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UNIS-MG

Cinética de uma partícula - trabalho e energia

Prof. Esp. Jonathan Oliveira Nery

Cinética de uma partícula: trabalho e energia

Objetivos

 Desenvolver o princípio do trabalho e energia e aplicá-lo para resolver problemas que envolvem força,
velocidade e deslocamento.

 Estudar problemas que envolvem potência e eficiência.

 Introduzir o conceito de uma força conservativa e aplicar o teorema da conservação da energia para resolver
problemas da cinética.

O trabalho de uma força

Uma força F realiza trabalho sobre uma partícula somente quando esta sofre um deslocamento na direção de
aplicação da força. Por exemplo,

Trabalho de uma força variável

Se a partícula submetida à força F sofre um deslocamento finito ao longo da sua trajetória de r1 para r2 ou s1 para s2,

Contanto que F e θ possam ser expressos como uma função da posição, então:
Então, a área sob este gráfico limitada por s1 e s2 representa o trabalho total,

Trabalho de uma força constante se deslocando ao longo de uma linha reta

Se a força Fc tem uma intensidade constante e atua em um ângulo constante θ a partir da sua trajetória em linha reta,

Aqui, o trabalho de Fc representa a área do retângulo.

Trabalho de um peso

Considere uma partícula de peso W que se desloca para cima ao longo da trajetória s:
Trabalho de uma força de mola

Se uma mola elástica é deformada por uma distância ds,

Este trabalho representa a área trapezoidal sob a linha Fs = ks,

Princípio do trabalho e energia

Considere a partícula na Figura abaixo:

temos:

O resultado final pode ser escrito como:

Quando a Equação anterior é aplicada, ela é frequentemente expressa na forma,


Princípio do trabalho e energia para um sistema de partículas

O princípio do trabalho e energia pode ser estendido para incluir um sistema de


partículas isoladas dentro de uma região fechada do espaço. Se aplicarmos o
princípio do trabalho e energia para esta e cada uma das outras partículas do
sistema, então, as equações podem ser somadas algebricamente, o que resulta em:

Trabalho de atrito causado por deslizamento

Considere, por exemplo, um bloco que está transladando de uma distância s sobre uma superfície áspera,

Se a força aplicada P apenas equilibra a


força de atrito resultante μkN, então, uma
velocidade constante v é mantida.

Lembre-se de que as porções ásperas na parte de baixo do bloco atuam como ‘dentes’, e, quando o bloco desliza, estes
dentes deformam ligeiramente e/ou quebram ou vibram quando se afastam dos ‘dentes’ na superfície de contato,

A equação ΣT1 + ΣU1–2 = ΣT2 pode ser aplicada a problemas envolvendo atrito de deslizamento; entretanto, é
preciso entender plenamente que o trabalho da força de atrito resultante não é representado por μkNs; em vez disso,
este termo representa tanto o trabalho externo de atrito (μkNs') quanto o trabalho interno [μkN(s – s')], o qual é
convertido em várias formas de energia, como o calor.

Procedimento para análise

Trabalho (diagrama de corpo livre)

 Estabeleça o sistema de coordenadas inercial e construa um diagrama de corpo livre da partícula a fim de
levar em consideração todas as forças que realizam trabalho na partícula à medida que ela se desloca ao longo
da sua trajetória.

Princípio do trabalho e energia

 Aplique o princípio do trabalho e energia, T1 + ΣU1–2 = T2.

 A energia cinética nos pontos inicial e final é sempre positiva, visto que ela envolve a velocidade ao quadrado
(T = ½ mv²).

 Uma força realiza trabalho quando ela se move através de um deslocamento na direção da força.

 O trabalho é positivo quando a componente da força está no mesmo sentido de direção que o seu
deslocamento; de outra forma, ele é negativo.

 Forças que são funções do deslocamento devem ser integradas para obter o trabalho. Graficamente, o trabalho
é igual à área sob a curva força-deslocamento.
 O trabalho de um peso é o produto da intensidade do peso e o deslocamento vertical, Uw = ±Wy . Ele é
positivo quando o peso se desloca para baixo.

 O trabalho de uma mola é da forma Us = ½ k s² , onde k é a rigidez da mola e s é a extensão ou compressão


da mola.

EXEMPLO 1 – (HIBBELER, 2011, pág. 141)


Exercício proposto para sala de aula (HIBBELER, 2011, pág. 145):

EXEMPLOS 2 – (HIBBELER, 2011, pág. 139)


EXEMPLO 3 – (MERIAM, 2008, pág. 118)

EXEMPLO 4 – (MERIAM, 2008, pág. 119)


Potência

O termo ‘potência’ fornece uma base útil para escolher o tipo de motor ou máquina que é necessária para se realizar
certa quantidade de trabalho em um dado tempo.

A potência gerada por uma máquina ou motor que realiza uma quantidade de trabalho dU dentro do intervalo de
tempo dt é, portanto,

Se o trabalho dU é expresso como dU = F ∙ dr, então,

Eficiência

A eficiência mecânica de uma máquina é definida como a razão entre a potência útil de saída produzida pela máquina
e a potência de entrada que lhe é fornecida. Logo,

Se a energia fornecida à máquina ocorre durante o mesmo intervalo de tempo no qual ela é consumida, então a
eficiência também pode ser expressa em termos da relação

A potência de saída será menor que a potência de entrada, e, assim, a eficiência de uma máquina é sempre menor do
que 1.
Procedimento para análise

 Primeiro, determine a força externa F atuando sobre o corpo que causa o movimento. Esta força é
normalmente desenvolvida por uma máquina ou motor colocado dentro ou fora do corpo.

 Se o corpo está acelerando, pode ser necessário construir seu diagrama de corpo livre e aplicar a equação de
movimento (ΣF = ma) para determinar F.

 Uma vez que F e a velocidade v da partícula onde F é aplicado tenham sido encontrados, a potência é
determinada multiplicando-se a intensidade da força pela componente da velocidade atuando na direção de F,
ou seja, P = F ∙ v = Fv cos θ.

 Em alguns problemas a potência pode ser encontrada calculando-se o trabalho realizado por F por unidade de
tempo Pméd = ΔU/Δt.

EXEMPLO 5 – (MERIAM, 2008, pág. 119)


Força conservativas e energia potencial

Força conservativas

Se o trabalho de uma força é independente da trajetória e depende somente das posições inicial e final da força na
trajetória, então podemos classificar esta força como uma força conservativa.

Exemplos de forças conservativas:

 o peso de uma partícula e,

 a força desenvolvida por uma mola.

Energia

 Energia é definida como a capacidade para realizar trabalho.

 Energia cinética é uma medida da capacidade de realizar trabalho da partícula, a qual está associada com o
movimento da partícula.

 Energia potencial é uma medida da quantidade de trabalho que uma força conservativa realizará quando ela se
mover de uma dada posição até a referência.

Energia potencial gravitacional

Se uma partícula está localizada a uma distância y acima de uma referência


arbitrariamente escolhida, como mostrado na figura ao lado, o peso W da
partícula tem uma energia potencial gravitacional, Vg, visto que W tem a
capacidade de realizar trabalho positivo quando a partícula é levada de volta
para baixo da referência.

Energia potencial elástica

Quando uma mola elástica é deformada ou comprimida a


uma distância s da sua posição não deformada, a energia
potencial elástica Ve pode ser armazenada na mola. Esta
energia é:
Conservação de energia

O princípio do trabalho e energia pode ser escrito como:

Se apenas forças conservativas realizam trabalho, então temos:

Esta equação é referida como a conservação da energia mecânica ou simplesmente a conservação da energia.

Por exemplo,

Sistema de partículas

Se um sistema de partículas é submetido somente a forças conservativas, então uma equação similar à Equação abaixo
pode ser escrita para as partículas:

Aqui, a soma das energias potencial e cinética iniciais do sistema é igual à soma das energias potencial e cinética
finais do sistema. Em outras palavras, ΣT + ΣV = const.

Procedimento para análise

Energia potencial

 Construa dois diagramas mostrando a partícula localizada em seus pontos inicial e final ao longo da trajetória.

 Se a partícula está submetida a um deslocamento vertical, estabeleça a referência horizontal fixa a partir da
qual a energia potencial gravitacional da partícula Vg pode ser medida.

 Dados relativos à elevação y da partícula a partir da referência e a extensão ou compressão s de quaisquer


molas conectadas podem ser determinados a partir da geometria associada com os dois diagramas.

 Lembre-se de que Vg = Wy, onde y é positivo para cima a partir da referência e negativo para baixo a partir da
referência; também para uma mola, Ve= 1/2 ks² o qual é sempre positivo.

 Aplique a equação T1 + V1 = T2 + V2.

 Uma vez determinada a energia cinética, T = ½ mv², lembre-se de que a velocidade da partícula v deve ser
medida a partir do sistema de referência inercial.
(HIBELLER, 2012)
Referências Bibliográfica

- HIBBELER, R.C. Dinâmica: mecânica para engenharia: 12ª ed. São Paulo: Person Prentice Hall, 2011.
- NELSON, E.W. Engenharia Mecânica Dinâmica: 1ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.
- MERIAM, J. L. Mecânica para Engenharia – Dinâmica: 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008.