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ROMANCE ABERTO

 Termo em evidência a partir da crise do romance em finais do século XIX. Opõe-se a romance
fechado pela glorificação não necessariamente explícita da improvisação e da surpresa na
narrativa romanesca. Stendhal;


 A “abertura” do romance é, no entanto, resultante da técnica narrativa e da semântica
literária, não sendo suficiente para a explicar a modificação das preocupações do autor e
respectivas temáticas no romance. Exemplo flagrante desta questão é Paul Bourget que,
apesar de ter renovado o romance francês a nível da semântica, é defensor acérrimo do
romance fechado.

 um realismo subjectivo, que acaba por contribuir para a “abertura” do romance. O romance
abandona, aos poucos, o modelo tradicional, que consiste numa diegese demarcada com
princípio, meio e fim configurada, no enunciado narrativo, pela omnisciência narrativa. O
período simbolista contribui para a transformação do romance devido ao alheamento da
quotidianidade e da historicidade na representação literária e também devido à
predominância de uma sensibilidade esteticista-decadentista.

 um exemplo Húmus (1917), bem exemplificativo de um romance aberto devido ao facto de os


episódios se sucederem sem configurarem uma acção única.

 A estrutura romanesca aberta torna-se comum nos romances modernistas. O papel da


consciência é sobrevalorizado, tornando a experiência individual irredutível.

 Onde o romance fechado generaliza, o aberto individualiza e relativiza.

 A “abertura” de cariz modernista quer destruir a representação da realidade implícita no


romance realista do século XIX.

• É o que fazem com sucesso Virginia Woolf, James Joyce, Marcel Proust e José Régio
com romances ditos psicológicos, respectivamente O Quarto de Jacob, Ulisses, Á Procura do
Tempo Perdido, Jogo da Cabra Cega.
Suzana 10.5.1- Romance Fechado e Romance Aberto (Pg. 728 – 32 pdf)

Romance aberto:

 No caso do romance aberto, pelo contrário, o autor não elucida os seus leitores
acerca do destino definitivo das personagens ou acerca do epílogo da diegese. O
leitor que procura no romance sobretudo o entretenimento com a satisfação
primária da sua curiosidade, experimenta em geral uma forte desilusão perante
o final de um romance aberto, pois sente a falta do já mencionado capítulo
conclusivo em que se fornece habitualmente a notícia dos casamentos e das
felicidades domésticas dos heróis do romance;

 O “fechamento e a abertura” do romance correlacionam-se solidariamente com


problemas de técnica narrativa, de semântica literária e de visão do mundo;

 Impõe-se assim como modelo supremo da forma do romance a peça oratória


bem planeada, composta segundo os preceitos da velha retórica, ou o drama, de
intriga linearmente progressiva e concentrada;

 Romance Moderno opõe-se a este modelo citado acima que exaltado por
Bourget;

 A técnica do romance moderno deve muito a Stendhal;

 O romance picaresco apresenta uma estrutura aberta, configurando-se a sua diegese


como uma acumulação ou justaposição de episódios carecentes de uma urdidura
orgânica com princípio, clímax e epílogo.

 Outra importante forma de romance refractário, ao modelo exaltado por


Bourget é o chamado romance de formação, isto é, o romance que narra e
analisa o desevolvimento espiritual, o desabrochamento sentimental, a aprendi-
zagem humana e social de um herói;

 Com o simbolismo, o romance aproximou-se dos domínios da poesia e esta


aproximação implicou não só a fuga da realidade quotidiana, física ou social,
mas também uma nítida desvalorização da diegese;

 Na concepção de Alain Robbe-Grillet, o romance deve desembaraçar-se da


intriga e abolir a motivação psicológica ou sociológica das personagens,
devendo conceder, em contrapartida, uma atenção absorvente aos objectos,
despojados de qualquer cumplicidade afetiva com o homem.