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Aula 14

JUSTIÇA GRATUITA. Art. 5º, LXXIV, da CF – o Estado prestará assistência jurídica integral e
gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos. Benefício da justiça gratuita x
assistência judiciária gratuita.

***A assistência judiciária gratuita é a responsabilidade que o Estado tem de garantir o


acesso à justiça às pessoas hipossuficientes, o que é exercido, como regra, pela Defensoria
Pública (art. 134 da CF). Embora a DPU estivesse legitimada, segundo o artigo 14 da LC nº. 80/94,
a atuar junto à justiça do trabalho, por força do artigo 14 da lei 5.584/70, entendia-se, antes da
lei 13.467/17, que a assistência jurídica seria prestada pelo sindicato da respectiva categoria
profissional, entendimento o qual era amplamente aplicado na justiça do trabalho.

A própria contribuição sindical, que antes era compulsória, é destinada, entre outros
casos, ao custeio dos serviços de assistência jurídica, situação reforçada pelo artigo 514, b, da
CLT. Contudo, com a extinção de sua obrigatoriedade, a doutrina afirma que os sindicatos não
mais têm o dever legal de prestar gratuitamente a assistência judiciária, competência agora
voltada à DPU, tendo em vista os mencionados artigos 134 da CF e 14 da LC nº. 80/94.

***Sobre o benefício da justiça gratuita, tem-se que este poderá ser concedido, em
qualquer instância ou tribunal, nos termos do artigo 790, §§3º e 4º da CLT, à parte que perceber
salário igual ou inferior a 40% do limite máximo estabelecido para benefícios do RGPS
(R$6.101,06 – teto para 2020), de ofício ou a requerimento. ***Será possível também concedê-
lo àqueles que comprovem situação de insuficiência de recursos.

A súmula 463 do TST afirma que basta a alegação de hipossuficiência econômica firmada
pela parte (empregado) ou por seu advogado, desde que munido de procuração com poderes
específicos, nos termos do artigo 105 do CPC. O dispositivo traz a ideia prevista no artigo 99,
§3º, do CPC – presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por
pessoa natural. **Lembrando que tal presunção é relativa, admitindo-se prova em contrário. A
reclamada poderá impugnar, nos termos do artigo 337 do CPC, em preliminar de contestação, a
indevida concessão dos benefícios da gratuidade.

Ressalta-se que é possível a concessão da gratuidade à pessoa jurídica, porém não basta
a mera alegação, a empresa deverá comprovar a sua impossibilidade financeira (art. 790, §4º,
da CLT e súmula 463, II, do TST).

Beneficiário da justiça gratuita vencido. 1) Honorários periciais (art. 790-B, §4º, da CLT) – sendo
sucumbente na pretensão objeto da perícia, suportará o pagamento dos honorários com os
créditos obtidos no processo trabalhista ou, ainda, em outro. Caso não obtenha créditos capazes
de suportar o encargo, a União responderá pelo mesmo. ***Ressalta-se que a parte não
agraciada com o benefício da justiça gratuita poderá ter deferido o parcelamento dos honorários
periciais pelo juízo (art. 790-B, §2º, da CLT); não será admitido exigir o adiantamento de valores
para a realização das perícias (art. 790-B, §3º, da CLT). 2) Honorários sucumbenciais (art. 791-A,
§4º, da CLT) – caso não tenha obtido em juízo créditos capazes de suportar o encargo, ainda que
em outro processo, o débito ficará sob condição suspensiva de exigibilidade pelo prazo até 2
anos subsequentes ao trânsito em julgado. ***É vedada a compensação dos honorários no caso
de sucumbência recíproca, consoante artigo 791-A, §3º, da CLT. 3) Custas processuais (art. 844,
§2º, da CLT). O beneficiário da justiça ficará responsável pelo pagamento das custas caso não
compareça à audiência inaugural, salvo se comprovar, no prazo de 15 dias, que a ausência
ocorreu por motivo plenamente justificável. ***O pagamento dessas custas é condição para a
propositura de uma nova demanda (art. 844, §3º, da CLT).

ADI 5766. São questionados os dispositivos da reforma que tratam do benefício da justiça
gratuita. Seu julgamento está suspenso, no entanto o Ministro Roberto Barroso (Relator) já
proferiu voto afirmando ser legítima a cobrança das custas em razão da ausência do reclamante
à audiência. Afirmou ser constitucional o condicionamento da propositura de nova ação ao
pagamento das custas judiciais decorrentes do arquivamento, medida adequada a promover o
objetivo de acesso responsável à Justiça.

CUSTAS PROCESSUAIS. O pagamento das custas, no processo do trabalho, é regulado pelo artigo
789 da CLT, incidindo, nos dissídios individuais e coletivos no âmbito da Justiça do Trabalho, bem
como nas demandas propostas perante a Justiça Estadual, no exercício da jurisdição trabalhista,
à razão de 2%, observado o mínimo de R$10,64 e o máximo de 4x o limite máximo fixado para
benefícios do RGPS (R$6.101,06 – teto para 2020).

Ex: acordo que fixe o valor de R$300,00 a ser pago pela reclamada. Custas de 2% - R$6,00. Será
observado, nesse caso, o mínimo de R$10,64.

Como regra, as custas serão pagas pela parte vencida após o trânsito em julgado da
decisão, mas, se houver recurso, o recolhimento deverá ser realizado e comprovado no prazo
recursal alusivo (art. 789, §1º, da CLT). ***A responsabilidade pelo pagamento das custas é
daquele que deu causa à instauração do processo (teoria da causalidade), porém como fica a
situação se houver sucumbência recíproca? Nas lides que derivem de relação de emprego,
havendo diversos pedidos, basta que o reclamante seja vencedor de um para que a
responsabilidade seja da reclamada, ou seja, não se aplica, nesse caso, a regra do CPC sobre o
pagamento de custas em caso de procedência parcial dos pedidos. ***Nas lides que envolvam
relações de trabalho em sentido amplo, ou seja, naquelas que não derivem de relação de
emprego, as custas serão divididas proporcionalmente (artigo 3º, §3º, da IN nº. 27/2005 do TST).

No caso de acordo, o pagamento das custas se dará em partes iguais, caso não haja
estipulação em contrário (art. 789, §3º, da CLT). ***Em dissídio coletivo, as partes responderão
solidariamente pelo pagamento das custas, e serão calculadas sobre o valor arbitrado na
decisão. ***Na fase de execução, o pagamento das custas será sempre de responsabilidade do
executado, segundo tabela definida pelo artigo 789-A da CLT.

Conforme artigo 790-A da CLT, são isentos do seu pagamento: a União, Estados, DF,
Municípios, Autarquias e Fundações Públicas federais, estaduais e municipais, que não explorem
atividade econômica (tal isenção não se aplica às entidades fiscalizadoras do exercício
profissional); e o MPT. Ponto importante a ser fixado é que a isenção concedida à Fazenda
Pública pelo artigo 790-A, I, da CLT, não afasta a necessidade de reembolso do que houver sido
pago pela parte vencedora, nos termos do artigo 790-A, parágrafo único, da CLT.

Além desses, são isentos do seu pagamento: a) beneficiário da justiça gratuita (como já
falamos acima); b) a EBCT (Decreto-Lei nº. 509/69), pois, embora seja uma empresa pública
federal, goza dos mesmos privilégios destinados à Fazenda Pública, por decisão do STF,
conforme inciso II da OJ 247 da SDI-1 do TST; c) Estados estrangeiros, missões diplomáticas e
repartições consulares (Convenções de Viena de 1961 e 1963, ratificadas e internalizadas pelo
Brasil).