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Caderno de Direito Administrativo Aplicado

SERVIÇOS PÚBLICOS – 07/08/2019

- Toda atividade prestada pelo Estado de forma direta ou por terceiros, mediante o regime
jurídico próprio, com a finalidade de atender ao interesse público.

- CF/88: estabeleceu uma divisão entre dois setores de atuação: o domínio econômico (arts. 170
a 174) e o serviço público (arts. 175 e 176).

- Domínio Econômico – campo de atuação próprio dos particulares, tem como fundamento: a
valorização do trabalho humano e a livre-iniciativa.

 Estado atua enquanto agente normativo e regulador

- Serviços públicos – campo de atuação próprio do Estado. O particular só pode prestar serviço
público quando houver expressa delegação estatal. É uma função administrativa prestada pelo
Estado.

Características Fundamentais do Serviço Público

- Atividade material – tarefa exercida no plano concreto pelo Estado, e não simplesmente uma
atividade normativa ou intelectual.

- Possui natureza ampliativa – o serviço público é uma atuação ampliativa da esfera de


interesses do particular, consistindo no oferecimento de vantagens e comodidades aos usuários.

- O Estado cria serviços públicos mediante lei, com regime jurídico público, e ele é o titular
desse serviço. O titular pode realizar diretamente o serviço ou delegar a um particular.

- Regime de Direito Público – se aplicam as regras e princípios gerais do Direito


Administrativo. A mesma lei que cria o serviço público institui o regime público.

 Alguns autores falam em regime parcialmente público, admitindo a incidência de


algumas regras de direito privado, como as normas de defesa do consumidor.

- Tem em vista a satisfação de necessidades essências ou secundárias da coletividade – a


transformação, por vontade do legislador, de uma atividade em serviço público é baseada na sua
relevância social.

- Somente pessoas jurídicas de direito público podem titularizar serviços públicos (entes
federativos, territórios, autarquias, associações ou fundações públicas)

 Instrumentos de delegação de serviços públicos transferem apenas a execução e não a


titularidade dos mesmos;
 Empresas públicas e SEM prestadoras de serviço público, embora pertencentes ao
Estado, nunca detêm a titularidade do serviço, apenas a sua prestação (execução).

Formas de Execução – formas de prestação do serviço público

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- Direta – o Estado cria órgãos e entidades para a prestação de serviços – o ente que criou é o
mesmo que presta o serviço.

 Centralizada – o ente titular executa o serviço por meio de órgãos – AP direta


 Descentralizada – por outorga, criação de entidades públicas – AP indireta

- Indireta – delegação à particulares a prestação de serviços. Iniciativa privada fica responsável


por executar o serviço.

- Centralizado – Apenas o ente federativo que criou o serviço o executa por meio de órgãos.

- Descentralizado

 Serviço prestado por meio de entidades públicas – descentralização administrativa por


outorga.
 Descentralização administrativa por delegação – serviço prestado pela iniciativa privada
(delegatários)

- Concentrado – serviço prestado por meio de um único órgão, que concentra em si todos os
serviços. Podem ser serviços distintos, prestado por um único órgão.

 Plurisetorial – presta serviço em vários setores.

- Desconcentrado – princípio da especialidade: quanto mais específico for um órgão, maior a


qualidade de prestação do serviço. A palavra-chave é expertise, especialização. Exemplo:
hospital oncológico. Quanto maior o nível de desconcentração do órgão, maior as despesas.

 Unisetorial

Formas de Prestação

- Direta = realizada pelo próprio Estado (AP direta). Se houver cobrança em troca da prestação direta, a
remuneração terá natureza tributária de taxa. A prestação direta pode ser realizada de dois modos:

· Pessoalmente pelo Estado – órgãos públicos da AP direta


· Com auxílio de particulares – selecionados por procedimento licitatório, celebram contrato de
prestação de serviços. É feita em nome do Estado e não em nome próprio pelo prestador.

- Indireta por outorga: lei específica que autoriza a realização do serviço público por meio de pessoas
jurídicas especializadas criadas pelo Estado.

· Responsabilidade objetiva e direta do prestador, porém o Estado responde subsidiariamente.


· Remuneração = taxa

- Indireta por delegação – realizada após regular licitação, por meio de concessionários e permissionários.

· Apenas para serviços públicos uti singuli.


· Responsabilidade direta e objetiva do concessionário ou permissionário, respondendo o Estado
somente em caráter subsidiário.
· Remuneração = tarifa ou preço público

- A responsabilidade objetiva é direito do usuário, independentemente de quem seja o prestador.

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Formas de Remuneração

- Tarifa – remuneração paga pelo usuário quando o serviço público uti singuli é prestado
indiretamente, por delegação, nas hipóteses de concessão e permissão.

 Contrapartida sem natureza tributária, mas de cunho privado-contratual


 Pode ser majorada por ato administrativo do poder concedente – não está sujeita ao
cumprimento dos princípios da legalidade e da anterioridade.

- Taxa – contrapartida tributária utilizada nas hipóteses de prestação direta pelo Estado de
serviço público uti singuli.

 Possuem natureza tributária – somente podem ser criadas ou majoradas por meio de lei
(art, 150, I, CF) e sua cobrança está submetida ao intervalo mínimo imposto pelo
princípio da anterioridade (art, 150, III, b e c, CF)

- Impostos – serviços públicos uti universi

Classificação (Hely Lopes Meireles)

- Quanto à essencialidade

 Serviços públicos próprios ou essenciais – é essencial à vida em sociedade, por isso


não pode ser interrompido em nenhuma circunstância. Considera-se que serviços
públicos essenciais não podem ser objeto de concessão à particulares. São criados para
serem prestados diretamente pelo Estado, até porque grande parte dele (polícias civil e
militar, exército) envolve o exercício do poder de polícia, que é indelegável.
 Exemplo: defesa nacional, saúde e educação.
 PPP para a gestão de presídios não poderia ocorrer, porque delega à particulares
o poder de polícia.
 Educação e saúde – a CF permite saúde e educação privada para a
complementação dos serviços públicos – relação paralela. Não se dão na
modalidade concessão ou permissão (não há contrato administrativo que
transfere a execução).
 Remunerados por meio de impostos – não existe serviços gratuitos. Imposto
nenhum tem destinação específica, o ente federativa distribui a arrecadação da
forma como desejar.

 Serviços públicos impróprios ou de utilidade pública


 remunerados pelos usuários – taxa ou tarifa. O contribuinte paga pelo uso
efetivo ou pelo uso potencial (disponibilidade do serviço), e sua contribuição é
destinada especificamente a manutenção do serviço.
 Exemplo: transporte coletivo; taxa de lixo.

- Quanto aos destinatários

 Gerais ou “uti universi” – não criam vantagens particularizadas para cada usuário
 Sem usuário determinados – número difuso, decorrente de um interesse difuso

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 Remunerados por impostos – prestados diretamente pelo Estado (não podem ser
dados em concessão nem remunerados pela cobrança de taxas).
 Calçamento, iluminação pública, limpeza urbana

 Individuais ou “uti singuli” – são prestados de modo a criar benefícios individuais a


cada usuário
 Usuários determinados – é possível individualizar os usuários
 Uso individual e facultativo – não é essencial à vida
 Água, Luz, Telefone, Internet – a maioria dos serviços uti singuli são prestados
por concessionárias.
 Pode haver o corte de serviço uti singuli, desde que haja a comunicação prévia,
com aviso de não pagamento e instauração de processo administrativo.

- Quanto à finalidade

 Serviços industriais – serviços que visam lucro, que visam algum tipo de renda para o
Estado, por isso são prestados pelas empresas estatais (SEM ou Emp. Pub) ou ainda
podem ser alvo de concessão.
 Exemplo: correios e telefones.

 Serviços administrativos – serviços que não visam atingir à usuários específicos, na


verdade se destina a organização interna da administração.
 Exemplo: Imprensa oficial

- Quanto à exclusividade

 Exclusivo – monopólio público – existem por expressa determinação legal. Exemplo:


petróleo, gás natural e hidrocarbonetos fluídos. Admite que seja explorado diretamente
pela União, ou por meio da criação de empresas estatais, e permite ainda a
descentralização de segunda ordem, que é quando a empresa estatal cria uma empresa
subsidiária.
 Não Exclusivo – sem monopólio admitindo regulação – pode ser delegado ao particular
por concessão ou permissão. Educação, Saúde e Segurança Pública (serviços essenciais)
não entram nessa categoria, porque não podem ser delgados. Agência reguladoras
fiscalizam a execução e a qualidade do serviço prestado.

Princípios

- Adequação – impõe à AP e a seus delegados privados o dever de prestar o serviço do modo


exigido pela legislação e pelo contrato, e não segundo os critérios e preferências do prestador.

- Obrigatoriedade – O Estado tem o dever jurídico de promover a prestação do serviço público.

- Generalidade – os serviços públicos devem ser destinados à todo tipo de usuário, não se pode
fazer distinção de raça, gênero, territorialidade etc., entre os usuários. Seria o equivalente à
Universalidade, dispostos na CF, mas não se limita a esta. A generalidade precisa focar também
na territorialidade, o serviço deve estar perto dos usuários.

- Cortesia – servidor deve ser sempre cortês na prestação dos serviços.

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- Eficiência – Economicidade, menor tempo na prestação e melhor resultado. Desburocratização
do serviço, para facilitar o acesso ao serviço.

- Continuidade – o serviço público não pode ser interrompido de modo a prejudicar o seus
usuários. Deve ser prestado de forma contínua e sem intervalos. Exemplo: vedação a paralisação
total de serviços de saúde. O inadimplemento é causa de interrupção da prestação de serviço,
desde que observada a necessidade de prévio aviso.

- Atualidade – o serviço público deve se pautar em avanços tecnológicos para prestar com maior
qualidade os serviços públicos. A técnica empregada embora não tenha que ser a mais avançada
disponível, precisa mostrar-se compatível com o estágio de desenvolvimento tecnológico
vigente à época da prestação. Proíbe o retrocesso da técnica.

- Modicidade – os preços públicos devem ser módicos, ou seja, acessível, de modo a


democratizar o acesso aos serviços públicos.

Código de Defesa do Usuário de Serviços Públicos – Lei 13.460/17

- Estabelece normas básicas para a participação, proteção e defesa dos direitos do usuário dos
serviços públicos prestados direta ou indiretamente pela administração pública, sem prejuízo da
incidência do Código de Defesa do Consumidor.

Modalidades de Delegação

 Concessão
 Permissão
 Autorização – não é contrato administrativo, por isso não cabe licitação

BENS PÚBLICOS – 09/08/19

- Bens públicos, podem ser móveis, imóveis, corpóreos ou incorpóreos.

Correntes

- Exclusivista (Carvalho Filho) – art. 98, CC/02: Reconhece como bens públicos apenas aqueles
que pertençam à pessoas jurídicas de direito público.

 Crítica – gera o inconveniente de excluir do conceito de bens públicos aqueles


pertencentes às empresas públicas-formas e a SEM prestadoras de serviço público. Não
consegue explicar a impenhorabilidade dos bens afetados à prestação de serviços
públicos.
 Repartições públicas que versem sob interesse dos territórios são bens públicos dos
territórios.
 Bens públicos seriam: bens dos entes federativos, das autarquias, das fundações
públicas de direito público e os consórcios

- Inclusivista (Di Pietro, H. L.Meireles) – é bem público todos os bens da AP direta e indireta,
independentemente de ser ou não pessoa jurídica de direito público.

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 Crítica – mesmo os bens das SEM e Empresas Públicas exploradoras de atividades
econômicas seriam considerados públicos, o que viola o art. 173 da CF, que diz que as
estatais não terão privilégios quando exploram atividade econômica. As normas
aplicadas devem ser as do CC/02.

- Mista (Bandeira de Mello e Mazza) – são bens públicos os bens de pessoas jurídicas de direito
público (entes federativos, autarquias, fundações públicas de direito público, consórcios
públicos)e os de pessoas jurídicas de direito privados que compõem a AP indireta e preste
serviços públicos (fundações públicas de direito privado, empresas pública que preste serviço
público).

 Bens públicos – não são exclusivos dos entes federativos, quando o ente delega a
prestação de serviço público à particulares, os bens dos delegatários utilizados para a
prestação de serviços públicos, também são bens públicos.
 Domínio Público – AP direta, AP indireta: PJ de direito público e PJ de direito
privado que preste serviço público. Garantias: impenhorabilidade,
imprescritibilidade, inalienabilidade e não onerosidade,
 Domínio Privado – (impenhorabilidade; poder de desapropriar) – pertencentes
às concessionárias e permissionárias, mas apenas aqueles afetos à prestação de
serviços públicos. Como saber quais são os bens afetos à prestação de serviço
público? São aqueles que as empresas declaram na proposta licitatória, como
essenciais para cumprir o contrato. Concessionárias e Permissionárias tem o
poder de desapropriar bens particulares, desde que sejam essenciais para a
prestação do serviço, e elas ficam responsáveis pela indenização. Os bens são
públicos apenas durante a vigência do contrato administrativa. Reversão –
L8789 permite que parte dos bens das concessionárias podem ser revertidos à
AP após o término do contrato, desde que esteja previsto no edital de licitação e
em cláusula expressa do contrato de licitação.

Classificação

- Quanto à titularidade – qualquer ente federativo possui bens públicos – art. 20, CF, trata dos
bens públicos da União e art. 26 sobre os bens públicos dos Estados.

- Quanto à destinação - quem é que vai usufruir dos bens públicos

 Uso comum do povo. – art. 99, I, CF/88


 Utilização universal – livre acesso à comunidade, qualquer um pode utilizar.
 Afetação administrativa: patrimônio público indisponível – é um bem que
possui uma destinação, vinculação específica, nesse caso, devido a sua afetação
estes bens não podem ser alienados, art, 100, CC.
 Patrimônio público indispon[ivel.
 Utilização gratuita ou remunerada (art.103, CC/02) – exemplos: unidades de
conservação, a remuneração é utilizada para conservação e manutenção da área.
Pedágio – não é utilização remunerada, deve ter via alternativa para ser
instituído.
 Exemplo: logradouros públicos, praças, mares, ruas, florestas, meio ambiente
etc.

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 Uso especial (bens do patrimônio administrativo) – art. 99, II, CC/02
 Afetação administrativa – utilizada para alocar um órgão ou a prestação
administrativa. Via de regra, a afetação de bens imóveis é feita por lei, a de
bens móveis, mediante inventário.
 Fazem parte do aparelhamento administrativo sendo considerados instrumentos
para execução de serviços públicos.
 Vinculados a fim peculiar da AP – exemplos prédios de uma escola, de um
hospital, uma ambulância etc. Pode ser voltado à coletividade, ou de acesso
restrito da AP.
 Patrimônio público indisponível enquanto mantiver essa qualidade;
 Podem ser desafetados – também feita por lei, caso a AP não tenha mais
interesse em utilizar determinado bem. NÃO EXISTE DESAFETAÇÃO
TÁCITA.

 Bens dominicais – art. 99, III, CC/02


 Sem destinação específica – não tem nenhum uso direto pela AP, é uma espécie
de “poupança” da AP. Fruto da desafetação do bem, que não recebe nenhuma
nova utilização.
 Podem ser utilizados para qualquer fim ou alienados pela AP
 Vinculados ao interesse público secundário – voltados ao interesse da AP
enquanto Pessoa Jurídica.
 Exemplo: terras devolutas – terras estratégicas que hoje não são utilizadas, mas
que no futuro podem vir a ser – terrenos baldios, dívida ativa, viatura sucateada
 REsp. 1.296.964 (STJ) – 7/12/16 – exercício de posse sobre bens públicos –
não é possível usucapir, mas cabe manejo de interdito possessório, porque é
injusta perante o Estado, mas justa perante a coletividade.

- Quanto à disponibilidade

 Indisponíveis por natureza – são aqueles que, devido à sua intrínseca condição não
patrimonial, são insuscetíveis a alienação ou oneração. Não é possível estabelecer valor
econômico, impossíveis de serem desafetados.
 Condição não patrimonial – ar, mar, atmosfera, meio-ambiente.
 São necessariamente bens de uso comum do povo – não perdem essa condição
jamais – art. 225, caput, CF.

 Patrimoniais indisponíveis – São aqueles dotados de uma natureza patrimonial, mas, por
pertencerem às categorias de bens de uso comum do povo ou de uso especial,
permanecem legalmente inalienáveis enquanto mantiverem tal condição. Poderia ser
conferido valor econômico, mas a lei proíbe a alienação.
 Naturalmente possíveis de alienação, mas legalmente inalienáveis – a lei cria
uma afetação especial que proíbe a alienação. Se uma lei superveniente
desafetar esses bens, e então seria possível aliená-los.
 Ex.: ruas, praças e estradas. Bens de uso comum e uso especial.

 Patrimônios Disponíveis
 Legalmente passíveis de alienação – bens dominicais.

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Atributos

- Os bens públicos são dotados de um regime jurídico especial que os diferencia dos bens
particulares.

- 4 atributos fundamentais:

 Inalienabilidade – bens públicos não podem ser vendidos livremente. A legislação


estabelece condições e procedimentos especiais para a venda dos bens públicos. Mais
correto seria falar em uma alienabilidade condicionada. Como consequência os bens
públicos não podem ser embargados, hipotecados, desapropriados, penhorados,
reivindicados, usufruídos nem objeto de servidão.

 Impenhorabilidade – os bens públicos não podem ser objeto de constrição judicial. A


impenhorabilidade dos bens públicos é a justificativa para a existência da execução
especial contra a Fazenda Pública e da ordem dos precatórios – art. 100, CF.
 Aplicável também aos bens das empresas públicas, SEM e concessionários
afetados à prestação de serviços públicos.

 Imprescritibilidade – os bens públicos não se sujeitam a usucapião (arts. 183, §3º, 191,
par. un., CF e art. 102, CC).

 Não onerabilidade – nenhum ônus real pode recair sobre bens públicos.

Alienação de bens públicos – como posso vender públicos? 14/08/2019

- Regulamentada pela Lei 8.666/93 – Lei de licitações e contratos. Art. 17, L 8.666

1. Imóveis – devem ser desafetados, ou seja devem ser bens dominicais – declara que o bem não
integra nenhum interesse público primário. Para alienar um imóvel, a AP deve motivar o ato,
mostrando porque esse ato é de seu interesse.

- Compra e venda para um particular que não seja da AP direta ou indireta – necessário
avaliação prévia + lei prévia que autoriza a alienação + licitação na modalidade concorrência

- Por licitação dispensada – contratação direta, sem haver licitação. A lei diz que não é cabível
licitar, ou seja, é ato vinculado, o administrador não pode licitar. Se difere da licitação
dispensável, quando é ato discricionário, ou seja, quando o administrador pode escolher entre
licitar ou realizar contratação direta. O único requisito nos casos de licitação dispensada é que
haja lei autorizativa.

 Doação – alienação não onerosa. ZEI’s – zona de especial de interesse social, para
garantir o direito de moradia de pessoas de baixa renda. Plano diretor define as áreas
ideais para as ZEI’s. Pode ser também para sediar uma associação do terceiro setor.
 Permuta – troca de um bem por outra equivalente – necessário haver avaliação prévia.
Ocorre quando a AP tem interesse em um bem público específico, mas o dono do bem
tem interesse não em dinheiro, mas em outro bem da AP. É possível haver
complementação, caso o bem público seja de maior valor do que o bem particular.

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 Dação em pagamento – pagamento de crédito tributário, ou quando a AP recebe um
imóvel como forma de pagamento.
 Legitimação da Posse – bem dominical já está sendo ocupado por particular, realizou
bem feitoria. Todo ente federativo terá uma lei que regulamenta a legitimação da posse
em seu âmbito. Além dessa lei, é necessário outra lei específica que autoriza a
legitimação de posse. É um instrumento de regularização fundiária. É a doação do título
de domínio de determinado bem, contudo o particular já tem posse do bem.
 Venda interorgânica – venda entre órgãos (órgão no sentido amplo).

2. Móveis – a AP cataloga seus bens móveis por meio de inventário. Portanto, não há
necessidade de afetação de bens móveis mediante lei. A alienação de bens m[oveis independe
de autorização legislativa, mas sua ocorrência condiciona-se à existência de interesse público.

- Com licitação – leilão é a modalidade de licitação para bens móveis. Vence a proposta mais
vantajosa, maior lance.

 Bens móveis inservíveis – bens que não tem nenhuma utilidade para a AP, são
leiloados.
 Objeto de contrabando – destruídos.
 Objetos de descaminho – objetos lícitos, apreendidos sem nota fiscal, são também
objeto de leilão.
 Objetos recebidos em dação em pagamento – também são alienados na modalidade de
leilão.

- Sem licitação – licitação dispensada, ou seja, não cabe licitar – ato vinculado.

 Doação de interesse social – precisa de termo escrito.


 Permuta interorgânica – qualquer tipo de troca, tanto entre AP's, quanto entre
particulares. Necessário termo escrito.
 Venda de ações – se estiver arrolado no PND (Programa Nacional de Desestatização),
cabe leilão para a desestatização.
 Venda de bens produzidos ou comercializado pela AP – SEM e Empresas Públicas
exploradora de atividade econômica. Basta a venda direta, para quem se interessar.
 Venda à outras AP's

Afetação e Desafetação

- Os termos afetação e desafetação possuem mais de um sentido na doutrina.

- Condição estática atual – Se o bem está vinculado a uma finalidade pública qualquer, diz-se
estar afetado; se não tiver tal vinculação , está desafetado.

 Tem natureza de fato administrativo e está relacionado com a existência ou não de


destinação específica para determinado bem público.

- Alteração dinâmica de condição – se um bem estava afetado à execução de determinado


serviço público e deixa de estar, ocorre sua desafetação.

 Mudança pode se dar mediante lei, ato administrativo ou fato administrativo.

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- Procedimento jurídico de transformação dobem público em bem dominical, mudando-o
de categoria para viabilizar sua futura alienação.

 Só pode ser promovida mediante lei específica.

- Não existe desafetação tácita, entendida como a mudança de categoria do bem pela falta de
uso. A conversão em bem dominical somente poderá ser promovida mediante vontade expressa
do legislador.

Formas de Uso

- As formas de uso não devem ser confundidas com as espécies de bens públicos.

1.Uso Comum – aberto à coletividade, sem necessidade de autorização estatal. O uso comum
dos bens públicos pode ser gratuito ou remunerado – art. 103, CC.

2. Uso Especial – utilização submetida a regras específicas e consentimento estatal. Pode ser
gratuito ou remunerado – exemplo: pedágio.

3. Uso Compartilhado – quando pessoas jurídicas públicas ou privadas precisam usar bens
pertencentes a outras pessoas governamentais – exemplo: fios elétricos sob área do Município.

4. Uso Privativo – utilização do bem público é outorgada temporariamente a determinada


pessoa, mediante instrumento jurídico específico, excluindo-se a possibilidade de uso do
mesmo bem pelas demais pessoas. O uso privativo tem 4 características fundamentais:
privatividade, instrumentalizado formal, discricionariedade, precariedade e regime de direito
público.

Concessão, Permissão e Autorização

- Os bens públicos de qualquer espécie podem ter o seu uso privativo outorgado temporariamente,
em caráter precário, a determinados particulares. A outorga sempre depende de ato administrativo
formal e envolve um juízo discricionário por parte da Administração, que avaliará a conveniência
e a oportunidade do deferimento do pedido.

Instrumentos de outorga

1. Autorização de uso de bem público – ato administrativo unilateral, discricionário, precário e


sem licitação por meio do qual o Poder Público faculta o uso de bem público a determinado
particular em atenção a interesse predominantemente privado.

 Em regra a autorização é deferida por tempo indeterminado – o que se relaciona com o


caráter precário (pode ser revogada a qualquer momento sem indenização). Mas se for
outorga por prazo determinado, a revogação antecipada gera indenização.
 Não é necessário lei, porque não gera direitos para além do direito de exercitar a atividade
autorizada.

2. Permissão de uso de bem público. – ato administrativo unilateral e precário pelo qual o Poder
Público defere o uso privativo de bem público a determinado particular em atenção a interesse
predominantemente público.

 Obrigatoriedade na utilização
 Pressupõe a realização de licitação – pode ser por meio de qualquer modalidade
licitatória.
10  Prazo indeterminado – sem direito a indenização pela revogação.
 Exemplo: utilização de áreas de domínio da união para a realização de eventos esportivos
ou de recreação.
3. Concessão de uso de bem público – contrato administrativo bilateral pelo qual a AP outorga, mediante
prévia licitação, o uso privativo e obrigatório de bem público a particular, por prazo determinado.

 O uso do bem pelo concessionário deve respeitar a destinação prevista no ato de concessão;
 Utilização pode ser gratuita ou remunerada;
 Recisão antecipada pode ensejar o dever de indenizar, desde que não tenha havido culpa do
concessionário;
 Preponderância do interesse público sobre interesse do particular concessionário.

4. Concessão de direito real de uso - pode recair sobre terrenos públicos ou espaço aéreo. Possui
finalidades específicas – art. 7º DL 271/67:

 Regularização Fundiária
 Urbanização
 Industrialização
 Edificação
 Cultivo da terra
 Aproveitamento sustentável das várzeas;
 Preservação das comunidades tradicionais
 Outras modalidades de interesse social em áreas urbanas

- É um direito real – pode ser transferida por ato inter vivos ou por sucessão legítima ou testamentária.

Concessão de uso especial para fins de moradia – disciplinada pela MP 2.220/01

O concessionário de uso de bem público, em qualquer de suas modalidades, detém a posse ad interdita
(permite a proteção possessória), mas falta-lhe a posse ad usucapionem (apta a induzir usucapião)

LICITAÇÕES

- Procedimento administrativo, exigido por lei, em que a AP atrai competidores, para se chegar
a proposta mais vantajosa com intuito de se firmar um futuro contrato administrativo. A razão
de existir dessa exigência reside no fato de que o Poder Público não pode escolher livremente
um fornecedor qualquer, como fazem as empresas privadas. Os imperativos da isonomia,
impessoalidade, moralidade e indisponibilidade do interesse público obrigam à realização de um
processo público para a seleção imparcial da melhor proposta, garantindo iguais condições a
todos que queiram concorrer para a celebração do contrato.

- Art. 37, XXI, CF e art. 2º, L 8.666/93 (aplicável a AP


Comentários à lei de licitação –
direta e indireta da União, Estados, DF e Marçal Justein Filho
Municípios). Afirmam a necessidade de prévia
licitação antes da contratação de terceiros pela AP.

Finalidades da Licitação – art. 3º, L8.666

- Buscar a melhor proposta, estimulando a competitividade entre os potenciais contratados, a


fim de atingir o negócio mais vantajoso para a AP.

- Oferecer iguais condições a todos que queiram contratar com a AP, promovendo, em nome da
isonomia, a possibilidade de participação no certame licitatório de quaisquer interessados que
preencham as condições previamente fixadas no instrumento convocatório.

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- Promoção do desenvolvimento nacional sustentável (Lei 12.349/2010) – cria a possibilidade
de ser estabelecida margem de preferência para produtos manufaturados e para serviços
nacionais que atendam as normas técnicas brasileiras.

Art. 22, XXVII, CF/88 – compete privativamente à União legislar sobre: normas gerais de
licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas diretas,
autárquicas e fundacionais da União, Estados, DF e Municípios.

 As regras específicas – competem às demais entidades federativas;


 Competência concorrente.

Objeto – quando é realizado uma licitação.


Pressupostos da Licitação – a licitação somente
pode ser instaurada mediante a presença de três
 Compras ou aquisições de bens móveis e
pressupostos fundamentais:
imóveis - Pressuposto lógico – pluralidade de objetos e
 No caso dos imóveis – ocorre quando ofertantes, sem o que se torna inviável a
o mercado comporta competição ou competitividade inerente ao procedimento
quando não há interesse em nenhum licitatório.
imóvel especifico
 Se tiver interesse em imóvel certo e  Se não há pluralidade é o caso de
contratação direta por inexigibilidade de
determinado ou ainda se o mercado
licitação.
não comportar competição – pode
deixar de realizar a licitação e ainda - Pressuposto Jurídico – conveniência e
pode desapropriar o particular contra a oportunidade na realização do procedimento
sua vontade. licitatório.

 Inexigibilidade ou dispensa de licitação


 Contratação de serviços, inclusive seguro e
publicidade - não sendo para provimento - Pressuposto fático – exigência de
efetivo, pode licitar a contratação de comparecimento de interessados em participar da
prestadores de serviços (médicos, advogados, licitação.
engenheiros etc.)
 Alienação de bens públicos (quando a AP quer Ausência de interessados = licitação deserta, que
possibilita contratação direta por dispensa de
vender seus bens)
licitação.
 Concessões e Permissões – delegação de
serviço público – L8.987/95
 Obras públicas
 Locação de imóveis – tendo competitividade no mercado, é necessário a licitação.

Extensão pessoal do dever de licitar – a quem - Princípios – os princípios gerais da AP se


incube o dever de licitar aplicam também ao procedimento licitatório.
16/08/19
 Poder Legislativo - incluindo órgãos e
entidades ligadas às casas legislativas,  Legalidade – licitação é um
como a Caixa de Assistência Parlamentar procedimento plenamente formal e
(CAP);
vinculado.
 Poder Judiciário;
 Isonomia – defende a igualdade entre
 Ministério Público;
 Tribunais de Contas; todos que se encontram na mesma
 Órgãos da AP direta;
 Associações Públicas;
 Consórcios
12 Públicos;
 Fundações Governamentais;
 Empresas Públicas;
 Sociedades de Economia Mista;
 Fundos especiais: são dotações
situação. O princípio da isonomia impõe que a comissão de licitação dispense
tratamento igualitário a todos os concorrentes
 Impessoalidade
 Pautado na ideia de interesse público – a licitação deve prever o interesse
público, e não o interesse pessoal do gestor.
 A licitação não pode gerar nenhum favoritismo, nenhum tipo de discriminação
negativa na coletividade – a licitação não pode favorecer injustificadamente
nenhum grupo de pessoas. Exemplo: obras desnecessárias em bairros ricos em
detrimento de obras emergenciais em bairros pobres.

 Moralidade – a licitação deve se pautar na lei, mas deve se pautar também em preceitos
morais, como a boa-fé. Juízo de oportunidade e conveniência. Nem tudo que é lícito é
moral. Cabe a ação de improbidade administrativa.

 Publicidade – art. 3˚, §3˚, Lei 8.666 – a licitação é pública em dois sentidos:
 O objeto da licitação visa a atender o interesse da comunidade, a publicidade é
uma forma de garantir o controle, tanto pela população quanto pelo MP, Poder
Legislativo e Judiciário.
 Importante para que haja o conhecimento dos que desejam participar do
processo de legislação, uma forma de atrair competidores.
 Publicação em Diário Oficial e Jornal de grande circulação – o que se publica é
a minuta do edital, em que conta o objeto da licitação, o valor da licitação
(cotação preliminar dos preços)

 Vinculação ao instrumento convocatório


 Instrumento convocatório – edital e carta convite. É o ato administrativo formal
que define todas as regras específicas da licitação, bem como a minuta do
futuro contrato administrativo.
 Edital – não tem destinatário especifico;
 Convite – é enviado à, pelo menos, 3 concorrentes. Mas a carta deve ficar
disponível para que não convidados possam participar
 Não cabe ao particular querer negociar as cláusulas do futuro contrato
administrativo – trata-se de um contrato de adesão, caso decida participar do
processo licitatório concorda com as cláusulas impostas.
 Não pode ter no futuro contrato administrativo nenhuma cláusula que não
estava prevista no edital. O futuro contrato fica vinculado ao instrumento
convocatório.

 Julgamento objetivo – a escolha da melhor proposta não fica a cargo do julgamento


subjetivo do administrador. O critério precisa ser objetivo para garantir segurança
dentro da licitação.
 Definirá o tipo licitatório – o julgamento objetivo deve prever, no edital, o
critério de licitação, que será utilizado para julgar as propostas dos licitantes.
 A lei proíbe a criação de novos critérios e a combinação dos critérios pelos
administradores e legisladores dos entes dos estados e municípios.
 Tipos:
 Melhor preço;
 Melhor técnica – contratação de serviços

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 Técnica e preço
 Melhor lance ou oferta – leilão (maior lance ou oferta)

 Celeridade (L 10.520/02) – nasce a partir da introdução do pregão enquanto modalidade


licitatória. A celeridade visa diminuir os formalismos e acelerar os trâmites da licitação
para garantir um melhor resultado. Pregão julga primeiro as propostas e depois a
habilitação.

 Eficiência – tempo, custo (economicidade – linha de maior vantagem) e melhor


resultado.

 Desenvolvimento sustentável – art 3˚, L8.666: desenvolvimento sustentável é aquele


que faz face as necessidades das gerações presentes, sem comprometer as gerações
futuras no atendimento de suas necessidades. Tentativa de minimizar os impactos nos
recursos naturais das gerações futuras.
 Desenvolvimento sustentável visa a conciliação ente desenvolvimento
ambiental, desenvolvimento social e desenvolvimento econômico. É uma forma
de mitigar conflitos entre esses níveis de desenvolvimento.
 Conflito entre desenvolvimento sustentável e economicidade do ponto de vista
econômico. Como resultado, essa lei é pouco aplicada na prática – legislação
simbólica.

 Sigilo da apresentação das propostas – as propostas são apresentadas em envelopes


lacrados para que um concorrente não saiba da proposta do outro – visa garantir a
competitividade (todos vão se esforçar para apresentar a melhor proposta). As propostas
são abertas em sessão pública instaurada com essa finalidade. Foge à regra do sigilo os
lances do leilão.

 Competitividade – visa estimular os particulares a participarem do certame licitatório,


com intuito de garantir a melhor proposta para a AP, veda a adoção de medidas que
comprometam decisivamente o caráter competitivo do certame. Há hipóteses previstas
em lei em que não se invoca a competição e já firma contrato administrativo sem
licitação, são os casos de contratação direta. As exigências de qualificação técnica e
econômica devem se restringir ao estritamente indispensável para a garantia do
cumprimento das obrigações.

 Adjudicação compulsória – aquele que vencer o processo licitatório tem direito de


firmar o contrato administrativo. Há a possibilidade de revogação da licitação por
motivos de conveniência e oportunidade até que o contrato seja firmado, desde que seja
um ato motivado e que garanta o contraditório e a ampla defesa. Ou seja, não gera
direito subjetivo ao contrato, mas se a AP for contratar tem que ser com o vencedor.

 Inalterabilidade do edital – em regra, o edital não pode ser modificado após sua
publicação. Se houver necessidade de alteração de algum dispositivo, tornam-se
obrigatórias as garantias de ampla publicidade e devolução dos prazos.

 Vedação à oferta de vantagens – art. 44, §2º, L8.666 – proíbe a elaboração de propostas
vinculadas às ofertas de outros licitantes.

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 Formalismo Procedimental – as regras aplicáveis ao procedimento licitatório são
definidas diretamente pelo legislador, não podendo o administrador público descumpri-
las ou alterá-las livremente.
 Pas de nullité sans grif (não há nulidade sem prejuízo) – não se anula o ato que
não causou nenhum prejuízo.

Contratação Direta – 21/08/2019

1) Licitação dispensada – art. 17, L8.666

- Situações onde não cabe licitação, ou seja, onde a contratação direta é uma decisão vinculada

- Rol taxativo do art. 17, I, L8.666

 A regra é que a alienação de imóveis seja feita sempre na modalidade concorrência e


que tenha prévia avaliação, contudo nas alíneas do inciso I do art. 17, está elencada as
hipóteses em que a licitação está dispensada.
 Investidura – venda de pedaço de imóvel remanescente a um vizinho (dono de imóvel
lindeiro). Requisito – até 88 mil.

2) Licitação Dispensável ou Dispensa de licitação – art. 24, L8.666

- Rol taxativo – só cabe dispensa de licitação se incorrer em uma das hipóteses previstas nos
incisos do art. 24.

- Competição possível, mas inconveniente – é materialmente possível licitar, mas o


procedimento licitatório, em si, seria inviável. Trata-se de discricionariedade administrativa –
cabe ao administrador realizar o juízo de conveniência da licitação.

- Deve estar dentro dos limites mínimos e máximos da tabela de registro de preços (que deve ser
mantido pela AP, cotação de preço de pelo menos três fabricantes e fornecedores).

- Em caso de calamidade pública – só podem se adquirido por contratação direta produtos e


serviços relacionados à calamidade pública, não é qualquer coisa.

- Licitação Deserta – art. 24, V ≠ Licitação fracassada – art. 24, VII

 Deserta – houve licitação, mas ninguém apresentou proposta. É indício de que houve
algum erro no edital de licitação, é hipótese de se rever o edital de licitação
(especificação do objeto ou requisitos para a habilitação).
 Se houver justificativa de inviabilidade (urgência no objeto) e manter as
mesmas condições é possível realizar contratação direta.
 Em caso de nova licitação na modalidade convite (não ficou comprovada a
inviabilidade), deve-se publicar o convite no diário oficial e mandar o convite
para mais de três concorrentes.

 Fracassada – Houve licitação e apresentação de propostas, contudo ninguém consegue


ser habilitado ou as propostas não são classificadas. Não há declaração de licitação

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fracassada se parte não se habilitou e parte não classificou sua proposta. Ou a licitação é
fracassada porque todos os concorrentes foram declarados inabilitados, ou porque todas
as propostas foram desclassificadas. A AP pode conceder um prazo de 3 dias úteis para
modalidade convite e 8 dias úteis para as demais modalidade, para que os concorrentes
adequem suas propostas e os documentos exigidos na habilitação.
 Se a licitação foi fracassada por motivo de não classificação das propostas e,
após o prazo, nenhum candidato conseguiu se classificar – cabe dispensa de
licitação.
 Se a licitação for fracassada por inabilitação e, após o prazo de ajuste, ninguém
conseguiu se habilitar, deve-se fazer nova licitação.

- Aviso de comunicação da dispensa

3) Licitação inexigível – art. 25, L8.666

- São casos em que a realização do procedimento licitatório é logicamente impossível por


inviabilidade de competição, seja porque o fornecedor é exclusivo, seja porque o objeto é
singular.

- A decisão de não realizar o certame é vinculada – configurada algumas hipóteses legais, à AP


não resta alternativa além da contratação direta.

- Rol exemplificativo

- Hipóteses

 Fornecedor exclusivo;
 Serviço técnico de natureza singular;
 Show artístico

- Considera-se de notória especialização o profissional ou empresa cujo conceito no campo de


sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiencias, publicações,
organização, aparelhamento, equipe técnica, ou de outros requisitos relacionados com suas
atividade, permita inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais
adequado à plena satisfação do objeto do contrato – art. 25, §5º, L8.666.

23/08/2019

Tipos de Licitação

- Critérios para o julgamento das propostas

- Previstos no art. 45 da Lei 8.666/93

a) Menor preço – Será vencedor o licitante que apresentar a proposta de acordo com as
especificações do edital ou convite e ofertar o menor preço;

 Em regra – o pregão adota o tipo menor preço.

16
b) Melhor técnica – Tipo de licitação utilizado exclusivamente para serviços de natureza
predominantemente intelectual. Os procedimentos adotados para a determinação da melhor
proposta são os seguintes (art. 46, §1˚, L8.666):

 Serão abertos os envelopes contendo as propostas técnicas exclusivamente dos licitantes


previamente qualificados e feitas, então, a avaliação e a classificação dessas propostas
de acordo com os critérios pertinentes e adequados ao objeto licitado;
 Uma vez classificadas as propostas técnicas, passa-se à abertura das propostas de preço
dos licitantes que tenham atingido a valorização mínima estabelecida no instrumento
convocatório, iniciando a negociação, com a proponente melhor classificada, das
condições estabelecidas, tendo como referência o limite representado pela proposta de
menor preço entre os licitantes que obtiveram a valorização mínima.

c) Técnica e preço – utilizado exclusivamente para serviços de natureza predominantemente


intelectual. O procedimento está definido no art. 46, §2˚, L8.666:

 Serão abertos os envelopes contendo as propostas técnicas exclusivamente dos licitantes


previamente qualificados e feitas, então, a avaliação e a classificação dessas propostas
de acordo com os critérios pertinentes e adequados ao objeto licitado;
 Serão feitas a avaliação e a valorização das propostas de preços;
 A classificação dos proponentes far-se-á de acordo com a média ponderada das
valorizações das propostas técnicas e de preço, de acordo com os pesos preestabelecidos
no instrumento convocatório.

d) Maior lance ou oferta – Critério utilizado exclusivamente para a modalidade leilão.

- Na modalidade concurso – critério de julgamento é o melhor trabalho técnico, científico ou


artístico.

- Art. 45, §5˚, L 8.666 – veda a utilização de qualquer outro critério para julgamento das
propostas. Os entes federativos não podem criar novos tipos licitatórios.

Procedimento da Licitação

Fase Interna: não se dá publicidade dos seus atos, é uma fase de planejamento. A AP irá
investigar, discutir, arquitetar a necessidade e as condições com que a possível licitação irá
ocorrer.

- Não gera dever em relação a terceiros

- Ocorre na/no:

 Órgão ordenador de despesas – órgão responsavelmente finanças públicas – Secretaria.


Municipal/Estadual da Fazenda e Ministério da fazenda

 Comissão permanente de licitação – realiza todos os atos administrativos


 Deve ser composta por 3 membros, sendo no mínimo 2 deles pertencentes ao
quadro efetivo e estável (permanente da AP)

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 ≠ Comissão processante: 3 membros, sendo que os 3 devem ser efetivos e
estáveis.

 Autoridade Administrativa: é aquela que faz o pedido e vê a necessidade dele. Exemplo:


secretário municipal de obras

- A fase interna executa a função política ou governamental – realiza atos políticos

- Fase interna termina com a elaboração do edital.

Fase Externa

- Tem início com a publicação do instrumento convocatório. Junto com o edital, a AP publica
também uma minuta do futuro contrato administrativo, por isso o contrato administrativo é
considerado um contrato de adesão.

- Cabe a impugnação do instrumento convocatório, por meio de recurso administrativo que gera
efeito suspensivo.

 Não é possível questionar as cláusulas do instrumento e nem a. Minuta do contrato. É


possível questionar apenas se há algum tipo de ilegalidade. Ex.: menção à marca, lesão
à Lei 8.666 ou dos princípios licitatórios.
 É cabível Mandado de Segurança se o recurso administrativo for julgado improcedente
na via administrativa.

- O particular irá entregar, na data estipulada, dois envelopes lacrados: um deles conterá os
documentos necessários para a fase de habilitação e outro conterá as propostas.

- Naturalmente, ocorre primeiro a fase de habilitação e depois o julgamento e classificação das


propostas. No pregão, há primeiro o julgamento e classificação das propostas. Se ninguém
consegue se habilitar, a licitação é deserta.

- Julgamento e classificação das propostas

- Homologação – fase de controle interno (poder hierárquico – autotutela).

 Autoridade revisa e verifica se não houve nenhum vício de ilegalidade (anulação);


Verifica ainda se persiste interesse público no certame (revogação); estando tudo em
ordem, ratificará os efeitos da licitação por meio da homologação.

- Adjudicação – reconhecimento formal de quem é o vencedor da AP, que querendo contratar


deve ser com o primeiro colocado.

- Fases:

 Publicação do edital
 Apresentação das propostas e documentos
 Habilitação
 Julgamento e classificação
 Homologação

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 Adjudicação

- Após o fim do certame licitatório é possível firmar o contrato administrativo.

MODALIDADES LICITATÓRIA
Considerações importantes em relação
1. Concorrência – preço aos valores da contratação.

- A modalidade concorrência visa atrair mais pessoas 1. Se houver fracionamento do objeto,


interessadas em contratar com a AP, por esse motivo é cada parte deverá ser licitada utilizando a
obrigatória nas compras/serviços de maior complexidade modalidade cabível para o valor integral
e maior vulto. (art. 23, §2˚, L.8666). Essa regra impede
que a divisão do objeto funcione como
- A Chamada pública é publica no Diário Oficial ou em
mecanismo de fuga da modalidade correta;
jornal de grande circulação.
2. É sempre possível utilizar a
- Qualquer pessoa física ou jurídica que tiver interesse
modalidade mais rigorosa do que a
pode participar
prevista na legislação do valor do objeto.
(Quem pode o menos, pode o mais). Art. 23,
 É vedado a contratação de PF na CONCESSÃO
§4˚, L 8.666)
– a concessão geralmente envolve contratos de
longa duração, sendo PF o contrato estaria 3. Admite-se que o legislador estadual ou
extinto com a morte da pessoa. municipal, no exercício de sua competência
 Cadastrados ou não podem participar. para criar normas específicas sobre o tema,
determine a adoção da concorrência como
- Limites alterados pelo decreto 9.412/18 (casos em que
única modalidade licitatória permitida na
é obrigatória):
respectiva esfera federativa.
 Obras e serviços de engenharia – acima de R$
4. Para a contratação com valor de até
3.300.000,00
10% do convite, a realização de licitação
 Compras e demais serviços – R$ 1.430.000,00 não é obrigatória.
- É a modalidade que mais demora  Dispensa de licitação.
 Prazo mínimo de 45 dias – entre a publicação do
edital até o recebimento das propostas ou da realização do certame caso seja regime de
empreitada integral ou tipo licitatório “melhor técnica” ou “melhor técnica e preço”.
 Regime de empreitada integral. – contrato de obra, que deve ser entregue
completamente terminada e com os equipamentos necessários a seu
funcionamento – hidroelétrica
 Regime de empreitada global – contrato de obra, em que deve ser apenas
entregue a construção civil
 Demais casos – prazo mínimo de 30 dias.

- Serve para a contratação de qualquer valor

- Independentemente do valor da contratação, a concorrência é obrigatória:

 Compras e alienações de imóveis;


 Concessões de direito real de uso;

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 Licitações internacionais;
 Contratos de empreitada integral
 Consoes de serviço público
 Registro de preços.

- A habilitação dos licitantes e o julgamento das propostas são feitos por uma comissão de no
mínimo 3 membros.

 2 deles devem fazer parte dos quadros permanentes do órgão licitante.


 São nomeados pela autoridade superior dentro de própria entidade – art. 51, LL
 Dois tipo de comissão:
 Especial -constituída para um certame específico
 Permanente – realiza todas as licitações no período de investidura
 Os membros da comissão respondem solidariamente por todos os atos a ela imputados,
salvo se a posição individual divergente for manifestada em ata - art. 51, §3˚, LL,

Fase interna – atos anteriores a publicação do edital

 Elaboração de projeto básico p/ obras e serviços de engenharia


 Orçamento detalhado;
 Previsão de recursos orçamentários e compatibilidade com Plano Plurianual;
 Abertura de processo administrativo para verificação da necessidade contratação e
designação de comissão
 A elaboração do instrumento convocatório encerra a fase interna.

Fase externa – inicia-se com a publicação do edital.

 Edital:
 Fixação das regras do procedimento e os requisitos exigidos para participação
no certame.
 Natureza vinculante – edital é a lei da licitação.
 Informações necessárias – art. 40, LL
 Aviso do edita – deve ser publicado na imprensa oficial ou em jornal de grande
circulação, indicando o local onde a íntegra do instrumento convocatório
poderá ser adquirido.
 Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar o edital em razão de
ilegalidade, devendo protocolar o pedido até 5 dias úteis antes da data fixada
para abertura dos eventões da habilitação, devendo a AP julgar e responder à
impugnação em até 3 dias úteis – pode recorrer ao TC, MP ou propor Ação
Civil Público.
 Em caso de necessidade de modificação, deverá ser observado o mesmo meio
de divulgação do texto original, reabrindo o prazo para recebimento das
propostas e apresentação de documentos, exceto se a alteração não prejudicar a
elaboração das propostas.

 Habilitação – fase de recebimento e abertura dos envelopes contendo a documentação


exigida para a participação no certame.

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 sessão pública realizada na presença de todas as pessoas físicas/ jurídicas
inscritas na licitação.
 Habilitação jurídica – prova da constituição regular da PJ ou cédula de
identidade da PF (art. 28, LL)
 Regularidade fiscal – prova de que todos os impostos estão quitados, e de que
não há dívidas trabalhistas (art. 29, LL)
 Qualificação técnica – Comprovação de aptidão para desempenho de atividade
pertinente e compatível em características, quantidades e prazos com o objeto
da licitação. Não pode ser exigido o ISO, porque é um Certificado Ambiental
concedido por uma ONG e não por um ente público (art. 30, LL)
 Qualificação econômico-financeira – não estar em falência ou recuperação
judicial, em suma deve comprovara boa situação financeira da empresa, somada
a garantia para a execução do objeto do contrato (art. 31, LL)
 O licitante que não atender às exigências de habilitação será excluído da
competição.
 Após a fase de habilitação, o licitante não pode mais desistir da proposta
formulada, exceto por justo motivo decorrente de fato superveniente e aceito
pela comissão.
 Cabe recurso com efeito suspensivo à Comissão, no prazo de 8 dias, da decisão
que inabilita candidato.
 Caso a comissão mantenha a inabilitação, cabe Mandado de Segurança,
com efeito suspensivo.
 Se nenhum candidato for habilitado – prazo de 8 dias para complementação de
documentos – licitação fracassada!!!!

 Julgamento/ Classificação das propostas – comissão pode desclassificar três tipos de


propostas:
 Inexequível: quando estiver muito abaixo do praticado no mercado;
 Contrária a cláusula do edital;
 Indireta ou condicionada: aquela que não apresenta um valor exato, mas vincula
a oferta a determinada condição ou a proposta de outro concorrente – art. 44,
§3˚, LL.
 Observado o critério objetivo do tipo licitatório previsto no edital.
 Havendo igualdade de condições, observa-se os critérios de desempate do art.
3˚, §2˚, LL.
 Empate fico – microempresas e empresas de pequeno porte – vantagem
de 10% em cima da melhor oferta. (No caso do pregão é 5%).
Ocorrendo o empate, a microempresa ou empresa de pequeno porte
mais bem classificada poderá apresentar proposta de preço inferior
àquela considerada vencedora do certame, situação em que será
adjudicado em seu favor o objeto licitado – art. 44, I, LL

 Homologação: controle interno da AP. Autoridade superior que avaliará o procedimento


em busca de eventuais irregularidades.
 Autoridade superior pode anular todo o certame, ou somente os atos
prejudicados.
 É possível revogar a licitação na hipótese da ocorrência de causa superveniente
que torne a licitação contrária ao interesse público.

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 Adjudicação – ato vinculado à medida que a comissão é obrigada, após a homologação,
a encerrar o procedimento com a prática desse ato que declara como adjudicatário o
vencedor do certame. Produz dois efeitos:
 Atribui o direito ao vencedor de não ser preterido na celebração do contrato;
 Provoca a liberação dos licitantes vencido
 Adjudicatário não tem direito adquirido à celebração do contrato, mas mera
expectativa de direito. (AP pode, por motivos de conveniência e oportunidade,
não celebrar o contrato).
 Ultrapassados 70 dias da data da entrega das propostas, sem a convocação para
a contratação, ficam os licitantes liberados dos compromissos assumidos.

28/08/19

- É necessário que o instrumento convocatório indique a dotação orçamentária que garantirá a


execução do serviço ou obra. Caso não haja dotação orçamentária é preciso haver uma lei
especial para que haja realocação de recursos.

- Preços inexequíveis (muito abaixo do valor de mercado) ou superfaturados – desclassificação


da proposta.

- Se ninguém se habilita ou se nenhuma proposta é classificada – licitação fracassada

- Homologação – a mesma autoridade que deu origem a licitação é a que tomara a decisão de
anularia não a partir de um parecer ou por meio de um despacho.

 Pode ser um secretário, ministro ou chefe do executivo – é sempre uma autoridade


hierárquica superior
 Pode haver a elaboração de um parecer técnico de um advogado público / acessórios,
contudo possui caráter consultivo. Mas caso a AP discorde desse parecer, ela deve
motivar o ato que dispõe em contrário.
 Todos os atos administrativos ao longo do certame licitatório devem ser motivados.

- Fiscalização do Tribunal de Contas e do Legislativo

- É a modalidade tanto para a alienação quanto para compra de imóveis, desde que não
seja imóvel certo ou determinado, ou seja, vários imóveis atendem ao interesse público

 No caso de imóvel certo e determinado, a AP pode valer-se da desapropriação.

- Também não se aplica aos bem imóveis decorrente de dação em pagamento, decisão
judicial ou Programa Nacional de Desestatização – leilão

 Dação feita pela AP para solver dívida sua – licitação dispensada


 Dação feita pelo particular para solver dívida em face da AP – leilão

- Concessões – tipo de contrato administrativo de longo prazo

 Concessões de serviços públicos (Lei 8.987/95)


 Simples – só a execução do serviço é concedida

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 Serviço público precedida de obra pública: AP transfere um serviço de alta
complexidade, bem como a execução de uma obra pública para que o serviço
seja realizado.

 Concessão de obra pública -a execução de toda a obra é feita por conta e risco do
concessionário. Por isso, se houver dano na obra diretamente e objetivamente é a
concessionária que responde (a AP só responde subsidiariamente).
 Para a concessão de obras públicas a AP deve elaborar o projeto base e o
projeto de execução.

 PPP – Parceria Público-Privada (concessões especiais) – haverá parte do investimento


de dinheiro público é parte de investimentos privados – utilizado para atividades muito
onerosas. São feitas pelo prazo mínimo de 5 anos e máximo de 35 anos.
 Concessão patrocinada – é aquela que possui 3 aportes financeiros: AP +
iniciativa privada + usuário (tarifa). Exemplo: metrô
 Concessão administrativa – quando a própria AP é usuária direta ou indireta do
serviço. O aporte da AP é custeado por meio da tributação. Exemplo:
presídios

 Licitação internacional – ocorre quando não há fornecedor do produto ou serviço no


Brasil capaz de atender a demanda da AP.
 Se houver apenas um fornecedor brasileiro – será o caso de inexigibilidade de
licitação.
 Se o valor do produto/ serviço for menor do que a modalidade concorrência –
pode ser feita por tomada de preço ou convite.

 Empreitada integral – regime de obra pública (tipo de contrato administrativo)


 Entrega a obra e os equipamentos necessários para o funcionamento do
empreendimento.

2. Tomada de preço – preço

– Habilitação própria: somente interessado cadastrado ou quem tenha condições de se


cadastrar até 3 dias antes da data do recebimento das propostas.

 Cadastramento – requisitos básicos que demonstram que a empresa está regular e apta a
contratar com a AP.
 Há autores que vão dizer que cadastramento não se confunde com licitação, porque o
cadastramento vai exigir documentos básicos (art. 27, L8.666), mas dependendo do
objeto de licitação pode se exigir documentos mais específicos que não se enquadram
nos exigidos no cadastramento básico, assim a fase de habilitação ainda é necessária.
 Se o pedido de cadastramento for indeferido, cabe recurso no prazo de cinco dias

- Limites:

 Obras e serviços de engenharia: até R$ 3.300.000,00


 Demais objetos: até R$ 1.430.000,00

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- O intervalo mínimo entre o edital e a entrega de envelopes é de 30 dias corridos nos casos de
melhor técnica e técnica e preço, e de 15 dias corridos no tipo menor preço.

3. Convite – preço

- Instrumento convocatório – carta convite

 Deve ser afixado avido em mural público, mas não se exige a publicação da carta
convite no Diário Oficial.
 Deve ser remetida à, no mínimo, 3 interessados
 A AP pode enviar carta convite a menos de 3 interessados, se naquela
localidade não houver o mínimo de 3 fornecedores

- Podem participar convidados e não convidados, desde que tenha feito cadastro.

 Cadastro tem validade de 1 ano

- Limite:

 Obras e serviços de engenharia – até 330.000,00


 Compras e demais serviços – até 176.000,00

4. Leilão – objeto

- Alienações

- Bens imóveis (decisão judicial; dação e PND)

- Bens móveis inservíveis ou apreendidos

 Inservíveis – não esta em uso, deve ser desafetado, ainda possui valor econômico
 Apreendidos sem nota fiscal
 Bens ilícitos devem ser destruídos – não podem ser desafetados

- Tipo: lance ou oferta – busca da maior oferta

 Não há sigilo – os lances são públicos


 Valor mínimo para o arremate
 Fraudar a licitação é crime
 Pago a vista

5. Concurso

- Prazo mínimo de 45 dias

- Trabalho técnico, artístico ou científico

- contraprestação – prêmio ou remuneração

 Valor a ser pago já está previamente estipulado

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- Comissão especial - profissionais especializados + reputação ilibada

- Não há concurso para a realização de obra pública. Há concurso para projeto de revitalização.
9

30/08/2019

6. Pregão – L 10.520/02

- Objeto: compras e serviços comuns a todas as A.P, não levando em conta o valor/preço,
podendo ter o fornecimento de bens de modo parcelado.

 Não cabe para serviços de engenharia – necessita de projeto básico (especificidade da


obra) e plano de execução (fases de execução da obra).
 TCMG – entendeu que para pequenos reparos e obras de engenharia que não demandam
a elaboração de projeto básico, podem ser feitos por pregão.
 Se for um serviço que não é de fácil acesso no mercado, que demande um maior grau de
especialização e sofisticação, de modo que seja até mesmo difícil de especificar no
edital – também não cabe pregão.

- É o mais utilizado, porque é o mais célere, menos custoso – é a modalidade que mais se
enquadra no princípio da eficiência.

- É um leilão reverso – menor preço – propostas decrescentes.

 Principalmente na modalidade eletrônica, abre maior concorrência para todo o país, não
se limitando ao âmbito local – garante maior competitividade.

- Prazo de duração – mínimo de 8 dias

- Tipo licitatório – menor preço

 Lances sucessivos: regra dos 10% - todas as propostas que ficaram até 10% acima do
valor da menor proposta, participam da fase dos lances sucessivos (leilão – quem faz
por menos)
 Não tendo nenhuma proposta de até 10% acima do valor da menor proposta, a AP abre
mão da regra dos 10% e escolhe as 3 melhores propostas para participar dos lances
sucessivos.

- Fases

 Interna – elaboração de termo de referência e edital


 Termo de referência – obrigatório apenas para o pregão. Traz todas as
informações que serão necessárias para a elaboração do edital: busca
informações sobre o perfil de empresa que se quer contratar, quem será o órgão
responsável para fiscalizar a execução contrato, pode constar ainda o sistema de
registro de preço.

 Externa – inversão das fases


 Publicação do edital e recebimento das propostas

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 Julgamento / classificação das propostas – menor preço com lances sucessivos
 Habilitação
 Adjudicação
 Homologação – vem por último, forma garantir que a adjudicação foi lícita.

- Decreto 5.450/05, art. 2˚, §1˚ - regulamenta a lei 10.520, trazendo até rol exemplificativo de
serviços e compras comuns.

Observações sobre licitações e suas modalidades

1. Consórcios – art. 23, §8˚, L8.666 – (até 3 entes federativos – valores em dobro. Se for mais
de 3 entes federativos – valor em triplo).

3. Convite

 Cadastrados – convocados ou quem se manifestar até 24h antes da entrega das


propostas
 Não cadastrados – cadastro feito até três dias antes da entrega das propostas

4. Concurso – modalidade licitação entre quaisquer interessados para a escolha de trabalho


técnico, científico ou artístico, mediante a instituição ou remuneração aos vencedores, conforme
critérios constantes de edital.

 Comissão especial não precisa ser composta por agentes públicos, admitida a
participação de técnicos e especialistas habilitados a julgar os concorrentes, ainda que
não pertencentes aos quadros da AP – art. 51, §5˚, LL.
 Intervalo mínimo de 45 dias entre a publicação do instrumento convocatório e a entrega
dos envelopes.
 Prêmio pode ser pago em dinheiro ou alguma outra espécie, como uma viagem, por
exemplo.

5. LC 123/06 – licitação às microempresas e EPP

a) Bem de natureza divisível – até 25%


b) Participação exclusiva até o limite do convite (LC 147/74)
c) EXEÇÃO:
 Não houver mínimo de 3 fornecedores competitivos
 Não for vantajoso para a AP ou prejudicar o objeto
 Licitação for dispensável ou inexigível

04/09/2019

Contrato Administrativo
- Contratos que a AP celebra

 Sentido Convergente – interesses convergentes, que não Contrato Administrativo –


visam o lucro, mas a consecução do interesse público contrato em que a AP é parte e
 Convênio – objeto amplo que está submetido aos princípios
e normas do Direito
Administrativo.
26
 Termo de Compromisso e Plano de Trabalho
Art. 22, XXVII, CF:  Não possui personalidade jurídica
compete privativamente à  Pode ser firmado com PJ de direito privado sem
União criar normas gerais fins lucrativos (3˚ setor ou OCIP e OS
sobre licitação e contratos  Não depende de prévia licitação – entendimento do
administrativos. TCU, de que havendo pluralidade de interessados,
a escolha de entidade a ser favorecida pela parceria
deve ser precedida de procedimento seletivo simplificado a fim de
garantir a observância dos princípio administrativos e como forma de
reduzir o subjetivismo na escolha do ente beneficiado.

 Consórcio – prestação de serviços públicos


 Dois ou mais entes federativos limítrofes – solidariedade entre os entes
consorciados
 Assembleia Geral – protocolo de intenções
 Lei que ratifica o protocolo de intenções, conferindo também
personalidade jurídica ao consórcio
 PJ de direito público (autarquia intergovernamental ou associação
pública)
 PJ de direito privado (empresa pública plúrima) – empregado público
 Contrato de rateio – possibilidade que os entes, após a criação do
consórcio, redefina as obrigações do consórcio.

 Sentido Divergente – típico negócio jurídico: a AP necessita de um serviço ou bem e a


outra parte visa o lucro. A divergência está na AP que visa o interesse público, por meio
do objeto do contrato, mas o contratado visa o interesse privado, que é o lucro.
 Contrato privado da AP – regras de direito privado para fins de definição das
cláusulas contratuais (todas regidas nos moldes do CC).
 Há requisitos preliminares de direito público, por exemplo, licitação,
mas o contrato é todo regido por meio de normas privadas.
 Exemplo: locação; permuta; doação; compra e venda.
 Princípio da autonomia da vontade – relação de paridade,
bilateralidade, com a AP.

 Contratos Administrativos – afasta o princípio da autonomia da vontade e


aplica o princípio da supremacia do interesse público.
 Obras públicas; contratação de serviços; concessão; fornecimento de
bens

- Partes do contrato administrativo

 Contratante – art. 6˚, XIV, L8.666 – a AP que solicitou a instauração de uma licitação.
É a AP enquanto pessoa jurídica. (AP direta, AP indireta, Entidades dos Sistema em S)

 Contratado – art. 6˚, XV, L8.666 – aquele que venceu o certame licitatório, teve o
objeto adjudicado. Pode ser PJ (com fins lucrativos) ou PF
 Nas concessões é vedado a contratação de PF – justificativa: é um contrato de
longa duração, e caso a pessoa morra, o contrato seria extinto.

27
 As empresas estatais podem figurar como contratadas – porque elas são
exploradoras de atividade econômica.

 Podem ser plurilaterais – caso de consórcio ou convênio, em que são partes diversas
entidades federativas firmando compromisso para a defesa de interesses comuns e não
conflitantes.

Características dos contratos administrativos

- Natureza de contrato de adesão – o contratado não participa da elaboração das cláusulas


contratuais. Ou vc adere, se submetendo as cláusulas do contrato, ou não adere, e o objeto é
adjudicado ao segundo lugar.

 Há cláusulas contratuais obrigatórias – art. 55, L8.666


 Princípio da vinculação ao instrumento convocatório – o contrato administrativo deve
ser fidedigno ao instrumento convocatório (edital ou carta convite), por isso não é
possível ter no contrato administrativo cláusula
diferente da prevista no instrumento. A manutenção do equilíbrio
 Existe a possibilidade de haver discussão de valor em econômico-financeiro dos contratos
relação ao chamado manutenção do equilíbrio administrativos é uma garantia
econômico financeiro. Trata-se de uma garantia que o constitucional estabelecida em
benefício do contratado.
contratado possui, frente a necessidade de revisão
contratual, caso em que situação superveniente Mesmo que ocorram circunstâncias
extraordinária e imprevisível muda completamente a excepcionais que tornem mais onerosa
execução do contrato. a execução contratual, a AP deve,
 Reajuste tem previsão contratual, revisão contratual atendido os requisitos legais, aumentar
não. a remuneração do contratado para
preservar sua margem de lucro.
 Repactuação – possui previsão contratual, ocorre
quando a AP decide mudar as condições de execução
do contrato.

- Regime jurídico próprio – regime jurídico administrativo, com leis específicas que
disciplinarão seu conteúdo (regras jurídicas capazes de viabilizar a adequada defesa do interesse
público)

 L 8.666 – diploma geral


 L 8987 – Contrato de Concessão
 Lei de Parceria Público Privado – 11.879
 Lei de RDC 12.462 – Regime Diferenciado de Contratação – mega eventos esportivos
(quem define o projeto básico de execução não é a AP, mas o contratante).

- Presença de cláusulas exorbitantes (desigualdade entre as partes)– conferem prerrogativas


especiais para a AP na execução do contrato (privilégios contratuais – supremacia do interesse
público). Se fosse o caso de contrato particular, essas cláusulas seriam consideradas abusivas,
porque conferem mais direitos para a. AP e mais ônus para o contrato.

 Possibilidade de revogação unilateral do contrato por razões de interesse público

28
 Inoponibilidade da exceção do contrato não cumprido – o descumprimento de obrigação
contratada por parte da AP não exonera o contratado de continuar executando o serviço,
por até 90 dias. Após 90 dias, por meio de MS, o contratado pode recisão ou suspensão
do contrato administrativo.
 Alteração unilateral pela AP – o particular não tem pode para alterar unilateralmente o
contrato adm., já a AP tem esse poder. Podem ser dois tipos de alteração:
 Alteração qualitativa – mudança nas especificações do objeto do contrato
 Alteração quantitativa: mudança na quantidade do objeto previamente
estabelecido no edital (precisava de 1 pc, agora preciso de 3) – regra do art. 65,
L8.666
 Compras e obras – margem de aumento ou supressão de até 25%
 Reformas – margem de aumento de até 50%, não permite supressão,
porque a lei não prevê a supressão. TCU e doutrina especifica
defendem que, como a lei não prevê supressão de 50% nas reformas,
seria aplicável a regra de supressão de 25%, adaptando a regra geral de
alteração unilateral pela AP.

 Rescisão unilateral – pode ser feita apenas por ato da AP, não é possível ao particular
rescindir o contrato pela via administrativa. O particular deve impetrar MS para
rescindir o contrato.
 Exigência de garantia – o particular deve dar garantias para a execução do serviço. Já a
AP não deve dar garantias ao contratado.
 Caução
 Empresa de Seguro

- Prazos determinados – regra geral: crédito orçamentário – 12 meses. A lei vai elencar
possibilidade de contratos inferiores ou superiores a 12 meses. É vedado indeterminação de
prazo. Prazo definido em lei é válido para vigência e prorrogação.

- Presença da AP como parte na relação jurídica – a AP é muito mais do que uma simples
contratante, ela é tutora do interesse público no contrato.

 Dupla fiscalização: a AP deve constituir servidor para gerir e fiscalizar o contrato, que
tutela o interesse público secundário. Além disso admite também a fiscalização de
terceiro que não é parte contratual, pode ser qualquer cidadão – fiscaliza o interesse
público primário.

- Intuito personae (confiança recíproca)– regra geral não vai admitir a subcontratação, salvo
excepcionalmente se houver previsão no instrumento convocatório e em cláusula expressa do
contrato administrativo.

11/09/2019

DURAÇÃO DOS CONTRATOS E PRORROGAÇÃO

- Regra: prazo determinado: vigência de crédito orçamentário (estabelece dotação orçamentária


para a execução do contrato)

29
 Lei do Orçamento Anual – os contratos devem ser executados nesse prazo para que
possam ser pagos com o crédito previsto.
 LOA – prevê as despesas e gastos da AP no prazo de 12 meses.
 Se excede a LOA, e não tendo previsão orçamentária na nova LOA, é necessário abrir
crédito suplementar para cumprir os gastos.

- Exceção de determinação do prazo

 Conversão de direito real de uso e concessão especial para fins de moradia – tipo de
concessão que possui prazo indeterminado, pois visa a realização de um direito
fundamental de moradia à população carente.

 Consórcios Públicos – geralmente possuem prazo indeterminado, mas podem ser


previstos por prazo determinado também.
 Contrato de rateio – que sempre altera as condições dos entes federativos no
consórcio.

 Permissão Administrativas (pode ser permissão de uso, de serviço e até de obras)


 Anteriores à lei 8.987/95 – são por prazo indeterminado, persistem enquanto
durar o interesse da administração – é um ato precário que pode ser revogado a
qualquer tempo pela AP.
 Depois da lei 8.987/95 (lei das permissões) – as permissões tem natureza de
contrato, devem ser precedidas de licitação e possuem prazo determinado.
Nesse caso, a revogação antes do prazo estipulado gera dever de indenizar por
parte da AP.

 Convênio também pode ser por prazo indeterminado – caso de cessão de servidores e de
uso de bens públicos. Mas se for o caso de obra pública, prestação de serviço público,
cessão de poder de polícia (de uma AP para outra, excepcionalmente previsto na Lei de
Competências Ambientais) devem ser por prazo determinado.

- Exceção à vigência do crédito orçamentário

 Projetos cujos produtos constem nas metas do PPA – até 48 meses


 Plano Plurianual – Lei de 4 anos (3 anos de mandato e 1 ano do mandato
posterior).
 Objeto do contrato necessário à execução de política pública que conste no
PPA.

 Prestação de serviços executados de forma contínua – até 60 meses


 Serviços de limpeza, segurança, saúde etc.
 Serviços que sua execução deve ser mantida, de modo que a sua paralização
seja prejudicial.
 Pode ainda, após o 60 meses, haver prorrogação de mais 12 meses, totalizando
72 meses. Para tanto, a AP deve justificar e fundamentar a necessidade de
prorrogação.

 Aluguel de equipamentos e programas de informática - até 48 meses

30
 Evitar a troca constante de sistemas da AP, o que ensejaria treinamentos
constantes de usuários e funcionários públicos.

 Casos de dispensa de licitação – art. 24, IX, XIX, XXVIII e XXXI, L8.666 – até 120
meses – compras de materiais bélicos, matéria de segurança nacional

 PPP (Parceria Público Privada) – duração mínima de 5 e máxima de 35 anos.

- Toda concessão tem o prazo máximo definido na lei que cria o serviço de concessão. Cada
ente tem autonomia para estabelecer seus prazos.

- Os contratos podem ser prorrogados por igual período ao


da sua vigência, desde que não extrapole o prazo máximo A legislação admite a prorrogação
do contrato administrativo, que
de vigência estabelecido em lei.
deve ser entendida como o
aumento do prazo contratual,
 Exemplo: contrato comum que possui duração mantidas as mesmas condições
máxima de 12 meses. O primeiro contrato pode ter anteriores e diante do mesmo
vigência de 4 meses, podendo ser prorrogado por contratado, desde que justificada
mais 3 vezes, por igual período (4 meses), até por escrito e autorizada pela esfera
atingir os 12 meses. competente.

 Prorrogação deve ser feita em tempo hábil para, caso o contratado se negue a prorrogar,
haja tempo hábil para licitar, de modo que a prestação de serviço não seja interrompida.
Por isso o TCU fala que não cabe prorrogação no findo o prazo, isso porque a AP fique
a mercê do contratado que pode estipular preços abusivos.

- O particular contratado não é obrigado à prorrogar o contrato, Renovação pressupõe


fica a seu critério, desde que haja interesse de sua parte. alguma modificação
em cláusula
ÁLEAS E MUTABILIDADE CONTRATUAL contratual.

- Há riscos ao longo da execução do contrato que podem gerar consequências para continuidade
do contrato

- Manutenção do equilíbrio econômico financeiro – a AP deve garantir a margem de lucro do


contratado, desde o momento em que o contrato for firmado.

1. Álea Ordinária ou Empresarial

- O empresário deve assumir os riscos da sua atividade econômica – não ocorre nenhuma evento
excepcional.

- Risco de flutuação – é impossível se falar que a margem de lucro será sempre a mesma, ou
será sempre ascendente. A margem de lucro flutua, mas o preço que a AP continuará o mesmo.

- Previsível e consequências calculáveis – o contratante consegue prever as flutuações (dos


insumos e mão de obra) e calcular, com certa segurança, as consequências das oscilações.

- Responde o particular – nesse caso a AP não é obrigada a repactuar para manter a margem de
lucro nesse caso.

31
- O contrato deve prever algum índice de reajuste inflacionário anual (IPCA, IPEA, IPCE) ou
estabelecer alguma fórmula de reajuste – justamente para manter a margem de flutuação dentro
do risco assumido pelo contratante.

 Lei do Plano real proíbe o reajuste em prazo inferior à 12 meses.

18/09/2019

2. Álea Extraordinária

- Houve alguma situação excepcional que cria um risco não previsível para o contratado.

2.1 Álea Administrativa

- AP dá causa à álea – ela cria o risco.

- Alteração unilateral (art. 65, §§1˚ e 4˚) – há necessidade de se mudar também o valor do
contrato – repactuação do valor contratual.

 É previsível porque tem uma expressa autorização legal – Alteração quantitativa


(aumentar ou diminuir a quantidade do objeto – o edital foi para X marmitas, mas agora
a AP necessita de Y marmitas agora) e qualitativa (readaptação da especificação do
objeto – aumentar ou diminuir as especificação técnicas)

 Limites
 Aumentar ou suprimir – ver página 29.
 A possibilidade de alteração unilateral quantitativa ou qualitativa,
dentro dos limites estabelecidos em lei, deve estar previsto no edital e
no contrato administrativo.
 Subcontratação é uma segurança para o empreendedor, que no caso de
aumento unilateral, terá condições de cumprir o contrato – mas a
possibilidade de subcontratação também deve estar prevista no edital e
no contrato.
 Contratado é obrigado a cumprir o contrato, mesmo que alterado – caso
contrário incorre em recisão unilateral por culpa do contratado.

 Interesse Público

 Manutenção do equilíbrio econômico financeiro – reajustamento do valor


contratual, para atualização do preço, em prazo inferior a 12 meses. Isso porque
a alteração não se deu por flutuação de mercado, mas por culpa da AP.

 Responsabilidade contratual

- Fato do Príncipe – norma geral, ação geral da AP, mas que afetará a execução do contrato. O
príncipe deve estar na mesma esfera que a AP contratante. Exemplo: União firma contrato com
uma empresa para compra de produto importado, após o contrato firmado, a União cria ou
majora um imposto sobre produtos importados. Ou ainda, o produto importado é parado, pela
Polícia Federal, na alfandega.

32
 O fato do príncipe não necessariamente requer reajuste do preço, pode ser o caso
também de alteração da data de entrega do produto – cronograma de execução do
contrato (quando esse ficar preso na alfândega, por exemplo).
 Responsabilidade extracontratual – não foi por questões envolvidas no contrato que
geraram a impossibilidade de se cumprir o pactuado.
 Art. 65, II, d, L8.666 – não gera direito a indenização, apenas impõe a alteração do
contrato, para que este possa ser cumprido. Só gera indenização se a AP se recusar a
alterar a contrato.

- Fato da AP (art. 78, XV e XVI e art. 79, §2˚, L8666) – quando a própria AP gerou uma
situação de irregularidade – praticou um ato administrativo, ou um silêncio administrativo, de
modo a prejudicar a execução do contrato.

 Violação de direito – exemplo: a AP licitou a construção de uma rodovia, mas não


desapropriou os imóveis necessários para a execução da obra.
 Suspensão ou paralisação definitiva
 Rescisão comporta indenização – porque se deu por culpa da AP;
 O contratado deve pedir recisão judicial por culpa da AP – na via
administrativa, o contratado jamais pode pedir indenização, porque só a AP
pode realizar recisão administrativa unilateral. A AP pode, no exercício da
autotutela, rescindir o contrato, mas deve partir dela a decisão de rescindir, o
contrato não pode fazê-lo sozinho.

 Falta de pagamento também é fato da AP – cláusula exorbitante: inoponibilidade da


exceção do contrato no cumprido. Só pode entrar com MS após 90 dias.

2.2. Álea Econômica

- Nem AP, nem contratado deram causa à álea – teoria da imprevisão. As partes contratuais não
colaboram com a desajuste contratual

- rebus sic stantibus – teoria da imprevisão: fato alheio à vontade das partes

- Fato do príncipe – quando o príncipe é diferente da AP contratante. Exemplo: MG compra


produtos importados, e a União cria ou majora imposto de importação. São AP distintas.

- Requisitos:

 Imprevisibilidade – não há ato da AP, nem do contratado – É algo extraordinário que


surpreende as partes envolvidas
 Estranho às partes
 Inevitável – nem contratante, nem contratado teriam como evitar que o evento
excepcional ocorresse.
Fato previsível de consequências
- Revisão, Rescisão ou impossibilidade absoluta (art. 393, incalculáveis – não é pacífico na
CC; art. 78, XVII, L8.666) doutrina essa possibilidade.

Obs.: Revisão ≠ Reajuste ≠ Repactuação

33
 Revisão – ocorre dentro da álea econômica – nenhuma das partes colaboram com
evento. A revisão é marcada por um fato extraordinário, superveniente, imprevisível é
inevitável. A revisão não é contratual, porque não é possível estabelecer índices fixos
para alteração de preço do contrato. É necessário a readaptação do contrato para se
adequar a nova realidade. Revisão não tem caráter indenizatório, porque só há
indenização quando alguém concorre para o fato, a revisão possui caráter de
recomposição de preço. Revisão não abarca todo o dano, apenas uma parte (dentro dos
limites possíveis da AP), o contratado também arca com parte da álea. Se a AP não tem
como arcar com a revisão, gera-se uma impossibilidade do contrato, o contrato é
residido.

 Reajuste é contratual, conta em cláusula contratual (é cláusula contratual obrigatória).


A lei do plano real já fixa reajuste em prazo mínimo de 12 meses. Já consta no contrato
índice de reajuste inflacionário e o limite máximo desse reajuste.

 Repactuação – não prevista em lei. Deve constar no contrato, ocorre quando acontece
fato superveniente. Acontece em contratos de prestação de serviço continuada. Fixa o
prazo mínimo para que a Repactuação possa acontecer. (Fixação a partir da
apresentação das propostas – 12 meses após a apresentação das propostas – , ou por
meio de data base – data em que ocorre dissídios coletivos, que vão gerar aumento de
salário, exemplo: todo mês de março)

20/09/2019

EXTINÇÃO DOS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

1. TERMO

- Se o contrato é por prazo determinado, chegado o seu termo final, o contrato se extingue
naturalmente. Não há nenhuma consequência.

2. CONCLUSÃO DO OBJETO

- Com a entrega da coisa (compra de bens e obras públicas)

- RDC – regime diferenciado de contratação – é possível que, se terminar a obra antes, a AP


premie o licitante.

3. ANULAÇÃO

- Contrato pode ser anulado em caso de irregularidade – muito comum quando se constata vício
de legalidade na licitação, desse modo o contrato é anulado.

- Ocorre também quando se descumpre cláusulas contratuais obrigatórias – que deveriam estar
previstas no contrato, mas não estão

- Art. 55, L8666 – prevê cláusulas obrigatórias que, se não constarem no contrato, o tronará
nulo:

 Prevê o critério de reajuste

34
 Previsão é especificação do objeto
 Previsão de dotação orçamentária

4. RECISÃO

- Houve desajuste ou desacordo na execução do contrato

- Recisão pode se dar por 3 vias:

 Administrativa
 Judicial
 Amigável

a) Amigável – ocorre o distrato entre as partes – um ato administrativo reconhece que não
é viável para AP e contratado continuar com a exceção do contrato. Não pode gerar
prejuízos à AP, mas pode gerar prejuízos para o contratado. É necessário um parecer
que explicite que a recisão não trará nenhum prejuízo a AP (não pode gerar
indenização, descontinuidade do serviço público).

b) Por razões de interesse público – sem culpa do contratado – art. 58, II, c/c 78, XII e 79,
I, L8.666 – A AP vai verificar que existe um notório interesse público, que justifique a
recisão. Não é um mero ato discricionário da AP, deve existir uma razão de fato/ de
direito que inviabiliza o contrato.

 Efeitos ex nunc – preserva-se todos os efeitos passados – o contratado não deve


devolver dinheiro para a AP.
 Consequências:
 Danos emergentes e lucros cessantes – AP deve ressarcir os prejuízos
do contrato.
 Devolução de garantia
 Pagamento proporcional

c) Caso fortuito e força maior – art. 78, XVII, L8.666


 Composição e impeditivo da execução – deve ser comprovado a inviabilidade
da execução do contrato – teoria da imprevisão (a teoria da imprevisão tenta
preservar o contrato, por isso deve ser comprovado álea econômica que, de fato,
inviabiliza a continuidade do contrato).

 Quem pode declarar a recisão – a AP, caso reconheça que o motivo é


impeditivo ou o Judiciário. O contratado não pode rescindir unilateralmente o
contrato na via administrativa.

 Consequências
 Garantia – devolução do valor da garantia corrigido
 Desmobilização – A AP indeniza apenas a desmobilização (caso a
empresa tenha tido gastos para se deslocar, montar infraestrutura na
cidade onde o contrato seria executado)

35
 Pagamento proporcional – pago até o tempo de execução do contrato –
não se fala em danos emergentes e lucros cessantes – porque não foi a
AP que deu causa

d) Culpa da AP (Recisão Judicial) – a AP é responsável por gerar inexecução do contrato,


só cabe recisão na via judicial.
 Instrumento judicial cabível – Mandado de Segurança para a rescisão e Ação de
Responsabilidade Civil para a indenização
 Art. 79, III c/c 78, XIII a XVI
 Amplo ressarcimento: art. 79, §2˚ - pagamento proporcional até a recisão;
desmobilização e devolução do valor da garantia (caso tenha sido feita por
caução ou por depósito judicial do valor) + Danos morais

e) Pleno direito – não tem mais o contrato ser cumprido


 Falecimento – se o contrato tem por contratado pessoa física, e essa vem a
falecer o contrato é rescindido (natureza intuito personae)
 Dissolução da sociedade empresarial – empresa se torna inativa, deve dar baixa
na junta comercial
 Falência – se a empresa declara falência ela não tem mais condições de cumprir
os contratos, afeta a sua habilitação, se torna inabilitada. Em caso de
recuperação judicial não gera recisão de pleno direito – ao contrário a empresa
precisa cumprir com os contratos para pagar os credores.
 Perecimento do objeto

f) Culpa do contratado – art. 78, I a XI e XVIII, L.8666


 Consequências - art. 87
 Advertência
 Multa contratual – prevista no contrato. Abatido do valor da garantia
 Suspensão de licitar e contratar – prazo de até 2 anos – válido apenas
para a AP contratante.
 Declaração de inidoneidade – até 2 anos – mostra a inaptidão da
empresa para executar contratos públicos. É possível extinguir a
declaração de inidoneidade antes do prazo previsto, se o contratado
reparar todos os prejuízos da AP.
 Retenção de garantia – A AP fica com a garantia – desconta o valor da
multa e fica com restante a título indenizatório
 Assunção indireta do objeto – execução direta (órgão) ou indireta
(autarquia, fundação) pela a AP
 Ocupação e utilização do local, equipamentos e pessoas (funcionários)
– a AP quer dá continuidade ao contrato e se utiliza do aparato da
contratada. É a AP que arca com os custos (paga funcionários,
manutenção dos equipamentos, aluguéis)
 Retenção de crédito do contrato – AP não paga o contrato – verba pode
ser realocada para a outra área.
 Responsabilidade civil extracontratual – indenização por danos
materiais e morais
Lei Geral de Telecomunicações (Lei n˚
 Responsabilidade penal – art. 89, L8.666
9.472), no artigo 131, §1˚ define: a
autorização de telecomunicações é ato
36 administrativo vinculado que faculta a
exploração, no regime privado, de
modalidade de serviço de telecomunicações,
quando preenchidas as condições objetivas e
subjetivas necessárias.
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS EM ESPÉCIE

Autorização

- Várias acepções:

 Autorização como ato de polícia – Ato unilateral e discricionário pelo qual a AP faculta
ao particular o desempenho de atividade material ou a prática de ato que, sem esse
consentimento, seriam legalmente proibidos – exemplo; produção e comércio de
material bélico.
 Autorização de uso de bem público – também ato unilateral, discricionário e precário.
 Autorização de serviço público – ato administrativo unilateral e discricionário pelo qual
o Poder Público delega ao particular a exploração de serviço público, a título precário.
Descentralização como colaboração.

- Ato administrativo unilateral, discricionário, precário e sem licitação por meio do qual o Poder
Público faculta o uso de bem público (ou a prestação de serviço público) a determinado
particular em atenção a interesse predominantemente privado.

 Delegação unilateral do Estado do serviço público ao particular – ato


administrativo autorizativo. O particular executa atividade sob condições
determinadas de forma unilateral pelo ente público delegante.
 Hipóteses do artigo 21, XI e XII, CF/88
 Não depende de prévia licitação porque, sendo o serviço prestado no interesse
exclusivo ou predominantemente do beneficiário, não há viabilidade de
competição.

- Em rega é deferida por prazo indeterminado, o que se relaciona ao seu caráter precário – a
autorização pode ser revogada a qualquer tempo sem qualquer indenização para o autorizatário.

 Caso seja outorgada autorização por prazo determinado, sua revogação


antecipada enseja indenização ao particular prejudicado.

- Não é necessária lei para a outorga da autorização porque desta não decorrem direitos, exceto
o direito de exercitar a atividade autorizada.

- Instrumento – termo de autorização confere a concessão de um alvará

Contrato de Permissão

- A permissão de serviço público é o ato administrativo unilateral, discricionário, intuiti


personae e precário que realizar, mediante prévia licitação, a delegação temporária da prestação
de serviço público.

- A precariedade significa que a AP dispõe de poderes para, flexivelmente, estabelecer


alterações ou encerrá-la, a qualquer tempo, desde que fundadas razões de interesse público
aconselhem, sem obrigação de indenizar o permissionário.

Natureza Jurídica: ato ou contrato administrativo?

37
- Doutrina majoritária: ato administrativo unilateral – pré CF/88

 Leva em consideração a natureza precária da permissão e a ausência de significativos


direitos do permissionário em face do Poder Público.

- Pós CF/88, o direito positivo passou a tratar a permissão como um contrato de adesão – art.
175, I, CF/88 e art. 40 da lei 8.987

 Posição adotada pelo STF no julgamento da ADI 1.491/98


 Posição adotada nos concursos públicos

Concessão X Permissão

Concessão Permissão

Quanto à natureza jurídica Contrato bilateral Unilateral

Quanto aos beneficiários Apenas Pessoas Jurídicas Pessoas Físicas e Jurídicas

Quanto ao capital Pressupõe maior aporte de Exige menor investimento


capital

Quanto à constituição de Constitui o concessionário Permissionário não possui


direitos em direitos contra o poder direitos em face da AP
concedente

Quanto à extinção Extinta antes do tempo – Devido ao caráter precário, o


unilateral concessionário faz jus à permissionário não faz jus a
indenização indenização pela extinção
unilateral.

Quanto à licitação Apenas concorrência pública Qualquer modalidade

Quanto à forma de outorga Lei específica Simples autorização


legislativa.

Contrato de Concessão – L 8987/95

- Concessão – contratos ampliativos nos quais a AP delega ao particular a prestação de serviço


público, a execução de obra pública ou o uso de bem público.

- Todas as modalidade de contrato de concessão são bilaterais, comutativos, remunerados e


intuito personae.

1. Concessão de serviço público

- É utilizado quando a AP opta por promover a prestação indireta de serviço público mediante
delegação a particulares.

38
- Art. 175, CF: Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de
concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.

Parágrafo único. A lei disporá sobre: (Lei 8.987/950) As concessões,


permissões e
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias autorizações de rádio e
de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de televisão, entretanto,
sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, não se sujeitam à Lei
fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; 8.987/95.

II - os direitos dos usuários; - art. 41, L.8.987

III - política tarifária;

IV - a obrigação de manter serviço adequado.

- A delegação da prestação quando estiver a cargo de concessionários e permissionários, por


expressa determinação constitucional, depende da realização de procedimento licitatório. No
caso da concessão, a licitação deve ser processada na modalidade concorrência pública, ao
passo que na permissão pode ser utilizada qualquer modalidade licitatória.

1.1. Teorias sobre a natureza jurídica da concessão de serviço público

a) Teorias unilaterais – a concessão de serviço público é um ato unilateral. Alguns autores


defendem que seria, na verdade, composta por dois atos unilaterais distintos, um de império e
outro referente aos dispositivos sobre remuneração do contratado, revestido de natureza
particulares regido pelo direito privado.

b) Teorias bilaterais – a concessão possui natureza contratual pressupondo a conjugação de


vontades entre a AP e o particular concessionário. Divergência quanto a natureza do contrato:

 Contrato de direito privado


 Contrato de direito público – visão majoritária – dotado de regime jurídico derrogatório
das regras contratuais do direito privado
 Contrato de direito público e privado: combinando regras publicísticas comportas
aplicáveis aos contratos privados.

c) Teoria mista: considera a concessão de serviço público um complexo de relações jurídicas


distintas e heterogêneas ligadas em torno da delegação da execução de serviço público a
particulares. (Celso Antônio Bandeira de Mello)

- CF e Lei 8.987/95 consideram a concessão de serviço público com um contrato administrativo


bilateral.

1.2. Conceito legislativo

Art. 2˚, II, Lei 8.987: concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo
poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou
consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e
por prazo determinado;

39
- Concessão de serviço púbico é o contratos administrativo pelo qual o Estado (poder
concedente) transfere à pessoa jurídica privada (concessionária) a prestação de serviço público,
mediante o pagamento de tarifa diretamente do usuário ao prestados.

a) Contrato administrativo – concessão de serviço público tem natureza jurídica de contrato


administrativo bilateral, obrigatoriamente escrito. Fruto do acordo de vontades entre o Poder
Público (concedente) e o particular (concessionário)

b) Transfere à pessoa jurídica privada: a legislação determina que o status de concessionária


não pode ser atribuído a pessoa física, mas tão somente a pessoa jurídica ou a consórcio de
empresas

c) Prestação de serviço público: concessão promove a delegação somente da execução do


serviço, sem nunca transferir a titularidade do serviço.

d) mediante o pagamento de tarifa: o concessionário é remunerado diretamente pelo usuário,


por meio do pagamento de tarifa. Nos demais contratos é diferente, o contratado é remunerado
pelo Estado, não pelos beneficiários da prestação. Na concessão também é possível que o
Estado receba contraprestação pela outorga da concessão, desde que esteja previsto na licitação.

1.3. Características da Concessão de Serviços Públicos

a) Exige prévia concorrência pública – art. 2˚, II, Lei 8.987/95 determina que a outorga da
concessão de serviço público depende da realização de licitação na modalidade concorrência
pública. Importante destacar que o edital pode prever a inversão da ordem das fases de
habilitação e de julgamento das propostas, adotando-se procedimento similar ao utilizado para a
modalidade pregão (art. 18-A, Lei 8.987).

 Programa de desestatização (PND) – se constar a concessão em programa de


desestatização ou privatização, pode ocorrer pela modalidade leilão.
 Art. 15, Lei 8.987 = prevê tipos licitatórios específicos para as licitações de concessões

b) o concessionário assume a prestação do serviço púbico por sua conta e risco: todos os
danos decorrentes da prestação do serviço público concedido são de responsabilidade do
concessionário.

 STF: RE 591.874/MS – tantos os prejuízos causados a usuários quanto aqueles que


atingem terceiros devem ser indenizados objetivamente.
 É responsabilidade direta, não pode ser acionado diretamente o Estado para ressarcir
danos decorrentes da prestação de serviços públicos em concessão.
 Responsabilidade do Estado – subsidiária.

c) Exige lei específica: somente o legislador pode decidir a


forma como deve ser realizada a prestação do serviço Concessão, além de lei, deve ter
público: se diretamente pelo Estado, por outorga a pessoas também um decreto em que constará:
governamentais ou, indiretamente mediante delegação a
concessionários. Assim, é necessária a promulgação de lei  Objeto da concessão
específica para que o serviço público possa ser prestado  Área da concessão
 Prazo

- Decreto deve ser publicado antes da


40 licitação da concessão.
- Art. 5˚, Lei 8.987
mediante concessão. A lei que autoriza a concessão disciplina a forma de prestação do serviço.
Não trata de nenhuma licitação específica.

d) prazo determinado – inadmissível celebração de contrato de concessão sem previsão de


termo final. Prazos próprios (prazos longos) – 5 a 20 anos

e) admite arbitragem – art. 23-A Lei 8.987

f) prevê a cobrança de tarifa: a tarifa não tem natureza de tributo, mas de preço público
exigido como contraprestação contratual pela utilização do serviço.

 Para atender ao princípio da modicidade das tarifas, a legislação prevê diversas fontes
alternativas de remuneração do concessionário: exploração de pontos comerciais ao
lado de rodovia, cobrança por propagandas comerciais.
 Menor valor de tarifa é um dos critérios para determinar o vencedor da licitação que
antecede a concorrência

1.4. Direitos e obrigações dos usuários

- Direitos: art. 7˚, Lei 8.987

 Receber serviço adequado;


 Obter informações para a defesa de interesses individuais ou coletivos;
 Obter e utilizar o serviço, com liberdade de escolha entre vários prestadores de serviços,
quando for o caso, observadas as normas do poder concedente
 Ter à disposição, no mínimo, seis datas opcionais no mês para escolher o dia de
vencimento dos seus débitos.

- Deveres:

 Levar a conhecimento do Poder Público e da concessionária as irregularidades de que


tenha conhecimento, referentes ao serviço prestado;
 Comunicar às autoridades competentes os atos ilícitos praticados pela concessionária na
prestação do serviço.
 Contribuir para a permanência das boas condições dos bens públicos pelos quais lhe são
prestados serviços.

Encargos do poder concedente – art. 29, Lei 8.987

Encargos da concessionária – três, 31, Lei 8.987

- Art. 31, p.u, Lei 8.987: a contratações, inclusive de mão de obra, feitas pela concessionária
serão regidas pelas disposições de direito privado e pela legislação trabalhista, não se
estabelecendo qualquer relação entre os terceiros contratados pela concessionária e o poder
concedente.

Intervenção

- Art. 32, Lei 8.987: visando assegurar a adequada prestação do serviço público, bem como o
fiel cumprimento da lei e das normas contratuais, o poder concedente poderá decretar

41
intervenção na concessionária, assumindo temporariamente a gestão da empresa até a
normalização da prestação.

- Ato de intervenção é realizado por meio de decreto, com a designação do interventor, o prazo,
os objetos e os limites da medida.

- Necessário instaurar processo administrativo para apurar a responsabilidade pela prestação


inadequada do serviço – garantia da ampla defesa e do contraditório.

- Finda a intervenção – o interventor deve prestar contas e responder pelos atos praticados
durante a sua gestão. Se a concessão não for extinta, a concessionária reassume a gestão do
serviço público.

Formas de extinção da concessão

- Dispostas no art. 35 da lei 8.987/95

a)Advento do termo contratual – é a extinção do contrato após o encerramento do seu prazo


de vigência. Extinção ipso iuri (pleno direito), ocorre automaticamente sem necessidade de ser
declarada.

b) Encampação ou resgate – é a retomada do serviço público, mediante lei autorizadora e


prévia indenização, motivada por questões de interesse público justificadoras da extinção
contratual – art. 37, L.8.987. Quais valores devem ser cobertos pela indenização em caso de
encampação:

 Indenização dos danos emergentes oriundos da extinção contratual, mas não dos lucros
cessantes.

c) Caducidade – consiste na modalidade de extinção da concessão devido à inexecução total ou


parcial do contrato ou pelo descumprimento de obrigações a cargo da concessionária.

 Motivos – art. 38, Lei 8.987/95


 Não extingue o contrato de pleno direito – deve ser declarada pelo poder concedente
após a devida apuração da inadimplência em processo administrativo com garantia da
ampla defesa.
 Deve ser dado prazo à concessionária para sanar eventuais falhas ou transgressões
apontados.
 Requisitos prévios à declaração de caducidade – art. 38 §§2˚ e 3˚, L. 8.987
o Cientificação da concessionária acerca do descumprimento contratual;
o Fixação de prazo para que promova as adequações necessárias;
o Instauração de processo com garantia de contraditório e ampla defesa;
o Comprovação de inadimplência.

 Inobservância dos requisitos – nulidade do decreto de caducidade


 Não gera direito a indenização. Contudo, no caso de reversão, o poder concedente deve
indenizar os bens revertidos, na forma como dispuser o contrato, descontando-se o valor
das multas contratuais e dos danos causados pela concessionária em razão do
descumprimento contratual – art.38, §5˚, L.8.987

42
 A declaração de caducidade não gera, para o poder concedente, qualquer espécie de
responsabilidade em relação a encargos, ônus, obrigações ou compromissos com
terceiros ou com empregados da concessionária.

A recisão do contrato, mediante declaração de caducidade, não constitui ato vinculado,


havendo, na verdade a possibilidade de a AP optar tão somente pela aplicação de
penalidades legais e contratuais, sem extinção do contrato.

d) Recisão por culpa do poder concedente – concessionário deverá intentar ação judicial para
promover a recisão contratual. Nessa hipótese o concessionário faz jus a indenização por danos
emergentes, mas não por lucros cessantes. Até o trânsito em julgado da ação judicial de recisão,
os serviços prestados pela concessionária não poderão ser interrompidos ou paralisados.

e) Anulação – extinção motivada por ilegalidade ou defeito no contrato. Desde que respeitado
contraditório e ampla defessa, pode ser decretada de ofício pelo poder concedente ou por meio
de ação judicial.

 Art. 59, l.8.666 – indenização pelos serviço já executados.

f) Falência ou extinção da empresa – como os contratos administrativos tem natureza


personalíssima, o desaparecimento do contratado induz à extinção do vínculo contratual

- Quando a extinção da concessão ocorrer por caducidade, falência ou extinção da empresa,


além das sanções administrativas previstas na Lei 8.666/93, poderão ser determinadas as
seguintes medidas:

1. Assunção imediata do objeto do contrato, no estado e no local em que se encontrar, por


ato próprio da AP
2. Ocupação e utilização do local, instalações, equipamentos, material e pessoal
empregados na execução do contrato, necessários à sua continuidade, na forma do art.
58, V, L.8.666
3. Execução da garantia contratual, para ressarcimento da AP, e dos valores das multas e
indenizações a ela devidos
4. Retenção dos créditos decorrentes do contrato até o limite dos prejuízos causados à AP.

Subconcessão – art. 26, L.8.987

- Consiste no instrumento por meio do qual parte da prestação do serviço é terceirizada a outro
concessionário.

- Deve ser prevista no edital e autorizada no contrato. Necessita ainda de expressa autorização
do poder concedente.

- Obrigatória a realização de licitação na modalidade concorrência para selecionar o beneficiário


da subconcessão .

Serviços públicos insuscetíveis de concessão

- Serviços públicos não privativos do Estado (saúde e educação) – particulares podem exercer
mediante simples autorização

43
- Serviços públicos uti universi (iluminação da pública e varrição de ruas) – impossibilidade de
cobrar tarifa dos usuários inviabiliza a concessão. Essas despesas são custeadas pela cobrança
de impostos.

Reversão de bens

- A legislação prevê a reversão ao poder concedente, com o término do contrato, dos bens
pertencentes aos concessionários que forem indispensáveis para garantir a não interrupção do
serviço.

 Princípio da continuidade dos serviços públicos

- A reversão deve ser prevista no edital licitatório e no contrato de concessão, incorporando-se


assim às despesas previstas para o concessionário na execução do serviço.

 O custo da reversão, normalmente, é amortizado no valor da tarifa cobrada do usuário,


não havendo necessidade de posterior ressarcimento pelo poder concedente.

- Em nome da supremacia do interesse público, é possível, entretanto, determinar a reversão de


bens do concessionário sem previsão no contrato, desde que a medida seja absolutamente
indispensável para garantir a continuidade na prestação do serviço.

 Nesse caso – indenização prévia e integral.


 Art. 36, L. 8.987

09/10/2019

Espécies de concessões

1. Simples – L.8.987/95 – todas aquelas regidas pela Lei 8.987/85

a. Concessão de serviço público – tem objeto único = apenas a prestação de serviço (já
destrinchamos acima)
b. Concessão de serviços públicos precedida de obra pública – tem dois objetos: a
realização de uma obra + prestação de serviço.
 Primeiro vem a obra, depois vem o serviço – o usuário só começa a pagar
depois do início da prestação do serviço
 Inclui também obras de manutenção – que ocorre durante a prestação do serviço
 Ex.: Pedágio

2. Concessões especiais – PPP's

- Características – L 11.079/04

 São as concessões mais vultuosas economicamente, e sua execução é mais complexa


em relação ao tipo de serviço.
 A insuficiência financeira do Estado justificou o surgimento desse regime especial.
 Nesse caso, o Estado precisa da ajuda de investimentos privados. Cumulação de
esforços: parte de investimento privado e parte de investimento público.

44
a) Lei 13.529/17: promoveu ligeira modificação na Lei 11.079/04 – limite do valor de contrato
(abaixou o valor o mínimo do contrato de PPP – antes era R$ 20.000.000,00)

 Valor mínimo de contrato: R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais)


 Alteração promovida para resguardar os princípios constitucionais sensíveis: autonomia
municipal e pacto federativo.
 Muitos municípios não teriam condições de firmar contrato de R$ 20.000.000,00

b) Prazo

 Mínimo de 5, máximo de 35 anos – previsto em lei


 Prazo que inclui a prorrogação

c) Sociedade de propósitos específicos

 Não é o Poder concedente que gere o contrato


 Criação de uma nova PJ, constituída para a gestão do contrato de PPP, de modo a
definir como se dará o compartilhamento de riscos
 PJ responsável por administrar a atividade e os riscos da PPP
 Responsabilidade = compartilhamento de risco

d) Licitação – modalidade concorrência SEMPRE

e) Limite de contrapartida de parceiro público – deve ser fixado no edital e no contrato

 Lei define que pode ser até 70% de contrapartida do poder público

f) Arbitragem – cabe a aplicação da arbitragem para solucionar os conflitos contratuais advindos


do contrato de PPP

g) Compartilhamento de riscos – deve ficar claro qual o limite de responsabilidade de risco do


parceiro público e do parceiro privado – definido no contrato.

 Por ter um parceiro público e um parceiro privado, ambos se comprometem pela


responsabilização do serviço

h) Não pode ter objeto único (mão de obra + fornecimento de equipamentos ou obras)

 Obrigatoriamente terá 2 ou mais objetos

- Espécies

a) Concessão patrocinada

 Necessidade de grande obra, para posterior prestação de serviço.


 Nesse caso a concessionária receberá duas contrapartidas: Tarifa do usuário +
contrapartida pública
 A contrapartida pública não entra na margem de lucro – visa apenas a viabilizar
a obra. O lucro advém das tarifas pagas pelos usuários.

45
 A concessionária pode receber também contraprestação pública para amortizar
a tarifa.
 Exemplo: linha de metrô

b) Concessão Administrativa

 AP é usuária direta ou indireta


 Não há cobrança de tarifa, mas complemento de parceria pública – serviços meios são
remunerados com valor superior para que a concessionária recupere os investimentos.
 Presídio de Ribeirão das Neves, Hospitais Públicos

INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE PRIVADA


- O fundamento jurídico geral que autoriza o Estado brasileiro a intervir na propriedade de
particulares é o princípio da função social da propriedade estabelecido no art. 5˚, XXIII, CF/88.

- Entretanto, o descumprimento da função social não é requisito para a intervenção do Estado na


propriedade privada. Alguns instrumentos de intervenção como a servidão e o tombamento, por
exemplo, não tem caráter sancionatória, podendo recair sobre propriedades cumpridoras da
função social.

- A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais
de ordenação da cidade expressas no plano diretor (art. 182, §2˚, CF/88).

- A propriedade rural cumpre a função social quando atende simultaneamente segundo


critérios e graus definidos em lei, aos seguintes requisitos (art. 186, CF).

 Aproveitamento racional e adequado;


 Utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente;
 Observância da legislação trabalhista;
 Exploração que favoreça o bem-estar de proprietário e trabalhadores.

Formas de intervenção supressivas de domínio – O Estado intervém na propriedade


modificando a titularidade da coisa resultando na sua transformação em bem público.

 Desapropriação
 Confisco
 Perdimento de bens

Formas de intervenção não supressivas de domínio – a intervenção estatal ocorre mantendo o


bem no domínio privado.

 Poder de polícia
 Servidão
 Tombamento
 Requisição e ocupação temporária.

46
TOMBAMENTO – 16/10/19

- Predomina doutrinariamente o entendimento de que o tombamento é um instrumento


autônomo de intervenção na propriedade instituído com a finalidade de preservação histórica,
cultural, arqueológica, artística, turística ou paisagística do próprio bem tombado.
Posicionamentos minoritários consideram que a naturezas jurídica do tombamento seria de
limitação administrativa (poder de polícia) ou tipo de servidão.

- Forma de intervenção autorreferente – volta-se para a conservação e preservação da própria


coisa.

- Tem natureza de direito pessoal e sua implementação depende da expedição de ato


administrativo discricionário.

- Fundamento constitucional – art. 216, §1˚

 Direito fundamental à cultura

- Patrimônio Cultural – acervo de bens materiais (móveis e imóveis) (particulares ou públicos)


e imateriais que refletem a cultura e história de um povo.

 Bens imateriais não são palpáveis, mas possuem valor para a coletividade (festas,
danças, artesanatos.

- Natureza Jurídica do Tombamento – declaratória

 Apenas reconhece juridicamente algo preexistente – o bem já possuía valor histórico/


material.
 Visão minoritária – constitutivo
o Gera direitos e deveres referentes ao ato de tombamento

- Disciplina normativa – DL 25/37

 Tombamento voluntário, realizado por iniciativa do proprietário;


 Tombamento compulsório, imposto administrativamente se o dono, após notificação se
opuser à inscrição da coisa no Livro de Tombo

- Tombamento pode recair sobre bens móveis ou imóveis, públicos ou privados, cuja
conservação seja de interesse da coletividade, sendo obrigatória a efetivação do registro de sua
instituição no cartório competente.

 Qualquer ente pode tombar bem de outro. Desapropriação só pode ocorrer


hierarquicamente, mas o tombamento não.

- Tombamento não transforma a coisa tombada em bem público, mantendo-a no domínio de seu
proprietário – bem tombado pode ser gravado de ônus e encargos e transmitido a terceiros

 Sujeita o dono a uma série de restrições extensivas também a terceiros.

- Tombamento pode ser:

47
 Total – recai sobre o bem inteiro
 Parcial – recai sobre parte específica do bem (exemplo: fachada de casarão)
 Geral – fundamentado em normas abstratas e que recai sobre quantidade indeterminada
de bens (exemplo: bairro histórico)
 Individual – incide sobre bem determinado

- Não se fala em direito de preferência – extinto

 Revogação do art. 22 da Lei de Tombamento, pela lei 13.105 que conferia direito de
preferência à União, ao Estado e ao Município, nessa ordem, na aquisição da coisa
tombada.
 Direito de preempção – art 25 e ss., Estatuto da Cidade (LEI 10.257)
o Deve constar no plano diretor da cidade a área específica sujeita à direito de
perempção
o Não se restringe apenas a imóveis tombados, qualquer imóvel pode ser gravado
com direito de preempção

- Responsabilidade pela reforma – proprietário sempre deve informar a respeito de reforma a


ser feita no bem tombando, deve submeter o projeto à aprovação do poder público. A princípio
a responsabilidade de todas as reformas é do proprietário

 Reformas Necessárias
 A responsabilidade do proprietário pode ser afastada se este comprovar que não
possui condições de arcar com a mesma. Nesse caso, a responsabilidade passa a
ser do poder público.
 Caso, eventualmente, o poder público venha a adquirir o imóvel, descontará do
pagamento o valor gasto com a reforma
 Reformas Úteis – projeto deve ser aprovado pelo IPHAN
 Reformas Voluptuárias – não podem ser feitas, pois fere a ideia do tombamento.

- Por gerar, inevitavelmente o aumento do poder de polícia, a lei de tombamento deve ser de
iniciativa do chefe do executivo.

- Espécies de Tombamento:

 Legislativo – lei de iniciativa do chefe do executivo.


 Caso seja bem imóvel é necessário averbação no registro de imóvel de que o
bem é tombado.

 Judicial – o pedido do tombamento deve ser feito em Ação Popular e Ação Civil
Pública
 Bem imóvel – necessidade de averbação

 Administrativo – no âmbito federal é feito pelo IPHAN. No âmbito estadual e


municipal é feito pelos conselhos responsáveis pela preservação do patrimônio.
Competência material comum (federalismo de cooperação). DL 25/37. Estados e
municípios podem criar normas próprias para tombamento.

48
 Provisório – fase em que o órgão tombador realizará vistoria sob o bem que se
pretende tombar. Feita com o intuito de verificar se o bem é original ou réplica
ou se foi realizada alguma reforma que o descaracterizou. Além da vistoria é
necessário um ato administrativo declarando o tombamento provisório, pode ser
feito até mesmo pelo chefe do executivo ou pelo órgão competente para tal. O
tombamento provisório representa o reconhecimento de que o bem possui um
valor cultural a ser preservado. Dessa forma, o bem já não pode mais ser
descaracterizado. Tombamento admite contraditório e ampla defesa em relação
ao seu objeto, pode-se provar que o bem a ser tombado não é original ou já está
descaracterizado. Se o órgão tombador verificar que o bem não é objeto de
tombamento, pode arquivar o processo de tombamento e então revogar o
tombamento provisório.

 Definitivo – após oportunizar o contraditório e ampla defesa, caso o órgão


tombador entenda que o bem deve ser tombado é feito a lavratura do bem no
livro de tombo. Por fim é feita a averbação do bem em registro público.

- A CF/88 previu o tombamento de todos os sítios detentores de reminiscências históricas


dos antigos quilombos.

DESAPROPRIAÇÃO

- Desapropriação ou expropriação é o procedimento administrativo pelo qua o Estado


transforma compulsoriamente bem de terceiro em propriedade pública, pagando indenização
prévia e justa em dinheiro.

 É o único instrumento de intervenção que garante prévia indenização – art. 5, XXIV,


CF/88.
 Domínio Eminente que o Estado exerce sobre todos os bens situados em seu território
 Supremacia do interesse público sobre o privado

Desapropriação direta – procedimento realizado de forma lícita, em conformidade com -


o devido processo legal (DL 3.365/41)

Desapropriação indireta – é esbulho possessório praticado pelo Estado quando invade


área privada sem observância do devido processo legal – usucapião

Forma originária de aquisição da propriedade, na medida em que a aquisição não está vinculada
à situação jurídica anterior.

- AP deve ter interesse em utilizar todo o imóvel. Caso tivesse interesse em utilizar apenas parte
do imóvel, sem inutiliza-lo, será servidão.

- Art. 5˚, XXIV, CF/88 – É preciso haver um motivo para que a AP realize essa máxima
intervenção na propriedade. Isso porque essa é a única intervenção onde o proprietário perde o
bem. Trata-se de uma alienação compulsória, onde o particular não pode se opor a venda do
bem.

49
- Competência para desapropriar, compreendia como
Desapropriação de bens públicos – art.
a habilitação jurídica para expedir o decreto
2˚, §2˚, DL 3.365/41
expropriatório ou a lei expropriatória declarando a
utilidade pública, a necessidade pública ou interesse É permitida apenas quando realizada de
social de determinado bem. cima para baixo (feita por entes
federativos superiores sobre os
 Entes federativos inferiores)
 Aneel – art. 10, Lei 9.074/95
 DNIT – art. 82, IX, Lei 10.233/01
 Com exceção da Aneel e do DNIT, nenhuma entidade da AP indireta tem competência
para desapropriar.

- Competência para promover a desapropriação, que consiste em executar atos materiais e


concretos de transformação de bem privado em bem público.

 Entes federativos, Territórios, autarquias, concessionárias e permissionárias de serviços


públicos.

- Desapropriação comum – motivos para o ato de desapropriação, que podem ser razões de
fato e direito, a razão de fato é a descrição do caso concreto, que se adequa a previsão legal
(razão de direito). A lei já prevê as hipóteses em que ocorrerá desapropriação:

 DL 3.365/41
 Necessidade Pública – rol taxativo, envolvendo situações de caráter
emergencial, como calamidade pública, que exigem a transferência urgente e
imprescindível de bens de terceiro para o domínio público, propiciando o uso
imediato pela AP.

 Utilidade pública – sempre para fins de reforma urbana, alocação de órgãos


públicos. Cabe também em imóvel rural, exemplo: desaproprio um imóvel rural
para a construção de uma escola rural.
o Art. 5˚ DL 3.365

 Interesse Social – L. 4.132/62 – desapropriação para “baixa renda”. Ocorre toda vez que
o Poder Público declara determinada área urbana como ZEI (construção de casas e
prédios populares). Em cidades acima de 20 mil habitantes a área de ZEI deve constar
no plano diretor. Nas cidades onde não é obrigatório o plano diretor, basta apenas lei
ordinária que define área como ZEI.
o Será decretada para promover a justa distribuição da propriedade ou
condicionar seu uso ao bem estar social – art. 1˚, L. 4.132/62

 Nesses casos cabe indenização prévia (antes da transferência do imóvel para AP) e justa
(pelo valor de mercado) e sempre em moeda corrente.

- Tredestinação ilícita – Direito de Retrocessão (rever anotações de ADM 1)

 Lesão à teoria dos motivos determinantes – o motivo ensejador do ato vincula o seu
cumprimento.

50
 Desapropriação por perseguições políticas e interesses econômico, supostamente
motivada em razões de interesse público, mas que ao final o imóvel não é utilizado para
o suposto fim da desapropriação.
 É ilícita porque foi feita de má-fé, configurando abuso de poder por desvio de
finalidade.
 É possível mudar o objeto (devido a fato superveniente), desde seja declarado em ato
posterior e o objeto seja lícito e em acordo com o interesse público. Nesse caso seria
tredestinação lícita.
o O CC permite que o bem desapropriado receba qualquer destinação pública,
ainda que diferente daquela anteriormente prevista no decreto expropriatório,
afastando a possibilidade de retrocessão.
 Comprovada a tredestinação ilícita, o proprietário tem direito ao direito de retrocessão.
Existem duas correntes sobre o que seria o direito de Retrocessão :
 Comporta apenas perdas e danos ao particular, mas o imóvel permanece para a
AP.
 Comporta perdas e danos e também a devolução do imóvel ao particular. Nesse
caso o particular deve devolver a indenização prévia e justa em dinheiro
corrigida. A devolução do valor pago previamente não é obrigatória se o
particular não tiver condições de fazê-lo.

- Imissão provisória da posse – se não houver acordo sobre o valor da indenização na via
administrativa, cabe ação de desapropriação. Contudo, a AP pode ter prejuízo se não ocupar o
imóvel imediatamente. Assim, a AP faz um depósito judicial e requerer a posse imediata do
bem antes do julgamento de mérito.

- Fases da desapropriação

 Declaratória – aquela em que a AP expede um decreto de desapropriação, onde é feita


menção qual é o objeto de desapropriação, quem é o proprietário ou posseiro, definindo
ainda o motivo da desapropriação. A lei deve prevê também o recurso orçamentário que
será utilizado para o pagamento da indenização.

 Executória – fase de discussão do preço da indenização. Ao final, sendo acordada a


indenização, é feita a transmissão do bem à AP. Caso não haja acordo de valores, a fase
executória é feita na via judicial, nesse caso se afasta o princípio da autoexecutoriedade
dos atos administrativos, sendo necessário o aval do judiciário para que o ato seja
eficaz.

- Ação de desapropriação – o particular pode arguir o valor da indenização e também vícios no


processo administrativo de desapropriação – incidente processual na fase declaratória (vícios no
decreto e tredestinação ilícita).

Desapropriações especiais ou sancionatórios – 18/10/19

- Não envolvem indenização prévia e justa.

1. Desapropriação por descumprimento da função social da cidade e da propriedade – art..


184, §4˚, III, CF/88 e Lei 10.257/01

51
-

I.I Edificação compulsória – Poder Público fixa um prazo para que o dono apresente um projeto
de obra para o terreno ocioso, feito por meio de lei municipal. Em seguida, após aprovação do
projeto, o poder público concede prazo para a execução do projeto.

 A avaliação do órgão competente serve para identificar se o projeto apresentado pelo


proprietário não é apenas subutilização do terreno.

I.II. Parcelamento do solo – Lei 6.766/79 (lei de parcelamento do solo urbano)

 Loteamento: subdivisão de gleba urbana, para utilização das glebas para edificações de
acordo com a função social da propriedade estabelecida no plano diretor. Para lotear é
necessário instalar equipamentos urbanos, que garantam o uso daquela área (iluminação
pública, saneamento básico, logradouros públicos). Desmembramento – subdivisão do
loteamento.

- Não cumula uma sanção com outra (ou edificação compulsória ou parcelamento do solo)

II. IPTU progressivo – Ocorre quando o proprietário continua a descumprir a função social da
propriedade após a aplicação da edificação compulsória ou parcelamento do solo. Necessário,
além do Código Tributário do Município, lei específica (LDO) para a implementação do IPTU
progressivo.

 Prazo máximo = 5 anos (de acordo com o Estatuto da Cidade).


 As alíquotas não podem superar o dobro da alíquota do ano anterior. Porque, caso
contrário, seria confisco (não pode ter uma alíquota tributária que atinja o valor venal da
coisa – valor de venda).
 A ideia do IPTU progressivo é forçar a função social do bem – não basta apenas pagar o
IPTU progressivo, deve dar função social da coisa

III. Desapropriação por descumprimento de função social – pagamento em títulos da dívida


pública resgatáveis em até 10 anos – precatório.

- Existe uma ordem a ser seguida. Primeiro aplica a edificação compulsória ou o parcelamento
do solo. Se o proprietário continua descumprindo a função social da propriedade, aplica o IPTU
progressivo. Por fim, a sanção derradeira é a desapropriação.

2. Desapropriação para reforma agrária – art. 184, CF/88 + Estatuto da Terra

- Não está sendo cumprida a função social da propriedade rural – definida no Estatuto da Terra.

- Ocorrerá sempre que houver latifúndios ou conjunto de pequenas e médias propriedades, que
atinjam a dimensão de um latifúndio.

- O pagamento da indenização é feito em título de reforma agrária com resgate em até 20 anos.

- Competência da união + autorização do senado para a expedição do título de reforma agrária.

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3. Desapropriação por cultivo de plantas psicotrópicas proibidas (art. 243, CF/88 + Lei
8.257/91)

- Por se tratar de um ilícito penal, não cabe qualquer tipo de indenização, ocorrerá na verdade o
confisco da propriedade.

- STF se manifestou sob a extensão da área a ser confiscada em caso de cultivo de plantas
psicotrópicas – decidiu que cabe invocação do princípio da proporcionalidade, assim a área a ser
confiscada é somente a área que foi utilizada para o cultivo e preparação da substância ilícita.

4. Desapropriação por trabalho escravo (EC 81/04)

- Também é um ilícito penal – trabalho análogo à escravidão.

 Supressão de direitos trabalhistas previstos na CF e na CLT

- Também é uma desapropriação confiscatória – sem indenização

LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS

- Intervenção restritiva – restringe o uso da propriedade

- Proteção do interesse público abstrato – ligado a uma ideia de prevenção. O poder público
quer amenizar um dano, prevenindo um tipo de risco futuro e provável.

- Comando geral definido por lei – toda limitação administrativa necessita de lei que a fixa. Isso
significa que a limitação não serve para atingir pessoas certas e determinadas, atinge todo um
conjunto de imóveis.

- Exemplos: limitação de construir a margem de rios. Plano diretor – fixa funções sociais da
propriedade

- Não gera indenização

25/10/19

REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA

- Art. 5˚, XXV, CF/88

 Iminente perigo público – Situação extraordinária, que está prestes a acontecer, como
Calamidade pública, epidemia, guerra, perseguição policial.
o Exemplo: perseguição policial com veículo particular, porque a viatura foi
batida e estragou.
o Requisição militar – guerra, perseguição policial
o Requisição civil – calamidade pública, epidemia, catástrofes naturais
o Tanto na requisição civil, quanto na requisição militar, caso não seja utilizado o
bem particular, danos concretos serão causados

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 Uso de propriedade privada – se fosse em propriedade pública, seria uma espécie de
convênio (termo de cooperação mútua).
 Indenização

- Características:

 Mitiga o caráter exclusivo do direito de propriedade – gera restrição, condicionando o


direito exclusivo de propriedade.
 Incide sobre bens de qualquer natureza – pode atingir bens imóveis (hospital), bens
móveis (veículos), bens de uso durável, bens consumíveis e serviços.
o Bens móveis consumíveis – não gera mera restrição, mas se trata de intervenção
supressiva tal qual a desapropriação. Porque não há como devolver o bem após
o uso.
o Requisição de serviço – integra bens imóveis, bens móveis consumíveis e
duráveis e também mão de obra.
 Uso de bem privado em caso de perigo iminente;
 Ato autoexecutório – não precisa de prévia autorização judicial. O caráter de urgência
faz com que a autoexecutoriedade seja um dos elementos da requisição.
 Indenização posterior e condicionada – a indenização só é paga se ficar comprovado o
prejuízo da utilização do bem, e essa indenização só será feita após a utilização do bem.
o Lucros cessantes – em alguns casos (exemplo do taxista)
 Direito de indenização prescreve – o particular deve exigir a indenização dentro do
prazo prescricional comum da administração, que é de 5 anos.
 Art. 22, III, CF/88: competência privativa da União para legislar sobre requisição.
o ADI 3.639/RN – o estado do RN editou uma lei para regulamentar a requisição
de veículos apreendidos pelo DETRAN. Essa lei foi declarada inconstitucional,
pois a competência para legislar sobre requisição é privativa da União.
o Exemplo da Lei 8.080/90 – Lei que regulamenta o SUS. Em seu artigo 15, XIII
disciplina a requisição para utilização em caso de necessidades de saúde

OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA – ato unilateral impositivo por parte da AP

- Palavra-chave – obra pública. Toda vez que a AP for realizar obra pública e precisar de um
imóvel, não edificado, para guardar o maquinário, se utiliza a ocupação temporária. Surge para
viabilizar a obra pública, evitando transtornos operacionais.

- Art. 36, DL 3.365/41 – decreto que também trata da desapropriação

- Características

 Propriedade imóvel – diferente da requisição administrativa que pode ser para qualquer
tipo de bem, a ocupação temporária só pode ocorrer em bens imóveis.
 Caráter de transitoriedade – vinculada à vigência do contrato de obra pública
 Indenização – dois tipos de indenização
o Vinculada à desapropriação – se o local da obra for objeto de desapropriação, a
ocupação temporária do imóvel vizinho deve ser necessariamente indenizada,
independente da comprovação do prejuízo.

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o Se a área da obra não foi objeto de desapropriação, a indenização fica
condicionada à demonstração de efetivo prejuízo para o imóvel que está sendo
ocupado.

- Depende o imóvel ser vizinho da área em que será realizada a obra + não há espaço dentro da
área pública para guardar os equipamentos da obra + o imóvel ocupado não estava sendo
utilizado.

- A ocupação temporária pode ser utilizada para a prestação de serviços públicos temporários e
excepcionais, que não configuram situação de urgência. Ocorre por curto período de tempo (1
ou 2 dias) – exemplo: campanha de vacinação preventiva (se for epidemia – requisição
administrativa), escolas para zona de votação.

SERVIDÃO ADMINISTRATIVA

- Uso parcial da propriedade – antenas de sinal, gasoduto, minerodutos. Pode ser feito pelo
Poder Público e pelas delegatárias.

- Direito real de uso, de natureza pública – precisa haver a averbação no registro do imóvel
(para gerar efeito erga omnes).

 Prazo indeterminado – princípio da continuidade do serviço público

- Palavra-chave: serviço público (finalidade da servidão)

- Bens imóveis – uso parcial do bem imóvel para a prestação do serviço.

- Instituído por Decreto e efetivado por acordo administrativo ou sentença judicial (se não
houver acordo com o particular).

 AP direta – decreto
 AP indireta – portaria
 Concessionária, delegatária – poder concedente emite o decreto (a iniciativa parte da
concessionária, e ela é responsável por indenizar)

- Instituição de servidão na via legislativa?

MATÉRIA DA 3˚ PROVA

AGENTES PÚBLICOS

01/11/19

- Estágio probatório – 3 anos para adquirir estabilidade Função de confiança – não recebe
novo cargo. O ocupante já fazia parte
 Se, passados os 3 anos a avaliação não é concluída do quadro da AP, ele apenas receberá
– adquire a estabilidade, mesmo que eventual novas atribuições, que se somarão às
avaliação venha a reprovar o servidor. Presunção funções de seu cargo originário. Plus
absoluta de que foi aprovado no estágio probatório. remuneratório – adicional de
confiança.
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- Cargo de confiança – provimento originário

- Se houver cargo ocioso em autarquia e fundação pública, é possível converter o cargo público
em emprego público – deve ser feito por meio de lei específica.

 Proibido mudança de regime para servidores da ativa.

- Fundação pública de direito privado e consórcio público de direito privado – emprego público.

Agentes Administrativos

c) Agente temporário – exemplo: professores substitutos

 Previsão legal, constitucional – art. 37, IX, CF/88: Excepcional interesse público
o Lei específica, criada pelo ente, que disciplina o disposto na CF/88: casos onde
pode ocorrer contratação temporária; prazo; condições do contrato; categorias
que podem ser contratadas temporariamente.
 Processo seletivo simplificado – mais célere e simples: nível de exigência técnica
menor do que o nível exigido no concurso com menos fases.
o Forma de garantir impessoalidade – não contratará quem o gestor quiser
o Princípio da eficiência – forma de contratar bons profissionais
o Pode ser feito por meio de provas, provas e títulos ou chamada
pública/credenciamento.
 Contratação por prazo fixo
o Lei específica define os prazos para cada categoria de profissionais – L.
8.745/93 alterada pela L. 9.849/99 (lei que regulamenta a contratação
temporária no âmbito federal)
 Necessidade temporária de contratação devidamente motivada
o Não cabe para funções burocráticas ordinárias e permanentes – nesse caso deve
haver concurso público para provimento efetivo.
 Não possui cargo, mas função pública – deve cumprir qualquer função de necessidade
da AP. Regime de designação, não possui cargo, mas função.

Agente honorífico – pessoas que detém uma reputação social ilibada, ocuparão cargos que
exigem "pessoas públicas": mesários, conselheiros tutelares, conselheiro municipal
(representando sociedade civil), jurados (tribunal de júri)

 Prazo determinado para o exercício da função


 Geralmente não são remunerados – exceção: conselheiros tutelares.
 Pode ser por eleição ou por indicação;
 Ocupam função pública

Agente credenciado – representatividade do Brasil em diligências internacionais, caráter


diplomático. Não possui caráter permanente, trata-se de diligências excepcionais.

 Cargos diplomáticas de caráter permanente são: embaixadores, cônsules, diplomatas.


 As funções transitórias: delegação desportiva; participação em eventos.

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Agente delegados – pela via contratual estão comprimindo um serviço público de
responsabilidade do Estado. Trata-se de descentralização administrativa. Não tem caráter de
excepcionalidade, ou seja, é feito para atividades ordinárias.

 Pessoa física do delagatário, do permissionário.

08/11/19

Concurso Nomeação Posse Exercício

Prazo para o Estado – 30


Prazo para o Servidor
dias

Procuração específica

Concurso Público

- Edital define a documentação exigida para a inscrição, define a remuneração, define ainda
como será feito o concurso.

- Edital fica vinculado:

 Lei que cria o órgão, também cria as carreiras do mesmo, estabelecendo a remuneração
 Estatuto do servidor

- Validade: até dois anos prorrogável por mais uma vez por igual período

 Prorrogação é discricionária

- Aprovação em concurso não gera direito adquirido à posse.

 Isso porque a nomeação gera custos para a AP – teto de gastos deve ser observado (lei
de responsabilidade fiscal):
o Análise pela Ministério responsável pelo planejamento financeiro
o Análise do Tribunal de Contas

- Cabe Mandado de Segurança: havendo cargo vago (elisão de cargo público – forjar a ocupação
de cargo de concurso com cessão de servidores e contratações temporárias) e estando dentro do
limite de gastos (aprovação pelo Tribunal e pela Ministério/Secretaria competentes).

- Homologação do concurso – ato de autotutela da AP

 Verifica se não há vícios no edital e no certame, julga recursos Adm., espera o


julgamento de MS com efeito suspensivo.

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Nomeação:

- Ato de convocação – informar o aprovado em concurso que ele estará prestes a se tornar
servidor público.

- Ocorre após a homologação do concurso – ocorre a nomeação (onde é declarado os aprovados


no concurso).

- Necessidade de publicidade – deve ser publicado no Diário Oficial

- Cargo comissionado – também é nomeado

 Cargo de chefia, assessoramento e direção


 Livre nomeação – não precisa ser motivado por razão de fato e de direito – a motivação
é a confiança daquele que nomeia em relação ao nomeado

- Cargo efetivo – concurso público

Posse:

- Investidura no cargo público – passa a ter direitos e deveres de servidor público

- Prazo de 30 dias, para o Estado, contados da publicação da portaria.

- Há sessão de posse – evento público

- Pode ser feito por procuração específica para o ato.

- Termo de posse – feito perante a autoridade competente

 Documentação comprobatória (idade, grau exigido, docs pessoais)


 Declaração de bens – feita a próprio punho ou de acordo com um modelo feito pelo
órgão
o Verificar se o padrão de vida do servidor é compatível com seus vencimentos;
o Verificar se não tem enriquecimento ilícito no exercício do cargo público.
o Não serve a declaração do IRPF – mas a partir do exercício pode ser feito
através da declaração do IRPF.

 Declaração de vínculo anterior


o Comprovar afastamento do vínculo anterior
o Controle de que não há impedimento para o exercício do cargo.

 Exame médico – perícia médica


o É feito por junta médica médica competente

Exercício:

- O servidor tem 15 dias, após a posse, para entrar em exercício – se apresentar no órgão para
onde foi provido.

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- Assunção efetiva das funções

- Improrrogável

 Obs: natureza do trânsito – a AP pode conceder prazo diferente para o servidor, quando
o local da posse é muito distante da atual residência do servidor. Máximo da mudança
de trânsito é 30 dias.

- Sem procuração – intuito personae

- Cabe exoneração – caso o servidor não entre em exercício no prazo estipulado. A exoneração
só ocorre após a posse.

Exoneração Demissão

- Desligamento do servidor - Desligamento do servidor – rompe o vínculo com a AP

- Caráter não punitivo - Caráter punitivo – ato infracional administrativo

- Hipóteses: - Hipótese: infração grave – tipificado em lei

 Vontade da AP – exoneração ad nuntum para - PAD – processo demissional (garantia da ampla defesa e
cargos comissionados. Não precisa ser motivado, contraditório)
pressuposto da confiança – decisão de naturezas
política.  Pode ou não ter prévia sindicância investigativa
o Exceto: diretor de agência reguladora –
ocupa cargo técnico. - Exercício do Poder Disciplinar
 A pedido do servidor – cargo comissionado - Responsabilidade Administrativa
 Inaptidão – reprovação do estágio probatório - Pode-se estabelecer prazo de até 5 anos para prestar novo
 Perda do prazo para exercício concurso (em caso de infração grave), deve constar no ato de
 Corte de gastos com pessoal – responsabilidade demissão.
fiscal (cargo comissionado – servidor efetivo não
estável – servidor efetivo estável)

- Ato de gestão da AP

13/11/19

Provimento

Originário

- Preenchimento de cargo sem possuir vínculo anterior com aquela AP que em será lotado.

 Ainda que tenha cargo público em outra AP ou emprego público – o provimento será
originário se o servidor não tinha vínculo anterior na AP para qual foi nomeado

- Forma única: nomeação

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 Cargo efetivo (cargo de carreira) – concurso de provas ou provas e títulos
 Cargo comissionado – livre nomeação e livre exoneração

Derivado

- Preenchimento de cargo decorrente de vínculo anterior entre o servidor e a AP

 Servidor já ocupava cargo público na AP, porém, em razões alheias a sua vontade ou
por razões administrativas, o servidor é forçado a deixar o seu cargo e depois deseja
retornar.

- 6 formas (L 8.112)

 Promoção – elevação de uma classe a outra dentro da mesma


carreira. Ocupa novo cargo, mas dentro da mesma carreira – Progressão – mudança de nível
exemplo: professor. Critérios dentro do mesmo cargo. Leva em
o Antiguidade ou merecimento (titulação) consideração o tempo e a
produtividade.
o Forma alternada – ora é feita por antiguidade, ora é feita
por merecimento. Cada AP deve regulamentar o seu Exemplo: Professor Associado I,
plano de carreira, prevendo as formas de promoção, Professor Associado II.
alternado entre antiguidade e merecimento até alcançar
o cargo máximo. - A constatação de falta
o Na promoção, o servidor recebe novas atribuições mais administrativa pode prejudicar a
progressão do servidor.
complexas e mais autonomia.
o Ascensão foi extinta – era a mudança de carreira, foi - Continua exercendo as mesmas
vetada pela L. 8.112. Por causa do princípio da atribuições.
concurso público (para mudar de carreira é preciso fazer
novo concurso).

 Reintegração
o Demissão injusta – o servidor efetivo foi demitido injustamente, por meio de
processo administrativo disciplinar que o condenou a demissão por falta grave.
o Súmula 473, STF: A AP pode rever seus atos viciados – princípio da autotutela.
Assim, à própria AP pode anular o PAD que demitiu o servidor. Além do
exercício da autotutela, a demissão pode ser anulada por meio de sentença
judicial.
o Efeito ex tunc
 Indenização – o servidor faz jus ao recebimento dos salários retroativos
referente ao tempo em que ficou afastado injustamente do cargo.
Servidor não pode ter nenhum prejuízo em relação ao recebimento de
salários, férias, décimo terceiro, progressão e promoção.
 Contagem de efeito exercício – o tempo que o servidor ficou afastado
injustamente do serviço será contado para efeitos de aposentadoria.
o Pode ocorrer:
 Mesmo cargo – se o cargo que o servidor ocupava antes da demissão
ainda existe, ele retorna imediatamente para o mesmo.
 Cargo de nome novo – transformação do cargo. Nesse caso, o servidor
ocupa o cargo equivalente as funções que exercia no seu antigo cargo.

60
 Cargo extinto
 Disponibilidade – nesse caso, o servidor fica esperando que a
AP o convoque para ocupar o novo cargo. Não recebe o salário
integral, mas proporcional ao tempo de serviço. Não pode
exercer outra atividade remunerada com vínculo empregatício,
pois ainda não rompeu o vínculo com a AP.

 Recondução – quando o servidor deixou o seu cargo estável,


para ocupar novo cargo e não consegue ser aprovado no Não aprovado no estágio
estágio probatório. A estabilidade é do cargo e não da probatório – exoneração
pessoa.
o Retorno do estável:
 Inapto em outro cargo
 Afastamento de cargo para posse em outro cargo – o servidor
pode pedir afastamento, nesse caso, ele pode retornar para seu
cargo caso não seja aprovado em novo estágio probatório. Mas
o servidor pode pedir também exoneração, nesse caso, o
servidor rompe de vez o vínculo com a AP, assim não pode
retornar para seu cargo em hipótese alguma.
 Sem indenização

 Estável em cargo de quem foi demitido – o cargo que o servidor


ocupava foi reintegrado por outro servido devido a demissão injusta.
Nesse caso, ainda que o servidor tenha pedido exoneração do cargo
anterior, ele retornar para ele.
 Afastamento em cargo anterior
 Sem indenização
 Mesmas condições da reintegração
 Se o servidor não foi aprovado em estágio probatório e não
possui estabilidade em outro cargo – ele é exonerado devido a
reintegração do outro servidor.
 Se, o servidor já foi aprovado no estágio probatório, mas não é
possível a recondução (cargo anterior extinto, ou inexistência
de cargo anterior) – o servidor fica em disponibilidade.

 Aproveitamento
o Retorno de servidor em disponibilidade – ocupação de novo cargo pelo servidor
que estava em disponibilidade. Ocupa cargo que possua atribuições similares
àquele que ocupava anteriormente.
o Reintegração ou recondução em cargo extinto
o Critérios – utilizado para decidir qual servidor será aproveitado primeiro:
 Maior tempo de disponibilidade
 Maior tempo de serviço
 Mais idade
o Cassação da disponibilidade – há uma nova posse, sendo necessário apresentar
todos os documentos exigidos para a posse. Se por ventura, o servidor não

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apresentar os documentos necessário à posse no prazo estipulado, haverá a
cassação da disponibilidade (os efeitos são os mesmos da demissão)

20/11/19

 Readaptação (debilidade)
o Modificação de condições de atividade por lesão total (física ou mental) ou
parcial – reajustamento para adequar as condições do trabalho à capacidade do
servidor.
o Mudança de cargo para outro compatível com as condições e remuneração do
servidor – pode ou não ser no mesmo órgão.
o Obs.: lesão
 Readapta – se apesar da lesão, ainda poder realizar atividades
 Incompatível (não está apto para exercer nenhuma atividade laborativa)
– aposentadoria por invalidez
 Necessidade de se submeter à perícia médica para determinar se a
incapacidade é total ou parcial. É realizado por uma junta médica, no
caso de servidor público federal (SIASS).

 Reversão – reverte a inatividade para a atividade do servidor. (Desaposentação – na


atividade privada recebe essa denominação)

o Retorno do aposentado: pode ocorrer em duas situações

 Aposentadoria comum – servidor preenche os requisitos e solicita a sua


aposentadoria:
 Voluntária – a aposentadoria se deu por ato do servidor (se o
servidor possui idade superior a necessária para a aposentadoria
compulsória não pode reverter) + idade compatível com serviço
público.
 Interesse da AP – a AP não é obrigada a acolher o servidor de
volta à ativa
 Cargo vago
 Máximo de 5 anos – não pode ultrapassar de 5 anos da data da
aposentadoria. Forma de impedir que o servidor não se torne
obsoleto, tornando o serviço ineficiente.

 Aposentadoria por Invalidez – lesão que gera incapacidade total


 Cessação da incapacidade – servidor tem condições de retornar
ao serviço público.
 Cessação dos motivos que determinaram a aposentadoria –
razão de fato não subiste mais (não há mais incapacidade
permanente).
 Só não ocorre a reversão se o servidor já houver completado os
requisitos para a aposentadoria voluntária.

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Formas de Deslocamento do Servidor – não é considerado provimento derivado, retira o
servidor, ou o cargo, de um lugar para outro. É diferente de provimento derivado, porque no
provimento derivado o servidor deixa ser cargo (por alguma circunstância), mas depois retorna.

1. Remoção

- Deslocamento do servidor – o servidor continua ocupando o mesmo cargo, com as mesmas


atribuições.

- Mudança de lotação (local onde o servidor exerce sua atividade) ou sede da prestação de
trabalho

- Mesmo quadro, com ou sem mudança de sede

 Sem mudança de sede – exemplo: mudança de professores, dentro da mesma


instituição, para outro departamento.

a. De ofício – por razão de interesse público

- Interesse da AP – a AP tem alguma necessidade de adequação na prestação de serviço, e


determina a remoção do servidor. O servidor não pode se recusar, é uma imposição.

- Exemplo: polícia – remoção para melhor distribuir os cargos.

b. A pedido – o próprio servidor instaura o processo de remoção

- Interesse da AP - quando o servidor deseja, e a AP entende ser pertinente. É um ato


discricionário da AP, ela não está obrigada a conceder.

- Independente do interesse da AP – ato vinculado

 Acompanhamento de cônjuge/companheiro – não prejudicar a unidade familiar


o Cônjuge ou companheiro servidor público (federal, estadual ou municipal) é
removido de ofício à interesse da AP.
o Não cabe remoção de empregado público para acompanhar seu
cônjuge/companheiro.
o Não cabe remoção em regimes distintos.

 Tratamento de saúde – do próprio servidor, cônjuge ou companheiro, ou dependente


o Na cidade onde o servidor está lotado não possui tratamento
o Necessidade de perícia médica (verifica a existência da doença e a
incompatibilidade do local de lotação com o tratamento) – SIASS em caso de
servidor público federal

c. Concurso de remoção – quando existe mais interessados em remoção do que cargos a


serem removidos. É na verdade um processo seletivo, não necessariamente deve ter
provas (pode fazer, mas não é obrigado), pode estabelecer outros critérios.

2. Redistribuição

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- Deslocamento do cargo – muda para outro órgão.

- Mudança do local para lotação

- Economia para a AP – porque não aumenta cargos novos, não tendo a necessidade de abrir
concurso público, diminuindo as despesas da AP.

- Requisitos:

 Discricionariedade
 Vencimentos equivalentes
 Atribuições de cargo, responsabilidades e complexidades das atividades idênticas
 Mesma formação profissional e acadêmica(mesma especialização)
 Compatibilidade entre atribuições do cargo e finalidades institucionais do órgão ou
entidade

3. Substituição – deslocamento interino

- Servidor assume a responsabilidade de um superior (ausente)

- Acúmulo de funções

- Remuneração pelo excedente a 30 dias de substituição

22/11/19

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO – danos causados ao administrados

- Fundamento Constitucional – art. 37, §6˚, CF/88

 Teoria do Risco Administrativo – responsabilidade objetiva, sem necessidade de provar


dolo ou culpa do agente, basta provar a conduta, dano e o nexo causal. Ao criar e
regulamentar um serviço público, a AP tem o dever de garantir sua prestação adequada
e de qualidade, portanto, a própria ocorrência do dano já demonstra a culpa da AP.

- A quem se aplica?

 Fica sujeito à essa teoria as PJ de direito público


 PJ de direito privado prestadoras de serviços públicos – Empresas Públicas, Sociedades
de Economia Mista.
 Delegatários do serviço público (permissionários e autorizatários) – Estado responde
diretamente
o Concessionárias respondem diretamente pelos danos causados (e não o Estado)
– prestam serviço por sua conta e risco. O Estado nesse caso reponde apenas
subsidiariamente. A única exceção é no caso das PPP's, onde há um
compartilhamento de riscos entre a concessionária e o Estado.

- Danos causados por agentes nesta qualidade

 Responsabilidade objetiva

64
Conduta – praticada por agente Nexo causal – liame entre Dano – prejuízo causado ao
público nesta qualidade, ou seja a conduta do agente e o administrado, devido a lesão
agindo em nome do Estado, no dano sofrido pelo de algum direito seu.
cumprimento de uma função administrado
pública

 Agentes Políticos
 Empregados Públicos
 Servidores Públicos
 Servidor Temporário

- Excludente de ilicitude – são situações em que,


mesmo que o Estado aja prudentemente, não se poderia evitar o dano, Mesmo que o agente não esteja
pois este ocorreu por evento alheio a sua vontade e a seu controle. atuando em nome do Estado, caso
exista a aparência de que ele está
nesse condição, ainda cabe
 Caso fortuito – evento da natureza indenização por parte do Estado.
 Força maior – ação de terceiro Por exemplo, o policial fardado,
 Culpa exclusiva da vítima fora do horário de trabalho, atira
em alguém durante uma briga de
- Culpa concorrente – conduta do Estado e da vítima contribuem para a trânsito.
ocorrência do dano.

 Apuração do nível de responsabilidade do agente e o nível de responsabilidade da


vítima para determinar o quantum da indenização.

- Direito de Regresso – direito do Estado de haver do agente causador do dano o valor pago a
título de indenização do administrado.

 Responsabilidade subjetiva – deve comprovar dolo ou culpa do agente, não se admite


direito de regresso objetivo.
 Teoria da dupla imputação (STF) – por uma mesma conduta, o Estado responde
objetivamente, mas o agente responde subjetivamente. Ou seja, há a necessidade de
uma dupla apuração de responsabilidade.

- Teoria do risco integral (aplicada apenas em casos excepcionais) – teoria que não admite
excludente de responsabilidade. TUDO é responsabilidade do Estado.

 Dano ambiental – se o Estado praticar dano ambiental (lixões a céu aberto)


 MAZZA – atividade nuclear e seguro DPVAT
o Éder entende que o seguro DPVAT está inserido na responsabilidade
contratual, pois os proprietários dos veículos devem ter apólice de seguro.

Responsabilidade civil por omissão

1˚ Corrente (Helly Lopes)

- Corrente minoritária

65
- Súmula 279, STF:

- RE 677283 (17/4/12)

- Responsabilidade objetiva – pois como a CF/88 não fez ressalva à omissão, então também
seria responsabilidade objetiva.

 Ausência, insuficiência ou prestação tardia

2˚ Corrente (Bandeira de Mello)

- STJ Ag.Rg no AResp 501.507/RJ (02/06/14)

- Responsabilidade subjetiva:

 Omissão estatal – prestação tardia, insuficiência ou ausência


 Dano
 Nexo causal
 Culpa administrativa – o agente agiu com culpa ou dolo

3˚ Corrente (Cavalieri Filho) – tendência dos tribunais

Omissão Genérica – Estado Omissão Específica – quando o Estado tem o dever de cuidado sobre determinadas
não pode ser visto como pessoas. Exemplo: detentos, pacientes em hospitais, alunos em uma escola. Existem
garantidor universal (como a 2˚ estabelecimentos públicos, onde o Estado se compromete a garantir a segurança.
corrente)
- Responsabilidade objetiva
- Não há responsabilidade
- Dever legal específico de agir – culpa in vigilando – dever de garantir a segurança dos
- Responsabilidade subjetiva – usuários de serviço público, e dos funcionários que o prestam.
responde na medida de suas
condições. Cláusula da Reserva - RE 677.139/ STF (22/10/15)
do Possível. Além disso, deve
ficar comprovado dolo ou culpa - RE 841.526/RS/STF (30/03/16) – entendimento jurisprudencial mais recente.
do agente.
- Ag.Rg no REsp 1.305.259/SC/STF (21/04/13)

- Responsabilidade do Estado por ato legislativo e erro judicial – a RC do Estado não se resume
aos atos dos agentes públicos na prestação de serviço (ligado ao executivo).

 Erro judicial – sentença condenatória em caso de ausência de materialidade do crime.


Manutenção do preso em estabelecimento prisional, mesmo depois de extinta a pena
 Ato legislativo – lei de efeito concreto

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