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Geerraall
Mª LUÍSA LOPES CHICOTE
MUSSA ABACAR
SÉRGIO S. HUÓ
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(Para Cursos de Bacharelato em Regime Semi-Presencial)
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Universidade Pedagógica - Nampula
Departamento de Ciências Pedagógicas
2007
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IDENTIFICAÇÃO/FICHA

Autores: dra. Mª Luisa Lopes Chicote, dr. Mussa Abacar e dr. Sérgio S. Huó

Título: Psicologia Geral. Módulos para Cursos de Bacharelato Semi-Presencial

Duração da Disciplina: semestral (regime modular)

Ano: 2007

© Autores e UPNampula, Depto. Ciências Pedagógicas

Nampula, Universidade Pedagógica, 2007


Módulo de Psicologia Geral iii

ÍNDICE

INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 5
TEMA 1: A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA......................................................................... 7
Ciência e Senso Comum ....................................................................................................... 7
A CIÊNCIA ........................................................................................................................... 8
Características da Ciência ..................................................................................................... 9
Conceito de Psicologia ........................................................................................................ 10
Importância da Psicologia ................................................................................................... 11
Objecto de Estudo da Psicologia ......................................................................................... 11
Estrutura e Tarefas da Psicologia ........................................................................................ 12
Métodos da Psicologia ........................................................................................................ 13
Relação da Psicologia com outras Ciências ........................................................................ 15
Evolução da Ciência Psicológica ........................................................................................ 17
1. Os Grandes Períodos de Evolução da Psicologia .................................................... 17
2. O Pensamento Psicológico Antes e Depois do Século XVIII ................................. 17
Os primórdios da Psicologia Científica ............................................................................... 17
A Psicologia entre os Gregos .......................................................................................... 17
A Psicologia no Império Romano ................................................................................... 19
A Psicologia no Renascimento ........................................................................................ 20
A PSICOLOGIA CIENTÍFICA .......................................................................................... 22
As Primeiras Abordagens Teóricas da Psicologia............................................................... 22
O Funcionalismo (Escola funcionalista) ......................................................................... 22
O Estruturalismo (Escola estruturalista) ......................................................................... 23
O Associacionismo .......................................................................................................... 23
As Principais Teorias da Psicologia do Século XX ............................................................ 23
O Behaviorismo ou Comportamentalismo ...................................................................... 23
Análise experimental do comportamento ........................................................................ 25
A Psicologia da Forma: A Escola da Gestalt .................................................................. 25
A Psicanálise/Freud ......................................................................................................... 26
A Psicanálise e os Mecanismos de Defesa da Personalidade.......................................... 26
TEMA 2: O DESENVOLVIMENTO PSIQUICO E DA CONSCIÊNCIA HUMANA ........ 29
O Homem como Unidade bio-psico-social ......................................................................... 29
A Vida Antes do Nascimento (o Desenvolvimento Pré-Natal)........................................... 29
Fundamentos Biológicos da Conduta .................................................................................. 30
O Papel da Hereditariedade e do Meio na Conduta ............................................................ 31
Hereditariedade e Meio: o Princípio fundamental da Psicologia ........................................ 32
Psicofisiologia do Sistema Nervoso .................................................................................... 32
Sistema Nervoso Central (SNC) ..................................................................................... 32
Desenvolvimento Filogenético do Psíquico ........................................................................ 34
O Surgimento da Consciência no Processo da Actividade Humana ................................... 34
Teorias de Desenvolvimento do Psíquico ........................................................................... 36
TEMA 3: A PSICOLOGIA EVOLUTIVA OU ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO ...... 37
A Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de PIAGET ....................................................... 38
A Teoria do Desenvolvimento Psicossexual segundo FREUD .......................................... 41
A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial segundo ERIKSON ....................................... 43
A Teoria do Desenvolvimento Moral segundo KOHLBERG ............................................ 45
TEMA 4: INTRODUCAO AO ESTUDO DA PERSONALIDADE...................................... 48
Génese e Formação da Personalidade ................................................................................. 48
Conceito de Personalidade .................................................................................................. 48
Módulo de Psicologia Geral iv

Estrutura da Personalidade .................................................................................................. 48


Teorias da Personalidade ..................................................................................................... 48
TEMA 5: PROCESSOS PSÍQUICOS/COGNITIVOS INTRODUCAO AO......................... 58
Sensação .......................................................................................................................... 58
Percepção ........................................................................................................................ 58
Memória .......................................................................................................................... 58
Pensamento...................................................................................................................... 59
O Pensamento e Linguagem ............................................................................................ 59
Imaginação ...................................................................................................................... 60
TEMA 6: ESFERA EMOCIONAL, SENTIMENTAL E VOLITIVA DA PERSONALIDADE
................................................................................................................................................. 61
BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................................... 64
5

INTRODUÇÃO
Quando falamos de um curso superior, estamos nos referindo, indirectamente, a uma
Academia de Ciências, já que qualquer Faculdade nada mais é do que o local próprio da busca
incessante do saber científico1. Este trabalho não tem a pretensão de abranger todas as
questões envolvidas em Psicologia. Trata-se, tão-somente, de uma contribuição para consulta
por parte dos estudantes dos cursos de Bacharelato em Regime Semi-presencial, a decorrer na
UP-Nampula, através das Extensões Universitárias distritais. Pode também servir de
instrumento de consulta a outros interessados em saber um pouco mais sobre Psicologia, esta
ciência que se ocupa do estudo do Comportamento humano. Os aprofundamentos teóricos ou
práticos poderão ser buscados nos materiais sugeridos na bibliografia no final deste trabalho,
assim como em outros recursos.
Nossa intenção é apenas facilitar a busca dos estudantes no que diz respeito aos
trabalhos de pesquisa académica. A estrutura deste trabalho, por si só, serve de modelo para
um trabalho realizado em sala de aula. Além disso, procuramos apresentar e explicar as regras
para cada parte de um trabalho científico.
Dada a complexidade dos temas e fenómenos psicológicos, os temas apresentados
neste módulo são abordados de uma maneira sintética visando facilitar a leitura e
interpretação dos mesmos.
O módulo foi elaborado respeitando ao programa curricular de Psicologia, da UP,
orientando-se para o alcance dos seguintes objectivos:
 Conhecer a diferença entre a Psicologia do senso comum e a Psicologia Científica:
objecto, métodos, ramos da psicologia, assim como áreas de aplicação dos
conhecimentos psicológicos;
 Conhecer a evolução do pensamento psicológico (as três grandes fases da evolução da
Psicologia)
 Relacionar a psicologia com outras áreas de conhecimento.
 Saber os fundamentos biológicos, sociais, genéticos do comportamento; surgimento da
consciência, teorias do psiquismo;
 Definir o conceito de desenvolvimento, seus factores; desenvolvimento psicossexual;
psicossocial; cognitivo e moral;
 Compreender as teorias da personalidade e suas propriedades individuais
 Conhecer os processos psíquico-cognitivos;
 Dominar conhecimentos referentes à esfera emocional, sentimental da personalidade.
 Caracterizar o grupo, o colectivo e as relações sociais e interpessoais dentro do grupo
social.

Segundo afirmamos, o módulo está organizado de forma que facilite a consulta,


obedecendo a lógica de agrupamento temático das matérias. O texto apresenta a seguinte
estruturação dos conteúdos programáticos:
Tema 1: A Psicologia como Ciência
 Psicologia do senso comum e Psicologia Científica
 O objecto e importância da Psicologia
 Estrutura e tarefas da psicologia e métodos da Psicologia
 Resenha histórica sobre a origem e desenvolvimento da Psicologia
 Algumas teorias da Psicologia

1
J.L. de Paiva Bello. Metodologia científica. 2004
Módulo de Psicologia Geral 6

Tema 2: Desenvolvimento do Psíquico e da Consciência Humana


 O Homem como unidade bio-psico-social;
 Fundamentos biológicos da conduta;
 Psico-fisiologia do sistema nervoso;
 O papel da hereditariedade e do meio na conduta;
 Desenvolvimento filogenético do psíquico e suas teorias;
 Surgimento da consciência no processo da actividade humana
Tema 3: Psicologia Evolutiva/Desenvolvimento
 Conceito de Desenvolvimento;
 Factores do desenvolvimento e de crescimento;
 Desenvolvimento e a socialização;
 Desenvolvimentos (cognitivo, psicossocial, psicossexual moral)
 Teorias do desenvolvimento humano
Tema 4: Psicologia da Personalidade
 Conceitos da personalidade e sua estrutura;
 Génese e evolução da Personalidade
 Factores gerais que influenciam a Personalidade;
 Teorias da Personalidade;
Tema 5: Processos Psíquicos/Cognitivos
 Conceito de sensação, percepção, memória, pensamento, imaginação;
 Leis, características, propriedades ou particularidades dos processos psíquicos;
 Teorias dos processos psíquicos;
 Perturbações dos processos psíquicos;
 Pensamentos e linguagem, suas relações, aquisição e desenvolvimento
Tema 6: Esfera Emocional, Sentimental e Volitiva da Personalidade
 Conceitos de Sentimento, Emoção e Vontade
 Bases fisiológicas dos Sentimentos, Emoções e Vontade
 Funções dos Sentimentos, Emoções e Vontade
 Características das Emoções, dos Sentimentos e da Vontade
 Teorias e tipos de Emoções, Sentimentos e da Vontade
 Diferenças entre Emoções humanas dos animais
Módulo de Psicologia Geral 7

TEMA 1:

A PSICOLOGIA do

Ciência e Senso Comum

Antes de iniciarmos o estudo da Psicologia (nosso propósito neste trabalho), mostra-se


importante apresentarmos de forma breve uma visão básica sobre ciência, para que possamos
compreender a Psicologia como ramo científico.
Conhecer é incorporar um conceito novo, ou original, sobre um fato ou fenómeno
qualquer. O conhecimento não nasce do vazio e sim das experiências que acumulamos em
nossa vida quotidiana, através de experiências, dos relacionamentos interpessoais, das leituras
de livros e artigos diversos.
Entre todos os animais, nós, os seres humanos, somos os únicos capazes de criar e
transformar o conhecimento; somos os únicos capazes de aplicar o que aprendemos, por
diversos meios, numa situação de mudança do conhecimento; somos os únicos capazes de
criar um sistema de símbolos, como a linguagem, e com ele registar nossas próprias
experiências e passar para outros seres humanos. Essa característica é o que nos permite dizer
que somos diferentes dos gatos, dos cães, dos macacos, dos leões, e outros animais
considerados irracionais; precisamente porque não têm a capacidade pensante, que caracteriza
o homem.
Ao criarmos este sistema de símbolos, através da evolução da espécie humana,
permitimo-nos também ao pensar e, por consequência, a ordenação e a previsão dos
fenómenos que nos cerca.
Existem diferentes tipos de conhecimentos:
O senso comum: conhecimento da realidade
Existe um modo de vida que pode ser entendido como a vida por excelência: é a vida
do quotidiano. É no quotidiano que tudo fluí, que as coisas acontecem, que nos sentimos
vivos, que sentimos a realidade.
Quando fazemos ciência baseamo-nos na realidade quotidiana e pensamos sobre ela.
O conhecimento do quotidiano (senso comum) e o conhecimento científico aproximam-se e
afastam-se contemporaneamente. Aproximam-se enquanto a ciência se refere à realidade e
afastam-se enquanto a ciência abstrai a realidade para compreender melhor, isto é, transforma
a realidade em objecto de investigação permitindo a construção do conhecimento científico
sobre o real.
Sem o conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativa e erros, a nossa vida
quotidiana não teria o devido sentido, de vida.
A esta experiência acumulada no quotidiano chamamos de senso comum, ou seja, é o
conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativas e erros que facilitam a nossa vida no dia-a-
dia. (imaginemos ter que pensar sempre que atirando algo da janela cai; que o carro em
velocidade se aproxima, etc.). Esta experiência torna-se hábito e passa de geração em
geração e assim o senso comum vai construindo suas «teorias» médicas, físicas,
psicológicas (poder de persuasão de um vendedor, um amigo que escuta bem, etc.).
Módulo de Psicologia Geral 8

O conhecimento intuitivo não é suficiente para as exigências do desenvolvimento


humano;
Os gregos, por volta do século 4 a.C. já dominavam complicados cálculos
matemáticos, ainda hoje difíceis, mas eles precisavam entender para resolver problemas
arquitectónicos, navais, agrícolas, etc. Com o tempo tais conhecimentos especializaram-se, até
atingirem um nível de satisfação que permitiu ao Homem de atingir a lua. A este tipo de
conhecimento, que definiremos com mais cuidado logo adiante, chamamos de Ciência. Deste
modo foram-se constituindo várias áreas de conhecimento, entre as quais podemos citar:
 Filosofia – Forma mais geral de perceber e compreender a natureza. A especulação
em torno deste tema forneceu um corpo de conhecimentos denominados de filosofia.
A Filosofia é fruto do raciocínio e da reflexão humana. É o conhecimento especulativo
sobre fenómenos, gerando conceitos subjectivos. Busca dar sentido aos fenómenos
gerais do universo, conhecimentos sobre a origem do Homem, seus mistérios,
princípios morais. A fonte destas tradições e crenças é a Bíblia (registo do
conhecimento religioso judaico-cristão), base da conduta para muitos, diferente da
história. É um conhecimento revelado pela fé divina ou crença religiosa. Não pode,
por sua origem, ser confirmado ou negado. Depende da formação moral e das crenças
de cada indivíduo.
 Ciência (Conhecimento Científico) – procura conhecer, além dos fenómenos, suas
causas e leis. É o conhecimento racional, sistemático, exacto e verificável da
realidade. Sua origem está nos procedimentos de verificação baseados na metodologia
científica.
 Arte – traduz a emoção, o belo e a sensibilidade, na pré-história encontramos desenhos
do corpo humano nas paredes das cavernas que exprimiam tal sensibilidade e emoção.
 Ética (moral) – valores morais, normas de conduta.

Ciência, Arte, Ética, Religião, Filosofia, e Senso Comum são domínios do


conhecimento humano. Nosso objectivo é definir a Psicologia como ciência. Para tal
constitui imperativo analisar o que é ciência?”, para que possamos compreender a psicologia
como ciência.

A CIÊNCIA

 Como as explicações magicas, baseadas no senso ultrapassando os limites formais da


ciência. Leis mais gerais sobre os componentes do conhecimento, por exemplo os
gregos se preocuparam com a origem e o significado da existência humana
 Religião – Formulação de um conjunto de
comum, não bastavam para compreender os fenómenos, os seres humanos evoluíram
para a busca de respostas através de caminhos que pudessem ser comprovados. Desta forma,
nasceu a ciência, metódica, que procura sempre uma aproximação com a lógica.
O ser humano é o único animal na natureza com capacidade de pensar. Esta
característica permite que os seres humanos sejam capazes de reflectir sobre o significado de
suas próprias experiências. Assim sendo, é capaz de novas descobertas e de transmiti-las a
seus descendentes.
Módulo de Psicologia Geral 9

O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado à sua


característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é transmitido a outro, que,
por sua vez, aproveita-se deste saber para somar outro. Assim evolui a ciência.
Ciência: do latim «scire» que significa conhecimento, pode ser definida como o
conjunto de conhecimentos sobre factos ou aspectos da realidade (objecto de estudo)
expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa. Esses conhecimentos devem ser
obtidos de forma:

Características da Ciência

A Ciência é racional, sistemática, exacta e verificável da realidade. Sua origem está


nos procedimentos de verificação baseados na metodologia científica. Podemos então dizer
que o Conhecimento Científico:
- É racional e objectivo.
- Atém-se aos fatos.
- Transcende aos fatos.
- É analítico.
- Requer exactidão e clareza.
- É comunicável.
- É verificável.
- Depende de investigação metódica.
- Busca e aplica leis.
- É explicativo.
- Pode fazer predições.
- É aberto.
- É útil (Galliano, 1979, apud Paiva Bello, 2004;s/p).
A ciência é um processo; facto que um novo conhecimento é produzido sempre a
partir de algo anteriormente desenvolvido onde negam-se, reafirmam-se, descobrem-se novos
aspectos, e assim a ciência avança;
A Ciência deve verificar a objectividade; suas as conclusões devem ser passíveis de
verificação e isentas de emoções, para tornarem-se válidas para todos.
A Ciência possui objecto específico, linguagem rigorosa/técnica; possui métodos e
técnicas específicas,
O processo cumulativo do conhecimento, a objectividade faz da ciência uma forma
de conhecimento que supera em muito o senso comum. Contudo, não existe um divisor nítido
entre o conhecimento empírico e científico, visto que a pesquisa científica não se realiza no
«vácuo intelectual», mas sempre está mergulhada em um contexto – o conhecimento
científico nasce, em ultima instância, de problemas observados e acontecimentos encontrados
na experiência humana.
Objectivos/propósitos da Ciência
1. Oferecer uma explanação objectiva, factual e útil do universo. Neste caso, ela procura
uma explanação verificável dos fenómenos naturais e sociais, diferentes, pois, da
abordagem artística, religiosa, etc. (central)
2. Controlar – controle prático da natureza e vida social (ervas daninhas, agricultura;
inseminação artificial, clonagem, etc.
Módulo de Psicologia Geral 10

3. Descrever, compreender o mundo – curiosidade natural do Homem, compreender o


mundo, tornando-o inteligível é uma necessidade, é possível compreender o mundo
somente se conhecemos a relações e inter-relações das variáveis dos fenómenos
estudados – como controlar a malária, por exemplo, se não forem descritas as suas
características ou os seus sintomas, se não for conhecida a causa e a evolução da
doença?
4. Prever – a sistematização objectiva da ciência permite uma generalização no espaço e
no tempo e graças a este objectivo muitas vidas tem sido salvas de terramotos,
maremotos, vendavais, etc.

Conceito de Psicologia

Depois desta breve alusão geral à noção de Ciência, iniciemos agora o estudo da
Psicologia.
O termo Psicologia é de origem greco-latino, e etimologicamente pode traduzir-se no
seguinte: psiychè = alma; logia=logos=estudo ou ciência. Assim, a palavra Psicologia
significa estudo da alma ou ciência da alma, ciência que estuda as ideias, sentimentos, e
determinações cujo conjunto constitui o espírito humano.
Esta definição permaneceu até aos meados do séc. XIX devido ao seu
desenvolvimento `condicionado´ com a Filosofia.
Como uma ciência autónoma com um objecto de estudo e métodos próprios de
investigação, ela é definida como ciência que estuda o comportamento do homem e dos
outros animais.
A psicologia supõe-se a outras ciências sociais, especialmente a sociologia. Mas,
enquanto a sociologia concentra sua atenção nos grupos, processos grupais e forças sociais os
psicólogos sociais concentram-se nas influências que os grupos e a sociedade exercem sobre
os indivíduos. A ênfase da psicologia está no ser humano a diferença dos fisiólogos
(biologia) que se concentram no sistema nervoso, cérebro, memória, atenção, movimento,
fome, impacto das drogas, etc.
Actualmente a psicologia é definida como a ciência que se concentra no
comportamento e nos processos mentais – de todos os animais.
o Ciência: enquanto a ciência oferece procedimentos disciplinados e racionais para a
condução de investigações válidas e a construção de um corpo de informações
coerentes e coesas.
o Comportamento: abrange tudo o que pessoas e animais fazem: conduta, emoção,
formas de comunicação, processos de desenvolvimento.
Assim, o objecto de estudo da Psicologia é o comportamento dos seres vivos
especificamente homens e animais, isto é, a Psicologia estuda a resposta ou conjunto de
respostas observáveis de um individuo ou de um grupo, a uma situação ou estímulo.
o Processos mentais – incluem formas de cognição ou formas de conhecimento, de
entre elas: perceber, participar, lembrar, raciocinar, ou resolver problemas. Sonhar,
fantasiar, desejar, ter esperança são também processos mentais.
Módulo de Psicologia Geral 11

Importância da Psicologia

Por ser uma ciência multiperspectiva e se aplicar em todas as áreas da vida humana,
tais como no Ensino, na Saúde, na Família, no Comércio, no Desporto, etc., a Psicologia
possui uma vasta importância.
 No ensino permite ao professor conhecer as particularidades individuais dos alunos
para melhor planificar e administrar as aulas, identificar e resolver os problemas de
aprendizagem segundo o desenvolvimento dos alunos e fazer uma avaliação do
processo de ensino e aprendizagem.

 Na saúde permite ao profissional de saúde estabelecer uma melhor comunicação com


o paciente e vice-versa.

 Para os governantes a Psicologia permite uma óptima comunicação com as massas.

 Também permite ao Homem conhecer-se a si próprio e a natureza de diferenciação


dos outros Homens; ajuda o Homem a resolver os seus problemas do dia-a-dia,
conhecer a forma de agir de cada um, as tendências compartimentais, as atitudes, as
motivações dos outros Homens.

Objecto de Estudo da Psicologia

O objecto ou assunto de estudo de uma determinada ciência é a realidade ou o aspecto


da realidade que ela se propõe a estudar, descrever ou explicar.
Para compreender o objecto de estudo da Psicologia é preciso compreender a
diversidade de objectos definidos por várias correntes psicológicas;

A diversidade dos objectos de estudo da psicologia


 Behaviorismo ou comportamentalismo: segundo estes teóricos o objecto de estudo
da Psicologia é o comportamento;
 Psicanálise: para esta escola o objecto de estudo da psicologia é o inconsciente.
 Outros psicólogos: o objecto de estudo da psicologia é a consciência ou ainda a
personalidade humana.

Razões da dificuldade de definição do objecto


 Por ser uma área de conhecimento cientifico que se constituiu recentemente (final do
séc. XIX) não obstante a sua existência dentro do da filosofia como preocupação
humana;
 Outro motivo que dificulta a definição do objecto de estudo da Psicologia é o facto do
cientista – o pesquisador confundir-se com o objecto a ser pesquisado – a concepção
do Homem `contamina` inevitavelmente a sua pesquisa;
 Em terceiro, dificuldades justificam-se pelo facto dos fenómenos psicológicos serem
tão diversos, que não podem ser acessíveis ao mesmo nível de observação, não podem
ser sujeitos aos memos padrões de descrição, medida, controle e interpretação.
Módulo de Psicologia Geral 12

A Subjectividade como objecto de estudo da Psicologia


Considerando toda esta dificuldade na definição única do objecto da psicologia,
podemos considerar como objecto a subjectividade.
A identidade da Psicologia é o que diferencia dos demais ramos das ciências humanas,
e pode ser obtida considerando que cada um desses ramos enfoca o Homem de maneira
particular (economia, política, história) trabalham essa matéria-prima de maneira particular,
construindo conhecimentos distintos e específicos a respeito dela. A psicologia colabora com
o estudo da subjectividade: é essa a sua forma particular, específica de contribuição para a
compreensão da totalidade da vida humana.
A subjectividade é a síntese singular e individual que cada um de nós vai construindo
conforme vamos nos desenvolvendo e vivenciando as experiências da vida social e cultural. É
a síntese que nos identifica por ser única e nos iguala à medida em que os conhecimentos que
a constituem são experienciados no campo comum da objectividade social. É o mundo de
ideias, significados, emoções, construído inteiramente pelo sujeito a partir das suas relações
sociais, suas vivências e sua constituição biológica. É a fonte das manifestações afectivas. A
subjectividade é a maneira de sentir, pensar, fantasiar, sonhar, amar, e de fazer de cada um. É
o nosso modo de ser.
Entretanto a subjectividade não é inata. Ela se constrói, apropriando-se do material do
mundo social e cultural.
A subjectividade em Psicologia é vista em dois níveis: subjectividade social e
individual. A subjectividade individual representa o espaço pessoal dos sentidos que se
atribui ao mundo real (valor, cultura, experiência, ideias) e a subjectividade social é
comparável com o sentido que a sociedade atribui ao mundo real.

Estrutura e Tarefas da Psicologia

Psicologia industrial: estuda a estruturação do trabalho, a conduta dos trabalhadores,


a selecção dos trabalhadores, o incremento da produção e da produtividade, a avaliação dos
funcionários e as greves dos trabalhadores.
Psicologia pedagógica (escolar) ou de aprendizagem: estuda as leis psicológicas de
ensino e de educação do Homem. Estuda a formação do raciocínio dos alunos, os problemas
do governo do processo de assimilação dos meios e dos hábitos da actividade intelectual,
revela os factos psicológicos que influenciam o processo de aprendizagem, as relações dentro
da colectividade de alunos, as diferenças psicológico individuais dos alunos, as
particularidades psicológicas da educação e do ensino das crianças com desenvolvimento
psiquismo anormal.
Em suma: estuda a problemática psicológica no quadro escolar. Tenta compreender os
problemas de adaptação, de relações e de aprendizagem.
Psicologia clínica: dedica-se a prevenção e terapia dos desajustamentos de conduta
qualquer que seja o seu grau de gravidade.
Psicologia social: estuda a conduta humana na perspectiva de grupos de
colectividades. Investiga o processo de interacção entre membros do grupo e as influências
grupais sobre a dinâmica dos individuais.
Psicologia jurídica: analisa as questões psicológicas relacionadas com a realização do
sistema do direito
Módulo de Psicologia Geral 13

Psicologia militar: estuda a conduta do Homem no campo de combate, os aspectos


psicológicos das relações entre os chefes e os subalternos, os problemas psicológicos de uso
de materiais de guerra.
Psicologia experimental: estuda os princípios psicológicos básicos; (sensação,
percepção, atenção, motivação, memória, pensamento, pensamento e emoções) em situação
laboratorial visando a solução de problemas práticos de dia-a-dia da humanidade.
Psicologia do desporto: analisa as particularidades psicológicas do indivíduo e da
actividade dos desportistas, as condições e os métodos da sua preparação psicológica, os
parâmetros psicológicos de preparação e da capacidade do desportista e os factores
psicológicos relacionados com a organização de competições.

Métodos da Psicologia

O estudo da Psicologia como ciência pressupõe o uso de métodos, que possa facilitar a
análise do seu objecto de estudo, os fenómenos psíquicos (memória, percepção, a sensação, o
pensamento, assim como a imaginação) que numa só linguagem são reduzidos em
comportamentos.
Método: na perspectiva psicológica é o caminho ou via utilizado para esclarecer as
manifestações ou causas de um comportamento, de manifestações psíquicas.
Em psicologia, o conjunto dos métodos específicos engloba todos aqueles que
frequentemente são usados pelos psicólogos como:
a) Introspecção ou método introspectivo
Descrição cuidadosa dos fenómenos psíquicos que os estados da consciência
acusavam, mas feita pelo próprio indivíduo. Consiste na orientação da consciência reflexiva
para aquilo que se passa em nós, ou seja, concentração do espírito sobre si mesmo para
analisar os fenómenos que o indivíduo experimenta.
É a observação e a descrição que o indivíduo faz dos seus estados psíquicos. Supõe
um desdobramento do sujeito que é ao mesmo tempo observador e observado. O sujeito é o
próprio objecto.
A introspecção pode ser pessoal ou laboratorial. A introspecção pessoal consiste na
auto-análise, isto é na observação interior e análise. Na introspecção laboratorial o
experimentador (sujeito) estabelece as condições de experiência, anota e interpreta os
resultados.

b) Extrospecção ou método extrospectivo (de Expressão)


Consiste na observação, descrição e explicação dos comportamentos dos outros.
Portanto, as manifestações exteriores do sujeito, são devidamente anotadas por um
observador.

c) A observação (Método de observação)


A observação como método em psicologia consiste na percepção directa ou indirecta,
atenciosa, racional, planificada e sistemática, das manifestações do comportamento nas suas
condições naturais, com o objectivo de dar uma explicação científica da sua natureza.

d) A experimentação (Método experimental)


Consiste na relação entre o objecto de investigação e a situação experimental com o
objectivo de descobrir a natureza dessa relação e as variáveis das quais ela depende.
Módulo de Psicologia Geral 14

Pressupõe a possibilidade de intromissão activa do pesquisador na actividade da pessoa


submetida a experiência.
Ë a actividade na qual o investigador provoca o fenómeno a estudar e controla os
possíveis factores e condições que podem incidir na sua produção e desenvolvimento com o
objectivo de conhecer a natureza interna do processo psíquico e desta forma descobrir as leis
objectivas que o explicam.
A experimentação como método em psicologia usa-se geralmente em estudo de casos
ao nível animal porque é difícil manipular o comportamento humano, por razões morais,
éticas até mesmo razões ligadas à saúde.

e) Método estatístico
Usa-se para fazer o estudo ao nível dos grupos maiores, isto é, para a compreensão de
fenómenos de massa.

f) Método de entrevista
É uma conversação entre investigador e o sujeito investigado através da qual o
investigador obtém informações sobre o psiquismo. Geralmente se utiliza para enriquecer e
aprofundar a informação obtida a partir da observação e experimentação. Ela permite a
obtenção directa dos dados. O investigador faz a pergunta e o entrevistado apenas responde a
pergunta.

g) Questionário
Consiste num conjunto de perguntas cujo conteúdo e extensão dependem dos
objectivos da investigação e se aplica como substituto da entrevista quando se trabalha com
amostras grandes.

h) Método comparativo
Serve para fazer extrapolação de uma conclusão feita sobre o estudo de um animal
para relacionar ao Homem, permite a formação de um perfil comportamental.

i) Método analítico ou psicanalítico


É um método interpretativo que busca o significado oculto, isto é, que torna claro o
significado daquilo que é manifestado por meio das palavras e acções.

j) Testes psicológicos
Consistem num sistema de tarefas, perguntas, seleccionadas, que tem como objectivo
a avaliação e comparação de sujeitos quanto a qualidade da personalidade, habilidades, nível
de desenvolvimento intelectual, efectuando-se esta comparação sobre a base de normas
estabelecidas previamente.
Existem testes psicológicos para medir tanto aspectos cognitivos como aspectos
afectivos da personalidade.
Os testes psicológicos não consistem em obter dados novos que serão necessários para
o aprofundamento dos conhecimentos científicos, mas sim em estabelecer as qualidades
psicológicas da pessoa submetida à experiência para se analisar se corresponde ou não as
normas ou padrões revelados anteriormente
Módulo de Psicologia Geral 15

Este grupo de testes é utilizado para revelar a existência ou a ausência de certas


capacidades, aptidões, caracterizar com o máximo de precisão certas qualidades do indivíduo
para exercer certa profissão, etc. Podem ser: testes de inteligência, de capacidades, de
aptidões, de personalidade.

k) Métodos de estudo individual ou histórico do caso


Neste método são empregue muitos métodos e técnicas combinadas. Para se estudar o
comportamento de um indivíduo importa conhecer o maior número possível de factos sobre o
mesmo, a fim de que possam ser compreendidas as principais forças e influências que
orientam seu desenvolvimento.
O estudo do caso é frequentemente empregue pelo orientador educativo, visando
ajudar os alunos na solução de seus problemas.
Podemos citar também alguns métodos particularmente usados na Psicologia de
desenvolvimento, que é um ramo da Psicologia; através do qual se estuda o desenvolvimento
humano

l) Métodos longitudinais
É um processo de observação que se faz no sentido de duração. Os estudos
longitudinais têm fornecido informações excelentes e decisivas para a explicação e
compreensão do desenvolvimento humano, quer relativamente ao crescimento físico e
desenvolvimento dos processos cognitivos, quer sobre a evolução da personalidade e a
aquisição da linguagem. Este método procura seguir os sujeitos, em intervalos de tempo
convenientemente escolhidos, para determinar a curva ou lei de crescimento e
desenvolvimento.
O Método longitudinal estuda, no tempo, em períodos mais ou menos espaçados, o
comportamento dos sujeitos ou amostragens de sujeitos.

m) Métodos de corte ou de selecção transversal


Trata-se de um tipo de observação que pode estudar um grande número de sujeitos
num espaço de tempo relativamente curto. Por exemplo, no mesmo espaço de tempo, o
investigador pode observar diferentes ou vários aspectos da estrutura do sujeito em diferentes
faixas etárias através de amostragens significativas. Pode observar crianças dos 0 aos 2 anos,
de 1 aos 3 anos, dos 2 aos 4 anos sob um determinado número de aspectos da sua
personalidade e estabelecer curvas de desenvolvimento através de processos estatísticos de
cada um desses aspectos e do seu conjunto como integrantes ou componentes de uma mesma
estrutura, a estrutura da personalidade.

n) Métodos mistos (perspectiva eclética)


Esta perspectiva de uso de métodos é baseada particularmente no recurso a diversos e
variados métodos de estudo. São aplicados simultaneamente um tipo de método em
conjugação com outros métodos. Os métodos são usados em forma de complementaridade
entre um e outros, permitindo o alcance de vários resultados.

Relação da Psicologia com outras Ciências

A Filosofia, a Antropologia, a História, a Sociologia e a Biologia, estão entre as


ciências que contribuem para a compreensão do comportamento humano, em particular.
Vejamos a possível relação que se estabelece:
Módulo de Psicologia Geral 16

Filosofia: a correlação que existe entre o corpo e a alma na Filosofia vai permitir de
modo que a psicologia especule e forneça hipóteses empiricamente testados. Neste sentido,
pode-se afirmar que a Filosofia forneceu à psicologia os primeiros quadros conceptuais.
Antropologia: interessa-se pelas formas culturais dos povos. Esses dados são
importantes porque dão ao psicólogo a consciência da relatividade cultural dos valores, dos
motivos, das aspirações dos indivíduos, o que obriga a ter presente a influência da cultura no
comportamento do indivíduo.
História: permite-nos conhecer o desenvolvimento do Homem através dos tempos e
compreender a partir dessa evolução as características actuais das vàrias realidades sociais
que influenciam no comportamento do indivíduo.
Sociologia: estuda a sociedade, as instituições sociais, a estrutura dos grupos e o seu
funcionamento. Estuda, também, o comportamento humano na perspectiva dos grupos.
Biologia: estuda o funcionamento e a estrutura do Sistema Nervoso, as glândulas
secretoras e o seu funcionamento. O sistema nervoso capta estímulos, os organiza e emite
respostas ou actos de conduta e, a secreção de hormonas permite que Sistema Nervoso fique
estimulado numa determinada direcção.
Um dos principais ramos da Biologia que se relaciona com a Psicologia é a Genética.
A Genética estuda os processos hereditários subjacentes ao comportamento.
Esquematicamente:
FILOSOFIA
Estudo do Homem

BIOLOGIA
HISTÓRIA Estudo do S.N. e glândulas
Importância do factor
PSICOLOGIA
secretoras; Processos
tempo e espaço social Estudo do
hereditários no
comportamento comportamento

ANTROPOLOGIA SOCIOLOGIA
Influência da cultura no Influências sociais no
comportamento comportamento
Módulo de Psicologia Geral 17

Evolução da Ciência Psicológica

1. Os Grandes Períodos de Evolução da Psicologia


Pode-se considerar três grandes períodos/fases da evolução da psicologia.
Fase filosófica
É a fase relacionada com a Ética e a Filosofia. Compreendia o estudo da natureza dos
reflexos da mente e da alma. Era um saber especulativo, de carácter racional. Os filósofos
explicavam os fenómenos da natureza (formação de cosmos e origem do próprio Homem) de
forma mitológica. O saber psicológico estava envolto à vasta área do conhecimento filosófico,
portanto, classificado como especulativo, por não poder provar suas conclusões.
Fase pré-científica (psicologia empírica)
Dedicava-se ao estudo dos factos psíquicos que eram interpretados com base na
experiência do dia-a-dia, isto é, do quotidiano vivido. É nesta fase que se abre o caminho para
a cientificidade da psicologia. A interpretação e consequente conhecimento dos fenómenos
psíquicos era fundamentada, em parte pelo saber filosófico, influenciado pela experiência
quotidiana (social e reflexão sistemática) dos cientistas.
Fase científica
Estuda os fenómenos e processos psíquicos, descreve-os, explica e estabelece as
relações causa-efeito. Nesta fase a psicologia torna-se ciência autónoma: define o seu objecto
de estudo, métodos e técnicas próprias, leis e princípios que regem o estudo da psicologia,
utiliza uma linguagem rigorosa e determina os seus objectivos e finalidades.
Contribuiu de forma marcante para a cientificação da Psicologia a institucionalização,
pelo psicofisiologista alemão Wilhelm Wundt, em 1879, de um laboratório de Psicologia, na
cidade alemã de Leipzig. O laboratório permitiu o desenvolvimento de métodos de estudo
próprios, a reverificação do objecto de estudo, e consequente afirmação de seu conceito como
ciência que estuda os fenómenos psíquicos, ou simplesmente, estudo do comportamento.

2. O Pensamento Psicológico Antes e Depois do Século XVIII

Os primórdios da Psicologia Científica

Por de trás de qualquer produção humana material ou espiritual (cadeira, religião),


existe sempre uma história
Cada um tem uma história pessoal, longa ou curta. A psicologia tem cerca de dois mil
anos de história.
Para compreender a psicologia é necessário compreender sua história, história essa
que está ligada a cada momento histórico, às exigências do conhecimento da humanidade, as
demais áreas de conhecimento humano e aos novos desafios colocados pela realidade
económica e social e pela insaciável necessidade do Homem de compreender a si mesmo.

A Psicologia entre os Gregos


É entre os filósofos gregos que surge a primeira tentativa de sistematizar uma
psicologia. De facto, os avanços permitem que os cidadãos se ocupem de coisas do espírito,
como a filosofia e a arte – homens como, Sócrates, Platão, Hipócrates e Aristóteles dedicam-
se a compreender esse espírito empreendedor do conquistador grego, ou seja, a Filosofia
Módulo de Psicologia Geral 18

começou a especular o Homem e a sua interioridade. O próprio termo Psiché=alma e


logos=logos (razão), portanto etimologicamente Psicologia significa estudo da alma.
Filósofos pré-socràticos – preocupam-se em definir a relação do Homem com o
mundo através da PERCEPÇAO = o mundo existe porque o Homem o vê ou o Homem vê o
mundo que já existe – oposição entre idealistas (a ideia forma o mundo) e materialistas (a
matéria que forma o mundo já dada para a percepção).

Sócrates (496-399 a.C.)


Com ele a Psicologia na antiguidade ganha consistência: segundo Sócrates o que
distingue o Homem do animal é a RAZÃO porque permite ao Homem de sobrepor-se aos
instintos, que seriam a base da irracionalidade – definindo a razão como essência e
peculiaridade do Homem, Sócrates abre um caminho que será explorado pela Psicologia: fruto
desta reflexão são por exemplo, as Teorias da consciência que de certa forma são resultado
desta sistematização na Filosofia.

Platão (427-347 a.C.)


Discípulo de Sócrates, procura o «lugar» para a razão no nosso corpo (cabeça), onde
se encontra a ALMA do Homem. A medula será o elemento de ligação da alma com o corpo –
este elemento era necessário porque Platão concebia a alma separa do corpo (dualismo).
Quando alguém morria a matéria (corpo) desaparecia, mas a alma ficava livre para ocupar
outro corpo (reincarnação).

Hipócrates e a Teoria dos Humores (496-361 a.C.)


Uma análise mais acurada das diferenças individuais, estreitamente ligadas a uma
reflexão mais sistemática na relação mente-corpo, foi feita com Hipócrates de Cosmes. Sendo
médico, sua ciência era finalizada à medicina, mas, enquanto filósofo, funda uma verdadeira e
própria ciência do Homem onde confluía observações sociológicas, psicológicas e
fisiológicas. O contínuo esforço de síntese e de sistematização de tais observações não
tiveram precedentes na história do pensamento humano e permanecerão em seguida
apreciados por um período de 20 séculos. Todavia, a medicina hipocrática passou na história
como aquela que se baseava na teoria dos quatro humores.
Hipócrates defende que existem 4 humores no corpo humano: o sangue, a fleuma, a
bílis amarela e a bílis preta. Segundo a prevalência de cada um destes elementos sobre o
outro a pessoa desenvolverá um certo temperamento que poderá ser respectivamente:
sanguíneo, fleumático, colérico e melancólico e também vários tipos de predisposições à
doença. O Homem é «são» quando estes humores estão «reciprocamente bem temperados por
propriedade e quantidade» e a mistura é completa. Contrariamente a isto o Homem é doente
quando existe excesso ou defeito destes elementos.
Mais importantes ainda são os seus estudos neurológicos. Numa das suas obras afirma
que o cérebro é o órgão mais potente do corpo e que os órgãos de sentido actuam em base à
sua capacidade de discernimento. Ainda nesta obra Hipócrates descreve os delírios e
alucinações e afirma a dependência de anomalias das faculdades intelectuais dos traumas
cranianos.
Com estas afirmações, Hipócrates põe em relevo uma concepção que se está
afirmando no pensamento grego, isto é, que o Homem é parte da natureza e pode ser estudado
com os métodos da ciência natural. Esta concepção encontrou a sua expressão mais forte em
Aristóteles.
Módulo de Psicologia Geral 19

Aristóteles (384-322 a.C.)


Discípulo de Platão, foi um dos mais importantes pensadores da história da filosofia –
superou o dualismo da dissociação entre a alma e o corpo (inovação). Para ele a psyché era o
princípio activo da vida, isto é, tudo aquilo que cresce, se reproduz e alimenta possui a sua
psyché ou alma (vegetação, animais, Homem, possuem alma:
 alma vegetativa – vegetais: função reprodutiva e alimentar
 alma sensitiva – animais: função de percepção e movimento
 vegetativa, sensitiva + racional – função pensante
Aristóteles estuda as diferenças entre a RAZÃO, PERCEPÇÃO E SENSAÇÕES,
estudo sistematizado no “Da Anima” o qual pode ser considerado o primeiro tratado de
Psicologia.
Portanto, 2300 anos antes do advento da Psicologia Científica, os gregos já haviam
formulado duas “Teorias”: Platónica – que postulava a imortalidade da alma e a concebia
separada do corpo, e a Aristotélica – que afirmava a mortalidade da alma e a sua relação de
pertencimento ao corpo.

A Psicologia no Império Romano


O império romano nasce às véspera da era cristã, domina parte da Grécia, Europa e do
Oriente Médio
Característica deste período é o advento do cristianismo. Força religiosa que passa à
força política dominante que não obstante as invasões barbarias de 400 d.C., que levam à
degradação territorial e económica, o cristianismo sobrevive e até se fortalece, tornando-se a
religião principal da Idade Média, período que então se iniciara:
Falar da psicologia neste período é relacionada ao conhecimento religioso, o qual
dominando o poder económico e político monopolizava também o saber e, consequentemente
o estudo do psiquismo.

Santo Agostinho (354-430 d.C.)


Inspirado em Platão faz cisão entre corpo e alma, a diferença para ele é que a alma,
não é somente a sede da razão mas também a prova de uma manifestação divina no Homem.
A alma era imortal por ser o elemento que liga o Homem à Deus e sendo a alma também a
sede do pensamento a Igreja passa a se preocupar também com a sua compreensão. Santo
Agostinho postula a famosa epístola: ”conhece-te, aceita-te, supera-te”.

São Tomás de Aquino (1225-1274)


Vive numa período que preanuncia a ruptura da Igreja católica, o advento do
protestantismo – época que prepara a transição para o capitalismo, com a revolução francesa e
a revolução industrial na Inglaterra. Perante esta crise social e económica a Igreja devia
encontrar novas justificações em relação ao conhecimento como a relação com Deus e o
Homem. São Tomas de Aquino foi buscar em Aristóteles a distinção entre essência e
existência – como Aristóteles, ele considera que o Homem, na sua essência, busca a perfeição
através da sua existência mas introduzindo o ponto de vista religioso, ao contrario de
Aristóteles, afirma que somente Deus seria capaz de reunir a essência e a existência, em
termos de igualdade. Portanto, a busca da perfeição do Homem seria a busca de Deus.
Módulo de Psicologia Geral 20

S. Tomás encontra argumentos racionais para justificar os dogmas da Igreja e continua


garantindo para ela o monopólio do estudo do psiquismo.

A Psicologia no Renascimento
+ 1200 depois da morte de S. Tomás de Aquino, inicia uma época de transformações
radicais no mundo europeu: RENASCIMENTO ou RENASCENÇA – o mercantilismo, e a
descoberta de novas terras (América, Índia, Rota pacífica) propicia a acumulação das riquezas
para a Franca, Itália, Inglaterra, Franca, Espanha. Na transição para o capitalismo emerge
nova forma de organização social e económica, dá-se também um processo de valorização do
Homem.
Foi no período do Renascimento, aproximadamente entre os séculos XV e XVI (anos
1400 e 1500) que, segundo alguns historiadores, os seres humanos retomaram o prazer de
pensar e produzir o conhecimento através das ideias. Neste período as artes, de uma forma
geral, tomaram um impulso significativo. Neste período Michelangelo Buonarrote esculpiu a
estátua de David e pintou o tecto da Capela Sistina, na Itália; Thomas Morus escreveu A
Utopia (utopia é um termo que deriva do grego onde u =não + topos = lugar e quer dizer em
nenhum lugar); Tomaso Campanella escreveu A Cidade do Sol; Francis Bacon escreveu A
Nova Atlântica; Voltaire escreve Micrômegas, Nicholas Maquiavel escreve O Príncipe,
caracterizando um pensamento não descritivo da realidade, mas criador de uma realidade
ideal, do dever ser.

Já no fim do período do Renascimento, René Descartes (1596-1659), um dos


filósofos que mais contribuiu para o avanço da ciência postula a separação entre a mente
(alma, espírito) e corpo, afirmando que o Homem possui uma substância material e uma
substância pensante e que o corpo, desprovido do espírito era somente uma máquina –
dualismo corpo e mente que torna possível o estudo do corpo humano morto, o que era
impensável nos séculos anteriores (o corpo era considerado sagrado pela Igreja, por ser a sede
da alma) e dessa forma possibilita o avanço da anatomia e da fisiologia que inicia a contribuir
muito para o progresso da Psicologia.
No século XIX, o papel da ciência torna-se necessário devido ao crescimento na
ordem económica – CAPITALISMO que traz a industrialização. A ciência deve dar novas
respostas e soluções práticas no campo da técnica. Alguns dos períodos marcantes são o
advento do FEUDALISMO, que se caracterizava basicamente por produção em massa para
subsistência; pela relação senhor feudal–servo; sociedade estável; hierarquia–base de verdade;
centralização do poder. Segue-se o período do CAPITALISMO, que põe o mundo em
movimento com a necessidade de abastecer os mercados e produzir mais: criou novas
necessidades; questiona as hierarquias para derrubar a nobreza e o clero dos seus lugares há
séculos estabelecidos; superou-se o antropocentrismo (o Homem – centro do universo),
passando a ser visto um ser livre, capaz de construir o futuro; o servo, liberto do seu vínculo
com a terra pode escolher seu trabalho e seu lugar social; o capitalismo torna todos os
Homens consumidores, em potências das mercadorias produzidas; acima de tudo, o
conhecimento tornou-se livre, independente da fé, os dogmas da Igreja foram questionados e a
racionalidade do Homem apareceu como a grande possibilidade de construção do
conhecimento. O Capitalismo traz como consequência a formação de uma nova classe, a
BURGUESIA. No século XVII e XVIII (anos 1600 e 1700) a burguesia assumiu uma
característica própria de pensamento, tendendo para um processo que tivesse imediata
utilização prática; disputa-se o poder e surge como nova classe social e económica, defende a
emancipação do Homem; com tal, era preciso quebrar a ideia do universo estável, para poder
transformá-lo, era preciso questionar a NATUREZA para viabilizar a sua exploração em
Módulo de Psicologia Geral 21

busca de matérias-primas – condições materiais para o desenvolvimento da ciência moderna:


CONHECIMENTO COMO FRUTO DA RAZÃO. Em resultado disso, abre-se a
possibilidade de se desvendar a natureza e leis de observação rigorosa e objectiva – não mais
submetidos a leis ou dogmas religiosos ou pela actividade eclesial e portanto sentiu-se a
necessidade da ciência:
A possibilidade de realizar trabalhos de pesquisa mais aprofundados, que exigiam
algum tipo de suporte financeiro (só possível com a classe dos burgueses) fez com que
surgissem novos contornos nas diversas áreas do saber. São exemplos disso:
Na Sociologia Augusto Comte desenvolveu sua explicação de sociedade, criando o
Positivismo, vindo logo após outros pensadores;
Na Economia, Karl Marx procurou explicar a relações sociais através das questões
económicas, resultando no Materialismo-Dialético;
Charles Darwin revolucionou a Antropologia, ferindo os dogmas sacralizados pela
religião, com a Teoria da Hereditariedade das Espécies ou Teoria da Evolução (selecção
natural).
A ciência passou a assumir uma posição quase que religiosa diante das explicações
dos fenómenos sociais, biológicos, antropológicos, físicos e naturais.
Consequências para a Psicologia
Na metade do século XIX temas e problemas até então estudados pelos filósofos
passam a ser estudados pela fisiologia, neurofisiologia em particular – formulação de teorias
dobre o SNC, demonstrando que o pensamento, as percepções e os sentimentos humanos
eram produtos deste sistema.
O capitalismo trouxe uma “maquina” – criação fantástica que determinou a forma de
ver o mundo (o mundo visto como uma máquina), o mundo como um relógio, todo o universo
como se fosse uma máquina, isto é, que podemos conhecer o seu funcionamento, a sua
regularidade, as suas leis, uma forma de pensar que atingiu as ciências humanas, facto que,
para se conhecer o psiquismo humano passa a ser necessário compreender o mecanismo e o
funcionamento da máquina de pensar do Homem: o CÉREBRO!
Assim a psicologia começa a trilhar os caminhos da fisiologia, da neuroanatomia e
da neurofisiologia.
Resultado disso, em 1846, a Neurologia descobre que a doença mental é fruto da
acção directa ou indirecta de diversos factores sobre as células cerebrais; Neuroanatomia
descobre que a actividade motora nem sempre está ligada à consciência para não estar
necessariamente na dependência dos centros cerebrais superiores, p.ex. quando alguém
queima a mão na chapa quente, primeiro tira a mão para depois perceber o que aconteceu,
fenómeno denominado REFLEXO, e o estímulo que chega a medula espinal, antes de chegar
aos centros cerebrais superiores, recebe uma ordem para a resposta, que é tirar a mão;
caminho natural dos fisiologistas, estudo da fisiologia do olho e a percepção das cores –
fenómenos psicológicos. Foram importantes os estudos do psicofisiologista russo Ivan
PAVLOV sobre o reflexo condicionado.
Em 1860 é formulada uma lei no campo da psicofísica, a lei de Fechner–Weber que
estabelece a relação ESTÍMULO – SENSAÇÃO, permitindo a sua mensuração – aumento
da intensidade de uma luz e o seu efeito – com esta lei os fenómenos psicológicos vão
adquirindo status científicos, porque, para a concepção da ciência da época o que não era
mensuràvel, não era possível de estudo científico
Módulo de Psicologia Geral 22

Wilhelm Wundt (1832-1926), da Universidade de Leipzig, na Alemanha, cria um


laboratório para realizar experimentações na área da psicofísiologia – por este facto e da
extensa produção teórica na área é considerado o Pai da Psicologia Moderna, Psicologia
científica.
Em resultados de seus estudos Wundt desenvolve a concepção de:
 Paralelismo psicofísico: aos fenómenos mentais correspondem fenómenos
orgânicos, por exemplo, estimulação física: picada de agulha na pele teria uma
correspondência na mente deste indivíduo.
 Método: para explorar a mente ou a consciência do indivíduo, Wundt, cria um
método que denomina introspeccionismo – o experimentador pergunta ao sujeito,
especialmente treinado para a auto-observação, os caminhos percorridos no seu
interior por uma sensorial (a picada de agulha por exemplo).

A PSICOLOGIA CIENTÍFICA

O berço da Psicologia moderna foi a Alemanha de final do século 19. Wundt, Weber e
Fechner trabalharam juntos na Universidade de Leipzig – seguiram para aquele País muitos
estudiosos dessa nova ciência; como o inglês Edward B. Titchner e o americano William
James.
Seus status de ciência é obtido a medida que se “liberta” da filosofia, que marcou a
sua história até aqui e atrai novos estudiosos e pesquisadores, que sob novos padrões de
produção de conhecimento, passam a:
 Definir seu objecto de estudo (comportamento, a vida psíquica, a consciência)
 Delimitar seu campo de estudo, diferenciando-o de outras áreas de conhecimento
como a Filosofia, Fisiologia
 Formular métodos de estudo deste objecto
 Formular teorias enquanto um corpo consistente de conhecimento na área
A Psicologia científica nasce na Alemanha mas se desenvolve, cresce rapidamente nos
Estados Unidos como resultado de grande avanço económico colocado na vanguarda do
sistema capitalista. É ali que surgem as primeiras abordagens ou escolas em psicologia, as
quais deram origem inúmeras teorias que existem actualmente. Essas abordagens são O
Funcionalismo (por William James, 1842-1910); O Estruturalismo (por Edward Titchner,
1867-1927), O Associacionismo (por Edward Thorndike, 1874-1949).

As Primeiras Abordagens Teóricas da Psicologia


As primeiras abordagens ou escolas em psicologia, as quais deram origem às
enumeras teorias que existem actualmente são consideradas como tendo sido as seguintes:

O Funcionalismo (Escola funcionalista)


Primeira sistematização genuinamente americana de conhecimentos em Psicologia –
numa sociedade que exigia o pragmatismo para o seu desenvolvimento económico acaba por
exigir dos cientistas americanos o mesmo espírito. Portanto, para a escola funcionalista de
William James (1842-1910), importa responder “o que fazem os homens e “por que o fazem”.
Para responder a isto, James elege a consciência como o centro de suas preocupações e bisca
Módulo de Psicologia Geral 23

a compreensão do seu funcionamento, na medida em que o Homem usa para adaptar-se à


realidade.

O Estruturalismo (Escola estruturalista)


. Embora Inaugurada por Wundt, somente o seu seguidor Edward Titchner (1867-
1927) usa o termo estruturalismo pela primeira vez para diferencià-lo do funcionalismo. O
estruturalismo define como objecto de estudo da psicologia “os estados elementares da
consciência, mas vistos como estruturas do SNC. O método de observação de Titchner, assim
como o de Wundt, é o introspeccionismo, e os conhecimentos psicológicos produzidos são
eminentemente experimentais, isto é, produzidos a partir do laboratório.

O Associacionismo
Edward Thorndike (1874-1949), é considerado o primeiro fundador de uma teoria de
aprendizagem na Psicologia de aprendizagem, na preocupação da aplicação pràtica da
psicologia e não só especulação filosófica.
O Associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá por processo
de associação das ideias mais simples às mais complexas. Assim para aprender algo complexo
precisamos de aprender as ideias simples associadas aquele conteúdo. Thorndike formula a
“lei de efeito” que seria de grande importância na psicologia comportamentalista. De acordo
com essa lei “todo o comportamento de um organismo vivente tende a se repetir, se nós o
recompensarmos (efeito) o organismo assim que repetir/emitir o comportamento. Por outro
lado o comportamento tenderá a não acontecer, se o organismo for castigado (efeito) após a
sua ocorrência. (ex. se apertarmos o botão da rádio formos premiados pela música, em outras
oportunidades apertaremos o mesmo botão, bem como generalizaremos essa aprendizagem
para outros aparelhos, como leitores de discos, gravadores, etc.

As Principais Teorias da Psicologia do Século XX


A psicologia enquanto ramo da Filosofia estuda a alma, a psicologia científica que
Wundt preconiza, a “psicologia sem alma”, o conhecimento científico produzido no
laboratório com uso de instrumentos de medição/mensuração. Da subordinação à Filosofia a
Psicologia se liga à medicina, usando o método de investigação das ciências naturais como
critério rigoroso da construção dos conhecimentos.
A psicologia científica, que se constituiu de 3 escolas (Associacionismo,
Estruturalismo e Funcionalismo) foi substituída neste século XX, por novas Teorias.
As três mais importantes tendências teóricas da psicologia neste séc. consideradas por
inúmeros autores são: Behaviorismo, Gestaltismo e a Psicanálise.

O Behaviorismo ou Comportamentalismo

O Comportamentalismo, ou Teoria S-R (do latim Stimulus – Responsio), nasce com o


americano John Watson (1878-1958), e se desenvolve na América em função das aplicações
práticas, tornou-se importante por ter definido o facto psicológico de modo concreto a partir
da noção de comportamento (behavior).
Em 1913, o americano John Watson num artigo de revista intitulado “A Psicologia tal
como o behaviorista a vê”, inaugura o termo behaviorismo.
Neste contexto, Watson lança bases para a postulação do behavior, comportamento
como objecto da Psicologia, dá à psicologia a consistência procurada por séculos: objecto
Módulo de Psicologia Geral 24

observável, mensurável cujos experimentos poderiam ser reproduzidos em diferentes


condições e sujeitos.
O carácter observável do objecto contribui para o alcance de status da ciência da
psicologia, ou seja para a ruptura “definitiva” com a filosofia. Watson defende uma
perspectiva funcionalista para a psicologia, isto é, o comportamento deveria ser estudado
como função de certas variáveis do meio.
Watson busca uma psicologia sem alma e sem mente, livre de conceitos mentalistas e
métodos subjectivos e que tenha a capacidade de prever e controlar.
R – S + para referir-se ao que o organismo faz e as variáveis ambientais que interagem
com o sujeito
Comportamento – unidade básica de descrição = ponto de partida para o
desenvolvimento da ciência do comportamento
O comportamentalismo nega o estudo da consciência: o comportamentalismo
representa uma reviravolta radical no que se refere ao objecto de estudo da psicologia, do
momento em que se limita ao estudo do comportamento observável e nega o estudo da
consciência. Watson afirmou que a psicologia deve considerar-se a ciência do
comportamento, pois a “consciência” e a alma são objectos de pesquisa
inconsistentes para uma ciência empírica. Segundo Watson, a tarefa
da psicologia consistia no estudar as relações cientificamente
determinadas entre as situações estimulantes (S) e a reacção
provocada (R):
 Paradigma comportamentalista: Estímulo (S) Resposta (R)
Estudadas as conexões, os seus mecanismos, e identificadas as leis , pode-se explicar
cada uma das reacções como resultado de um determinado estímulo e poder prever qual
reacção pode seguir uma determinada situação estimulante.
Os comportamentalistas admitem entre o estímulo e a resposta esteja presente a
actividade do cérebro e do SNC, mas afirma que tal actividade está fora do alcance e que a
psicologia não deve interessar-se daquilo que acontece dentro do organismo (processos
neurofisiológicos, processos incónscios, etc.). Concepção esta dita “black box” sustenta que a
psicologia deve interessar-se daquilo que entra (input) na “caixa preta” e daquilo que sai
(output) sem ter que se ocupar necessariamente da complexa actividade desenvolvida pelo
cérebro no seu interior. Deste modo os comportamentalistas reduzem o âmbito da psicologia
somente ao estudo do comportamento observável mediante o uso dos métodos objectivos de
verificação, estudando a regularidade do comportamento independente dos correlatados
neurofisiológicos.
“black box”

Estimulo(R) Resposta(R)

Processos neurofisiológicos
Processos inconscientes
O quadro negro representa a “black box” ou seja, simboliza tudo aquilo que não é do
interesse para o estudo do psicólogo comportamentalista.
Módulo de Psicologia Geral 25

Análise experimental do comportamento

Frederik Skinner (1904-1990), americano, é considerado o mais importante sucessor


de Watson. A sua teoria tem até hoje uma influência. Inaugura o behaviorismo radical,
termo cunhado pelo próprio Skinner em 1945, para designar uma filosofia da ciência do
comportamento (que ele se propôs defender) por meio da anàlise experimental do
comportamento. Algumas noções importantes no behaviorismo de Skinner são:
COMPORTAMENTO OPERANTE: base da corrente formulada por Skinner,
entendendo este conceito é necessário retroceder aos conceitos de comportamento reflexo ou
respondente.
1) comportamento respondente: usualmente chamada de “não voluntàrio”e inclui as
respostas que são “produzidas” por estímulos antecedentes do ambiente: interacção
estímulo–resposta (ambiente–sujeito) incondicionadas (não dependem da
aprendizagem (limão -salivação; ou as famosas “lágrimas de cebola”, etc.
Reflexos condicionados – estímulos acompanhados/pareados com outros que produzem
resposta.
2) comportamento operante (tem efeito sobre o mundo: ex: tocar um instrumento
musical)
Nos anos de 1930, na Universidade de Haward (EUA), Skinner desenvolvendo o seu
trabalho de estudo do comportamento respondente, teoriza sobre um outro tipo de relação
indivíduo-ambiente, a qual viria a ser nova unidade de análise da ciência: comportamento
operante, o qual teria a maioria das nossas interacções com o ambiente – comportamento
operante opera sobre o mundo, por assim dizer, quer directa quer indirectamente e abrange
um leque amplo de actividade humana, da actividade do recém-nascido (balbuciar, acatar-se a
um objecto, etc.) aos mais sofisticados apresentados pelo adulto.
O comportamento operante inclui todos os movimentos de um organismo dos quais se
possa dizer que, em algum momento, têm efeito sobre ou fazem algo ao mundo em redor. O
comportamento operante opera sobre o mundo, por assim dizer, quer directa, quer
indirectamente”.

A Psicologia da Forma: A Escola da Gestalt

A Gestalt surge em reacção ao associacionismo. Gestalt é um termo alemão que se


pode traduzir como «forma»; «figura»; «configuração»; entendendo também um aspecto de
organização da que se entende melhor quando se fala da percepção visual. As principais
figuras da Gestal são os alemães: Max Wertmeir, Wolfgang Kohler (1887-1967) e Kurt
Kofka.
A Gestalt nega decompor a consciência nos seus elementos mais elementares, nega a
concepção e métodos que descendem deste estudo e que tendem a uma teoria elementista
Os psicólogos da gestalt estudam em particular os processos cognitivos em particular
a percepção visual e o pensamento
Conceito fundamental da psicologia da forma é o aforisma: «o todo é mais da
soma das partes» atravessa todos os escritos da Gestalt
Módulo de Psicologia Geral 26

A B

As leis da percepção visual: são leis sobre a constituição das totalidades perceptivas
que eram chamadas Gestalten ou factores estruturantes. Essas leis afirmam que as partes de
um campo perceptivo tendem a construir outras gestalts (formas unitárias) que são de tal
forma coerentes e unidas, quanto mais os elementos são
1. vizinhos (lei da aproximação)
2. semelhantes (lei da semelhança)
3. tendem a forma formas fechadas (lei do fechamento)
4. dispostos ao longo duma mesma linha (lei da continuação)

A Psicanálise/Freud

Sigmund FREUD (1856-1939), médico vienense (Áustria), alterou, radicalmente, o


modo de pensar a vida psíquica. Freud ousou colocar os “processos misteriosos” do
psiquismo”, suas “regiões obscuras”, isto é as fantasias, os sonhos, os esquecimentos, a
interioridade do homem, como problemas científicos. A investigação sistemática destes
problemas levou Freud à criação da Psicanálise.
Freud emprega o termine Psicanálise pela primeira vez em 1896. A Psicanálise
constituiu-se como método e como teoria, e ainda como terapia. Como método consiste na
interpretação e busca do significado do oculto daquilo que é manifesto por meio de palavras
ou acções e como teoria pode ser definida como um conjunto de conhecimentos,
sistematizados sobre o funcionamento da vida psíquica.
Freud, como hebreu, herdou uma rica tradição do pensamento hebraico, e por outro
lado, de formação clássica (filosofia antiga) e perito linguista, ele veio a contacto com a
literatura antiga e moderna. Sobre esta base assentaram-se os seus estudos de medicina e
ciências naturais, no campo da fisiologia, neuropsicológica e farmacologia. Teve o mérito de
ter descoberto a sexualidade (base fundamental de seus estudos), embora este fosse um tema
debatido antes da publicação do sua obra intitulada ”os três ensaios sobre a teoria sexual”.
Freud elaborou numa primeira instância uma teoria sobre personalidade, denominada
1ª tópica, na qual estruturava a personalidade como sendo constituída pelas seguintes
instâncias: consciente, inconsciente e pré-consciente; Freud postula o inconsciente como
objecto de estudo da Psicologia, da mesma forma que quebra a tradição da psicologia como
uma ciência da consciência e da razão.
Pela necessidade de melhorar a 1ª tópica, elabora a 2ª tópica, em que considera a
personalidade constituída de três grandes sistemas/estruturas cada um com sistemas próprios
mas integrados: Id, Ego e Superego (ver no capítulo sobre teorias da personalidade)

A Psicanálise e os Mecanismos de Defesa da Personalidade

Os mecanismos de defesa: são formas que o indivíduo usa para deformação da


realidade, ou melhor, são processos realizados pelo ego e são inconscientes, isto é, ocorrem
independentemente da vontade do indivíduo. Os mais comuns são: Recalcamento; Formação
reactiva; Regressão; Projecção; Racionalização; Sublimação; Negação.
Recalcamento
Módulo de Psicologia Geral 27

A medida defensiva fundamental do ego é o recalque. Freud considerou o recalque


como a reacção normal do ego infantil. O recalque consiste na exclusão dos impulsos e suas
representações ideacionais do consciente. Ocorre sempre que um desejo, um pulso, ou ideia,
ao se tornar consciente, provoca um conflito insuportável, resultando em ansiedade. O
recalque de um desejo, em contraste com sua rejeição consciente, é uma inibição num nível
mais profundo da personalidade. O fato de ser inconsciente poupa a personalidade consciente
um conflito penoso.
A totalidade do acto transcorre fora do consciente. A rejeição é automática; se assim
não fosse, o conteúdo mental inaceitável não poderia permanecer inconsciente. É uma
inibição reflexiva que segue os princípios dos reflexos condicionados.
O estudo psicanalítico das neuroses e psicoses mostrou que as forças psicológicas
recalcadas não deixam de existir. O ego deve tomar medidas defensivas contra elas, medidas
que lhe esgotam os recursos dinâmicos e tornam-no menos capaz de exercer sua função
adaptadora de perceber a realidade externa. No recalque ocorre uma supressão de parte da
realidade, ou seja, o indivíduo “não vê” ou “não ouve”o que está acontecendo.
Repressão
A repressão é o esquecimento ou a negação inconsciente de detalhes significativos do
comportamento, detalhe que são incompatíveis com o auto-retrato que estamos tentando
manter. Na repressão há um bloqueio na consciência dos conflitos geradores de ansiedade ou
de distúrbios na motivação. Eles são submersos no inconsciente.
Negação
Provavelmente é o mecanismo de defesa mais simples e directo, pois alguém
simplesmente recusa a aceitar a existência de uma situação penosa demais para ser tolerada.
Ex: Um gerente ser despromovido de um cargo que era obrigado a estar presente mais cedo e
continuar chegando no mesmo horário.
Sublimação
É o mecanismo de defesa mais aprovado pela sociedade. Quando temos um impulso
que não podemos expressar directamente, reprimimos a sua forma original, e deixamo-lo
emergir sob uma feição que não perturbe a outrem ou a nós próprios. Geralmente usamos a
sublimação para expressar motivos indesejáveis sendo que, como a maioria dos outros
mecanismos de defesa, ela opera inconscientemente mantendo-nos desconhecedores das
motivos indesejáveis.
Quando um impulso primitivo é inaceitável para o ego, é modificado de forma a se
tornar socialmente aceitável, isso é sublimação.
Racionalização
A racionalização é utilizada nas mais diferentes situações, quer envolvendo frustração,
quer envolvendo culpa. Ocorre pelo uso da razão na explicação de estados “deformados” da
consciência.
O racional é usado para explicar o irracional, tomadas de posições sem sentido.
Quando as pessoas fazem coisas que não deviam, é comum sentirem culpa, e ao invés de
admitirem a razão real de seu comportamento, preferem com frequência racionalizar
inventando razões plausíveis para o seu ato. Ex: Um funcionário que tira dinheiro do caixa e
fala que estava precisando muito e que logo no próximo mês devolveria ao caixa o que tinha
tirado.
Projecção
Módulo de Psicologia Geral 28

Às vezes as pessoas se recriminam ou se sentem mal por terem certo pensamento ou


impulsos. Podem atribui-los então a alguém, projectando nessa pessoa os seus próprios
sentimentos. Isso fica muito claro com relação a impulsos poderosos, como o sexo e a
agressão. Ex: Um gerente que sempre chega atrasado no trabalho reclama ao superintendente
geral que seu funcionário nunca chega pontualmente.
Deslocamento
Este mecanismo está relacionado à sublimação e consiste em desviar o impulso de sua
expressão directa. Nesse caso, o impulso não muda de forma, mas é deslocado de seu alvo
original para outro. Ex: Ao ser despedido de uma empresa, um funcionário leal sente raiva e
hostilidade pela forma como foi tratado, mas usualmente tem dificuldade de expressar seus
sentimentos de forma directa.
Formação Reactiva
Às vezes, quando as pessoas sentem-se ameaçadas por um impulso opressor, podem
combatê-lo indo para o extremo oposto, e denunciando-o vigorosamente em outras pessoas.
Assim, funcionários que trabalham sem motivação e de forma relapsa, pode ridicularizar seu
companheiro de trabalho que cometeu algum deslize ou que também é relapso.
Módulo de Psicologia Geral 29

TEMA 2:
O DESENVOLVIMENTO PSIQUICO E DA CONSCIÊNCIA HUMANA

(Evolução psíquica dos indivíduos)


A evolução psíquica dos indivíduos depende da maturação e do desenvolvimento
genético; dos estímulos sociais e afectivos.

O Homem como Unidade bio-psico-social

Todo ser humano à nascença já constitui-se como indivíduo, com qualidades de


integridade próprias, particularidades que o distinguem dos outros. O mesmo não se pode
dizer em relação à Personalidade. O ser humano forma sua personalidade em resultado da sua
constituição biológica (características herdadas), das influências do meio social e cultural do
contexto em que se encontra (aquisições do meio), assim como das experiências de vida
(desenvolvimento), e sempre considerando seu desenvolvimento psicológico (estabilidade
emocional, de sentimentos). Por tal se diz ser uma unidade bio-psico-social.
Alguns termos importantes para compreender o desenvolvimento humano:
Desenvolvimento: é o conjunto de fases pelas quais o indivíduo passa ao longo do seu
ciclo de vida. É um processo multidimensional que engloba os aspectos físicos (crescimento);
fisiológicos (maturação), psicológicos (cognitivos e afectivos), sociais (socialização), e
culturais (aquisição de valores, normas).
Maturação: é a dimensão fisiológica do desenvolvimento. Refere-se ao grau de
prontidão funcional dos diversos sistemas do organismo, nomeadamente do sistema nervoso.
É que torna possível determinado padrão de comportamento. (por exemplo, a alfabetização
das crianças depende da maturação neurofisiológica para manejar o lápis, e segurá-lo com as
mãos é necessário um desenvolvimento neurológico o que a criança de 1 ou 2 anos não possui
ainda.
Maturidade: é o estádio de desenvolvimento do indivíduo indispensável para a
execução de determinada tarefa, actividade ou função.
Estado etário: fase de maturação e estruturação (anatómica, fisiológica, psíquica)
correspondente a idade ou nível de desenvolvimento do indivíduo.

A Vida Antes do Nascimento (o Desenvolvimento Pré-Natal)

O desenvolvimento pré-natal (gestação) é o período compreendido entre a fecundação


e o parto. Este pode ser dividido em três períodos:
O zigoto
O zigoto forma-se após a fecundação e flutua livremente no fluido do útero. Ao fim de
cerca de duas semanas, o zigoto (ovo) fixa-se na parede do útero recebendo oxigénio e
alimentação do corpo da me. Dois ou três dias da sua implantação no útero o novo ser passa a
chamar-se embrião.
Embrião
O segundo estádio do desenvolvimento pré-natal é o estádio embrionário. Este estádio
começa cerca de duas semanas depois da fecundação, na altura em que o zigoto (ovo) se fixa
à parede uterina.
Módulo de Psicologia Geral 30

O estádio embrionário dura cerca de oito semanas depois da concepção. As primeiras


fases de vida do embrião humano apresentam características semelhantes com os outros
mamíferos. A cabeça do embrião é grande em relação ao resto do corpo e membros não são
diferenciados. No final deste período o organismo é claramente identificável como humano
(tem face, olhos) e passa a se designar feto.
Feto
A partir da oitava semana até ao nascimento o novo ser passa a chamar-se feto. O feto
é capaz de ouvir, movimentar os dedos (dar pontapés, fazer punho, levar o polegar a boca,
escolher a posição de dormir, etc.) sentir sabor, etc. O desenvolvimento do feto culmina com
o nascimento.
Nascimento
O nascimento é conjunto de fenómenos físicos que tem como finalidade expulsar o
feto para o exterior. Quando a criança nasce pesa normalmente 2500 gramas e a placenta para
de introduzir alimentos. Crianças com um período de gestação reduzido e peso inferior a
25000 gramas são consideradas pré-maturas.
A primeira respiração imediatamente após o parto é difícil devido o oxigénio do
ambiente que a criança recebe, pois tem inicio a respiração pulmonar. Se o pequeno cérebro
não recebe oxigénio dentro de 8 (oito) minutos pode contrair lesões. Por regra, a primeira
respiração é acompanhada por grito. O grito converte-se em breve numa forma de
manifestação de dissabores ou transtornos (indisposição, desconforto, mal estar, alerta à mãe
para acções de cuidado, isto é, um estímulo chave da mãe.
Em cada dor do parto, a criança está exposta a uma pressão com cerca de 25kg. Por
isso, partos muito prolongados ou complicados colocaram a criança provavelmente numa
situação de indisposição intensiva. O acto do nascimento por si só é uma lesão psíquica, o que
serve de base para o medo original do homem, segundo a psicanálise.

Fundamentos Biológicos da Conduta

Hereditariedade e comportamento: mecanismos básicos


Em última instância, as diferenças entre as espécies dependem da hereditariedade, ou
herança física. A hereditariedade compartilhada por todas as pessoas permite uma série de
actividades humanas distintas. Por termos herdados polegares opostos e dedos móveis,
aprendemos facilmente a manipular ferramentas. A herança de imensos córtices cerebrais
permite-nos processar vasta quantidade de informação.
Além das estruturas influenciadoras e dos comportamentos comuns a todas as pessoas,
a hereditariedade modela o que é exclusivo a cada pessoa. Seus genes têm algo a dizer sobre
uma capacidade de aprendizagem e se somos ou não propensos à depressão.

Genética do comportamento
A genética do comportamento, um ramo da psicologia e também da genética, estuda
as bases herdadas da conduta e da cognição. Abrange diferenças individuais e de espécie
(evolutivas).
Módulo de Psicologia Geral 31

Os geneticistas do comportamento pressupõem que tudo o que as pessoas fazem


depende, em algum grau, das estruturas físicas subjacentes. Sua tarefa é definir exactamente
quanto de um determinado acto é modelado pela hereditariedade e quanto o é pelo ambiente.
Eles pesquisam também os mecanismos biológicos pelos quais os genes afectam o
comportamento e a cognição.

O Papel da Hereditariedade e do Meio na Conduta

Hereditariedade e do ambiente: uma parceria permanente


Estará tudo nos genes?
De acordo com Robert Plomin (1993), talvez o principal sobre a genética do
comportamento na última década, o que os cientistas verificaram a repetidas vezes foi que
hereditariedade e experiência influenciam conjuntamente muitos aspectos do comportamento.
Além disto seus efeitos são interactivos – elas jogam uma com a outra. Por exemplo, em
relação a esquizofrenia, embora a evidencia indique que factores genéticos influenciam o
desenvolvimento da esquizofrenia, do outro lado não parece que alguém herde directamente o
distúrbio mas um certo grau de vulnerabilidade a ela. Portanto, se a vulnerabilidade vai ou
não se transformar num distúrbio real, isso dependerá das experiências de cada pessoa na
vida.
O herdado e o meio: qual interacção?
O organismo e o ambiente fazem parte de um todo no qual são inter-relacionados e em
constante interacção. O meio mobiliza ou favorece disposições hereditárias, mas por sua vez a
acção do meio não é independente dessas disposições.
Por um lado, qualquer factor hereditário opera de modo diferente quando as condições
do meio ambiente variam. Por outro lado, as condições do meio ambiente exercem diferentes
influências sobre as características hereditárias.
As disposições hereditárias traçam o marco do desenvolvimento e oferecem-nos um
plano de construção do organismo. Os genes exercem um papel ou acção directiva nos
fenómenos do desenvolvimento embrionário e, especialmente, dos primeiros anos de vida,
isto é, não se transmitem qualidades já desenvolvidas, mas apenas disposições ou
possibilidades para configurar essas qualidades. Por exemplo, a estatura de um indivíduo
depende de toda a carga genética, mas além disso, variará, entre outros factores de acordo
com a alimentação recebida nos primeiros anos de vida e com as vicissitudes do
desenvolvimento glandular posterior.
 Herança e meio são factores que contribuem para a formação do novo ser e se
misturam de tal modo que é difícil distinguir o que corresponde a um e ao outro;
 Não podem ser considerados opostos ou antagónicos mas complementares;
 Era comum considerar a herança é rígida, fixa, imutável, irreversível algo como
código ou lista de instruções e procedimentos que não admite modificações e na
qual cada “instrução” age de modo independente das demais mas hoje tal posição
não se sustenta por que também os genes podem sofrer uma mutação, brusca ou
não.
Portanto, Dizer que um os “genes influenciam x ou y” não quer dizer que os “genes
determinam x ous e y”. Tão pouco quer dizer que o ambiente tenha pouca influência sobre a
qualidade em questão. Do início até ao fim da vida, os organismos estão sendo
Módulo de Psicologia Geral 32

constantemente moldados tanto pela hereditariedade como pelo ambiente. A natureza e a


extensão de uma influência sempre depende da contribuição da outra.

Hereditariedade e Meio: o Princípio fundamental da Psicologia

O princípio fundamental e o seu axioma principal é o de que o organismo é produto


da hereditariedade, em interacção com o meio social e com o tempo, (história pessoal e
colectiva) isto é, o comportamento não é resultado de uma única causa, mas sim de causas
múltiplas (biológicas, sociais, culturais,...). É o resultado da hereditariedade a interagir com o
meio e com o tempo.
O nosso potencial hereditário pode ser enriquecido ou empobrecido dependendo do
tipo, quantidade e qualidade dos nossos encontros com o meio e depende do momento em que
estes encontros ocorrem. É pela interacção entre determinantes da hereditariedade e a
influência do meio que o indivíduo se forma, desenvolve e realiza.
Não se pode limitar aos aspectos educativos e os sócio-culturais pós-natais, os
aspectos físicos, biológicos (alimentares, etc.), e psico-afecivos (emocionais) dos primeiros
tempos da vida, nomeadamente pré-natais e perinatais são fundamentais na formação de todas
as características do indivíduo.

Psicofisiologia do Sistema Nervoso

A comunicação no sistema nervoso é central para o comportamento. Em breves


anotações examinaremos a organização do sistema nervoso.
Especialistas acreditam que há de 85 a 180 biliões de neurónios no cérebro humano.
Obviamente isto é apenas uma estimativa. Se os contássemos sem parar a proporção de um
por segundo, estaríamos contando por cerca de 6 mil anos! Multidões de neurónios no sistema
nervoso têm de trabalhar junto para manter a informação fluindo eficientemente. Para fazer
isso, eles estão organizados em equipas, várias das quais têm funções e deveres especializados
que dependem, antes de tudo, de sua localização.

Sistema Nervoso Central (SNC)


O sistema nervoso central (SNC) é a porção do sistema nervoso que fica dentro do
crânio e da coluna espinal. Assim, o SNC compreende o cérebro e a medula e a medula
espinal. O SNC é banhado na sua “sopa” nutritiva especial chamada fluido cérebro-espinal
(FCE). Este fluido alimenta o cérebro e fornece-lhe uma protecção. Embora derivado do
sangue, o FC é cuidadosamente filtrado.
Para entrar no FCE, as substâncias do sangue têm de passar pela barreira cérebro-
sanguínea, um mecanismo membranoso semipermeável que impede a passagem de certas
substâncias químicas entre a corrente sanguínea e o cérebro. Esta barreira evita que algumas
drogas entrem no FCE e afectem o cérebro.
A medula espinal
A medula espinal liga o cérebro ao resto do corpo através do sistema nervoso
periférico. Embora se pareça com um cabo do qual os nervos somáticos saem, ela é parte do
sistema nervoso central e vai desde a base do cérebro até um nível abaixo da cintura,
abrigando aglomerados axónios que carregam os comandos do cérebro aos nervos periféricos
e conduzem sensações de periferia do corpo cérebro. Muitas formas de paralisia resultam de
Módulo de Psicologia Geral 33

danos na medula espinal, facto que ressalta o papel crítico que ela representa na transmissão
de sinais do cérebro aos neurónios que movem os músculos do corpo.
O cérebro
Evidentemente, a glória suprema do sistema nervoso central é o cérebro, que,
anatomicamente, é a parte do sistema nervoso central que preenche a porção superior do
crânio. Embora pese apenas cerca de 2 quilos e possa ser carregado em uma das mãos, ele
contém biliões de células que interagem, integram informação de dentro, coordenam as
acções do corpo e nos capacitam a falar, pensar, recordar, planear, criar e sonhar.
O Sistema Nervoso Periférico
O primeiro e mais importante corte que separa o sistema nervoso central (cérebro e
medula espinal) do sistema nervoso periférico. O sistema nervoso periférico é formado por
todos os nervos que ficam fora do cérebro e da medula espinal. Nervos são aglomerados
de fibras de neurónios (axónios) que estão no sistema nervoso periférico. Essa porção do
sistema nervoso é exactamente o que parece, a parte que se estende para a periferia (parte de
fora) do corpo. O sistema nervoso periférico pode ser subdividido em dois: somático e
autónomo.
O Sistema Nervoso Somático é formado por nervos que se conectam aos músculos
esqueléticos voluntários e aos receptores sensoriais. Estes nervos são os cabos que
carregam informação dos receptores na pele, músculos e juntas ao sistema nervoso central e
também ordens do sistema nervoso central aos músculos. Estas funções requerem dois tipos
de fibras nervosas: aferentes, que são axónios que carregam informação para dentro do
sistema nervoso central da periferia do corpo; Os eferentes, que são axónios que carregam
informações para fora do sistema nervoso central para a periferia do corpo. O sistema nervoso
somático permite que nos sintamos e movamos no mundo.
O Sistema Nervoso Autónomo é formado de nervos que se ligam ao coração, aos
vasos sanguíneos, aos músculos lisos, e às glândulas.
Como o próprio nome indica, é um sistema separado (autónomo), embora seja
principalmente controlado pelo sistema nervoso central. O sistema nervoso autónomo controla
funções automáticas, involuntárias, em que normalmente as pessoas não pensam, como a
batida cardíaca, a digestão e a transpiração. Ele intermédia muito do despertar fisiológico, que
ocorre quando as pessoas experimentam emoções. Imagine-se, por exemplo, caminhando para
casa sozinho a noite, quando uma pessoa, de aparência pobre aparece atrás de nós e começa a
seguir-nos. Caso sintamo-nos ameaçados, a nossa batida cardíaca e respiração intensificar-se.
A nossa pressão sanguínea poderá subir, possivelmente sentiremos arrepios, e as palmas das
mãos poderão começar a transpirar. Estas reacções difíceis de controlar são aspectos do
despertar autónomo.
O sistema nervoso autónomo pode ser dividido em dois ramos: simpático e
parassimpático. O Sistema nervoso simpático é o ramo do sistema nervoso autónomo que
mobiliza os recursos do corpo para a emergência. Ela cria a reacção de luta ou fuga. A
activação deste sistema desacelera processos digestivos e drena o sangue da periferia,
diminuindo o sangramento em caso de ferimento. Os nervos simpáticos principais enviam
sinais às glândulas supra-renais, liberando as hormonas que preparam o corpo para o esforço.
O Sistema nervoso parassimpático é o ramo do sistema nervoso autónomo que geralmente
conserva os recursos corporais. Ela activa processos que permitem ao corpo economizar e
armazenar energia. Por exemplo, acções dos nervos parassimpáticos diminuem o ritmo
cardíaco, reduzem a pressão sanguínea e promovem a digestão.
Módulo de Psicologia Geral 34

Desenvolvimento Filogenético do Psíquico

Dependência da psique ao meio


A extraordinária variedade que o meio ambiente tem (clima, condições de vida)
suscitou a diferenciação dos organismos (na terra vivem milhões de espécies de animais).
Entre toda a multiplicidade de fenómenos terrestres, existem suas mudanças cíclicas anuais, a
mudança do dia e da noite, as mudanças de temperatura etc., e todo o organismo vivente
adapta-se as condições existentes.
Uma modificação brusca do ambiente provoca no animal ou o seu desaparecimento. O
meio e a condição de existência do organismo vivo, e o factor mais importante para
determinar a vida dos seres viventes, ou seja, dito em outras palavras, a existência dos
organismos viventes esta condicionada causalmente pelo meio ambiente. Quanto mais alta
e a capacidade do reflexo dentro de um determinado meio, mais livre e a espécie do influxo
do meio.
A psique e a evolução do sistema nervoso
Para que haja um reflexo adequado e necessário antes de mais uma estrutura dos
órgãos de sentido e do sistema nervoso. O grau de desenvolvimento dos órgãos de sentido e
do sistema nervoso determina constantemente o grau e a forma do reflexo psíquico.
Em corresponderia com o desenvolvimento do sistema nervoso se tem mais completas
as formas do reflexo psíquico ou seja quanto mais completo e o sistema nervoso tanto mais
perfeita e a psique.
A evolução da psique não é linear, ate que se aperfeiçoe em diferentes direcções. Num
mesmo meio habitam animais com os mais variados níveis de reflexo e ao contrário, em
meios diferentes podem-se encontrar diferentes tipos de animais com níveis de reflexo
semelhantes.
O meio, como a matéria, não e invariável, ele evolui. A este meio em evolução adapta-
se a espécie animal que nele habita. Pode acontecer, sem dúvidas, que o meio radicalmente se
modifique para alguns animais e isto influencia no desenvolvimento das funções psíquicas, ao
mesmo tempo, a mudança ocorrida não exerce uma influência determinante no
desenvolvimento das funções dos outros animais.

O Surgimento da Consciência no Processo da Actividade Humana


Consciência
A psique como conjunto de reflexos da realidade no cérebro dos homens caracteriza-
se por possuir diferentes níveis.
O mais alto nível da psique, que é próprio do Homem, forma a consciência. A
consciência e a forma superior integrante da psique do Homem que se forma como resultado
das condições histórico-sociais na actividade laboral e na permanente comunicação oral com
as demais pessoas. Neste sentido, pode-se dizer que a consciência e em ultima instancia
(como dizem os clássicos marxistas) um produto social, a consciência e a existência
consciente.
Diferença entre psique humana e psique animal
Sem dúvidas existe uma imensa diferença qualitativa entre a psique humana mais
altamente organizada e a psique animal. Assim não e possível fazer uma comparação entre
“linguagem” dos animais e a linguagem humana, pois enquanto o animal com a sua
Módulo de Psicologia Geral 35

linguagem pode somente emitir sinais a seus congéneres, em relação a fenómenos limitados
por uma situação imediata, directa, pelo contrario o Homem pode informar a outras pessoas
com ajuda da linguagem, sobre o passado, o presente, o futuro e transmitir aos outros a
experiência social.
Mediante muitas pesquisas os investigadores mostraram que o pensamento pratico e
somente próprio aos animais superiores. Nenhum investigador observou a forma abstracta do
pensamento no estudo da psique dos animais. O animal pode somente actuar dentro das
marcas duma situação visivelmente percebida, da qual não pode abstrair e da qual não pode
assimilar os princípios abstractos. O animal e escravo da situação percebida de forma
imediata. A conduta do Homem caracteriza-se pela sua capacidade de abstrair-se ou
afastar-se duma situação concreta dada e prever as consequências que podem surgir em
relação a dita situação.
Desta forma, o pensamento concreto ou pratico dos animais e somente a sua impressão
directa sobre a situação dada, enquanto que a capacidade do Homem de pensar abstractamente
supera a dependência directa da situação dada.
Algumas características que diferenciam a psique humana da „psíque animal‟:
 O Homem é capaz de enfrentar não somente as influências directas do meio, mas
também pode prever aquelas que podem suceder. O Homem tem a capacidade de
abstrair em correspondência com a necessidade conhecida, ou seja
conscientemente. Esta é a primeira distinção entre a psique humana e a psique animal;
 A outra diferença e que o Homem tem a capacidade de criar e conservar
ferramentas. O animal cria instrumentos ou ferramentas numa situação concreta. Fora
desta dada situação concreta o animal nunca identifica os instrumentos, nem se
aproveita deles, uma vez que o instrumento joga um papel naquela dada situação, que
mediatamente deixa de existir para as outras situações;
 Os homens criam instrumentos de acordo com um plano previsto anteriormente,
utiliza estes instrumentos segundo o fim a que estão destinados, e os conserva; e todo
o homem adquire experiência com os outros homens no uso destes instrumentos;
 A transmissão das experiências sociais, caracteriza o homem o qual dispõe duma
experiência acumulada pelas gerações anteriores. As experiências sociais
transmitidas ao homem desenvolvem-se em grande parte na psique. Desde a mais
tenra idade a criança aprende a dominar as formas de utilização dos instrumentos e as
formas de trata-los. As funções psíquicas do homem mudam qualitativamente
graças ao domínio de cada sujeito em particular sobre os instrumentos do
desenvolvimento cultural da humanidade. E no homem se desenvolvem as funções
superiores propriamente humanas (linguagem, memória, pensamento atenção).
 A quinta distinção entre a psique humana e animal são os sentimentos: para o homem
e animais superiores o sentimento e mais daquilo que ocorre em seu redor, os objectos
e os acontecimentos podem suscitar nos animais e homens determinados tipos de
reacções dependendo daquilo que os influencia, ou emoções positivas e negativas.
Sem duvidas somente no homem pode existir a capacidade de sentir pena ou alegria
sobre o outro Homem, somente o homem pode experimentar determinados
sentimentos ao tomar consciência de algum aspecto vital nisto.
Módulo de Psicologia Geral 36

Teorias de Desenvolvimento do Psíquico

Teoria é a forma de explicação dos factos, de forma unitária, coerente, livre de


contradições internas e que conduza a descoberta de novos factos.
A questão da abordagem do desenvolvimento do psíquico, é ainda polémica pela
existência de várias teorias explicativas, que estão divididas em grupo.

Teorias endogénicas
O desenvolvimento psíquico é feito dependentemente de factores biológicos: a
hereditariedade e as predisposições inatas tornam lugar de relevo. O desenvolvimento do
Homem está programado e reformado pelas disposições. Segundo esta teoria, os factores do
meio ambiente são apenas um atributo subordinado, as aptidões e qualidades psicológicas da
personalidade são reduzidas aos instintos inatos de acordo com Mendel, Weisman e Morgan.

Teorias exogénicas
O Homem seria no momento do nascimento uma tábua rasa, pelo adestramento e
hábito poder-se-ia fazer-se tudo quando são aplicados os métodos respectivos. Este grupo de
teorias acentua o meio ambiente em que decorre o desenvolvimento comparativamente aos
outros factores como força determinante de desenvolvimento psíquico.
O desenvolvimento é mais ou menos directamente reduzido à educação e formação.
Contudo a criança e o jovem são considerados como objectos positivos das influências
externas e deste modo expostos a métodos mecânicos de educação, segundo Watson.

Teorias de convergências
O desenvolvimento do psíquico é resultado de uma convergência de factores
hereditários e factores ambientais. Logo, o desenvolvimento do psíquico da criança e do
jovem é resultado de forças desiguais da hereditariedade e do meio ambiente. Significa que, o
desenvolvimento do psíquico é determinado pela cooperação de dois factores principais:
hereditariedade e meio ambiente (Stern).
Estas teorias defendem que, no desenvolvimento do psíquico deve-se distinguir os
processos de maturidade e os processos de aprendizagem. Os processos de maturidade são
biologicamente condicionados. Enquanto que os factores de aprendizagem estão sujeitos a
regularidades sociais. Portanto, o desenvolvimento psíquico seria condicionado pelos factores
biológicos e de assimilação.
Módulo de Psicologia Geral 37

TEMA 3:
A PSICOLOGIA EVOLUTIVA OU ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento humano refere-se ao desenvolvimento mental e ao crescimento


orgânico. O desenvolvimento mental e uma construção continua, que se caracteriza pelo
aparecimento gradativo de estruturas mentais. Algumas dessas estruturas permanecem ao
longo de toda a vida (...)
Conceito de desenvolvimento
Tradicionalmente, na literatura psicológica encontramos definidos:
1. Desenvolvimento como o processo de crescimento e diferenciação continuada no
tempo, resultado da maturação biológica e da interacção com o ambiente e
2. 2. Psicologia de Desenvolvimento, em consequência, como aquele ramo da
psicologia que estuda o processo e organização/estruturação do indivíduo desde o
nascimento ate a idade adulta (desenvolvimento).
Durante o arco da vida a personalidade vai adquirindo, através de processos evolutivos
seja biológicos que psicológicos, uma maior e mais eficiente harmonização das energias que
se dispõem, com uma crescente possibilidade seja de autonomia e de novos de compreensão
seja de participação afectiva e de socialização com o mundo.
Uma das consequências desta afirmação e que os seres humanos tornam-se sempre
mais complexos na medida em que se desenvolvem. Não só, mas se o Homem e uma criatura
admiravelmente complexa, não menos surpreendente o e também a pequena criatura, que e o
recém-nascido, desde os primeiros instantes em que vê a luz.

Factores que influenciam o desenvolvimento humano


Vários factores indissociáveis e em permanente interacção afectam todos os aspectos
do desenvolvimento. São eles:
 Hereditariedade
A carga genética estabelece o potencial do indivíduo, que pode ou não desenvolver-se.
Existem pesquisas que comprovam os aspectos genéticos da inteligência. No entanto, a
inteligência pode desenvolver-se aquém ou alem do seu potencial, dependendo das condições
do meio que encontra.
 Crescimento orgânico
Refere-se ao aspecto fisco. O amadurecimento de altura e a estabilização do esqueleto
permite ao indivíduo comportamentos e um domínio do mundo que antes não existiam. Pense
nas possibilidades de descobertas de uma criança, quando comera a engatinhar e depois de
andar, em relação a quando uma criança estava no berço com alguns dias de vida.
 Maturação neurofisiológica
É o que torna possível determinado padrão de comportamento. A alfabetização das
crianças, por exemplo, depende dessa maturação. Para segurar o lápis e maneja-lo como nos,
e necessário um desenvolvimento neurológico que a criança de 2, 3 ano não tem. Observe
como ela segura o lápis.
 Meio
O conjunto de influências e estimulações ambientais altera os padrões de
comportamento do indivíduo. Por exemplo, se a estimulação verbal for muito intensa, uma
Módulo de Psicologia Geral 38

criança de 3 anos pode ter um repertório verbal muito maior do que a média das crianças de
sua idade, mas, ao mesmo tempo, pode não subir e descer com uma facilidade uma escada,
porque esta situação pode não ter feito parte de uma experiência de vida.
Aspectos do desenvolvimento humano
O desenvolvimento humano deve ser entendido com uma globalidade, mas, para efeito
de estudo, tem sido abordado a partir de 4 aspectos básicos.
 Aspecto fisico-motor
Refere-se ao crescimento orgânico, a maturação neurofisiológica, a capacidade de
manipulação de objectos e de exercício do próprio corpo. (ex: a criança aos 7 meses consegue
levar a chupeta a boca porque já tem uma certa concordância no movimento das mãos).
 Aspecto intelectual
É a capacidade de pensamento, raciocínio. Por exemplo, a criança de 2 anos, que usa
um cabo de vassoura para puxar um brinquedo que esta debaixo de um móvel ou o jovem que
planeja seus gastos a partir de sua mesada ou salário.
 Aspecto afectivo-emocional
É o modo particular de o indivíduo integrar as suas experiências. E‟ o sentir. A
sexualidade faz parte deste aspecto. Exemplos: a vergonha que sentimos em algumas
situações, o medo em outras, a alegria de rever um amigo querido, etc.
 Aspecto social
É a maneira como o indivíduo reage diante das situações que envolvem outras
pessoas. Por exemplo, em um grupo de crianças, no parque, e possível observar que algumas
espontaneamente buscam outras para brincar, e algumas que permanecem sozinhas.

Analisando cada um destes aspectos descobrimos que todos os aspectos estão


presentes em cada um dos casos. Não e possível encontrar um exemplo “puro”, porque todos
estes aspectos relacionam-se permanentemente. Por exemplo, uma criança tem dificuldade de
aprendizagem, repete o ano, vai-se tornando cada vez mais “tímida” ou “agressiva”, com
poucos amigos e, um dia, descobre-se que as dificuldades tinham origem em uma deficiência
auditiva. Quando isso e corrigido todo o quadro reverte-se. A história pode também não ter
um final feliz, se os danos forem graves.
Todas as teorias do desenvolvimento humano partem do pressuposto de que estes
quatro aspectos são indissociáveis, mas elas podem enfatizar aspectos diferentes, isto e,
estudar o desenvolvimento global a partir da ênfase em um dos aspectos. A Psicanálise, por
exemplo, estuda o desenvolvimento a partir do aspecto afectivo-emocional, isto e, do
desenvolvimento da sexualidade. Jean Piaget enfatiza o desenvolvimento intelectual.

A Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de PIAGET


A influência de Jean Piaget (1896-1980) não tem andado longe da de Freud. Nascido
na Suécia, Piaget passou a maior a parte da sua vida dirigindo um instituto de
desenvolvimento infantil em Genebra. Publicou um número extraordinário de obras e
trabalhos científicos, não apenas sobre o desenvolvimento da criança, mas também sobre
educação, história do pensamento, filosofia e lógica, e manteve a sua prodigiosa produção ate
a data da sua morte em 1980.
Módulo de Psicologia Geral 39

Embora Freud tenha dado tanta importância, nunca estudou directamente a criança. A
sua teoria foi desenvolvida a partir de observações feitas no decurso de tratamento de
pacientes adultos em sessões de psicoterapia. Piaget, pelo, contrario, passou, a maior parte da
sua vida observando o comportamento de bebes, crianças e adolescentes. Baseou-se muito do
seu trabalho em observações minuciosas de um número limitado de indivíduos, mais do que
no estudo de grandes amostras. Não obstante, defendia que a maioria das suas das suas
principais descobertas eram validas para o desenvolvimento das crianças de todas as culturas.
O desenvolvimento cognitivo (desenvolvimento do pensamento)
De acordo com Piaget, o desenvolvimento cognitivo é produto do equilíbrio entre o
organismo e o meio, porque a aquisição ou assimilação de conhecimentos e um processo
evolutivo de construção, na teoria epistemológica de conhecimento ou epistemologia
genética.
No desenvolvimento cognitivo colocam-se as questões como: “como é possível o
conhecimento”? como é que os conhecimentos aumentam, (compreensão? extensão)?
quer dizer em quantidade como em qualidade.
Um conhecimento e construído com base nos conhecimentos anteriores organizando-
se em processos cognitivos segundo a adaptação do organismo ao meio. A ideia piagetiana é
estrutural ou construcionista quando evidencia a construção ou organização de estruturas
mentais ou processos cognitivos. Por outro lado, é funcional ou psicobiologica devido a
adaptação orgânica e intelectual ao meio como condições funcionais no sentido de surgir uma
organização das estruturas cognitivas. Assim, o desenvolvimento cognitivo surge das
funções de organização e de adaptação.
O desenvolvimento leva as mudanças progressivas e sequenciais na estrutura da
organização dos processos cognitivos por causa da dialéctica ou interacção a organização e
adaptação. A progressiva adaptação orgânica e intelectual ao meio conduz ou leva a uma
progressiva mudança na sequência das estruturas cognitivas, tendo um estado mutável e não
rígido.
Assim, o processo de adaptação realiza-se por meio de equilíbrio entre assimilação e
acomodação. O equilíbrio leva a aquisição de estruturas cognitivas (o desenvolvimento
cognitivo). As estruturas cognitivas se resumem em dois tipos: esquemas e conceitos.
Um esquema e um conjunto de regras que define um género especifico de
comportamento (actividades de chuchar, apalpar, olhar, etc.) como parte da estrutura
cognitiva da criança. Quando mais cresce, vai conhecendo o seu meio, também vai
desenvolvendo estruturas mentais (conceitos segundo Piaget), referindo aquelas normas que
descrevem acontecimentos ambientais, relações entre conceitos, seus efeitos. Pois, a
adaptação ao meio ambiente faz-se através do processo de assimilação e acomodação.
Assimilação como processo espontâneo da criança consiste em integrar ou interiorizar
a experiência do meio ambiente onde esta inserido (processo). Consiste em acrescentar novos
elementos a um conceito ou a um esquema. Enquanto, a acomodação refere o ajustamento
desses elementos a nova situação. O ajustamento que o indivíduo faz ao incorporar a realidade
externa. Se a assimilação consiste na capacidade do sujeito interiorizar e conceptualizar as
suas experiências do meio, a acomodação e a resposta do sujeito as exigências imediatas e
constrangedoras do meio, e o grau de adaptação aos estímulos externos, mediante a
reorganização cognitiva, em vez de respostas mecânicas.
Os estádios do desenvolvimento cognitivo em PIAGET
Módulo de Psicologia Geral 40

Piaget divide os períodos do desenvolvimento humano de acordo com o aparecimento


de novas qualidades do pensamento, o que, por sua vez, interfere no desenvolvimento global.
Piaget acentua bastante a capacidade da para entender activamente o mundo. As
crianças não observam de uma forma passiva a informação, mas seleccionam e interpretam o
que vêem, ouvem e sentem acerca do mundo que as rodeia. A partir dos estudos e de
numerosas experiências que efectuou sobre as formas de pensar da criança, chegou a
conclusão de que os seres humanos atravessam vários estádios distintos de desenvolvimento
cognitivo – ou seja, vão aprendendo a pensar sobre eles próprios e mundo a sua volta. Cada
estádio implica a aquisição de novas capacidades e esta dependente de uma de uma conclusão
bem sucedida da fase anterior.
1. Estádio sensório-motor (0 a 2 anos de idade)
Ate uma idade máxima de quatro meses, um bebé não consegue diferenciar-se do que
o rodeia. O desaparecimento do objecto no campo visual da criança perde todo interesse por
ele (não existe/nunca existiu); por exemplo a criança não entende que são os próprios
movimentos que provocam o ranger do berço e não diferencia entre objectos e pessoas. A
actividade cognitiva é comportamental. Pensar é agir.
O bebé não tem noção de que existe algo fora do seu campo de visão.
(Irreversibilidade). Como demonstram alguns estudos, os bebés aprendem de forma gradual a,
a distinguir as pessoas dos objectos, começando a perceber que ambos têm uma existência
independente das suas percepções mais imediatas. Aos 6 meses de idade, a criança investida
as características do objecto. Procura o objecto escondido, continua a existir.
Piaget chama a este primeiro estádio sensório-motor, pois as crianças aprendem
usando os seus diferentes sentidos, sobretudo tocando objectos, manipulando-os e explorando
fisicamente o meio ambiente. De 1 ano e meio o pensamento da criança esta ligado a
linguagem, esquemas motores e a conceitos de objectos e das suas características. A principal
conquista neste estádio é que, a criança já entende que o meio ambiente tem propriedades
próprias e imutáveis.

2. Estádio pré-operatório (2-7 anos de idade)


Foi aquele que Piaget dedicou grande parte da sua investigação. Nesta fase
desenvolvem-se outras estruturas cognitivas: a criança e capaz de distinguir o “eu” do objecto;
adquire noção de tempo e espaço. Tem início a reversibilidade. A criança já domina a
linguagem e se torna capaz de usar palavras para, de uma forma simbólica, representar
objectos e imagens. Uma criança de quatro anos, por exemplo, pode usar a mão em
movimento para representar o conceito de “avião”. Início da aquisição de noção de
conservação da massa e volume (quantidade)
Piaget apelida este estádio de pré-operacional, pois as crianças ainda não são capazes
de usar, de uma forma sistemática, as suas capacidades mentais em desenvolvimento. Na
maneira de ver o mundo, é característica destas crianças o egocentrismo, ela acredita que as
pessoas vêem o mundo exactamente como ela vê, p. Ex: ao contar um facto, omite
pormenores importantes “julgando” que os outros têm a mesma visão do facto. Este conceito
não se refere a egoísmo mas a tendência da criança interpretar o mundo exclusivamente em
função da sua própria posição. (ex. pedir explicação de uma ilustração enquanto o livro esta
virado para si.
Módulo de Psicologia Geral 41

A criança não entende que o outro não vê); as crianças falam ao mesmo tempo mas
não com a outra, como os adultos fazem; não tem categorias de pensamento que os adultos
tem, as crianças não tem conceitos de causalidade, velocidade, peso ou numero (mesmo se a
criança observar alguém a deitar agua num recipiente alto e estreito para o outro mais baixo e
largo, não entende que o volume continua o mesmo – mas conclui que há mais agua no
segundo recipiente, porque o nível da agua esta mais abaixo.
3. Estádio de operações concretas (7-12 anos de idade)
Existe um equilíbrio estável entre assimilação e acomodação. Durante esta fase as
crianças dominam noções lógicas e abstractas. São capazes de, sem grandes dificuldades, lidar
com ideias como a de causalidade. Uma criança nesta fase de desenvolvimento e capaz de
reconhecer o raciocínio falso implícito na ideia de que o recipiente mais largo continha menos
água do que o mais estreito, mesmo que os níveis da água sejam diferentes. Torna-se capaz de
efectuar operações matemáticas, como a multiplicação, a subtracção ou divisão. As crianças
neste período são muito menos egocêntricas. Se perguntar a criança quantas irmãs tem ela dirà
uma, mas se perguntar quantas irmãs tem a tua irmã ela provavelmente dirá “nenhuma”
porque não e capaz de se colocar na posição da irmã, não e capaz de raciocinar em termos
hipotéticos.
4. Estádio das operações formais (12-18 anos de idade)
Desenvolvimento das capacidades lógicas, de representação simbólica. Criação de
hipóteses e sua verificação. Pensamento abstracto, dedutivo (processo de transição do geral ao
particular) e indutivo. Raciocínio formal segundo a cultura. Quando deparam com um
problema, as crianças nesta fase são capazes de rever todas as formas possíveis de resolver,
examinando-o teoricamente de maneira a chegar a uma solução.
De acordo com Piaget os primeiros três estádios de desenvolvimento são universais;
mas nem todos os adultos alcançam o estádio operacional formal. O desenvolvimento deste
tipo de pensamento esta dependente, em parte, dos processos de escolaridade. Os adultos com
uma educação limitada tendem a continuar a pensar em termos mais concretos e reter largos
traços de egocentrismo.

A Teoria do Desenvolvimento Psicossexual segundo FREUD


Freud dividiu a vida psíquica em dois níveis: o inconsciente e o consciente. O
inconsciente considerou-o mais importante, é a camada mais profunda e responsável por
grande parte de nossas manifestações. A vida psíquica se centra na libido (pulsões sexuais),
responsável pela agressividade como de origem sexual. Segundo a concepção libidinal,
dividiu a personalidade em três instâncias: Id; Ego; Super-ego (ver o capitulo anterior).
A psicanálise descreveu seja a estrutura da mente (ID, EU, Super-EU), seja o
desenvolvimento dos processos psíquicos dos primeiros anos de vidas. Este desenvolvimento
e decisivo porque nele se deitam os fundamentos da vida psíquica do futuro indivíduo adulto e
os traços persistentes da personalidade. O aspecto mais evidente da teoria freudiana é o das
fases do desenvolvimento psicossexual. Segundo Freud, a área do prazer sexual desloca-se
duma zona erótica/erógena do corpo a outra, segundo uma sequência determinada
biologicamente na medida em que a criança cresce. De consequência os distúrbios psíquicos
do indivíduo adulto dependeriam dum desenvolvimento não regular das várias fases da
sexualidade infantil. Freud preconiza cinco estádios do desenvolvimento psicossexual.
As fases do desenvolvimento psicossexual segundo Freud
1. Fase oral (0-2 anos)
Módulo de Psicologia Geral 42

Nos primeiros meses da vida ate cerca de 2 anos de vida, a libido esta concentrada na zona
oral (boca): o bebe tira prazer através da zona erótica da boca, dos lábios e da língua, e nos
actos de sucção, mordedura e mastigação. No adulto, a fixação formas da sexualidade oral
pode exprimir-se em comportamentos com a sucção do próprio dedo, comer-se as unhas,
comer excessivamente, etc.
2. Fase anal (2-3anos)
Nesta fase o ponto focal da libido desloca-se e as principais fontes de prazer sexual
tornam as actividades esfintéricas. Esta presente seja a exigência de satisfação da necessidade
(defecar) seja de aprender o controlo fisiológico em relação as regras ditadas pelos pais e as
convenções sociais. Conter as fezes significa, duma parte, bloquear a satisfação de uma
necessidade e da outra parte, significa realizar ou cumprir as regras dos pais, que a sua volta
são fonte de gratificação quando a norma vem respeitada pela criança. A co-presença de
exigências contrastantes, o conflito, relacionado a fase anal poderá manifestar-se no adulto em
comportamentos de excessiva limpeza, pontualidade, obstinação, etc.
3. Fase fálica (3-5 anos)
Entre 3 a 5 anos a libido desloca-se para as zonas genitais a procura do prazer. O rapaz
e a menina tocam os próprios órgãos genitais, tornam-se curiosas em relação às diferenças
entre os dois sexos. Os pais muitas vezes proíbem o comportamento sexual das crianças desta
idade pensando ou considerando que são formas adultas da actividade sexual, enquanto
normalmente exprimem a exigência das crianças de conhecer o próprio e o outro aparato
sexual. Nesta fase manifesta-se o assim chamado complexo de Édipo2, ou Electra para casos
de preferência na denominação do complexo para o feminino. O menino chegando nesta fase
do desenvolvimento psicossexual, experimenta um desejo de hostilidade para o pai e um
desejo de amor para com a mãe. Estes dois desejos co-presentes, numa forma geralmente
inconsciente, são vividos como um conflito. Por outro lado, o pai representa para o menino a
fonte da punição (vivida como castração dos próprios órgãos) por causa do amor dirigido a
mãe. O menino pode superar este conflito através de um processo de identificação com o pai,
mediante o qual ele assimila e faz seu o comportamento paterno. Durante o processo de
identificação, os meninos introjectam no Super-ego grande parte das regras sociais e dos
valores partilhados e derivados da figura dos pais. Na menina verifica-se um processo em
parte análogo, primeiro de hostilidade para com a mãe e amor para com o pai e, portanto, em
seguida, de identificação com a figura materna.
4. Fase da latência (6-inicio da adolescência)
Durante esta fase a actividade da libido perde intensidade, consentindo ao “Eu” uma
trégua para consolidar o desenvolvimento anterior enquanto a criança orienta ou dirige os
próprios interesses no ambiente.
5. Fase genital (fim da adolescência)
O culminar do desenvolvimento psicossexual verifica-se no fim da adolescência, na
fase genital. O rapaz e a rapariga completam o desenvolvimento psicossexual e orientam o
próprio comportamento sexual aos parentes. Elemento característico desta fase e o surgimento
de um interesse de relação reciprocamente gratificante com os outros. O indivíduo que se
encontra nesta fase genital, esta em grau de manifestar o interesse para com os outros, desejo
de partilhar as experiências significativas e solicitude para o seu bem-estar: este empenho a
reciprocidade não e alcançado por todos.

2
Do nome da personagem da tragédia grega Édipo, rei de Sofocle. Na tragédia grega, Édipo mata o
pai sem conhecer a identidade e casa-se com a mãe.
Módulo de Psicologia Geral 43

A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial segundo ERIKSON


O desenvolvimento psicológico, seja na dimensão cognitiva como na emotiva, não
termina com a idade adulta. Os primeiros anos de vida e o período da adolescência são etapas
fundamentais para a construção do mundo psíquico do adulto, mas a obra da reelaboração e
da reorganização da própria vida psíquica continua incessantemente por toda a existência
humana.
A ideia de que o desenvolvimento psíquico dura toda a vida e que seja estreitamente
legada as relações sociais foi elaborada por Erik Erickson (1902-1994). Erikson,
psicanalista, nasceu em Frankfurt, Alemanha.
Enquanto Freud atribuía mais importância ao inconsciente, Erickson focalizava a sua
atenção no papel desenvolvido pelo “Eu” quando se devem enfrentar problemas nos
diferentes períodos da vida.
A teoria de Erikson (1950, 1968) afirma que o desenvolvimento psicossocial
atravessa oito estádios, em cada um do qual o indivíduo deve enfrentar uma série de
problemas, ou a assim chamada crise do estádio, para poder passar ao estádio sucessivo.
Segundo Erikson, na medida em que uma criança resolve positivamente os problemas de cada
estádio, determina-se a sua possibilidade de tornar-se uma pessoas adulta dotada de
capacidade de adaptação.

Os estádios do desenvolvimento psicossocial de Erickson

1. Estádio sensório-oral (0-1)


Crise entre a confiança e desconfiança. A criança põe-se o problema de ter confiança
o não ter confiança na pessoa que toma cuidado ou se ocupa dela (geralmente a mãe), se
recebe ou não nutrição e afecto. Da confiança para com a figura materna desenvolvera a
confiança para com o ambiente externo e outras pessoas. Se a criança não contar com o afecto
e os cuidados maternos, perdera a confiança para com as outras pessoas e pensará que o
ambiente externo não lhe pode dar confiança.
2. Estádio muscular-anal (1-2 anos)
Crise entre autonomia-dúvida/vergonha, a criança começa a explorar o mundo e a
entrar em relação com outras pessoas. Na medida em que conquista autonomamente as
habilidades principais, por exemplo aprender a caminhar, deve também não duvidar de si
quando não consegue padronizar esta tal capacidade imediatamente. A criança deve escolher
se ser autónoma em tal situação e continuar de modo independente, ou então enfrentar o
futuro com dúvidas.
Características: afirmação da vontade: a criança desenvolve a capacidade de escolha,
a possibilidade de auto-domínio; sentimentos de autonomia e de amor – próprio. Pode
desenvolver-se sentimentos de perca de auto-domínio, a vergonha e duvidas quanto ao
exercício da vontade.
3. Estádio locomotorio-genital (3-5 anos)
Crise de iniciativa/sentimento de culpa. Desenvolvem-se as estruturas anteriores e a
criança encontra-se a ter que resolver o conflito existente entre o tomar iniciativa em
actividades e apreciar os resultados ou sentir-se culpado por ter ultrapassado os limites, neste
caso surge o medo de punições ou de castigo, criticas e de consequência o sentimento
Módulo de Psicologia Geral 44

inibitório (a criança pode perder a capacidade de tomar novas iniciativas e sente-se em culpa
pelos seus falimentos).
4. Estádio de latência (de 6 anos – a puberdade)
Crise da diligencia e complexo de inferioridade. Nesta fase adquirem as regras
fundamentais sobre o mundo externo e as primeiras regras de comportamento social graças ao
facto de frequentar a escola e o grupo dos pares. As próprias competências podem ser
desenvolvidas e reforçadas, ou então podem ser bloqueadas. O insucesso na escola ou nas
relações sociais em geral podem gerar um sentido de inferioridade que bloca ulteriormente o
desenvolvimento cognitivo e emotivo.
5. Estádio da Adolescência
A crise por superar é entre a identidade e confusão a cerca do papel a desempenhar
(confusão de identidade). O adolescente deve desenvolver o sentido de identidade de si
mesmo, tornar-se um indivíduo com a sua própria personalidade distinta daquela dos
parceiros e dos adultos, com próprias normas sociais e próprios valores morais. O falimento
na construção da identidade manifesta-se na “confusão de papeis”, facto pelo qual o
adolescente não consegue encontrar um papel adequado para a sua personalidade no contexto
social.

6. Primeira idade adulta (20-30 anos)


Nesta fase a crise é entre intimidade ou amor/isolamento a pessoa enfrenta a escolha
entre uma vida caracterizada de relações de intimidade (capacidade de amizade e amor),
encontrar-se em companhia, amar alguém e a ausência de relações afectivas, e transformar-se
num isolado, evitando compromisso de amor ou amizade. É o estádio da vida em que se põe
também a problema da escolha profissional que permite a inserção na sociedade. As duas
escolhas cruzam-se, originando as vezes conflitos, sobretudo na mulher pela qual a profissão
pode contrastar com o papel de mulher e de mãe.
7. Meia-idade (40-60 anos)
A crise situa-se entre a criatividade ou interesse/estagnação ou auto-absorção.
Regista-se a consolidação do amor e da amizade: aumento do interesse profissional, aumento
da atenção para com os filhos mas pode viver em debilidade no relacionamento, em
depressão, sem interesse. Para essa fase contribui muito a tipo de escolha profissional feito,
em particular em relação a constatação feita no que diz respeito aos objectivos ou propósitos
alcançados ou não segundo a plano traçado na juventude. O sentido do insucesso pode muitas
vezes estimular a novos interesses e opções ou a uma nova ou mais lúcida consciência das
próprias capacidades.
8. Velhice (dos 60 anos em diante)
A crise observa-se entre o sentimento de integração e calma/ desespero. Nesta fase
emerge uma outra situação de conflito, aquela concernente a aquisição de um sentido de
integridade, que se experimenta quando se considera que a própria vida foi completada,
dando-lhe um sentido, ao qual se contrapões o desespero, se se pensa de não ter alcançado os
objectivos que anteriormente se tinham proposto ou de não ter integrado as próprias
experiências.
A pessoa pode tornar-se sabia: não se preocupa ansiosamente pela vida porque
descobriu o seu sentido e o da dignidade da sua vida; há aceitação da morte. Mas pode não
alcançar a sabedoria, ao fazer o balanço da sua vida ou avaliação do seu passado e verifica
Módulo de Psicologia Geral 45

que não fez nada que valesse a pena, logo surge um sentimento de desgosto pela vida e de
desespero perante a morte.
Cada vez mais está a crescer o numero de anciãos que fica inactivo depois da reforma
e marginalizados em relação as decisões da colectividade. A psicologia deve ser em grau de
afrontar esta nova problemática para a integração dos anciãos na sociedade.

A Teoria do Desenvolvimento Moral segundo KOHLBERG


No desenvolvimento da personalidadeAQ joga um papel fundamental a aquisição de
regras de comportamento que reflectem os valores da cultura e da sociedade em que o
indivíduo vive. Lawrence Kohlberg, fortemente influenciado pela teoria de Piaget,
apresentou a hipótese de o aspecto moral desenvolve-se gradualmente por estádios.
Kohlberg introduz uma perspectiva desenvolvimentista, isto significa que
revolucionou a compreensão sobre o desenvolvimento moral, descobriu que as pessoas não
podem ser agrupadas em compartimentos definidos com rótulos simplicistas:
o Este grupo é honesto
o Este grupo é aldrabão
o Este grupo é reverente
Segundo Kohlberg, o carácter moral das pessoas se desenvolve. Significa que o
crescimento moral se faz de acordo com uma sequência do desenvolvimento.
Para o desenvolvimento do carácter, “dizer as crianças e adolescentes para adoptarem
determinadas virtudes ou manipulá-las até que digam palavras certas não produz um
desenvolvimento pessoal ou cognitivo significativo). (Sprinthal & Sprinthal, 1993:170).
O desenvolvimento ocorre de acordo com uma sequência específica de estádios,
independentemente da cultura, sub-cultura, continente ou país, raça.
Moral refere-se as normas e regras da conduta social que caracterizam as concepções
a respeito da justiça e injustiça, do bem e do mal. São mantidas ou cultivadas pela força da
opinião pública, hábitos, costumes e educação.
Kohlberg identificou seis estádios fundamentais do desenvolvimento moral (ver
quadro a seguir).
Módulo de Psicologia Geral 46

Os seis estádios do desenvolvimento moral de Kohlberg (1964)

Níveis Estádios Características


A obediência e as decisões morais são baseadas em formas
de poder muito simplicistas, de tipo físico e material Aqui
I o comportamento baseia-se na recompensa e no desejo de
evitar a punição física severa por parte de um poder
superior, “poder da razão”, “a sobrevivência dos mais
fortes”. P. Ex. as acções são julgadas em termos das suas
consequências físicas. O medo da punição domina os
motivos da criança.
Moralidade pré- As acções baseiam-se amplamente na satisfação das
convencional ou necessidades pessoais do indivíduo. O motivo básico das
pré-moral pessoas é satisfazer as próprias necessidades. Não
consideram as necessidades das outras pessoas. Envolve a
(0 –7/8) percepção do poder do negócio/trocas de favor. “Coça-me
II as costas e eu coço as tuas”...mas obtendo pequena
vantagem em cada negócio. há uma orientação materialista,
na qual as discussões morais se expressam em termos
instrumentais e físicos. Este nível aceita o uso de
influências para resolver qualquer delito. Ex: se a
personalidade é encontrada a roubar um carro a punição
está determinada pelo custo do carro. Admite falsificar
assinaturas, subornos, aldrabar o patrão ou cometer outros
delitos semelhantes, desde que a pessoa escape impune.
Filosoficamente, esta categoria de pensamento moral é
designada de hedonismo instrumental: falta de respeito
humano pelas outras pessoas.
O conformismo social: fazer o apropriado e o que agrada
os outros, rejeita as decisões do ego. Há um relacionamento
duplo. O motivo da criança é ser bom rapaz para ser aceite.
Cumprem-se somente as acções que são aceites pelos
parceiros, professores e pais. O “justo” e o “injusto” não
Moralidade III vem avaliado em base as punições físicas ou recompensas
convencional ou de (doces, brinquedos) mas em relação a avaliação que os
conformidade outros fazem do próprio comportamento e às exigências de
oferecer uma boa imagem de si mesmo. Obedece-se as
(7/8–adolescência) regras para evitar o sentido de culpa derivante da censura
da autoridade.
Tomada de decisões de acordo com os códigos legais
IV existentes, em todas situações dilemáticas (preservação da
sociedade). A tendência é de ser melhor e não apenas o
cumprimento das normas.
Agir de acordo com o contrato social: Da adolescência em
Moralidade Pós- V diante, a pessoa interiorizou regras abstractas de
convencional ou comportamento social que são muitas vezes em contraste
dos princípios com as próprias convicções.
Módulo de Psicologia Geral 47

Os adultos que atingem esta fase, estão em grau de reflectir


(da adolescência em sobre os princípios éticos e universais, tais como a justiça,
diante) VI a igualdade, dignidade de todas as pessoas, o bem comum,
a sacralidade da vida, o altruísmo, etc. Esta fase é
caracterizada duma moralidade da consciência, facto pelo
qual as pessoas tendem a ver o comportamento ético como
um equilíbrio entre o bem-estar do indivíduo e aquele da
sociedade e a creditar na aplicação das regras sociais em
virtude dos seus princípios, mas não em prejuízo dos
direitos individuais. O indivíduo, portanto, obedece as
regras em base a convicções amadurecidas e considerações
objectivas
48

TEMA 4:
INTRODUCAO AO ESTUDO DA PERSONALIDADE

Génese e Formação da Personalidade


Nenhum Homem nasce como personalidade. Entretanto, cada um de nós nasce como
um projecto (esboço) da personalidade, quer dizer, cada indivíduo ao nascer é um centro de
iniciativas, de buscas e de construções de boas qualidades. Isto significa que cada indivíduo
permanentemente deve trabalhar para a formação da sua personalidade.
A personalidade do Homem constrói-se pelos sinais complexos e estáveis:
temperamento, conduta, moral, interesse bem como as necessidades que definem as
propriedades dos sentidos e do comportamento do mesmo Homem. A personalidade capacita-
se às diversas situações da vida, aí se define a sua totalidade pelas influências sócio-genéticas
e sócio -culturais.
Conceito de Personalidade
A personalidade exprime a totalidade de um ser, tal como aparece aos outros e a si
próprio, na sua unidade, na sua singularidade e na sua continuidade. É o modo relativamente
constante e peculiar de perceber, pensar, sentir, e de agir do indivíduo. Inclui as atitudes,
habilidades, crenças, emoções, desejos, o modo de se comportar e, inclusive os aspectos
físicos do indivíduo.
Em suma, a personalidade é o nosso ser global, inclui o consciente e o inconsciente na
sua relação com o mundo exterior.
Estrutura da Personalidade
Fazem parte da estrutura da personalidade as particularidades relativamente
constantes e viáveis da própria personalidade (do sujeito).
As componentes principais da personalidade são a estrutura endopsíquica e a
exopsíquica.
Exopsiquica: determina a atitude do homem em relação ao meio externo. O
exopsiquismo contempla a experiência social (conhecimentos, hábitos, habilidades) e a
orientabilidade do indivíduo (inclinações, interesses, motivos, ideias, convicções,
sentimentos, etc.). A exopsíquica está condicionada socialmente, é adquirida das forças do
meio, não é biologicamente determinada.
Endopsíquica: manifesta a dependência interna mútua dos elementos e das funções
psíquicas. É identificada com a actividade psico-nervosa do homem. Relaciona-se com os
traços da personalidade como a receptividade, peculiaridade da memória, percepção, vontade,
pensamento, imaginação, etc. A endopsíquica está condicionada biologicamente, é inata, não
depende das forças do meio.

Teorias da Personalidade

A conduta humana é reconhecida como complexa. Assim, o comportamento não é


determinado por um único factor, mas sim por muitos factores, de natureza diversa. Diante de
tão complexo campo de investigação, diferentes grupos de estudiosos enfatizam diferentes
grupos de aspectos de comportamento. Alguns concentram-se em hereditariedade e outros em
influências ambientais. Outros ainda, favorecem a formação de um conjunto de leis gerais,
entendendo o Homem como ser social e ao mesmo tempo biológico. As teorias da
Personalidade que merecem distinção especial são: o Behaviorismo, o Gestaltismo, a
Módulo de Psicologia Geral 49

Psicanálise, a Disposicional, A humanista, A Fenomenologia, a cognitiva, a Biológica, a


Evolucionista, etc.

Behaviorismo
O termo “Behaviorismo” que em Inglês “behavior” significa comportamento, foi
inaugurado pelo americano John Watson. Watson postulava o comportamento como objecto
de estudo da psicologia e defendia que este (comportamento) devia ser estudado em função de
certas variáveis do meio.
Para entender a personalidade (comportamento) deve-se analisar as relações
funcionais entre acções visíveis e suas consequências também visíveis.
A essência de todo o behaviorismo é ser a ciência do par Estimulo-Resposta. Todo o
comportamento pode ser modificado pelo meio ambiente, de tal forma que o controle das
condutas é possível e os fenómenos psíquicos são previsíveis.
A influência do meio ambiente predetermina o comportamento. Não se interessa pelos
fenómenos como a consciência, a hereditariedade, o prazer e a dor.
O homem é considerado vítima passiva do meio ambiente. O ensino e a experiência
são blocos de construção da personalidade.

O Gestaltismo
Os fundadores da escola da Gestalt foram WERTHEIMER (1880-1943), KURT
KOFFKA (1886-1941) e WOLFGANG KOHLER (1887-1967). Todos eles negam a
fragmentação entre acções e processos humanos, defendendo o principio de determinação
relacional, isto é, que as propriedades das partes dependem do lugar, papel e função que têm
no todo. Sustentam ainda que a maior parte das configurações, o todo não é igual à soma das
partes demonstrando-se que o estímulo deve ser considerado como uma totalidade. A Gestalt
Orienta-se pelos seguintes princípios:
 O todo é percebido antes das partes que o compõe;
 O todo é definido pelas interacções e interdependências das partes;
 As partes de uma configuração não mantêm sua identidade quando estão
separadas da sua função e lugar no todo

A Teoria da Personalidade segundo Freud/Psicanálise


Segundo Freud, a personalidade se estrutura em instâncias, nomeadamente Id, Ego e
Superego.
O Id
O ID ou inconsciente (infra-eu) é o núcleo primitivo da personalidade. Não sofre as
influências das forças sociais e conscientes que forma o indivíduo. A sua preocupação é
satisfazer as necessidades instintivas de acordo com o princípio de prazer. O id é a estrutura
original básica e mais central. As leis lógicas do pensamento não se aplicam ao id. O id é a
sede das pulsões e dos desejos recalcados e representações recalcadas (recalcamento =
processo mental pelo qual pensamentos insuportáveis ao eu consciente são reprimidos)
(agressivas e sexuais). Não conhece juízos de valor, nem o bem do mal, nenhuma moralidade.
Os conteúdos do id são quase todos inconscientes, assim como o material que foi considerado
inaceitável pela consciência. O id não suporta energia de muita tensão e o seu objectivo é
reduzir a tensão dolorosa aos baixos níveis possíveis. O Id é baseado no princípio do Prazer.
Módulo de Psicologia Geral 50

O Ego (Eu)
O Ego é a consciência propriamente dita. É a personalidade enquanto actua no
momento presente. Caracteriza-se pela actividade consciente (percepções exteriores e
elaboração de processos intelectuais) e a capacidade para estar em contacto com a realidade
exterior. O Ego é dominado pelo princípio da realidade (pensamentos objectivos, actos
socializados, actividade racional e verbal). Também caracteriza-se pelo estabelecimento de
mecanismos de defesa contra as invasões da pulsão. As funções básicas do ego são:
percepção, memória, sentimento, pensamento. Em suma, o ego tem a função de ajustar o
homem ao meio da realidade física e social em que vive. É um instrumento de adaptação do
indivíduo ao meio. O Ego é baseado no princípio do Realidade.
O Ego, orientado à realidade do mundo que o circunda, é a chave da adaptação que
procura de mediar as pressões ditadas pelo princípio de prazer, a busca do prazer e da
gratificação imediata, com as exigências impostas pelo princípio da realidade, provenientes
do mundo externo. O ego utiliza a angústia como sinal de alarme diante dos perigos do
mundo interno (pulsional), por outro lado, organiza mecanismos de defesa que consentem de
moderar as exigências do Id com aquelas do mundo externo.
O Super-Ego (super-eu)
O super-ego é o resultado da interiorização de censuras que a criança faz suas
(identificação) e que lhe vêm dos pais ou do meio ambiente. O conteúdo do super-ego refere-
se a exigências sociais e culturais. Representa o ideal do que é real. É defensor dos impulsos
rumo a perfeição. Origina-se com o complexo de Édipo, a partir da interiorização das
proibições, dos limites e da autoridade. O super-ego é o depósito das normas morais e
modelos de conduta. As suas funções são a consciência, a auto-observação e a formação das
ideias. Podemos afirmar que o Super-Ego é baseado no princípio da Moralidade/sociabilidade.
A combinação das três camadas, segundo Freud constitui factor importante para a
formação e estruturação da Personalidade.
As investigações sobre os conteúdos do Id, conduziram Freud à formulação duma
doutrina geral das pulsões nas quais a libido exprime-se percorrendo as zonas eróticas, cada
uma das quais representa uma determinada fase de evolução (os estádios do desenvolvimento
psicossexual). O desenvolvimento da libido pode acontecer naturalmente ou enfrentar
bloqueios por interferência da fixação ou da regressão que bloqueiam o desenvolvimento
psíquico e o reconduzem a fases precedentes, com consequências na formação de sintomas
nevróticos. Esta postulação chamou-se de teoria das pulsões.

O princípio do Prazer e o princípio da Realidade


Contudo, segundo Freud, o bebé no nascimento é dominado duma única estrutura de
personalidade, o Id, fonte originária de todas as motivações e energias. Ele procura de realizar
esta descarga de energia sem preocupar-se daquilo que é realizável o socialmente aprovável.
O seu modo de funcionamento e regulado pelo principio de prazer, que procura a gratificação
imediata e completa das pulsões. Mas desde o início dos primeiros meses de vida estas
tentativas de obter uma gratificação imediata são frustradas ou punidas. Estas experiências
contribuem para a formação do ego (eu), o qual é governado pelo princípio de realidade.

A Psicologia Analítica de CARL JUNG


 Breves linhas biográficas
Módulo de Psicologia Geral 51

Carl Jung (1875-1961), nascido na Suíça, formou-se como medico, psiquiatra,


docente. Trabalhou 6 anos com Freud deste modo nasceu o interesse para o comportamento
humano e separa-se de Freud em 1913 e elabora a sua teoria denominada Psicologia Analítica
ou dos complexos. Analítica porque e uma psicologia que não procura de isolar funções
singulares mas de ocupar-se dos fenómenos que caracterizam a personalidade na sua
totalidade.
Construtor da psicologia analítica, é optimista em relação ao Homem. Significa que o
Homem pode ser orientado no sentido de desenvolver as suas potências realizando-se como
eu.
 Pontos de divergência com Freud
1) Aceita a concepção da libido mas como energia psíquica neutra sem conotação sexual;
nega o papel fundamental da libido na origem da sexualidade.
2) Do ponto de vista metodológico, Jung e mais ou menos ecléctico, ou seja, usa
elementos psicológicos, mitológicos, que segundo o autor, esses devem ser
considerados porque encontram representações a nível psíquico.
3) Separa-se ainda de Freud porque segundo Jung, não e necessário considerar somente a
nível psíquico um dinamismo causal mas também finalístico, ou seja, é necessário
considerar que no comportamento existe uma meta a alcançar.
 Objecto de estudo da Psicologia Analítica
O conjunto de todos os processos psíquicos: conscientes e inconscientes. Ideia
fundamental: no que diz respeito a realidade psíquica ele sublinha a autonomia da realidade
psíquica em relação ao fenómeno fisiológico mesmo se não possível uma separação nítida
entre as duas esferas. Ele fala também da realidade fisiológica como sendo subjectiva
enquanto incide somente para um enquanto a realidade psíquica é objectiva no sentido de que
algumas ideias são partilhadas, por exemplo: simbolismo, arquétipos, etc.
Jung acreditava que somos moldados por nossas metas, esperanças, aspirações em
relação ao futuro bem como do nosso passado. A personalidade integral (psique), segundo
Jung, compõe-se de três sistemas: consciência, Inconsciente pessoal e inconsciente colectivo.
1) Consciência: é a actividade que mantém relação entre os conteúdos psíquicos
(conscientes). Na consciência Jung focaliza o eu porque este é o sujeito da
consciência. Ele entende o eu como um conjunto de representações que constituem o
centro do campo da consciência. Funções do eu: pensamento, sentimento; sensação e
intuição
2) O inconsciente pessoal: localiza-se abaixo da consciência, pertence ao indivíduo.
Consiste em todas as lembranças, desejos e outras experiências da vida da pessoa que
foram reprimidos ou esquecidas.
3) Inconsciente colectivo: localiza-se abaixo do inconsciente pessoal. O inconsciente
colectivo compreende conteúdos que segundo Jung constituem o depósito de modos
reagir típicos da humanidade, por exemplo, medo do mal, relação entre os sexos, entre
pais e filhos, situações típicas que o indivíduo enfrenta ao longo da sua existência.
Segundo Jung, em base as modalidades como se enfrentam estes problemas constitui-
se um depósito colectivo de predisposição ou reacção diferente, estas situações são
independentes da cultura. Jung afirma que o inconsciente pode-se alcançar directamente mas
através de manifestações: Símbolos ou Arquétipos.
Módulo de Psicologia Geral 52

Arquétipos
São determinantes inatos da vida mental que dispõe a pessoa a se comportar de modo
semelhante ao dos ancestrais que se viram diante da situação análoga. Referem-se a símbolos
que tem características semelhantes independentemente das diferenças culturais: mãe terra,
herói, luta contra o bem e o mal. São formas universais de pensamento dotadas de conteúdo
afectivo que cria determinada imagem de cada indivíduo.
Persona
É a máscara da personalidade que usamos no contacto com os outros, representando-
nos tal com o queremos aparecer na realidade. A persona pode não corresponder a verdadeira
personalidade. Inclui nossos papéis pessoais, o tipo de roupa que usamos, o nosso estilo de
expressão pessoal, etc.
Sombra
É a parte mais primitiva e animalesca da pessoa. É o núcleo do material reprimido na
consciência. Ou seja, é a parte da personalidade que se ignora, geralmente contém material
desagradável, ela contem todos os desejos e actividades imorais e inaceitáveis. A sombra nos
impele a emitir comportamentos que normalmente não nos permitiríamos.
Anima/animus
Reflectem a ideia de que cada pessoa de um sexo exibe algumas características do
outro. Anima se refere as características femininas presentes no homem e animus as
características masculinas presentes na mulher. Estas características estão ligadas à imagem
ideal do homem ou mulher que cada um de nós tem em si.

Self
É o arquétipo responsável pela integridade ou estabilidade da personalidade. O Self é o
processo central, um impulso para a individuação (realização de si mesmo) ou aspiração a
auto-realização.
Individuação/integração
Antes de tudo temos que considerar que segundo Jung todo o indivíduo possui a
libido, ou seja esta energia fundamentalmente biológica, mas é neutra, ela tende à integração
dos elementos conscientes e inconscientes. Neste caso emerge a aqui a concepção finalística
da libido em vez da função causal.
Auto-realização
Integrando as componentes conscientes e inconscientes, segundo Jung a vida psíquica
é racional que irracional. A energia libidica dà aquele estimulo para procurar sintetizar os
elementos que são em contradição. Segundo Jung, a libido tem uma direcção que tende a
realizar o indivíduo mas quando a libido encontra um obstáculo que bloqueia o seu fluir a
pessoa percebe um certo tipo de mal estar psíquico, ou seja, desequilíbrio, mesmo se este
bloqueio pode ser positivo no sentido de que ajuda a pessoa a enfrentar o momento e
sintetizar a sua vida.
Por outro lado, a actualização de si realiza-se através deste processo de individuação
(tornar-se a pessoa própria, o actuar-se como pessoa, mesmo como dever moral de cada
Módulo de Psicologia Geral 53

pessoa). A meta ideal para tornar-se “humano” é alcançar a conciliação entre o consciente e o
inconsciente mesmo se, obviamente, um desequilíbrio pode criar dinamismo no próprio
crescimento.
Jung desenvolveu um trabalho sobre atitudes que constituem o modo como a pessoa
reage aos estímulos que chegam, são modalidades de acção e existem dois modos
fundamentais: introversão e extroversão. Na primeira atitude o sujeito dirige a sua energia
para seu o próprio interior, tende a ser introspectivo, é guiado por referências de tipo interior
enquanto que o extrovertido dirige a sua energia para o fora do eu, para eventos e pessoas do
mundo exterior.

A Psicologia Individual de ALFRED ADLER


 Breves considerações biográficas
Alfred Adler (1870-1937), nascido em Viena, em família hebreia. Segundo entre 6
filhos, relativamente gracioso e sofria de uma forma de raquitismo e de criança desenvolveu
uma forma de competição com o primeiro irmão que era génio e sofria também pela limitação
física, por isso desenvolveu uma certa sensibilidade para com os mais necessitados.
De formação era médico, neurólogo, psiquiatra, sociólogo. A sua atitude diante dos
doentes era especial, e rejeitava o facto de mandar os doentes ao neurólogo enquanto este não
tinha nenhuma lesão e neste caso o neurólogo não tinha instrumentos necessários para
resolver o problema.
A obra fundamental escrita por Adler foi intitulada de “o temperamento nervoso”.
Nesta obra evidencia a mal estar ou distúrbio psíquico como sendo consequência de uma
atitude errada que o indivíduo adopta diante da lógica no enfrentar a vivência social. Segundo
o autor, existe oposição entre o indivíduo e a sociedade.
Pontos de divergência com Freud
Adler entrou também em contacto com Freud em 1911, mas diverge com o Freud
porque não concorda que com a ideia de que a libido seja a única fonte do distúrbio psíquico
da própria personalidade mas diz que a distúrbio psíquico é resultado da afirmação exagerada
de si.
Método
Estudo de historias de indivíduos que vem reconstruídas gradualmente através da
recordação da própria infância, o conhecimento da situação social do indivíduo. Assume
particular atenção o conhecimento com a posição em que o indivíduo ocupa em termos de
nascimento. Este método tendia a ajudar o indivíduo a compreender porque reage num certo
modo, as causas da sua inferioridade e depois a procurar um equilíbrio a nível emotivo, por
exemplo através do amadurecimento duma coragem, confiança que até pode conduzir o
indivíduo a inserir-se na sociedade.
Aspectos fundamentais da psicologia individual
 Adler é autor da psicologia individual (porque quer sublinhar que o indivíduo é
único, irrepetível e que não é possível isolar um acto, ou acção da totalidade da
personalidade) ou Teoria da unidade do indivíduo indivisível e livre, consciente
dos seus próprios objectivos, responsàvel nas suas acções.
 Adler acredita que o comportamento humano é determinado por forças sociais e
não biológicas e sugeria que só podemos compreender a personalidade
Módulo de Psicologia Geral 54

investigando os relacionamentos sociais e as atitudes que a pessoa tem com os


outros.
 Adler considerava a motivação humana um esforço para atingir a sua
superioridade, o poder. Assim, um sentimento generalizado de inferioridade é a
força determinante do comportamento. Somos mais influenciados por aquilo que o
futuro nos reserva.
 Adler também se concentrava na família como factor de desenvolvimento da
personalidade. Crianças com deficiências podem se considerar um fracasso , mas,
por meio da compesansão e com, a ajuda de pais compreensivos, podem
transformar inferioridade em forças.
 segundo Adler, o ser humano tende a realizar a própria personalidade, a própria
unidade e tudo aquilo que o estimula a realizar como unidade é uma necessidade
de conservação (biológica e psicológica) e de realização de si.
 A autorealização é a necessidade fundamental e é vivida na criança como
complexo de inferioridade, neste caso a criança recolhe a sua energia para poder
afirmar-se;
 o ambiente é um factor que condiciona a inserção adequada na sociedade, as
circunstâncias concretas onde o indivíduo actua o seu plano, o estilo de vida ou o
projecto existencial.
 - Para entender a pessoa, segundo Adler, é necessário entender o fim a que as
próprias actividades tendem. Para entender o fenómeno psíquico precisa entender
o fim concreto que a pessoa está a perseguir.

As Teorias Disposicionais de ALLPORT, CATTELL e EYSENICK


A orientação disposicional na teoria da personalidade está ligada a psicólogos anglo-
americanos:
A sua base de orientação é que o homem possui conjunto de pré-disposições para
reagir de modo determinado nas diferentes situações, isto é, a personalidade tem um grupo de
traços estáveis. Significa que o homem demonstra estabilidade determinada nos seus
procedimentos, pensamentos, emoções independentemente do tempo e da experiência.

A Psicologia Humanista de MASLOW e CARL ROGERS


Liderados por Abraham Maslow e Carl Rogers, os psicológos humanistas enfatizam o
potencial de crescimento de pessoas saudáveis.
Nesta corrente confluem várias expressões da psicologia que partilham a insatisfação
dos pressupostos deterministas e reducionistas da Psicanálise e do comportamentalismo. A
psicologia humanista constitui-se como terceira força (como foi chamada por Maslow) em
oposição às duas correntes (acima citadas) que então dominavam. Da psicanálise foi rejeitado
o determinismo biológico, na dinamicidade das pulsões que supera a espontaneidade e a livre
conduta individual enquanto o comportamentalismo foi rejeitado o elementarismo e pelo
objectivismo, que anula aquilo que na esfera da pesquisa psicológica concerne a totalidade e a
subjectividade.
O humanismo é uma orientação teórica que enfatiza as qualidades únicas dos seres
humanos, especialmente sua liberdade e potencial de crescimento pessoal.
Módulo de Psicologia Geral 55

Pressupostos teóricos da psicologia humanista


 A teoria humanista, é uma abordagem centrada no estudo de pessoas saudàveis e
criativas destacando o caracter único da personalidade humana, a busca de
valores e sentido de existência alem da liberdade de que demonstra a
autodirecção e auto-aperfeiçoamento. O comportamento depende do meio
social na interacção com os factores internos
 Acentua o caràcter da irruducional e unitàrio do Homem, onde as motivações
da acção não são as pulsões, mas são promovindas por tendências não
quantificàveis como a necessidade da exploração, a criatividade, a visão do
mundo em que se exprime a própria identidade, a qualidade das relações com os
outros e sobretudo a autorealização.
 Pela sua natureza o Homem tem capacidade para auto-aperfeiçoamento ou
auto-actualização (uso e explorarão plenos de talentos, capacidades,
potencialidades).

Os Psicólogos humanista:
 Consideram os seres humanos fundamentalmente bons e as psicopatologias
subentram quando ao Homem é impedido de seguir as inclinações naturais;
 Negam a teoria freudiana segundo a qual o comportamento adulto é
inevitavelmente o produto das experiências passadas.
 Defendem que a personalidade pode modificar-se também, na idade adulta;
 Afirmam que as pessoas possuem a liberdade e a capacidade de modelar o próprio
futuro, sobretudo se aceitam as experiências do aqui e agora.

Maslow e a Teoria da Auto-Realização


Abraham MASLOW (1908-1970), em 1962, em Broohklin Colleg nos Estados Unidos
deu início oficialmente a psicologia humanista.
Maslow descreveu a autorealização como a necessidade de tornar-se sempre mais
aquilo que cada um é, de tornar-se tudo aquilo que se é capaz de ser.
Como fundador da psicologia humanista põe uma incondicionada confiança nas
potencialidades da natureza humana que é boa, onde a doença, a maldade ou as forças
destrutivas são resultado da sua frustração e da perversão da natureza humana (insatisfação de
necessidades importantes), não hà traços negativos inatos.
Segundo Maslow a pessoa é portadora de necessidades e desejos. Para compreender a
sua personalidade e o seu comportamento devem ser analisadas as necessidades que orientam
a relação da pessoa no seu ambiente. Nisto, Maslow realizou uma organização hieràrquica de
cinco necessidades (a pirâmide das necessidades segundo Maslow) que progressivamente
têm sido satisfeitas para favorecer o crescimento e a maturação da pessoa, começando pela
satisfação das necessidades fisiológicas ligadas à sobrevivência chegando a auto-realização e
são estas necessidades que constituem a base da motivação do Homem.
1) necessidades fisiológicas: ligadas a sobrevivência, e tem um nível alto de
intensidade no nascimento: respirar, beber, comer, o sono, a higiene, etc.;
Módulo de Psicologia Geral 56

2) necessidade de segurança: emergem depois da satisfação das necessidades


fisiológicas, e compreendem a necessidade da estabilidade, da dependência, da
protecção, da liberdade do medo, da ânsia e do caos, a necessidade de ordem e de
lei, etc. Necessidade de sentir que o mundo é organizado e previsível; necessidade
de se sentir a salvo, seguro e estável.
3) necessidade de pertença e afecto (afiliação e de amor): Necessidade de amar e ser
amado, de pertencer e ser aceite; necessidade de evitar a solidão e a alienação. A
pessoa deseja relações de afecto com as pessoas em geral, deseja um lugar no seu
grupo ou na sua família e procura realizar este objectivo;
4) necessidade de autoestima e estima: depois da satisfação da necessidade de
afecto, nasce o desejo de estima de si mesmo (autoestima) e da parte dos outros
(desejo de prestigio, de fama, de gloria);
5) necessidade de autorealização: reflectem a tendência a realizar aquilo que se „e,
tornar-se aquilo que se „e capaz de ser, trata-se da tendência a realizar a própria
personalidade na totalidade.
Necessidade de corresponder o seu potencial pleno e singular. Neste nível o homem
orienta-se a aqueles valores que Maslow chamou de valores do ser (being) e que incluem a
beleza, a justiça, a lealdade. A satisfação destas necessidades dà saúde, enquanto a privação
orienta a patologia.

Carl Rogers e a Perspectiva Centrada Na Pessoa


O psicológo humanista Carl Rogers concordava com muito do que Maslow pensava.
Rogers considerava que as pessoas são basicamente boas dotadas de tendências para a auto-
realização. Cada um de nós é como uma semente, pronta para o crescimento e a realização, a
menos que seja frustrado por um ambiente que inibe o desenvolvimento.
A contribuição teórica de Rogers, tem sido denominada de fenomenologica. Este
estudioso parte da descrição do Homem considerando o quadro de referencia do indivíduo;
descreve o indivíduo partindo deste seu mundo fenomenico, daquilo que o indivíduo percebe
A teoria fenomenológica orienta-se com base nos seguintes princípios
O comportamento duma pessoa pode ser visto:
 Do ponto de vista do observador, daquela pessoa que vê do externo o
comportamento de um determinado indivíduo;
 Do ponto de vista do sujeito que actua num determinado comportamento,
sublinhado deste modo o aspecto subjectivo (reacção do sujeito „a percepção duma
determinada situação assim como ele a percebe).
O campo fenoménico ou de percepção é constituído não tanto pela realidade objectiva,
mas do mundo (seja interno que externo) como é percebido pelo sujeito. Este campo
fenoménico dependendo dos autores, é exclusivamente consciente ou compreende elementos
conscientes e subconscientes; para todos é todavia muito importante e é a verdadeira
realidade do sujeito.
Rogers, (1902-1987), na base das suas observações clínicas (1961) refutou a
concepção psiconalitica do conflito de natureza sexual a favor duma concepção positiva do
indivíduo.
O indivíduo, denominado de organismo por Rogers, tende em maneira natural à sua
própria realização, de que o organismo é portador, representa o caràcter motivacional mais
Módulo de Psicologia Geral 57

importante da teoria rogersiana, seja no que diz respeito ao desenvolvimento da


personalidade, seja pela importância no processo terapêutico.
O homem é visto como um ser constituído por varias partes integradas e, por isso,
relacionadas entre si. Rogers parte do conceito de eu (self) para explicar a personalidade
humana;
O conceito do “eu” exprime” um modelo interno que se vai formando a partir das
interacções que as pessoas tem com os vàrios contextos onde se movem. E‟ um padrão
organizado de percepções, sentimentos, atitudes que o indivíduo acredita ser exclusivamente
seu.
O “eu” como objecto de consciência: inclui o conceito de si, o conceito do próprio
esquema corpóreo, o conceito das próprias qualidades, tudo aquilo que o indivíduo sente
como seu.
O “eu” como centro da motivação: a estrutura perceptiva do eu em determinados
momentos vem estimulada; o sujeito sente, por exemplo, que a execução daquela determinada
tarefa é muito importante para si, e portanto, neste caso quando o eu é percebido como o
centro de motivação este eu é muito co-ligado ao sentido do valor pessoal porque quando
existe este aspecto da motivação o alcance duma determinada finalidade importante para o
sujeito darà um sentido de valor pessoal, de satisfação, de sucesso.
Para alem do eu, o sujeito organiza uma estrutura: o eu ideal (conjunto de
características que a pessoa gostaria de ser);
Rogers acredita que os seres humanos tem uma tendência natural para a “realização”,
esforço no sentido de congruência entre “eu” e experiência.
As interacções entre as pessoas são as que proporcionam o crescimento e o
desenvolvimento do Homem; a auto- realização „e é a principal forca motivadora.
Para Maslow – e mais ainda para Rogers-, um aspecto central da personalidade é o
auto-conceito, todos os pensamentos e sentimentos que temos em resposta aà indagação “
Quem sou eu?” Se nosso autoconceito é positivo, tendemos a agir e perceber o mundo de
maneira positiva. Se é negativo – se a nossos próprios olhos ficamos aquém do “eu ideal”
sentimo-nos insatisfeitos e infelizes.
Módulo de Psicologia Geral 58

TEMA 5:
PROCESSOS PSÍQUICOS/COGNITIVOS INTRODUCAO AO

Processos Cognitivos são processos que tem como característica mais saliente
representar o sujeito, um objecto ou fenómeno, em geral, exterior ao próprio sujeito. O seu
conjunto constitui a vida cognitiva ou intelectual. Os processos cognitivos possibilitam o
Homem realizar a actividade mental como a inteligência, capacidades, habilidades, etc. O seu
mau funcionamento compromete a actividade mental.
Alguns processos cognitivos:

Sensação
Fenómeno elementar da consciência resultante da excitação de um órgão dos sentidos
provocados por um estimulo interno ou externo. Consiste em reflectir as características
(propriedades) isoladas dos objectos.
Importância: Tomamos conhecimento do mundo em redor (sons, cores, cheiro,
tamanho), graças aos órgãos dos sentidos. São os primeiros elementos que nos põem em
contacto com a realidade e facilitam a apreensão da mesma. Os órgãos dos sentidos recebem,
seleccionam e acumulam a informação e, transmitem ao cérebro, surgindo o reflexo adequado
do mundo circundante e ao próprio organismo.

Percepção
Acto de organização de dados sensoriais pelo qual conhecemos “a presença actual de
um objecto exterior”: temos consciência da existência do objecto e suas qualidades.
Importância: A percepção no PEA está relacionada com a compreensão e
interpretação, análise intelectual do aprendido. A percepção ajuda a compreensão, análise
aprofundada do fenómeno e a chegar a conclusão sobre o mesmo.
A percepção está ligada a atenção. A atenção constitui a fase inicial da percepção e a
principal forma de organização da actividade cognitiva. A atenção é indispensável à
percepção, interpretação, compreensão, imaginação, assimilação, recordação e reprodução.
Durante a aula, a atenção ajuda a compreensão da essência das tarefas, ajuda a sua resolução e
verificação.

Memória
Capacidade de lembrar o que foi de algum modo vivido. Ela corresponde as seguintes
operações ou processos: a aquisição, a fixação, a evocação, o reconhecimento e a localização
das informações resultantes de percepções e aprendizagem. A memória facilita a organização,
fixação e retenção do aprendido, assim como a sua evocação., quando essa informação for
necessària. Não haveria evolução dos nossos conhecimentos se na medida que os
adquirissemos, os perdessemos. A memória conserva o passado e permite incorporà-lo na
estrutura cognitiva do sujeito.
Processos da Memória
Aquisição: consiste no contaco com a informação.
Fixação: para a fixação exige além da edequada aquisição, a repetição.
Evocação ou reprodução: consiste na lembrança do material fixado. É a reaparição na
consciência de um fenómeno passado. As informações armazenadas tentam a ser evocadas
junto das informações falsas.
Módulo de Psicologia Geral 59

Reconhecimento: identificação e uso de informações correctas, e as que vierem unidas


são rejeitadas. Consiste em referir ao passado as nossas lembranças, enquadrando-as num
contexto de factos da nossa experiência pessoal.
Localização: consiste em situar as recordações no trama da nossa história interior, em
dispô-las umas às outros, de forma a marcar-lhes o local próprio no tempo e no espaço, para
estabelecer a sua cronologia íntima e pessoal.
A fixação e a evocação serão tanto maiores quanto maior for o significado do material.
Diferentes partes da matéria devem ser relacionadas, matérias diferentes devem ser
articuladas.
- A memória é condição do progresso intelectual: não haveria evolução dos nossos
conhecimentos se à medida que os adquiríssemos, os perdêssemos;
- A linguagem seria impossível sem a memória, porque para falar é necessário reter as
palavras e o seu sentido;
- Permite aperfeiçoar os nossos actos;
- A personalidade não existiria sem memória, pois é ela que conserva o nosso passado
e permite incorporar no “eu” o que se vai leccionando, para organização da personalidade.
Quando o aluno não armazena o material aparece o esquecimento. O esquecimento é o
fracasso do esforço evocativo ou impossibilidade de reproduzir o passado.
Factores do esquecimento:
 Vastidão da matéria
 Irrelevância do conteúdo
 Falta de interesse
 Doenças da memória
 O tempo (as repetições devem ser curtas): a 1ªrepetição deve ser na aula.
 Cansaço

Pensamento
Processo cognitivo que permite a resolução de tarefas (processo de análise e síntese).
Permite reflectir de forma generalizada a realidade objectiva sob a forma de conceitos, leis,
teorias e suas relações.
Importância:
 Ajuda o indivíduo a superar as suas dificuldades desde as mais triviais até as mais
complexas;
 Planificação e organização lógica dos procedimentos a ter em conta na aula;
 Reflexão sobre uma tarefa para encontrar as mais adequadas soluções;
 Mudança de métodos habituais de resolução de tarefas colocadas;
 Avaliação de diversas variantes de resolução para encontrar um resolução mais
racional;
 É um factor de ligação entre o concreto e o abstracto.

O Pensamento e Linguagem
O pensamento está socialmente condicionado e ligado indissoluvelmente com a
linguagem, a fala. O pensamento humano é impossível sem a língua. Qualquer pensamento
Módulo de Psicologia Geral 60

surge e se desenvolve em ligação indissolúvel com a linguagem. Quando mais profundo e


bem ponderado é um certo pensamento, tanto mais clara e precisa é a sua expressão em
palavras. O homem quando resolve um problema pensa de si para si como se estivesse a
conversar consigo mesmo.

Imaginação
É o processo psíquico cognitivo, exclusivo ao homem, mediante o qualse criam
(elaboram) imagens e noções que não existiam na experiência anterior, ou seja, a habilidade
que os indivíduos possuem de formar representações, costruir imagens mentais a cerca do
mundo real ou mesmo de situações não directamente vivenciadas.
A base da imaginação são noções da memória que se completam por novas
percepções, transformando-se em novas percepções e noções.
Importância:
a. Permite conceber o resultado do trabalho antes do início;
b. Alarga os horizontes da memória e percepção;
c. Permite antecipar e construir o futuro e o nível de desenvolvimento da capacidade
inventiva. É parte do processo técnico-científico, literário.
d. Permite ao aluno estudar processos, fenómenos inacessíveis para a observação
directa, sua interpretação no quadro de diversas ligações e relações;
e) Desenvolve nos alunos a atitude criadora através e da análise e compreensão do
actual estado da ciência
Módulo de Psicologia Geral 61

MATÉRIA DE TRABALHO INDIVIDUAL


(Respeitando a Calendarização em quadro anexo)

TEMA 6:
ESFERA EMOCIONAL, SENTIMENTAL E VOLITIVA DA PERSONALIDADE

 Conceitos de Sentimento, Emoção e Vontade


 Bases fisiológicas dos Sentimentos, Emoções e Vontade
 Funções dos Sentimentos, Emoções e Vontade
 Características das Emoções, dos Sentimentos e da Vontade
 Teorias e tipos de Emoções, Sentimentos e da Vontade
 Diferenças entre Emoções humanas dos animais
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CALENDARIZAÇÃO DAS ACTIVIDADES LECTIVAS PARA PSICOLOGIA GERAL


CALENDARIZAÇ BIBLIOGRAFIA
TEMAS CONTEÚDOS
ÃO (recomendada para consulta)
(estudo individual)
1.  Psicologia do senso comum e Psicologia Científica 1. BOCK, A. M. Bahia et ali. Psicologias.
 O objecto e importância da Psicologia 1ª e 2ª 2. ADELINO, Cardoso et ali Rumos da
A Psicologia como  Estrutura e tarefas da psicologia e métodos da Psicologia semanas de psicologia 1993.
Ciência  Resenha histórica sobre a origem e desenvolvimento da Maio 2007 3. DAVIDOFF, L. Introdução a Psicologia,
Psicologia (2 semanas) 1997.
4. ROCHA, A., F. Z. Psicologia.
5. WEITEN, W - Introdução à Psicologia.
1981.
 O Homem como unidade bio-psico-sócio-cultural; o DAVIDOFF, L. Introdução a Psicologia.,
2.  Fundamentos biológicos da conduta; 1997.
 Psico-fisiologia do sistema nervoso; 3ª e 4ª o GRIFA, Maria C. e MORENO, José E.
Desenvolvimento  O papel da hereditariedade e do meio na conduta; semanas de Chaves para a psicologia de
do Psíquico e da  Desenvolvimento filogenéntico do psíquico; Maio 2007 desenvolvimento.
Consciência  Surgimento da consciência no processo da actividade (2 semanas) o WEITEN, W. Introdução à Psicologia.
Humana humana 1981
o LEONTIEV, A. O Desenvolvimento do
Psiquismo, 1978.
o LEZINE, I. Psicologia da primeira
infância, 1982.
3.  Conceito de Desenvolvimento; 1.BOCK, A. M. Bahia et ali. Psicologias.
 Factores do desenvolvimento e de crescimento; 1ª a 4ª 2.CAMPOS, Paiva Bartolo. Psicologia do
Psicologia  Desenvolvimento (cognitivo, psicossocial, psicosexual semanas de desenvolvimento e Educação dos jovens
Evolutiva/ moral) Junho 2007 3.DAVIDOFF, L. Introdução a Psicologia.,
Desenvolvimento  Teorias de desenvolvimento humano (4 semanas) 1997.
4.SPRINTHALL, N. A. e SPRINTHALL, R.
C. Psicologia Educacional, 1993.
Módulo de Psicologia Geral 63

4.  Conceitos da personalidade e sua estrutura; 1ª a 4ª 5.BRAGHIROLLI, Elaine M et ali.


 Génese e evolução da Personalidade semanas de Psicologia geral. Portugal: Editora Vozes,
Psicologia da  Factores gerais que influenciam a Personalidade; Julho 2007 1990
Personalidade  Teorias da Personalidade (4 semanas) 6.BOCK, A. M. Bahia et ali. Psicologias.
7.SPRINTHALL, N. A. e SPRINTHALL, R.
C. Psicologia Educacional, 1993.
5.  Processos cognitivos: conceito de sensação, percepção, 1. BRAGHIROLLI, Elaine M et ali.
memória, pensamento, imaginação; linguagem... 1ª a 4ª semanas de Psicologia geral. 1990
Processos  Leis, características, propriedades ou particularidades dos Agosto e 2. DAVIDOFF, L. Introdução a Psicologia,
Psíquicos/ processos psíquicos; 1ª e 2ª semanas de 1997
Cognitivos  Teorias dos processos psíquicos; Setembro 2007 3. LEONTIEV, A. O Desenvolvimento do
 Perturbações dos processos psíquicos; (6 semanas) Psiquismo, 1978.
Pensamento e linguagem, suas relações, aquisição e 4. SPRINTHALL, N. A. e SPRINTHALL, R.
desenvolvimento C. Psicologia Educacional, 1993.
5. VYGOTSKY, Lev S. Pensamento·e
linguagem 2001
6.  Conceitos de Sentimento, Emoção e Vontade 1. BRAGHIROLLI, Elaine M et ali.
Esfera Emocional,  Bases fisiológicas dos Sentimentos, Emoções e Vontade Psicologia geral. 1990
Sentimental e  Funções dos Sentimentos, Emoções e Vontade 3ª e 4ª semanas de e 2. DAVIDOFF, L. Introdução a Psicologia,
Volitiva da  Características das Emoções, dos Sentimentos e da Setembro e 1997
Personalidade Vontade 1ª a 4ª semanas de 3. LEONTIEV, A. O Desenvolvimento do
 Teorias e tipos de Emoções, Sentimentos e da Vontade Outubro 2007 Psiquismo, 1978.
 Diferenças entre Emoções humanas dos animais (6 semanas) 4. SPRINTHALL, N. A. e SPRINTHALL, R.
C. Psicologia Educacional, 1993.
5. VYGOTSKY, Lev S. Pensamento·e
linguagem 2001
64

BIBLIOGRAFIA

ADELINO, Cardoso e outros - Rumos da Psicologia, Lisboa – Portugal, Editora Rumos,


1993.
BIGGE, Morris L. Teorias da aprendizagem para professores. São Paulo: Editora Pedagógiga
e Universitária Ltda, 1977.
BRUNNER, Richard; ZELTNER. Dicionário de Psicopedagogia e psicologia educacional.
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BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair & TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi.
Psicologias: Uma introdução ao estudo da Psicologia. São Paulo: Editora Saraiva.
CAMPOS, Paiva Bartolo - Psicologia do Desenvolvimento e Educação dos jovens
COHEN-SOLAL, Julini; GOLSE, Bernard.No início da vida psíquica: o desenvolvimento da
primeira infância. Lisboa: Instituto de Piaget, 2002.
DAVIDOFF, Linda L. Introdução à Psicologia. São Paulo: Markron Books Ltda, 2001
FERREIRA, Roberto Martins. Sociologia da Educação. São Paulo: Editora Moderna
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Porto Alegre: Editora ARTMED, 1999.
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JACQUES-PHILIPE, Leyns. Teorias da Personalidade. Lisboa: Editora Verbo, 1985.
LEONTIEV, A. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Editora Progresso, 1978.
LEYENS, Jacques-Philipe. Psicologia Social. Lisboa: edições 70,1978.
LEZINE, Iréne. Psicologiada primeira infância. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1982.
MATTA, Isabel. Psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem. Lisboa: Universidade
Aberta, 2001.
MONTEIRO, Manuela dos Santos Ribeiro. Psicologia. Porto: Editora Muller, 1999.
NETO, Felix. Psicologia Social-vol II. Lisboa: Universidade Aberta, 2000.
NOVELLO, Fernando Parolari. Psicologia infantil. São Paulo:Edições Paulistas, 1987.
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PIAGET, Jean. Linguagem e Pensamento da criança. Portugal-Brasil-Paris: MORAES
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PIAGET, Jean. Seis estudos da Psicologia. Lisboa: Editora Dom Quixote, 1977.
RICHARD, Michel. As correntes da psicologia. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.
ROCHA, A; FIDALGO, Z. Psicologia. Lisboa: Editora Texto Lda.
Módulo de Psicologia Geral 65

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SPRINTALL, Norman A. SPRINTALL, Richard C. Psicologia educacional. Portugal, 1993.
SUTHERLAND, Peter. O Desenvolvimento cognitivo actual. Lisboa: Institito Piaget, 1996.
SUZZARINE, F. A Memória. São Paulo: Editora Verbo, 1980.
VIGOTSKI, L.S. O desenvolvimento psicológico na infância. São Paulo: Martins Fontes,
1999.
WALLON, H. Objectivos e métodos de Psicologia. Lisboa, 1980.
WEITEN, Wayne. Introdução à psicologia. São Paulo: Pioneira-Thomsom Learning, 2002.
WERTHEIMER, Michael. Pequena história da psicologia. São Paulo: Companhia Editora
Nacional.