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UNIDADE IV

ENSINAR E SEUS DESAFIOS PARA EJA.

Prof. Me. Renata Oliveira dos Santos.

Objetivos de Aprendizagem
O objetivo dessa unidade é finalizar os nossos estudos ressaltando a
importância do ato de ensinar, como ele deve ser compreendido e quais os
desafios para os profissionais da Educação de Jovens, Adultos e Idosos.

Plano de Estudo
Nesta unidade, serão abordados os seguintes tópicos:
1. Ensinar e as possibilidades para o conhecimento.
2. Educador um ser humano que ensina.
3. EJA e a complexidade de sua prática.
4. EJA o que podemos fazer?
CONVERSA INICIAL

Chegamos a essa unidade reafirmando o quão importante são professores e


alunos para que a EJA pode ser de fato uma educação que cumpra seu papel
de ser libertadora, transformadora e emancipadora. Capaz de respeitar as
diferenças e de fomentar inúmeros conhecimentos.
Todo conhecimento provém de muitos estudos, várias horas de leituras,
conversas com diversos pesquisadores e estudiosos. Porém, o ato de querer
aprender abre portas e caminhos para que seja sempre possível refletir sobre a
prática do educador e como o mesmo deve atuar em sala de aula.
Daremos continuidade aqui a reflexão da obra: Pedagogia da Autonomia:
Saberes Necessários à Prática Educativa que irá complementar o que Paulo
Freire acreditava ser um caminho possível para a formação do professor. Na
verdade, a obra nos ajuda a despertar para o fato que somos seres humanos
em construção e com a capacidade de ensinar e, consequentemente, aprender
sempre.
Ao entendermos isso, vamos finalizar nossas leituras pensando um pouco
sobre as complexidades da EJA em sua prática e como alguns exemplos, já
existentes de sua aplicabilidade, pode nos ajudar a pensar uma maneira de
lutarmos para que essa modalidade de ensino possa auxiliar de fato o aqueles
que dela precisam para não apenas uma certificação de estudo, mas sim para
fazer uma leitura do mundo mais crítica, podendo assim, exercer seu papel de
cidadão cada vez mais coerente e consciente na sociedade.
Vamos aproveitar o final dessa nossa aventura que é o conhecimento?

Bons Estudos!
1. ENSINAR E AS POSSIBILIDADES PARA O CONHECIMENTO.
Tem uma frase de Paulo Freire em seu livro: Pedagogia da Autonomia, que
tende a despertar nos educadores um desconforto: “Ensinar não é transferir
conhecimento” (FREIRE, 2017, p. 47). Quando nos deparamos com ela é
possível pensar o que deve ser de fato o ato de ensinar? Se não é transferir o
nosso conhecimento, o que seria então?
Bom, para Paulo Freire, ensinar é criar possibilidades para que os alunos
possam produzir ou construir o seu próprio conhecimento. O desafio é que eles
sejam capazes de encontras diferentes maneiras para aprender e até ensinar.
Muitas vezes em sala de aula o professor explica algum conteúdo e, por mais
didático que ele seja, a gente acaba não entendendo, não é mesmo? Pois bem,
aí sempre aparece aquele amigo ou amiga que de outra maneira, as vezes
com mais sentido e significado para nós, consegue simplificar o que acabou de
ser ensinado.
Muitos alunos relatam que aprendem de forma diferenciada dentro de grupos
de estudos ou quando podem dividir suas dúvidas também com seus colegas
de classe. Talvez o “falar a mesma língua”, seja estar apto a compreender as
coisas por diferentes visões.
Assim, quando o professor não é o responsável, apenas por transferir
conhecimento, ele pode proporcionar uma aula que seja aberta para
indagações, perguntas diversas e muita curiosidade. O ato de levantar a mão
para poder falar, contribuir, se expressar é de extrema importância para o
aprendizado. O que significa que aquele professor que não possibilita uma aula
dialógica, corre o risco de estar apenas transferindo um conhecimento
importante e claro para ele, mas não para seus alunos.
Por essa razão, por mais que pareça errado o que o aluno argumente ou
demonstre pensar é imprescindível que o educador possa ouvi-lo, respeitar
suas ideias. O que o professor deve estar atento é que nenhuma das falas do
aluno possam ser discriminatórias, desrespeitosas, preconceituosas. Como já
aprendemos, anteriormente, a opinião de cada um pode e deve ser respeitada,
porém ela não pode ofender ou tirar direito do outro. Num diálogo o mais
importante é saber argumentar e para isso deve se acumular diversos
conhecimento e formas de olhar o mundo.
Para compreendermos melhor como Paulo Freire argumenta sobre o fato de
que ensinar não é transferir conhecimento, ele nos permite refletir alguns
tópicos que perpassa essa consciência.

1. Ensinar exige consciência de inacabamento: Ao se propor sermos


professores críticos é importante termos consciência de que somos mutáveis,
capazes de saber algo hoje e refutá-lo no dia seguinte. Já dizia. um dos
roqueiros mais importantes do Brasil, Raul Seixa: “Eu prefiro ser essa
metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
Sobre o que é o amor. Sobre o que eu nem sei quem sou” (canção:
Metamorfose Ambulante). Por isso, somos inconclusos e inacabados, estando
a mercê das inúmeras experiências que vamos ter ao longo de nossa vida.
Essas sendo compartilha com outras pessoas. Por isso, para o autor é
importante que sejamos gente para estarmos aptos a lidar com o outro.
2. Ensinar exige reconhecimento do ser condicionado: Ao sermos capazes
de entender que somos seres inacabados, fica mais fácil compreender que
também somos condicionados. Seja por questões econômicas, sociais,
culturais e políticas, podemos fazer parte de diversos grupos sociais que nos
farão acreditar que podemos determinadas coisas e outras não. Por isso, ao
nos reconhecermos como condicionados é necessário encontrar uma maneira
de nos modificarmos. Assim, ao olhar o mundo com múltiplos olhos, devemos
perceber quais mudanças podemos realizar a condição que “nos colocaram”
gerando assim uma consciência humana mais ampla.
3. Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando: Nada mais é do
que respeitar a autonomia e a dignidade de cada aluno. Respeitar a
curiosidade do saber, interagindo com sua linguagem seu modo de ver o
mundo, seus gostos culturais entendendo que tudo isso faz parte do universo
dele. Jamais como educadores podemos desqualificar um aluno tentando o
padronizar com que “achamos melhor para ele”. Voltamos ao exemplo do RAP
utilizado anteriormente.
4. Ensinar exige bom senso: É preciso sempre avaliar a própria prática
docência, para que seja a partir do bom senso que a autoridade do educador
possa ser exigida de maneira correta. Bom senso é entender as misérias do
mundo, da sociedade e não achar isso natural ou normal, é poder questionar
sempre.
5. Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos
educadores: O lugar do professor nunca foi fácil. A falta de estrutura, salários
dignos, formação e o respeito precisam fazer parte da consciência do
educador. Por isso, a luta deve ser constante para que nenhum direito a menos
possa ser negado. Se faz necessário construir uma luta política, consciente,
crítica e organização que seja permanente até as coisas mudarem.
6. Ensinar exige apreensão da realidade: A prática do professor deve ser
clara e respeitosa. Deve estar baseada tanto nos conteúdos programáticos
quanto na realidade. Nesse sentido, para Paulo Freire, o aprender para nós
educadores ou futuros é construir, reconstruir, compreender para transformar.
É importante entender a existência do outro, do sujeito social e isso não
significa concordar sempre com ele, mas propor o diálogo.
7. Ensinar exige alegria e esperança: Aquele professor que só reclama, mau
diz tudo em relação a educação, não repensa a sua prática pedagógica, perdeu
a alegria de estar dentro de uma sala de aula. A esperança não significa
esperar, mas sim esperançar, ou seja, ser capaz de acreditar. Isso pode ser
possível quando educandos e educadores podem juntos aprender, argumentar,
indagar e inquietar-se transformando assim a realidade. A opção de se adaptar
a realidade e vê-la como imutável não faz parte desse modo de ensinar.
8. Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível: “O mundo não
é. O mundo está sendo” (FREIRE, 2017, p. 74). Dessa maneira, a gente
transforma ele o tempo todo, então não é nos permitido como educadores
achar que nada pode ser mudado. É preciso estar no mundo, com o mundo,
para o mundo e isso não permite uma neutralidade que impeça a intervenção,
quando necessário, da realidade. Quando mais fazemos uma leitura crítica do
mundo, mas percebemos que ele gira o tempo todo se alterando.
9. Ensinar exige curiosidade: Para Paulo Freire, ela deve ser um dos
elementos mais perseguido para que o ato de ensinar no se trone mecânico. A
curiosidade tem a capacidade despertar sensações e reconhecimento de
saberes ainda não imaginados ou possíveis. Por isso, se o professor permite
que o diálogo seja norteador de suas aulas, ela ativa a curiosidade, indagadora
e jamais passiva. Tornar-se curioso é despertar emoções, intuições, fantasias é
abrir o caminho para uma imaginação fértil. Sendo possível transformar uma
curiosidade até então espontânea em uma curiosidade epistemológica. É bom
lembrarmos que toda pesquisa, estudo ou descoberta científica só continuam
sendo possíveis por causa de mentes inquietas, imaginativas e criadoras.
Fica nítido com esses tópicos que ensinar não é um ato mecânico e sem
simples, mas sim algo que deve ser realizado na parceria professor e aluno,
em que o professor não deve jamais esquecer de fazer a crítica a sua forma de
mediação que deve sempre estimular a passagem da curiosidade ingênua para
a curiosidade epistemológica.
Indicação De Recurso Didático
Ensinar não é um ato complexo, difícil e enriquecedor apenas na época que
vivemos. Ele é uma problemática educacional debatido há muito tempo e
sempre está presente nos trabalhos acadêmicos e até mesmo com temática de
filme.
Assim, convido a vocês a assistirem o filme:
Sorriso da Monalisa
Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=dhxZyipb7jY> Acesso em:
15.Jan.2020
Questão Dissertativa
1. Refletir sobre o ato de ensinar é uma tarefa muito importante para a atuação
do professor dentro e fora de sala de aula. Como uma forma de nos ajudar a
pensar sobre esse assunto, Paulo Freire afirmar que ensinar deve ser
compreendido como uma possibilidade de conhecimento. Conhecimento esse
que deve ser entendido, primeiramente, com a compreensão de que somos
seres humanos inacabados.
Considerando o que você tem estudado até agora, redija um texto dissertativo-
argumentativo sobre o que seria esse conceito de inacabamento do ser
humano e porque sua noção interfere nas possibilidades de ensinar.
Chave de resposta: Entendendo que somos seres inacabados fica menos
complexo percebemos o quanto ensinar não pode ser algo limitado e nem
limitador. Se somos inacabados, isso significa que estamos em
construção, em desenvolvimento e para que isso ocorra é necessário
estarmos abertos as múltiplas formas de ensinar como também aprender.
Por essa razão, Paulo Freire acredita que ao compreendermos que somos
inacabados, condicionados, muitas vezes preconceituosos e
discriminatórios, nossa capacidade de criticar e ver o mundo de várias
formas, podemos nunca nos fecharmos para uma ação única, mas que se
modifica conforme a necessidade.

2. No filme “O Sorriso da Monalisa”, é possível acompanhar o desempenho de


uma professora que, a frente do tempo retratado, possibilita as suas alunas ao
ato de pensar e agir.
Mediante ao filme, quais consequências educacionais e sociais para um ensino
que priorize o diálogo e transformação dos alunos?
Chave de resposta: O filme retratado em um período histórico anterior ao
nosso relata a história de uma professora de Arte que ao ser inserida em
um determinado contexto social, cultural, político percebe o quanto suas
alunas ainda possuem uma forma de pensar condicionada sem perceber
o quanto apenas reproduzem o que é esperado delas para sua ação em
sociedade. Por essa razão, através das obras e de aulas dialógicas a
professora despertar a curiosidade ingênua, a inquietação e o
questionamento da realidade de cada personagem, consequentemente,
essa forma de educação possibilita repensar as práticas sociais e
culturais. A proposição de uma mudança em relação a essas esferas
causa muito desconforto e a necessidade de preservação do tradicional,
em vista de um novo que transforma as relações sociais.
2. EDUCADOR UM SER HUMANO QUE ENSINA

Até o momento foi possível conhecer a obra Pedagogia da Autonomia, do


educador Paulo Freire em sua íntegra. É muito significativo poder perceber o
quanto ensinar é um ato humano, realizado para e por pessoas. Por essa
razão, ensinar é uma especificidade nossa que deve despertar curiosidade,
como também, segurança.
Para que possamos nos expressar faz-se necessário que o professor não seja
autoritário, mas capaz de nos passar segurança. Não é aquele professor que
consegue a atenção de seus alunos com gritos, ofensas, ameaças, mas sim o
que com diálogo consegue entender as necessidades presentes e exercer uma
autoridade que nada tem a ver com autoritarismo.
Entendendo o ensinar como uma especificidade humana, Paulo Freire nos faz
a refletir como esse ato pode ser exercido com sabedoria. Por meio dos tópicos
a seguir vamos nos aprofundar um pouco mais nesse exercício de reflexão?

1. Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade: Um


dos pontos mais ressaltados por Freire é a necessidade do professor que
entende que sua qualificação está em eterna formação. O professor tem que
querer saber, conhecer, estar atento ao mundo ao redor. Não pode parar no
tempo acreditando que uma graduação, títulos de pós-graduação, vai garantir
permanentemente sua segurança, é preciso buscar sempre mais. Ao conhecer
mais, o professor torna-se generoso com os múltiplos saberes, exibindo uma
autoridade que nada tem a ver com autoritarismo. Assim a disciplina gerada
pode ser vista na inquietação, em uma sala viva, questionadora. O silêncio não
deve ser tido como a principal forma de aprender e para Paulo Freire, uma sala
silenciosa não revela que todos estão aprendendo, pelo contrário, expõe o
autoritarismo. Além disso, é preciso que o educador entenda que ele é gente
que “mexe” com gente. Sendo gente precisa ter responsabilidade para com
seus alunos, também gente, que necessitam ser respeitados.
2. Ensinar exige comprometimento: Até agora você deve ter percebido que
Paulo Freire fala muito da relação professor e aluno, mas e ao contrário, o que
será que o educador tem a dizer? Pois bem, para Freire o aluno também deve
perceber o professor, que sendo gente, não é uma pessoa neutra, sem suas
convicções e necessidades. O aluno só será capaz de se sentir seguro com o
professor quando perceber que pode confiar e saber que ele não mente. Vale
ressaltar que é importante que o aluno compreenda a atuação do professor e
reconheça não apenas como uma prática pedagógica, mas também como
referência de sua ação no mundo. Por isso, ele deve revelar a maneira como
interpreta o mundo, como o pensa e reflete, isso impede uma ação apolítica.
3. Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de
intervenção no mundo: A educação, para muitos governos, pode ser vista
como uma prática que oculta as verdades da realidade. Uma prática
castradora. Capaz de reproduzir apenas a ideologia importante para a
manutenção política no poder. Por isso, cabe ao professor não deixar com que
a prática pedagógica siga apenas uma linha de pensamento. Ao invés disso, a
educação deve ser crítica a todo momento. Para que possa despertar a
possibilidade de luta e de consciência, isso impede que as mazelas da
sociedade sejam vistas apenas como “fatalidades” e que possam ser
analisadas em todas as suas perspectivas. Embora Paulo Freire afirme que a
ação do professor democrático seja muitas vezes cansativa, ela não pode ser
de desistência, pelo contrário, precisa resistir a tudo que impeça um
desenvolvimento mais justo da sociedade.
4. Ensinar exige liberdade e autoridade: Vivemos a muito tempo uma
educação escolar pautada em extremos. Nos tempos mais antigos, nossos pais
contam que nunca em sala de aula havia um ato de desrespeito ao professor,
isso porque os castigos aplicados eram mais severos. Hoje, com manchetes
jornalísticas cada vez mais frequentes, percebemos a violência em sala de aula
e muitas vezes contra o professor. Mas afinal, onde estamos errando? Para
teoria freiriana, é importante que haja um equilíbrio entre a liberdade e a
autoridade. Não devo ser um professor permissivo com qualquer tipo de
comportamento que atrapalhe o aprendizado de sala de aula, porém também
não devo exercer minha autoridade sem demonstrar respeito ao meu aluno. É
preciso saber que liberdade nada tem a ver com libertinagem e que autoridade
nada se assemelha a autoritarismo. Se faz necessário criar um ambiente em
que alunos e professores sejam autônomos de suas ações, mas que não
extrapolem o bom senso de convivência.
5. Ensinar exige tomada consciente de decisões: Se você for ou ainda será
professor de educação infantil, pode correr o risco de ser chamado de “Tio ou
Tia”, correto? Mas haveria problemas nisso? Para Paulo Freire sim! Tanto é
que ele escreve um livro intitulado: Professora Sim, Tia Não, com o objetivo de
refletir sobre como o adjetivo de “tia” é prejudicial para a nossa luta na
educação. Se você já é tio ou tia deve saber muito bem como essa figura
familiar deve agir, não é mesmo? Sempre mais calma, pronta para ser
divertida, ser amada e nunca arranjar conflito. Imagina tudo isso transferido
para uma sala de aula. Pois bem, quando somos identificados como um
parente íntimo, perdemos o espaço da figura do professor. Aquele que pode ir
as ruas, lutar pelos direitos, questionar e defender práticas pedagógicas, que
acredite serem necessárias. Quando reduzidos a papeis familiares deixamos
de ter o nosso próprio papel social.
6. Ensinar exige saber escutar: Um dos desafios mais complexos de sala de
aula é saber escutar. Ouvir de fato o que o aluno nos diz e entender como
muitas vezes é necessário modificar a postura do professor para que ele possa
compreender o ambiente escolar. Não cabe ao professor promover uma
“burocratização da mente”, mas possibilitar a expansão de uma mente sempre
inquietante e questionadora. Por isso, o ato de avaliar não pode ser feito a
partir de uma fórmula perfeita, pelo contrário ele deve ser direcionado para a
necessidade de cada sala de aula e até mesmo de cada aluno. A capacidade
de fala, de escuta e de silencio são importantes em sala de aula. Somente
aquele que escuta sabe falar com o outro, aceitando as diferenças e
respeitando o tempo de aprendizado de cada um. Lembrando sempre que
“Ninguém é superior a ninguém” (FREIRE, 2017, p.119).
7. Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica: Você deve ter
ouvido falar muito nos últimos anos sobre o projeto Escola Sem partido, que fez
parte de discussões tanto em âmbito estadual quanto federal de governantes
em todo país. O projeto tinha como objetivo não atribuir mais nenhuma
ideologia em sala de aula, entretanto só de vislumbrar esse propósito, ele já
era ideológico. A ideologia é a ideia de alguém ou de um grupo de pessoas
que, muitas vezes, visa seus próprios interesses, ela pode causar uma miopia
na sociedade, afirmando que valores, ideias pessoais devem ser absorvida por
todos, de maneira semelhante. Uma ideologia fatalista, por exemplo, não
permite que sejamos capazes de entender a realidade como ela realmente é,
pois ela tem um poder de persuadir que manipula até mesmo nossas reflexões.

8. Ensinar exige disponibilidade para o diálogo: O professor precisa estar


disposto e entregue ao diálogo, tendo em mente que nada sabe e que está em
eterna construção e desconstrução. Um personagem da e na história. Ser
capaz de perceber muitas vezes que não fazendo parte do “mundo” de seus
educandos é capaz de entende-lo, por que se permite conhecer. Nada deve ser
motivo de recusa para um diálogo. Se o aluno quiser falar de um programa de
TV devemos ouví-lo, de um esporte, de cinema, games, da sua realidade, tudo
deve ser entendido como oportunidade de diálogo. Quantas vezes depois de
uma aula, assiste a filmes e séries indicadas por alunos, ouvi músicas que eu
jamais ouviria espontaneamente. Tudo isso, porque a convivência e o diálogo
são enriquecedores para o saber.
9. Ensinar exige querer bem aos educandos: Quando um professor não quer
bem um grupo de alunos ou sua sala de aula, dificilmente terá uma relação
positiva, dialógica e de amorosidade. Querer bem é estar aberto a afetividade,
não confunda com carinhos e abusos de poder, mas sim com o entendimento
que afetamos e somos afetados diariamente pela sala de aula. É importante
lembrar que nossa profissão implica em lidar com gente, sendo assim, preciso
ser gente também.
Diante desses tópicos podemos concluir que ensinar é realmente uma prática
humana feita de gente, para e com gente.
Indicação De Recurso Didático
Leitura do texto:
FREITAS, Ana Lúcia Souza; FORSTER, Mari Margarete dos Santos. Paulo
Freire na formação de educadores: contribuições para o desenvolvimento
de práticas crítico-reflexivas. Educ. rev. no.61 Curitiba July/Sept. 2016.
Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
40602016000300055> Acesso 22. Jan.2020.
Questão Dissertativa

1. Se “Ensinar é uma especificidade humana”, como afirma, Paulo Freire


aponte as perspectivas sobre esse ato para o autor, que sejam capazes de
gerar segurança e muita sabedoria aos educandos. Além disso, escolha um
dos tópicos discutidos por Freire e faça sua própria reflexão sobre ele,
indicando qual a importância e porque ele é fundamental para o
desenvolvimento humano tanto do educador quanto do educando.
Chave de resposta: Segundo Paulo Freire, ensinar exige: Competência
profissional e generosidade, comprometimento, entender a educação
como intervenção no mundo, liberdade e autoridade, tomadas de
decisões, saber escutar, reconhecer que a educação é ideológica,
disponibilidade para o diálogo e querer bem aos educandos.
Como segunda parte da questão, cabe o aluno escolher um desses
tópicos e aprofundar a sua reflexão.

2. Um estudo um pouco mais aprofundando sobre as discussões de Paulo


Freire nos mostra o quanto é possível compreender de fato o quanto a teoria
pode ser aplicada na vivência escolar. O texto: Paulo Freire na formação de
educadores: contribuições para o desenvolvimento de práticas crítico-reflexivas
nos permite refletir sobre a importância da formação do educador não somente
para a prática escolar em sala de aula, mas também para a gestão escolar.
Nesse sentido, baseado na leitura do texto, desenvolva um texto dissertativo-
argumentativo sobre como é possível pensar na gestão escolar por meio da
teoria freiriana.
Chave de resposta: Educadores e gestores devem estar preparados para
as realidades impostas por cada escola ou sala de aula. Por isso, a
formação continuada é fundamental, Segundo o texto, desafios às
relações de ensinar e de aprender, quanto sugerem focos de investigação
relevantes à formação de gestores educacionais, sobretudo, à
continuidade da experiência da docência compartilhada, tendo em vista o
desenvolvimento de práticas crítico-reflexivas na formação de gestores.
Os desafios que se apresentam neste momento se inscrevem na
perspectiva da consolidação de práticas de ensino inovadoras, com base
no pensamento freireano. Nessa perspectiva, para além da necessidade
de mensuração, educadores e gestores escolares não podem negar o
risco, mas, ao contrário, precisam assumi-lo e aprender a lidar e agir
competentemente diante de sua inevitabilidade. Dessa maneira, aquele
que se propõe aprender deve estar cada vez mais atento a todas as
mudanças.
3. EJA E A COMPLEXIDADE DE SUA PRÁTICA

Aqueles que se propõem estudar e, posteriormente, atuar na EJA, precisa


compreender que, assim como, as demais modalidades de ensino, essa
também está repleta de complexidade. Não é somente o ato de alfabetizar ou
auxiliar a conclusão dos estudos de um jovem, adulto ou idoso, mas sim é uma
forma de permitir que essas pessoas possam finalizar seus estudos sendo
respeitadas em suas particularidades e necessidades.
Por isso, não é qualquer professor que pode estar a frente dessa modalidade.
Toda a sua profundidade pedagógica e que estão dispostos a buscar sempre
um espaço para sua atuação.
Caminhando para o final dessa unidade, vamos pensar a EJA, a partir de
exemplos de como muitos educadores e pesquisadores tem se esforçado para
torná-la cada vez mais presente e permanente nos meios escolares. Uma luta
que há muitos anos tem sido travada por quem acredita que a Educação de
Jovens e Adultos é tão necessária quando ao ensino dos anos iniciais,
fundamental e médio.
Vamos ter como base a reflexão sobre o texto: Histórico da proposta de (auto)
formação: confrontos e ajustes de perspectivas, da pesquisadora Angela B.
Kleiman. Esse artigo vai nos ajudar a pensar quantos entraves existem no
momento que é pensado a formação de professores para a EJA e quais os
aspectos envolvidos para que de fato ela possa acontecer. O texto ainda revela
a relação da teoria e da prática, do encontro da academia com a escola e da
participação da administração pública.
Ao iniciar seu debate a autora nos convida a compreender o projeto político em
que sempre figurou a EJA, como já aprendemos nas unidades anteriores,
pensar na alfabetização de jovens, adultos e idosos, não é algo de agora, mas
que segue as pretensões políticas, históricas, sociais e culturais de nossa país.
Compreendemos também que é no período de redemocratização, já na década
de 1990, que essa modalidade de ensino irá ganhar um capítulo importante de
sua história, pois por meio dos escritos de Paulo Freire (“abandonados” pelo
governo militar), a perspectivas de uma educação popular, a criação da LDB,
novos caminhos serão traçados para a EJA.
É possível afirmar que a vontade política, os planos de governos e os
interesses em relação a educação é que vão dá o tom de um desenvolvimento
maior ou menor para a EJA. Nesse sentido, o estudo realizado pela
pesquisadora Angela B. Kleiman (2001), recebe um recorte temporal e espacial
que melhor nos auxiliar a entender sua compreensão e atuação para o
desenvolvimento da modalidade.
Todo o estudo foi realizado na cidade de Cosmopólis, interior de São Paulo, em
1991. Mediante a um governo municipal que visava mudanças na educação da
cidade, ao propor um projeto de cursos de alfabetização de jovens e adultos,
não apenas para certificação, mas também de integração de grupos
marginalizados, a pesquisadora conseguiu um espaço para unir os debates em
sala de aula com as necessidades do poder público e a escola. A autora
ressalta que a troca de governo, posteriormente, não deu andamento ao
projeto.
Novamente, voltamos a uma questão que devemos sempre refletir: Afinal, a
educação é uma política pública de Estado ou de Governo?
A autora nos relata que antes de entrar em contato com a escola, tinha em
mente toda uma preparação acadêmica para as discussões que realizaria, a
princípio sua participação, assim como, de seus alunos, estariam ligadas a
entender porque havia um número muito expressivo de evasão escolar na EJA.
Partindo do princípio que era necessário então conhecer, os alunos evadidos e
a realidade da escola, a pesquisa se enveredou por esse caminho. Entretanto,
qual não foi a surpresa de todos ao perceberem que a contribuição acadêmica
não deveria ser essa, mas pensar primeiro a escola e seus professores.
Depois de alguns meses, a iniciativa de um projeto conjunto entre acadêmica e
escola precisou ser modificado, para enfatizar que o problema da evasão
escolar não se dava apenas por conta da desistência do aluno, mas muitas
vezes pela falta de formação do professor.
Partindo então dessa realidade, o grupo de pesquisadores, começaram a
desenvolver um projeto de formação específica para os professores que
atuavam então na EJA. Ao entrar em contato com esses professores puderam
entender a complexidade de um projeto de ensino nessa modalidade.
Ao perceberem as fragilidades dos professores envolvidos puderam
compreender que as atividades a serem realizadas precisavam antes ser
compreendidas e aceitas pelos educadores. Viram que uma mudança assim
demandaria muitas reuniões com todos envolvidos. Os problemas que então
foram surgindo revelavam professores desinteressados, sem estímulos e que
muitas vezes reproduziam em sala de aula o que haviam aprendido nas
oficinas propostas, sem nenhuma percepção de sua realidade.
Essa realidade chegou a assustar e desestimular os próprios pesquisadores,
que necessitaram então fazer eles mesmos, uma auto análise sobre o que
sabiam da teoria e vivenciavam na prática. Por fim, puderam perceber que um
trabalho como esse só seria possível e, continua sendo, somente com a junção
entre poder público, academia e escola de forma consciente, quando uma
dessas partes não está integrada nada pode ser realizado. E foi o que
aconteceu quando ao trocar o governo do munícipio, o projeto foi encerrado.
Mesmo assim, toda a equipe envolvida acredita que foi um passo importante e
inovador a experiência vivida.
Indicação De Recurso Didático
Para continuar refletindo sobre a EJA sob o olhar da autora Angela B. Kleiman,
convido a você a ler o texto:
KLEIMAN, Angela. EJA e o ensino da língua materna: relevância dos
projetos de letramento. EJA EM DEBATE, Florianópolis, vol. 1, n. 1. nov.
2012. Disponível em: <http://incubadora.periodicos.ifsc.edu.br/index.php/EJA>
Acesso em: 22.Jan.2020.
Questão Dissertativa
1. Considerando o texto indicado como recurso didático, aponte elementos
importante sobre a questão da EJA e o letramento, refletindo a necessidade de
se discutir a língua maternal versus a linguagem formal. Será possível pensar
que o não respeito seja aos dialetos, saberes de grupos marginalizados,
promove uma dificuldade de letramento na EJA, como também uma maior
exclusão social desses grupos?
Chave de resposta: A autora propõe uma reflexão sobre projetos de
letramento que possibilite que a organização e a prática didática não
esteja centrada apenas no uso da língua escrita que não possam legitimar
os mais vários grupos sociais. Marginalizados muitas vezes, por não
pronunciar a língua formal, se faz necessário que se faça com que o
exercício da oralidade possa valorizar o saber desses grupos. Assim,
para ela, a tarefa de aprender uma variante diferente da língua é enorme.
Por isso, a escola tem o dever de mudar a percepção da sociedade sobre
o que está envolvido na aprendizagem de um segundo dialeto. Isso,
porque, a prática tradicional da escola, muitas vezes sem perceber e com
as melhores intenções de “ensinar a norma padrão”, acaba por excluir
também de suas próprias práticas os alunos que não conhecem essa
norma ou suas variantes de prestígio. Nesse sentido, EJA é um exemplo
claro disso, visto que seus alunos, em sua maioria, trazem uma história
que justamente corrobora essa posição da instituição escolar. Para que
isso deixe de acontecer é que torna-se importante pensar em projeto de
letramento que possam de alguma maneira subverter essa situação e
tentar obter mais sucesso no fortalecimento, e não na exclusão, desses
grupos previamente marginalizados, por meio da escola.
2. O trabalho na EJA não é algo fácil, pelo contrário é feito de inúmeros
aspectos tornando se uma ação muito complexa. No módulo que acabamos de
ler propõe se uma reflexão sobre um artigo da educadora Angela B. Kleiman.
Mediante o que fora apresentado, como é possível pensar uma ação da EJA
que de fato cumpra seu papel, possibilitando o respeito e o aprendizado de
uma maneira adequada para seus alunos?
Chave de resposta: Com a leitura que realizamos é possível compreender
que um projeto de EJA poderá dar certo quando as ações políticas,
acadêmicas e escolares puderem caminhar juntas. A combinação das três
esferas permite vislumbrar uma prática de ensino que seja capaz de
perpassar por toda sua complexidade e necessidade. Sem esses três
pilares juntos, uma EJA sólida e consolidada ainda permanece apenas
como uma ideia a ser alcançada.
4. EJA O QUE PODEMOS FAZER?

Estamos finalizando nossas discussões sobre a EJA, um debate que pretende-


se inacabado como o próprio ato de ensinar e aprender. Ainda temos muito o
que lutar para que a EJA possa sim exercer seu papel, sendo uma modalidade
imprescindível para milhares de brasileiros.
Vimos que trata-se de um trabalho árduo e de envolvimentos múltiplos.
Infelizmente, o período que estamos atravessando em relação as questões
educacionais no Brasil, nos instiga a tentar compreender quais são as
prioridades do governo e também suas necessidades.
Nesse contexto, um pouco confuso, vimos que a EJA está perdendo seu
espaço pelas inúmeras ações tomadas pelo MEC, infelizmente, temos projetos
e secretarias paradas ou destituídas e isso pode, a longo prazo, prejudicar
ainda mais o trabalho dessa modalidade.
Entretanto, como professores ou futuros professores, precisamos buscar
referências para continuarmos o nosso trabalho, não é mesmo? Por essa
razão, esse último módulo fará com que possamos respirar e nos inspirarmos
por meio de alguns relatos de experiência sobre a EJA.
O que podemos fazer? É um questionamento não negativo, mas sim de
possibilidades. Mesmo distante das pretensões governamentais, nós ainda
precisamos continuar a lutar para que todos possam ter o direito de finalizar
seus estudos, de aprender e de trocar experiências que nos ensinam muito
mais do que apenas teorias sem sentido ou significado.
O princípio da educação deveria ser capaz de compreender que a vida, a
cultura, a rua e a escola estão integradas e que tudo pode ser ensinado e
aprendido, o que se faz necessário é prestarmos atenção nas necessidades
alheias.
No segundo semestre de 2019, a rede globo de televisão, exibiu uma série, dez
capítulos, chamada Segunda Chamada. Nela, um grupo de professores e
alunos tiveram seus dilemas e vitórias apresentadas por meio da modalidade
de Educação de Jovens e Adultos. Pessoas de várias origens sociais, idades,
empregos e expectativas diferentes foram sendo apresentadas para compor
uma escola de periferia, ensino noturno que tinha como público, jovens, adultos
e idosos com o mesmo objetivo, terminar seus estudos para uma colocação
melhor na sociedade.
Se você puder ver a série, fica a dica, pois ela nos ajuda a compreender os
dramas vividos por aqueles que precisam trabalhar o dia todo e ainda estudar,
ou que são marginalizados socialmente e vêem na escola um espaço de
mudança e respeito.
Saindo da ficção e vindo para realidade, podemos citar o trabalho realizado por
três professoras voluntarias na cidade de Sarandi/PR. Esse trabalho foi
apresentado pela RPC/Maringá, no quadro Atitude do Bem e contou a história
de um trabalho realizado por três mulheres para alfabetização de jovens,
adultos e idosos em Sarandi/PR.
Segundo a reportagem, o trabalho dessas professoras ocorre na associação de
moradores da cidade, e é feito de Segunda a Quinta – Feira, das:19:30- 22:30.
A repórter ressalta que embora a gente não veja, não conviva, ainda existem
muitas pessoas analfabetas do país.
A reportagem apresenta 9 mulheres que decidiram aprender a ler e a escrever,
cita algumas delas que após os 70 anos de idades viram no projeto a
oportunidade para realizar um sonho antigo de aprender a ler e a escrever.
Muitas vezes podemos não compreender como alguém ainda possa ser
analfabeto em nosso país, entretanto, a educação não atinge, infelizmente,
todas as classes sociais, para alguns ela é um privilégio inalcançável.
Uma sala formada por mulheres, nos faz refletir que muitas vezes essas
senhoras passaram a vida inteira tendo função social apenas ser a “dona de
casa” e com isso não puderam ir para escola, nem quando crianças e
dificilmente após casadas e com filhos.
Outra coisa que nos chama atenção é que sem saber ler e escrever, algumas
coisas parecem impossíveis para essas alunas. Uma senhora diz que mesmo
morando 30 anos na cidade de Sarandi/PR, nunca foram capazes de ir para
Maringá/PR, que fica apenas 10 km de distância. Ela relata que sem conhecer
as letras ficava com medo de se perder em Maringá, então não tinha coragem.
Com o fato de estar já conhecendo as letras e começando a compreender seus
sentidos e significado, a aluna ri orgulhosa ao dizer que agora até para
Maringá/PR ela poderá vir, já que está sabendo ler e escrever.
Esse depoimento nos revela quanto a educação é importante até mesmo para
autonomia social das pessoas. O fato de ler e escrever abre caminhos que
antes eram tidos como distantes ou proibidos.
Por essa razão, é que como educadores ou futuros educadores o que podemos
fazer? É um questionamento constante para que não sejamos capazes de
parar no tempo, mas sim promovermos atitudes que façam o bem, no caso da
educação, nos permitindo emancipar socialmente aqueles que ainda são
oprimidos, por sua falta de estudos, em nossa sociedade.
Indicação De Recurso Didático
Para compreender um pouco mais sobre a situação dos analfabetos do/no
Brasil, convido a você a assistir a reportagem indicada e fazer a seguinte
reflexão:
Qual a importância da EJA para a emancipação social dos indivíduos?
Profissão Repórter: Analfabetos do Brasil – 21/07/2015
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=atoUmCj4NVs> Acesso:
23.Jan.2020.
Questões Objetivas

1. Ao refletirmos a relação do professor e alunos, assim como seu próprio dia-


a-dia, não podemos esquecer que se trata de uma profissional extremamente
complexa e repleta de aspectos, fatores que determinam a nossa atuação
dentro e fora de sala de aula.
Por essa razão, Paulo Freire acredita que a ação do professor, no cotidiano,
deve ser permeada por:
a) Alegria e esperança.
b) Autoritarismo e liberdade.
c) Causalidade e esperança.
d) Confiança e autoridade.
e) Alegria e passividade.
Indicação da alternativa correta: A

2. A reflexão do trabalho da pesquisadora Angela B. Kleiman nos mostra a


complexidade que é compreender todos os aspectos necessários para que a
EJA possa ser colocada em prática de maneira correta. O estudo revela o
quanto é importante a parceria de diferentes setores da sociedade.
Mediante aos estudos realizados, podemos afirmar que:
a) A EJA é um projeto político extremamente poderoso e que torna a
modalidade uma presença constante em todos os documentos educacionais.
b) A EJA é uma modalidade de ensino presente e reverenciada como essencial
em todo território nacional.
c) A EJA não faz parte de políticas públicas de educação por isso não pdoe ser
implementada.
d) A EJA só é possível mediante a um projeto político pedagógico em que haja
a junção entre o poder político, a academia e a escola.
e) A EJA é uma forma de ensino que prioriza o desenvolvimento infantil dos
estudantes por meio da alfabetização.
Indicação da alternativa correta: D

3. Paulo Freire (2017, p. 74). afirma que: “O mundo não é. O mundo está
sendo”. Por isso, ser professor é estar atento ao mundo que está acontecendo,
compreendendo várias maneiras de observá-lo. Além disso, o autor não somos
apenas objeto da história, mas seu sujeito também.
Nesse sentido é possível afirmar que:
a) o papel do professor no mundo é de quem concorda com ele.
b) o papel do professor no mundo é apenas alienador.
c) o papel do professor no mundo é de quem intervém nele.
d) o papel do professor no mundo é de quem precisa ser doutrinador.
e) o papel do professor no mundo é apenas passivo.
Indicação da alternativa correta: C

4. “O que quero dizer é o seguinte: que alguém se torne machista, racista,


classista, sei lá o quê, mas se assuma como transgressor da natureza humana.
Não me venha com justificativas genéticas, sociológicas, históricas ou
filosóficas para explicar a superioridade da branquitude sobre a negritude, dos
homens sobre as mulheres, dos patrões sobre empregados. Qualquer
discriminação é imoral... “(FREIRE, Paulo. 2017, p. 59).

Considerando o fragmento e as leituras realizadas, Paulo Freire compreende


que a sala de aula é um lugar de:
a) Invisibilidade.
b) Submissão.
c) Passividade.
d) Doutrinamento.
e) Luta.
Indicação da alternativa correta: E

5. “Se minha opção é democrática, progressista, não posso ter uma prática
reacionária, autoritária, elitista. Não posso discriminar o aluno em nome de
nenhum motivo. A percepção que o aluno tem de mim não resulta
exclusivamente de como atuo, mas também de como o aluno entende como
atuo” (FREIRE, 2017, p. 95).
Considerando o fragmento, é possível afirmar que esse tipo de professor exige:
a) neutralidade.
b) passividade.
c) comprometimento.
d) alienação.
e) legitimidade.
Indicação da alternativa correta: C

6. Nos estudos realizados por Paulo Freire, o ato de ensinar poderia ser
entendido como:
I – Transferência de conhecimento.
II – Possibilidade de criação de conhecimento.
III – Imposição de conhecimento.
IV – Autonomia de Conhecimento.
Estão corretas:
a) Apenas I e IV estão corretas.
b) Apenas II e IV estão corretas.
c) Apenas I e II estão corretas.
d) Apenas I e III estão corretas.
e) Apenas II e III estão corretas.
Indicação da alternativa correta: A

7.” O primeiro sinal de que o sujeito que sabe ___________ é a demonstração


de sua capacidade de controlar não só a necessidade de dizer a sua palavra,
que é um direito, mas também o gosto pessoal, profundamente respeitável, de
expressá-la” (FREIRE, 2017, p. 114).
Preencha a lacuna com a expressão que melhor condiz com os pensamentos
de Paulo Freire sobre uma das funções do Professor:
a) ignorar.
b) conservar.
c) especular.
d) escutar.
e) difamar.
Indicação da alternativa correta: D

8. A compreensão de muitos professores sobrea importância da EJA promove


a existência de diferentes projetos educacionais no país. A realidade é que
muitas pessoas ainda são analfabetas e isso mexe com aqueles que vêem na
educação uma forma de ascensão social.
Por isso, projeto voluntários de alfabetização, como o que ocorre na cidade de
Sarandi, são importantes por:
a) doutrinar socialmente os sujeitos sociais.
b) emancipar socialmente os sujeitos sociais.
c) conservar socialmente os sujeitos sociais.
d) imobilizar socialmente os sujeitos sociais.
e) culpabilizar socialmente os sujeitos sociais.
Indicação da alternativa correta: B

9. Para Paulo Freire a educação é um ato político. Por essa razão, não será a
ação de um professor que irá transformá-la em algo político. Pois o indivíduo
consciente compreende que sendo um ser e sujeito histórico faz parte do
desenvolvimento de sua própria ação.
Diante disso, é impossível pensar em um (a):
a) educação apartidária.
b) neutralidade da educação.
c) conservadorismo educacional.
d) imparcialidade da educação.
e) educação doutrinadora.
Indicação da alternativa correta: B

10. Paulo Freire defende a existência de uma educação que possa ser
democrática e emancipadora. Um tipo de educação que desperte nos sujeitos
sociais curiosidade e muitos questionamentos.
Para que isso ocorra, o professor democrático deve compreender que ele é um
ser:
a) Limitado.
b) Finalizado.
c) Doutrinador.
d) Inacabado.
e) Econômico.
Indicação da alternativa correta: D

11. Sobre a questão de Bom senso seguida por Paulo Freire, as asserções
abaixo podem ser entendidas como:
I – Prática docência deve ser avaliada por meio do bom senso. A autoridade do
educador deve ser exercida de forma correta, não sendo autoritária.
Porque
II – é preciso entender as necessidades e misérias que rondam a vida dos
educandos, sendo capaz de não ignorá-las ao transformá-las em natural ou
normal.
a) As asserções I e II são proposições falsas, pois a asserção II não justifica a
asserção I.
b) A asserção I é uma proposição verdadeira, enquanto a asserção II é uma
proposição falsa.
c) A asserção I é uma proposição falsa, enquanto a asserção II é uma
proposição verdadeira.
d) As asserções I e II são verdadeiras, porém a asserção II não justifica a
asserção I.
e) As asserções I e II são proposições verdadeiras, pois a asserção II justifica a
asserção I.
Indicação da alternativa correta: E
12. “Como professor preciso me mover com clareza na minha prática. Preciso
conhecer as diferentes dimensões que caracterizam a essência da prática, o
que me pode tornar mais seguro no meu próprio desempenho” (FREIRE,
Paulo. 2017. p. 67).
A segurança do trabalho do professor pode ser assegurada quando ele:
a) Ignora a realidade dos educandos.
b) Oprimi a relação com os educandos.
c) Compreender a realidade dos educandos.
d) Promove uma inadaptação de conteúdo.
e) Discrimina a diversidade em sala de aula.
Indicação da alternativa correta: C
CONCLUSÃO

Ao finalizarmos essa unidade e toda a discussão sobre a EJA, espero que você
possa ter compreendido a importância dessa modalidade para milhares de
brasileiros, que ainda são analfabetos ou que não puderam concluir seus
estudos.
Além disso, a reflexão acerca da formação do professor é muito importante
para entendermos que tipo de educador desejamos ser a frente de uma sala de
aula. Afinal, quando compreendemos que ensinar não é transferir
conhecimento, mas criar possibilidades de aprendizados, podemos entender
que o trabalho de ser professor é constante, incansável e inacabado.
Por isso, é necessário que possamos compreender que o ato de ensinar é uma
especificidade humana, apenas nós conseguimos aprender e ensinar de
diversas maneiras, pois somos seres diversos, em eterna construção e
reconstrução de saberes.
Ensinar então é entender o quanto o professor precisa estudar sempre, ser
gentil, generoso, que possibilite demonstrar seus pensamentos e que suas
ações sejam coerentes com aquilo que diz e faz em sociedade. É importante
frisar que para ensinar o professor precisa saber escutar e assim, promover os
mais diferentes diálogos.
Entretanto, só a formação do professor não basta, as dificuldades encontradas
na implementação da EJA, ainda esbarram na falta de projetos educacaionais
governamentais e de uma relação mais estreita entre academia e a escola.
Enquanto isso não se resolve a ideia de que precisamos continuar a refletir e
atuar sobre a EJA, sendo assim, projetos voluntários podem ser uma forma de
dar continuidade a um trabalho essencial que se baseia em perceber a
necessidade do outro em aprender, podendo assim, proporcionar espaços para
que isso possa acontecer.
REFERÊNCIAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática


educativa. São Paulo: Paz & Terra, 2017.

KLEIMAN, Angela B. O ensino e a formação do professor: alfabetização de


jovens e adultos. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

Reportagem “Atitude do bem” – RPC/ Maringá – 11.Out.2019


Disponível em: <https://globoplay.globo.com/v/7995587/> Acesso em:
23.Jan.2020.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Refletir sobre a educação no Brasil é um desafio inacabado e constante,


Isso porque como ela é um fenômeno social está em constante mudanças e
necessita sempre um olhar aguçado da sociedade.
No nosso caso, professores e futuros professores, pedagogos em formação, é
muito importante que possamos saber transitar por todas as etapas que
compete a educação, conhecendo e debatendo sobre as suas várias
modalidades.
O exercício que acabamos de fazer se propões pensar sobre a
Educação de Jovens, Adultos e Idosos, a chamada EaD, que precisa ser
entendida como uma modalidade imprescindível em um país como o nosso
com cerca de 13% da população analfabeta.
Diante dessa realidade, o histórico da EJA tem se desenvolvido
mediante a diferentes fatores, mas principalmente, pelas condições
governamentais e políticas do país, que em alguns períodos a incentivou mais
e em outros tem esvaziado escolas.
Aprendemos também que a EJA não é uma modalidade como as outras,
ela demanda um olhar e um trabalho muito diferenciado, por se tratar da
educação de uma categoria tanto de idade quanto social, muito diferente das
modalidade de educação regulares, como o ensino fundamental e médio.
A EJA precisa ser encarra como um desafio para o próprio aprendizado
do professor, sendo esse, um mediador de saberes, disposto ao diálogo e a
saber escutar. Seus alunos serão parte essencial de todo o trabalho a ser
realizado, por tudo deve estar baseado na realidade deles e na maneira como
percebem ou não o mundo.
Assim sendo, o grande representante dessa modalidade é o educador
brasileiro Paulo Freire. Reconhecido mundialmente por obras como Pedagogia
do Oprimido e também pelo projeto Angico, esse pesquisador deixou para nós
um grande legado do saber, aquele construído pelo respeito ao próximo e em
comunhão com outro.
Infelizmente, na atualidade a EJA tem sofrido pelo descaso dos planos
governamentais educacionais, isso tem impedido o crescimento da modalidade
no Brasil, assim como, a sua manutenção e aplicabilidade em âmbito escolar.
Por essa razão, é que alguns professores tem realizados trabalhos
voluntários para alfabetizar jovens, adultos e idosos, com o propósito de que,
mesmo sem incentivo e investimento, não podemos deixar de encarar a
realidade que nos revela uma parcela da população, ainda, que não sabe ler e
escrever.
É preciso então estar atento, em luta e ser resistente sempre, pois o
projeto de educação brasileira, ainda é, um projeto de governo, o que nos tem
impedido de realizar mudanças a longo prazo.