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- Primeira Guerra Mundial enquanto marco histórico fundamental: divisor entre o século XIX e o século XX

Mudanças políticas, econômicas e sociais posteriores a 1918 – em parte decorrentes da própria guerra – sugerem o século XX ser uma época histórica
distinta do século XIX

- O Imperialismo

No inicio, entendido a partir da expansão territorial das principais potencias europeis e com o neocolonialismo (movimento de conquista e criação de
colônias em vastar áreas do mundo – principalmente áfrica e Ásia – no final do século XIX

Conotação mais ampla: relação entre o impulso para a expansão das grandes potencias com características mais gerais de sua economia e sociedade.

- Nacionalismo, protecionismo, colonialismo, exportação de capitais, concentração do capital

Elementos que condicionam as relações entre as potencias europeias no final do século XIX

Ambiente de crescente conflito que culmina na deflagração da I GM


Imperialismo e expansão colonial europeia no final do século XIX

Noção antiga de Imperio

- Imperialismo: a partir do século XIX

1ª vez: França (1830) -> indicar as ideias dos defensores do antigo império napoleônico; mais tarde enquanto critica as pretensões de Napoleão III

Final do século XIX (ganha força): 1º) forma oficial de expressar a política de expansão colonial (constituição de impérios) por parte das potencias europeias
(e também Estados Unidos e Japão); 2º) também nas justificativas e na defesa da própria expansão colonial; 3º) critica à essa política imperialista

Noções de Imperio e Imperialismo: associadas à dominação que um Estado exerce sobre outro Estado ou nação (identificação com a expansão colonial do
final do século XIX)

Antigos impérios coloniais: Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra, frança (colônias e feitorias comerciais)

Queda do antigo colonialismo a partir do final do século XVIII a meados do século XIX

- Exceções entre 1840 e 1870:

Grã-Bretanha (colonização da nova Zelândia, costa do ouro – Gana -, hong-kong, Natal – sudeste da africa do sul, Serra Leoa, Transvaal – nordeste da áfrica
do sul) -> constituição das colonias da União Sul-Africana, Rodésia (do norte e do Sul) – Zambia e Zimbabwe, Bechuanalandia – botswana, Uganda, Quenia,
Somalia Britanica - somalilandia, Nigéria, Egito (não colônia, mas sob controle), Sudão (Não colônia mas sob controle)
França (colonização da Argélia, partes do Senegal, Indochina – Vietnã, , nova Caledônia, Taiti) -> Colonias francesas: Marrocos, Argélia, áfrica ocidental
(mauritania, Senegal, Sudão Frances – Mali, guiné, costa do marfim, Níger, alto volta – burkina faso, daomé - benim, áfrica equatorial francesa (congo,
gabão, republica centro-africana, Chade), Somália francesa – djibouti, Madagascar

Estados Unidos e Russa: anexações territoriais de areas continentais vizinhas ao território previamente ocupado

Colonias de Portugal e Espanha: Angola, Moçambique, Guine-Bissau, Marrocos Espanhol, Rio do Ouro –Mauritania/Marrocos , Guiné Equatorial

Colonias da Alemanha: Camarões, Africa Oriental Alemã – Tanzania, Burundi, Ruanda -, Namibia

Colonias da Italia: Libia, Eritreia, Somalia Italiana

Colonias da Belgica: Congo

Colonias na Ásia

Grã-Bretanha: India, Ceilão (Singapura), Birmânia, Malasia

França: Indochina (Laos, Combodja, Vietna)

Holanda: Olhas de Sumatra, Java, Bornéu

Estados Unidos: Filipinas

Japão> Formosa, Taiwan, Coreia

Portugal: Diu, Goa, Macau


Colonias da Oceania

Grã-Bretanha: Australia, Nova Zelandia

Alemanha, França, Estados Unidos: Ilhas do pacifico

Indicadores:

- 90% do território africano ocupado sob a forma de colônia

- 99% do território da Oceania ocupado sob a forma de colônia

- 56% do território da Ásia ocupado sob a forma de colônia

Colocar a tabela 12.1


Razões das principais nações industrializadas promoveram a anexação de amplos territórios ultramarinos

- Atribuição do dever de transmitir aos povos atrasados as conquistas da civilização europeia – “aparência humanitária” de dominação das raças brancas
sobre os povos “atrasados” (superioridade física, intelectual, cultural)

- Levar o cristianismo aos povos da Africa e da Asia (expansão da área de ação missionária dependia da conquista de novos territórios)

- Impacto político da conquista de novos territórios: noção de imperialismo social (expansão externa pode gerar benefícios econômicos para atender, direta
ou indiretamente, as massas descontentes das metrópoles) e a pratica de oferecer aos eleitores a gloria, muito mais que reformas onerosas (o imperialismo
encorajou as massas, sobretudo as potencialmente descontentes, a se identificarem ao Estado e à nação imperiais, outorgando ao sistema político e social
representado pelo Estado, justificação e legitimidade).

São argumentos ideológicos mas relevantes pela possibilidade de produzirem adesão de diferentes parcelas da população à empresa de colonização de
maneira a sustentar a politica dos Estados imperialistas.

Todavia são insuficientes.


Questões estratégicas:

Conquistas britânicas na áfrica -> objetivo de defender as rotas para a índia contra eventuais ameaças de outras potencias

Diferenças no plano político em relação ao antigo colonialismo -> não se tratava de adquirir territorios para exploração econômica ou colonização, mas sim
expandir a apropriação de territorios com a intenção declarada de abandonar o status de potencia europeia e se converter em potencia mundial ->
aproveitar as possibilidades econômicas e as vantagens estratégicas, e o material humano das colônias, para fortalecer a posição de domínio nacional. Ideia
de que so as nações capazes de se transformarem em impérios se imporiam no futuro.

Desejo de vários países se afirmarem como potenciais mundiais expressava a emergência e a consolidação das condições dos novos países industriais
competirem com a Grã-Bretanha.

Esses elementos permitem entender as razões de algumas localidades com pouco a oferecer em termos econômicos, se manterem nessa condição por parte
das metrópoles por um longo período.

Razões econômicas:

Transformações da produção industrial nas ultimas décadas do século XIX criou a necessidade de fontes de novas matérias-primas e insumos industriais,
muitos encontrados nas áreas que foram objeto de colonização, ou em áreas formalmente livres (porem ligadas as nações industriais).

Exemplo: petróleo no oriente médio; borracha no congo, Amazônia, passou a ser cultivado na malásia; estanho na Ásia e America do Sul; cobre e outros
metais não ferrosos na áfrica e na america do sul; metais preciosos na áfrica do sul.

Crescimento populacional urbano-industrial exigia crescentes volumes de alimentos como cereais e carne (da america do sul, da Rússia, da Austrália), de
açucar, chá, café, cacau, e também frutas tropicais produzidas nas antigas e novas zonas coloniais.

A anexação do território capaz de fornecer alguns desses produtos garantia a nação industrial o seu abastecimento mediatne o monopólio exercido sobre o
comercio colonial.
Colonização e interesses comerciais:

- Camaroes -> Alemanha de Bismarck atendeu ao pedido de duas firmas comerciais de huamburgo que desejavam mercados para seus produtos e matérias
primas necessárias

- Tunisia e Marrocos -> França os estabeleceu como protetorados para proteger investimentos de agentes financeiros e portadores de títulos franceses

- Egito -> Grâ Bretenha controla as finanças do pais devido ao não pagamento de dividas

- Transvaal e Rodésia -> influencia de investidores ingleses para a sua colonização

Imperialismo além da colonização

- Principais potencias europeias também se voltaram para áreas não coloniais

Investimentos externos não se dirigiam majoritariamente as novas áreas coloniais (Africa e Asia) -> tabela com os dados (p. 298)

Busca de campo de investimetno em países independentes porem não industrializados -> impulso para a expansão externa das principais potenciais
industriais não se limitava à conquista de colônias

Importância de se analisar a economia mundial no período, as razões econômicas que, ao lado das demais, sustentaram a expansão externa das economias
industrializadas do final do século XIX e inicio do século XX.
Abordagens sobre o Imperialismo no começo do século XX (Hobson; Rosa Luxemburgo; Lenin)
A I Guerra Mundial:

Motivos economicos e políticos para o expansionismo dos principais Estados europeus.

- Divisão do território africano e defesa para que não houvesse desequilíbrio (porções excessivas para alguns países)

- Potencia = Bandeira tremulando ; Aquisição de colonias se tornou um símbolo de status em si, independente de seu valor

- 1900: Até os Estados Unidos se sentiram na necessidade de adotar este modelo de imperialismo

- Indignação Alemã devido a desproporção entre o seu poderio e dinâmica em relação ao seu território colonial, e importância economica e estratégica de
suas colônias, menor em comparação à grã-bretanha e a França

Tendência expansionista enquanto elemento potencial de conflito entre esses Estados

Embora se ressalte que a I GM não foi resultado imediato de um conflito decorrente de tendencias expansionistas politico-comerciais

Atuação da diplomacia para evitar a transformação de disputas territoriais em guerras (ex: guerra dos bôeres)

Nas relações entre os Estados europeus envolvidos na I GM, não estao ausentes as disputas inerentes a expansão colonial e ao domínio de mercados de
países independentes
Pretexto da I GM: assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando de Habsburgo (herdeiro do trono da Austria-Hungria) em Saravejo (Bosnia-Herzegovina)
em 28 de junho de 1914.

Executor era Sérvio -> Governo Austriaco declara guerra à Sérvia

A transformação do conflito entre dois países não potencia na I GM (relação entre imperialismo e a I GM)

- Apoio imediato da Alemanha à Austria (acionou a diplomacia europeia, organizada em torno de dois blocos cujo objetivo era preservar o equilíbrio de
poder entre as potencias europeis)

- Diplomacia em torno da Triplice Aliança (Alemanha, Austria-Hungria, Italia) 1882; Triplice Entente (França, Russia, Reino Unido) 1907 1

- Mobilização das tropas Russas para defender a Servia -> Declaração de guerra Alemã contra a Russia

- Conflito e mobilização do sistema de alianças -> envolvimento em poucas semanas dos dois blocos

- Abandono da Triplice Aliança por parte da Italia e alinhamento à Entente (aproximação com a França anteriormente)

Formação dos dois blocos e seus fundamentos

- Divisão gradual da Europa em dois blocos de grandes nações e opostos

- Esses blocos derivam do surgimento do império alemão unificado no cenario europeu (1864 – 1871), constituído pela diplomacia e pela guerra, e que, as
custas dos outros, procurava se proteger contra o seu principal perdedor, a França, através de alinças em tempos de paz, e que geravam contra-alianças

1
Ver sobre a entente cordiale.
- O principal é o conflito França Alemanha (Guerra Franco Prussiana) -> derrota francesa no campo de batalha, e perda dos territórios da Alsacia e da Lorena.

- Aliança Alemanha e Austria: objetivo alemão de se fortalecer em caso de algum conflito

- Aliança França e Russia: aliado diante dos conflitos de interesses dos russos com o império austro-hungaro nos Bálcãs

Posição decisiva: Grã-Bretanha

- Atuação da diplomacia Alemã para neutralizar a Grã Bretanha

- Antecedentes de conflitos com a França (guerras napoleônicas e conflitos no periodo de expansão colonial – Egito (Canal de Suez), incidente de Fachoda
(1898, Sudão) e disputas territoriais na Africa) e a Russia (guerra da Crimeia – meados do século XIX -, divergências em relação aos Balcãs, à Ásia –
Afeganistão e Irã), e expansão russa em direção à Índia – vista como ameaça pelos britânicos)

- Fatores que dificultavam algum tipo de acordo entre a Grã Bretanha, França, e Russia, além da supremacia britânica que tornava qualquer aliança
supostamente desnecessária.

Posição Britanica na maior parte do século XIX:

- função da Europa: ficar quieta para que pudesse dar continuidade ao desenvolvimento no resto do planeta

- Garantia de um equilíbrio de poder devido a marinha de dimensões mundiais e que controlava todos os oceanos e orlas marítimas do mundo (todas as
marinhas do mundo juntoas mal ultrapassavam o tamanho da marinha britânica)
O fator que induz a Grã-Bretanha para a Triplice Entente é a expansão do Império Alemão

- expansão econômica (sustentado por uma rápida e bem sucedida industrialização)

- competição dos produtos alemães com produtos ingleses em mercados tradicionalmente dominados por britânicos, e inclusive na própria grã-bretanha

- expansão colonial que criou atritos entre os países da tríplice entende e os alemães

- expansão naval alemã: ampliação da frota de guerra; questionamento da supremacia britânica nos mares (essencial para manutenção da integridade do
império, especialmente a India)

- Reconhecimento, ao final do século XX, que seus velhos rivais – França e Russia – não mais representavam ameaças reais ao seu poderio mundial

- Entendimento que leva a entrada da Grã-Bretanha pouco tempo após a deflagração da I Guerra Mundial pela declaração da Alemanha contra a Russia e a
França

Ausencia de divergências ideológicas significativas entre os países em guerra (embora o estimulo ao espírito bélico por parte do crescente nacionalismo)

- Deflagração de guerra não era esperada nem pelos estadistas envolvidos no conflito: crença em uma solução pacifica para o problema

- Desenvolvimento de diversas economias industriais em crescente competição e suas implicações (o imperialismo) levou a guerra
Reação da população (em geral)

- Não houve forte apoio popular a guerra nem uma relevante resistência ao recrutamento de soldados

- Grã-Bretanha: numero de voluntarios de quase dois milhões no primeiro ano da guerra

- França: apenas 1,5% dos convocados não atendeu ao recrutamento

- População movida pelo patriotismo e pelo nacionalismo endossou o ingresso dos países na guerra

- Apoio inclusive de partidos trabalhistas e socialistas (criticado por Lenin) -> abandono da população aos lideres que se opuseram a guerra

- Impossibilidade de previsão dos resultados populacionais da guerra: 60 milhoes de pessoas enviadas aos campos de batalha; 8,5 milhoes de mortos; 7
milhoes de multilados e incapacitados para exercer qualquer atividade no pós-guerra; 15 milhoes de feridos

Onus econômico da guerra

- redução da força de trabalho durante e no pós-guerra

- falta de preparo dos países para um guerra longa

- Sistemas produtivos submetidos a grande pressão para atender a crescente necessidade de bens para o front (esforço de guerra) e para a população civil

- Custo de 10 milhões por hora para manutenção dos gastos de guerra

- Galbraith (três maneiars de se transferir recursos humanos e materiais para uso bélico): força + pagamento através de fundos arrecadados mediatne
tributação + pagamento com moeda emitida para esse fim.

Força -> recrutamentod os soldados que recebiam quantias insignificantes


Aquisição de materiais e suprimeitos -> feitos, de inicio, com o aumento da tributação 1 terço dos gastos de guerra dos países financiados por impostos

Revertidos (impopularidade dos impostos) para empréstimos cujo efeito, na maior parte das vezes, correspondia à emissão de moeda.

Emprestimos também por meio da venda de bônus de guerra ao publico -> transferência de parte das poupanças do publico em geral par o governo, e
utilização desse recurso para a aquisição de bens para a guerra (recursos que seriam poupados se transformava em poder de compra do governo -> pressão
inflacionaria)

Outra forma de empréstimo: venda de títulos para os bancos, via abertura de depósitos do governo no valor dos títulos comprados (criação de um novo
poder de compra utilização para a aquisição de produtos para a guerra)

Não utilização formal de emissão de moeda mas os mecanismos atuam com o mesmo impacto inflacionário

- EUA: preços do atacado dobraram ao final da guerra

- Elevação muito maior na França

- Elevação ligeiramente menor na Grã-Bretanha e na Alemanha


Heranças da economia de guerra

- Capacidade produtiva afetada

- finanças publicas em profundo desequilibrio

- enormes dividas a serem equacionadas

- total desorganização monetária

- manutenção do padrão ouro insustentada (perda da confiança na conversibnilidade das moedas a partir do processo inflacionário e deterioração financeira
dos países europeus)

Pós-Guerra

- tentativas de reestruturação das economias nacionais e das relações internacionais

- busca na reconstituição das instituições do passado e novas instituições que rompiam com a velha ordem do século XIX.

Momentos finais da Guerra

- Sinais de esgotamento dos exércitos e das economias


- Quadro mais favorável para as Potenciais Centrais (Alemanha e Austria-Hungria)

- Frente Oriental estabelecida: tratado de Brest-Litowksy (março de 1918) entre a Russia e a Alemanha (expulsão da Russia da Polonia)

- Final de 1917: entrada dos Estados Unidos via fornecimento de apoio militar, armamentista, e financeiro, revertendo a posição favorável em prol da França
e da Grã-Bretanha