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INVESTIMENTO DIRECTO ESTRANGEIRO

1. Investimento
1.1 Conceitos
 Investir significa despender o capital com o objectivo de gerar um determinado
rendimento futuro.
 Em economia, investimento, significa a aplicação de capital em meios de produção,
visando o aumento da capacidade produtiva (instalações, máquinas, transporte,
infraestrutura), ou seja, em bens de capital.

2. IDE
2.1 Conceito

Investimento Directo Estrangeiro é um investimento efectuado por uma empresa, ou melhor


entidade económica em um outro país que não seja o de sua origem.

De acordo com a definição da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE,


2015), o Investimento Direto Estrangeiro “é um tipo de investimento transfronteiriço,
realizado por uma entidade residente num determinado país com a finalidade de estabelecer
um relacionamento de longo prazo, com uma empresa residente num país diferente daquele
onde se encontra registado o investidor (empresa de investimento direto)”.

De acordo com Noronha (2009), o conceito de IDE vem sofrendo reformulações ao longo do
tempo devido à mudança da forma como os agentes econômicos conservam seus ativos na
economia. De referir que isto ocorre principalmente para evidenciar as mudanças que as
decisões de investimento provocam na natureza da empresa que o realiza e no meio que está
implantado.

O Investimento Direto Estrangeiro faz com que país receptor contribua de forma relevante em
termos de desenvolvimento económico, como, na recuperação e modernização da economia,
assim como para o financiamento do défice da balança de transações correntes com o exterior.
O IDE é considerado um factor que gera o crescimento económico1, pelo facto de ser, para os

1
O crescimento económico pode ser entendido como um aumento sustentado da capacidade produtiva de um
espaço geográfico durante um período de tempo, baseado na transformação estrutural e expansão da
produtividade
países emergentes e em desenvolvimento, uma fonte para a angariação de fundos necessários
à resolução de problemas estruturais, relacionados com o bem-estar da população.

Como vantagens do IDE salientam-se as transferências internacionais de capital e de


tecnologia e o acesso a redes globais de distribuição e de marketing. O IDE tem também um
papel importante no estímulo à concorrência e à liberalização da economia local, pela
contribuição para a melhoria em termos de eficiência e para o aumento da difusão de boas
práticas na gestão das empresas e das instituições nacionais. 2

2.2 Factores de atracção do IDE

Como factores que levam à atractividade do Investimento Directo Estrangeiro temos:

 Estabilidade política: contexto político empresarial internacional;


 Credibilidade externa das políticas macroeconómicas;
 Agilidade burocrática;
 Segurança na constituição, no processo de produção e na distribuição interna ou
externa de uma empresa.

2.3 Causas do IDE

O facto de as entidades económicas decidirem instalar as suas unidades produtivas no exterior


podem ser classificadas em quatro grupos:

 Busca de mercados: caracteriza-se no aumento da base de clientes da empresa


multinacional, aproveitamento do crescimento dos mercados locais e superação das
barreiras ao comercio.
 Busca de recursos: consiste na exploração dos recursos naturais (por parte das
empresas multinacionais) abundantes do país alvo e a mão-de-obra de baixo custo.
 Busca de activos estratégicos: consiste em desenvolver competências, recursos e
capacidades de ampliação de sinergias tecnológicas e comerciais, assim como no
aumento da participação e do poder de mercado.

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RAIMUNDO, E. A. C. Impacto do Investimento Directo Estrangeiro no crescimento económico.
Orientador: professor Douctor António Augusto Texeira da costa. 2017. Dissertação (Economia) – Universidade
lusófona de Humanidade e Tecnologias, [S. l.], 2017.
 Busca de eficiência: caracteriza-se pela busca de maior produtividade e maior
eficiência, aproveitando economias de escala e diversificando riscos

2.4 Tipos do IDE

O Investimento Directo Estrangeiro pode ser realizado de acordo com quatro principais
modos de entrada, de forma a:

 Estabelecer uma nova filial no pais exterior - O Investimento novo ou de raiz;


 Investir através da aquisição de (ou da fusão com) uma empresa estrangeira já
existente no pais exterior - Fusões e Aquisições (F&A);
 Realizar um acordo comercial - A joint venture; e
 Alianças estratégicas.

 Investimento novo ou de raiz (também chamado de greenfield investiment) - refere-


se a projectos de investimento que envolvem o estabelecimento de novas instalações
no exterior, e na expansão das já existentes. Este apresenta uma certa potencialidade
para aumentar a capacidade produtiva resultante da expansão do capital, criar novos
postos de trabalho, permitir transferência e difusão de tecnologias, promover ligações
com mercados globais de insumos e de produtos finais, garantindo assim o progresso
no desempenho económico do país receptor.

 Fusões e Aquisições (F&A) – são investimentos que envolvem a aquisição ou fusão,


total ou parcial, pelas multinacionais, de empresas localizadas em outros países. Pode-
se incluir neste tipo de investimento, as transações de empresas privadas e públicas, de
oferta pública, aquisição em mercado aberto, permuta de ações, privatizações,
colocação de ações, recapitalização e aquisição de participações maioritárias.

 A joint venture – pode ser caracterizada como uma parceria, ou associação económica
entre duas empresas (tendo participação de uma firma local e de uma firma
estrangeira), que resulta na criação de uma nova empresa.
 Para Lacey (2006, p.16)3, Alianças estratégicas podem ser consideradas uma versão
light da joint venture, pois envolvem operações no exterior, sem a responsabilidade de
abrir uma nova empresa. As empresas podem se conhecer melhor e decidir pela
realização ou não de uma joint venture.

3. Fusões e Aquisições (F&A)


3.1 Fusões

A fusão é a operação, o contrato pelo qual duas ou mais sociedades se reúnem para dar lugar
a uma única sociedade mais poderosa. Se todas as sociedades fusionadas se dissolvem
gerando uma nova sociedade inteiramente distinta de qualquer das pré-existentes trata-se de
uma fusão propriamente dita. Se pelo contrário, uma delas absorve as demais e fica
subsistindo com a mesma forma jurídica, a mesma firma, trata-se de uma absorção ou
corporação. (Roldão, 2019:5)

3.2 Aquisições

A aquisição é uma operação em que a empresa compradora adquire integral ou parcialmente


outra empresa. De referir que nesta operação a empresa compradora matem suas marcas e sua
condição juridoca em quanto que a empresa adquirida pode ou não ter as suas actividades
enmcerradas. Apos a empresa assumir o crontrole da outra de acordo com a sua proporção, a
empresa compradora sucede a empresa adquirida em direitos e obrigações, ou seja, os direitos
e obrigações da empresa adquirida passam a integrar do balaco da empresa compradora.

3.3 Vantagens e desvantagens no processo de F&A


3.3.1 Vantagens
 Redução da concorrência
 Aquisição de novos talentos
 Acesso a novos mercados
 Expansão da base de clientes

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Abordagem dada Segundo: RAIMUNDO, E. A. C. Impacto do Investimento Directo Estrangeiro no
crescimento económico. Orientador: professor Douctor António Augusto Texeira da costa. 2017. Dissertação
(Economia) – Universidade lusófona de Humanidade e Tecnologias, [S. l.], 2017
 Diversificação do mercado
 Aumento de sinergias

3.3.2 Desvantagens
 Perda da força da marca
 Perda da produtividade
 Incerteza do posicionamento no mercado
 Dificuldade na aceitação de nova gestão

No âmbito da análise do melhor modo de entrada para o IDE, são estudadas as várias teorias
em torno dos determinantes da escolha do modo de entrada das empresas multinacionais4, e,
enfatiza-se o facto de que este é realizado ao nível das empresas, ou seja, a escolha entre F&A
e o investimento de raiz enquanto modos potenciais de entrada nos mercados estrangeiros,
depende de um conjunto de factores associados às características das empresas, das indústrias
e dos países.

No entanto, As F&A constituem, desde o final da década de 80, o principal modo de entrada
do IDE5.

4
Para um estudo aprofundado das Teorias tradicionais como a da internalização, a teoria dos custos de transação
(TCT) e o paradigma Eclético.
5
(RODRIGUES, 2009, p.146) (UNCTAD, 2006) (UNCTAD, 2007) adaptado por RAIMUNDO, E. A. C.
Impacto do Investimento Directo Estrangeiro no crescimento económico. Orientador: professor Douctor
António Augusto Texeira da costa. 2017. Dissertação (Economia) – Universidade lusófona de Humanidade e
Tecnologias, [S. l.], 2017.