijá-la e dizer que é por ela. E pedir
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a ajuda dela para entender porque essa merda doeu tanto, mas
não quero entender isso, eu apenas não quero mais sentir isso.
Então pela primeira vez em anos, escolho mentir para minha
melhor amiga.
— Foram os fantasmas.
Solto minha mão da sua e vou para meu quarto, tranco a
porta para deixar claro que não quero suas visitas noturnas de
desculpas. Quero deixar claro para mim mesmo que não
preciso de mais nada dela.

— Bom dia, Leigh Ann, preciso que você ligue... — a


doutora Katy para de falar ao me ver sentado ali, uma ruga se
forma em sua testa e deixa sua recepcionista, fazendo um
gesto para que eu entre em seu consultório.
— Sabe, Colin, eu atendo dois pacientes do governo por
semana, e tenho certeza que hoje é o dia do maníaco da
navalha, então vou começar a cobrar suas consultas.
— Não vai não, se eu parar de vir aqui a senhora não vai
mais poder beber em serviço.
— Tudo bem, você me comprou. Devo começar a beber
desde já? Porque sua cara está mais assustadora que as
navalhas do Conrad.
— Eu só preciso conversar. É uma coisa rápida, não é
nada demais, mas achei que a senhora precisava saber.

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Ela se senta, não coloca seu jaleco, nem pega seu caderno
e gravador como geralmente faria, é uma mulher mais velha
ouvindo um jovem perdido.
— O que houve?
— Eu tive um daqueles ataques ontem.
— Defina “um daqueles ataques”.
— De raiva.
Ela tenta esconder seu nervosismo, mas falha, eu percebo
mesmo com ela falando comigo tão calmamente em seguida.
— Achei que tivesse controlado isso com a luta.
— Não tem sido o suficiente.
Ela me encara e não diz nada. Fico esperando que me
repreenda, que diga que terá que suspender as sessões ou que
me receite um calmante tarja preta, mas ela apenas me
observa. Esse silêncio me incomoda e começo a falar.
— Foi só uma vez, mas foi a mesma raiva que senti nas
vezes em que me meti em encrenca. E eu quase não consegui
controlar dessa vez, eu quebrei um monte de coisas.
— Ufa! — Ela faz um gesto exagerado com a mão, me
interrompendo. — Achei que você terminaria a frase como eu
quebrei um monte de caras. Meu Deus, Colin, não me assuste
assim.
Sorrio, sentindo-me um pouco mais leve.

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— Ninguém se machucou — garanto. — Além de mim.


— Eu quero que você pense bem na primeira coisa que
vier à sua mente quando eu te fizer essa pergunta, e me diga
qual foi a primeira coisa. Sem floreios e sem maquiar a
resposta. Por que você ficou com raiva?
— Porque ela não apareceu! Ela prometeu que seria
minha Sorte, prometeu que estaria lá, e depois foi a Sorte dele
e agora será dele pelo resto do campeonato.
— Sorte é aquele lance das ring girls com privilégio do
seu clube de luta?
— Não é bem isso, mas é isso.
— E imagino que quando diz ela, estamos falando da
Caitlin?
Assinto.
— Ela já deixou de fazer coisas com você antes, por que
exatamente isso te irritou tanto?
— Porque pela primeira vez, doeu. Não venha me
perguntar o que doeu ou porque doeu, eu não sei. Não entendi
e nem quero entender, só que doeu, foi angustiante e
apavorante e eu não sei lidar com a dor.
— Mas você é um lutador. Olha esse roxo na sua cara,
você está sempre sentindo dor.
— Não desse tipo. Prefiro levar uma surra do que sentir
isso de novo. Há anos eu não sentia essa dor.
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— Essa dor pode ser medo?


— Pode ser qualquer coisa, não tentei entendê-la.
— E quando você voltou a si? Quando parou de quebrar
as coisas?
— Quando a Caitlin apareceu.
— E aí a dor passou?
— Não, ela aumentou. Mas eu não queria feri-la. A raiva
foi que passou quando eu vi que não era culpa dela, mas a
dor? Essa merda está escondida aqui dentro e uma hora dessas
vai aparecer de novo. Então a senhora pode me mandar para a
cadeia de novo. Ou pode me dar um desses seus remédios que
vai me deixar dopado, porque não sei o que quebrarei na
próxima vez que essa coisa aparecer.
— Como você sabe que ela ainda está aí?
— Porque eu a sinto. Não está doendo agora, mas está
aqui. Eu sei que está só se preparando para foder com a minha
cabeça de novo. Vamos, faça seu trabalho e me dê um
remédio.
Ela parece emocionada com meu sofrimento, segura
minhas mãos com os olhos brilhando e diz com um sorrio tão
grande, que tenho uma leve vontade de quebrar seus dentes.
— Ah, meu menino! Quando é que você vai abrir os
olhos? Para certas dores não existe remédio, Colin. Mas essa
aí, escondida aí dentro, pode se tornar a melhor coisa da sua

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vida se você souber como tratá-la.


— Como caralho uma dor pode ser algo bom?
— Não a dor, mas sua cura. Só que essa cura não vem
com uma receita prescrita numa tarja preta.
— Não me venha com esses papinhos de amor, não quero
seu trabalho de casamenteira, quero a merda da minha
psicóloga!
— Não estou sendo nem uma das duas agora, meu bem.
Estou falando a você o que diria ao meu filho, se tivesse um.
Isso não é uma consulta, é uma conversa. E o que estou
dizendo não é uma ordem, mas um conselho. Você está
começando agora, mas se ficar engatinhando por tempo
demais, quando aprender a andar será muito tarde. Pense
menos, Colin, sinta mais.
Solto minhas mãos das suas e me levanto irritado.
— A sua sorte é que eu nunca, nunca mesmo, bateria em
uma mulher.
Ela ri alto e se levanta também, ainda parecendo
emocionada mesmo após uma ameaça que ela poderia
considerar um retrocesso meu.
— Eu realmente gostaria de vê-lo tentar.
Saio de sua sala na mesma em que entrei. Sendo ela
casamenteira, psicóloga ou mãe, a doutora Katy Mansfield
não sabe o que está fazendo.

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BÔNUS CAITLIN
Nunca fui uma pessoa que faz barraco em público, eu
sequer falo alto em público, quando comecei a estudar, no
primário, as professoras achavam que eu era muda, de tão
baixo que falava. Sempre fui tão calma e reservada, e é
mesmo difícil algo me irritar ao ponto de eu perder o controle,
como acontece no segundo que ponho meus pés para fora da
faculdade, e avisto Stephen Ryan encostado ao seu carro, me
esperando.
Se fumaça pudesse sair da cabeça das pessoas quando elas
estão com raiva, a minha seria uma chaminé agora. Chego até
ele tão rápido, que ele dá um passo para trás ao invés de seu
habitual abraço apertado.
— Boa noite? — pergunta ao invés de desejar.
— Como você foi capaz, Stephen?
A altura da minha voz o alarma, e ele pega minha mão
praticamente me enfiando dentro do carro. Depois dá a volta
correndo e o tira dali.
— Não precisava ter feito isso, eu não ligo de gritar para
você me escutar por cima de todo barulho do mundo!
— Estou vendo, mas estamos sozinhos aqui e vou parar
onde quase não há barulho, não vai precisar gritar.

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— Você não merece que eu fale baixo!


Ele para o carro em frente ao meu prédio, onde há menos
barulho para conversarmos. Permaneço dentro do carro, pois
não sei se o Colin está em casa e não quero que essa minha
conversa com o Stephen termine em uma briga entre os dois
— No que estava pensando? Eu não acredito que você me
fez...
Abaixo a cabeça com raiva e respiro fundo, e ele tenta me
acalmar, com tapinhas desajeitados no ombro.
— O que eu te fiz, Caitlin?
— Me fez perder a luta do Colin, não pude ser a Sorte
dele e aí você me fez ser a sua Sorte. E agora não posso mais
ser a dele, eu tinha prometido, Stephen.
Sua expressão é a de quem levou um belo tapa na cara.
— Sempre o Colin. Bom, se serve de consolo eu não fazia
a mínima ideia que a garota que está saindo comigo seria a
Sorte dele!
— Não venha com essa para cima de mim. Você sabe que
eu não queria machucar ninguém, menos ainda você. Eu fui
sincera com você, Stephen, eu te disse que não podíamos
mais fazer isso. Você até me mandou flores, agradeceu pela
sinceridade, achei que tivesse entendido. Que estivéssemos
saindo como amigos.
Ele se vira para mim, meio apertado no banco do carro

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por conta de seu tamanho. Ele não é tão forte quanto o Colin,
mas é bastante musculoso e alto. De forma que fica
desconfortável e espremido na posição em que está dentro do
carro.
— E estamos. A minha opinião a respeito disso não
mudou, Caitlin. Em uma noite você parecia estar se
apaixonando por mim, e na noite seguinte, você desmarcou
um encontro, aí apareceu mais perdida do que já te vi com
esse papo de que não podia fazer isso comigo. E eu te entendi.
Eu entendo que você não possa mudar o que sente por ele,
mas a minha posição não mudou.
— Isso não te dá o direito de me fazer perder a luta dele
de propósito.
— E não fiz! Eu juro que não fazia ideia que você seria a
Sorte dele, achei que seria a minha. Achei que você não
estivesse caindo no papo furado dele à essa altura.
— Não se trata de nada disso, ele é meu melhor amigo e
eu lhe fiz uma promessa, que você me fez quebrar!
— Sinto muito.
— Você não sente, não.
— Quer saber? Não sinto mesmo! Você deveria me
agradecer por não ter sido a ring girl dele, por não ter que
ficar beijando-o a cada luta porque isso te machuca!
Olho bem em seus olhos e sei que está mentindo, eu sinto
isso.
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— Eu achei que você fosse uma das melhores pessoas do


mundo. Achei mesmo que o Colin estivesse errado sobre
você, que essa rixa idiota de vocês não o deixava ver a
verdadeira pessoa que você é, mas você jogou baixo, Stephen.
Você não tinha o direito de decidir isso por mim. Eu fui
sincera com você, eu disse que devíamos nos afastar e você
prometeu que seríamos amigos!
— Eu não prometi que concordava com isso! Tudo bem,
eu fiz de propósito, achei que se ele a visse a chamaria para
ser a Sorte dele e você então não poderia mais ser a minha.
Não havia problema nenhum no carro.
— Bom, eu não vou mais ser a sua Sorte, Stephen. —
Destravo a porta do carro e a abro, mas digo antes de sair — e
tomara que você perca.
Não desejo realmente que ele se dê mal no campeonato.
Mas me pareceu o certo a dizer após uma confissão de
maldade dele. Entro no prédio e no elevador, e ele aparece
aqui dentro comigo.
— Não me siga, Stephen.
— Caitlin, será que você não percebe que a estou
protegendo? Quando você me disse que estava confusa, eu
percebi o que não foi capaz de dizer em voz alta, Caitlin.
Você quis se afastar de mim porque está apaixonada por ele.
— Não estou. Já estive um dia, muitos dias, na verdade.
Mas o conheci o suficiente para acabar com isso. Eu quis me
afastar de você porque fiquei confusa com ele. E quis ser
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justa. Não acho certo começar um relacionamento com você,


quando uma noite boba na cidade com ele me faz ficar tão
confusa. Eu não o vejo apenas como um amigo, foi isso que
quis te explicar.
Ele nega com a cabeça e segura meu rosto, olha em meus
olhos, tentando me convencer:
— Você o ama. Mesmo sabendo que ele nunca vai te dar
isso de volta, mesmo sabendo que se ele descobrir sobre esse
sentimento, vai se afastar de você. E eu sei que você tenta não
amar e tenta manter sua tão prezada amizade, mas isso está te
matando aos poucos. Então você se afasta de mim e na
semana seguinte está na cama dele. Pode ser bom no começo,
mas como vai se sentir quando ele aparecer com outra na
noite seguinte? Você realmente serve para ser mais uma
dessas mulheres que ele leva para a cama, Caitlin? Porque eu
acho que você não é assim. E ele sabe disso, por isso ainda
não tocou em você, mas vê-la comigo o está levando ao
limite.
Penso sobre a reação de Colin ao fato de eu não ter
chegado a tempo da sua luta. Ele ficou tão chateado, que se
lembrou do passado, deixou que os fantasmas entrassem.
Então penso sobre sua reação a tudo que envolve o Stephen, o
ataque no orfanato quando eu disse que estava apaixonada. O
que ele fez no banheiro..., mas, quando eu cedi, ele se afastou.
Talvez Stephen esteja certo, eu sei que ele está.
— Caitlin ele vai enlouquecer você até levá-la para a
cama, mas e depois? Como você vai ficar depois? Vai perder
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seu tempo, seu coração e seu tão querido amigo.


— Isso não te dá o direito de armar para mim, Stephen.
As coisas entre mim e o Colin e o que quer que eu sinta por
ele, têm que ser resolvidas por mim, não por você.
— Só que eu estou apaixonado por você, nunca te escondi
isso e sinto muito, mas não posso vê-la caminhar em direção a
um precipício e deixar que você salte de olhos fechados sem
fazer todo o possível primeiro para impedir. Eu sei que não
joguei limpo, eu realmente sinto muito por ter me rebaixado
ao nível dele com você, eu peço desculpas a ele se você
quiser, mas eu preciso protegê-la. Caitlin, eu não me importo
de passar um tempo com você como amigos. Eu te disse
aquela noite e repito, eu me apaixonei de verdade por você. E
se você me deixar provar que posso te fazer esquecê-lo, eu
vou fazer isso, Caitlin. Você não tem que me prometer nada,
não precisa nem ao menos se esforçar, só me deixa tentar.
Descemos do elevador e o impeço de entrar no
apartamento. Apenas para evitar o confronto entre ele e Colin.
Ele entende meu gesto e se despede beijando minhas mãos.
Dá um passo em direção ao elevador, mas para e me olha, um
sorriso em seu rosto, como se não tivéssemos acabado de ter
mais uma discussão difícil. Às vezes eu o admiro tanto, que
me pergunto se não estou jogando fora o cara certo para mim
por um sentimento tão louco como o que tenho pelo cara
errado.
— Eu vou convencê-la, Caitlin. Você será minha.

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Então entra no elevador e vai embora, e eu fico me


perguntando em que momento a minha vida se tornou uma
série adolescente dramática onde eu fico na dúvida entre o
cara perfeito e o cara impossível. Claro que se fosse uma
série, o impossível também estaria apaixonado por mim. E
claro que se fosse esse o caso, não teria drama algum porque
eu ficaria com ele.
Enquanto entro no apartamento, não sei se prefiro que o
Colin esteja no modo com raiva, ou no modo tentando me
seduzir. Não sei com qual dos dois é mais difícil lidar. Porque
no final das contas eu convivo com ele há tempo suficiente
para saber que preciso tomar todo cuidado do mundo para não
ceder. Pelo menos não enquanto eu sentir qualquer coisa
diferente por ele. Porque depois que me tiver, ele vai me
destroçar.
Mas, fico contente com uma nova meta de vida: não amar
mais o Colin, para poder finalmente ficar com ele.
Eu deveria procurar a psicóloga dele, há algo errado com
meu cérebro.

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CAPÍTULO ONZE
— Eu vou convencê-la, Caitlin. Você será minha.
Ouço o imbecil falar para ela quando está se despedindo.
Isso significa duas coisas, uma: ela ainda não perdeu a
virgindade com ele. E duas: ainda tenho tempo de impedir.
Ela se assusta ao dar de cara comigo perto da porta, leva a
mão ao coração e sorri para mim. Então tenta defendê-lo, mas
o faz sem convicção:
— Ele não sabia que eu seria a sua Sorte.
— É, ele preferiu não correr o risco — respondo e vou
para a cozinha.
— Você ainda está bravo comigo?
Nem me dou ao trabalho de responder. Culpada ou não
por não ter sido a minha Sorte, eu tentei alertá-la sobre ele e
ela não quis me ouvir.
— Você já se convenceu de que ele não serve para você?
— Colin, você só faz o que sabe que é o certo a se fazer?
Olho para seu rosto risonho e contenho a vontade de rir
também.
— Você está querendo me zombar? — pergunto para
entrar em seu jogo, sei bem onde ela quis chegar.
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— Pois é, não me julgue.


— Recado recebido, senhorita Ross. E ignorado.
Ela deixa as coisas sobre a bancada e dá a volta,
aproximando-se de mim. Para ao meu lado e me estende os
braços.
— Vamos fazer as pazes? — pede.
— Está me oferecendo seu corpo como pedido de
desculpas? Caitlin, você é a melhor amiga do mundo.
Largo o pimentão e a abraço, levantando-a com
facilidade, rodopio com ela que ri como uma menina e aquela
coisa escondida no meu peito, esperando para dar as caras,
parece diminuir um pouco.
— Na verdade, só te ofereci um abraço — ela diz, e a
coloco no chão imediatamente.
A dor esperando para foder com a minha cabeça diminuiu
um pouco. Só porque abracei a Caitlin e a ouvi sorrir.
— Merda! Merda! Merda!
Vou para o meu quarto como um imenso bundão e a deixo
ali sem explicação. Eu teria que mentir de novo e isso não vai
se tornar um costume. Melhor não falar nada do que não falar
a verdade. E nesse momento estou considerando sacudir a
doutora casamenteira até que ela desfaça a maldita praga que
rogou em mim. Ligo para ela que me atende no terceiro toque.
Nem dou tempo de ela me dizer nada, já a ameaço:

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— Não é a dor, é a cura — imito sua vozinha fina de


mulherzinha. — Papinho furado de merda, desfaça essa porra
agora mesmo!
Ela fica em completo silêncio e acho que não me ouviu,
ou está chamando a polícia. Mas então ela ri, dá gargalhadas e
me diz que ganhou sua noite antes de desligar o telefone na
minha cara.

Durante esses dias tenho evitado muito contato com a


Caitlin. Ela entrou em semana de prova e isso facilitou para
que não nos víssemos tanto, mas nos momentos em que
estamos juntos em casa, a trato com educação e me afasto.
Vejo que isso a machuca, mas até que essa dor escondida aqui
suma totalmente, terei que afastá-la. Preciso ser eu mesmo a
sumir com essa coisa, não ela. Sei que durante essa semana
ele não vai convencê-la a fazer nada, pois ela fica pilhada e
entra no modo Caitlin zumbi quando é semana de provas. E as
bolas negras em volta de seus olhos deixam isso bem claro.
Acho que prefiro impedi-la de perder a virgindade com o
babaca do Ryan sem que ela acabe na cama comigo no
percurso.
Abro a porta do meu quarto para me preparar para minha
segunda luta no campeonato e a vejo na cozinha, com fones
no ouvido e tomando sorvete direto do pote. Este é seu ritual
para quando as provas acabam, e como hoje é sexta, foi seu
último dia de martírio. Ela sempre fez isso, mas eu nunca
tinha reparado em como ela fecha os olhos e geme enquanto
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enfia a colher na boca, e a imagino fazendo isso no meu pau,


enquanto o enfio bem devagar na boca carnuda dela, meu pau
logo dá sinal de vida e aproximo-me dela devagar. Paro atrás
dela e respiro o cheiro de seu cabelo, ela geme mais uma vez
e encosto meu corpo ao dela. Ela se assusta, mas está cercada
por meus braços enquanto tiro a colher de sua mão, mergulho
no pote de sorvete e a levo até minha boca, minha cabeça
pouco acima de seu ombro. Um pouco do sorvete cai em seu
ombro no percurso e o lambo imediatamente.
— Hum, chocolate — comento como se não fosse nada
demais tê-la lambido e levo a colher à boca ao mesmo tempo
em que me recosto mais nela, deixando que ela sinta minha
ereção pressionada em suas costas, logo acima de sua bunda.
Ela se mexe desconfortável e se vira nos meus braços,
ficando de frente para mim. Seus olhos de gata estão
assustados e ela está vermelha como um tomate.
— Você acabou de me lamber — diz num fiapo de voz.
Sorrio como se fosse uma coisa qualquer.
— Caiu sorvete no seu ombro. Imagina se você estivesse
de frente para mim, como está agora? Teria caído no seu seio,
e eu começaria a lambê-la daí.
Viro a colher vagarosamente para deixar que caia sorvete
em seu seio, mas ela empurra meu braço e corre para seu
quarto. E eu fico aqui, sentindo falta do calor do corpo dela,
imaginando por que caralho não joguei o sorvete em seu seio
e o lambi ao invés de falar isso para ela.
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— Caitlin, Caitlin. Não é proposital, você apenas tem que


ser minha. Eu juro que tento, pequena, eu queria te deixar em
paz, mas o destino não colabora. Ele quer me ver de qualquer
jeito dentro de você. O que eu posso fazer? — falo baixinho
esperando que ela tenha ouvido pelo menos um pouco do que
disse.
Eu sei, sou um fracote quando se trata dela, decido e sei
que é melhor não fazermos isso, pelo bem da nossa amizade,
mas há algo em meu corpo, na minha cabeça e até mesmo no
ar à nossa volta que não me deixa ser um cara bom. Então
terei que enfiar essa dorzinha escondida o mais fundo
possível, porque eu vou ser o primeiro dessa mulher. Se tenho
que ser um cara mau para isso, então serei. Estranhamente,
me sinto um pouco mais feliz ao aceitar isso. Essa coisa de
manter as mãos longe dela estava me pesando a alma.
Guardo o sorvete na geladeira mais leve e disposto, ciente
que mesmo não a tendo em cima do rinque comigo essa noite,
eu vou vencer.

Chego ao clube pouco antes do horário da luta, mas tenho


dado tão duro nos treinos durante a semana, que decidi deixar
a tarde de hoje livre para descanso. Porém, me sinto mais
ativo do que nunca. O clube já está enchendo, e os caras estão
reunidos nos fundos, fazendo as apostas. Stephen lutou ontem
e venceu, vou usar isso como um incentivo para que eu vença
também, e não vou pensar no fato de que deve ter dado o
maior beijão na Caitlin após sua vitória de merda.
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Não cumprimento os caras enquanto troco de roupa, acho


que eles nem veem que cheguei, fechados em sua rodinha de
aposta. Enquanto me visto, escuto o teor da conversa da noite.
Quero saber se estão apostando em mim, mas claro que estão.
É incomum que façamos apostas no vestiário ao invés de lá
fora, mas às vezes, fazemos essas apostas internas, fora das
que fazemos com a plateia.
— Eu aposto no Colin — um deles diz e sorrio, como eu
disse, apostando em mim.
— Fala sério, cara, lógico que vai ser o Stephen, estão
juntos há semanas!
Stephen? Mas ele não luta hoje, e não luta comigo.
— Mas ela deu um bolo nele ontem, você não viu? Ele
ficou lá procurando por ela e ela não apareceu. Não quis vir
nem para assistir a luta.
— Mas ela também não viu a luta do Colin, então para
mim ainda vai perder a virgindade com o Stephen.
— De que merda vocês estão falando? — Me intrometo já
puto com a merda de aposta que estão fazendo. Mesmo assim
pergunto, porque quero ter plena certeza antes de quebrar a
cara de todos eles aqui dentro.
Eles estão assustados e tentam desconversar, mas já parto
para cima, sendo segurado por Thor e Luke, que nem vi de
onde saíram.
— Seus malditos! Eu disse para não falarem mais o nome
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dela! Que merda de aposta é essa? Não toquem no nome dela!


Sinto tanta raiva que continuo gritando enquanto sou
levado dali. Está na hora da luta, e toda minha concentração
se foi, eu só sinto raiva.
— Acalme-se filho, ponha a cabeça no lugar! Vença esse
campeonato e pode quebrar a cara de cada um deles depois,
mas agora, concentre-se! — Thor tenta enquanto me leva para
perto do ringue, onde o locutor já está se preparando para
iniciar a noite.
Mas não consigo me acalmar. A culpa disso é minha,
maldita hora em que a trouxe a essa merda de clube, nunca
deveria ter feito isso. Encaro Luke que está vermelho e se
segurando e acuso:
— A culpa disso é sua! Que ideia de merda foi aquela de
trazê-la para cá?
— A culpa é nossa, seu bosta! Mas eu vou dar um jeito
nisso!
— Luke, dê um passo para dentro daquele vestiário e será
demitido! — Thor alerta. — Vocês não vão brigar no meu
clube essa noite. Há outros clubes e um campeonato
acontecendo aqui. Vocês são homens feitos então ajam como
tal! Resolvam essa criancice depois! Eu vou advertir os
lutadores que fizeram essa aposta, eles perderão suas
porcentagens nas próximas lutas. Não façam mais nada por
ora.

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Me preparo para responder, mas então a vejo. Caitlin. Ela


parece perdida e deslocada sozinha ali, procurando entre a
multidão. Até que seu olhar encontra o meu, ela sorri para
mim e procura um lugar para se sentar. Mesmo não sendo
minha Sorte, ela veio assistir minha luta. Senta-se e estende
um cartaz que fez, onde está escrito com sua caligrafia
perfeita: Team Colin.
— Cara, ela está aqui! Sem o Ryan — Luke diz.
— Vá, fique ao lado dela, não deixe que nenhum daqueles
idiotas diga qualquer besteira a ela.
Luke assente e corre para sentar-se ao seu lado e Thor
ainda me olha, com sua melhor expressão de homem
experiente.
— Você acha que há o menor risco de eles mexerem com
ela? Ela é a garota dos meus dois lutadores mais mortais,
acredite, se alguém aqui dentro está protegida, é Caitlin Ross.
— Ela não é... — Tento defendê-la, mas sou chamado ao
ringue e preciso me concentrar. Tenho que vencer essa luta.
Para poder ganhar essa merda de campeonato e quebrar a cara
de todos aqueles babacas do vestiário, e claro, para
impressionar minha mais linda expectadora.
Caitlin, você pode não ser minha Sorte nesse ringue essa
noite, mas a minha vitória e todas as outras depois dela serão
para você.

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A luta foi páreo duro, o adversário da noite era bem mais


difícil do que o anterior. Apanhei mais do que planejava para
impressionar minha expectadora, mas no final, deu tudo certo
e eu venci. Fiz questão de manter meus olhos fixos nela
enquanto o juiz levantou meu braço, e ela sorriu em resposta,
entendendo o recado. Em compensação, a cara de Luke não
foi das melhores, acho que ele também entendeu o recado.
Preciso muito ter uma conversa com meu amigo.
Desço do ringue recebendo os cumprimentos de alguns
lutadores e de Thor, que está mais feliz do que o vi o dia todo.
— Este era um dos mais preocupantes lutadores, Hanson.
Você acabou com ele!
A plateia grita meu novo nome “exterminador”, e vejo o
dinheiro rolando solto, quem apostou em mim, vai voltar para
casa de bolsos cheios. Procuro então minha menina e ela está
em uma conversa com Luke, a cara de socorro de sempre,
enquanto ele segura sua mão. Vou em sua direção, quando
esbarro em Serena. A irmã do meu maior inimigo está com
algumas ring girls, então me dou conta de que raramente a
vejo com algum lutador ou qualquer homem daqui. Aliás, não
a vejo com ninguém do sexo masculino desde que...
— Serena — grito por cima da multidão.
— Colin, parabéns!
Pego sua mão e a levo até um lugar menos barulhento, de
onde ainda posso ver Caitlin, que procura por mim. Só quero
ser o cara que ela acredita que eu seja.
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— Eu quero me desculpar com você, por tudo o que te fiz.


Eu fui um canalha e extremamente idiota e agradeço por você
não me odiar. Eu não tinha a intenção de ferir você, e
realmente sinto muito.
Ela fica tão surpresa que demora um pouco a sorrir e dizer
que está tudo bem.
— Colin, eu nunca pensei que você seria...
Deixo de ouvi-la no segundo em que olho novamente para
Caitlin e ela está de pé, de mãos dadas com Stephen.
Despede-se de Luke enquanto varre mais uma vez o local
com os olhos, provavelmente procurando por mim, me vê
num canto com a Serena e vira-se rápido o bastante para que
eu não veja a decepção em seus olhos. Merda! Isso é que dar
tentar bancar o bonzinho.
Quero ir atrás dela, mas não o faço. Não posso dar ainda
mais motivos para que ela seja o alvo das apostas idiotas
desse lugar. Não posso alimentar ainda mais essa história de
rivalidade fora dos ringues ou luta pela virgindade dela. Ok
que isso realmente existe, mas eles não precisam de uma
confirmação. Desanimado, olho para Serena olhando de mim,
para o local onde Caitlin estava e uma compreensão toma seu
rosto.
— Você sabe que está apaixonado por ela, não sabe?
— Ei, Serena, quer ser a minha Sorte no campeonato?
Seria a Caitlin, mas você também é minha amiga, não é?
Acho que vai me ajudar a vencer.
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Seus olhos brilham e especifico meu convite antes que


más interpretações acabem em confusões desnecessárias.
— Como amigos, claro. Sem benefícios. Apenas amigos.
— Eu entendi, Colin. Mesmo porque você ama a
namorada do meu irmão, o que nem vou comentar o quão
fodido você está. A vida é mesmo imprevisível. Mas sim,
aceito ser a sua Sorte, podemos ser amigos, eu gosto de você.
Ficarei muito feliz em ajudá-lo a vencer. E meu irmão vai
ficar doido com a gente.
— Que bom! Preciso ir!
Despeço-me dela quando uma ideia começa a surgir em
minha mente. Eu, mais uma vez, excitando a Caitlin antes de
ela ir passar a noite com o imbecil. Preciso melhorar meus
métodos de sedução se quiser colher os frutos da minha
plantação. Essa coisa de deixá-la molhada, para depois ela
sair com ele ainda vai acabar com a pouca sanidade que me
resta.
Avisto Luke na saída, e eu deveria ir falar com ele, dizer
que as coisas mudaram. Não que eu esteja apaixonado pela
Caitlin, não, isso é outra coisa. Mas é uma outra coisa maior
do que eu disse a ele que realmente era. Então, preciso
corrigir. Procuro por eles e encontro Stephen se despedindo
de seus amigos babacas, em seguida, abre a porta do carro
para Caitlin.
Ridículo! Fingindo ser o cavalheiro.

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— Caitlin, meu bem, prefira caras que saibam abrir suas


pernas, não portas.
Espero eles saírem com o carro, e mantendo o máximo de
distância possível para que não me vejam, eu os sigo. Só
quero ver se irão a um motel, nada demais. Ele a leva a um
pub, um badalado que eu sempre quis conhecer, mas não o fiz
por falta de coragem de trair meu pub de sempre. Eu já posso
ir embora tranquilo e calmo ciente de que não foram a um
motel, mas a Caitlin me viu com a Serena naquele canto, deve
estar pensando um monte de baboseiras e está indo beber.
Quando bebeu a primeira vez, dançou em uma mesa de bar, o
que poderá fazer com ele juntando bebida + calcinha molhada
+ raiva de mim?
Estaciono a moto escondida por uma árvore e desço. Fico
no vidro, do lado de fora, observando-os conversar. Ela não
parece muito animada com a conversa e ele faz carinhos
demais no rosto dela. Por isso ele não pega mulheres no
clube, lento demais. Mulheres não querem viver de carinhos,
querem viver de orgasmos. No canto em que estão, se fosse
eu com ela, meus dedos acariciariam sua boceta, não seu
rosto. Se ele não fosse tão babaca eu poderia dar umas aulas
para ele de como tratar uma mulher.
Um casal senta-se na mesa ao lado da deles cobrindo
minha visão. Vejo a mão dele descer de seu rosto e quase
desfaleço por um segundo, porque no outro, entro no pub,
tentando me esconder atrás do garçom e sento em uma mesa
no segundo andar, que me permite vê-los. Tomara que eles
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não olhem para cima. Ele fala sem parar e ela faz sua perfeita
cara de paisagem. Será que ele não a conhece o suficiente
para saber que a está entediando? Ela mexe na pulseira em
seu pulso várias vezes seguidas, sinal claro de que quer ir
embora, ele sai tanto com ela e ainda não percebeu isso?
Caitlin é como um livro aberto e ele é tão babaca que não
consegue lê-lo.
— Estou salvando você, meu bem — digo baixinho.
— Falando sozinho? — Uma mulher na casa dos quarenta
anos, usando uma blusa bem decotada e um short curto
demais por cima de uma meia calça suspeita senta-se à mesa
comigo.
— Não. Estou aqui apenas como espião.
— Trabalha para o governo? — pergunta esperançosa.
— Ah não, não mesmo! Neste caso em particular, é um
trabalho em benefício do meu pau. Está vendo aquele casal
ali? — Aponto os dois e ela observa por um momento antes
de constatar.
— O homem lindo e a garota entediada?
— Desnecessário colocar adjetivos nele, mas sim, ela está
entediada. Ela é minha melhor amiga e quer perder a
virgindade com esse babaca, dá para acreditar?
— Na verdade, dá. Ele é maravilhoso!
Mulheres. Por que tão focadas em aparências?

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— Ele é ruim de cama — afirmo para acabar com seu


fascínio por ele.
O garçom entrega minha cerveja e ela pede algo, voltando
a falar comigo em seguida:
— Como você pode saber disso?
— Olhe a quanto tempo ele está acariciando a mão dela.
Antes disso, ficou a vida no rosto.
Ela parece desanimada e seu olhar se foca totalmente em
mim, avaliando-me dos pés à cabeça.
— É verdade, bem lento da parte dele. Já você, parece
esperto demais — levanta seu decote tentando me
impressionar e teria dado certo, se não fosse o casal lá
embaixo e minha missão da noite.
— Querida, você não faz ideia do quanto.
— Quer ir para um lugar onde possa se concentrar em
uma mulher que não seja uma menina entediada?
— Agradeço, mas a garota entediada ali, é a próxima
mulher que vou levar a algum lugar.
— É uma pena! Mas só para que você saiba, você está
ridículo sentado aí espionando de longe a menina. Fala que
ele é lento, mas há quanto tempo está aqui ao invés de ir lá e
pegá-la para você?
— É por isso que não gosto de mulheres mais velhas.
Eles se levantam e mais do que depressa levanto-me
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também.
— Ei, pague a cerveja por favor, obrigado e boa sorte —
digo já saindo correndo escada abaixo.
Pego a moto, que por algum motivo deixei longe demais
da entrada e até que consiga ligá-la, eles já sumiram. Dou
uma volta pelas proximidades, mas não os vejo mais. Bom, de
qualquer forma, eles não iriam a um motel, ele acabou com
todo meu trabalho de mais cedo molhando a calcinha dela,
entediando-a.
— Valeu, Stephen. Está aí uma frase que nunca pensei
que iria dizer.
Volto para o apartamento, mas assim que desço do
elevador escuto a voz da Caitlin. Mais uma vez, por algum
motivo, ela não o deixou entrar. Acho que isso tem a ver
comigo e o quanto fiquei mal por ele ter sabotado minha
operação Sorte. Escondo-me atrás de um vaso de plantas, ele
não esconde quase nada, mas Caitlin e Stephen não podem me
ver de onde estão, porque estou pouco antes da virada no
corredor que dá na nossa porta.
— Caitlin, você pensou no que te pedi? Princesa, eu sou
louco por você, se me der essa chance, se for a minha
namorada, prometo que vou fazê-la feliz. Eu nunca quebro
uma promessa, Caitlin. E nunca perco uma luta. Eu juro que
você vai ser feliz comigo, só preciso que diga sim.
Há o silêncio como resposta e temo não estar escutando a
voz baixa dela, inclino a cabeça um pouco e uma mão toca
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meu ombro, quase me fazendo mijar nas calças.


— Colin, que bela noite para se espionar, não é mesmo?
— Lorna. Você não poderia ser mais inoportuna.
Ela abre um sorriso enorme e me aperta em seus braços.
— Olha sua cara, filho, você parece uma colcha
remendada, vamos tratar isso.
Pega minha mão e vira o corredor, ficando à vista de
Caitlin, que abraça a mãe parecendo aliviada.
O que será que ela respondeu?
— Colin, não te esperava aqui tão cedo — diz olhando-
me rapidamente.
— E onde mais eu estaria?
Ela me lança aquele olhar de “queria te matar só um
pouquinho” e apresenta seu namoradinho para a mãe.
— Mãe, este é o Stephen, Stephen, esta é Lorna, minha
mãe.
Ele beija a mão de Lorna e puxa seu saco elogiando sua
beleza e maneira de se vestir. Lorna é uma mulher linda, mas
se veste horrendamente.
— Lorna, já viu que ele é mentiroso, não viu? Sua roupa
está estranha — digo para provocá-lo e ela começa a rir, pega
a mão dele e entra no apartamento.
Caitlin a segue, mas seguro seu braço, puxando-a para
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mim.
— Como foi o beijo? — pergunto olhando em seus olhos.
— Que beijo?
— Que ele deu em você. Passou no teste? Fez você se
sentir como eu fiz?
Ela cora e tenta se livrar do meu aperto.
— Colin, eu não acredito que você...
— Você nem deu um beijo nele, não é? Está com medo
porque sabe que nunca será a mesma coisa. Mas sabe, você
deveria testar, deveria beijá-lo, e comparar. A porta do meu
quarto estará aberta quando você voltar correndo para casa, e
meu rosto estará limpo desses machucados, pra eu poder
beijar você. Do jeito que você gosta.
Solto seu braço e entro em casa, vamos ver como o
Stephen se sai ao conhecer a irreverente sogrinha dele.

— Filha, você demorou a eternidade para achar alguém,


mas valeu a pena! — Lorna avalia Stephen, passeando a mão
por seus músculos e dando uma apertada em seu traseiro, o
que o deixa claramente desconfortável.
— Mamãe, por favor. Não vá traumatizá-lo.
— Ah, uns apertos ele aguenta. Não é, querido?
Ela anda até Caitlin e segura suas mãos.
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— Querida, eu aprovo o seu namorado. Ele é lindo e fofo.


E claro, ele sabe que você não é uma menina. Você não fica
cheio de dedos com ela, não é? Sabe que ela precisa transar.
— Mãe! — Caitlin repreende corando como um tomate.
— Estou tentando, senhora Ross, estou tentando — ele
diz e Lorna pisca para mim.
Essa velha trapaceira! Insinuando que eu vejo Caitlin
como uma menina. Ela fica tanto tempo elogiando Stephen e
circulando em volta dele, que isso me incomoda. Ela
realmente gostou muito dele, ainda mais quando ele começa a
contar sobre seus planos na empresa de seu pai. Ao contrário
de mim, ele é alguém, tem uma família, uma casa, carro e um
futuro. Tem muito mais a oferecer a Caitlin do que eu. Encaro
minha menina sentada ao lado dele, ela sorri das gracinhas da
mãe, mas eu a conheço o suficiente para saber que está
cansada e só quer que isso acabe logo para ela ir dormir.
Como ele pode nem perceber isso? Ele pode ter tudo para
dar a ela, pode dar a casa perfeita, a vida perfeita, o cachorro
perfeito. Mas ele nunca a fará feliz como eu poderia fazer. Ele
nunca vai conhecê-la e entendê-la como eu.
Levanto-me confuso e cansado demais de repente e toco
no ombro de Lorna, meus olhos fixos em Caitlin.
— Acho que nossa menina está cansada, Lorna. Ela
estudou duro a semana toda, está tarde, ela precisa dormir.
Caitlin sorri para mim em agradecimento e Stephen

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finalmente se toca que deve ir. Ele se despede de Lorna como


o puxa saco babaca que é e passa direto por mim. Caitlin vai
levá-lo até a porta.
— Muito bonito, sua velha assanhada! Aprova o
namoradinho dela? Que palhaçada, sua traíra!
Ela abre um sorriso enorme e passeia a mão por meu
peitoral.
— Ah querido, você é mais gostoso do que ele! Você
sabe, você só é meio cego. Apesar que, você os estava
espionando e agora está com ciúmes.
— Isso não é ciúmes. É outra coisa.
— Ainda cego, Colin, meu bem. — Ela pega sua bolsa e
segura minha mão em seguida, com seus olhos de mulher
sábia, o que sabemos que ela não é. — A garota dorme na
porta de frente para a sua, você precisa ser muito idiota para
perdê-la para ele.
Então, ela solta minha mão e aperta meu saco, de leve,
mas é o bastante para me assustar e me fazer dar um pulo para
trás constrangido.
— Você é maior do que ele. Use isso que tem no meio das
calças.
— A senhora apalpou o pau dele?
— Ah, ela apalpou — Caitlin responde voltando a sala. —
Mãe, guarde essa bolsa, precisamos conversar.

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— Bom, eu vou tomar um banho — digo afastando-me


para deixá-las no momento delas.
Quando saio do banheiro, Lorna já se foi e Caitlin está
indo dormir também. Dou boa noite a ela, que responde com
um sorriso, e a recordo da minha oferta.
— A porta do quarto está aberta.
Ela cora levemente e me retiro ao meu quarto,
esperançoso que ela apareça. Afinal de contas, ficou horas
com ele entediada e sem dar sequer um beijo. Quando saí com
ela em nosso encontro, eu queria beijá-la o tempo inteiro, com
ele não pode ser diferente. Mas ela não quis beijá-lo, e estava
entediada, o que claro, é um ponto a meu favor.
Merda! Eu realmente os segui como um adolescente
maluco apaixonado quando disse a mim mesmo que jamais
faria isso?
— Amarrem minhas bolas, eu sou um desesperado!

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CAPÍTULO DOZE
Os dias passaram sem maiores novidades e minha terceira
luta é hoje. Logo após a do imbecil Ryan. O que quer dizer
que terei que vê-la no ringue ao lado dele, quando deveria
estar comigo. Tenho feito de tudo para que ela perceba que
deseja a mim e não a ele. Eu ando seminu pela casa, toco nela
mais do que o normal e nossas conversas estão sempre
cobertas de segundas intenções da minha parte. Tirando
agarrá-la e fazê-la gozar com minha mão, não sei mais como
fazê-la entender que seu prazer pertence a mim. Estou ficando
sem ideias.
Avisto Luke logo quando chego, conversamos sobre
várias coisas, menos sobre o que eu deveria realmente falar
com ele. Não sei se meu amigo vai entender e não quero
correr o risco de perdê-lo. A vida podia colaborar comigo só
um pouquinho e fazê-lo se interessar de maneira especial por
outra mulher, para perceber que não ama a Caitlin como acha
que ama, ele apenas a deseja. Coisa que poderia acontecer
com qualquer homem que olha para ela.
Mais uma vez, fico esperando uma mãozinha da vida e
deixo essa conversa para depois, pois Stephen vai começar a
lutar. O locutor anuncia os lutadores da noite, dando início ao
barulho ensurdecedor da plateia.
— Boa noite, senhoras e senhores. Nessa noite o chão
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desse clube vai tremer. A competição está ficando menor e


consequentemente, apenas os melhores estão sobrevivendo.
Quem vai cair hoje? Quem ficará mais perto do cinturão de
campeão? Só posso garantir uma coisa, o clube Luck vai
guardar esse troféu este ano.
Uma parte da plateia aplaude e outra vaia, e ele continua:
— Sem mais delongas, vamos a primeira luta da noite.
Tirem a mão dos bolsos, porque a briga é boa. Ele, o maior
campeão de Nova York, o mestre do Luck, com vocês, o
invencível Stephen Ryan.
A plateia grita e o dinheiro rola solto quando o imbecil
sobe ao ringue, meus olhos estão correndo toda a plateia em
busca dela, mas não a vejo em lugar nenhum.
— Ele escapou de uma prisão no Alabama para estar aqui
essa noite, senhoras e senhores. Mortal, preciso, indestrutível!
Ele é Jeff Dowson, o martelador.
Mais gritos e o dinheiro continua rolando de mão em mão
em apostas. Os tesoureiros mal dão conta de colher tudo. O
locutor convida as Sortes a subirem no ringue, e uma garota
sobe por Jeff, ela está grávida e beija-o na boca, deve ser a
esposa dele. Stephen olha para um ponto na plateia fixamente,
e percebo que está olhando Caitlin, ela está aqui, na plateia,
não no ringue com ele. Ele suplica a ela com os olhos que
suba no ringue, mas ela não o faz, e ele diz ao locutor que não
tem uma Sorte. Sei que isso vai gerar mais apostas idiotas e
ainda mais conversas com o nome dela, mas sinto-me
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absurdamente feliz por ela se recusar a subir lá.


A plateia está cheia e claro que não há lugar ao lado dela,
mas preciso saber porque ela não quis ser a Sorte dele. Ando
pela multidão, me esquivando de mãos mais assanhadas e
paro de frente para o cara sentado ao seu lado.
— E aí, cara? Vaza!
Ele sai rapidamente e recebo um olhar de reprimenda de
Caitlin, mas não me importo, sento-me ao lado dela com o
maior sorriso do mundo na cara.
— Por que está sorrindo assim? Colin, você feliz desse
jeito me assusta — grita.
— Minha melhor amiga não é a Sorte do meu inimigo,
não posso comemorar?
Ela parece desconfiada, mas por fim dá de ombros e
presta atenção na luta de Stephen. E eu fico como um
cachorrinho pedindo atenção ao seu dono, grito por sobre o
som da plateia, a toco, tento manter uma conversa na medida
do possível, mas seus olhos não se fixam em mim por mais de
três segundos e voltam para a merda do ringue, para ele.
Essa deve ter sido a luta mais difícil do campeonato até
agora, o martelador além de força tem muita técnica e
Stephen apanhou bastante antes de vencê-lo, coisa que
raramente acontece. Ele pega o lenço da sorte e Caitlin vira-se
para mim imediatamente, deixando claro para ele que não irá
subir naquele ringue.

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— Ufa! Achei que essa coisa de sorte funcionasse e fiquei


com medo dele perder a luta porque eu não subi lá —
comenta aliviada.
— Funciona. Mas a vida é extremamente generosa com
esse babaca, ele sempre vence. Além do que, depois do que
fez ele merecia perder. Agora que está me vendo aqui, por
que não subiu lá com seu namoradinho?
— Era para eu ter sido a sua Sorte e não fui por causa
dele, só não achei justo ser a dele, sabe?
Sinto um orgulho enorme dessa minha menina e do
carinho e amor que ela sempre tem por mim. Ela não vai mais
ser a Sorte desse babaca o campeonato todo por minha causa.
Isso me deixa quase tão feliz quanto se ela fosse a minha
Sorte no campeonato. Se eu puder beijá-la mais vezes, então
me sentirei tão feliz quanto.
Despeço-me dela para a minha luta. Em poucos minutos
meu nome será chamado, mas estou confiante e calmo, esta
noite minha técnica vai vencer a luta.
Bebo uma água e na saída do vestiário, encontro Stephen,
também saindo.
— Então, parece que você ficou sem sorte para o
campeonato não é mesmo? — provoco.
— Não pense que você venceu essa, Hanson. Ela pode
não ter subido ao ringue comigo hoje, mas está indo embora
comigo agora. Quem ganhou?

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— Eu já disse que ela não é um objeto para que você


fique disputando e exibindo! Uma hora ela vai perceber o
grande babaca que você é.
Ele dá um passo em minha direção, mas se controla. E eu
torço que ele me acerte, foco meu olhar nele, incitando-o a me
atingir, só preciso de um toque para que ele seja
desclassificado.
— Sabe qual é o seu problema, Hanson? Você nunca a
olhou como uma irmã! Você a teve nas suas mãos a vida toda,
e achou que poderia curtir a vida e depois ela estaria ali
quando você resolvesse sossegar. Só que não é assim que as
coisas funcionam. Você teve sua chance com ela, para sermos
justos, teve mais chances do que qualquer outro homem terá
um dia com ela, e você jogou isso fora. Devia ser homem ao
menos para assumir isso e deixá-la ser feliz.
As palavras dele me machucam mais do que qualquer
golpe que ele poderia ter me dado. Porque sei que ele está
certo em grande parte do que disse. Exceto que meu amor por
ela realmente era algo fraternal e apenas recentemente mudou.
E claro, que ela não poderia ser feliz longe de mim, porque eu
fui moldado em torno dela, para conhecê-la por inteiro, para
adivinhar os pensamentos dela. Eu posso ter tido mais
chances do que qualquer outro homem na vida dela, mas isso
porque nenhum outro homem poderia fazê-la feliz como eu.
Ela dá um passo à frente, e percebo que estava ouvindo a
conversa. Seus olhos de amêndoa estão focados em mim, e
parecem tristes. Eu não vou deixar que esse imbecil saia com
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a última palavra essa noite, mas respondo mais para ela, para
que ela entenda, do que para ele.
— Você está errado, eu a via como uma irmã, sim. A
amava como se fosse sangue do meu sangue. Eu percebi tarde
demais que ela não é minha irmã, e não é mais uma menina,
eu admito isso. Estive de olhos fechados por tempo demais.
Mas eu acredito, eu realmente espero, que não exista tarde
demais para alguém aprender a fazer a pessoa mais
importante da sua vida feliz.
Os olhos dela enchem, ainda focados em mim. Stephen
pega sua mão e a chama para ir embora, mas pego a outra,
impedindo-a de ir com ele.
— Você não vai assistir minha luta?
— Não, nós já estamos de saída — Stephen responde, mas
ela olha para ele e aperta sua mão, tranquilizando-o.
— Claro que vou. Eu prometi que não perderia uma luta
sua, não prometi?
— Obrigado — digo quase sem voz e ela solta a mão de
Stephen e me abraça.
— Boa sorte, Colin. O grito mais descoordenado e fora do
tom, será o meu.
Sorrio e ela vai com ele. Não importa se estará de mãos
dadas com ele, é para mim que estará torcendo.

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Venci a luta com mais facilidade do que achei que teria,


mas ela se foi logo que venci. Também não pareceu muito
contente ao ver Serena subir ao ringue como a minha Sorte,
mas foi a reação de Stephen que me divertiu mais. Ele ficou
sem cor e juro que se pudesse me matar o teria feito naquele
momento. Bom, se ela que é da família não se importa em
irritar o irmão, eu é que não vou poupá-lo.
Infelizmente, não consegui sair do clube a tempo de
segui-los. Não que eu fosse fazer isso essa noite, só queria
mesmo saber para onde ele a estava levando. Thor me
prendeu lá para uma comemoração porque mais uma vez, dois
lutadores do Luck passaram. A competição se torna cada vez
mais difícil, mas a equipe dele está indo muito bem.
Chego em casa e vou direto para o banheiro, analisar o
estrago na minha cara, Luke veio comigo, já me enchendo a
paciência por conta de um corte abaixo do olho direito que
não para de sangrar. Geralmente quando o campeonato acaba,
preciso de alguns meses para ter a cara limpa de novo.
Caitlin chega quando estou limpando o sangue, já o lavei,
o que estancou por algum tempo, mas, após um banho, voltou
a sangrar. Luke se ajeita imediatamente no sofá e muda o
canal da televisão de um reality show bobo que estava
assistindo, colocando no canal de documentário.
— Babaca.
— Fica na sua, Hanson.
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Ela o cumprimenta e olha minha luta em frente ao


espelho.
— Voltou rápido, Caitlin. Ficou entediada?
— Tenho que ir à faculdade amanhã cedo ajudar uma
amiga com um trabalho. Preciso dormir.
Ela para no batente da porta e espero, sei que ela vai tirar
esse algodão da minha mão e fazer ela mesma o curativo.
— Isso está feio, você não deveria ir ao médico?
— Baby, quando você me viu ir a um médico?
— Tirando a doutora casamenteira?
— Tirando essa peste.
Ela pega o algodão da minha mão e o molha, em seguida,
segura meu rosto imenso em suas mãos pequenas e concentra-
se em limpar a ferida. Seus lábios carnudos ficando
perigosamente ao alcance dos meus.
— Nunca entendi porque você a chama de casamenteira.
— Ela repete com certa frequência que já casou vários de
seus pacientes.
— Ela tenta fazer isso com você? — pergunta curiosa,
olhando-me com um sorriso divertido no rosto.
— Em todas as sessões. Ela acha que eu devo me casar
com você, e está certa que até o final do tratamento terá
conseguido isso.
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Ela parece sem graça e seu sorriso some, então volta a se


concentrar no meu machucado.
— É difícil colocar um curativo aqui, vou colocar apenas
um micro poro, tudo bem? Você troca sempre que tomar
banho.
— Sim, doutora.
Ela se aproxima ainda mais e seu cheiro doce me faz ter
vontade de abraçá-la bem apertado e levá-la para dormir
comigo. Estou tão cansado que seria apenas dormir mesmo,
mas com ela.
— Obrigado — digo quando ela termina e beijo sua mão.
— Ela acha que você é a cura da minha loucura. Mas, eu já
disse a ela que é você quem me deixa louco, não o contrário.
Ela pisca os olhos perdida em meus lábios e quero tanto
beijá-la que chega a doer. Mas, olho para o lado e vejo Luke
ali, nos observando, com uma expressão confusa e quase
ferida. Então me afasto e bagunço o cabelo dela, indo até a
geladeira. Tentando ao máximo agir como se não fosse nada
demais. Como posso saber que estou agindo errado com ele e
mesmo assim querer tanto continuar fazendo isso? Entendo
então que muitos erros que cometemos, o fazemos sabendo
que estamos errados, mas simplesmente não conseguimos não
fazer. É algo maior do que nós.
Ele puxa conversa com ela por mais algum tempo, e
quando ela diz que está cansada e vai dormir, ele resolve ir
embora. Mal se despede de mim e Caitlin percebe, pois se
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oferece para levá-lo até a porta, coisa que nunca faria.


— Cait, já que me trouxe até a porta, que tal um beijo de
boa noite? — ele tenta aproximando o rosto do dela.
Ela impede o beijo dele colocando a palma da mão em sua
boca, de uma maneira engraçada, e o empurra porta afora.
— Vai sonhando, Evans — diz antes de bater a porta na
cara dele.
Assim que fecha a porta e se vira, a cerco com meus
braços, colando seu corpo à porta e não dando a ela chance de
sair de perto de mim.
— E aí? Você o beijou?
— Colin, me solta!
— Só quero uma resposta, Caitlin. Você o beijou? Foi a
mesma coisa? Ficou molhada com o beijo dele?
Ela gagueja um pouco e parece realmente irritada, mas
está corando e sei que quer tanto quanto eu um beijo.
— Me diz, há algo da boca dele na sua hoje?
— Eu não tenho que te dar satisfações do que faço.
— Não tem, mas você vai. — Aproximo minha boca de
seu rosto e passeio os lábios levemente por seu pescoço. —
Ele a beijou, Caitlin? Você deixou que ele a beijasse depois
daquele beijo? Você gostou do beijo dele? Me diz, ele a
beijou?

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Só de senti-la tão perto de mim, meu pau já está


acordando, e eu quero tanto pegá-la no colo e levá-la para
minha cama, mas tanto! Tenho que me controlar ao máximo
para não levar meus lábios até seus seios e sugá-los por cima
da blusa fina que ela usa. Para não descer minha não por seu
corpo e tocá-la com força por sobre a calça, para fazê-la gozar
com a pressão dos meus dedos em seu clitóris, mesmo
estando vestida. Seria tão fácil dar prazer a ela!
— Caitlin... — insisto e ela cede num ataque de raiva,
socando meu peito descontrolada.
— Não! Não beijei e não sou obrigada a ficar me...
Calo sua boca com a minha. Sugo seus lábios com força, e
quando ela geme ao primeiro contato de nossos lábios, a
possuo com minha língua, mostrando toda a fome que tenho
dela. Eu a quero mais do que é possível suportar com
sanidade. A aperto em meu corpo, levantando o seu para que
possa ampará-la com o joelho.
Ela geme descontroladamente enquanto sugo sua boca e
pressiono meu joelho em seu centro, levantando-a e
abaixando-a rapidamente, cuidando para que tenha a pressão
certa ali, levando o beijo a outro nível para ela. Quando sinto
que ela está prestes a gozar, deixo seus lábios, aumentando a
pressão em seu centro e falo em seu ouvido:
— O seu prazer é meu.
— Não — ela sussurra, então faço a coisa mais difícil da
minha vida. Me afasto dela.
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Deixo que seus pés toquem o chão e assim que ela


recupera o equilíbrio, me afasto, absorto em seus olhos
anuviados e no desejo evidente em seu rosto.
— Qual é o tamanho do seu vibrador mesmo? Esse? —
Imito com a mão o gesto que ela fez na noite de bebedeira no
pub. Então toco meu pau duro por sobre o short, e seu olhar
cai no meu movimento, no volume concentrado ali. — Não
seria a mesma coisa, mesmo que você realmente tivesse um.
Boa noite, Caitlin, durma bem.
Vou para o meu quarto mais uma vez matar meu desejo
por ela com a mão, mas sei que ela não vai dormir essa noite
pensando em mim. Pensando no que teria acontecido se eu
não tivesse interrompido. Pode ser difícil agora para nós dois,
é uma manobra que atinge a mim tanto quanto a ela, mas ela
precisa perceber que sim, seu prazer pertence a mim.

Não vejo Caitlin há dias, mas a maneira dela se esconder


de mim só me prova que estou certo. E mais cedo do que
pensa ela terá que admitir isso. Hoje Stephen está lutando, e
embora ela não seja mais sua Sorte, sei que virá assistir sua
luta, porque essa é Caitlin. Ela espera dar sorte a ele do banco
da plateia, do que achar que ele perdeu por causa dela. Então
fico do lado de fora, torcendo que ele perca, só pra vida variar
um pouco, e esperando que eles saiam. Não vou segui-los, só
quero ver um pouco de como está a interação deles depois de
provar mais um ponto a ela.

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Faço um gesto para que Luke venha até mim quando o


vejo, ele tem me evitado na faculdade, mas ele vai na direção
oposta, também me evitando aqui. Eu poderia dizer a ele que
a cena que viu no banheiro não foi nada demais, nada
comparada a que se desenrolou na porta assim que ele saiu,
mas não sou tão filho da puta assim. Eu realmente não sei o
que dizer a ele, não sei como explicar a merda que estou
fazendo, nem o fato de que apenas não consigo evitar. E eu
tentei, juro que tentei. Então deixo que ele vá até que eu possa
encontrar um ponto de compreensão nisso tudo e aí
finalmente explicar para ele porque estou sendo o maior dos
babacas com ele.

Avisto Stephen e Caitlin saindo, ele com certeza venceu,


porque carrega o lenço da vitória e em um sorriso enorme no
rosto, além dos hematomas habituais. Caitlin sorri ao lado
dele, mas não parece confortável ali, entre os caras do clube.
Fico me perguntando se ela ouviu algo sobre essa aposta
idiota, ou qualquer falatório por parte deles. Mas não quero
pensar que esse imbecil a deixaria perto deles se fosse esse o
caso, seria humilhante demais para ela.
Ele a leva rapidamente para o carro, a expressão em seu
olhar eu conheço muito bem, é uma que nunca vi em seu rosto
antes. É a mesma que faço toda noite que saio com uma
mulher do clube: ele quer comê-la. Subo na moto mais do que
depressa e os sigo. Não é uma coisa de adolescente bobo de
bolas presas, é uma operação de resgate.
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Ele a leva a uma boate reservada, dessas que tem aqueles


cantos mais afastados e escuros. Estaciono a moto e desço
rapidamente. Sei que estou bagunçado para entrar nela, eles
podem me barrar, mas, se não o fizeram com o Stephen que
está com a cara quebrada, não vão fazer comigo. Aproximo-
me do segurança que me olha dos pés à cabeça e antes que eu
diga qualquer coisa, abre um sorriso.
— Colin Hanson! É uma honra recebê-lo em nossa boate.
— Você me conhece?
— Ganhei um bom dinheiro apostando em você na
semana passada. Eu tripliquei minha aposta e você venceu.
Amanhã com certeza estarei lá e vou apostar cinco vezes
mais.
— Pode apostar, te garanto que vou vencer.
Ele me dá passagem e consigo localizar os dois sendo
guiados, como eu imaginei até uma das mesas escondidas.
Esse sem vergonha! Os sigo o mais discretamente possível e
sento-me na mesa atrás, na lateral deles. Eles podem me ver
aqui, mas não acredito que ele vá tirar os olhos dela para isso,
e ela está de costas. Não consigo ouvir o que dizem, apesar de
aqui a música ser mais baixa do que no primeiro ambiente da
boate, a distância em que estou não me permite escutá-los,
principalmente porque ele fala bem baixo.
Chega um momento em que ele se levanta e enfio minha
cabeça no cardápio achando que ele me viu, mas ele senta-se
ao lado dela, pegando sua mão e falando com ela ao pé do
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ouvido.
Esse imbecil! Se ela não o deixava beijá-la antes, por que
o faria agora?
Porque mais uma vez, você a deixou molhada, excitada e
frustrada. E eu estou aqui justamente para saber como ela tem
agido com ele depois disso. E se ela resolveu dar logo a
virgindade para ele para se livrar de mim?
Levanto-me um pouco para tentar ouvi-lo, mas não
consigo, e saio da mesa só um pouquinho, para ouvi-lo. Ainda
não dá para entender então dou um passo bem devagar
parando bem atrás dele, mas ainda não o escuto. Então coloco
a cabeça por cima da dele e vejo suas mãos indo em direção
aos seios dela. Eu não sei se ela ia ou não deixá-lo tocá-la ali,
porque não dou tempo de ele descobrir. Quase pulo sobre a
mesa, segurando seu braço ainda no ar.
— Algum problema aqui?
— Colin!? — Caitlin fica muito surpresa, confusa, mas
Stephen saca de cara o que está acontecendo.
— Você nos seguiu?
Ele se levanta e Caitlin rapidamente se levanta com ele.
— Colin isso é verdade? Você nos seguiu?
— É claro que seguiu, esse idiota, o que pensa que está
fazendo?
Ele parte para cima de mim e Caitlin grita, então
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rapidamente dois seguranças aparecem para nos separar. Eu


poderia facilmente passar por eles e socar a cara desse
imbecil, mas Caitlin me olha daquele jeito decepcionado e
tudo o que faço é me acalmar e dizer a ela, antes de sair:
— Você sabe como se sente, Caitlin. Não adianta ir contra
isso.
Então saio dali ostentando uma dignidade que claramente
não tenho após segui-los, mas mereço algum crédito por não
ter acertado a cara dele no ápice da minha ira.

Já se passaram duas horas e ela ainda não chegou. Estou


começando a sentir aquela merda de dor escondida, ela quer
zombar de mim, eu sei. Tento mantê-la presa, cerro os punhos
tentando mostrar que sou mais forte do que ela, mas ela
consegue passar por minhas barreiras, e fica ali, me rodeando
e rindo da minha cara. Sou mesmo um babaca!
Caitlin finalmente aparece e permaneço onde estou, no
sofá, olhando para ela. Ela deixa a bolsa na mesa e aproxima-
se, olha para o chão e não posso ver a expressão em seu rosto,
não posso saber como ela se sente.
— Então, você tem mesmo seguido a gente? Ou essa foi a
primeira vez?
— Não foi. Tenho agido como um adolescente de bolas
presas.
Ela fica um tempo em silêncio, então senta-se à minha
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frente e posso ver claramente seus olhos. Ela está confusa.


— Por quê? Por que você faria isso? Por que ficaria
tentando me seduzir? Por que me levaria a um encontro? Eu
juro que estou há semanas tentando entender você, mas eu
não consigo! Por que, Colin, por que tudo isso?
— Porque eu quero ser o seu primeiro, Caitlin! Eu quero
tirar a sua virgindade. Eu não entendo como você pode ter
pensado em fazer isso com outro homem, mas não posso
permitir. O seu prazer me pertence. Isso que você tem
guardado por tanto tempo, o fez para mim. Você só precisa
enxergar que eu sou o cara certo para fazer isso com você.
Ela fica em choque. Levanta-se desnorteada e fica dando
voltas na sala. Quero confortá-la de algum jeito, mas não
posso, eu mal posso me controlar nesse momento.
— Por quê? Por que eu deveria fazer isso com você? —
pergunta um tom mais baixo do que sua voz normal.
— Porque ninguém te conhece como eu, eu sei
exatamente onde você precisa ser tocada, onde precisa ser
beijada, eu sei dar a você todo o prazer que merece como
ninguém mais poderia e você sabe disso!
Levanto-me e pego sua mão, seus olhos se focam nos
meus, sei que ela está me ouvindo, só não sei como fazê-la
entender.
— Desde que você revelou ser virgem, tudo o que consigo
pensar é em como você merece ser amada. Só consigo pensar

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em tudo o que você tem que sentir na sua primeira vez. Em


como tem que ser tocada e beijada, em como tem que gemer
com prazer genuíno ao meu toque. Em como vai reagir a
minha boca em você, e como ficará satisfeita quando eu a
preencher com meu pau, da maneira exata que você merece!
Eu sei que qualquer outro homem poderia te dar prazer,
Caitlin, não estou negando isso. Mas você sabe, e eu também,
que ninguém mais vai amar você da maneira como eu vou.
Ninguém vai conhecer você como eu conheço, nem vai cuidar
de você, nem deixá-la louca, como eu faço, porque sou eu que
tenho que fazer isso.
Ela fica tanto tempo me olhando, pensando no que acabei
de dizer, vejo tantas emoções diferentes em seus olhos de gata
e não consigo decifrar o que se passa em sua mente.
Permaneço ali, quase enlouquecendo, esperando por sua
resposta, esperando que surte e grite, ou que se jogue em
meus braços, e Deus! Se ela fizer isso irei amá-la agora
mesmo, aqui nesse sofá, porque quase não posso suportar não
estar dentro dela. Quando seus olhos tomam um foco, ela
solta as mãos das minhas e finalmente me responde. Sua voz
baixa, mas convicta.
— Não.
— O quê?
— Eu disse que não. Não vou dar esse passo com você.
Eu jamais faria isso.
Sinto-me renegado e abandonado. É um sentimento
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parecido com isso, que não sei bem explicar que me toma
nesse momento. Estou confuso, com raiva e magoado, aquela
dor idiota me venceu de novo e não consigo entender porque
não posso ser o que ela precisa.
— Por que não? Eu sei que não tenho nada para te
oferecer, eu não tenho um futuro certo para te dar, mas
Caitlin, você acha mesmo que vai se sentir à vontade com
qualquer outro homem como se sentiria comigo? Me diz! —
Estou quase suplicando e sei que pareço ridículo e fraco, eu
nunca fiz isso, mas estou desesperado.
— Não se trata disso, não se trata de nada do que você
disse. É só que Colin, você já parou para pensar em como
seria depois? Eu vou transar com você, vou te entregar minha
virgindade e na noite seguinte terei que vê-lo com outra. Por
mais que eu não espere um compromisso de você, você acha
que eu vou suportar isso? Eu sei que não vou. Por mais que
você não me prometa nada, você terá sido meu primeiro, você
terá sido o dono do meu prazer, como você diz. E não quero
ficar no meu quarto imaginando você fazendo com outra tudo
o que fez comigo. Eu não posso.
— Caitlin...
— Colin, não! Eu admito que você seria o cara certo, acha
que não sei disso? Mas isso custaria nossa amizade, e me
perguntei nesses últimos dias em que você tem tentado me
enlouquecer mais de mil vezes se valia a pena, mas não vale.
Não posso perder você. E isso seria o fim de tudo porque
nunca mais nos veremos como amigos de novo.
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— Eu não vejo você como amiga há muito tempo, Caitlin.


Desde quando você fez aquela maldita confissão, tudo o que
vejo quando olho você é a mulher que eu preciso ter.
— Então temos que corrigir isso. Então tenho que fazer
logo isso com qualquer outro cara para que você pare de me
ver assim! Eu não quero ser mais uma mulher na sua cama, eu
sou sua melhor amiga!
— Mas você não seria! Você ficou louca? Nunca seria
mais uma em minha cama, você é especial, Caitlin.
Ela sorri debochada e magoada. Como se eu a tivesse
apunhalado.
— Você diz isso para todas. Foi o que disse para a irmã
do Stephen, não foi?
Merda! Merda! Foi exatamente o que eu disse, mas dessa
vez, é verdade. Claro que ela não vai acreditar em mim.
— E se você não tiver que me ver com nenhuma outra
mulher? Caitlin, se você me deixar ser o seu primeiro, eu não
vou dormir com nenhuma outra mulher até que você tenha
certeza de que pode confiar em mim.
— Você? Vai negar sexo por um ano se eu resolver
esperar esse tempo?
— Eu não vou ficar com mulher nenhuma até ter você,
Caitlin. Eu não desejo mulher nenhuma além de você, todo o
meu tempo e todos os meus esforços, cada pensamento e ideia
que tenho tido, tudo isso tem sido exclusivamente para você
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há muitos dias. Eu te prometo, não toco mais em nenhuma


mulher e você se entrega para mim.
— E depois?
Merda! Eu queria tanto dizer a ela o monte de coisas que
vem à minha mente com sua pergunta, mas não quero iludi-la
com algo que não entendo. Não quebro as promessas que faço
a ela, não posso prometer algo que não sei se depois que a
tiver, vou cumprir. Eu não posso perdê-la apesar de tudo. Não
posso sequer correr esse risco. Então decido ser sincero, e
torço que isso não seja uma coisa tão ruim para ela quanto
parece na minha mente.
— Não posso prometer como será depois. Eu nem sei
como me sinto agora, tirando o fato de que preciso ter você,
então não posso saber como será depois. Mas eu sei o que
posso fazer agora, e eu te juro que não tocarei em outra
mulher até que você seja minha!
— Eu não acredito em você — diz baixinho, tentando
convencer a si mesma.
— Nesse caso, prepare-se para se surpreender, Caitlin.
Porque eu vou ser digno de tocar você, custe o que custar.
Vou para meu quarto deixar que essa dor idiota tripudie
em cima de mim e a deixo ali com seus pensamentos. Então
rezo, que mesmo não acreditando na minha promessa absurda
ela ainda me dê o voto de confiança que sempre dá e espere.
Que me dê uma chance de mostrar a ela que está errada. Eu só
preciso que ela entenda que eu nunca, jamais irei machucá-la,
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estou disposto a ser qualquer coisa que ela precisar que eu


seja depois que fizermos amor.

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CAPÍTULO TREZE
Hoje é minha quarta luta, e a tensão sexual no
apartamento está tão forte, que não conseguia me concentrar
para treinar lá. Então estou desde bem cedo aqui no clube.
Não falei com ninguém, usei o método de me desligar do
mundo da Caitlin, fones no ouvido e música muito alta. Então
treinei sem parar por horas a fio. Quando paro para comer
algo percebo que ainda é cedo, eu teria tempo de ir para a
casa e descansar um pouco, mas não vou fazer isso. Ainda me
sinto pilhado e tenso, mas sei que isso nada tem a ver com a
luta da noite, e sim com a minha luta interna que não consigo
saber se vou vencer.
Tomo um banho demorado e assim que saio, encontro
uma mulher nua em frente ao meu armário. Paro onde estou, a
loira nua diante de mim é uma das mulheres mais lindas que
já vi na vida, e com certeza não é daqui, ou eu me lembraria
dela. Deve ser de algum dos clubes competidores que estão na
cidade e essa seria minha chance de fazer um “intercâmbio” e
relaxar antes da luta.
Mas claro, não posso fazer isso porque prometi a Caitlin
que não faria, e por mais que exista a chance de ela estar com
o imbecil, nesse momento, eu não vou quebrar minha
promessa.
— Maldita promessa! — reclamo baixinho para mim
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mesmo.
Aproximo-me da loira imaginando o quanto será difícil
dar o fora nela e dispensar tudo isso tão disponível para mim.
Mas aí penso na Caitlin, nos lábios dela, na maneira como
geme quando a toco e como se derrete quando a beijo e de
repente, parece fácil demais dispensar a loira boasuda. O faço
sem nenhum pesar, como se fizesse isso todos os dias.
Que merda está acontecendo comigo?

Almoço em um restaurante na esquina do clube, cuja dona


é uma senhora que abomina violência, mas ironicamente é
mãe de dois dos lutadores do clube, então acaba tratando a
todos nós como se fôssemos seus filhos também, nos servindo
as melhores refeições caseiras e ainda cuidando do que
comemos antes das lutas.
— Vai vencer hoje, filho? — pergunta bagunçando meu
cabelo.
— Claro! Não sou bundão como seu filho! — brinco e
Patrick, um dos filhos dela que já foi eliminado, me arremessa
um aipo, mas Candice entra em nossa frente impedindo nossa
costumeira guerra de comida.
— Onde estão seus modos, meninos? Temos lutadores de
outros clubes aqui, hoje.
Encaro Patrick e localizamos lutadores de um clube do
Texas, nos preparamos juntos e arremessamos o aipo neles. A
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guerra começa e Candice desiste e fica no seu canto


contabilizando tudo o que estamos desperdiçando e fingindo
estar brava.
— Vocês são crianças grandes que gostam de bater, tantos
músculos em vocês é um perigo! — Ouço-a resmungar.
Volto para o clube para treinar um pouco mais, mas Thor
me chama assim que entro, em sua face uma expressão de
pesar me alerta de que algo não está certo.
— Colin, tem alguém procurando por você. Pedi que ela a
esperasse na minha sala.
Penso ser Caitlin e não entendo porque ele pediria a ela
para aguardar onde ele não deixa absolutamente ninguém
pisar. Vou em direção a sua sala, mas ele me impede, falando
comigo de maneira suave, porém decisiva, deixando claro que
se trata de uma ordem mais do que de um conselho.
— Você está a três passos de vencer esse campeonato,
não jogue todo seu trabalho no lixo. E se isso não for o
suficiente para te impedir de perder a cabeça, pense na
Caitlin. Você está em condicional, Colin, se voltar para a
cadeia vai deixá-la arrasada.
Votar para a cadeia? Por que eu voltaria para lá?
Então me dou conta de quem está me esperando na
maldita sala, e não acredito que ela teve a cara de pau de
aparecer aqui. Entro como um furacão e o cabelo loiro de
Hannah se mexe quando ela se levanta, avaliando-me dos pés

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à cabeça com uma expressão zombeteira na face da morte.


— O que você quer aqui? — Cerro os punhos e não me
atrevo a aproximar-me mais dela, tomo o cuidado de ficar
perto da porta para uma saída rápida, caso sinta que vou
perder o controle.
— Olá, Colin, como você está? Você não atendia minhas
ligações nem respondia meus e-mails. Tive que vir
pessoalmente.
— Que merda você quer aqui?
— Eu não vim aqui confrontar você, vim por questões
legais.
— Podia ter mandado a merda do seu advogado, eu não
quero ver sua cara nunca mais, você entendeu?
— Ou o quê? Está me ameaçando, Colin? Porque se for
esse o caso acho que seu agente da condicional vai amar saber
disso.
— Fale logo o que você quer.
Respiro fundo o máximo que consigo, sinto minhas mãos
tremerem e a raiva me dominar como quando era mais novo.
Todo meu controle parece ir embora quando vejo essa
mulher, até meu apreço por liberdade é testado em minha
mente, comparado ao que posso fazer com ela caso não me
importe de voltar para a cadeia.
— Preciso que você assine esses papéis.

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Ela me estende uns papéis, mas não pretendo me


aproximar mais dela. Para a própria segurança dessa maldita
que acabou com a minha vida.
— Do que se trata?
— Do justo. Você disse que não queria nada, apenas que
eu não o procurasse mais e eu não fiz a justiça reverter sua
pena e mandá-lo de volta para a prisão, que era onde você
deveria estar. Vejo que está indo bem aqui. Deve ganhar um
bom dinheiro com essa vida clandestina.
— Do que se trata? — grito e ela dá um passo vacilante
para trás, mas logo se recompõe e diz, com a cara mais lavada
do mundo:
— São os papéis que dizem que você concorda em abrir
mão de sua parte na herança dos seus pais e doá-la a mim.
Abro um sorriso tentando conter a raiva. Ela só pode estar
de brincadeira.
— Você precisa que eu assine umas merdas de papéis ou
não pode pegar o dinheiro? É isso?
— Nem você poderá.
— Eu não ligo. Não quero esse dinheiro que causou a
morte deles, mas ver você na rua da amargura seria uma
ótima recompensa da vida. — Cruzo os braços fingindo uma
calma que não estou sentindo. — Tá aí, nunca achei que
ficaria tai feliz em vê-la, Hannah. Agora suma da minha
frente e não me procure nunca mais!
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Saio pela porta, mas ela diz algo que me faz congelar e
voltar para trás para estrangulá-la:
— Foi um acidente a morte da sua mãe, não era esse o
acordo, eles só tinham que levar o dinheiro, mas ela tentou
bancar a heroína, achando que o filhinho precioso estava em
casa, acabou levando um tiro.
Não enxergo mais nada na minha frente quando vou em
sua direção com toda a minha raiva, pronto para matá-la se
for preciso, quando uma pequena criatura toca meu peito, e
sua voz me alcança, tirando-me dos meus mais profundos
desejos.
— Colin, não faça isso, não vale a pena! Colin, me escute!
Sou eu, Colin!
Consigo ver Caitlin pouco antes de quase acertá-la,
porque ela entrou na minha frente.
— Caitlin?! Você ficou louca? Por que entrou na minha
frente?
— Você não pode encostar nela, vai voltar para a cadeia e
dar tudo o que ela quer, controle-se. Venha comigo.
Ouço a risada de Hannah, em contraste com a voz doce e
desesperada da Caitlin.
— Colin, olhe para mim, me ouça. Vamos sair daqui
agora, você vem comigo, deixa ela para lá, não vale a pena.
Ei! Olhe para mim! — Ela está na ponta dos pés e suas mãos
estão em volta do meu rosto, ela parece tão desesperada
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quanto eu, e consigo me acalmar um pouco, o suficiente para


não ser um monstro na frente dela.
— Ah, Colin, você não muda. Será sempre o louco que se
esconde atrás de uma menina, porque não sabe se defender
sozinho sem que acabe em tragédia, não é mesmo? Pode não
ser agora, pode nem ser pelas minhas mãos, mas você vai
acabar a sua vida preso numa cela, e vai ter o mesmo fim do
seu querido papai. — Hannah provoca mostrando todo seu
ódio por mim.
— Cale a boca sua maldita! — Caitlin grita e parte para
cima dela, e a seguro antes que encoste em Hannah, ela é a
pessoa mais calma e centrada que conheço, mas permanecer
são diante dessa megera é algo impossível e sei bem o que
minha pequena está sentindo.
— Deixa, Caitlin, como você disse, não vale a pena. No
final das contas, eu tenho sempre alguém que me ama o
bastante para me defender e ela está sempre sozinha. Pode até
conseguir pegar o dinheiro dos meus pais, mas vai continuar
sozinha.
Levanto uma Caitlin assassina do chão e a arrasto para
longe dessa maldita e toda sua energia negativa de ódio.
Deposito Caitlin no chão dentro do vestiário, e ela parece
bufar, tamanho o seu nervosismo.
— Eu não acredito que essa filha da mãe veio mesmo até
aqui! — reclama.
— Como você sabia que ela viria aqui?
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— Ela foi lá em casa, não sei como conseguiu nosso


endereço, eu não disse a ela onde você estava, mas achei que
ela ia descobrir e viria te atormentar.
Deixo de ouvi-la porque estou me lembrando do passado,
de ver meu pai sendo preso, de achar ser a maior injustiça que
além de perder minha mãe, meu pai fosse preso injustamente,
mas aí me lembro de quando eu fui me despedir dele, jurando
em toda minha dor que o tiraria da cadeia. Ele me disse para
não fazê-lo, porque era o que ele merecia. Só então reconheci
a expressão de culpa em seu rosto e soube que ele era mesmo
culpado. Era como ela, os dois mereciam morrer atrás das
grades. Eu jurei nunca mais acreditar em ninguém depois
daquilo, mas Lorna me mostrou que eu não podia deixar que
eles tirassem mais nada de mim. Como ela costuma me dizer,
a cada pessoa má e cruel no mundo, há dez boas. E só preciso
acreditar que no meu caminho encontrarei mais a segunda
opção.
— Ei, não deixe esses fantasmas entrarem. Você tem uma
luta daqui a pouco, lembra? Colin, concentre-se. Quer que eu
ligue para a doutora Mansfield?
Nego com a cabeça e aperto a mão da Caitlin até sentir me
acalmar. Mas a merda da minha mente parece não saber
pensar em outra coisa que não seja o passado, e toda a merda
envolta nele. Por tanto tempo me puni por achar ser como
meu pai, o filho perfeito dele, com uma grande disposição a
fazer o que é errado e destruir tudo à minha volta. Eu escolhi
fazer o meu caminho, mas, olhando Caitlin tão desesperada
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ajoelhada ao meu lado, Luke que nem olha mais na minha


cara e tudo o que tenho feito, me pergunto se no final das
contas não estou mesmo destruindo tudo à minha volta. O que
vai sobrar para mim depois? A mesma solidão que desejei à
maldita que acabou com a minha família. E mais nada.
Afasto Caitlin e agradeço seu cuidado, subo na moto e
saio sem direção, prometendo estar de volta a tempo da luta.
Eu só preciso rodar.

Olhando o lago gelado e as pessoas felizes à minha frente,


luto para esconder os fantasmas de volta no fundo da minha
mente perturbada e voltar a ser apenas o babaca que sempre
fui. Não é irônico que eu, um lutador acostumado a vencer as
mais difíceis lutas, não consiga vencer de mim mesmo em
uma batalha interna? Os fantasmas não me obedecem e ficam
ali, enchendo-me de lembranças e todo aquele medo e fúria
que senti nos anos que se seguiram à morte deles. E se isso já
não fosse o bastante para foder com a minha mente, ainda há
aquela maldita dor, escondidinha, aparecendo para me dizer
que não importa o quanto eu tente, nunca serei bom o
bastante. Nem para um amigo, nem para a Caitlin, nem para
honrar a memória da minha mãe, para absolutamente nada!
Porque a maldita da Hannah está certa, ela me tirou tudo uma
vez e saiu impune a isso, e agora vai tirar tudo de novo e eu
vou simplesmente deixar, mais uma vez, para não
decepcionar alguém a quem decepciono todos os dias. Que
diferença vai fazer? Se eu for bom ou mau, que merda de
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diferença vai fazer para ela?


Me vem à mente todos aqueles momentos em que eu quis
fechar os olhos e sumir, e ela estava ali por mim, sendo meu
ponto de equilibro, minha luz. E eu jurei a ela que seria digno
de tocá-la. Mesmo que depois nossa amizade se perca por
causa disso, eu apenas não sou forte o bastante para deixá-la
ficar com outro.
Olho para meu reflexo no vidro de uma loja, mas não sei
o que vejo ali.
— Isso é ser bom, Colin? Ser egoísta e babaca com ela é
ser bom? Você acha que é bom para ela? Acha que vai ser
digno de tocá-la um dia? — A raiva me toma e acerto o vidro,
estilhaçando-o em milhões de pedacinhos, assustando as
pessoas ali presentes, confirmando que eu nunca serei estável.
Olho o sangue na minha mão e consigo me acalmar, eu só
preciso achar um jeito de deixá-la livre. Procuro o dono da
loja para resolver a merda que acabei de fazer no vidro dele.

Está quase na hora da luta e eu deveria ter pego o caminho


mais curto até o clube, mas, por algum motivo decidi passar
por aqui, e quando a vejo sentada ali, parecendo angustiada
vejo que fiz a escolha certa. Paro a moto em frente ao ponto
de ônibus e buzino, estendendo a ela o capacete.
— Ei, você está bem? — Caitlin pergunta segurando
minha mão o mais apertado que consegue.

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— Quer uma carona para o clube?


— Eu estava indo para lá — ela diz tirando o capacete da
minha mão e subindo na moto.
— Você gosta de se arriscar por mim, não é Caitlin? Você
nem sabe se estou bem, se estou descontrolado, se estou bem
o bastante para pilotar. Como você sobe assim na minha
moto?
Ela passa seus braços pela minha cintura agarrando os
dedos na minha blusa e encosta-se a mim.
— Estou com você, Colin. Onde eu poderia estar mais
segura?
Aquela dorzinha insuportável e entrona leva um imenso
chute e se encolhe dentro de mim. É por isso que não consigo
deixá-la ir. Ela é tudo o que tenho.

O locutor cumprimenta o clube lotado e os gritos se


misturam em sons desconexos e ensurdecedores. Caitlin está
sentada ao lado de Luke, que apesar de tudo, vai torcer por
mim, e me olha com seu jeitinho de súplica que eu vença
essa. Eu deveria estar analisando o adversário do outro lado,
deveria ao menos prestar atenção no nome dele, mas não
consigo. Minha cabeça está longe e não há nada que eu faça
que a faça sossegar no lugar.
Quando todos ficam me encarando percebo que está na
minha hora de subir ao ringue, nem olho na direção da Caitlin
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porque se ela me pedir para não lutar, eu não vou lutar, e não
quero desistir sem tentar. Mas não ouço quando o juiz inicia a
luta e sou atingido de surpresa. Meu adversário, seja ele quem
for, tem uma excelente técnica, quase pau a pau com a minha,
quando estou em um dia bom. Porque no dia de hoje,
qualquer um dessa plateia poderia me vencer. Eu tento acertá-
lo, mas mal o vejo. Estou sendo pisoteado sem nem me dar
conta de que caí no chão. Chega um momento em que fecho
os olhos, deitado ali, e decido deixá-lo vencer, não há mais
nada que eu possa fazer para impedir. Mas, sinto um toque
quente em minha mão que está para fora do ringue e abro os
olhos para encontrar Caitlin, com lágrimas nos olhos e
apertando minha mão com suas duas mãos pequenas.
— Levante-se, eu apostei todo meu salário! Você tem que
vencer! — Ela grita e sorrio para ela, que parece se desesperar
mais ainda. — Púbis! Colin, você está dando outra vitória a
Hannah e aos fantasmas dela, não deixe que isso aconteça.
Levante-se agora mesmo e vença essa luta!
Eu tento me levantar, mas não tenho força, logo, sou
atingido em cheio com um chute na orelha e caio de novo.
— Colin Hanson, deixa de ser bundão! Você vai mesmo
me decepcionar assim?
Eu disse que todas as minhas vitórias seriam para ela. A
minha derrota não pode ser. Ela está aqui, apostando em mim
e me pedindo que vença.
— Ah Caitlin, você sempre me faz fazer o impossível, não
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é?
Consigo desviar do próximo chute e agarro os pés dele,
derrubando-o. Sinto-me dolorido em todo o corpo, nem sei
que golpes levei hoje, mas preciso reagir. Levanto-me com
dificuldade e aplico um Elbow drop[4], levando a plateia aos
gritos. Eu não vou conseguir bater nele, não tenho forças e
algo parece doer demais na minha costela, deve estar
quebrada. Eu só preciso de técnica, penas fazê-lo desmaiar
sem mais esforços. Com dificuldade, subo nas cordas a tempo
de impedir seu próximo ataque e então pulo sobre ele, não sei
como consigo ter forças para subir nas cordas e aplicar um
Springboard clothesline[5], mas ele bate com tudo a cabeça
no chão e sei que não vai levantar mais. O juiz levanta meu
braço anunciando o vencedor, eu me levanto, pego o lenço da
vitória nas mãos e entrego a Serena, que parece em pânico ao
ver minha cara. Procuro Caitlin na multidão, e a encontro
onde estava na última vez que a vi, ao lado do ringue,
sorrindo para mim com toda sua admiração.
— Foi por você, baby — digo apontando para ela pouco
antes de tudo escurecer e eu não vejo mais nada.

Um zumbido no meu ouvido me desperta, mas me sinto


dolorido em todos os lugares possíveis. Há uma agulha
enfiada em minha mão, e a arranco. Odeio essas coisinhas
enfiadas em mim. Minha visão se ajusta à luz na minha cara e
começo a perceber onde estou.
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— Passando a mão na bunda das enfermeiras, Hanson?


Você não está em condições de comer nenhuma delas, não
deveria assanhá-las — Luke provoca sentando-se ao lado da
minha cama.
— Que merda! O filho da puta me mandou para o
hospital?
— Se serve de consolo, você devia ver o outro cara. Você
acabou com ele. Foi tipo ver um zumbi atacar um gigante
vivo, mas no final das contas deu tudo certo. Você levou uma
surra e tanto, está se sentindo bem?
— Acho que meu traseiro está em contato direto com esse
lençol de hospital, tirando isso, me sinto vivo, o que já é um
bom começo.
— Caitlin estava aqui. Foi tomar um banho, mas com
certeza volta. A mãe dela também. Elas não saem daqui, você
tem novos cães de guarda.
— Não fale assim delas, são minha família.
Tento me sentar, mas sinto uma dor terrível na costela e
gemo, me encolhendo na cama.
— Você fraturou a costela. Acho melhor ficar quietinho.
— Quando é a próxima luta?
— Em uma semana. Você não vai poder lutar, cara.
— Claro que vou.
— Vamos ver isso depois que você sair daqui.
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Noto que Luke parece tenso e procura um jeito de me


dizer alguma coisa. Me ajeito na cama e espero, mal acordei e
lá vem alguma notícia ruim.
— Desembucha, Luke. Odeio quando você faz isso.
— Há um boato correndo no clube. Sobre você ter
rejeitado a ring girl russa. Ela disse que estava nua na sua
frente e você a mandou embora. Eu disse a eles que isso é
impossível... — ele se cala e me encara, esperando que eu
concorde com ele.
Mas, temo que vá levar outra surra nesse momento,
porque não vou mentir para ele de novo.
— Isso é verdade.
— Eu penso, penso e não consigo entender porque você a
dispensaria. Que eu saiba, você não está pegando ninguém.
— E não estou. Na verdade, não foi tão difícil assim
dispensá-la. Achei que seria pior. Mas não transei com ela e
não vou transar com nenhuma outra mulher por um motivo.
Ele se levanta e tento sentar-me de novo, sem sucesso.
— Luke, eu preciso que você me escute até o final.
Preciso que você entenda.
— Esse seu motivo é a Caitlin, não é? Porque quando eu
disse para ela que você rejeitou uma mulher linda, ela pareceu
estar emocionada. Cara, eu realmente não quero acreditar
nisso, eu sei que você não colocaria as mãos nela.

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— E não coloquei. Não como está pensando. Eu prometi a


ela que não dormiria com mulher nenhuma mais.
— E por que você prometeu isso?
— Luke, você não a ama. Eu sei que vai me achar um
idiota, mas pense bem. Você sai com outras mulheres, se
interessa por outras. Você não teria rejeitado a russa.
— Isso não tem nada a ver! Eu não sairia se estivesse com
ela!
— Você não sairia se a amasse, porque eu não tive que
fazer esforço algum para não sair com outra mulher por ela.
Ele anda de um lado ao outro e me encara, a fúria em seus
olhos mostrando que não está entendendo, e tento de novo.
— Luke, eu prometi a Caitlin que não dormiria com
mulher nenhuma até que ela seja minha. Mas eu preciso...
— Você é um idiota! Eu não acredito que você fez isso
comigo que está fazendo isso com ela! Você vai acabar com
ela, seu babaca, ela não é como as putas que você pega!
— Acalme-se, pare de gritar, me deixa explicar.
— Não tem merda de explicação nenhuma! A menos que
você pretenda ficar com ela para sempre, nada disso aqui se
justifica! Você vai? Vai ficar só com ela para sempre? É por
amor que está apunhalando seu melhor amigo?
— Não é isso, é outra coisa. Mas é maior do que parece,
eu...
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— Você é um idiota, um cafajeste e o pior amigo do


mundo! Não precisa mais falar comigo, e tomara que a Caitlin
seja esperta o bastante para não cair na sua, eu vou dar uns
bons conselhos para ela.
— Luke, espera...
Ele bate a porta ao sair e sinto que perdi uma parte minha
hoje. Eu sei que procurei por isso, sei que minhas desculpas
foram péssimas, eu só estava tentando dizer a verdade, mas a
verdade mesmo é que isso que me faz querer tanto tê-la, não
tem explicação.

Há três dias estou estirado nesse sofá vendo a vida passar


em séries na televisão e dando trabalho a Lorna e Caitlin.
Hoje, Lorna teve que ir embora, depois de garantir que já
consigo me mover. A verdade é que consigo andar desde o
primeiro dia, mas elas não me deixaram fazer isso, trazendo
tudo nas minhas mãos. A pior parte foi a Lorna querendo me
dar banho. Ainda bem que ela teve uma filha e não um filho,
senão iria traumatizá-lo.
Nesses dias em que ficou comigo, Caitlin não saiu com o
Stephen, mas, não foram poucas as vezes em que ele ligou
para ela, chamando-a para fazerem algo. O pior de tudo é que
percebo que ela gosta dele, realmente gosta, pelo jeito como
sorri quando fala com ele, e como cora quando fala dele. Às
vezes, muito de vez em quando, penso que deveria deixá-la
ficar com ele, deixá-la ser feliz com alguém que vai querer
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passar mais do que uma noite com ela, mas há algo em mim
que não permite. Eu não sabia que era tão egoísta até ver
minha melhor amiga apaixonada por outro. E por mais que ela
responda aos meus toques e beijos, de nada adianta eu
conseguir seduzi-la, se é ele quem a faz sorrir desse jeito
tímido e corar com facilidade.
Será que eu seria capaz de fazê-la feliz fora da cama? Será
que eu saberia ser romântico como ele? Eu seria um
namorado melhor do que sou um amigo? Ela se senta ao meu
lado e a observo fazer as unhas dos pés. Fica numa posição
engraçada no sofá e tenho vontade de pegá-la no colo só para
irritá-la e atrasar seu serviço. Não seria nada sexual, pelo
menos não no começo. Talvez seja esse tipo de coisa que eu
poderia fazer como namorado, tocá-la sempre, beijá-la mais
ainda, mimá-la com tudo o que ela gosta todos os dias, tatuá-
la ainda mais em meu corpo. Se são essas as coisas que um
namorado tem que fazer, então eu poderia ser um namorado
bom para ela, porque eu faria isso por ela sem qualquer
dificuldade.
— Caitlin, o que você espera de um namorado?
Ela fica tão chocada com a minha pergunta que vira o
vidrinho de esmalte no tapete, e grita um púbis desesperado,
tenta se levantar para ir pegar um pano, mas está com um
separador de dedos nos pés e quase cai. Levanto-me em um
pulo do sofá e a seguro, o que a faz gargalhar.
— Ah, meu Deus, isso sou eu sendo sua enfermeira? Você
está bem?
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— Está tudo bem, doutora. Eu já volto, não saia daí, não


precisamos de dois machucados nessa casa.
Procuro por algo para limpar a bagunça e volto para perto
dela com um pouco de água e um pano, que ela toma da
minha mão e abaixa-se com facilidade para limpar a mancha
rosa no tapete.
— Você parece bem — comenta. — Então por que está
me fazendo perguntas estranhas?
— Não é estranha. Você e o Stephen, a coisa está séria
entre vocês?
Ela me encara como se fosse delicado falar disso, a
expressão em seu rosto é tão confusa, que por um momento
penso que vai me dizer que a relação deles é séria o bastante
para ela ter perdido a virgindade com ele em algum momento
nesses últimos dias. Faço um gesto com a mão impedindo-a
de falar, parece que estou sem ar.
— Você, e ele... não me diga que vocês...
— Por que você está vermelho? Colin, você está
respirando? Colin, pare com isso!
Estou mesmo ficando sem ar, vou morrer asfixiado
porque ela deu aquele passo com outro. Em um segundo ela
está sobre mim, me mandando respirar, meio assustada.
— O que foi isso? — pergunta confusa quando volto a
respirar.

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— Responda minha pergunta, Caitlin. Não importa o


quanto isso vá doer.
— Toda essa cena era por causa da minha resposta? —
Ela começa a rir alto e vai para a poltrona, longe de mim. —
Ah, Colin, você chega a ser fofo de tão bobo.
— Você está se tornando uma pequena bruxa.
— Não estamos namorando, se é o que quer saber.
— Por que não? Ele a pediu em namoro, você disse não?
— Como você sabe disso? — Dou de ombros e ela
continua — Eu não estava pronta ainda, mas não quero entrar
em detalhes, isso é tudo o que você precisa saber.
— Então, você está esperando para me dar uma chance de
provar a você que posso ser digno de tocá-la — constato.
— Não foi o que eu disse, e não estou. Nós não vamos
fazer isso, Colin. Por mais comportado que você esteja.
— Você me viu dispensar pelo menos dez mulheres
nesses últimos dias — defendo-me.
— Não acho que você poderia fazer qualquer coisa com
elas, de qualquer maneira, você está meio que quebrado no
momento.
— Ah Caitlin, como você é inocente! Se eu não estivesse
conseguindo andar, ainda teria minha boca e minhas mãos, e
claro, meu pau não sofreu ferimento algum. Ela só teria que
abrir suas pernas e sentar-se sobre mim, bem em cima do
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meu...
— Eu entendi! — ela me corta, seu rosto atingindo uma
cor adorável.
— E mesmo assim não mereço um voto de confiança?
— Pelo seu enorme sacrifício?
— Não foi nenhum sacrifício. Não tenho problema algum
em dispensar uma mulher que não seja você. Mas, deixar
você em paz para ficar com outro, está aí uma coisa que eu
não consigo fazer. E eu te juro que tentei.
Seus olhos se fixam nos meus e quero beijá-la, abraçá-la.
Quero tocá-la de algum jeito para que ela entenda o que quero
dizer, mas assim que me levanto em sua direção, ela se
levanta também, afastando-se de mim como se eu a estivesse
machucando.
— Você pode fazer o que quiser, Colin, eu tenho certeza
da minha posição. Não precisa vir com essa fala melosa, isso
aí não é você. E eu não vou fazer isso, se está tudo bem para
você jogar nossa amizade fora, eu sinto muito, não está para
mim.
— Não vamos jogar nada fora. Estou tentando te dizer de
um jeito que você entenda que eu quero você.
— É você que precisa entender que isso não vai
acontecer. Nós somos amigos, melhores amigos. Nunca
seremos mais do que isso, eu já aceitei isso Colin, está na sua
vez de aceitar.
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Não entendo o que ela quis dizer sobre já ter aceitado isso,
como se tivesse sido algo difícil, sendo que ela parece ter
aceitado isso fácil demais.
— Eu não vou desistir, Caitlin.
— Então nós vamos ter sérios problemas.
— Ótimo! Eu adoro problemas!
Ela bufa irritada e vai para seu quarto e eu começo a
planejar o que poderei fazer depois da nossa primeira noite
para mostrar a ela que posso ser um bom namorado, se for
mesmo isso o que ela vai esperar de mim. Não tem problema,
posso ser qualquer coisa que ela precise.

Após nossa conversa Caitlin saiu, não disse com quem e


só posso torcer que não tenha ido com o imbecil. Não a ouvi
ao telefone com ele hoje, não a vi sequer com o telefone na
mão, então tenho uma esperança vaga de que ela esteja com
alguma amiga, ou comprando algo. Ficar preso nesse
apartamento está me deixando louco! A próxima luta é em
poucos dias e eu deveria estar treinando, não preciso estar
cem por centro para vencer uma luta, mesmo que seja a
semifinal do campeonato. Isso significa que meu adversário
passou por vários outros lutadores, assim como eu, então ele
será ainda mais difícil do que todos os outros que enfrentei.
Mas eu não vou desistir sem tentar.
Assim como não vou desistir da Caitlin sem antes tentar

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de tudo para convencê-la.


Interfono ao porteiro e peço que ele me avise quando a
Caitlin chegar, procuro um bom filminho animado na
televisão, e acho que por conta do meu recorde de dias sem
transar, meu pau rapidamente está disposto. O porteiro me
interfona e finalmente posso dar um alívio para meu querido
pau. Começo a tocá-lo, bem de leve, devagar, esperando por
ela. Ouço a porta abrir e ela entra com umas sacolas, tinha
mesmo ido ao mercado, não saído com alguém. Ela chama
por mim e fica calada de repente, a passos leves, aproxima-se
de mim, seus olhos arregalados e a boca aberta em choque.
O filme pornô continua na televisão, mas ela olha para ele
por dois segundos antes de seu olhar cair sobre mim, ela tenta
falar algo, mas acelero um pouco o movimento, fingindo que
ainda não a vi ali, e vejo pelo canto do olho seu olhar se fixar
no meu pau, e ela desiste do que quer que ia dizer. Então olho
para ela, fixo meus olhos nos seus.
Seguro meu pau firmemente, exibindo-o para que ela o
veja. Quero aquele olhar delicioso de desejo em seus olhos de
novo, quero saber que ele é direcionado a mim, não a nenhum
outro homem. Que seu corpo deseja o meu. Olho em seus
olhos, preso em sua reação, totalmente enfeitiçado pela forma
como seu rosto cora, como ela engole em seco e lambe os
lábios, como parece com medo e ao mesmo tempo,
maravilhada com o que vê. Quero oferecê-lo a ela, pedir que
ela o toque, pedir que me deixe tirar sua roupa e acabar com
isso de uma vez por todas antes que nós dois percamos
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completamente nossa sanidade, mas não consigo dizer nada.


Não consigo fazer qualquer outro movimento além deste que
estou fazendo para ela. Ela não se aproxima de mim, mas
também não se afasta, seus olhos estão fixos em mim e no que
estou fazendo.
— Caitlin... — chamo seu nome baixinho pouco antes de
um orgasmo me atingir com força, fecho os olhos um
segundo, em êxtase, e quando os abro, ela não está mais ali.
Correu para seu quarto.
Tomo um banho rápido, porque não quero permitir que
ela saia sem falar comigo, mas ela não sai do quarto. Eu
espero por horas, e como ela não está disposta a me encarar,
sou eu quem vai falar com ela.
— Fingir que nada aconteceu não vai fazer o desejo sumir
— grito para sua porta, nem sei se ela está ouvindo. — Eu sei
que você está me odiando agora, e provavelmente eu mereço
isso. Sei que você me conhece o suficiente para achar que isso
é desejo, Caitlin. Que é apenas isso. Mas não é. Porra,
estamos falando de você! Você é a pessoa que mais amo no
mundo, talvez a única pessoa que eu ame, e eu nunca, nunca
mesmo, faria qualquer coisa que a machucasse. Eu sei que
você não é uma dessas mulheres que transa com um cara e
não quer vê-lo mais na manhã seguinte.
Ela não responde e não há qualquer barulho vindo do seu
quarto. Penso que pode estar dormindo, mas continuo, para o
caso de ela estar ouvindo.

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— E eu não sou um desses caras com quem você sonhou


perder a virgindade, sendo sincero, eu não me acho mesmo
digno de você. E eu tentei colocar a cabeça no lugar, porque
desejos, a gente controla, Caitlin, mas o que eu sinto por você,
não consigo controlar! Eu tentei, eu juro! Eu queria não
querer ser o seu primeiro, eu queria não vê-la como a mulher
que eu mais desejei na vida, mas não posso mudar isso! Por
favor, abra essa porta e diz que não me odeia, diz que vai
pensar, pelo menos isso... Caitlin, por favor!
Não tenho qualquer resposta e abro a porta do seu quarto,
ela está quietinha em sua cama, sua respiração leve e seu
corpo pequeno descoberto. A cubro com cuidado para não
acordá-la e saio dali atordoado.

Chego ao clube e sou recebido como um herói, o que mais


ouço dos caras é “cara, você sobreviveu”, meu humor
melhora rapidamente estando entre a bagunça deles. Claro, os
que não foram babacas o suficiente para fazer apostas
evolvendo minha Caitlin. Thor me cumprimenta, examinando
meu estado e ainda brinca:
— E aí, Hanson? Consegue dar um soco?
— Consigo até mesmo derrotar meu próximo adversário.
Vim confirmar data e horário da luta.
Ele parece confuso e olha para os lados, antes de falar
comigo.

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— Colin, não acho uma boa ideia você lutar agora. Você
mal se recuperou de um ferimento grave, você fez tudo o que
pôde, filho, fez mais do que podia, não precisa mais lutar.
— E abrir mão do campeonato? De jeito nenhum! Eu sei
o que você vai dizer, mas eu sei os meus limites e estou
disposto a ultrapassá-los, acredite Thor, vai me fazer menos
mal lutar assim, todo quebrado, do que não lutar.
Posso ver a admiração em seus olhos, mas, por algum
motivo que desconheço, ele continua tentando me convencer
a mudar de ideia.
— Não seria prudente você lutar agora, Colin, pense bem.
Graças a Deus não foi nada que deixasse uma sequela dessa
última vez, mas abusar da sorte para quê? Você não está cem
por cento, melhor não arriscarmos que algo mais grave
aconteça.
— Eu estava muito mais ferido quando me levantei
naquele ringue e o derrubei. Você sabe que posso lutar assim
e que posso vencer. Por que não quer que eu lute?
Ele não responde, derrotado, aponta para o quadro com os
cronogramas das lutas.
— Só restaram dois clubes na semifinal, dois lutadores de
cada clube. Então, por decisão unânime dos patrocinadores, a
final não pode ser entre dois lutadores de um mesmo clube, de
forma que nessa semifinal...
Ele para de falar, mas não é necessário que continue,

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porque encontro ali no quadro pendurado na parede. A


próxima luta é em três dias, e meu adversário é nada mais
nada menos, do que Stephen Ryan.
— Não lute, filho. Todo mundo vai entender que você não
está em condições
— Eu vou lutar!
— Colin, — Garrick, um dos lutadores que mais gosto,
intervém — ele sempre vence você quando está nos seus
melhores dias, imagina lutando quebrado? Você não terá a
menor chance.
— Não importa, eu não vou desistir sem tentar.
Thor começa a falar de novo, mas o corto, quero deixar
claro que não há um assunto a ser discutido aqui, a minha
decisão está tomada.
— Eu vou lutar! Vocês não têm permissão para me tirar
do campeonato, eu não quebrei nenhuma regra! Então sugiro
que não tentem, isso é pessoal e eu vou lutar com ele, e vou
vencer!
Eles desistem de tentar me persuadir e volto para casa me
perguntando como caralho vou vencê-lo se mal consigo me
virar, mas eu vou. Dessa vez, pela primeira vez, vou vencer
Stephen Ryan.

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CAPÍTULO QUATORZE
Quando chego em casa, Caitlin está jantando, sentada à
mesa com cara de poucos amigos. Abre um sorriso curto
quando me vê e volta sua atenção ao prato diante dela.
— Seu prato está no forno — diz.
Sento-me diante dela e a observo.
— Você não estava dormindo. Se não tivesse escutado o
que eu disse, não estaria aqui falando comigo e conseguindo
olhar para minha cara, mesmo que por poucos segundos.
— Eu ouvi o que você disse — é tudo o que diz, e sem
olhar para mim. — Eu não odeio você, se é o que quer saber.
— E a outra parte?
— Não força, Colin.
— Tudo bem.
Pego o prato de macarronada que ela deixou no forno e
sento-me de frente para ela. Noto que seu olhar pousa em
mim algumas vezes, mas logo ela desvia. Até que por fim, ela
decide parar de me evitar.
— Está tudo bem? Você parece tenso.
— Por que acha isso?

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— Porque está balançando a perna sem parar e mordendo


o garfo ao invés da comida.
Sorrio. Ela vai me pedir para não lutar e eu preciso
realmente fazer isso.
— Eu fui ao clube. A semifinal é em três dias e meu
adversário é Stephen Ryan.
Ela para o movimento de levar o garfo até a boca no ar, e
me encara em choque.
— Que púbis!
— Pois é.
— E o que você vai fazer?
— Vencê-lo, é claro.
Ela larga o garfo e cruza os braços, sorrindo divertida e
sei que vou levar tamancadas a partir de agora.
— É claro, porque você sempre faz isso, certo? Ah não,
espera, Stephen não é aquele cara que sempre vence você?
— Bom, nessa luta irei enxergá-lo como aquele cara que
quer entrar na sua calcinha, acho que isso vai me ajudar a
vencer.
Ela sorri e pega minha mão por cima da mesa.
— Você não tem que fazer isso, você sabe. Mas, acho que
vai fazer assim mesmo.
— Você me conhece bem, baby.
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— Não adianta você enfrentá-lo com raiva ou rivalidade


apenas. Você sempre fez isso e nunca funcionou. Você está
machucado, sentir raiva não vai fazê-lo se curar de repente.
— Caitlin, não estou conseguindo entender onde você
quer chegar. Está dizendo que tenho que vencer ou me
convencendo a não lutar?
— Não enche, não sou boa com essas coisas de luta.
Estou dizendo que você pode vencê-lo, use a cabeça ao invés
da raiva. Você derrotou um brutamontes quando achei que ele
te mataria, então pode derrotá-lo se der os golpes certos.
Sinto uma pontada em meu peito e meus olhos parecem
querer encher. Como se eu estivesse emocionado, e feliz e...
não entendo o que é essa outra coisa, mas eu daria tudo para
puxar essa mulher para o meu colo agora mesmo e cobri-la de
beijos.
— Você acha mesmo que tenho alguma chance?
— Eu acredito em você, Colin. Só não me faça ter que
implorar de novo para que você vença, faça isso de maneira
bonita.
— Eu farei isso de um jeito que irá encher você de
orgulho, minha pequena.
— Até que eu estava com saudade desses seus apelidos
fofos — ela diz soltando minha mão, mas durante o jantar,
não consigo deixar de olhar para ela, com essa conexão nova
que não entendo, mas gosto.

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Sou obrigado a desligar meu telefone porque a maldita da


Hannah não para de ligar. Ela só pode estar louca se acha que
vou assinar aqueles papéis e dar a ela tudo o que a levou a
destruir minha família. Sei que preciso evitar outro confronto
frente a frente, porque a Caitlin pode não estar por perto para
me impedir de perder a cabeça e eu realmente preciso estar
com ela, ficar livre por ela.
Vejo-a andando pela cozinha cantarolando, seu perfume
preenche o ambiente e ela usa um vestido de renda que abraça
seu corpo perfeitamente e uma maquiagem leve que realça
seus olhos de gata e a deixa ainda mais linda.
— Uau! Quer dividir essa felicidade, toda? — brinco e
sinto que ela fica tensa.
— Eu vou sair um pouquinho — diz como uma criança
confessando uma arte aos pais.
Seus grandes olhos estão focados em mim e apenas
abaixo a cabeça. Depois da merda de conexão que tivemos no
jantar ela vai sair com outro. Do que estou falando? Eu tive
essa conexão, não ela. Tento impedir que a raiva me tome,
porque não preciso mesmo ser mais idiota com ela do que
tenho sido, mas porra! Ela ainda precisa sair com ele? Que
merda mais tenho que falar e fazer para ela entender de uma
vez por todas que é minha?
Levanto-me em sua direção e ela estende as mãos,
andando para trás com os olhos arregalados.
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— Colin Hanson, saia do modo maluco e não faça


nenhuma besteira.
— Por que você vai sair com ele?
— Porque eu gosto da companhia dele. Colin, você
precisa parar de agir assim. Você não pode surtar cada vez
que me vir saindo com alguém, seja o Stephen ou qualquer
outro, é a minha vida!
— Eu não vou surtar. Por que acha isso?
— Porque está com aquele olhar assassino, assustador de
quem vai surtar.
— Eu nunca machucaria você — garanto a ela, olhando
em seus olhos e a vejo vacilar um pouco.
— Existem muitas maneiras de se machucar uma pessoa.
— Eu sei bem, você está fazendo isso comigo agora.
— É esse tipo de conversa que não quero ter com você.
Prefiro que você surte, pode surtar, quebre as coisas, grite, sei
lá mais o que você pode fazer.
— Ele está vindo te pegar?
— Não, eu irei encontrá-lo em um local onde você não vai
aparecer para espionar, ok?
— Não vou. E não vou surtar também. — Dou um passo
em sua direção e ela dá outro para trás. — Eu só quero
adverti-la de que está perdendo seu tempo saindo com ele.
Você me pertence, Caitlin.
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— Só porque você quer transar comigo, isso não faz de


mim, sua.
Dou mais dois passos quase a alcançando e seus olhos
enormes estão em pânico, seu rosto corado, porque ela sabe o
que vou fazer.
— Você é minha porque sou eu que controlo o seu prazer,
Caitlin. Você pode sair com ele, eu não vou impedi-la, nem
gritar ou nada assim.
— Que bom que você é adulto e entende que não é dono
de ninguém.
Sorrio.
— Acho que preciso te provar um ponto.
— Eu acho que não — ela diz e tenta correr, mas a seguro
e a puxo para mim, guiando-a até o sofá.
— Isso é para que você se lembre quando estiver com o
seu namoradinho. Porque se você não vai ficar com ele, não
faz sentido ficar saindo com ele vestida assim.
— Isso não é um encontro, nós vamos apenas...
A calo com minha boca e deixo que meu corpo caia sobre
o dela. Sua resistência logo deixa de existir e ela corresponde,
daquele jeito doce e apaixonado que me faz perder o controle.
Toco seus seios por cima do vestido delicado e ela geme,
então desço minhas mãos, passeando por todo seu corpo
delicioso, até tocar suas coxas. As subo bem devagar,

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sentindo o calor de cada centímetro de sua pele quente. Ela


trava debaixo de mim, seus lábios não correspondendo mais
ao meu beijo e tento tranquilizá-la.
— Eu não vou fazer nada demais, Caitlin. Você estará
com seu namoradinho na hora marcada. E você sempre pode
me pedir para parar.
— Parar o quê?
Afasto sua calcinha delicada e toco sua boceta, pequena e
molhada. Ela geme e se contorce embaixo de mim, quase me
fazendo perder o controle. Então pressiono seu clitóris, bem
devagar, brincando com ele, fazendo-a morder os lábios para
não gritar. Suas mãos que apertavam meus braços relaxam e
ela está totalmente entregue a mim.
— O seu namorado faz isso, Caitlin? Ele a faz sentir-se
assim?
Ela apenas geme e nem tenta me responder, enquanto vou
aumentando a pressão em seu clitóris.
— Responda, Caitlin! — Pressiono mais forte e abaixo a
taça de seu vestido, ela não usa sutiã e seu mamilo rosado,
intumescido, se aquece dentro da minha boca. Sugo com força
e ela grita. Tenho tanta fome dela que me sinto um selvagem,
quero rasgar essa roupa e fazê-la minha, e é difícil me
controlar.
— Responda! — exijo pouco antes de passear os dentes
pelo seu mamilo e pressionar um dedo em seu centro, bem de

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leve, apenas testando sua resistência. — Responda!


Ela grunhe a resposta pouco antes de gritar em êxtase.
— Não! Ele não é ... — ela se desmancha nos meus
dedos, e espero até que esteja parada e sem forças para tirar
meu dedo dela, seu rosto rosado e sua boca aberta enquanto se
recupera. Eu nunca a vi tão linda, eu poderia tirar uma foto
dela assim e ficar olhando para ela todos os dias, sem me
cansar. Ela é maravilhosa! Levanto-me antes que eu perca de
vez o controle.
— Isso, Caitlin, se chama prazer. Mas aquele seu
namoradinho de merda, não sabe o que é isso! Você pode sair
com ele quantas vezes quiser, mas você está perdendo seu
tempo. Eu estou bem aqui!
A deixo sem reação, seus olhos cravados em mim, mas
não consegue dizer nada. Levo meus dedos à boca para sentir
seu gosto. Divino, perfeito. Como eu sempre soube que seria.
E ela joga a cabeça pesadamente no sofá, seu cabelo
volumoso em volta de seu rosto corado pós orgasmo.
Então a deixo ali ciente que isso precisa ser mais rápido,
preciso mais do que depressa tê-la inteira só para mim.

Passo a manhã seguinte na academia do prédio testando o


quanto posso me mover sem sentir dor. Consigo levantar
alguns pesos e fazer exercícios que achei que não suportaria.
A dor diminui quando você a enfrenta. Ou quando se

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acostuma com ela. Quando subo, estou quebrado, só posso


imaginar como ficarei amanhã. Stephen pode me quebrar,
mas sairei morto como o vencedor. Brincadeira. Não pretendo
mesmo apanhar nessa luta. Agora tenho algo que nunca tive
antes nas vezes em que o enfrentava: um lindo e apaixonante
incentivo.
Abro a porta do apartamento e vejo uma mala no meio da
sala. Aproximo-me pensando quem poderia estar de mudança
para cá, e Caitlin aparece com uma bolsa pendurada nos
ombros, olhando-me com tristeza e segura a mala.
A minha ficha não quer cair.
— O que está acontecendo? — pergunto, mas antes de
qualquer resposta, a maldita dor já está saindo de seu
esconderijo.
— Estou indo passar um tempo fora. Não podemos
continuar nessa situação, Colin.
Faço um gesto negativo com a cabeça e deixo a garrafinha
de água cair no chão. Aproximo-me dela olhando em seus
olhos, e seguro a mala, não vou permitir que ela saia de jeito
nenhum!
— Por que está indo embora? Para onde você acha que
vai? Não pode me deixar aqui, por que quer fazer isso?
— Por que você acha? — ela grita e seus olhos estão
cheios, ela está tentando se controlar. — Você está me
enlouquecendo, Colin! Está me deixando maluca! Você é o

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senhor do sexo, conseguiu provar isso, mas eu não aguento


mais! Cada vez que você me toca eu quase cedo e depois eu
fico me odiando por isso.
— Não, Caitlin, por favor não faz isso comigo. Minha
intenção não é fazer você se sentir mal, eu não teria que
apelar tanto se você cedesse, se entendesse que você é minha!
— Mas eu não sou! Colin eu não sou sua e não sou um
objeto que você deseja e pode fazer o que quiser para comprá-
lo, não funciona assim.
— Eu não estava tentando comprar você. Caitlin, não me
deixa, eu não saberia viver sem você, eu não sei nem começar
a pensar como seria isso, por favor.
— Não dificulte as coisas. Precisamos nos afastar por uns
dias, esfriar a cabeça, esperar as coisas voltarem a ser como
antes.
— Não vão voltar! Não serão como antes nunca, porque
eu sei seu gosto, eu conheço seus beijos eu sei como tocá-la
agora e não vou esquecer isso. Eu não vou esquecer como
você é linda quando goza, ou como se perde quando eu a
beijo, você poderia ir para o outro lado do mundo, eu ainda
continuaria pensando em você, desejando você e ainda seria o
mesmo maluco descontrolado sem você por perto.
Ela fecha os olhos e as lágrimas caem.
— Eu não sei o que é pior, Colin. Quando você me toca
ou quando diz essas coisas, não sei mesmo o que me machuca

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mais.
— Caitlin, não vá. Eu juro que nunca mais vou machucá-
la, eu não vou mais tentar tocá-la, eu... não, eu não posso jurar
isso porque sei que não vou cumprir, mas eu prometo que se
você disser pare eu paro e não tento de novo por horas, eu só
preciso que você esteja aqui todos os dias. Caitlin, eu sou
louco, é você que me mantém um pouco são, se eu perder
você não vai sobrar nada.
— Não é verdade. Você é esquentado e inconsequente,
mas tem um coração de ouro e é tão inteligente, Colin! Você
não precisa de ninguém para ficar bem.
— Preciso de você. Não vou ficar bem sem você.
Ela tira minha mão da mala e a arrasta até a porta, mas a
seguro. Não posso deixar que ela saia, não posso!
— Caitlin, vamos fazer um acordo. Venha aqui comigo,
me deixe apenas beijar você e se eu a fizer gozar sem tocá-la
com as mãos, então você fica. Mas se eu não for capaz de
entender o seu corpo e suas necessidades então a deixarei ir.
Não é sedução! Não vou tocá-la, eu só preciso beijar você.
Você vai entender!
Não sei como dizer que não sei dizer o que sinto e talvez
se eu beijá-la sem que isso envolva meu toque descontrolado
sobre ela, ela sinta também, talvez ela entenda e fique, porque
vai saber que não a quero por uma noite apenas.
— Eu sei que você é capaz. Colin, eu te conheço tão bem!

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E ainda assim nesses últimos dias você conseguiu me


surpreender sendo fofo e desesperado com seu ciúme, mas
isso é pior para mim do que quando você me seduz e me toca.
— Caitlin...
— Eu não vou fazer acordo nenhum com você. Eu não
estou me sentindo bem aqui com você e se você realmente
gosta de mim como diz, precisa me deixar ir.
— Não! Não! Eu não posso! Eu vou perdê-la para sempre,
eu não posso!
— Você quer que eu fique aqui com você mesmo que isso
me faça infeliz?
— Não — respondo derrotado e fico de costas para ela.
Não quero que ela me veja chorando. — Para onde você vai?
— Para a casa de uma amiga da faculdade, a Mackenzie.
— Qualquer coisa que você precisar, me liga tá? Assim
que deixar de me odiar e puder falar comigo, me avisa, pra eu
ir ver você.
— Colin, eu não te odeio. — Ela toca meu ombro, mas
não me viro. Não quero que ela me veja assim. — Eu vou
ligar assim que as coisas se acalmarem. Não se preocupe
comigo. E você sabe que qualquer coisa que você precisar eu
estou aqui.
— Não está, não. Mas pode ir em paz. Se cuida, Caitlin.
— Você também.
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Ouço seus passos no chão e o som das rodinhas da mala,


então a porta bate e eu desmorono. Nunca imaginei como
seria viver sem ela, embora soubesse bem que não
conseguiria. Mas em cada plano idiota que fiz do meu futuro,
mesmo os mais bobos a incluíam. E eu nunca pensei que
chegaria o dia em que eu precisaria descobrir como viver sem
ela. Cada canto desse apartamento tem ela, com seu sorriso
doce, suas piadas ácidas e sua paixão por essas séries bobas
de heróis. Tem ela na cozinha queimando a comida e tomando
sorvete da maneira mais sensual do mundo. Tem ela na minha
cama, jogando conversa fora, enquanto tenta se desculpar por
algo pelo qual já nem estou mais bravo. Tem ela no chuveiro
se derretendo na minha boca, dizendo que iria se entregar a
mim. Em cada canto dessa casa tem ela, e cada lembrança
dela me fere mais do que a anterior, não posso ficar aqui!
Visto uma roupa e pego a moto, isso não funciona bem,
quando preciso não pensar e saio sem rumo dificilmente volto
melhor, mas ficar aqui dentro está me enlouquecendo e para
quem mais eu poderia contar o que estou sentindo? Eu a
perdi. Realmente consegui perdê-la.
Vou até o consultório da doutora Mansfield, mas ela já foi
embora e não consigo contatá-la pelo celular. Maldita
casamenteira que não está quando mais preciso dela! O que
eu vou fazer sem a Caitlin? O que vou fazer sem saber do seu
dia, dos seus planos? Sem vê-la se atrasando para as coisas ou
enfiando a cara em livros com aqueles óculos de
professorinha e a expressão de estresse adorável?

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Aquela dorzinha maldita está cantando a plenos pulmões


que no final das contas, eu tentei tanto correr daquilo que
poderia acabar com ela, achando que eu poderia ser homem o
bastante para sumir com ela sozinho, quando na verdade,
estava sendo um grande covarde negando algo que sempre
esteve na minha cara, e eu não queria ver. Se eu tivesse
deixado que a Caitlin mandasse essa maldita dor para o
inferno, estaria com ela agora, e eu podia até ser esse babaca
inconstante e imprevisível, mas estaria com ela. E muitas das
merdas que tenho feito para estar com ela sem realmente
estar, eu teria evitado.
A dor parece rir mais ainda de mim quando vou me dando
conta do que mais está errado na minha vida agora, ela aponta
o dedo para mim cantarolando bem alto que não adianta achar
a cura depois de corrompê-la. Caitlin nunca acreditaria em
mim se depois do meu discurso quero comê-la e nada mais,
eu simplesmente dissesse que todo esse meu desespero e
idiotice é culpa de algo com o qual não sei lidar. Jamais
acreditaria em mim se eu confessasse que apenas agora
entendi que eu...
— Merda! Merda! Malditas rogadoras de pragas! —
xingo a plenos pulmões a doutora casamenteira e Serena, com
aquele papo idiota de amar.
Meu coração salta no peito, minha cabeça dói como se eu
tivesse levado um soco em cheio na cara, e me falta ar por um
breve momento.
Tenho feito as coisas erradas, mesmo sabendo que estão
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erradas e machucado pessoas que nunca tive a intenção de


machucar, e eu achei mesmo que estava fazendo tudo isso por
ser um otário com um pau que comanda a cabeça e não
consegue se controlar, quando na verdade há um motivo para
eu ter me perdido tanto. Há um único e complicado motivo
para eu estar disposto a ser um grande babaca, contando que a
Caitlin seja minha.
Não posso acreditar que era isso o tempo todo e eu não
percebi. Como caralho eu não percebi? Ela esteve ali o tempo
todo diante de mim, como posso ter sido tão cego? E tão
burro?
Tremendo um pouco pelo choque, pego meu celular e
vejo uma foto dela, de anos atrás, rindo para a câmera
enquanto a carrego como seu cavalinho. E vejo meu olhar
para a câmera. Merda! Quando foi que isso começou? Desde
quando sou apaixonado por ela sem perceber isso? Olho
várias fotos em que estamos juntos e em cada uma delas a
maneira como a olho ou como reajo estando com ela é muito
clara. Até um cego veria isso. Todo mundo viu, a doutora
Katy, a Lorna, até mesmo a Serena, menos eu.
— É Colin, você estava errado. Realmente é preciso estar
apaixonado para se perder por alguém.

Após horas rodando sem rumo, volto para a casa vazia,


minha cara no espelho está assustadora, não me lembro
quando foi a última vez que chorei. Sim, eu me lembro. Só
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não me lembrava que doía tanto. Aquela dor chata de amar


alguém e perdê-la não me abandona, mas sei que ela nunca irá
embora, então preciso entrar em um acordo com ela.
— Vá, sua maldita! Faça seu estrago agora, depois você
me dá um sossego para que eu consiga dormir, tudo bem?
Acho que a doutora Katy vai ter que me internar.
O som da campainha parece atingir em cheio lá dentro da
minha cabeça. Abro a porta e quase consigo ficar feliz, pelo
menos animado, mas não consigo.
— Quem é vivo sempre aparece. Você está ridículo, seu
babaca! — cumprimento Dustin que parece radiante de tão
feliz.
— Cala a boca, seu merda! Eu passei no clube e o Thor
me disse que você estava quebrado, mas não achei que
estivesse tão quebrado.
— É, eu estou. Fui bem quebrado hoje.
— E mesmo assim vai enfrentar Stephen Ryan depois de
amanhã?
— É, eu vou.
— Cara, você é mesmo maluco. Mas se não quer morrer é
melhor me encontrar amanhã cedo para a gente treinar.
— Voltando às suas origens, modelinho? Quem sabe
assim seu pau não volta a subir como o homem que você
deveria ser?
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— A minha esposa não está reclamando do meu


desempenho, então cale a sua boca!
Só então percebo a presença feminina atrás dele. De
cabelos negros e um sorriso lindo, a garota estende a mão
para mim parecendo sentir pena. Pego sua mão e me
apresento, e ela faz o mesmo.
— Sou Carolina, mas pode me chamar de Carol.
— Ela é brasileira — Dustin diz.
— Eu sei. Todo mundo sabe sobre a sua Carol, você só
fez chorar por ela nos últimos meses.
— Onde está a Caitlin? — pergunta procurando por ela no
apartamento.
Agora vem a parte mais difícil.
— Foi embora. Essa tarde.
— Que merda! Como você está com isso?
— Como você acha?
Ando até o banheiro e volto de lá com uma caixinha de
lenços, tiro um e estendo para a linda esposa do meu amigo e
pergunto:
— Você gosta de drama e de idiotas apaixonados?
Ela me avalia com o lenço na mão, provavelmente
achando que sou louco.
— Adoro — responde finalmente piscando para Dustin
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que sorri em resposta.


— Ótimo, então você vai precisar disso — entrego o
lenço a ela, e tiro um para Dustin.
— Cara, para que eu vou precisar disso?
Tiro meu próprio lenço e como uma adolescente
abandonada dessas séries dramáticas, começo a chorar.
— Sabe quando você demora demais a perceber que ama
alguém?
Conto toda a história a eles, e me surpreendo por Dustin
ter passado pela mesma coisa com a Carol. Mas, ele corrigiu
seu erro e foi buscá-la assumindo o que sentia e se redimindo.
Eu estou pronto para fazer isso, estou pronto para dizer a
Caitlin como me sinto e trazê-la de volta, eu só não sei como
fazer isso. Mas acho que a Carolina aqui vai me ajudar.

Eu mal dormi à noite, minha cara parece péssima e me


sinto um zumbi. Mas meu corpo não dói o que é um grande
consolo. Pego o celular o tempo todo enquanto treino com
Dustin, mas não tenho coragem de ligar em nenhuma das
vezes, eu só queria perguntar a ela se ela vai assistir minha
luta, mas ela precisa de um tempo. E não posso mais uma vez
colocar as minhas necessidades acima das dela. De qualquer
forma, a manterei comigo na luta, em pensamento. Dustin me
disse claramente que eu tinha que dormir essa noite, como se
fosse minha, essa escolha. Não preguei os olhos, foram tantas

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lembranças me preenchendo e eu não sei como caralho eu não


percebi antes o que sentia. Não é possível ter sido tão burro!
Consigo dormir um pouco depois que o sol nasce, depois
que vou me deitar na cama dela, sentindo seu cheiro gostoso,
foi como se ela estivesse aqui.

Assim que chego ao clube, procuro Serena e a libero de


ser minha Sorte esta noite. Não seria legal, já que o adversário
é seu irmão. Recebo um tapa na cabeça de Dustin quando
conto a ele o que fiz, seguido de uma zoeira.
— Oh, o bebê chorão está crescendo! Alguém liga para a
Caitlin e avisa!
— Seu babaca! — reclamo.
O clube está cada vez mais cheio e eu deveria estar
nervoso, ou pelo menos ansioso, mas só espero que ela venha
e que torça por mim. A plateia está se direcionando a um lado
específico da torcida. Noto que uma parte dela é de quem está
apostando no Stephen e outra de quem está apostando em
mim. Engraçado, em questão de torcida estamos pau a pau.
Mas ela ainda não chegou. É provável que não venha, ela tem
esse direito. Ela não costuma quebrar suas promessas, mas
dessa vez, eu não consideraria como uma quebra, porque fui
quem a provocou ao ponto de ela não se sentir mais bem ao
meu lado.
— Pronto para perder, Hanson? Me dá até peninha

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enfrentar você quando está claramente incapaz, mas já que


você insiste...
Nem me dou ao trabalho de olhar para ele para respondê-
lo. Hoje realmente não estou no clima para essas batalhas
verbais idiotas.
— Se você precisa parar aqui e ficar me dizendo isso, é
porque não está tão certo assim que vai vencer.
— Eu não preciso te provar nada, a gente se entende no
ringue. Se está procurando a Caitlin, ela não vem. Não sei o
que fez com ela e nem quero imaginar que você a tenha
tocado, mas se você queria acabar com ela, parabéns! Você
conseguiu!
Olho para ele quase suplicando por notícias dela, e ele
parece confuso ao ver minha cara.
— Ela está tão mal assim?
— Ela não vai aparecer aqui hoje.
— Você a viu? Ela fez alguma piada sarcástica com você
ou parecia triste?
— Não a vi, ela não quis me ver, não quer ver ninguém
pelo que entendi. Mas por sua voz ao telefone eu diria que
está bem triste. Não sei como ajudá-la.
— Merda! — Levo as mãos à cabeça com a culpa me
corroendo ainda mais. O que foi que eu fiz com ela?
O locutor cumprimenta a plateia e chega a hora de irmos.
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Stephen vai primeiro, eu ainda procuro por ela mais uma vez,
então memorizo seu rosto ao gozar para ter forças de vencer
essa luta. O locutor faz uma piada sobre meu estado de saúde
que leva a plateia aos risos, mas não consegui ouvir direito o
que disse. Há um zumbido em meus ouvidos, não é nada
parecido com os malditos fantasmas, é apenas algo que me
deixa fora do ar. E não posso sair do ar agora. Aperto a mão
de Stephen, uma cordialidade apenas, já que somos da mesma
equipe.
— Quero deixar claro uma coisa, não estamos lutando
pela Caitlin aqui. Essa batalha não é por ela — ele diz, como
se eu estivesse pensando algo assim.
Sorrio em resposta e respondo seu aperto de mão com a
mesma força que ele está colocando na minha.
— Você deve estar se doendo, não é? Porque mesmo eu
sendo um grande babaca ela ainda assim não quis ficar com
você. E eu sei o quanto você tentou!
— Também não a estou vendo ao seu lado.
— Ela está aqui onde mais importa. — Bato a mão no
peito para que ele entenda.
— Aproveite enquanto pode, porque eu vou arrancá-la
daí! — ele ameaça e eu preciso mesmo quebrar a cara desse
idiota!
O juiz dá início à luta. Ataco primeiro, acertando-o com
um chute, seguido de um soco que o pega em cheio. Mas,

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logo ele revida com uma sequência de socos na minha barriga


e costela, perco o ar por alguns segundos, a dor dilacerante
quase me fazendo cair. Então ele não vai lutar limpo, eu
realmente esperava que ele fosse melhor do que isso. Me
esquivo de seus próximos golpes tentando encontrar uma
brecha para acertá-lo, quando me lembro do que a Caitlin
disse na primeira vez que veio ao clube: as poucas vezes em
que ele foi atingido, foi por baixo, porque ele não se defende
ali. Ele vem em minha direção com o punho e retruco
chutando-o, e derrubando-o em seguida. Porém, ele é rápido e
me derruba na sequência, e mais uma vez, a dor me atrapalha
de reagir com a rapidez com que teria feito em um dia normal.
Merda! Por que não pedi que adiassem essa luta até que
eu me recuperasse por completo?
Olho para a plateia e algo chama minha atenção,
desviando meu foco da luta o suficiente para ser atingido em
cheio de novo, na costela.
Caitlin está aqui. Sentada do meu lado da torcida, com seu
cartaz na mão. Ela teve o cuidado de levá-lo quando foi
embora porque pretendia estar aqui hoje. Sorrio para ela que
acena e se junta ao coro da plateia gritando meu nome e
pedindo que eu reaja. Stephen também a vê, parece
decepcionado por ela estar ali. Como não jogo baixo como
ele, espero que sua atenção esteja de volta na luta para acertá-
lo. Caitlin está vendo, então não vou perder essa luta de jeito
nenhum!
Ignoro o máximo que posso a dor na lateral do meu corpo
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e o ataco de novo por baixo, usar os pés na verdade dói menos


do que usar as mãos nesse momento. Consigo derrubá-lo e
apesar de saber que isso vai me matar de dor, aplico nele um
knee drop[6], acertando em cheio seu braço com o joelho. Ele
grita de dor e sei que no mínimo desloquei seu braço, o que
me dá uma imensa vantagem. O problema é que tenho muita
dificuldade em me levantar, assim como ele, e ficamos de pé
ao mesmo tempo. Porém, seu forte são seus socos, e ele não
pode fazer isso agora com o braço inutilizado. Então ele me
ataca com chutes, me acerta o primeiro na barriga, mas, no
segundo, seguro seu pé e o giro, jogando-o mais uma vez ao
chão. Agora que fiquei de pé, posso usar isso a meu favor,
pois ele vai demorar de novo a levantar-se. Pulo sobre ele
usando seu braço machucado para aplicar o Crucifixo,
prendendo-o ao chão de forma que ele não consegue escapar.
O juiz faz a contagem, e sou declarado o campeão.
Eu venci o Stephen babaca.
Caitlin me aplaude de pé. Pego o lenço da vitória e o
beijo, em seguida o levanto e a plateia vai à loucura. Sorrio
para minha expectadora mais importante, que sorri de volta, o
orgulho estampado em sua cara. Eu estou na final do
campeonato. Vou ajudar Stephen a se levantar, mas ele recusa
minha ajuda e logo, Thor aparece para levar nós dois ao
hospital. É possível que eu tenha fraturado outra costela hoje.

Na tarde seguinte já estou em casa e com um plano em

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mente. Percebi que não tenho que seduzir a Caitlin para que
ela queira ficar comigo, eu preciso conquistá-la. Preciso
mostrar a ela que a quero para muito mais do que fazer amor.
Encontro Carolina na porta do meu prédio e subimos
juntos, eu sei cozinhar muito bem, mas não sei decorar o
ambiente para o que tenho em mente e ela vai me ajudar. Me
concentro na comida e o resto deixo por conta dela, que
resmunga, me mandando fazer várias coisas ao mesmo tempo.
— Ei, paciência, eu estou todo machucado.
— Ah, por favor! Não venha bancar o bebê chorão
comigo! Eu vi você lutar ontem, poderia levantar essa mesa
no estado em que está, pare de moleza e carregue isso agora
mesmo! Eu não vou pegar peso para você.
— Agora entendo como você domou o Dustin, você é
mandona, hein!
— Estou ouvindo você reclamar? Porque se estiver eu vou
embora!
— Meu Deus! O Dustin vai direto para o céu — brinco e
ela responde com olhos apaixonados.
— Você diz isso porque não faz ideia do que passei até
conseguir domá-lo. Ele merece a Carol mandona e você, se
não andar logo com essa mesa, vai conhecê-la também!
— Está me dizendo que isso aí ainda não é ela?
Ela me arremessa uma almofada e trato de carregar logo a

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mesa para onde ela quer deixá-la.


Devo confessar que esse lance romântico e fofo está legal
pra caralho! Quando terminamos, olho o ambiente e não
acredito no que fizemos em tão pouco tempo. Caitlin vai
amar. Posso até imaginar sua cara quando vir isso.
— Você tem certeza que ela vem? — Carol pergunta pela
terceira vez e a encaro com uma careta.
— Você é extremamente irritante, garota. Ela vem, não
estoure meus sonhos.
— Foi mal, estou só perguntando.
— Ela vem. Agora você pode ir.
— Claro, me usa e depois joga fora. Só para você saber eu
iria de qualquer jeito porque o meu marido já chegou. Boa
sorte com seu jantar e sua garota.
— Obrigado, Carol. E agradeça ao Dustin por ter me
emprestado você.
Ela faz uma careta e desce resmungando que não tinha
que pedir permissão a ele porque não é um brinquedo dele.
Essas nossas mulheres...
Tomo um banho e visto minha melhor roupa: uma camisa
surrada que sei que a Caitlin adora. Coloco tudo à mesa e
espero. Espero mesmo que ela venha. Dustin teve muito
trabalho dizendo a ela que eu estava quase morrendo de dor e
me recusava a ir ao hospital. Será que ela vai ficar mais brava

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ou feliz com a mentira? Espero que feliz.


Logo, a porta é aberta e ela entra, já chamando meu nome
irritada. Então, estaca quando vê a mesa, as velas, os balões e
almofadas.
— Uau! O que aconteceu aqui?
— Um jantar. Para você.
Ela abre um imenso sorriso.
— Então, você não está morrendo de dor.
— Depende do ponto de vista. E depende se você vai
aceitar jantar comigo. Se você disser não eu posso mesmo
morrer.
— Colin você sempre julgou meus dramas, mas você está
me saindo melhor do que a encomenda — ela brinca
desconcertada observando tudo com atenção.
— Você não fez tudo isso sozinho.
— Não. Tive ajuda de uma amiga. Casada. Com meu
amigo — explico antes que ela imagine se tratar daquele tipo
de amiga, já que minha única amiga de verdade é ela. — Mas
a ideia foi minha. Caitlin Ross, você aceita jantar comigo?
Para que fique claro isso é um encontro.
— Por que você está fazendo isso? — pergunta com seu
jeito doce, tentando muito não ficar emocionada, mas seus
lindos olhos de gata já brilham.
— Eu só quero fazer as pazes. Eu preciso que você volte.
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— Colin... — Seguro seu rosto tentando esconder meu


desespero, não quero assustá-la.
— Por favor, Caitlin, não me deixe. Eu posso superar
qualquer outra perda na vida, menos essa. Eu sou péssimo
com palavras e essas coisas e não sei dizer a você o que sinto,
então me deixa mostrar. É tudo o que te peço. Se depois de
hoje você ainda quiser ir embora, então não pedirei mais. Não
é verdade, eu tentarei de novo, mas te darei mais alguns dias.
Ela ri e me abraça, devagar, tomando cuidado com meus
machucados.
— Senti fala desse seu jeito louco. Parece que faz dias que
nos afastamos.
— Eu sei.
— Você não vai tentar me seduzir nem nada assim, não é?
— Não, meu bem. Essa noite não se trata disso. — A
aperto em meus braços e como senti falta dela! Do cheiro do
seu cabelo, de ter que me curvar para ficar do seu tamanho,
do calor que seu corpo pequeno emana e que consegue
incendiar todo meu corpo.
— E se trata de quê então?
— Há um lado inteiro meu que você não conhece. Mas ele
existe por você, então preciso que me deixe mostrá-la.
Ela assente e puxo a cadeira para ela, servindo-a seu prato
preferido, o que a deixa claramente feliz. Sento-me ao seu

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lado e começamos a conversar. Como sempre fizemos,


porém, com mais intimidade do que pensei ser possível. Ela ri
tão facilmente ao meu lado, como se os últimos dias não
tivessem acontecido. Quando terminamos de comer a levo até
as almofadas, onde nos deitamos. Esse seria o lugar e o
momento perfeito para fazermos amor, mas eu disse que essa
noite não se trata disso, e não se trata.
Pairo meu corpo sobre o dela que arregala os olhos na
defensiva, acaricio seu rosto e a tranquilizo:
— Não vou fazer nada. Só quero beijá-la, tudo bem?
Ela assente e finalmente tomo sua boca. Ciente do que
sinto por ela, tentando mostrar isso a ela porque tenho medo
de dizer. E ela corresponde, toda sua doçura direcionada a
mim, eu me derreto por ela. Eu seria capaz de qualquer coisa
por ela, não sei como fui tão cego e não percebi isso antes,
mas agora, parece que sinto em dobro por cada dia em que
não assumi para mim mesmo o que sentia. Ficamos horas
assim, juntos, ela deitada nos meus braços, relaxada. Coloco
um de seus filmes de amor bobos para vermos, mas não a
deixo realmente assisti-lo porque não consigo parar de beijá-
la.
Eu sei que tenho tanto a me desculpar com ela, e vou
começar a fazer isso agora, e estenderei essas desculpas por
todos os outros dias se for preciso. Sirvo duas taças de um
vinho barato, porque esqueci de comprar um bom, e levo em
sua direção. Ela está com o celular numa mão, pega a taça da
minha mão com a outra e diz:
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— É o Luke.
— Está tudo bem?
— Não sei.
Ela dá play em algum áudio que ele mandou para ela e
sinto meu mundo ruir conforme escuto a minha voz
conversando com ele:

— Você acha que estou mentindo. Mas não estou.


— Então está me dizendo que não está travando essa
guerra contra o Stephen fora do clube porque sente algo pela
Caitlin? Porque cara, é o que está parecendo.
— Eu jamais faria isso com você e independente disso,
ela é minha irmã. Estou apenas tentando protegê-la. Há uma
diferença enorme entre não permitir que ela durma com ele e
querer que ela durma comigo.
— Então, você, Colin Hanson, está dando sua palavra de
que não está interessado na Caitlin? Não sente nada
diferente por ela?
— Não, eu não sinto. A minha melhor amiga não vai
perder a virgindade com meu pior inimigo. Stephen pode me
vencer nos ringues, mas não vai vencer essa. Vou fazer o que
for preciso para impedir que ela cometa esse erro, e isso
pode parecer sentimental às vezes, mas é apenas isso. Estou
fazendo meu papel de amigo, nada mais.

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Não acredito que ele gravou isso.


— Caitlin, não é o que parece, eu posso explicar!
Ela se levanta e pega sua bolsa e corro atrás dela.
— Caitlin, por favor. Eu não sabia, eu só disse isso para
acalmá-lo, não estava sendo sincero. Eu estava tentando me
convencer do que falei, eu não sabia ainda o que sentia por
você. Caitlin!
Mas ela não quer me ouvir. Entra no elevador e consegue
fechá-lo antes que eu a alcance, porque não consigo andar
rápido o suficiente com essa tala de merda na costela. Volto
ao apartamento, pego o celular e peço socorro. Eu não vou
conseguir pilotar assim e preciso achá-la.
Assim que chego à rua, não a vejo em lugar nenhum, e
uma voz atrás de mim me faz querer matá-lo.
— Ela entrou em um táxi.
Luke está parado ali, olhando-me como se tivesse
vencido, como se eu fosse o culpado por perdê-la mais uma
vez. E eu fui, mas não vou parar para admitir isso agora.
— Seu filho da mãe! — O seguro pela camisa e bato seu
corpo na parede. — Que merda achou que estava fazendo
gravando aquela conversa? Você tem ideia do que fez?
— Você não ia levá-la para a cama fingindo sentir algo
por ela. Acha que não vi o que fez na luta? A maneira como
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olhou para ela. Você a está iludindo, Colin! Fingindo que a


ama para conseguir tê-la.
— Eu não estava fingindo porra nenhuma! Estava
fingindo quando falei aquelas merdas para você! Eu amo a
Caitlin, amo mais do que posso explicar e por sua causa eu
não sei onde ela está agora!
Ele parece em choque e o solto. Bater nele agora não vai
adiantar. Onde está o imbecil do Dustin? Eu preciso achá-la.
Conheço os lugares onde ela pode ter ido.
— Eu só fiz isso porque achei mesmo que você a estava
usando, Colin. E não achei justo que você fizesse isso com
ela.
— Mas eu não estava! — respondo sem me dar ao
trabalho de olhar para ele.
— Se você tivesse me dito que a amava, nada disso teria
acontecido. Eu nem teria ficado chateado se soubesse.
Por que é tão difícil entender que eu era cego e não
percebia que a amava? E que mesmo quando descobri não sei
lidar com essa merda. Por que é tão difícil que as pessoas
parem de esperar que eu aja como elas quando não sou como
elas? Não sou como ninguém! Sou só uma merda de um louco
apaixonado!
— Você sabia disso, Luke. Todo mundo sabia disso! Só
eu que não!
Ele não responde mais, não há o que ser dito.
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Dustin buzina em seu carro, Carol está ao seu lado, desce


rapidamente quando me vê e me abraça.
— O que houve? O que deu errado?
— Ele deu errado — digo apontando para o idiota do meu
ex melhor amigo. — Vamos, precisamos achá-la.
Entro no carro com eles e dou o primeiro endereço que
acho que ela pode estar, tomara que eu consiga impedir que
ela cometa alguma besteira e que ela me deixe explicar,
porque juro que vou perder o medo e dizer a ela de uma vez
por todas que eu a amo!

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CAPÍTULO QUINZE
Não sei há quanto tempo estamos rodando, mas já olhei
em todos os lugares que sei que a Caitlin costuma ir quando
está triste, e ela não estava em nenhum deles. Estou ficando
sem ideias de onde procurá-la, e esse medo de perdê-la de vez
parece que vai me sufocar a qualquer momento.
— Não sei mais onde procurar. Olhamos em todos os
lugares onde ela costuma ir — admito desesperado.
— Ela deve estar em um lugar onde você não pode
encontrá-la, Colin — Carol diz com a mão em meu ombro,
tentando me consolar. — Mas ela vai aparecer, assim que essa
raiva passar.
— E se não passar?
— Cara, vocês são amigos desde que me lembro, aquela
garota realmente te adora, ela vai te dar uma chance de contar
sua versão da história.
Estou sentindo que não.
Quero liberar Dustin e Carol para que possam ir dormir,
enquanto eu continuo rodando à procura dela, mas eles não
aceitam ir para a casa. Perdi a conta de quantas vezes liguei
para seu celular e o de Lorna, mas Lorna não sabe dela e ela
não me atende. Até que meu celular toca, e é Caitlin.

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— Cait, onde você está? Você está bem?


Há um barulho enorme ao fundo e mal consigo ouvir a
voz do outro lado da linha, mas sei que não é Caitlin.
— Oi, é o Colin? Meu nome é Mackenzie, sou amiga da
Caitlin. Não aconteceu nada grave, ela só bebeu um pouco e
não parece muito bem. Eu não sei mais o que fazer com ela.
— Onde vocês estão?
Sei onde fica o pub onde ela foi, e sei o que acontece
quando ela bebe. Temo chegar lá e encontrá-la nua em cima
de uma mesa, mas a encontro chorando em um canto, uma
garrafa quase vazia em sua mão e duas amigas cansadas ao
lado dela.
— Mackenzie?
A loira a direita de Caitlin levanta-se e me cumprimenta.
— Estávamos aqui quando ela ligou, ela nunca veio com a
gente antes, começou a beber sem parar e chorava. Depois,
ela queria beijar um cara qualquer que estava passando. A
namorada dele estava na mesa ao lado, foi uma confusão. Ela
misturou um monte de coisas.
Aproximo-me de Caitlin, que está com a cabeça sobre a
mesa e a chamo:
— Ei, baby, vamos embora. Vim buscar você.
Ela levanta a cabeça vagarosamente e vejo a raiva em seus
olhos, ela olha Mackenzie e fala de maneira arrastada.
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— Não deixa ele me levar.


— Eu juro que não vou machucá-la — digo a Mackenzie.
— Não mais do que já fiz.
— Você pode levá-la porque sei que só você vai poder
ajudá-la agora. Mas fique sabendo que vou ligar de hora em
hora e vou querer falar com ela.
— Tudo bem. Obrigado, Mackenzie.
Pego Caitlin com todo cuidado, o ambiente pouco
iluminado por luzes coloridas, a arrasto dali enquanto ela
pede a amiga que não me deixe levá-la. A abraço forte no
carro, ela tenta me afastar, mas cede e acaba adormecendo.
— Obrigado a vocês dois pela ajuda — digo ao descer do
carro.
— Tem certeza que não quer que eu a leve lá para cima?
— Dustin oferece por causa da minha cara de dor.
— Não precisa. Não vou sair de perto dessa pequena de
qualquer maneira.
— Se cuida, cara. Qualquer coisa liga.

Levo-a direto para o banheiro, ela resmunga coisas


desconexas enquanto tiro sua roupa.
— Brigando em um bar por um homem comprometido?
Eu queria ter visto isso, Cait. Você vira outra quando bebe, é
quase como se tivesse dupla personalidade.
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— Ele nem era tão bonito — ela resmunga de olhos


fechados tentando me afastar.
Só então percebo que há uma marca roxa em seu queixo,
no lado esquerdo.
— O que é isso?
Ela não responde e me pergunto se a tal namorada do cara
bateu nela. Se essas amigas incompetentes dela deixaram que
ela apanhasse. Termino de despi-la e a levo para a água
quente. Ela resmunga quando a água escorre por seu corpo e
fecha os olhos. Fico ali debaixo com ela, amparando-a,
sentindo-a tão perto de mim, e eu tive mesmo medo de nunca
mais poder tocá-la de novo.
Depois de uns minutos ela abre os olhos, sua cara está
péssima, mas consegue ficar em pé sozinha, mesmo ainda um
pouco zonza.
— Você não precisa ficar — diz baixinho.
— Não vou a lugar nenhum, Caitlin.
— Eu não quero você aqui.
— Vai ter que se acostumar, porque eu não vou a lugar
nenhum!
— Por que você não me entende? — ela grita e tenta me
acertar, mas se desequilibra e a seguro, prendendo-a em meus
braços.
Ela me bate, ainda mais fraco do que bateria se estivesse
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sóbria, mas sinto sua raiva pelo jeito como grita enquanto me
soca lentamente, se esforçando para me acertar.
— Eu te odeio! — diz e começa a chorar.
— Caitlin, não. Não chora, quando você dormir e acordar,
vamos conversar e vou te explicar tudo. Só me deixa cuidar
de você agora, tudo bem?
Ela continua chorando e deita a cabeça em meu peito,
parecendo fraca e perdida. Questionando por que eu fiz isso.
A abraço apertado, e a embalo, movendo-a levemente
embaixo da água quente, tentando niná-la. Acalmá-la.
Porque eu sou um babaca que te ama demais e não faz
nada certo.
Porque eu não queria mesmo amar alguém desse jeito e
correr o risco de perder tudo, perdendo essa pessoa.
Porque agora eu sei que aquela dorzinha que vem me
acompanhando, que cessa quando estou com você e quase me
mata quando você está longe, nada mais é do que amor.
— Eu não fazia ideia que amar podia doer tanto — falo
baixinho.
— Pode. É o que mais pode doer — ela responde com a
voz sonolenta e desligo a água. A seco, tendo que ampará-la
porque ela não parece capaz de ficar de pé sozinha e a levo
para minha cama. Visto-a com um blusão meu e me seco
rapidamente, entrando debaixo da coberta com ela. Ela se
aconchega a mim, passando o braço à minha volta e deitando
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a cabeça em meu peito, e assim que vejo que ela dormiu,


começo a rezar.

Não preguei os olhos a noite toda, com medo de apagar e


não vê-la acordar. E aí ela poderia ir embora sem que eu
explicasse para ela o que realmente aconteceu. O sol nasceu
há algumas horas, e sua respiração é tão suave em meu peito,
que por um momento quero que ela demore bastante a
acordar, para tê-la assim mais tempo. Mas por outro lado,
quero que ela acorde e que a gente converse, para ver se essa
angústia que estou sentindo diminui um pouco.
Pouco depois, ela se mexe e resmunga, e acorda. Fica um
tempo quietinha, acho que se lembrando de onde está e como
veio parar aqui. Então, levanta a coberta e vê que está vestida,
sai do meu peito e geme de dor ao deitar a cabeça no
travesseiro.
— Vou te preparar um café — aviso.
— Não precisa. Estou bem.
— Você está com uma cara péssima.
Ela abre os olhos e me encara.
— Sua cara não está melhor do que a minha, tenho
certeza.
— Eu não dormi. Fiquei com medo de você acordar e eu
não perceber, e você ir embora sem que a gente converse.

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— Eu não quero conversar, Colin. Eu quero ir embora.


— Não acho que a sua amiga queira te ver hoje — digo
levantando-me. — Há um hematoma no seu rosto, que
provavelmente está em mais partes do corpo dela. Já que você
se envolveu numa briga e ela era a única sóbria o bastante
para te defender. Ela me disse que apanhou um bocado até
conseguir contê-la.
Ela arregala os olhos e faz aquela careta de quem passou
vergonha.
— Ah meu Deus, eu fiz mesmo isso? Achei que pudesse
ter sido um sonho.
— Amor, você já deveria saber à essa altura, que esse tipo
de coisa quando se bebeu demais, nunca é um sonho.
A deixo ali e vou fazer um café e providenciar um
remédio para ela. Junto tudo e levo para ela na cama, ela não
parece tão mal quanto na primeira vez que bebeu, mas sua
cara não está nada boa.
— Coma isso e depois tome um banho, vai melhorar.
Ela come em silêncio enquanto a observo. Depois, recusa
minha ajuda e vai para o banheiro. Veste outra roupa minha,
já que levou quase todas as suas roupas embora e deita-se em
sua cama. Entro em seu quarto e sento-me ao seu lado.
— Sei que você não quer conversar, então vou conversar
sozinho.

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Como imaginei, ela não diz nada.


— O Luke desde que a viu pela primeira vez, achou que
estava apaixonado por você. E eu digo que ele acha que está,
porque ele sai com outras mulheres, ele se interessa por
outras, e quando se ama alguém de verdade, esse tipo de coisa
não acontece.
Ela me olha com uma expressão surpresa e incrédula, e
com um sorriso irônico, afunda a cabeça no travesseiro,
fechando os olhos, deixando claro que não quer nem mesmo
me ouvir. Mas bem, eu nunca fui aquele que segue suas
vontades, não é?
— Quando você disse que era virgem, meu mundo virou
de cabeça para baixo. Parece que retrocedi dez anos com as
atitudes que tive e eu tentei justificá-las. Tentei justificar que
fosse tão egoísta por não conseguir deixá-la ser feliz com
outro. Tentei justificar que fosse tão babaca que magoasse
desse jeito um grande amigo, e a conversa que você ouviu, ele
estava puto comigo, eu não sabia que ele estava gravando, e
tive que inventar qualquer coisa que pudesse justificar minhas
atitudes em relação a você. E eu mesmo tentei acreditar
naquilo que disse para ele, porque eu não conseguia entender
porque eu não podia te deixar pertencer a outro. Eu só não
podia. Ainda não posso.
Ela não responde e nem se mexe, e temo que tenha
dormido, mas continuo, talvez não vá falar essas coisas nunca
mais.

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— Eu sei que a magoei muito, Caitlin. Magoei todo


mundo, inclusive a mim mesmo, mas só porque fui lento
demais em perceber e aceitar o óbvio. Você precisa saber que
minha intenção nunca foi feri-la, precisa saber que eu daria
minha vida sem pensar duas vezes para você ficar bem. Eu
morreria e mataria por você.
Ela ainda não me responde, acho que depois de tudo, amá-
la não vai remediar tudo o que causei a ela.
— Eu vou embora, assim que você estiver bem, se for
melhor para você. Não é justo que você saia, aqui já era sua
casa quando eu vim para cá. Eu vou deixar que você viva em
paz, e irei vigiá-la à distância, se você preferir. Eu só preciso
que você saiba que eu te amo, Caitlin. Eu sou apaixonado por
você, eu sempre fui. Desde a primeira vez que a vi. Só que eu
não percebia isso. Uma vez você me disse que eu buscava
algo em várias mulheres e continuaria buscando porque não
encontraria em nenhuma delas e você estava certa. Eu
buscava você em cada uma delas, e nunca era o bastante.
Estar com você sempre me completou mais do que qualquer
uma delas, e eu não queria admitir isso. Eu sei que dizer que
te amo agora não vai consertar as merdas que fiz, mas você
precisa me ensinar a fazer isso.
Toco seu cabelo macio, acho que ela está mesmo
dormindo, a viro bem devagar e seus olhos descansam, sua
respiração leve, ela está dormindo. Não deve ter ouvido nada
do que eu disse. Beijo sua testa, a cubro e a deixo ali. Minha
cabeça está pesada, eu preciso dormir, preciso tirar essa coisa
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apertando o meu peito, cumprimento a dor que sei que estará


ali para sempre e não sei mais o que fazer. Junto minhas
coisas em uma mochila. Não tenho muitas roupas, nunca fui
muito ligado a isso. Ainda não sei para onde posso ir, talvez
ficar uns dias no clube até a final do campeonato e depois eu
poderia sumir, ir para outro país, quem sabe.
A quem estou enganando? Jamais iria tão longe dela. Só
preciso de uns dias no clube, até achar um lugar. Mas antes,
há uma coisa que preciso fazer.

— Você está atrasado — a doutora Katy me repreende


logo que entro em seu consultório
Me dirijo ao divã e aponto para seu whisky caro.
— O que houve? — pergunta preocupada. — Parece que
você não dorme há dias. Você apanhou feio nessas últimas
lutas, não é?
— Vim cumprir nosso acordo. Acho que você pode tomar
do seu whisky doze anos enquanto eu falo.
— Fala o quê?
— O que aconteceu. Tudo o que aconteceu. Aquele lance
de diário humano, lembra?
Ela serve duas dozes desse whisky intocável e me serve
uma. Senta-se ao meu lado, mas não pega seu caderninho,
nem um gravador, nem nada assim.

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— Estou te ouvindo, filho.


— Eu tinha treze anos, quando minha mãe conheceu uma
mulher mais jovem na academia. O nome dela é Hannah
Thompson. As duas ficaram muito amigas, e essa mulher
virou a cabeça da minha mãe, ela começou a sair muito,
chegava tarde, dormia até tarde, então se arrumava e saía de
novo. Meu pai começou a surtar, dizia que ela não estava
agindo como uma mãe de família, eles começaram a brigar
muito. Eu nunca gostei dessa Hannah, ela era linda e doce,
como todos diziam, mas quando eu olhava para ela, via algo
ruim. Tentei alertar a mamãe, mas ela dizia que era cisma
minha, coisa de adolescente bobo.
Respiro fundo e continuo.
— Aí aconteceu o assalto. Eu estava chegando da escola,
vi os carros de polícia, senti que alguma coisa estava errada.
A versão da Hannah foi de que a minha mãe tentou reagir e
foi baleada, mas eu sabia que tinha uma coisa errada, que não
batia. Eu disse isso aos policiais, eles disseram que iriam
investigar e por um bom tempo, foi tudo o que tive deles.
Tentei falar com o meu pai, mas ele só bebia e não me
escutava. Um ano depois da morte dela, Hannah veio morar
conosco, estava noiva do meu pai. Eu nem sabia que eles
estavam se vendo, só então fui descobrir que ela o consolou
da morte da mamãe. Comecei a reparar mais nela, em suas
atitudes, e no quanto meu pai parecia estranho, mesmo
estando cum uma mulher mais jovem e tão bela. Ele estava
sempre nervoso, e parecia enfeitiçado por ela, mas não feliz.
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Uma tarde a flagrei com os cartões da mamãe do banco. Os


tirei dela, nós brigamos, mas quando o meu pai chegou me
mandou devolver a ela, disse que ela tinha direito às coisas da
mamãe. Eu me lembro que fiquei revoltado. Comecei a andar
com as pessoas erradas, a fazer coisas erradas. A única pessoa
em quem confiava e a quem respeitava, era a Caitlin. Longe
dela, eu era o pior que podia ser. Mesmo assim meu pai nunca
me corrigia, nunca reclamava das coisas que ouvia, ele não
queria mais ser pai.
Viro o pequeno copo e ela se apressa a enchê-lo de novo.
Então continuo.
— Eu tinha quinze anos quando as coisas pioraram. Um
dia, Hannah caiu da escada, eu estava no meu quarto com a
Caitlin, não vi o que aconteceu. Eles gritaram e ela caiu em
seguida. Mas, ela disse à polícia que ele a empurrou. Eu sabia
que meu pai jamais faria aquilo! Poucos dias depois ela
retirou a queixa porque ele pediu perdão a ela, e prometeu que
se casariam em breve. E eles se casaram no papel, ela passou
a usar o nosso sobrenome. E gastava todo o dinheiro dele e o
da mamãe, e ele não fazia nada para impedir. Ela começou a
roubar da conta da mamãe, da minha poupança da faculdade e
da conta dele. Eu consegui juntar provas para ele uma vez,
mas ele disse que não se importava. E que eu não devia me
preocupar com isso. Foi aí que uma noite, a polícia invadiu a
nossa casa e levaram meu pai preso. Acusado de ter facilitado
a entrada dos assaltantes que mataram minha mãe. Eu tive
tanta raiva por ver essa injustiça, tanta raiva! Principalmente,

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quando ele disse que eu não deveria tentar tirá-lo da cadeia,


que ele merecia estar lá. Um policial veio falar comigo e me
explicou que investigaram por todo esse tempo, pegaram um
dos assaltantes, o que atirou na minha mãe, e ele confirmou o
envolvimento do meu pai. Ele armou para que parecesse um
assalto. Eu demorei a entender que ele fez isso porque ia
pegar todo o dinheiro e fugir com a Hannah. Mas ela fez
questão de me explicar isso poucos dias depois da prisão do
meu pai. Eles não tinham prova alguma contra ela e meu pai,
idiota, não a entregou. Ela ficou lá na minha casa, recebendo
seus amantes, gastando o dinheiro da minha família, enquanto
eu não tinha mais ninguém.
Fecho os olhos tentando conter as lágrimas. Hoje não,
fantasmas, hoje não.
— Um dia, a ouvi ao telefone com um cara que dormia lá
em casa de vez em quando. Ela havia retirado do banco uma
quantia enorme de dinheiro e eles fugiriam na tarde seguinte,
porque ela achava que meu pai ia entregá-la. Eles
combinaram de ele buscá-la para comprarem as passagens e
algumas coisas que ela precisaria. Depois voltariam para a
minha casa, dormiriam e partiriam na manhã seguinte. Eu vi a
chance perfeita. Arquitetei tudo, e tinha tanta certeza que
daria certo! Que tiraria dela aquilo que a levou a tirar a vida
da minha mãe! Esperei ela sair com esse cara, sabia que eu
tinha pouco tempo até ela voltar, espalhei gasolina pela casa
inteira. Eu achava que era o plano perfeito, mas na verdade,
nem estava pensando. Eu só sentia raiva, uma fúria que não

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sabia como controlar e eu tinha que machucar alguém para


que melhorasse. Tinha que machucá-la! Coloquei fogo na
casa. Confesso que doeu bem menos do que achei que doeria,
desfazer-me assim do lugar onde cresci. Ele havia se tornado
o lugar onde minha mãe morreu, não mais o meu lar. Estava
pronto para ir embora e deixar a casa queimando, quando ouvi
gritos. Os vizinhos vieram desesperados, ligaram para os
bombeiros, havia uma pessoa lá dentro. Hannah estava lá.
Não sei porque ela voltou antes da hora, eu juro que não a vi
entrar. Os bombeiros chegaram a tempo de salvá-la, mas a
senhora sabe, boa parte do seu corpo ficou queimado, ela
ficou irreconhecível. Eu fugi, mas fui pego e a senhora sabe o
resto. Fui preso, indiciado, e condicionado à minha punição.
Pouco depois que fui preso, meu pai morreu na cadeia e assim
que saí da prisão, eu vim para cá, conversar com a senhora
toda semana.
Katherine fica em silêncio, coisa muito rara nela. Viro a
segunda dose do whisky e enquanto me serve a terceira, ela
fala.
— Você não é um monstro, Colin. Só estava sozinho e
confuso, e era jovem demais. Mas você é uma das pessoas
mais sensacionais que conheço. Você é capaz de amar de uma
maneira que quase ninguém é. Só precisa se descobrir.
Você está atrasada, doutora.
— A Caitlin não está mais falando comigo.
— Bom, quando você deitou aí e começou a contar sua
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história, achei que você quebrou seu trato no acordo e a


seduziu, não foi?
— Eu tentei, tive orgulho de mim mesmo por poucas
horas. Mas não fui capaz de resistir. Eu não consigo resistir a
ela.
— E conseguiu o que queria?
— Não mesmo. Nada do que queria. Estou saindo do
apartamento para deixá-la em paz. Ela nem quer falar comigo
depois de tudo o que fiz para impedi-la de dormir com ele.
Então conto a ela tudo o que fiz, sobre a gravação do
Luke, e sobre eu ter vencido finalmente uma luta contra
Stephen Ryan.
— Meus parabéns, Colin! Sabia que esse dia chegaria! Na
verdade, quando você me disse que a Caitlin estava saindo
com o Stephen, eu tive certeza que você venceria a próxima
luta contra ele.
— Muito espeta, doutora.
— Então você está desistindo da Caitlin? Não vai mais
tentar seduzi-la?
— Não estou desistindo, quando eu disse isso? De jeito
nenhum! Mas não vou mais tentar seduzi-la eu preciso
conquistá-la.
Ela arqueia as sobrancelhas tentando entender, acho que
pensando erroneamente que pretendo fingir-me de

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apaixonado para tê-la, então trato de corrigir.


— Eu a amo. Muito mesmo. Sou perdidamente
apaixonado por ela, e só percebi isso depois de quase perdê-la
pela primeira vez. Agora a perdi pela segunda. E não sei mais
o quanto posso suportar isso, então preciso aprender a dizer a
ela como me sinto, para poder convencê-la de que posso fazê-
la imensamente feliz.
Os olhos da doutora Katy se enchem e ela parece tão
orgulhosa, que me faz rir.
— Ah Colin, finalmente, meu Deus! Eu estava a ponto de
bater sua cabeça na parede até que você entendesse o que
sentia, porque isso ficou óbvio para mim desde a primeira vez
em que você falou dela.
— Acho que só eu não via isso.
— E ela. Ela não faz ideia do que você sente, então você
precisa dizer. Meu menino, que orgulho de você!
Ela me abraça como se eu fosse um filho e fico ali mais
alguns minutos bebendo de seu whisky caro, e ouvindo um
monte de conselhos de como conquistar o amor da minha
vida.

Quando chego em casa, Caitlin está deitada no sofá. O


rosto corado, mas com uma expressão cansada. Pergunto se
ela está bem e ela assente. Olhando assim para ela, não sei se
consigo me afastar, por mais que entenda que ela precisa
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desse momento agora, eu acho que ficarei louco longe dela.


Mal tenho tempo de decidir, quando ela desliga a televisão e
senta-se no sofá. Seus olhos cansados pousam em mim e ela
fala, a voz baixa e receosa:
— Por que todas as suas roupas estão em uma mochila?
— Você andou mexendo nas minhas coisas — respondo
sentando-me na poltrona, longe dela.
— Não é como se você nunca tivesse mexido nas minhas.
— Você não ouviu o que eu disse a você no quarto, não é?
— Você disse que ia embora?
Assinto e ela se mexe desconfortável.
— E é isso o que quer fazer? Quer ir embora?
— Caitlin, você ouviu o que eu disse a você no quarto,
mais cedo?
— Não, só até um pouco depois da parte em que você
disse como é amar alguém, eu tentei ficar acordada, mas não
consegui.
Ela não ouviu nada do que eu disse. Talvez essa não seja a
hora de falar. Talvez eu me saia melhor mostrando do que
falando.
— Eu não quero ir embora, eu nunca vou preferir me
afastar a estar com você. Mas você precisa de um tempo, e
não é justo que você saia da sua casa.

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— É nossa casa, não é só minha.


— Eu vou ficar uns dias fora. Não estarei longe, se você
precisar de mim, é só me chamar que volto rapidinho.
— Por que você está me machucando de novo? Você diz
que não tem a intensão e está sempre fazendo isso, por quê?
— Não. Estou fazendo isso para que você fique bem.
— Não vou ficar bem se você for embora — uma lágrima
corre por seu rosto e quase pulo no sofá, puxando-a para meus
braços.
— Achei que não quisesse me ver agora.
— E não quero. Mas eu não fico bem sem você.
— Ah, Caitlin! — A aperto mais forte, sentindo uma
emoção que mal sei como conter.
— Você disse que eu posso chamá-lo se precisar, não é?
— Claro que pode, sempre pode.
— Estou precisando agora. Preciso que meu melhor
amigo não vá embora.
— Então eu não vou. Vou ficar aqui com você. E vou
tentar mesmo não feri-la mais, tudo bem?
Ela assente e fica ali, presa em meus braços e já começo a
pensar em mil maneiras de mostrar a ela que a amo.

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Uma semana se passou desde que ela voltou para casa, e


as coisas estão tão calmas quanto poderiam estar. Não nos
vemos muito, porque estou treinando mais pesado agora para
a final. Thor adiou o máximo possível para que eu me
recuperasse e a luta pudesse ser justa e não posso decepcioná-
lo. Chego do treino e Caitlin está com seus fones no ouvido,
cantarolando e rebolando enquanto assa um bolo.
A parte mais difícil de conviver com ela tem sido não
tocá-la e não beijá-la como quero fazer cada vez que a vejo.
Especialmente, agora que ela usa uma camiseta minha e está
abaixada olhando o bolo e me dando uma visão deliciosa de
sua bunda. Friendzone é uma meda! E controlar meu pau a
cada façanha dela, é uma merda maior ainda. Eu poderia
chegar por trás dela e talvez, só talvez, brincar com ela como
antes, para ver aqueles olhos desejosos de novo.
Mas não posso. Estou tentando provar que a amo e não
que quero tê-la em minha cama. Mesmo que eu queira, muito
mesmo.
Ela se vira e leva um susto ao me ver ali.
— Ou! Que susto! Como foi o treino?
— Suado.
— É, está dando para notar.
— Acho que devo tomar um banho.
Ela sorri de um jeito tímido, que não é característico dela.

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Merda, Caitlin, não faça isso comigo. Não comece esse


jogo porque meu pau não trabalha há semanas e não vou
conseguir controlá-lo.
Passo por ela e abro a geladeira, pego uma garrafa de água
e jogo na boca, deixando cair um pouco na blusa grudada ao
meu corpo. Quando me viro, esbarro em sua mão, e ela vira a
calda quente de chocolate em seu peito.
— Ah meu Deus, Caitlin! Você vai se queimar!
A arrasto até a pia, mas ela está rindo.
— Não está quente, seu tonto! Eu te mataria se estivesse.
Fiz essa há um bom tempo, mas o primeiro bolo que assei
queimou, então a calda esfriou até eu fazer esse segundo.
Sorrio.
— Por que você ainda tenta cozinhar?
Ela dá de ombros e está ali, tão pequena perto de mim, tão
linda com minha blusa e coberta de chocolate. Sem me dar
conta do que estou fazendo, abaixo minha cabeça e lambo
uma parte do chocolate sobre seu seio, por cima da blusa, mas
sinto o peso dele na língua. Então percebo o que fiz e me
afasto, esperando que ela surte. Mas ela está me olhando
daquele jeito, meio perdido, com aqueles olhos de amêndoa
desejando algo. Abaixo a cabeça mais uma vez e lambo o
chocolate acima do seu seio, ela fecha os olhos e não surta,
então subo com a língua por seu pescoço, seu queixo até
alcançar seus lábios.

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E quando chego ali, perco o controle. Sugo seu lábio com


força puxando-a para mim, devorando sua boca, matando a
saudade de beijá-la desse jeito. Ela se prende a mim
correspondendo com o mesmo desespero. Nos tornamos uma
mistura quente de suor e chocolate. Quase sem fôlego, afasto
minha boca da dela louco para carregá-la para o banheiro
comigo.
— Acho que você também precisa de um banho —
comento em seus lábios.
Por favor, Caitlin, não me peça para parar.
— Eu também acho.
Era tudo o que eu queria. A carrego até o banheiro, minha
boca de volta na sua, nossas línguas se entrelaçando enquanto
quero ainda mais dela. Tiro sua roupa como um desesperado e
arranco a minha em seguida, seus olhos estão arregalados e
ela está com medo. Então pego suas mãos nas minhas, para
tranquilizá-la.
— Vamos só tomar banho, tudo bem? E eu vou beijar
você. Muito. Mas não vai passar disso se você não quiser.
Ela assente e quase a arrasto para debaixo da água. Sei
que tenho que me controlar, não quero assustá-la, mas eu a
quero tanto, é quase como uma força que está sobre mim e
que me move em direção a ela e me faz querer tomá-la agora
mesmo e penetrá-la antes que eu enlouqueça.
Seguro seus seios em minhas mãos enquanto os lavo e ela

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geme, aperto-os de leve, massageando-os, então sugo com


força um mamilo, ela treme levemente e a amparo, sugando
com ainda mais força.
— Você disse que ia apenas me beijar — diz com uma
voz rouca deliciosa.
— Estou só beijando.
Sugo novamente seu mamilo, e volto para sua boca.
Pressionando-a a mim, deixando que minha ereção sinta sua
pele quente. Ela toca meu pau enquanto nos beijamos, sua
mão pequena subindo e descendo, quase me fazendo perder a
cabeça. Desço meus lábios por seu pescoço, e antes que goze
antes mesmo de penetrá-la, a levanto, encostando-a à parede.
Ela passa as pernas por minha cintura para se apoiar, e tê-la
ali, aberta diante de mim, é melhor do que ganhar o maior
banquete de ação de graças. Beijo sua boca e todo seu corpo
onde minha boca alcança. Sinto o gosto de sua pele molhada,
e quente, mas minha boca não alcança onde quero chegar.
Então a subo um pouco mais na parede. Passo suas pernas por
meu ombro e ela se agarra em meu cabelo.
Sua boceta branquinha e pequena está na altura do meu
peito agora, ao alcance da minha boca.
— Como eu queria beijá-la! — murmuro antes de tocá-la
com a língua, sentindo seu gosto, explorando o lugar onde
mais quero estar.
Passeio minha língua por sua boceta e ela geme, então
sugo seu clitóris com força, quero ouvir seus gritos, e ela grita
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imediatamente, fazendo-me sugar com ainda mais força.


Incontáveis vezes. Fecho os olhos e me perco nela, presa a
mim, aberta para mim, sugando-a com toda a fome que tenho
dela. Quando sinto que ela está prestes a perder o controle, a
penetro com a língua, raspando os dentes em seu clitóris e ela
goza, grita alto, se agarra ao meu cabelo e preciso ampará-la.
A desço devagar pela parede, passando seu corpo pelo meu,
ela geme alto quando sua boceta passa pela extensão do meu
pau, e espero que ela firme os pés no chão. E a beijo. Ela se
prende a mim, totalmente entregue.
— Isso é o que eu chamo de beijo! — brinco.
— Eu acho que gosto do seu beijo — diz baixinho.
— Acha? Então não fiz isso direito. Embora, não foi o
que pareceu enquanto você quase arrancava meus cabelos.
Ela sorri e seu rosto atinge aquela tonalidade vermelha
deliciosa.
Desligo o chuveiro e ela parece confusa. Pego as tolhas e
a seco minunciosamente, fazendo uma pressão maior em seu
clitóris sensível, e ela quase perde o equilíbrio, apoiando-se
em mim.
— Você quer fazer isso? — pergunto acariciando seu
rosto.
— Quero, quero muito, mas não sei se devemos. Já fomos
longe demais para uma noite, não sei se tenho coragem.
Sei do que ela está falando. Daquele papo de sermos
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amigos e de como será depois. Mas não vou dizer nada, não
vou fazer qualquer promessa. Eu vou mostrá-la. Amanhã,
quando ela acordar nua na minha cama, presa nos meus
braços e eu fizer amor com ela de novo, ela vai saber que não
a quero só por uma noite, vai saber que é minha, e que nunca
mais irei deixá-la.
— Já passa da meia-noite, tecnicamente é manhã agora.
Então você pode encontrar mais um pouco da sua coragem e
vir comigo. Prometo que faço valer a pena — repito as
palavras que disse em nosso primeiro encontro e ela sorri.
Deposita suas mãos em meus braços e me beija.
É toda resposta que preciso. A pego no colo e a levo para
meu quarto. Minha boca já tomando a sua antes mesmo de
depositá-la em minha cama. Deito sobre ela beijando-a com
fome, desesperado para tê-la. Minhas mãos passeiam por todo
seu corpo, acariciando, memorizando sua pele. Desço meus
beijos para seu pescoço enquanto toco seu clitóris, de leve,
para deixá-la molhada de novo. Quando ela começa a se
contorcer, enfio um dedo nela, que grita. O giro dentro dela,
até que consigo enfiar o segundo dedo e ela parece prestes a
explodir de novo. Então sugo seu seio, em perfeita sintonia
com os movimentos dos meus dedos dentro dela e ela grita,
chegando ao orgasmo e cravando as unhas nas minhas costas.
Mais linda impossível.
— Agora sim, está bem molhadinha.
Ela apenas me encara, parecendo perdida em outro
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mundo. Pego uma camisinha no criado e a coloco depressa,


seus olhos fixos nos meus movimentos, um pouco assustados.
Queria poder dizer que não irei machucá-la, mas não posso.
Me encaixo no meio de suas pernas, a visão de sua boceta
linda apenas pela luz acesa da cozinha, que entra pela porta
aberta do quarto, mas o pouco que vejo já me deixa com água
na boca.
Deito sobre ela, sentindo seus seios sobre meu peito, e a
beijo suavemente enquanto a penetro devagar. Até que
encontro a resistência. Eu nunca transei com uma virgem, e
nunca fiz amor antes dessa noite.
— Lembra que eu disse que não a machucaria nunca
mais? — sussurro.
— Faça logo!
E eu a penetro. Ela grita de dor, e seguro suas mãos,
deixando que aperte meus dedos, porque não consigo parar.
Ela se contorce embaixo de mim, seus gritos uma mistura
perfeita entre dor e prazer, e isso faz com que eu me
descontrole, saber que ela está sentindo dor e gostando me faz
meter com ainda mais força, bombear ainda mais rápido.
Beijo sua boca, recebendo seus gritos dentro de mim, ela solta
minhas mãos e passa os braços por meu pescoço, me
prendendo mais a ela. Eu posso senti-la em cada centímetro
do meu corpo. Acelero os movimentos, meu pau sendo
apertado por sua boceta pequena, quase me deixando louco!
Ela prende suas pernas na minha cintura e alcanço ainda mais
fundo nela, que grita, ainda mais alto que antes, suas unhas se
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cravando em mim, e vou junto com ela. Sinto meu mundo


todo cair, perdido em puro prazer, preso a ela de uma maneira
que me completa. Gozo gritando seu nome, e sentindo-a em
mim por inteiro.
Valeria a pena esperar uma vida por ela.
Caio pesado sobre seu corpo pequeno, quase sem forças
para me livrar da camisinha, mas o faço e a puxo para debaixo
da coberta comigo, para meus braços, porque não consigo
tirar as mãos dela.
Ela me olha de um jeito como nunca a vi olhar antes, e
parece feliz e saciada. Acaricio seu rosto de boneca e a beijo,
prendendo-a em meus braços.
— Você está bem? — pergunto baixinho em seu ouvido e
ela assente.
— Mais do que bem. — Entrelaça sua mão na minha,
prendendo-as em seus seios, onde sinto seu coração
acelerado. — Eu não fazia ideia que seria assim. De tudo o
que já imaginei, eu não fazia ideia...
Suas palavras morrem, mas sei exatamente o que ela quer
dizer.
— Então somos dois, porque nunca foi assim para mim
também.
Ela espera uma explicação, mas não sei explicar. Eu a
amo, e isso muda tudo. Logo, ela adormece nos meus braços e
não me lembro de já ter me sentido tão feliz assim.
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Continua em MEU MELHOR AMIGO, devasso...

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PROMOÇÃO!!!
Você que chegou até aqui com esse livro, e gostou da
primeira parte da história de Caitlin e Colin, quer ganhar
bottons e marcadores para se lembrar do nosso intenso lutador
e sua amiga atrapalhada?
É muito simples!
Avalie o livro na Amazon, opine sobre o que achou dele,
(isso me ajuda muito a ter o seu feedback e reconhecimento),
depois, é só enviar o print da sua avaliação e o seu endereço
para o e-mail: avaliacoes.carlie@gmail.com
Prontinho! Você receberá em sua casa um lindo kit
contendo bottons e marcadores do livro!
Espero que goste e um grande beijo!

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Uma espiada em

MEU MELHOR AMIGO,


devasso...
Lançamento em setembro!

Caitlin Ross está encrencada. Apaixonada desde sempre


por seu melhor amigo, Colin Hanson, luta durante anos para
esconder esse sentimento tão fundo, de forma que nem o sinta
mais. Porém, ele a deseja, e após uma noite mágica de sexo,
ela não sabe o que fazer para garantir que ele nunca mais
precise tocar em outra mulher.
Ela sabe que ele não é do tipo que se apaixona, e menos
ainda, do tipo que tem apenas uma mulher. Mas, ele é o amor
de sua vida e ela não pode mais negar isso a si mesma.
Disposta a tudo para fazê-lo se apaixonar por ela, Caitlin
faz o impossível para seduzi-lo todos os dias. O que ela não
contava é que a redenção de um devasso pudesse metê-la em
tantas confusões. Pois, cada plano perfeito que cria, acaba
dando errado por seu jeito atrapalhado, e o jeito imprevisível
de Colin, que sabe enlouquecê-la como ninguém.
Será que a doce menina conseguirá conquistar o maior
devasso que já conheceu?
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Dedicatória
Este livro é dedicado à uma pessoinha especial, que com
sua alegria e jeitinho únicos, conseguiu transformar cada
gesto de carinho, em um imenso presente.
A Edilãine Cardoso (Ellah), obrigada por tudo!

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Agradecimentos
Terminar este livro, até pouco tempo, estava acima de
qualquer possibilidade disponível para mim. No entanto,
graças a pessoas que estiveram ao meu lado
incondicionalmente, que me alegraram e empurraram para a
frente, e que não desistiram de mim após um grande
afastamento do mundo literário, aqui está ele!
Então eu quero agradecer primeiramente a Deus. Por cada
segundo. Por cada dia, mesmo àqueles em que achei que não
conseguiria, pois foi através deles, que me tornei mais forte.
Obrigada por mais um sonho realizado. Obrigada por mais
uma vez, ser o Senhor a guiar meus passos, e fazê-lo na
direção dos meus sonhos. Obrigada por seu amor e
misericórdia sempre! Sem Ti, eu não seria nada, meu Pai.
Obrigada a minha família, vocês são o maior presente que
eu poderia ter recebido. Minha maior dádiva.
E obrigada, de todo coração e alma, a você.
Você que me mandou um e-mail me dando forças, uma
mensagem, um comentário, uma avaliação. Você que
continuou me acompanhando, esperando, acreditando que eu
voltaria. Você que betou este livro e me fez acreditar que eu
podia terminá-lo. Você que me cobrou coisas novas, e disse
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estar feliz com a minha volta. Você que orou por mim, e com
suas energias positivas, me fez ficar de pé. Obrigada a cada
leitora, a cada gesto, a todo carinho que jamais agradecerei o
suficiente.
Hoje, não vou citar nomes aqui, mas você sabe que estou
falando de você, de cada um de vocês, que se tornaram minha
segunda família.
Amo vocês!

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Contato com a autora

Facebook: https://www.facebook.com/carlieferrerautora/
Wattpad: https://www.wattpad.com/user/Carlie_Ferrer
Site: http://carlieferrers.wix.com/autora
E-mail: carlieferrers@gmail.com
Confira outras obras da autora na Amazon:
http://migre.me/ua38C

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[1] É um movimento no qual o lutador acerta os dois lados do pescoço do


adversário usando suas duas mãos na diagonal ao mesmo tempo.
[2] Jogar o oponente de cara no chão.
[3] É uma ponte de ferro fundido localizada no Central Park, em Nova York,
cruzando sobre o lago chamado The Lake e usada como passarela de pedestres.
[4] O movimento é realizado com o lutador caindo ou pulando sobre
qualquer parte do corpo de seu oponente com seu cotovelo flexionando.
[5] O lutador executa um salto do lado de fora do ringue, da apron, onde
logo após estar com os ambos pés em cima da corda superior executa um salto
para frente na direção do oponente que está dentro do ringue e o aplica o golpe.
[6] Joelhada.

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