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EXMO. SR. DR.

JUIZ DE DIREITO DA _ VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE CUIABÁ, ESTADO


DO MATO GROSSO.

Ante o exposto, dou provimento ao recurso


extraordinário (art. 932, V, b, do CPC) para reformar o
acórdão recorrido, tendo em vista que a atividade de
prevenção e de combate a incêndio deve ser custeada por
meio de impostos. (RECURSO EXTRAORDINÁRIO
COM AGRAVO 972.352 - MATO GROSSO

TECNOSERVICE SEGURANÇA ELETRÔNICA LTDA - ME, PESSOA

JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO, INSCRITA NO CNPJ SOB N. 10.663.978/0001-97, COM SEDE NA

RUA DAS PALMEIRAS, N. 70, BAIRRO BAU, CEP 78.008-50, CUIABÁ-MT, NESTE ATO

Av. Anita Garibaldi – 850 – torre 2 – sala 604 – Ahú - Curitiba/PR - CEP 80.540-180 - Fone: (41) 3079-3339
REPRESENTADA POR SEU SÓCIO-ADMINISTRADOR CRISTIANI RAMOS DO
NASCIMENTO, e-mail @, por meio dos seus advogados constituídos, com escritório
à Av. Anita Garibaldi, nº. 850, sala 604-B, Ahú, Curitiba/PR, CEP 80.540-180, com e-
mail mauricio@ttva.com.br, onde recebem intimações, vem, respeitosamente, na
presença de Vossa Excelência, ajuizar AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE

RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA, em face do


ESTADO DO MATO GROSSO, pessoa jurídica de direito público, com sede no Palácio
Paiaguás - Rua Des. Carlos Avalone, s/n - Centro Político Administrativo | CEP:
78049-903 | Cuiabá - MT, aduzindo as seguintes razões de fato e de direito:

I. DOS FATOS

O ESTADO DO MATO GROSSO, por meio da lei 9.067, de 23 de dezembro de


2008, inseriu uma série de modificações na Lei n. 4.547, de 27 de dezembro de 1982,
que dispões sobre o "Sistema Tributário Estadual". Dentro outras providências, a
mencionada lei instituiu a chamada “Taxa de Segurança Contra Incêndio – TACIN”,
que tem como hipótese de incidência (fato gerador em abstrato) a "...a utilização efetiva
ou potencial dos serviços de prevenção, combate e extinção de incêndios do Corpo de Bombeiros
Militar (CBM/MT), prestados ou colocados à disposição de unidades imobiliárias, ocupadas ou
não". (art. 100, caput).

Na mesma oportunidade, o legislador dispôs sobre a base de cálculo da


TACIN. Eis o teor do artigo 100-B e seus parágrafos

Art. 100-B: A TACIN tem por base de cálculo os valores expressos em


UPF/MT constantes na Tabela G, anexa a esta lei, vigentes na data do efetivo
pagamento, observado o prazo regulamentar.
§ 1º A taxa prevista na Tabela G terá seu valor determinado pelo produto dos

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seguintes fatores:
CRI = CIE x A x FGR , onde:
I - coeficiente de risco de incêndio (CRI), expresso em megajoules (MJ), que
corresponde à quantificação do risco de incêndio na edificação, instalação ou
local de risco;
II - carga de incêndio específica (CIE), expressa em megajoules por metro
quadrado (MJ/m²), em razão da natureza da ocupação/uso da edificação,
instalação ou local de risco, obedecendo aos valores estabelecidos na tabela
C- 1 da norma NBR 14432:2001 da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT) e na NTCB n° 007/2007 do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de
Mato Grosso, observados os dispostos nos §§ 2° a 5° deste artigo;
III - área de construção da edificação, instalação ou local de risco (A), expressa
em metros quadrados;
IV - fator de graduação de risco (FGR), em razão do grau de risco de incêndio
na edificação, instalação ou local de risco, conforme a seguinte escala:
a) carga de incêndio específica até 300 MJ/m²: 0,50 (cinqüenta centésimos);
b) carga de incêndio específica de 301 até 2.000 MJ/m²: 1,0 (um inteiro);
c) carga de incêndio específica acima de 2.000 MJ/m²: 1,50 (um inteiro e
cinqüenta centésimos).
§ 2º Para os efeitos deste Capítulo, ficam estabelecidas as seguintes
classificações:
I - comercial: as edificações, instalações ou locais de risco com ocupação ou
uso enquadradas nos Grupos B, C, D, E, F, G, H, J, L, excluindo-se a divisão
L-2, e M, excluindo-se a divisão M-2, dispostos na Tabela 1 da Lei n° 8.399/05;
II - industrial: as edificações, instalações ou locais de risco com ocupação ou
uso enquadradas nos Grupos I e N e nas divisões L-2 e M-2, dispostos na
Tabela 1 da Lei n° 8.399/05;
§ 3º Caso haja mais de uma ocupação ou uso na mesma edificação, instalação
ou local de risco, prevalecerá aquela de maior Carga de Incêndio Específica
(CIE).
§ 4º O contribuinte cujo imóvel se enquadre na classificação estabelecida nos
incisos I e II do § 2° deste artigo deverá cadastrar-se no prazo e na forma
estabelecidos em regulamento.
§ 5º Para efeito de determinação da Carga de Incêndio Específica (CIE), não
tendo sido realizado o cadastramento voluntário a que se refere o § 4° deste
artigo, considerar-se-á, para a edificação comercial, a quantidade de 400

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(quatrocentos) MJ/m² e, para a industrial, de 500 (quinhentos) MJ/m²,
ressalvado à Secretaria de Estado de Fazenda ou ao Corpo de Bombeiros
Militar de Mato Grosso, em qualquer hipótese, apurar a carga efetiva.
§ 6º As menções à NBR 14.432:2001 da ABNT e a NTCB n° 007/2007 do
CBMMT entendem-se feitas às normas técnicas que as substituírem, naquilo
que não forem incompatíveis com as mesmas.

A lei também estabelece, em seus artigos 100-C, 100-D e 100-E, a sujeição


passiva da mencionada “taxa”:

Art. 100-C Contribuinte da TACIN é a pessoa física ou jurídica que utilize,


de forma efetiva ou potencial, os serviços de prevenção, combate e extinção
de incêndios.
Art. 100-D A TACIN será devida por todos os contribuintes estabelecidos
nos municípios que possuem Unidade de Bombeiro Militar (UBM).
§ 1º Nos Municípios que não possuam UBM deverão ser estabelecidos
critérios de cobrança em ato normativo próprio.
§ 2º Na hipótese de que trata o Parágrafo anterior, a TACIN será devida
proporcionalmente à data de implantação da UBM ou de início da atividade
do sujeito passivo.
Art. 100-E Fica responsável pelo recolhimento da TACIN, previstos na Tabela
G, o proprietário, bem como seus herdeiros, a qualquer título; o titular do
domínio de bem imóvel por natureza ou por acessão física situado na zona
urbana, assim definida na legislação do respectivo Município.

Por fim, é importante observar o que dispõe o novel artigo 101-A, que
trata da destinação das taxas, ou melhor, da destinação do produto das taxas:

Art. 101-A O produto da arrecadação das taxas referidas nesta lei será
aplicado, no percentual mínimo de 50% (cinqüenta por cento), em despesas
de capital da unidade operacional de execução do município onde foi gerada
a respectiva receita.
Parágrafo único. As receitas proporcionais tratadas neste artigo têm a
finalidade de uso vinculada:
I - à Perícia Oficial e Identificação Técnica, no que se refere à tabela A e B;

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II - a Policia Militar, no que se refere à tabela A, C e F;
III - ao Corpo de Bombeiros Militar, no que se refere à tabela A, D e G;
IV - à Polícia Judiciária Civil, no que se refere à tabela A, E e F.

Da simples leitura dos enunciados prescritivos que tratam da nova "taxa”-


entre aspas mesmo, em razão de pretender remunerar serviços públicos apenas
suportáveis por meio de impostos – percebem-se uma série de inconstitucionalidades
e de ilegalidades, que de saída, impõe a condenação do ESTADO DO MATO GROSSO à
sua devolução, com as correções e juros determinados pela lei, caso a “taxa tenha sido
recolhida pelo particular"; ou a declaração da inexistência de relação jurídica
tributária, caso os valores ainda não tenham sido recolhidos.

A flagrante inconstitucionalidade levou a Federação da Indústrias do Estado


do Mato Grosso a promover a Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 1003057-
65.2019.8.11.0000. A sessão do Colendo Órgão Especial deste Egrégio TRIBUNAL DE
JUSTIÇA DO ESTADO DO MATO GROSSO, que deferiu a medida liminar na ADI em
questão, ocorreu em 14 de novembro de 2019. Eis o esclarecedor conteúdo da ementa:

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – LIMINAR – LEI


ESTADUAL Nº 4.547/1982 – INSTITUIÇÃO DA TAXA DE INCÊNDIO -
QUESTÃO TRIBUTÁRIA – VÍCIO MATERIAL – NECESSIDADE DE LEI
COMPLEMENTAR – PREJUÍZO AOS CONTRIBUINTES – FUMUS BONI
IURIS E PERICULUM IN MORA – PRESENTES – LIMINAR DEFERIDA.
1. Presentes os requisitos autorizadores, ante a relevância dos fundamentos
apresentados e o periculum in mora, a concessão da liminar é medida que se
impõe.
2. O fato gerador da taxa em referência constitui atividade essencial que
beneficia toda a coletividade, devendo ser remunerado pela receita de
IMPOSTOS.
3. “Nem mesmo o Estado poderia, no âmbito da segurança pública revelada
pela prevenção e combate a incêndios, instituir validamente a taxa, como
proclamou o Supremo, embora no campo da tutela de urgência.” (RE
643.247/SP – Tema 16 – STF)

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3. Liminar concedida.

Observe-se que, em razão disso, o próprio ESTADO DO MATO GROSSO, por meio
do Ofício n. 9/2020/ESTRATÉGICA, da Subprocuradoria Geral de Defesa do
Patrimônio Público e Ações Estratégicas da Procuradoria-Geral do Estado,
determinou a suspensão da cobrança até que houvesse o julgamento de mérito da
Ação Direita de Inconstitucionalidade n. 1003057-65.2019.8.11.0000 (doc. XX).

Mesmo assim, a AUTORA da presente demanda foi surpreendida com postura


da Procuradoria do Estado, no mínimo, questionável. E questionável ou por ser
decorrente de desconhecimento ou de má-fé! Mesmo com a vigência da liminar na
ADI 1003057-65.2019.8.11.0000, e do mencionado Ofício n. 9/2020/ESTRATÉGICA –
sem contar, ainda, com a orientação do Egrégio SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL de que
"...a utilização efetiva ou potencial dos serviços de prevenção, combate e extinção de incêndios
do Corpo de Bombeiros Militar...” não dá ensejo à cobrança de taxas, e sim de impostos
– a Procuradoria do Estado “orientou” a AUTORA a celebrar um “acordo” para pagar
a mencionada “taxa” em atraso parceladamente. O montante total exigido pela
Procuradoria do Estado é de R$ 7.959,74 (sete mil novecentos e cinquenta e nove reais
e setenta e quatro centavos), relativos à Certidão de Dívida Ativa n. 2017504175,
relativa à suposta falta de recolhimento da flagrantemente inconstitucional TACIN
(doc. XX e XX). Seriam 12 (doze) parcelas de R$ 402,77 (doc. XX).

Não há dúvida que esses valores podem ser questionados pela AUTORA.
Lembre-se, aqui, do REsp 1133027/SP (Rel. Ministro LUIZ FUX, Rel. p/ Acórdão
Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
13/10/2010, DJe 16/03/2011), que é o Tema Repetitivo 375, de acordo com o qual "A
confissão da dívida não inibe o questionamento judicial da obrigação tributária, no que se refere
aos seus aspectos jurídicos".

Não há o menor sentido em a AUTORA proceder ao recolhimento de tais

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valores, tendo em vista serem indébitos tributários. Caso os recolhesse, tais valores
deveriam ser imediatamente devolvidos pelo ESTADO DO MATO GROSSO, conforme se
passa a demonstrar. Essa a razão pela qual deve ser declarada a inexistência de relação
jurídica tributária entre a AUTORA e o ESTADO DO MATO GROSSO no que se refere à
inconstitucional TACIN!

II. DO DIREITO

1. A NOÇÃO CONSTITUCIONAL E INFRACONSTITUCIONAL DAS TAXAS E A


IMPOSSIBILIDADE DE REMUNERAÇÃO DA UTILIZAÇÃO EFETIVA OU POTENCIAL DOS
SERVIÇOS DE PREVENÇÃO, COMBATE E EXTINÇÃO DE INCÊNDIOS DO CORPO DE
BOMBEIROS MILITAR (CBM/MT) DAR-SE POR MEIO DE TAXAS

A TACIN é apontada pela legislação estadual, como taxa de serviço, e, em


razão disso, sujeitar-se-ia à disciplina do artigo 145, II e § 2º da Constituição Federal e
dos artigos 77 e 79 do Código Tributário Nacional.

Eis o texto Constitucional:

Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão


instituir os seguintes tributos:
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva
ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao
contribuinte ou postos a sua disposição;
[...]
§ 2º As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos.

O Código Tributário Nacional, por sua vez, prescreve:

Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou
pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato
gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou

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potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte
ou posto à sua disposição.
Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos
aos que correspondam a imposto nem ser calculada em função do capital das
empresas.

Apesar de haver duas espécies de taxas – as de serviço e as de polícia –,


interessam, aqui, apenas as taxas de serviço, que é a espécie apontada pela legislação
– e também pelo Egrégio SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – como sendo a da TACIN.

No que se refere às taxas de serviço, são fundamentais as disposições do artigo


79 do Código Tributário Nacional:

Art. 79. Os serviços públicos a que se refere o artigo 77 consideram-se:


I - utilizados pelo contribuinte:
a) efetivamente, quando por ele usufruídos a qualquer título;
b) potencialmente, quando, sendo de utilização compulsória, sejam postos à
sua disposição mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento;
II - específicos, quando possam ser destacados em unidades autônomas de
intervenção, de utilidade, ou de necessidades públicas;
III - divisíveis, quando suscetíveis de utilização, separadamente, por parte de
cada um dos seus usuários.

BERNARDO RIBEIRO DE MORAES explica que a “...hipótese legal que dá origem à


obrigação tributária, tratando-se de taxa, é sempre a vinculação de uma atividade do Poder
Público que se dirige de modo particular ao contribuinte".1 Mais à frente, o mesmo
doutrinador é ainda mais explícito:

Portanto, outro elemento característico da taxa é que estas somente é exigida


apenas das pessoas que recebem a atividade estatal. A relação atividade
estatal-contribuinte é essencial na conceituação de taxa. Não podemos falar
em taxa quando não exista um liame entre a atividade estatal específica e o

1 Doutrina e prática das taxas. 2. ed. São Paulo: Quartier Latin, 2007, p. 96.

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contribuinte. Quem se submete ao poder de polícia ou se utiliza de um
serviço público específico e divisível é que será o contribuinte da taxa. Outra
pessoa não pode ser. Assim, a taxa deve guardar uma relação de dependência
entre o contribuinte que a paga e a atividade estatal específica. Inexistindo tal
relacionamento, inexiste taxa.2

É absolutamente cristalina a exigência da divisibilidade do serviço público para


que ele seja remunerado por meio de taxa. Sem essa característica, o serviço publico
somente pode ser remunerado por meio de impostos!!!

Eis as lições de CÉLIO ARMANDO JANCZESKI:

Além de específico, o serviço público deve ser divisível, ou seja, deve permitir
que o contribuinte utilize-o separadamente, individualmente. A doutrina
nacional e comparada é pacífica ao afirmar a imprescindibilidade de o serviço
ser divisível [...].
O serviço que pode gerar a taxa deve ser suscetível de divisão em unidades
de uso ou consumo, que seja passível de divisão em prestações
individualmente determinadas.
A divisibilidade permite a mensuração do serviço público possibilitando se
medir o consumo de cada contribuinte. A utilização isolada, individual por
parte de cada contribuinte. A utilização isolada, individual por parte de cada
contribuinte, propicia a repartição do custo total da manutenção do serviço
por todos os usuários, na medida de seu uso (princípio remuneratório).3

E, por fim, tomemos as lições de LUIZ ALBERTO PEREIRA FILHO:

Inconcebível que se tribute, por taxa, a atuação estatal que abranger,


indistintamente, todos os cidadãos, sem que se verifique a referibilidade
direta da atividade em reação a estes.4

2 Doutrina e prática das taxas. 2. ed. São Paulo: Quartier Latin, 2007, p. 98.
3 Taxas: doutrina e jurisprudência. 5. ed. Curitiba: Juruá Editora, 2008, p. 57-58.
4 As taxas no sistema tributário brasileiro. Curitiba: Juruá, 2002, p. 93.

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Os estudiosos do direito tributário fazem coro: para a cobrança da taxa de
serviço é necessária a efetiva divisibilidade. E, em razão disso, absolutamente
impossível a cobrança de taxa em razão "...[d]a utilização efetiva ou potencial dos serviços
de prevenção, combate e extinção de incêndios do Corpo de Bombeiros Militar (CBM/MT),
prestados ou colocados à disposição de unidades imobiliárias, ocupadas ou não".

Interessante, aqui, fazer menção ao livro de AURÉLIO PITANGA SEIXAS FILHO no


qual realiza interessante questionamento. Diz ele: “Cabe ponderar que o serviço do 'Corpo
de Bombeiros' só se individualiza em relação a um imóvel quando estiver pegando fogo...".5 E,
após examinar a evolução jurisprudencial do Egrégio SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
sobre o tema, concluiu, também, ser impossível a incidência da espécie tributária taxa
quando se trata de serviços de prevenção, combate e extinção de incêndios. Eis suas
palavras:

Como já afirmei, e foi, inclusive, reconhecido por Ministro do Supremo


Tribunal Federal, o serviço de prevenção e extinção de incêndio só é
específico, uti singuli, em relação ao proprietário da coisa incendiada, não
sendo, entretanto, divisível, pois me parece impossível que se possa mediar
a proporção em que é utilizado o serviço do Corpo de Bombeiros, sendo esta,
também, a opinião de Bernardo Ribeiro de Moraes.
[...]
Consequentemente, é um serviço potencialmente à disposição dos
proprietários de imóveis, sem possuir, entretanto, qualquer especificidade, já
que não pode ser destacado em unidade autônoma de intervenção de
utilidade ou de necessidade pública.
Como não suscetível de utilização separadamente, por parte de cada sujeito
passivo, enquanto permanecer meramente à disposição, o Serviço do Corpo
de Bombeiros, não se caracteriza também como divisível, não sendo,
portanto, uti singuli, como também não o são a Taxa de Iluminação Pública e
a Taxa de Conservação de Calçamento [...].6

5 Taxas: doutrina, prática e jurisprudência. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 34.


6 Taxas: doutrina, prática e jurisprudência. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 44-45.

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Este também é o entendimento mais recente do Egrégio SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário com
Agravo n. 972.352 – Mato Grosso, em 06 de setembro de 2019, assim ementado:

Agravo regimental em recurso extraordinário com agravo. 2. Direito


tributário. 3. Instituição de taxa de combate a incêndio por Estado-Membro.
4. Descabimento. RE-RG 643.247 (Tema 16), paradigma da repercussão geral.
5. Declaração de inconstitucionalidade. Maioria absoluta. É despicienda a
igualdade de fundamentos, sendo suficientes seis ou mais votos no sentido
da inconstitucionalidade. 6. Ausência de argumentos capazes de infirmar a
decisão agravada. 7. Negado provimento ao agravo regimental. Sem
majoração da verba honorária, tendo em vista tratar-se de mandado de
segurança na origem. (ARE 972352 AgR, Relator(a): Min. GILMAR
MENDES, Segunda Turma, julgado em 06/09/2019, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-201 DIVULG 16-09-2019 PUBLIC 17-09-2019)

No corpo do acórdão, há passagem enfática, que ora interessa:

Como já demonstrado na decisão agravada, esta Corte, no julgamento de


mérito do RE-RG 643.247, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe 19.12.2017 (tema 16),
paradigma da repercussão geral, firmou o entendimento de que a
remuneração da atividade de prevenção e de combate a incêndio deve ocorrer
por meio de impostos, e não de taxa, independentemente de ser o Estado ou
Município o ente instituidor do tributo

Como o próprio julgado afirma, a conclusão não é recente, tendo sido


manifestada anteriormente por ocasião do julgamento do tema 16 da Repercussão
Geral, em 2017. Trata-se do Recurso Extraordinário n. 643.247:

TAXA DE COMBATE A INCÊNDIO – INADEQUAÇÃO


CONSTITUCIONAL. Descabe introduzir no cenário tributário, como
obrigação do contribuinte, taxa visando a prevenção e o combate a incêndios,
sendo imprópria a atuação do Município em tal campo.

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(RE 643247, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em
01/08/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO
DJe-292 DIVULG 18-12-2017 PUBLIC 19-12-2017)

Por ocasião deste julgamento, assim manifestou-se o Exmo. Ministro MARCO


AURÉLIO:

Ante o quadro, desprovejo o recurso interposto. Como tese, proponho que se


formalize: “A segurança pública, presentes a prevenção e o combate a
incêndios, faz-se, no campo da atividade precípua, pela unidade da
Federação e, porque serviço essencial, tem como a viabilizá-la a arrecadação
de impostos, não cabendo ao Município a criação de taxa para tal fim.”

E, mais à frente, continua o Exmo. Ministro MARCO AURÉLIO:

Em síntese, a manutenção do Corpo de Bombeiros, órgão estadual e não


municipal, é feita estritamente ante os impostos, não cabendo a criação de
taxa, mesmo porque, conforme ressaltou o Tribunal de origem, ao julgar ação
direta de inconstitucionalidade, penso que seria muito difícil assentar-se a
divisibilidade inerente à taxa, a essa espécie de tributo.

E, a sua tese, por fim, foi a seguinte: "A segurança pública, presentes a
preservação e o combate a incêndios, faz-se no campo da atividade precípua pela
unidade da federação, e, porque serviço essencial, tem como a viabilizá-la a
arrecadação de impostos, não cabendo ao município a criação de taxa para tal fim".

O Exmo. Ministro LUÍS EDSON FACHIN, por sua vez, afirmou expressamente
que “...(i) a atividade de combate a incêndios e demais sinistros é serviço público geral
e indivisível, portanto deve ser remunerada por meio de impostos...'. E, assim continua
o Exmo. Ministro FACHIN:

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Nessa seara, a jurisprudência do STF é pacífica no sentido de que é
inconstitucional a instituição de taxa para custear serviços prestados por
órgãos de Segurança Pública.
Confiram-se as ementas da ADI 2.424, de relatoria do Ministro Gilmar
Mendes, Tribunal Pleno, DJ 18.06.2004; e da ADI 1.942, de minha relatoria,
Tribunal Pleno, DJe 15.02.2016, respectivamente:

“Ação Direta de Inconstitucionalidade. 2. Lei no 13.084, de 29.12.2000,


do Estado do Ceará. Instituição de taxa de serviços prestados por
órgãos de Segurança Pública. 3. Atividade que somente pode ser
sustentada por impostos. Precedentes. 4. Ação julgada procedente.”
“AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO
TRIBUTÁRIO. TAXA. SEGURANÇA PÚBLICA. EVENTOS
PRIVADOS. SERVIÇO PÚBLICO GERAL E INDIVISÍVEL. LEI
6.010/96 DO ESTADO DO PARÁ. TEORIA DA DIVISIBILIDADE DAS
LEIS. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. 1. A jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal se consolidou no sentido de que a atividade
de segurança pública é serviço público geral e indivisível, logo deve
ser remunerada mediante imposto, isto é, viola o artigo 145, II, do
Texto Constitucional, a exigência de taxa para sua fruição. 2. Da
argumentação exposta pela parte Requerente não se extrai a
inconstitucionalidade in totum do dispositivo impugnado, assim se
aplica ao caso a teoria da divisibilidade das leis, segundo a qual, em
sede de jurisdição constitucional, somente se deve proferir a nulidade
dos dispositivos maculados pelo vício de inconstitucionalidade, de
maneira que todos aqueles dispositivos legais que puderem subsistir
autonomamente não são abarcados pelo juízo de
inconstitucionalidade. 3. Ação direta de inconstitucionalidade a que se
dá parcial procedência, a fim de declarar inconstitucional a expressão
‘serviço ou atividade policial militar, inclusive policiamento
preventivo’ constante no artigo 2o da Lei 6.010/96 do estado do Pará,
assim como a Tabela V do mesmo diploma legal.”

Dúvidas não há: a TACIN é absolutamente inconstitucional por tentar


remunerar serviço publico indivisível!!

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2. VÍCIOS QUANTO À BASE DE CÁLCULO

A base de cálculo da TACIN, se de fato taxa fosse, apenas poderia ser o custo
da atividade estatal, e nenhum outro!!!

As palavras de AURÉLIO PITANGA SEIXAS FILHO parecem ter sido escritas para
o presente caso. Diz ele: “A mensuração da taxa, especialmente a de polícia, pode levar a se
questionar a sua constitucionalidade, em razão da utilização de parâmetros que não se
compatibilizam com a atividade administrativa específica que lhe dá origem”.7

Observem-se, neste sentido, as clássicas lições de AIRES FERNANDINO BARRETO:

Como decorrência inamovível da respectiva caracterização como tributos


vinculados ou não vinculados, a base de cálculo daqueles “...há de ser uma
ordem de grandeza ínsita à atividade pública que precisamente os justifica”.
E a ordem de grandeza, no caso, é o valor da atuação estatal, porque todos os
parâmetros que se venha a adotar serão espécies desse valor. Assim, o valor
de custo presumido, efetivo (imediato, mediato), o valor social, o valor
medido em razão da frequência ou intensidade dos serviços e quaisquer
outros dos quais se possa cogitar. Nem poderia ser de outra forma, porque a
atividade do Estado há de ser aferida em razão de critério passível de
conversão em cifra, o que só se dá com o valor. Dizer-se que a base de cálculo
é em razão da frequência do serviço importa atribuir a essa frequência um
dado valor, estimá-la, sob pena de não chegarmos ao critério numérico, sem
o qual não se pode expressar, monetariamente, tributo algum. Impende ter
presente que o peso, o volume ou medidas de superfície, jamais poderão
constituir base de cálculo das taxas. Com efeito, a atividade do Estado há de
ser valorada quantitativamente em razão de critérios que permitam a
conversão em cifra. E o único possível é o do valor da atuação estatal. Pouco
importo se o elemento de referência para chegar-se a esse valor decorreu da

7 Taxa – doutrina, prática e jurisprudência. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 59

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sua aferição em função do volume, do peso ou da medida de superfície. Estes
são meros suportes, antecedentes ou, quando muito, fatores acessórios do
principal elemento: o valor.8

E a indicação de que o custo da atuação estatal é a única base de cálculo


possível das taxas aparece em muitas outras passagens da obra do clássico de AIRES
FERNANDINO BARRETO. Eis os excertos:

Inversamente, nas taxas a base de cálculo é única: o valor da atuação estatal. Não
há apuração de base de cálculo para cada fato. Em sendo a base de cálculo o
valor da atuação do Estado, fato interno à Administração – que nada tem a
ver com a atuação do particular, e portanto não toma em conta atributos
inerentes ao sujeito passivo ou relativos à matéria sobre a qual se refere a taxa
– é fato único, de dimensão única.
[...]
A base de cálculo das taxas é sempre o valor da atuação do Poder Público que
enseja a taxa. Em sendo o valor, este só pode ser expresso em reais, por
unidade de atuação. As unidades de medida (metro quadrado, testada,
alqueire, exemplificativamente) são as alíquotas das taxas.
[...]
Repisou-se, até demasiadamente, que a base de cálculo das taxas é
unicamente o valor da atuação do Estado que a justifica. Custo efetivo,
estimado, presumido, social, são espécies do valor eleito para a atividade e
não bases diversas.9

LUIZ ALBERTO PEREIRA FILHO, estudioso dedicado ao tema, assim escreveu:

O critério quantitativo das taxas de polícia será sempre um valor fixo que
quantificará a grandeza econômica do gasto para a realização da atividade de
polícia. Por conseguinte, não se poderá falar em base de cálculo, por absoluta
ausência de alíquota nessa espécie de taxa. Se não existe alíquota, não há o
que se calcular.

8 Base de cálculo, alíquota e princípios constitucionais.. 2. ed. São Paulo: Max Limonad, 1998, p. 85-86.
9 Base de cálculo, alíquota e princípios constitucionais.. 2. ed. São Paulo: Max Limonad, 1998, p. 89-91.

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Por esse motivo, pode-se asseverar que as taxas de polícia não possuem base
de cálculo, mas apenas um critério que mensurará a despesa, atinente a cada
administrado, calculada por quem tem a aptidão para exercer o poder de
polícia.
[...]
Com efeito, a atividade do poder de polícia é a mesa, indistintamente, para
qualquer empresa, independente do seu patrimônio líquido. Sendo assim, o
montante da taxa deverá corresponder ao efetivo custo com a atividade
desenvolvida, não sendo o patrimônio líquido, ainda que como elemento
referencial, critério hábil para medi a repartição do quantum da taxa. O
patrimônio líquido, nem mesmo de forma indireta, afere o custo do exercício
do poder de polícia.
Conforme já enfatizamos, a base de cálculo da taxa haverá de ser sempre um
valor que representará o dispêndio mínimo do Estado por contribuinte,
sendo a alíquota uma unidade de medição compatível com a natureza da
atuação estatal.10

O Exmo. Ministro LUÍS EDSON FACHIN, em seu voto por ocasião do julgamento
do já mencionado RE 643.247, assim manifestou-se quanto à base de cálculo:

Por evidente, não é desconhecida a jurisprudência desta Corte no sentido de


utilizar a metragem da área construída do imóvel como um dos elementos da
base de cálculo de taxa, sem a infringência do Texto Constitucional. É o caso
da taxa de coleta de lixo tratada no RE 232.393, de relatoria do Ministro Carlos
Velloso, Tribunal Pleno, DJ 05.04.2002, cuja ementa transcreve-se a seguir:

“CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. TAXA DE COLETA DE LIXO:


BASE DE CÁLCULO. IPTU. MUNICÍPIO DE SÃO CARLOS, S.P. I. -
O fato de um dos elementos utilizados na fixação da base de cálculo
do IPTU - a metragem da área construída do imóvel - que é o valor do
imóvel (CTN, art. 33), ser tomado em linha de conta na determinação
da alíquota da taxa de coleta de lixo, não quer dizer que teria essa taxa
base de cálculo igual à do IPTU: o custo do serviço constitui a base
imponível da taxa. Todavia, para o fim de aferir, em cada caso

10 As taxas no sistema tributário brasileiro. Curitiba: Juruá, 2002, p. 109-111.

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concreto, a alíquota, utiliza-se a metragem da área construída do
imóvel, certo que a alíquota não se confunde com a base imponível do
tributo. Tem-se, com isto, também, forma de realização da isonomia
tributária e do princípio da capacidade contributiva: C.F., artigos 150,
II, 145, § 1o. II. - R.E. não conhecido.”

No entanto, esse entendimento não pode ser aplicado ao presente caso, uma
vez que não há correlação razoável entre o financiamento da atividade de
defesa civil e a metragem do imóvel, de modo que não se encontra satisfeito
o requisito da referibilidade das taxas tributárias. Ou seja, não se consegue
extrair uma relação direta entre a área de um imóvel e respectiva
suscetibilidade a sofrer sinistros, ao contrário do que ocorre com a coleta do
lixo em que há uma presunção possível entre o padrão de consumo do
proprietário e sua família, com reflexos na produção de lixo, e a manifestação
de riqueza no momento da aquisição do imóvel.
Aliás, esse é o entendimento iterativo desta Corte em sede plenária e
fracionária. Vejam-se os seguintes precedentes:

“Taxa de Segurança contra Incêndio do Estado. Sua


inconstitucionalidade, por identidade de base de cálculo (valor
unitário do metro quadrado) com a do Imposto Predial e Território
Urbano (art. 18, § 2o, da Constituição de 1967 - Emenda no 1-69).” (RE
120954, Rel. Min. OCTAVIO GALLOTTI, Tribunal Pleno, DJ
13.12.1996)

“Taxas de licença e funcionamento, de prevenção de incêndio e de


publicidade. Inconstitucionalidade da exação, ante a identidade de
sua base de cálculo (metro quadrado de área ocupada ou construída)
com a utilizada para a cobrança do Imposto Predial e Territorial
Urbano - IPTU (art. 145, § 2o, da Constituição). Precedente do Tribunal
Pleno: ERE 115.683 (RTJ 131/887).” (RE 185050, Rel. Min. ILMAR
GALVÃO, Rel. p/ Ac. Min. OCTAVIO GALLOTTI, Primeira Turma,
DJ 07.03.1997)

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Assim sendo, entende-se que a taxa em questão é inconstitucional, porquanto
guarda identidade de sua base de cálculo com a do IPTU, em afronta ao art.
145, §2o, da Constituição da República

3. A PROIBIÇÃO DO COMPORTAMENTO CONTRADITÓRIO DO ESTADO DO MATO


GROSSO

Não é moralmente aceitável a postura do ESTADO DO MATO GROSSO, quando,


num primeiro momento, determina, por meio do Ofício n. 9/2020/ESTRATÉGICA, da
Subprocuradoria Geral de Defesa do Patrimônio Público e Ações Estratégicas da
Procuradoria-Geral do Estado, a suspensão da cobrança até que houvesse o
julgamento de mérito da Ação Direita de Inconstitucionalidade n. 1003057-
65.2019.8.11.0000; e, num segundo momento, “orienta” a AUTORA a aderir a
parcelamento de tributo inconstitucional, que foi objeto da determinação de
suspensão pelo mencionado Ofício.

Aqui, poderia ser feita até uma adaptação da vedação ao comportamento


contraditório. Lembremos: nemo potest venire contra factum proprium!!! Sobre o tema,
aliás, a melhor obra escrita é de ANDERSON SCHREIBER.11

Conforme explica JOSÉ CARLOS MOREIRA ALVES:

Dentre os pressupostos da proibição da conduta contraditória (nemo potest


venire contra factum proprium) encontra-se o da contradição, tendo em vista
que ele se configura por um comportamento posterior contraditório ao
comportamento anterior (o factum proprium). Essa contradição, que é
objetiva por não se levar em conta o propósito, ou não, de contrariar, não é,
como acentua Díez-Picazo, incompatibilidade rigorosamente lógica, mas
avaliada pelo critério que impera na consciência social, e incompatibilidade

A Proibição de Comportamento Contraditório, tutela da confiança e venire contra factum proprium.


11

Rio de Janeiro: Editora Renovar, 2005.


18

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que resulta de essa conduta contraditória ferir a confiança suscitada pelo
factum proprium na outra parte, o que é contrário à cláusula geral de boa-fé
objetiva.
Ademais, sendo o princípio do venire contra factum proprium destinado à
proteção da parte que confiou na primeira conduta da outra, deve ser, como
salienta Alejandro Borda, excluídas dessa proibição hipóteses em que a
variação das condutas se justifique pelas circunstâncias do caso, ou haja
interesses sociais prevalentes ou ainda que se tenham alterado as condições
que ocorriam quando da primeira conduta, e isso porque com a ocorrência
de qualquer dessas hipóteses deixa de haver contradição que fira a boa-fé
objetiva” (ALVES, José Carlos Moreira. A Proibição do Venire Contra Factum
Proprium. In: Direito Tributário: Estudos Avançados em Homenagem a
Evaldo Brito. Editora Atlas: São Paulo, 2014. p. 764 – 772).

Segundo ROQUE ANTONIO CARAZZA:

Portanto, o princípio da segurança jurídica, com seu corolário de proteção da


confiança, submete o exercício do poder ao Direito, fazendo com que as
pessoas possam prever, com relativa certeza, as consequências que advirão
das situações jurídicas a que deram causa. 12

Por sua vez, o professor português ANTÓNIO FRANCISCO DE SOUZA explica que:

Também a protecção da confiança é uma exigência do direito administrativo


do Estado de direito. No domínio tributário, a protecção da confiança
significa que o contribuinte pode confiar nas expectativas que da correta
interpretação aplicável e em geral do actos da Administração resultam para
a sua relação tributária com a Administração (...). Uma vez criada uma
expectativa legítima no contribuinte, a Administração deve respeitá-la, sob
pena de violação do seu dever de boa-fé.13

Curso de Direito Constitucional Tributário, 25ª Ed. SP: Malheiros, 2009, p. 442.
12

Garantias Fundamentais de Segurança Jurídica no Procedimento Tributário, in Tributação e


13

Direitos Fundamentais, p. 93.


19

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Não há dúvidas, o comportamento contraditório do ESTADO DO MATO
GROSSO, além de moralmente questionável, fere a segurança jurídica e a confiança
legítima de todos os contribuintes, devendo, desde logo, ser reprovado e afastado!

4. O DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO CASO A AUTORA REALIZE


O PAGAMENTO DO PARCELAMENTO

Importante frisar, de saída, que a inconstitucional TACIN não é tributo,


justamente em razão da sua inconstitucionalidade. Tem-se, aqui, a aplicação das lições
de RENATA ELAINE SILVA RICETTI MARQUES: “O pagamento indevido não é tributo nos
termos da lei, assim exsurge o direito à restituição. O valor pago no momento do seu
recolhimento se revestia da aparência de tributo, mas na realidade não era tributo, pois não
comportava a natureza jurídica tributária”.14

O artigo 165 do CTN prevê que:

Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio


protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a
modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do
artigo 162, nos seguintes casos:
I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior
que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da
natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente
ocorrido;
II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota
aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou
conferência de qualquer documento relativo ao pagamento;
III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.

Curso de decadência e prescrição no direito tributário: regras do direito e segurança jurídica. 3. ed. São Paulo:
14

Noeses, 2019, p. 410.

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Deste modo, ocorrendo pagamento a maior ou indevido de tributo – o que
ocorreu no presente caso –, o ente tributante deverá restituí-lo.

Segundo explica PAULO DE BARROS CARVALHO:

Certificado que o ente tributante não era portador do direito subjetivo


à percepção do gravame, ou que o seu direito se limitava
simplesmente à parte do que efetivamente recebeu, há de devolver o
valor total ou a parcela a maior que derem em seu poder, pois não tem
título jurídico que justifique a incorporação daqueles valores ao seu
patrimônio.15

E conforme julgado do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL da 4ª Região:

O sujeito passivo que pagou tributo total ou parcialmente indevido,


tem direito à respectiva restituição, bastando-lhe provar o fato do
pagamento e seu valor. (TRF4, APELREEX 5002999-55.2012.404.7117,
1ª Turma, Rel. p/ Acórdão Carla Evelise Justino Hendges, D.E.
09/05/2013)

Conforme leciona RICARDO LOBO TORRES:

A restituição abrange todo e qualquer pagamento em


desconformidade com a lei. A obrigação de pagar o tributo nasce
quando ocorre na vida real um fato que se pode subsumir na hipótese
genérica prevista na norma jurídica: quando, por qualquer
circunstância, de natureza substancial, temporal ou quantitativa, o
imposto pago não corresponde à descrição constante da lei, diz-se que

15 Curso de Direito Tributário. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 474

21

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há indébito a repetir.16

JOSÉ EDUARDO SOARES DE MELLO, por sua vez, ensina que:

A restituição independe de prévio protesto, não se condicionando o


pagamento indevido anterior à existência de formal ressalva pelo seu
pagador. Aliás, o correto seria a Fazenda promover a espontânea
restituição, o que só tem se verificado em situações excepcionalíssimas
(imposto de renda das pessoas físicas, por exemplo).17

E LUCIANO AMARO explica que:

No direito tributário, porém, basta evidenciar-se a inexistência de


obrigação tributária para que caiba a devolução do que se tenha pago,
a título de débito tributário. O Código Tributário Nacional é expresso
ao reconhecer o direito à restituição, independentemente de prévio
protesto (vale dizer, sem necessidade de nenhuma ressalva prévia
quanto ao caráter indevido do pagamento, e ainda que o pagamento
tenha sido espontâneo (art. 165).18

Ora, o indébito nasce com o pagamento a maior. De igual modo, surge o


direito à restituição. Essa repetição é plenamente aplicável também aos tributos
vinculados, como é o caso da pretensa taxa. Observem-se as lições de DALTON LUIZ
DAALLAZEM:

Os tributos vinculados (taxas e contribuições de melhoria) poderão ensejar,


desde que cumpridos os pressupostos jurídicos para tanto, o direito à
repetição de indébito. Se pagos em desacordo com o Texto Magno, teremos,
como acima registrado, a irradiação do princípio da estrita legalidade

16 Curso de Direito financeiro e tributário, 15. ed. Rio de Janeiro: Forense, p. 293.
17 Curso de Direito Tributário, 3ª ed., p. 254.
18 Direito tributário brasileiro, 17ª ed., p. 447.

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tributária, da moralidade, da boa-fé, da proibição do enriquecimento sem
causa e, ainda, do direito de propriedade.19

Desse modo, deve ser declarada a inexistência de relação jurídica tributária


entre a AUTORA e o ESTADO DO MATO GROSSO no que se refere à TACIN!

E, caso realizado algum recolhimento, deve o ESTADO DO MATO GROSSO ser


condenado à devolução da TACIN indevidamente cobrada e recolhida nos últimos 5
anos a contar do ajuizamento da presente ação, nos termos do artigo 168, I, do Código
Tributário Nacional, com atualização monetária, desde o pagamento indevido, pelos
mesmos índices previstos legalmente para a atualização dos débitos tributária
estaduais, nos termos da Súmula 162 do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, e com
os devidos juros moratórios e compensatórios (desde o pagamento indevido, frise-
se).20

5. PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DA TUTELA PARA FINS DE SUSPENDER A


EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.

A tutela provisória aqui postulada – que se fundamenta tanto na urgência


quanto na evidência – tem por fundamento, justamente, o poder de cautela do Poder
Judiciário que, em circunstâncias como a presente, pode determinar medidas
provisórias que julgar adequadas, quando houver perigo de dano ou o risco ao
resultado útil do processo, nos termos dos arts. 294, 300, 311 e seguintes do novo CPC.

19Inconstitucionalidade e tribute. São Paulo: Quartier Lartin, 2010, p. 213.


20Eis as palavras de THAIS DE LAURENTIIS: "De tudo quanto exposto, conclui-se que a Fazenda Pública, ao restituir
valores indevidamente pagos a título de tributo pelos contribuintes, deverá fazê-lo mediante a aplicação, no
mínimo, de juros compensatórios, desde o pagamento indevido"- Restituição de tributo inconstitucional. São
Paulo: Noeses, 2015, p. 205.

23

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Os requisitos para a tutela provisória de urgência são o perigo de dano
(“periculum in mora”) e a probabilidade do direito à tutela material (“fumus boni
iuris”). O da tutela de evidência é apenas o alto grau de comprovação do direito da
AUTORA.

Trata-se, aqui, justamente de pedido que tem por escopo, com base no poder
de cautela do Poder Judiciário, afastar os danos irreparáveis que advirão da demora
do julgamento na ação.

Segundo explicam LUIZ GUILHERME MARINONI, SÉRGIO CRUZ ARENHART e


DANIEL MITIDIERO:

Pode-se proteger contra o perigo na demora mediante tutela satisfativa


(tutela antecipada) ou mediante tutela cautelar. Em ambos os casos, está o
juiz autorizado a tutelar atipicamente o direito, alçando mãos das
providências que entender como as mais adequadas e necessárias.21

No presente caso, estão presentes os requisitos do “fumus boni iuris” e do


“periculum in mora” para a concessão da tutela provisória de urgência, inclusive
liminarmente.

O primeiro requisito à concessão da tutela de urgência é a probabilidade do


direito invocado, que não se traduz na existência de provas absolutas do alegado,
sendo suficiente apenas de prova que seja capaz de convencer o juiz que as alegações
trazidas podem corresponder à realidade dos fatos. Para LUIZ GUILHERME MARINONI,
SÉRGIO CRUZ ARENHART e DANIEL MITIDIERO:

Qualquer que seja o seu fundamento, a técnica antecipatória tem como


pressuposto a probabilidade do direito, isto é, de uma convicção judicial
formada a partir de uma cognição sumária das alegações da parte.

21
Novo Curso de Processo Civil, v. 2, 2. ed., 2016, p. 209.
24

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E o outro requisito necessário para a tutela de urgência é o perigo de dano ou
o risco ao resultado útil do processo, que melhor se traduzem em perigo na demora.
Segundo LUIZ GUILHERME MARINONI, SÉRGIO CRUZ ARENHART e DANIEL MITIDIERO:

O perigo na demora é suficientemente aberto, ademais, para viabilizar tanto


uma tutela contra o ilícito como uma tutela contra o dano. Há perigo na
demora porque, se a tutela tardar, o ilícito pode ocorrer, continuar ocorrendo,
ocorrer novamente ou pode o dano ser irreparável, de difícil reparação ou
não encontrar adequado ressarcimento. Daí que “perigo de dano” e “risco ao
resultado útil do processo” devem ser lidos como “perigo na demora” para
caracterização da urgência – essa leitura permitirá uma adequada
compreensão da técnica processual à luz da tutela dos direitos.

Os documentos acostados pela AUTORA constituem-se, por si só, prova do ora


pleiteado. Observe-se que os referidos documentos atestam a verossimilhança das
alegações da AUTORA. Com efeito, não restam dúvidas de que está sendo cobrado
crédito tributário que será, futuramente, na presente ação, reconhecido como
indevido. Cinge-se a uma questão de direito. Como questão de direito que é, a
verossimilhança resume-se à interpretação do direito. É evidente, portanto, o direito
da AUTORA, podendo ser considerado muito mais que provável.

E o perigo na demora reside no fato de que, caso não seja deferida a tutela de
urgência e evidência, tornar-se-á ineficaz a futura decisão a ser proferida na ação
presente ação quanto ao mérito, porquanto numerosos serão os prejuízos amargados
pela AUTORA.

Mesmo sendo ilegal a exigência do tributo cobrado, a AUTORA não pode


simplesmente deixar de recolher o valor exigido. Caso assim proceda, por força do art.
142 do CTN, e demais regras procedimentais, o RÉU tomará as medidas no sentido de
ajuizar a execução fiscal, com a constrição e execução forçada de bens.

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Não bastasse isso, o RÉU não irá expedir Certidão Positiva com Efeitos de
Negativa. E, como as certidões negativas de débito, por força da legislação vigente,
são de apresentação obrigatória para as mais variadas finalidades, tal recusa implicará
a impossibilidade de a AUTORA realizar numerosas atividades, colocando em risco a
sua subsistência e das pessoas que dele dependem para sobreviver.

Além disso, a AUTORA ficará sujeita a ter o seu patrimônio constrito, seja por
meio da penhora na execução fiscal, seja, ainda, pela propositura de ação cautelar
fiscal, com efeitos de tornar indisponíveis bens de sua propriedade, nos termos da Lei
8.397/1992, a qual estabelece que, não estando suspensos os “débitos”, o Juiz poderá
determinar, de pronto, eventual medida constritiva, independentemente de qualquer
fundamentação por parte da Fazenda Pública ou de contestação por parte da AUTORA,
nos termos do art. 7º desta lei, a saber: “o Juiz concederá liminarmente a medida cautelar
fiscal, dispensada a Fazenda Pública de justificação prévia e de prestação de caução”.

Outrossim, fazer com que a AUTORA desembolse um valor que não seja
efetivamente devido, consiste na ameaça certeira de ter que se submeter ao pagamento
de exações manifestamente indevidas – eis que ilegais e inconstitucionais, neste caso
– o que implica violação ao seu direito de ser tributada conforme a sua capacidade
contributiva, acarretando verdadeiro confisco – não apenas quantitativo, mas
qualitativo, também – reduzindo, de sobremaneira, a sua capacidade financeira de
cumprir com os seus compromissos assumidos perante terceiros, em prejuízo não só
da atividade empresarial, mas também dos seus empregados e suas famílias.

Aliás, não é juridicamente lícito pretender que a AUTORA se submeta ao


odioso mecanismo do “solve et repete”, inadmissível no estado democrático de direito,
como o Brasileiro, em que a Constituição assegura a todos livre acesso ao judiciário,
para a defesa de seus direitos, conforme preveem os incisos XXXV e LXIX do art. 5º da
Constituição.

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Portanto, presentes os requisitos para a concessão da tutela de urgência, a sua
concessão no caso em análise é medida que se impõe, inclusive liminarmente, a fim
de que seja autorizado que a AUTORA não recolha o tributo objeto da presente ação
enquanto a causa tramitar, suspendendo-se sua exigibilidade até o trânsito em julgado
da ação, determinando-se à RÉ que, sempre que solicitado, emita Certidão Positiva
com Efeitos de Negativa em relação ao tributo objeto da ação.

IV. DO PEDIDO

Diante do exposto, requer a AUTORA:

A) O recebimento da petição inicial;

B) concessão de tutela provisória de urgência e/ou evidências, “inaudita altera


pars, a fim de que seja autorizado que a AUTORA não recolha o tributo objeto da
presente ação enquanto a causa tramitar, suspendendo-se sua exigibilidade até o
trânsito em julgado da ação, determinando-se à RÉ que, sempre que solicitado, emita
Certidão Positiva com Efeitos de Negativa em relação ao tributo objeto da ação

C) Sendo o interesse do RÉU indisponível, não seja designada audiência de


conciliação do art. 334 do NCPC;

D) A citação do RÉU para que, querendo, oferecer contestação;

E) E, ao final, seja a ação julgada totalmente procedente, para o fim de:

E.1) declarar a inexistência de relação jurídica tributária entre a AUTORA e o


ESTADO DO MATO GROSSO no que se refere à TACIN; ou

E.2) caso realizado algum recolhimento condenar o ESTADO DO MATO

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GROSSO à devolução dos valores indevidamente cobrados e recolhidos a título de
TACIN objeto da presente ação, nos últimos 5 anos a contar do ajuizamento da
presente ação, com atualização monetária, desde o pagamento indevido, pelos
mesmos índices previstos legalmente para a atualização dos débitos tributária
estaduais, nos termos da Súmula 162 do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, e com
os devidos juros moratórios e compensatórios (desde o pagamento indevido, frise-se);

F) A produção de prova, em especial testemunhal, documental e pericial, com


a exibição pelo RÉU de todos os processos administrativos relacionados ao objeto da
presente ação;

G) A condenação do RÉU no pagamento das custas e honorários advocatícios


sobre o valor da ação;

H) E requer-se que todas as publicações sejam realizadas em nome do


advogado MAURÍCIO DALRI TIMM DO VALLE, OAB/PR 41.434.

Dá-se à causa o valor de R$ R$ 40.000,00 (quarenta mil reais).

Nestes termos,
Pede deferimento.

Curitiba, 31 de janeiro de 2020.

MAURÍCIO DALRI TIMM DO VALLE


OAB/PR n. 41.434

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