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APRECIAÇÃO I

APRESENTAÇÃO

Diante da parceria firmada entre o Conservatório de Música Popular


Cidade de Itajaí com a Faculdade de Música da Unicamp, foi feita a
contratação de pós graduados desta universidade para lecionar algumas
disciplinas, como Apreciação, no Conservatório.
As aulas eram ministradas mensalmente, com uma carga horária unificada.
Diante da realidade encontrada em nosso contexto didático de ensino e
aprendizagem, constatou-se a necessidade de inserir a disciplina de
Apreciação com aulas semanais, a fim de fragmentar os conteúdos diários
considerados excessivos.
Através da contratação e remanejamento de professores, o Conservatório
em sua nova adminstração, consegue se dinamizar as adequações de um
ensino de qualidade, com professores lecionando semanalmente e
mantendo o valioso convênio com a Unicamp, agora focado nos
instrumentos específicos.
Os materiais didáticos, que serão usados, foram confeccionados
especialmente para a disciplina de Apreciação Musical, organizada pelo
professor Pablo Y Castro, somando-se a dinâmica das aulas e outros fatores
teórico-didáticos feitos por mim.
Espero que todos aproveitem ao máximo os conteúdos e colham ótimos
frutos e consigam apreciar a vida através de vastos critérios sonoros.

Apenas ouçam!

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CONSERVATÓRIO DE MÚSICA CIDADE DE ITAJAÍ

Apreciação I Profº Duda Cordeiro

UNIDADE 1 - ELEMENTOS BÁSICOS DA MÚSICA

As obras musicais são resultantes da junção de diversos componentes sonoros, de


naturezas distintas. São eles os elementos básicos da música:

melodia – harmonia – ritmo – timbre – forma - textura

Com poucas exceções, como por exemplo, muitas músicas da era medieval, que não
continham harmonia, todos os aspectos dos elementos supracitados estão presentes nas
peças musicais. Nesta unidade iremos tratar de melodia, harmonia e ritmo, com ênfase
no primeiro desses aspectos.

1) RÌTMO

O ritmo de uma peça musical é um conceito que engloba a duração de sons e sua
acentuação. Pode haver uma batida regular, executada por um instrumento, ou não.
Assim, ainda que não haja pulso na música (pulsação regular), há ritmo, uma vez que
este é um conceito mais amplo do que aquele, por envolver elementos associados às
figuras de valor de cada nota, e não somente a métrica regular da música. Quando
falamos em ritmo, pensamos em levada, batida. Para Willens, o ritmo se associa ao
aspecto físico do ser humano.

Instrumentos essencialmente rítmicos (1): Bateria, pandeiro, agogô, ganzá,


tumbadora, bongô, tímpano e toda infinidade de instrumento de percussão.

1 Estes são apenas os instrumentos que são essencialmente ligados a execução do ritmo. Os
outros instrumentos, porém, podem também ser considerados rítmicos, já que toda linha
melódica ou harmônica também possui ritmo próprio.

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Exemplos de peças essencialmente rítmica:Tambaleando (grupo percussão)- áudio1
Paticumpá (grupo percussão ) – áudio 2

Ostinato
O ostinato (do italiano obstinado) é um recurso rítmico que se caracteriza pela repetição
insistente, dentro de uma mesma ação, de um fragmento melódico ou rítmico da peça.

Podemos classificar o ostinato na música popular em pelo menos dois tipos:

-ostinato em seção, onde aparece numa seção rítmica inteira.

-ostinato em trecho, onde aparece repetições em fragmentos de uma peça. Mais


interessante na nossa análise de apreciação.

Exemplo de peça que apresenta ostinato: Fuga (Dr. Cipó) - áudio 3 e Maria Farinha
(Giana Cervi)) áudio 4

2) HARMONIA

A harmonia é um conjunto de notas que tem a função de criar o preenchimento da


música, o suporte sobre o qual a melodia poderá ocorrer. Geralmente estas notas são
executadas simultaneamente, havendo a exceção dos acordes arpejados, que também
configuram harmonia da peça. Forma, ao lado do ritmo, o “chão” da música. Quando
pensamos em harmonia, nos referimos aos acordes, ao acompanhamento. Willems diz
que a harmonia se liga ao aspecto mental do indivíduo.

Instrumentos harmônicos (todos os que podem executar mais de uma nota ao


mesmo tempo): Instrumentos de teclado em geral (piano, teclado, órgão, cravo, etc...),
violão, cravo, harpa, guitarra, alaúde, acordeon.

Obs.: Todos os instrumentos harmônicos podem também executar melodias.

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Exemplo de peça com seqüência harmônica: The rules of the game. Thierry
Crommen e Jacques Stotzen (áudio 5).

3) MELODIA

A melodia é um grupo de notas tocadas sucessivamente, organizadas de determinada


maneira que se forme sentido musical. É a parte da música que, de forma geral, mais os
chama a atenção, e muitas vezes é executada em região mais aguda do que ocorre a
harmonia. Quem executa a melodia principal de determinada peça é o solista da mesma.
Quando pensamos em melodia, estamos falando de notas. Para Willems, a melodia é o
elemento musical que se liga a afetividade.
Instrumentos essencialmente melódicos: Flauta, violino, oboé, trompete, gaita
(harmônica), canto, saxofone, trombone, etc...
Obs: os gaitistas mais virtuosos conseguem também executar harmonia na gaita.

Exemplo de peça que apresenta apenas melodia: solo de gaita – música irlandesa.
Brendan Power (áudio 6)

3.1) Melodias Secundárias

Chamaremos de “melodias secundárias” todas as melodias que não sejam a melodia


principal.

a) MELODIA EM BLOCO
Um arranjo a duas vozes consiste em criar uma linha melódica que acompanhe a
melodia e a harmonia da música escolhida. As possibilidades de criação desta segunda
melodia são muitas, então para facilitar o estudo iremos agrupar em dois tipos básicos.
Um deles é o que chamaremos de Melodia em Bloco que consiste na criação de uma
segunda voz com o ritmo exatamente igual ao da melodia principal.
b) CONTRACANTO
O contracanto, também chamado de contraponto (palavra oriunda da expressão em latim
punctus contra punctus) é uma linha melódica que ocorre concomitantemente à melodia

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principal. Quando o ritmo da segunda voz for diferente da melodia principal, criando
deste modo uma certa independência entre as duas melodias, denominaremos de
Contracanto.
Pode ser:
Contracanto Passivo: consiste em criar uma melodia cujo as notas tenham a mesma
duração do acorde em que ela está inserida. O ritmo do contracanto segue o ritmo
harmônico. melodia com rítmica linear e aproximada do ritmo harmônico.
Exemplo de contracanto passivo: Linda Juventude e Planeta Terra (14 Biss) –áudio 7

Contracanto Ativo: consiste em criar uma melodia que tenha uma movimentação
rítmica maior do que o contracanto passivo e mais independente em relação ao ritmo
harmônico criando, deste modo, um contraste ainda maior em relação a melodia
principal.è uma melodia não linear ritmicamente e dessincronizada da melodia
principal.

Exemplo de contracanto ativo: Andança (Edmundo Souto, Dorival Caymmi e


Paulinho Tapajós) – áudio 8

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Contrabaixo

O contracanto, quando realizado numa região grave, estabelece o que é chamado de


contrabaixo (abreviação da expressão contracanto baixo), palavra que denomina
também alguns dos instrumentos que executam esta linha melódica (por exemplo, a
tuba, o violão de sete cordas, o contrabaixo elétrico e o contrabaixo acústico). Em
relação ao contrabaixo elétrico, instrumento recorrente nos grupos instrumentais de
música popular brasileira, há um aspecto que deve ser assinalado: Este instrumento
geralmente se relaciona não só com o aspecto melódico (por executar uma melodia
secundária), mas também a possui forte função rítmica e harmônica. Rítmica por
executar, em muitos casos, figuras rítmicas próprias do estilo musical em questão,
sincronizadas com a percussão ou bateria e harmônica por dar a base dos acordes,
tocando a fundamental dos mesmos em muitos casos.
Obs.: O contraponto ativo pode ser composto por uma figura rítmica em ostinato.

SOLI
O soli (plural de solo, em italiano) é uma característica musical que se estabelece
quando dois ou mais instrumentos ou cantores tocam em bloco, ou seja, executam
melodias com notas de alturas diferentes e rítmica igual como a melodia em bloco.
Definindo algumas características referente a altura das vozes, temos o Soli a2, quando
há três vozes temos o Soli a3, e assim por diante). A música que contém Soli a2 é a que
apresenta a popular segunda voz.

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Exemplo de Soli a2: she loves you (Beatles) – audio 9

DOBRAMENTO
A execução de uma mesma melodia por mais de um instrumento ou cantor se chama
dobramento, ou seja, uma melodia em bloco tocada na mesma nota. Se a melodia
ocorre em oitavas diferentes, é um dobramento de melodia em oitava. Se ocorre na
mesma oitava, chamamos de dobramento em uníssono.

3.2) Ativações rítmicas da melodia

Muitos dos estilos da música popular apresentam uma levada que se caracteriza por
determinadas figuras rítmicas. As melodias destes estilos também apresentam
características rítmicas próprias, condizentes às células executadas pela seção rítmica,
apresentando assim uma determinada pulsação básica. Conhecer a pulsação básica de
cada estilo é algo muito útil ao processo de releitura de peças musicais. Muitas são as
peculiaridades rítmicas existentes, mas nos resumiremos a duas recorrentes na música
popular: a suingada e a sincopada. A tabela abaixo nos dá algumas informações sobre
esta:

Obs: Em partituras de músicas com pulsação suingada, duas colcheias devem ser
executadas como três tercinas com ligadura de valor entre a primeira e a segunda. Neste
caso, inclui-se a expressão “pulsação suingada” no início da partitura.

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Exemplo de melodia sincopada: Saudosa Mangueira (Herivelto Martins) Velha
Guarda da Mangueira e Alcione. – áudio 10

Exemplo de melodia suingada: Straight, no chaser (Thelonious Monk) . –audio 11

Muitas vezes, um dos elementos básicos da música pode sobressair nas obras musicais.
Vejamos alguns exemplos.

Melodia e ritmo: Picadinho à baiana. – áudio 12

Ritmo e harmonia (sem melodia principal): Meninos e meninas. Legião Urbana –


áudio 13

UNIDADE 2 – TIMBRE

O timbre pode ser entendido como a marca registrada de determinado instrumento


musical, sendo resultante das características da série harmônica produzida pelo mesmo.
A forma como os harmônicos estarão dispostos, por sua vez, é influenciada por alguns
fatores: o material de que é feito o instrumento, o modo como os sons são emitidos e o
modo como ressoam. É o timbre que possibilita que haja distinção entre instrumentos
musicais diferentes tocando em uníssono.
Quando uma corda, ou um tubo de ar, ou mesmo uma caixa de ressonância é acionada
(seja com um arco, com o sopro, ou com o dedo), ela vibra por completo e, ao mesmo
tempo, em suas duas metades, seus três terços, quatro quartos e assim por diante. A
primeira vibração (ou seja, por completo) é a que define a freqüência da nota que
ouvimos. As outras vibrações (duas metades, três terços, etc...) fazem surgir “notinhas”
a mais, que soam junto com a fundamental mas, no entanto, são muitas vezes
imperceptíveis aos nossos ouvidos. Estes sons fracos e agudos que “colorem” as notas
são chamados de harmônicos. A composição dos harmônicos, que muda de um
instrumento musical para outro, é o que define a característica sonora de cada um deles.

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Instrumentos musicais
Quando pensamos em diferentes timbres, nos remetemos aos diversos tipos de
instrumentos musicais existentes. Como há um número muito elevado destes, e ainda o
fato de que muitas localidades possuem instrumentos musicais característicos. Podemos
concluir um que há um número praticamente incontável de timbres envolvidos nas
produções musicais ao redor do mundo. Portanto, a presente aula tratará apenas de
alguns dos instrumentos da música popular e da orquestra sinfônica.

Classificação dos instrumentos musicais

Existem inúmeras formas de classificar os instrumentos musicais. Na Grécia antiga, por


exemplo, os instrumentos eram classificados em animados (voz humana) e inanimados
(cordas e sopros). Na classificação de européia tradicional, de Boethius, os instrumentos
são separados em três grupos: sopros, cordas e percussão. A Classificação orquestral,
por sua vez, compreende quatro famílias (madeiras, metais, cordas e percussão). Por
outro lado, na classificação clássica de Hornbostel e Sachs, os instrumentos compõem
seis grupos: idiófonos, membranófonos, cordófonos e aerófonos, eletrófonos e
corpófonos.
A classificação de Hornbostel e Sachs é, sem dúvida, o mais completo sistema de
taxonomia instrumental já elaborado até hoje, e por este motivo, será o adotado em
nosso trabalho. Por outro lado, muitos profissionais se orientam também pela
classificação orquestral e, sendo assim, este sistema também estará presente no curso.
Hoje veremos os cordófonos , bem como seus grupos equivalentes na classificação
orquestral.

Classificação Moderna de Hornbostel e Sachs

O sistema de classificação de E.M. von Hornbostel e Curt Sachs se tornou público em


1914, através da obra Systematik de Musikinstrumente: ein Versuch, publicada em 1914,
sendo que inicialmente este sistema compreendia apenas quatro grupos. Mais tarde,
devido à evolução tecnológica, foi incluído um quinto grupo, dos eletrófono, e, em 1980
o grupo dos corpófonos foi adicionado pelo estudioso Dale Olsen. Dessa maneira,

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chegamos a chamada Classificação Moderna de Hornbostel e Sachs. Que
compreendem os seguintes grupos:

MEMBRANÓFONOS: Instrumentos que produzem som através de uma membrana


esticada.
CORDÓFONOS: Instrumentos que produzem som através de vibrações em uma corda
esticada.
AERÓFONOS: Instrumentos que produzem som através da vibração em uma coluna
de ar.
IDIÓFONOS: Instrumentos que produzem som através da vibração de sua própria
substância.

ELETRÓFONOS: Instrumentos que produzem som através de meios elétricos.

CORPÓFONOS: Instrumentos que são parte do corpo humano.

Classificação Orquestral

Este tipo de classificação divide os instrumentos em quatro grandes grupos, que são
chamados de famílias: a família das cordas, madeiras, metais e percussão. Esta maneira
de classificar os instrumentos se associa à música erudita, sendo utilizada para
caracterizar, por exemplo, os instrumentos da orquestra moderna. É importante termos
em mente que o nome da família a qual pertence o instrumento nem sempre é
condizente com o material do qual o mesmo foi feito. Assim, um instrumento
classificado como madeira pode ser, por exemplo, feito de metal (este é o caso da
flauta). Isto ocorre porque alguns instrumentos inicialmente feitos de madeira passaram
a ser construídos com outros materiais, com o passar dos anos. Segue a lista dos
principais instrumentos associados a cada uma das famílias:

FAMÍLIA DAS CORDAS: Estes instrumentos possuem em comum o fato de que sua
sonoridade advém de uma corda que vibra.

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FAMÍLIA DAS MADEIRAS: Compreende a flauta e os instrumentos de palheta.
Estes instrumentos têm em comum o fato de que o tubo tem diâmetro relativamente
grande e comprimento relativamente pequeno, e geralmente possuem chaves.

FAMÍLIA DOS METAIS: São os instrumentos nos quais o som é produzido pelas
diferentes tensões labiais (“abelhinha”) e pressão diafragmática do músico. O diâmetro
é relativamente pequeno e o comprimento é relativamente grande, e no geral estes
instrumentos têm válvulas, e não chaves.

FAMÍLIA DA PERCUSSÃO: Os instrumentos desta família possuem em comum o


fato de que tem a sonoridade produzida por um ataque feito por uma baqueta, martelo
ou mão.

CORDÓFONOS

Muitos dos instrumentos desta família possuem grande capacidade expressiva e de


condução melódica.

EXEMPLOS DE INSTRUMENTOS: Família das cordas (violino, viola, violoncelo,


contrabaixo acústico e harpa), piano, cravo, viola caipira, violão e suas variáveis,
guitarra, contrabaixo elétrico, bandolim, banjo, cavaquinho, cítara.

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Lembre-se: Apesar do fato de que a guitarra e o contrabaixo elétrico são instrumentos
de corda, os mesmos não são classificados como cordófonos, mas sim como
eletrófonos. Isto porque os mesmos possuem naturalmente um sistema elétrico de
produção de som, que caracteriza um eletrófono. Não seria possível imaginar uma
guitarra sem o sistema de captadores, por exemplo. Por outro lado, o violão não precisa
ter um sistema de captação para constituir-se, e portanto é considerado como cordófono.

Alguns efeitos idiomáticos e instrumentos geralmente associados:

Pizzicato (violino, viola, violoncelo e contrabaixo acústico): Pinçar a corda de um


instrumento de cordas arcadas. Ex. Long Story (John Patittucci)

Tremolo (violino, viola, violoncelo e contrabaixo acústico) : Uma rápida repetição de


uma mesma nota ou acorde. Ex.: Recuerdos de La Alhambra (Tarrega). Índios Tabajara.

Rasgueado (violão): Golpeamento enérgico das cordas, para cima ou para baixo,
geralmente com grande contato das unhas com as cordas. Ex.: Concerto de Aranjuez
(Rodrigo). Interpretado por Paco de Lucia.

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Bend – abreviação de pitch bending, do inglês “alteração de freqüência”(guitarra):
Esticamento da corda com a ponta do dedo.

Disposição Orquestral dos Cordófonos

AERÓFONOS
Este grupo se caracteriza por grandes possibilidades técnicas e enorme riqueza
timbrística (família das madeiras), além de uma característica militar e de
preenchimento coral (família dos metais).

EXEMPLOS DE INSTRUMENTOS: Família das madeiras (flauta, flautim, oboé,


corne inglês, fagote, contrafagote, clarinete, clarone), família dos metais (trompa,
trompete, trombone, tuba), saxofone e todas suas variáveis, pífano, quena, zamponha,
flauta-doce, órgão de tubos, flugelhorn, escaleta, sanfona e suas variáveis, harmônica.

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Alguns efeitos idiomáticos e instrumentos comumente associados:

Som rouco (Saxofone): Distorção do som através da voz, causando uma espécie de
aspereza no som. Efeito muito usado em músicas populares de massa, como o rock,
pop, sertanejo moderno. Ex.: Iron Lion Zion. Bob Marley.

Frulato (Família das Madeiras): Vibração da língua em “tr” simultaneamente á


emissão do som.

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Portamento (Trombone): Uma modificação de freqüência contínua, ascendentemente
ou descendentemente, utilizando todas as freqüências possíveis, inclusive menores que
o semitom.

Multifônico (Família das Madeiras): Produção de dois ou mais sons simultaneamente,


podendo ser com o auxílio da voz, neste caso, efeito associado a flauta transversal.

Uso de Surdina (trompete): Uso de um objeto com a função de diminuir o volume


sonoro do instrumento. O timbre se modifica. Ex.: Autumn Leaves. Intérprete: Miles
Davis.

INSTRUMENTOS COM TIMBRES SIMILARES:


Banjo e Bandolim.

Saxofone soprano e Oboé.

Trompa e Trombone.

Trompete e Flugelhorn.

Oboé e Corne inglês.

Violoncelo e Contrabaixo acústico.

EXERCÍCIO:

Descreva os timbres dos instrumentos abaixo.

INSTRUMENTO
Bandolim
Banjo
Viola Caipira
Cavaquinho
Cítara
Clarinete
Clarone
Contrabaixo acústico
Corne Inglês
Cravo
Escaleta
Fagote
Flauta
Flauta-doce
Flautim
Flugelhorn
Harmônica
Harpa

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Oboé
Sanfona
Trombone
Trompa
Trompete
Tuba
Viola
Violão aço
Violão nylon
Violino
Violoncelo
Zamponha

MEMBRANÓFONOS

Este grupo de instrumentos apresenta grande capacidade de enfatizar as mudanças


estruturais, acentuar ataques e conferir aspecto dançante à música.

EXEMPLOS DE INSTRUMENTOS: Pandeiro, bateria, tímpano, alfaia, djembê,


bumbo, caixa, zabumba, tabla, atabaque, tumbadora, bongô, tamborim, repinique,
repique, surdo, cuíca, timbales.

Alguns efeitos idiomáticos e instrumentos comumente associados:

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Rulo/Rufo (caixa, tímpano): Seqüência de toques rápidos no instrumento, equivalente
ao trêmolo das cordas. Ex. Shaker loops – Jon Anderson e Bring the boys back home –
Pink Floyd.

Toque com vassourinhas (caixa): Uso de baquetas que possuem em sua extremidade
vários fios de metal, que a fazem se assemelhar a uma vassoura. Ex. Fly me to the
moom – Diana krall

Toque no aro (caixa): Tocar no aro do instrumento. No woman no cry. Bob Marley

Trinado (pandeiro): Esfregar o dedo encostado diagonalmente na pele. Ex: Paticumpá.

CORPÓFONOS

Estes instrumentos apresentam grande capacidade expressiva e originalidade


timbrística.

EXEMPLOS DE INSTRUMENTOS: Voz, percussão corporal (palmas, estalos,


etc...), assovio.

Voz humana
A voz é tida por muitos como o mais sutil, flexível e expressivo dos instrumentos.

Extensão é a região abarcada pela nota mais grave até a nota mais aguda da voz.

Tessitura é a região da extensão que é cantada confortavelmente e que apresenta maior


fluência de execução. De forma bastante aproximada (podendo este valor variar bastante
de um músico para o outro), a tessitura é igual à extensão diminuída de uma terça menor
acima e abaixo. Há grandes variações inter e intra-cantor, em relação à extensão e à
tessitura. Quanto ao primeiro aspecto, faixa etária, aparato fonador e nível de
proficiência são variáveis influentes, e quanto ao aspecto intra-cantor, podemos citar as
questões fisiológicas e emocionais como variáveis importantes.

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Na música erudita, os cantores recebem denominações de acordo com sua extensão
vocal, notas de mudança de registro, qualidade timbrística e até mesmo características
psicológicas e físicas. Em linhas gerais, no contexto operístico as sopranos assumem
papéis de mocinhas, submissas; mezzos e contraltos os papéis de bruxas, pessoas más.
Tenores representam os personagens engraçados; barítonos os heróis, valentes; e baixos
os seres poderosos (Deus ou o diabo, por exemplo). O sufixo ligeiro denota um timbre
mais agudo, lírico um timbre com preponderância na região média e dramático um
timbre mais grave. Outras denominações, como por exemplo spinto ou coloratura
podem ser adicionadas. Desta maneira, podemos ter uma soprano ligeiro, uma soprano
coloratura, um tenor spinto, baixo lírico, etc...).

Na música popular, não há um padrão de classificação por extensão. Geralmente os


cantores são associados ao estilo no qual são especializados (cantor de roque, cantor de
samba, etc...) e também à extensão (extensões das vozes soprano e tenor são chamadas
de vozes agudas, enquanto que a de mezzo, contralto, barítono e baixo são as vozes
graves). Sendo assim, em música popular, podemos ter um cantor de samba de voz
grave, uma cantora de roque de voz grave, um cantor de pop de voz aguda, etc...

Classificação das vozes pela extensão vocal:


As seis principais vozes corais são da região grave para a aguda: baixo, barítono e tenor
(masculinas) e contralto, mezzo-soprano e soprano (femininas). As extensões das três
vozes femininas são as mesmas das três vozes masculinas, porém com uma oitava de
diferença. Portanto, de maneira mais didática, podemos dizer que cada voz feminina
possui sua equivalente masculina uma oitava abaixo. É muito importante que o músico
acompanhador e o arranjador tenham conhecimento das extensões das vozes corais, já
que, dessa maneira, podem criar suas obras no tom adequado para o solista em questão.

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Nota-se que as notas iniciais das três vozes femininas ou masculinas são as da tríade de
fá maior.
Obs.: No caso de solistas eruditos, a extensão média é de duas oitavas, mas no caso da
soprano dramático, algumas cantoras podem apresentar quase três oitavas de extensão.

Apesar de que na música popular a classificação por extensão se resumir usualmente às


descrições grave ou agúdo , conforme vimos anteriormente, em alguns casos, como por
exemplo na execução de arranjos e acompanhamentos instrumentais, tal nomenclatura
pode se configurar insuficiente. Deste modo, é interessante que o cantor popular tenha
também conhecimento de sua classificação de voz coral, de acordo com sua extensão

Alguns efeitos idiomáticos da voz:

Scat Singing: Improvisar cantando sílabas onomatopéicas ou sem sentido lingüístico.


Ex.: Um Dom pra Salvador- Ed Motta.

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Falsete (segundo modo de fonação): Cantar vibrando as cordas vocais com amplitude
menor do que a usual, de maneira que a extensão é aumentada significativamente. Ex.
Hello goodbye (Milton Nascimento)

Boca chiusa: Cantar sem palavras e com a boca fechada.

EXERCÍCIO:
Descreva os timbres dos instrumentos abaixo.
INSTRUMENTO - DESCRIÇÃO
Alfaia
Bongô
Cuíca
Surdo
Tabla
Tamborim
Timbales
Tímpano
Tumbadora
Soprano
Mezzo-soprano
Contralto
Tenor
Barítono
Baixo

IDIÓFONOS

Os idiófonos são os instrumentos musicais que produzem som através do ataque feito a
sua própria substância (o sufixo idio vem do grego idios, que significa próprio),
geralmente uma superfície dura, nem uma corda e nem uma membrana. De forma
generalizada, podemos dizer que os idiófonos são todos os instrumentos de percussão
sem pele. Estes instrumentos têm em comum a grande capacidade de estabelecer
ataques (com os pratos, por exemplo), enriquecer timbristicamente a seção rítmica,

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enfatizar as mudanças estruturais e conferir o aspecto dançante a muitos gêneros
musicais.

EXEMPLOS DE INSTRUMENTOS: Recos (reco-reco, güiro, etc...), caubéu,


triângulo, caxixi, agogô, bloco sonoro, prato suspenso, chimbau, prato, carrilhão,
xilofone, glockenspiel, marimba, vibrafone, clave, maracas, tambor de aço, cajón. Pau-
de-chuva, celesta, castanholas.

Alguns efeitos idiomáticose instrumentos comumente associados:

Rulo/Rufo (pratos): Seqüência de toques rápidos no instrumento, equivalente ao


tremolo das cordas. Ex.: Dvd de instrumentação

Toque com vassourinhas: Uso de baquetas que possuem em sua extremidade vários
fios de metal, que a fazem se assemelhar a uma vassoura.

ELETRÓFONOS

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São os instrumentos que dependem de uma caixa de som para produzir sonoridade
considerável. Alguns destes se caracterizam por possibilidades técnicas e timbrísticas
infinitas e, paralelamente, capacidade expressiva reduzida.

EXEMPLOS DE INSTRUMENTOS: Teclado eletrônico, guitarra, contrabaixo


elétrico, piano elétrico, bateria eletrônica, percussão eletrônica, computador, picapes
(tocadores de vinil ou cd adaptados), amostrador, sintetizador. É importante
percebermos que a maneira pela qual os eletrófonos produzem efeitos idiomáticos é
diferente da maneira através da qual os instrumentos acústicos os produzem. Nos
instrumentos acústicos, os efeitos são obtidos através de diferentes atuações dos
instrumentistas, sejam estas modificações na quantidade de ar soprada, ou na maneira de
pinçar uma corda, por exemplo. Nos eletrófonos, entretanto, os diversos efeitos
dependem de aparelhos que digitalizam o som original, o manipulam por meio de
recursos computacionais e convertem o resultado em um novo som. Tais aparelhos
podem ser equipamentos específicos (ex: Alesis Quadraverb, Yamaha SPX-900, Roland
SE-70), que são acoplados a microfones, mesas de mixagem e instrumentos musicais
eletrônicos, ou então podem estar embutidos e incorporados nos próprios instrumentos
musicais ou amplificadores. Sendo assim, todos os efeitos citados abaixo são resultantes
da ação conjunta de um instrumento e um processador, esteja este embutido no
instrumento ou não.

Alguns efeitos idiomáticos e instrumentos comumente associados:

Distorção (guitarra): Saturação do sinal de áudio, que introduz e realça harmônicos


antes não perceptíveis. Ex.: higher – Creed.

Bend(guitarra / teclado): abreviação de pitch bending, do inglês “alteração de


freqüência”. Ex: Arrival – Marty Friedman.

Flanger : A execução de duas sonoridades idênticas com uma microdefasagem,


causando a sensação de um avião a jato passando. Ex.: Believe. Cher

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Uá-Uá (guitarra): Diferenciações na intensidade de determinadas faixas de harmônicos
da nota, geralmente controladas por um pedal. Ex.: Exodus. Bob Marley.

Vocoder (Voz): Vocoder vem de voice + coder, e designa uma ressintetização da


sonoridade original da voz. A impressão é que a pessoa canta debaixo d´água. Ex.:
Believe – Cher.

Eco/ Delay (diversos): A sintetização de um eco que se repete em espaços de tempo


fixos. Run Like Hell – Pink Floyd.
EXERCÍCIO:
Descreva os timbres dos instrumentos abaixo:
INSTRUMENTO - DESCRIÇÃO
Reco-reco
Caubéu
Triângulo
Caxixi
Agogô
Bloco sonoro
Carrilhão
Cajón
Vibrafone
Xilofone

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