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TEORIAS HUMANISTAS

Beatriz Canello Bonolo RA:19269638


Laura Copelli Ferraz RA:19256338
Victoria Lembo RA:19241538

Resenha:
É praticamente impossível o ser humano conseguir sobreviver por conta própria,
psicologicamente necessita de contato com outros indivíduos e, fisicamente, necessita de
comida e bebida. A abordagem gestáltica surge para dar coerência a concepção de
homem tanto como indivíduo quanto como ser social, a vida humana é resultado da
interação entre o indivíduo e o meio que habita, ambos devem ser fluidos e mutáveis.
Quando o indivíduo se torna incapaz de alterar suas técnicas de manipulação e interação,
surge a neurose, que o torna menos capaz de ir ao encontro de qualquer uma de suas
necessidades de sobrevivência, inclusive sociais.
Uma sociedade constituída por muitos neuróticos tem de ser uma sociedade
neurótica, o homem parece nascer com um sentido de equilíbrio social e psicológico tão
apurado quanto seu sentido de equilíbrio físico. O neurótico não pode ver claramente
suas próprias necessidades, portanto, não pode satisfazê-las, não consegue distinguir
adequadamente entre si e o resto do mundo e tende a ver a sociedade como maior que a
vida e a si como menor. O desequilíbrio surge quando simultaneamente o indivíduo e o
grupo vivenciam necessidades diferentes e quando o indivíduo é incapaz de distinguir
qual é a dominante, o grupo pode significar família, meio social, companheiros entre
outros.
Em todos os seres humanos parece ter uma tendência inata para o ritual, que pode
ser uma expressão do sentido de identificação social do homem, sua necessidade de
contato com o grupo, as pessoas normais parecem sentir uma necessidade de ritual,
parece dar uma experiência de ordem, forma e objetivo, faz a figura sobressair mais
nitidamente. Ritual tem valor social, reforça o valor de sobrevivência da vida em grupo,
mantém as pessoas juntas.
Todos os indivíduos neuróticos advêm da incapacidade do ser humano encontrar e
manter o equilíbrio adequando entre ele e o resto do mundo e, todos tem em comum o
fato de que na neurose, o social e os limites do meio sejam sentidos como se estendendo
demais sobre o indivíduo. O neurótico é o homem sobre quem a sociedade influi
demasiadamente, sua neurose é uma manobra de defesa para protegê-lo contra a
ameaça de ser barrado por um mundo esmagador, é sua técnica mais efetiva para manter
o equilíbrio.
Neuroses traumáticas são essencialmente padrões de defesa que se originam
numa tentativa de o indivíduo se proteger contra uma intromissão completamente
apavorante da sociedade ou de choque com o meio, o indivíduo é colocado em ação por
um trauma mas continuam a atuar mesmo quando o trauma deixou de existir.
Introjeção: o processo de crescimento por assimilação é simples de ver, nós
crescemos e nos mantemos através da comida que mastigamos e digerimos, não pela
comida que só engolimos, o que é digerido torna-se parte de nós, mas o que foi somente
engolido permanece pesadamente no estômago, fazendo com que nos sintamos mal,
querendo vomitá-la. O processo psicológico de assimilação é quase igual ao fisiológico,
os conceitos, fatos, padrões de comportamento, a moral chegam do mundo externo e
devem ser digeridas e dominadas se quiserem se tornar nossas de verdade, mas se
simplesmente as aceitamos completamente e sem crítica, tornam-se um peso, são
indigeríveis, essas atitudes não digeríveis a psicologia chama de introjeções e o
mecanismo pelo qual estes acréscimos estranhos são anexados à personalidade
chamamos de introjeção.
O alimento psicológico deve ser estruturado, analisado e aceito, se for
simplesmente engolido não contribui para o desenvolvimento das nossas personalidades.
Os perigos da introjeção são dois: primeiro o homem que introjeta nunca tem
oportunidade de desenvolver sua personalidade por que está muito ocupado em ficar com
os corpos estranhos alojados em seu sistema, quanto mais se sobrecarrega com
introjeções menos lugar há para que se expresse ou descubra o que é de fato, em
segundo lugar a introjeção contribui para a desintegração da personalidade. A introjeção é
o mecanismo neurótico pelo qual incorporamos em nós mesmos normas, atitudes, modos
de agir e pensar, que não são verdadeiramente nossos. Na introjeção colocamos a
barreira entre nós e o resto do mudo tão dentro de nós mesmos que pouco sobra de nós.
Projeção: o contrário da introjeção é a projeção, que é a tendência a fazer o meio
responsável pelo que se origina na própria pessoa. O neurótico não usa o mecanismo da
projeção apenas em relação ao seu intercâmbio com o mundo externo, também usa
consigo mesmo, tem uma tendência não somente para se desapropriar das partes de si
em que surgem os impulsos, dá-lhes como se fosse uma existência objetiva fora de si de
modo a fazê-los responsáveis por seus problemas sem encarar o fato de que eles são
partes suas.
Na projeção deslocamos a barreira entre nós e o resto do mundo exageradamente
a nosso favor, fazendo com que nos seja possível negar e não aceitar as partes de nossa
personalidade que consideramos difíceis ou ofensivas.
Confluência: é quando o indivíduo sente que ele próprio e o meio fazem parte de
um todo, sem que exista nenhuma barreira. Adultos, quando em estado de êxtase, se
sentem confluentes com o que as cerca, assim como os recém-nascidos pois não
possuem o sentido de distinção. Quando esse sentimento de completa identificação
passa a acontecer periodicamente, este indivíduo torna-se incapaz de ver a diferença
entre si e o seu meio, tornando-se doente psicologicamente e não pode discernir entre o
que é ele e o meio em sua volta, portanto é incapaz de socializar com outras pessoas. A
confluência patológica faz com que a pessoa não saiba lidar com qualquer diferença,
exigindo semelhança. Este caso acontece quando pais não compreendem que seus filhos
são pessoas diferentes, vendo-os como mera extensão de si próprio.
Retroflexão: este mecanismo neurótico significa, em palavras literais, voltar-se
rispidamente contra, ou seja, voltar a si mesmo o que gostaria de fazer aos outros. O
indivíduo retroflexor sabe como traçar uma divisão entre ele e o mundo, de maneira nítida
e clara, juntamente ao meio. Quando alguém retroflexiona um comportamento, passar a
se tratar como gostaria de tratar o outro, visando provocar mudanças no meio para
satisfazer suas necessidades e colocar suas energias para fora.
Com isso a pessoa acaba se colocando no lugar do meio, como objetivo de
comportamento. Conforme faz isso, divide sua personalidade em agente e paciente de
ação. O retroflexivo costuma fazer afirmações, baseadas na sua concepção de que ele e
ele mesmo são duas pessoas diferentes. A neurose, por sua vez, é verdadeiramente essa
confusão de identificação, e ela se manifesta inicialmente pela pratica dos mecanismos de
introjeção, retroflexão ou confluência, e sua principal característica é a fragmentação da
personalidade e a incapacidade de coordenar os pensamentos e ações. A terapia consiste
em retificar falsas identificações, reestabelecendo a capacidade do neurótico de
discriminar, discernir boas identificações, más identificações e ajudando-o a descobrir o
que ele realmente é.

1) Ao ler o texto pudemos compreender mais sobre as neuroses, suas


características, como se manifestam e a sua relação com a terapia. Achamos
muito interessante a forma com que o autor dispõe as informações e explica as
quatro neuroses, exemplificando e as trazendo para o nosso dia a dia. A
sociedade retratada no texto onde esta é construída por muitos neuróticos
tende sim a ser também neurótica, e acreditamos que essa é uma doença que
necessita sim de tratamento psicológico.

2) Ainda sobre neurose, como seria feito o intermédio entre o indivíduo e o seu
meio? Ou seja, como a terapia intervirá diante desta situação?

Quais fatores são responsáveis por grande parte da neurose provocada aos
indivíduos, considerando que grande parte da sociedade atualmente possui
problemas neuróticos?

Segundo o autor, confluência e retroflexão são opostos. O que os caracteriza


desta maneira?

B) O vídeo indicado, foi muito interessante de assistir pois mostrou claramente a ideia
presente na Gestalt-terapia de terapia em grupo e hot seat, em que um cliente toma o
lugar de fala e senta numa cadeira especifica.
No vídeo, mostra que o cliente exerce diversas funções dentro da sessão, como por
exemplo de plateia e no lugar de fala. A última a falar no vídeo, contou seu sonho de
diferentes óticas, contou-o como ela mesmo, como o lago, como o jarro e como a agua
dentro do jarro. Fritz tem uma fala interessante, quando diz que o terapeuta não tem a
função de interpretar o sonho, como na psicanálise, pois pode confundir o cliente, o
cliente que o interpreta, podendo caminhar assim para a autoconsciência, conceito muito
importante dentro da abordagem.