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AS PRÁTICAS SOCIAIS DE LEITURA DOS ALUNOS DA REDE PÚBLICA

ESTADUAL DE ENSINO E O USO DAS NOVAS FERRAMENTAS DIGITAIS

Guiomar Timoteo Coura


(FaE-UFMG)
tguiomar@yahoo.com.br

Gilcinei Teodoro Carvalho


(FaE-UFMG)
gilcineicarvalho@gmail.com

O ensino de leitura é um assunto frequentemente analisado pelas instituições de educação.


Primeiro, porque os resultados das avaliações externas das escolas públicas não são tão
animadores. Depois, porque cada vez mais se tem cobrado das sociedades modernas práticas
relacionadas ao ensino de leitura com abordagens que promovam certas competências
leitoras, quer para um posicionamento mais crítico, quer para um enquadramento no mundo
do trabalho. Contudo, vivemos a era da tecnologia que também se constitui como uma fonte
de ensino que influencia os alunos nos contextos escolares. Desse modo, Faria (2004) sugere
em seus estudos uma proposta pedagógica que insira as novas tecnologias como uma das
ferramentas de ensino e aprendizagem. O interesse por pesquisar a relação entre o letramento
escolar e o letramento não escolar, envolvendo o processo de leitura na escola, parte da minha
prática como professora de Língua Portuguesa do Ensino Médio, ao perceber que alunos liam
obras por meio de indicações de Clubes de leitura. Para Cosson (2014), os Círculos de leitura
são espaços sociais nos quais as relações entre textos e leitores, entre leitura e literatura, entre
o privado e o coletivo são expostas e os sentidos dados ao mundo são discutidos e
reconstruídos. Nesse sentido, existem os canais literários virtuais no youtube, os booktubers,
que são pessoas que produzem vídeos sobre livros para o youtube, dando a sua impressão de
leitura. É possível perceber, então, que existem outras práticas que também podem influenciar
o processo de ensino e aprendizagem de leitura do aluno além daquele que é ensinado pela
escola. Por isso, este estudo tem como objetivo investigar o processo de formação de
comunidades leitoras constituídas pelos canais literários virtuais no youtube, apresentados
pelos booktubers, uma vez que, de acordo com Heeman (2010), os usuários na WEB 2.0
passam de agentes passivos a agentes altamente ativos que escrevem, que criticam e avaliam,
e que também são criticados e avaliados, gerando uma grande troca de informações,
formando, assim, uma enorme rede de comunidades virtuais que compartilham saberes e
opiniões. O estudo visa conhecer a relação entre as práticas de letramentos escolares e não
escolares, tendo em vista a ideia de letramento como uma prática social mais ampla e situada,
uma atividade social, mais ou menos estável (BARTON e LEE ,2015). Como procedimentos
metodológicos, nesta pesquisa investigativa usamos, primeiramente, a aplicação de um
questionário com perguntas fechadas e abertas, sobre a prática de leitura dos alunos. O
questionário foi baseado no modelo utilizado na pesquisa da revista “Retratos da Leitura no

Anais do VII Colóquio Internacional sobre Letramento e Cultura Escrita: Leitura e Escrita como Prática Social
ISBN 978-85-8007-135-1
Brasil 4”. A pesquisa ainda está em andamento, portanto, os dados a seguir são parciais. Para
o levantamento dos dados, foram convidados alunos de diferentes anos do Ensino Médio de
uma escola da rede estadual de ensino na cidade de Santa Luzia – MG, totalizando 67 alunos
interessados em participar. Dentre as várias perguntas, apresentaremos somente os dados
relacionados aos canais literários virtuais. De acordo com os dados, percebemos que 45 dos
entrevistados responderam que sabem o que é um clube de leitura e 5 alunos responderam que
já haviam participado de um clube de leitura. Quanto aos canais literários virtuais na internet
ou no youtube, 14 alunos responderam que conheciam esses canais. Ao citarem nomes de
clube de leitura, canal literário ou clube do livro na internet ou no youtube que conheciam,
percebemos que nenhum dos nomes citados pelos alunos no questionário tratavam-se dos
canais mais indicados pelo Google ou youtube ou daqueles que aparecem nos primeiros
lugares na lista de busca. Perguntamos aos alunos que demonstraram conhecer os canais
literários virtuais se eles já haviam lido algum livro por indicação do(s) apresentador(es).
Nove responderam que sim, sendo que sete responderam que acessavam frequentemente esse
tipo de canal. Por fim, perguntamos se o entrevistado acessava outra rede social do mesmo(a)
apresentador(a) do canal e qual rede social. Dos que responderam que acessavam outras redes,
as indicações foram Twitter, Instagran, Greenelly e Wattpad. Como continuidade da pesquisa,
estão sendo feitas entrevistas com alguns alunos participantes, com o intuito de conhecer
como eles interagem com esses canais literários virtuais. Para isso, está sendo utilizado um
vídeo na investigação. Com os dados iniciais dessas entrevistas, percebemos que alguns
alunos já conheciam o canal apresentado e o Instagran da booktuber. Muitos alunos leem
livros por influência das resenhas feitas nos canais, mas também escolhem livros de outras
maneiras. Alguns leem os livros e assistem aos filmes baseados nos livros. Muitos têm o
hábito de comprar livros e conversar sobre eles.

Palavras chaves: letramentos escolares e não escolares; comunidades de leitores; booktubers.

Referências

BARTON, David; HAMILTON, Mary. Literacy practices. In: BARTON, David;


HAMILTON, Mary; IVANIC, Roz. Situated literacies. Reading and writing in context.
London: Routledge, 2000. p.7-15

BARTON, D.; LEE, C. Linguagem online: textos e práticas digitais. São Paulo: Parábola
Editorial, 2015.

COSSON, Rildo. Círculo de leitura e letramento literário. São Paulo: Contexto, 2014.

FARIA, Elaine Turk. O professor e as novas tecnologias. Porto Alegre, EDIPUCRS, 2004.

HEEMANN, Christiane. A formação de comunidades virtuais e a Web 2.0. Signo, Santa Cruz
do Sul, v. 35, n. 59, p. 255-273, jul. 2010. ISSN 1982-2014. Disponível em:

Anais do VII Colóquio Internacional sobre Letramento e Cultura Escrita: Leitura e Escrita como Prática Social
ISBN 978-85-8007-135-1
<https://online.unisc.br/seer/index.php/signo/article/view/1418>. Acesso em: 23 maio 2018.
doi:http://dx.doi.org/10.17058/signo.v35i59.1418

Retratos da leitura no Brasil 4/ organização de Zoara Failla. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.
296 p

Anais do VII Colóquio Internacional sobre Letramento e Cultura Escrita: Leitura e Escrita como Prática Social
ISBN 978-85-8007-135-1