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ESTRUTURA GERAL

DO
PSICODIAGNÓSTICO
PASSO A PASSO
IDENTIFICAÇÃO
INTEGRAÇÃO E FORMULAR
DA DEMANDA /
ANÁLISE DOS CONCLUSÕES /
LEVANTAMENTO
DADOS RECOMENDAÇÕES
DE DADOS INICIAIS

DEFINIÇÃO DE
HIPÓTESES E APURAÇÃO DAS DEVOLUTIVA
OBJETIVOS TÉCNICAS ORAL / ESCRITA
(CONTRATO)

ADMINISTRAÇÃO
ENCERRAMENTO
PLANEJAMENTO DAS TÉCNICAS /
DO PROCESSO
DA AVALIAÇÃO COLETA DE
DADOS
CARACTERIZAÇÃO DO PROCESSO
PSICODIAGNÓSTICO
Institucionalmente configura um contrato com papéis bem definidos.

• Alguém pede ajuda (o paciente);


• O outro (o psicólogo) aceita seu pedido e se compromete a satisfazê-
la na medida de suas possibilidades;
• É uma situação bipessoal (psicólogo – paciente ou psicólogo – grupo
familiar);
• De duração limitada.
PROBLEMA / QUEIXA / DEMANDA

• Quando se configura um problema que demanda uma avaliação clínica?

• Identificação de sinais / comportamentos / disfunções


• “Ocasionais” ou “persistentes”?
• “Normais” ou “patológicos”?

• Identificação de alterações quantitativas ou qualitativas

• Muitas vezes, o pedido de ajuda é feito de maneira tardia


• Negação
• Preconceito
PROBLEMA / QUEIXA / DEMANDA
• A investigação diagnóstica é realizada a partir do motivo
apresentado pelo paciente (ou por quem o encaminhou) para
justificar o atendimento.

• Nem sempre o motivo apresentado é o verdadeiro


• Paciente e/ou familiares: o menos ansiogênico, o mais tolerável
• Encaminhamento por outros profissionais: demandas latentes, restrição
de informações

• A compreensão do motivo da consulta permitirá ao psicólogo decidir


se pode atender, se deve atender e como atender.
POSSÍVEIS QUESTIONAMENTOS
Por que meu filho não aprende? Passo mal só de pensar em...

...falar em público
Se esses sintomas não são explicados ...marcar um encontro
pelo modelo biomédico, a psicologia
consegue responder? ...ficar preso em um elevador
...ver uma aranha

Este delito pode ter sido motivado


...viajar de avião
por um transtorno psicótico?
DESTRINCHANDO O PROBLEMA
EXEMPLO 01
A escola encaminha: “Será que este aluno não aprende por um problema psicológico?”

O psicólogo vai refinar este questionamento através de hipóteses:

1. A criança tem um nível de inteligência fronteiriço;


2. A criança tem um distúrbio da aprendizagem;
3. A criança tem um nível de inteligência normal, porém, seu desempenho intelectual
atual está limitado por que sofreu um trauma emocional recente.
DESTRINCHANDO O PROBLEMA
EXEMPLO 02
Um médico encaminha um paciente que se queixa de fortes dores na coluna e
que suspeita que os sintomas sejam pelo menos parcialmente de fundo
psicológico.

Há fatos psicológicos associados a condição médica?

Como o paciente reagiria a uma situação de cirurgia e a longa recuperação?


 A paciente apresenta outro transtorno mental associado.
 Há algum problema psicossocial agravante.
 Conflitos com independência vs. Dependência.
 Obtêm ganhos secundários.
ESTABELECIMENTO DOS OBJETIVOS

• Conseguir uma descrição e compreensão, o mais profunda e


completa possível, do funcionamento psicossocial do paciente ou
do grupo familiar:
• a partir da demanda/problema/queixa identificado
• considerando as hipóteses levantadas para explicar a
demanda/problema/queixa

• Enfatiza um aspecto em particular, segundo sintomatologia e as


características da indicação (se houver);

• Abrange os aspectos passado, presentes (diagnóstico) e futuro


(prognóstico) dessa personalidade.
COMPORTAMENTOS ESPECÍFICOS DO
PSICÓLOGO
• Determinar os motivos do encaminhamento, queixas e outros problemas
iniciais.

• Levantar dados de natureza psicológica, social, médica, profissional, etc,


sobre o sujeito e pessoas significativas, solicitando eventualmente
informações complementares.

• Colher dados sobre a história clínica e história pessoal, procurando


reconhecer denominadores comuns com a situação atual, do ponto de vista
psicopatológico e dinâmico
COMPORTAMENTOS ESPECÍFICOS DO
PSICÓLOGO
• Realizar o exame do estado mental do paciente (exame subjetivo), eventualmente
complementado por outras fontes, (exame objetivo).

• Levantar hipóteses iniciais e definir os objetivos do exame.

• Estabelecer um plano de avaliação.


ENQUADRAMENTO

• Estabelecer um contrato de trabalho com o sujeito ou responsável.


ENQUADRAMENTO
Enquadramento significa manter constantes certas variáveis que
intervêm no processo:

• Esclarecimento dos papéis respectivos (natureza limite da função que


cada parte integrante do contrato desempenha).
• Lugares onde se realizarão as entrevistas.
• Horário e duração do processo (em termos aproximados, tendo
cuidado de não estabelecer uma duração nem muito curta nem
muito longa).
• Honorários (caso se trate de uma consulta particular ou de uma
instituição paga).
ENQUADRAMENTO
• Maior precisão não é possível: o conteúdo e o modo de formulação
do enquadramento depende, em muitos aspectos, das características
do paciente e dos seus pais.

• Recomendação: esclarecer elementos imprescindíveis do


enquadramento, deixando para o fim da primeira entrevista
(entrevista inicial) o restante.

• A flexibilidade aparece como condição valiosa para o psicólogo


quando este a utiliza para se situar acertadamente diante de um caso
e manter o enquadramento apropriado.
COMPORTAMENTOS ESPECÍFICOS DO
PSICÓLOGO
• Administrar testes e técnicas psicológicas.

• Levantar dados quantitativos e qualitativos.

• Selecionar, organizar e integrar todos os dados significativos para os


objetivos do exame, conforme o nível de inferência previsto.
INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
• Apreensão do objeto presente, dado; • Dedução

• Identificação de objetos semelhantes aos da • Prova de hipótese


experiência anterior

• Pistas indicativas da solução


• Analogia entre partes constituintes de um mesmo
objeto
• Articulação das partes entre si
• Pensamento classificatório
• Exclusão das alternativas menos verossímeis e um
processo de tentativas
• Recorrência à teoria

• Visão simultânea de conjunto


COMPORTAMENTOS ESPECÍFICOS DO
PSICÓLOGO

• Comunicar resultados (entrevista devolutiva, relatório / laudo, e


outros informes).

• Encerrar o processo.
CONCLUSÃO E COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS

• O risco da informação

• O que deve ser comunicado e como ser comunicado

• A utilização da informação

• A questão da informação e a equipe multiprofissional


RECOMENDAÇÕES

• Terapia breve e prolongada,


• Individual,
• De casal,
• De grupo ou de grupo familiar;
• Com que freqüência;
• Se é recomendável um terapeuta homem ou mulher;
• Se a terapia pode ser analítica ou de orientação analítica ou
outro tipo de terapia;
• Se necessário tratamento medicamentoso paralelo,
• Etc.
COMPETÊNCIAS COMPORTAMENTAIS
• Empatia. • Aceitação.

• Autenticidade. • Plasticidade.

• Cordialidade. • Responsabilidade.
CONSTRUINDO O VÍNCULO
• O contato deve propiciar que o paciente/cliente se vincule e se engaje no processo
avaliativo

• Possíveis resistências

• Cabe ao psicólogo observar, perceber, escutar com tranquilidade, aproximar-se


sem ser coercitivo, inquiridor, todo-poderoso.
CONSTRUINDO O VÍNCULO
PSICÓLOGO PACIENTE/CLIENTE
• Tudo vê? • Exposto?
• Tudo ouve? • Vulnerável?
• Tudo decide? • Invadido?
• Tudo sabe? • Perda de controle?
• Solucionador de problemas? • Esquivas?
• Neutro, sem problemas próprios? • Resistências?
CONSTRUINDO O VÍNCULO
• Observar como o paciente trata a si próprio e as suas dores:
• Como se veste
• Como se comunicar verbalmente e não verbalmente
• Conteúdo da comunicação

• Não apenas circunscrito ao início ou término formal da sessão de atendimento.

• Permite que o psicólogo colete informações para a análise e também que formule
estratégias para superar possíveis resistências ao longo do processo.
DESAFIOS PARA O PSICÓLOGO
• Lidar com as suas próprias questões e mobilizações

• Separar o que é “seu” e o que é do “outro”, mas que pode vir à tona no processo de
interação

• Enfrentar pressões/cobranças advindas dos diferentes agentes do processo:


• Do paciente/cliente
• Do grupo familiar
• Do solicitante que fez o encaminhamento
• Da equipe multidisciplinar
• Do próprio psicólogo
DESAFIOS PARA O PSICÓLOGO
• Superar frustrações relativas ao não alcance imediato das informações desejadas

• Construir estratégias para lidar com as resistências do paciente/cliente


DESAFIOS PARA O PSICÓLOGO

“Mesmo quando o objetivo do psicodiagnóstico parece bastante simples, o


psicólogo não pode perder de vista a dimensão global da situação de avaliação,
levando em conta todos os padrões de interação que se estabelecem. Portanto,
é essencial enfatizar a necessidade de o psicólogo estar consciente, atento e
alerta tanto para as suas próprias condições psicológicas, para o uso que faz de
seus recursos criativos e expressivos, como para as reações e manifestações do
paciente, percebendo a qualidade do vínculo que se cria e levando em conta
todos esses aspectos para o entendimento do caso.”

(Raymundo, 2000, p.44)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• Tavares, M. (2012). Considerações preliminares à condução de uma avaliação
psicológica. Avaliação Psicológica, 11(3), 321–334.

• Raymundo, M. G. B. (2000). O problema. In: J. A.Cunha (org). Psicodiagnóstico V.


(pp. 32-37). Porto Alegre: Artes Médicas.

• Raymundo, M. G. B. (2000). O contato com o paciente. In: J. A.Cunha (org). In:


Psicodiagnóstico V. (pp. 38-44). Porto Alegre: Artes Médicas.

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